Escorregou outra vez

Carlos Chagas

O presidente Lula superou-se em sua mais recente entrevista, concedida à TV-Bandeirantes. Depois de afirmar que Dilma Rousseff não é sua candidata, mas do PT, explicou não ter candidato, no exercício da presidência da República, mas, depois do expediente, assim como aos sábados e domingos, vai  para a rua fazer comício em favor de  Dilma.

Alguém precisaria alertá-lo de que presidente é presidente em tempo integral, 24 horas por dia e nos fins de semana também. Além do que, Dilma só é candidata do PT porque foi imposta ao partido por ele. Em outro trecho da entrevista, desmentiu-se, ao afirmar que está indicando uma companheira.

São declarações como essas que expõem o primeiro-companheiro. Não haverá um só cidadão, mesmo entre os que recebem o bolsa-família, capaz de acreditar não ser Dilma a candidata do Lula, ou ser apenas meia-candidata, das seis da tarde à oito da manhã.

E quanto a dizer que uma vez concluído seu mandato vai descansar sem pensar na volta ao poder, até porque se Dilma for bem no governo, terá direito a um segundo mandato?  No mínimo, precisará indicá-la outra vez, em 2014.

Por que não te calas?

Do outro lado é a mesma coisa, sejam as incontinências verbais ou escritas. Depois de indispor-se com José Serra, cobrando dele a precipitação de seu lançamento, o ex-presidente Fernando Henrique agora atropela Aécio Neves. Em artigo na imprensa, exigiu do ex-governador de Minas um engajamento explícito na campanha de Serra.

É mais ou menos como se um fiel pedisse a palavra, na igreja, para conclamar o padre a rezar melhor a missa. Intromissão indébita das grandes, porque Serra foi o senhor da oportunidade de colocar o seu nome, assim como Aécio será o árbitro  do tom da campanha em seu estado. Atropelar os dois como se fosse um mestre-escola só pode despertar ironia e mal-estar no ninho dos tucanos. No fundo, o sociólogo quer dar-se ares do que não é, ou seja, mentor dos rumos do PSDB. Melhor faria se aparecesse na solenidade de sagração do candidato,  sábado, com uma melancia pendurada  no pescoço, já que não foi selecionado para discursar…

Embrulho fluminense

Dia 10, enquanto José Serra estiver sendo oficialmente lançado candidato, em convenção de seu partido, em Brasília, Dilma Rousseff deverá estar no Rio, prestigiando o lançamento de Anthony Garotinho para governador. O diabo será convencer Sérgio Cabral da oportunidade desse apoio explícito a um seu adversário. Porque o atual governador disputará o segundo mandato e tem sido dos mais leais aliados do presidente Lula.

A hipótese de dois palanques  fluminenses para a candidata pode muito bem resultar em dúvida na cabeça do eleitor. Além do precedente capaz de desandar a campanha presidencial em outros estados. Se Dilma ter permissão para recomendar Sergio Cabral e Anthony Garotinho, a um só tempo, porque não poderá, em Minas, apoiar Helio Costa, num dia, e Patrus Ananias, no outro?

Investimentos

Desde abril de 2008 que China e Estados Unidos estão investindo 10 bilhões  de  dólares,  cada país, na Petrobrás. Em parcelas anuais, é claro, que apenas se encerrarão em 2020. Esses  recursos servem para  a empresa investir na extração do petróleo no pré-sal, que por coincidência só naquele ano estará sendo explorado comercialmente. A contrapartida é  o compromisso de o  Brasil  pagar a dívida em petróleo, na ordem de 200 mil barris-dia para chineses e outro tanto para americanos. Como os cálculos prevêem a produção de 1 milhão e 800 mil barris-dia, sobrarão 1 milhão e 400 mil barris-dia para o consumo interno e para negociações no restante do mundo. Hoje, consumimos 2 milhões de barris-dia, que produzimos, mas daqui a dez anos, muito mais.

Essas contas se fazem para termos a noção de que, junto com o petróleo, o etanol continua prioridade fundamental. Hoje, a produção é de 25 bilhões de litros por ano. Sendo assim, haverá também que buscar investidores para o etanol.


Eleitores ainda não têm opção definida

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha – muito boa – publicada pelo FSP de 3 de abril e descoberta pela Elena, minha mulher, antes que eu percebesse, revela bem o grau de indefinição que ainda envolve o eleitorado em torno da sucessão presidencial deste ano. A pesquisa procurou dividir as qualidades e defeitos de José Serra e Dilma Roussef no quadro inicial da disputa que reflete nas intenções de voto.

Antes porém de entrarmos no assunto, vamos relembrar o mais recente levantamento do Datafolha que apontou 36 por cento para Serra, 27 pontos para Dilma Roussef, 11 para Ciro Gomes e 8 por cento para Marina Silva. Os votos nominais somam 82 por cento. Logo, a faixa de 18 por cento reúne os indecisos e os que vão votar em branco ou anular o voto. Muito alta ainda esta faixa, no final da campanha cai para 7 ou 8 pontos. É sempre assim. Mas este é um outro tema. A questão principal é que 47 por cento dos que estão dispostos a votar em Serra disseram ao Datafolha desconhecer as qualidades do ex-governador, embora seja ele, nome de sua preferência.

Em relação a Dilma Roussef, 61 por cento do que a escolhem sustentam igualmente desconhecer suas qualidades. Em matéria de identificação de defeitos, 63 por cento acham que Serra não conhece os problemas do país. Em relação à chefe da Casa Civil, aliás, ex-chefe, esta indagação sobe a 71 pontos. Quanto aos defeitos identificados pelo eleitorado entre outros, estes se equivalem e representam percentuais muito baixos na pesquisa.

O que chama mais a atenção e realmente constitui o aspecto mais importante do levantamento é que em ambos os casos os índices de desconhecimento tanto das qualidades quanto dos defeitos supera as taxas de intenção de voto. Eis as provas apresentadas pelo Datafolha: 47 por cento ignoram as qualidades de Serra, mas mesmo assim, hoje 36 por cento dispõem-se a votar nele. Sessenta e um por cento desconhecem as qualidades de Dilma Roussef. Porém 27 por cento a escolhem como candidata. Logo, fica patenteada a força maior de emoção que da razão. As qualidades e os defeitos podem se tornar decisivos, mas predomina a emoção. Uma vantagem evidente em favor de Dilma Roussef que recebe apoio de Lula. E Lula, com uma aprovação de 76 pontos contra uma rejeição de apenas 4, sintetiza e interpreta muito mais a emoção do que a razão.

O levantamento demonstra indiretamente que é muito mais fácil transferir a emoção do que motivar pela razão. Não é apenas esta, entretanto, a vantagem de Lula que passe à Dilma Roussef: existe também a questão de política salarial. Infinitamente melhor do que a de Fernando Henrique Cardoso. Com Lula, os salários pelo menos empatam com a inflação. Na era FHC perdiam disparado. Este aspecto é pouco lembrado pelos cientistas políticos quando comparam a administração do PSDB com a do PT. Os trabalhadores foram torturados pela política trabalhista de FHC. Nada mais importante do que o salário para a vida humana. É preciso igualmente não esquecer que os padrões das classes de renda baixa evoluíram. Estavam estagnados de 95 a 2003. Uma parte substancial da emoção passa por aí. Por isso altos índices de desconhecimento dos candidatos pesa pouco. A emoção, esta sim, pesa muito.

A “Fábrica de Croquis” de cabralzinho

Mario Assis:
“Helio, com a rejeição a Cabral nas camadas mais pobres do Rio, onde perde em pesquisas para Garotinho, foi contratada uma “Fábrica de Croquis”, que semanalmente cria pelo menos dois protótipos de intervenções em favela, sem estudo prévio e sem viabilidade. Distribui o croqui colorido para que seja divulgado e com isso tentar recuperar o prestígio nas favelas. O pedido à “Fábrica de Croquis” é que faça desenhos em computação gráfica (mais fácil distribuição) no ritmo de 2 por semana. Aguardam-se os próximos.
Sinceramente – esqueçam a minha antipatia pela dupla Cabralzinho e Paespalho – eu nunca vi tanta mediocridade, tanta ausência de ideias, soluções inovadoras e criativas, enfim, tanta empulhação e incompetência quanta as que grassam nos governos estadual e municipal do Rio. Não há propostas que despertem entusiasmo, não há falas ou discursos que nos surpreendam pela inovação e criatividade. É um festival – horrendo – de mesmices, bobagens e besteiras ditas em tom professoral. É de pasmar!”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Mario Assis, por desnudar mais ainda, os desnudos governador e prefeito. Cabral vem em linha reta do “mais puro Marcello Alencar e filhos”. Sem esquecer do Garotinho e da Garotinha.

Eduardo Paes é a reencarnação do Padre Olimpio (prefeito do Rio quando Vargas demitiu o grande Pedro Ernesto, convencido de que seria seu adversário em 1938), há mais de um ano apenas rebocando carros que precisam estacionar em algum lugar.

Infelizmente, o prefeito fica até 2012, Cabralzinho pode ir embora no fim do ano, se o cidadão-contribuinte-eleitor votar com a cabeça.

Desespero inútil

Quando leu no jornal, que Lula viria ao Rio para o lançamento da candidatura de Garotinho, serginho cabralzinho filhinho chorou novamente e sem direito a royalties. Mais grave: tentou falar com o presidente, não conseguiu. Como sabia que o governador iria pedir para não vir, não atendeu.

Lula já foi chamado de “sapo barbudo” (Brizola, 1989), mas este não engoliu: “Assim, nem minha mulher votará na Dilma”. Agora, sofre, pretende ir pelo menos ao segundo turno, não sabe se perde para o Garotinho ou para o Gabeira. Gostaria que perdesse para o Gabeira, apesar de ser candidato dos “alencares”.

Perdeu o tempo, Cabral

Do governador: “Vamos estudar com calma, a venda de bônus”. Com calma? Só tem 9 meses, dá para uma gestação, não para a reeeleição. Em 2014 voltará para a Alerj.

Lindberg esqueceu

Candidato ao Senado, arrasou com Picciani, que também é (ou era?) pretendente ao mesmo cargo. O ex-prefeito de Nova Iguaçu falou na “fortuna do presidente da Alerj”. Mas não lembrou que ele foi indiciado por exploração de trabalho escravo, e consequente enriquecimento ilícito.

Arruda, “reconquistando” o tempo perdido

Amigos que visitam Arruda na prisão, informam: “No momento, ele tem apenas uma preocupação e atividade. “Arrumar documentos do passado, para reorganizar o futuro”. E acrescentam: “Quem pensar que o ex-governador desistiu da vida pública, está muito enganado”.

Yeda Crusius

É a maior tarefa do PSDB estadual: conseguir que não seja candidata à reeleição. Se insistir, o melhor resultado que obtém é o terceiro lugar. Que não ganha nada.

José Pimentel

Muita gente me escreve do Ceará, dizendo que ele será candidato ao Senado, “E ganha do Eunício ou do Jereissati”. A melhor resposta para oe x-ministro: Ha!Ha!Ha!

Comunistas no poder

“Estamos no governo”, diriam os comunistas em outros tempos. Em São Paulo estão mesmo, por escassos e improrrogáveis 9 meses. Em 2006 Aldo Rebelo queria ser vice de Serra, foi superado e ultrapassado pelo ex-stalinista Alberto Goldman, apesar do número 1 do PCdoB ser o próprio Rebelo. Agora, candidato a deputado, se elege, mas não sai disso.

A sujíssima Veja trocou de nome

Está encalhando tanto, empilhada nas bancas, que agora só chamo de pombo-correio: a revista que vai mas volta.

Vox Populi e DataFolha, divergência de rumo

Pedro do Coutto

Na noite de sábado, Boris Casoy divulgou no Jornal da Band pesquisa do Vox Populi sobre a sucessão presidencial que difere do levantamento recente do Datafolha, mais por uma questão de rumo do que propriamente pelos números encontrados. O Datafolha apontou 36 pontos para Serra e 27 para Dilma. Em relação a seu levantamento anterior, o ex-governador de São Paulo teria avançado cinco degraus e a ex-chefe da Casa Civil permanecido exatamente onde se encontravam há 60 dias. Uma diferença significativa.

Agora, uma semana depois, em relação ao mesmo período, o Vox Populi aponta Serra estagnado em 34% das intenções devoto e Dilma avançando de 27 para 31. Quem terá razão? Outras pesquisas que vêm por aí vão acrescentar dados à outra interpretação. Entretanto embora haja diferença substancial quanto ao rumo dos números que assinalam tendências, há concordância quanto às manifestações em torno de Ciro (pelo VP 10 pontos, 11 pelo Datafolha). Relativamente a Marina Silva, o Datafolha apontou 8%. O Vox Populi assinala 5. Os eleitores que ainda não decidiram  e os que vão votar em branco ou anular o sufrágio, são 20%. Estas correntes para o Datafolha são 18 pontos.

Seja qual for a pesquisa mais correta, ambas apontam Ciro Gomes e Marina Silva completamente fora do páreo. O desfecho como todos sabem, será entre Dilma e Serra. Retirando o nome de Ciro, Serra sobe para 38, Dilma para 33, e Marina para 7. Não muda muita coisa. Ciro, contudo, tira mais votos de Serra do que de Dilma pelo perfil social dos eleitores. Seu pequeno leitorado está mais na classe média do que nas classes pobres. Eis aí uma vantagem para Dilma ao longo da campanha.

Os grupos sociais de menor renda são os que custam mais a se definir e também os que mais temem responder às pesquisas. Por isso, a tendência de Dilma é avançar além de Serra a partir da campanha da televisão, que começa em julho, e contará com forte participação de Lula. Se agora o panorama é de equilíbrio, deverá deixar de ser a partir do instante em que Lula entrar pesado na propaganda. Segundo o Datafolha, a diferença apertada em favor de Serra poderia identificar uma tendência essencial. Mas pelo Vox Populi, a inclinação por Serra não se confirma, não havendo estagnação, mas sim crescimento de Dilma.

Os acordos regionais em São Paulo e Minas aparentemente favorecem Serra. Principalmente em São Paulo, onde parece irreversível a consolidação de Geraldo Alckmin para governador. Em Minas, há dúvida. Aécio será candidato ao Senado, podendo Itamar Franco, pelo PPS, vir a sair vice de José Serra. Neste caso o PSDB decola firme no estado. Mas o PT balança entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel.

Patrus é um candidato muito fraco diante de Fernando Pimentel. Se o PT apoiar o ex prefeito de belo Horizonte, a disputa em Minas se equilibra e desaparece grande parte da vantagem que Serra obterá com o apoio de Aécio neves para o Senado. Fernando Pimentel prefeito reeleito de BH tem muito mais  apelo popular do que o ex ministro. Vamos ver o que dizem as próximas pesquisas.

Livro de Dora Kramer

A jornalista Dora Kramer, grande jornalista e estilista de O Estado de São Paulo, lançou segunda-feira seu livro “O Poder Pelo Avesso”. Foi em São Paulo. Quarta-feira no Rio, na Argumento do Leblon. Que a obra seja tão imperdível como sua coluna diária do Estadão.

A importância de Minas na sucessão. Favorecendo Serra, com Aécio na vice. Sem ele, o estado se movimentará no caminho de Dona Dilma. Tremenda a luta para governador, PSDB, PMDB, PT. Sem tumulto, certos Aécio e Itamar, senadores

Na República Velha (ou Primeira República), havia composição para a disputa da Presidência. O presidente de São Paulo ou Minas, o vice do Norte/Nordeste. Exclua-se Afonso Pena (1906), de Minas, com Nilo Peçanha (Estado do Rio) de vice. Pela primeira vez se quebrava o “apelo” dos nordestinos para que paulistas e mineiros tivessem votos lá.

Depois, não houve mais nada. Vieram os 15 anos selvagens de Vargas (garantido pelos militares ) e os 21 anos torturantes dos militares (apoiados pelos civis), os presidentes só tinham aspas, os vices eram apenas para “constar”, não assumiam mesmo.

Na transição de 1985, Sarney, vice, ficou com o mandato inteiro. No impeachment de 1992, Itamar assumiu a metade. Em 1954, Café Filho já havia ficado 1 ano e 4 meses que Vargas deixou, saindo da vida para entrar na História.

Agora, a guerra se trava em Minas, os presidentes já escolhidos, mas desesperadamente querendo, tentando ou exigindo um vice de Minas. Para José Serra, nenhuma dúvida, tem que ser Aécio Neves. Não desistiu nem desanimou, vai esperar o tempo que for necessário, o vice tem que vir de Minas.

Exatamente o mesmo problema de Lula (é ele que coordena e decide tudo, ele sabe pelos jornais, às vezes pela televisão ou internet), o vice tem que ser de Minas. Se para Serra o nome é Aécio, para a chapa oficial tem que ser Helio Costa.

Com a grande vantagem de preencher dois vazios, melhorar sensivelmente a posição nacional e estadual. Dona Dilma ganharia um vice que é do ramo, caminhariam para encurtar o trajeto para o Palácio da Liberdade, de onde o PT está longe há tanto tempo, ou melhor, desde sempre.

Mas o obstáculo Helio Costa é intransponível, mesmo com o próprio Lula como coordenador. Colocaram para Helio Costa, duas propostas. 1 – Vice de Dona Dilma. 2 – Em Minas ele apoiaria um candidato do PT a governador. Só que o ex-ministro nem admite conversar sobre as duas hipóteses. E suas razões são indiscutíveis.

É a terceira possibilidade de ser governador, (e logicamente a última, não desiste de jeito algum. Na última vez perdeu por milímetros no primeiro turno e por diferença ainda maior no segundo.

A vice não interessa, primeiro porque acha governador de Minas mais importante. E segundo, porque não tem certeza da vitória de Dona Dilma. Helio Costa está na plataforma esperando “o último trem para Berlim”, e não troca a passagem por nenhum outro trajeto.

Além do mais, o PT quer que Helio Costa apoie um candidato do partido a governador, mas não tem candidato. Patrus Ananias deixou o ministério para ser candidato, mas a preferência em Minas, sem dúvida alguma, no momento está com o ex-prefeito reeeleito, Fernando Pimentel.

Sem ter jamais conquistado o governo de Minas, o PT “sente” que ficará fora mais 4 ou mais 8 anos, não resistirá. Helio Costa vem tentando desde 1990, afinal é agora ou nunca, ele não é Lula que se elegeu na quarta tentativa, depois de três derrotas. Além do mais, a conquista do governo está cada vez mais difícil, e só deve ocorrer no segundo turno.

Contra Helio Costa, há o candidato de Aécio, Antonio Anastácia, que além de excelente nome e de ótimas credenciais, está no governo e conta com o entusiasmo de Aécio.

Embora aprisionado por dois nomes, o PT precisa lançar um candidato, mesmo que saiba que não vai ganhar. Mas trabalha para o segundo turno, quando então poderá obter vantagens e compensações. Além de servir de palanque para Dona Dilma.

Esse segundo turno está reforçado por uma decisão que me surpreendeu e que passo aos seguidores, como revelação. O jovem deputado federal, José Fernando (filho de Aparecido de Oliveira) lança no próximo dia 9, sua candidatura a governador pelo PV. Não aceita nem admite conselhos, acha que assim reforça a candidatura de Dona Marina a presidente. Terá no máximo cinco por cento dos votos, elege um deputado federal e 2 estaduais, que é o seu objetivo, mesmo com o sacrifício da carreira política, que vem construindo solidamente.

Assim, garantido o segundo turno, que será Antonio Anastácia contra Helio Costa, não existe mais ninguém. Mas, apesar de Aécio ser o fiador e “o Cabo Canaveral” de Anastácia, Dona Dilma será favorecida. Ela ainda não percebeu, mas Serra sabe disso há muito tempo.

Falta então, dentro dessa análise isenta e irrefutável, preencher a cédula de senador. São duas, serão eleitos Aécio e Itamar. E na mais perfeita harmonia e camaradagem, até na campanha. Quando Aécio estiver em Juiz de Fora, Itamar estará no Trângulo, Aécio na Zona da Mata, Itamar no ângulo oposto, mas sentarão no Senado, bem perto um do outro.

A única dúvida nessa multidão de dados que estou servindo, poderá surgir apenas de uma alteração: SERRA CONSEGUIR CONVENCER AÉCIO A SER O VICE. Tentará até o último momento.

***

PS – Já venho dizendo há meses, que Aécio não pode, não tem por que aceitar, mas a pressão virá de todos os lados.

PS2 – Existe hoje, em Minas, mais do que visível, um sentimento de frustração, de decepção, de omissão pelo fato de Aécio não ter sido presidenciável. Não apenas por ele, mas inteiramente por Minas.

PS3 – Desde Itamar em 1992, Minas não dá um presidente. A colocação do próprio Itamar como senador, ameniza as coisas, diminui um pouco a tristeza, mas não resolve totalmente o problema. Sem Aécio na vice, Serra não ganha em Minas. Dona Dilma também namora eleitoralmente um vice que só quer ser governador.

O novo sacrifício do vice

Carlos Chagas

Não passou despercebido. mas ficou sem maiores comentários o novo sacrifício feito pelo personagem que, sem sombra de duvidas, teria a unanimidade  nacional caso houvesse eleição para escolher  o maior dos brasileiros da atualidade. Falamos do vice-presidente José Alencar, que no último dia 3  não se desincompatibilizou. Se quisesse, estaria eleito por antecipação para o governo de Minas, da mesma forma  como conquistaria uma cadeira no Senado. A simples menção dessas duas  possibilidades causou  horror entre gregos e troianos, ou seja, do governador Aécio Neves ao PT mineiro, e ao PMDB, o sentimento foi de pavor.

Por certo que ninguém passou recibo. Pelo contrário, todos aplaudiram a hipótese de Alencar disputar em outubro o Palácio da Liberdade ou a volta ao Senado. Mas tremeram uns e outros diante da  desarrumação político-partidária que uma decisão dessas causaria em suas projeções.

O vice-presidente chegou a declarar que seu futuro eleitoral dependeria dos médicos, ou seja, se o liberassem pelo diagnóstico da cura do câncer que o acometeu, estaria disposto. Só que não foram os médicos, de resto cautelosos, a causa de sua disposição por permanecer no Palácio do Jaburu. Foi seu espírito cívico e sua profunda devoção por Minas Gerais. Percebeu que  pelo óbvio passeio que seria o  seu reencontro com as urnas, viraria a política mineira de pernas para o ar.  Começando por melar os planos  do presidente Lula de conciliar o inconciliável, ou seja, reunir numa só aliança  Hélio Costa, do PMDB,  e Fernando Pimentel e Patrus Ananias, do PT. Depois, porque reduziria a pó a pretensão do já agora ex-governador Aécio Neves de fazer governador o seu  vice, Antonio Anastásia. Iriam todos para o fundo do poço.

Assim, em função de sua lealdade para  o presidente Lula e de sua devoção eterna para Minas, José Alencar sacrificou-se. Ficou.

Vulgarização

Do jeito que as coisas vão, nem mesmo os cientistas políticos darão atenção às pesquisas eleitorais. A mais recente, da Vox Populi, divulgada no fim de semana, causou tanta emoção no país quanto causaria a notícia de mais um dia de sol no litoral do Nordeste. Porque revelou, a consulta, o mesmo que outras anteriores, com as variações geradas pela metodologia de cada empresa: se as eleições fossem hoje, José Serra estaria eleito, tanto faz se batendo Dilma Rousseff por 9, 5 ou 4 pontos, dependendo da presença ou não de Ciro Gomes. Nas simulações para o segundo turno, as que realmente importam, o ex-governador de São Paulo até aumentaria a diferença.

Seria bom que os institutos dessem uma parada. Suspendessem as consultas por algum tempo, quem sabe até  depois da Copa  do  Mundo. Porque o risco é de sedimentarem o fato consumado e aumentarem o desinteresse popular pela eleição. De tanto ver Serra na frente, o cidadão comum poderá dar de ombros e aceitar os números como definitivos, quando na realidade poderá não ser bem assim.

Melhor seria, para os pesquisadores manterem a credibilidade de suas pesquisas  e  continuarem amealhando clientes para as eleições futuras, que promovessem um intervalo.   Não propriamente comercial, mas com vistas a não vulgarizar suas atividades comerciais…

Os ministros que saíram para tentar outros voos, podem aterrisar no vazio, posando para a eternidade, mas na verdade, pousando numa paisagem destruidora. Os que ficaram, esperam farta compensação

Dez ministros deixaram os cargos. É exigência constitucional, apesar do Brasil ter tantas Constituições, muitas delas não valem nada. Algumas foram ultrapassadas pelo Estado Novo, outras por Atos Institucionais. Mas a desincompatibilização é ritual que não pode ser desobedecido.

Dos 37 ministros de Lula, 27 ficaram nos cargos, não por fidelidade, mas por saberem que não têm votos para coisa alguma. Apenas 10 fizeram a opção por candidaturas por se acharem bons de votos ou por confiarem no apoio de Lula.

Vejamos o que almejam ou pretendem alguns deles, e as possibilidades.

Geddel Vieira Lima

Deixou de ser ministro por mais 9 meses, não é o mais grave ou o mais importante. O pior é ficar 4 anos sem mandato, por conta da absurda coincidência das eleições, único país do mundo onde existe essa impropriedade.

Depois de dizer horrores (pior até do que o prefeito Eduardo Paes) de Lula, agora precisa do apoio do presidente, pelo menos para fingir que vai para o segundo turno. Não vai.

Lula não pode deixar de pedir votos para Jacques Wagner, que sempre foi leal e é do PT. Além do mais, a luta é com Paulo Souto, franco favorito em 2006, que agora tem tudo para ir á forra. Que tristeza para Geddel.

José Pimentel

Ministro da Previdência praticamente desconhecido, deixa o cargo, declarando: “Não sei se serei candidato a governador, senador ou deputado federal”. Ha!Ha!Ha! Quem coloca tantas opções, não tem nenhuma. Será deputado federal. Governador reeleito, Cid Gomes, inacreditavelmente sem adversários. Surgiu um do interior, quase que imediatamente desistiu.

Os dois senadores serão o ex-ministro Eunicio de Oliveira e Tasso Jereissati, reeleito. O candidato do PMDB terá, proporcionalmente, a maior votação para o cargo. Jereissati também muito bem votado, logo depois de Eunicio.

Carlos Minc

Da mesma forma que o prefeito de Paris, sempre disse: “Não quero sair do Rio, é a minha cidade, minha paixão, minha razão de existir”. Surpreendentemente, foi feito ministro, o melhor de todos os 37 de Lula. Fez, não deixou que fizessem o que contrariava suas convicções.

Pela atuação, teria que ser governador do Estado do Rio, ganharia de Cabral de mil a zero. Ou senador. Só que pelo destruidor sistema político-partidário-eleitoral do Brasil, será mais uma vez deputado estadual.

É o que ele quer, pretende e deseja. Confesso que conhecendo o Minc desde os tempos de Pedro Álvares Cabral (perdão pelo sobrenome), não acreditei que ele se saísse tão bem. Terá a maior votação do Estado do Rio, ótimo para ele. Mas não para o Brasil, que deveria aproveitar esses grandes valores.

Reinhold Stephanes

Ficou sempre entre o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados. Agora, deixando o ministério volta à Câmara. E pode até ser ministro novamente, com Dona Dilma ou Serra.

Tem uma condição cada vez mais rara na vida pública: não se interessa em desviar ou deixar desviar o dinheiro público.

Alfredo Nascimento

É o grande aproveitador do defeituoso sistema brasileiro da acumulação de cargos e a superposição deles. No primeiro mandato de Lula foi ministro dos Transportes. Quando foi se despedir para ser senador, Lula pediu: “Põe o João Pedro como suplente”. Sabia que se ganhasse (ganhou) voltaria ao ministério para João Pedro assumir como suplente. (Já está há 3 anos no Senado, sem povo, sem voto, sem urna).

Agora é candidato a governador, mas tem mandato de senador até 2014. Se for eleito, o amigo de Lula, João Pedro, ganha mais 4 anos no Senado, não mais como suplente e sim como efetivo. Nascimento já foi favorito, está ameaçado de perder para o vice do governador Eduardo Braga. Mas Lula disse a ele: “Vou ao Amazonas quantas vezes for necessário, para eleger você e derrotar Artur Virgílio”.

Edison Lobão

Em vez do Ronaldo, é o verdadeiro fenômeno. Sem a menor preocupação com coisa alguma elevada e consagradora, foi senador, governador, ministro, que República. Comandando as Minas e Energia no apagão, deu a mais tola e idiota das “explicações”, devia ter sido demitido.

Ainda “torce” para ser vice de Dona Dilma, acha que ela não perde. Um fato melancólico: seu filho será novamente o “suplente 30”.

Fato auspicioso e que deveria ser comemorado em praça pública: o ministro já é Mauricio Zimmermann, a maior autoridade do Brasil em energia elétrica.

Henrique Meirelles

Dos que permanecem, o mais indeciso e retardado (nos dois sentidos da palavra) foi o presidente do Banco Central. Na verdade não sabia o que era melhor, sair ou ficar, tentou negociar com Lula. Como este resolveu endurecer, não conseguiu.

Já “mantido”, lamentou publicamente: “Não me vejo disputando eleição dentro de 4 anos”. Ha!Ha!Ha!

Guido Mantega

Tinha como certo que Meirelles sairia, conquistaria a liberdade. No esquema hierárquico, o BC vem depois do Ministério da Fazenda. Na realidade, Mantega era chamado sempre depois de Meirelles, o que fará da vida?

Paulo Bernardo

Aprisionado pela própria inércia, que é sinônimo de incompetência, não pôde sair, o que é diferente de “decidir ficar”. Só um objetivo: eleger a mulher para o Senado. Em 2006 não conseguiu, as chances agora, muito maiores.

Celso Amorim

Há meses anunciou que podia ser candidato ao Senado. Logo, logo corrigiu, “serei candidato a deputado”. Ficou no cargo, todo o esforço agora, é conseguir um bom posto diplomático, com Serra ou com Dilma.

Carlos Lupi

Há meses fez pesquisa sobre o futuro eleitoral, a conclusão: não se elege nem deputado estadual. Assim, melhor continuar 9 meses ministro.

Quem sabe não ganha um novo cargo? Embora seja repudiado pelo próprio PDT. Com Brizola, foi duas vezes candidato a senador, nas duas ficou longe.

Nelson Jobim

Dava a impressão de ser candidato a tudo. Principalmente por já ter sido Executivo, Legislativo e Judiciário. No fim do ano, espera ser “promovido” a Brigadeiro. Por causa dos caças. Devia ter sido cassado quando confessou ter fraudado a Constituição de 1988.

***

PS – Dos que saíram e dos que ficaram, todos dependem de Lula. Para uma vitória agora, ou uma volta se Dona Dilma vencer. Incrível: mesmo os que acham que ela vence, só pensam (?) em Lula como fonte do Poder.

O presidente Lula e o futuro

Carlos Chagas

Faltando nove meses para o fim do mandato do presidente Lula, vale indagar qual a marca que seu governo deixará registrada para o futuro. Sem precipitações, é claro, porque a História não se escreve às pressas nem ao sabor das emoções. É preciso que os fatos sejam decantados, mas não custa arriscar uma incursão despretensiosa a respeito do rótulo que o primeiro-companheiro verá colado no pacote  de sua passagem pelo poder.

De início,  é bom recordar que todos os antigos presidentes da República se inscreveram na galeria da memória nacional, com características hoje consolidadas.  Umas vibrantes, outras nem tanto. Estas edificantes, aquelas lamentáveis.

Só para ficarmos nos mais populares: Getúlio Vargas aparece sob a imagem maior das leis trabalhistas, que criou, transformando-o numa espécie de campeão das massas assalariadas. Juscelino Kubitschek surge como o empreendedor do desenvolvimento nacional, sedimentando as bases da transformação econômica  do país.

E o Lula, candidato óbvio a integrar-se no rol dos mais populares?

A glória de ter sido o primeiro operário a chegar ao governo esbarra no fato de não ter promovido as reformas estruturais de base prometidas e exigidas pelo seu passado, tanto assim que continua como o preferido das elites neoliberais  – uma contradição que a História  dificilmente explicará ou perdoará.

Constituirá sua marca fundamental apenas o assistencialismo, ou seja, a oportunidade perdida por não haver promovido as mudanças esperadas pela maioria dos que o elegeram?  O PAC fica longe do Plano de Metas de Juscelino, ao tempo em que o bolsa-família perde de goleada para as garantias do trabalho estabelecidas por Getúlio. Em suma, a  marca  com que o Lula se apresentará para o  futuro parece inconclusa. Mas como ainda faltam nove meses…

Ja estão retaliando o poder

Não se fala das principais figuras que cercam os dois principais candidatos às eleições de outubro. É claro que teriam que gravitar em torno de Dilma Rousseff conselheiros e assessores variados, naturalmente candidatos a ministros, se ela vencer. Como ao redor de José Serra, outro time de auxiliares de peso que também é melhor não fulanizar, para não  desagradar outros.

Do que tratamos hoje é daqueles representantes ou controladores de grupos, cartéis e interesses, que, ao primeiro sinal de eleições, buscam infiltrar-se e cercar os candidatos favoritos, preparados para obter e usufruir os mesmos benefícios do poder que usufruem e obtêm através dos tempos.

Já foram os barões do café, na República Velha. Os latifundiários, sempre, as empresas petrolíferas, depois.  s industriais das principais atividades, os banqueiros e os especuladores, que entraram para nunca mais sair. Donos  da mídia, também. No reverso da medalha, gestores das grandes estatais,  dirigentes de centrais sindicais e de movimentos sociais. Sem esquecer uma parcela de intelectuais e alguns chefes  de partidos políticos em ascensão.

É bom que Dilma e Serra fiquem alerta, porque a corrida já começou. Diretamente ou por interpostas pessoas,  os mesmos de sempre se aproximam. Não querem ser ministros, apenas condôminos e beneficiários das principais decisões de governo.

UVAS VERDES, SÓ PARA CÃES

A fábula é por demais conhecida. A raposa desejou as uvas, no alto  da parreira. Pulou, tentou subir,  esfalfou-se e não  conseguiu pega-las. Dando as costas, comentou: “uvas verdes, só para cães…”

Com todo o respeito, é mais ou menos o que Henrique Meirelles deve estar falando, frustrado que foi ao decidir continuar no Banco Central. A vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff dissolveu-se como um sorvete ao sol. O governo de Goiás, ou uma cadeira de senador, também.

Pois agora vem o competente gestor da política  monetária explicando que sua presença é  necessária no Banco Central para consolidar as conquistas realizadas e evitar a sombra da inflação…

Marta deixa Ciro fora de foco

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha pela FSP de 1º de abril e bem comentada pela repórter Ana Flor, revela que Marta Suplicy  lidera disparado as intenções de voto de São Paulo para o Senado. Se as eleições fossem hoje, 43%. Com Romeu Tuma em segundo com 25 pontos e Orestes Quércia em terceiro com 22%. A ex vereadora Soninha aparece com 18 pontos. São duas as vagas em jogo. A primeira parece definida. Porém há dúvidas quanto a segunda. Quércia pode ultrapassar Tuma. Mas não é esta a questão essencial.

A questão essencial é que a melhor solução para o PT encontrava-se dentro da própria legenda partidária. Marta acrescenta a Dilma Roussef muito mais votos em São Paulo do que Ciro Gomes poderia somar. Aliás, vendo-se bem a questão, Ciro não acrescenta nada. Seu nome sequer aparece no levantamento. Para governador tampouco, já que o PT inclina-se para Mercadante, que atinge 13 pontos contra 49 de Geraldo Alckmin. Ciro Gomes, se a lei permitisse – mas não permite – deveria voltar urgentemente para o Ceará. Porém como isso não é possível, terá que se contentar a ser deputado federal por São Paulo. Não há lugar para ele em eleições majoritárias. Há menos que Mercadante, sentindo a derrota antecipada saia da disputa pelo governo e retire seu nome entre os candidatos a governador. Pode ser deputado. Enfim, a manobra Ciro não deu certo. Ficou ridícula.

O que a lei permite é que como o pleito de outubro renova dois terços do Senado, cada partido ou coligação pode disputar com dois candidatos. Mas é difícil a concordância. O exemplo ocorreu no Rio em 1954.

Agora, por exemplo, pode ocorrer em Minas, uma parte dos setores do PSDB votar em Aécio Neves para Senador e outra parte preferir outro nome. Cada corrente votando no seu nome. A candidatura Aécio, porém, no fundo, libera Itamar Franco para vice de Serra. Serra não tem muitos nomes disponíveis para a vice, especialmente de Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país. Nem Dilma, já que o PMDB fechou com a candidatura Michel Temer. E o PMDB é essencial para o PT em função da organização partidária e do tempo disponível na televisão. Henrique Meirelles permanece no Bacen, tanto na vitória de Dilma ou de Serra.

Mas voltando ao tema Senado, as eleições são confusas. As coligações funcionam pouco. Cito um exemplo. Há outros. No Rio em 1954, logo após a morte de Vargas, o Ibope apontou o favoritismo de Caiado de Castro, ex-chefe da Casa Militar. O segundo lugar era disputado por Hamilton Nogueira, eleito em 45, e Gilberto Marinho, o primeiro pela UDN, o segundo pelo PSD. Carlos Lacerda mandou os udenistas votarem nos dois. O que aconteceu? Os udenistas seguiram Lacerda, mas o PSD votou apenas em Gilberto. Resultado: elegeram-se Caiado e Gilberto. Hamilton rompeu com Lacerda e nunca mais lhe dirigiu a palavra.

Agora, no RJ, vai acontecer a mesma coisa: Crivella recebe os votos de seus adeptos que, nem por isso, os devolvem a Lindberg Farias. Com isso, deve ir para o espaço a candidatura de Jorge Picciani. Teve recursos para fornecer 170 mil votos a seu filho, Leonardo, para deputado federal. Para o Senado, tal volume de recursos não funciona.

Com isso, por precipitação em vetar Dilma  no palanque de Garotinho, o governador Sergio Cabral ficou numa sinuca de bico. No mínimo perdeu a principal articulação com Picciani para o Senado. Errou.

Na ABL, futebol, arte, técnica e tática

Pedro do Coutto

Recebo do presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, convite para assistir a um seminário cobre futebol e literatura, bela iniciativa, cujo êxito está desde já assegurado pelo toque mágico que o autor de “Coronel, Coronéis”, imprime a tudo que realiza. Além de Vilaça, Domício Proença Filho também na coordenação. Existe muita literatura de qualidade a respeito, mas, a meu ver, falta uma obra que tenha focalizado a essência mais profunda do futebol.

Trata-se do único esporte em que , às vezes, a tática consegue neutralizar a técnica e a arte. Isso porque o objeto da disputa, que é a bola, encontra-se permanentemente exposto à exceção quando está nas mãos do goleiro e este com os dois pés no chão. Pode haver ocupação de espaços à vontade, choque físico natural, marcação de dois ou três homens sobre um. Exemplo maior da vitória da tática sobre a técnica e a arte foi o Brasil X Uruguai de 50, a que assisti e do qual sou a última testemunha viva da tática previamente anunciada pelo líder da equipe uruguaia, Obdúlio Varela.

Era uma quinta-feira, 13 de Julho, ao meio-dia, quando os uruguaios encerraram o treino no campo do Fluminense. Subindo as escadas que levam do vestiário ao restaurante que existia na sede, Obdúlio depara-se com Preguinho, João Coelho Neto, filho do escritor e acadêmico, e, que em 1930, quando Obdúlio tinha 10 anos foi autor do primeiro gol de uma seleção brasileira em Copa do Mundo. Camisa 10 era a que Prego usava. Através do tempo tornaram-se amigos. E Preguinho cumprimentou Obdúlio pelo fato de o Uruguai estar na final.

O regulamento era diferente do de hoje. Tínhamos vencido a Espanha por 6 X 1, o Uruguai por 2 X 1, gol de Obdúlio no final do jogo. A Seleção Brasileira derrotara a Suécia por 7 X 2, o Uruguai empatou por 2 X 2.

– Obdúlio, disse o Prego, agora, entretanto, domingo, não vai dar para vocês.

– Não vai dar por quê, perguntou Varela.

– Os resultados estão aí, respondeu Prego.

Obdúlio apanhou um paliteiro e disse:

– Prego, nós não vamos jogar contra vocês como a Espanha e a Suécia. Nós vamos atuar assim: – e revelou – :Máspoli no gol, Teixeira na zaga direita, Matias Gonzales no meio da área, vamos recuar Gambote do meio campo para a zaga (como Piazza atuou na nossa seleção de 70), Rodriguez Andrade na lateral esquerda. No meio campo eu, Julio Perez e Moran, ponta-esquerda que recuava para marcar França, ponta-direita brasileiro. Já na frente, Miguez, Schiaffino e Andre Gighia. Nós só vamos marcar o time brasileiro a partir de nosso campo.

Nascia ali o primeiro quatro-três-três da história do futebol.

– De todos nós – acrescentou Obdúlio, o único lançador de bola é Julio Perez (que atuava no estilo Gerson, mas não era tão bom). – Por isso eu disse aos homens de frente, Miguel e Schiaffino que não tirassem os olhos de Perez.  Porque o lançamento poderia ir por cima ou por baixo de Danilo e Bauer, que vão avançar vendo nosso espaço vazio pela frente.

O recuo de Moran congestionou o meio-campo, pois Friança era um ponta improvisado, cuja preferência nítida era meia-direita. Ele procurava encostar em Zizinho, Ademir e Jair. Com isso facilitava a marcação uruguaia. Fizemos o primeiro gol. Mas Obdúlio conteve o time:  – Ninguém sai (avança), se sairmos vamos tomar de quatro.

Mas surgiu  o inesperado. Gighia passava todas por Bigode. E o meio-campo brasileiro formado por Bauer, Danilo e Jair não caía para a esquerda para dar cobertura a Bigode.

No primeiro lance fatal, Gighia balança o corpo e passa fácil por Bigode. O meio-campo não voltou, o zagueiro central Juvenal não sai na cobertura. Barbosa teme o chute e fecha o ângulo esquerdo. Percebendo a abertura de nossa defesa. Gighia cruza para Schiaffino, que, de voleio empata a partida. Sete minutos depois a jogada se repete. Só que Barbosa teme o centro e se prepara para sair da meta. Gighia percebe novamente com clareza a desordem na defesa brasileira. Avança mais, entra na área e chuta no canto esquerdo de Barbosa. Não foi frango, como dizem muitos que sequer assistiram à partida. Foi uma vitória, isso sim, da tática sobre a arte e a técnica.

Na conversa, o técnico do Fluminense, achando lógico o raciocínio de Obdúlio, procurou Flávio Costa. Este apenas respondeu encerrando o assunto: –  Se é sobre o jogo de domingo me procura segunda-feira.

No futebol a tática é tão eterna quanto a arte.

De dentro da TV Globo, seu editor de Economia desmonta a poderosa rede. Conta tudo o que aconteceu em 1982 e 1989, não esquece ou esconde um detalhe, explica simplesmente “É O QUE VI E OUVI”

Foi muito. E foi quase tudo. E Paulo Henrique Amorim não precisou se movimentar apressadamente, como ele mesmo afirmou, VIA E OUVIA. Naquele tempo, os espaços da TV Globo não eram tão grandes assim. Portanto, chegando simplesmente para trabalhar, já estava no meio da fogueira que os insensatos acendiam e não conseguiam apagar.

Sempre lutei (ou tentei) ser bem informado, em todos os setores ou lugares. Mas a narrativa feita por Paulo Henrique Amorim, que nos foi enviada por Marcos Vinicius, tem a vantagem de quem VÊ E OUVE de dentro da própria fortaleza, e tem a qualidade e a independência de mostrar como tudo se passou.

Mas ele não se preocupa apenas em descer Armando Nogueira do altar em que tentaram colocá-lo (leia-se; “endeusá-lo e canonizá-lo”), mas contesta a própria TV Globo, que permitiu e “construiu” todo o clima das duas datas.

A TV Globo surgiu de uma aliança ILEGÍTIMA com a Time-Life, cresceu com a “compra” da TV Paulista de quem nunca foi dono de nada, e até hoje os verdadeiros proprietários lutam da Justiça tentando reaver seus direitos sobre a emissora. A TV Globo era tão aproveitadora que lançou o Jornal Nacional nunca época que nem tinha rede, o nome surgiu por causa do Banco Nacional.

Dentro e fora da Globo o fato era ridicularizado, até hoje a organização deve royalties à família do dono do Nacional, depois governador, ministro e candidato a presidente.

Desculpem, não vou repetir o que Paulo Henrique Amorim conta com impressionantes minúcias, detalhes e conhecimento. Peço apenas que leiam, releiam e comentem o que ele revelou, denunciou, mostrou de forma irrespondível.

Se puderem, não deixem de ler o blog (ou site) do Eliakim Araújo, que trabalhou na Globo nos tempos em que estes fatos aconteceram. (Agora, ele e a mulher, há muitos anos nos EUA, fazem programa de grande sucesso). Não deixou de entrar no assunto, afinal foi personagem de muita coisa, conheceu muito bem a TV Globo e Armando Nogueira, sabe a parte que cabe a cada um nesse latifúndio.

1 – “Armando Nogueira não foi demitido em 1982, foi diminuído”.

2 – “Apesar de todas as virtudes do Armando CANTADAS AGORA EM PROSA E VERSO, não dá para esquecer que ele esteve à frente do jornalismo mais comprometido do Brasil durante os anos da ditadura militar”.

3 – “O Jornal Nacional era considerado o “PORTA-VOZ DO REGIME”. As ordens militares eram obedecidas sem questionamento. Não vi em nenhuma oportunidade, alguma tentativa de desobedecer ou driblar a censura”.

4 – “Entrei na Globo num momento em que o seu jornalismo passava por grave crise de credibilidade, carros eram ameaçados nas ruas pela própria população”.

5 – “A TV Globo não se livrava da acusação de tentar fraudar a eleição de Brizola para dar a vitória a Moreira Franco”.

6 – “Em 1984, no episódio das DIRETAS, JÁ, onde atuei como off no comício da Candelária, a TV Globo ignorava completamente os movimentos populares que cresciam em todo o país”.

7 – “Mas para a direção da TV Globo, não bastava ignorar o movimento popular, era PROIBIDO usar as DIRETAS mesmo como notícia”.

8 – “Em 1989, segundo e último debate entre Collor-Lula, eu estava representando a Manchete. Havia deixado a Globo. Era visível que Lula estava abatido, cansado”.

9 – Armando Nogueira esteve à frente do jornalismo da Globo, em todos os episódios nebulosos que contei com absoluta fidelidade”.

Era lógico, claro e mais do que evidente, que Roberto Marinho humilhava Armando Nogueira, mas este se deixava gostosamente humilhar e manipular, para gozar seus 15 minutos de fama. Infelizmente, esses 15 minutos chegaram tarde, muito tarde, e rigorosamente mentirosos, a bravura do elogio fácil e enganador.

***

PS – De 1982 a 1989, Armando Nogueira ficou na Globo, HUMILHADO E OFENDIDO, embora não soubesse quem era Dostoievski.

PS2 – Sete anos de pastor, Jacob serviu Labão, pai de Rachel, serena e bela. Mas não servia ao pai, servia a ela. (No texto bíblico, se trocarem os nomes e introduzirem Armando Nogueira e Roberto Marinho, nenhuma violência ou reticência).

PS3 – Como não há nada pessoal, Armando Nogueira não conseguiu ser CANONIZADO, mas mandou para o inferno o “jornalismo” da TV Globo. Nem o título era original, pertencia a um banco.

PS4 – A TV Globo botava banca, subserviente a um banco. Isso ficará (e é mesmo) para sempre inesquecível.

A candidata perde tempo

Carlos Chagas

No ninho dos tucanos, vai prevalecendo a natureza das coisas: Aécio Neves já admite tornar-se companheiro de chapa de José Serra e, à medida em que a campanha se desenvolva,  mais clara ficará a força da dupla. Nada que faça antecipar resultados, é claro, porque eleições sempre revelam surpresas. Mas Minas e São Paulo unidos sempre geram consequências no quadro nacional.

Vale, hoje, voltar a atenção para o reverso da medalha. E a chapa  encabeçada por Dilma Rousseff, como se comporá? O PMDB já foi convidado pelo presidente Lula  a indicar o candidato a vice-presidente, mas com o crescimento da  agora ex-chefe da Casa Civil, algumas exigências emergiram. Primeiro, o Lula quis uma lista tríplice, isto é, não pretendia ficar engessado na imposição do nome de Michel Temer, de quem não é um fã ardoroso.

Depois, foi um chute  de proporções razoáveis no traseiro dos dirigentes  do maior partido nacional  quando  as pesquisas indicaram diferença mínima   entre os percentuais de Dilma e Serra. Entraram em campo a arrogância e a empáfia dos companheiros, que imaginaram não precisar depender mais do PMDB. Por que ficariam prisioneiros de um partido já considerado nem tão importante assim para a vitória da candidata oficial? Nomes variados surgiram para a vice-presidência,  no PMDB e fora dele. Henrique Meirelles,  Hélio Costa, Edison Lobão e até Ciro Gomes.

Com a gangorra sempre balançando, veio a pesquisa mais recente, onde a distância voltou a aumentar entre os dois pretendentes à presidência da República. Serra abriu diferença de nove pontos sobre Dilma, nem se falando  nas simulações para o segundo turno. Resultado: o presidente Lula e o PT de novo passaram a cortejar o PMDB e, como conseqüência, Michel Temer. Há quem dê como certa, hoje, a candidatura do presidente da Câmara e do partido.

E amanhã? Amanhã, tudo pode mudar outra vez. Em sã consciência, ninguém sabe ao certo quem será o companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Há tempo, é lógico, até as convenções marcadas para junho, mas se a indecisão prevalecer, perde tempo a candidata. Perderá votos, também?

Imagens oportunas

Mil personagens da História do Brasil continuam merecendo estudos mais aprofundados, à medida em que o tempo passa. Uma delas foi o coronel da Força Pública de São Paulo, Miguel Costa, revolucionário de 1924, em São Paulo,  no ano seguinte  comandante maior da rebelião,  chegando a ostentar por algum tempo a chefia e o nome da mais célebre coluna militar revolucionária, afinal transformada em “Coluna Prestes”. Com a vitória da Revolução de 30, o velho coronel feito general ocupou a Chefia de Polícia do primeiro interventor em São Paulo, João Alberto.

É aqui que o personagem mais nos chama a atenção.  Tido como socialista,  execrado pelas elites paulistas, também possuía características fascistas, fundador da Legião de Outubro.   Dele se dizia manter  o marxismo no coração e os marxistas na cadeia.

Por que essa referência inusitada a episódios tão distantes? Porque do governo Lula pode-se fazer um paralelo: mantém o MST no coração, mas os sem-terra na cadeia…

No caso Proconsult, via Embratel, Armando Nogueira tentou convencer Brizola: “Eu estava em São Paulo, não tive nada a ver com isso”

Muitos dos que acompanham este blog mandaram mensagens pedindo que opinasse sobre Armando Nogueira, em meio ao lamentável festival de lamentos e lamentações, que inundou, abastardou e desonrou a imprensa brasileira. Minha resposta foi simplesmente relatar fatos que envolveram esse “festejado” jornalista, ao qual, já disse aqui, dei seu primeiro emprego, como repórter esportivo no Diário Carioca.

E não há réplica quando se trata de fatos, como fica mais do que demonstrado, porque até agora nenhum “admirador” de Armando Nogueira enviou mensagem a este blog negando as verdades que tenho revelado, ao recordar apenas dois acontecimentos que, por si só, denegririam a carreira de qualquer jornalista. Leiam os comentários e tirem suas conclusões.

Como todos deveriam lembrar (especialmente os profissionais das outras organizações jornalísticas espalhadas pelo Brasil, já que a Globo não tem o menor interesse em reviver os escândalos em que esteve envolvida), em 1982 tivemos o caso Proconsult, uma farsa com participação ativa, decisiva e definitiva da Central de Jornalismo da TV Globo, da qual era diretor o próprio Armando Nogueira. Era um golpe monumental e extremamente audacioso, armado para fraudar a contagem de votos e tirar a vitória de Brizola.

O que a Globo e seus cúmplices (quais seriam?) não sabiam é que o policiamento das atividades da empresa Proconsult (contratada pela Justiça Eleitoral para fazer a “computação” dos votos) estaria a cargo de um delegado impar, inatacável e incorruptível. (Detalhe: esse fato também é rigorosamente verdadeiro e jamais foi revelado por nenhum dos “jornalões”. Tanto tempo depois, estou passando essa informação em absoluta primeira mão. É um fato nunca dantes revelado).

Esse delegado chama-se Manoel Vidal, um nome que honra a Polícia Civil do Estado do Rio. Sua carreira é sem igual. Foi o corregedor mais rigoroso que a Polícia já teve, afastou e processou uma quantidade enorme de policiais corruptos, inclusive delegados, fazendo a corporação “cortar a própria carne”. Depois, ocupou a Chefia de Policia, realizando uma administração exemplar.

Pois bem, ao comandar o policiamento na Proconsult, Dr. Vidal (doutor mesmo, não é “doutor” como Roberto Marinho) percebeu que havia algo estranho, muito estranho. Não demorou a perceber que estava num covil de lobos, disfarçados de cordeiros (um posicionamento que se encaixa na biografia de Armando Nogueira). Imediatamente, Dr. Vidal alertou o delegado Arnaldo Campana, muito ligado a Brizola, que contatou e alertou o candidato do PDT. (Repito, tudo isso é rigorosamente verdadeiro e esses pormenores até hoje jamais haviam sido revelados em nenhum outro veículo de comunicação).

Ao mesmo tempo, a apuração paralela montada pela Organização Jornal do Brasil e comandada por Paulo Henrique Amorim e Pedro do Coutto (nosso colega na Tribuna impressa e aqui no blog) não batia com os números divulgados pela TV Globo.

Ao ver que a vitória, garantidíssima nas urnas, estava sendo ardilosa, escandalosa e criminosamente arrancada de suas mãos, Brizola não titubeou, que palavra. Sem apoio da imprensa nacional (essa mesma imprensa que hoje tanto louva um personagem como Armando Nogueira), procurou os correspondentes estrangeiros e lhes concedeu uma explosiva entrevista.

Houve então o escândalo internacional, que destruiu a farsa e a fraude. Os carros da Organização Globo eram apedrejados nas ruas, uma vergonha imensurável. Gritava-se: “O POVO NÃO É BOBO, ABAIXO A REDE GLOBO”.

Como dizia Maysa Matarazzo, “meu mundo caiu”: a imagem da Globo desabou, levando junto com ela a trama e golpe armado contra Brizola. Seus votos enfim começaram a aparecer na TV Globo, a batalha estava ganha.

No desespero, o que fez Armando Nogueira? Mandou convidar Brizola para uma entrevista ao vivo na TV Globo e dela participou, não de corpo presente, mas através de um “telão”. Estrategicamente, Armando estava em São Paulo, para onde fugira quando o escândalo veio a público. E o que fez na entrevista? (LEIA ABAIXO, NA ÍNTEGRA) Armando simplesmente tentou “convencer” e “comover” Brizola, defendendo a lisura “dos 2 mil jornalistas da TV Globo”) e pedindo-lhe para “desagravar” a emissora. Brizola foi discreto e polido, mas não fez desagravo algum, não retirou nenhuma das acusações que fizera aos jornalistas estrangeiros.

Alguém foi punido? De onde surgiu a Proconsult? Quem a contratou? Quais foram os responsáveis pela trama Proconsult-Globo? Como diria Érico Veríssimo, “o resto é silêncio”.

Armando Nogueira perdeu o prestígio, mas não perdeu a pose. Já não mandava mais nada na TV Globo. Ficou encostado, para alguma eventualidade. e Roberto Marinho “importou” Alberico Souza Cruz, que era diretor de jornalismo da emissora em Minas Gerais e veio fazer no Rio uma dobradinha com o então diretor de telejornais de rede, Woile Guimarães.

O tempo passou, mas nada mudou. Em 1989, Armando Nogueira (ele, sempre ele) e Alberico Sousa Cruz estiveram no centro da polêmica sobre a edição do debate entre os candidatos à Presidência, Collor e Lula. A tristemente “famosa” edição do debate foi ao ar no Jornal Nacional no dia 15 de dezembro, antevéspera do segundo turno das eleições. A TV Globo claramente manipulou o resumo do debate a favor de Collor, mostrando os melhores momentos do candidato e os piores de Lula. Alberico Sousa Cruz sempre negou ter participado do episódio. Será? O testemunho do jornalista Paulo Henrique Amorim (que era editor de Economia da TV Globo na época), reproduzido em comentário de Marcos Vinicius, postado ontem à noite na matéria Assessor de Lula rebate “críticas sobre apoio do Brasil a Cuba, mostra exatamente o contrário. E Armando Nogueira, que então era chefe de Alberico, não sabia de nada? Ha!Ha!Ha!

Poucas semanas depois, logo após a posse de Collor, bem no começo de 1990, quando o assunto já “começara a esfriar”, Armando Nogueira foi demitido e Alberico Souza Cruz assumiu o lugar dele como diretor da TV Globo.

A elegante, educada e até espirituosa
entrevista de Brizola a Armando Nogueira, depois
de ter abortado a fraude da Globo/Proconsult

Segue agora o trecho principal da entrevista de Brizola à TV Globo, em 1982, depois do então candidato do PDT ao governo do Rio ter denunciado o chamado golpe da Proconsult, articulado com participação da Organização Globo para fraudar o resultado das urnas.

A entrevista foi feita pelos jornalistas Paulo César de Araújo e André Gustavo Stumpf, com participação “muito especial” de Armando Nogueira, que não teve coragem de encarar Brizola de frente e se refugiou em São Paulo, de onde apareceu no vídeo via Embratel, como se dizia antigamente (era como se o agora “genial” Armando Nogueira estivesse dizendo a Brizola: “Eu estava em São Paulo, não tive nada a ver com isso”). E o que Armando Nogueira, diretor da Central Globo de Jornalismo, estava fazendo em São Paulo, numa importantíssima eleição, quando na época todo o jornalismo de cobertura nacional da Rede Globo estava concentrado no Rio?

Paulo César de Araújo Um momentinho só, porque agora nós vamos aos nossos estúdios, em São Paulo, onde o nosso companheiro Armando Nogueira tem uma pergunta a fazer ao senhor (Brizola)…

Leonel BrizolaCom muito prazer!…

Paulo César de Araújo – Pois não, Armando…

Armando Nogueira – Boa noite, governador!

Leonel Brizola –
Boa noite!…

Armando NogueiraEstamos acompanhando aqui a sua entrevista, com natural interesse, e a certa altura pareceu que o senhor ficou preocupado, em dado momento da apuração, com a correção do trabalho dos profissionais da Rede Globo, entre os quais eu figuro, humildemente, mas com muito orgulho. E eu perguntaria ao senhor, governador, se é justo que profissionais com um passado, alguns com um futuro, quase todos com um futuro, devam merecer, numa hora de paixão, um tratamento tão rigoroso da parte de um homem público, por parte de quem a gente tem um apreço. Eu gostaria de fazer esta pergunta, que ela é quase pessoal. O senhor me desculpe introduzir uma pergunta pessoal, mas em nome de cerca de dois mil jornalistas… E eu me sinto no dever de fazer essa pergunta ao senhor…

Leonel Brizola
Perfeito. Com muito carinho, com muito prazer, Armando. Sabe que eu dou essa resposta com aquela franqueza que me caracteriza – não é verdade? E nós devemos sempre usar esse método da franqueza, da lealdade. Eu registrei o que era real. Eu não cheguei a entrar no mérito. Eu não cheguei, de forma nenhuma, a considerar que tivesse havido má fé… Não cheguei, absolutamente. Eu registrei uma situação real existente aqui no Rio de Janeiro e também os meus próprios sentimentos. Porque eu senti o nosso Rio, no conjunto, desmerecido. Chegava a ser anunciado: “Olha, logo em seguida, vem o Rio de Janeiro!” E depois vinha o Acre, vinha Rondônia, e nada… Então, eu registrei isto: é que faltava essa informação. Agora, pode ser que tenha entupido… os canais tenham se entupido aí. Havia dificuldades… Porque numa organização grande é assim, às vezes o gigantismo‚ uma doença das organizações. Isto pode acontecer, isto pode ocorrer. Isto sem desmerecer os profissionais., não é verdade? Muitas vezes, grandes médicos vão fazer uma operação e o doente morre. Quer dizer, eu registro o fato, apenas, sem fazer nenhum desmerecimento. E o faço com lealdade, com espírito limpo. E, querendo com isso, que retiremos lições deste fato, porque isto incentivou a muitas coisas, no Rio de Janeiro, desagradáveis. E que nos levou a um trabalho intenso. Eu próprio, daqui, neste momento, Armando, a mensagem que eu dirijo, a todos quantos me ouvem, com a consideração da minha palavra, de uma mensagem minha, que se mantenham tranqüilos, mantenham-se calmos, cabeça fria. A nossa fiscalização não deve se atritar com ninguém; ao contrário, agir com eficiência, agir com uma atenção especial… Vamos trabalhar, no sentido de que a verdade eleitoral flua e surja, seja qual for. E perante ela nós temos que nos curvamos. Lutar, cuidar, para evitar as fraudes, evitar qualquer irregularidade. Vamos honrar a justiça, vamos respeitar, vamos considerar. Fazer com que a justiça paire acima de qualquer suspeita, seja prestigiada. Se não tivermos uma justiça prestigiada, não temos ordem jurídica, não temos democracia, não temos nada; muito menos a verdade eleitoral. Quer dizer. não tome esses meus comentários, Armando, como uma desconsideração, como um desmerecimento aos profissionais. Ao contrário, eu até fiquei admirado como é que um conjunto, uma equipe extraordinária de profissionais, como são vocês todos, pudesse entrar nesse descompasso que houve. E tanto que gerou esse estado de espírito. Mas, felizmente, eu acho que tudo está retomando, compreendeu, aos seus níveis normais. Eu fiquei aqui muito honrado de ouvir essa projeção final, que está canalizando no sentido de um reconhecimento da possibilidade de que a maioria eleitoral se estabeleça em torno de meu nome. Como veria também, se a verdade fosse outra. De modo que não tem nenhum sentido… Eu quero que o amigo Armando Nogueira considere que não há nenhum conteúdo de desmerecimento a vocês todos, que certamente estão trabalhando muitíssimo, no cumprimento dessa nobre tarefa.

Armando NogueiraPois é, governador, eu gostaria que o senhor, já neste estado de espirito de compreensão, o senhor aproveitasse a oportunidade para, ao desagravar a Rede Globo, desagravar também de certa maneira o Tribunal Regional Eleitoral. Porque, o senhor sabe, que, fosse qual fosse a discrepância dos números, jamais os magistrados da Justiça Eleitoral iam se deixar perturbar por uma manipulação. Eu sei o que é a Justiça Eleitoral… E o senhor sabe também, porque o senhor exaltou essa retidão da Justiça Eleitoral, ao longo de toda a campanha, e o senhor sabe perfeitamente que os números que estão chegando agora – eles estão chegando porque eles correm um ritmo normal e não o delírio, governador. Nós não entramos no delírio dos números. Aqui, em São Paulo, também, no primeiro dia, nós ficamos aquém, mas quisemos ficar aquém da fantasia, para ficar de acordo com a realidade, governador. Eu peço licença para não importunar mais a sua entrevista. Vou continuar, como telespectador. Muito obrigado.

Leonel Brizola Não, mas pode crer que foi uma satisfação muito grande contar com a sua participação, sobretudo uma honra maior ainda. Mas eu gostaria de dizer o seguinte: que, agora, sim, nós discordamos. Em primeiro lugar, nunca, em nenhum momento, tanto eu quanto o PDT, pusemos em dúvida a lisura da Justiça Eleitoral. Ao contrário, nós trabalhamos para que ela fosse respeitada na campanha eleitoral. E (ela) foi muito desconsiderada, principalmente por parte do candidato do governo e a sua campanha. E muitos outros setores, que desconsideraram reiteradamente a Justiça Eleitoral. De modo que eu não tenho nada que desagravar a Justiça Eleitoral, Armando. Ao contrário, o meu primeiro passo como candidato foi visitar a Justiça Eleitoral e prestigiá-la. Eu tenho uma tradição de prestígio e de acatamento ao Poder Judiciário. Agora, a minha referência sobre uma possibilidade de fraude não se refere aos juízes; se refere a este submundo que passou a se mover, em função desta confusão que se criou aqui. Porque nós temos indícios muito concretos a este respeito. Então, isto pode se passar, independentemente do cuidado do zelo dos juizes. E depois constatar essas providências é muito difícil. Nas minhas críticas – porque, na verdade, é crítica mesmo, no bom sentido, no sentido elevado. Não tem nada com exaltação, me desculpe, Armando. Pelo contrário, a cabeça aqui, oh… quando começa a adquirir uma temperaturazinha, eu boto na geladeira. Cabeça fria, a minha… Mas como é que eu posso me conformar que vocês computem a toda hora urnas do interior e deixem as urnas da cidade, aqui?… Custa muito mais uma viagem – me desculpe, lá de Campos, lá de Bom Jesus, lá  de Itaperuna, do que uma corrida de automóvel ali em Bonsucesso, ali na Baixada. E isso foi ficando para trás. E eu acho que era uma idéia parelha do resultado das eleições. Isso se foi – alguém teve a intenção de esvaziar, enfim, a projeção dos resultados do Rio de Janeiro, cometeu um erro. Porque, ao contrário, isso vai dar um refluxo, porque agora toda a Nação está acompanhando o que está ocorrendo no Rio de Janeiro. Mas, enfim, Armando, olha, com toda a franqueza, pode crer que, em mim, não existe mais nenhuma restrição a esse respeito. Sempre para mim, do passado recente, remoto, eu colho dele lições. Eu acho que essa é a grande conduta para qualquer um de nós. Pode crer que, assumindo essas responsabilidades de governo, no Rio de Janeiro, nós vamos ter de trabalhar juntos. Nós vamos ser companheiros de viagem. Vamos ter de conviver. Vamos ter de trabalhar juntos por essa comunidade, que vocês aqui têm as raízes sob ela, não é verdade? Então, falar em Rede Globo, falar no Rio de Janeiro, é como falar de uma coisa só. Isso tudo está  entrosado, está interligado. E nós vamos ser companheiros de viagem, vamos trabalhar juntos. Podemos discordar num momento, discordar noutro, mas vai nos sobrar terreno comum de trabalho conjunto, por essa terra e por essa gente querida do Rio de Janeiro.

***

PS – Repararam que, nessa entrevista, Armando Nogueira, já chama Brizola de “governador”? Pena que o texto transcrito não seja capaz de transmitir a emoção do momento, o nervosismo, a hesitação, o gaguejar do hoje “genial” jornalista dos obituários da “grande” imprensa.

PS2 – Nos mais diversos jornais, os responsáveis por esses textos, ao lembrarem a “carreira” do “festejado” jornalista esportivo, mais parecem acometidos de Parkinson ou Alzheimer, não têm memória, simplesmente passaram a borracha na carreira dele.

PS3 – Mas o real Armando Nogueira, esse era muito diferente. Pessoas que o conheceram de perto, como Boni e Daniel Filho, agora misericordiosamente lhe fizeram os maiores elogios. Mas lá no fundo lembram como ele era, sempre se queixando de tudo, reclamando dos colegas e culpando subalternos, a ponto de Walter Clark, que à época dirigia a emissora, ter apelidado Armando Nogueira de “Neném Dodói”. Era assim que o chamavam, rindo dele.

PS4 – Disseram que “Armando Nogueira era genial com as palavras”, mais uma balela ou falsidade. Quando ele afirmou, “agora que a TV Globo está DESAGRAVADA”, queria dizer DESMASCARADA. As palavras têm sentido exato, não podem ser MANUSEADAS.

PS5 – Desculpem, ficou um pouco extenso, mas acho que vale a pena, é um documento que ficará eternamente na internet, mostrando a realidade dos fatos, que não podem ser desmentidos.

Começou a baixaria

Carlos Chagas

Senão abaixo da linha da cintura, ao menos no umbigo eles já começaram a bater. Não parece nada edificante essa nova etapa da sucessão presidencial que vem por aí.

O presidente Lula, cada vez mais encarnado na candidatura Dilma Rousseff, demonstrou que a disputa é com ele, não com ela, ao recomendar a José Serra que meta o pé no barro, mostre que trabalhou mais como governante e não durma até às 10 da manhã. Denunciou uma estranha relação do adversário com “um formador de opinião pública”, sem dizer quem era.

O já hoje ex-governador de São Paulo manifestou repúdio à espetacularização e à busca pela notícia fácil, acentuando nunca haver cedido à demagogia nem incentivado o silêncio da cumplicidade ou a conivência com o mal-feito. Arrematou sustentando que não se pode governar com roubalheira.

Interprete como quiser, quem quiser, mas a verdade é que os contendores já se agridem com virulência, apesar da ausência de citações nominais. Afinal, quem dorme até 10 da manhã, mesmo com a contrapartida de deitar-se às 4 da madrugada? No  reverso da medalha, a roubalheira não se refere ao mensalão e penduricalhos? O que dizer do silêncio da cumplicidade?

Fluindo a corrente como vai, logo a sucessão se transformará num debate marcado pela baixaria e as agressões pessoais entre Lula e Serra, obrigando Dilma a adotar a mesma estratégia. Para evitar a lambança explícita, só mesmo Aécio Neves, cada vez mais próximo de ser levado pelo destino à candidatura à vice-presidência na chapa tucana. Na mesma hora em que o presidente e o governador paulista  trocavam farpas do tamanho de postes, o mineiro aconselhava “superar a lógica do enfrentamento pela lógica do entendimento”. Conseguirá?

Absurdos

Assumiram oito vice-governadores no lugar dos titulares que, desincompatibilizando-se, concorrerão ao Senado. Já haviam sido  reeleitos, não podiam pleitear  um terceiro mandato.

O estranho nessa história é que muitos dos vice-governadores agora  em exercício posicionam-se para disputar os governos, em outubro,  e não precisarão deixar os cargos. Da mesma forma como os governadores de primeiro mandato, em busca  do segundo.

Trata-se de um absurdo, tendo em vista que para pleitear cadeiras no Senado ou, mesmo, a presidência da República, os governadores têm que renunciar. Para reeleger-se uma vez,  não é preciso. Nem eles, nem os prefeitos e nem os presidentes da República. É o que dispôs a emenda constitucional da reeleição, imposta ao Congresso por Fernando Henrique Cardoso, apenas para que pudesse concorrer a um segundo mandato, depois de haver sido eleito apenas para o primeiro. Sem largar o osso.

A hora de se rever essa anomalia está chegando. Poderá constituir   a primeira grande reforma  política promovida pelo novo Congresso, a instalar-se ano que vem.

Jobim  é o favorito

Caso o Supremo Tribunal Federal aprove o pedido de intervenção federal em Brasília, provavelmente dia 23 deste mês,  no governo o nome mais cotado para interventor  é o do ministro Nelson Jobim, que precisaria deixar a Defesa. Caberá ao presidente Lula definir os limites e os personagens da intervenção, capaz de atingir também o Legislativo local. Como não há precedentes na vigência da Constituição de 1988, prevê-se uma negociação  prévia entre o Planalto e o Supremo. Adiantaria muito pouco, assim, a Câmara Legislativa local eleger um governador-tampão.

Fantasmas do passado

No segundo semestre de 1937 a sucessão presidencial estava nas ruas. O governador de São Paulo, Armando de Salles Oliveira, havia renunciado para concorrer pela oposição, representante que era das elites e da oligarquia cafeeira. Getúlio Vargas, então presidente, pensou em  lançar outro paulista para dividir o estado, mas Macedo Soares refugou. Surgiu, assim, a candidatura dita situacionista do ministro da Viação, José Américo de Almeida, com pruridos socialistas.

Na verdade, Getúlio manobrava para permanecer no poder, contando com o apoio das Forças Armadas e alegando o perigo comunista, para ele impossível de ser vencido dentro das normas democráticas da Constituição de 1934. Era tudo uma farsa, aparecendo até mesmo uma denúncia  falsa da tomada do poder pelos comunistas, o Plano Cohen.

A imprensa estava cooptada. Aa elites,  também. Até uma nova Constituição foi elaborada em segredo, de cunho nitidamente fascista.

Os dois candidatos tiveram conhecimento do golpe em marcha. Reuniram-se e lançaram  um manifesto, onde no final apelavam para os militares, “à espera do gesto que mata ou da palavra que salva”. Não adiantou, a 10 de novembro Getúlio criou o Estado Novo e instaurou a ditadura.

Ainda bem que o passado não se repete, senão como farsa. Depois da queda do muro de Berlim desapareceu o perigo comunista. E as Forças Armadas mantém-se completamente afastadas da política…

Decisões processuais na Justiça do Trabalho estimulam novas ações

Roberto Monteiro Pinho

O dano causado pela enxurrada de decisões processuais contra o empregador na Justiça do Trabalho está provocando um fenômeno de novas ações, porque estimula o seu ajuizamento, por conta da notícia de que o ingresso de uma ação nesta especializada é sinônimo de enriquecimento. Na ruptura do contrato laboral, existindo de direito, mesmo diante de injunção legal, é frágil o direito do acionado (rda), no entanto em que pese o assoreamento jurídico aparente, neste instituto de conhecimento (inicial trabalhista), quando se tratar de prova de vínculo, de toda sorte, é preciso se ater à questão da aplicação do bom direito por parte do juízo, até porque neste caso funda-se na idéia de que todo o pagamento que feito sem que seja devido deverá de ser restituído, conforme preceitua o, “Art. 876. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição”.

Com predominância na fase de execução, quando existe titulo executivo transitado em julgado, no caso de indulgência ao crédito da parte autora, o acionado é  penalizado com a recente reforma do CPC que manda arbitrar, desde logo, em até 20% do valor atualizado do débito (art.601) nas execuções, o que inclui até os juros de mora, ou em até 20% sobre o valor da causa corrigido no processo ordinário (art.18, § 2º). Ocorre ainda que a previsão constante do art. 600, II, do CPC, que considera ato atentatório à dignidade da justiça o do devedor que “se opõe maliciosamente à execução empregando ardis e meios artificiosos”, se traduz em clara expressão da utilização de conceitos abertos e indeterminados, tal como ocorre, por exemplo, no tratamento da litigância de má-fé pelo Código (art. 17).

No ensinamento de Pontes de Miranda: “em todos os atos a que o art. 600, II, alude, há a má-fé, que o juiz deve reprovar”. Este é o pensamento universal quanto ao devedor litigante de má fé no processo em que é acionado, do outro lado, quando sucede ao contrário, em que à parte autora simula uma falsa lide para tirara proveito dos meandros da justiça e da própria lei, pouco temos.

O fato é que o processo trabalhista se move igual a “centopéia”, que pode chegar a 320 patas, isso porque são inúmeros os tentáculos que flexibilizam as ações dos seus magistrados, a maior parte com o objetivo de tirar do ”rico para dar ao pobre”, numa reedição avançada “do ind dúbio pro misero”, mesmo nos casos do clássico da doutrina, em que existindo dúvida sobre a interpretação de uma regra jurídica de Direito do Trabalho, se opta por aquela mais benéfica ao trabalhador.

Este formato de cunho sociológico purista e de recheio populista, nivela o Direito do Trabalho, na ótica dos juristas, porque, “tem como finalidade compensar as desigualdades econômica e jurídica existentes na relação entre capital e trabalho, mediante a criação de outras desigualdades de natureza jurídica e segundo a dignidade do trabalhador”. Há quem questione as injunções detectadas nos processos do trabalho, sendo essas fruto a insipiência da CLT, que não fornece a ferramenta necessária para gerar uma execução de qualidade, trazendo como conseqüência à morosidade na solução do conflito.

Existe no universo das relações de trabalho, uma remota possibilidade de se admitir o instituto da jurisdição voluntária, que traz à baila a discussão sobre ser correto ou não falar em jurisdição quando não há lide. Aliás, a jurisdição graciosa, de regra, (que já existe na especializada), pressupõe a inexistência de conflito, visto que nessa ocasião o Poder Judiciário terá uma atuação meramente administrativa, conforme entendem alguns autores, apenas cuidando para que a vontade das partes prevaleça, porém sem ofensa a interesses públicos. A questão é bem polêmica, visto sabermos que o Judiciário Trabalhista tem se mostrado relutante em admitir tal prática, a par da ausência de previsão legal na CLT. Convém registrar que a Constituição Federal, por meio de seu artigo 114, parágrafo 1º, previu a aplicação da arbitragem para a solução de conflitos coletivos de trabalho, no qual sua aplicabilidade está condicionada ao insucesso da negociação coletiva, note-se que não faz referência aos dissídios individuais. De acordo com essa permissão constitucional e baseado-se na Lei 9.307 de 24 de setembro de 1996, que dispôs novidades ao instituto da arbitragem, regulando-a e viabilizando-a, como meio de incrementar as opções de soluções de conflito e desafogar o Judiciário, enquanto possível.

Preocupante resistência corporativista

Então se houvesse, mas não existe esta possibilidade na JT, da aceitação dos acordos realizados nos escritórios de advocacia dentro do formato jurídico da arbitragem, mesmo que este viesse dar oxigenação da linha doutrinária da magistratura do trabalho, nas questões individuais da relação de trabalho, onde existir bem disponível. Já existe uma linha filosófica no seio da advocacia, que este formato de solução de conflitos individuas no ramo laboral, poderia ser objeto de solução pacifica através deste moderno instituto da arbitragem, da mesma forma que é admitida e enfrentada no colegiado do SEDI.

Pelo que se analisa, admite-se que mesmo que tal procedimento estive condicionado a homologação no judiciário laboral, porque ainda sim seria operante e altamente saudável para a celeridade processual e de forte assessoramento ao plano de metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que pesquisa meios para atender a demanda de ações. Isso porque estaria este reexame da matéria negociada na arbitragem, sanada a fim de evitar enriquecimento ilícito e requerida à compensação nos termos do art. 767/CLT.

Embora este meio voluntário de solução de conflito estar próximo da conhecida lei da Arbitragem n° 9.307/96, enquanto ao examinar o CPC, e seu arsenal de subsídios, e fácil reconhecer porque este importa o artigo 769 da CLT. Ele prevê que o direito processual comum será aplicado a Justiça do Trabalho de forma subsidiária exclusivamente naquilo em que for compatível com as normas previstas no Título X (Do Processo Judiciário do Trabalho) da CLT, e em casos de omissão. Resta saber se o CPC, como norma subsidiária do direito trabalhista teria aplicação no tocante (ex vi art. 769 da CLT) a fazer com que seja admitido pela Justiça do Trabalho procedimento em que se dirijam as partes a tal Órgão, não com o intuito de dirimir um conflito (dissídio), mas na intenção de verem homologado um acordo celebrado extrajudicialmente, na pratica por assistência de advogados, sem que neste documento fosse necessária a interferência do Estado-juiz, conforme vem ocorrendo. Este capitulo teria o anteparo do próprio judiciário, servindo do art. 129 do CPC, que é claro ao dispor que: “Convencendo-se, pelas circunstâncias da causa de que autor e réu se serviram do processo para praticar ato simulado ou conseguir fim proibido por lei, o juiz proferirá sentença que obste aos objetivos das partes”.

Pesquisando o arsenal doutrinário no universo do direito, encontramos o pensamento do mestre Cândido Rangel Dinamarco a “jurisdição voluntária é a atividade jurisdicional destinada a pacificar pessoas mediante a tutela a uma delas ou a ambas, em casos de conflitos postos diante do juiz sem confronto entre possíveis direitos de uma ou de outra”. O mesmo autor sinaliza que a jurisdição voluntária não consiste em dirimir diretamente conflitos entre as pessoas, visto não serem julgadas pretensões antagônicas; mas destina-se a dar tutela a uma das partes ou a ambas, conforme determine o ordenamento jurídico.

Está patente e facilmente perceptível que o Estado-juiz, mesmo quando não atua em atividade tipicamente contenciosa, de qualquer forma acaba por contribuir com a pacificação social na medida em que dá aos particulares a certeza de que, com a interferência do Poder Judiciário em uma determinada relação jurídica, ter-se-á a garantia (mesmo que relativa) que esta se norteará pela obediência ao ordenamento jurídico, daí não havendo confronto ideológico, sob a saga da proteção insana ao hipossuficiente e não a concepção de apaziguamento da questão, teremos a solução do conflito, sem estender a ação pelo meio da severa gramática jurídica.

È fato que existe uma linha tênue neste modelo de solução de controvérsia extrajudicial, conforme alerta Rosemary de Oliveira Pires ao asseverar que: “Há quem venha defendendo, ainda, a possibilidade de homologação judicial de transação extrajudicial, sustentando ser forma de jurisdição voluntária admissível no processo trabalhista, à luz da conjugação do art. 114 da Constituição Federal, do art. 57 da Lei nº 9099/95 e do inciso III do art. 584 do CPC”. Contudo, dando sua opinião sobre o assunto, registra o seguinte, referindo-se ao posicionamento mencionado: Todavia, de tal entendimento não compartilhamos, pois que a jurisdição voluntária, repita-se, deve ter previsão legal expressa e, para isso, não é suficiente a disposição contida na Lei nº 9099, de 26.12.95, já que este regula, com especificidade, apenas os Juizados Especiais Civis e Criminais e, assim, não pode ter sua aplicação estendida para a Justiça do Trabalho, não autorizada a exegese ampla do art. 114 da CLT.

A nebulosa que esconde a questão deste modelo proposto reside única e exclusivamente no ponto em que ninguém é antes provado ser honesto, sem que por seu ato este seja honesto, daí entender que não existe valia na ação empreendedora da solução de conflitos pela via da arbitragem é o mesmo que condenar, antes mesmo de analisada a questão exposta.

Assessor de Lula rebate “críticas sobre apoio do Brasil a Cuba

Como sempre, Marco Aurelio Garcia vê as coisas usando óculos bifocais com lentes trocadas. Ninguém ficou contra “o apoio ao país Cuba”.

O que repercutiu miseravelmente, a palavra é essa, foi o fato do presidente ter chamado resistentes em greve de fome, de BANDIDOS. Isso é inaceitável, incraditável. Lula deveri pedir desculpas.

Dificuldades adiam definição da candidatura de Meirelles às vésperas da desincompatibilização

Denise Rothenburg e Luciano Pires

Nem a vice de Dilma nem o sucessor no Banco Central. Nas conversas palacianas que manteve nos últimos dias, Henrique Meirelles não obteve do presidente Lula o que mais desejava e ainda viu crescer o risco de não emplacar o Diretor de Normas, Alexandre Tombini, como futuro presidente do BC.

Nas últimas 24 horas, Dilma Rousseff defendeu a nomeação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, para substituir Meirelles. Assim, sem a  garantia de que Lula moveria montanhas para fazer dele, Meirelles, companheiro de chapa de Dilma, e sem Tombini no Banco Central, Meirelles arremeteu e sua saída do BC vai tentar nas próximas horas demover Lula de nomear Barbosa.

Na dúvida, Meirelles foi ao gabinete do presidente ontem à tarde. Mas Lula não o recebeu, porque estava reunido com o senador Osmar Dias (PDT-PR), tentando atraí-lo para a montagem do palanque de Dilma no Paraná.


Mario Filho, o maior jornalista esportivo de todos os tempos, morreu sem ninguém saber

Esse, sim, eterno, escrevendo, criando, (os Jogos da Primavera), com um livro extraordinário e insuperável, devia ser reeditado, para distribuir entre os jovens, “O negro no futebol brasileiro”. É a maravilhosa história das nossas raízes no futebol.

O Estádio do Maracanã só saiu por causa dele, o prefeito Mendes de Moraes queria construir dois: um público e outro privado, nas suas contas pessoais. Merecidamente o Maracanã tem o nome dele, por favor, substituir ou trocar o nome, de maneira alguma.

Chegando da Copa de 66 na Inglaterra, (a única na qual o Brasil foi eliminado na primeira fase) Mário Filho morreu, quase que ignorado. E era dono do Jornal dos Sports, que informou e formou gerações e gerações.

O primeiro serviço de Armando Nogueira, já não muito moço, aos 23 anos, foi cobrir a chegada da seleção da Iugulsávia para a Copa de 50. Deu trabalho para o copidesque, que então dominava as redações.

Verdade seja dita, ele não sabia que era tão genial quanto o descreveram ou exaltaram. Até um título tolo e sem qualquer mérito, foi desenterrado quando ele morreu: “O homem que driblou a morte”. Quanta besteira, Armando Nogueira. Títulos altamente criativos, vou citar dois, poderia lembrar uns 100.

Joel Silveira, o maior repórter de todos os tempos, aos 19 anos chegava de Sergipe e escrevia, “Os grã-finos de São Paulo”, não parou mais. Fez entrevista com o deputado Domingos Velasco, socialista e católico, colocou o título inesquecível: “Na esquerda, com Deus”. Ou então na Tribuna da Imprensa, durante a ditadura, quando o “governador” de São Paulo e o do Rio almoçaram: “Chagas e Maluf se encontram, a polícia não aparece”.

Não foi poeta, e genial poucos são. Não escrevia, com dificuldade alinhavava as palavras, soletrava, se empolgava e se deslumbrava. Ao contrário de Mario Filho, viveu na época da televisão. Soterraram-no de impropérios que pretendiam consagradores, mas esqueceram precisamente a televisão.

Dois dos episódios jornalísticos mais vergonhosos da televisão, levam a marca de Armando Nogueira. Não era por maldade, (nada a ver com o filme, “A marca da maldade”, de Orson Welles) e sim por ser impossível para ele e para muitos, ultrapassa o que estava dentro dele, a convicção de ser sempre servo, submisso e subserviente.

Em 1982 cumpriu tudo o que seu mestre mandava, tentou de todos os modos e maneiras fraudar o resultado das eleições, convencer a opinião pública de que Brizola não ganhara a eleição. O próprio Brizola, indomável, foi à sede da “Vênus Platinada”, recuperou a eleição que havia ganho nas ruas. Espertíssimo, Roberto Marinho devolveu a eleição para Brizola, nem consultou “seu diretor”.

Não teve coragem de pedir demissão, a subserviência foi sempre maior do que a consciência. Ficou diretor sem mandar nada, com Roberto Marinho ninguém mandava, esqueceram disso. Até que chegou o fim em 1989.

Com a eleição direta para presidente, (depois da ditadura, surgiu o primeiro debate, copiando o de Kennedy-Nixon em 1960) entre Lula-Collor, no segundo turno. Até hoje o fato é lembrado. A TV Globo repetia 1982, se julgava, como se julga até hoje, invencível, inviolável e imperturbável. Editou o debate, de forma vergonhosa, espantosa e até delituosa.

Perdeu, mas era comum em Roberto Marinho, jogou toda a culpa em Armando Nogueira, o que era pelo menos 70 por cento verdadeiro. Ficou vagando por aí, divagando nas palavras que nem imaginava que fossem geniais, só vai saber agora, já está sabendo, surpreendidíssimo. Devia haver um limite para elogio póstumo, principalmente disparatado e inverídico.

Já contei: o grande poeta (esse, verdadeiro e dos maiores) Manuel Bandeira, gostava de escrever conversando com ele mesmo. Perfeccionista, quando não gostava, rasgava e dizia: “Quanta besteira, Manuel Bandeira”. Com ele em vida, comparei, criei, repeti: “Quanta besteira, Armando Nogueira”.

Conheço meus personagens. Coisa que não acontece com os exibicionistas, que na fúria de aparecerem, enterraram o jornalista, chamando de genial. Se fosse em Portugal, diriam apenas: “Bestial, pá”.

***

PS – Respondendo a muitos que perguntam (justamente) se o fim de Armando Nogueira foi em 1982 ou em 1989. A queda e o desgaste começaram com o fiasco e o fracasso de 1982, Brizola tomou posse, Roberto Marinho acreditava que ele fosse se vingar.

PS2 – 1982, “foi a primeira ruga na face do personagem”. Como disse antes, foi mantido, apesar de execrado. 1989 foi o envelhecimento e o envilecimento, nenhum jogo de palavras, Roberto Marinho se cansara de servos, submissos e subservientes.

Não deixe de ler amanhã:
A elegante, educada e até espirituosa
entrevista de Brizola a Armando Nogueira, depois
de ter abortado a fraude da Globo/Proconsult