Dora Kramer e Cony esquecem a reeleição

Pedro do Coutto

Nas edições de 6 de abril, os grandes estilistas Dora Kramer, no Estado de São Paulo, e Cony, na Folha de São Paulo, cada qual sob um ângulo, condenaram a campanha eleitoral do presidente Lula na campanha da ministra Dilma Roussef. O famoso escritor chegou a defender a tese de que o presidente Lula deveria inclusive renunciar ao final de seu mandato para poder livremente participar da campanha de sua ex-chefe da Casa Civil.

Dora Kramer considerou uma intervenção no processo eleitoral. Claro, que é uma intervenção. Só que, em ambos os casos, legitimada pelo instituto da reeleição implantada no país pela emenda constitucional 16, de junho de 97, que proporcionou a Fernando Henrique ser o primeiro presidente reeleito da história do Brasil.

O que diz a emenda 16? Simplesmente que o presidente pode disputar a reeleição mantendo-se no cargo. Aconteceu com FHC em 98, ocorreu com Lula em 2006. A mesma norma se aplica aos governadores e prefeitos. Ora se o próprio presidente pode fazer sua campanha permanecendo à frente do governo, porque não poderá ele apoiar um candidato? Basta seguir a norma fundamental de Direito: quem pode o mais, pode o menos.

Além desta contradição, Dora Kramer, que escreve com a beleza e leveza de um cisne, condena Dilma. que antecipou a abertura da campanha eleitoral. Dora Kramer esqueceu o dispositivo da lei 9504, lei eleitoral, que determine a realização de todas as convenções partidárias para escolha dos candidatos, até o final do mês de junho. Portanto nada mais natural que a luta dos candidatos nas pré-convenções.

O início da propaganda nas ruas é determinado a partir de julho pela lei. Mas neste momento com a participação dos nomes já aprovados pelas convenções. Não tem muito a ver com a campanha prévia ou nos bastidores na busca pelo voto dos convencionais de todas as legendas. Vejam os leitores, por exemplo, a situação de Ciro Gomes. Transferindo seu domicílio eleitoral para São Paulo, certamente foi o que mais se antecipou a todas as etapas. E agora, por São Paulo, será candidato a quê? O PT já antecipou seu apoio a Dilma.

O PT, de outro lado, já anunciou a candidatura de Marta Suplicy ao Senado e do Senador Aloísio Mercadante a governador do Estado. Aliás, Dora Kramer. em sua coluna que acompanho diariamente, considerou antecipação aos limites da lei o pré-lançamento de Dilma Roussef.

Mas não atribuiu a mesma visão crítica a José Serra, a Geraldo Alckmin e à divulgação do nome de Michel Temer, na chapa de Dilma, e ao companheiro de campanha do governador Aécio Neves. Marina Silva também se pré-lançou. E agora, nos últimos dias, Anthony Garotinho para o governo do Rio de Janeiro com o apoio de Dilma. Esta manifestação, publicada pelo O Globo também no dia 6, obriga inclusive Sergio Cabral  a cumprir a afirmação que fez de que não apoiaria Roussef se ela subisse no palanque de garotinho. E agora José? Como no poema do imortal Carlos Drumond.

A campanha, de todos, já está nas ruas. Vai até outubro.

Febraban: avarenta e odienta

A poderosa dona dos bancos, ontem mesmo, terça-feira, com o Rio mergulhado na desgraça, decidiu: “QUEM NÃO PAGOU AS CONTAS HOJE (ontem) PAGARÁ JUROS“. Indecência, indignidade, revoltante.

Muitos banco nem abriram, as pessoas tentavam se salvar ou se transportar, a Febraban já cobrava juros. E não há nada a fazer?

Prefeito dá um dia para
quem pagou IPTU ontem

Esse Eduardo Paes faz vestibular para diretor da Febraban, que é a sua vocação. Esse imposto, (altíssimo, que todos parcelam pois o desconto para pagamento à vista é de 7 por cento) teve o pagamento prorrogado por um dia. Venceu ontem, dia 6, passou para hoje, dia 7. Que magnanimidade desse senhor, que garante, “o Rio tem solução”.

No seu aniversário, Brasília merecia um presente melhor

José Carlos Werneck:
“A cada dia que passa fica mais complicada a situação para a eleição indireta o novo governador do Distrito Federal. Quando aparece um candidato, logo surgem inúmeras denúncias envolvendo seu nome. E com isso o nome do governador, em exercício, Wilson Lima, quem diria,vem se firmando como candidato mais forte ao cargo. Somente para constar e para não dizer que não participou da eleição o DEM resolveu lançar o nome de Osório Adriano, suplente de deputado federal, que por não ter conseguido votos suficientes para ser titular, carrega o fardo de ser “ruim de urna”, como costumam dizer as velhas raposas políticas. Aliás, esta indicação do DEM, não deixa de ser curiosa. O partido vetou o nome do titular do mandato de Osório, Alberto Fraga, para indicar o suplente. Preferiram o reserva, pois acharam que o titular estava “contundido”, por ter sido secretário de Transportes do governo de José Roberto Arruda. O PT, por não ter número suficiente de votos, na Câmara Distrital e para não se desgastar, indicando um nome para ser sacrificado, prefere ficar de fora. O mesmo vale para o PDT, que mesmo tendo, em sua bancada distrital, o jovem e íntegro deputado Reguffe, que teria chances, numa eleição direta, não participa da disputa. E isso tudo acontece às vésperas do cinqüentenário de inauguração da Capital Federal. Como morador de Brasília desde 1960, tenho absoluta certeza que a cidade, merecia um presente bem melhor”.

Comentário de Helio Fernandes:
Impressionante, Werneck, ninguém liga para o cidadão-contribuinte-eleitor, milhares como você, que adotaram a cidade desde a fundação. A situação de agora, para um “mandato” de 8 meses, catastrófica. Projetemos então a eleição para um mandato inteiro, a ser disputado em outubro. Só se fala em Roriz, Gim Argello e outros do mesmo time e calibre, quer dizer, falta de.

No dia 21 deste abril de 2010, a população deveria ir para as ruas protestar. A população de Brasília não tem culpa de nada, mas inquestionavelmente é a grande vítima. Reage ou naufraga, como o Rio de Janeiro.

Construções de risco, culpa da prefeitura

Muita coisa é imponderável, ou então tem que ser colocada na conta de prefeitos e governadores desonestos e incompetentes. Por que construíram em áreas onde era IMPOSSÍVEL construir? Porque houve concessão ou omissão.

Não podemos esquecer Cesar Maia, (o maior taxista do Rio e seu filho “dono dos eventos”) que domina a cidade desde 1992 (com apenas uma interrupção) que gastou fortunas na “Cidade da Música” (caríssima e nem funciona), e que mora num apartamento que ganhou da Globo, por autorizar a construção de um edifício em São Conrado, onde não podia ser construido.

As inundações em toda a cidade, sem desculpa, descaso, desprezo e desinteresse de cabralzinho e do ex-inimigo de Lula, que se arrojou a seus pés para ser eleito.

Heitor Santos Aquino lembra magnificamente a formação subterrãnea do Rio. Fala na profusão de rios e de águas que se projetavam e se projetam por todos os bairros. Registra a Praça da Bandeira, me lembro: nasci no Meier, sempre tinha que passar pela Praça da Bandeira. Quando chovia, era o ponto mais estrangulado e naufragado, nunca ninguem fez nada. Mais tarde, a partir de 1950, com o Maracanã, inundações e mais inundações, o povão tendo que ir aos jogos, entrando e saindo debaixo d’água.

E o resto da cidade, exatamente o mesmo. O prefeito só acordou 12 ou 18 horas depois da tragédia, o governador nem isso. As ruas completamente vazias, de gente e de carros, porque não dava para andar ou trafegar. Providências? Nenhuma, perdão, quando descobriu a cobertura da televisão, eduardinho não largou mais as câmeras.

Como a mesma roupa para dar impressão de que não pudera mudar, o ar abobalhado de sempre, esse é imutável, que palavra. E o Rio e algumas cidades do interior, esperando não se sabe bem o quê. mas nada que venha do prefeito ou do governador.

Diferenças políticas e eleitorais, nos EUA e no Brasil, comparando, sem desapreço, desprezo, desmerecimento

Não se trata de copiar, imitar, plagiar e sim de melhorar. Rui Barbosa, que fez o anteprojeto da Constituição de 1891 e que, como senador, foi seu relator, aproveitou muita coisa da Constituição americana de 1787/88.

Rui foi logo derrotado: queria que a República se iniciasse com eleição DIRETA do presidente, quase foi linchado. Nos EUA, promulgaram a Constituição, e em 1788 mesmo, houve eleição DIRETA para presidente.

Para começar, mostremos um fato importante, que os EUA transformaram em emenda constitucional, depois do Brasil. Nos EUA e no Brasil, a hierarquia da substituição (quando necessária, lógico) presidencial, era a seguinte.

1 – O vice, que presidia o Senado, como direito a voz mas não a voto. 2 – O presidente do próprio Senado. 3 – O presidente da Câmara. 4 – O presidente do Supremo Tribunal. 5 – Na Constituição de 1946, fizeram, no Brasil, modificação importantíssima. O vice que presidIa o Senado, continuou, mas o presidente da Câmara foi colocado na frente do presidente do Senado.

6 – Em 1952, na emenda número 24, os EUA adotaram a modificação feita no Brasil, o Senado não ficou com a enorme superioridade. 7 – Só que eles “radicalizaram” a sucessão, acabaram com os mandatos i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-o-s.

Nos EUA não existe suplente de senador, excrescência que prosperou no Brasil. O mandato lá é de 6 anos, com eleição de 3 em 3 anos. Se ocorrer a vaga na primeira metade do mandato (3 anos), o governador, que é eleito, nomeia o substituto. Se for na segunda metade, ele é nomeado e conclui o mandato.

Fato interessante e rigorosamente verdadeiro. Quando o presidente Kennedy foi assassinado, seu secretário de Imprensa, Pierre Salinger, não foi aproveitado por Lindon Johnson. Era da Califórnia, morava lá. Meses depois morreu um senador, faltando 1 ano e 9 meses da primeira metade do mandato.

O governador, Democrata, nomeou Salinger. Exerceu esses 21 meses, veio a eleição para os outros 3 anos, foi derrotado por um Republicano, desapareceu.

Ainda mais importante, verdadeira inovação política e eleitoral, se fosse usada no Brasil. O cidadão que se candidata a qualquer cargo, só pode exercer o cargo para o qual foi eleito. Se quiser ocupar outro cargo, tem que renunciar ao primeiro, não pode simplesmente se licenciar.

Fato interessante e rigorosamente verdadeiro. Dona Hillary Clinton, tinha ainda 4 anos e 1 mês do mandato de 6 anos. Convidada para secretária de Estado, teve que imediatamente deixar o Senado. Obama não vai demiti-la, mas o general Collin Powell, que ocupava o mesmo cargo com Bush, deixou a chefia do Estado Maior das Forças Armadas, foi demitido.

Representação exagerada. Os EUA estão chegando agora aos 300 milhões de habitantes, têm 435 deputados. (Congressistas, como são chamados). O Brasil está quase com 200 milhões, (o censo irá confirmar) tem 513 deputados e acham pouco.

Eleição e duração do mandato. Nos EUA, a eleição vale por 2 anos e o voto é distrital. Essa Câmara funciona em Washington e a eleição é nos estados. Como nos EUA existem fusos de até 7 horas, os congressistas têm que comparecer às sessões na capital, sem abandonar seus eleitores. Não podem nem reclamar, ninguém é obrigado a se candidatar, a opção é pessoal.

Voto distrital. Avanço notável, que teremos que adotar um dia. O chamado “projeto ficha limpa”, pode ser um progresso. Mas através do voto distrital, o candidato conhece os eleitores, estes conhecem os candidatos. Imaginem se alguém votaria em Roriz depois de renunciar (para não ser cassado por corrupção) a 7 anos e 6 meses de mandato.

E esse Gim Argello, que “ganhou” o mandato quase inteiro de Roriz, nos EUA não seria candidato nem mesmo formando uma cadeia de partidos.

Convenção partidária. É um verdadeiro show político e eleitoral, o público participa. Em 1796, depois de presidente por 8 anos, Washington não quis mais. Foi eleito J. Adams, até 1800. Adams quis ficar mais 4 anos. Thomas Jefferson se lançou candidato na convenção do Partido Federalista (só existiam esse e o Republicano, o Partido Democrata só seria fundado 40 anos depois da Constituinte), foi escolhido e ganhou a eleição.

***

PS – A representatividade no Brasil, é falha do princípio ao fim. Não existem convenções públicas, e sim cambalachos premeditados. Como é que Michel Temer, sem votos e portanto sem prestígio, consegue sempre ser presidente do PMDB, o maior partido do país?

PS2 – Eleito presidente da Câmara, acumula a presidência do partido, como se fosse único e insubstituível. Em 2006, só foi deputado, porque o último foi cassado, entrou.

PS3 – Temos que fazer enormes modificações, para impedir a “contaminação” (royalties para o Procurador Geral da República) da representatividade, do voto e das escolhas. Falta muita coisa, o tempo é curtíssimo e muito bem aproveitado pelas CÚPULAS DE TODOS OS PARTIDOS.

Cartão vermelho para ele

Carlos Chagas

Evolui com cautela e simplicidade o time reserva que o presidente Lula colocou em campo, após a saída dos ministros candidatos às eleições de outubro. Os secretários-executivos e chefes de gabinete guindados às cadeiras ministeriais procuram evitar dribles complicados e chutes de longa distância, comportando-se dentro da rotina e passando rápido a bola,  infensos a aparecer na imprensa como craques consumados, que não são.

Estão certos, ou estariam, não fosse a desastrada performance de um deles. Pretendendo jogar o que não pode, ou não sabe, Carlos Gabas, novo ministro da Previdência Social escorrega, vai ao chão, leva bola debaixo das pernas, chuta contra seu próprio gol e distribui ponta-pés a valer. Destoa do conjunto aplicado e impessoal.

Por quê? Porque logo no seu primeiro dia de ministério passou a merecer cartão vermelho quando mandou recado aos aposentados: “Reajuste salarial? Podem esquecer…”

Nas arquibancadas, quer dizer, no Congresso, foi uma vaia só. No reverso da medalha, não se ouviu uma única palavra  de apoio ao mais recente  algoz dos velhinhos. O Senado aprovou, meses atrás, projeto extinguindo o fator previdenciário e igualando ao reajuste  dos aposentados de salário mínimo os demais vencimentos de quem parou de trabalhar. O projeto anda a passos de tartaruga na Câmara, dada a exigência do  governo pela sua rejeição. Como ninguém tem coragem de votar contra, em especial num ano eleitoral, a solução da maioria é  protelar a decisão.

Pois não é que Carlos Gabas acaba de inscrever-se no rol dos pernas-de-pau? Pretendendo agradar o treinador que o escalou,  marcou um gol contra seu próprio time. Ou fez pênalti, o que dá  no mesmo…

Jardim Zoológico

Dilma Rousseff decidiu engrossar, depois de  deixar o governo. Agrediu José Serra dizendo que quando ministro do Planejamento, no governo Fernando  Henrique, seu adversário não planejou nada, ou melhor, planejou o  apagão. Foi adiante, a candidata, acentuando que os tucanos são lobos em pele de cordeiros.

Caso a campanha eleitoral descambe para a virulência, menos informações chegarão ao eleitorado, a respeito dos planos e programas dos pretendentes ao Palácio do Planalto. Ninguém duvide se depois  dos lobos e dos cordeiros, outros bichos forem  convocados para o debate. Até as hienas.

Cuidando do futuro

De um  lado, José Gregori, Andréa Matarazzo, Aloysio Nunes Ferreira, Luis Paulo Veloso Lucas, José Aníbal, Luiz Gonzáles, Xico Graziano, Caio Carvalho, Márcio Fortes, Ronaldo César Coelho e muito mais gente.

De outro, Antônio Palocci, Márcio Thomas Bastos, Rui Falcão, José Eduardo Cardoso, Franklin Martins, Marco Aurélio Garcia, Clara Ant, Fernando Pimentel, João Santana, José Eduardo Dutra…

Vencendo José Serra ou Dilma Rousseff, começam a ser esboçados os seus possíveis ministérios.

A revolta da natureza

Não adianta ficar criticando o governador Sérgio Cabral ou o prefeito Eduardo Paes,  do Rio, como não adiantou, também, culpar José Serra e Gilberto Kassab, de São Paulo.  Terão todos  parcelas de responsabilidade, seja por omissão, seja por prioridades erradas em suas administrações.

Mas o que acontece no Rio e já aconteceu em São Paulo transcende os limites da ação dos governantes. Mesmo sabendo que cuidaram mal do recolhimento do lixo, da limpeza e ampliação das redes pluviais, da dragagem dos rios e canais, da ocupação desordenada de áreas urbanas, do caos no trânsito e de  tanta coisa a mais – fica claro estar a  natureza cobrando o seu resgate. No mundo inteiro sucedem-se enchentes, secas, terremotos, tsunamis e sucedâneos, em ritmo raras vezes visto. Fica evidente haver um fio interligando tantas anomalias. No caso, o  aquecimento global, gerado pela incúria e a ambição de muitos.  Para a destruição do planeta, conclui-se não serem necessárias guerras nucleares…

Enquanto o Rio era devastado e inundado pela chuva, Eduardo Paes, em casa, “não quero ser incomodado”

Há muito não se via nada igual nesta cidade maravilhosa. Começou a chover forte a partir de 5 horas da tarde de ontem, segunda-feira, daí em diante tudo se agravou. Nenhuma providência. 16 mortos até a meia-noite, o Rio continua intransitável, tirando a Polícia Militar, nenhuma providência.

Pela primeira vez nos últimos 50 anos, vejo a Lagoa Rodrigo de Freitas transbordar, em todos os seus 7 mil e 400 metros. O Rio Maracanã inundou mais uma vez, isso é rotina de sempre, sem solução.

As Linhas Amarela e Vermelha cobertas de água, carros parados por horas e horas. Os ônibus desapareceram, um pouco por impossibilidade de trafegar e outro pouco por ordem da Fetranspor, o órgão mais poderoso da cidade.

Em consequência, milhares de pessoas durante essas horas, foram se acumulando nas ruas, não havia como chegar em casa, e lógico, hoje, como ir ao trabalho. Enquanto isso, o prefeito confortavelmente acomodado em casa, não queria saber de nada. Quando foi para casa, a cidade já era um caos, assim mesmo foi para o seu refúgio e não saiu.

“Recorram à Defesa Civil”, recomendou o prefeito, concluindo, “mas não me telefonem mais, não posso fazer nada”. Um dos prefeitos mais populares de Nova Iorque, (La Guardia, eleito e reeleito) saía de casa tarde da noite para tomar providências sobre um grave acidente de trânsito, incêndio, auxiliares recomendavam: “Pode ir para casa, resolveremos”. E La Guardia, convicto: “Tenho que ficar aqui, ninguém me pediu para ser prefeito, eu é que me apresentei, tenho que enfrentar os problemas”. Exatamente o contrário de Paes e Cabral.

Pela manhã, Eduardo Paes aparecia na televisão (abrigado) e dizia: “O Rio não está preparado para nada disso. De zero a dez, a nota do Rio é zero”. E o que ele faz para melhorar essa nota vergonhosa? Vai continuar chovendo, e o prefeito refugiado no seu conforto, que é o desconforto de toda a população.

O número de mortos deve aumentar, as aulas em todo o Rio foram suspensas, rios continuam inundando. O prefeito não está sozinho no descaso e desinteresse, cabralzinho também não saiu de casa, apesar do temporal ter atingido regiões que não são apenas da capital, pertencem ao estado, como toda a Baixada e Niterói.

Eduardo e cabralzinho, KI-DUPLA, parecem sorvete da Kibon.

O descuidado e displicente
prefeito Eduardo Paes

Durante toda a manhã, ficou falando na televisão, repetitivo e dizendo bobagem. Perguntado sobre a Praça da Bandeira, “que sempre inunda e fica intransitável com qualquer chuva”, respondeu: “Esse é um problema crônico, não há o que fazer”. Um prefeito que diz que “problemas não têm soluções”, devia acompanhar a declaração com o pedido de renúncia.

Tatibitati, repete inúmeras vezes: “O problema se agravou por causa da maré alta”. É um primário, as mais diversas regiões não têm nada a ver com a “maré alta”.

O prefeito insistiu no “apelo”, para que “as pessoas não saiam de casa, fiquem em casa, para diminuírem as dificuldades”. Isso seria possível se as pessoas tivessem opções de conforto e facilidade como Sua Excelência.

Em relação ao “apelo” para não sair de casa, o prefeito poderia distribuir o livro de Bob Hope, grande sucesso de uma época: “Eu nunca saí de casa”. Bestial, prefeito.

A tumultuada e confusa sucessão de SP, refletindo no país. Lula perplexo. Um stalinista no Poder, tendo que apoiar um reacionário. O que fazer? Mercadante, Suplicy e Dona Suplicy sem votos

Pesquisar é uma profissão vaga, incerta e não reconhecida pelo Ministério e pela Justiça do Trabalho, mas muito bem remunerada. É regida sempre por uma notável “coincidência”: quem paga sempre tem razão. A prova-provada do que estou dizendo tem como base o levantamento feito na terra de Serra e Alckmin.

Faltando 7 meses para a eleição, os “mestres da pesquisa” chegaram apressadamente aos resultados que eram pretendidos pelos clientes. Resultados altamente questionáveis, embora na superfície sejam defensáveis, explicáveis, até mesmo compreensíveis. Mas se mergulharmos para exame em profundidade maior, tudo não passa da ilusão de um  momento. Com isenção e sinceridade, analisemos.

A primeira conclusão, surpreendente e contraditória: não existe um só nome ou candidato do PT, que esteja bem classificado ou seja um bom receptador de votos. Então vem a pergunta: Lula transfere uma parte enorme do seu potencial de votos para Dona Dilma, mas não ajuda, milimetricamente, “um correligionário paulista”?

Podem dizer: os próprios “correligionários” de Lula se destruíram, sem marginalizaram eleitoralmente, depois de terem sido marginalizados politicamente pelo próprio chefe amado-idolatrado.

Mercadante, que sabe que não se reelege senador, preferiu a aventura shakespereana de ser ou não ser governador? Parece certo. Senador muito bem votado em 2002, chegou ao Senado com a certeza (pessoal e intransferível) de que tomaria posse e logo iria para o Ministério da Fazenda.

Foi preterido por um desconhecido e acusadíssimo Palloci, ninguém entendeu ou acreditou. Como o ministro da Fazenda ia crescendo no “noticiário amestrado”, Lula tratou de afastá-lo. Mercadante voltou a sorrir e a se satisfazer, surgiu um ainda mais precário Mantega. Que ficará até o fim. Mercadante desabou.

De economista o senador de SP passou a filólogo, entrando no terreno de Houaiss e Aurélio, tentando modificar o sentido e conteúdo da palavra IRREVOGÁVEL, para continuar fingindo de líder do próprio Lula. Agora, com 13 por cento das “intenções” de voto, Mercadante sabe que IRREVOGÁVEL é seu próprio destino.

Perde até para Suplicy, o ridículo e instável senador, que tentando aparecer, (sua única preocupação), levou até cartão vermelho, quando na verdade queria aplicá-lo. Os paulista já vetaram Suplicy para governador em 1994, foi candidato a senador em 1998, contra o Oscar do basquete.

O grande jogador era apoiado por Maluf, estava disparado na frente, surgiram conversas elitistas, o Oscar foi ficando para trás, Suplicy surpreendentemente se elegeu. Até hoje, quando falam em política com Oscar, ele responde: “Desde 1998 tenho horror a esse tipo de coisa”.

Dona Marta, ex-Suplicy, surpreendeu o próprio eleitor ganhando a prefeitura, perdeu estando no cargo, nunca mais foi vencedora. Misericordiosamente, essa pesquisa, que não é uma sentença transitada em julgado, lhe dá 1 por cento para a disputa. Até o inefável Celso Russomano, aparece com 10 por cento, é evidente que não passa de divagação.

Registro apenas melancólico para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Como não se definiu, não foi pesquisado. Mas é estapafúrdio, que palavra, se apresentar pelo Partido Socialista, comandando o órgão mais elitista e sem credibilidade que é essa Fiesp.

Ciro Gomes, que não tem nenhuma chance, também não tem convicção de candidato. Sua posição de linha auxiliar de Lula se manterá quaisquer que sejam os caminhos da sucessão, nacional e estadual. Em 2002 chegou a liderar as pesquisas para presidente, jogou tudo fora. Por equívocos pessoais e por descobrirem que era amigo de Jereissatti.

Vejamos pelo lado da situação. Constrangidíssimo e até envergonhado, constatei ainda na Tribuna impressa: “Alckmin será o sucessor de Serra no governo de São Paulo”. O melhor candidato seria Aluízio Nunes Ferreira, mas quem está no jogo há 20 anos é esse incipiente Alckmin.

Anestesista de profissão, aprendeu a anestesiar os eleitores, diversas vezes. Dito conservador, na verdade é um provado e comprovado reacionário, antiprogressista, mais admirador de FHC do que de Serra.

Afirmação de Alberto Goldman, que assume a vaga de Serra, sem a menor chance de ser candidato: “Não acho que Alckmin seja o candidato mais adequado. Mas na vida não se faz o que se quer, mas sim o que se pode”. Pela primeira vez concordo com ele: tendo sido apaixonado stalinista, não pode elogiar um reacionaríssimo como Alckmin.

Governador três vezes (a terceira, ilegal e inconstitucional, as outras encostado em Mario Covas), pode até ganhar no primeiro turno.

E repetindo a pergunta: Lula não garante ninguém no maior estado e colégio eleitoral do país?

Em 1989 me fartei de dizer a Brizola: “Você precisa morar em São Paulo”. Garantido no Estado do Rio e no Rio Grande do Sul, não foi para o segundo turno por meio por cento dos votos. Adiantou alguma coisa ter chamado Lula de “sapo barbudo”?

***

PS – Esta é uma análise ligeira mas bem fundamentada. Lula que fala tanto em palanque, em São Paulo ficará na planície arriscado a perder o Planalto?

PS2 – Haja o que houver, não haverá muita definição ou alteração nos nomes e sim na contagem final dos votos. Mas a eleição será decidida em São Paulo. Com 30 milhões de habitantes e 12 milhões de eleitores inscritos, ali, qualquer desvio ou descuido pode ser fatal.

PS3 – Isso é importante. Como Dilma e Serra não têm projeto, compromisso, “plataforma” (como se dizia antigamente) podem ser derrotados ou vencedores, nenhuma vantagem para o país.

PS4 – Serra e Dilma, filosófica e ideologicamente, são anarquistas. Como estes defendem o NÃO-GOVERNO, se assumiram, começam por não saberem o que fazer. Os dois são os ANARQUISTA DO CIRQUE DU SOLEIL.

Lobão favoreceu a vovózinha e garantiu financiamento da campanha

Não precisa de dinheiro, mas é muito melhor guardar o seu e gastar o dos outros. Assim,  ao sair do ministério assinou portaria redigida por grandes empresas e privilegiando a todas.

Entre elas, Vale, Dow Chemical (fabricante de napalm e que na ditadura foi presidida por Golbery), Ferbasa, Gerdau e várias empreiteiras, A frase-conceito-definição, “Mateus, primeiro os teus”, é muito popular no Maranhão.

Ministro do Supremo e chanceler

Vicente Limongi Netto:
“Helio, o Paulo Sérgio diz que Rezek foi ministro de Collor. Foi mesmo?”

Comentário de Helio Fernandes:
Rezek era ministro do Supremo e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Na sucessão de 1989, Brizola não foi para o segundo turno, por causa de 0,4 por cento dos votos. Imediatamente pediu recontagem dos votos, estava convencido que no segundo turno ganharia a eleição. (Convicção quase geral).

Rezek, sem ler e portanto sem se convencer, negou imediatamente a recontagem. Collor ganhou, nomeou Rezek chanceler, lógico, teve que deixar o Supremo.

Em 1992 deixou o Ministério do Exterior, Collor nomeou-o outra vez ministro do Supremo, fato inédito na história do tribunal. Em dificuldades na aprovação pelo Senado, contou com o apoio de Sarney, que lhe garantiu maioria escassa, e a volta, para muitos revolta.

Em 1996, deixou novamente o Supremo, com apenas 52 anos. Foi advogar, defendeu Jackson Lago contra o protetor Sarney. O que lhe valeu carta devastadora do ex-presidente. (Na época, estarrecedora. Hoje, nem Rezek nem Sarney têm importãncia, minha cópia não vale nada).

Logo depois foi nomeado para representar o Brasil no Tribunal DA Haya. (Fazia questão desse Da em vez do DE). Voltou, há anos não faz coisa alguma. Como completou 66 anos agora, em 18 de janeiro, poderia estar ainda no Supremo. Sem levar em consideração possíveis méritos, fez carreira curiosa. Pelo menos isso.

O antiterrorista

O mundo não tem limites na inconsciência, incongruência e inconsistência . Vejam esta declaração de Vladimir Putin: “Os terroristas serão destroçados”. Como chefe da terrível e temível KGB, “destroçou” milhões, praticando o terrorismo. Agora, tendo mudado de lado, sem trauma e sem punição, continua ávido e avarento praticante do “destroçamento”.

Escorregou outra vez

Carlos Chagas

O presidente Lula superou-se em sua mais recente entrevista, concedida à TV-Bandeirantes. Depois de afirmar que Dilma Rousseff não é sua candidata, mas do PT, explicou não ter candidato, no exercício da presidência da República, mas, depois do expediente, assim como aos sábados e domingos, vai  para a rua fazer comício em favor de  Dilma.

Alguém precisaria alertá-lo de que presidente é presidente em tempo integral, 24 horas por dia e nos fins de semana também. Além do que, Dilma só é candidata do PT porque foi imposta ao partido por ele. Em outro trecho da entrevista, desmentiu-se, ao afirmar que está indicando uma companheira.

São declarações como essas que expõem o primeiro-companheiro. Não haverá um só cidadão, mesmo entre os que recebem o bolsa-família, capaz de acreditar não ser Dilma a candidata do Lula, ou ser apenas meia-candidata, das seis da tarde à oito da manhã.

E quanto a dizer que uma vez concluído seu mandato vai descansar sem pensar na volta ao poder, até porque se Dilma for bem no governo, terá direito a um segundo mandato?  No mínimo, precisará indicá-la outra vez, em 2014.

Por que não te calas?

Do outro lado é a mesma coisa, sejam as incontinências verbais ou escritas. Depois de indispor-se com José Serra, cobrando dele a precipitação de seu lançamento, o ex-presidente Fernando Henrique agora atropela Aécio Neves. Em artigo na imprensa, exigiu do ex-governador de Minas um engajamento explícito na campanha de Serra.

É mais ou menos como se um fiel pedisse a palavra, na igreja, para conclamar o padre a rezar melhor a missa. Intromissão indébita das grandes, porque Serra foi o senhor da oportunidade de colocar o seu nome, assim como Aécio será o árbitro  do tom da campanha em seu estado. Atropelar os dois como se fosse um mestre-escola só pode despertar ironia e mal-estar no ninho dos tucanos. No fundo, o sociólogo quer dar-se ares do que não é, ou seja, mentor dos rumos do PSDB. Melhor faria se aparecesse na solenidade de sagração do candidato,  sábado, com uma melancia pendurada  no pescoço, já que não foi selecionado para discursar…

Embrulho fluminense

Dia 10, enquanto José Serra estiver sendo oficialmente lançado candidato, em convenção de seu partido, em Brasília, Dilma Rousseff deverá estar no Rio, prestigiando o lançamento de Anthony Garotinho para governador. O diabo será convencer Sérgio Cabral da oportunidade desse apoio explícito a um seu adversário. Porque o atual governador disputará o segundo mandato e tem sido dos mais leais aliados do presidente Lula.

A hipótese de dois palanques  fluminenses para a candidata pode muito bem resultar em dúvida na cabeça do eleitor. Além do precedente capaz de desandar a campanha presidencial em outros estados. Se Dilma ter permissão para recomendar Sergio Cabral e Anthony Garotinho, a um só tempo, porque não poderá, em Minas, apoiar Helio Costa, num dia, e Patrus Ananias, no outro?

Investimentos

Desde abril de 2008 que China e Estados Unidos estão investindo 10 bilhões  de  dólares,  cada país, na Petrobrás. Em parcelas anuais, é claro, que apenas se encerrarão em 2020. Esses  recursos servem para  a empresa investir na extração do petróleo no pré-sal, que por coincidência só naquele ano estará sendo explorado comercialmente. A contrapartida é  o compromisso de o  Brasil  pagar a dívida em petróleo, na ordem de 200 mil barris-dia para chineses e outro tanto para americanos. Como os cálculos prevêem a produção de 1 milhão e 800 mil barris-dia, sobrarão 1 milhão e 400 mil barris-dia para o consumo interno e para negociações no restante do mundo. Hoje, consumimos 2 milhões de barris-dia, que produzimos, mas daqui a dez anos, muito mais.

Essas contas se fazem para termos a noção de que, junto com o petróleo, o etanol continua prioridade fundamental. Hoje, a produção é de 25 bilhões de litros por ano. Sendo assim, haverá também que buscar investidores para o etanol.


Eleitores ainda não têm opção definida

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha – muito boa – publicada pelo FSP de 3 de abril e descoberta pela Elena, minha mulher, antes que eu percebesse, revela bem o grau de indefinição que ainda envolve o eleitorado em torno da sucessão presidencial deste ano. A pesquisa procurou dividir as qualidades e defeitos de José Serra e Dilma Roussef no quadro inicial da disputa que reflete nas intenções de voto.

Antes porém de entrarmos no assunto, vamos relembrar o mais recente levantamento do Datafolha que apontou 36 por cento para Serra, 27 pontos para Dilma Roussef, 11 para Ciro Gomes e 8 por cento para Marina Silva. Os votos nominais somam 82 por cento. Logo, a faixa de 18 por cento reúne os indecisos e os que vão votar em branco ou anular o voto. Muito alta ainda esta faixa, no final da campanha cai para 7 ou 8 pontos. É sempre assim. Mas este é um outro tema. A questão principal é que 47 por cento dos que estão dispostos a votar em Serra disseram ao Datafolha desconhecer as qualidades do ex-governador, embora seja ele, nome de sua preferência.

Em relação a Dilma Roussef, 61 por cento do que a escolhem sustentam igualmente desconhecer suas qualidades. Em matéria de identificação de defeitos, 63 por cento acham que Serra não conhece os problemas do país. Em relação à chefe da Casa Civil, aliás, ex-chefe, esta indagação sobe a 71 pontos. Quanto aos defeitos identificados pelo eleitorado entre outros, estes se equivalem e representam percentuais muito baixos na pesquisa.

O que chama mais a atenção e realmente constitui o aspecto mais importante do levantamento é que em ambos os casos os índices de desconhecimento tanto das qualidades quanto dos defeitos supera as taxas de intenção de voto. Eis as provas apresentadas pelo Datafolha: 47 por cento ignoram as qualidades de Serra, mas mesmo assim, hoje 36 por cento dispõem-se a votar nele. Sessenta e um por cento desconhecem as qualidades de Dilma Roussef. Porém 27 por cento a escolhem como candidata. Logo, fica patenteada a força maior de emoção que da razão. As qualidades e os defeitos podem se tornar decisivos, mas predomina a emoção. Uma vantagem evidente em favor de Dilma Roussef que recebe apoio de Lula. E Lula, com uma aprovação de 76 pontos contra uma rejeição de apenas 4, sintetiza e interpreta muito mais a emoção do que a razão.

O levantamento demonstra indiretamente que é muito mais fácil transferir a emoção do que motivar pela razão. Não é apenas esta, entretanto, a vantagem de Lula que passe à Dilma Roussef: existe também a questão de política salarial. Infinitamente melhor do que a de Fernando Henrique Cardoso. Com Lula, os salários pelo menos empatam com a inflação. Na era FHC perdiam disparado. Este aspecto é pouco lembrado pelos cientistas políticos quando comparam a administração do PSDB com a do PT. Os trabalhadores foram torturados pela política trabalhista de FHC. Nada mais importante do que o salário para a vida humana. É preciso igualmente não esquecer que os padrões das classes de renda baixa evoluíram. Estavam estagnados de 95 a 2003. Uma parte substancial da emoção passa por aí. Por isso altos índices de desconhecimento dos candidatos pesa pouco. A emoção, esta sim, pesa muito.

A “Fábrica de Croquis” de cabralzinho

Mario Assis:
“Helio, com a rejeição a Cabral nas camadas mais pobres do Rio, onde perde em pesquisas para Garotinho, foi contratada uma “Fábrica de Croquis”, que semanalmente cria pelo menos dois protótipos de intervenções em favela, sem estudo prévio e sem viabilidade. Distribui o croqui colorido para que seja divulgado e com isso tentar recuperar o prestígio nas favelas. O pedido à “Fábrica de Croquis” é que faça desenhos em computação gráfica (mais fácil distribuição) no ritmo de 2 por semana. Aguardam-se os próximos.
Sinceramente – esqueçam a minha antipatia pela dupla Cabralzinho e Paespalho – eu nunca vi tanta mediocridade, tanta ausência de ideias, soluções inovadoras e criativas, enfim, tanta empulhação e incompetência quanta as que grassam nos governos estadual e municipal do Rio. Não há propostas que despertem entusiasmo, não há falas ou discursos que nos surpreendam pela inovação e criatividade. É um festival – horrendo – de mesmices, bobagens e besteiras ditas em tom professoral. É de pasmar!”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Mario Assis, por desnudar mais ainda, os desnudos governador e prefeito. Cabral vem em linha reta do “mais puro Marcello Alencar e filhos”. Sem esquecer do Garotinho e da Garotinha.

Eduardo Paes é a reencarnação do Padre Olimpio (prefeito do Rio quando Vargas demitiu o grande Pedro Ernesto, convencido de que seria seu adversário em 1938), há mais de um ano apenas rebocando carros que precisam estacionar em algum lugar.

Infelizmente, o prefeito fica até 2012, Cabralzinho pode ir embora no fim do ano, se o cidadão-contribuinte-eleitor votar com a cabeça.

Desespero inútil

Quando leu no jornal, que Lula viria ao Rio para o lançamento da candidatura de Garotinho, serginho cabralzinho filhinho chorou novamente e sem direito a royalties. Mais grave: tentou falar com o presidente, não conseguiu. Como sabia que o governador iria pedir para não vir, não atendeu.

Lula já foi chamado de “sapo barbudo” (Brizola, 1989), mas este não engoliu: “Assim, nem minha mulher votará na Dilma”. Agora, sofre, pretende ir pelo menos ao segundo turno, não sabe se perde para o Garotinho ou para o Gabeira. Gostaria que perdesse para o Gabeira, apesar de ser candidato dos “alencares”.

Perdeu o tempo, Cabral

Do governador: “Vamos estudar com calma, a venda de bônus”. Com calma? Só tem 9 meses, dá para uma gestação, não para a reeeleição. Em 2014 voltará para a Alerj.

Lindberg esqueceu

Candidato ao Senado, arrasou com Picciani, que também é (ou era?) pretendente ao mesmo cargo. O ex-prefeito de Nova Iguaçu falou na “fortuna do presidente da Alerj”. Mas não lembrou que ele foi indiciado por exploração de trabalho escravo, e consequente enriquecimento ilícito.

Arruda, “reconquistando” o tempo perdido

Amigos que visitam Arruda na prisão, informam: “No momento, ele tem apenas uma preocupação e atividade. “Arrumar documentos do passado, para reorganizar o futuro”. E acrescentam: “Quem pensar que o ex-governador desistiu da vida pública, está muito enganado”.

Yeda Crusius

É a maior tarefa do PSDB estadual: conseguir que não seja candidata à reeleição. Se insistir, o melhor resultado que obtém é o terceiro lugar. Que não ganha nada.

José Pimentel

Muita gente me escreve do Ceará, dizendo que ele será candidato ao Senado, “E ganha do Eunício ou do Jereissati”. A melhor resposta para oe x-ministro: Ha!Ha!Ha!

Comunistas no poder

“Estamos no governo”, diriam os comunistas em outros tempos. Em São Paulo estão mesmo, por escassos e improrrogáveis 9 meses. Em 2006 Aldo Rebelo queria ser vice de Serra, foi superado e ultrapassado pelo ex-stalinista Alberto Goldman, apesar do número 1 do PCdoB ser o próprio Rebelo. Agora, candidato a deputado, se elege, mas não sai disso.

A sujíssima Veja trocou de nome

Está encalhando tanto, empilhada nas bancas, que agora só chamo de pombo-correio: a revista que vai mas volta.

Vox Populi e DataFolha, divergência de rumo

Pedro do Coutto

Na noite de sábado, Boris Casoy divulgou no Jornal da Band pesquisa do Vox Populi sobre a sucessão presidencial que difere do levantamento recente do Datafolha, mais por uma questão de rumo do que propriamente pelos números encontrados. O Datafolha apontou 36 pontos para Serra e 27 para Dilma. Em relação a seu levantamento anterior, o ex-governador de São Paulo teria avançado cinco degraus e a ex-chefe da Casa Civil permanecido exatamente onde se encontravam há 60 dias. Uma diferença significativa.

Agora, uma semana depois, em relação ao mesmo período, o Vox Populi aponta Serra estagnado em 34% das intenções devoto e Dilma avançando de 27 para 31. Quem terá razão? Outras pesquisas que vêm por aí vão acrescentar dados à outra interpretação. Entretanto embora haja diferença substancial quanto ao rumo dos números que assinalam tendências, há concordância quanto às manifestações em torno de Ciro (pelo VP 10 pontos, 11 pelo Datafolha). Relativamente a Marina Silva, o Datafolha apontou 8%. O Vox Populi assinala 5. Os eleitores que ainda não decidiram  e os que vão votar em branco ou anular o sufrágio, são 20%. Estas correntes para o Datafolha são 18 pontos.

Seja qual for a pesquisa mais correta, ambas apontam Ciro Gomes e Marina Silva completamente fora do páreo. O desfecho como todos sabem, será entre Dilma e Serra. Retirando o nome de Ciro, Serra sobe para 38, Dilma para 33, e Marina para 7. Não muda muita coisa. Ciro, contudo, tira mais votos de Serra do que de Dilma pelo perfil social dos eleitores. Seu pequeno leitorado está mais na classe média do que nas classes pobres. Eis aí uma vantagem para Dilma ao longo da campanha.

Os grupos sociais de menor renda são os que custam mais a se definir e também os que mais temem responder às pesquisas. Por isso, a tendência de Dilma é avançar além de Serra a partir da campanha da televisão, que começa em julho, e contará com forte participação de Lula. Se agora o panorama é de equilíbrio, deverá deixar de ser a partir do instante em que Lula entrar pesado na propaganda. Segundo o Datafolha, a diferença apertada em favor de Serra poderia identificar uma tendência essencial. Mas pelo Vox Populi, a inclinação por Serra não se confirma, não havendo estagnação, mas sim crescimento de Dilma.

Os acordos regionais em São Paulo e Minas aparentemente favorecem Serra. Principalmente em São Paulo, onde parece irreversível a consolidação de Geraldo Alckmin para governador. Em Minas, há dúvida. Aécio será candidato ao Senado, podendo Itamar Franco, pelo PPS, vir a sair vice de José Serra. Neste caso o PSDB decola firme no estado. Mas o PT balança entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel.

Patrus é um candidato muito fraco diante de Fernando Pimentel. Se o PT apoiar o ex prefeito de belo Horizonte, a disputa em Minas se equilibra e desaparece grande parte da vantagem que Serra obterá com o apoio de Aécio neves para o Senado. Fernando Pimentel prefeito reeleito de BH tem muito mais  apelo popular do que o ex ministro. Vamos ver o que dizem as próximas pesquisas.

Livro de Dora Kramer

A jornalista Dora Kramer, grande jornalista e estilista de O Estado de São Paulo, lançou segunda-feira seu livro “O Poder Pelo Avesso”. Foi em São Paulo. Quarta-feira no Rio, na Argumento do Leblon. Que a obra seja tão imperdível como sua coluna diária do Estadão.

A importância de Minas na sucessão. Favorecendo Serra, com Aécio na vice. Sem ele, o estado se movimentará no caminho de Dona Dilma. Tremenda a luta para governador, PSDB, PMDB, PT. Sem tumulto, certos Aécio e Itamar, senadores

Na República Velha (ou Primeira República), havia composição para a disputa da Presidência. O presidente de São Paulo ou Minas, o vice do Norte/Nordeste. Exclua-se Afonso Pena (1906), de Minas, com Nilo Peçanha (Estado do Rio) de vice. Pela primeira vez se quebrava o “apelo” dos nordestinos para que paulistas e mineiros tivessem votos lá.

Depois, não houve mais nada. Vieram os 15 anos selvagens de Vargas (garantido pelos militares ) e os 21 anos torturantes dos militares (apoiados pelos civis), os presidentes só tinham aspas, os vices eram apenas para “constar”, não assumiam mesmo.

Na transição de 1985, Sarney, vice, ficou com o mandato inteiro. No impeachment de 1992, Itamar assumiu a metade. Em 1954, Café Filho já havia ficado 1 ano e 4 meses que Vargas deixou, saindo da vida para entrar na História.

Agora, a guerra se trava em Minas, os presidentes já escolhidos, mas desesperadamente querendo, tentando ou exigindo um vice de Minas. Para José Serra, nenhuma dúvida, tem que ser Aécio Neves. Não desistiu nem desanimou, vai esperar o tempo que for necessário, o vice tem que vir de Minas.

Exatamente o mesmo problema de Lula (é ele que coordena e decide tudo, ele sabe pelos jornais, às vezes pela televisão ou internet), o vice tem que ser de Minas. Se para Serra o nome é Aécio, para a chapa oficial tem que ser Helio Costa.

Com a grande vantagem de preencher dois vazios, melhorar sensivelmente a posição nacional e estadual. Dona Dilma ganharia um vice que é do ramo, caminhariam para encurtar o trajeto para o Palácio da Liberdade, de onde o PT está longe há tanto tempo, ou melhor, desde sempre.

Mas o obstáculo Helio Costa é intransponível, mesmo com o próprio Lula como coordenador. Colocaram para Helio Costa, duas propostas. 1 – Vice de Dona Dilma. 2 – Em Minas ele apoiaria um candidato do PT a governador. Só que o ex-ministro nem admite conversar sobre as duas hipóteses. E suas razões são indiscutíveis.

É a terceira possibilidade de ser governador, (e logicamente a última, não desiste de jeito algum. Na última vez perdeu por milímetros no primeiro turno e por diferença ainda maior no segundo.

A vice não interessa, primeiro porque acha governador de Minas mais importante. E segundo, porque não tem certeza da vitória de Dona Dilma. Helio Costa está na plataforma esperando “o último trem para Berlim”, e não troca a passagem por nenhum outro trajeto.

Além do mais, o PT quer que Helio Costa apoie um candidato do partido a governador, mas não tem candidato. Patrus Ananias deixou o ministério para ser candidato, mas a preferência em Minas, sem dúvida alguma, no momento está com o ex-prefeito reeeleito, Fernando Pimentel.

Sem ter jamais conquistado o governo de Minas, o PT “sente” que ficará fora mais 4 ou mais 8 anos, não resistirá. Helio Costa vem tentando desde 1990, afinal é agora ou nunca, ele não é Lula que se elegeu na quarta tentativa, depois de três derrotas. Além do mais, a conquista do governo está cada vez mais difícil, e só deve ocorrer no segundo turno.

Contra Helio Costa, há o candidato de Aécio, Antonio Anastácia, que além de excelente nome e de ótimas credenciais, está no governo e conta com o entusiasmo de Aécio.

Embora aprisionado por dois nomes, o PT precisa lançar um candidato, mesmo que saiba que não vai ganhar. Mas trabalha para o segundo turno, quando então poderá obter vantagens e compensações. Além de servir de palanque para Dona Dilma.

Esse segundo turno está reforçado por uma decisão que me surpreendeu e que passo aos seguidores, como revelação. O jovem deputado federal, José Fernando (filho de Aparecido de Oliveira) lança no próximo dia 9, sua candidatura a governador pelo PV. Não aceita nem admite conselhos, acha que assim reforça a candidatura de Dona Marina a presidente. Terá no máximo cinco por cento dos votos, elege um deputado federal e 2 estaduais, que é o seu objetivo, mesmo com o sacrifício da carreira política, que vem construindo solidamente.

Assim, garantido o segundo turno, que será Antonio Anastácia contra Helio Costa, não existe mais ninguém. Mas, apesar de Aécio ser o fiador e “o Cabo Canaveral” de Anastácia, Dona Dilma será favorecida. Ela ainda não percebeu, mas Serra sabe disso há muito tempo.

Falta então, dentro dessa análise isenta e irrefutável, preencher a cédula de senador. São duas, serão eleitos Aécio e Itamar. E na mais perfeita harmonia e camaradagem, até na campanha. Quando Aécio estiver em Juiz de Fora, Itamar estará no Trângulo, Aécio na Zona da Mata, Itamar no ângulo oposto, mas sentarão no Senado, bem perto um do outro.

A única dúvida nessa multidão de dados que estou servindo, poderá surgir apenas de uma alteração: SERRA CONSEGUIR CONVENCER AÉCIO A SER O VICE. Tentará até o último momento.

***

PS – Já venho dizendo há meses, que Aécio não pode, não tem por que aceitar, mas a pressão virá de todos os lados.

PS2 – Existe hoje, em Minas, mais do que visível, um sentimento de frustração, de decepção, de omissão pelo fato de Aécio não ter sido presidenciável. Não apenas por ele, mas inteiramente por Minas.

PS3 – Desde Itamar em 1992, Minas não dá um presidente. A colocação do próprio Itamar como senador, ameniza as coisas, diminui um pouco a tristeza, mas não resolve totalmente o problema. Sem Aécio na vice, Serra não ganha em Minas. Dona Dilma também namora eleitoralmente um vice que só quer ser governador.

O novo sacrifício do vice

Carlos Chagas

Não passou despercebido. mas ficou sem maiores comentários o novo sacrifício feito pelo personagem que, sem sombra de duvidas, teria a unanimidade  nacional caso houvesse eleição para escolher  o maior dos brasileiros da atualidade. Falamos do vice-presidente José Alencar, que no último dia 3  não se desincompatibilizou. Se quisesse, estaria eleito por antecipação para o governo de Minas, da mesma forma  como conquistaria uma cadeira no Senado. A simples menção dessas duas  possibilidades causou  horror entre gregos e troianos, ou seja, do governador Aécio Neves ao PT mineiro, e ao PMDB, o sentimento foi de pavor.

Por certo que ninguém passou recibo. Pelo contrário, todos aplaudiram a hipótese de Alencar disputar em outubro o Palácio da Liberdade ou a volta ao Senado. Mas tremeram uns e outros diante da  desarrumação político-partidária que uma decisão dessas causaria em suas projeções.

O vice-presidente chegou a declarar que seu futuro eleitoral dependeria dos médicos, ou seja, se o liberassem pelo diagnóstico da cura do câncer que o acometeu, estaria disposto. Só que não foram os médicos, de resto cautelosos, a causa de sua disposição por permanecer no Palácio do Jaburu. Foi seu espírito cívico e sua profunda devoção por Minas Gerais. Percebeu que  pelo óbvio passeio que seria o  seu reencontro com as urnas, viraria a política mineira de pernas para o ar.  Começando por melar os planos  do presidente Lula de conciliar o inconciliável, ou seja, reunir numa só aliança  Hélio Costa, do PMDB,  e Fernando Pimentel e Patrus Ananias, do PT. Depois, porque reduziria a pó a pretensão do já agora ex-governador Aécio Neves de fazer governador o seu  vice, Antonio Anastásia. Iriam todos para o fundo do poço.

Assim, em função de sua lealdade para  o presidente Lula e de sua devoção eterna para Minas, José Alencar sacrificou-se. Ficou.

Vulgarização

Do jeito que as coisas vão, nem mesmo os cientistas políticos darão atenção às pesquisas eleitorais. A mais recente, da Vox Populi, divulgada no fim de semana, causou tanta emoção no país quanto causaria a notícia de mais um dia de sol no litoral do Nordeste. Porque revelou, a consulta, o mesmo que outras anteriores, com as variações geradas pela metodologia de cada empresa: se as eleições fossem hoje, José Serra estaria eleito, tanto faz se batendo Dilma Rousseff por 9, 5 ou 4 pontos, dependendo da presença ou não de Ciro Gomes. Nas simulações para o segundo turno, as que realmente importam, o ex-governador de São Paulo até aumentaria a diferença.

Seria bom que os institutos dessem uma parada. Suspendessem as consultas por algum tempo, quem sabe até  depois da Copa  do  Mundo. Porque o risco é de sedimentarem o fato consumado e aumentarem o desinteresse popular pela eleição. De tanto ver Serra na frente, o cidadão comum poderá dar de ombros e aceitar os números como definitivos, quando na realidade poderá não ser bem assim.

Melhor seria, para os pesquisadores manterem a credibilidade de suas pesquisas  e  continuarem amealhando clientes para as eleições futuras, que promovessem um intervalo.   Não propriamente comercial, mas com vistas a não vulgarizar suas atividades comerciais…

Os ministros que saíram para tentar outros voos, podem aterrisar no vazio, posando para a eternidade, mas na verdade, pousando numa paisagem destruidora. Os que ficaram, esperam farta compensação

Dez ministros deixaram os cargos. É exigência constitucional, apesar do Brasil ter tantas Constituições, muitas delas não valem nada. Algumas foram ultrapassadas pelo Estado Novo, outras por Atos Institucionais. Mas a desincompatibilização é ritual que não pode ser desobedecido.

Dos 37 ministros de Lula, 27 ficaram nos cargos, não por fidelidade, mas por saberem que não têm votos para coisa alguma. Apenas 10 fizeram a opção por candidaturas por se acharem bons de votos ou por confiarem no apoio de Lula.

Vejamos o que almejam ou pretendem alguns deles, e as possibilidades.

Geddel Vieira Lima

Deixou de ser ministro por mais 9 meses, não é o mais grave ou o mais importante. O pior é ficar 4 anos sem mandato, por conta da absurda coincidência das eleições, único país do mundo onde existe essa impropriedade.

Depois de dizer horrores (pior até do que o prefeito Eduardo Paes) de Lula, agora precisa do apoio do presidente, pelo menos para fingir que vai para o segundo turno. Não vai.

Lula não pode deixar de pedir votos para Jacques Wagner, que sempre foi leal e é do PT. Além do mais, a luta é com Paulo Souto, franco favorito em 2006, que agora tem tudo para ir á forra. Que tristeza para Geddel.

José Pimentel

Ministro da Previdência praticamente desconhecido, deixa o cargo, declarando: “Não sei se serei candidato a governador, senador ou deputado federal”. Ha!Ha!Ha! Quem coloca tantas opções, não tem nenhuma. Será deputado federal. Governador reeleito, Cid Gomes, inacreditavelmente sem adversários. Surgiu um do interior, quase que imediatamente desistiu.

Os dois senadores serão o ex-ministro Eunicio de Oliveira e Tasso Jereissati, reeleito. O candidato do PMDB terá, proporcionalmente, a maior votação para o cargo. Jereissati também muito bem votado, logo depois de Eunicio.

Carlos Minc

Da mesma forma que o prefeito de Paris, sempre disse: “Não quero sair do Rio, é a minha cidade, minha paixão, minha razão de existir”. Surpreendentemente, foi feito ministro, o melhor de todos os 37 de Lula. Fez, não deixou que fizessem o que contrariava suas convicções.

Pela atuação, teria que ser governador do Estado do Rio, ganharia de Cabral de mil a zero. Ou senador. Só que pelo destruidor sistema político-partidário-eleitoral do Brasil, será mais uma vez deputado estadual.

É o que ele quer, pretende e deseja. Confesso que conhecendo o Minc desde os tempos de Pedro Álvares Cabral (perdão pelo sobrenome), não acreditei que ele se saísse tão bem. Terá a maior votação do Estado do Rio, ótimo para ele. Mas não para o Brasil, que deveria aproveitar esses grandes valores.

Reinhold Stephanes

Ficou sempre entre o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados. Agora, deixando o ministério volta à Câmara. E pode até ser ministro novamente, com Dona Dilma ou Serra.

Tem uma condição cada vez mais rara na vida pública: não se interessa em desviar ou deixar desviar o dinheiro público.

Alfredo Nascimento

É o grande aproveitador do defeituoso sistema brasileiro da acumulação de cargos e a superposição deles. No primeiro mandato de Lula foi ministro dos Transportes. Quando foi se despedir para ser senador, Lula pediu: “Põe o João Pedro como suplente”. Sabia que se ganhasse (ganhou) voltaria ao ministério para João Pedro assumir como suplente. (Já está há 3 anos no Senado, sem povo, sem voto, sem urna).

Agora é candidato a governador, mas tem mandato de senador até 2014. Se for eleito, o amigo de Lula, João Pedro, ganha mais 4 anos no Senado, não mais como suplente e sim como efetivo. Nascimento já foi favorito, está ameaçado de perder para o vice do governador Eduardo Braga. Mas Lula disse a ele: “Vou ao Amazonas quantas vezes for necessário, para eleger você e derrotar Artur Virgílio”.

Edison Lobão

Em vez do Ronaldo, é o verdadeiro fenômeno. Sem a menor preocupação com coisa alguma elevada e consagradora, foi senador, governador, ministro, que República. Comandando as Minas e Energia no apagão, deu a mais tola e idiota das “explicações”, devia ter sido demitido.

Ainda “torce” para ser vice de Dona Dilma, acha que ela não perde. Um fato melancólico: seu filho será novamente o “suplente 30”.

Fato auspicioso e que deveria ser comemorado em praça pública: o ministro já é Mauricio Zimmermann, a maior autoridade do Brasil em energia elétrica.

Henrique Meirelles

Dos que permanecem, o mais indeciso e retardado (nos dois sentidos da palavra) foi o presidente do Banco Central. Na verdade não sabia o que era melhor, sair ou ficar, tentou negociar com Lula. Como este resolveu endurecer, não conseguiu.

Já “mantido”, lamentou publicamente: “Não me vejo disputando eleição dentro de 4 anos”. Ha!Ha!Ha!

Guido Mantega

Tinha como certo que Meirelles sairia, conquistaria a liberdade. No esquema hierárquico, o BC vem depois do Ministério da Fazenda. Na realidade, Mantega era chamado sempre depois de Meirelles, o que fará da vida?

Paulo Bernardo

Aprisionado pela própria inércia, que é sinônimo de incompetência, não pôde sair, o que é diferente de “decidir ficar”. Só um objetivo: eleger a mulher para o Senado. Em 2006 não conseguiu, as chances agora, muito maiores.

Celso Amorim

Há meses anunciou que podia ser candidato ao Senado. Logo, logo corrigiu, “serei candidato a deputado”. Ficou no cargo, todo o esforço agora, é conseguir um bom posto diplomático, com Serra ou com Dilma.

Carlos Lupi

Há meses fez pesquisa sobre o futuro eleitoral, a conclusão: não se elege nem deputado estadual. Assim, melhor continuar 9 meses ministro.

Quem sabe não ganha um novo cargo? Embora seja repudiado pelo próprio PDT. Com Brizola, foi duas vezes candidato a senador, nas duas ficou longe.

Nelson Jobim

Dava a impressão de ser candidato a tudo. Principalmente por já ter sido Executivo, Legislativo e Judiciário. No fim do ano, espera ser “promovido” a Brigadeiro. Por causa dos caças. Devia ter sido cassado quando confessou ter fraudado a Constituição de 1988.

***

PS – Dos que saíram e dos que ficaram, todos dependem de Lula. Para uma vitória agora, ou uma volta se Dona Dilma vencer. Incrível: mesmo os que acham que ela vence, só pensam (?) em Lula como fonte do Poder.

O presidente Lula e o futuro

Carlos Chagas

Faltando nove meses para o fim do mandato do presidente Lula, vale indagar qual a marca que seu governo deixará registrada para o futuro. Sem precipitações, é claro, porque a História não se escreve às pressas nem ao sabor das emoções. É preciso que os fatos sejam decantados, mas não custa arriscar uma incursão despretensiosa a respeito do rótulo que o primeiro-companheiro verá colado no pacote  de sua passagem pelo poder.

De início,  é bom recordar que todos os antigos presidentes da República se inscreveram na galeria da memória nacional, com características hoje consolidadas.  Umas vibrantes, outras nem tanto. Estas edificantes, aquelas lamentáveis.

Só para ficarmos nos mais populares: Getúlio Vargas aparece sob a imagem maior das leis trabalhistas, que criou, transformando-o numa espécie de campeão das massas assalariadas. Juscelino Kubitschek surge como o empreendedor do desenvolvimento nacional, sedimentando as bases da transformação econômica  do país.

E o Lula, candidato óbvio a integrar-se no rol dos mais populares?

A glória de ter sido o primeiro operário a chegar ao governo esbarra no fato de não ter promovido as reformas estruturais de base prometidas e exigidas pelo seu passado, tanto assim que continua como o preferido das elites neoliberais  – uma contradição que a História  dificilmente explicará ou perdoará.

Constituirá sua marca fundamental apenas o assistencialismo, ou seja, a oportunidade perdida por não haver promovido as mudanças esperadas pela maioria dos que o elegeram?  O PAC fica longe do Plano de Metas de Juscelino, ao tempo em que o bolsa-família perde de goleada para as garantias do trabalho estabelecidas por Getúlio. Em suma, a  marca  com que o Lula se apresentará para o  futuro parece inconclusa. Mas como ainda faltam nove meses…

Ja estão retaliando o poder

Não se fala das principais figuras que cercam os dois principais candidatos às eleições de outubro. É claro que teriam que gravitar em torno de Dilma Rousseff conselheiros e assessores variados, naturalmente candidatos a ministros, se ela vencer. Como ao redor de José Serra, outro time de auxiliares de peso que também é melhor não fulanizar, para não  desagradar outros.

Do que tratamos hoje é daqueles representantes ou controladores de grupos, cartéis e interesses, que, ao primeiro sinal de eleições, buscam infiltrar-se e cercar os candidatos favoritos, preparados para obter e usufruir os mesmos benefícios do poder que usufruem e obtêm através dos tempos.

Já foram os barões do café, na República Velha. Os latifundiários, sempre, as empresas petrolíferas, depois.  s industriais das principais atividades, os banqueiros e os especuladores, que entraram para nunca mais sair. Donos  da mídia, também. No reverso da medalha, gestores das grandes estatais,  dirigentes de centrais sindicais e de movimentos sociais. Sem esquecer uma parcela de intelectuais e alguns chefes  de partidos políticos em ascensão.

É bom que Dilma e Serra fiquem alerta, porque a corrida já começou. Diretamente ou por interpostas pessoas,  os mesmos de sempre se aproximam. Não querem ser ministros, apenas condôminos e beneficiários das principais decisões de governo.

UVAS VERDES, SÓ PARA CÃES

A fábula é por demais conhecida. A raposa desejou as uvas, no alto  da parreira. Pulou, tentou subir,  esfalfou-se e não  conseguiu pega-las. Dando as costas, comentou: “uvas verdes, só para cães…”

Com todo o respeito, é mais ou menos o que Henrique Meirelles deve estar falando, frustrado que foi ao decidir continuar no Banco Central. A vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff dissolveu-se como um sorvete ao sol. O governo de Goiás, ou uma cadeira de senador, também.

Pois agora vem o competente gestor da política  monetária explicando que sua presença é  necessária no Banco Central para consolidar as conquistas realizadas e evitar a sombra da inflação…