Confuso o quadro eleitoral no Amazonas e no Paraná

Acreditei que a maior confusão política e eleitoral estivesse localizada no grande Estado. Por causa da intervenção de Lula, com dois objetivos: derrotar Artur Virgilio e garantir 4 anos no Senado para o suplente João Pedro, do PT.

Durante 8 anos ajudou o governador Eduardo Braga, a quem chama agora de “traidor”, e com quem não fala mais. Lula está na iminência de garantir Virgílio e João Pedro no Senado. Um pela ação positiva, outro, mesmo com a negativa.

Mulher do ministro complica

No Paraná as coisas estavam mais ou menos acertadas, que dizer, depois que o PSDB “rifou” Álvaro Dias, explicando, “você tem mandato no Senado até 2014”. Com isso perdeu a prefeitura de Curitiba e pode não ganhar o governo.

E a mulher do ministro Paulo Bernardo? Ora é candidata ao governo, logo troca pelo Senado. E Requião nisso tudo? Ainda espera ser vice no lugar de Temer?

Pré-Sal assusta teóricos e ufanistas

O desastre (pior que os dilúvios e temporais) do Golfo do México, está assustando, aqui no Brasil, os teóricos e os ufanistas do Pré-Sal. Como este ainda é um terrível mistério, ficam imaginando: “Esse fenômeno pode se repetir no ainda desconhecido processo dessa RIQUEZA tão comemorada?”.

Desorganização nos ônibus de São Paulo

O prefeito Kassab diz que fará “completa reformulação desse tipo de transporte”. Não sabe de nada, esse prefeito “eleito” na contra-mão e acusadíssimo por irregularidades.

Se quiser regularizar, tem que chamar a Fetranspor do Rio. É a mais rica e a mais generosa desorganizadora-transportadora. E é também o órgão mais poderoso do Rio. Recebe até por “quilômetro percorrido”, mesmo com os ônibus vazios.

Expectativa de substância

Carlos Chagas

Sábado próximo os três principais candidatos presidenciais estarão sendo sagrados, ainda que até a realização das convenções dos respectivos partidos devam ser considerados pré-candidatos.

José Serra, em Salvador, receberá as homenagens do PSBD, do DEM e do PPS, podendo até mesmo anunciar seu companheiro  de chapa.

Dilma Rousseff, em Brasília, celebrará a aliança formal com o PMDB, aceitando a candidatura de Michel Temer como seu vice.

Marina Silva, em São Paulo, será apresentada pelo PV e aliados como postulante  inarredável ao palácio do Planalto.

Espera-se que os três façam pronunciamentos densos  a respeito de seus planos para o governo, caso eleitos. Não será, ainda, a divulgação dos programas de cada um, aquilo que na República Velha se chamava de “plataforma”.   A previsão, no entanto, é que além de discursos de palanque, os candidatos apresentem definições concretas sobre política econômica, política externa, projetos sociais e reformas variadas, da tributária à eleitoral e partidária.

Caso isso aconteça, terá se iniciado nova fase da campanha presidencial, capaz de  despertar a atenção do eleitorado ainda hoje distanciado desse turbilhão de entrevistas insossas, amorfas e inodoras que Serra, Dilma e Marina vem concedendo várias vezes por dia, nos mais diversos microfones e telinhas. Substância, é o que se espera deles.

Renovação

Houve tempo em que a renovação, no Congresso, ultrapassava 50%.   O país vivia a ditadura e o eleitorado, que de bobo não tem nada, dispensava  os deputados e senadores mais   acomodados na Legislatura anterior. Não todos, é claro, mas aqueles que nada haviam acrescentado em termos de resistência ou de apoio aos  militares. Registraram-se até 16 derrotas do partido oficial nas eleições de senador realizadas em 20 estados, as únicas majoritárias  em que se podia votar contra o regime.

Com o retorno à democracia, diminuiu o percentual de renovação. Muita gente, no Congresso,  apresentava propostas e mensagens capazes de sensibilizar a opinião pública. Como outros  aferravam-se a práticas eleitoreiras e demagógicas em condições de garantir-lhes o mandato. Chegou-se a 30% de substituição dos parlamentares.

A pergunta que se faz é que fatores pesarão,  em outubro, para promover permanências e substituições na Câmara e no Senado. O PMDB vem elegendo maiores bancadas, desde que serviu como aríete para a derrubada da ditadura, mas,  pela metamorfose sofrida de lá para cá, manterá a posição? O PT vinha crescendo até mergulhar nos meandros do poder, ironicamente um fator responsável por sua estagnação. Mesmo assim, esses dois partidos, mais o PSDB, deverão preservar sua relação com as urnas. Mas  a  renovação de seus representantes poderá surpreender.

Ibope sinaliza forte recuo de Serra

Pedro do Coutto

Terça-feira que passou não foi um bom dia para a campanha de José Serra à presidência da República. Dois fatos: primeiro, a matéria do repórter Leandro Mazini, publicada no Jornal do Brasil, divulgando os resultados de pesquisa do Ibope no Estado e na cidade do Rio de Janeiro. Segundo, as declarações de Aécio Neves feitas em Belo Horizonte – manchete de página da Folha de São Paulo – de que não existe obrigatoriedade de que um mineiro seja candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, embora nomes de Minas possam ser avaliados. As palavras – acentua a FSP – repercutiram mal no comando do PSDB. Deu idéia de que voltar a fala em vice com o ex-governador causa até uma certa irritação. Foram, na realidade, duas duchas frias no comando da oposição.

O Ibope apontou em todo o Estado do Rio de Janeiro 44 pontos para Dilma Roussef, 27 para José Serra e 10 para Marina Silva. A parcela de 19 por cento contém os que ainda não decidiram e aqueles que hoje pretendem anular o voto ou votar em branco. Um diferença de 17 pontos da primeira para o segundo. Na cidade do Rio, a frente em favor da candidata é ainda maior: 25. Ela alcança 46 por cento contra 21 de Serra e 14 de Marina Silva. A mesma faixa percentual de 19 reúne os que ainda não decidiram qual será seu rumo nas urnas de outubro.

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral do país com 11 milhões e 400 mil eleitores como revelou O Estado de São Paulo em sua edição de segunda-feira. Porém sua importância como amostragem não é apenas essa. É que pode sintetizar um tendência nacional, uma vez que o Datafolha em seu último levantamento apontou um recuo geral do ex-governador de São Paulo e um avanço da ex-chefe da Casa Civil.

Se os números do Ibope no Rio de Janeiro representarem uma tendência nacional a ser confirmada pelas próximas pesquisas, o panorama fica muito ruim para José Serra e muito bom para Dilma Roussef. Sobretudo porque o patamar de indecisos e dos que no momento se dispõem a esferilizar seus votos tende a baixar sensivelmente. Não passará, no final, da metade da escala atual. E se Serra encontra-se em queda, será ele o menos indicado para obter uma decisão dos que se encontram indecisos à espera de uma inspiração que só o desenrolar da campanha possibilita. O movimento contrário projeta-se naturalmente no sentido de Roussef. Inclusive o percentual de Marina Silva vai baixar com o passar dos dias e, principalmente, a partir do início da campanha na televisão. Ela – todos os levantamentos coincidem – não possui a menor possibilidade de êxito. Hoje, há um impulso romântico que mantém a atração de uma parcela expressiva do eleitorado em sua direção. Mas política é, sem dúvida, a luta pelo poder. A partir do instante em que seus adeptos sentirem a absoluta impossibilidade, ela vai inevitavelmente recuar da altura em que se encontra. Todas as eleições são assim. Quem será mais beneficiado?

Pra o governo do RJ, Sérgio Cabral lidera disparado com 43 por cento. O Datafolha acusou 41 pontos para ele. Os números coincidem. Divergem quanto a segunda colocação. O Datafolha apontou 19 para Fernando Gabeira e 18 para Anthony Garotinho, cuja candidatura passou a depender do que decidir o TSE. O Ibope encontrou 21 para Garotinho e apenas 12 para Gabeira. Vinte e quatro por cento estão indecisos entre anular e escolher um candidato. A divergência entre o Datafolha e o Ibope, neste caso, é total. Vamos esperar as próximas pesquisas para definir a dúvida. Estão vindo por aí.

Lewandowski inseguro, TSE em pânico, funcionários que ganham misérias não podem exercer o direito de greve? O ministro, arrogante e autoritário

Está programada para segunda-feira a exoneração em massa dos servidores do Tribunal Superior Eleitoral, ocupantes de funções comissionadas que optaram pela greve dos serventurários da Justiça. Com isso, o presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, inicia de forma lamentável sua gestão.

Pela primeira vez em anos, pois desde Paulo Brossard isso não acontecia, os servidores da Justiça Eleitoral estão sendo intimidados e humilhados, em nome da vaidade de um recém-chegado prepotente, que acredita que os servidores são seus capachos e que ali estão para fazê-lo brilhar em detriminento das necessidades básicas dos funcionários.

Greve é um direito, assim como dela participar. Agora, exonerar servidores de suas funções, por optarem por esse direito, é ilegal, imoral e antidemocrático. Acorda, ministro. Comandar eleições majoritárias contando só com sabujos trazidos de outros órgãos ou do STF, será impossível.

A Justiça Eleitoral é muito maior do que a mediocridade de seu comandante. Todo esse empenho para punir os servidores grevistas devia ser direcionado para obter aprovação no Congresso Nacional do projeto de lei que trata do novo Plano de Carreira e Cargos dos servidores do Judiciário e do Ministério Público Federal.

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PS – É muito importante a atuação do Sindijus no momento tenso provocado pela atitude autoritária e antidemocrática do presidente do TSE, pretendendo punir os servidores da Justiça Eleitoral, assim como o próprio Sindicato, por defenderem o novo Plano de Carreira.

PS2 – É bom lembrar que desde o demagógico governo FHC, (passando por Lula, que se diz “do trabalhador”), os salários dos funcionários públicos em geral estão defasados e a perda do poder aquisitivo já é gritante.

PS3 – Parece que nossos governantes são retardados ou canalhas, pois não sabem dar valor a seus servidores. Má gestão na administração pública é pleonasmo. O que custa dar aumentos regulares, sabendo-se que o retorno será muito maior. Administrar, pensar grande e nivelar todos por cima, esse deveria ser o principal lema da administração pública. Mediocridade já existe bastante, para que cultivá-la quando poderemos melhorar tudo?

Fora de Aécio, o vice de Serra será do DEM

Enquanto esperam o ex-governador de Minas, “que só dirá SIM, se for insensato”, procuram alguém no DEM. Quase que precisam da lanterna de Diogenes, pois a escuridão política e eleitoral nesse partido, é total, absoluta, irrefutável, irrevogável, indiscutível.

Devem agradecer a Deus “a morte e a morte de Arruda”, (royalties para Jorge Amado, logicamente, sem o nome do ex-governador corrupto), que já era tido, havido, reconhecido pelo alto comando e o próprio Serra.

Cassado Arruda, o insincero Serra veio logo a público afirmar: “Nem conversei com o governador de Brasília, nossos olhares iam para outros lados ou estados”.

Como logicamente não pode ficar sem vice e tendo que esperar a decisão de Aécio, o ex-governador de São Paulo irá vasculhar os caminhos que obrigatoriamente desembocarão no deserto (“de homens e de idéias”, Osvaldo Aranha) que é o DEM.

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PS – E surpreendentemente estão indo no bom caminho. Quase se fixam no nome do deputado José Carlos Aleluia. Destacado, correto, íntegro, combativo, não há possibilidade de surgir um dossiê contra ele.

PS2 – Se Aleluia for o escolhido, voltamos a 1894, quando outro baiano, Manuel Vitorino, foi vice de Rodrigues Alves, o Consolidador da República.

PS3 – Vitorino chegou a assumir por quase 3 meses, quando Rodrigues Alves teve que ser operado com urgência e gravidade, diagnóstico: “Não voltará”. Aleluia não assumirá, Serra jamais será presidente, o deputado ficará 4 anos sem mandato, mas tem espírito público para aceitar.

Voto obrigatório ou voluntário

A Folha fez pesquisa, (frágil como toda pesquisa) e comunica que “48 por cento dos eleitores são a favor do obrigatório, outros 48 a favor do facultativo”. Pelas manifestações aqui neste blog, a constatação parece ser mesmo essa.

O surpreendente é que o Datafolha ouviu “Cientistas Políticos” e não o povo. Ora, direis, ouvir estrelas, o que sabem ou o que podem dizer esses cavalheiros? Deviam ouvir nas ruas e do Brasil inteiro.

Aqui mesmo, muitos têm dito, sensatamente: “Se o voto for facultativo, muitos só irão votar se pagarem”. Outros também sensatos, exprimem convicções contrárias: “Se não houver obrigatoriedade, dos 130 milhões de eleitores inscritos, quantos comparecerão?”

Ser ou não ser, votar ou não votar?

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PS – Chagas Freitas, deputado três vezes, e depois “governador” duas vezes entre aspas, foi procurado por um amigo. Disse a ele: “Chagas, sou candidato a deputado federal, o que você me aconselha?”

PS2 – Chagas, com a autoridade de quem enganou Ademar de Barros e ficou com o seu jornal, iludindo depois a ditadura, respondeu-afirmando; “Olha, aqui no Rio, você pode arranjar aparições na televisão, notas em jornais, por aí”. E ficou em silêncio.

PS3 – O amigo, preocupado, perguntou, “e no interior?” Chagas imediatamente, sem hesitação: “No interior, só comprando”. Sabia isso, “de ciência própria”. Continua sendo assim até hoje.

PS4 – Só que a falta de autenticidade da representatividade, não tem base apenas no voto obrigatório ou facultativo. É preciso uma completa reforma política e eleitoral, que as cúpulas não farão.

Apoio de Prestes a Vargas em 1945

Robert Silva:
“Foi fundamental para Vargas o apoio que recebeu de Prestes. Sem barganha, sem acordo, desinteressadamente.”

Comentário de Helio Fernandes:
A segunda parte da tua afirmação ou constatação, nenhum reparo, Prestes era assim, e deixei bem claro, não podia ser de outra forma.

Quanto ao apoio a Vargas, não chegou a existir, a “Constituinte com Vargas” morreu antes de nascer, o povo brasileiro não suportava mais a ditadura. (15 anos, era insuportável, e a tortura terrível, principalmente contra Prestes).

Prestes apoiou o engenheiro Yeddo Fiuza, candidato do Partido Comunista a presidente da República. Foi a primeira vez que o “Partidão” teve candidato a presidente, recebeu 9 por cento dos votos, um assombro.

Marta “encaminhando” votos, Mercadante em fim de carreira, a elegebilidade de Estevão, e um acerto de Dunga

Dos jornalões: “Marta Suplicy vai ENCAMINHAR os votos de São Paulo para o PT”. Que votos? Perdeu as duas últimas eleições para a prefeitura, sendo que uma delas no cargo, mobilizando e manipulando a máquina.

O irrevogável Mercadante

Quem diria que o fim da vida política dele seria este? Em 1994 foi o vice de Lula, o PT exigia isso. Em 2002 teve grande votação para o Senado, assumiu com a CERTEZA (?) de que iria logo para o Ministério da Fazenda. Não foi nem para esse nem para qualquer outro cargo.

Se complicou de tal maneira que não pôde nem tentar a reeleição para o Senado, foi empurrado para cima de Alckmin, grande favorito. A culpa? Da subserviência do próprio Mercadante.

Estevãozão é ELEGÍVEL?

Essa é a grande batalha dos bastidores de Brasília. Inelegível por 8 anos, seria uma questão puramente aritmética. Cassado de “tanto a tanto”, 8 anos a partir daí e pronto.

Muito dinheiro na interpretação

Acontece que o dinheiro DISTRIBUÍDO é tanto, que confunde até os juristas. Não seria melhor contratar um desses que se julgam e se chamam de MATEMÁTICOS do futebol?

Por enquanto, ESTEVÃZÃO compra tudo, mas ainda não sabe se pode comprar a ELEGIBILIDADE. Que República.

Um elogio para Dunga

Este ele merece: recusou convite do ditador (30 anos no Poder) do Zimbaube. Queria que a seleção do Brasil fosse visitá-lo no palácio.

Quase nem tomou conhecimento, mandou que Jorginho respondesse.

Por que Marina não convida Serra e Dilma?

Carlos Chagas

O PT vai à Justiça  interpelar José Serra, querendo saber se o candidato  acusou ou não Dilma Rousseff de estar preparando um dossiê de denúncias contra ele e sua filha Verônica. José Serra exigiu da campanha da adversária que esclareça a existência ou não de dossiês referentes à sua atuação como prefeito e governador, sob pena de processo por crimes contra a honra.

Querem saber de uma coisa? Parece tudo palhaçada, havendo ou não companheiros e tucanos aloprados fazendo guerra de nervos e elevando a temperatura da disputa presidencial.

Vivêssemos a democracia sonhada e ainda não concretizada, toda essa lambança se resolveria de forma simples, através de um encontro entre Serra e Dilma, quando selariam o compromisso de banir as baixarias da campanha. Dossiê é arma de mafiosos, quaisquer que sejam e de que forma utilizem , lá e cá, acusações que melhor ficariam na luta entre quadrilhas.

Seria possível um entendimento público entre os dois candidatos? Na teoria, sim. São adversários, não inimigos em guerra. O problema é saber quem tomaria a iniciativa, julgando-se ambos ofendidos. Provavelmente nem Dilma nem Serra pegariam no telefone para marcar essa reunião. Saída existe: por que Marina Silva, a terceira candidata, não se anima a convidar os dois?

Fora daí as previsões são de que breve estarão todos aos socos e pontapés, além de puxões de cabelo, coisa que só levará a campanha, e a democracia desejada, para as profundezas…

País rico é assim mesmo

Ontem,  o Brasil formal parou. E não apenas em Brasília, onde não funcionaram o Congresso, os tribunais superiores, os juízos de primeira instância e a maior parte das repartições públicas federais e distritais. Até  hospitais adotaram regimes de plantão.  Foi assim no país inteiro, com governadores  decretando ponto facultativo para os servidores de seus estados gozarem o dia  depois do feriado e antes do final de semana. Até mesmo certas  atividades privadas enforcaram a sexta-feira, sob o pretexto da paralisação do setor público.

O problema é que o Brasil real trabalhou. Indústria, comércio e serviços funcionaram.Qualquer dia desses a sociedade perceberá poder atuar sem a presença de poderes supérfluos. Por dever de justiça,  registre-se  que o presidente Lula compareceu ao trabalho, em dois expedientes.

Ruy Castro esquece Ruy Barbosa, Lacerda e Magalhães

Pedro do Coutto

Com o belo e leve estilo de sempre, muito agradável de ler, o jornalista Ruy Castro, em sua coluna de segunda-feira na Folha de São Paulo, sob o título sinas eleitorais, escreveu sobre políticos que tiveram obsessão de chegar à presidência da República, mas não conseguiram derrotar os fados do destino.

Citou Eduardo Gomes, que perdeu em 45 para Eurico Dutra e 50 para Getúlio Vargas: Ademar de Barros, que em 55 perdeu para Juscelino Kubitschek e nas eleições de 60 para Jânio Quadros; e Leonel Brizola que, por 16 a 15 por cento perdeu em 89 para Lula o direito de enfrentar Fernando Collor no segundo turno. Deixou no ar uma dúvida a respeito de José Serra, que perdeu para Luís Inácio da Silva na sucessão de 2002 e pode perder agora para Dilma Roussef.

Esqueceu Ruy Barbosa, derrota em 1910 e 1919, Carlos Lacerda que, embora um gênio lançou a candidatura fora na crise de 65, e Magalhães Pinto, movido por desejo ardente de chegar ao Palácio do Planalto. Mas a passagem para o poder fechou-se para ele. Vamos por etapas.

No caso de Ruy Barbosa recorro a Hélio Fernandes. Telefono para ele. Ruy teve duas derrotas. A primeira eu sabia. Para o marechal Hermes da Fonseca, em 1910. Tinha dúvida quanto à segunda. HF esclareceu. Quatro anos depois da campanha civilista de Ruy, 1914, seu nome foi levantado por seu próprio arquiadversário Pinheiro Machado, senador pelo Rio Grande do Sul. Pinheiro Machado, porém condicionava seu decisivo apoio à adesão da águia de Haya, como Ruy Barbosa era conhecido, à tese da reforma da Constituição de 1981, de cujo texto fôra o principal redator. Ruy não aceitou a exigência e rompeu. Wenceslau Brás foi eleito.

Em 1918, Rodrigues Alves foi eleito presidente, Delfim Moreira na vice. O presidente morreu, Delfim Moreira assumiu, mas não completou o mandato. Foram convocadas eleições em 1919. Ruy Barbosa concorreu, mas perdeu para Epitácio Pessoa. Redator-chefe do Jornal do Brasil, do Jornal do Commercio e do Paiz, jornal que ficou no passado, Ruy Barbosa morreria em março de 1923.

Deixando Ruy Barbosa e voltando a Ruy Castro, excelente escritor, mestre em biografias, omitiu Carlos Lacerda. Lacerda tinha verdadeira obsessão pela presidência da República. Em 65, sua candidatura foi lançada pela UDN para o pleito que não houve em 66. Em 65, seu candidato ao governo da Guanabara, Flexa Ribeiro perdeu para Negrão de Lima. O presidente era o general Castelo Branco, primeiro do ciclo ditatorial que só se encerrou em 85. Lacerda rompeu com ele e se envolveu num movimento contra a posse de Negrão. Resultado: A crise militar que levou à edição do Ato Institucional número 2 em 27 de outubro daquele ano. As eleições presidenciais diretas acabaram aí e só retornaram em 89.

Lacerda era um gênio, mas não conseguiu derrotar um de seus grandes adversários: ele mesmo. Morreu amargurado em 77. Lacerdistas chegaram ao poder, ele não. Precipitou-se e o sonho shakespeariano evaporou.

Brizola tinha obsessão. Recusou em 63 ser vice de JK na suucessão de 65, sucessão que não houve. Se tivesse aceitado, não haveria 64. A democracia não sofreria o corte que sofreu. Perdeu por 1 ponto para Lula, em 89. Em 92, apoiou Collor no ano do impeachment. Foi um desastre. Perdeu as ruas para o PT. Concorreu a segunda vez em 94. Teve 3 por cento dos votos.

Magalhães Pinto era obsessivo em matéria de presidência. Foi lançado contra João Figueiredo nas indiretas da 79. No colégio eleitoral de 85, viu seu histórico adversário em Minas, Tancredo Neves, ser eleito presidente. Deputado, votou nele no colégio eleitoral. Dias depois, desabou atingido por um derrame cerebral. Não mais se recuperou. Chegar ao poder maior não estava no seu destino. A vida é assim.

Esporte disputado e comentado: burrice em Brasília do Estevãozão, no basquete.

O time da capital, mais uma vez disputa o título com o Flamengo. Em 5 jogos, quem teve a melhor classificação, joga mais vezes “em casa”. Ano passado, o Flamengo, por isso, campeão.

Este ano seria o Brasília, que jogaria o quinto jogo na capital. Por conta da selvageria do terceiro jogo, perderam o mando do quinto jogo. (Fui o primeiro a defender isso). Agora jogará em Anápolis. Perdeu a vantagem.

Primeira semi de Ronald Garros

Quase surpreendente, o jogo Soderling-Berduich. Pelo que vinha jogando, ligeira vantagem para o sueco. Foi dificílima sua vitória, em 5 sets, 3 horas e 29 minutos, 53 games.

Segunda semi de Roland Garros

Contra Almagro, usando 70 por cento do seu tênis pós-tendinite dos joelhos, ganhou com enorme dificuldade. Hoje, usando 60 por cento da capacidade enfrentando Melzer, venceu com grande facilidade. (Com exceção do 10º game do terceiro set. Sacando para fechar, não fechou, prorrogou a permanência de Melzer por mais 8 minutos e um tiebreak).

Se vencer domingo, contra Soderling (quem melhor está jogando, Nadal conquista o quinto título em Roland Garros. E volta a ser o número 1 do mundo, condição que só perdeu pela contusão e a doença.

O vôlei de Bernardinho

Ganhou da Bulgária, um adversário forte e difícil, que chegou a assustar a fortíssima equipe brasileira, vencendo o primeiro set.

O time de Bernardinho, muito remodelado, ganhou os outros três sets, sendo que dois, sem nenhuma facilidade.

Amanhã, às 9 da manhã, o segundo jogo contra a Bulgária.

Messi, coberto de razão

Falou que a Argentina está “cheia de grandes valores individuais”, o que é inegável. Isso não dá certeza nem segurança para a vitória. Mas será adversário dificílimo.

Garotinho tem que entrar no Supremo, IMEDIATAMENTE, para manter a candidatura. É um direito que a Constituição garante

A decisão do TRE, cassando o casal de ex-governadores, é a típica e esdrúxula “sentença” pró-cabralzinho. Este foi tão favorecido, que apesar de sem escrúpulos e sem convicções, ficou constrangido.

O ex-governador tem que entrar imediatamente no Supremo Tribunal Federal, com habeas corpus, pedindo que seus direitos SEJAM MANTIDOS ATÉ QUE O PROCESSO TRANSITE EM JULGADO.

Muita gente, (principalmente os adeptos, ou melhor, apaniguados de cabralzinho) retumbara através da máquina: “O Supremo não tem nada a ver com isso, a questão é apenas eleitoral”.

O Supremo tem a ver com tudo, e ministros já reconheceram isso, julgando quatro questões meramente municipais, que sempre tem “uma ponta” (ou viés, como gostam de dizer) constitucional.

O grande constitucionalista de Portugal, Gomes Canotilho (professor em Coimbra), que vem muito ao Brasil, já escreveu: “O Supremo, no Brasil, se mete em tudo”. E o que ele escreveu, foi lido no plenário por um ministro, sem que algum outro protestasse, “data venia”.

Garotinho, (isto não é uma defesa pessoal, nem quero que seja) está sendo violentamente atingido em seus direitos. O TRE, por suposta maioria de 1 voto, IMPEDIU SUA CANDIDATURA.

Dirão: ele tem recurso para o TSE, que pode (ou deve) lhe dar ganho de causa. Hipocritamente, é verdade.

Acontece que tendo sido cassado, ele não pode ser candidato. Além do mais, as convenções têm que escolher os candidatos até 30 de junho. Portanto, Garotinho tem pouco mais de 25 dias para que o TSE autorize o partido a lançar sua candidatura.

Ele não corre o menor risco de recusa dentro do partido, da mesma forma que Serra no PSDB e Dilma no PT. Mas é evidente que os famosos interesses criados, serão movimentados e mobilizados para que o TSE não julgue coisa alguma até 30 de junho.

Não precisam de muito esforço “paralisante”, a Justiça brasileira sofre de “inércia-inercial”. O que não é acusação e sim um estado de espírito, uma espécie de “súmula-vinculante”, que já era reconhecida por Rui Barbosa há mais de 100 anos.

O ex-governador não cometeu crime algum, o TRE foi apenas estabanado e mal encarado, favorecendo deliberadamente cabralzinho que está no Poder. E uma parte enorme da Justiça brasileira adora decidir (?) a favor de quem está no Poder.

Apesar de tudo isso, só conseguiram CONDENAR o ex-governador por 4 a 3, quer dizer, três dos julgadores não conseguiram ser convencidos, ou melhor, cooptados pela maioria abjeta e tendo se formado com tese sobre a Lei de Linch, de onde surgiu o linchamento.

Ora, os direitos de qualquer cidadão, seja ele quem for, não podem ser violentados dessa maneira. Se o cidadão Anthony Garotinho for impedido de se candidatar (e já foi prejudicadíssimo pela absurda “conclamação” de 4 “juizes”), a Justiça estará sendo cega, surda e muda. E nesse silêncio sepulcral, que palavra, movendo a balança para que o cabralzinho, enriquecido ilegitimamente (ou ilicitamente?) se reeleja sem fazer campanha.

***

PS – A Justiça (?) acaba de firmar jurisprudência no caso de sentença TRANSITADA EM JULGADO. O covarde mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, CONDENADO DUAS VEZES A 30 ANOS DE PRISÃO, não tinha mais direito a recurso. Pois a Justiça, além de lhe conceder o TERCEIRO JULGAMENTO, determinou de forma tão criminosa quanto o seu crime: ELE PODERÁ FICAR EM LIBERDADE ATÉ QUE A SENTENÇA TRANSITE EM JULGADO. Vai morrer com mais de 100 ANOS E O PROCESSO NÃO ESTARÁ JULGADO.

PS2 – Por tudo que há de irregularidade no processo contra garotinho, e com os exemplos que dei, tem que entrar HOJE MESMO no Supremo, e terá seu direito reconhecido e garantido, para poder ser candidato.

PS3 – Já foi governador, deixou o cargo para ser candidato a presidente, teve 15 milhões de votos, disputando por um partido pequeno.

PS4 – Durante a ditadura, o Millor deixou escrito e inscrito, bravamente: “A Justiça FARDA mas não TALHA”. E agora, senhores magistrados?

Roriz em alta depressão

Há dias, numa radiografia-computadorizada sobre a campanha eleitoral de Brasília, informei que Roriz está doente, emagreceu tanto, que está irreconhecível, menos em matéria de corrupção.

A campanha ESTEVÃONIZADA

Logo que saiu a matéria, o ex-governador foi hospitalizado no maior segredo, “baita depressão”. Ficou 48 horas, voltou para casa. Motivo: acha que não perde, mas tem medo de que não registrem sua candidatura. O espertíssimo e cada vez mais rico Estevão, aproveitou e quer ser vice de Roriz.

Por que não cabeça de chapa?

Muitos me perguntam: por que Estevão não sai candidato a governador? Primeiro que ele não sabe se a sua inelegibilidade já acabou. Ele diz que SIM, juristas dizem que NÃO. E ele conhece o estado de saúde de Roriz.

Nessa matéria que publiquei, totalmente reproduzida por rádios e a própria internet, eu apresentava como favoritíssimo à reeleição o senador Cristovam Buarque. Agora vou completar a chapa.

Senador Rodrigo Rollemberg

Esse será o segundo candidato ao Senado, com toda a chance e possibilidade de se eleger. Ele e Cristovam fizeram um acordo, um pedirá voto para o outro. É filho da grande figura de Armando Rollemberg e irmão do brilhante jornalista Armandinho Rollemberg. Se morasse em Brasília, votaria nos dois.

Expulsória-compulsória

O desembargador Raul Lins e Silva completa 70 anos na segunda-feira, terá que ir para casa. Mas vai se despedir com um grande discurso.

Minha ligação com a família Lins e Silva, tem mais de 50 anos. Meus primeiros advogados foram seu pai, (também Raul) e seu tio (Evandro), que me defenderam desde 1950. Raul e seu irmão (Técio) já rondovam o escritório da 1º de Março, e não demorariam a se “impregnar” do gosto da advocacia e da magistratura.

Dorival Jr. com ciúme dos meninos da Vila

Um treinador tirando a alegria dos jogadores? É isso que está acontecendo em Santos. Desde o primeiro jogo contra o Grêmio, quando lançou Rodrigo Mancha e tirou-o em 8 minutos , as coisas se complicaram.

Depois, com estradalhaço, puniu os meninos, tudo desanda. Aquela extraordinário alegria desapareceu, não fazem nem gol. O time que tinha média de gols notável, agora não faz nenhum. Tudo culpa do ciúme ou quem sabe até da inveja?

Em busca do tempo perdido

Carlos Chagas

Reviravolta na estratégia tucana: José Serra decidiu encontrar o  mais breve possível seu companheiro de chapa. Pretende anunciá-lo  dia 12 próximo, em Salvador, quando então seriam formalizadas as duas candidaturas. Até agora a disposição do ex-governador de São Paulo era de deixar para julho a questão da vice-presidência, quem sabe  mantendo um mínimo de esperança sobre Aécio Neves reconsiderar a negativa. Se foi isso, não é mais, pois por sugestão de Serra reuniram-se esta semana os presidentes do PSDB, do DEM e do PPS, para a primeira rodada de seleção do candidato a vice.

Sérgio Guerra, Rodrigo  Maia e Roberto Freire estabeleceram as preliminares: o escolhido deve, de preferência, ser do DEM e do Nordeste. O leque é razoável, com Marco Maciel e José Carlos Aleluia na pole-position. Claro que mudanças de critério poderão ocorrer, ensejando um candidato  do  próprio PSDB, como Tasso Jereissati ou Sérgio Guerra.

De qualquer forma, o trem começa a sair da estação. Caso não encontre um túnel pela frente, chegará antes do dia 11 à capital baiana.

Paulicéia malvada

De desvairada, a Paulicéia transforma-se em malvada.  Pelo menos  parece o que pretende a comunidade de Santa Cecília, bem no centro da capital. Comerciantes, moradores e integrantes de associações locais sugerem que os restaurantes, lanchonetes e ONGs locais deixem de distribuir restos de comida para os moradores de rua. É preferível que joguem fora, bem longe, o alimento deteriorado responsável por aplacar a fome de catalogados 1334 miseráveis…

A alegação desses malvados é de que os sem-teto fazem sujeira, algazarra e confusão no bairro, além de dormirem nas calçadas defronte às suas residências e seu comércio.   Ameaçam até interditar os estabelecimentos que distribuem as sobras de suas cozinhas.

Não se trata apenas de falta de caridade e egoísmo. É maldade pura, pois além de não se incomodarem com a fome e  o  frio que passam os moradores de rua, pretendem negar-lhes alimento, na expectativa de que sumam de suas vistas. Importa  menos saber se o combate à  miséria é assunto da prefeitura ou dos governos estadual e federal, porque deveria ser, antes de tudo, preocupação da sociedade.  Não do tipo verificado na  comunidade de Santa Cecília…   

Gabeira, união impossível com Serra e Marina

Pedro do Coutto

Leio no Globo, edição de 31 de maio, que Fernando Gabeira ao comparecer a uma exposição no Riocentro de automóveis elétricos Dock Dock, um dos menores carros do mundo, afirmou esperar as presenças simultâneas de José Serra e Marina Silva na convenção conjunta PV-PSDB-DEM-PPS, marcada para 19 de junho. Será em Niterói ou então na Baixada Fluminense, onde tanto ele quanto Serra e Marina têm menor penetração do que na zona sul do Rio.

A dificuldade de Fernando Gabeira realizar uma campanha presidencial dupla no Estado é enorme. Não apenas porque não pode, na prática, desempenhar o papel de Arlequim de Dois Patrões, peça do italiano Goldoni, montada no antigo teatro Dulcina, há algumas décadas, tradução de Millôr Fernandes. Mas sobretudo pelo fato de a Lei Eleitoral, 9504/77, no seu artigo sexto não permitir que uma coligação possa apresentar dois candidatos à presidência da República ou a qualquer cargo majoritário.

A Lei Eleitoral, no capítulo em que trata das coligações, estabelece que a elas será atribuído o mesmo tratamento dado aos partidos políticos. Logo uma coligação entre PV, PSDB, DEM e PPS é simplesmente ilegal e portanto impossível. Marina Silva é candidata do PV. José Serra da coligação PSDB- DEM- PPS e, segundo Roberto Jéferson, será também do PTB. Assim, não há como realizar-se no RJ uma convenção de partidos coligados com dois candidatos. Fernando Gabeira se equivocou ou então foi mal interpretado pelo repórter ou pela repórter que o entrevistou. Mas este é outro aspecto da questão.

O fato essencial é que o candidato verde não terá condições de dar sustentação eleitoral dupla simultaneamente a Serra e Marina. Mantendo- se nesta posição, das duas uma: ou ele está enganado, superestimando sua importância eleitoral, ou está tentando iludir os eleitores de um e de outra. A dualidade é impraticável. Só pode contribuir para fazer uma confusão na cabeça do eleitorado, principalmente quando a campanha esquentar na reta de chegada.

Não se trata apenas de manifestações ou concentrações de rua. Trata-se especialmente do preenchimento dos espaços das legendas na propaganda eleitoral na televisão. A lei em vigor não permite que Gabeira possa aparecer no horário do PSDB-DEM-PPS-PTB e, ao mesmo tempo, no mesmo dia e hora, na faixa fixada para o PV, Fernando Gabeira tenta obter os votos adeptos de Serra e dos adeptos de Marina. Mas somente poderá alcançar este objetivo na hipótese de ir ao segundo turno contra Sérgio Cabral.

É uma hipótese que , porém, depende da decisão do TSE em relação à candidatura Anthony Garotinho. O Datafolha apontou 19 para ele, 18 para o ex-governador. Somam 37 pontos. Cabral, na frente, tem 41. A diferença é pequena. O eleitorado vai decidir qual será o adversário do atual governador no desfecho final.

Thomaz Bastos “não abarca a realidade”

Um outro assunto. Em entrevista de página inteira ao repórter Flávio Ferreira, Folha de São Paulo, de segunda-feira, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, ao defender a presença de Lula na campanha de Dilma Roussef na televisão, afirmou que a lei eleitoral não abarca a realidade. Francamente, sua afirmação poderia ser bem melhor. Pois se a lei não abarca a realidade, deve ser mudada. Mas enquanto não for, deduz-se, está valendo. Logo o raciocínio do ex-titular da Justiça é que não envolve a realidade. Poderia ter feito uma defesa muito melhor. Bastaria dizer que, se na reeleição o presidente pode fazer campanha para si próprio, por quê não para sua candidata? Deveria ter usado a tese da visão infralegal legada por Santiago Dantas. Perdeu a chance.

Contas no exterior, quem atenderá o BC? E os 200 ou 300 BILHÕES DE DÓLARES que vários governos tentaram REPATRIAR? Não conseguem, falta confiança total.

Pela resolução 3854, o Banco Central fez a confirmação. 1 – Brasileiros ou estrangeiros que moram no Brasil, mas têm contas no exterior, devem declarar os valores à Receita Federal.

2 – A obrigação é para quem tem a partir de 100 mil dólares. (Não fala nada sobre quem possui 99 mil, por aí). 3 – Vejamos quem vai cumprir e quais as punições, para quem “se esquecer”.

4 – Por exemplo, Lutfalla Maluf, que tem mais de 400 milhões de dólares nas Ilhas Caymã. Ele nega, e “faz a doação”. 5 – Conforme foi publicado na época, (sem que acontecesse coisa alguma) esse dinheiro foi depositado por empreiteiras.

6– Depositantes: OAS (“Obrigado Amigo Sogro”), Mendes Júnior, Camargo Correa e outras, que construíram o que se chamou de MARGINAL. 7 – Os filhos de Maluf confirmam, incluindo um que foi preso com ele.

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PS – Isso acontece todo ano. E existe um fato mais grave, que vários governos pretenderam resolver (?) sem conseguir. São os depósitos ILEGÍTIMOS no exterior, maiores do que esses 100 mil dólares, e que atingem profundamente o país.

PS2 – Tão importantes, chegam a 200 OU 300 BILHÕES DE DÓLARES. Já ofereceram vantagens para quem REPATRIAR ESSE DINHEIRO. (Como se fossem jogadores de futebol ou de vôlei).

PS3 – Esse dinheiro, na ALTURA em que é citado aqui, tem diversas origens, mas não a da remessa do Brasil para o exterior. Os dólares FICAM LÁ FORAM MESMO, consequência do SUB e SUPER faturamento.

PS4 – Os exportadores têm 210 dias para recolherem o que RECEBEM do comprador. Muitas vezes (ou quase sempre) garantem que “não receberam”, conseguem prorrogação.

PS5 – Tanto na exportação quanto na importação, o governo garante: “Não podemos controlar as negociações e os preços”. Ha!Ha!Ha!

PS6 – Assim mesmo, com todas as VANTAGENS oferecidas, os DONOS DO DINHEIRO, por que não trazem para cá? Elementar, não existe a menor confiança entre os que têm esse dinheiro, e os governos que pretendem acobertá-los.