Lula foi aluno de Eremildo, o idiota

Percival Puggina

Virou moda. Lula falou e a bem remunerada elite chapa-branca do jornalismo nacional passou a repetir: a zelite não quer que os pobres prosperem. Qual o motivo de essa frase estar sendo reproduzida por tantos membros da mídia, como porta-vozes do alto comando petista? Nada que o PT repete à exaustão deixa de ter objetivo bem determinado. É o caso.

Os petistas, naufragados na indecência de seu governo, numa sucessão de escândalos que envergonham o país e ruborizam a espécie humana em todas as latitudes, altitudes e longitudes, precisam atribuir motivação maldosa a seus adversários. E qual pode ser pior do que o sujeito ter raiva de quem alegadamente faz bem aos pobres? Poucos, muito poucos sentimentos humanos colocariam alguém tão às portas de uma condenação eterna do que desejar o mal do pobre, sentir-se incomodado quando ele prospera e ter raiva de quem supostamente o faça prosperar. Isso é tão inominável, tão fora da normalidade, que deixa de ser um impulso humano para ser o que de fato é: uma acusação maligna, concepção de mente enferma, que faz da política campo de provas de sua sordidez.

SEM PÉ NEM CABEÇA

Essa injúria, proferida por Lula no ato da ABI, e repetida pelos papagaios do eldorado petista, não tem pé nem cabeça. É fruto de perversão moral. Está na linha de tudo mais que vêm fazendo. Como conceito, só pode ser produto de uma aula de sociologia do professor Eremildo, o idiota (personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari).

Repito o que escrevi há poucos dias: os países com melhor qualidade de vida são aqueles em que praticamente não existem pobres e a totalidade da população consegue viver com dignidade. A fome era endêmica na Europa Ocidental até meados do século passado. No entanto, com trabalho e uso judicioso dos recursos públicos, hoje você atravessa o continente, entra e sai das cidades europeias e raramente se depara com habitações miseráveis. Nelas você se percebe infinitamente mais seguro do que no Brasil.

Só os alunos do professor Eremildo, o idiota, são capazes de crer em tamanha estupidez, contraditória com o racional interesse de todos os seres humanos, porque convém a todos, sem exceção, que todos tenham um padrão de vida melhor. Eremildo, o idiota, ensinaria essa besteira que Lula diz, por crença. Os jornalistas, os políticos, os marqueteiros e os militantes que repetem tamanho disparate, precisam dele como folhas de parreira para esconder as próprias vergonhas.

Dilma dá as costas aos médicos cubanos, seus aliados na campanha

Eduardo Scolese
Do UOL

Nos anos de 1950, o jovem francês Jean Blondel se aventurou no interior da Paraíba para um estudo sobre a política brasileira. Ao final da incursão de alguns meses no sertão, emplacou o livro “As Condições da Vida Política no Estado da Paraíba”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas em 1957 e hoje raríssimo nos sebos.

Em um dos tópicos desse trabalho, Blondel tratou do papel dos médicos na política sertaneja. E usou como exemplo um profissional filho de agricultores que nasceu em Bonito de Santa Fé, seguiu para o Rio de Janeiro para estudar e, depois de formado, retornou à terra natal com o objetivo claro de ingressar na política.

E ele usou a medicina para isso. Diz um trecho do livro: “Fez-se necessário, tratando gratuitamente, dando medicamentos, fazendo obras profiláticas de natureza espetacular. Já conhecido, foi eleito prefeito de seu município em 1951”. Enfim, completa o texto, ele se transformou em novo “chefe político” local e estadual.

CHEFE POLÍTICO

“Médico” e “chefe político” nos anos de 1950 remetem a “médico” e “chefe político” em 2015: os cubanos do Mais Médicos, ameaçados pela ditadura da ilha em pleno território brasileiro, precisam de uma pequena e urgente retribuição da “chefe política” Dilma Rousseff.

Em 2013, esses mesmos cubanos forma recebidos com festa pela população do interior e das periferias, com indignação e até intolerância por parte da classe médica brasileira e como cabos eleitorais pela campanha à reeleição da presidente Dilma.

Sem os cubanos, o Mais Médicos não seria uma vitrine de Dilma, e sim uma vidraça, já que 80% dos 14 mil profissionais do programa vieram da ilha de Fidel Castro.

Passados quase dois anos de serviços ao país, em locais nunca antes ocupados por médicos, esses mesmo cubanos úteis na eleição agora pedem socorro.

Eles servem ao Palácio do Planalto e cuidam dos brasileiros mais pobres. Mas, para o governo Dilma, a pressão que sofrem do governo cubano em pleno solo brasileiro é um burocracia “fora da alçada do Ministério da Saúde”.

Na boca da noite, com Paulo Vanzolini e Toquinho

Vanzolini, um dos maiores compositores de São Paulo

O zoólogo e compositor paulista Paulo Emílio Vanzolini (1924-2013), na letra de “Na Boca da Noite”, uma parceira com Toquinho, retrata momentos românticos que passou durante algumas horas. Essa música foi gravada por Toquinho no LP Boca da Noite, em 1974, pela RGE.

NA BOCA DA NOITE
Toquinho e Paulo Vanzolini

Cheguei na boca da noite,
Parti de madrugada
Eu não disse que ficava
Nem você perguntou nada

Na hora que eu ia indo,
Dormia tão descansada,
Respiração tão macia,
Morena nem parecia
Que a fronha estava molhada
Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada

Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

Gente da nossa estampa
Não pede juras nem faz,
Ama e passa, e não demonstra
Sua guerra, sua paz

Quando o galo me chamou,
Eu parti sem olhar pra trás
Porque, morena, eu sabia,
Se olhasse, não conseguia
Sair dali nunca mais
Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada

Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada
O vento vai pra onde quer

A água corre pro mar
Nuvem alta em mão de vento
É o jeito da água voltar
Morena, se acaso um dia
Tempestade te apanhar
Não foge da ventania,
Da chuva que rodopia,
Sou eu mesmo a te abraçar

Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada
Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Doações políticas só podem ser feitas por cheques cruzados

Pedro do Coutto

Comparando-se o depoimento de Pedro Barusco à CPI da Petrobras (reportagens de Eduardo Bresciani e Chico de Góes, O Globo, e de Aguirre Talento, Gabriel Mascarenhas e Mário Falcão, Folha de São Paulo) com a legalização eleitoral do país, verifica-se, de pleno, a ilegalidade que envolveu as chamadas doações de empresas para campanhas eleitorais. Basta ler o parágrafo 3º do artigo 39 da lei 8.096, de setembro de 95, conteúdo confirmado pela lei 9.504, de setembro de 97. Determina exatamente o seguinte: “As doações em recursos financeiros devem ser, obrigatoriamente, efetuadas por cheque cruzado em nome do partido político ou por intermédio de depósito bancário diretamente na conta da agremiação partidária.

Como tanto Barusco quanto Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, além de Ricardo Pessoa, presidente da UTC, vêm sustentando que as propinas, à guisa de doações, eram feitas em dinheiro ou em depósitos no exterior, verifica-se, de modo absoluto, a ilegalidade de tais desembolsos. Evidente. A forma com que eram efetuados os repasses colide frontalmente com a legislação do país, a qual determina expressamente o contrário do método colocado em prática.

Inclusive, o que complica ainda mais a prestação de contas dos partidos que receberam doações, o artigo 32 da mesma lei 9.096 determina literalmente: “O partido está obrigado a enviar, anualmente, à Justiça Eleitoral, o balanço contábil do exercício findo (2014), até 30 de abril do ano seguinte (2015).

O artigo 33 estabelece a informação (na prestação de contas) sobre o valor e a origem das contribuições e doações. Portanto, a pergunta que cabe é como os dirigentes partidários vão resolver o problema evidenciado pela contradição entre o que a legislação define e a ultrapassagem que aconteceu sistematicamente?

ORIGEM DOS RECURSOS

Não há como informar, analisando-se a situação à base dos fatos ocorridos e dos caminhos percorridos pelo dinheiro repassado como fonte de corrupção sob a capa de contribuições normais a partidos, candidatos e candidaturas. E não poderia logicamente o sistema legal não obrigar a identificação da origem dos recursos e seus montantes. Porque, de acordo principalmente com os montantes, torna-se possível identificar-se a legitimidade ou não das procedências e dos destinos.

Trinta de abril vai acontecer daqui a um mês e meio. As direções dos partidos, assim, têm que correr para que elas e os candidatos a quem as quantias foram destinadas apresentem suas versões e, sobretudo, as explicações.

MUITO DIFÍCIL

É muito difícil explicar, sobretudo depois da decisão da Petrobras (reportagem de Raquel Landim e Renata Agostini, também FSP de 11), de montar uma força-tarefa para avaliar a inclusão das propinas pagas no balanço do ano passado que a empresa não conseguiu concluir no prazo adequado e que, agora, terá de fazê-lo até 31 de maio, a fim de evitar a cobrança antecipada das dívidas que possui e que, sem dúvida, cresceram no decorrer do ano passado.

As perdas com a corrupção, de acordo com os cálculos da ex-presidente, Graça Foster, não devem ser menores do que o equivalente a 88 bilhões de reais, a preços de 2014. A colocação da palavra “equivalente” se impõe, já que parte substancial dos prejuízos aconteceu em dólar, como é o caso da refinaria Abreu Lima, que, de um custo original de 2 bilhões (de dólares) acabou numa escala de nada menos de 18 bilhões (de dólares).

E o capítulo que abrange a compra da refinaria de Pasadena, no Texas? Para onde e para quem foram as comissões pagas? São débitos a serem lançados no balanço da empresa.

Manifestação do domingo será muito diferente da sexta-feira 13

Carlos Newton

Na série de manifestações realizadas na sexta-feira 13, o que se viu foi mais um evento inspirado exclusivamente em marquetagem política, sem transparecer a menor motivação popular. A começar pela impressionante padronização visual, com a maioria dos participantes usando camisetas vermelhas do PT, da CUT, do PCdoB, da UNE e do MST, e empunhando bandeiras também vermelhas, , além dos uniformes de cor laranja dos petroleiros, o que demonstrou de forma clara o caráter meramente político-partidário deste ano público.

A infiltração ficou tão evidente que até mesmo no Rio de Janeiro, onde praticamente não existe atuação do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra, o pessoal do MST também marcou presença, a partir da concentração realizada nos belíssimos jardins do bairro da Glória, antes de rumar para o centro da cidade.

ATÉ A CUT PROTESTA…

Acontece que nunca dá certo esse tipo de mobilização social à la carte, mediante menu preparado pelos chefs da cozinha palaciana. Pelo contrário, a comida sempre azeda, fica intragável. Foi o que aconteceu na sexta-feira 13. Para começar, houve um importante protesto de surpresa na refinaria Duque de Caxias, onde os petroleiros fizeram uma paralisação de 4 horas para denunciar a errônea política que o governo está adotando em relação à Petrobras, ao pretender tirar a empresa do atoleiro mediante venda de seus valiosos ativos, como os navios-tanque da Transpetro. Segundo os sindicalistas, com a estratégia do chamado “desinvestimento”, a Petrobras vai acabar provocando desemprego em massa no país.

Também a CUT aproveitou a oportunidade para alfinetar o governo. Enquanto na Avenida Paulista o carro de som pedia a retirada das MPs 664 e 665, que alteram regras para acesso a benefícios como seguro-desemprego, auxílio-doença e pensão por morte, em frente à sede paulista da Petrobras o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, dava entrevista reafirmando que a manifestação da sexta-feira 13 não era a favor do governo e sim contra a política econômica atual.

CLASSE MÉDIA NAS RUAS

Neste domingo, a manifestação será muito maior, atingindo mais de 200 cidades. Não haverá uniformização visual, embora muitos organizadores tenha sugerido camisetas amarelas.

Em lugar dos sindicalistas, dos militantes do PT, da CUT, do PCdoB, do MST e da UNE, as ruas serão tomadas pela classe média, que parece estar tentando reprisar a Marcha com Deus pela Democracia, realizada em 1964 para desestabilizar o governo João Goulart.

Como a História só se repete como farsa (conforme o filósofo Karl Marx ensinou), a manifestação deste domingo não repetirá os idos de março nem fortalecerá nenhuma intervenção militar. Com toda certeza, porém, este gigantesco ato público está destinado a incentivar expressivamente o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que já tem mais um pedido tramitando na Câmara.

É o 19º pedido , desta vez apresentado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que está sempre em busca de mais 15 minutos de fama. Mas ainda é cedo. Impeachment é como determinados frutos, que só podem ser tirados da árvore quando já estão suficientemente maduros. É preciso ter paciência para saboreá-lo.

Nas ruas, o Brasil real

Carlos Chagas

Tem gente achando que amanhã acontecerá a última volta do ponteiro. Se em todo o território nacional milhões forem às ruas para manifestar seu repúdio a Dilma, ao governo, ao PT e aos políticos, como imaginar os próximos quatro anos? A rejeição se transformará em ebulição. O país ficará ingovernável, com a presidente confinada em seus palácios, os ministros impossibilitados de administrar os setores a eles destinados e o Congresso legislando para o vazio. A população terá passado o atestado de óbito nas instituições, tornando-se fatal a necessidade de profunda reforma de homens e de objetivos.

Claro, essa é uma visão catastrófica. Pode não ser nada disso, caso o governo e o Congresso se conscientizem da necessidade de anunciar e de promover mudanças fundamentais, antes que as ruas o façam. O diabo é que a presidente Dilma, os deputados e os senadores, ao menos até agora, julgam-se estar cumprindo suas obrigações. Ignoram a distância que separa o Brasil real do Brasil formal. Não se trata, apenas, de acabar com a corrupção e a impunidade, mas de alterar as estruturas econômicas, sociais e políticas que sustentam a nação. Essa era a proposta do PT, quando fundado. Deixou de ser.

A VONTADE DE TODOS

Milton Campos era governador de Minas e o governo ia mal. Falta de recursos, greves, transportes públicos em crise, enchentes paralisando rodovias. Um auxiliar entrou em seu gabinete levando exemplares dos jornais do dia, que o criticavam acerbamente. Sugeria processar os diretores e suspender a publicidade oficial. O velho professor de democracia rejeitou e sentenciou: “Esse meu governo anda tão mal que até eu tenho vontade de escrever contra ele…”

Quem sabe a presidente Dilma se inspire para reconhecer as deficiências de sua administração e interrompa as tentativas de maquiá-las. Aliás, por falar em Milton Campos, mais uma lição para Madame: os ferroviários estavam em greve, num dos principais entroncamentos do estado, e o comandante da Polícia Militar sugeriu enviar um trem cheio de soldados para preservar a ordem. Sabendo que a paralisação devia-se aos salários em atraso, o governador perguntou: “não seria melhor mandar um trem pagador?”

Vale o exemplo para a greve dos caminhoneiros. Não seria melhor cancelar o aumento do óleo diesel?

A CRISE DO OUTRO LADO DA RUA

Em sua defesa o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusou o governo de agir para transferir a crise “do outro lado da rua para cá”. Não é que ele tem razão?

Precisamos punir os culpados, sem privatizar a Petrobras

Roberto Nascimento

Discordo frontalmente das afirmações de alguns comentaristas, que manifestaram opinião de que a Petrobras nunca deveria ter sido criada. Sabe-se que a Petrobras, desde sua criação, foi duramente combatida por agentes internos e externos, pois significava uma expectativa de autossuficiência em petróleo, importantíssima para a entrada do país na era industrial.

Na época, em 1953, o empresariado privado brasileiro não tinha – e até hoje não tem – condições de investimento para prospectar, extrair, refinar e distribuir, atividades que exigem elevadíssimos investimentos e demandam muito tempo muito tempo para o retorno do capital aplicado.

CORRUPÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO

Corrupção sempre teve no Brasil e no mundo, e não foi menor do que está sendo agora, meus caros. Um ex-presidente da Petrobrás na década de 70, Shigeaki Ueki, é hoje um dos maiores empresários do petróleo do Texas, à frente da família Bush.

As empresas de petróleo da Europa e dos EUA (as sete irmãs) já foram envolvidas em escândalos de corrupção. O ex-presidente Nicolas Sarkozi, da França, está envolvido em escândalo vergonhoso envolvendo um grande multinacional francesa. E aí, é só aqui, cara-pálidas? No resto do mundo é o paraíso e aqui é o inferno?

PUNIÇÃO SEVERA

O que precisamos é de punição severa, quando os fatos corruptores são constatados e provados. Só assim poderemos reduzir a demanda por mais corrupção. A impunidade é que gera as distorções.

Uma coisa boa, no atual momento, foi a prisão dos empreiteiros. Antes, somente alguns corruptos do serviço públicos pagavam pelos seus erros. Agora, graças à coragem do juiz Sérgio Moro, executivos amargam as grades. Se forem julgados e condenados, depois da ampla defesa e do contraditório, terão que cumprir as penas e devolver o produto da corrupção.

EXEMPLO DO HSBC

Veja-se, agora mesmo, o megaescândalo do HSBC na Suíça. O banco não vai falir nem ser banido da Suíça, lógico que não. Apura-se a roubalheira e a corrupção do banco, os envolvidos serão punidos, e vida que segue.

A Petrobras é maior do que tudo que estamos vendo diariamente na mídia, um orgulho nacional que todo brasileiro sente na pele, sabendo que é uma das 10 melhores empresas do mundo e comprovando que somos competentes no que fazemos, quando deixam, é claro. Um grupo pequeno manchou de óleo podre a empresa, mas logo eles passarão e novos dirigentes compromissados com a ética assumirão os cargos vagos.

Agora, pedir para privatizá-la e entregar na mão de quem? Das construtoras envolvidas na Lava Jato? Ou daquele empresário que queria ser o primeiro brasileiro mais rico do mundo e que hoje está falido? A Petrobras é nossa, do país, da sociedade brasileira e pode ser administrada com competência por agentes públicos. Não esqueçam que a empresa é de economia mista, caros cidadãos.

Privatizar uma empresa, ao menor sinal de dificuldades pontuais, significa tirar o sofá da sala, quando o marido vê sua amada deitada nele com outra pessoa.

Projeto de poder do PT atinge ponto limite da tolerância popular

Paulo Chagas
Portal do UOL

Nos regimes democráticos, manifestações populares são formas de exteriorização de desagrado que têm por objetivo provocar mudanças em favor do interesse dos manifestantes. O atual governo brasileiro, em início de mandato, o quarto do que chamo de “era pós-moral” – como consequência de si próprio e dos que o antecederam –, todos sob a égide do Partido dos Trabalhadores, amarga uma onda crescente de manifestações. Até agora, a mais importante delas foi a dos caminhoneiros que, pela abrangência e importância estratégica, pôs em xeque a utilização do sistema viário nacional, o abastecimento e o próprio desempenho de certas atividades e regiões econômicas.

No mesmo embalo, não com as mesmas conseqüências, mas com abrangência e significado político muito maior, organiza-se pelas redes sociais outro movimento popular de protesto e de contraposição ao governo, a realizar-se este domingo, 15 de março.

O projeto de poder petista, nos moldes bolivarianos estipulados pelo Foro de São Paulo, colhe os frutos do seu desprezo a regras mínimas de respeito à inteligência e à paciência da sociedade.

Ambição, desonestidade, corrupção, incompetência, demagogia, malversação, mentira, propina, desvio, estelionato, apropriação, dilapidação, impunidade, destruição e outros, sem restrições à imaginação e à criatividade delituosa, são os substantivos que definem a forma escolhida para gerenciar a coisa pública e que, aparentemente, atingiu o ponto limite da tolerância popular!

POPULISMO

Os fins populistas, falsamente conquistados, não justificam os conchavos e as negociatas que levaram o Brasil, como um todo, às portas da bancarrota e sua mais importante empresa à quase insolvência no mercado mundial.

O tempo do Partido dos Trabalhadores esgotou-se junto com a transigência da sociedade brasileira, sua grande vítima. O entusiasmo com que os brasileiros finalmente esclarecidos se preparam para o Movimento Cívico de 15 de Março atesta esta afirmação.

Se as manifestações populares, por definição, visam e reivindicam mudanças, estas, para legitimar-se, devem escudar-se na viabilidade e na processualística estabelecidas na Lei Maior.

BASE E MOTIVO

A importância do movimento de 15 de março será medida pelos efetivos que conseguir mobilizar, pelo comportamento ordeiro dos participantes e pela veemência da demonstração de repúdio ao engodo de que têm sido vítimas.

Deve servir de base e motivo para que os representantes do povo – eleitos para fazer valer a sua vontade, no exercício de seus mandatos e dentro dos limites da legalidade – assumam o bastão da demanda e deem efetividade às mudanças exigidas pelas ruas!

O processo judicial em curso da Operação Lava Jato, pela exemplar seriedade com que está sendo conduzido, pela abrangência e pela gravidade dos crimes financeiros que está a elucidar, certamente trará à luz verdades e evidências que abraçarão o sentimento nacional e que darão respaldo às decisões e às atitudes legislativas que, finalmente, responderão à vontade popular.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis)

Stédile diz que Joaquim Levy está “infiltrado” no governo

Stédile disse que Dilma precisa andar na rua

Deu na Folha

O líder do Movimento dos Sem Terra (MST) João Pedro Stedile disse nesta sexta-feira (13) em manifestação no centro do Rio de Janeiro que não aceita “infiltração de capitalistas” e do ministro Joaquim Levy (Fazenda) no governo federal. Ele pediu também que a presidente Dilma Rousseff “saia do Palácio” para ouvir os trabalhadores.

Stedile foi o último a discursar no carro de som da manifestação em defesa da Petrobras e contra o impeachment da presidente.

“Já chega de infiltração de capitalista no governo. Não aceitamos a infiltração de um tal de [Joaquim] Levy”, disse do ministro da Fazenda. “Não podemos fazer ajuste às custas do trabalhador. A crise que o Brasil vive é culpa dos capitalistas. Não aceitamos a redução do direito da classe trabalhadora. Dilma, saia do palácio e venha para rua ouvir os trabalhadores”, defendeu Stedile.

O líder do MST afirmou que a corrupção na estatal foi causada por “meia dúzia de filhos da puta”. Ele afirmou que “a Globo quer iludir e dizer que esses caras são de esquerda, que são do PT”. “Não, eles são ladrões. Lugar de corrupto é na cadeia. Corrupção existe no Brasil desde que chegou o primeiro europeu aqui.” O líder o MST defendeu também que não haja redução de pena para os delatores do esquema na Petrobras.

DISPUTA NAS RUAS

Stédile também afirmou que aceita a disputa “nas ruas” com a “burguesia”. “Há 40 mil paulistas nas ruas, há gente em Brasília, Salvador e Pernambuco. Burguesia, não se atrevam a falar em golpe. Nós defendemos a democracia e o direito legítimo de eleger nas urnas os nossos representantes. Eles querem disputar conosco nas ruas e nós aceitamos. O povo pode não ter a maioria nos tribunais, no Congresso, mas temos a maioria das ruas.”