Além de não roubar nem deixar roubar, Lacerda foi um governador extraordinário, que estruturou o Rio do futuro

Luiz Geraldo Santos:
“Helio, quando Lacerda assumiu o governo da Guanabara, não tinha água. Ele abasteceu o Rio de água, e até hoje não falta. Não havia vagas nas escolas, imediatamente ele inventou o terceiro turno, enquanto construia mais salas e admitia professores. Não tinha telefone, ele fundou uma empresa, que solucionou o problema com novas linhas e mais barato. Abriu túneis e construiu viadutos em profusão. Além do Aterro do Flamengo, deixou muitos parques. O Banco do Estado da Guanabara (BEG) só tinha duas agências, ele abriu dezenas. Sem exagero e muito menos paixão, Carlos Lacerda foi o maior governador que o Brasil teve. O resto, não fez nem 10 por cento do que ele fez. E, melhor, como você disse, não roubou nem deixou roubar”.

Comentário de Helio Fernandes:
Perfeito, Luiz Geraldo, e na verdade Lacerda fez mais, muito mais, como a erradicação de 12 favelas e o plano urbanístico do especialista grego Constantinos Doxiadis, contratado por ele, que previu a construção da Linha Vermelha e da Linha Amarela.

Realmente, quando assumiu o governo, encontrou o Rio devastado pela falta d’água, um pavor, horror, se fixou imediatamente na construção do Guandu. Não tinha dinheiro suficiente, fez empréstimos a 1 e 5/8 por cento (os americanos adoram isso), meu amigo Helio Beltrão fez pelo menos 10 viagens para fechar o contrato. Ficou nesse percentual, nenhuma comissão, por fora ou por dentro. (Há muito tempo o empréstimo está pago).

Só para comparar; o estranho ministro Delfim Netto, que está querendo ressuscitar, (numa polêmica com o ex-presidente Collor) “arranjou” na Inglaterra, 800 milhões de dólares como financiamento para a ponte Rio-Niterói, a juros de 14 por cento, uma calamidade. (Foi incorporado à dívida externa. Delfim não aceitaria pagar juros de apenas 2 por cento, o que sobraria para o por fora?)

Quando Marcos Tamoio sugeriu ao governador a abertura do Túnel Rebouças (uma das mais importantes obras, inaugurada em agosto de 1965), ressalvou: “Governador, abrindo esse túnel, tem que abrir outro na Gávea, na Covanca, ou então o Jardim Botânico vai engarrafar completamente”. Resposta do governador: “Vou fazer um deles, não sei como arranjar dinheiro. Para o outro túnel, nem pensar”.

Aconteceu o que Marcos Tamoio previa e Lacerda sabia, mas o que fazer?

Lacerda, que eu apelidei (e ele gostou muito) de “Dromedário do trabalho”, porque, como os camelos, acumulava e mastigava trabalho. Tinha um estilo próprio, não perdia tempo despachando diariamente com secretários. Chamava, digamos, o de Obras, ficavam horas estudando, vendo o que teria que ser feito, como fazer e como pagar. Marcava na agenda dele e do secretário, novo despacho para dentro de 90 dias.

No dia seguinte, no outro e no outro, fazia com diversos secretários. Adorava viajar, mas não podia, em parte do mandato o vice era Eloy Dutra, grande inimigo. Ainda vigorava a “invenção” da Constituinte de 1946, o governador e o presidente se elegiam, e podiam ser eleitos vices de outro partido.

Continuava inquieto, impulsivo, às vezes inamistoso, imprudente e inconsequente. Quando caiu o Estádio de Remos da Lagoa, o secretário de Obras era o Laviola, campeão brasileiro e sulamericano de natação.

Foi demitido sem saber, para o lugar nomeou o brigadeiro Terra, (excelente figura) que era diretor de Rotas Aéreas. Algum comentário?

Um dia me telefona às 2 da madrugada, “preciso falar com você agora”. Respondi, “mas não sei nem como se entra a esta hora no teu apartamento”. E ele: “Estou no Guanabara”. Na verdade raramente saía de lá. Esse era o autêntico Carlos Lacerda, jornalista, político, administrador.

Não se preocupava com dinheiro, ficou rico quando vendeu a SUA TRIBUNA DA IMPRENSA para Nascimento Brito, herdeiro do Jornal do Brasil.

Fez história, mas não foi seguido ou imitado pelo menos em matéria de NÃO DESPERDIÇAR O DINHEIRO PÚBLICO. Nisso, os que vieram depois, (quase todos) o AMALDIÇOAVAM, tinham que tomar cuidado. (Excluídos Roriz e Arruda, na capital, que abusaram da desonestidade, da corrupção e da tranquilidade que exibiam nesses atos).

Estamos vendo diversos governadores afastados pelo Tribunal Eleitoral, e o espetáculo de Brasília, que substituiu o Rio, mas inovou espantosamente em matéria de enriquecimento ilícito, de desperdício do dinheiro público. Que República.

***

PS – Política, jornalística ou pessoalmente foi o nosso melhor tempo. Lacerda construiu um cineminha de 12 lugares, onde era um subterrâneo de “guardados”. Eram noites e noites de filmes excelentes e conversas altamente polêmicas quanto as que tivemos no Regimento Caetano de Farias, de 14 de dezembro de 1968, (o dia seguinte ao AI-5, eu preso no mesmo dia 13) até 22, véspera de Natal, quando foi solto. Eu passei Natal, Ano Novo, fui solto no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, os ditadores eram muito religiosos.

PS2 – Essas conversas demolidoras mas construtivas, duraram 8 dias, praticamente sem interrupção. Não gostávamos de dormir, ele fingia greve de fome. Gravadas, dariam um livro maravilhoso, autêntico e elucidativo. Um lamento e uma tristeza, que CONVERSÁSSEMOS 8 DIAS, sem gravação.

PS3 – Morreu em 1977, com 63 anos. Dois anos depois vinha o que se chamou, “ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA”, Lacerda já não estava à disposição.

PS4 – Sempre esperei que Lacerda e Brizola (talvez um depois do outro) fossem presidentes. Não se sabe o que aconteceria, agora não há análise possível ou imaginável. Acreditei em Juscelino, pensei que Janio pudesse ser (participei das duas campanhas), em quem acreditar?

PS5 – Como acreditar em Serra, que fez campanha e carreira no exterior. Ou Dona Dilma, autoritária e imprevisível? Ou assustadoramente previsível?

Petróleo: nunca vi nada tão mal explicado

Pedro do Coutto

Francamente, ao longo de mais de 50 anos, nunca deparei com assunto tão mal explicado, e consequentemente tão mal interpretado como esta emenda apresentada pelo deputado Ibsen Pinheiro à questão da distribuição dos royalties da produção do petróleo.

Em primeiro lugar, a matéria é regida hoje pelo artigo 20 da Constituição Federal complementada pelas leis 7990 de dezembro de 89, aperfeiçoada pela lei 8001 de março de 90. O que propõe Ibsen Pinheiro? Igualar a distribuição do produto da produção marítima do petróleo. Isso só pode ser feito a partir do pré-sal, portanto daqui a dez anos, com base no princípio de que a legislação não retroage para restringir.

O governador Sérgio Cabral demonstrou-se mal informado. Sua discussão não pode ser em torno da emenda Ibsen, simplesmente porque abstratamente só trata do futuro. Seu debate, firme, tem que envolver as leis 7990 e 8001, principalmente esta que alterou aquela. E não restringiu nada. Ao contrário. Ampliou a participação dos Estados e Municípios localizados em áreas produtoras logicamente na produção.

Se o governador Sérgio Cabral houvesse lido o artigo 3º da lei 8001 encontraria o seguinte texto em pleno vigor: “O pagamento das compensações financeiras previstas nesta lei, inclusive o da indenização pela exploração do petróleo, do xisto betuminoso e do gás natural será efetuado mensalmente diretamente aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios até o último dia útil do segundo mês subsequente ao do fator devidamente corrigido pela variação do bônus do Tesouro Nacional, ou outro parâmetro de correção monetária que venha a substituí-lo, vedada a aplicação dos recursos em pagamento de dívida e no quadro permanente de pessoal”.
Mantém, portanto, com exatidão o artigo 27 da lei 7990, cujo texto é o seguinte – a sociedade e suas subsidiárias ficam obrigadas a pagar compensação financeira aos Estados, DF e Municípios correspondentes a 5 por cento sobre o valor do óleo bruto, do xisto betuminoso e do gás extraído de seus respectivos territórios, onde se fixar a lavra do petróleo ou se localizarem instalações marítimas ou terrestres de embarque ou desembarque do óleo bruto ou de gás natural, operados pela Petrobras obedecidos os seguintes critérios.

São eles: 70 por cento aos estados produtores; 20 por cento aos municípios produtores; 10 por cento aos municípios onde se localizarem instalações marítimas ou terrestres de embarque ou desembarque de óleo bruto e/ou gás natural.

Qual a dúvida existente? Nenhuma, absolutamente nenhuma. Para emendar a divisão do petróleo, do xisto ou do gás depois do pré-sal, aí sim, haveria necessidade de emendar o artigo 20 da atual Constituição. Para mudar o atual sistema de distribuição não pode haver emenda alguma ao artigo 20, sobretudo porque geraria um efeito retroativo, o que é impossível. A legislação não retroage para restringir.

Como se está verificando está se travando um debate sobre o amanhã, não envolve Copa do Mundo, tampouco Olimpíadas, nem mesmo redução de recursos ao Estado do Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral chorou sobre o nada. Emocionou-se à toa. Não havia necessidade alguma disso. Bastaria ter consultado o secretário de Fazenda, Joaquim Ferreira Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional.

O governador poderia ignorar o tema. Complexo demais para ele. Mas não para Joaquim Ferreira Levi. Não havia necessidade de lágrimas, muito menos de passeata contra o governo Lula que, afinal, de contas é o autor do projeto do pré-sal. Mas nada tem com a emenda Ibsen Pinheiro. Esta ele pode apenas vetar depois do Senado. Nada mais, nada menos do que isso.

Cuidado com o dr. Silvana

Carlos Chagas

Informamos, tempos atrás,  haver sido visto em Brasília o maior inimigo da Humanidade, o dr. Silvana, de quem os mais velhos  se lembrarão.  Cientista  louco, seu  objetivo era   destruir a civilização no planeta, até que foi derrotado pelo  Capitão Marvel, infelizmente hoje recolhido ao asilo de super-heróis tuberculosos.

Foi no governo Fernando Henrique que se soube da presença do solerte criminoso, flagrado  no meio do túnel subterrâneo e secreto que ligava o palácio do Planalto ao ministério da Fazenda. Quando fugiu, levava uma lista que deixou cair no chão,  com o nome de mais  instituições e empresas a ser privatizadas, encabeçadas pelo Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.  O episódio foi abafado,  mas as forças armadas ficaram sabendo e, por sugestão delas, não se falou mais em privatizações.

Rumores surgiram sobre  nova aparição do satânico individuo   em São Paulo,  quando da quarta campanha do Lula à presidência da República, em 2002. Corre que tinha  a letra do  dr. Silvana o primeiro rascunho da Carta aos Brasileiros, aquela que marcou a adesão do  novo governo ao neoliberalismo.

Pois bem, o maléfico personagem parece estar de volta, de novo na capital federal. Foi visto semana passada embarcando no aerolula, integrante da comitiva presidencial que viajou para o Oriente Médio. Só que estava disfarçado, de terno e gravata, sem o avental branco dos cientistas, até com óculos de aro de tartaruga,  pequena barbicha e barriga imensa, certamente produto de alguns travesseiros escondidos debaixo do paletó.

Por que se  desconfiou  de que era o dr. Silvana e não o assessor especial de política externa, Marco Aurélio Garcia?  Primeiro porque partira dele a sugestão para o presidente Lula visitar aquela região explosiva,  ainda mais com a pretensão  de estabelecer a paz e a concórdia entre Israel, a Palestina, o Irã e adjacências.  Coisa que nem Jeová, Alá e o Padre Eterno haviam conseguido, só o dr. Silvana para criar confusão ainda maior.

Em Jerusalém, quando o ministro de Relações Exteriores de Israel  pediu um encontro reservado com o Lula, antes da visita ao parlamento israelense, foi o assessor especial que omitiu o pedido. Deixou de informar o presidente e,  mais,  respondeu em termos deselegantes   ao chanceler anfitrião, cuja reação foi não comparecer à sessão do legislativo local em homenagem ao  Lula, faltando, também, ao encontro com o primeiro-ministro e ao jantar de gala.

Não ficou nisso o desagregador personagem. Através de asseclas incrustados no governo de Israel, sugeriu ao primeiro-ministro que comparasse Maradona a Pelé, suprema ofensa ao patriotismo do nosso presidente. Mais ainda:  teria convencido o presidente israelense de que o Lula era conhecedor e  admirador incondicional da vida de  Julio César, informação que levou Shimon Peres  a,  de viva-voz,  comparar o primeiro-companheiro ao grande romano, sem ou com ironia.

Também do assessor internacional  partiu o conselho para o presidente Lula cancelar a ida ao túmulo do fundador do sionismo, quando estimulou o chefe a comparecer, um dia depois, ao mausoléu do criador da luta armada dos palestinos contra os israelenses.

A relação de  trapalhadas não  teria fim, registrando-se apenas a última: quem fez a cabeça do Lula  para declarar, ainda no Oriente Médio, que o acirramento do conflito entre Estrados Unidos e Israel era uma “chance mágica” para a promoção da paz? Quer dizer, a luz é produto da escuridão?

Em suma, a imagem que o Brasil ia construindo em política externa seguiu atrás da vaca. Foi para o brejo.  Há quem rememore, agora, outras trapalhadas por certo  geridas pelo dr. Silvana: ficamos do lado errado em Honduras? Precisávamos aderir tanto assim a Hugo Chaves? Era necessário  comparar os dissidentes cubanos a bandidos? Por que cedemos às grosserias dos presidentes da Bolívia, do Equador  e do Paraguai?

Em maio está prevista viagem do presidente Lula ao Irã. Quem programou não só a visita, mas   deve estar meditando nas  lambanças que dela  deverão decorrer?  Cuidado com o dr. Silvana.

O olímpico João Havelange e os três patetas pretensiosos: Cabral, Paes e Artur Nuzman

O Globo distribui todo ano, o que chama de “Prêmio Faz Diferença”. Premiar é sempre uma obrigação e um prazer, principalmente tendo como personagem do ano, um homem como João Havelange.

Quando o Rio foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016, Cabral, Nuzman e Eduardo Paes, tentaram “vender” à opinião pública, a ideia de que foram os grandes vencedores da conquista.

Desmascarei os três, mostrei que o presidente de Honra da Fifa (e 24 anos presidente) foi o artífice de tudo. Agora O Globo faz justiça, SILENCIA para sempre os três enganadores.

Ibsen Pinheiro: a quem estaria ou está servindo?

Inesperadamente sai da obscuridade rotineira, apresenta a emenda mais absurda e desavisada, obriga até o senador Romero Jucá a falar em “secessão”. (Que naturalmente acredita que é sucessão).

Lula alarmado, Cabral
desesperado com a eleição

Conforme temos dito, não há UMA POSSIBILIDADE EM 1 MILHÃO DO ESTADO DO RIO PERDER 7 BILHÕES DE ROYALTIES. Ibsen, (servindo a quem?) e seu projeto, tratam do pré-sal, que não tem nada a ver com royalties atuais do petróleo.

E Gabeira, não é mais
candidato a governador?

Desistiu? Pelo menos é o que parece, não apareceu, por um segundo que fosse.

Agora, cabralzinho já se fixa ao lado de Lula. Não está chorando pelos royalties, mas pela possível perda da eleição. Dizem que Deus é brasileiro, em outubro ELE não poderia se “naturalizar” carioca?

Lacerda, Jango, Roberto Campos e 1964

Miguel Freitas:

“Uma das cenas mais patéticas que já vi em fotos, foi a de Carlos Lacerda, andando pelas ruas e aplaudindo a revolução de 1964. Isso dá uma idéia da sua trajetória jornalística”.

Comentário de Helio Fernandes:
Respeito integralmente teu direito de não concordar ou até de discordar. Mas é preciso contar a história corretamente. Em 1963, depois do plebiscito de 6 de janeiro, (financiado por banqueiros, seguradoras e outros grupos), Jango mandou mensagem ao Congresso, pedindo o “estado de sítio”, sem qualquer base ou explicação.

Objetivo: intervenção no Estado da Guanabara, RETIRADA DE LACERDA DO GOVERNO, fechamento da Tribuna da Imprensa, que já pertencia a este repórter, muitos acreditavam que ainda fosse de Lacerda.

Para terminar, duas perguntinhas que ficaram sem resposta. 1 – Por que João Goulart, que se dizia nacionalista e independente, nomeou Roberto Campos embaixador do Brasil nos EUA? Derrubado Jango, Roberto Campos veio imediatamente ser o grande representante dos trustes (como se chamavam na época) no Brasil.

2 – Por que este repórter foi preso nesse mesmo 1963 (24 de julho), por ter publicado uma circular “SIGILOSA E CONFIDENCIAL” do ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro? Eu era, como antes, como depois e até hoje, o mais assíduo combatente desses LADRÕES internacionais. Jamais transigi ou me entreguei.

É bom  debater e combater, não cerceio nem censuro ninguém, mas fatos são fatos, deve ser respeitados. Lacerda não tinha a mesma posição, depois passou a ter, ainda estava na hora.

Lembranças de Lacerda, o jornalista, o político e o governador. Diferença para hoje: não roubava nem deixava roubar

Luiz Geraldo dos Santos:
“Gostaria que você escrevesse sobre o Carlos Lacerda governador. O político e o jornalista são conhecidos. Falta esclarecer o seu governo. Opinião valiosa a sua, para esclarecimento geral, principalmente dos que estão chegando agora.”

Comentário de Helio Fernandes:
Muita gente vem me pedindo o mesmo, há muito tempo. Não quero que este blog seja puramente histórico, embora sempre tenha o cuidado de ligar ou entrelaçar fatos do passado com o que acontece no presente.

É preciso ficar atento ao que acontece no dia a dia, importantíssimo, principalmente num ano de eleição. Faltando menos de 15 dias para a DESINCOMPATIBILIZAÇÃO, ponto de partida para quase tudo.

Carlos Lacerda jamais pensou em ser governador. Sua determinação e disposição, a partir de algum momento, era a Presidência da República. Tendo nascido em 1914, no Distrito Federal, que não elegia governador (os cargos principais, Prefeito e Chefe de Polícia, nomeados pelo presidente), obrigado a “pensar mais alto”, assumia essa responsabilidade. Até com satisfação.

Pedro Ernesto foi o primeiro prefeito eleito pelo Distrito Federal em abril de 1935, mas já era prefeito-interventor desde 1931, quando fez a revolucionária nomeação de Anísio Teixeira para secretário de Educação, realmente fascinante. Lacerda tinha 22 anos, ainda não era o que ele mesmo se considerou: “Um intelectual cooptado pela política”.

Mas já esteve preso, freqüentava a Faculdade de Direito, no primeiro ano. Muito perseguido, só se sentia em liberdade plena na casa do avô, Sebastião Lacerda, ministro do Supremo. A polícia não chegava perto, tinha Poder mas também tinha medo. Morava na cidade de Comercio, hoje Sebastião Lacerda, em Vassouras.

Jornalista implacável e irrefutável, em 1945, (depois da entrevista com José Américo, já citada aqui no blog), participou diariamente da campanha para a eleição de 2 de dezembro de 1945, uma das grandes farsas da História brasileira. 33 dias depois da derrubada do nazista e fascista Estado Novo, todos, mas todos mesmo, voltavam ao Poder.

Retrocesso histórico, político, eleitoral e partidário, teve a mesma “importância negativa” do golpe de 1930. Até hoje o país não se livrou de 1930 e 1945, prolongamento evidente, ditatorial e continuação de tudo o que viria.

Nesse 1945, Lacerda escrevia diariamente sobre o candidato a presidente da República pelo Partido Comunista, Yedo Fiuza. O partido estava na legalidade, elegeu 15 deputados, (um deles Jorge Amado) e um senador pelo Distrito Federal, o próprio Prestes, que também foi eleito deputado.

Na campanha, o título geral das matérias era “O comunista Rato Fiuza”. Era comunista mas não desonesto. Lacerda já tinha tanta repercussão, que o candidato comunista teve 9 por cento dos votos, inacreditável, mas atribuído à campanha “contra” de Lacerda, que se transformou em a “favor”. Sempre achei que Lacerda sabia disso.

Lacerda se transformou em nome nacional, na Constitutinte de 1946, passou a fazer uma página inteira (a segunda) no Correio da Manhã, com o título “Da tribuna da imprensa”. Dessa tribuna do Palácio Tiradentes, escrevia sobre os mais variados assuntos, “até mesmo o que acontecia no plenário”.

Oprimido e restrito pelo fato de viver no Distrito Federal, em 19 de janeiro de 1947 foi eleito vereador. Eram 50 vereadores, a melhor Câmara Municipal que já existiu. Nomes extraordinários de todos os partidos, personalidades nacionais e internacionais, como Pascoal Carlos Magno, embaixador na Grécia, que se elegeu sem estar no Brasil. O que já acontecera em 1919 com Epitacio Pessoa, presidente da República sem sair de Paris. Em 11 de novembro de 1918, assinara pelo Brasil a “rendição incondicional da Alemanha”, representação que Rui Barbosa, derrotado em 1918 e que sabia que teria que haver nova eleição a seguir, recusou. Quem foi eleito? Epitacio Pessoa, no cargo que ele não quis.

Essa importantíssima Câmara Municipal, tinha 18 representantes do Partido Comunista, 12 da UDN, 11 do PTB. Os outros 9 eram de partidos diversos, sendo que o PSD, o maior partido nacional, elegeu apenas 2. O Rio, qualquer que fosse a denominação, era o máximo da oposição.

Em 1948 o Partido Comunista foi colocado na ilegalidade, cassados os 18 vereadores, Lacerda renunciou imediatamente. Não chorava o fim dos comunistas, mas sim a perda dos grandes debates diários. Assisti a muitos, memoráveis.

Não posso deixar de fazer a revelação, poucos sabem ou se lembram. Na Câmara Municipal de São Paulo, renunciou o vereador Franco Montoro, do PDC. Assumiu o primeiro suplente do partido, Janio da Silva Quadros. Que em apenas 12 anos, sem perder eleição, chegaria a presidente da República. (Só perderia depois da farsa da renúncia).

Lacerda se elegeu deputado federal, fez uma trajetória tumultuada, agressiva e agredido (até fisicamente), mas sem perspectiva de poder. No Parlamento foi um sucesso, era a atração diária, naturalmente atacando e sendo atacado. Em 1954 era o grande parlamentar, mas sem futuro, apesar da enorme vontade de chegar a presidente.

Quase no final de 1954, ainda governador de Minas, mas já praticamente candidato a presidente, Juscelino me convidou para assessor de imprensa de sua campanha, foi logo me dizendo: “Helio, falei com o Horacinho (Horacio de Carvalho, proprietário do Diário Carioca, cuja redação dirigi) que ia te convidar, mas quero dizer logo, não existe dinheiro nem para café”.

Era um profissional altamente requisitado, mas a oportunidade de passar um ano percorrendo o Brasil todo, conhecendo o que Tancredo Neves mais tarde, chamaria de “grotões e igarapés”, era irrespondível, aceitei na hora.

(Maravilhosa experiência, inesperadamente “recompensada” em 8 de dezembro de 1955, quando Juscelino fez uma viagem pelo mundo como “presidente eleito e ainda não empossado”, com mais 4 pessoas. E um único convidado, este repórter. Essa então, viagem que nenhum dinheiro pode pagar, fomos recebidos por presidentes (começando pelos EUA), reis, rainhas, primeiros-ministros, e até ditadores, como Franco e Salazar).

Apesar de nenhuma obrigação, comuniquei o fato a Carlos Lacerda. Ouviu, se levantou, respondeu até com veemência, “você não pode aceitar”. Imediatamente: “Já aceitei, considero que essa é uma rara ou talvez última oportunidade de evitarmos uma guerra civil”. Lamentou, éramos amigos, mas de lado a lado, nunca fomos incondicionais. (Eu faria 33 anos, ele havia feito 42).

Juscelino foi eleito, anunciou a mudança da capital, rompi logo com ele, fazia um programa de televisão, (1956, TV Rio, a Globo surgiria apenas em 1965), depois de algumas semanas fui proibido. Inclua-se o Millor, que fazia um programa obviamente excelente, e o próprio Carlos Lacerda. Mas este, surpreendentemente beneficiado pela eleição de Juscelino.

Em 21 de abril de 1960 a capital foi transferida, criou-se então o Estado da Guanabara. Marcada a eleição para 5 de novembro do mesmo 1960 e a posse do governador em 5 de dezembro. O novo Estado ficou com um governador provisório, Sette Câmara, no mesmo dia promovido por Juscelino a embaixador.

Houve uma tremenda guerra eleitoral. Ainda não existia segundo turno nem o absurdo domicilio eleitoral. Este domicilio eleitoral é típico e obrigatório dos regimes com VOTO DISTRITAL, avanço que o Brasil terá que adotar um dia. Como eu já disse, aqui era o centro da oposição, então a luta foi entre Lacerda, os comunistas e Tenório Cavalcanti, o famoso deputado do Estado do Rio, que disputou pela Guanabara.

Resultado impressionante, arredondando. Carlos Lacerda, vencedor, 29 por cento dos votos. Sergio Magalhães, Partido Comunista, (belíssima figura), 28 por cento. Tenório, 16 por cento. Mendes de Moraes, o prefeito mais acusado de irregularidades, principalmente na construção do Maracanã, 9 por cento.

(Se houvesse segundo turno, Lacerda não ganharia, todos se juntariam contra ele, era a ordem natural das suas batalhas). Foi a grande sorte da Guanabara e do próprio Lacerda, que teve a oportunidade de se afirmar e reafirmar, agora num setor diferente.

Não tinha a menor experiência administrativa, mas o que o ajudaria para o notável governo que fez: NÃO ROUBAVA, NINGUÉM PODIA ROUBAR, NEM SE ATREVERIAM.

***

PS – A honestidade de quem recebe dinheiros públicos, não deve ser examinada apenas por ÉTICA OU MORAL, e sim pela PRESERVAÇÃO OU AUMENTO dos investimentos. Ser honesto é uma obrigação. Mas um governador desonesto, desvia os recursos do próprio cidadão-contribuinte-eleitor.

PS 2 – Vou fazer apenas uma referência explicativa do que estou dizendo. Se o administrador, (no caso de governadores, o que nos interessa) tem digamos um número qualquer, 10 milhões, para fazer uma obra, e gasta 30 milhões indevidamente, além de desonesto, ele podia pelo menos construir três obras iguais.

Amanhã: O que fez Lacerda
como governador, sem a menor
experiência administrativa

O aprendiz de feiticeiro

Carlos Chagas

Ao deixar o Oriente Médio, em entrevista coletiva, o presidente Lula conseguiu confundir ainda mais a visão internacional sobre a política externa brasileira. Declarou vislumbrar uma  “chance mágica” para a paz,  no atual desencontro entre os Estados Unidos e Israel, aliás, o pior desde  a criação do estado judaico.

Os Estados Unidos tem sido o alicerce de  Israel, mas não aceitaram a construção de mais centenas de casas israelenses em território tomado dos palestinos, em Jerusalém. Trata-se, para os americanos, da negação dos propósitos de convivência pacífica naquela região conturbada. Por isso apelaram para a retirada imediata dos colonos judeus daquela  área.  Tanto o primeiro-ministro quanto o presidente de Israel deram de ombros. Jamais recuarão, disseram.

Não parece a transformação do  limão em limonada, mas o contrário: o Lula pretende fazer da limonada um limão.  Porque a paz parece mais longe ainda, agora que os palestinos começaram a reagir com as armas de que dispõem, ou seja, paus e pedras. Disporá  o presidente  de alguma varinha de condão para promover  a mágica? Deveria pedir a algum auxiliar para exibir no cineminha do Alvorada aquela obra-prima de Walt Disney, “O Aprendiz de Feiticeiro”. Melhor teria feito caso não viajasse. E não falasse.

Tucanos taxiando

A recente pesquisa do Ibope-CNI teve o dom de satisfazer o PT e o PSDB a um só tempo. Os companheiros, pelo crescimento dos percentuais de Dilma Rousseff, agora a cinco pontos de José Serra. E os tucanos por conta da conclusão de que, se as eleições fossem hoje, o governador paulista estaria eleito, dadas as projeções para o segundo turno: 44 a 39. Mesmo reconhecendo a rápida ascensão da candidata nas preferências populares, o PSDB sustenta que Serra ainda lidera a disputa sem fazer campanha, ao contrário da adversária. Dizem seus líderes que quando lançar-se formalmente, dia 10 de abril, os números  tenderão a crescer. Estabilizados, porém, já bastam para a vitória.

O singular nessa pesquisa refere-se à candidatura de Ciro Gomes.  Sem ele, Serra e Dilma sobem três pontos cada um. São seis. Como o ex-ministro e ex-governador do Ceará recebeu onze pontos, com seu nome na lista, indaga-se onde foram parar os outros cinco…

Adeus ficha limpa

Nem agora, nem nunca. O diagnóstico é para a possibilidade de aprovação do projeto de lei que estabelece a necessidade de os candidatos a postos eletivos, para poder disputar as eleições,  não terem sido condenados pela Justiça. Nem na primeira, nem na segunda, nem em qualquer instância a Câmara e o Senado aprovarão essa exigência.

Pelo menos um terço dos deputados e outro tanto dos senadores já foram condenados. Muitos em processos de natureza política, engendrados por seus adversários para prejudicá-los. Muitos, também, por haverem cometido crimes. Quanto aos outros dois terços, é aquela história: “até agora não fui, mas poderei ser…”

Meirelles candidato?

Corre em Brasília ter sido  por razões político-eleitorais que o presidente do Banco Central,  Henrique Meirelles, não deixou o Copom aumentar os juros. A tendência era pelo aumento, mas como ficaria  se, dia 2 de abril, deixasse o cargo para disputar eleições? Em Goiás ou no plano federal, seus adversários não perderiam a oportunidade de registrar o aumento dos juros como sua última iniciativa à frente do Banco Central. Talvez até calculassem  a elevação do percentual  em milhões ou bilhões de reais, para mostrar o prejuízo. Sendo assim, Meirelles preferiu deixar o desgaste para o substituto, que não será candidato a nada.

Quanto a saber para onde se voltariam os interesses do banqueiro, permanece a dúvida. Senador pelo seu estado? Deputado federal? Ou companheiro de chapa de Dilma Rousseff?

Belíssimo PROTESTO de 150 mil contra Cabral

É sempre bom, agradável, admirável e empolgante, assistir as manifestações de rua de revolta e protesto. Valeu e valerá sempre, “a voz do povo é a voz das ruas”.

Apesar de nada ter se perdido, aquelas 150 mil pessoas mostravam seu interesse, sua participação, indignadas com a omissão do governo.

Durante meses esse projeto transitou ou tramitou na Câmara, o governador não soube de nada, se escondeu, não mobilizou, não convocou, não coordenou. Foi ótima a passeata, o governador tentou “capitalizá-la”, não conseguiu.

Mas fiquem certos. Não existe UMA POSSIBILIDADE EM UM MILHÃO de modificarem a Constituição e ROUBAREM os royalties que estados e municípios recebem, MUITO JUSTAMENTE. O que se discute é o royaltie do pré-sal, o povão tem que ficar atento, mas é outra história.

Foi tão forte a repercussão, que José Serra, sobre o assunto, dizia apenas, “ouvi falar”. Mudou de tom, protestou e acrescentou: “O Estado do Rio e o Espírito Santo não podem ficar sem os royalties do petróleo”. Ha!Ha!Ha!

***

PS – Serginho cabralzinho filhinho “chorou” em vão. Sem nenhuma lágrima, preocupado, bastava perguntar ao secretário da Fazenda dele mesmo, Joaquim Levy, que tendo sido secretário do Tesouro Nacional, conhece o assunto com mais profundidade do que de onde irão retirar o pré-sal, “discutido e faturado”, muito antes de existir.

PS2 – Esses 150 mil da passeata de ontem, são representantes legítimos dos 15 milhões de habitantes do Estado do Rio e do Rio propriamente dito. Então, devem ficar atentos para a eleição de 3  de outubro. Que a REPRESENTATIVIDADE dos que participaram, seja projetada e autenticada pela REPRESENTATIVIDADE que sairá das urnas.

Tribuna, Vargas, ataques em 1954, fechada por “populares”

José Joaquim:
”Gostaria que você explicasse por que, na morte do grande presidente Vargas, a Tribuna foi fechada por populares”

Comentário de Helio Fernandes:
Tudo errado, José Joaquim, lógico que você não quer se informar e sim intrigar, tentar jogar um passado que não é meu, (esse de 1949 a 1962, portanto atravessando 1954) com o passado-presente, esse sim, a partir de 1962, todo meu, do qual sou autor e personagem, escrevi o roteiro, dirigi e escrevi diariamente, artigo e coluna.

Sem pretensão, modéstia ou imodéstia, mas com total satisfação, posso dizer: muitos por aí até fariam melhor do que eu, no “continente e no conteúdo”, como gosta de dizer Helio Jaguaribe. Mas não escreveram por mais de 50 anos, certo ou errado, não importa, mas sem faltar um dia que fosse.

Com as possíveis faltas, “justificadas” pelos ditadores de plantão, que me retiravam de circulação, assinavam “meu relógio de ponto”, sempre em locais incertos e não sabidos, muitas vezes desconhecidos até para minha própria família.

Agora, José Joaquim, fatos, fatos, nada mais do que fatos. E numerados, para que fiquem bem claros, elucidativos e fáceis de serem entendidos.

1 – Carlos Lacerda lançou a Tribuna em 27 de dezembro de 1949, sozinho, sem qualquer participação deste repórter. Mocíssimo, era da revista “O Cruzeiro”, a maior publicação (semanal) impressa da História brasileira. (Que atingia recordes de vendas por vários motivos, mas o maior deles quando o Millor lançou aquelas duas páginas centrais da revista, com o título de “Pif-Paf”. Revolução jornalística e histórica).

2 – Quando a Tribuna começou a circular, Getúlio Vargas jamais havia sido presidente, foi apenas e durante 15 anos, ditador, disfarçado mas violento até 1934, e “ditadorzíssimo” de 10 de novembro de 1937, quando se desmascarou, vestiu a roupagem declarada de fascista impondo o que chamou de “Estado Novo”. (E o que o famoso Barão de Itararé, definiu como “o estado a que chegamos”. Mais ou tão arbitrário, autoritário e atrabiliário quanto os generais de 1964).

3 – Carlos Lacerda, em 1943, (portanto, antes da Tribuna existir) acabou coma censura à imprensa, com a famosíssima entrevista de José Américo publicada no Correio da Manhã. José Américo, insuspeito, em 1937, quando se cogitava da eleição de 1938, foi lançado como candidato a presidente, “apoiado por Vargas”.

4 – O candidato dito de oposição, Armando Sales de Oliveira, (cunhado do doutor Julio Mesquita, proprietário do jornal “Estado de S. Paulo”) compunha o que se chamava de “sucessão de Vargas”. Tudo farsa e mistificação, que seria levado pelas águas sujas da ditadura declarada do “Estado Novo”.

5 – Ainda em 1942/43, Vargas mostrou toda a sua formação fascista, era tido e havido como “germanófilo”, expressão popular da época. (Popular e verdadeira). Custou a se definir pelos “aliados”, se “envergava ou oscilava” abertamente pelo outro lado, que era conhecido como “nazi-nipo-fascista”. (Alemanha, Japão e Itália). Não optou por esse lado, não conseguiu vencer a resistência do grande Osvaldo Aranha, esse sim, extraordinário personagem.

6 – Mais tarde, os alemães atacaram e destruíram navios brasileiros (o primeiro foi o “Baependy”. Aí o ditador teve que aceitar a situação, declarou guerra. Repetindo: se não fosse Osvaldo Aranha, (nada a ver com Carlos Lacerda, eram de gerações diferentes), o Brasil teria perdido a guerra, como perderam a Alemanha, Itália e Japão. Catástrofe e tragédia irrecuperáveis.

7 – Conheci Carlos Lacerda na “bancada da imprensa” do Palácio Tiradentes, durante a Constituinte de 1946. Apaixonado por política, (principalmente o estudo e análise dela), e com admiração por oradores, me credenciei muito antes.

Como a revista era semanal e a Constituinte, diária, escrevi várias reportagens, apenas uma assinada com meu nome. Foi o primeiro trabalho importante, fora da redação. Durou 7 meses e 18 dias, (de 1º de fevereiro de 1946 até 18 de setembro, com a promulgação) experiência notável.

8 – Terminada a Constituinte, surgia a Constituição de 1946, (que seria assassinada antes da maioridade), viajei para a Europa, minha primeira viagem fora do continente. Não tive tempo de aprofundar o relacionamento com Lacerda e Juscelino, (este, deputado sem a menor vocação parlamentar), o que aconteceria mais tarde, com os dois.

9 – Essa Constituinte surgia com a deposição do ditador, que durante alguns dias fez “papéis vergonhosos”, não queria deixar o Poder. Cooptou até Luiz Carlos Prestes, que lançou a “Constituinte com Vargas”, tentativa de se manter. No dia 28 de outubro de 1945, à noite, afirmou: “Só morto sairei do Catete”.

10 – Era era apenas uma última encenação. No dia 29, espantoso: às 9 horas da manhã, seu irmão Beijo Vargas tomava posse como chefe de Polícia, um dos cargos mais importantes. (Beijo Vargas era praticamente um mafioso, vivia em boates, bêbado, dava tiros para o alto, assustava a todos, devia estar preso em vez de chefiar a Polícia).

11 – Durou pouco: às 5 e 10 da tarde, Vargas era afastado com a derrubada da ditadura, saiu bem vivo, ao lado do cardeal. (Era a moda na época, Washington Luiz, presidente eleito, faltando 1 mês para completar o mandato, deposto pelo próprio Vargas, deixava o Catete “escoltado” pelo grande cardeal Arcoverde).

12 – O fim da ditadura foi uma farsa. Vargas e todos os seus áulicos se candidataram à vontade, não houve cassação ou inelegibilidade. Foram eleitos sem problemas, e de acordo com a legislação da época, qualquer cidadão podia se candidatar a deputado por 7 estados e a senador por 1. Depois de 15 anos e 5 dias como ditador, esperavam o quê? Não se elegesse?

13 – O marechal Dutra, durante 8 anos ministro da Guerra da ditadura (era sempre “o Condestável do Estado Novo”), foi feito “presidente” (Ha!Ha!Ha!). Logo depois, voltava o próprio Vargas, eleito pela primeira vez na vida. (Em 1930 disputou com Julio Prestes, nenhum parentesco com o próprio, perdeu, claro).

14 – Eleito em 1950, quase não tomava posse, por causa da oposição militar e civil.(Esta, a partir daí, liderada por Carlos Lacerda). Para tomar posse, Vargas teve que chamar para ministro da Guerra, o general Estilac Leal, que era presidente do importantíssimo Clube Militar. Vargas não sabia governar com oposição e Congresso aberto, foi uma catástrofe para ele mesmo.

15 – Vargas “tramou” a própria desgraça, a oposição não era apenas de Carlos Lacerda. Em 1952, foi publicado um documento, chamado de “Manifesto dos coronéis”. Assinado por 69 deles, o primeiro era Amaury Kruel. (Como sempre, Castelo Branco não assinou). O que pretendiam? A demissão do ministro, João Goulart. O presidente mandou prender a todos? Não, preferiu demitir o ministro, que também concordou, disse: “Não faz mal, presidente, temos o Poder”.

16 – Em 1953 e 54, tormento completo, desmandos do governo, oposição cada vez mais violenta, logicamente de Carlos Lacerda, que era um panfletário (isso não é depreciativo) nato, insubstituível para a oposição, insuportável para quem estava no Poder.

17 – Ninguém precisava ser um gênio para perceber que o Brasil fazia história, caminhava para o que se chamou de “desenlace”. A violência dos “varguistas” e a represália dos “lacerdistas” (ou vice-versa), impressionante.

18 – Não sei como é que o país chegou a agosto de 1954. Até lá, não existiam “populares”, José Joaquim, era uma luta entre os que queriam o Poder e os que pretendiam manter o Poder, como sempre d-i-t-a-t-o-r-i-a-l-m-e-n-t-e.

19 – A Cinelândia sempre foi o ponto mais entusiasticamente politizado do Rio. Era totalmente lacerdista. Depois do 5 de agosto, do atentado irresponsável e incompetente dos “varguistas”, o povão queimava os carros do PTB, e dava “vivas” a Lacerda.

20 – Depois do suicídio de Vargas, o mesmo povão passou a queimar os carros da UDN, e dava vivas a Vargas, que teve enterro inesperado e majestoso.

21 – Duas coisas que escrevi na época, e vou relembrar. Se tivessem assassinado Carlos Lacerda, haveria tumulto imediato, logo esqueceriam, ele tinha inimigos demais. Mas assassinaram um oficial da Aeronáutica, jovem, com família, mulher e filhos, isso tem que provocar tumulto, foi o que aconteceu.

22 – Não retiro uma linha do que escrevi sobre Vargas, no dia 25, era sentimento puro e inviolável. “Foi um ato, a ação e o gesto mais genial de toda a História do Brasil. Apenas com um tiro, Vargas derrubou toda a oposição. Nenhum heroísmo, estratégia surpreendente, porque só existia um componente, um valor, um resultado ou constatação: A PERDA DA PRÓPRIA VIDA. Essa é a renúncia que não precisa de interpretação”.

23 – Se Jânio Quadros tivesse se SUICIDADO no mesmo agosto, só que 7 anos depois, teria entrado na História. Mas sua renúncia era uma farsa, uma fraude, uma provocação que não deu certo.

24 – Finalizando para você pensar e estudar, José Joaquim. A Cinelândia fica perto da Tribuna, “varguistas” tentaram chegar lá, apenas isso. Vargas não foi um GRANDE PRESIDENTE, praticamente foi a vida toda mais ditador do que outra coisa.

***

PS – Em relação a Lacerda, podem defini-lo como bem entenderem. Em 1952/53, quando era diretor da revista Manchete, fiz reportagem, intitulada “Os generais da Imprensa”. Analisava os donos de jornais, perfiz rápidos mas isentos. No de Lacerda, escrevi: “Em 1933, com 20 anos, pertencia à Juventude Comunista”.

PS2 – Mandou carta enorme negando o fato, afirmou que tinha amigos no que era chamado de “Socorro Vermelho”, mas jamais se filiou a qualquer coisa do “Partido”. Publiquei, claro, está nos anais.

PS3 – Qualquer que seja a interpretação, foi o maior parlamentar que conheci. Embora o discurso mais brilhante e até empolgante, foi o do então deputado Afonso Arinos de Mello Franco. Noite memorável no Palácio Tiradentes, pouco antes do suicídio de Vargas.

PS4 – Em matéria de prisão, os melhores companheiros foram Lacerda e Mario Lago. Este, irresistível.

Três derrotas de Lula, todas no exterior, contundentes

O forte do presidente, sem dúvida alguma, tem sido a participação nas mais diversas viagens. Recebido por presidentes, reis, rainhas, primeiros-ministros, foi chamado por Obama, de “o cara”.

Ficou arrogante, mais pretensioso do que o normal, considerou que o presidente dos EUA falava sério. Aí não parou mais de discursar, se meteu em tudo sem prudência, recato ou constrangimento.

Por isso, nas três últimas oportunidades, críticas dos mais diversos países. 1 – Apoio incondicional ao ditador do Irã. Como a repercussão foi enorme, explicou, abusando da audácia: “Eu só dei conselhos a ele”.

2 – Foi a Cuba, nenhum absurdo. Mas incoerente, inconsistente e incongruente, que palavra, chamou os oposicionistas que faziam greve de fome de “BANDIDOS”. Normalmente, afirmação inteiramente condenável, principalmente para um homem que foi líder sindical, que liderou várias greves. Não chegou à de fome por desnecessidade ou falta de coragem?

3 – Agora, o mais tenebroso e pernicioso fracasso ao tentar “a paz entre Israel e Palestina”. Desde 1948, com um brasileiro na Secretaria Geral da ONU, o conflito se aprofundou. E 62 anos passados, a crise aumenta seguidamente. Lula foi criticado por todos, até mesmo pelos que o elogiavam. A crise do Oriente Médio, só será resolvida, decidida, terminada, quando se criar o Estado da Palestina, de acordo com a Resolução de 1948.

(O povo de Israel e da Palestina, quer a paz, viver sem medo, desassombradamente. Os políticos não querem, iriam desaparecer).

Lula está em queda vertical no exterior. E além de não pacificar judeus e palestinos, tumultua a pretendida ou admitida eleição para secretário geral da ONU. O que parecia certo, não parece mais.

Credibilidade e transferência

Está muito bem, segundo pesquisas que não ganham eleições, mas servem como ponto de referência. Lula apresenta 83 por cento de popularidade. Não vamos discutir. Mas tudo que têm colocado na conta eleitoral de Dona Dilma, já vem do espólio ou da herança de Lula.

Pequisa de grandes institutos, nos EUA

1960: Nixon, ex-senador e 8 anos vice-presidente de Eisenhower, aparecia como franco favorito. Perdeu para o senador John Kennedy.

1968: Novamente candidato depois de 8 anos dos Democratas no Poder, Nixon não foi nem considerado ou cogitado, ganhou a eleição. (O editorial do New York Times, comentando essa vitória, histórico em matéria de lamento e amargura).

O ovo, a galinha e o pré-sal

Carlos Chagas

Só perdeu para o comício das “Diretas Já” a manifestação de ontem na Candelária, no Rio, contra o projeto  aprovado na Câmara sobre a nova política de royalties do petróleo. Conseguiu o governador Sérgio Cabral mobilizar a opinião pública fluminense para a luta contra um texto que, se aprovado no Senado, vai retirar mais de quatro bilhões de reais da receita do estado. Políticos, atores e  artistas viram-se envolvidos por massa considerável de cidadãos comuns, anônimos, sensibilizados pelo estrilo e pelas lamentações do governador.

Feito o registro, importa seguir adiante. Discute-se no Rio mais ou menos como se discutia em Cosntantinopla, no ano de 1453, sobre quem Deus havia criado primeiro, se o ovo ou a galinha. As discussões eram tão intensas que todo dia morria gente. Resultado: os turcos abriram brechas nas muralhas, entraram,  passaram a metade de seus habitantes pela espada e até hoje a cidade chama-se Istambul.

Fora o abuso que seria retirar dos chamados estados petrolíferos a parcela a que tem direito sobre o petróleo atualmente extraído, parece pantomima debater o lucro das reservas do pré-sal, que apenas em vinte anos poderá estar sendo explorado comercialmente. Quer dizer, aquela montanha de dinheiro idealizada pelos governos federal e estaduais permanece tão  intocada quanto a riqueza está submersa.  Até que o pré-sal dê lucro terão que ser gastos muitos bilhões para viabilizá-lo.

Por que, então, ficar gastando por conta? Pior ainda, criando um impasse federativo de sérias consequências? A responsabilidade vai toda para o presidente Lula. Ao governo federal interessa mudar o regime de concessões estabelecido pelo sociólogo, que favoreceu especificamente empresas estrangeiras. Com o pré-sal seria diferente, ou seja, volta a estatização.   A questão dos royalties bem que poderia ficar para depois.

Quando o marido não entra

José Maria Alckmin, conhecido pela sua verve, repetia sempre que em briga de marido e mulher, ninguém devia entrar. Muito menos o marido…

É mais ou menos o que acontece nessa guerra do pré-sal. O presidente Lula e dona Dilma não tinham nada que estimular o conflito constitucional entre os estados produtores e os não produtores  de petróleo. Até porque, o projeto aprovado na Câmara poderá demorar meses para ser votado no Senado. E como certamente sobrevirão modificações fundamentais, o texto retornará ao exame dos deputados. Dificilmente alguma solução neste primeiro semestre. Talvez nem no segundo.Um pouco de calma não faria mal a ninguém.

Boi de piranha

A ninguém será dado imaginar que José Roberto Arruda é um injustiçado e inocente governador devorado pela perseguição de seus adversários. Foi e continua sendo punido por haver chefiado perniciosa quadrilha de corruptos no Distrito Federal. Agora, parece que só ele deve carregar nos ombros os males do mundo. Até agora nem se fala de investigar e punir os corruptores, sem os quais não haveria corruptos. Traduzindo: e os empresários que super-faturavam obras e serviços, repassando dinheiro sujo para os políticos? Não tem um só sendo processado, muito menos posto na cadeia. Esperam todos o próximo governo para retomarem as mesmas práticas de sempre.

Lula quer melhor diálogo com a mídia

Pedro do Coutto

Reportagem de Valdo Cruz, publicada na Folha de São Paulo de 16 de março, revela que o presidente Lula deseja nomear um ministro capaz de abrir um canal (positivo) de diálogo com a mídia. Seria o substituto de Helio Costa nas Comunicações, que vai se afastar a 3 de abril para disputar o governo de Minas Gerais.

A preocupação causa surpresa, sem dúvida, já que Franklin Martins, filho do senador Mario Martins, vem desempenhando bem as funções e seus atos parecem bastante positivos em favor do presidente da República e do governo. Não se compreende, portanto a dúvida quanto à procura de um nome que está em pelo menos nove de uma lista de dez indicações.

Unanimidade não existe e como esta está fora de cogitações não se encontra solução melhor e mais adequada. Inclusive Helio Costa, cuja origem como repórter da Rede Globo é a mesma de Franklin Martins, é no fundo muito mais um ministro voltado para situações empresariais do que Franklin. A dúvida neste ponto aumenta. Será que Lula deseja o impossível? A unanimidade? Esta não existe, tampouco convém que exista porque simplesmente tiraria o governante fora da realidade. Como aqueles que passaram longo tempo no poder.

Fidel Castro está há mais de 50 anos mandando em Cuba. Stalin governou a URSS por 29 anos. Assumiu em 24 com a morte de Lenine, resistiu a maior invasão da história, faleceu de morte natural. Getúlio Vargas ficou 15 anos no Palácio. Voltou consagrado pelas urnas, teve um trágico desfecho em 54, no Palácio do Catete. Agora se existe um governante que é absolutamente produto da imprensa e levado ao poder por ela é exatamente Lula. Não compreendo portanto razões de tantas queixas. A unanimidade não lhe convém, como não convém a ninguém.

Nada pior do que ela. Sobretudo para todos os que exercem a menor parcela de poder que seja. O cidadão, sem o sentir, inicia um processo de deificação. E como isso é impossível, conduz o governante à maiores exigências e às vulnerabilidades dos falsos amigos que são eternos, como eternos são os seres humanos. Usam o endeusamento para obter cada vez mais vantagens pessoais, em detrimento dos interesses coletivos. Vejam o mensalão. Vejam os aloprados. Duas classificações dadas pelo próprio presidente da República. Agora o caso do Bancoop, através do qual “amigos” chegaram a vender ao próprio presidente um imóvel ainda não existente. Logo um triplex de frente para a praia, cujo pagamento talvez tenha sido facilitado por outro “amigo”.

Getulio Vargas, pouco antes de suicidar-se, teve talvez a maior decepção de sua vida. E tinha 72 anos de idade. Há uma testemunha viva deste fato, o embaixador Edmundo Barbosa da Silva, então oficial de gabinete do Palácio do Catete. Ele o contou a um amigo comum.

Certo dia, homem de honestidade pessoal absoluta. Vargas mandou que seu filho, Manoel, vendesse uma de suas fazendas no Reio Grande do Sul. Mas chegou a seus ouvidos que o comprador da fazenda tinha sido exatamente o chefe de sua guarda pessoa, Gregório Fortunato, condenado pelo atentado à vida do jornalista Carlos Lacerda.

Vargas deu-se conta então, tardiamente, da influência exercida pelo chefe da guarda pessoal. Dissolveu-se naquele momento. E a partir de então caminhou para o suicídio, cujo caminho viria depois por pressão militar para depô-lo. Hábil com políticos, Vargas perdera, talvez no episódio sua linha de resistência. É mais uma história de um serviçal que se torna amigo exatamente para proveito próprio. Vargas não ouviu a imprensa. Creio que este foi seu erro.

Aplausos ao Vasco

Puxa, que “reabilitação”. Depois de perder para o Flamengo com Dodô jogando dois penaltis em cima do goleiro, o time foi a Alagoas e não foi derrotado. Dodô entrou no segundo tempo e não desperdiçou penalti. Não houve? Lógico que houve, só que o treinador finalmente fez o que devia fazer contra o Flamengo: Dodô ficou longe da chamada “marca fatal”. O jovem Coutinho fez o gol com “paradinha” e tudo.

Explicando o inexplicável, Brasília, e a cadeia, (Nossa) que tem o trajeto: Sarney-Roriz-Arruda

São tantos e tão interligados os problemas da capital, que vou separá-los, pois embora se fundem e se entrelacem em determinado momento, são completamente separados.

Arruda – desligado do DEM, licenciado de governo, preso por supostas mas evidentes intimidações contra testemunhas, foi cassado por INFIDELIDADE PARTIDÁRIA. É uma novidade: acusado de CORRUPÇÃO EXPOSTA, é cassado por ter deixado o partido.

Apesar das bobagens ditas hoje por jornalões de vários estados, tem direito a recurso. Dizer o contrário é recibo de ignorância. Deve perder no TSE, logicamente recorre ao Supremo, onde já foi julgado e perdeu. Mas agora o Supremo terá que examinar e julgar com olhos inteiramente diferentes. PERDERÁ NOVAMENTE.

O que se decidirá então, será o tipo de prisão do governador, licenciado de vontade própria, preso por ordem do STJ confirmada pelo STF, e agora reafirmada eleitoralmente. Enquanto estiver recorrendo, continua onde está.

Encerrada a fase de recursos, e como perderá todos, perde também os privilégios do cargo. Passa então a uma prisão nornal. Mas como é engenheiro, com direito a prisão especial, talvez até melhore de situação, quem sabe aumentará o Poder de influência.

Sucessão no governo – Encerrada a questão Arruda, as conversas intensas se aceleram. O deputado Wilson Lima, está no cargo. Se continuar depois do prazo de desincompatibilização, fica inelegível como deputado e sem nenhuma garantia de que continuará “governador”. Deve tentar a reeleição como deputado.

Presidente do Tribunal de Justiça – Assume se o interino renunciar, que já vimos que é o que acontecerá. Tem então 20 dias para oficiar à Câmara Distrital convocando eleição indireta.

Esse novo “governador”, em tese terminará o mandato que inicialmente era de Arruda. Mas como a emenda “constitucional” paga e utilizada por FHC, violentou até a linguagem, quem está no cargo poderá tentar a reeeleição apenas com uma “eleição indireta”. Será um SUPLENTE marca de fantasia, como vem escrito na garrafa da Coca-Cola.

Intervenção NÃO EXISTIRÁ DE JEITO ALGUM. É tanta confusão, tanto prazo, recurso, renúncia e posse, que outubro chegará e ninguém sabe o que fazer. O maior defensor da Intervenção é o procurador geral, mas o Supremo (plenário) é que decidirá. E está difícil decodificar esses 11 votos. (10, se o ministro Eros Grau, continuar acreditando na eleição impossível para a Academia).

Posição de Lula, afinal, ele é o governo – Já quis a Intervenção, não quer mais, amanhã poderá voltar a querer. Vários candidatos surgidos e sugeridos entre os “terroristas” de plantão, foram vetados ou não incentivados, caíram na vala comum de Brasília.

Eleição propriamente dita – Acreditando sem muita convicção, surgem nomes de candidatos para 3 de outubro. Cristovam Buarque é o primeiro a aparecer para o voto. Como tem uma reeleição dificílima para senador, prefere arriscar para governador.

Já ocupou o cargo, não se aproveitou, mas tudo que apareceu era do seu conhecimento. (Como é que um governador de Brasília podia desconhecer a CORRUPÇÃO de Roriz e dos outros?).

Terá a oposição forte de Lula e do seu governo. Já foi ministro de Lula, demitido pelo telefone. Mas terá o apoio do presidente se pronunciar a misteriosa palavra que resolvia tudo. (Era ABACADABRA, agora é PALANQUE para Dilma).

Roriz candidato – Ninguém de “mente sã”, pode acreditar nesse nome. Como me dizia hoje, às 10 da manhã, um grande advogado de Brasília: “Helio, Roriz é elegível de direito, embora de fato, só falar no seu nome é uma afronta”. Perfeito.

Renúncia-salvação – Um homem como Roriz, que conquistando uma vaga no Senado, renuncia a 7 anos de mandato, pode ser eleito para alguma coisa? Defesa de Roriz: “Meu suplente é indefensável, impuseram seu nome, não pude recusar”.

***

PS – No início e no fim, a radiografia de Sarney, o inventor de Roriz, (foi nomeado por ele), que inventou Arruda, que vinha em linha reta da cassação de Estevão, que só acaba meses depois da eleição. Esses nomes seguidos, é o que eu chama de “cadeia”.

PS2 – Nenhuma invenção, apenas constatação. Lendo estes fatos, pode seguir a confusão na capital, mas não em linha reta. Em Brasília nada vem em linha reta, nem mesmo o inteligentíssimo projeto de Lucio Costa.

O Estado do Rio não perderá royalties do petróleo

Respondendo a dezenas de indagações, até mesmo fora do blog. 1 – Não confundir a defesa da população com os interesses do governador-incompetente. 2 – Tudo o que se discute agora, é sobre o FUTURO DOS LUCROS DO PRÉ-SAL. Portanto, uma questão com tanta propriedade quanto a profundidade dessa nova riqueza.

3 – Tudo o que está sendo recebido pelos estados e municípios, continuará sendo pago. 4 – Como disseram muitos aqui mesmo: “Se os royalties fossem suspensos, cidades como Macaé, que tiveram crescimento extraordinário, não teriam dinheiro nem para tirar o lixo das ruas”.

5 – Hoje mesmo, o advogado e jurista, Jorge Folena, presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do IAB, (que foi presidido por Rui) esclareceu neste blog dois pontos fundamentais da questão. Quebrar o pagamento desses royalties, é rigorosamente inconstitucional.

O Estado do Rio perde receitas de sua principal imposto, o ICMS. São Paulo é um dos maiores favorecidos, por isso o estranho e curioso Serra, não tocou no assunto, respondeu apenas na questão dos royalties e ICMS: “Ouvi falar”.

O governadorzinho daqui, silenciou o tempo todo, dizia, “Lula é meu amigão”, mas não falou nada com o presidente. Dizem que foi tudo planejado para provocar o efeito que está provocando.

Portanto, não se apavorem: Cabral quer receber em votos, toda a catastrófica “administração”.

(Terminando: divulguem o mais possível, no interesse coletivo, as razões expostas, analisadas e explicadas por Jorge Folena. Quanto a cabralzinho, que receba vetos pela incompetência. Tudo isso, essencial).

Royalties do Rio de Janeiro

Jorge Rubem Folena de Oliveira:

“É inconstitucional a retirada dos royalties do petróleo do Rio de Janeiro, com a cobiça despertada pelo pré-sal, sob o argumento de sua distribuição entre os demais estados, como proposto na “emenda Ibsen”.

O Estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo do País. Contudo, sofre perdas de receita do seu principal imposto (o ICMS), que, nas operações destinadas a outros Estados da Federação, não tem tributação, por força da imunidade do artigo 155, II, § 2º, X, “b” da Constituição Federal.

Esta imunidade tributária, que vale para o petróleo e a energia elétrica, foi patrocinada pelo Estado de São Paulo durante a Constituinte de 1986/1988, uma vez que aquele Estado é o maior consumidor de energia do país

Veja a contradição: o petróleo e a energia elétrica recebidos por São Paulo não pagam ICMS ao Estado produtor, porém a mesma regra não se aplica ao álcool combustível, do qual aquele Estado é um dos maiores produtores.

Como forma de compensar a perda de ICMS, o constituinte instituiu os royalties em favor dos Estados produtores de petróleo e energia elétrica (artigo 20, § 1º, CF), a fim de preservar o equilíbrio federativo (STF, Mandado de Segurança 24.312).

Todavia, com o anúncio do pré-sal, teve início um debate sobre a pretensa necessidade de distribuir os royalties entre todos os Estados da Federação, o que causará grande perda de receita ao Estado do Rio de Janeiro e seus municípios.

O argumento de que as riquezas do petróleo devem ser distribuídas entre todos os brasileiros é falacioso, na medida em que a não-cobrança do ICMS oriundo dos estados produtores já é uma forma de diminuir as desigualdades regionais (STF, Recurso E. 198.088).

Esta é uma das formas pelas quais o Rio de Janeiro colabora com os demais estados, principalmente os das regiões mais pobres, uma vez que, por mais de vinte anos não tem recebido um centavo sobre o petróleo e derivados que saem de seu território, que concentra mais de 80% da produção nacional.

Além disso, a legislação em vigor já prevê a existência de um Fundo Especial para repartir parcela dos royalties entre todos os estados e municípios do Brasil, independente de serem produtores ou não de petróleo (Lei 7.990/89, art. 7º, e Lei 9.478/98, art. 49, II, “e”). Ou seja, os royalties já são ou deveriam ser distribuídos entre todos.

Portanto, a retirada dos royalties do Rio de Janeiro constitui agressão ao princípio federativo, que é “cláusula pétrea” (artigo 60, § 4º, I CF).

(Jorge Rubem Folena de Oliveira é presidente
da Comissão Permanente de Direito Constitucional
do Instituto dos Advogados do Brasil)

Comentário de Helio Fernandes:
Inestimável a tua colaboração, Jorge Folena. Já tratamos da questão, muito antes desses “personagens de pensamento vil e ignaro” (royalties muito justos, para o grande J. F. de Macedo Soares). E em se tratando de Sergio Cabral, Carlos Nuzman e o quase “ressuscitado” Ibsen Pinheiro, fingem de populares e defensores da comunidade, mas representam apenas a patuleia das ruas.

Não sabem nem o que estão discutindo ou pretendendo. Sergio Cabral, um farsante, “chorou”, quando o que devia fazer era protestar, se revoltar, demonstrar ao próprio presidente da República o absurdo que estava sendo tramado na Câmara, com total apoio dele, vá lá, da sua base parlamentar.

Eu e você, Folena, já trocamos correspondência aqui mesmo, e chamamos a atenção para a OMISSÃO DESRESPEITOSA do governador e da bancada do Estado do Rio, que CONCORDOU, APLAUDIU, ou pelo menos SILENCIOU.

E mais: esse governador que “senta praça” ao lado do presidente, sempre rindo e se exibindo, não encontrou um momento que fosse para mostrar ao presidente a monstruosidade que se projetava (é de projeto que se trata) na Câmara? Quando o ressentimento de Ibsen se transformou em vingança, Lula afirmou, “não sei de nada, não me falaram sobre esse projeto”.

Ora, se o presidente fez essa afirmação, então é porque o governador não deu uma palavra a ele. Ou serginho cabralzinho filhinho, sem nenhuma credibilidade, quer deixar implícito que um presidente da República mente? Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

Não quero defender o presidente Lula, e o que vou lembrar, nem é a favor dele. No dia da doação do terreno da UNE no Aterro do Flamengo, Lula, sem precisar de porta-voz ou ghost-writer, de improviso, tirando as palavras não de um papel de bolso mas da própria cabeça, disse tudo o que pensava sobre o assunto.

Textual: “Os royalties do petróleo não são do Rio de Janeiro ou de qualquer município ou estado, MAS SIM DO BRASIL”. Ao lado dele, gozando a companhia, serginho nem deve ter ouvido, seu orgasmo era tão pessoal e intransferível, que não quebrou o silêncio de maneira alguma.

Depois disso, mais vezes posando, (ou pousando?) com Lula aqui e no exterior, Serginho ainda em silêncio, enquanto se tramava e a conspiração tramitava e transitava.

Agora, serginho acorda, sem sonho ou satisfação, apenas a rotina da subserviência, viu que estava perdendo votos que imaginava e o prestígio que nunca teve, e gritou, “sem os royalties, o Estado do Rio vai à falência”.

Pode ir mesmo, não por causa da perda dos royalties do petróleo, mas sim se for reeeleito, estaremos pagando a ele, pessoalmente, os royalties da incompetência.

Artur Nuzman, ardiloso, solerte, servo e submisso, mas sabendo que ganharia manchetes e espaços nas televisões, esperneou: “Sem os royalties do PRÉ-SAL, SE INVIABILIZAM JOGOS NO RIO”. O presidente do COB há 17 anos, não fala, apenas “esperneia”, e não deu palavra sobre a Copa do Mundo. Só falou (?) na Olimpíada.

E como é ainda mais incompetente do que o governador, não conseguiu dizer, mas teve que se desdizer na mesma hora. O próprio Nuzman já tentou trazer a Olimpíada para o Rio em 2008 e 2012, fracassou inteiramente. E a Olimpíada de 2016 só será no Rio, por causa da intervenção de Lula (reconheçamos), a participação de Havelange (reconhecida) e a presença de Nuzman (irreconhecível).

Em 2008 e 2012, nem se falava em pré-sal como agora. Só que esse pré-sal será discutidíssimo, mas resultados, só dentro de muitos anos, quando Nuzman já não estiver na presidência do COB. Será?

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PS – Obrigado, Folena, pela claridade que fez jorrar sobre o assunto, embora serginho, Ibsen e Nuzman, continuem na escuridão. O governador “chora”, não a fuga dos recursos, mas a derrota, possível ou provável, na eleição do fim do ano.

PS2 – Agora, esses três pseudônimos deles mesmos, já sabem que o Estado do Rio não perderá nada do que recebe dos royalties do petróleo. A questão do PRÉ-SAL ainda irá demorar muito. Só que é preciso esclarecê-los, não podem guardar conhecimentos.

Leão não faz ginástica

Carlos Chagas
Em  magnífico artigo publicado na “Folha de S.Paulo” a respeito dos cem anos de nascimento de Tancredo Neves, o historiador Ronaldo Costa Couto escreveu que ele “sabia ler as almas”. Nada mais perfeito. O ex-presidente da República não precisava sequer conversar com as pessoas para perceber quem eram, o que pretendiam e o que escondiam.

Ronaldo foi mais do que um auxiliar de Tancredo, funcionando como secretário do Planejamento durante o governo do chefe, em Minas. Era um amigo, dos poucos que se preocupavam com sua saúde. Certa feita, com muito jeito, sugeriu que Tancredo deveria dedicar-se ao menos a uma caminhada, pelas manhãs. Ouviu que bastava um banho de chuveiro frio, ao levantar, para enfrentar o dia inteiro com muita disposição. Mas não soube responder à pergunta que se seguiu: “você já viu leão fazer ginástica?”
Castanhas com as mãos do gato
Enquanto Sérgio Cabral estrila e bufa contra o projeto que retira do Rio boa parte de sua receita, proveniente dos royalties do petróleo, José Serra mantém-se em estranho silêncio, como se São Paulo não perdesse quantia vultosa, ainda que menor.
Essa atitude lembra aquela história do cidadão que tirava as castanhas do fogo com a mão do gato. Se der resultado a campanha do governador fluminense para que o Senado modifique os termos do texto aprovado pela Câmara, o governador paulista sairá com todos os dividendos e nenhum desgaste. Experiência política é assim mesmo.

Minas não gostou
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo mandou retirar do ar as imagens e o áudio do presidente Lula e de Dilma Rousseff, no programa de propaganda partidária gratuita do PT, sob a alegação de tratar-se de campanha eleitoral antecipada. O problema é que já foi ao ar a referência do chefe à candidata, apresentada como  “uma mineira que tem a cara de São Paulo”.  Os mineiros não gostaram, do governador Aécio Neves ao mais humilde peão boiadeiro das Gerais. Afinal, se Dilma tem a cara de São Paulo, que vá buscar votos na paulicéia, não na terra onde nasceu por acaso.
Lambanças
Estarrece todo mundo a lambança dessa viagem do Lula ao Oriente Médio, onde não deveria ter sido. Senão agressões, vem recebendo farpas sucessivas das autoridades e da imprensa de Israel, menos por ter recusado comparecer ao túmulo de Theodoro  Hertz fundador do sionismo, mais por pregar o diálogo entre aquele país e o Irã. O ministro de Relações Exteriores dos anfitriões negou-se a comparecer à sessão do parlamento que recebeu  o visitante, além de haver faltado ao encontro do Lula com o primeiro-ministro e ao jantar em sua homenagem. O primeiro-ministro comparou Maradona a Pelé, e o presidente da República chamou o presidente brasileiro de o “novo César”. O presidente do  Legislativo israelense disse que ter relações com o Irã é dar legalidade a assassinos, e a líder da oposição acentuou ser sinal de  fraqueza não concordar com sanções aos  iranianos.
Essa confusão deve-se ao assessor presidencial Marco Aurélio Garcia, defensor da visita a Israel e Palestina, o mesmo responsável por ruídos em nossas relações com a Bolívia e o Equador, pelo diagnóstico do Lula de que os dissidentes cubanos são bandidos, pela ausência do presidente na posse do conservador novo presidente do Chile e pelo apoio do Brasil ao ex-presidente de Honduras, candidato frustrado a ditador daquele país. Não é pouco, em termos de trapalhadas.

Plano Collor: invasão do dinheiro alheio

Pedro do Coutto

Este ano completa-se vinte e um anos do ato mais invasivo da propriedade alheia: o Plano Collor I, que, agora se vê, deixou um rombo de 50 bilhões de reais na economia popular. Uma invasão completa da propriedade alheia, contra a sua vontade e contra a verdade que resultar de uma poupança popular acumulada ao longo de sacrifícios e esperanças. Uma prova do fracasso do Plano Collor I? A resposta está no Plano Collor 2. Se o plano 1 tivesse alcançado êxito, por quê motivo deveria ser feito o 2? Não faz sentido. A população até hoje não conseguiu ser ressarcida e nunca o será. Por um motivo muito simples: durante os dezoito meses em que o absurdo congelamento durou, a inflação pelo IBGE, somou cerca de 1200 por cento. Foi devolvida ao longo dos doze meses seguintes. Mas a que taxas? Pouco mais de 700 por cento.

É só comparar os números e verificar as perdas daqueles que conseguiram alguma devolução. Outros esperam a devolução até hoje. O plano foi efetivamente sinistro. Os bancos ganharam uma fortuna. Os pequenos poupadores perderam quase tudo. Não adianta agora que o número de depositantes aumentou e o volume atualmente atinge mais de 250 bilhões de reais. Atingiria muito mais, sobretudo se os valores tivessem sido corrigidos adequadamente.

O Plano Collor I representou um fracasso absoluto. Basta medir seu reflexo no Produto Interno Bruto para se chegar a uma certeza econômica. Não vale a pena relacionar as tragédias pessoais. Os tratamentos médicos interrompidos, as mortes em conseqüência, os demais dramas familiares. O desrespeito à propriedade dos outros sem sua concordância. Não apenas um roubo, uma nítida apropriação indébita. Uma prova do fracasso absoluto a mais? Muito simples: alguém seria capaz de repetir o ato? A pergunta deve começar pelo próprio Colllor?

Se nem ele repetiria, quanto mais os outros não autores do descalabro. Outra prova: o próprio Colllor, em entrevista publicada pelo Jornal do Brasil elogiou fortemente a atuação do presidente Lula no processo de desenvolvimento econômico. Lula pratica o oposto – exatamente o oposto – do que lula adotou. Não bloqueou poupança alguma. Não descapitalizou pessoa alguma. Ao contrário: sua força maior vem de aplicar aos salários os índices inflacionários. Nada mais contrário à política de Collor do que isso.

Collor tentou – isso sim – capitalizar o Estado de maneira arbitrária e violenta. Lula, ao contrário, aproximou o crédito, seu grande segredo para o aumento do consumo. São políticas opostas. Como então o primeiro elogia o segundo, se o que aditou foi completamente diferente? Em 21 anos a inflação brasileira foi enorme. Sua reposição da poupança bloqueada ficou com quem? Pois todos nós sabemos que não pode existir débito sem crédito. Logo, se alguém perdeu, foi porque alguém ganhou.

Os bancos venceram através da dolarização para a qual não houve limite. E o dólar não sofreu o menor constrangimento. Evasão de dólares e fuga do Imposto de Renda são manobras hoje mais do que conhecidas. Só não existem ações contrárias a elas. E por que deveria havê-las? Os juros brasileiros são os mais altos do mundo. Para uma inflação anual calculada pelo IBGE em 4,3 por cento, os bancos e o comercio cobram em torno de seis por cento. Ao mês. Um paraíso para o capital estrangeiro. Um desastre para o capital nacional. As taxas de crédito comemoravam a diferença. É fácil fazer as contas. Difícil é chegar à diferença ao longo de 21 anos. Vinte e um anos é muita coisa.

Visita e Muros

Edson  Khair

As visitas do presidente Lula a Israel e ao território que um dia será a Palestina foram encontros que afirmaram a justeza da política externa do governo brasileiro.  Crítico que sou de seu governo, não misturo no mesmo saco acertos e erros. Seria estúpido e injusto.

A posição de Lula é clara; apóia a paz na região baseada na justiça. A atitude de Avigdor Lieberman, ministro de relações exteriores de Israel, ao não comparecer às cerimônias protocolares da visita de Lula àquele estado, demonstra a intolerância e prepotência de setores majoritários do estado sionista.

Fundado em 1948 para ser um símbolo da eternidade dos judeus em sua identidade e territorialidade, hoje é o único estado do mundo que não tem fronteiras delimitadas. É adepto da “lesbenraum” do fascismo hitlerista. Seu território cresce cada vez mais com a cumplicidade da comunidade européia e dos EUA.

Os palestinos hoje são os judeus perseguidos até 1945, fim da segunda guerra mundial. O fenômeno é exoticamente perverso. Povo perseguido milenarmente, o estado hebreu hoje inverteu os papéis e passou a ser um estado perseguidor. Massacram palestinos, tiram-lhes até o direito à água, ao emprego e a vida. Constroem muros para garantir assentamentos de judeus em terras desde os tempos bíblicos  palestinas. Não querem um estado palestino integro no seu sentido político e geográfico, sim batustões separados por cercas e muros.

Muros existem para cair. Assim, foi com os muros de Auschiwitz, Dachau, Treblinka e outros territórios de terror que os nazistas, construíram para exterminar o povo judeu. Não conseguiram. Assim também foi o muro de Berlim. Portanto, o sionismo também não conseguirá  exterminar os palestinos e sua futura pátria.

Lula e seu governo entendem, como a maioria do povo brasileiro, ser necessária uma pátria palestina. Se é justo ou não conversar com Ahmadinejad, presidente do Irã, é outro assunto. É um dos pretextos que Israel atualmente usa para não ceder um milímetro em seu expansionismo nazifascista. Se Israel já tivesse aceitado uma pátria palestina, existiria o perigo nuclear iraniano tão alardeado por Israel e seus aliados ocidentais?

Desta forma, Lula segue viagem pelo Oriente Médio, estando hoje com autoridades palestinas. Não parece que tais visitas alterarão o miserável quadro da política naquela conturbada região. Contudo,  é um “beau geste” do presidente ex-operário colocar o Brasil naquele tabuleiro, até para dizer que existimos e quem somos.