Planalto divulga que Renan e Cunha estão na lista de Janot

Calheiros e Cunha foram surpreendidos pela traição do Planalto

Deu em O Globo

Os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e do Senado, senador Renan Calheiros, ambos do PMDB foram informados que estarão na lista que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada por assessores do Planalto.

Desde a semana passada o presidente do Senado começou a dar sinais de irritações com o governo. Na segunda-feira, por exemplo, Renan não participou do jantar oferecido pela presidente Dilma Rousseff à cúpula do PMDB.

Rodrigo Janot deve enviar hoje ao STF os pedidos de abertura de inquérito relacionados às autoridades supostamente beneficiárias dos desvios da Petrobras. Ele também deve pedir para o relator dos casos, ministro Teori Zavascki, derrubar o sigilo das investigações, tornando público todo o conteúdo dos inquéritos.

Teori Zavascki pretende divulgar os nomes dos investigados de uma vez só. Todos juntos. E não um a um, em conta-gotas, conforme for se inteirando de cada acusação. Teori entende que, ao divulgar um de cada vez, esse parlamentar estará mais exposto que quaisquer outros. Ou seja, o primeiro, ou os primeiros nomes a serem divulgados correm o risco de ter um juízo na imprensa e na sociedade de maior peso que os outros, independentemente da dimensão de seu envolvimento.

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NOTA DA REDAÇÃOA incompetência do governo Dilma Rousseff é assustadora, verdadeiramente assombrosa. Como é que o próprio Planalto se encarrega de vazar para a imprensa que constam da lista do procurador-geral Rodrigo Janot os nomes de Renan Calheiros e Eduardo Cunha? Com isso, a chefe do governo (ou governanta, com prefere ser chamada) passa a ter dois inimigos na presidência da Câmara e do Senado. Até a tarde de hoje,  Cunha e Calheiros eram tidos como supostos membros da base aliada, mas agora passam a ser declaradamente de oposição e com toda certeza irão colocar o governo na roda, como se dizia antigamente. Em matéria de imperícia política, faz tempo que não se vê nada igual.  (C.N.)

PT não tem mais moral para criticar nenhum outro partido

Francisco Vieira

Qualquer partido e qualquer cidadão podem falar mal do PSDB. Qualquer partido, menos o PT, e qualquer cidadão, menos os filiados ao PT. Ora, se o PSDB roubou tanto durante o seu governo, então porque o PT não fez nada, ao assumir o governo? Se na época do FHC ocorreram crimes, então o PT foi, no mínimo, omisso e conivente com as supostas roubalheiras, ao não cumprir com a sua obrigação de investigar os crimes.

O PT não tem moral para falar mal do PSDB ou de qualquer outro partido. Aliás, o oposto da corrupção do PT não é a corrupção do PSDB, como querem enfiar na goela da população os simpatizantes do PT e do PSDB. Existe vida inteligente (e honesta) fora dessas duas siglas.

SEXTA-FEIRA 13

Sobre a manifestação petista do próximo dia 13, sexta-feira também é dia de trabalho, menos para os petistas, claro, pois todos os dias são feriados para eles. Por exemplo, os arruaceiros e baderneiros que invadirão as ruas na sexta-feira 13 simplesmente serão pagos com o nosso dinheiro, arrecadado dos impostos, que este governo corrupto e desonesto mal administra.

Este é o Brasil que os petistas querem, com desordem total, enfrentamento entre brasileiros,
quebra-quebra, violência, destruição do patrimônio público e particular.

Para esta balbúrdia, que o PT denomina de manifestação popular, a democracia é ameaçada pela convocação de “exércitos” privados, como o do MST, com o intuito de amedrontar os descontentes que não aguentam mais o governo Dilma Rousseff e sua incompetência, sua irresponsabilidade e sua permissividade para com a corrupção desmedida de próprios partidários.

7 A 1 NA POLÍTICA

Todos se lembram do jogo do Brasil contra a Alemanha, quando o técnico Scolari, sabendo que a causa já estava perdida, não via a hora do jogo acabar para o placar não aumentar. Creio que a situação da Dilma Rousseff seja semelhante, pois, assim como o técnico da seleção, ela não tem nenhum craque na reserva que possa colocar no jogo e mudar o placar, apesar de manter uma “comissão técnica” cara e enorme.

Mas, infelizmente para nós, público pagante, o jogo ainda está nos primeiros minutos do primeiro tempo e a bola ainda irá rolar muito antes do final…

Justiça Federal determina a deportação de Cesare Battisti

O terrorista Battisti virou uma celebridade no Brasil

Deu no UOL

A Justiça Federal determinou a deportação do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970. A decisão foi tomada na última quinta-feira (26) pela juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara do Distrito Federal, em resposta a uma ação civil pública de outubro de 2011 do Ministério Público Federal no Distrito Federal contra o Conselho Nacional de Imigração que concedeu visto a Battisti. A ação questiona a legalidade do visto.

A juíza aceitou o pedido do MPF para que seja declarado nulo o visto concedido a Battisti e determinou que a União deporte o ex-ativista.

Em sua decisão, a magistrada justificou que “trata-se de estrangeiro em situação irregular no Brasil, e que por ser criminoso condenado em seu país de origem por crime doloso, não tem o direito de aqui permanecer, e portanto, não faz jus à obtenção nem de visto nem de permanência”.

NÃO É EXTRADIÇÃO

A juíza esclarece que deportar não significa extraditar o italiano. “Não se cogita realizar a entrega de Cesare Battisti ao seu país de nacionalidade, pois a extradição foi negada pelo Presidente da República, mas a deportação, nos termos do art. 58 do Estatuto do Estrangeiro, que estabelece que a deportação far-se-á para o país da nacionalidade ou de procedência do estrangeiro, ou para outro que consinta em recebê-lo”.

“Não fomos intimados da decisão, ainda não tem prazo correndo. Nós entendemos que a sentença tenta modificar uma decisão do Supremo Tribunal Federal e do Presidente da República. Fora do que é o objeto próprio da ação, portanto vamos recorrer”, afirmou o advogado de Battisti, Igor Sant’Anna Tamasauskas.

Cesare Battisti foi condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua, acusado de crimes cometidos quando fazia parte do Proletariados Armados pelo Comunismo. O ex-ativista fugiu para a França, onde foi preso em 1991. Em 2004, ele fugiu para o Brasil, tendo sido preso em 2007 no Rio de Janeiro.

A embaixada italiana solicitou ao Itamaraty sua prisão preventiva para posterior extradição. O STF (Supremo Tribunal Federal) chegou a autorizar, mas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu mantê-lo no país.

CASO PIZZOLATO

Condenado no processo do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil Pizzolato, condenado no mensalão, vive a situação inversa: ele fugiu para a Itália e agora aguarda a decisão do governo do país sobre sua extradição ao Brasil. A Justiça italiana já decidiu por sua extradição, mas cabe ao Ministério da Justiça da Itália a decisão final.

A defesa de Pizzolato, inclusive, chegou a usar a recusa do governo brasileiro em devolver Battisti à Itália para tentar convencer a última instância do Judiciário italiano a não extraditá-lo para o Brasil.

(artigo enviado por Dorothy Lamour e Guilherme Almeida)

Afinal, quem é o juiz federal Sergio Moro?

Claudio Dantas Sequeira
IstoÉ

Dono de estilo reservado e hábitos simples, o juiz da vara federal de Curitiba entrou para a história do País ao levar executivos de empreiteiras para a cadeia e se mostrar implacável no combate à corrupção na política.  Sempre que alguém o compara com Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Sérgio Moro desconversa. Ou melhor, silencia.

O juiz da 13ª vara federal criminal de Curitiba, que ganhou notoriedade à frente das investigações da Operação Lava-Jato, não gosta desse tipo de comparação nem de especulações sobre o seu futuro. Há alguns anos, rejeitou sondagens para se tornar desembargador, o que para muitos é degrau natural para galgar a última instância do Judiciário. Moro afastou-se da oferta por desconfiar de tentativa de cooptação por parte de um figurão da política nacional que temia virar réu num inquérito que chegou à sua mesa.

Não fosse isso, ele daria outro jeito de recusar a oferta por acreditar que ainda há muito o
que fazer na primeira instância. Eleito por IstoÉ o “Brasileiro do Ano”, Moro não mostra sedução pelo poder da toga. De hábitos simples, ele faz parte de uma rara safra de juízes que encararam a magistratura como profissão de fé.

NUM VELHO FIAT IDEA…

Não dá entrevista, nem posa para fotos. Dispensa privilégios. Vai para o trabalho todos os dias a bordo de um velho Fiat Idea 2005, prata, bastante sujo e repleto de livros jurídicos empilhados no banco de trás. Antes, chegou a ir de bicicleta.“Quando eu chego aos lugares, ninguém imagina que é o Sérgio Moro”, conta, sorrindo.

Apesar de ter se tornado o inimigo número 1 de poderosos, prefere andar sem guarda-costas. Quem sempre reclama é a esposa, a advogada Rosângela Wolff de Quadros Moro, procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes, instituição dedicada à inclusão social de pessoas com deficiência. A “sra. Moro” teme pela segurança do marido, e dela mesma, afinal o magistrado se mostrou implacável com a corrupção ao encurralar integrantes do governo do PT e levar, numa ação inédita, executivos das maiores empreiteiras do País à cadeia.

MESTRE E DOUTOR

Nascido em Ponta Grossa há 42 anos, Moro é filho de Odete Starke Moro com Dalton Áureo Moro, professor de geografia da Universidade de Estadual de Maringá – morto em 2005. Antes de ingressar na magistratura, seguiu os passos do pai. Integrou o mesmo Departamento de Geografia da UEM e também deu aula nos colégios Papa João XIII e Dr. Gastão Vidigal. Obteve os títulos de mestre e doutor em direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná. Seu orientador foi Marçal Justen Filho, um dos mais conceituados
especialistas em licitações e contratos.

Cursou o Program of Instruction for Lawyers na prestigiada Harvard Law School e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro no International Visitors Program,
promovido pelo Departamento de Estado americano. Moro criou varas especializadas em crimes financeiros na Justiça Federal e traz no currículo outras operações de peso. Presidiu o inquérito da operação Farol da Colina, que desmontou uma rede de 60 doleiros, entre eles Alberto Youssef. A investigação fora um desdobramento do caso Banestado, que apurou a evasão de US$ 30 bilhões de políticos por meio das chamadas contas CC5.

MÃOS LIMPAS

Ciente de que os mecanismos de lavagem de dinheiro evoluem e se tornam cada vez mais complexos, Moro não para de estudar. É um aficionado pela histórica “Operação Mãos Limpas”. Quando a compara com a Lava Jato, não tem dúvidas: “É apenas o começo”. O caso que marcou para sempre a política italiana foi deflagrado por um acordo de delação, mecanismo inaugurado anos antes nos processos contra a máfia. Após dois anos de investigações, a Justiça italiana havia expedido 2.993 mandados de prisão contra empresários e centenas de parlamentares, dentre os quais quatro ex-premiês.

Num artigo sobre o caso italiano em 2004, Moro exalta os chamados “pretori d’assalto”,
ou “juízes de ataque”, geração de magistrados dos anos 1970 na Itália que ganharam espécie e legitimidade ao usar a lei para “reduzir a injustiça social”, tomar “posturas antigovernamentais” e muitas vezes agir “em substituição a um poder político impotente”. O juiz se identifica com essa geração e vê no Brasil de hoje um cenário semelhante e propício ao combate à corrupção.

(texto enviado por Mário Assis)

Banco Central quer ser a Fazenda e vai aumentar os juros

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Apesar de todo o arrocho anunciado nesta semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e dos indicadores ruins da economia, a começar pelo aumento do desemprego, o Banco Central será obrigado a elevar a taxa básica de juros (Selic) na próxima quarta-feira. E não será pouca coisa: 0,5 ponto percentual, de 12,25% para 12,75% ano, movimento que vai na direção contrária de todo o mundo.

A Selic vai subir porque a inflação está alta demais, caminhando para 8% no acumulado de 12 meses. Parte importante dessa carestia foi causada pelo governo, que represou os preços administrados, acreditando que poderia arcar com a conta. Quando viu o tamanho da fatura e o estrago que ela estava fazendo nas contas públicas, Levy decidiu transferi-la para o distinto público.

Também o Banco Central tem a sua parcela de culpa. Nos últimos quatro anos, a instituição se rendeu aos apelos da presidente Dilma Rousseff. Em vez de combater com rigor os reajustes, o BC preferiu entregar à chefe do Executivo um troféu político, o de levar a Selic para o menor patamar da história, de 7,25% ao ano, taxa que não se sustentou por mais de seis meses.

INFLAÇÃO SEMPRE ALTA

Em nenhum momento do primeiro mandato de Dilma, a inflação ficou no centro da meta, de 4,5%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourou o limite de tolerância, de 6,5%, por 15 vezes. O BC jamais acertou as previsões. Diante do fracasso, sobrou para o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, adiar, constantemente, a promessa de cumprir a missão que lhe foi dada.

Além da alta dos juros nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) terá que promover pelo menos mais um aumento em abril, para 13%. Só então terá condições de encerrar o forte aperto monetário. O grande objetivo do BC é recuperar a credibilidade perdida. E isso passa por dar um choque de juros na economia, mesmo com a recessão e o desemprego mostrando as garras.

DEPOIS, BAIXA…

Dentro do governo, a expectativa é de que, até o fim do ano, o BC faça o caminho inverso e derrube a Selic. No entender de auxiliares de Dilma, isso será possível por causa do ajuste fiscal que está sendo tocado por Levy. As medidas anunciadas até agora e o que ainda está por vir serão capazes de retirar pressão da inflação e fazer com que as expectativas para 2016 caminhem para bem próximo de 4,5%.

A determinação do BC, agora, é demonstrar autonomia. Quer seguir o modelo da Fazenda de Levy. Muitos não acreditavam que o ministro tivesse força suficiente para promover o arrocho fiscal e corrigir todos os erros cometidos nos últimos quatro anos. Mas o que se tem visto até agora mostra que a presidente da República está bancando o ajuste, a ponto, inclusive, de enterrar um programa que ela lançou com todas as pompas, o Minha Casa Melhor.

Segunda Turma do Supremo não pode funcionar incompleta

http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2013/03/charge-bessinha_justica-com-vergonha.jpgJorge Béja

Sem estar formada pelos cinco ministros que a compõem, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal não está apta para julgar nem muitos menos para deliberar se recebe (aceita) ou rejeita as denúncias do procurador-geral, Rodrigo Janot, contra políticos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Nem mesmo decidir sobre a instauração, ou não, de inquéritos contra os políticos apontados por Janot. Enfim, turma sem sua composição plena e regimental é turma incompleta.

Fundamentalmente, em matéria de Direito Penal, é turma que não pode funcionar. Não pode julgar nada. Absolutamente nada. Se encontra sem a mínima condição da prestação jurisdicional de forma a não favorecer, de antemão, aos réus-acusados. Apela-se para a sua desconstituição. Ou, diante da omissão de Dilma na indicação do seu quinto integrante, que se convoque ministro de outra turma para completá-la. Ou que se redistribua o feito para a turma que esteja completa. Do jeito que está é que não pode ficar.

Isto porque, sem a indicação, segundo a tradição e o costume, pela presidente da República do quinto membro que, no lugar de Joaquim Barbosa, viria a integrar e compor a Segunda Turma do STF, o órgão fracionado da corte fica desfalcado da sua composição plena e regimental, possibilitando a eventualidade de resultado de votação empatada: 2 a 2, o que favorece o réu. E não havendo o 5º integrante para o desempate, o réu é absolvido. Não é justo, coerente, razoável e equânime, que um acusado venha ser julgado por uma corte em que ele, réu, nela já ingresse com a vantagem de ser absolvido em caso de empate.

NÃO É PARTIDA DE FUTEBOL…

Julgamento pela Justiça não é partida de futebol quando o regulamento do certame favorece uma equipe, em prejuízo da outra adversária, no caso em que a partida termine empatada. A analogia procede. E muito. Se não for removido este empecilho do desfalcamento da Segunda Turma do STF, o prévio favorecimento ao acusado é inevitável. Ou ele será condenado por 4 a 0 ou por 3 a 1 ou será absolvido por 4 a 0, por 3 a 1 e também por 2 a 2!!! O réu, portanto, já enfrenta o julgamento com vantagem, que são as 3 chances de ser absolvido ( 4 a 0, 3 a 1 e 2 a 2), contra a desvantagem de apenas 2 chances para a sociedade brasileira dele vir a ser condenado ( 4 a 0 ou 3 a 1 ).

Isso não é Justiça. Não é igualdade de força. Há nefasto desequilíbrio em prejuízo do Ministério Público, que agindo como “Dominus Litis”, isto é, dono da ação que propôs em nome do povo brasileiro, já enfrenta o adversário em desvantagem no resultado final. Nenhum brasileiro de bem, trabalhador e honesto pode aceitar o que, se já não está acontecendo, vai acontecer.

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NOTA DA REDAÇÃOCom este novo artigo, o jurista Jorge Béja mostra claramente por que a omissão da presidente Dilma Rousseff, ao postergar indefinidamente a nomeação do novo ministro do STF, configura crime de responsabilidade, que é motivo de impeachment. (C.N.)

Forças Armadas não querem mais intervir na política

Flávio José Bortolotto

O Exército brasileiro, popular e composto basicamente de classe média, desde a Guerra do Paraguai (1864-1870) tem uma longa história de atuação política no Brasil. Participou das lutas da Abolição da Escravatura, proclamou a República em 1889, houve aquelas rebeliões todas visando aprimorar a democracia no Brasil, fazer justiça social via Tenentismo, Rebelião do Forte de Copacabana em 1922, Coluna Miguel Costa – Prestes em 1924, Rebelião de 1926, tudo desaguando na Revolução Liberal de 1930.

Depois, participação vitoriosa da FEB na Europa na 2ª Guerra Mundial, sucessivas soluções de crises políticas, até a inevitável Revolução de 1964 (causada pela violenta agitação política por parte do presidente João Goulart, com greves diárias, inflação de 80% ao ano sem correção monetária, e por fim a quebra da hierarquia e disciplina militar com as rebeliões de sargentos e cabos do Exército e da Marinha etc.), até a equivocada Revolução dentro da Revolução, com o AI-5 de 13 de dezembro de 1968, que durou até 1985 e que desgastou muito as Forças Armadas.

REAGIRÃO NA HORA

A impressão que tenho é que hoje, de maneira alguma, as Forças Armadas querem interferir “diretamente na política”, mesmo que o povo peça, mas, se humilhadas ou ameaçadas em sua existência, reagirão na hora. Quem não entender isso, a meu ver, não entende nada de Política brasileira.

 

Lula diz que PT não tem como se explicar aos jovens

http://geografiaemrede.pbworks.com/f/charge4dedos.jpgDeu no Correio Braziliense

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do PT e do governo uma mudança no discurso e uma atenção especial a São Paulo e ao Nordeste. Lula afirmou, durante jantar com senadores do PT, na semana passada, que o partido, hoje, não tem o que dizer aos eleitores que estarão com 18 anos em 2018 e votarão pela primeira vez para presidente. “Essa geração está nas redes sociais vendo o massacre que estamos sofrendo, acuados por acusações de corrupção”, reclamou Lula, segundo um interlocutor.

Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em três anos, 3,46 milhões de brasileiros terão entre 18 e 19 anos e estarão aptos a votar pela primeira vez. Se forem levados em conta os jovens com 16 e 17 anos — quando o sufrágio é facultativo —, o número crescerá para 6,95 milhões de eleitores. Em 2014, Dilma venceu o tucano Aécio Neves por uma diferença de 3,4 milhões de votos.

Segundo Lula, esses eleitores não têm a memória dos oito anos em que ele governou o país, já que tinham, em 2010, entre 8 e 11 anos. “O que eles veem? Mensalão, petrolão, petistas presos, a oposição querendo dizer que nós roubamos mais do que eles”, disse o cacique petista, lembrando que não adianta sequer se amparar nos programas sociais lançados até agora. “Não podemos falar que tiramos eles da miséria e eles não passam mais fome porque esses jovens cresceram sem passar fome e sem estar na miséria.”

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NOTA DA REDAÇÃOLula diz que nos últimos anos se tornou um leitor compulsivo de livros, especialmente biografias de grandes estadistas. Se isso é verdade, ele já deve ter aprendido que nenhum político até hoje conseguiu explicar o inexplicável. Por exemplo: a corrupção sempre houve, isso é um fato, não requer explicação. Mas o que aconteceu nos últimos governos é que o PT institucionalizou a corrupção, cobrando percentual fixo, algo que nunca antes se viu, na história deste país. Também é um fato, jamais poderá ser “explicado” em nenhuma biografia de estadista. (C.N.)

Ministro da Fazenda Joaquim Levy já vai pular do barco?

Octávio Costa
O Dia (Rio)

Ao formar seu governo em 1979, o general João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, ficou sem saber exatamente o que fazer com a economia e deu uma no cravo e outra na ferradura. Manteve Mário Henrique Simonsen à frente da política econômica, como ministro do Planejamento, mas nomeou Antonio Delfim Netto para o Ministério da Agricultura. Simonsen, que havia chefiado a Fazenda no governo Geisel, foi encarregado de contornar os efeitos da segunda crise do petróleo. Optou por um tratamento de choque, com corte dos gastos públicos e superávit primário de 1% do PIB, ao preço de desaquecimento da indústria e do risco de recessão.

Nos bastidores, Delfim atirava no colega e criticava as medidas de austeridade. Garantia que, apesar de tudo, era possível adotar uma política que garantisse o crescimento. As pressões aumentaram até que Simonsen pediu o boné com apenas cinco meses no cargo. E Delfim assumiu o Planejamento sob aplausos dos empresários.

Para conhecer melhor esta história, vale a pena ler estudo do professor José Pedro Macarini, da Unicamp, sobre o período Figueiredo. O que mais impressiona é, sem dúvida, a semelhança entre o isolamento de Mário Simonsen e o rápido desgaste que enfrenta hoje o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

PEIXE FORA D’ÁGUA

A exemplo de Simonsen, Levy parece um peixe fora d’água no governo Dilma. Se ele representa a ultra-conservadora Universidade de Chicago, os demais membros da equipe econômica aproximam-se, sem dúvida, do pensamento desenvolvimentista (ao qual a presidenta Dilma também se filia).

A ortodoxia de Levy nada tem a ver com com a visão heterodoxa do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e da presidente da Caixa Econômica, Miriam Belchior. Mais importante: não se afina com a formação keynesiana da economista Dilma Rousseff, avessa ao liberalismo de Milton Friedman, Prêmio Nobel e guru do Chicago.

Substituto de Guido Mantega, Levy foi incumbido de pôr a casa em ordem, pois, como diz a presidenta, “quando a realidade muda, a gente muda”. Agiu rápido e baixou um pacote de ajuste fiscal, que minou as expectativas e faz de 2015 um ano perdido. Mas não encontrou sustentação sequer entre os parlamentares do PT, partido do governo. As medidas que mudam as regras da pensão de viúvas e do seguro-desemprego dificilmente passarão no Congresso.

ERROS DA PRÓPRIA DILMA

Ao defender a freada de arrumação na economia, Levy ataca sem piedade erros da política econômica do primeiro mandato de Dilma. Após afirmar que houve uma “escorregadinha” no controle das contas públicas, foi ainda mais longe e disse que a desoneração da folha de pagamento de empresas foi “um negócio muito grosseiro”. Segundo ele, “essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano” e não protege, nem cria empregos.

Desta vez, Dilma reagiu: “A desoneração foi importantíssima e continua sendo. Se não fosse importante, tínhamos eliminado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo”. Levy levou o pito e ficou calado. Comentou com assessores que exagerou no “coloquialismo”. Ele já se corrigiu de outras vezes, mas começa a dar a impressão de que se prepara para pular do barco em poucos meses. Ao deixar o governo de João Figueiredo, Simonsen não deu grande importância: “O cargo de ministro é apenas mais uma linha no meu curriculum”. Joaquim Levy já tem esta linha no seu curriculum.

(artigo enviado por Guilherme Almeida)