No Brasil e EUA, FILIAL e MATRIZ, a economia dos contrastes e contradições. Aqui, juros cada vez maiores. Lá, esses juros cada vez menores, exigências diversas.

Os economistas e analistas vão ao desespero e não apenas na questão do combate à inflação. Os daqui, da Filial, garantem: “É preciso aumentar os juros, ou tudo o que foi ganho será perdido”. Então, já sinalizam com aumento desses JUROS-BONIFICAÇÃO-CORRUPÇÃO, para logo, logo. O primeiro aumento viria no final de março, início de abril.

O segundo a seguir. Dos 8,75% de agora, iria para 10%. Além de tudo o que já pagamos a banqueiros de várias nacionalidades, mais 28 bilhões. Além dos 137 BILHÕES que já pagamos hoje.

Portanto com a sinalização quase certeza, desse aumento dos juros, a AMORTIZAÇÃO passaria para 165 bilhões.

Verificamos então, como a economia é cruel, selvagem, destruidora. Na Matriz, quando sentem ou pressentem, que a inflação pode estar ameaçando, reduzem os juros. Há quatro meses, o presidente do Fed baixou os juros, que ficaram entre ZERO e 0,25%. Isso mesmo, em muitos casos, O JURO É ZERO. Ele afirmou na oportunidade: “Isso vai durar por muito tempo”.

Outro ponto de incompatibilidade
entre a poderosa Matriz e a Filial

Esse é um tema que vem sendo badalado há muito tempo: mão de obra QUALIFICADA, mão de obra primária ou DESQUALIFICADA. A Matriz se orgulhava do seu avanço na técnica de trabalho, ao mesmo tempo em que criticava fortemente os trabalhadores brasileiros, num estágio, segundo eles, “lamentável e impróprio para o desenvolvimento sustentado”.

Como somos servos, submissos e subservientes aos americanos, concordávamos e concordamos, sem qualquer restrição e relutância.

Pois agora, os próprios americanos desdizem tudo, desmentem e “desconfirmam” o que garantiam, dão o que se chama vulgar mas acertadamente de tiro no pé.

Os americanos chegaram (tarde mas chegaram) a três conclusões. 1 – Continuam em plena crise, precisam no mínimo, no mínimo, de 5 anos para a recuperação verdadeira. 2 – Para recuperar o desenvolvimento, terão de reativar de maneira agressiva, o setor imobiliário, um dos três (os outros dois são a indústria naval e a automobilística) que mais influenciam e criam empregos.

3 – Mas aí o assombro, a surpresa, o choque de realidade: os EUA têm excesso do que chamam ARROGANTEMENTE de mão de obra QUALIFICADA, mas não têm NENHUM dos trabalhadores que precisam, para suprir a demanda IMPRESCINDÍVEL do setor imobiliário.

Assim, se constata: os EUA não têm 5 por cento dos operários que precisam para construir e incentivar a construção. E sem ela motivada, privilegiada, acelerada, não sairão do lugar.

(E vão botar a culpa na China, que está fazendo uma revolução, que vai levar ao sistema político-administrativo-ideológico que tanto procuram: o CAPITALISMO DEMOCRÁTICO. Pode levar 10 ou 20 anos, mas virá da China por causa da QUANTIDADE e não da QUALIDADE. Que virá depois).

Os Estados Unidos não têm um pedreiro, um marceneiro, um pintor de paredes, um ferreiro, um mestre de obras, ou seja, tudo que é necessário para a construção.

Precisarão IMPORTAR milhões de trabalhadores, (desses a quem negavam visto) dos países da América Central.

 ***

PS – Mas a maior parte terá que ser buscada no México. No México? Desse mesmo país, que em 1853, 1854 e 1855, roubaram uma quarta parte do território? (Texas, Califórnia, Novo México e todo o resto, que transformou país em potência geográfica e não apenas geográfica).  

S2 – Se não fosse tão longe e tão humilhante, a Matriz que tanto explora a Filial, poderia vir buscar aqui, a MÃO DE OBRA PRIMÁRIA de que tanto precisa.

Banco Votorantim, Ermírio de Moraes

Páginas e mais páginas dos jornalões, exaltando o banquinho, como se fosse a oitava maravilha financeira. E o Conar, nada a ver com a publicidade mentirosa? Perguntinha ingenua, inocua, inutil,: por que esse “banco de sucesso”, (na publicidade) teve que vender 49 por cento ao Banco do Brasil?

Outra pergunta, só que esta, assombrada, perplexa e assustada: por que o BB pagou, à vista, 14 BILHÕES ao senhor Ermírio de Moraes? E que oposição é essa que não se opõe a negociatas como esta, divulgadíssima?

Será por que o próprio Ermirio de Moraes confessou que deu 3 MILHÕES DE DÓLARES PARA A CAMPANHA DE COLLOR?

Situação de vaca não conhecer bezerro

Carlos Chagas

A ignorância jurídica retorna  ao centro do palco de Brasília. Administrador de empresas, o ainda vice-governador em exercício, Paulo Octávio, não estava obrigado a navegar pelos  meandros da ciência do Direito.  Mas  como ex-senador,  deveria conhecer a Constituição.  Pelo menos algum advogado amigo ou um assessor bissexto precisaria tê-lo alertado de que a renúncia é um ato unilateral que produz efeito assim que formalizada.

Se é verdade que em 1961  Jânio Quadros escorregou na tentativa de  tornar-se ditador,  imaginando que sua renúncia precisaria ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, pior ainda. Deveria ter servido como  exemplo aquela lambança felizmente abortada pelo senador Auro de Moura Andrade, que simplesmente recebeu o documento e participou ao Congresso que Jânio não era mais presidente, convidando os presentes para a posse do presidente interino,  Ranieri Mazzilli.

Por tudo isso, mesmo tendo renunciado à renúncia, Paulo Octávio não tem  mais o direito de permanecer no palácio do Buriti. Porque assinou e entregou a renúncia à deputada Eliana Pedrosa, líder de bancada.  Quer dizer, formalizou o gesto unilateral, além de havê-lo anunciado, mesmo recuando depois.

Por isso se conclui que para a capital federal só existe  uma saída: a intervenção federal. Positivamente, a situação está de vaca não conhecer bezerro…

E os corruptores?

O senador Pedro Simon pronunciou contundente discurso cobrando do Ministério Público e do Poder Judiciário a ausência de qualquer iniciativa para levar ao banco dos réus os empresários de Brasília que contribuíram com dinheiro vivo para comprar um governador, secretários, assessores e nove deputados distritais. Porque se tramitam pedidos de impeachment e processos contra os corruptos, nenhuma atitude se tomou contra os corruptores. E alguns deles foram até identificados, empresários beneficiados com contratos superfaturados de prestação de serviços para o governo local.

Referiu-se o representante do Rio Grande do Sul ao projeto  em tramitação no Congresso, enviado pelo palácio do Planalto, transformando em crime hediondo a prática de suborno contra  funcionários públicos. Elogiou a proposta, fazendo votos para que seja aprovada o mais breve possível. Inclusive porque proíbe que empresas corruptoras possam receber encargos públicos.

Pedro Simon não  deixou de criticar o presidente Lula porque, ao tempo em que encaminhou o referido projeto ao Legislativo,   autorizou através de veto ao Orçamento da União a continuação de  obras irregulares encomendadas pela Petrobrás a empresas acusadas de corrupção. Dois pesos e duas medidas.

Omissão inexplicável

Certas coisas, só no Brasil. O governo está importando gasolina dos Estados Unidos e da Europa. Só neste mês de fevereiro, um milhão e duzentos mil barris. Nós que já  celebramos a auto-suficiência fomos pegos de calça curta pela falta do produto, depois que os usineiros aumentaram o preço do álcool. Proprietários de veículos passaram a abastecê-los com gasolina e, por isso, ela começou a faltar. Quer dizer, imprevisão total. Onde andam os estoques reguladores, no caso, de gasolina e também de álcool? No país do pré-sal, que já celebra antecipadamente os frutos dessa imensa  riqueza, somos obrigados a importar gasolina. A Petrobrás pode preparar montes de  explicações, mas convencer o cidadão comum, não vai conseguir.

Não viu e não gostou

Assessores do presidente Lula revelam que ele não assistiu o programa de propaganda gratuita do Partido Socialista. Mesmo assim, não gostou. Pelo menos na parte em que o “âncora” Ciro Gomes referiu-se às realizações dos governadores do partido, de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Porque as telinhas mostraram rodovias, ferrovias, pontes, portos  e demais obras nesses estados como se fossem  exclusivamente estaduais,  graças aos  governadores, quando em grande parte  são  federais ou realizadas com verba federal.

O problema é que não apenas o PSB vale-se desse artifício. Na hora da propaganda, os  demais partidos também se apropriam do esforço do governo, para favorecer seus governadores. No caso dos socialistas, pelo menos o presidente Lula recebeu imenso elogio por parte de Ciro Gomes.

Brasília não tem indústria, não tem comércio, não tem receita, é mantida pelo cidadão dos outros estados. Por que tanta gente “se vende” por esse PODER?

Tudo o que está no título é a radiografia de Brasília, a apologia de Brasília, a autofagia de Brasília. E não começo a dizer agora, rompi com Juscelino dois meses depois de sua posse, em 1956, precisamente por causa da mudança da capital.

Evandro Lins e Silva, meu primeiro advogado, me disse assim que comecei a fazer oposição ao presidente que ajudei a eleger, com quem viajei durante 30 dias, ele como “presidente eleito e ainda não empossado”, eu como jornalista: “Helio, se não fosse pela mudança da capital, você ficaria na oposição por outro motivo, essa é sua convicção, a sua destinação, o que você compreende como governo e como jornalismo”.

(Em 1961, depois de me defender e absolver em 9 processos, junto com seu irmão e meu amigo Raul, ele repetia o que dissera 5 anos antes: “Helio, não posso mais ser teu advogado, serei Ministro no governo João Goulart. Quando eu tomar posse, você já estará na oposição”).

Mais do que a antevisão do jornalista, do que Evandro chamava de destinação e convicção (a até podia ser), estava a fábula de dinheiro que seria movimentada, mobilizada, manipulada, manuseada, na construção de uma capital em pleno deserto, com terras de tamanho incalculável e que se transformariam em ouro em pó, desconstruindo o Poder mas construindo fortunas pessoais e intransferíveis. O governo para o povo nunca existiu na capital.

Rui Barbosa: “Até as pedras da rua sabiam”. Não falava sobre as terras de Brasília, mas sobre a realidade que não criaria um nova capital, mas estimularia todo tipo de aventuras, que criariam todas as fantasias, todas as mordomias, todas as hipocrisias, que permitiriam a criação de fortunas inacreditáveis, como sempre longe do povo.

No deserto que se chamou de Brasília, não havia nada. Então, tudo foi carregado de avião: água, tijolo, pedra, madeira, areia, ferro, quem calculava e pagava tudo isso? O ENRIQUECIMENTO LÍCITO OU ILÍCITO, A CORRUPÇÃO ABERTA OU ESCONDIDA, foi a célula principal da fundação de Brasília.

Está tudo na distribuição de terras. E essas terras são tão vastas que não acabam nunca. Havia o setor Sul e o setor Norte, onde moram os muito ricos ou os também ricos.

Agora, está surgindo o SETOR NOROESTE. O MAIS FANTÁSTICO NEGÓCIO DA CAPITAL. E quem comanda tudo, em negócio de BILHÕES e BILHÕES? Paulo Octavio. Então para quê precisa ou exige esses 160 mil reais?

Como comecei citando Rui Barbosa (teoricamente), continuemos com Rui Barbosa (na prática), quando foi Ministro da Fazenda da República. (O primeiro e muito rapidamente. Com o que encontrou, não dava para resistir ou permanecer).

A prodigiosa distribuição de terras para as “vitoriosas” tropas da Guerra do Paraguai, e duraram até o fim do Império e o início da República, levou ao tão falado e jamais explicado “encilhamento”.

A inflação chegou a níveis incomparáveis e incompreensíveis, Rui não poderia resistir. Como os paulistas não estavam satisfeitos com ele, mas tinham pavor de enfrentá-lo, “inventaram”. Pediram que Rui deixasse o cargo para fazer o anteprojeto da Constituição, ele não percebeu a armadilha, aceitou.

O que ocorreu no Distrito Federal de 1870 a 1890, se repetiu em outro Distrito Federal a partir de 1956. Brasília vai completar 50 anos de inauguração, mas o crime não foi cometido nessa data. De 1956 a 1960, gritei praticamente sozinho, foram quatro anos da ruína de uma capital. E que, pelo modelo, CONTAMINOU (royalties para o Procurador Geral) tudo o que viria a seguir. E arruinou o que se chamou de NOVA CAPITAL.

Era outra capital, só que não era NOVA, já nascia velha, exatamente como a República. Não há mais salvação e a INTERVENÇÃO não tem sentido. É muita mordomia, são anexos e mais anexos, terras ainda de tal maneira desabitadas, que durante décadas e décadas, comandarão toda a existência de Brasília.

 ***

PS – Arruda está preso, representava o Executivo. O Legislativo fazia e faz parte de tudo. O Judiciário vai julgar um homem, mas não atingirá, nem de longe, o que se construiu à margem da balela que se chama de Brasília.

PS2 – Paulo Octavio está muito mais exposto, defende seus negócios pessoais, mas também o de milhares de dependentes de um Poder que nasceu vulnerável, praticamente invisível, e por causa disso inatingível.

PS3 – Brasília é, contraditoriamente, eterna e suicida. Precisava de um interventor japonês que legalizasse o haraquiri.

O risco de morrer na praia

Carlos Chagas

Pouca novidade trouxe a  mais recente pesquisa eleitoral,  desta vez a cargo do Ibope. Porque apesar de Dilma Rousseff haver conquistado mais dois pontos percentuais, José Serra continua absoluto como preferido dos consultados. E com o acréscimo de que, na simulação para o segundo turno, sua vitória torna-se mais expressiva ainda. São 47 pontos contra 33.

Apesar de haver crescido,  fruto de intensa  exposição ao lado do presidente Lula, a candidata dispõe de sete meses para dar a volta por cima, coisa que não conseguiu nos quase dois anos em que   freqüenta as preliminares da campanha presidencial.  Conquistará maiores percentuais, concluem os observadores, mas a ponto de superar o adversário? Abre-se para ela, por coincidência em meio à festa de seu lançamento, pelo PT, o risco de morrer na praia. Claro que o reverso da medalha torna-se possível. O eleitorado ainda custa a entusiasmar-se. Antes da escolha do novo presidente será realizada a Copa do Mundo, evento bem mais atrativo, desde que a sorte continue a bafejar o Dunga.

Sendo assim, a pergunta que se faz é sobre o que acontecerá no país diante da volta dos tucanos ao poder. Aqui o processo pode tornar-se mais fascinante, porque condena-se a incorrer em grave erro quem supuser o hipotético governo Serra um vídeo-tape do governo Fernando Henrique. O governador paulista jamais reconhecerá de público, talvez nem depois de subir a rampa do palácio do Planalto, mas será bom aguardar, sabendo-se ser ele um adepto da intervenção do estado na economia e um adversário das privatizações ligadas à soberania nacional. Sem falar nas restrições que faz aos conglomerados especulativos. Pedro Malan que o diga, se voltarmos um pouco os olhos para o passado.

Cuidado com os outros

Para continuar no tema, importa completar: o problema do Serra são os outros. Não todos os tucanos, é  verdade, pois muitos também repudiam o engajamento da social-democracia no neoliberalismo. Rejeitam  a postura adotada por Fernando Henrique Cardoso durante oito anos.  O diabo será evitar  que o ex-presidente e outros da  mesma estirpe venham a considerar-se condôminos do poder, no caso da vitória do governador paulista. Para o caso de FHC, o ideal seria designá-lo representante do Brasil na Unesco e mandá-lo para Paris, com passagem só de ida. E para os que já apregoam a privatização total da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, que tal nomeá-los presidentes dessas empresas? Teriam pudor em aparecer como coveiros da soberania nacional. Ou não?

O laboratório do dr. Silvana

Para os mais novos, é bom  lembrar: o dr. Silvana era aquele cientista louco, arqui-inimigo da Humanidade, que durante as décadas de quarenta, cinquenta e sessenta  quase conseguiu explodir o planeta.  Com suas perniciosas invenções, dizem ter sido o criador da Guerra Fria, inspirador ao mesmo tempo de Stalin e de diversos presidentes dos Estados Unidos. Morou algum tempo no Vietnan, parece que depois no Oriente Médio, empenhado em promover conflitos e crises políticas, tanto quanto epidemias, erupções vulcânicas, terremotos e outras   catástrofes.

As informações eram de que o maligno personagem havia sido afinal derrotado pelo  Capitão Marvel,  hoje condenado a viver num asilo para velhos heróis, junto com o Batman  e o Príncipe Submarino.

Houve quem, a partir dos  anos noventa, jurasse haver visto o dr. Silvana, alta madrugada, esgueirando-se  pela Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde havia reinstalado seu laboratório secreto.  Teria dado conselhos a Fernando Henrique Cardoso para privatizar o subsolo, as telecomunicações e a navegação de cabotagem, além de extinguir o monopólio do petróleo e sugerir a internacionalização da Amazônia, iniciativa  essa   interrompida com a eleição do Lula, em 2002. Mesmo assim, parece que a Carta aos Brasileiros foi de  inspiração do tresloucado cientista.  Depois, sumiu outra vez.

Por que se relatam esses inquietantes  boatos? Porque dois dias atrás o presidente Lula, meio em segredo, foi vistoriar as obras do palácio do Planalto.   Fez questão de percorrer os porões e seus sombrios corredores.  Contam que preocupou-se quando ouviu dos operários relatos  sobre  ruídos estranhos registrados  abaixo do subsolo. Especialmente gargalhadas satânicas, toda vez que o noticiário radiofônico anunciava os resultados de novas pesquisas eleitorais…

Construir outra Brasília

Em seguida ao terremoto que arrasou Lisboa, a corte portuguesa pressionou o todo-poderoso Marquês de Pombal para adotar um programa de reconstrução capaz de repor casas, palácios e monumentos tais como existiam antes da catástrofe. O criador  do novo  Portugal não deu a mínima, anunciando uma nova Lisboa, mesmo situada no lugar da velha.

Assim está Brasília, depois do terremoto gerado pela roubalheira da quadrilha chefiada por  José Roberto Arruda. Não dá para reconstruir esquemas anteriores, muito menos apelar para personagens envolvidos ou conformados com a lambança. A solução é arrasar com o que restou dos escombros da gestão do indigitado governador, incluídos na iniciativa seus supostos sucessores.

Paulo Otávio, vice-governador, não conseguiu agüentar-se. Muito menos conseguirão o presidente da Câmara Legislativa e seu  vice. Também não dá para aguardar o presidente do Tribunal de Justiça, pois se o Judiciário ficou à  margem da corrupção,  nada fez para enfrentá-la.

A única solução parece  a intervenção federal,  quer dizer,  a  construção de  uma nova Brasília.

Robinho: a felicidade mora em Santos

O treinador do Manchester City não viu que Robinho não pode ficar na reserva, ou melhor, no banco. (A não ser que seja o Bradesco ou o do Meirelles). Veio, viu, ficou iluminado e venceu. No jogo de ontem, contra o Bragantino, fez 2 gols (um que como disse um torcedor feliz, valeria outra entrada) e participou nos outros quatro.

E não é só isso. Rodou o campo todo, marcou, iludiu, deu trabalho ao goleiro, como é que podia estar em todos os lugares? Mas Robinho, estava mesmo.

Paulo Octavio: o assombroso bilionário sem nenhum caráter

Brasília não se surpreende com coisa alguma. Capital da mordomia, da hipocrisia, com um escândalo depois do outro, agora tem a “honra” do primeiro governador preso no cargo, José Roberto Arruda.

Mas quem ROUBA a cena, é Paulo Octavio. Só se fala nele, seu nome está nas ruas e nas lixeiras da capital. Por vários motivos, todos insensatos, seria essa a palavra? Mas vejamos até onde vai a audácia e a falta de caráter desse vice que não quer sair.

1 – Como é que alguém tem a coragem de pedir audiência ao presidente da República, e MENTIR SOBRE O QUE OUVIU? 2 – Já era público e notório que Lula esperava a decisão do Supremo. 3 – Quando Paulo Octavio afirmou, “O PRESIDENTE ME PEDIU PARA FICAR NO CARGO”, saiu logo do Planalto, nota oficial D-E-S-M-E-N-T-I-N-D-O tudo.

4- E depois da RENÚNCIA-DESRENÚNCIA, ainda veio a “garantia” do vice: “NÃO SEREI CANDIDATO A GOVERNADOR”. (Evitou falar em reeeleição, não quer outra coisa, que serve a ele, ainda solto, e ao governador Arruda, ainda preso.

Demóstenes e Caiado
querem Octavio fora

O senador e o deputado, estão inflexíveis, não admitem qualquer conversa. De grande influência no partido, fecharam a questão, de forma definitiva: PAULO OCTAVIO TEM DE SEU EXPULSO, IMEDIATAMENTE, ANTES DE RENUNCIAR.

Por que não expulsam? Elementar: o presidente do partido resiste e defende Octavio. Quem é o presidente do DEM? Nossa Senhora, o filho de Cesar Maia, senhor de todos os eventos no Rio quando o pai era prefeito.

Decisão urgente do DEM: EXPULSAR Paulo Octavio e SUBSTITUIR Rodrigo Maia.

Duelo de velocidade

Às 11 horas da manhã, Paulo Octavio está levando vantagem. Se receber a notícia de que será expulso, Paulo Octavio deixa o partido na hora. Aí o DEM se livra dele, mas sem poder EXPULSÁ-LO.

 A malandragem da
Assembléia Distrital

Não podia ser o único grupo a se manter intocado. Durante dois meses, em silêncio. Agora que dá impressão de vitória da dignidade, a Assembléia finge que mudou de posição. Então, 5 amigos de Arruda, recebem novas instruções, cumprem logicamente.

Mas ainda assim, “resolvem”, sem definição fácil de entender. A Comissão de Constituição e Justiça, “vota por 5 a 0 pela A-D-M-I-S-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E do impeachment.

Depois, disso, ainda terá que passar por várias instâncias ou Comissões.

 ***

PS – Finalmente a pergunta que não sei responder, deixo para a competência, a clareza e a disposição de quem quiser.

PS2 – Como é que um dos homens mais ricos de Brasília, dono de tudo ou de quase tudo, PEDE MAIS 160 MIL REAIS, QUERO A MINHA PARTE?

PS3 – Os que defendem Paulo Octavio, dizem: “ELE não APARECE em nenhum vídeo. SEU NOME É APENAS CITADO”. Mas quem CITAVA? O ADMINISTRADOR DE SUAS EMPRESAS PARTICULARES.

Arruda quer negociar geral, repetindo a fórmula que no passado se transformou em sucesso de crítica e de bilheteria. Renunciaria, admite o processo em primeira instância, sem perda de direitos políticos

Passou a quarta-feira de cinzas (o Flamengo foi eliminado justamente, dominou o jogo e perdeu mais gols do que seria admitido) e Arruda não foi julgado. Já havia adiantado que isso aconteceria. E pode ser que, mesmo na próxima semana, (já sem o horário de verão) o ex-governador ainda não seja julgado).

Ninguém tem pressa, e na verdade, enquanto Arruda está na cadeia, o orçamento é preservado, o dinheiro do cidadão-eleitor-contribuinte não é roubado. Mas a grande surpresa: o prisioneiro tem uma condição, ou melhor, proposta. Com vários itens. 1 – Não se incomoda que o plenário do Supremo confirme a PRISÃO PREVENTIVA. 2 – Sendo PREVENTIVA, seria logo REVOGADA. 3 – Ele se COMPROMETE (se a palavra valesse alguma coisa) a RENUNCIAR.

4 – Uma das condições seria esta: “Não perderia os DIREITOS POLÍTICOS. 5 – Admitiria ser processado pela Justiça comum, como cidadão sem qualquer título. 6 – Arruda se mostra o contrário de Daniel Dantas: “Tem medo do Supremo, na primeira instância ELE RESOLVE.

O governador “licenciado” acha ou considera que conta com o apoio da opinião pública. Tem recebido, de pessoas que não conhece nem se identificam, muitos livros da chamada “auto-ajuda”. Como o amigo, parceiro e vice, Paulo Octavio, afirmou que “consultou a maioria da população de Brasília e recebeu só apelos para não renunciar”, considera que sua situação é exatamente essa.

A propósito: muita gente garante que a RENÚNCIA-DESRENÚNCIA-FACILITADOR-DA-GOVERNABILIDADE, é jogada que serve aos dois. O fato de Paulo Octavio ter dito, “não serei candidato a governador de jeito algum”, só tem validade enquanto servir a ele. (E a Arruda, é lógico).

 ***

PS – O caso tem muitos desdobramentos e julgamentos, é impossível analisar tudo com antecedência.

PS2 – Além do mais, com a voracidade e a falta de escrúpulos e de caráter de Arruda-Paulo Octavio, tudo pode acontecer.

O impeachment de Belluzzo, a demissão de Muricy

Esperava ir para o BC, o economista “ficou fazendo hora” na presidência do Palmeiras. Desde que aceitou a exigência do treinador, e pagou a ele o maior salário do Brasil, seu fracasso ficou evidenciado. E ainda não foi retirado, não se sabe a razão.

O treinador, a partir do momento em que resolveu se confrontar com Luxemburgo, pelo salário, não ganhou mais nada. Em outubro, já era considerado Campeão do Brasileirão. 3 meses depois, perdeu tudo, o Palmeiras não está nem na Libertadores. Agora, longe do título paulista, é goleado pelo São Caetano.

Há 20 dias, escrevi: “Não demora e o próximo emprego de Muricy, deve ser o de treinador do Ipatinga”. Não foi desapreço, desatenção, desinteresse ou desprezo. Fui à inauguração da cidade, há 50 ou 60 anos, com meu jovem amigo, o homem de publicidade Ivan Meira. (Que além disso era genro de Cícero Leuenroth, dono da Standard Propaganda, a mais importante da época. Ainda não existiam as agências que cresciam com o marquetismo ou o mensalão).

Quatro meses depois, íamos novamente a Ipatinga, surgiu um compromisso, não pude ir, o avião da empresa caiu, perdi um amigo, o Brasil um publicitário competente e dedicado.

Agora, Muricy encontrará trabalho, mas não com um empregador como Belluzzo, que disse, “não posso pagar o que ele pede”, mas pagou. Para quê? Para esse vexame, a inutilidade de 2009, que se projeta para 2010?

Para a recuperação completa, falta a saída de Belluzzo. É bem possível, minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá.

Governador Cabral, o gênio

Governador Cabral

Puxa, que gênio, esse Cabralzinho. A eleição do Estado do Rio, no mais completo silêncio, que só era quebrado pelos elogios à “maior advogada do Brasil”. Agora, todos se reúnem, conversam, o ruído é terrível. E só existe um adversário, combatido por todos: o próprio Cabral, A sua vocação de presidente da Alerj, não é negada por ninguém.

Amanhã, um festa sem debates

Carlos Chagas

Na sessão solene do Congresso do PT, amanhã, as atenções estarão voltadas para o pronunciamento de  Dilma Roussef.  Ainda que deixando ao partido  alinhar  os postulados doutrinários  para o futuro, através do  documento intitulado “A Grande Transformação”, a candidata   não estará impedida de abordar aspectos gerais de seu governo, ressalvando o cauteloso “se eu  vier a ser eleita”. As linhas-base de seu discurso seguirão no rumo de inflamados elogios ao presidente Lula, mas,  ao receber formalmente a indicação do seu nome,  poderá avançar propostas para o próximo período presidencial,  claro que genéricas e calcadas nas realizações da atual administração.

Espera-se uma festa, não um debate a respeito dos passos adiante na estratégia pretendida  pelos companheiros para o país. Dificilmente Dilma se referirá a promessas concretas, como a participação dos empregados no  lucro das empresas,  a co-gestão, a redução da carga semanal de trabalho para quarenta horas ou o imposto sobre grandes fortunas.  Pelo que se sabe, abordará a importância da continuidade do desenvolvimento, das obras do PAC, do combate à inflação, da ampliação das conquistas sociais,  da aliança com partidos e grupos que integram o governo Lula e dos  horizontes abertos através da nova política externa.

Deverão estar presentes à reunião representantes dos partidos da base oficial, a começar pelo  PMDB, com seus  seis ministros e o presidente  Michel Temer.  Não seria  hora de cotejar programas e plataformas, aliás, ainda não definidos.

Ainda a intervenção

Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente, já escrevia Napoleão para Josefina. Apesar do medo de  vetustas e temerosas figuras do mundo político e jurídico diante da intervenção federal em Brasília, é por aí que o vento sopra. Porque mesmo se o governador José Roberto Arruda ficasse  preso até o fim do ano, jamais os seus substitutos ou sucessores legais conseguiriam refazer as instituições locais, postas em frangalhos. Apesar de seus esforços, o vice-governador em exercício, Paulo Octávio, carece da autoridade necessária para restabelecer a credibilidade do  poder público. Os seguintes na ordem sucessória, também,  sejam o presidente e o vice-presidente da Câmara Legislativa, seja o  correto novo presidente do Tribunal de Justiça. A todos faltará o respaldo sequer para compor um secretariado à altura do Distrito Federal. Quanto mais para receber da sociedade local o apoio imprescindível à garantia do funcionamento da máquina administrativa.

Está, o Distrito Federal,  na situação daquele personagem que, se ficar, o bicho come. Se correr, o bicho pega. Nenhum dos referidos acima,  a começar pelo governador Arruda, conseguirá evitar o desmonte da autoridade pública.  A  não ser que, pelo  governo federal, seja designado alguém descompromissado com o passado de Brasília. Um interventor capaz de passar o rodo,  sem relações de qualquer espécie tanto com a quadrilha aqui instalada quanto com aqueles que se mantiveram em silêncio diante de tanta lambança explícita. Fora daí será assistir a eleição dos  mesmos de sempre.

Aqui se faz, aqui se paga

Estava tudo arrumado para a Beija-Flor  ganhar na Sapucaí, com o enredo sobre os  50  anos de Brasília. Dinheiro não faltou, no propinoduto que ligava a capital federal ao Rio, passando por alguns pontos de bicho e  sucedâneos. Não que a escola carecesse de méritos, muito pelo contrário, mesmo apresentando graves defeitos, como um Juscelino de papel que   mais parecia o Bill Clinton.  O problema é que a roubalheira brasiliense explodiu antes e a derrota  já estava escrita há mil anos, na cabeça dos jurados. Menos pelo brilho dos passistas do que pelo vexame que seria uma vitória consagrando a lambança.

Fidelidade dá problema

Marcio Lacerda não se elegeria prefeito de Belo Horizonte sem o apoio fundamental de Aécio Neves. Mas havia sido, em 2002,  o  comandante de campanha  de Ciro Gomes à presidência da República.  Ouve-se agora que, convidado, não escapará de repetir o passado. Ciro precisa de sua competência. Mas Aécio, como receberá a defecção, sendo ou não candidato à   vice-presidência na chapa de José Serra?

Paulo Octavio: às 13 horas RENUNCIOU. Às 14,20, DESRENUNCIOU. Às 17,10 se transformou em FACILITADOR, de guerreiro da GOVERNABILIDADE

O dia foi dele, se é que se pode afirmar isso. No final da tarde, falou exatamente 11 minutos, mas o recado chocho e imaginário. Poderia ter tido apenas meio minuto, porque não afirmou nada, apenas imaginou.

Textual: “Ouvi escritórios, assessores, APELOS DA MAIORIA DA POPULAÇÃO, pedindo que eu não renunciasse”. Só merece isto: Há!Ha!Ha!

Na verdade, Paulo Octavio, que disse, “a vida inteira servi a Brasília”, pretende ou tenta, continuar se aproveitando de tudo. Não conseguirá.

“Encontro inútil”, Lula-Paulo Octavio

Desde sexta-feira, quando o governador interino pediu audiência a Lula, disse aqui, varias vezes, textualmente: “Lula não tem nada a dizer, Paulo Octavio a ouvir”. Foi o que o presidente falou, “é o Supremo que resolve” e enxotou o homem mais rico de Brasília. Este envergonhado, anunciou: “NÃO SOU MAIS GOVERNADOR, ESTOU RENUNCIANDO“.

Mas atendendo a “conselhos e ponderações” do criminalista e ex-Ministro da Justiça, Thomaz Bastos, deu ordens ao porta-voz: “Solte uma nota oficial, dizendo que não RENUNCIEI“. Portanto, às 14,30, Paulo Octavio era INTERINO, RENUNCIOU E DESRENUNCIOU.

Esqueceram do presidente
do Tribunal de Justiça do DF

Fazem todas as combinações, Arruda, Paulo Octavio, presidente da Assembléia, interventor. Mas esquecem do Desembargador que está na linha de sucessão. Mal comparando, ele é o Gilmar Mendes, depois do vice Alencar, Michel Temer, José Sarney.

Relembrando

A propósito, o ex-Ministro, agora agindo como criminalista, cobrou o que devia?

O desespero de Cabral

Quando viu que Lula não apareceu no Sambódromo, o governador entrou em pânico. Não era, como falou, “pela conversa que preciso ter com ele”. Cabral queria apenas se exibir com o presidente ao lado e poder dizer à mulher (“a maior advogada do Brasil”, segundo palavras dele): “Viu, ele só veio ao Rio por minha causa. O Serra adoraria que ele fosse a São Paulo, que também tem sambódromo”.

Já se arrependeu,
o que fazer?

Disse então aquela tolice com cara de desafio: “Se apoiar ou subir no palanque de Garotinho, a Dilma não terá nem o voto da minha mulher”. Comprometeu a própria (que não gostou). Estava orgulhoso até receber o telefonema de Picciani: “Cabral, você enlouqueceu? Desafiando o presidente que te deu cobertura total e absoluta?”.

Pediu conselho ao
presidente da Alerj

Picciani (como Cabral)  está envolvido em enriquecimento ilícito. mas não diria o que Cabral disse. Recomendou: “O mea culpa tem que partir da tua parte, imediatamente”. O resto da conversa é impublicável. Picciani, possível candidato ao Senado, xingou o governador e, em outras palavras, disse: “Você pode arruinar sua eleição, mas não a minha”.

Garotinho adorou

Foi o único altamente beneficiado. E conversando com um amigo intimíssimo, comentou: “Como é que criei um idiota como esse?” Na verdade, foi o apoio de Garotinho que fez de Cabral governador.

Moralmente, os dois são rigorosamente iguais. Mas o ex-governador é mais competente. Não quis ser reeeleito, disputou a presidência, teve 15 milhões de votos. E por um partido, o PSB, que nunca existiu eleitoralmente.

Picciani-Garotinho-Crivela

O ex-governador telefonou logo para o presidente da Alerj. Não sei o que conversaram. Mas pela reação do Planalto-Alvorada, pelos pedidos para ajudar a reeleição ao Senado do “bispo” e pela “amizade” nunca rompida de Picciani e Garotinho, os nomes que coloquei no título, podem muito bem, enfeitar a campa eleitoral de Cabral.

A reação de Dona Dilma

Não houve. Estava perto do governador, mas longe do presidente. E sem falar com Lula como REAGIR INDIGNADA?

Obama e o desemprego

Declaração de ontem do presidente dos EUA: “Recuperamos 2 milhões de empregos, ainda falta muito”. Falta mesmo, presidente. Quer dizer: se recuperaram mesmo esses 2 milhões, FALTAM 14 MILHÕES. Sem contar os 2 milhões e 500 mil jovens, que todo ano chegam aos 18 anos e precisam do primeiro emprego.

O Ministro do Trabalho, aqui,
aloprado e exibindo “menas” verdade

Carlos Lupi é o ministro que mais aparece na televisão. Motivo: diz o que Lula gosta de ouvir, “o desemprego diminuiu, criamos 1 milhão de vagas”. Além de não ser correto, é preciso contar os 800 mil jovens, que todo ano precisam do primeiro emprego.

Lupi sai em 3 de abril:
para disputar que cargo?

Com Brizola, foi duas vezes candidato a senador, não chegou nem perto. Agora, quem sabe se elege deputado federal? Mas tem muita gente com mais votos e representatividade do que ele, dentro do PDT.

Prorrogação do mandato de um ditador, Castelo Branco, eternizou a ditadura. Foi a minha mais completa derrota

Registrando a morte de Armando Falcão, aos 90 anos, Carlos Chagas lembrou: “Antes da mudança da capital, ele era o grande informante, abastecia os jornalistas”. Rigorosamente verdadeiro. Apesar de ter firmado, popularizado e consagrado o bordão, “Nada a declarar”, o duas vezes Ministro da Justiça contava tudo.

Hoje vou me restringir ao episódio da permanência de Castelo no cargo. Conforme ele mesmo garantiu ao ex-presidente Juscelino (e já candidato para a eleição de 1965): “Não posso assumir como Chefe do Governo Provisório, pois assim, sem força, NÃO PODEREI COMANDAR A ELEIÇÃO DIRETA DE 1965, e o senhor já é o candidato favorito”.

Isso foi dito a JK, na casa do deputado Joaquim Ramos. (Irmão de Nereu). Presentes: os dois, Amaral Peixoto (presidente do maior partido brasileiro, o PSD), Negrão de Lima (democrata que ajudou o ditador Getúlio Vargas a implantar o “Estado Novo” em 1937), José Maria Alckmin (Ministro da Fazenda de JK) e ali mesmo convidado, aleatoriamente, artificialmente, maldosamente, para vice do próprio Castelo.

Estavam todos os chamados “cardeais” do PSD, mas a decisão e a responsabilidade cabiam exclusivamente ao ex-presidente. Ele pediu 48 horas, apenas para constar. Sabia que não podia RECUSAR, mas ninguém esperava que RECUSASSE. Aceitou, Alckmin foi feito vice, para não assumir. Um mês depois da posse, Castelo teve que sair do Brasil, Alckmin também saiu, foi dormir num motel no Paraguai.

(Mais tarde, fato quase igual, mas de gravidade bem maior, por causa da estatura dos personagens. Costa e Silva, INCAPACITADO como “presidente”, tinha que passar o cargo ao vice, Pedro Aleixo. Lógico que não assumiu).

O episódio se repetiu com o “presidente” João Figueiredo. Tendo que ir se operar nos EUA, passou o cargo ao vice, Aureliano Chaves, além do mais, brigadíssimo com ele. É que a ditadura, no fim, podia se vingar da Tribuna, destruindo-a, mas não tinha forças para vetar um vice, escolhido por eles mesmos.

Armando Falcão era um tipo curioso e interessante. Desde que se elegeu deputado, esteve sempre no auge. Não era culto nem inteligente, mas indiscutivelmente esperto. Mereceu sem qualquer restrição, o que o Millor escreveu sobre ele: “Na primeira vez que viu um livro, Armando Falcão pediu garfo e faca, pensou que fosse coisa de comer”.

Não tinha constrangimento, numa Câmara com oradores como Carlos Lacerda, Gustavo Capanema, Afonso Arinos de Mello Franco (o maior parlamentar que conheci) e Vieira de Mello, discursava. E se comparava a eles.

Quando Golbery (enriquecido ilicitamente, mas com um desenvolvimento cerebral que o levou à presidência da Dow Chemical) combinou com Castelo a PRORROGAÇÃO do seu mandato, o primeiro civil em quem pensou para ajudá-lo foi Armando Falcão. Precisamente por suas ligações parlamentares e jornalísticas. E nesses dois setores, Golbery não tirava da cabeça o nome de Carlos Lacerda, grande amigo e agora inimigo terrível. (Mas Falcão e Lacerda, mantiveram intacto o relacionamento).

Comecei então tremenda campanha contra essa PRORROGAÇÃO, que eu vi logo onde pretendia chegar. A censura, nessa época, se concentrava mais em não permitir nada sobre tortura e violência (que atingia o auge em Pernambuco, com o conhecimento e o silêncio de Castelo), não considerava o resto. E generais importantes, ambiciosos e covardes, estavam na “fila da presidência”.

Passamos a conversar diariamente, eu e Lacerda. Não começava ali, vinha de antes. Num subterrâneo de “guardados”, o governador fez um cineminha de 10 lugares. Como gostávamos igualmente de cinema, usávamos o local para conversar depois do expediente. A PRORROGAÇÃO passou a ser tema diário.

Comecei a convencer o governador, com informações que ele não podia refutar. Uma noite usei de um argumento que penetrou fundo. Estávamos assistindo “Moscou contra 007”, na moda. Perguntei: “Carlos, por que não dão ao Castelo o mandato de 5 anos, igual aos outros? Prorrogar só por 1 ano e meio?

Já depois de 1 da manhã, fulminei o governador com a informação: “No momento a votação está rigorosamente EMPATADA, você liquida com esse GOLPE DENTRO DO GOLPE, com três ou quatro telefonemas”. Lacerda me disse, convicto: “Vamos almoçar amanhã, resolveremos”.

Ficamos mais um pouco, tínhamos tal paixão pelos acontecimentos, que até dormir parecia uma fuga ou renúncia. Não demorou, o telefone tocou de Brasília, era Armando Falcão. Como falavam sempre, podia ser coincidência, mas nenhuma surpresa se fosse gravação. Lacerda falou na PRORROGAÇÃO, o espertíssimo Falcão perguntou logo: “Quem está aí com você?”. E ele mesmo respondeu, “é o Helio Fernandes”.

Fomos embora, mantido o almoço para 1 hora do dia seguinte, ou do mesmo, já era madrugada. Seria no próprio Guanabara, Lacerda fizera um restaurante simpático, caseiro, para funcionários, secretários, convidados.

Cheguei 15 para uma. Como fazia sempre, encostei meu fusca, subi, Carlos Lacerda mandou o recado: “Estou acabando uma reunião, não demoro”. Fiquei na janela, admirando o jardim. De repente, para um carro, saltam: Abreu Sodré, que seria “governador” de SP, Armando Falcão, e o doutor Julio Mesquita, proprietário do jornal “Estado de S. Paulo”, o homem tinha a maior influência sobre Carlos Lacerda.

Percebi logo o que iria acontecer, desci, entrei no carro, com o governador gritando da janela: “Não deixem o Helio sair”. Eu já estava longe. Só às 9 da noite Lacerda conseguiu falar comigo. Queria conversar no cinema, eu recusei, sem deixar espaço para o governador.

Mas pudemos falar duas coisas. Lacerda: “O doutor Julio me disse que, se a PRORROGAÇÃO for derrotada, haverá novo golpe, mais prisões em todos os setores”. Eu: “Governador, não podemos viver sob a ameaça de golpe, se fizermos ou não fizermos o que eles querem”. Então, derrotemos a PRORROGAÇÃO, e deixemos as coisas mais claras e esclarecidas”.

No dia seguinte escrevi artigo sobre a PRORROGAÇÃO, com alguém dizendo pela primeira vez: “A votação está empatada”. ESTAVA. 48 horas depois, ficou duas horas EMPATADA, até que saiu VITORIOSA POR UM VOTO, perdão, SIMULAÇÃO DE VOTO. De Luiz Bronzeado, da Paraíba, que bebia mais do que votava. A pedido de meu grande amigo João Agripino (depois governador e que tinha sido Ministro de Jânio), interrompeu a bebida para votar.

Isso foi em 1965, a eleição, ELIMINADA E TRANSFORMADA EM DETERMINAÇÃO DITATORIAL. Escrevi um artigo, com o seguinte título: 1966, LACERDA, O CANDIDATO INVENCÍVEL DE UM ELEIÇÃO QUE NÃO VAI HAVER”. Está na coleção, mas não precisa ser lido, basta o título.

 ***

PS – Desculpem se me alonguei. Mas a ditadura durou mais, por causa desse episódio, totalmente desconhecido.

PS2 – Foi a minha mais fragorosa derrota. Tudo o que aconteceu ao país e ao repórter, teria sido evitado, SEM A PRORROGAÇÃO. Podiam ter prendido a todos antes, prenderam depois.

O ano legislativo terminou antes de começar

Carlos Chagas

Coisa de que ninguém duvida, a sucessão presidencial está na rua. Foi até para os camarotes do Carnaval, como já se encontrava nos palanques e na mídia. Conseqüências?

Além de disputar a atenção e de atingir  a paciência do cidadão comum, essa antecipação terá reflexos variados. Um deles, nos trabalhos do Congresso. Imaginava-se, como em outros anos eleitorais, que apenas o segundo semestre teria as características de um recesso  remunerado. Nada mais natural do que deputados e senadores permanecerem a maior parte do tempo em seus estados, cuidando da reeleição e de outras eleições, com ênfase para a presidencial. Pois o risco, agora, é de que  também o primeiro semestre em curso será marcado pela pasmaceira e a inação legislativa. Poucos projetos poderão entrar em votação, a começar pelas sempre anunciadas e jamais concretizadas reformas tributária e política.

A menos que os presidentes José Sarney, do Senado, e Michel Temer, da Câmara, decidam oxigenar suas biografias, dando andamento a propostas engavetadas, a maioria parlamentar optará por debates e discussões a respeito das chances de Dilma Rousseff, José Serra, Ciro Gomes,  Marina Silva e Roberto Requião.

Adianta pouco criticar e protestar, porque os fatos são esses. Na próxima Legislatura, quem sabe?

Pragmatismo

Prepara-se o PT para divulgar “A Grande Transformação”, documento cujo objetivo é atualizar o partido, trinta anos depois de sua fundação e, ao mesmo tempo, preencher espaços perdidos para o governo do presidente Lula.  O espírito do texto é justificar os recuos adotados desde que o primeiro-companheiro assumiu o poder. Para os   otimistas, uma adaptação aos novos tempos. Daí a palavra-chave: pragmatismo.

O novo presidente,  José Eduardo Dutra, chama de bizantina a discussão sobre se o projeto do PT é de esquerda ou de direta, quer dizer,  rompe os laços com a ideologia responsável pela  criação e o crescimento do partido. Imita, com certo atraso, a decisão adotada pelo presidente Lula ainda em 2002, na Carta aos Brasileiros e, em seguida, no desempenho de seu governo. Prefere, o ex-presidente da Petrobrás, rotular o PT de “progressista”, esquecendo-se de que o adjetivo serviu muitos anos de guarda-chuva para Ademar de Barros defender-se  da tempestade esquerdizante  que ameaçava São Paulo.

Fica clara a tentativa do PT de descolar-se de  Dilma Rousseff, menos pela falta de carisma da candidata, que José Eduardo Dutra reconhece, mais porque, se eleita, o partido buscará não repetir o espetáculo de subserviência e pasmaceira encenado diante do Lula. Se vai dar certo ou não, é outra história…

Meirelles e o “Plano B”

O presidente Lula conseguiu convencer Henrique Meirelles a não se candidatar ao governo de Goiás e nem a deputado ou senador por aquele estado.  O argumento  foi de necessitar dele na presidência do Banco Central até o último dia de seu governo. Há  dúvidas  se examinaram ou não o “Plano B”, mas nem parece  necessário.  O ideal para o primeiro-companheiro seria a indicação de Meirelles, pelo PMDB, para companheiro de chapa de Dilma Rousseff. A hipótese por enquanto surge  remota, já que o maior partido  nacional divide-se em duas vertentes: fazer de seu presidente, Michel Temer, candidato a vice-presidente na chapa  oficial ou optar pela candidatura própria de Roberto Requião. Em termos partidários, Meirelles seria a terceira opção, senão  a quarta. Mesmo assim, há quem aposte algumas fichas na possibilidade. Afinal, seis ministérios mais uma infinidade de diretorias de empresas estatais costumam fazer efeito.

Lingua solta no carnaval

Quem se deu mal no Carnaval foi  Sérgio Cabral. Mais do que uma rima tripla, o governador do Rio forneceu novo  obstáculo ao seu bom relacionamento com o palácio do Planalto. Depois de se haver insurgido contra o projeto do pré-sal, por isso paralisado no Congresso, Cabral atrapalhou a montagem político-eleitoral do presidente Lula ao rejeitar a existência de dois palanques para Dilma Rousseff, no estado. Disse que nem sua mulher votaria na candidata do PT  se ela alternasse presença em sua campanha pela reeleição e na campanha de Anthony Garotinho para governador.

O presidente Lula  não  gostou, muito menos a candidata. Afinal, dois palanques se abrirão para ela em outros estados, sem que as digníssimas esposas dos candidatos hesitem em dar-lhe seus votos.

Sergio Cabral cometeu um equívoco

Pedro do Coutto

O Globo publicou na edição de terça-feira, que, no sambódromo, ao assistir ao desfile das Escolas de Samba, o governador Sérgio Cabral afirmou que não vai aceitar que a ministra Dilma  Roussef suba ao palanque do ex governador Garotinho, principal adversário seu nas eleições para o governo do Estado do Rio de Janeiro, quando tenta a reeleição, inclusive na condição de franco favorito. Para um governador e, sem dúvida, um homem politicamente vocacionado, não se entende bem a restrição, aliás, frontal na medida em que ameaça a chefe da Casa Civil de perder seu apoio e até o de sua família. Assim agindo, em vez de fechar, abriu o palanque ao ex governador, pois candidata alguma, ainda por cima com o apoio do presidente Lula, que atingiu 80% de aprovação popular, poderá ceder à exigência. Lula evidentemente, em matéria de apoio situa-se à frente de Cabral e, inclusive, tem reservado ao atual governador as maiores manifestações de apreço e afeto pessoal. Vetando o palanque duplo para Dilma, Cabral corre o risco de se distanciar dói presidente da República permitir que dele se aproxime Garotinho. Não foi uma boa idéia.

Até porque se não apoiar Dilma, Cabral poderá vir a apoiar quem? Ninguém. Ele pertence aos quadros do PMDB. Poderá apoiar José Serra? Ciro Gomes? Marina Silva? Todos estes, no fundo, vão lhe acrescentar muito menos votos que Dilma Roussef. E não são apenas os votos de Dilma. São os votos de Lula. São as obras federais no Rio. Será a presença do presidente a seu lado numa série de eventos.. Lula, a rigor, não deve ter gostado nada das palavras do governador. Não se pode usar de imposição em relação à candidatura ao Palácio do Planalto. O governo federal é muito mais importante que o estadual. E a campanha ainda não esquentou.

Cabral esqueceu que está 15 pontos à frente de Garotinho, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. E Dilma, com base no levantamento do Census-CNT, avançou 6 pontos diminuindo sua diferença sensivelmente em relação à Serra. Portanto, o avanço palpável de Dilma, pelo menos até agora, não foi acompanhado por uma evolução de Garotinho. Além disso, Sérgio detém a máquina administrativa estadual a seu favor. Mesmo que Dilma divida o palanque entre o atual e o ex governador, a situação favorece plenamente a Sérgio Cabral que alem do mais participou ativamente da escolha da sede da Copa do Mundo no Brasil e da seleção do Rio para as Olimpíadas de 2016. Marcou pontos com isso. Importantes. Está realizando obras de porte. O Metro uma delas. A instalação das unidades pacificadoras da Polícia outra iniciativa de porte e reflexo.

Será que com tudo isso ele teme a presença dividida de Dilma em seu palanque governamental e no palanque extra oficial da candidata de Lula? Será que não pensou, ele é um político racional, um bom articulador, em todos esses elencos de fatos? Além do mais a divisão do palanque só pode lhe favorecer, não a Dilma. Ela, inclusive, não terá pensado nisso? Uma campanha em encadeamento de fatos. Não constituiu um episódio isolado. Começa em junho, termina em outubro. E o que dizer do tempo de televisão? O de Sérgio Cabral será dos maiores. O de Dilma Roussef, ao lado do PR de Garotinho, será dos menores. Francamente, pensando mais no assunto, Cabral, vocacionado politicamente como é, chegará a uma conclusão diferente. O palanque misto só o ajudará. Não lhe retira um voto daqueles que já conquistou e que hoje, sem dúvida, lhe fornecem a maioria do eleitorado e assim conduzem à reeleição.

Ciro, que foi Ministro da Fazenda, joga certo. Mas será apenas ele?

Vicente Limongi Netto:
”Creio que Ciro Gomes joga certo o jogo presidencial. É preciso mostrar que tem cérebro nas decisões. Ciro se mantendo na disputa, amplia seu leque pessoal de barganha e tira do anonimato o partido dele, que, na verdade, não sei nem qual é. Agora, pingentes políticos correligionários de Ciro aparecem no noticiário, botando banca e exigindo mundos e fundos. Os bestalhões de sempre. Reféns dos holofotes fáceis. Ciro sabe que nos próximos meses terá que decidir; fica no jogo ou se afasta para ajudar mais a candidata Dilma. Ciro também tem consciência que com Dilma vencedora, dificilmente deixará de ser ministro, se credenciando para novos embates. Ajudando a vencer Serra, Ciro crescerá muito junto à eleita Dilma e a Lula. Dilma, por sua vez, tratará o Ceará a pão-de-ló”.

Comentário de Helio Fernandes
Não há dúvida, Limongi, só restou ao Ciro a possibilidade e a esperança de apostar no futuro. Tendo sido prefeito e governador no Ceará, ficou sem expectativa lá, mudou o domicílio para São Paulo. Mas como eu disse sempre: marquetismo, que faturou alto, e não candidatura para valer.

Se tivesse cacife eleitoral no Ceará, disputaria uma vaga no Senado, 8 anos de mandato, que maravilha viver. Indo para São Paulo, eleitoralmente ainda mais desfavorável, só restou essa hipótese de “ajudar” Dona Dilma, o que ninguém consegue entender. Mas foi o que sobrou.

Terminando, Limongi: tudo isso, essas opções só podem ser lembradas, imaginadas, jogadas, por causa da idade dele. Se tivesse a idade, digamos, do Serra, nem opção nem esperança.

Serra hoje, tem mais 16 anos do que Ciro. E como este já foi Ministro da Fazenda, quem sabe não repete o cargo com Dona Dilma? Embora esta sonhe com Delfim Netto para o cargo.

Só que desistirá desse Delfim, tomando conhecimento de três coisas. 1 – Lendo seu registro de nascimento. 2 – O espantoso empréstimo para a construção da Ponte Rio-Niterói, com juros que até os ingleses (emprestadores) se envergonhavam. 3 – O Relatório Saraiva, (feito pelo Coronel do mesmo nome) montado quando Delfim era embaixador na França (na época, revelado por este repórter com exclusividade).

“10, nota 10”, o julgamento de hoje

A partir das 3 da tarde, a ansiedade de 1 ano estará decidida, num resultado que foi sempre polêmico e até não aceito. Os líderes decidiram: “Podemos divergir, mas aceitamos o resultado”. E foi o que aconteceu.

O julgamento, marcado para sempre pela criatividade de Carlos Imperial, (compositor, filho do presidente do Banco do então Distrito Federal) que “cantava” a nota, repetindo-a, o que ficou como uma espécie de porta-estandarte do espetáculo.

Emoção, angústia, sofrimento, às vezes até a última nota, numa diferença que dá a vitória, mas não a consagração.

(Às vezes o resultado se compara a um jogo de futebol, 1 a 0, e nos pênaltis, como aconteceu no Vasco-Fluminense, e pode se repetir logo mais no Flamengo-Botafogo, muita coisa para um dia só).

Sem falar no julgamento de Arruda, que não será hoje, de maneira alguma. Se fosse, concorreria em audiência com as Escolas e o futebol, que “honra” para o governador preso.