Regis Fitchner, chefe da Casa Civil de Cabral, foi escalado para impedir que seja aberto inquérito na Procuradoria contra o governador, por improbidade administrativa.

Carlos Newton

Sem qualquer comentário, O Globo noticiou que o chefe da Casa Civil, Regis Fitchner, já iniciou as conversações com a Procuradoria do Estado, a pedido do governador, para criar um Código de Conduta. E até parece que o jornal levou a sério esse ardil criado por Sergio Cabral para tentar iludir mais uma vez a opinião pública.

Por detrás da notícia oficial, porém, estão subentendidas as verdadeiras intenções do governador. Como o chefe da Casa Civil é procurador do Estado, sua verdadeira pretensão não é criar nenhum ridículo e extemporâneo Código de Conduta. O que ele tenta nos contatos com os procuradores, na realidade, é abafar o incêndio e convencer a Procuradoria do Estado de que nada justifica que seja aberto um inquérito para investigar as denúncias veiculadas pela imprensa a respeito do enriquecimento ilícito de Cabral e suas ligações íntimas com empresários de grande envergadura.

A abertura do inquérito seria o primeiro passo para uma ação civil pública por atos de improbidade administrativa, a ser dirigida contra o governador e os beneficiários diretos dos seus favores ilícitos (empresários Arthur Cesar e Fernando Cavendish, o secretário de Saúde Sergio Cortes e muitos outros), pela configuração, em tese, de diversos crimes, principalmente  tráfico de influência e corrupção.

Agora os procuradores do estado, que detêm a competência legal para promover a abertura do inquérito e a propositura da ação, vão ter que definir se a Procuradoria é do Estado (e realmente zela pelos interesses do povo do Rio de Janeiro) ou se a Procuradoria é apenas do governo (e vai sucumbir às pressões do governador).

Não é a primeira vez que Cabral vai depender da Procuradoria. Em 1998, já dava demonstrações explícitas de que estava milionário. Ainda era filiado ao PSDB, mas rompeu com o então governador Marcello Alencar, que o denunciou ao Ministério Público Estadual por improbidade administrativa (adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda de agente público), pela compra de uma mansão no condomínio Portobello em Mangaratiba.

A carreira de Cabral poderia ter acabado aí. Mas na ocasião, estranhamente a imprensa não mergulhou fundo no assunto. Foi noticiado apenas que Cabral alegou que fazia “consultoria política” para a agência do publicitário Rogério Monteiro, que lhe pagaria R$ 9 mil por mês. A quantia era insuficiente para justificar os elevados gastos de Cabral, mas a acusação de Marcello Alencar não prosperou, porque o subprocurador-geral Elio Fischberg arquivou a denúncia.

Elio Fischberg salvou o governador e agora está prestes a ser expulso do Ministério Público, por ter falsificado as assinaturas de outros procuradores no arquivamento de inquérito civil que investigava policiais acusados de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, em 2002, entre os quais o ex-chefe da Polícia Civil Rafik Louzada.

O Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em sua mais recente sessão, autorizou o procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, a ajuizar Ação Civil Pública para a decretação de perda do cargo do ex-subprocurador-geral Elio Fischberg. Por unanimidade, os conselheiros votaram a favor da autorização, em dois processos envolvendo Fischberg.

Agora, novamente Cabral está nas mãos da Procuradoria, mas desta vez Fischberg não poderá salvá-lo. Dependendo da atitude que tomar, a Procuradoria pode se desmoralizar junto com o governador. A missão de Regis Fichtner é blindar Sergio Cabral, para evitar a abertura de um inquérito. Se não conseguir impedir, Fichtner vai então lutar para enfraquecer ao máximo a investigação, para que ao final não sejam pleiteadas a suspensão dos poderes políticos do governador nem a devolução dos prejuízos aos cofres públicos.

Aliás, a escolha de Fichtner para blindar a operação foi de precisão cirúrgica, porque o dublê de chefe da Casa Civil e procurador do Estado é um especialista em fraude à lei, expertise que lhe proporcionou o grau de Mestre em Direito pela Universidade de São Paulo, tendo até publicado um livro sobre o empolgante tema: “A Fraude à Lei” (Editora Renovar, 1994, 142 páginas). Trata-se, portanto, de um mestre no assunto, que sabe como poucos as melhores manobras para blindar o governador, é claro.

Um senador sem meias palavras

Carlos Chagas                                                                  

Quem jogou barro no ventilador, ontem, foi o senador Roberto Requião. Discursando na sessão matutina do Senado, ele bateu firme na decisão do governo de construir o trem-bala,  disse que capitalismo é esperteza, que a esquerda brasileira descumpre seus compromissos históricos, e a portuguesa também, ao aceitar as ditas medidas de austeridade impostas pelo FMI, que mais esfolarão o trabalhador. Confessou-se entusiasmado com o governo Dilma,  mas não consegue  esquecer as promessas de campanha e não entende a aliança entre o PMDB e o PT. Verberou a criação de licitações secretas, como no caso das obras nos estádios de futebol, e não poupou o empresariado, para  ele sempre preferindo que o governo assuma riscos e  arque com as despesas de obras públicas,   para  depois   receber as concessões para sua exploração. 

Requião costuma remar contra a maré. Talvez por isso  foi   três vezes eleito  governador do Paraná e duas vezes senador pelo seu estado,  ainda  que também por isso seu partido, o PMDB,  tenha torpedeado por duas vezes sua candidatura à presidência da República. 
                                                               
***
QUER SAIR MAS VAI FICANDO
                                                                  
Antes de viajar para  Santa Catarina,  ontem,  Dilma Rousseff recebeu o ministro  Nelson Jobim, no palácio do Planalto.  De novo o titular da Defesa pediu para sair, conforme conversa anterior, mas,  outra vez, foi convencido a ir ficando.  A presidente não quer nem ouvir falar da hipótese de substituí-lo num setor que vem dando certo, sem problemas de espécie alguma. 

Não se sabe se durante o despacho Dilma referiu-se aos elogios feitos por Jobim, na véspera, a Fernando Henrique Cardoso, quando acentuou que o ex-presidente  jamais levantou a voz nem criou tensionamento para seus assessores. O sociólogo, conforme  o ministro,  nunca disse nada que levasse seus auxiliares a ficarem constrangidos. E mais,  que só os inseguros são autoritários.
                                                                  
***
ONDE JÂNIO QUADROS QUEBROU A CARA
                                                                  
No próximo 25 de agosto completam-se cinquenta anos da renúncia de Jânio Quadros, episódio que quase levou o país  à guerra civil. Só depois de eleito com votação espetacular é que a opinião pública percebeu que o homem era doido, apesar de brilhante. Na chefia do governo, adotou iniciativas tão inexplicáveis quanto absurdas,  paralelas a ações louváveis e necessárias.
                                                                 
Entre as primeiras, estava a proibição de brigas de galo e de desfiles de biquíni em todo o território nacional, bem como a limitação das corridas de cavalo, só permitidas aos sábados e domingos. Substituiu o terno e gravata por um uniforme parecido com o que se usa na Índia, logo apelidado de “pijânio”. Quebrou a cara, também, ao acabar com o horário corrido de trabalho para o funcionalismo público federal, exigindo dois turnos. Atrapalhou a vida de meio mundo e foi obrigado a recuar, tornando a emenda pior do que o soneto. 

Dividiu o Rio de Janeiro num  muro imaginário onde, do lado de lá, por ser longe das repartições, vigorava o horário corrido, e do lado de cá, mais perto do centro da cidade, os servidores precisavam trabalhar de manhã, ir em casa almoçar e retornar à tarde.  Um pandemônio desfeito meses depois por Tancredo Neves, escolhido primeiro-ministro e chefe do governo, depois da crise. 

Por que se lembra essa última história? Porque o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, acaba de suspender a decisão do Conselho Nacional de Justiça que estabelecer dois horários para os funcionários, juízes, desembargadores e ministros  do Poder Judiciário, em vez do horário corrido. Agiu com sensibilidade, porque a mudança iria perturbar muita gente, discutindo-se sua eficácia para tornar a Justiça mais ágil.

***
 ADEUS AO IDEAL SOCIALISTA
                                                                  
Assistimos esta semana uma série de inserções do PPS   nas telinhas e auto-falantes, durante o horário de propaganda partidária gratuita. Com todo o respeito aos serviços prestados ao país  pelo presidente do partido, Roberto Freire,  não dá para ficar calado.  O PPS substituiu o antigo Partido Comunista Brasileiro e parece que relegou e renegou todos os antigos ideais socialistas.  Quem escutou as mensagens do deputado e ex-senador espantou-se por ele ter-se apresentado como o irmão mais novo de Fernando Henrique  Cardoso, elogiando privatizações, neoliberalismo e heresias parecidas,  para quem durante tantos anos seguiu a linha do “partidão”.   O mundo mudou, é evidente, mas nem tanto assim…

Aloísio Mercadante, ator de Ionesco no teatro do absurdo

Pedro do Coutto

Ao depor na tarde de terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado sobre as acusações que lhe foram imputadas em 2006, revividas agora pela revista Veja que está nas bancas, episódio da falsificação do dossiê dos aloprados, o ministro Aloísio Mercadante, sem dúvida, tornou-se um ator do teatro do absurdo de Ionesco. As peças do autor francês, de origem romena, foram traduzidas no país nas décadas de 50 e 60 por Millor Fernandes. Brilhantemente traduzidas, reconheceram os que dominavam o tema e a língua pela extrema complexidade de seu conteúdo.

Vamos por partes. Em primeiro lugar o dossiê dos aloprados. Um documento falso negociado através de quadros do PT com o objetivo de favorecer Mercadante na disputa contra José Serra pelo governo de São Paulo. Em vão porque a tentativa fracassou e Serra venceu por larga margem de votos. Alguns envolvidos ocupavam cargos de confiança no Planalto. Lula os demitiu e a eles atribuiu a classificação de aloprados.
Portadores  do dinheiro para o ato imundo foram presos pela Polícia Federal. Chantagem, partindo da compra e uso equívoco de ambulâncias, de cujas transações sujas saiu a comissão para o suborno. A quem interessava o crime? Perguntaria Sherlock Holmes.

Mercadante, então senador, negou sua participação. Mas agora um diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso, do Partido dos Trabalhadores, entrevistado pela Veja, acusa frontalmente o ministro da Ciência e Tecnologia. Na ocasião, 2006, uma outra revista semanal, que não a época, recebeu a tarefa de publicar a denúncia falsa. Fez isso. Sua tiragem desabou e ela não se recuperou até hoje. Ficou no passado.

No presente o fato voltou à tona. Mercadante resolveu se defender e rechaçar o texto da Veja. Excelentes reportagens de Jailton de Carvalho, O Globo e Breno Costa da Folha de São Paulo, edições de quarta-feira 29, reproduziram seu depoimento em 2011. Eugene Ionesco puro. Farsa total. Não senso absoluto. Acossado fortemente por Francisco Dornelles, Mercadante reconheceu a falsificação mas a retirou de sobre si mesmo. Culpados foram os outros. Quais? Indagou Dornelles.

Foi obra de uma militância com a qual eu não mantinha contato – afirmou singelamente Mercadante – e que via no ato (de falsificar) a missão heróica de destruir a corrupção (de quem?) e romper a blindagem que existia na imprensa em relação ao governo Lula.

Inacreditável, digo eu. Mas está nas páginas de O Globo e da FSP, além de nos arquivos do Senado Federal. Mercadante não disse coisa com coisa. Se o grande Millor não estivesse internado, certamente relembraria os personagens de Ionesco, como a Cantora Careca e O Rinoceronte e incluiria Aloísio Mercadante no elenco vago da ruptura do autor com sua própria história e com os limites narrativos de sua complexa obra.  Mas este é outro ângulo da questão.

Deixando o plano da irrealidade e passando para o da verdade, coube ao senador Francisco Dornelles desmascarar a ópera bufa. O episódio dos aloprados, sustentou o parlamentar do PP, não constitui um caso político. Não cabe no Senado. O caso dos aloprados é um caso de polícia – acrescentou . Dornelles surpreendeu Mercadante, na medida em que mudou rapidamente de tratamento em relação a ele. E cobrou coerência ao rememorar: lembras-se das acusações contra dois senadores com base em reportagem na imprensa? Chegou a pedir suas cassações. Agora chegou sua vez de ser acusado também através da imprensa. Não há nada – concluiu – como um dia após o outro. Foi um corte no tempo, digo eu. O autor da peça virou-se contra o personagem. Ionesco, ele próprio, desceu as cortinas.

Histórias de Jequié, Lomanto e Getulio

Sebastião Nery            

Pálido, os olhos tristes e a alma cansada, Getulio Vargas desceu em Belo Horizonte, na tarde de 12 de agosto de 1954, a convite do solidário governador Juscelino Kubitschek, para inaugurar a siderúrgica Mannesman. O Rio pegava fogo com o  inquérito da Aeronáutica (a “Republica do Galeão”) contra os que tentaram matar Lacerda.

Liderados pelos comunistas e udenistas, nós estudantes, com lenços  amarrados na boca, impedimos que Vargas atravessasse a cidade pela Avenida Afonso Pena, sendo o cortejo presidencial obrigado a seguir pela Avenida Paraná e tomar a Avenida Amazonas até a Cidade Industrial.   

No palanque, ao lado do governador e dos colegas jornalistas, vi bem suas mãos trêmulas mas a voz forte. Vargas deu seu recado aos inimigos:

– “Advirto aos eternos fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir a todas e quaisquer tentativas de perturbação da paz”.

Da inauguração, Getulio foi direto para o palácio das Mangabeiras. Não conseguiu dormir, segundo confessou depois a Juscelino. Depois do café da manhã, antes de voltar para o Rio, de pé, sorrindo discretamente, com seu indefectível charuto, ao lado de JK, Getulio nos cumprimentou, um a um, e disse algumas palavras aos poucos jornalistas ali presentes.

Eu era o mais novo, fiquei na ponta. Achei sua mão gordinha e fria:

– É muito jovem. De que Estado você é?

– Da Bahia, presidente. De Jaguaquara.

– Onde fica?

– Entre Salvador e Ilhéus, perto de Jequié.

Ele parou, pensou um pouco :

– Jequié, Jequié. Conheci o jovem prefeito de lá. Conversamos,  me deixou uma boa impressão. É um rapaz de futuro.

– É o Lomanto, presidente.

– Pois é, um rapaz de futuro.

Despediu-se com seu discreto e distante sorriso e a mão gordinha e fria.

***
NEWTON PINTO E LAFAIETE

Lafaiete Coutinho, paraibano, grande, simpático, médico, udenista baiano, deputado estadual e duas vezes federal pela UDN da Bahia (de 47 a 59), secretario de Segurança do governo Balbino e secretario da Agricultura do governo Juracy, estava em uma solenidade no Fórum de Salvador quando o tambem médico Newton Pinto, ex-prefeito de Jequié e deputado estadual, sábio, doutor em misterios, viu a palma de sua mão:

– Lafaiete, você é um homem de coragem? Posso dizer uma coisa?

– Pode, Newton. O que você quiser. Lá vem você com sua quiromancia (Aurélio : “Adivinhação pela leitura das palmas das mãos”).

– Então arrume sua vida,porque você só tem poucas semanas de vida.

Lafaiete deu uma gargalhada.

***

Era 1959, o presidente Juscelino Kubitschek e o governador da Bahia, Juracy Magalhães, estavam  empenhados em arranjar um candidato que unisse a UDN, o PTB e até mesmo o PSD, para impedir que a UDN lançasse Jânio para presidente. Juscelino e Juracy achavam que podia ser Juracy,mas aceitavam Osvaldo Aranha,do PTB, amigo dos dois e de Jango.

Juracy mandou Lafaiete ao Rio Grande do Sul perguntar a João Goulart, vice-presidente de Juscelino e líder absoluto do PTB, se aceitava Osvaldo Aranha como candidato de união nacional, com apoio de JK.

Na véspera da viagem, jornalista politico de “A Tarde”, ao lado da  secretaria da Agricutlura, ali na praça Castro Alves, entrei no gabinete de Lafaiete, que me contou a conversa com Newton Pinto e me interrogou :

– Você, que passou oito anos no seminário e estudou essas coisas todas, acredita em quiromancia, o destino traçado nas linhas das mãos?

– Nem acredito nem desacredito. Mas não me meto.

Ele deu uma gargalhada:

– Então estou a caminho da morte. Vou a amanhã a Porto Alegre e, de lá, pegar um aviãozinho qualquer para chegar à fazenda do Jango, em São Borja. Não gosto de avião pequeno.  Mas não tem outro jeito.Vou em missão política do Juracy, não posso dizer nada, na volta te conto.

***

Lafaiete foi, conversou, voltou em um sábado, e do aeroporto de Salvador seguiu direto para o palácio da Aclamação, comeu uma feijoada com Juracy, e lhe contou a conversa toda, inclusive a resposta de Jango :

– Diga ao governador Juracy que gosto muito do doutor Osvaldo Aranha, amigo fiel do ex-presidente Vargas até o ultimo instante e meu amigo também. Mas a política do Rio Grande é um terreiro, que só dá para um galo só. Se ele se elege,  me aposenta, acabou minha liderança. 

Lafaiete pegou o carro oficial e foi para casa, na Graça.

Quando tocou a campainha, caiu morto na varanda.

Newton Pinto sabe da vida e da morte.

FHC acaba se tornando imortal, como se fosse um pavão de fardão.

 Vicente Limongi Netto

O dia foi memorável para o vaidoso FHC. Tudo funcionou como ele gosta: rasgados elogios, refletores, músicas inesquecíveis e imprensa internacional. A diva Fernanda Montenegro foi avalizar o divo dos sociólogos. Não demora FH será escalado para novelas da Globo. Antônio Fagundes, Tony Ramos e Francisco Cuoco que se cuidem.
O melhor do espetáculo, repleto de ternura e fortes emoções, foi quando FHC começou a falar. Tudo que ele diz, aponta, elogia ou critica precisa ser anotado e bem analisado. Afinal, não é todo dia que sábios como ele fazem ruidosos 80 anos de idade. O alto tucanato pensou em tudo. Escalou o ressentido e derrotado José Serra para criticar Lula. Claro, Serra tinha que aparecer de qualquer jeito, mesmo apelando, como mocinho no filme de FHC.
Lula, do alto dos seus 80% de aceitação popular, ficou orgulhoso por ser lembrado na festa tucana. Falem mal, mas falem de mim. Não demora, na próxima vaga que surgir, FHC entra na Academia Brasileira de Letras. O grande ídolo dos tucanos finalmente se tornará pavão com fardão. Será a glória.

Novo partido de Kassab fez um estrago na oposição e será lançado em agosto com mais de 40 deputados federais.

Carlos Newton

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, está na reta final para registrar o novo PSD. O prazo final para encaminhar a documentação à Justiça Eleitoral termina em outubro (um ano antes da eleição), mas ele pretende se adiantar e concluir o processo em agosto. As informações de que o PSD vai aderir direto ao governo e se coligar com o PT em 2012 são furadas, porque Kassab vai lançar seu mentor Guilherme Afif Domingos à Prefeitura de São Paulo.

Mesmo com candidatos próprios em 2012, o PSD vai se integrar à base aliada, no plano federal. Sua criação fez um grande estrago na oposição e vai contar na Câmara Federal com mais de 40 deputados. O mais atingido foi o DEM. Mas o PSDB também perdeu muitos quadros. Só na Câmara Municipal de São Paulo, por exemplo, o  PSD herdou 5 vereadores tucanos.

A criação do PSD, na verdade, pouco significa. Apenas demonstra a mediocridade dessa fase por que passa a política nacional, em todos os níveis.

Não perca, no SBT, os cinco capítulos da eletrizante novela protagonizada pelo ex-marido da presidente Dilma Rousseff.

Carlos Newton

Vai ao ar em cinco partes, a partir da próxima segunda-feira, o depoimento que Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma Rousseff, gravou para a sensacional novela “Amor e Revolução”, do SBT, cuja produção e exibição demonstram que Silvio Santos deixou de ser aquele velho bajulador de militares e agora se dedica a bajular presidentes civis.

Apesar de ser o retrato perfeito de um ilustre desconhecido, Carlos Araújo será o primeiro entrevistado a ocupar cinco capítulos. Na série de depoimentos, ele nega a participação de Dilma em ações armadas, conta detalhes sobre o roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros e fala sobre a prisão da atual presidente.

Ele conta que foi um dos fundadores do grupo VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares ) e curiosamente chama os assaltos que praticavam de “ações de desapropriação de bancos”. Araújo diz que o assalto ao cofre do Adhemar foi planejado pela necessidade de financiar as ações de guerrilha, que se avolumavam. “Tínhamos a informação de que o dinheiro do jogo do bicho era recolhido mensalmente e levado para a casa de Dona Ana Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e depois mandado para o exterior. Soubemos disso, fomos lá e pegamos o cofre. Naquela época tinha aproximadamente US$ 2 milhões.”

O ex-guerrilheiro diz que tentou o suicídio depois que foi preso e torturado, e negou a participação da ex-mulher em ações armadas. “A Dilma não participou de ação nenhuma. Não existe nenhum processo. Ela não participou de nenhuma ação armada porque não era o setor dela. Ela atuava em outros setores.” Por fim, ele relata a prisão de Dilma em São Paulo e as sessões de tortura a que foi submetida. “Ela não ficou com sequelas. Felizmente. Ela entrou na cadeia nova e saiu nova”, diz ele.

A novela é um fracasso de audiência e de crítica. Representa apenas uma forma de Silvio Santos pagar o grande favor que o ex-presidente Lula lhe fez, quando determinou que a Caixa Econômica Federal evitasse a falência do Banco PanAmericano, que provocaria a quebra de todas as empresas de Silvio Santos, inclusive a rede de emissoras de TV.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que para Silvio Santos foi muito barato pagar essa conta apenas produzindo e exibindo uma novela. “Não ganhei nem perdi nada com a venda do PanAmericano”, confessou na época. Mas se Lula não tivesse mandado a Caixa segurar o rojão, Silvio Santos não teria mais razões para continuar exibindo aquele imenso sorriso, que só falta lhe engolir as orelhas.

Liberou geral: a partir de segunda-feira, cerca de 20% dos criminosos brasileiros serão libertados pela nova legislação, que restringe a prisão preventiva.

Carlos Newton

Justamente quando a criminalidade se torna um dos maiores problemas do país e a sociedade clama por um maior rigor contra os fora-da-lei, a partir desta segunda-feira entra em vigor a Lei Federal nº 12.403, que  altera o Código Processual Penal, dificultando a decretação da prisão preventiva no Brasil.

Já abordamos esse assunto aqui no blog da Tribuna. Mas, devido à sua grande importância, vale a pena dar mais detalhes. Por exemplo, a nova legislação tornará a prisão preventiva uma exceção, a ser aplicada em casos bem mais restritos do que permite a norma ainda em vigor, de 1941.

Assim, a prisão preventiva não poderá mais ser aplicada a autores de crimes dolosos puníveis com reclusão inferior a quatro anos. Tradução simultânea: liberou geral para furto, receptação, posse ilegal de arma de fogo, cárcere privado, corrupção de menores, homicídio culposo no trânsito, apropriação indébita, contrabando e dano a bem público.

Traduzindo de novo: A estimativa é que mais de 100 mil detentos sejam liberados. Segundo o Ministério da Justiça, em 2010, 37% da população carcerária de todo o país — que hoje é de 496.251 pessoas — eram mantidos nas celas por conta da prisão provisória.Ou seja, cerca de 20% dos presos ganharão liberdade. A nova lei determina que os juízes recorram à preventiva em último caso. A detenção só poderá ser aplicada aos acusados que já tenham condenação por outros delitos dolosos, que cometerem crimes cuja pena é superior a quatro anos de prisão ou tenham praticado violência doméstica familiar.

Antes disso, nove medidas cautelares devem ser aplicadas para monitorar o acusado ao longo dos trâmites jurídicos até o julgamento. Entre elas estão o comparecimento periódico em juízo, a restrição de acesso, o recolhimento noturno e a proibição de deixar a região.

Antes da reforma, diante de uma prisão em flagrante, a Justiça contava com apenas duas opções, a conversão em prisão preventiva ou a soltura do indivíduo. Traduzindo mais uma vez: vamos ter saudades da legislação antiga.

Carlos Lessa tem razão: o BNDES deixou de ser o banco de fomento das empresas nacionais, para se tornar o banco de fomento das multinacionais.

Carlos Newton

É vergonhoso ver o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a defender com unhas e dentes sua misteriosa e deletéria participação na proposta de fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour no Brasil, que pode criar uma gigante com cerca de um terço do varejo nacional.

O BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, entrará com R$ 3,9 bilhões na complexa operação de aliança entre Pão de Açúcar e Carrefour, pela qual o grupo liderado pelo empresário Abílio Diniz incorporaria a operação brasileira da companhia francesa.

Fica comprovada, portanto, a tese do economista Carlos Lessa, de que o BNDES deixou de ser o banco de fomento das empresas nacionais, conforme a política estabelecida em 2003 por ele, quando presidiu a instituição, para se transformar definitivamente no banco de fomento das multinacionais.

“O projeto que os empresários estão apresentando visa a criação e a geração de valor para todos. A fusão vai gerar valor para nós”, alegou o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, em evento no Rio, acrescentando: “Isso vai gerar valor para nós e você sabe que metade do lucro do BNDES é derivado do BNDESPar, e nós vimos aqui uma bela oportunidade de geração de valor e empregos, que é a nossa missão”.

Como se vê, esse João Carlos Ferraz não passa de um mistificador, que não merece participar da direção de um banco importante para o país como o BNDES. Qualquer estudante de Economia sabe que, quando há fusão de grandes empresas, diminui a concorrência e consequentemente ocorre redução do número respectivo de empregos diretos e indiretos. 

O pior é ouvi-lo dizer que, nas operações do banco, “a bandeira verde e amarela sempre é importante”. Certamente esse João Carlos Ferraz deve estar se referindo à gestão de Carlos Lessa, quando o BNDES evitou a desnacionalização da Vale e foi até criticado por isso, vejam só em que estranho país estamos.

Com toda certeza, o economista Luciano Coutinho definitivamente demonstra ser uma grande decepção na presidência do BNDES. Ele deve se sentir envergonhado sempre que encontra com Carlos Lessa em algum evento econômico ou social. Se é que ainda lhe resta alguma consciência.

Inferno astral de Sergio Cabral ainda não terminou. Agora tem de responder ao Ministério Público Estadual, que pede explicações sobre seus “desvios de conduta”.

Carlos Newton  

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro aparentemente acordou de sua letargia e enviou ofício ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) solicitando explicações sobre sua viagem à Bahia, no dia 17, utilizando um luxuoso avião emprestado pelo empresário Eike Batista, que tem negócios milionários que dependem do governo do Estado, tendo Cabral embarcado em companhia de outro empresário, Fernando Cavendish, que é justamente o empreiteiro que faz mais obras para a administração pública fluminense.

Como se sabe, Cabral saiu do Aeroporto Santos Dumont em um jato Legacy de Eike Batista para comemorar o aniversário de Cavendish, da Delta Construções. A festa acabou não acontecendo porque houve um acidente com o helicóptero que transportava sete pessoas, e todas elas morreram, inclusive a namorada de Marco Antônio Cabral, filho do governador, que acompanhou o pai na festiva viagem.

Dos 18 contratos firmados entre o governo do Estado do Rio de Janeiro e a empreiteira Delta em 2010, 13 foram feitos em caráter emergencial, no valor total de R$ 133,7 milhões A Secretaria de Estado de Obras informou que a “emergência” diz respeito às chuvas que atingiram o Estado em abril.  Acontece que os contratos não foram firmados logo após as chuvas, mas sim vários meses depois, entre setembro e outubro, quando já não havia emergência alguma.

Neste ano, dos quatro contratos da Delta com o governo estadual, três também foram feitos em caráter emergencial, no total de R$ 3,6 milhões. O motivo alegado foi o mesmo: as chuvas que atingiram o Estado em fevereiro e abril de 2011.

Além de esclarecimentos sobre a amizade de Cabral com donos de empresas que doaram dinheiro à sua campanha e mantêm contratos com o governo fluminense, o Ministério Público também quer saber detalhes sobre a concessão de benefícios fiscais concedidos, entre 2007 e 2010, a motéis, boates, padarias e postos de gasolina.

Cerca de 5 mil empresas deixaram de recolher R$ 50 bilhões aos cofres do Estado entre 2007 e 2010, porque obtiveram renúncia fiscal do governo Sérgio Cabral. Dados da Secretaria Estadual de Fazenda mostram que boates, motéis, mercearias, padarias, postos de gasolina e cabeleireiros foram beneficiados. O montante da renúncia cresceu 72% em 2010, em relação a 2007. Os R$ 50 bilhões já são mais do que a metade do valor da receita tributária, que foi de R$ 97 bilhões no mesmo período, significando um verdadeiro suicídio administrativo.

Procurada  insistentemente pelos jornalistas, a Secretaria de Fazenda informou que, em função do Código Tributário Nacional, é obrigada a respeitar o sigilo fiscal, razão pela qual é impedida de dar informações de contribuintes beneficiados.

***
RÉU CONFESSO DE MÁ CONDUTA

Na quarta-feira, o governador quebrou o silêncio dos últimos dias e, em entrevista à rádio “CBN”, reconheceu seus erros de conduta e defendeu a criação de um “código de conduta pública”.

“Eu sempre procurei separar minha vida privada da minha vida pública. De fato há uma discussão sobre isso e eu quero também assumir este debate de um código de conduta. Jornalistas também têm esses códigos. Quem sabe não construímos juntos uma solução para isso? Posso garantir que jamais tomei uma decisão pública, envolvendo dinheiro público, baseado em amizades pessoais”, disse.

Suas desculpas são primárias e esfarrapadas. O governador age exatamente igual a um criminoso que se defende dizendo que “não sabia que isso era crime”. Comporta-se como se fosse necessário haver um código de conduta para os governantes saberem o que é certo ou errado, em pleno Século XXI, como se não existisse a Lei de Improbidade, o Estatuto do Funcionário Público e o decreto federal 4.081 de 2002, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que instituiu um código de ética para os governantes.

De acordo com a vereadora Sonia Rabelo (PV), professora titular de Direito Administrativo da UERJ, essas leis já oferecem um parâmetro de ética a ser seguido, e os governadores não precisam de código algum.

Ela lembra ainda que o artigo 9 da Lei 8.429 (Improbidade Administrativa) classifica como ilegal o recebimento de vantagem econômica, direta ou indireta, na forma de presentes “de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público”.

Uma viagem num avião particular, levando dez pessoas, custa muito caro e sem duvida foi um belo “presente” de Eike Batista ao governador Cabral, que pode ser considerado improbidade administrativa. Na verdade, a Lei 8.429 se aplica a agentes políticos, porque enquadra expressamente quem pratica improbidade com base em mandato eletivo. Isso significa que, se quiser, o Ministério Público pode indiciar o governador a partir da simples viagem no Legacy de Eike. Isso, é claro, se realmente quiser enquadrá-lo.

Nomeação da nova Chefe de Gabinete da CVM mostra que a autarquia também precisa de um Código de Conduta, pois age exatamente como o governador Sergio Cabral.

Carlos Newton

Os problemas de conduta ética não são exclusividade do governador Sergio Cabral. Acontecem com frequência nos outros níveis de governo – federal e municipal. Muitos exemplos desse tipo equivocado de conduta têm acontecido na Comissão de Valores Mobiliários, por exemplo, que é uma autarquia federal, encarregada de regular e fiscalizar o mercado financeiro, e precisa ser independente, sem sofrer influências de qualquer espécie.

Na CVM, esses deslizes de conduta também se fazem às claras, sem qualquer constrangimento, no estilo de Sergio Cabral. Vejamos o caso da advogada Gabriela Codorniz, recentemente nomeada pela presidente da autarquia, Maria Helena Santana, para ocupar o mais importante cargo de confiança. Gabriela Codorniz é agora não somente a nova Chefe de Gabinete da Presidência da CVM, como responde também pela Ouvidoria.

Sua nomeação demonstra que a CVM também necessita, urgentemente de um Código de Conduta. A presidente da autarquia não levou em considerações nem se preocupou com o fato de Gabriela Cordoniz ser advogada associada ao escritório Trindade, cujo titular é justamente um ex-presidente da CVM, Marcelo Trindade, que exerceu o cargo antes de Maria Helena Santana, por indicação do ex-ministro Antonio Palocci, vejam só que relação delicada.

Para o advogado Marcelo Trindade, que patrocina diversos processos administrativos sancionadores perante a CVM, deve ser um orgulho muito grande ter uma ex-colega de escritório como chefe de Gabinete da Presidência, não é mesmo uma bela coincidência? Bom, muito bom. Mas será que não há na CVM nenhum funcionário de carreira, concursado, que mereça a confiança da atual presidente e pudesse exercer o cargo? Será que a única solução para a presidente era realmente “importar” uma advogada de fora, e nomear para a função logo uma ex-integrante de um dos escritórios de advocacia que mais defendem processos na autarquia?

Realmente, a moralidade administrativa parece ter entrado em colapso neste País. O item II do art. 37 da Constituição Federal parece ter sido revogado por falta de uso. Está evidente que a investidura em cargo ou emprego público não mais depende de aprovação prévia em concurso de provas ou de  títulos.

É claro que os seguidores da “Escola de Ética Sergio Cabral” não conseguem ver nada de errado nisso. As relações delicadas entre a nova chefe de Gabinete da CVM e seu antigo empregador, Dr. Marcelo Trindade, certamente em nada favorecerão a banca de advocacia, na defesa de vários processos sancionadores que tramitam na autarquia.

É lógico que o Dr. Marcelo Trindade, a exemplo do governador Sergio Cabral, certamente também não mistura amizades com negócios, só mesmo uma cabeça suja como a minha para pensar nisso. É claro que não terá qualquer facilidade maior na CVM, só porque sua ex-funcionária e colega de escritório é a nova Chefe de Gabinete.

Por fim, se não há relações delicadas entre a atual presidente da CVM Maria Helena Santana e seu antecessor Marcelo Trindade, há, no mínimo, uma incrível afinidade (ou será coincidência?) de gosto na seleção dos profissionais de confiança que trabalham com uma e com o outro.

Antigamente, não bastava que a mulher de César fosse séria. Tinha que parecer séria. Hoje, pode ser que algumas pessoas até sejam sérias, mas que não parecem ser, decididamente não parecem.  E onde está o Ministério Público Federal, que nada vê, enquanto a CVM se transforma num prolongamento do escritório do Dr. Trindade?

Veja aqui prova de que Gabriela Codorniz era advogada no escritório de advocacia de Marcelo Trindade:

 http://br.linkedin.com/pub/gabriela-codorniz/16/ba4/61a

Confira também a prova de que Gabriela Codorniz é a nova Chefe de Gabinete da Presidência da CVM e também sua Ouvidora:

 http://www.cvm.gov.br/

Agindo como Al Capone

Carlos Chagas

Tem outro nome? Não. É chantagem, mesmo, o que as bancadas do PMDB e do PT na Câmara fizeram com a presidente Dilma Rousseff. Ela  afirmou que não voltaria atrás na  decisão de   não prorrogar o prazo para o fim da validade do pagamento das emendas individuais ao orçamento, referentes ao ano de 2009. Na noite de quarta-feira, porém, mandou a ministra Ideli Salvatti telefonar para os líderes dos partidos, anunciando a prorrogação por mais três meses.  Desta vez, impreterivelmente.

Será? E se a chantagem  continuar, ou seja, se em outubro  os partidos da base oficial  ameaçarem outra vez não votar ou votar contra os projetos de interesse do palácio do Planalto, Dilma cederá?

Raras vezes se tem assistido no Congresso espetáculo tão explícito de chantagem.  Porque os deputados, talvez também os senadores, atuam à maneira de Al Capone.  Vendem proteção legislativa.

A pergunta que se faz é  se terá valido à pena esse recuo da presidente da República. Dona Dilma poderia e até deveria ter engrossado, quem sabe  desde o seu primeiro dia de governo.  Dispor de uma base de apoio assim, para que? Passados seis meses, nenhuma contribuição dos partidos governistas  chegou ao palácio do  Planalto. Só exigências, melhor dizendo, ameaças. Por mais estranho que pareça, muita gente começa a ter saudades do general Ernesto Geisel.

Desse episódio grotesco sobra uma indagação: como terá a ministra Ideli Salvatti aconselhado a presidente da República? Afinal, a coordenação política passou a encargo dela, conhecida nos tempos de senadora como  inflexível e sempre  pronta para  embates e tertúlias. Teria verificado a impossibilidade de resistência diante do fisiologismo? Como desenvolverá, daqui por diante, suas relações institucionais?

***
ME ENGANA QUE EU GOSTO

Nessa escabrosa novela da fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour o que mais chama a atenção é a desfaçatez dos dirigentes dos dois supermercados quando   garantem que não haverá demissões. Não haverá como manter as  operações praticadas por duas empresas se elas viram uma só. Pior fica quando se atenta para a evidência de que as demissões estarão sendo financiadas com dinheiro do BNDES, isto é, dinheiro público.

Há quem deposite esperanças num veto do CADE, Conselho de Direito Econômico, mas muito melhor seria se desde já  o governo retirasse o apoio de seu banco, explicando tratar-se a fusão de um assunto pertinente a duas empresas privadas.  Elas que busquem recursos nos bancos particulares.

***
ATÉ NA INGLATERRA

Só faltava mesmo a Inglaterra. Ontem a ilha parou.  Todo mundo fez greve, protestado por 24 horas contra  a mais  recente  maldade  do neoliberalismo.  O governo inglês vai aumentar de 60 para 66 anos a idade mínima para aposentadorias. E ainda cobrará mais 3% na contribuição de quem  pensa em, um dia, aposentar-se.

Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha,  França e agora a Inglaterra encenam o espetáculo  do inconformismo popular diante da malandragem  das elites. Porque se as contas não fecham, se a crise  ameaça suas economias,  a solução seria buscar recursos onde eles existem, quer dizer, no lucro dos bancos, na taxação das especulações financeiras e na renda dos que vivem sem trabalhar. Jamais às custas do trabalhador.

 ***
OS EX-PRESIDENTES

O Senado continua debatendo a reforma política, primeiro na Comissão de Constituição e Justiça, depois no plenário. O singular é que  não apareceu, até agora, nenhuma sugestão   relativa aos ex-presidentes da República, sequer aquela que daria a eles uma cadeira vitalícia no Senado, mesmo sem direito a voto. A razão é simples.

Três já são senadores,  eleitos pelo voto popular: José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco. Dos outros dois, um prepara-se para voltar ao palácio do Planalto, o Lula. O outro, Fernando Henrique, seria o único beneficiado com a proposta. Pelo jeito, nem a bancada tucana pensa nele…

Eike Batista, o último personagem do grande Rene Clair

Pedro do Coutto

Francamente, ao ler a excelente reportagem de Bernardo Mello Franco, Folha de São Paulo de 26 de junho, sobre as doações do empresário Eike Batista ao governo do Rio de Janeiro e ao governador Sérgio Cabral, no montante de 139 milhões de reais, ao sentir o fino humor com que o jornalista perfumou o texto, me veio à lembrança filme famoso do grande cineasta francês René Clair. De 1934, chama-se Le Dernier Milliardaire, O Último Milionário, um homem excêntrico que tinha por hábito distribuir dinheiro à população de uma cidade francesa da janela de sua mansão.

Claro, Eike Batista, sem dúvida uma figura simpática, mas igualmente excêntrica do universo econômico, e não apenas do society, não é o último milionário. Tampouco o será porque, além de jovem de 54 anos, é acompanhado na lista por muitos outros. Há quase 155 mil, revela Érica Fraga na edição de 27 da mesma FSP, que possuem contas no exterior. Entre elas, evidente, as ocultas e as aparentes. Eike Batista não é o último, mas certamente é o mais inesperado e surpreendente capitalista do Brasil.
Suas ações, verdadeiras manobras de flanco de sedução, parecem partir de impulsos espontâneos, o que não seria novidade. Entretanto, a meu ver, a diferença que ele assinala em relação aos comportamentos tradicionais está no fato de não esperar a mensagem cifrada e sim antecipar-se a ela, deixando assim os amigos e aliados em posições mais confortáveis.

Ele faz da amizade sincera – acredito – sua arma nada secreta, porém sem o amargor que inevitavelmente envolve os movimentos que se desenvolvem nos bastidores do túnel que liga a política aos empreendimentos. Eike, para mim, é um grande ator no palco dos acontecimentos. Ele mobiliza, sem dúvida. E investe pesado nessa mobilização. Não se pode culpá-lo de nada. Afinal de contas, não pode ser responsabilizado pelos créditos que obtém junto ao BNDES, tampouco pelos incentivos fiscais que lhe são destinados pelo governo do Rio de Janeiro.

O que me intriga, e gostaria de saber, é se seus investimentos modernos, digamos assim, apresentam rentabilidade igual ou maior do que aqueles praticados por outras empresas e empresários sem o manto diáfano da fantasia a que se referiu Eça de Queiróz. Pode ser que sim, pode ser que não.
Mas de qualquer forma, Eike Batista vai se tornando um mito, já considerado o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo. Portanto, seu nome deve constar da lista dos 155 mil brasileiros ou residentes no país que possuem contas no exterior.

A propósito, circular do Banco Central – número 3543/2011, publicada no DO de segunda feira – estabelece que os titulares desses créditos ou de bens de valor superior a 100 mil dólares devem informar ao BACEN e à Receita Federal as suas posses até o final do próximo mês de Julho. Todos os anos o Banco Central renova a exigência. Será ela cumprida corretamente? O deputado Paulo Maluf informará o montante de seu saldo confirmado pelo Citibank de Caymã?  Não é provável. E o que acontece? Nada. Mas esta é outra questão.

O tema deste artigo é o Monsieur Banco, nome do personagem de René Clair. Quer me parecer que Eike Batista desempenha um papel que vai do sedutor financeiro ao empreendedor correto. Está aí a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, a campanha para o Brasil sediar a Copa e o Rio os Jogos Olímpicos. Criação de UPPS. Com tudo isso, ele próprio talvez se sinta como um personagem de si mesmo.

Um enigma. Uma personalidade dupla cujas faces às vezes se encontram, outras não. Diante do espelho, é possível que suas feições transformem-se de um momento para outro. Porém imagem alguma se torna agressiva. Ao contrário. Está sempre pronto a recomeçar o jogo em que se empenha. Felicidade para ele.

O martírio da Grécia

Sebastião Nery

SÃO PAULO – Com fome desde Roma, entrei com a namorada no primeiro restaurante, bem embaixo da eterna “Acrópole”, na “Plaka”, o velho bairro popular do centro de Atenas. Chamei o garçom, italiano:

– Traga o melhor vinho da Grécia.

– É o “Boutari”.

– Quero também a melhor comida de vocês.

– É “Brizolla”.

– “Brizolla”? Não é possível. Até aqui? O que é “Brizolla”?

– Costeleta de boi. Nosso prato é carneiro. Costeleta de boi é especial.

De fato um prato excelente. Caro mas ótimo. E o vinho também.

***
METÁFORAS

Ao lado do “Hotel Grande Bretagne”, um caminhão. Na carroceria : “Metáforas”. Não era uma jamanta de poesia. Era apenas um caminhão de mudanças. “Metáfora” é mudança. Como se fosse o apartamento de Drummond levado para Itabira. São os mistérios das línguas, tão diversos e tão diversas, embora o grego seja a avó do português, filha do latim. 

Mesmo para quem como eu inutilmente estudou grego no seminário é impraticável. O grego moderno, depois de tantas invasões, sobretudo a  não assimilada invasão dos turcos, mudou muito o velho grego clássico.

Para esperar o ônibus você não fica no vulgar “ponto”, mas no “êxtase”. Quando você sai do êxtase”, do ônibus, do restaurante, da igreja, não sai pela “saída”. Sai pelo “êxodo”. Como Moisés.

A França não é França, de Napoleão e De Gaulle. É “Gália”, como dizia Julio César, o cônsul e general jornalista, inventor do “lead”, em um dos mais competentes textos da historia da imprensa, antes de Cristo:

-“Galia in partes tres divisa est” (“A França é dividida em três partes”). E contava as violências romanas para subjugar heróis que estão aí até hoje:“Versingetorix”. E a Grécia não é Grécia. É “Hellas”. Homero puro.

***
PÓS-EUROPEUS

São 10 milhões de habitantes, mais de 4 milhões em Atenas. E 2 milhões na segunda maior cidade, Tessalonica, lá no norte. O resto se dissolve por milhares de maravilhosas ilhas,com suas casinhas brancas lá em cima, penduradas nas colinas escarpadas, e o mar infinitamente azul. 

A população é mais escura do que se imagina. Aquele tipo clássico do grego dos livros, claro, olhos claros, nariz fino, alto, acabou tragado pela verdade da história. Ficou lá atrás nos séculos que se passaram, dissolvidos. 

Hoje a Grécia é muito menos européia do que balcânica. Mistura de árabe com africano. Os homens de rosto moreno escuro, cabelos negros, geralmente também vestidos de negro, e as mulheres com seus xales negros. Uma sociedade pós-europeia, visivelmente reprimida pela história.

***
CLAROS

Ela vem voando leve, linda, longa, longe, toda branca, toda nua, como uma flecha de Deus, um Mirage do céu. Vai chegando perto, cada vez mais perto, bico estirado, as asas presas, os pés retos. Está a um metro de mim. Vejo-lhe perfeitamente os olhos úmidos, miúdos, infinitos. Jogo um pedaço de pão, ela pega, passa. E faz uma doce, graciosa, sensual curva sobre o mar. É uma gaivota, um “claro” do Peloponeso. Os “claros” gregos.

O mundo inteiro tem gaivotas, as bailarinas do mar. Gostam de seguir os navios, os barcos. São inesquecíveis as de Roterdã, Liverpool, Nápoles, Hamburgo, Odessa, Vladivostock. São as marinheiras dos céus.

Mas como as de Peloponeso, os “claros” gregos, nenhuma. Milhares e milhares, incansáveis, incontáveis esquadrilhas voando baixo, rente ao navio, ao barco, dando luminosos mergulhos nas águas balançadas ou sobre o convés para pegar no ar pão, queijo,  tudo que os turistas lhes jogam.

Aquele território de céu é delas. Um pequeno latifúndio de azul. 

***
PERICLES

O rosto sereno, os olhos vazados, a barba encaracolada, no famoso busto que os ingleses roubaram e levaram para o Museu de Londres onde está lá até hoje. Durante 30 anos fez questão de se submeter, todos os anos, ao voto do povo, a eleições livres. E foi sempre reeleito. A democracia, a mais perfeita instituição política que o homem criou em toda a história, da qual Churchill disse que é a “pior forma de governo com exceção de todas as outras”, nasceu sobretudo de seu exemplo e vida 500 anos antes de Cristo

Quando Péricles, o ateniense, deu aos representantes da terceira classe o direito de serem “arcontes” (parlamentar, magistrado com poder de legislar e executor das leis); quando distribuiu dinheiro aos pobres para que também eles pudessem exercer funções públicas; quando deu aos indigentes o direito de irem ao teatro de graça, Péricles estava instalando a primeira constituinte democrática, fazendo a primeira Constituição democrática, criando a democracia, 2.500 anos atrás.

O que estão fazendo no martirio da Grécia é uma traição a Péricles.

Circula na internet o incrível relato de um general sobre o suicídio de dois outros generais, amigos desde a infância.

Gen. Andrade Nery

Em 1964, o então Chefe do Estado Maior da 6ª RM, em Salvador, o Cel. Humberto de Souza Mello é promovido a General e assume um Comando em Porto Alegre.

No final daquele ano fui passar férias na residência dele, meu sogro, e, com alguns oficiais amigos (Máximo, Valporto, Uchoa, Gilseno e Souza) todos paraquedistas, organizamos um curso de paraquedismo para moças e rapazes de Porto Alegre.

Numa manhã, quando me dirigia de carro para a Base Aérea de Canoas e embarcar no avião para mais uma atividade do curso, numa esquina, em Porto Alegre, dois garotos com farda do Colégio Militar fizeram sinal e eu parei o carro.

Eles perguntaram: o Sr. é o Tenente Nery? Respondi, sim, sou eu.

Eles disseram: queremos assistir aos saltos de paraquedas. Respondi, está bem, entrem no carro.

Eles acompanharam todas as atividades de lançamento das moças e dos rapazes, sentados tranquilos no avião. Em 1969, para surpresa minha, os dois garotos foram declarados Aspirante a Oficial de Infantaria e, mais tarde, com uma brilhante folha de serviço como oficiais paraquedistas, atingiram ao generalato.

Em 2006, um dos garotos, Gen. Urano Bacellar, sim era ele, como Comandante das tropas no Haiti, é encontrado morto no quarto do hotel. Suicídio? Assassinato?

Agora, no dia 15 de junho de 2011, o outro garoto, Gen. Valter Bischoff, deixa o quarto do Hospital onde estava internada a sua mulher com câncer e em seguida é encontrado morto no seu carro, estacionado em frente ao Hotel de Trânsito, próximo ao Hospital. Suicídio.

Por que esta coincidência? Estou abalado! Que Deus os tenha.

Nos filmes sobre Dilma Rousseff e Marina Silva, o ator coadjuvante Lula está arriscado a roubar as cenas e ganhar o Oscar.

Carlos Newton

Era só o que faltava. Depois de “Lula, o filho do Brasil”, vêm aí duas produções cinematográficas sobre política. Uma delas vai contar a trajetória política de Dilma Rousseff, ou seja, terá participação de Lula como personagem principal, já que do lado dele a sucessora é sempre coadjuvante.

O outro longa-metragem será centrado na vida da ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, que obrigatoriamente também terá Lula como participante quase o tempo inteiro, desde a parceria política dele com o líder seringueiro Chico Mendes.

Ainda sem título definido, o longa sobre a presidente Dilma Rousseff, a ser dirigido por Leandro Neri, curiosamente entrará em produção em período próximo ao filme da cineasta Sandra Werneck sobre a ex-ministra Marina Silva. Como ambas disputaram a mesma corrida presidencial de 2010, acabarão fazendo cenas em que aparecerão juntas.

Lamentavelmente, até agora não apareceu nenhum cineasta disposto a filmar a biografia de José Serra. O único interessado no ex-candidato parece ser o diretor José Mojica Marins, o Zé do Caixão, mas nada a ver com biografia. O interesse de Mojica é  usar Serra como ator, interpretando o papel de um cocheiro de vampiro. Mas até agora Serra ainda não assinou contrato.

Nota social: Bruno, o goleiro do Flamengo que está na cadeia em Minas, arranjou uma noiva e vai se casar novamente.

Carlos Newton

O amor realmente é lindo. Preso há 11meses pelo sumiço e suposto assassinato da ex-modelo Eliza Samudio, o goleiro Bruno Fernandes, de 26 anos, que atuou no Atlético e no Flamengo, vai se casar. A cerimônia religiosa com a dentista Ingrid Calheiros, de 25anos , será até o fim do ano, na capela da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, município da Grande Belo Horizonte, onde o atleta Bruno vive em regime de concentração permanente.

Cenas comoventes transcorreram na terça-feira, quando Bruno deixou a prisão para ser ouvido pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, que apura denúncias de suposta venda de habeas corpus para libertá-lo e facilitar uma possível fuga do país.

A noiva Ingrid Calheiros, que tem consultório no Rio de Janeiro, também prestou depoimento e pediu aos parlamentares que trocassem de lugar com ela, para que ficasse mais próxima de Bruno. Das 11h52 às 12h23, o casal trocou beijos calorosos e carícias diante do público, enquanto transcorriam os trabalhos dos deputados, que ouviam outras testemunhas.

E o jogador fazia questão de ostentar a aliança de noivado, grossa, em ouro. As imagens dos beijos, carícias no rosto e cafunés foram transmitidas ao vivo pela TV Assembléia, que teve sua maior audiência dos últimos anos.

A ex-mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, de 24 anos, disse que encarou as cenas de amor com naturalidade. “Não é a primeira vez que vejo os dois se beijando. Deus queira que não seja a última, que eles sejam muito felizes”, disse ela, civilizadamente.

O poder dos grandes banqueiros domina a economia internacional. No Brasil, o mesmo fenômeno ocorre, mas ninguém diz nada.

Carlos Newton

Recebemos do comentarista Sergio Caldieri um longo artigo sobre o domínio que os banqueiros exercem na economia mundial. Interessante notar que no Brasil o fenômeno é idêntico. Os bancos brasileiros e estrangeiros são sócios de grande número das empresas nacionais de maior porte, sejam industriais ou agrícolas. Basta dizer que até o mercado de sêmen bovino é disputado no Brasil por duas empresas associadas a bancos.  

Essa situação é preocupante e mostra que os banqueiros são insaciáveis em sua busca pelo poder. Segue abaixo um resumo do impressionante artigo sobre as chamadas Oito Famílias.

***
CARTEL DO FEDERAL RESERVE: AS OITO FAMÍLIAS

Dean Henderson [*]

Os Quatro Cavaleiros da banca (Bank of America, JP Morgan Chase, Citigroup e Wells Fargo) são os donos dos Quatro Cavaleiros do Petróleo (Exxon Mobil, Royal Dutch/Shell, BP e Chevron Texaco); em sintonia com o Deutsche Bank, o BNP, o Barclays e outros monstros europeus das velhas fortunas.

Mas o seu monopólio sobre a economia global não se esgota no xadrez do petróleo.De acordo com o relatório 10-K para a SEC, os Quatro Cavaleiros da Banca estão entre os dez maiores acionistas de praticamente todas as empresas da Fortune 500.

Então quem são os acionistas destes centros bancários de dinheiro? Esta informação é um segredo muito bem guardado. As minhas indagações junto das agências reguladoras da banca, no que se refere aos proprietários das ações dos 25 maiores bancos norte-americanos que possuem companhias, foram respondidas ao abrigo da Lei da Liberdade de Informação, antes de serem recusadas com base na “segurança nacional”. O que é bastante ridículo, na medida em que muitos dos acionistas da banca residem na Europa.

Um importante repositório da riqueza da oligarquia global que é dona destas companhias na posse da banca é a US Trust Corporation – fundada em 1853 e atualmente propriedade do Bank of America. Um recente diretor e curador honorário da US Trust Corporate foi Walter Rothschild. Outros diretores incluíram Daniel Davison, do JP Morgan Chase, Richard Tucker, da Exxon Mobil, Daniel Roberts, do Citigroup, e Marshall Schwartz, do Morgan Stanley.

J. W. McCallister, da indústria petrolífera com ligações à Casa de Saud, escreveu no The Grim Reaper que informações que obteve de banqueiros sauditas referiam que 80% do Federal Reserve Bank de Nova Iorque – de longe o ramo mais poderoso do Fed – estavam na posse de apenas oito famílias, quatro das quais residem nos EUA. São elas os Goldman Sachs, os Rockefellers, os Lehmans e os Kuhn Loebs, de Nova Iorque; os Rothschilds, de Paris e de Londres; os Warburgs, de Hamburgo; os Lazards, de Paris; e os Israel Moses Seifs, de Roma.

O CPA Thomas D. Schauf confirma as afirmações de McCallister, acrescentando que dez bancos controlam todos os doze ramos do Federal Reserve Bank. Menciona o N. M. Rothschild, de Londres; o Rothschild Bank, de Berlim; o Warburg Bank, de Hamburgo; o Warburg Bank, de Amsterdã; o Lehman Brothers, de Nova Iorque; o Lazard Brothers, de Paris; o Kuhn Loeb Bank, de Nova Iorque; o Israel Moses Seif Bank, de Roma; o Goldman Sachs, de Nova Iorque e o JP Morgan Chase Bank, de Nova Iorque.

Schauf lista William Rockefeller, Paul Warburg, Jacob Schiff e James Stillman como indivíduos que possuem grande quantidade de ações do Fed. Os Schiffs são preponderantes no Kuhn Loeb. Os Stillmans no Citigroup, casaram-se no clã Rockfeller no início do século passado.

Eustace Mullins chegou às mesmas conclusões no seu livro ‘The Secrets of the Federal Reserve’, em que exibe gráficos ligando o Fed e os bancos seus membros às famílias Rothschild, Warburg, Rockfeller e outras.

O controle que estas famílias de banqueiros exercem sobre a economia global não pode ser subestimada e é intencionalmente um segredo bem guardado. E o seu braço na mídia é rápido para desacreditar qualquer informação que divulgue este cartel privado de banqueiros centrais como uma ‘teoria da conspiração’. Mas os fatos subsistem.

 * http://deanhenderson.wordpress.com
 – Tradução de Margarida Ferreira.

Na entrevista à CBN, Cabral mentiu mais uma vez sobre a hora do vôo para Porto Seguro. Por que essa insistência na questão do horário?

Carlos Newton

Na entrevista – única e exclusiva – que concedeu estrategicamente à Rádio CBN (não voltará a falar tão cedo, podem apostar) o governador Sérgio Cabral voltou a afirmar que só saiu do Rio na sexta-feira, dia 17, pouco antes do acidente de helicóptero que matou a namorada de seu filho e mais seis pessoas.

“Saímos daqui na sexta-feira. Chegamos lá por volta das 18h30. Mas infelizmente houve esse acontecimento trágico. Não tenho nenhuma razão pra mentir sobre isso. Fui ao colégio dos meus filhos na sexta à tarde, saí daqui às 17h, 17h e pouquinho” – disse Cabral à CBN, sem perceber que estava se complicando ainda mais, com essa nova declaração.

Como foi amplamente divulgado, o helicóptero levava 10 minutos no percurso Porto Seguro-Jacumã. A decolagem fatídica do helicóptero ocorreu às 18h31m, e o aparelho foi dado como desaparecido às 18h57m. Como antes o helicóptero já havia feito uma viagem, conduzindo o governador e a esposa do piloto até Jacumã, e depois voltando a Porto Seguro, fica totalmente inviável a versão de Cabral de que “chegamos lá por volta das 18h30”, porque antes de 18h10 ele estava a bordo do helicóptero que o conduziu a Jacumã.

Três importantes jornais apuraram a mesma coisa: Cabral chegou a Porto Seguro na manhã de sexta-feira, dia 17. “A Tarde”, que é o mais importante jornal da Bahia, publicou no sábado, dia 18, que Cabral chegara lá sexta hã e fora até cumprimentado pelo prefeito de Porto Seguro, Gilberto Abade, que o encontrará passeando pela cidade.

“O Globo”, na edição de domingo, dia 19, deu mais detalhes, ao publicar que “o acidente aconteceu após um almoço do grupo no Villa Vignoble Terravista Resort, em Trancoso. De lá, os convidados começaram a ser levados para o Jacumã Ocean Resort, a uma distância de 15 km. Como eram várias pessoas, foi preciso fazer várias viagens”.

Como a assessoria de imprensa do governador tentou desmentir essas versões de “A Tarde” e “O Globo”, afirmando repetidas vezes que o vôo do jato Legacy de Eike Batista só decolara às 17 horas de sexta-feira, a “Folha de S. Paulo” resolveu voltar a Porto Seguro. E o que constatou? “O Globo” e “A Tarde” estavam corretos.

Dois funcionários da Fazenda Jacumã, condomínio de casas luxuosas a 15 km de Porto Seguro, onde ocorreria no fim de semana a festa de aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish, confirmaram ao repórter Graciliano Rocha que o governador já estava por lá na sexta, antes do meio-dia.

O jornalista da “Folha” apurou também que o avião que transportou o governador à Bahia deveria pousar na pista do Terravista, um condomínio de luxo a cerca de 20 km de Jacumã. Segundo funcionários do aeroporto privado, também ouvidos pela Folha, a gerência da Jacumã telefonou na manhã do dia 17 para perguntar se um jato com o governador do Rio poderia pousar na pista e se o helicóptero Esquilo, pilotado por Marcelo Mattoso Almeida (uma das vítimas), poderia levá-lo à fazenda, a pouco mais de 10 minutos de voo.

Como o tempo estava chuvoso e o Terravista não opera pousos e decolagens por instrumentos, os operadores indicaram que a aeronave deveria se dirigir a Porto Seguro.

O repórter Graciliano Rocha foi então checar o horário da chegada do Lecacy na administração do Aeroporto de Porto Seguro e também na Aeronáutica, mas estranhamente se recusaram a dar qualquer informação sobre o vôo do jato particular que levou Cabral e seus amigos ao Sul da Bahia.

No Rio, de acordo com a assessoria do governador, a informação de que Cabral e sua comitiva viajaram às 17 horas poderia ser confirmada no Aeroporto Santos Dumont e também na Escola Britânica, onde ele teria passado para ver os filhos pouco antes de embarcar.

Procurados pela “Folha”, o Aeroporto Santos Dumont e a Aeronáutica também estranhamente afirmaram que a informação sobre o horário de saída do avião é sigilosa. Já na Escola Britânica, não foram localizadas pessoas que pudessem confirmar a presença de Sérgio Cabral no local, o que significa que lá ele não esteve.

O motivo é simples: no Rio, o governador só se movimenta de carro com grande comitiva. O pelotão é formado de oito carros. Os três primeiros são dos seguranças, os três últimos, também. O governador anda em um dos dois carros que ficam no meio da comitiva. À frente dela, seguem quatro motos de sirena aberta, e atrás, outras quatro, idem.

Por isso, é totalmente impossível que na Escola Britânia ninguém tivesse percebido que o governador estivera lá, para visitar os filhos menores. Com tantas sirenas e tantos carros na comitiva, Cabral jamais passaria despercebido.

É incrível que Cabral insista nessa versão furada. Se não tocasse no assunto, a coisa ficaria de lado. Mas ele faz questão de tentar empurrar essa versão pela goela abaixo dos outros, e cada vez se complica mais. Está mais do que comprovado que a versão de Cabral é mentirosa, mas ele insiste. Deve ser algum caso patológico.

A Grécia é aqui

Carlos Chagas                                                                  

A polícia não está na rua batendo em populares, nem estes estão enfrentando a polícia, mas, tirando o sangue quente dos gregos,  o Brasil vai sendo transformado numa imensa Grécia. Fala-se da fórmula ditada pelo FMI e os banqueiros internacionais para enfrentar crises econômicas, ditas “medidas de austeridade”,  ainda que  devam ser chamadas de medidas anti-povo. Em Atenas o parlamento examina a proposta, de uma só vez,  de aumentar impostos, reduzir salários, pensões e aposentadorias,  promover demissões em massa, multiplicar o desemprego, cortar investimentos sociais e usar empréstimos externos para pagar dívidas externas, com juros, além de   alimentar  a especulação e financiar  os negócios das grandes empresas.
                                                                 
Em Brasília, faz tempo que essas  maldades vem acontecendo aos poucos. Anuncia-se mais uma “reforma” na Previdência Social, reduzindo para 70% as pensões das viúvas e  suprimindo o benefício para pessoas  com menos de 35 anos. No primeiro caso, simplesmente vão cortar 30% de quem recebe 524 reais de salário mínimo para sobreviver. No outro, condena-se pessoas à fome apenas por não serem velhos. Isso depois de nivelarem pensões e aposentadorias por baixo, aproximando-se todas do salário mínimo, além da criação do deletério fator previdenciário.  

Ao mesmo tempo, arquiva-se a PEC que faria justiça salarial a bombeiros e policiais militares,  sob o pretexto de onerar os estados em 46 bilhões de reais. Importa  menos se essas categorias recebem   migalhas para arriscar diariamente a vida. 

Anuncia-se, em paralelo,  a liberação de 4 bilhões do BNDES para financiar a fusão entre dois supermercados. Governo e elites  não estão nem aí para o fato desse casamento gerar milhares de demissões e engessar os consumidores, tudo  com dinheiro público, proveniente de elevados  impostos que todos recolhem.  É o que vem se verificando desde que aberta a temporada das privatizações. 
                                                      
Outras “medidas de austeridade” estão em pauta, como cobrar imposto de renda de miseráveis que não podem pagar, aliviar a carga fiscal dos potentados, promover cortes em programas sociais, aumentar juros para enriquecer banqueiros e especuladores, entregar mais  patrimônio público à iniciativa privada, com financiamentos públicos, congelar reajustes salariais e muito mais coisa.

A diferença entre nós e a Grécia, vale repetir,  é que lá pretendem impor todas essas medidas de uma só vez, enquanto aqui as maldades vem sendo praticadas a conta-gotas. Dá no mesmo, ainda que por enquanto, entre nós,  sem os conflitos e confrontos verificados do outro lado do  mundo. Até quando?

***
ULTIMATO REDOBRADO
                                                        
Há dias vimos alertando para a iminência do choque,  agora caracterizou-se. PMDB e PT renovaram o ultimato a  Dilma Rousseff, via Ideli Salvatti: ou o governo prorroga o decreto que libera 4,6 bilhões para pagamento das emendas individuais ao orçamento ou nenhum projeto de interesse do palácio do Planalto será votado no Congresso.
       
 A presidente mostra-se disposta a resistir, faltam poucos dias para o congelamento dos recursos destinados às emendas parlamentares. Se puder manter a determinação, a hora será do enfrentamento entre Executivo e Legislativo. 

O que espanta todo  mundo é a desfaçatez com que a dita base de apoio ao governo abre a goela. A fisiologia ocupa todos os espaços.

***
DEVIAM FICAR NOS BUEIROS
                                                       
Anos atrás, na febre privatizante do governo Fernando Henrique Cardoso, a Light  foi doada a uma empresa francesa a preço de banana podre. Os novos donos demitiram em massa, prometendo mas não cumprindo a implantação de melhorias no serviço de abastecimento de energia no Rio e adjacências. 

São mais de 50 os bueiros que vem explodindo na antiga capital, em muitos casos com vítimas. Nenhuma explicação convincente é dada. Seria fascinante  pegar todos esses  franceses e confiná-los nos bueiros,  até que resolvessem a questão.

***
O TROCO COM JUROS
                                                        
Repercute ainda hoje no Senado a intervenção de Francisco Dornelles durante exposição feita pelo ministro Aloísio  Mercadante na Comissão de Economia.  Ressalvando ser contra a criação de uma CPI e até sustentando que o caso deve ficar com a polícia  e o Ministério Público, ao abordar o escândalo dos aloprados,  o representante fluminense cobrou do depoente a prática de agir baseado em  notícias de jornal. Anos atrás, como líder do PT, Mercadante exigiu da tribuna a cassação de José Sarney e de Renan Calheiros, acusados de irregularidades. Apurada a acusação, nada se provou.  Agora, pelo menos, conforme Dornelles, o Senado  não  incorrerá no mesmo abuso, preferindo aguardar a ação de quem de direito.  O ministro não respondeu. Ficou de queixo caído. 
 
***
ILUSÃO OU FANTASIA?
                                                        
Ontem, em Assunção, na presença da presidente Dilma Rousseff, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, voltou a defender que os   países do Mercosul negociem  entre si, repelindo a invasão de  produtos chineses, americanos e europeus. Pode ter querido prestar uma homenagem a Solano Lopes,  que tentou, sem conseguir, manter o Paraguai isolado da Inglaterra e do resto do mundo.