Bancos e seguradoras, INDECISOS entre os presidenciáveis

Helio Fernandes

Grafei a palavra INDECISOS, não quero confundir os leitores. Essas potências financeiras não se fixaram ainda em Dilma ou Serra, nada a ver com susto ou intranqüilidade. Bem ao contrário.

Sendo os grupos que mais ganharam dinheiro (e enriqueceram) nos últimos 16 anos, não querem parecer ingratos, votando num ou noutro. Estão tentando dividir os votos, trabalham com as empreiteiras de obras públicas, não nos esqueçamos delas.

O PRESIDENTE TEODORE ROOSEVELT

Antonio Aurélio, respondendo à tua pergunta, disse que Teodore foi um bom presidente. Mas esqueci de dizer: para a América do Sul e Central, foi um carrasco. Desprezava totalmente os países abaixo do Rio Grande. Foi ele que criou a denominação, “Banana Republica”

A CBF (Ricardo Teixeira) engana os clubes brasileiros

Helio Fernandes

O Brasil sempre classificava para a Libertadores os 4 primeiros do Brasileirão. O presidente (perpétuo?) da Conmebol, mudou a regra sem falar nada com ninguém. Então os brasileiros foram espoliados, em vez de 4 passaram a classificar apenas três.

Teixeira disse que ia conversar, voltou com um embuste, que os clubes aceitaram passiva e burramente. É uma proposta indecente.

Se um time brasileiro vencer a Sul-Americana, só três irão para a Libertadores. Se não ganharem, ficam 4, como sempre.

Não perceberam? Já existe um clube brasileiro na final da Sul-Americana. Pelas quartas, jogarão Palmeiras-Atlético Mineiro. Pela outra, Goiás-Avaí. Portanto, numa das semifinais, 2 brasileiros, lógico, 1 na final, dificilmente perderá. E agora?

Pedro Simon na tribuna do Senado, sobre colarinhos brancos

Helio Fernandes

Antes de começar a falar, deu “os parabéns” a Romero Jucá, que se reelegeu. E concluiu: “Ele foi líder de FHC nesta casa, líder de Lula, e será líder de quem ganhar”.

Depois, mostrou o livro “A impunidade veste colarinho branco” e discorreu sobre o assunto. Por 20 minutos, regimentais, poderia falar dias, sem utilizar o livro.

A SUJÍSSIMA MUDOU DE NOME

Está encalhando de tal maneira nas bancas, que até os próprios donos das bancas ridicularizam: “A Veja agora se chama POMBO CORREIO, a revista que vai mas volta”.

Nada mudou

Carlos Chagas

Já se vão  21  anos da pedrada que acertou a testa do jornalista Cláudio Humberto, então assessor de imprensa do candidato Fernando Collor, a quem o arremesso se dirigia.  Foi em Niterói, no final de um comício, sendo aquele ato de violência atribuído a  um grupo de partidários da candidatura de Leonel Brizola. O ex-governador do Rio reagiu com veemência, denunciando que a pedra partira de adeptos do Lula, disfarçados de brizolistas. Nada foi apurado como devia e o episódio não durou mais do que as 24 horas regulamentares.

O tempo passou e a moda, agora, mantido como palco  um subúrbio do Rio,  parece de  acertar candidatos com rolos de adesivos. O alvo foi a careca de José Serra, mas, desta vez, nem sangue correu. Por via das dúvidas o tucano procurou um hospital, constatando-se nenhuma sequela.

Dada a amplíssima cobertura jornalística que cerca a campanha eleitoral, dúvidas inexistem de ter sido a militância do PT responsável pela agressão, ainda que a sessão fluminense do partido tenha desmentido, em nota oficial. Registraram-se sucessivas  imagens do entrevero entre os companheiros e a segurança de José Serra.

Mudou alguma coisa, de 1989 para 2010? Desafortunadamente, não. Porque de hoje até o dia 31 mais se acirrarão as campanhas, seus exageros e suas baixarias.  Reflui ao patamar do subdesenvolvimento o Brasil que em matéria de  técnica eleitoral dá lições até aos Estados Unidos. Podemos ser os mais rápidos do mundo em termos de apuração de votos, mas na briga pela sua conquista, igualamo-nos a certas repúblicas africanas e asiáticas. A imagem que correu os cinco continentes, ontem, foi a de José Serra cobrindo a careca com as  mãos.  Há 21 anos, foi do Cláudio Humberto com razoável curativo na testa…

DEUS NÃO TEM PARTIDO

Houve tempo, nas décadas de quarenta, cinquenta e sessenta, em  que a Igreja Católica participava ativamente do processo eleitoral. Bispos e até cardeais divulgavam  listas de candidatos nos quais os fiéis estavam proibidos de votar, sob pena de excomunhão. Nos sermões de domingo, não apenas os filiados ao Partido Comunista eram proscritos. Também os desquitados e os que viviam um segundo casamento. Ameaçava-se com o fogo do inferno quantos descumprissem as diretrizes eclesiásticas.

A própria Igreja encarregou-se de corrigir aqueles excessos, entendendo que a opção político-partidária nada tem a ver com o dogma ou   a liturgia. E até  desestimulando padres de concorrer a postos eletivos.

O diabo (com perdão do substantivo mal-empregado) é que outras igrejas proliferaram e se transformaram em agentes político-partidários. Apresentam candidatos em proporção muito maior do que os católicos apresentavam antes, bem como se arvoram em árbitros eleitorais. Exigem dos  candidatos compromissos  formais com suas doutrinas, intimidando-os e levando-os a perigosas omissões por conta da ameaça de colocá-los num index redivivo.

Seria bom  o poder público prestar atenção nos possíveis desdobramentos desse fenômeno. Afinal, as igrejas não pagam imposto…

NÃO PODEM MAIS ERRAR

Depois do vexame de suas previsões no primeiro turno das eleições, encontram-se os institutos de pesquisa numa cruel encruzilhada. Não podem simplesmente escafeder-se, renunciando às suas  próprias finalidades, mas, no reverso da medalha, estão proibidos de errar. Chegaram a alardear a vitória no primeiro turno de um candidato, depois da adversária dele.  Pisaram feio na bola quando examinaram as sucessões estaduais e a composição do  Senado e  da Câmara. Agora, diante do segundo turno das eleições presidenciais e de alguns governos estaduais, sabem da inocuidade de afirmar que o eleitorado mudou, da noite para o dia. Os números precisarão, no mínimo, seguir  as tendências majoritárias. Este alerta explica as pesquisas do fim de semana.

DEBATES

Mais um debate vem centralizando a atenção  dos candidatos e de suas respectivas assessorias.  Será na TV-Record, dia 25, segunda-feira. O horário não favorecerá a audiência: 11 horas da noite. Depois, ficará faltando o último encontro entre Dilma Rousseff  e José Serra, na sexta-feira, 29, na Rede Globo.

O problema é que nem os privilegiados cérebros  dos principais comandantes das campanhas  conseguem mais produzir novas idéias e diferentes propostas para os candidatos sustentarem.  Ainda mais dentro  das  rígidas regras impostas pelas  emissoras.  Obrigados a resumir em no máximo dois  minutos qualquer programa ou diretriz de governo, Serra e Dilma obrigam-se a repetir os mesmos chavões diante das mesmas indagações.

Ainda bem que dia 31 termina tudo.

O Estado de S. Paulo mancheta com pesquisa do Ibope

Pedro do Coutto

Mantendo a velha tradição de fidalguia e independência da família Mesquita, O Estado de S. Paulo, um dos maiores jornais do país, publicou em sua edição de ontem, 21, como manchete principal, o resultado da mais recente pesquisa do Ibope que apontou no quadro geral 51 pontos para Dilma Roussef contra 40 de José Serra. Nove por cento do eleitorado dividem-se entre indecisos e aqueles que estão dispostos a anular o voto.

Em matéria de votos válidos, a ex-chefe da Casa Civil possui 56%, doze degraus à frente do ex-governador paulista. A eleição assim parece decidida, já que estamos entrando na reta finalíssima e enquanto Dilma subiu, Serra desceu. Difícil inverter esta tendência. Só um milagre no debate da Rede Globo marcado para 26. O da Record dia 24, domingo, começa às 23 horas, e, evidentemente, não alcançará a mesma audiência da Globo. A pesquisa do Ibope foi bem comentada pelos jornalistas Daniel Bramati e José Roberto de Toledo. Antes de prosseguir neste artigo, desejo destacar a posição do jornal dirigido hoje por Ruy Mesquita.

Isso porque, ao contrário de outros de seu porte, não confunde opinião com a força dos fatos. Recentemente em editorial, o ESP anunciou publicamente sua preferência por José Serra, considerando-o o melhor candidato. Perfeito. Direito legítimo. Antigamente os jornais assumiam posições claras em matéria de sucessão presidencial. Mas não confundiam opinião com informação. O Estado de S. Paulo não confundiu. Ficou com a tradição contra a distorção. Deu o destaque devido a uma matéria que concretamente colida com seu posicionamento. De fato, o levantamento do Ibope foi o principal acontecimento político do dia.

Por que digo isso? Porque os números da pesquisa dão como praticamente decidida a sucessão presidencial de 2010. Não apenas pela diferença – muito grande – de 11 pontos de Rousseff sobre  José Serra, que  recuou. Candidato algum, com perspectiva de vitória, pode descer na etapa derradeira do confronto. Quando isso acontece é sintoma de derrota.  O avanço Dilma nesta hora decisiva é sinal de vitória. Ela está se aproximando das urnas e, portanto, hoje, indica isso.

Como sustento  sempre, no que se refere a pesquisas, que acompanho desde 1954, não basta ver os números. É indispensável também ver nos números. Dilma vence em três dos quatro grupos sociais em que se divide o eleitorado. Derrota Serra por 53 a 39 entre os eleitores e por 48 a 41% entre as eleitoras. Conseguiu portanto motivar o eleitorado feminino que aparentava resistência a seu nome. Não aparenta mais.

Os indecisos, no momento, na verdade devem ser, no máximo, 5%. Porque a parcela de 4% vai anular o voto ou votar em branco. Ninguém demove esta fração É sempre assim. Desta forma, há 5% de indecisos na disputa. Mesmo considerando a hipótese, absolutamente improvável, de José Serra arrebatar todos esses 5% para si, não conseguiria aproximar-se da candidata do presidente Lula. Inclusive a tendência é o contrário: Dilma na frente, obter a maior parte dos votantes ainda vacilantes nesta altura dos acontecimentos. O quadro revela-se definido e cristalizado. E O Estado de S. Paulo cristaliza e confirma sua tradição liberal iniciada em 1891 no alvorecer da República. Deu o destaque principal a um tema que colidiu com sua própria opinião. Mas era um fato. Foi mais uma vez fiel aos leitores, fiel à verdade, fiel a si mesmo.

Da coragem de fazer os dois “Tropa de Elite” à dignidade de proclamar: “Não voto em Dilma ou Serra,não têm compromisso com a verdade”. E se os 135 milhões de eleitores refletissem igual?

Helio Fernandes

Gosto muito da decisão do cineasta José Padilha de vir a público negando que tivesse assinado qualquer manifesto apoiando candidatos, no caso, disseram que era Dilma. Isso mostra como agem os candidatos, falsificam até assinaturas e convicções.

Fico satisfeito, também, pelo fato de ser a posição que defendo aqui claramente, ficando contra os dois candidatos, votando NULO no primeiro turno e repetindo a decisão no segundo turno. Minha análise para não referendar Dilma ou Serra, tem como base exatamente isso ou isto: as mentiras repetidas, a tentativa de mistificar o eleitor, fazendo como faz Serra, toda vez que fala na televisão: “FAÇA COMO EU, VOTE COM O CORAÇÃO”.

No Jornal Nacional, anteontem, Serra começou dizendo: “Não quis trazer para o debate a QUESTÃO DO ABORTO, acho que era natural, foi a Dilma que trouxe o assunto, só comentei o fato dela ser a FAVOR numa oportunidade e CONTRA logo depois”.

Serra quis mostrar grandeza e generosidade, na verdade era apenas indecisão e medo, a questão do ABORTO, tratada por ele, seria típico boomerang. Então ficou apenas no comentário a respeito da contradição dela, um equívoco total e completo em matéria de rumo e ritmo de campanha eleitoral.

A questão do cineasta da “Tropa de Elite”, deixa o pessoal de Dilma tão ofuscado quanto o pessoal de Serra. Ontem mostrei a falta de respeito à verdade tanto de Serra quanto de Dilma, os dois se dizendo INTRANSIGENTES NA DEFESA DA PETROBRAS, na verdade querem apenas “faturar votos”. Por que não explicam quando DEFENDERAM a Petrobras?

A RELIGIOSIDADE dos candidatos é outro ponto mais do que polêmico, verdadeiramente contraditório. Serra mostrou sua “religiosidade” da seguinte forma hilariante: “Sempre que me despeço de alguém, digo, vá com Deus”. Não viu que além de constrangedora, a “explicação” revela enorme babaquice? (Desculpem).

Na questão da corrupção de “parceiros” de campanha, Serra ficou desesperado, também na “entrevista” ao Jornal Nacional, apanhado em flagrante de falsidade, acobertamento e mentira, tudo num episódio único. Quando falaram no Paulo Vieira (mais conhecido como Paulo Preto), Serra mergulhou de cabeça nesses três itens. Vejamos a posição do presidenciável assim que “Paulo Preto” virou personagem.

11 de outubro: “Nunca ouvi falar nesse nome”.

12 de outubro, lógico, dia seguinte: “Paulo Vieira (nome verdadeiro, de batismo) é altamente competente, de grande importância na campanha”.

16 de outubro: “Não houve desfalque algum, se tivesse havido eu teria sabido, não sou homem de não saber das coisas”.

Estava altamente comprometido, não conseguiu DESMENTIR nada na Globo. Aí partiu para a tentativa de desfiguração do fato. Sendo impossível NEGAR A PARTICIPAÇÃO DE PAULO PRETO, encerrou o assunto com esta CONFISSÃO ESPANTOSA: “Não houve desfalque algum, mas mesmo se tivesse havido, TERIA SIDO COM DINHEIRO particular e não do contribuinte”.

Apesar das provas de que Paulo Preto exercia cargos de importância no governo, Serra, que “nunca havia ouvido falar em Paulo Preto”, justifica o “DESCONHECIDO” e tenta absolvê-lo PELO FATO DO DESFALQUE SER DADO COM DINHEIRO PARTICULAR.

E pelo menos esses 4 milhões (é muito mais, fiquemos apenas aí) vieram de DOADORES. E o que o Serra dirá a eles, já que PROCLAMOU QUE DINHEIRO PARTICULAR PODE SER SUBTRAÍDO, não tem dono?

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PS – Serra não vai ganhar. Mas se por infelicidade, (a palavra serve para rotular a vitória certa da outra candidata) ganhasse, Paulo Preto (e outros da mesma cor e falta de credibilidade) passariam a ter acesso a DINHEIROS PÚBLICOS. Com o aval do ex-chefe PARTICULAR e agora chefe PÚBLICO.

PS2 – Como ambos são indefensáveis, ao lerem esse libelo sobre Serra, lembrem que serve também, milimetricamente, para Dilma.

PS3 – Fico satisfeitíssimo de estar contra os dois candidatos, não de hoje, mas de sempre. Não quero influenciar ninguém, apenas trocar informações, sem recriminar ou criticar quem votar em Dilma ou Serra.

PS4 – Mas seria grande vitória para o País se nenhum dos dois se elegesse. Sei que isso não é possível, mas tenho certeza de que, haja o que houver, nos reencontraremos.

PS5 – Estaremos juntos na TRINCHEIRA QUE OCUPAREMOS NA DEFESA DO GRANDE INTERESSE NACIONAL. Contra as PRIVATIZAÇÕES e principalmente contra as DOAÇÕES.

TSE perde tempo com a “choradeira” de Dilma e Serra

Helio Fernandes

Diariamente o mais alto tribunal eleitoral do país, fica horas atendendo reclamações (?) de advogados de Serra e Dilma. Pedem o direito de contestação no horário do outro”. Quase todos os pedidos são INDEFERIDOS, o Tribunal decide: “Pode fazer a retificação no seu próprio horário eleitoral”.

OS 5 A 5 “HISTÓRICOS” DO
SUPREMO DEVEM VOLTAR

O TSE, por 6 a 1, numa decisão rápida e lúcida, aprovou o projeto da ficha-limpa. Cassou a votação de Jader Barbalho, Maluf e muitos outros. (Esses são os mais importantes).

Se o Supremo repetir o surpreendente e inédito resultado, deve prevalecer, SEM QUALQUER DÚVIDA, o que decidiu o TSE. Minha dúvida: que haja julgamento do Supremo, antes da posse.

UMA DECISÃO ABSURDA DO
TSE PARA BENEFICIAR RORIZ

Tenho elogiado o mais alto tribunal eleitoral, mas agora vai uma restrição, legítima e impressionante: decidiram que a mulher do Roriz concorrerá para governador, RECEBENDO OS VOTOS COLOCADOS NO NOME DO MARIDO. O Tribunal sabe que ninguém pode votar num cidadão e eleger um outro.

No primeiro turno ainda havia a explicação: Roriz renunciou na quarta-feira de madrugada, as urnas estavam lacradas, não havia o que fazer. Mas agora, houve (e ainda há) tempo de sobra para colocar na urna o nome dela.

***

PS – De qualquer maneira, embora Agnelo Queiroz (que também é muito acusado) não perca, fica a surpresa. Perfil “intelectual” da mulher de Roriz: ela teria telefonado para Aécio Neves, “governador, meus parabéns emocionados pelo resgate dos mineiros”. Aécio só riu depois.

A China incompreensivel

Helio Fernandes

Depois de mais de 3 anos, aumentou os juros, assustou o mundo. Ontem, economistas de todas as tendências tentavam decifrar o mistério.

Só que os mais competentes e sem ligações espúrias, divulgavam conclusões polêmicas, mas certas: “A intenção da China é EXPORTAR mais do que IMPORTAR“. Curiosidade: o dólar no Brasil caía, ao contrário da véspera

PRESIDENTES
ESTADISTAS

Antonio Aurelio: “Obrigado pela aula sobre os EUA, mas tive uma surpresa. pensei que Teodore Roosevelt estivesse na lista dos estadistas. E o que ele é do Franklin Delano? No Brasil não existem presidentes estadistas?

Comentário de Helio Fernandes:
Teodore Roosevelt era tio do Franklin Delano. Vice em 1900, o efetivo MaClinley foi assassinado, assumiu até 1904, ficou até 1908. Foi um bom presidente para os EUA, teve a ousadia de enfrentar John D. Rockefeller (petróleo) e John P. Morgan (finanças). Derrotou-os, tiveram que desdobrar as empresas, acabando o monopólio.

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PS – O Brasil não teve nenhum presidente estadista. Três civis estadistas não chegaram ao poder. Ditador não é estadista.

PS2 – Nos últimos 200 anos, o único ditador estadista foi Napoleão. Chegou ao poder com 28 anos.

O país ficará estarrecido com os nomes dos ministros que irão surgindo

Mauro: “Helio acompanho você desde a Tribuna impressa, não tenho dúvidas sobre o teu comportamento, queria que todos soubessem da atuação, seja Serra ou Dilma o presidente. Obrigado e um abraço”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma dúvida, apenas preocupação total com o futuro e o destino do Brasil. Rui Barbosa ensinava: “Nenhum cidadão pode recusar o chamado de um presidente para conversar, mesmo que seja total adversário dele”.

Acredito que pela primeira vez não seguirei Rui Barbosa. Nunca falei com Dilma ou Serra, e continuarei sem falar com eles, haja o que houver. Mesmo porque não me chamarão, e ficarão longe do que admito que seja o caminho da prosperidade do país, que nem me preocupo.

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PS- Não se iludam: a partir de 1º de novembro, já eleitos, Dilma ou Serra começarão a estarrecer o país, com os nomes dos ministros que irão surgindo.

PS2 – A chefe da Casa Civil de Dilma, não será Erenice Guerra. O presidente Lula recriminou-a, dizendo: “Você perdeu a oportunidade da sua vida”.

PS3 – No item Casa Civil, Serra levaria enorme vantagem. O escolhido já é Aloyzio Nunes Ferreira.

PS4 – Seria, mesmo sem ter sido senador. A exceção é que Serra não será presidente.

Política sem ódio: uma ilusão

Carlos Chagas

Política não se faz com ódio, repetia o presidente Lula desde sua campanha vitoriosa, em 2002,  mas, convenhamos,  o primeiro-companheiro parece haver  esquecido  seus próprios conselhos. Desde que Dilma Rousseff precisou disputar o segundo turno tem sido frequentes os destemperos do chefe do governo. Ainda agora, em Goiânia, atacou os tucanos como se fossem urubus, chamando o senador Marconi Perilo de mau caráter e de mentiroso.

A indagação é sobre que motivos  levam o presidente  a perder a têmpera:  por não haver conseguido transferir à candidata o número necessário de votos para eleger-se no primeiro turno ou por  temer  a  vitória de José Serra. Um acerto de contas com o passado ou o risco de embaralhar o  futuro?

De qualquer forma, assistimos um novo Lula no palco, exasperado porque sua imensa  popularidade não bastou, dia 3, para fechar o calendário eleitoral.  Não agiu assim quando, em  2006, precisou enfrentar Geraldo Alckmin na segunda votação. Foi para o novo confronto sem vacilações e ganhou fácil. Estaria duvidando  das possibilidades de Dilma fazer o mesmo, agora?

Faltam dez dias para o segundo turno e as pesquisas, como sempre, refletem os interesses dos institutos, dos veículos que promovem seus resultados e até um pouco das tendências do eleitorado. Pelo jeito, estabilizou-se a diferença entre a primeira e o segundo colocados na votação inicial. Resta  saber se até o dia 31 os números permanecerão como se encontram hoje ou se, mais uma vez, confirmarão que o povo não é bobo.

E  SE CONTINUAREM?

Acentua José Serra, em sua campanha, que as invasões de terra não podem continuar. O MST, que acaba de aderir formalmente à candidatura Dilma Rousseff, finge não ouvir e prepara novas invasões. Na hipótese da vitória da candidata, propriedades rurais continuarão sendo invadidas? Ganhando José Serra, o número será multiplicado?

A reforma agrária insere-se no rol dos problemas impossíveis de ser resolvidos com discursos. Nem o popularíssimo governo Lula conseguiu evitar  as invasões. Farão o que, Serra ou  Dilma, para enfrentá-las?  Deixar que os estados continuem sem meios nem ânimo  para estancar a ocupação de terras produtivas? Esperar que o Poder Judiciário faça valer suas decisões? Ou agilizar o ministério da Reforma Agrária, que em vez de  distribuir bissextamente terras inaproveitadas,  poderia transformar-se no mais eficaz instrumento de realização da função social da terra.

PERGUNTAR NÃO ADIANTA

Duas perguntas, coincidentemente feitas por jornalistas, não foram respondidas pelos   presidenciáveis no recente debate promovido pela Rede TV e a Folha de S. Paulo: José Serra não sabia das atividades inusitadas de Paulo Preto, nem Dilma Rousseff das trapalhadas de Erenice Guerra?

A candidata mostrou-se inflexível na condenação  ao nepotismo. O candidato,  na defesa do dinheiro público. Nenhum dos dois reconheceu saber de coisa alguma em termos de irregularidades praticadas por seus antigos auxiliares.

Virou moda, praticada pelo presidente Lula desde seu primeiro governo, proclamar que não sabia de nada.

PAPÉIS INVERTIDOS

Há mais  de um ano que, anunciada a reserva de petróleo no pré-sal,  China e Estados Unidos começaram a enviar milhões de dólares para a Petrobrás, por conta de assegurar a aquisição  de parte  da produção futura.  Pagaremos em petróleo os  recursos utilizados na difícil operação de  extração do produto. Será, por acaso, alienação da riqueza nacional ou privatização? De jeito  nenhum.

Mesmo assim, deve preparar-se o  Lula para receber e rebater a acusação já no bico dos tucanos, de estar o governo entregando patrimônio público ao estrangeiro. Invertem-se os papéis ideológicos por conta  da campanha eleitoral.

Acusações e ataques pessoais radicalizam campanha

Pedro do Coutto

Faltando apenas dez dias para as urnas do segundo turno, as acusações e os ataques pessoais passaram a predominar em larga escala, conduzindo para a radicalização do confronto entre Dilma e Serra. Ontem agravada com os acontecimentos verificados na Zona Oeste do Rio, quando militantes do PT atacaram fisicamente o ex-governador paulista, que teve de ser atendido no Hospital Samaritano, bairro de Botafogo.

Com isso, a temperatura política subiu e ameaça até atingir a fervura nos próximos dias. Não soma nada para o país, tampouco para a democracia e população que aguarda – e continua esperando – projetos exequíveis, que estão faltando, e não promessas impossíveis de cumprir. Pois para serem cumpridas necessitariam de investimentos colossais. Não somente em dinheiro. Mas também no campo da tecnologia e na esfera insubstituível dos recursos humanos.

Hoje, anunciam-se soluções para problemas que se eternizam como se elas pudessem surgir no cenário nacional à base de um passe de mágica. Questão das escolas públicas, das creches, do saneamento, dos transportes, da habitação, da segurança e da saúde. No papel e na voz resolve-se tudo. Na prática a teoria é outra, como dizia o velho senador Benedito Valadares.

Na prática a teoria é outra, eis aí uma sólida verdade. A candidata e o candidato revelam –  e assim se comprometem – a construir e equipar um número enorme de hospitais, com atendimento com consultas previamente marcadas. Agentes de saúde iriam às residências informar a data e a hora. Absurdo total. Uma farsa. Num país sem saneamento, como o Brasil, em que 54% dos domicílios não contam com rede de esgoto, como se pode cuidar da saúde? Para chegar à conclusão verdadeira basta vacilar diante da resposta interior de cada um de nós.

Mas eu falava em radicalização e violência, primeiro verbal de ambos os lados, agora também física a partir de um deles. Onde estão as propostas de governo sérias, exequíveis, que o eleitorado sinta como possíveis e não como sonhos de uma noite de verão? Isso de um lado. De outro, como técnica de comunicação, radicalizar é um erro total. A população, em sua maior parte, não aceita o cotejo nestes termos. A melhor prova disso foi a atuação, brilhante, sem dúvida, mas agressiva e rancorosa em excesso, do governador Carlos Lacerda.

As eleições no Rio, em 65, provaram a contradição. Flexa Ribeiro, seu candidato à sucessão estadual, perdeu por maioria absoluta para Negrão de Lima. E quando escrevo este artigo, me lembro de entrevista que fiz com o ex-presidente Juscelino, em 63, para o Correio da Manhã quando ele teve sua candidatura à sucessão de 65 – sucessão que não houve – homologada antecipadamente pelo antigo PSD.

Na campanha – afirmou – não vou atacar ninguém. O adversário seria Lacerda, que derrotou Magalhães Pinto, primeiro na convenção da UDN de Curitiba para fixar uma posição em torno da reforma agrária, depois na convenção de Niterói. Não acuso qualquer pessoa. Vou me concentrar no meu projeto de continuidade do plano de metas que mudou o Brasil de janeiro de 56 a janeiro de 61, (os anos dourados assim chamados por Gilberto Braga em sua novela que tanto sucesso alcançou na Rede Globo).

O povo não gosta, não aceita violência, a troca de ofensas e acusações. O que a população deseja mesmo é serenidade, cordialidade, tranqüilidade. Anos depois de JK, as pesquisas eleitorais americanas acentuaram esta verdade. Juscelino estava à frente de seu tempo. Era um contemporâneo do futuro, como o definiu um dia o deputado Paulo Pinheiro Chagas.

Na atual campanha, Dilma e Serra retornam no tempo. Tornam-se contemporâneos do passado. Um retrocesso.

Mas que falta de sorte. Se a agressão a Serra no Rio fosse mais séria, ele iria ganhar um caminhão de votos.

Carlos Newton

Tudo que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, estava precisando para dar um gás em sua campanha era sofrer uma agressão dos petistas aloprados. Enfim, aconteceu, na tarde desta quarta-feira, quando fazia uma caminhada pelo calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

O pastor Maurício Teixeira, que estava ao lado de Serra no momento do empurra-empurra entre petistas e tucanos, contou que um dos aloprados atirou uma bobina de adesivos de papel, que acertou em cheio a cabeça do candidato. (O alvo, aliás, era ótimo. Uma testa que se prolonga ao infinito).

Mas que falta de sorte. Infelizmente, para o tucano, o incidente foi uma bobagem. Não chegou nem a ferir a ampla cabeça do candidato tucano. Ah, se tivesse saído pelo menos um pouquinho de sangue… Para que Serra pudesse colar à testa um vistoso esparadrapo branco, uma espécie de medalha a ser exibida aos eleitores.

A assessoria de Serra ainda tentou valorizar. O tucano passava a mão na cabeça, mas não havia sinal de sangramento. Mesmo assim, Serra interrompeu a caminhada e seguiu direto para a clínica Sorocaba, em Botafogo, onde foi examinado pelo oncologista Jacob Kligerman. O médico não identificou nenhum tipo de ferimento ou sequela, mas determinou que o candidato suspendesse o restante de sua agenda.

Serra ainda seguiu para o hospital Samaritano, em Botafogo, onde fez uma tomografia e passou por um outro exame. Depois, viajou para São Paulo, aborrecido com a oportunidade perdida. Se pelo menos tivesse saído um pouquinho de sangue….

Serra e Dilma: “Defenderemos ‘intransigentemente’ a Petrobras”. Como prejudicaram ‘intransigentemente’ a maior empresa brasileira, lamentamos o passado? Ou acreditamos realmente que estão sendo sinceros?

Helio Fernandes

Estava demorando a trazerem a Petrobras para o centro das divergências entre os presidenciáveis. Vou provar que tanto Dilma quanto Serra faltam com a verdade, mistificam, deformam e fazem maquiagem com os fatos, tentando conquistar o voto do cidadão.

Antes de mais nada é preciso chamar a atenção do cidadão-contribuinte-eleitor, para a tentativa geral e instransferível de rotularem a entrega do patrimônio brasileiro como PRIVATIZAÇÃO. Quando na verdade o que aconteceu foi total DOAÇÃO. Esta é a palavra correta e lamentável.

Embora seja sempre contra o que identificam como PRIVATIZAÇÃO, em alguns raríssimos casos posso admiti-la, por circunstâncias. Mas DOAÇÂO, é a transferência do patrimônio brasileiro, sem receber nada em troca, que foi o que aconteceu. Para explicar e explicitar mais ainda: FHC criou o que se chamou de MOEDA PODRE, que era contabilizada por UM CENTÉSIMO DO VALOR DE FACE.

Títulos públicos e ações de empresas que estavam MORTAS e ENTERRADAS há não sei quantos anos, eram recebidos pela Comissão de Desestatização, seus membros hoje RIQUÍSSIMOS e com total impunidade. Já pedi pela CPI há não sei quantos anos, jamais aconteceu. E não acontecerá nunca, com o PSDB voltando ao governo (não voltará) ou o PT se mantendo. (O que é análise e interpretação dificílima de fazer agora).

Vejamos então a participação dos dois presidenciáveis na Petrobras de HOJE, na de ONTEM e na de AMANHÃ. FHC queria incluir a Petrobras no quadro de DOAÇÃO geral. Precisava atender a essa exigência, que vinha desde os tempos do “Consenso de Washington”, e depois dos “DIÁLOGOS”.

Mas como FHC era insano, insensato mas inoperante, recuou, teve medo da repercussão certamente devastadora. Decidiu então, com total conhecimento e consentimento de Serra (o ministro mais importante do seu governo), MUTILAR a Petrobras, fingindo que ela era totalmente do governo, quer dizer, do povo brasileiro.

Aprovou então o Decreto Lei 9478, que criava as LICITAÇÕES. Traduzindo: a Petrobras era obrigada a fazer esses LEILÕES-LICITAÇÕES, os globalizantes “compravam” os melhores setores (poços), onde estavam localizadas montanhas de petróleo.

Houve alguma revolta. FHC, que controlava inteiramente o que chamei logo de JORNALISMO AMESTRADO, não foi atingido. Garantiu que a Petrobras estava e continuava intocável, o que ACABARA FORA O MONOPÓLIO, QUE NÃO ERA BOM PARA O PAÍS. E tudo ficou sem contestação.

Perdão, a maior contestação veio da parte de Dona Dilma, que embora não fosse ainda poderosa, queria se manifestar contra as LICITAÇÕES-LEILÕES. Foi aconselhada pela direção da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) “No momento não temos formas para nada, e os  primeiros LEILÕES têm pouca importância. A partir do SEXTO é que atingem fundamente o patrimônio e as reservas do Brasil”.

Dona Dilma ficou mais calma, mas temos que lembrar que sua posição era legítima, na época nem se falava ou se imaginava que SURGIRIA o PRÉ-SAL. Escrevi então na Tribuna de papel, que FHC OBRIGAVA A ENTREGA DO PETRÓLEO que ainda não tínhamos, agíamos como se fôssemos POTÊNCIA de petróleo. Não havíamos nem atingido a exploração de petróleo para nossos gastos, o que chamavam de AUTOSSUFICIÊNCIA.

Quando chegou a hora da SEXTA LICITAÇÃO-LEILÃO, Dona Dilma já estava no Poder e MUDARA INTEIRAMENTE de posição. A AEPET procurou Dona Dilma, “agora é a hora de agir”, ela tergiversou, (que palavra, mas não há outra) já havia mudado de “rumo e orientação”, não houve o menor protesto, as grandes distribuidoras de petróleo ganharam tudo.

Perplexidade, a própria AEPET não entendeu o que acontecera, o que fazer? Quem tentou fazer foi o governador Roberto Requião. A Procuradoria Geral do Paraná entrou no Supremo com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para anular o amaldiçoado Decreto 9478.

O presidente do Supremo era Nelson Jobim, que rasgara a Constituição de 88 (e confessara), que recebeu um telefonema de Dona Dilma, pedindo para que “a ADIN do governo do Paraná não fosse aprovada”. Essa ADIN já ganhava de 4 a 0, Jobim levantava um dedo, o Ministro Eros Grau pedia vista, que foi o que aconteceu. Levou meses com o processo, a ADIN perdeu por 7 a 4, Dilma e Jobim festejaram.

Durante TODO O GOVERNO LULA, de cujas entranhas surgiu a presidenciável Dilma, que não tinha história alguma no PT, o 9478 ficou inatingível. (Antonio Santos Aquino já disse desde a Tribuna impressa e tem repetido aqui: “Dona Dilma foi infiltrada dezenas de anos no PDT de Brizola, foi para o PT levando muita gente com ela”).

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PS – Agora Dilma e Serra garantem o que coloquei no título destas lembranças, e ainda se COMPROMETEM EM DEFENDER A MAIOR EMPRESA DO BRASIL.

PS2 – FHC vai mais longe no abuso da “MENAS” verdade, e sem o menor constrangimento, afirma: “Perdi uma cátedra por ter defendido a Petrobras”. Ha!Ha!Ha!

PS3 – Não há como acreditar nem em Dilma nem em FHC (Serra). Se ANTES derrubaram e DOARAM o petróleo que ainda não tínhamos em grande quantidade, por que acreditar no DEPOIS?

PS4 – A resposta de Dona Dilma, lógico com o aval de LULA: “Vamos começar a explorar o PRÉ-SAL imediatamente, antes do segundo turno. Tolice, nem sabem como chegar ao PRÉ-SAL em alguns anos, como chegarão em alguns dias?

Aécio Neves: o perigo chamado futuro

Helio Fernandes

Na História político-eleitoral do país, não me lembro de alguém com um futuro tão promissor e tão contestado ou contestável. Ainda em dezembro de 2009, quando Serra atropelava Aécio para vice, escrevi aqui e insisti: “Se Aécio aceitar ser vice de Serra, podem dizer que sou o pior analista do mundo”. Não aceitou.

Serra lamentou e lamenta a ausência de Aécio, que se elegeu senador e ainda elegeu governador seu antigo vice, com maioria absoluta sobre o “favoritíssimo” Helio Costa.

Agora Aécio fraquejou, frustrou a parte do PSDB que achava que o presidenciável devia ser ele e não o repetente Serra. Seu nome está sendo explorado por Serra e seus patrocinadores, até em capas de revistas.

E o novo governador de Minas, num discurso violentíssimo, RECOMENDA Serra. A surpresa: é um excelente orador, veemente e convincente. Quanto a Aécio, que pretende presidir o Senado ainda em 2011, não conseguirá, quem sabe 2 anos depois.

E se Serra perder (não ganhará), voltarão as metralhadoras contra Aécio, dirão na certa: “Afinal, Aécio não era eleitoralmente tão forte”. Não pagarão royalties ao ex-governador, que ficará apenas com um fato e um fator indiscutível; “Tem 50 anos”. Isso ninguém lhe tira.

Como os personagens no Brasil estão fazendo cálculos a longo prazo, Aécio Neves tem todo o direito e o poder de dizer: “Em 2018, estarei com 58 anos”. Lula tem 65 (hoje) Serra já está com 68. E é rigorosamente verdadeiro.

Conversa com Limongi, que ataca Serra e defende Dilma, Collor e Sarney

Vicente Limongi Netto: “Saída torpe, injusta e burra de um irritado Serra, quando é acuado por Dilma nos debates, é dizer que a candidata petista tem como aliados Collor e Sarney. E daí, cara pálida? Serra não é melhor ou superior em nada aos dois ex-presidentes. E ainda vem exortar união, paz e amor. Como muitos adversários de Lula e Dilma, Serra é movido por ressentimento e rancor.
Jamais pode ser esquecido, é preciso reiterar sempre para os esquecidos e magoados, que foi Collor quem abriu a economia brasileira ao mercado internacional. Sarney, por sua vez, foi o chefe da Nação que redemocratizou o país. Ambos são senadores, eleitos pelo povo, merecem respeito daqueles que, realmente, sem hipocrisia e patrulhamento, desejam fazer política com grandeza e espírito público. No debate de domingo, mais uma vez Dilma mostrou que conhece os problemas que afligem a população e tem competência para resolvê-los. Outra bobagem de Serra que já cansou: insistir em desqualificar Dilma.”

Comentário de Helio Fernandes:
É bom quando alguém defende suas idéias, e as coloca em público, sujeitando-as à controvérsia. Isso é ótimo. Você deve ter aprendido com sua mãe, Dona Acir, atuante e atenta aos 94 anos. Por favor, dê um beijo nela, com todo carinho.

Debates inúteis e exagerados

Helio Fernandes

Já defendi aqui: devia haver apenas um encontro entre presidenciáveis. Digamos, um no primeiro turno, e outro no segundo. Os candidatos se renderam à televisão, podiam ter deixado livre, na internet, a divergência ou concordância entre eles.

Citei até o que acontece nos EUA, só existe um debate, com todas as televisões reproduzindo o encontro, e portanto mantendo seu público. Na Matriz, não existe essa sequência de “debates” inúteis, “esquentando” para o último. Que na Filial, é sempre na Globo.

Mesmo que os arrogantes e pretensiosos apresentadores não se preparem e chamem Ciro Gomes de EX-DEPUTADO. E nem pedem desculpas por terem encurtado o mandato do cearense.

Conversa com o leitor, sobre a candidatura presidencial do general Lott

Francisco Berta Canibal: “Gostaria de um comentário seu sobre a candidatura do general Henrique Teixeira Lott. Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Foi um cidadão íntegro e um general importante, mas custou a se destacar. Tendo nascido em 1894, foi candidato a presidente da República em 1960, muito tarde.

Hesitou bastante, até mesmo na escolha da carreira. Neto e bisneto de generais da Inglaterra, pretendia ser militar, mas da Marinha, o que não concretizou. Achava que não seria bem recebido, a Marinha tinha fama de elitista. (O que era verdade, mas muito tempo antes, quando ainda era a única arma, antes dos motores e na época das galés).

Foi importante num dos mais tumultuados tempos da História brasileira, marcado pela disputa acirrada do Poder entre civis e militares. A partir de 1950 esteve no centro dos acontecimento, ultrapassou até mesmo seu estilo discreto e sem exibicionismo, quando ninguém “tinha os famosos 15 minutos de fama”.

Imprimiu sua “marca” ao episódio Café Filho, quando não aceitou o ato de demissão, resistiu e continuou Ministro da Guerra. (Também, jamais o Poder mudou de mãos tão rapidamente). Café Filho era vice, substituído pelo presidente da Câmara Carlos Luz, o vice da Câmara Flores da Cunha assumindo, o presidente do Senado Nereu Ramos ficando como presidente interino e logo depois eleito pelo Congresso, presidente efetivo, até a posse de Juscelino.

Em 1960, Lott foi candidato a presidente da República, com um adversário favoritísimo, (Jânio Quadros, que teve 5 milhões e 600 mil votos), o ex-governador de São Paulo (Ademar de Barros, com 2 milhões e 200 mil), e ele Lott, obtendo mais de 3 milhões e 800 mil.

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PS – Em 1965, podia ter sido governador da Guanabara, na sucessão de Carlos Lacerda. O candidato Flexa Ribeiro tinha o apoio do governador, mas faltavam votos.

PS2 – Lott tinha votos, mas o Exército (principalmente Golbery e o general Orlando Geisel) queriam perder a eleição, e poder dizer aos militares: “Estão vendo? Sempre que houver eleição, seremos derrotados”. Esse “refrão” servia para acabar com as eleições constitucionais e diretas.

PS3 – Como não queriam Lott candidato a governador, Geisel e Golbery rapidamente aprovaram no Congresso uma excrescência: O DOMICÍLIO ELEITORAL. Como Lott morava em Teresópolis e a eleição era na Guanabara, ficou impedido.

PS4 – Justificavam e conseguiam tudo. O DOMICÍLIO ELEITORAL só é inquestionável com o VOTO DISTRITAL.

Sarkozy, reacionário e incompetente

Helio Fernandes

Custou a mostrar do que é capaz, perdão, incapaz. Quando foi eleito, critiquei duramente a decisão de uma parte do povo da França . (Ainda no jornal impresso, e continuo).

Criou o “gabinete da crise”, com grande atraso. Devia ter assumido com esse “gabinete”, sua posse era o pânico e sinônimo de crise.

Controlar a imprensa é fácil: basta usar a tesoura, com fez o Canal GNT com o humorista Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta, que fez duras críticas a Lula.

Carlos Newton

Muito se fala sobre a necessidade de se controlar a imprensa. Nos últimos anos, o governo Lula vem tentando uma maneira de exercer esse controle, sem que seja caracterizado de censura, o que é muito difícil. Liberdade de imprensa é como gravidez. Não existe a expressão “meio grávida”. Da mesma forma, não há imprensa “meio livre”. Ou é ou não é. Simples assim.

Mas a censura interna, na quase totalidade dos órgãos de comunicação, sempre existiu e ainda continua existindo. A Tribuna da Imprensa sempre foi uma exceção. Basta conferir o que aconteceu no programa “Manhattan Connection”, no dia da eleição no primeiro turno, segundo o colunista Daniel Castro, do excelente Portal R7 (da Record, que também faz sombra ao também excelente G1, da Globo).

O convidado especial era o humorista Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Ele não fez por menos. Disse que os oito anos do governo Lula transformaram a política definitivamente “numa coisa de chacota”.

É impressionante como a política foi desmoralizada. Acho incrível, porque, na minha opinião, a política é a mais nobre atividade do ser humano. E é impressionante como atrai vagabundo, picareta e tal, a começar pelo presidente da República, que não vale nada!“, desabafou, dizendo que o país vai demorar gerações para se recuperar do mal causado por Lula. “Eu quero desmistificar esse picareta que está na Presidência da República“, ameaçou Madureira.

A direção da Globo, porém, não achou graça no humorista da casa e meteu a tesoura no programa, exibido ao vivo pelo canal GNT. Nas diversas reprises que são sempre apresentadas nos dias seguintes, as declarações de Marcelo Madureira se volatizaram, digamos assim.

Traduzindo: não precisa o governo criar controle sobre a imprensa. A prática das redações mostra que cada qual cria seu próprio controle, fora as exceções de praxe, como a Tribuna da Imprensa. Lembrem-se do que acaba de acontecer também no Estadão, onde uma colunista foi demita por apoiar a candidata-poste de Lula. Esta é a realidade da nossa imprensa.  

CONHEÇA AS METAS DO DEPUTADO ROMÁRIO

O deputado federal Romário tem duas grandes metas em sua atuação parlamentar. A primeira é defender as instituições que assistem os portadores da síndrome de Down e outros problemas semelhantes. E a segunda meta é incentivar os esportes e cuidar do futuro dos atletas, que na sua esmagadora maioria passam grandes dificuldades para sobreviver.

EM MATÉRIA DE PROMESSAS, ESTAMOS BEM

Se todo ano tivesse eleição, os pobres do Brasil estariam numa boa. O tucano José Serra, por exemplo, promete aumentar o salário mínimo para R$ 600, subir imediatamente o valor das aposentadorias em 10%, dobrar o valor da Bolsa Família que, aliás, teria um 13º. Só não explicou de onde vai sair esse dinheiro?

A outra candidata, Dilma Rousseff, também promete o céu e a terra. Em quem acreditar?

Acabar com os ricos e com os pobres?

Carlos Chagas

Nada como uma campanha eleitoral embolada no segundo turno para despertar revelações inusitadas. Esta semana o  presidente Lula, numa espécie de desabafo emocional, declarou que jamais os ricos ganharam tanto dinheiro como agora, em seu governo.  Insurgia-se contra  meia dúzia de vaias desfechadas contra sua carreata em favor da candidatura Dilma Rousseff,  ao atravessar um bairro de mansões de gente rica, em Curitiba. Dois dias depois, em Goiânia, falou a mesma coisa.

Certíssimo em seu diagnóstico, o primeiro-companheiro confirmou o que se supunha ser uma aleivosia de seus adversários. Realmente,  banqueiros e especuladores,  investidores, barões da industria, do comércio e dos serviços jamais foram tão favorecidos quanto no governo do PT. Basta conferir os balanços.

O singular nesse episódio é que os ricos, apesar das benesses, continuam preferindo José Serra a Dilma Rousseff. Confiam desconfiando do Lula, mas quando se trata da candidata, extravasam seus temores de forma absoluta. Temem que ela, eleita, possa retornar à pregação inicial e longínqua do partido, de acabar com a pobreza às custas da riqueza, iniciativa mais ou menos próxima das palavras do então primeiro-ministro de Portugal,  Otelo Saraiva de Carvalho, em seu diálogo com Olav Palme, saudoso primeiro-ministro socialista da Suécia. Saraiva, no auge de seu delírio revolucionário, disse ao interlocutor que em Portugal estavam quase chegando ao objetivo final da revolução dos cravos: acabar com os ricos. Palme sorriu e retrucou que em seu país estavam tentando precisamente o contrário: acabar com os pobres…

A explosão do Lula  exprime a perplexidade do atual momento brasileiro. Dilma promete acabar com a pobreza, ao tempo em que o seu mentor dá sinais de voltar à estratégia verbal do passado, ameaçando os ricos. Seria até bom se a troca patrimonial pudesse acontecer assim, num passe de mágica, mas ninguém garante que exterminando  os ricos,  a consequência será o desaparecimento dos pobres.

GUERRA À BOLÍVIA?

Mais uma vez o candidato José Serra abordou a questão de nossas fronteiras, prometendo policiá-las para acabar com o contrabando de armas  e o ingresso de drogas em nosso território.  Citou a Bolívia como fator principal de suas preocupações, anunciando dura ação da polícia federal, das forças armadas e demais instituições encarregadas da repressão.

O diabo é que a economia desse país-irmão repousa essencialmente na produção de coca, quer dizer, vive da  cocaína e sucedâneos. Erigir um muro entre os dois países, além de burrice, seria inócuo. Apelar para os bons sentimentos do presidente Evo Morales,  uma ilusão. Caso eleito, o ex-governador paulista ficaria sem outra saída senão fechar a fronteira com a Bolívia e botar a tropa de prontidão. Qualquer incidente transformar-se-ia  num caminho sem volta para o rompimento com La Paz.  Depois, ninguém sabe…

NÃO DÁ PARA  FICAREM OFENDIDOS

Agora é o instituto Vox Populi a atravessar o samba. Ao contrário do Ibope, Datafolha e Sensus, sua previsão dá 12 pontos de diferença para Dilma, na pesquisa contra Serra. Os concorrentes vinham diminuindo a diferença entre os dois candidatos, que já estava em 5 pontos.  De repente, amplia-se o espaço entre eles. Aceitar que o  povo mudou outra vez, volúvel  que é? Contestar metodologias, desconfiar de alinhamentos ou apenas aguardar a verdadeira pesquisa, dia 31? O que fica até hilariante é registrar a ofensa dos institutos sempre que se lhes revelam falhas e discrepâncias.

QUALQUER DIA ELE EXPLODE

Quem parece em vias de explodir é o deputado Michel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Não que tenha diminuído sua participação na campanha, porque de fato ela nunca existiu. Aqui e ali o presidente da Câmara pode ser visto num palanque, mas integrar o alto comando e opinar sobre as grandes decisões, nem pensar. É tolerado, mesmo assim de vez em quando.

Caso a candidata saia vitoriosa, Michel aguardará ser chamado, mas jamais para preencher ministérios conforme sua escolha, muito  menos da cúpula do PMDB.  Receberá pratos-feitos, restando saber se frios, apimentados ou dormidos.