Um terço dos eleitores de Serra aprova atuação de Lula

Pedro do Coutto

À primeira vista parece uma contradição ou equívoco. Mas vamos examinar com atenção esse aspecto bastante sensível da campanha sucessória, revelado na penúltima pesquisa do Datafolha e identificado pela percepção do conselheiro do TCE-RJ, Humberto Braga, um intelectual, meu amigo, que me chamou atenção para o detalhe. É, no fundo, essencial.

A pesquisa publicada pela Folha de São Paulo revela que um terço dos que se mostram dispostos a votar em José Serra aprovam a atuação do presidente Lula. Os que se integram na fração são favoráveis ao governo, mas acham Serra mais habilitado para dar sequência aos avanços da era Luis Inácio. A descoberta explica algumas coisas aparentemente enigmáticas. Por exemplo: porque, ao longo  da campanha, o ex-governador de São Paulo não atacou Lula? Exatamente porque, certamente de posse de levantamento semelhante, concluiu que, se o agredisse, perderia mais votos do que obteria.

Interessante a descoberta de Humberto Braga, leitor atento de pesquisas, eu não havia notado… Lula tem a aprovação de 80% da opinião pública. Os que o consideram ruim ou péssimo são apenas 3%. Estes três por cento já estão com Serra.

A totalidade lulista – claro – está com Dilma que se encontra hoje a quatro passos das urnas e na véspera de chegar ao Palácio do Planalto. A diferença aí está. Enquanto 33% dos serristas apóiam Lula, cem por cento dos lulistas estão com Rousseff. O mais recente levantamento do Datafolha, publicado ontem pela FSP, comentário de Fernando Rodrigues, revela essa realidade. Dilma 48 a 39 dos votos em geral e 56 a 44% dos sufrágios úteis. Treze por cento são os indecisos e os que vão votar nulo. Assim, 87 passam a ser iguais a 100. Daí a diferença dos percentuais de intenções de voto e seu aproveitamento final, caso a parcela complementar não v4enha a se definir. O que é improvável. Como sempre acontece, os que vão anular ocupam uma faixa entre 5 a 6%. 7% vão se dividir, em partes desiguais, entre os dois adversários.

Mas a pesquisa publicada ontem apresenta alguns outros ângulos que vale a pena focalizar. Sobretudo em função do debate de amanhã, na Rede Globo. A audiência vai ser muito alta. Primeiro em face da força do canal. Segundo porque se trata do último confronto público dos candidatos antes da votação. Terceiro porque marca o encerramento da campanha eleitoral. Em  quarto porque se o debate da Record atingiu 21%, segundo o Datafolha, o de amanhã vai alcançar muito mais. Ficará  entre 35 a 40% dos domicílios, abrangendo a ampla maioria do eleitorado.

Seguindo os resultados do datafolha, mais dois prismas que eliminam dúvidas ou vacilações: para 47%, as posições religiosas não possuem a menor importância. Caso do tema aborto. E para 87% a corrupção é algo abominável e desmerecedor. Este é o panorama da opinião pública e do que ela deseja que ocorra no duelo final.

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ALDYR PASSARINHO EQUIVOCA-SE

Um outro assunto. Em declarações publicadas pelo Valor, edição de 26, o ministro do TSE, Aldyr Passarinho Junior, revoltado com as acusações entre os candidatos, que considera tiroteio eleitoral, cogita de mudanças capazes até de responsabilizar os marqueteiros pelos excessos. Absurdo total. Como um jurista pode afirmar uma coisa dessas? Responsabilizar terceiros pelo que os primeiros falaram? Não faz sentido. Tampouco censurar qualquer manifestação. A Carta de 88 veda qualquer tipo de censura.

Não adianta pedir “voto consciente”. O eleitor apenas “pensa” que está votando, não importa o candidato “escolhido”

Nogueira Lopes

Aproxima-se a eleição final e os candidatos pedem “voto consciente”. Mas isso é quase impossível. Quando o sujeito vota, ele não está votando – está “sendo votado”. O eleitor pensa que escolhe o candidato, que foi selecionado pela estrutura partidária, já passou por uma espécie de vestibular.

As suas concepções foram avaliadas, está treinado, de acordo com tudo aquilo que foi necessário. É preciso fazer todas as concessões exigidas para chegar a ser candidato nos partidos brasileiros, que têm uma estrutura feudal. É como se cada partido fosse uma seita, uma confraria, com seus códigos e exigências particulares.

A legenda tem estatuto, regras, código de comportamento, aspirações, táticas, compromissos. Ou seja, o sujeito só pode ser candidato se for submisso a tudo isso. Ele não vai expressar sua opinião, nem fazer nada de novo que contrarie as regras partidárias.

E, cá entre nós, o que os partidos querem é essa velha disputa pelo poder, para ver quem pode mais, quem vai receber mais vantagens do Estado. Simples assim.

FALTAM INGREDIENTES PARA O PROGRESSO

Fernando Henrique ficou 8 anos, Lula mais 8 anos. Continuam faltando os ingredientes importantes para a preparação de nosso futuro. Aliás, ainda não há nenhum.

Educação, saúde, infra-estrutura, estradas estraçalhadas, aeroportos insuficientes, portos ridículos, mínimos, caríssimos. O transporte coletivo precário nas grandes cidades. Avanço tecnológico medíocre para uma nação desse porte, a energia sempre a um passo do apagão, quando chega o verão.

Sem investimento nessas bases estruturais, o país não tem como avançar.

CIDADE DA MÚSICA, UMA OBRA DESAFINADA

Já se passaram dois anos, o então prefeito César Maria gastou mais de R$ 430 milhões na gigantesca construção (o orçamento inicial era de apenas R$ 80 milhões), mas até hoje não foram retomadas as obras da Cidade da Música, na Barra da Tijuca.

Se os atuais administradores da Prefeitura não gostam da obra ou de sua destinação, podem fazer dela o que quiserem: um colégio, um hospital, uma maternidade, um asilo para idosos, um orfanato, um museu de grandes novidades, qualquer coisa assim.

Não se pode aceitar é que a construção continue abandonada, embora haja placas afixadas lá anunciando que as obras já foram retomadas. É desanimador.

UM HOSPITAL É MONUMENTO AO DESCASO

Um prédio inteiro do Hospital do Fundão vai vir abaixo. Será demolido, antes que desabe mesmo. O pior é que este edifício começou a ser erguido nos velhos tempos do presidente Getúlio Vargas, e nunca ficou pronto.

Há décadas e décadas está inacabado e em deterioração, como um colossal monumento ao descaso das autoridades da saúde. E o outro prédio, ao lado, o único que funciona, tem capacidade para fazer 1,3 mil internações, mas só consegue atender a 350 pacientes.

Na campanha eleitoral, ninguém falou nisso, nem vai falar nos dias que faltam. È a face esquizofrênica do Brasil.

MAITÊ PROENÇA COM PINTA DE “IMORTAL”

Maitê Proença em alta na Academia Brasileira de Letras. Os acadêmicos ficaram encantados ao receberem a atriz, que recitou poemas de Casimiro de Abreu. Como também é escritora e cronista consagrada, Maitê só não entra na Academia se não quiser. Já é imortal pela beleza, agora os acadêmicos querem imortalizar sua prosa e verso.

UM GRANDE ENSINAMENTO DE ADAM SMITH

Por fim, vale lembrar esse ensinamento de Adam Smith, o pai da Ciência Econômica, que devia ser repetido em toda eleição: “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos governantes”.

No debate de sexta-feira, Dona Dilma devia ir de faixa, colocada “no ar”, diretamente pelo presidente Lula. Serra aplaudindo e o povo chorando e perguntando: “Temos que suportar a farsa?”

Helio Fernandes

É bem verdade que nenhum dos 10 “debates” apresentou audiência. A maioria porque as estações não têm mesmo público. E os que seguem invariavelmente a Globo, vão dormir, (esses espetáculos circenses são exibidos muito tarde) ou aproveitam para fazerem alguma coisa.

O da Record, anteontem, foi talvez o mais violento, inócuo, inútil, agressivo, dava a impressão de que se agrediriam fisicamente, o que não seria possível. Foram cautelosamente colocados bem distantes, e com segurança mais do que razoável.

Também estavam alertados para o fato: agressão não dá voto. O povo (135 milhões de eleitores obrigados) repudiou tanto Serra quanto Dilma (e principalmente Lula, o principal baluarte da candidata-poste), foram farta e vastamente repudiados no episódio da bolinha de papel. (Como eu disse, QUICOU na cabeça do Serra, REPICOU em Dona Dilma, obrigou Lula a mostrar toda a ARROGÂNCIA vazia). E mesmo os jornalões (e as revistas) engajados, não tiveram coragem de defender seu candidato.

A Record, que sonhava com audiência acima dos seus índices melhores, Nossa Senhora, teve um público de Rede TV, ridículo. (E a Rede TV, organizou o antepenúltimo debate, sua audiência não caiu, pela razão muito simples de que não tem nenhuma).

Não podendo se agredir fisicamente, Serra e Dilma se hostilizaram verbalmente. E fizeram o que têm feito desde o início: MENTIRAM, MENTIRAM, MENTIRAM. Nisso são insubstituíveis, ninguém pode contestá-los, e os dois abusaram tanto da inverdade que não havia retificação, o público às gargalhadas. Pelo menos isso, momentos de bom humor, o que por si só, não justificava as palhaçadas.

Devia haver um desmistificador eletrônico e automático, que a cada mentiralhada, registrasse: “Não vale, tudo que foi dito não será levado em consideração”. Seria a única forma de dar algum sentido a esses “debates” perda de tempo.

Na Record, com o programa visto prática e unicamente pelos profissionais (da televisão, que trabalhavam, igualmente para os jornalistas que cobriam a tolice), dois comportamentos diferentes para cada candidato.

Dilma, sabendo que já ganhou, que não confirmou no primeiro turno, por causa do que Lula chamou de “salto alto”, (sem perceber que ele usava o mesmo tipo de “engrenagem”) provocou o “adversário”, para que se perdesse na agressividade, obteve o resultado pretendido.

Serra, provocado e desesperado, se exaltou, exagerou, aumentou o tom, sabe que não tem uma possibilidade em 1 milhão de sair vitorioso. (Há 8 anos venho dizendo que Serra jamais será presidente, ele sabe disso. Mas não desiste).

Neste final de campanha, já derrotado, Serra só tem um objetivo: perder por pouco, manter 43 por cento do primeiro turno, poder confirmar ou blasfemar: “Viram? Meu eleitorado é fiel, se manteve sem se afastar de mim”.

Com isso, Serra estaria se preparando para a terceira caminhada presidencial em 2014. Nada de imaginação do repórter, apenas conhecimento dos fatos, da ambições. E dos personagens.

Serra pretende disputar depois de duas derrotas, exatamente como Lula, só que este perdeu três seguidas e ganhou outras duas, fato único no mundo ocidental. Serra está preparado para os que duvidarem da possibilidade de obter a legenda do PSDB, que (ao contrário do PMDB) deseja ocupar o Poder.

Ele já avaliou, considerou e analisou: o PSDB só terá dois possíveis candidatos em 2014, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Em relação ao ex-governador de Minas, está preparado para desclassificá-lo: “Afinal ele não tem tanta força. Me apoiou, o que não fez no primeiro turno, perdi do mesmo jeito”.

Quanto a Alckmin, que segue subservientemente tudo o que Serra determina, será seduzido com a proposta: “Se eu perder ou ganhar em 2014, você será candidato favorito em 2018, tem idade para esperar, como governador de São Paulo pela quinta vez”.

A propósito de idade: Serra, em 2014, estará com 72 anos. Lembra que Rodrigues Alves foi presidente em 1918, com 70 anos, quando a longevidade não tinha a força que tem hoje. E Tancredo foi candidato em 1985, com 75 anos, já se passaram portanto 25 anos, agora, 29 em 2014. Bem diferente, segundo o próprio Serra.

Serra pretende GANHAR o “debate” da Globo, embora saiba que NÃO GANHARÁ de forma alguma a eleição. Seu único propósito é diminuir a diferença da vitória de Dona Dilma. Isso pode mesmo acontecer, é impossível garantir a margem da vantagem de Dilma sobre Serra.

Eu mesmo, que jamais tive dúvida sobre a vitória dela, (sempre ressaltando a infelicidade do país estar restrito a “escolher” entre duas mediocridades-incompetentes) não tenho a menor idéia da diferença.

E o grande objetivo de Serra é poder exibir uma derrota, com apenas 2 ou 3 por cento a menos. Vai apregoar que foi vitória, teve que enfrentar não Dona Dilma, e sim toda a máquina do Poder, utilizada pelo próprio maquinista.

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PS – A favor de uma próxima e não impossível terceira candidatura, Serra manejará fatos que não podem ser desmentidos. A começar pela incapacidade dela, nisso ele é mestre, mede pela própria inoperância.

PS2 – A divergência Dilma-Lula-PT, começará no dia 2 de novembro, quando anunciarem alguns nomes dos ministros. Serão indicações de Dilma, de Lula, do PT?

PS3 – E os aliados poderosos, como o PMDB? É evidente que não se julgam recompensados com a vice para o acusadíssimo Michel Temer. E não querem o Poder e sim as partes mais suculentas do Poder.

PS4 – Logo, logo explodirão as disputas pela presidência da Câmara e do Senado. E o grupo de lobistas do PMDB quer Henrique Eduardo Alves no cargo. Dizem que a ex-mulher ficará em silêncio, já foi estrondosa há alguns anos.

PS5 – Só que os lobistas do Senado também querem a presidência, mas desta vez será difícil ficar com os dois cargos. Embora os lobistas do PMDB tenham tradição de não romperem, de se “acomodarem”.

PS6 – De qualquer maneira, o último “debate”, sexta-feira, terá algum interesse. (Embora não passe de 20 por cento da audiência habitual). Se pudesse, já vitoriosa, Dona Dilma não iria. Serra, ávido por perder por menos, será muito mais agressivo, não usará bolinha de papel.

Palocci voltará à Fazenda?

Helio Fernandes

Parece que sim. Lula não vetará seu nome, embora tenha tido em relação a ele, dois comportamentos. No primeiro mandato, dizia: “Espero o Palocci me dar sinal verde para baixar os juros”.

No final do primeiro mandato, em 2006, Palocci cresceu muito, teve que ser demitido, podia (e queria) tentar a Presidência. Lula jamais se incomodou com Meirelles, presidente tem que ser brasileiro nato.

Agora, ministro, Palocci será apenas coadjuvante. O Oscar será disputado por Dona Dilma e o próprio Lula. Dirceu pretende alguma coisa, mas nem ele sabe o que pode pretender.

GOVERNO DE BRASÍLIA

Não existe nenhuma possibilidade da mulher de Roriz ser eleita. Mesmo usando o nome do marido como biombo. Agnelo Queiroz não é o sonho dos que pretendem elevar o conceito e a reputação da capital. Mas o que fazer?

AGACIEL MAIA EM ALTA

A surpresa do 3 de outubro na capital, foi a eleição para deputado distrital, do poderoso diretor do Senado. Teve grande votação, garante que será presidente da Câmara. Ao mesmo tempo em que é fulminado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Amigos de Agaciel garantem: “Ele tem caminhões de provas para se defender, o que não acontece com muitos senadores”. Previsão: a IMPUNIDADE será geral.

DIVERGÊNCIA EVANGÉLICA

Edir Macedo não gostou do “pastor” Malafaia estar apoiando candidatos, “sem o meu consentimento ou autorização”. E o que mais enfureceu o doutor (doutor mesmo) Edir: “O fato de estar usando a Igreja Evangélica para receber um canal de televisão”.

Edir Macedo logo vislumbrou, que palavra, que o pastor com um canal de televisão, se desligaria dele. Como o “pastor” lançaria essa televisão? Com o dinheiro dos fiéis, que ele mobiliza e manipula de forma satânica.

Pela segunda vez, assisto “Tropa de Elite 2”. Não resisto, escrevo novamente. Não esquecer: o filme foi feito entre 2007 e 2009, todo cabralzinho.

Helio Fernandes

Como arte e técnica, “Tropa de Elite 1” é melhor. Mas como denúncia, libelo, inclusive acusação frontal ao governador Sergio Cabral, “Tropa de Elite 2” é insuperável. Foi produzido no estilo de um clássico do diretor Alberto Latuada (“Processo Contra a Cidade”, em italiano, ou “A Cidade se Defende”, no título em português). Um filme de 56, se não me engano, acusação arrasadora contra a Camorra de Nápoles. Envolvimento policial e judicial.

“Tropa de Elite 2” segue o mesmo caminho e o mesmo destino. Acusa totalmente o governador Sergio Cabral de estar no centro da corrupção, inclusive policial, através das nomeações para a Secretaria e órgãos de segurança. O ator André Mattos tem  um desempenho fantástico como o deputado e apresentador de televisão corrupto, que promove o banditismo, fingindo defender a Polícia e a sociedade.

Em entrevista à Folha de São Paulo, André Mattos afirma que se inspirou totalmente num deputado. Admirável a atuação. Se o filme tivesse estreado antes do primeiro turno, cairia a margem de vitória de Cabral sobre Gabeira. As seqüências em que se verificam as acusações ao governador, são aplaudidas intensamente durante as sessões.

Roubos, assassinatos, corrupção, principalmente oficial. Tudo junto. Fraga, deputado honesto, que denuncia as milícias (é Marcelo Freixo, reeleito com mais de 100mil votos), que não esconde ninguém).

O filme é todo voltado para a acusação a cabralzinho, é sempre “senhor governador, o senhor não vê coisa alguma?”. E como foi feito da posse até quase o final de cabralzinho, não consigo entender: por que o governador não processa José Padilha? Só há uma constatação: medo da repercussão.

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PS – O silêncio de Cabralzinho deixa de ser mistério para se envolver numa verdadeira confissão.

Batendo continência

Carlos Chagas

Com atraso inexplicável Dilma Rousseff divulgou, segunda-feira, suas “diretrizes” de governo. Explicou não tratar-se de seu programa de ação, caso eleita, mas de simples objetivos a alcançar, deixando para depois a forma de como viabilizá-los.

Pior fez, ou não fez,  José Serra, que nem “diretrizes” anunciou, limitando-se a promessas pontuais como elevar o salário mínimo para 600 reais ou conceder o décimo-terceiro salário para os beneficiados pelo bolsa-família.

Uma novidade, apenas, fluiu do documento da candidata: pela primeira vez desde que lançada pelo presidente Lula, ela se dirige às forças armadas, numa espécie de “carta aberta” à categoria. Fica nos chavões, como o de manter o serviço militar obrigatório, estimular a indústria bélica e prover a imprescindível atualização do equipamento militar.

Será bom não esquecer que Dilma recusou, “por problemas de agenda”, comparecer a um debate com os demais candidatos, no primeiro turno, promovido pelos clubes Militar, da Marinha e da Aeronáutica. Nem ao menos aceitou, pelos mesmos motivos, fazer uma exposição de seu programa de governo a uma das três entidades, ao contrário de Serra.

Agora, a menos de uma semana das eleições para o segundo turno, redime-se e dá atenção às instituições castrenses. Menos mal, ainda que continuem sem resposta as causas do boicote prolongado. Afinal, em vias de ser eleita, a ex-ministra deveria ter presente que logo será a Comandante em Chefe das Forças Armadas. Receberá as continências de praxe do Exército, Marinha e Aeronáutica, desde a posse até as centenas de solenidades a que precisará comparecer. Além de nomear o ministro da Defesa e os comandantes das três corporações.

Seria estultice considerar esse afastamento da candidata motivado por acontecimentos passados. Quando foi presa e torturada, nos idos da ditadura militar, nem capitães eram os generais de hoje. Além de constituir justiça reconhecer a conduta exemplar dos militares, desde a democratização. Engoliram, e pelo jeito ainda engolem, sapos em posição de sentido. As corporações nada tem a ver com os erros e abusos praticados no período de domínio militar sobre as instituições, debitados a maus chefes, jamais ao conjunto constitucionalmente disposto para a defesa da soberania nacional.

De qualquer forma, vale o refrão popular de “antes tarde do que nunca” para a mensagem agora dirigida pela candidata às Forças Armadas. Porque se ela for buscar na História previsões para o futuro, concordará com Getúlio Vargas, que ao preparar-se para tomar posse em 1951, eleito democraticamente, respondeu assim à indagação a respeito do comportamento dos militares: “Os militares? Os militares baterão continência…”

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Com o debate de segunda-feira, na Rede-Record, foi-se a penúltima oportunidade de os candidatos atingirem o âmago do sentimento do eleitorado. Resta o debate de sexta-feira, na Rede-Globo, mas, ao que tudo indica, será mais uma oportunidade perdida, tendo em vista que desde o início da campanha o tema “segurança pública” vem sendo relegado a considerações insuficientes. Serra promete um ministério específico, Dilma anuncia que copiará o modelo das polícias pacificadoras do Rio de Janeiro. E só.

Deixaram de perceber os dois, assim como seus assessores principais, a importância de planos e projetos eficazes para combater a insegurança que assola o país inteiro diante da ação da bandidagem na vida de cada um de nós.

Tivessem o tucano ou a companheira  prometido  concepções e medidas  cirúrgicas para a defesa do cidadão e, com certeza, seriam outros os percentuais de sua aprovação, nas pesquisas.

Por exemplo: senão pena de morte, ao menos prisão perpétua para autores de crimes hediondos. Extinção de todos os benefícios  legais para quantos torturam e matam, em especial  crianças, a começar pelos próprios pais. Cadeia para o resto da vida, sem livramento constitucional ou  saídas  costumeiras da prisão,  para autores de latrocínio e comandantes do tráfico de drogas. Regime prisional sem facilidades de espécie alguma para seqüestradores. Trabalho obrigatório para quantos tenham sido sentenciados por crimes violentos. Tratamento carcerário igual para os criminosos de colarinho branco e para ladrões de galinha. Inflexibilidade na condenação de quantos se envolvam em peculato, desvio de recursos públicos, recebimento de propinas, envio de dinheiro irregular para o exterior  ou utilizem funções de estado  para cometer ilícitos.

E quanta coisa a mais poderiam ter anunciado os candidatos, acoplando-se à tendência unânime da população de que o principal  sujeito da política de direitos humanos precisa ser o cidadão comum?…

O DAY AFTER

A partir de segunda-feira dois tipos de reunião estarão acontecendo no país inteiro. De um lado, os vitoriosos, planejando o futuro. De outro, os derrotados, lamentando o passado.

Quem ganhar a eleição evitará ilações sobre a formação do ministério, mas não deixará, no recôndito da euforia, de estar escalando em silêncio a equipe que o acompanhará a partir do primeiro dia de janeiro.

Quem perder buscará garantir espaços para incluir-se  na linha de frente da oposição naturalmente formada pela voz das urnas. Sobreviver será sua  preocupação maior.

Os partidos estarão em efervescência, com vistas a aglutinar-se no próximo Congresso. Os governadores, de seu turno, pensarão em  acomodar-se diante do novo quadro nacional, influindo ou insinuando-se.

Quanto aos integrantes do governo atual, já então arrumando as malas para voltar à planície ou conseguir permanecer no alto da montanha,  precisarão aguardar com ansiedade redobrada. Em suma, nada de novo debaixo do sol.

Na Record, confronto foi de defeitos, não sobre projetos

Pedro do Coutto

Infelizmente para o eleitorado, para todos nós, portanto, mais uma vez o debate da noite de segunda-feira na TV Record foi muito mais um duelo em torno de defeitos e falhas de uma e de outro, do que de propostas e projetos do interesse do país e da população. O clima foi tenso, a atmosfera tensa, a não ser a troca de acusações, não surgiu nada de positivo em termos de futuro.

Não foi colocada a perspectiva após Lula, que é o que vai acontecer, e quais os programas em perspectivas para essa nova fase da vida brasileira, aliás bastante  próxima.  As urnas nos aguardam no domingo, o final do período Luís Inácio a 31 de dezembro. Bem dirigido sem dúvida pelo apresentador Celso Freitas, no entanto o fogo cruzado se extinguiu noventa minutos depois de iniciado o confronto.

Não creio que possa ter influído para que ocorressem mudanças no panorama traçado pelas pesquisas do Ibope, Datafolha, Vox Populi. Entretanto esta visão, hoje, terça-feira, quando escrevo, pode não ser definitiva. Temos que levar em conta dois pontos essenciais: o debate na Rede Globo à noite de 29, sexta-feira, e o fato de centenas de milhares de votantes deixarem para decidir em cima da hora. Aliás como os resultados do primeiro turno destacaram. Mas falei em centenas de milhares. Para inverter a tendência registrada nos levantamentos de opinião pública são necessários aproximadamente doze milhões de votos. Seis numa direção, outros seis na outra, simultaneamente. Difícil. Vamos aguardar. Mas esta é uma outra questão.

O essencial é que faltaram colocações viáveis de ambas as partes em relação à alvorada que se aproxima. Serra, a meu ver, esteve melhor. Mais seguro, mais firme. Com respostas mais prontas. Isso quanto ao desempenho. E a respeito do reflexo chamado voto?

Não tenho certeza. O ataque desfechado por Serra contra o escandaloso episódio Erenice Guerra surtiu efeito no primeiro turno, desequilibrando os pontos que terminaram levando ao segundo. Agora, no entanto, a comparação que Rousseff fez do índice de desemprego na administração FHC e da que está marcando o governo Lula foi um golpe bem encaixado. Tanto assim, que embora cobrado pela resposta duas vezes, o ex-governador paulista afastou-se do tema. A ex-ministra não voltou ao assunto pela  terceira vez.Provavelmente, suponho eu, recebeu pelo ponto eletrônico a observação da assessoria de que a colocação já era suficiente para produzir efeitos nas urnas. Pode ser que sim, pode ser que não.

Da mesma forma que os lances envolvendo a hipótese da (impossível) privatização da Petrobrás e a perspectiva do Pré-Sal ser privatizado, apontados por ambas as partes como faces negativas na reta de chegada só poderão ter avaliados seus efeitos pelos institutos de pesquisa. Leitores hão de reclamar dessas empresas. Muito bem. Mas qual o outro meio existente de aferição? Nenhum. Então é analisar os resultados que elas oferecem ou nada. Neste caso cada um fica com sua opinião e espera a contagem eletrônica dos votos a partir da tarde de domingo.

Eu falei em alternativas. Pois é. O fato é que as pesquisas eleitorais, como me disse um dia meu saudoso amigo Paulo Montenegro, são as únicas que podem ser comprovadas ou não na prática. Nenhuma outra pode. Por isso, inclusive, as empresas que atuam nesses levantamentos da emoção humana jogam seu destino a cada pleito. E se, 68 anos depois da criação pioneira do Ibope, sobrevivem até hoje é porque reúnem a seu favor pelo menos vinte vezes mais acertos do que erros. Não são infalíveis. Mas são o único espelho que a sociedade possui para ver a si mesma.

Greenhalgh, ex-deputado do PT e amigo de Lula, teria recebido comissão de 260 milhões de dólares para favorecer a compra da Brasil Telecom pela Oi, na maior negociata do governo

Carlos Newton

O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal e ex-defensor dos direitos humanos, muito ligado ao presidente Lula e à cúpula do PT, é apontado como o lobista que ajudou a empresa Oi a adquirir a Brasil Telecom (BrT). Custo da comissão: US$ 260 milhões.

Esta informação consta dos autos da ação popular movida na 8ª Vara Federal de Fortaleza contra a União, o presidente Lula, a Anatel, a Comissão de Valores Mobiliários e as empresas de telefonia envolvidas na transação, concretizada em 22 de dezembro de 2008, mediante uma série de favorecimentos concedidos pelo governo federal, que envolveram até mudança na legislação e financiamentos com recursos públicos do Banco do Brasil e do BNDES.

Para que a compra da Brasil Telecom pela Oi pudesse ser realizada, o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, teria agido junto à Casa Civil e ao Palácio do Planalto para obter a mudança na legislação das Telecomunicações por meio de decreto, que foi assinado pelo presidente Lula, com o único e exclusivo objetivo de facilitar a  aprovação do negócio pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em apenas 27 dias.

A aprovação do negócio (ou negociata?) foi conseguida em tempo recorde para que a empresa Oi não fosse penalizada  com multa de R$ 490 milhões, caso a venda não se efetivasse.

Para o sucesso da operação, o Banco do Brasil e o BNDES emprestaram aos sócios controladores da nova supertele a quantia de R$ 7 bilhões. Tudo perfeitamente sincronizado.

O preço da intermediação de Luiz Eduardo Greenhalgh, segundo a ação que corre em Fortaleza, teria sido de US$ 260 milhões. As gravíssimas informações referentes ao tráfico de influência implementado e “à assessoria empresarial-governamental” posta em prática e bem sucedida, integram petição elaborada pelo advogado Manuel Gomes Filho, que representa o autor da Ação Popular nº 0010389-37-2008.4.05.8100, o também advogado José Carlos Martins Mororo de Almeida.

A ação tramita na 8ª Vara Federal de Fortaleza. A citação do presidente Lula e de outros réus foi determinada pela juíza Elise Avesque Frota. No site da Justiça Federal surge como advogado da União Federal o procurador-chefe da Advocacia Geral da União em Fortaleza, José de Arimatéia Neto. O nome do defensor do presidente Lula não foi relacionado ainda, apesar de o chefe do Poder Executivo já ter apresentado sua defesa.

O Ministério Público Federal foi chamado a se manifestar sobre o pedido de suspensão e nulidade da transação (compra da BrT pela Oi), que sem dúvida foi realizada em completa ofensa ao ordenamento jurídico e à moralidade administrativa. Como nos autos há relato de ocorrência de suposto crime, por certo, tráfico de influência, o procurador federal deverá requerer o envio de cópia do processo para que possíveis ilícitos penais sejam apurados na esfera competente.

Pelo seu vulto, singularidade e estranheza, essa “apressada e nebulosa transação” também chegou ao Congresso Nacional, onde o deputado Marcelo Itagiba defendeu a abertura de uma CPI. Segundo ele, a lei de outorga foi modificada para atender a um interesse comercial.

“Não tenho a menor dúvida de que houve tráfico de influência. Acho que seria fundamental que o Congresso Nacional apurasse essa fusão. O dinheiro público está sendo utilizado para patrocinar interesses privados. Foi mudada uma lei por encomenda de empresários que desejavam fazer um grande negócio. Isso não pode ser admitido”, advertiu o parlamentar.

As críticas do deputado lastream-se em informações publicadas pela imprensa, destacando que um dos controladores da empresa Oi, Sérgio Andrade, proprietário da construtora Andrade Gutierrez, foi um dos maiores doadores de recursos ao PT na campanha presidencial de 2006. Além disso, a Oi é sócia do filho mais velho do presidente da República, Fábio Luis da Silva, na empresa GameCorp, onde logo de início investiu R$ 5 milhões.

Para saber maiores detalhes desse eletrizante caso,que envolve não somente o presidente Lula, que assinou o decreto, mas também a Casa Civil, que conduziu todas as negociações, basta acessar na internet www.teletime.com.br/arqs/Outro/2804.pdf, para tomar conhecimento da íntegra da petição inicial da ação popular.

A Veja mente e mistifica sobre um fato que não aconteceu, antes dos Estados Unidos existirem. E nem Adams, nem os outros Fundadores eram contra o povo. Serra e Dilma, sim, não merecem respeito em matéria de Liberdade de Imprensa.

Helio Fernandes

Seu nome: John Adams. Verdadeiro só o nome e o fato de ter sido presidente dos EUA. Mas o fato não tem um mínimo de realidade. Adams foi eleito presidente dos EUA, em 1796, Washington cumpriu dois mandatos, não quis mais. Foi eleito então John Adams pelo Partido Federalista. (O Democrata só seria criado em 1829).

Não foi um grande presidente, embora fosse notável personalidade. Tentando o segundo mandato (o que seria rotina depois dele), foi contestado dentro do próprio partido, e tendo como adversário Thomas Jefferson. Este, grande conspirador na Filadélfia, lançou em 4 de julho de 1776, o Manifesto base da Independência. Que só ocorreria 5 anos depois.

Veja “contorna” a questão da Liberdade de Imprensa, prevarica em relação ao fato que não existiu, joga com o nome de John Adams. E se aproveita dele para fingir que defende o direito de todos. Os Fundadores da República, (apenas 7 reconhecidos pela Constituinte de 1788) se concentraram na construção de uma Constituição que impedisse GOLPES, e a tomada do Poder sem a participação do povo, ou seja, sem eleições DIRETAS.

Mas não blindaram devidamente a Constituição contra assassinos, vários deles foram mortos no Poder, com os vices assumindo, o que era uma forma indireta de governarem. O assassinato de Lincoln, o mais idolatrado dos 4 presidentes estadistas, sangrou o povo, passou à História de forma indelével.

Quando à Liberdade de Imprensa (ou de Expressão), ela só foi consolidada nos EUA através da PRIMEIRA EMENDA. E ela é tão abrangente, que não respeita e garante apenas a Liberdade de Imprensa, mas todo o arcabouço da coletividade do país.

O Brasil não tem nenhuma tradição de respeito às liberdades. Para começo de conversa, enquanto os EUA têm apenas uma Constituição e nenhum ditador no Poder, o Brasil tem inúmeras Constituições, vários ditadores, nenhum respeito pelo povo.

(Em toda a sua História, os EUA só uma vez tiveram um presidente e um vice não eleitos pelo povo. Ditado por circunstâncias, isso aconteceu em 1974. Iam votar o impeachment de Nixon, mas não queriam que o corruptíssimo vice, Spiro Agnew, assumisse. Negociaram com ele, Nixon renunciou. Assumiu o presidente da Câmara, Gerald Ford. Que de acordo com a Constituição escolheu Nelson Rockefeller para seu vice).

***

PS – No Brasil, nenhum respeito pelas instituições. Se houvesse esse respeito, não existiriam tantos golpes, tantos ditadores, tantos vices assumindo.

PS2 – Defender a LIBERDADE DE IMPRENSA (melhor, de EXPRESSÃO) para entregá-la a Dilma ou Serra e tendo a Veja como porta-voz, é crime de lesa PÁTRIA.

PS3 – Desculpem usar a palavra PÁTRIA, relacionando-a com Serra, Dilma e Veja. Ou como diriam os catolicíssimos Serra e Dilma: “Que Deus nos ajude”.

***

AS REVISTAS FATURAM, ACHAM
QUE  VÃO  “DEFINIR”  A ELEIÇÃO

Nunca houve uma participação tão estranha e perigosa delas em campanha presidencial. Curiosidade: se concentram nas capas, consideram que o leitor não chega “lá dentro”. E todas consideram e não escondem: “Nosso candidato ganhará a eleição pela colaboração que estamos dando”

Em matéria de falta de caráter, de escrúpulos e de convicções, mereciam o Prêmio Nobel.

FHC não saiu na foto

Helio Fernandes

O Globo publicou ontem, na primeira, Serra em fila com Alckmin, Gabeira, Aécio, Anatasia e Itamar. FHC ficou furioso, rasgou o jornal, ia telefonar para Serra, protestando, preferiu se satisfazer diante do espelho.

CONTROLE DA MÍDIA

Está em pleno andamento, quase realidade em diversos estados. Os que estão no Poder ou pretendem conquistá-lo, embarcaram no projeto. Independente do que acontecer, dois registros e duas considerações.

1 – Em São Paulo, o governador foi Serra, seu vice (promovido sem voto) foi a vida inteira stalinista. Faz sentido.

2 – Em Alagoas, o governador é Teotônio Vilela, o filho, o filho. (Disputa a reeeleição no segundo turno, pode perder para um corrupto ex-governador. O herdeiro do grande Teotônio Vilela, defendendo ou apoiando a censura, não faz sentido.

Conversa com leitores-eleitores, sobre Serra e Dilma (dois sem-projetos) e a necessidade da reforma político-partidária

Antonio Aurelio: “Jornalista, anularei meu voto, como o senhor. Mas quero dizer que o Serra merece consideração, ele combateu a ditadura, da mesma forma que o senhor. Desculpe”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não precisa pedir desculpas para expressar sua convicção, civilizadamente como fez. Só que Serra (e muita gente) não combateu nada. E mente muito. Disse que falou no comício de João Goulart na Central do Brasil, inverdade. Pode até ter ido, era público, mas falar não falou.

Logo em abril de 64, se “mandou” para o Chile, sem perigo, sem perseguição, sem complicação. Alguns tiveram que ir embora, ou seriam mortos. Ficou algum tempo no Chile, foi para os Estados Unidos, tratado maravilhosamente durante alguns anos, viajou para a França.

Nos EUA e na França, disse que completou vários cursos, que não aparecem. (Esses cursos exatamente iguais aos de Dona Dilma). Em 1977, ainda em plena ditadura, voltou ao Brasil, coordenou a candidatura de FHC ao Senado. Este que também adora faltar com a verdade, disse, “fui cassado”.

Várias vezes desafiei o ex-presidente a mostrar como pôde conciliar a cassação com a candidatura. (O próprio Serra queria ser candidato a deputado estadual em 1978, não conseguiu, estava cassado).

Portanto, diferença enorme entre o comportamento deste (é DESTE e não DESSE, como tem saído) repórter, que não saiu do Brasil, da prisão, dos sequestros e desterros. Na verdade, Serra deve tudo ao golpe. Se não tivesse havido 64, o que teria sido da vida e do futuro de Serra? Como adora dizer que foi muito pobre, teria que estudar à noite e trabalhar durante o dia. Trabalhar em quê?

IMPRESSÃO DE ESTAR
MUDANDO DE POSIÇÃO?

Ulysses: “Helio, dá a impressão de que você está mudando de posição, não é mais tão lulista ou dilmista. É verdade? Suas considerações a respeito de Lula não se considerar derrotado se Serra for eleito, reconheço, são brilhantes. Mas não é a tentativa de justificar antecipadamente a derrota de Dona Dilma? Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Ulisses, brilhante é a tua análise da minha análise. Não posso estar mudando de posição, pela razão muito simples e continuada de que sempre fui contra Dilma e contra Serra. E não mudei em nada, acho os dois exageradamente medíocres para chegarem a presidente. Sem projetos, programas, idéias, o que farão?

Dona Dilma afirmou que gastou 40 bilhões em saneamento, e esse continua a ser um dos grandes e mais vergonhosos problemas. Serra também se diz inovador e realizador nos mais diversos setores, mas nada aparece. E olhem: foi prefeito da capital e governador de São Paulo, orçamentos fabulosos, abaixo apenas do orçamento da União.

REFORMA PARTIDÁRIA
E O PARLAMENTARISMO

Geraldo Moura da Silveira: “Só o sistema parlamentarista fortalecerá, de fato e direito, os partidos, pois o presidencialismo de coalização – vigente no Brasil – traz em si o gene da corrupção. Estão aí os governos Collor, FHC e Lula para provar esse fato. Nossos partidos não passam de cartórios de lobistas com mandato”.

Comentário de Helio Fernandes:
É possível, é possível, Geraldo. Antes de mais nada, precisamos de total e rigorosa reforma partidária. E aí, incluída a escolha do Parlamentarismo. Mas não basta a escolha, é preciso convicção para sustentá-lo.

A Constituição de 1988, era completamente parlamentarista. No plenário se transformou em presidencialista, ficou então essa dualidade.

Antes, em 1961, para que Jango pudesse tomar posse, os militares impuseram, “Parlamentarismo com Tancredo”. Jango demitiu Tancredo, nomeou Brochado da Rocha primeiro-ministro. Em 6 de janeiro de 1963, o presidencialismo voltou.

E não se esqueçam: o Parlamentarismo teve sempre como defensor, Afonso Arinos de Mello Franco. O mais importante parlamentar que conheci em toda a vida.

Conversa com leitores-eleitores, sobre a ineficácia dos debates e o tal encontro de empresários com FHC em Foz do Iguaçu.

Valentim: “Helio, pela segunda vez publico aqui no teu blog, a denúncia do encontro de Fernando Henrique Cardoso com 150 empresários em Foz do Iguaçu. E você, completamente em silêncio? O ex-presidente prometeu, se Serra for eleito, privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, Itaipu, e ninguém diz nada?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você mesmo confirma: mandou duas vezes a mesma denúncia e saiu, por que a insatisfação? Tentei confirmar o fato, não consegui de maneira alguma. Você tem que concordar: 150 empresários hospedados em Foz do Iguaçu, é um fato que não pode passar ou ficar desconhecido. Ninguém soube.

Mobilizei minhas fontes, não souberam nem de uma possível viagem de FHC ao Paraná. O que você queria que eu fizesse? Publicasse alguma coisa não apurada? E você sabe que tenho fontes e disposição para publicar qualquer coisa, desde que tenha existido.

Por que não publicaria fatos apurados e confirmados, se fui o único a revelar as DOAÇÕES (chamadas indevidamente de privatizações), quando elas ocorreram, com o próprio FHC no governo? Na doação da Vale, dei até os números: a empresa foi DOADA por 3 BILHOES, em MOEDAS PODRES, quando valia 3 TRILHÕES em MOEDAS VERDADEIRAS.

***

Tereza: “Jornalista, gostaria que o senhor fizesse campanha para acabar os debates. É um tédio repetido, ninguém suporta tanta bobagem. É lógico que não dá mais para esta eleição, mas ainda teremos muitas. Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Concordo inteiramente com você e o fim desses “debates” (sempre entre aspas). Faria, digamos, a concessão: apenas um, transmitido por todas as televisões que quisessem, abertas ou por assinatura. Você tem toda razão: 10 debates, quem duporta?

Cuidado com o desatino das elites

Carlos Chagas

Seria oportuno que Dilma Rousseff e José Serra  dessem uma olhada  para fora,  preparando-se para os efeitos da segunda etapa da crise já avançada na Europa, prestes a cruzar o Atlântico.    Ela coincidirá  com a posse do novo governo,  encerrando o período de euforia um tanto fictícia dos dois mandatos do presidente Lula.

França, Grécia, Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha, entre outros,  defrontam-se com o que suas elites denominam de necessidade de evitar a bancarrota através do equilíbrio entre receita e despesa.Mais uma vez, guardadas as peculiaridades de cada nação, coincidem todas na solução anacrônica e perversa do sacrifício das massas assalariadas. Numa palavra, a supressão de direitos  sociais conquistados a duras penas. A conta será enviada para onde sempre foi, ou seja,  os ombros dos menos favorecidos. No Velho Mundo,  os especuladores multiplicaram seus ganhos, os banqueiros locupletaram-se com a poupança popular, os investidores criaram ilusões e os governos acobertaram a lambança.

Agora, impõem restrições  às aposentadorias, dispensas em massa no serviço público,  desemprego nas atividades privadas, redução nos salários, aumento de taxas e impostos,  limitação de benefícios trabalhistas, enxugamento da máquina administrativa, corte de gastos e de investimentos públicos, aviltamento da moeda  e toda a tradicional receita imposta goela abaixo dos mesmos de sempre.

As imagens transmitidas pelas telinhas variam apenas na intensidade das forças policiais baixando o cassetete e arremessando bombas de gás lacrimogêneo nas praças, avenidas e esquinas de suas capitais e principais cidades.  As greves são tidas como subversão explícita ao tempo em que a autoridade pública sustenta  não haver outra saída.

Concluirão pelo sacrifício dos outros aqueles sempre preparados para preservar suas benesses, prontos para participar até o último momento da farra de seus privilégios. Depois, que os governos se disponham a socorrê-los, ainda que às custas da maioria.

O problema é que com a nova onda de convulsão econômica  à vista, graças à mídia eletrônica , desta vez também vêm chegando até nós as manifestações de protesto, capazes de pegar feito sarampo.

Na hipótese da vitória de Dilma Rousseff, ficará difícil ao seu governo explicar como exigir medidas de contenção e sacrifício depois de tão prolongada euforia lulista. Mesmo prevendo-se que continue  imposta a mordaça aos movimentos sindicais, a classe média se insurgirá. No improvável  reverso da medalha, isto é, com a eleição de José Serra, será impossível evitar  a rebelião das massas frustradas por  oito anos  de ilusões.

Em suma,  quem vier a tornar-se presidente da República deve estar preparado  para enfrentar de imediato a segunda rodada  da crise que falsamente fomos os últimos a sentir e os primeiros a cair fora. Como? Ora, adotando as mesmas fórmulas do modelo aplicado há séculos, de levar a população  a pagar  pelo desatino das elites. Pode ser que desta vez não dê certo.

BOMBA-RELÓGIO

Fala-se da mulher do ex-governador Joaquim Roriz, de Brasília. Ameaçado de ser candidato, eleger-se e não  levar, por conta da lei da ficha limpa, Roriz retirou-se e lançou sua mulher, dona Weslian. Sem experiência política de espécie alguma, a indigitada senhora passou a prometer tudo o que lhe veio  à cabeça: perdão das centenas de milhares de multas de trânsito e outras taxas; duplicação do bolsa-família pago pelo governo federal; distribuição em massa de lotes a quem demande a capital;  certificados de propriedade para quantos residam em terras  públicas; salário-desemprego ilimitado no tempo para quem não se dispuser a trabalhar; multiplicação dos salários do funcionalismo público…

Transformou-se, a digna dona de casa, numa bomba-relógio prestes a explodir o Distrito Federal, caso vitoriosa nas urnas de domingo.

TEMPESTADES EM COPOS D’ÁGUA

Por conta da ilimitada obsessão de derrotar o presidente Lula, certos veículos da mídia vem criando tempestades em copos d’água. Insurgem-se contra projetos de lei estadual tramitando em algumas Assembléias Legislativas, estabelecendo os Conselhos Estaduais de Comunicação Social, cujo objetivo seria monitorar a ação dos veículos de comunicação nos respectivos estados. Acusam a iniciativa de tentar censurar a imprensa quando fica evidente, pela Constituição, a impossibilidade da prática desse horror.  Tanto no artigo quinto quanto no capítulo da Comunicação Social, nossa lei maior proíbe qualquer cerceamento  à liberdade de expressão e  manifestação do pensamento. Exige que nenhuma lei possa conturbar esse direito.

Assim, estariam aprovando inconstitucionalidades as  Assembléias Legislativas que porventura estabelecessem restrições à imprensa  – o que não é o caso, até agora.  Acresce já existir, no plano nacional, o Conselho de Comunicação Social, funcionando como apêndice da mesa do Senado desde o governo José Sarney, sem que nenhuma obstrução tenha promovido à referida liberdade, também por limitação constitucional.

SÓ FALTA MAIS UM

Depois de mais um insosso, amorfo e inodoro debate entre os candidatos presidenciais, na noite de ontem, na TV-Record, felizmente só resta mais um. Acontecerá na TV-Globo, sexta-feira. Com certeza a mesma pasmaceira, eivada de algumas baixarias, sem nada acrescentar ao que seria a finalidade dos debates, ou seja, esclarecer o eleitorado a respeito das propostas de cada um.

Fica a experiência para futuras eleições: os debates não deveriam mais ficar à mercê dos interesses das emissoras, engessadas pela tentativa  de cada uma em conquistar audiência. E publicidade.  Tanto no primeiro quanto no segundo turno, se houver, precisariam ser regulados e conduzidos pela Justiça Eleitoral, no máximo um em cada período.  Sem limitações de tempo para perguntas e respostas, réplicas e tréplicas.

Até agora o tiro saiu pela culatra, ou, no máximo, atingiu a paciência do telespectador, como alvo. Basta ver os baixos índices de audiência alcançados pelo monte de debates até agora reaizados.

Supremo não deve retomar julgamento que já houve

Pedro do Coutto

É isso. O julgamento da validade imediata ou não da lei Ficha Limpa foi encerrado, com um empate de cinco a cinco, antes do primeiro turno das eleições, a propósito de recurso do ex-senador Joaquim Roriz, que era candidato ao governo de Brasília. Para estabelecer a aplicabilidade da Lei Complementar 135 somente a partir de 2012, já que no próximo ano não haverá eleições, seria preciso – óbvio – maioria de votos na Corte Suprema. Essa maioria não foi alcançada.

Portanto, o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, ao encerrar a sessão, declinando do voto de Minerva, teria que ter anunciado a rejeição da matéria. Como se procede no Legislativo relativamente às votações que exigem quorum especial. Caso das emendas constitucionais (60%dos votos) e das leis complementares (maioria absoluta). O caso da emenda das eleições diretas, em 84, é emblemático. Foi alcançada enorme vantagem, porém faltaram 14 votos para 60%. Por isso, ao anunciar a apuração, a Mesa do Congresso apontou o resultado numérico e configurou a rejeição da proposição.

Em relação ao empate no Supremo, faltou apenas o presidente da Corte assumir a mesma postura. Ao acentuar o desfecho, deveria ter dado como rejeitada a ação movida por Roriz. O próprio autor reconheceu a derrota ao retirar-se da disputa e decidir pela substituição da candidatura ao governo de Brasília por Weslian Roriz, sua mulher. O STF não tem como manter em aberto , em sessão permanente, um episódio que já se encerrou.

Mas leio em O Estado de São Paulo, edição de 25, reportagem de Felipe Recondo e Lu Aiko Ottam, que o debate poderá voltar à tona amanhã, quarta-feira, a pretexto de um recurso do deputado Jader Barbalho, o mais votado para o Senado nas urnas do Pará. Absurdo completo.

Não a reportagem. Mas a hipótese de tal fato ocorrer. Inclusive se tal vier a suceder, o resultado só poderá ser o mesmo empate. Ou então alguma mudança de voto, não para aceitar a ação de Barbalho, mas sim para rejeitar o recurso. Imagine-se o ridículo que seria em ações iguais, o julgamento do Supremo ser diferente. Roriz não pode, Barbalho pode.

Não tem cabimento. O STF poderia , caso aprovasse o ex governador do Pará, fazer a decisão retroagir para abranger Joaquim Roriz? Impossível.

O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, já manteve, em relação a Barbalho, o mesmo parecer quanto à vigência imediata da lei com que se manifestou em relação a Roriz. Mas o problema não termina aí. Tem mais. No dia 30 de setembro, reportagem de Ranier Dragon e Flávio Ferreira, Folha de São Paulo de primeiro de outubro, revelou que o Tribunal Superior Eleitoral  havia divulgado nota oficial informando que os votos dados a candidatos cuja impugnação encontrava-se em vigor (casos Maluf, Barbalho e Cassio Cunha Lima) seriam considerados nulos. Nem anuláveis, e sim absolutamente nulos.

Os votos para senador, neste caso, não acarretam maiores problemas. Basta diplomar os candidatos em ordem majoritária de votos. Porém, para a Câmara Federal, o problema se complica. Pois com a nulidade declarada, eles não valem nem para a pessoa, tampouco para a legenda partidária. Isso obrigará a uma nova distribuição de cadeiras, já que no caso da Câmara a votação é proporcional. O mesmo princípio aplica-se às assembléias legislativas.

Nesta altura, leitores poderão indagar: e o caso Anthony Garotinho que teve 695 mil votos? Pois é. A situação dele é diferente, uma vez que concorreu com base em liminar do ministro Henrique Neves, do TSE. Se a liminar não for mantida pelo plenário do tribunal, haverá uma confusão enorme na computação dos votos de cariocas e fluminenses. E remanejamento de cadeiras. Mas o processo Garotinho nada tem a ver com a sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal. Ainda bem.

Lula criticando em massa a campanha de Dilma, seus coordenadores, a própria candidata que inventou e rebocou até aqui. Retumbando no Planalto-Alvorada: “Derrotei todos os meus adversários, agora tenho que salvar incompetentes”. Possível vitória de Serra, assimilável por Lula?

Helio Fernandes

Antes do episódio da bolinha de papel que saiu de sua cabeça, e “bateu” na cabeça do Serra, o presidente só tinha um assunto, que ruminava todos os dias: “Derrotei todos os adversários, limpei o Senado para a Dilma não ter problemas”.

E citava principalmente os três senadores (alguns deles) contra os quais se jogou ardorosamente. São ou eram, Artur Virgilio, Jereissati, Mão Santa. E se “orgulhava” de ter contribuído para levar ao Senado “parlamentares fiéis, que ajudarão Dilma a governar”.

Esqueceu das muitas derrotas, até mesmo no Senado. No Rio Grande do Norte, fez tudo para derrotar Agripino Maia, não se lembrou. Mas coloca na sua conta a reeleição de Renan Calheiros, “grande amigo, que estará sempre na minha relação, será o que quiser no meu governo, perdão, da Dilma”.

Lula fala, completa: “Renan já foi Ministro da Justiça, pode voltar”. Como não conversa com ninguém, (tem o mesmo prazer de FHC, falar em frente ao espelho) não sabe que Renan quer muito mais do que isso. Lógico, além dos apadrinhados, principalmente na importantíssima Transpetro, potência no esquema Petrobras.

No Amazonas, Lula não queria apenas derrotar Virgilio. Outro item importante era fazer governador, seu ex-ministro duas vezes, Alfredo Nascimento. Com isso, teria mais um governador e, na sua vaga no Senado, seria efetivado por 4 anos, o amigo João Pedro. O ex-governador Eduardo Braga ganhou tudo, fez o governador, Lula brigou com ele, chamou-o de INGRATO.

Só que agora o GRANDE ADVERSÁRIO se chama Aécio Neves, que considerava, fora do PT, um dos maiores amigos. (Lula está crente que no PT, todos são seus amigos). E que vai ganhar de Aécio em Minas, cita até a vantagem eleitoral: “Dilma terá 1 milhão e 300 mil votos a mais do que Serra”.

Tudo isso não pode ser rotulado como ódio, é, digamos, ressentimento por não ter conseguido o terceiro mandato. Decepção por ter que deixar o governo, e se igualar a FHC. “Sofre” quando falam, “Lula é igualzinho a FHC na entrega do patrimônio brasileiro”. FHC DOOU, Lula ratificou a DOAÇÃO. Disso não se livra, a palavra certa é, se envergonha.

Lula não teria mais a tranquilidade de antes, tem receio, a palavra é MEDO, estou amenizando. Considera, pelo que vem ouvindo, que há muita gente que ficou 8 anos sendo humilhada, preterida e esquecida, e agora só pensa em vingança, vá lá, em RECUPERAÇÃO.

Pelo quem me dizem, com segurança, Lula não tem a menor preocupação com o domingo, dia 31 de outubro. O que o assusta é o dia seguinte, (perdão, 48 horas depois) 2 de novembro, Dia dos MORTOS.

E se a candidata-poste inventada contra o próprio PT, resolver relacioná-lo com saudade nesse dia triste e melancólico? Isso atormenta Lula, já deixou bem claro que não suportaria o silêncio do triplex de São Bernardo? Nem vou dar exemplos de personagens que assumiram por causa dos padrinhos e se livraram logo deles?

***

PS – Lula não tem nenhuma segurança a respeito da vitória da sua candidata. Mas todas as dúvidas em relação à sua participação nesse governo. Pode parecer assombroso e inexplicável, o comportamento de Lula no episódio da bolinha de papel.

PS2 – Lula tem atacado duramente Dilma e todo o PT no caso da bolinha. E diz, sem fugir um milímetro da arrogância de sempre: “Eu salvei vocês do desastre, atraí todos os ataques para cima de mim, deixei vocês inteiramente afastados de tudo”.

PS3 – Mas do próprio reduto de Lula, surgem críticas duras a ele, e a CONSTATAÇÃO, que nem seria surpreendente, duvidosa, estapafúrdia ou acintosa.

PS4 – Lula não choraria uma lágrima pela DERROTA de DILMA, e a conseqüente VITÓRIA de Serra. Nada que não possa ser explicado facilmente.

PS5 – Entre o governo Dilma sem a sua PARTICIPAÇÃO, e um possível ou suposto (com a sua manifestação velada, mas aceita) governo Serra, considera que para o seu futuro, (de Lula) a eleição de Serra de maneira alguma um desastre.

PS6 – Com a vitória de Dilma, pensando (?) bem, quais os que poderia considerar ou chamar de AMIGOS? Pode ser hipótese, decisão que não parece atrapalhar a cabeça de Lula. Falta só uma semana.

A eleição pode ser anulada, se os eleitores não escolherem um nome?

Lea Gomes: “Helio, desculpe, mas já escrevi várias vezes, perguntando se a eleição pode ser anulada se nenhum candidato obtiver a maioria. Você nunca respondeu. Agradeceria”.

Comentário de Helio Fernandes:
Lea, absurdo completo. Para uma eleição ser considerada nula, por ausência de metade mais um dos eleitores inscritos, seria necessário que mais de 67 milhões de cidadãos anulassem o voto. O que convenhamos, é impossível.

O Supremo Tribunal julgará quarta-feira um caso ou fato importantíssimo: se Jader Barbalho, que teve 57 por cento dos votos para senador, está eleito ou não. Se decidir que esses 57 por cento dos votantes não terão o voto válido, e Barbalho for punido (justamente), terá que haver outra eleição.

Mas aí por imprudência dos próprios tribunais, que deviam ter resolvido antes, se Barbalho era ELEGÍVEL ou INELEGÍVEL.



O Supremo ainda não decidirá sobre Garotinho

Helio Fernandes

Para não dizer que não falei de flores: o ex-governador e presidenciável por um partido pequeno e teve 15 milhões de votos, foi eleito deputado com quase 700 mil votos.

Mas seu caso é diferente. Disputou a eleição com liminar, ela continua em vigor, deve ser empossado. De qualquer maneira, serginho cabralzinho está fazendo força enorme para que Garotinho não tome posse.

DESCONTENTAMENTO DE LULA

O presidente ainda em exercício tem feito verdadeiros comícios contra cabralzinho. Motivo: considera que cabralzinho é ingrato, “fiz tudo pelo seu governo e sua reeleição, mas estou aqui e não esqueci”.

Nisso Lula está com a razão, mas quem mandou se meter com um candidato acusado de enriquecimento ilícito e que nunca trabalhou na vida? Lula pode ser acusado de tudo, menos de não ter trabalhado. Até perdeu um dedo.

Isso foi há muito tempo, antes de ir aos EUA levado pela CIA (royalties para Antonio Santos Aquino). Agora perdeu a cabeça, abandonando a seriedade da Presidência, e transformando a bolinha de papel num petardo. Contra a sua própria candidata-poste.

Marina: 2014 (ou 2018)?

Helio Fernandes

Verdade seja dita: a ex-senadora (seu mandato termina dentro de dois meses e pouco) e ex-ministra (que já não é há muito, tendo assistido a tudo em silêncio), está preocupada com o futuro.

Não se entusiasmou com a manchete do jornalão, (“Marina fica neutra e PV lança seu nome para 2014”), conversou com seu vice, a quem ouve bastante, estava preocupada. 2014 está muito longe, e Dona Marina sabe que o PV não é confiável.

E o Senado? Poderia pelo menos se eleger em 2014 e tentar ser presidenciável em 2018? Agora em 2010, perdeu no Acre para Serra e Dilma. E eram duas vagas para o Senado. Em 2014, apenas uma, bem difícil.

SERRA-ALCKMIN

O presidenciável de 2002 e agora em 2010, ficou sempre contra o presidenciável de 2006, e quem sabe de 2014. Alckmin, candidato a prefeito, foi derrotado não por Kassab, do partido adversário, e sim pelo correligionário (?) Serra. Este, agora, diz em todos o lugares: “Alckmin é LEALÍSSIMO”. Ninguém diz isso de Serra, ouçam o que FHC diz dele.

VARIADAS, com o irmão de Genoino, o filho do Ratinho, a ex-mulher de Henrique Eduardo Alves, e mais e mais.

Helio Fernandes

O irmão de Genoino, “flagrado” com dólares na cueca, se elegeu deputado, com votação centenária, e nem precisou gastar esses dólares na campanha.     XXXX    O irmão Genoino, que já manteve debate com José Dirceu (dentro do PT), chamando-o de stalinista, não foi eleito. Está dependendo da votação do Tiririca.    XXXX    E o filho do “Ratinho”, apresentador de televisão, também eleito, sem precisar de campanha, como tem que ser chamado?    XXXX    O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, (se a ex-mulher ficar em silêncio) dirá: “Tem a palavra Vossa Excelência, deputado Ratinho”. Ele falará?    XXXX    E Agnelo Queiroz,  do alto de sua mansão e da riqueza súbita, vencerá a mulher de Roriz? Mesmo o cidadão de Brasília votando no nome do marido para elegê-la?    XXXX    Agnelo fez fortuna no PCdoB, mas agora é do PT, tudo justificado e bem avaliado.    XXXX    Apesar de ter sido líder no Senado de FHC e de Lula, Romero Jucá é do PMDB.    XXXX    Pedro Simon disse da tribuna: “Vossa Excelência será líder de quem ganhar”. Não é bem assim, Simon se distraiu.    XXXX    Jucá tem outros objetivos: pretende presidir o Senado, uma espécie de “quarentena”, para voltar a liderar o vencedor em 2013.    XXXX    Jorge Viana, (o melhor da família) vem do Acre como senador, depois de ter sido governador. Lula quer que seja líder “presidencial”. Dele mesmo ou de Dona Dilma? Esta vai se rebelar? Ou “poste” não tem voz nem sai do lugar?

Dilma governará com Lula ou Lula governará com Dilma?

Carlos Chagas

Certeza, ninguém tem. Surpresas sempre podem acontecer. Mas como os ventos sopram  em favor de Dilma Rousseff, importa raciocinar em função da vitória da candidata, domingo que vem. Com quem ela irá governar, impossibilitada de repetir a experiência do Lula, que nos últimos oito anos governou com ele mesmo, acima e além do seu partido?

Posiciona-se o PT para ocupar os espaços que,  senão negados por completo, foram-lhe reduzidos pela onipresença do presidente. Imaginam os companheiros que com Dilma será diferente, tendo em vista o artificialismo de sua  candidatura,  tirada do bolso do colete presidencial. Pode repousar aqui o primeiro erro do partido: o lulismo não desapareceria mesmo se o Lula pretendesse entrar em cone de sombra, hipótese descartada pela própria personalidade do presidente em vias de tornar-se ex-presidente.  Se na campanha prevaleceram  integralmente a palavra e os conselhos do rei, porque seria diferente no governo da rainha? Para o primeiro-companheiro   estarão voltadas as atenções e as expectativas dos novos ocupantes do palácio do Planalto. Aliás, nem tão novos assim, tendo em vista a presença obrigatória de ex-ministros no ministério a ser formado.

É preciso registrar, também, que depois de dois mandatos pendurados no salva-vidas oferecido pelo Lula, o PT não é mais o mesmo.  Os que desejavam as mudanças fundamentais e até a revolução proletária  dos  idos da criação do partido não  conseguiram fazê-las. Naufragaram, em grande maioria. E os  que falsamente   tentaram fazê-las,  não as desejavam.  O resultado foi a transformação do PT, de partido operário em partido de funcionários públicos, agarrados os líderes que sobraram às estruturas do estado, às diretorias de estatais, às ONGs de ocasião e até a uma burocracia fajuta.

Será esse o PT que pretende conduzir o governo Dilma Rousseff? Ela  mesmo conseguirá dispersar e  botar para correr quantos companheiros  tiverem coragem de tentar condicioná-la.  Bastaria um de seus  tradicionais  gritos tão a gosto de sua performance no governo Lula.

Sendo assim, a primeira conclusão será de que Dilma governará com  o Lula, muito mais do que com o PT. E o Lula governará com Dilma, apesar do PT.  Quebrará a cara  quem imaginar o  PMDB pensando em infiltrar-se no núcleo palaciano através do vice-presidente Michel Temer.  O grande  obstáculo a impedir essa trajetória chama-se Lula.

A MONTANHA GEROU UM RATO

A imagem  é  conhecida: raios, trovões e tempestades concentraram todas as atenções para o alto da montanha, de onde poderia surgir a hecatombe universal. No fim, quando temerosos e apavorados habitantes da planície  procuraram o resultado, encontraram um ratinho…

Com todo o respeito, assim se registra o último fim de semana de atuação da mídia semanal empenhada em demolir e implodir a candidatura de Dilma Rousseff. Imaginou-se a revelação de escândalos inomináveis, de revolução  nos intestinos do poder, de falência total das estruturas governamentais.

Fora a bolinha de papel e o carretel de fita durex que atingiram a careca de José Serra, apareceu o  que?  A denúncia de um ex-funcionário do ministério da Justiça, posto para fora depois de flagrado em irregularidades com uma quadrilha de chineses, dando conta de que a candidata pedia dossiês a respeito de adversários do governo. Só que não se revelou mais nada. Nem nomes, nem situações, muito menos provas, sequer evidências. A montanha gerou um rato…