Demissão de Maria Rita pode reanimar campanha de Dilma

Pedro do Coutto

A demissão da colunista Maria Rita Kehl pelo Estado de São Paulo, contrariando antiga tradição da família Mesquita, pode se transformar num episódio destinado a acrescentar ânimo à campanha de Dilma Rousseff, já que um dos argumentos do PT tem sido o de que a imprensa manifesta intolerância em relação do governo Lula e a sua candidata à presidência da República.

Este argumento não é verdadeiro, o que pode ser verificado por uma pesquisa sobre a cobertura das eleições. Entretanto ele pode ser aproveitado como base de uma nova investida eleitoral do PT, uma vez que a demissão da colunista contraria a tradição do jornal. O Estado de São Paulo sempre publicou matérias até contra si próprio e contra sua linha editorial sem que tais fatos acarretarem rupturas, demissões ou proibições.

Eu me lembro bem que o jornal, que nas eleições de 60 tornou-se uma das principais fontes de apoio à vitória de Jânio Quadros, no início do ano seguinte fosse injustamente atacado pelo presidente numa entrevista a televisão. O Estado de São Paulo, então tendo à frente Júlio de Mesquita  Filho, publicou integralmente os ataques de Jânio. Em editorial, aí sim, condenou a investida.

O mesmo aconteceu pouco tempo depois quando o Estado de São Paulo foi atacado duramente pelo então deputado Plínio Salgado. Rebateu também através de editorial, mas publicou a crítica a si mesmo.

Anos mais tarde quando seu correspondente em Paris, Gilies Lapouge, manifestou opinião em relação ao governo Miterrand com a qual o jornal não concordava a matéria foi publicada livremente, e na página 3, de opinião, o Estado de São Paulo teceu a restrição que lhe ocorreu. Lapouge trabalha há cerca de 60 anos como comentarista internacional do Estadão e felizmente para os leitores permanece no posto.

A demissão de Maria Rita, que eu conheci quando participávamos do programa Cine Clube da TV Educativa alcançou grande repercussão em Portugal. A correspondente de O Público de Lisboa dedicou duas páginas sobre o assunto, inclusive incluindo uma entrevista do jornalista Jânio de Freitas sobre o episódio.

Os argumentos do editor do jornal Ricardo Gandur não convenceram à correspondente, que destacou a contradição do jornal que repudia a censura a que está submetido há mais de um ano proibido pela justiça de publicar denúncias contra a família do ex -presidente Sarney e, ao mesmo tempo censurar um de seus colaboradores culminando com a demissão de Maria Rita Kehl. São dois pesos e duas medidas, sem dúvida, porém, na minha opinião, além disso, um argumento para Dilma Rousseff dele se utilizar.

A sucessão que não serve ao país. Monótona, melíflua, monocórdia. Do que dizem, o que se aproveita? O quer fazer nesses CHATOS 17 dias? Unanimidade: os dois incompetentes. Mas como é preciso, IMPLORAM a Deus.

Helio Fernandes

Serra e Dilma continuam esgotando a paciência do cidadão-contribuinte-eleitor. Além das inserções intercaladas, roubam 20 minutos diários, quando se perfilam diante das televisões, pretendendo emoções que não sentem, compromissos que não sabem como cumprir, programas e projetos de governo que “esqueceram” de mostrar no primeiro turno. Agora, garantem que APRESENTARÃO HOJE OU AMANHÃ.

Por que não aproveitaram a campanha sem tempo e prazo fixado? Se fixaram na baixaria, em vez de elaborarem programas, assumirem compromissos, desviavam suas equipes para “desenterrar MORTOS DO PASSADO”. Como os dois são vulneráveis, foram igualmente atingidos, a campanha não se travou a partir de compromissos, projetos, mostrarem a forma como resolveriam os problemas, não trataram de coisa alguma.

Os dois candidatos estavam armados de estilingue, não perceberam que se transformariam em boomerang, Se atingiam mutuamente, não sentiam nada, se julgam tão importantes e competentes que se consideravam inatingíveis. Só que fora os exaltados de sempre, os outros usam a RELIGIOSIDADE que Dilma e Serra descobriram agora, e pedem a Deus que faça o dia 31 chegar imediatamente, ultrapasse o calendário.

Os dois candidatos, ridículos e intragáveis, só falam em SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA. Usam as três palavras, garantem igualmente, serão as prioridades. Mas nem de longe, MOSTRAM DE ONDE VIRÃO OS RECURSOS.

Num dos “debates”, Dona Dilma afirmou: “Nosso governo gastou 40 BILHÕES EM SANEAMENTO”, mas uma das carências do país é justamente a falta de esgoto. O país cheira mal, e a palavra de Dona Dilma não serviu de desodorante.

Serra também exorbitou no insensato, dizendo “não sou homem de duas caras”, quando se sabe que ele tem uma para cada oportunidade, a palavra exata, poucos são ou serão tão OPORTUNISTAS.

***

PS – Esperemos os programas de governo e os compromissos dos candidatos. Garantindo que a primeira reforma seja a PARTIDÁRIA, para que o cidadão-contribuinte-eleitor, nas próximas sucessões, não fique tão sem escolha, opção ou alternativa como agora.

PS2 – Depois, os outros compromissos, que ultrapassam as três palavras que repetem como mágicas. É preciso resolver em profundidade, tudo o que não foi resolvido até agora, tomemos por base a primeira ELEIÇÃO DIRETA que não se consumou.

PS3 – Angustiados, assistindo essas exibições inúteis e sem sentido, lamentemos o que eles NÃO dizem, mas GARANTEM QUE FARÃO.

PS4 – Dilma e Serra foram a Aparecida, se benzeram, faziam o “sinal da cruz” a todo momento. Perguntinha obrigatória: era a primeira vez que iam la? Dava a impressão. Foram o ano passado, o outro, o outro, quando?

Um dos mineiros da profissão amaldiçoada, transmitindo reflexão ao resgate

Helio Fernandes

“Em 68 dias, vivi o CÉU e o INFERNO”. Bastaria isso para reproduzir tudo o que sofreram. O INFERNO, é a forma de mostrar o que passaram.

O CÉU, só pode ser entendido pela grandeza que demonstraram durante esse período em que o mundo se voltou para eles. Isso se manifestou também, no desprendimento que mostraram na hora de estabelecer a ordem de saída do INFERNO para voltar ao CÉU. Todos queriam ficar nos últimos lugares.

Outro dos resgatados, afirmou: “A FÉ MOVE MONTANHAS”. Não era RELIGIOSIDADE DE ÚLTIMA HORA, ali ninguém disputava nada, cumpriam apenas um episódio do destino. O mundo se emocionou, e continua se emocionando, a partir da subida do primeiro soterrado, à meia-noite e 12 minutos de ontem.

Geisel, Frota, Figueiredo, Hugo Abreu, o passado é imprescindível para projetar o futuro, correções, agradecimentos, controvérsias, divergências.

Helio Fernandes

A recordação de fatos é sempre importante, embora alguns não reconheçam. A comparação que fiz sobre o 12 de outubro de 1977 e o 12 de outubro de agora, 33 anos decorridos, provocou compreensão e incompreensões, o que é natural, e gosto que seja assim.

Os que discordavam, não tinham base, razão ou motivo para mostrar irritação. Diziam, textualmente: “Os que escrevem no Blog de Helio Fernandes só se preocupam com o passado, não sabem escrever sobre o presente?”

São contestados pelos que “postam” matérias defendendo a exposição ou recordação do passado, que com o debate, vai tomando a sua base definitiva. É preciso rever sempre o que aconteceu, para que tenhamos orientação ou reflexão, os erros não se repitam.

A propósito de erros ou equívocos, agradeço aos que corrigiram o nome do ministro que substituiu Silvio Frota. Coloquei HUGO Bethlem, era Fernando Bethlem. Como escrevo sempre de memória, não consulto nada, posso “entortar” um nome. Mas quem já escreveu, lembrou ou teve conhecimento para fazer essa comparação, importantíssima?

Um ex-agente do Codi-DOI, que diz que me acompanha desde os anos 60, tenta defender Silvio Frota. “Ele nunca foi torturador”. Não afirmei isso, apenas disse “que o seu grupo era torturador e duríssimo”.

Silvio Frota, que não era brilhante nem estudioso, fiz justiça, dizendo que “ele escreveu (?) um livro importante, contando fatos interessantíssimos”. Mas se perde nas lembranças, pelo ódio a Ernesto Geisel. E compromete o livro e ele mesmo, quando diz textualmente, sem precisar de interpretação: “Eu sempre soube que Ernesto Geisel era COMUNISTA”.

Silvio Frota poderia atingir Geisel de várias maneiras, menos dizendo que era COMUNISTA. Isso provocou gargalhadas e diminuiu o livro, que insisto, conta fatos relevantes.  A propósito da ida de Geisel a São Paulo para demitir o comandante do II Exército, dois fatos precisam ser ressaltados. Desculpem contestar os que “postaram” opiniões diferentes, que respeito, mas tenho que divergir.

1 – Nunca, jamais, em tempo algum (expressão popular), se acreditava que numa ditadura, um “presidente” com todos os Poderes como Geisel, fosse demitir um general de 4 Estrelas, comandante de um Exército, o II, todos os quatro eram igualmente poderosos.

O fato explodiu no Exército ( e nas outras duas Forças, Marinha e Aeronáutica) de maneira espetacular. Era a primeira vez, e a segunda foi a demissão do próprio Frota.

2 – Contestam o assassinato de Herzog e de Fiel Filho, com mais ênfase para o primeiro, tentando diminuí-lo, “ele era um burocrata, ninguém o conhecia, por que prendê-lo, torturá-lo e, como o senhor diz, assassiná-lo?”

É possível que Herzog não deveria ser preso (ninguém deveria), foi um erro total, completo e absoluto.

Na verdade, concordo com os que dizem, “Herzog não ameaçava o regime, ninguém o conhecia, fora do grupo da TV Cultura de São Paulo”. Pode até ser exato que ele, vivo, não ameaçava o regime. Só que morto, passou a DIVIDIR A REALIDADE, EM ANTES E DEPOIS DO ASSASSINATO. Pode ser dito que o assassinato de Herzog encurtou o tempo da ditadura, acelerou a sua queda.

Quando à TORTURA e o ASSASSINATO, minha tese é que ele foi entregue a amadores, que na preservação da vida ou na sua destruição, representam a PRAGA da humanidade. Provavelmente não queriam ASSASSINAR HERZOG, como também ASSASSINAR Rubem Paiva, mas AMADORES NÃO SABEM QUANDO PARAR.

Outros contestam sem razão, “o senhor errou, Figueiredo não era chefe da Casa Civil de Geisel”. Citei seu cargo exato, Chefe do SNI, não só porque conhecia bem os fatos, mas também porque o SNI era a maior força do País. Médici foi “presidente” por ser do SNI, Figueiredo escolhido no SNI. E se houvesse um novo “presidente” militar, duas coisas aconteceriam.

(Esse “presidente” seria o Chefe do SNI, Otavio Medeiros. E seu mandato seria de 7 anos).

Castelo Branco (como confessou e garantiu a Juscelino) seria “presidente” para manter a “eleição em 1965”, foi prorrogado. Médici teve 4 anos. Geisel 5. Figueiredo 6, se a ditadura continuasse, o novo general teria mais um ano. Isso não é adivinhação: análise baseada em fatos.

(Só de passagem, algum dia contarei mais detalhadamente. Castelo Branco estava “apressado para ser eleito”, o estabelecido é que o “presidente” seria Costa e Silva, que estava em São Paulo. Castelo teve então dois encontros, importantíssimos, na casa do deputado Joaquim Ramos, irmão de Nereu Ramos, ex-presidente, governador, ministro da Justiça).

(No primeiro, Castelo, Negrão de Lima. José Maria Alckmin, Amaral Peixoto, presidente do partido mais importante da época, o PSD, e o dono da casa. No segundo, os mesmos e mais o ex-presidente (sem aspas, sem aspas) Juscelino. Castelo se dirigiu diretamente a Juscelino, com estas palavras, citadas, palavra por palavra: “Presidente, quero ser eleito pelo Congresso, meu único objetivo é manter a eleição de 1965. E o maior interessado é o senhor, já candidato lançado pelo seu partido”. Era verdade.

O que JK podia fazer? Se dissesse NÃO, poderia até ser ridículo. Disse SIM, quando recomendou aos partidos que ELEGESSEM Castelo, surpresa total, mas votaram.

***

PS – Era tudo “menas” verdade de Castelo. “Eleito”, Costa e Silva tratou de ficar com o Ministério da Guerra. E 3 ou 4 meses depois, o ex-presidente e senador Juscelino, era cassado.

PS2 – Castelo continuou faltando à verdade, escrevi tanto sobre ELE e SEU FALSO GOVERNO, do dia 9 de abril de 1964, até 15 de março de 1967.

PS3 – Nunca um presidente faltou tanto em relação aos fatos e às próprias palavras e compromissos. Por isso, não podemos esquecer, para que a HISTÓRIA NÃO SE REPITA, O QUE ESTÁ PRATICAMENTE NA HORA DE SE REPETIR.

PS4 – Faltam 17 dias para a ESCOLHA sem povo, 78 dias para a posse sem AUTORIDADE. Seja homem ou mulher.

Candidato a presidente, mas cassado às vésperas de ser eleito deputado federal

José Luiz:
“Acho que desde a década de 50, você vota em branco ou anula o voto para presidente. Só votaria em alguém se o candidato fosse você mesmo. Até concordo, porque eu também só votaria em mim mesmo”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, José Luiz, você não está inventando ou adivinhando nada, apenas recordando, 44 anos depois, um fato público, mas que você não conhecia.

É o seguinte: em 1965, resolvi me candidatar em 1966 a deputado federal. Como existiam apenas dois partidos, o MDB e a Arena, nenhuma dúvida, só podia me inscrever no MDB. Apesar de dominado por Chagas Freitas, que foi duas vezes “governador”, lógico, entre aspas.

(Ele era tão corrupto que enganou e atraiçoou até o grande amigo Ademar de Barros. Em 1956, Ademar foi condenado pelo que se chamou de roubo da “urna marajoara”. Ademar havia dado a Chagas, 5 por cento das ações de sua empresa proprietária do jornal ” A Notícia”.

5 por cento representavam pouco, mas como Ademar teve que fugir para o Paraguai, Chagas foi aumentando periódica e sistematicamente o capital da empresa, só o próprio Chagas subscrevia. Quando Ademar voltou, tinha menos de 4 por cento das ações. Chagas havia lançado o jornal “O Dia”, popularesco, Ademar entrou na Justiça, perdeu em todas as instâncias, (até no Supremo) Chagas ROUBARA o amigo, rigorosamente dentro da lei.

(Conto isso para mostrar quem era o “dono” do MDB, majoritário na Guanabara. Mas eu não podia concorrer pela Arena. Agora, o fato e “a candidatura”  Helio Fernandes.

Comecei a campanha, e a repercussão foi imediata. Conhecendo o Rio como conhecia, a Guanabara, sucessora do Distrito Federal, era rigorosamente oposicionista. (O que levou o “presidente” Geisel a praticar o retrocesso da fusão com o Estado do Rio, um desastre para o Rio, a já Guanabara, um alivio para a ditadura.

Tudo era praticamente pessoal, a TV Tupi já existia, a TV Rio, a Record, mas com pouca audiência e até sem aparelhos. Visitava-se bairro, conversava-se muito. E importante naquela época, era o que se chamava de “comício em casa”. Pessoas reuniam em casa ou no apartamento, 30, 50, às vezes mais de 100 pessoas, dependendo do tamanho. Era apenas um candidato de cada vez, se submetia  a toda e qualquer pergunta.

Essa forma foi se multiplicando, em alguns dias aconteciam vários desses “comícios” diretos, que davam ou tiravam votos. E a repercussão, contra e a favor dos candidatos, enorme. Participantes contavam para outros, insistiam, reproduziam,  convidavam candidatos do MDB e da Arena.

A expectativa a respeito da minha votação cresceu de tal maneira, para alguns surpreendente. O que ocorria: minha forma de expressar era a palavra escrita, mas também a palavra falada. Eu fazia coluna e artigos diários desde 1956 (Diário de Notícias, depois Tribuna), e respondia, não refugava nada.

Era assíduo nesses “comícios” e me entrega inteiramente ao jornal e à campanha. Daí o crescimento da presumível votação. Que seria o mais votado do MDB, certo e garantido. A chapa do MDB era ótima, mas os próprios Institutos de Pesquisa registravam os sinais de extraordinária votação.

O candidato a senador (apenas uma vaga) era Mario Martins, grande figura. Antecipando, foi eleito facilmente, adiantou pouco, cassado no AI-5 de 1968. Invariavelmente, me perguntavam em todos lugares: “Por que o senhor, destacado jornalista, quer ser deputado?”

Respondia, também invariavelmente: “Eu não quero ser deputado. Se tiver a votação que esperam ou admitem, em 1970 serei candidato a governador, em 1975, a presidente”. (Naquela época, o mandato do presidente, estipulado pela Constituição de 1946, era de 5 anos, e o de governador da Guanabara, também de 5).

Mas o governo se assustou com a repercussão da candidatura, o “general” Golbery foi “encarregado de resolver o problema. Só que dentro do “problema tinha outro problema”, eu não falava com ninguém.

Fez contatos com amigos, a todos se comprometia: “O presidente (Castelo) não quer cassar o jornalista, mas não admite que ele seja deputado”. A um compadre (padrinho de um de meus filhos), Procurador da República, disse textualmente:

“Doutor, o senhor nem imagina. Com um jornal só, o jornalista nos dá tanto trabalho. Jornalista e parlamentar, isso nao podemos suportar”. E fez a proposta indecente: “Ele é moço, basta desistir agora, surgirão outras oportunidades”.

Nem admiti. O que iria dizer à minha mulher e meus filhos, aos amigos? Para encurtar: a eleição seria no dia 15 de novembro, fui cassado no dia 11. No dia 12, meus advogados entraram com Habeas Corpus no Supremo. O relator foi o Ministro Eloy José da Rocha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, independente, que mandou o TRE registrar minha candidatura, o governo nem levou em consideração.

Na mesma noite do dia 11 me telefonou Mario Martins. Como o comício de encerramento estava marcado para as 9 horas da manhã do dia seguinte, na PUC, Mario queria que eu estivesse presente e discursasse. Fui, lógico, como ia desatender amigos candidatos?

Na porta da PUC me esperava o Reitor, Padre Laércio. Me disse logo. Lá dentro estão dois coronéis que disseram que o senhor está cassado, não pode falar. Mas não recebo ordens do Exército e sim da Cúria, que me deu total liberdade para decidir. Assim, se o senhor quiser falar, está inteiramente à vontade”.

Apertei a mão do Padre Laércio, respondi: “Se o senhor me garante o direito de falar, já devíamos estar no palanque, perdemos tempo aqui”. No interesse da campanha, fui o único orador, fiz o discurso mais violento, exaltado e revoltado da minha vida.

***

PS – Fui preso no mesmo dia, proibido de dirigir jornal, proibido de escrever com meu nome. Fiquei preso três ou quatro meses, o que fazer comigo?

PS2 – Entrei com uma ação na Justiça, exigindo o meu direito de trabalhar. Enquanto isso, escrevia com pseudônimo de João da Silva, o nome de um pracinha morto na Itália.

PS3 – Como João da Silva, usava as mesmas palavras, o mesmo formato, a mesma independência, ficaram esperando. Não demorou muito, o juiz Hamilton Leal, brilhante, bravo e lúcido, devolveu meu direito de escrever. Voltou a assinatura Helio Fernandes.

PS4 – Não quiseram criar atritos, violentando meu direito de escrever. Logo depois começa a fase dos sequestros, desterros, sempre num crescente. E acabou meu projeto de chegar a presidente.

PS5 – Para cumprir esse projeto, aceitei mais tarde (10 anos, inicialmente) a substituição por Juscelino, Carlos Lacerda, Leonel Brizola. O primeiro me decepcionou, os outros dois não chegaram, uma tristeza.

PS6 – Você acertou num fato, Luiz: eu tinha realmente total confiança no meu projeto, sem falhas, não queria nada. Errou em outro, Luiz. Consegui aceitar os projetos Lacerda e Brizola, aos quais me incorporei com entusiasmo.

Fora do diálogo não há salvação

Carlos Chagas

Vale um exercício de cartografia. Tome-se o mapa do Brasil, dividido em estados, mais um lápis amarelo.  Vamos pintar dessa cor Santa Catarina, Paraná, São Paulo e  Minas,  com  direito a fazer o mesmo com Mato Grosso do Sul e Goiás. São esses os estados onde os governadores eleitos no primeiro turno  pertencem ao PSDB, ao DEM ou a grupos afins.

É um pedação de terra, mais um monte de gente e uma  infinidade de  recursos. Na hipótese da vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, dia 31, Brasília ficaria  isolada, envolta em território politicamente  hostil.

Fazer o quê? Guerra de conquista em cima desses estados importantes não dá.  Mobilização das forças populares visando depor as autoridades constituídas? Quem garantiria ?

Só restará para a nova presidente da República,  no caso dela ser eleita, a opção do diálogo.  A aproximação com os eleitoralmente contrários, no Congresso  e na administração.

PROGRAMAS, ENFIM?

Anuncia-se para esta semana  a divulgação, senão  de    planos  de governo,  ao  menos da lista de principais objetivos de cada candidato presidencial.  Singularmente, Serra e Dilma programaram iniciativas idênticas, evidência de que estavam  mesmo devendo explicações à opinião pública. Espera-se algo mais do que simples referências a “educação”, “saúde”, “segurança” e  outras propostas.

AUSÊNCIA   DE MENSAGEM

O tema é complicado, de parte a parte, mas já tarda a aproximação. Fala-se dos dois candidatos presidenciais e das forças armadas. Já era tempo de um  diálogo informal, incapaz de ser levado exclusivamente por quem vier a ocupar o ministério da Defesa no futuro governo, de Serra ou de Dilma. Não houve acordo entre os então oito candidatos do primeiro turno e os clubes Militar, da Marinha e da Aeronáutica, para um debate entre todos. Nem está havendo agora, apesar de a limitação em apenas dois favorecer todo mundo.

Não será por conta de sua resistência à ditadura que Dilma ou Serra deveriam sentir-se desobrigados de ouvir e ser ouvidos pelos militares. Afinal, nos idos de 1964, uma tinha 18 anos e outro, 21. Sem esquecer que os generais de hoje eram cadetes naquela época, sem nenhuma participação no que aconteceu.

Dilma parte para reacender flama do PT

Pedro do Coutto

Depois de visitarmos, eu e Elena, o Oceanário de Lisboa, um monumento à biologia marinha universal, leio no jornal O Público reportagem de Alexandra Lucas Coelho, correspondente do Rio de janeiro sobre o debate da noite de domingo, na BAND entre Dilma Roussef e José Serra. No primeiro debate na televisão do segundo turno, a ex-chefe da Casa Civil de Lula partiu para o ataque cerrado, segundo a reportagem do jornal português. Esta tática certamente destina-se a reacender o entusiasmo e flama do PT, arrefecidos com o desfecho das urnas de 3 de outubro. Isso acontece nas competições em que existe um favorito destacado, mas cuja vantagem não foi a esperada.

O Partido dos Trabalhadores certamente esperava vencer no primeiro confronto obtendo a maioria absoluta. Como esta não ocorreu, o desfecho bateu como uma ducha fria no entusiasmo da coligação liderada pelo PT. Eu me lembrei da final de cinquenta entre Brasil e Uruguai em relação a qual todos esperavam uma vitória fácil, porém se surpreenderam com a dificuldade que a partida apresentava.

Não quero dizer com isso que Dilma vá ser derrotada a 31 de outubro como a Seleção Brasileira foi no dia 16 de julho, há 60 anos. Quero dizer somente que os adeptos de Dilma Roussef não esperavam se deparar com a resistência que se configurou, como disse em artigo anterior muito mais com base no avanço de Marina Silva, que duplicou sua votação nos dias finais, do que propriamente com a progressão de Serra.

A campanha continua e a sua decisão, a meu ver, vai depender do desempenho dos adversários na reta de chegada. O apoio de Marina Silva a qualquer um dos candidatos é um enigma. Mas menos enigmático parece ser o desfecho da convenção do Partido Verde. Poderá inclusive acontecer uma divergência entre a maioria do PV e sua candidata do primeiro turno. Isso porque se setores do PV, como Marina disse, desejam negociar cargos, esta negociação só pode aproximá-los de Lula e não de Serra. Lula tem a caneta agora. Serra se vencer só poderia usá-la depois de janeiro de 2011.

Procuradoria-Geral da República opina pela inconstitucionalidade da emenda Renan Calheiros, que alterou a forma de pagamento de precatórios

Carlos Newton

Aqui na Tribuna online, já cansamos de denunciar a questão do calote dos precatórios (dívidas judiciais que a União, os estados e os municípios insistem em atrasar ao máximo  o pagamento). Um dos nossos alvos preferidos foi o senador Renan Calheiros, autor da emenda 62/09, que virou lei,  alterando não só o prazo de quitação, que passou ser de até 15 anos, mas também prevendo a possibilidade da União, Estado ou Município, criarem “leilões para quitar o precatório”, ou seja, o credor que concordar em conceder um grande desconto, teria seu Crédito quitado antes dos outros.

Mas enfim surge um ponto positivo nessa questão, porque o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acaba de dar parecer favorável à Ação Direta de Inconstitucionalidade que está em exame no Supremo Tribunal Federal e pede a suspensão da eficácia dessa emenda.

Como diz o presidente Lula, cujo governo deu força à aprovação dessa excrescência jurídica no Congresso, jamais na história desse país uma emenda sofreu tamanha oposição das mais respeitáveis e importantes instituições ligadas à Ciência do Direito.  Realmente, a ADIN foi proposta pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Servidores e do Poder Judiciário (ANSJ), Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP) e Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT).

Aliás, em matéria de inconstitucionalidade, foi um verdadeiro festival. As entidades alegam que a emenda desconsiderou regras procedimentais que violam o processo legislativo (artigos 5º, LIV, e 60º, parágrafo 2º), “incorrendo em inconstitucionalidade formal”, e sustentam que houve desobediência “aos limites materiais” como o Estado Democrático de Direito, tendo atacado a dignidade da pessoa humana (artigo 1º e inciso III, da CF), a separação dos poderes (artigo 2º, da CF), os princípios da igualdade e segurança jurídica (artigo 5º, caput, da CF), da proteção ao direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da CF), do ato jurídico perfeito/coisa julgada (artigo 5º, XXXVI, da CF) e da razoável duração do processo (artigo 5º, LXXVIII, da CF).

Para essas entidades, a emenda institucionalizou, na prática, o “calote oficial”, uma vez que “engendrou regra inconstitucional não apenas em vulneração ao princípio da moralidade (artigo 37, caput, da CF), como também em expressa ofensa ao artigo 60, parágrafo 4º, IV da CF”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, relator da Adin, expediu ofícios aos tribunais de todo o país solicitando informações sobre os valores pagos em precatórios (alimentares e não alimentares) e Requisições de Pequeno Valor (RPVs) pelos estados, nos últimos dez anos. Ele também pediu informações sobre o montante da dívida pendente de pagamento (vencida e a vencer), inscrita em precatórios (alimentares e não alimentares) e RPVs. Com isso, certamente vai pegar José Serra em flagrante pelos favorecimento a grandes credores de precatórios.

Ayres Britto decidiu levar a ADIN diretamente para o exame do mérito pelo Plenário do STF, dispensando a análise da liminar, aplicando o chamado “rito abreviado”, previsto na Lei 9.868/99. O artigo 12 prevê que, quando a matéria tem relevância e significado para a ordem social e a segurança jurídica, o relator da ADIN pode, após a prestação das informações, no prazo de dez dias, e a manifestação do advogado-geral da União e do procurador-geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo diretamente ao Plenário do Tribunal, que poderá julgar definitivamente a ação.

Nobel da dissidência e da liberdade. Nobel do desemprego e da coletividade. Por que o Brasil não tem Nobel? E o Nobel da Paz para um argentino?

Helio Fernandes

O prêmio que surgiu contraditoriamente de uma fortuna explosiva, servia geralmente para recompensar personagens não intimidativos, que não ameaçavam o “sistema”, e precisavam ser elogiados, lançados na voragem da comunicação, ainda não tão poderosa como hoje. Acertaram poucas vezes, erraram muitas.

Os acertos eram por conta de méritos visíveis, os erros, também visíveis, usados para preterir principalmente economistas importantes. O caso mais famoso (mas não único) foi o do economista americano John Kenneth Galbraith.

Com 25 anos, assessor de Roosevelt no primeiro mandato, a partir de 1932 (a eleição, 1933 a posse), foi o inspirador e idealizador do “New Deal”, revolução verdadeira e sem armas. Em 1941, com a guerra, Roosevelt entregou a Galbraith o que se chamou de Coordenação da Mobilização Econômica, que era a transformação de toda a indústria civil em indústria de guerra.

Ficou até a morte de Roosevelt, (no início do quarto mandato) nem quis saber de trabalhar com Truman. Em 1961, voltou à Casa Branca, convite especial de Kennedy. Já participara da campanha, ficou quase 2 anos, teve divergência com Ted Sorensen (que escrevia alguns dos discursos de Kennedy), pediu demissão, foi embora.

Surpreendido, o presidente chamou-o, tentou sua volta, Galbraith ficou irredutível (mas não hostil), Kennedy perguntou: “Posso ajudá-lo em alguma coisa?” Resposta: “Presidente, se o senhor quiser me nomear embaixador na Índia, estou indo para lá, é um dos países mais importantes do futuro, reforçará minha posição”. Foi nomeado na hora. No dia do assassinato do presidente, entregou o cargo, voltou aos EUA para o enterro, mas sem cargo. Muitas vezes lembraram dele para o Nobel, jamais tiveram coragem.

Agora, praticamente, todos os prêmios são RELEVANTES e importantes, por causa disso, até polêmicos. O Nobel dado ao dissidente da China que está preso desde o episódio fascinante da Praça da Paz Celestial, movimentou o mundo. Menos pela escolha, mais pela resistência, não do dissidente, mas da própria China.

Os dirigentes da China não perceberam (como afirmaram) que “o mundo está com inveja da China”. Podem até estar, mas sendo hoje a China a maior EXPORTADORA e a maior IMPORTADORA do mundo, todos temem a queda do PIB da China, não por ela, mais por eles.

Outro prêmio altamente satisfatório, foi o do economista dos EUA, que há muito tempo estuda a razão ou as razões do DESEMPREGO. Notável ou notáveis suas conclusões. E a repercussão foi ainda maior, porque não existe contestação para a constatação do economista Peter Diamond. Vem escrevendo sobre o assunto há dezenas de anos, só agora, aos 70, teve o reconhecimento merecido.

Mas continuam errando muito. Surpresa total o Nobel da Literatura para Vargas Llosa, despropósito total, completo e irreversível. O peruano é um escritor puramente regional, sem qualquer repercussão universal, para o homem e a sua, vá lá, obra.

O romance (?) que lastreou e premiou Lloza, é historinha sem qualquer importância. “Pantaleão e as Visitadoras”, obra menor e sem consistência, Conta, sem qualquer lance de gênio (nem o assunto permitia), o recurso dos militares do Peru para atender as necessidades sexuais (indispensáveis) de soldados e oficiais. Espalhadas pelo imenso território, as tropas ficavam isoladas, sem contato com ninguém, praticamente abandonadas.

Criaram então esse exército paralelo, de mulheres, que chamaram de Visitadoras, muito justamente para atender os homens. Só que ligaram essas “Visitadoras” ao comportamento geral dos militares.

E aí surge o absurdo do Brasil não ter nenhum Prêmio Nobel, sempre ter sido preterido. No setor mesmo da Literatura, o Brasil tem muitos escritores mais importantes do que Vargas Llosa. Jorge Amado tem pelo menos 5 ou 6 romances muito pais importantes do que o “Pantaleão”, idem, idem para Erico Veríssimo e outros.

Carlos Drumond de Andrade e Manuel Bandeira, no mesmo nível ou melhores do que Gabriela Mistral. Encurtando, podemos dizer que a maior discriminação é em relação ao Nobel da Paz. Obama ganhou esse Nobel,  presidente de um país com duas guerras por interesses. Pode ser que veja a merecer, mas nos primeiros tempos de governo, quando manda mais tropas para REFORÇAR essas guerras?

Outro Nobel que atingiu profundamente o Brasil, foi a premiação do argentino Perez Esquivel como Nobel da Paz. O que fez ele? Por que recebeu esse Nobel?

(Conheci Esquivel em Cuba, 1987, já Nobel, ninguém o conhecia, não me deixou a menor impressão. Nesse Seminário sobre Dívida Externa, fui apresentado a ele, quase não disseram o nome, só o título, que ganhou surpreendente e imerecidamente).

Naquela época, o Prêmio Nobel da Paz natural e universal, teria que ir para Dom Evaristo Arns. Um dos grandes resistentes da ditadura era ele. Teoricamente podia ser o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara. Perseguidíssimo, mas na prática era Dom Evaristo.

E sua capacidade de luta e de comando chegou ao apogeu na organização da MISSA DE SÉTIMO DIA PELA ALMA DO ASSASSINADO WLADIMIRI HERZOG. Os militares não queriam de maneira alguma essa MISSA. Dom Evaristo Arns, a família, a resistência verdadeira, os que não transigiam nem concediam nada aos ditadores de plantão, “fecharam a questão”, tem que haver a missa. Sentindo-se derrotados, veio a “sugestão-intimidação”, que era a seguinte: “Concordamos com a missa, mas não na CATEDRAL, e sim numa igreja mais distante, não no centro da capital”.

Como não houve acordo nem poderia haver mesmo, a missa foi na CATEDRAL. Multidões de todos os lados, tropas nos mais variados lugares. Onde houvesse um “vão ou uma janela, metralhadoras eram visíveis”. O centro de São Paulo se transformou igualmente num templo de resistência e num quartel a céu aberto.

A semana que Dom Evaristo Arns “travou” com os militares, homérica. Intransigentes, os “plantonistas da ditadura” jamais imaginaram que homens desarmados, de terno, batina ou roupa de trabalhador, pudessem ter tanta força na mente, na alma, no coração, a transformar tudo em resistência.

Dom Evaristo, o centro de tudo aquilo, devia ter recebido o Nobel da Paz. Tudo o que ele fez no tempo e na semana da missa, era luta pela Paz. Por ser o Brasil, não tivemos esse Nobel, já não havíamos recebido os outros.

***

PS – Vargas Llosa, reacionaríssimo, foi candidato a presidente da República, lançado pelos militares, apoiado e financiado pelos banqueiros. Como os trabalhadores estavam em greve, a luta foi contra eles.

PS2 – Derrotadíssimo, Llosa tentou se redimir, afirmando: “Nunca mais serei candidato”. Se fosse, seria novamente massacrado.

Conversa com leitor, sobre transferência de votos e sobre a religiosidade de Serra e Dilma.

Luiz Ferreira:
“Helio, você que acompanha os fatos há muito tempo, considera que essa disputa Dilma-Serra pode ser comparada, em matéria de votos, ao que o Brizola fez para Lula em 1989. E houve alguma outra sucessão presidencial com transferência de votos vencedora?”

Comentário de Helio Fernandes:
Luiz, o Brasil teve poucas sucessões verdadeiras, muitas ditaduras, explícitas ou implícitas. Temos 121 anos de República. Vejamos as sucessões:

1 – 41 anos de 1889 a 1930, os presidentes escolhiam seus sucessores, comunicavam e passavam o cargo. (Nenhum presidente foi derrotado).

2 – 15 anos de 1930 a 1945, sem sucessão. Vargas teve três denominações. Chefe do Governo Provisório, presidente indireto, ditador.

3 – Em 2 de dezembro de 1945, não houve praticamente sucessão, e sim “prorrogação da guarda”. O marechal Dutra, tido e havido como o Condestável do “Estado Novo”, foi o sucessor.

Além do mais, a legislação era diferente. Qualquer cidadão poderia se candidatar a senador e ao mesmo tempo a deputado, por 7 estados. Vargas e Prestes se elegeram, tiveram que optar, ficaram com o mandato de senador.

Aqui no Rio, Distrito Federal, Prestes e Vargas se elegeram senadores e deputados, optaram pelo mandato maior. Renunciaram aos cargos de deputados, como os votos ficavam para os partidos, surgiram o que se chamou de “bancada de 400 votos”.

4 – Assim, foi eleito presidente o marechal Dutra, que não tinha a menor representação ou representatividade, Por causa da Segunda Guerra Mundial, o Brasil acumulou saldos enormes no exterior. Todos compravam no Brasil, “deixavam para pagar depois”.

O marechal Dutra, pessoalmente honesto, mas presidencialmente nefasto, desperdiçou esses créditos. Os norte-americanos, acostumados a comprar ouro pagando preço de matéria plástica e a vender matéria plástica recebendo preço de ouro, ficaram com tudo. Foram mais 5 anos perdidos.

5 – 3 de outubro de 1950, a volta de Vargas, pela primeira vez eleito. Mas não governou, não sabia, a não ser dominando tudo. As crises que vinham das discordâncias de 30/45, explodiram em 1954, levando à decisão genial e inédita, do suicídio e da Carta-Testamento.

6 – A primeira sucessão autêntica ocorreu em 1955, com Juscelino. Enfrentou o candidato do Poder, militar que vinha desde 1930, o general Juarez Távora, que era considerado o “Vice-Rei do Nordeste”. Mas perdeu. (Até mesmo lá).

7 – Estávamos então com 66 anos de República, era o primeiro presidente que não vinha de 1930, mas parcialmente participara da ditadura, como prefeito nomeado de Belo Horizonte. Foi também o primeiro presidente DIRETO nesses 66 anos, que terminava o mandato. Tentaram seduzi-lo com a REEELEIÇÃO, não aceitou, passou o cargo a Jânio Quadros, lançou a candidatura a novo mandato em 1965.

8 – Jânio Quadros, o “trêfego peralta”, desperdiçou 7 meses, queria mais, não conseguiu, tumultuou tudo, assumiu o vice João Goulart, “plantaram” o golpe de 1964, Portanto, de 1961 a 1985, mais 24 anos roubados do povo, das eleições diretas, das sucessões.

9 – Na verdade, a História brasileira esteve para mudar fundamentalmente em 1989. Se Brizola tivesse ido para o segundo turno, teria sido eleito. Não aceitou as ponderações para visitar mais São Paulo, perdeu para Lula por meio ponto, ficou furioso, chamou-o publicamente de “sapo barbudo”, viajou para o Uruguai, Voltou, não tinha saída, apoiou Lula, mas não transferiu votos, se tivesse transferido, Lula teria ganho. Só iria ganhar em 2002, na quarta tentativa.

***

PS – Como você está vendo, Luiz, é a primeira sucessão verdadeira, mas sem nenhuma verdade reconhecida nas urnas. Pelo menos, não no primeiro turno.

PS2 – Já houve (sem que isso seja uma aprovação, nem cabe ao repórter aprovar e sim registrar) uma transferência colossal de Lula para a candidata-poste que ele mesmo escolheu.

PS3 – Lula já disse publicamente que “houve descuido e salto alto, no primeiro turno”. Prova de que acredita na vitória agora.

PS4 – Como não votei e não votarei em nenhum dos dois, posso dizer: “Como é que Serra pretende VENCER, defendendo as DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES, com prejuízos calculados entre 10 E 17 TRILHÕES?

PS5 – Reforçando a campanha, mostrando uma foto da primeira comunhão? Como Serra está com 68 anos, a primeira comunhão, a convicção e a foto, inteiramente D-E-S-B-O-T-A-D-A-S.

PS7 – Com Dilma ou Serra, é quase certo que voltaremos a Pedro Álvares Cabral. Como os dois são muito religiosos e vivem em igrejas, podem pedir a Deus, que pelo menos nos aproxime de Vasco da Gama e do caminho das Índias.

PS8 – Ainda mais agora que o Brasil faz parte do “BRIC”, que tem os dois, e mais a Rússia e a China.

VARIADAS, com o tricampeonato mundial do vôlei, e com o tri do futebol, que também poderíamos ter obtido, em 1966

Helio Fernandes

O vôlei conseguiu o que o futebol sempre perseguiu: o tricampeonato seguido. Quase obtivemos em 1966, na Inglaterra, faltou competência aos dirigentes.    XXXX    Campeões do mundo em 1958 e 1962, poderíamos juntar o que até aqui ninguém juntou, três títulos seguidos. Acreditavam na seleção que ganhara os dois primeiros títulos, mantiveram praticamente a mesma.    XXXX    Não dava, isso era tão visível, que além de não vencermos, pela primeira vez nem passamos da chave inicial, ficamos pelo caminho.    XXXX    Perdemos tendo como adversários Portugal, Hungria (já destroçada, longe da Hungria de 1954) e Bulgária.    XXXX    A Itália juntou o título de 1934 e 38, quem sabe como era a disputa, quais os adversários?    XXXX    Arnaldo César Coelho poderia explicar a razão do árbitro, em 1934, no jogo Brasil-Itália, ter marcado um pênalti contra o zagueiro brasileiro, Domingos da Guia.    XXXX    O “divino mestre”, como foi sempre conhecido, estava fora do campo quando foi punido pelo árbitro, com o que se chamava na época de “penalidade máxima”.    XXXX    Hoje qualquer um perder pênalti, como anteontem o Loco Abreu, que jogou longe um gol que representaria mais 2 pontos para o Botafogo.    XXXX    De qualquer maneira, com o futebol que estão jogando (inclusive o Brasil), ninguém mais será tri de verdade.

Um mistério mais tenebroso do que o cofre do Adhemar de Barros: quem levou os R$ 4 milhões roubados da campanha de Serra?

O internauta Arthur Vilella enviou terça-feira o seguinte apelo à Tribuna da Imprensa: “Hélio, mil desculpas por estar usando seu espaço, mas meu ajuste aqui é com o Carlos Newton, que deu para criticar a Dilma por ela ter denunciado o negócio do sumiço do R$ 4 milhões da campanha do Serra.
O Newton escreveu uma diabrite qualquer e sumiu, chame ele aí: é que a questão esquentou e o Carlos Newton tem que se explicar, especialmente quanto ao Sr Paulo Vieira de Souza, vulgo Paulo Preto.
Diga aí Carlos, você que é achegado ao Serra, o abortista, ele conhecia ou não conhecia o engenheiro do DERSA?
O Serra foi ou não inteirado dos seus negócios que o Paulo Preto dizia que fazia para ele? Quanto mais ele arrecadou das empresas, já que ele afirma que conseguiu doações para a campanha muito mais do que R$ 4 milhões – isso é irrisório perto do que eles doaram.
O quê o Serra esconde? Para onde foram os R$ 4 milhões que os tucanos dizem que o Paulo Preto surrupiou da campanha? Por que o Serra não fez um BO (Boletim de Ocorrência), se ele foi diretamente roubado? De que ele tem medo?
Para seu governo, matéria na Folha. O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, saiu nesta terça-feira em defesa do ex-diretor de engenharia da Dersa (estatal paulista responsável por obras viárias) Paulo Vieira de Souza.
Conhecido como Paulo Preto ele foi citado pela candidata Dilma Rousseff (PT) no último domingo, durante debate na Band. Dilma afirmou que ele desviou R$ 4 milhões originalmente destinados para a campanha de Serra”.

Resposta de Carlos Newton:
Certas coisas só acontecem comigo. Fiz uma matéria contra o Serra, muito pesada, a respeito de precatórios milionários (a chamada do artigo está aí no alto, do lado direito da tela), recebi um monte de críticas de internautas tucanos.

Fiquei com problemas de consciência. Para equilibrar o jogo, fiz então uma matéria contra a Dilma, e o mundo desabou. Recebi tantos comentários negativos, que estou deprimido. Espero que o fracasso não me suba à cabeça.

O pior mesmo é essa crítica do Arthur Vilella. Ele pede que eu “me explique” a respeito dos R$ 4 milhões que teriam sumido dos fundos da campanha de Serra. E me faz uma série de perguntas sobre esse dinheiro, quantia mais do que respeitável, além de exigir que eu responda sobre o envolvimento de Serra no nebuloso assunto.

Bem, Vilella, me desculpe, mas juro por Deus (os dois candidatos viraram religiosos de repente, também estou nessa) que o dinheiro não está comigo. Nem sabia do assunto. Nessa parte do debate da Band, acho que cochilei ou não prestei atenção. Nem vi se a Dilma chamou o engenheiro de Paulo Vieira de Souza ou Paulo Preto. Pessoalmente, prefiro chamá-lo pelo nome. É politicamente correto, e a gente não se arrisca a responder pela Lei Afonso Arinos, perdão, Lei Caó. O certo seria Paulo Afrodescendente.

Mas insisto, Vilella. Não tive nada a ver com isso. E vou logo adiantando que também não sei nada sobre o tal roubo do cofre da amante de Adhemar de Barros. Se lhe disserem alguma coisa a respeito, é mentira, posso afiançar. Só sei o que o deputado do PT e ex-ministro Carlos Minc diz. Que Dilma não participou, mas “tirava uma onda” de que tinha participado. É só isso que sei.

A propósito de contribuições de campanha, outro dia o pessoal do site “Dilma 13” mandou um e-mail pedindo que eu colaborasse com no mínimo 13 reais (o cara do site parece com o Zagallo, tem mania de 13). Infelizmente, não pude contribuir, por falta de numerário.

Mas prometo que, se esses 4 milhões forem depositados na minha conta (aceito também dólares, libras, ienes ou euros), imediatamente contribuirei para a campanha da preferida do presidente Lula. Se sobrar algum, mando também para o Serra. Juro por Deus (não sei por que, nesse segundo turno me bateu uma religiosidade irresistível).

Deus e o Diabo na campanha eleitoral

Carlos Chagas

Antes de entrar na política partidária, Fernando Henrique Cardoso ostentava o título de livre pensador, junto com o diploma de sociólogo. Não hesitava, nas  aulas e nas conferências que ministrava, em negar a existência de Deus. Depois, as circunstâncias levaram-no a reformular o pensamento. Candidato à presidência da República, com o Lula ainda liderando as pesquisas, entrevistei-o na saudosa Rede Manchete, perguntando em dado momento se acreditava em Deus. Em vez de responder diretamente, tirou a carteira do bolso  do paletó e mostrou um santinho com a imagem  de São Judas Tadeu, por sinal o padroeiro dos desesperados. Respondia assim, sem responder, porque fica evidente que  quem venera um  santo submete-se ao chefe de todos os santos, no caso, Deus.

Essa história se conta a propósito da necessidade que têm todos os candidatos (e candidatas) ao palácio do Planalto de transmitir ao eleitorado a crença inconteste  na existência de um Ser Superior. É muito mais produtivo, eleitoralmente, porque a negativa subtrairia alguns milhares de votos.

No  debate de domingo entre os dois presidenciáveis, José Serra evitou perguntar a Dilma Rousseff se ela acreditava em Deus, certamente por já saber a resposta óbvia.  Preferiu lembrar que no passado, quando guerrilheira, a adversária deixou depoimentos contestando a existência do Padre Eterno e dizendo-se agnóstica, para depois desferir o golpe: “Agora você se  apresenta como beata…”

Dilma fez que não entendeu a maldade e um dia depois foi à Basílica de Nossa Senhora Aparecida assistir missa e,  garantem dirigentes do PT, rezar pela salvação da alma,  jamais pela eleição do concorrente.

A gente fica pensando até onde irão as baixarias dessa campanha,  porque a candidata  também não hesita em manejar o punhal sempre que Serra lhe dá as costas. Chegou a acusá-lo de  defender a entrega da Petrobrás às multinacionais, afirmação descabida quando se sabe que ele não retornou ao ministério do Planejamento,  depois da malograda campanha para  prefeito de São Paulo,  precisamente por se opor às privatizações efetivadas por Fernando Henrique Cardoso.

Só falta mesmo, no  próximo debate, Dilma indagar  de Serra se ele trás o  Capeta no coração  e Serra perguntar a Dilma se o Belzebu votará nela…

O PMDB COM O VENCEDOR

Na hipótese da eleição de  Dilma Rousseff, parece definido o quadro parlamentar para o início do novo governo: o PT ficará com a presidência da Câmara, o PMDB com a presidência do Senado, umbelicalmente ligados os dois partidos. Provavelmente Cândido Vacareza  e José Sarney comandarão as duas casas.

E se o vencedor for José Serra? Quinze minutos depois estará desfeita a aliança entre o PMDB e o PT. O bloco majoritário no Congresso será formado pelo PSDB e o PMDB, queiram ou não os Democratas. Os peemedebistas oferecerão a presidência da Câmara aos tucanos e, no Senado formarão a base de apoio ao palácio do Planalto.  Se alguém duvida, é só esperar.

Nova tática de Dilma tenta empolgar a militância do PT

Pedro do Coutto

Cidade do Porto – A nova postura de Dilma Rousseff, partindo para o ataque contra Serra, a meu ver é uma tática para tentar acordar expressiva parcela da militância, que sentiu escapar a vitória no primeiro turno e agora está com medo de perder no segundo. Mas Dilma ainda é favorita, pois em apenas 12% dos segundos turnos é que ocorreram viradas. Ou seja, 88% do retrospecto político-eleitoral são favoráveis à candidata do PT.

Mas faltam quatro debates, tudo pode acontecer. Aguardemos, portanto, lembrando que uma das áreas que deveria ser debatida seriamente pelos candidatos é a saúde. Excelente reportagem de Evandro Éboli e Patrícia Duarte, em O Globo, destaca que 51% das brasileiras e brasileiros estão insatisfeitos com os serviços de saúde. A pesquisa foi feita pela ONU, através do Programa para o Desenvolvimento Humano.

No contexto, uma entrevista com José Gomes Temporão. O ministro da Saúde culpa a burocracia pelo insucesso da administração, considerando-a infernal. Para ele, ela é a culpada de metas não serem atingidas. Logo, foi derrotado por uma máquina nem tanto subterrânea, mas visível e sobretudo terrível. Mas, se o titular de uma pasta tão fundamental para a vida humana perde para a burocracia, na realidade perdeu para si mesmo:confessa tacitamente que não conseguiu superá-la.

Francamente acho eu que a pesquisa do PNUD deveria apresentar um resultado muito pior do que a reação contrária de 51%. Claro. Porque o sistema público de saúde é simplesmente caótico. Faltam médicos, profissionais de apoio, paramédicos, remédios, equipamentos. Exames são marcados com atrasos que oscilam entre 3 a 6 meses, incluindo avaliações radiológicas. Em inúmeros casos, quando chega a data do exame o doente ou já morreu, ou foi conduzido por parentes e amigos para clínicas particulares. Setores de emergência funcionam mal. Em todos os níveis. Reportagens das emissoras de televisão frequentemente reproduzem imagens de doentes graves esperando atendimento em macas pelos corredores de hospitais.

Em constantes situações, pessoas que necessitam de socorro ou intervenções médicas, vivem uma verdadeira odisséia de hospital para hospital aguardando uma luz no fim do túnel. Há, evidentemente, um jogo maligno de empurra. Obras tornam-se intermináveis. Aparelhos destinados a radiografias e outros, quebram e ficam fora de uso. Em muitos casos não interessa mantê-los trabalhando porque, para os responsáveis diretos, é mais lucrativo que exames se realizem fora de suas unidades. Aí não é somente o peso da burocracia. É também o da corrupção. Os salários são baixos, desestimulantes.

No tempo em que se encontra à frente do MS, que fez o ministro Temporão? Quais as providências que concretamente colocou em prática para derrotar a burocracia, a corrupção e as barreiras burocráticas? Deve relacioná-las. Falar só não adianta muita coisa.

Recursos não lhe têm faltado. Basta examinar o balanço financeiro da Secretaria do Tesouro publicado no Diário Oficial de 30 de julho, assinado por Fábio do Brasil Camargo. A dotação orçamentária da Saúde para este exercício é de 65,4 bilhões de reais, a maior parcela financeira do governo. Mas ao longo dos sete primeiros meses do ano, o ministério só aplicou 40% da verba que lhe é destinada.

A saúde não pode esperar. Os médicos têm que atuar numa faixa limite entre a vida e a morte, ou entre a integridade e o risco, espaço ultra-sensível. Quando pacientes chegam aos hospitais e não obtêm atendimento, o desastre é iminente. E quando trabalhos de parto têm que ser realizados até na rua, porque falta informação permanente indicando locais que podem cumprir a tarefa. Além de tudo, o Ministério da Saúde deve investir-se da responsabilidade para consigo mesmo. Os serviços que presta não são um favor. É obrigação. Todos pagam impostos para terem direito a eles. Não são benefícios, pois se há taxação, tem que haver retribuição. Este é um princípio básico para todo administrador. E para o próprio país.

12 de outubro de 1977. O ministro da Guerra queria ser “presidente”, demitido. O “chefe da Casa Militar”, preterido, não promovido, se demitiu. O “chefe do SNI”, promovido e nomeado. 33 anos depois, diferente, as armas ou as aspas?

Helio Fernandes

Não é a história que se repete como farsa, são as sucessões que reaparecem sem autenticidade. Nas ditaduras assumidas, as escolhas são feitas nos quartéis. Nas democracias presumidas, longe do povo, que tem a obrigação de votar nos que foram referendados em “quartéis” civis.

Não existe nada diferente, mudam os personagens, claro, adorariam permanecer a vida inteira, como alguns que participaram de 30, 45 e 64. Mas tudo é resolvido na cúpula, civil ou militar, mas sempre entre eles.

Este 12 de outubro, que completa 33 anos do outro, reverencia a Padroeira do Brasil, mas devia reverenciar também os que estão sempre no Poder, exercendo-o, desejando-o, mantendo-o, conspirando para não deixá-lo ou então conquistá-lo. O episódio de 1977, importantíssimo, quase desconhecido. E com as naturais modificações, pode se repetir.

A posse de Ernesto Geisel foi tumultuada apesar de determinada pela Alto Comando. Isso, em 1974, sucessão de Médici, que terminava o mandato, assumira surpreendentemente, na primeira vez que Exército, Marinha e Aeronáutica (só oficiais generais votavam) escolhiam quem iria para o trono.

Orlando Geisel, vetado estrondosamente, compreendia que não era o líder de nada, embora se julgasse o dono de tudo. Mas ficou como Ministro da Guerra, encarregado da segurança, e em nome dela, criando o DOI-Codi, no Rio, e a Operação Bandeirantes, em São Paulo. Foi o apogeu da tortura e da vingança, embora já se torturasse desde o 9 de abril de 1964, posse de Castelo. (Que enganou Juscelino e outros, prometendo eleições DIRETAS e  livres para 1965, o que só aconteceria em 1989. Apesar dos esforços de Brizola para que ocorresse em 1985 ou 1986.).

Ernesto Geisel, o irmão, tomou posse, nomeou Ministro da Guerra um general digamos civil, não comprometido com a violência, que poderia ocupar o mesmo cargo com alguém vitorioso numa eleição. Mas morreu um ano depois, e Geisel cometeu o equívoco da sua vida, criou uma situação de fato, que levou tempos para deslindar. Devia ter nomeado imediatamente um Ministro efetivo de sua total confiança.

Apressado e atarefado, entregou o cargo ao chefe do EMFA (Estado Maior das Forças Armadas), Silvio Frota, que mal conhecia. Como interino só podia ser ele. Depois, para colocar o efetivo, como preteri-lo? Não tinha a menor condição, Silvio Frota era militarmente forte, e queria mais repressão e tortura. E, lógico, o Poder total para ele e seu grupo dominador.

Ernesto Geisel custou a perceber que era praticamente prisioneiro do seu Ministro. Inacreditavelmente retomou o poder total, por causa de um gesto arbitrário e violento de um general ligadíssimo a Frota, mas também por ter resolvido enfrentar tudo de peito aberto.

Logo em 1975, assassinaram em São Paulo, Wladimir Herzog e o operário Fiel Filho. O comandante do II Exército, era o general (obrigatoriamente 4 estrelas) Ednardo D’Avila Mello, ligadíssimo ao Ministro Frota. Geisel, que já advertira duramente (pelo telefone) o general, resolveu agir.

Mandou preparar um avião, e sozinho foi para São Paulo. Antes se comunicou com o general Dilermando Gomes Monteiro, disse simplesmente: “Fique de sobreaviso, o senhor será comandante do II Exército”.

Recusou a companhia de generais destacados do seu governo, foi direto para o II Exército, chamou o comandante, disse como quem dá bom dia ou boa noite: “O senhor está DEMITIDO, vou ficar esperando seu substituto para empossá-lo. Eu já havia dito ao senhor que não admitiria mais violências”.

Assim que pôde, D’Avila Mello falou com Silvio Frota, perguntou: “O que fazemos?” E o Ministro: “Agora temos que esperar”. E esperaram, mas a partir daí, Frota, sem poder pedir demissão, e também sem ser demitido, (requinte de Geisel) conspirava e aglutinava forças. Frota era reacionaríssimo, mas importante dentro do Exército. E tinha ódio de Geisel, antes do episódio do assassinato de Herzog. E que só piorou a partir daí.

Considerando. dentro da sua capacidade de raciocínio, de análise e convicção, que o país caminhava para o domínio do COMUNISMO, (era essa sua percepção) Frota cercou-se dos que pensavam (?) igual a ele, que eram muitos. E continuou a conspiração, cujo final seria i-n-f-a-n-t-i-l-m-e-n-t-e determinado por ele, para esse 12 de outubro de 1977.

Chamou a Brasília os 4 comandantes de Exército, para esse dia, à mesma hora, esperava-os no Forte Apache (sede do Ministério da Guerra). Mas Geisel, que monitorava o Ministro pela vigilância ferrenha, soube de tudo. E enquanto Frota mandava coronéis para receber generais de 4 estrelas, Geisel enviava generais da mesma patente, com ordens de levá-los diretamente ao Planalto.

Ao mesmo tempo, seguro e garantido de que sairia vitorioso e retomaria todos os Poderes, se comunicou com o 4 estrelas Hugo Bethlem, ordenou simplesmente: “Venha para o Planalto, tenho missão importante para você”.

Saiu tudo como Geisel estabelecera. Os comandantes dos Exércitos chegaram, recebidos por patentes iguais e com as duas ordens, de irem para o Ministério da Guerra ou para o Palácio Presidencial, nem hesitaram.

No Planalto, Geisel apresentou Hugo Bethlem, (todos eram amigos) assim: “Este é o novo ministro do Exército”. Tripudiando, na frente de todos, telefonou para Silvio Frota, comunicou: “Nomeei o Hugo Bethlem Ministro da Guerra, se você quiser passar o cargo, esperamos”. Não quis.

Sóbrio, discreto, reservado, tendo recuperado todo o Poder, começou a movimentar as pedras da sucessão, o que embora pareça surpreendente, tem muito a ver com a sucessão de agora, de HOJE, 33 anos depois. Em 1977 e neste 2010, o povo está longe, obrigado mas desinteressado.

Geisel comandou tudo, sabia que a ditadura estava no fim, queria ser respeitado pelo país. Por isso, teve extremo cuidado na escolha. Afastado Frota, que continuava na ativa, mas inteiramente isolado ou “ilhado”, sobravam dois nomes, ambos generais de Divisão (3 estrelas). Contrariando a Bíblia da “revolução”, que determinava: “Presidentes (com aspas, lógico) só generais de 4 estrelas, da ATIVA“.

Mas como Geisel adorava desafios, indicou João Figueiredo como seu sucessor, mesmo sem promovê-lo. Havia uma vaga de general de 4 estrelas, o número 1 era Hugo Abreu, seu Chefe da Casa Militar, Geisel preteriu-o, promoveu o Chefe do SNI, que já escolhera como “presidente”. Pelas normas do Exército, o general “caroneado” (termo militar) tinha que passar para a reserva, o que aconteceu com Hugo Abreu, que morreria pouco depois.

Geisel e Figueiredo ficariam próximos, mas não íntimos, até o monstruoso atentado do Riocentro. Geisel queria a punição dos culpados, os participantes e os mandantes, Figueiredo nao tinha Poder, força ou prestígio para nada. Mas sabia que o atentado seria ou pretendia a RESSURREIÇÃO DA DITADURA.

***

PS – Se ainda faltasse algum dado para a compreensão de que nem Serra nem Dilma têm condições, prestígio, competência ou convicção para exercer a Presidência, basta lembrar o debate de anteontem, decrépito, desacreditado, os dois decepcionando o cidadão.

PS2 – Continuou tudo igual ao primeiro turno, em matéria de projeto, compromisso, determinação em relação ao que fazer. Foi baixaria ainda mais execrável. Dilma colocou o aborto como TEMA principal dos “debates”, como se isso fosse PLANEJAMENTO DE GOVERNO.

PS3 – E Serra, com toda a sua incongruência, (essa palavra define ou esconde o ex-governador) trouxe para as manchetes, como revelei, o combate a Lula, mas usando FHC como paralama para as PRIVATIZAÇÕES. que foi o segundo assunto desse encontro na Band.

PS4 – Ainda faltam 4 debates. Mas acho que a CNBB deve reivindicar a sede de um desses debates.

PS5 – Como os candidatos são altamente religiosos, que esse encontro seja numa igreja. De preferência na Candelária, onde se reuniram mais de 1 milhão de pessoas pelas DIRETAS, JÁ. Agora poderia se chamar de INDIRETAS, NUNCA.

Mineiro, profissão amaldiçoada

Helio Fernandes

Hoje, depois de mais de 2 meses enclausurados debaixo da terra, os 33 mineiros do Chile serão resgatados. Não existe pior profissão no mundo. Quando digo que eles estão há 60 dias enclausurados, a palavra é pura redundância.

Eles sofrem a vida inteira, ganham salários miseráveis, ainda piores do que os salários pagos a todos os trabalhadores.

Quando era jovem, Bernard Shaw, fabiano (socialista quase comunista), não tendo muito o que fazer, ajudava a negociar salários com mineiros, sempre explorados. Numa dessas negociações, Shaw foi criticado por ter CONCEDIDO AUMENTO a esses homens, que se arriscavam diariamente.

Defesa de Shaw, que recebeu o Nobel quase aos 70 anos (69 completos): “Como recusar mísera compensação, quando eu sabia que todos os dias morriam ou iam para o hospital?”

Esses mineiros do Chile, tiveram ainda a grandeza e a generosidade de ficarem por último na saída.

Parabéns a Lídio Toledo Filho, o primeiro cirurgião, no mundo, a operar numa cadeira de rodas

Fiquei emocionado e satisfeitíssimo, vendo seu trabalho inédito e ouvindo (pela TV) a entrevista positiva. Nada mais extraordinário. Seu pai, o grande ortopedista Lídio Toledo, me operou do menisco em 1965, na Casa de Saúde São Miguel.

Ele e outro notável ortopedista, Nova Monteiro, levaram duas horas para me fazer andar em segurança novamente.

Em 1986, na Copa do Mundo do México, Lídio me “recriminava” pelo fato de eu correr naquela altura. Mas o esporte (corrida, pelada em campo e na praia, tênis) era mais do que rotina, era o habitual.

Pela entrevista, Lídio Toledo Filho vai completar o trabalho do pai, alegria dupla.

Parem, antes que seja tarde

Carlos Chagas

A impressão foi de um bate-boca entre o Joãozinho e o Juquinha. Se quiserem, entre dona Mariquinhas e dona Maricota. Falamos do primeiro debate do segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra. Os mesmos chavões, as mesmas propostas, ainda que em decibéis mais agudos.

Tudo organizado para um show daqueles da década de cinqüenta, tanto faz se “Espetáculos Tonelux” ou “Noites do Ponto Frio”, com direito a orquestra e apresentação dos candidatos como num programa de calouros. Felizmente o mediador, Ricardo Boechat, evitou transformar-se no Chacrinha ou no Flávio Cavalcanti. Manteve-se sóbrio, sem exageros, deixando as baixarias para os convidados.

Dilma agrediu, passando da defesa ao ataque. No começo,  Serra caiu na armadilha, mas,  fora as acusações mútuas  de duas caras ou de mil caras,  acima e além do uso continuado do verbo tergiversar e de pegadinhas sobre os telefones celulares e os “orelhões”, pouco conteúdo sobrou para esclarecer quem se dispôs a ficar acordado até depois da meia-noite.

Pela primeira vez num debate o candidato tucano valeu-se do governo Fernando Henrique, citado nominalmente algumas vezes como  base das realizações do governo Lula. Dilma rebateu  acusando o sociólogo de tentar a mudança de nome da Petrobrás para Petrobrax,  mas viu o Lula ser  atacado por privatizar dois bancos estatais, no Pará e no Maranhão. Serra anunciou que, eleito, irá “estatizar”  a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, os Correios, o BNDES,  a Vale do Rio Doce e outras empresas transformadas pelo governo Lula em cabide de emprego para companheiros.

Registre-se, também, a sutil acusação de Serra contra a adversária que,  no passado,   teria dito  duvidar da existência de Deus, mas hoje apresenta-se como uma beata, segundo o  tucano.  No mais, um amontoado de chavões e falsas promessas.

PARA EVITAR ERROS FUNDAMENTAIS

Vai para os dois candidatos presidenciais,  a título de esclarecimento,  para evitar futuros vexames:

Calúnia é a imputação falsa de um fato definido como crime. Exemplo: “Fulano de Tal é ladrão”. Trata-se de calúnia quando ele não é ladrão,  porque roubar é crime. A acusação exige a exceção  da verdade, ou seja, a prova da verdade, em  juízo, para que alguém não  seja condenado por calúnia.

Difamação é a imputação de um fato que não é crime, mas ofende a reputação de alguém. Exemplo: “Fulano de Tal era pobre mas  ficou rico depois que foi para o Ministério”. Ser pobre não é crime, enriquecer também não, mas do jeito que a acusação foi formulada, acaba com a imagem da pessoa. A exceção da verdade só é admitida em juízo quando a denúncia  se faz contra funcionário público no exercício da função pública.

Injúria é a ofensa à dignidade e ao decoro de alguém. Exemplo: “Fulano de Tal é um merda”. Fica  proibida a prova da verdade, porque nenhum exame  revelará que nas veias do injuriado corre cocô, em vez de sangue…

MILAGRES ACONTECEM

Em   Washington  o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declarou que o Brasil não colocará   em risco o bom momento de   nossa economia para ajudar os países ricos a saírem de suas dificuldades.  Criticou os Estados Unidos, que querem tirar as castanhas do fogo com  a mão do gato, ou seja, com o sacrifício dos emergentes.

Há quem identifique nessa surpreendente declaração de Meirelles   um movimento à esquerda, visando permanecer no governo,  na hipótese de vitória de Dilma.

ALTERNATIVAS

Luciano Coutinho  na Fazenda, Antônio Palocci na Petrobrás, Paulo Bernardo na Casa Civil, Edison Lobão nas Minas e Energia, Fernando Pimentel no Desenvolvimento Industrial, Franklin Martins nas Comunicações  – esses os nomes objeto de especulação da semana,  para o futuro ministério. Claro, se Dilma Rousseff vier a ser   eleita.

Do lado de José Serra, caso ele ganhe a eleição, alguns nomes são tidos como prováveis: José Gregori, para a Justiça; Sergio Amaral ou Rubens Barbosa, para as Relações   Exteriores; Aloysio Nunes Ferreira, eleito senador, para a Casa Civil;  Aécio Neves, eleito senador, para líder do governo no Senado; Paulo Renato, para a Educação.

No segundo turno, campanha muda de tom

Pedro do Coutto

Cidade do Porto,11 – No debate que travaram ontem a noite na Rede Bandeirantes, o primeiro do turno final, Dilma Roussef e José Serra mudaram totalmente de tom em relação aquele que marcou a campanha e classificação que acabou nas urnas de 3 de outubro. Não pude acompanhar ao vivo pois Portugal em relação ao Brasil tem uma diferença de 4 horas. O debate portanto começou aqui às 2 da madrugada de hoje e terminou às 4.

Mas li o resumo bastante substancial no site do O Globo e verifiquei, aliás como Carlos Newton escreveu aqui na TI que o cotejo foi marcado por forte agressividade entre ambos. Troca de acusações, ataques pessoais a posições políticas mas sem colocar em discussão projetos definidos e programas de governo. Taticamente talvez evitaram se posicionar diante dos dez mandamentos de Marina Silva por ela colocados como condição básica para seu apoio no segundo turno. Provavelmente quanto a Serra, as pesquisas indicaram a necessidade de ser mais agressivo, pois na primeira etapa sua moderação não somou votos para ele.

Leitores hão de perguntar a mim como então foi parar no segundo turno. Respondo então que o segundo turno foi viabilizado, não por Serra, mas sim pelo desempenho de Marina Silva. Tanto assim que na reta de chegada, enquanto Dilma, pelo Datafolha descia 4 degraus, o ex-governador paulista subia 3, porém Marina Silva avançava 10. Colocada a questão em termos percentuais, Marina progrediu 100% nos apoios que recebeu, passando de 10 para quase 20% dos votos. Não quero dizer com isso que ela possa decidir a eleição de 31 de outubro, mas apenas que foi ela quem adiou a vitória de Dilma Rousseff no dia 3.

Como escrevi ontem e o Datafolha confirmou na pesquisa publicada hoje os votos que obteve já foram transferidos para os dois finalistas. E também o apoio da onda verde no segundo turno não proporcionará aumento no tempo de televisão, já que pela lei eleitoral os espaços destinados a Roussef e Serra são absolutamente iguais. O Datafolha divulgou sua pesquisa. Vamos aguardar a do IBOPE e do VOX POPULI para confrontá-las.

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A ARTE E A ETERNIDADE

Nesta viagem que realizamos por Florença, Roma, Porto, e amanhã em Lisboa, eu e Elena observamos como sempre as obras de arte que encontramos no caminho. Fazemos então uma pergunta aos intelectuais e pesquisadores: as obras da Renascença, a partir de 1498, portanto produzidas há mais de 500 anos, se mantiveram firmes nos séculos que as separam dos dias de hoje.

Será que aquelas que estão sendo produzidas agora serão capazes de ficar eternizadas como aquelas? Temos dúvida pois na era da informática e da convergência de traços e estilos talvez elas não consigam se equiparar as de Da Vinci e Michelangelo. Gostariamos de analisar as respostas.

No primeiro debate, começa a surgir a verdadeira Dilma Rousseff: autoritária e intransigente

Carlos Newton

Quem melhor retratou o debate na Band foi o marqueteiro João Santana, que comanda a campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. “Puta que pariu”, disse ele, segundo os repórteres Leila Suwwan e Flávio Freire, de O Globo. Uma expressão chula, que bem define a baixaria em que Dilma está se metendo, arrastando Serra consigo.

Se a coisa continuar desse jeito, já que ainda faltam diversos debates, vamos assistir, ao vivo e a cores, o sepultamento de Dilma paz e amor e o renascimento de Dilma como ela é, autoritária e intransigente, um verdadeiro trator.

Recordo uma triste cena a que assisti, no início do governo Lula, quando Dilma era ministra de Minas e Energia e participou de uma entrevista com o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. Estavam presentes cerca de 40 jornalistas (de jornais, revistas, rádios e televisões). Um deles era Dirceu Brizola, então editor da Gazeta Mercantil.

A entrevista foi um festival de falta de educação da ministra, que não deixou o presidente da Petrobras responder a nenhuma pergunta. Os jornalistas sempre dirigiam as perguntas a Dutra, até porque ninguém conhecia a ministra. O presidente da Petrobras começava a responder, mas logo era atropelado por Dilma, que lhe tomava a palavra com a maior sem-cerimônia.

Foram cenas constrangedoras, que se repetiram ao longo de toda a entrevista. Nunca vi nenhuma “autoridade” ser tão humilhada em público. Por isso, quando vejo as fotos de José Eduardo Dutra ao lado de Dilma, sorridente, como “coordenador” da campanha dela, me dá pena. Parece que nasceu para ser humilhado.

Conheça o acupunturista da Casa Civil

Muito interessante a matéria da Folha hoje, assinada por Matheus Leitão, Márcio Falcão e Andreza Matais, sobre a contratação de um acupunturista pela Casa Civil em 2009, ao tempo de Dilma Rousseff.

Gu Zhou-Ji ganha R$ 4 mil por mês para atender os servidores da pasta. Foi nomeado como “assessor técnico” em outubro de 2009. Vamos ver apenas dois trechos da entrevista:

Folha – O senhor é acupunturista da Casa Civil e da Presidência?

Gu Zhou-JiSou, mas não existe nada de errado nisso. É horrível o que estão fazendo comigo. Quando eu entrei não tinha nenhum cliente. Não fiz divulgação, mas hoje estou com muitos clientes.

Folha – O senhor foi nomeado para fazer o quê?

Essa parte você tem de perguntar no Palácio do Planalto. Eles têm uma resposta direitinha. Primeiro, era a parte administrativa. Fui contratado como assistente técnico. Como apresentei o diploma em acupuntura, passei a atender. Comecei o atendimento em abril. Não fizemos propaganda, só boca a boca e hoje eu não tenho horário. Só atendo com hora marcada e tenho só uma maca.

Muito interessante, mesmo. Mas o melhor é este trecho: “Essa parte você tem de perguntar no Palácio do Planalto. Eles têm uma resposta direitinha”. Sensacional.