Presidente não dá nem recebe beijinhos

Carlos Chagas
                                                      
O Congresso voltou,  ontem,  à rotina das  últimas décadas:   em profusão, os recém-empossados  parlamentares viajaram para seus estados. Voltam terça-feira. Entre os que permaneceram  na  capital federal o comentário era de que reunir outra vez 513 deputados e 81 senadores, só por milagre.            �
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Outra observação colhida nos corredores do Legislativo referia-se à festa de quinta-feira. Todo mundo estava  feliz, a começar pela presidente Dilma Rousseff, que não poupou sorrisos, apertos de mão e beijinhos para quantos se postavam à sua frente. Tais cumprimentos fazem parte de nossa cultura moderna, em especial depois da implantação da Nova República, já que os generais-presidentes não pareciam muito dados a tais confraternizações. 

Convenhamos, porém, que tudo tem limite, valor em falta para boa parte dos presentes ao plenário e às dependências da Câmara. Porque deputados e senadores  houve ostensivamente entravando a progressão da presidente. Punham-se diante dela,  sem arredar pé até  receberem sua atenção. A impressão era de que Dilma  precisava transpor várias trincheiras. Teve momentos em que parecia perdida, sem saber para que lado se voltar. A todos  estendia  a mão direita, mas a maioria queria mesmo dois  beijinhos, talvez para demonstrar uma intimidade inexistente. Ela não regateou, mesmo para os  desconhecidos. A liturgia do poder mudou, de algumas décadas para cá, mas,  mesmo assim,   foi um pouco demais.

O DEVER DE CASA

Deu para o gasto o  preâmbulo da Mensagem do Executivo ao Congresso, lido pela presidente. Ali estavam resumidos os principais compromissos de seu governo, em linguagem simples e português apreciável. Faltou molho, isto é, faltaram tiradas de efeito, considerações emocionais ou frases poéticas, daquelas que faziam a alegria de Juscelino Kubitschek,  de Tancredo Neves e de Ulysses Guimarães. Conceitos como fé, amor, entusiasmo, resistência e   confiança  passaram ao largo das frias proposições sobre políticas públicas. Quem sabe tenha sido melhor assim, sem apelos à  emoção e muito menos à demagogia.  Até as palmas, todas  bem educadas, marcaram o bom comportamento da platéia, de onde não partiram  explosões de   euforia ou gritos arrebatados, como   aconteceu na posse do Lula. Numa palavra, foi feito o dever de casa.

REFORMAS POLÍTICA E TRIBUTÁRIA

Mais uma vez Dilma Rousseff enfatizou a necessidade das reformas política e tributária, sabendo-se que o ministro Guido Mantega trabalha nesta e o ministro Antônio Palocci, naquela. O que importa é passar da teoria à prática, coisa que demandará muita conversa, consultas e determinação. Não parece fácil, dada a multiplicidade de tendências, interesses e obstáculos verificados no Congresso e nos meios econômicos. Uma certeza, porém, força as definições: ou essas reformas saem este ano ou não sairão mais até o final do mandato atual.

REDIVISÃO INOPORTUNA

Congresso novo, idéias novas, mesmo as impróprias e as inoportunas. Deputados do Maranhão, Amazonas, Pará e Bahia, ainda bem que poucos, começam a trocar opiniões sobre a apresentação de um projeto redividindo seus estados. Não é hora para se pensar em novos governos, assembléias legislativas,  tribunais de justiça e tribunais de contas, além da implantação de novas capitais estaduais. Até porque, sem um pronunciamento  inicial das populações, a proposta nem deveria ser colocada. Perguntem aos baianos, por exemplo…

Em um ano, dívida interna sobe 15% e atinge 2,3 trilhões

Pedro do Coutto

Uma velocidade espantosa: a dívida interna mobiliária do país (títulos públicos em poder do mercado e na carteira do Banco Central) deu um salto da ordem de 15%, passando de 2 trilhões e 18 bilhões, em 2009, para 2 trilhões e 313 bilhões de reais em 2010. Assim, num espaço de apenas doze meses, avançou na escala de 295 bilhões.

Impossível ao governo pagá-la. Não só pelo volume, mas principalmente porque, enquanto a inflação registrada pelo IBGE  foi de 5,9 pontos, a dívida, portanto, elevou-se na percentagem real de 9,1%. Não houve apenas correção de valores. Houve adição.

Um problema para a economia brasileira, um desafio para a presidente  Dilma Rousseff, uma vez que em cima de 2 trilhões e 313 bilhões incide a taxa Selic no valor de 11,25% ao ano. O desembolso ao longo de um exercício, com base nos valores atuais, passa de 230 bilhões. É fácil calcular o reflexo financeiro. Ela atinge praticamente 60% do PIB.

Difícil estimar as conseqüências econômicas e sociais no panorama nacional. O programa de investimentos públicos para 2011, por exemplo, está projetado em 96 bilhões de reais. Menos da metade do que todos nós, no fundo da questão, pagamos pela rolagem da dívida junto aos bancos. Estes, como se constata, passaram a ganhar muito mais de 2009 para 2010. E agora em 2011. Recebiam 10,75% sobre 2 trilhões e 18 bilhões. Recebem, atualmente, 11,25% sobre 2 trilhões e 313 bilhões.

Um bom negócio, não? Para eles, banqueiros. Péssimo para toda a população que não consegue escapar da concentração de renda em consequência. É só cotejar os 11,25% pagos à rede bancária, os reajustes salariais, colocando-se a inflação (do IBGE ou da Fundação Getúlio Vargas) no vértice do triângulo. Como redistribuir a renda nacional num esquema assim? Impossível.

Os dados a respeito do crescimento da dívida interna foram publicados pelo Secretário do Tesouro, Arno Hugo Augustin na edição extra do Diário Oficial de 28 de Janeiro, há poucos dias portanto, num quadro comparativo que começa na página 13. Os leitores, assim, estão   com a máxima sinalização possível para conferir as afirmações. Fonte mais oficial e precisa do que esta não existe. Não se trata de interpretação e sim de certeza.

Na edição normal do mesmo dia 28 de Janeiro, Arno Hugo Augustin já tinha publicado o balanço financeiro da União relativo ao ano passado. Vimos, na ocasião, que as despesas com juros superavam a soma dos recursos destinados à Saúde (68,3 bilhões) e à Educação (59,9 bilhões de reais). Não só ultrapassam, como representam praticamente o dobro. Algo absolutamente desproporcional. Sobretudo porque as aplicações com o desembolso de juros tornam-se pouco reprodutivas. Exatamente ao contrário do efeito que os investimentos públicos apresentam como reflexo  nos dois setores. A Saúde então não tem preço. Trata-se de vidas humanas. Nada mais precioso.

Mas infelizmente não é esta a preocupação da tecnocracia. Para ela, o ser humano, mais importante que tudo, é apenas um número, um rosto na multidão, como no clássico de Elia Kazan, 1959, objeto aliás de crônica de Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo de 1 de fevereiro. Nada mais importante do que o ser humano, já que ele é o sujeito e o objetivo da história. Seja ela de um país, dele mesmo,  ou do universo como um todo.  A evolução concreta da espécie humana depende do que se investir nela. Ela é mil vezes mais importante do que as máquinas que, por sinal, ela própria fabrica. Ela, e suas condições de existência, deveriam vir na frente. Não do outro lado das agências da rede bancária.

Depois de dezenas de anos enclausurado, escondido, o ditador Mubarak aparece, mistifica: “Não serei candidato à reeleição, ficarei até setembro”. Tem que sair agora, o Egito quer “DIRETAS, JÁ”.

Helio Fernandes

Diziam que o ditador do Egito estava muito doente, com 81 anos, cercado de médicos. Pois ontem, elegante, bem vestido, com a fisionomia ótima de quem passou a vida explorando um povo, falou da sacada do palácio. E disse textualmente que vai continuar até setembro, quando haverá “eleição”. (As aspas são indispensáveis).

Por que um ditador que está há mais de 30 anos discricionariamente no Poder, tem que ficar por mais 7 meses? Nesse tempo, tudo pode acontecer, ou até não acontecer, ele conhece como ninguém os obscuros meandros (não para ele) do domínio do poder.

O povo do Egito quer Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Agora que despertou dessa letargia imposta, não pode mais recuar, contemporizar, esperar. Esses sentimentos que estavam reprimidos, sufocados, estrangulados, agora vitoriosos, têm que ser concretizados.

Um país e um povo com a História do Egito, desde milhares de anos antes de Cristo, quando ainda era Macedônia e foi mudando de nome, não pode abandonar as ruas, a não ser quando o ditador já estiver expulso, e vier para essas mesmas ruas, por onde não passa há mais de 30 anos.

Vendo as fotos da multidão, e os números oficiais que calculavam essa massa em 1 milhão de participantes, lembrei de 1984, o comício da Candelária, 1 milhão de pessoas de ponta-a-ponta, gritando DIRETAS, JÁ. Não recuamos, perdemos no Congresso com diferença de miseráveis votos, só fomos ter eleições diretas 5 anos depois, em 1989.

Não sei como será feita a modificação no Egito, são muitas as dificuldades. Inicialmente a divisão religiosa, toda aquela região é dominado por essa questão. Muitos países parecem satisfeitíssimos com o fim da Era Mubarak, são inimigos, portanto querem mais desgraça, derrota e derrocada do Egito, melhor para eles.

Outros, com bom relacionamento, se assustam, não se manifestam, esperam a decisão dos EUA, “o senhor dos anéis”, tudo depende deles. Os EUA mantiveram o Egito nesses 30 anos, deram apoio militar e patrocinaram financeiramente o regime discricionário, autoritário, arbitrário. Mas como agir agora?

O poderoso EUA, antes do vulto do protesto, da revolta, da participação do povo, “aceitava o fim da Mubarak, mas depois de setembro e da eleição”. Agora, já sentiram que isso não é mais possível ou solucionável, concordam com saída imediata de Mubarak. Mas não sabem como agir, como fazer, como retirar Mubarak do Poder? É realmente complicado, mas os EUA aprendem com os fatos.

Outro grande problema: os militares, que sempre serviram ao ditador e aos EUA. No início, quando o movimento popular começava tímida e discretamente, os militares chegaram a mostrar apoio e solidariedade ao povo revoltado das ruas. Mas “sentindo” que a revolta crescera muito e que não só Mubarak perderia o Poder, eles seriam também retirados, mudaram de posição, já estão querendo “eleição em setembro”, garantem Mubarak mais 7 meses.

A oposição (sem lideranças estabelecidas, mas com alguns nomes sem muito reconhecimento interno, mas agora participando e apoiando o povão) não admite acordo. Com isso, mostram sensibilidade extraordinária, repetem uma palavra que foi muito usada (teoricamente) no Brasil: “O povo unido, jamais será vencido”. E no Egito? Isso se repetirá? O povo pode ficar unido, mas é sempre vencido, na hora ou logo depois. O que parece acontecerá no outrora glorioso Egito.

Enquanto os EUA tentam encontrar a “melhor” solução para eles, ou então a que pode ser oficializada e anunciada, Mubarak insiste em ficar até setembro. Agora com o apoio de SEMPRE dos militares. Estes, de forma melíflua, que palavra, pressionam o povo e a oposição, por enquanto se apresentam fazendo APELO.

Mas não merecem o menor crédito. “PEDEM” ao povo: “É hora de ir para casa, ESVAZIAR AS RUAS, deixar que os problemas serão (ou sejam) decididos pelo governo”. No tom de voz de apelo, e nos gestos pretensamente pacíficos, escondem as armas, que é o grande “argumento” de que DISPÕEM.

A convicção da massa é de não atender o “apelo”, que na verdade é uma ordem, e permanecem nas ruas. Compreenderam agora, que essas ruas são as suas casas. Mas o Exército não manterá por muito tempo o tom de camaradagem e solidariedade, sabem que estão arriscando a permanência no Poder, como aconteceu nos últimos 30 anos.

*** 

PS – Os fatos visíveis, acontecem nas ruas, empolgam e repercutem no mundo inteiro. Mas tudo isso pode ser ultrapassado pelo que se trama nos bastidores.

PS2 – No momento em que escrevo, as coisas se manterão na expectativa. Tem que haver decisão que não contrarie o povo, a coletividade, a massa de cidadãos.

Dona Suplicy ganhou o lugar

Helio Fernandes

Como foi noticiado, lutou intensamente pela vice-presidência do Senado. Expliquei, com exclusividade: é uma jogada de exibicionismo e conquista de holofote. A “Ordem do Dia” começa às 4 da tarde, quando Sarney aparece.

Dona Suplicy pode fazer (e na certa fará) como Mão Santa: às 9 ou 10 da manhã, abria a sessão, às vezes com 2 ou 3 senadores. (Não há limite para funcionar, só para votações). Iam chegando senadores, dava a impressão de que estavam trabalhando.

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A BRIGA NO PSDB

Tenho acompanhado (e escrito) a luta pela presidência do partido que pretendia ficar 20 anos no Poder, não passou de 8. (Hitler foi menos modesto, falou os “Mil Anos do Reich”).

O curioso nessa luta: o PSDB tem quatro personagens que querem essa presidência. FHC, Serra, Aécio e Alckmin. Mas quem movimenta tudo e todos é o prefeito Kassab. Atua no PSDB, é do DEM, e já está indo para o PMDB. Como se pode acreditar num homem como esse?

Sarney falsifica datas históricas, para dizer que foi eleito deputado em 1955, e que está no Senado, com cinco mandatos, mais tempo do que Rui Barbosa, nosso patrono.

Helio Fernandes

Já escrevi tanto sobre o Sarney, desmascarando suas afirmações, a subserviência à ditadura, o malabarismo de se transformar em presidente, sem eleição, sem voto e sem povo, no que deveria ser a transição democrática. Mas não posso deixar passar a mistificação do discurso de posse, anteontem.

“Fui eleito deputado federal em 1955, sou parlamentar há 56 anos”. Ninguém pode (ou poderia) ter sido eleito qualquer coisa em 1955, pela razão muito simples de que no Brasil não existe eleição em ano impar. Como todos os mandatos são fixados em duração par, “eleição” em 1955, só mesmo para Sarney.

O que aconteceu realmente. Ele foi candidato a deputado em 1954, não se elegeu, ficou com segundo suplente. Manobrando a politicalha e a legislação, conseguiu afastar os dois deputados que estavam na frente dele, se empossou no final de 1955, início de 1956.

“Estou há 35 anos no Senado, consegui ultrapassar Rui Barbosa, nosso patrono”. Que farsante. Quis chamar a atenção se comparando a Rui, através dos mandatos no Senado. Acontece que Rui tinha caráter, coragem, convicção. Além do mais não era profissional de se eleger senador.

O primeiro mandato de Rui, conquistado em 15 de novembro de 1890, 1 ano depois da derrubada do Império. Antes não havia eleição para o Senado, o Imperador nomeava os senadores.

Rui fez então o anteprojeto da Constituição que seria a de 1891 e foi o relator na Constituinte. Pela indireta, Deodoro foi eleito “presidente”, e Floriano, “vice” e “Ministro da Guerra”.

Em novembro romperam (como coronéis, vieram brigados da estranha guerra do Paraguai), fizeram as “pazes” para dominarem a República. Nesse novembro do mesmo ano de 1891, se desentenderam, Deodoro acreditou que tinha força, fechou o Congresso, prendeu parlamentares, ministros, advogados. Ficou 20 dias no Poder, foi derrubado por quem tinha o Poder Militar, que era Floriano.

Pela Constituição de 1891 (a primeira da República) se a Presidência vagasse por qualquer motivo na primeira metade do mandato, assumia o “vice”, que em 30 ou 60 dias teria que convocar eleições. Floriano assumiu, e disse absurdamente: “Ficarei até o fim do mandato”, nem disse quando seria.

O senador Rui Barbosa então exigiu a eleição que a Constituição determinava, Floriano nem ligou. Ditatorialmente, o “Marechal de Ferro” começou a perseguição geral, mas principalmente a Rui. Este renunciou aos quatro anos de mandato que ainda tinha, se asilou em Buenos Aires, depois em Montevidéu.

Sarney faria isso? Na eleição de 1896, Rui se elegeu novamente senador, Floriano já havia morrido. Nessa época, existia a famosa “Comissão de Ratificação”, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, precisavam de “ratificação”. Só o presidente da República escapava, tomava posse imediatamente.

A Bahia tinha três homens de projeção nacional. Luiz Viana (o pai, o pai, grande figura), JJ Seabra, senador, e Manuel Vitorino, vice de Prudente de Moraes. Estes dois não queriam “ratificar” o mandato de Rui, o governador ameaçou: “Vocês querem cassar o maior brasileiro vivo? (Já era chamado assim) Serão linchados”. Rui tomou posse, os dois recuaram.

Em 1910 Rui foi candidato a presidente numa eleição histórica, não ficou marcando tempo no Senado. Perdeu, mas 1910 é lembrado até hoje. Voltou ao Senado e em 1914, novamente candidato a presidente. Como só havia um partido, o Republicano, se candidatou como independente, possibilidade que acabou em 1934.

Tendo rompido com Pinheiro Machado, também senador, que diziam “fazia presidentes”, fez discurso violentíssimo, renunciou à candidatura a presidente. Em 1918 não quis ser nada, especulava-se que disputaria a presidência. Com medo de Rui, foram buscar a grande figura de Rodrigues Alves, que estava morrendo e não assumiria.

***

PS – Em 1919, finalmente Rui foi candidato, aos 69 anos, contra Epitácio Pessoa, que estava em Paris e nem saiu de lá.

PS2 – Logo depois da eleição, Rui renunciou à vida pública, Morreria em 1923, com 73 anos. Por favor, vejam se descobrem afinidade, lealdade, dignidade entre Sarney e Rui?

Blocos de deputados

Helio Fernandes

Foram formados  5 blocos, na Câmara Federal. Participam representantes de 20 dos 22 partidos que elegeram alguém. Os partidos são 27, mas 5 não elegeram nenhum parlamentar, absurdo que continuem a “existir”.

Não deviam receber dinheiro do Fundo Partidário, teriam que ficar fora da participação eleitoral através da televisão (que o contribuinte paga e o governo chama de “horário gratuito”), isso acontece em outros países.

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PS – A forma é diferente, claro. Como não existe esse programa de televisão, mas sim o Fundo Partidário, que não consegue eleger ninguém não participa de nada.

PS2 – Alguns dizem: “Mas assim eles jamais voltarão a participar”. O melhor exemplo: os Partidos Verdes nos mais diversos países. Não existiam, mais ou menos há uns 10 anos começaram a ganhar parte do eleitorado, sem ajuda, com muita convicção.

PS3 – O bloco do governo tem 257 deputados, exatamente a maioria indispensável para emendas constitucionais e outras votações.

PS4 – A oposição tem minoria, o bloco formado terá mais influência.

Investigar antes de nomear

Carlos Chagas
                                             
É conhecida a história dos três operários que quebravam pedras e foram indagados sobre o que faziam. O primeiro foi racional: “estou quebrando pedras”. O segundo respondeu que “ganhava o pão com o suor do seu rosto”.  Já o  terceiro sublimou: “estou construindo uma catedral”.
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PMDB e PT deveriam pensar a respeito, nessa virulenta  disputa  por cargos no segundo escalão do governo. A maioria de seus integrantes responderá estar cuidando de seus interesses políticos. Outros dirão que colaboram para o sucesso do respectivo partido.  Só uns poucos dirão estar trabalhando para o desenvolvimento nacional.
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Porque indicar dirigentes de empresas estatais não exprime necessariamente a voracidade de os líderes dos partidos dominarem setores capazes de manipular centenas  de bilhões de reais. Certamente a  maioria dos companheiros e dos peemedebistas pensa e age assim, mas por que não admitir que também trabalhem pelo crescimento de suas legendas? Ou, na terceira hipótese, que as indicações se  fazem  tendo em vista o melhor para o país, ou seja, pretendem ver nomeados competentes diretores em condições de realizar  excelente desempenho nos diversos setores.
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O problema está na raridade com que se encontram construtores de catedrais. Quase não existem. Os contendores visualizam, mesmo, vantagens pessoais e de grupos. A aplicação de tantos  bilhões em obras públicas e serviços favorecerá não só as felizes empreiteiras mas, com certeza, também seus padrinhos. É isso que a presidente Dilma Rousseff deveria investigar, antes de nomear. Caso contrário, verá erigidas modestas capelinhas em vez de uma catedral…

BATTISTI FICA

Com o anúncio de que Luiz Fux está sendo indicado por Dilma Rousseff  como  o décimo-primeiro ministro do Supremo Tribunal Federal, somarão sete os ministros designados desde que o Lula assumiu o poder. Os quatro restantes deveram suas indicações a José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique.
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Sobram poucas dúvidas de que, mesmo com todo o respeito à independência do Judiciário,  a maioria de sete garantirá a decisão do ex-presidente pela permanência de Césare Battisti no Brasil. Isso caso a mais alta corte  nacional de justiça reabra a questão, pois há quem interprete como definitiva e insusceptível de revisão   a negativa do Lula em conceder a  extradição do italiano.
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Vivemos uma democracia plena, cada ministro deverá julgar de acordo com sua consciência e seus notáveis conhecimentos jurídicos. Não devem nada a ninguém, sequer a quem os indicou. Na teoria, é claro, porque na prática sempre haverá  a prevalência da natureza das coisas. Tudo leva a supor que Battisti ficará entre nós.

QUEM GANHOU�
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Alguns exagerados andam tecendo loas e entoando exclusivos evoés e alvíssaras  a  Dilma Rousseff,  por conta da eleição de Marco Maia e José Sarney para as presidências da  Câmara e do Senado. Parece evidente a satisfação da presidente da República, que apoiou os dois parlamentares, mas é bom saber que as vitórias deveram-se também  a outros fatores.
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Sarney teria sido escolhido ainda que José Serra, Marina Silva ou Plínio da Arruda Sampaio estivessem no palácio do Planalto. A permanência do ex-presidente por mais um biênio deve-se ao esquema por ele montado para atender à maioria dos senadores, até mesmo acima e além da bancada do PMDB.
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Quanto à eleição de  Marco Maia, talvez signifique  um grito de auto-afirmação do PT diante do governo, que no começo até preferia Candido Vaccareza. O partido não gostaria de ver repetidos os oito anos do Lula, quando até para fazer pipi precisava  pedir licença ao então presidente.�

ESPECULAÇÕES�

Especular não  é proibido, ainda que as especulações corram por conta e risco de quem as faz. Assentado formalmente o quadro político-partidário, apesar das tertúlias pelas nomeações no segundo escalão do governo, prevalece aquele velho provérbio  árabe, de que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte.
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A sucessão de 2014 ainda não começou, é claro, mas alguns parâmetros podem ser definidos.�
Dilma Rousseff, caso seu governo dê certo, será candidata natural a mais um mandato, tendo em vista de que desde a aprovação da reeleição, os dois presidentes venceram as disputas. Fernando Henrique e o Lula conseguiram, por que a atual chefe do governo não conseguiria, dispondo da máquina pública e, coisa ainda a conferir, as necessárias doses de popularidade?�
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Sempre haverá a hipótese de o ex-presidente Lula não se conter, ou se as pesquisas indicarem que apenas ele poderia manter os companheiros no poder. E um novo naipe acaba de ser incluído no baralho: o PMDB, de tantos e tão constrangedores recuos, dessa vez não poderá omitir-se, se pretende manter-se como o  maior partido do país. Já começou a cair, perdendo a condição de bancada mais numerosa na Câmara. Sem candidato  próprio, caminhará para as profundezas, apesar do desconforto de precisar  enfrentar Dilma ou Lula.
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Quem seria o candidato? Michel Temer surge na frente como chefe do partido e vice-presidente da República, mas outras opções existirão. O governador Sérgio Cabral, se São Pedro  não atrapalhar  e se as UPPs continuarem  aprovando. Nelson Jobim, Edison Lobão, Moreira Franco, Roseana Sarney, Roberto Requião? É cedo, mas impossível não parece a seleção de um deles.
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Eduardo Campos, reeleito governador de Pernambuco,  constitui hipótese factível no Partido Socialista, se continuar a crescer, este, e afirmar-se como administrador competente, aquele. E do outro lado? A  confusão é grande, no  ninho, mas nomes não faltam. Se o Lula perdeu três vezes e só ganhou na quarta e na quinta, por que não se daria outra chance a José Serra, que só perdeu duas? Claro que ofuscando essa hipótese estão o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas, Aécio Neves. Penas mineiras e paulistas já esvoaçam por aí, além de bicos em  alerta, entre os tucanos. É bom parar por aqui, demonstrando-se apenas que material para especulação não falta…

Brasil gasta com dívida 2,5 vezes do que com educação e saúde

Pedro do Coutto

Parece incrível, mas é verdade. O Brasil está despendendo por ano, com pagamento de juros e amortização da dívida interna, 307 bilhões de reais, correspondendo a 2,5 vezes mais do que com a soma das despesas com educação e Saúde. Esses dados oficiais encontram-se no balanço Financeiro da Administração Federal, relativo a 2010, assinado pelo Secretário do  Tesouro, Arno Hugo Augustin, publicado no Diário Oficial de 28 de Janeiro, a partir da página 24. O rumo para confirmar a afirmação é este. Os que desejarem fazê-lo já ficam sabendo como proceder.

Além do contraste citado, o trabalho do STN funciona para derrubar definitivamente vários falsos mitos adorados no altar da tecnocracia. As despesas com pessoal, por exemplo. Afirmam os técnicos financeiros que são altíssimas. Nada disso. Para um total orçamentário da ordem de 1 trilhão e 8489 bilhões de reais, o custo da folha de pagamento dos servidores civis e militares, incluindo aposentados, reformados e pensionistas, é de 170 bilhões. Menos de dez por cento, como se vê.

Mas eu comparei os dispêndios referentes a dívida com as verbas canalizadas para os setores de Educação e Saúde. Muito bem. Pagamento de juros: 138,4 bilhões. Amortizações: 168,6 bilhões de reais. Total, portanto, de 307 bilhões de reais. Agora, com Educação apenas 54,9 bilhões. Com Saúde, somente 65,4 bilhões. Soma das duas rubricas essenciais: 120,3 bilhões. Está aí, para todos os leitores verem, a proporção de 2,5 vezes. A dívida interna (2,2 trilhões) está custando uma barbaridade ao país. A todos nós, portanto.

Outro mito derrubado pelo Secretário do Tesouro está no valor das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS: 246,4 bilhões é a soma dos proventos de mais de 25 milhões de segurados inativos. Inferior aos desembolsos relativos ao endividamento.

Diga-se de passagem aparece no balanço financeiro uma rubrica que representa um enigma.
Trata-se da que fala vagamente em despesas diversas… Quais são elas? A pergunta cabe perfeitamente,  pois tal rubrica entra na peça financeira com uma fração de 615,3 bilhões de reais. Por quê motivo um deputado ou senador não faz tal pergunta? Despesas diversas no montante de 615 bilhões são desproporcionais à própria lei de meios como um todo. Tal montante é o dobro das despesas com juros e amortizações da dívida interna.

E, por falar em juros, os pagos aos bancos pelo governo, na escala de 11,25% ao ano sobre o total da montanha, que atinge a altura de 2,2 trilhões, como disse há pouco, recebo uma pequena carta de meu amigo Gilberto Paim. Ele pede atenção para recente colocação do ex-ministro Ernane Galvêas  sobre a matéria.

Disse o ex-titular da Fazenda: “Os avanços tecnológicos dos últimos 50 anos mudaram o conceito  monetário e portanto, a teoria quantitativa da moeda baseada na taxa de juros. Quando os meios de pagamento representavam 60% do PIB, a situação era diferente da que se observa hoje, uma  vez que a moeda não passa de 6% do PIB. A taxa de juros básica assim não tem mais o mesmo comando sobre a demanda agregada, soma do consumo e investimentos privados. Até porque as operações de redesconto, que davam acesso aos bancos para os recursos do Banco Central, não existem mais”.

“Na conjuntura atual – acrescenta Galvêas – o racional é que a taxa de juros seja determinada pelo mercado aberto secundário, diariamente, onde os bancos trocam reservas, comprando ou vendendo títulos para aumentar ou enxugar a liquidez”.

Fica assim registrada aqui a visão atual do ex ministro sobre um dos aspectos essenciais do mercado financeiro. Que, no fundo, rege tanto o peso da moeda quanto a importância muito maior, da produção.

Se depender do Banco Central e do Ministro Luiz Fux (que vai para o Supremo), o slogan “tudo por dinheiro”continua valendo para Silvio Santos. O BC salvou o PanAmericano e Fux salvou a Telesena.

Carlos Newton

No caso do Banco PanAmericano, Silvio Santos trocou seis por meia dúzia, vendeu o controle da pré-falida instituição para o BTG Pactual, com o beneplácito do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e saiu ileso do episódio. Da mesma forma como também saiu ileso do processo movido contra a Liderança Capitalização (Grupo Silvio Santos), mas desta vez com o beneplácito do ministro Luiz Fux, que está trocando o Superior Tribunal de Justiça pelo Supremo.

Os dois casos são nebulosos. Na negociação do Banco, quem saiu perdendo foi a Caixa Econômica, que comprou 49% de um buraco negro de 2,5 bilhões de reais, que rapidamente aumentou para 4 bilhões. No processo da Telesena, quem saiu perdendo foram os milhões de compradores de um falso título de capitalização.

O relator do ação contra a Telesena no STJ foi o ministro Luiz Fux. Seu posicionamento causou a abertura de um processo na Corte Especial daquele Tribunal para apurar sua possível parcialidade em favor da empresa Liderança Capitalização S/A, no julgamento de recurso contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª. Região/SP, que considerara a TeleSena uma promoção ilegal, já que de título de capitalização não teria nada, sendo mero jogo mascarado de capitalização.

O parecer de Fux desconsiderou o acórdão do Tribunal Regional Federal de São Paulo, que apontara irregularidade da Susep – Superintendência de Seguros Privados. Segundo o TRF paulista, quando autorizou a empresa Liderança Capitalização S/A a lançar esse título (ou melhor, cartela de jogo), a Susep teria agido com desvio de finalidade e ferido o Decreto-Lei no. 261/67, que regulamenta a atividade das empresas de capitalização.

Onde já se viu aplicação anual de R$ 5,00, que, no final de 12 meses vale apenas R$ 2,65?  Como isso não é  capitalização, mas descapitalização, é tranquilo que houve, sim, infração ao artigo 1º, parágrafo único do decreto-lei no. 261/67.

Com essa jogatina, até meados de 2007, Silvio Santos já teria faturado mais de quatro bilhões de dólares. Segundo ele próprio, a TeleSena salvou o seu grupo da falência. Mas deixou a ver navios dezenas de milhões de apostadores incautos.

No acórdão do Tribunal Regional Federal paulista ficou decidido, por unanimidade: “O fato de o CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados e a Susep – Superintendência de Seguros Privados terem autorizado a comercialização de planos com tais desvios não é suficiente para torná-los legais. Mesmo admitindo-se terem eles poderes normativos para regulamentar o sistema, esses poderes só podem ser exercidos nos limites da lei, sem nunca ousar contrariá-la. O ato administrativo em questão – porque dissociado do espírito da capitalização, estabelecido pelo Decreto-lei 261/67, combinado com o Decreto-lei 6.259/44, interpretados necessariamente à luz da política pública constitucional de defesa dos consumidores – foi emanado com evidente desvio de finalidade , e por isso, é nulo”.

O recurso especial de Silvio Santos, que, no STJ recebeu o número 851.090-SP, com mais de 5 mil páginas e mais de 15 anos de tramitação, na sessão de 18 de dezembro de 2007 foi provido pela Primeira Turma, que acompanhou o voto do ministro-relator Luiz Fux, julgando legal a autorização dada pela SUSEP  à Liderança.

Inexplicavelmente, porém, quando deu provimento ao recurso da Liderança contra acórdão do TRF/3ª. Região, o ministro Luiz Fux (ao enfrentar a questão principal – nulidade e ilegalidade da autorização dada pela SUSEP, com desvio de finalidade), em seu  longo voto, transformado em acórdão, limitou-se a transcrever com pequenas alterações a argumentação produzida pela Liderança Capitalização, copiando-a até “ipsis litteris” e adotando-a como sua razão de decidir.

É inacreditável o procedimento do ministro Luiz Fux. O número de parágrafos que ele transcreveu textualmente do recurso da Liderança mostra uma atitude inédita na Justiça, uma falta de respeito com os outros ministros, um descaso total com as práticas da Justiça. Nunca se viu nada igual, um ministro relator decidindo uma importante questão, simplesmente copiando a argumentação dos advogados da parte mais poderosa.

Esse fato tenebroso, que no ano passado Helio Fernandes denunciou aqui com exclusividade, foi comunicado ao Supremo, que, por despacho, encaminhou ao STJ uma representação do ex-deputado estadual José Carlos Tonin (e autor da ação popular) para que o Tribunal decida sobre a ocorrência ou não de parcialidade por parte do ministro-relator Luiz Fux.

E como informou à época o próprio site do STJ, o processo foi distribuído à ministra Eliana Calmon, que integrava a Corte Especial, e a quem caberia relatar o impressionante, surpreendente e revoltante caso. Mas a ministra Eliana, que é duríssima e implacável, pouco depois foi transferida para o Conselho Nacional de Justiça. Pior: acabo de ser informado de que o procurador da república que atua no STJ pediu  o arquivamento do procedimento? Será que algum senador levantará essa questão ao sabatinar Fux? Claro que não.

Depois de mais de um mês de susto e sobressalto, o candidato oficial, Marco Maia, foi eleito presidente da Câmara. Apoiado por um bloco de 20 dos 22 partidos com representantes, por que o susto?

Helio Fernandes

De ontem, terça, para hoje, quarta, pouco se sabia sobre o que aconteceria na eleição do presidente da Câmara. O candidato oficial e favorito, continuava sendo Marco Maia, PT, mas existia muita conversa “por fora”. E amanheceu terça-feira, com o PR dando espetáculo, fingindo de PMDB ou de PT. Mas defendendo bandeiras e objetivos.

Às 9 da manhã de ontem, em reunião tumultuada, Sandro Mabel, do PR de Goiás, ameaçado de expulsão, “se fosse candidato contra Marco Maia”, da base, reafirmou: “Sou candidato e não retiro meu nome”. Aí tentaram consolidar o que eu revelei há semanas. A luta era pelo segundo turno.

Então começaram a surgir dúvidas sobre números. Por volta das 13 horas, o candidato oficial desaparecera, numa versão ainda mais pitoresca do filme “Apertem os cintos, o piloto sumiu”. Marco Maia não estava em lugar nenhum, e na Câmara também não havia liderança alguma. Mas as conversas continuavam.

Ninguém sabia onde estava Marco Maia, e a razão de ter sumido. Muitos cercavam Aldo Rebelo, que se mantinha em silêncio, mas inteiramente convencido (não disse, deixou entrever) “de que ainda dá”. A eleição estava marcada para 18 horas, ninguém acreditava que começasse a essa hora, esperavam.

Às 13,43, surpresa, malabarismo, contradição, como explicar? Foi lançada a candidatura de Jair Bolsanaro, ele mesmo apareceu no plenário, e confirmou. Era o máximo, que ninguém explicava. Bolsonaro não esconde, é de extrema direita, posição que ele transforma com as seguintes palavras: “Não tenho ideologia, defendo o Exército, atacado e injustiçado”.

Agora vejam e se espantem. Bolsanaro é combatido, mas é também combatente. Aguerrido, sem medo de nada, tem voto dentro e fora do plenário. Elegeu e reelegeu um filho deputado estadual e outro vereador. Em relação à sua posição eleitoral, quem pode ostentar essas vitórias?

Precisamente faltando 15 minutos para as 16 horas, surgiu o quarto candidato, mais do que natural. Do PSOL e logicamente o deputado mais antigo, Chico Alencar. E continuaram a conversar.

Mas tudo isso acabou publicamente às 18 horas em ponto, quando começou a eleição. Acabaram as conversas de bastidores, com os candidatos se manifestando, mostrando o objetivo de suas candidaturas, o que pretendiam, e indicando pontos fracos e frágeis da Câmara.

Antes de se iniciar a votação, os candidatos tiveram 15 minutos cada um para usar da palavra. Surpreendentemente, Jair Bolsanaro e Sandro Mabel fizeram excelentes discursos, reivindicaram para os 513 deputados e não por eles ou para eles, pessoalmente.

Bolsonaro comparou e não teve medo, o que é uma característica sua: “Esta Câmara ficou 5 anos fechada pela ditadura e os presidentes da República governavam por decretos-leis. Agora, esta Câmara está aberta, mas os presidentes da República governam por medidas provisórias”. É verdade, e mostrou outros fatos que não podem ser desmentidos.

Sandro Mabel foi excelente. Falou com coragem, afirmou: “Jamais sofri tanta pressão em toda a vida, queriam que RENUNCIASSE, que não concorresse”. E perguntou afirmando: “Tenho três filhos, me pediram, pai não importa quantos votos você tenha, o que não pode é desistir”. Quem trairia um pedido como esse?

Aí começou a falar da divisão do plenário em deputados de primeira e segunda categoria (minha restrição é porque são de primeira e de QUINTA categoria). E aí, Sandro Mabel tocou num assunto que é proibido para todos, não permitido, mas que é revelado por este repórter há muito tempo. Trata-se do fato de a TV Câmara, a TV Senado e a TV Justiça, apesar de representarem Poderes importantes, não conseguirem transformar o canal fechado em canal aberto.

Por que isso? É que a televisão aberta tem mais de 50 milhões (no mínimo) de audiência, enquanto as redes de TV por canais fechados não passam de 13 milhões. Mudando isso, e permitindo que todo o povo brasileiro assista os trabalhos dos deputados, senadores e juízes, e possam julgá-los.

Essas televisões não podem se dirigir mais acentuadamente à população, porque as televisões particulares não permitem. E apesar de representarem milhões de cidadãos, não podem se dirigir a eles, diretamente.

O petista Marco Maia disse em seu discurso que a Câmara tem um grande desafio nas questões administrativas e defendeu uma agenda positiva de grandes mudanças: “Precisamos, companheiros e companheiras, olhar para o futuro e discutir temas que são fundamentais para a vida do povo”, afirmou, apontando a reforma tributária como um instrumento para garantia de mais repasses de recursos para estados e municípios.

No meio do discurso, o deputado gaúcho se empolgou e chegou a cortar os lábios. Retomando a fala, Maia não se comprometeu contra as medidas provisórias, esqueceu o assunto para prometer que irá se empenhar para a valorização das emendas parlamentares. “Vamos lutar e nos comprometer, fazer com que nossas emendas tenham efetividade e continuem sendo instrumento de defesa do trabalhador e não apenas por uma visão corporativa”, salientou.

“Vamos construir uma gestão de transparência e de consenso, conto com os votos de vocês, muito obrigado”, concluiu Maia.

Chico Alencar foi o último dos candidatos a discursar e, como habitualmente, emocionou o plenário. Enquanto falava, silêncio absoluto. Defendeu a liberdade do Legislativo, que não pode ficar subserviente ao Executivo. Excelente discurso.

Acabou às 19,20, começaram as questões de ordem, respondidas pelo deputado que presidia a sessão, Henrique Eduardo Alves. Abandonaram a tradição da eleição ser presidida pelo deputado mais velho, inovaram, com a mesa presidida pelo deputado com mais mandatos.

Realmente ninguém tem mais mandatos do que o representante do Rio Grande do Norte. São 10 mandatos inúteis e inexpressivos. Menos os dois últimos anos, quando assumiu a condição de “cobrador” dos interesses do PMDB, e principalmente dele mesmo. Foi uma decisão extravagante dos “líderes” ocultos.

Às 21,14 as filas ainda eram grandes, mas muitos que votaram vão para casa, esperar o resultado pela televisão. Enquanto isso, televisões poderosas (GloboNews) e não tão poderosas (TV Câmara), particulares e estatais, dizem bobagens e mais bobagens.

A mais repetida, muitas e muitas vezes: “O deputado Marco Maia não pode presidir a sessão por questão de ética, ele é presidente da Câmara”. Quanta besteira, Manuel Bandeira. A Câmara não tem presidente pela razão muito simples de que a Legislatura acabou anteontem, dia 31. Ontem estava começando outra, com todos os 513 deputados tomando posse. (Aliás, dos 513, 288 se reelegeram, 225 não conseguiram. Por isso é que Henrique Eduardo Alves, o mais antigo, estava presidindo.

Exatamente às 22 horas, a expectativa era de que o presidente da Câmara não fosse anunciado antes da meia noite. Esclarecimento: os deputados votam na chapa completa; presidente, dois vices, quatro secretários e quatro suplentes. Mas a apuração para presidente é feita isoladamente, anunciada, e depois então, continua com a dos outros cargos.

Finalmente, irritadíssimo, Henrique Eduardo Alves, às 22,35, dizia, “esta eleição demorou mais do que devia, dou mais 5 minutos, improrrogáveis”. Faltavam votar 4 deputados, 508 já haviam colocado o voto. Acabam votando 509.

Às 20,40, foi anunciada a eleição de Marco Maia, com 375 votos. O segundo foi Sandro Mabel, com 106 votos.

 ***

PS – Portanto, a base partidária obteve a vitória tão necessária para o governo. Mas perfeitamente dispensável para a coletividade.

PS2 – A grande reforma, que possibilitará, perdão, possibilitaria todas as outras, a política-partidária-eleitoral, não será feita.

PS3 – E mais assustador é que os “líderes” que dominam as “cúpulas”, acabem por liquidar o restinho de esperança do povo. Se não houver a renovação pelo voto, terá que haver a RENOVOLUÇÃO.

Impeachment: cada um diz o que quer

Helio Fernandes

Na série de entrevistas-reportagens (na Globo) com ex-presidentes, com três deles, que foram ex- praticamente sem começar ou terminar o mandato.

1 – Sarney, “a política só tem porta de entrada, não tem a da saída”. Sarney entrou sempre pela porta dos fundos, jamais quis sair.

2 – Fernando Collor, “o dia seguinte foi traumático, como se o mundo tivesse desabado nas minhas costas”. Compreensível a revelação do estado de espírito. E desmente Sarney: para ele a política praticamente só teve porta de saída, embora entrasse pela porta da frente.

3 – Itamar Franco, “se tivessem me pedido, eu teria organizado nova eleição”. Errou no texto e no conteúdo. Eleição não se ORGANIZA e sim se CUMPRE, se estiver na Constituição.

Além do mais, o vice Itamar Frâncio não queria outra coisa a não ser assumir o Poder. Conspirou mais do que o vice Café Filho, em 1954. Collor foi derrubado por essa imprudência de Itamar, e sua própria imprevidência.

A internet é um avanço, mas os jornais impressos estão longe da morte ou do retrocesso. O caminho das pedras da internet é a publicidade. A visível e principalmente e a invisível, jornalões mestres em “conquistá-las”.

Helio Fernandes

É um grande assunto, e mais do que isso, polêmica, debate, divisão de opiniões. Se examinarmos sem emoção ou interesse, a conclusão está toda no título destas notas. Na Tribuna impressa, em conferências e debates pelo Brasil, (mais raros do que gostaria) coloquei e dissequei a questão.

O excelente site “Comunique-se”, se aprofundou no exame, ouviu muita gente, e sabiamente publicou tudo em livro. Minha colaboração para esse livro foi expressa em 24 laudas, a maior de todas. Acho que o “Comunique-se” deveria rever tudo, republicar o livro, distribuindo-o em escolas e universidades, mesmo que precisasse de patrocinador. (Desde já estou abrindo mão de possíveis direitos autorais, ali tem muita coisa aproveitável e até indispensável, escrita por quem sabe o que diz).

O IVC (Instituto Verificador de Circulação), dominado e ligado aos grandes órgãos de comunicação, publicou números que não estão errados. São até minuciosos nos detalhes. Lógico, favorecem os jornalões, não havia concorrentes.

Não negavam a internet, mas também não faziam comparações. Isso poderia desfavorecer a comunicação tradicional (rádio, jornal, revista, televisão). O Pedro do Coutto pegou, examinou pelo outro lado, verificando o aumento da circulação, também badalado pelo IVC. Vindo na contramão do Instituto e do jornalista, examino e concluo, não deixando de lado a comparação. Como o assunto é cada vez mais importante e vasto, só pode haver conclusão com a indispensável comparação.

Existem nuances e considerações até no tempo. Antes da internet, a vida era muito menos dinâmica, sobrava espaço para muita coisa. Existiam matutinos (que estavam nas bancas à meia noite) e vespertinos (que podiam ser comprados a partir do meio dia), havia verdadeira competição.

Então, muita gente comprava 1 ou 2 matutinos e 1 ou 2 vespertinos, a circulação visivelmente enorme. Mesmo que se restringisse a compra a 1 matutino e 1 vespertino, eram dois por dia. Hoje saem todos juntos, à meia note, pela manhã quem é que vai querer VER os dois, geralmente da mesma empresa?

Às vezes tentavam se distinguir e alcançar um público diferente, cobrando muito mais barato e dando o que chamavam “notícias mais populares”, para um público que eles mesmos rotulavam de “não interessados por fatos que não fossem de crime”. Vendiam mais, a preço baixo, sem publicidade ou a preço determinado pelas agências ou diretamente entre vendedor e comprador.

(Gosto sempre de dar exemplos. O Estadão, conservadoríssimo, sempre teve um público “cativo” em São Paulo. Era o seu baluarte. Não se interessava pelo resto do país. Surgiu uma geração de jovens Mesquitas (hoje, já praticamente “sessentões”, isso tem aproximadamente 30 anos) que não se ajustavam muito bem a essa linha de comportamento.

Resolveram então lançar um vespertino, “Jornal da Tarde”. Para rodar à 1 da tarde, ser distribuído a partir das 2. Chegava à periferia com as bancas fechadas e depois precisaram (como praticamente todos os paulistas) enfrentar o gargalo do trânsito.

Perderam fortunas com a insistência de pelo menos 10 anos, o Estadão chegou a ser atingido, houve até negociação de compra e venda. Hoje, Estadão e “Jornal da Tarde” saem juntos à meia noite, duplicaram as perdas, triplicaram os prejuízos. Têm sido salvos pelos Bancos e Seguradoras, a internet não interferiu.

Com a junção de matutinos e vespertinos, estes ficaram absolutos e dominaram o mercado. Os matutinos, que fizeram história, DESAPARECERAM, dominavam a circulação e a simpatia do público, não resistiram. E eram os melhores, numa época em que o Distrito Federal chegou a ter 18 diários.

Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário Carioca, O Jornal (órgão líder associado), Diário de Notícias, (o jornal de maior circulação no Distrito Federal), todos tinham um slogan, no alto da página.

(Os vespertinos não circulavam aos domingos, os matutinos às segundas. Já brigado com Golbery, Lacerda divulgou a piada que irritou o todo poderoso Golbery: “No fim de semana o SNI não sabe de nada, os jornais não circulam”. Não surgiu mais nenhum outro jornal).

A televisão chegou ao Brasil em 1950. (trazida por Assis Chateaubriand, o maior personagem da indústria jornalística, para o bem e para o mal). Só que Chateaubriand resiste a comparações. Morreu em 1968, mas continua existindo, ao contrário dos outros, que morreram mesmo.

A televisão levou 20 anos para se consolidar, de 1950 a 1970, com a “generosidade” dos ditadores de plantão, e a subserviência dos órgãos ditos jornalísticos. Trocaram o silêncio em relação às atrocidades, preferiam o barulho das caixas registradoras. Enriqueceram, as ditaduras se prolongaram.

A internet, que surgiria muito mais tarde, não teve facilidades, principalmente porque não tinha dono (e continua não tendo), com quem fosse possível conversar. Mas os tentáculos dos “jornalistas” das grandes empresas se projetou, dominando o novo meio de comunicação. Os maiores sites, os mais frequentados, os que se multiplam de forma espetacular, pertencem aos impérios de antes. São invencíveis, a tecnologia progride e eles progridem com ela.

Na Europa e principalmente nos EUA, os senhores do mundo fazem hoje, DOIS JORNAIS. Um na internet, que vai publicando tudo em cima da hora. E outro, que sai na manhã do dia seguinte, que é vendido e comprado, como se fosse a coisa mais inédita e surpreendente. Jornalisticamente não existe o que se chamava rotineiramente de “furo”. Ninguém guarda a notícia para o dia seguinte, revela na hora e “acomoda” ou “edita” no dia seguinte.

(Ressalve-se o “jornalismo investigativo”, não praticado por muitos órgãos. Geralmente descobrem dossiês sobre corrupção, que atingem amigos, colaboradores e financiadores dos jornalões).

As grandes empresas jornalísticas aderiram em massa à internet, e conseguiram a mágica: transferiram a publicidade dos próprios órgãos para o novo veículo virtual e estão satisfeitíssimos por terem mantido uma parte volumosa, no jornal, o que parecia ultrapassado.

(Surpreendentemente quem está em dificuldades é o New York Times. Não conseguiu transferir a publicidade toda do jornal para o site, tem que vender partes de ações para bilionários, até do México, mas acabará sendo salvo).

A internet independente (como este blog) no mundo inteiro não chega a 1 por cento da repercussão dos sites dominados pelas antigas e poderosas empresas, sejam ou não sejam jornalísticas.

 O twitter, o facebook, o celular (e outras invenções que já anunciam) são pessoais, pacíficos, quase que voltados para o exibicionismo, ou para um “melhor relacionamento entre as pessoas”, logicamente importante.

***

PS – Não há dúvida, a internet é mais um armamento a serviço da coletividade. Só que não vai intimidar ou destruir o Poder dos órgãos clássicos. Este continuará existindo e progredindo.

PS2 – Os jornalões, serão beneficiados, e serão donos de tudo o que é chamado de jornalístico. Antigamente, os jornalões contratavam grandes nomes, exigiam EXCLUSIVIDADE. Hoje, você lê os mesmos colunistas, esteja em que estado estiver.

PS3 – Os jornalões se aproveitam da internet, não estão mandando jornais para a parte “lá de cima” do país, onde não existam possibilidades de negócios.

PS4 – Dizem; “Quem quiser veja o jornal na internet”. É isso. Têm agências de notícias e de fotografias, vendem para jornais do interior. Esses desaparecerão realmente, as grandes empresas ficarão “donas de tudo”.

PS5 – A internet só tem uma saída ou salvação: conseguir ou conquistar publicidade que possa ser investida. Finalmente; a internet é uma REALIDADE QUE PRECISA SER EXALTADA, mas que não preocupa, assusta ou intimida os “jornalões”.

Dona Dilma, “futebolística” como Lula?

Helio Fernandes

Assim que chegar do Peru, onde disputa o Sub-20 (a propósito, anteontem, ou melhor na madrugada de ontem, fez mais dois gols), Neymar será recebido pela presidente.

Não apenas ele, mas seu amigo e companheiro, Paulo Henrique Ganso. Nada contra, a presidente recebeu a Marta com cinco títulos de melhor do mundo. Positivo, em vez de receber Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Sarney e mais e mais.

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CEDAE: 4 EX-PRESIDENTES CONDENADOS

Só quatro? Então temos que aumentar ou localizar: são quatro até agora. Aí, bem. Deviam existir juízes de plantão para a apuração imediata dos crimes. Esses personagens que através dos tempos controlam a Cedae (Cia. de Água e Esgoto do RJ), ou são condenados ou vai tudo por água abaixo.

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KISSINGER, ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO

Essa ninguém esperava. A crise do Egito, com a tentativa de desmontar e derrubar um dos mais eternos ditadores, trouxe o antigo Secretário de Estado para as manchetes do mundo. Ele só queria isso, os imprevidentes e os amestrados fizeram o jogo dele.

Desde o fim de Nixon, em 1974, Kissinger não quebrava o próprio ostracismo. Agora saiu fugazmente, que palavra, só por uns instantes. Que ele gostaria que fossem mais duradouros.

 

Lucro do Bradesco aumentou apenas 25%?

Helio Fernandes

10 BILHÕES? Os jornalões noticiam e “choram” a desigualdade que atingiu os amigos. O lucrou aumentou “apenas” 25 por cento. O Bradesco, desavergonhadamente, deu duas razões para o resultado. 1 – Caiu a inadimplência. 2 – Aumentaram o preço dos serviços. Quer dizer: exploraram mais o cidadão. E não acontece nada?

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DÓLAR DESAFIA MANTEGA

Não sai do lugar, esteve há três meses, em 1,70, quando o Ministro da Fazenda fez uma taxação, prometeu outra para abril. Agora não sai de 1,66/1,67, com movimento fabuloso no mercado “futuro”.

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BOVESPA: MERCADO “VENDIDO”

No mesmo período, as ações estavam em 70 mil pontos, é um antro de jogatina, e não apenas no Brasil e sim no mundo todo. Como os profissionais estavam “vendidos a descoberto”, (alguns mudaram de posição ontem, apenas momentaneamente) o índice chegou a 66 mil pontos.

Luiz Fux, Ministro do Supremo

Helio Fernandes

Seu nome já foi cogitado de outras vezes, não concretizado. Agora, cinco meses depois da “expulsória” de Eros Grau, Fux será Ministro do Supremo, substituindo a indicação de outro Ministro do STJ, vetado por excesso de irregularidades.

Hoje Dona Dilma enviará a mensagem ao Senado, que vai referendá-la sem problemas. Cabralzinho, através de sua máquina de amestrados, divulga; “O novo Ministro do Supremo é indicação do governador”. Ha!Ha!Ha!

Fux é do Estado do Rio, a única ligação entre ele e o desgastado governador

As definições ficaram para hoje

Carlos Chagas

Respeitando a praxe e o regimento, bem como marcando o seu estilo pessoal, a presidente Diilma Rousseff compareceu ontem pela manhã ao Supremo Tribunal Federal, pela reabertura dos trabalhos judiciários. Não discursou, como alguns açodados chegaram a prever, simplesmente porque não lhe cabia. O presidente da mais alta corte nacional, ministro Cezar Peluso, foi o único orador, não sendo aberto espaço para o Procurador-Geral da República nem para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, como já aconteceu no passado, até  causando certo constrangimento ao então presidente Lula, que ouviu  críticas de corpo presente,  impedido de rebatê-las. Ficou melhor assim,  ontem, com o monótono relatório de Peluso.
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Um único inusitado registrou-se na ocasião:  quando do encerramento de suas palavras,  depois de propor um novo pacto federativo, o presidente do Supremo esqueceu o microfone aberto, ouvindo-se claramente o cumprimento de Dilma Rousseff, ao seu lado: “no que depender de mim, pode contar comigo”.
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O  discurso da presidente poderá acontecer hoje, quando ela comparecer à sessão conjunta do Congresso, levando pessoalmente a mensagem do Executivo ao Legislativo. Deverá ler  o preâmbulo do longo documento e, depois, é provável que se dirija  aos parlamentares para algumas definições.  Mesmo isso, porém, depende de confirmação.

TROCANDO ESPAÇO POR TEMPO    �

Demonstrou o PMDB a disposição de não dar murro em ponta de faca. Suas bancadas  votaram majoritáriamente no deputado Marco Maia, do PT, para presidente da Câmara. Seria bobagem carregarem votos  na candidatura  alternativa de Sandro Mabel,  condenado à derrota diante do rolo compressor dos partidos da base oficial. Isso significa a acomodação do PMDB à  tendência do palácio do Planalto de recusar  ao partido as nomeações desejadas para o segundo   escalão?  Nem pensar.

Os líderes peemedebistas trocaram espaço por tempo na medida em que se mostram dispostos  a dar o troco a Dilma Rousseff, caso não consigam romper a barreira do que chamam de intransigência dela  em negar-lhes  os cargos partilhados no governo Lula. Preparam-se, caso  necessário, para retirar  apoio aos primeiros projetos de interesse  do Executivo que começarão a chegar, com ênfase para o reajuste do novo salário mínimo.  Isso, é claro, se não forem atendidos nas negociações que prosseguem com o chefe da Casa Civil, Antônio Palocci.  Em suma, a guerra continua, mesmo marcada em sua primeira fase por um recuo do PMDB.

SAUDADES DAS EMOÇÕES

Foram insossas as sessões da Câmara e do Senado, ontem, pela  posse dos eleitos.  Mero cumprimento da rotina, com juramentos de respeito à Constituição e às instituições democráticas.
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Para quem tem memória e tempo de janela, dá saudade daquele clima emocional dos anos cinquenta, com o Congresso ainda no Rio e o país dividido política e ideologicamente após o suicídio de Getúlio Vargas.
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Estávamos em janeiro de 1955 e no palácio Tiradentes tomavam posse os deputados eleitos em outubro do  ano anterior. A chamada foi sendo feita e todos repetiam aquilo que seus sucessores de ontem repetiram: “assim o prometo”, referência à fidelidade à Constituição e à democracia.
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Quando chegou a vez da bancada do Rio Grande do Sul um jovem deputado, desconhecido  da mídia  da época, logo depois de prometer respeitar a Constituição,  tomou abruptamente a palavra, dirigindo-se ao presidente da mesa que dirigia os trabalhos. Acenou com o exemplar de um jornal do dia,  a “Tribuna da Imprensa” e indagou se deveria ser aceito o juramento  de um outro deputado, ainda não chamado, que pregava o golpe de estado  em artigo  de primeira página. Nome do deputado acusado de golpista,  eleito pelo Distrito Federal: Carlos Lacerda.  Nome do denunciante: Leonel Brizola.

Para encerrar, registre-se que estavam distanciados, no plenário, seguindo-se vaias e aplausos de parte a parte, mas nenhum entrevero físico.

O RETRATO DA NAÇÃO�

Nunca é demais repetir a máxima de que o Congresso é o retrato da nação. Nem melhor nem pior do que ela, com representantes de todos os segmentos e categorias sociais. Melhor que seja assim: nem apenas doutos e luminares, nem só malandros e safados. Há de tudo, entre deputados e senadores, coisa que explica a presença democrática do Tiririca, do Romário e do Popó. Aliás, eles terão muito maiores contribuições do que a maioria dos colegas, se conseguirem abrir a alma e o coração.

Empresas e órgãos públicos deviam, em 2008, 162 bilhões ao INSS

Pedro do Coutto

Os técnicos do governo – não só do atual, mas também dos que antecederam a Dilma Rousseff, sempre demonstraram uma intensa e até exacerbada preocupação com o reflexo do salário mínimo nas contas do INSS, já que 75% dos 25 milhões de aposentados e pensionistas encontram-se no piso mais baixo da escala de remuneração.

Agora mesmo, a reportagem de Cristiane Jungblut e Chico de Góis, O Globo de 25 de janeiro, revela que cada ponto percentual de aumento representa 1 bilhão de 460 milhões de reais. Por ano. Não é significativo, considerando-se que o orçamento da Previdência Social em 2010, de acordo com informação da Secretaria do Tesouro publicada na página 51 do Diário Oficial de 30 de Setembro, atingiu o montante de 257,8 bilhões. A tecnocracia atribui um peso além do normal à parcela de 1 bilhão e 460 milhões.

Entretanto, não atribui importância alguma – digo isso em face do silêncio em torno do tema – ao gigantesco montante da dívida que 730 mil empresas particulares e 8 mil e 800 órgãos públicos federais, estaduais e municipais, acumularam através dos anos para com o Instituto. Essa dívida alcançou em Dezembro de 2008 o patamar de 162,3 bilhões de reais. As empresas particulares são devedoras em 151,5 bilhões, as entidades públicas 10,8 bilhões.

A análise estatística sobre os débitos adormecidos no tempo, só parcialmente cobrados, encontra-se em relatório do próprio INSS analisado por Ricardo Bergamini. Lamenta-se, em matéria de pesquisa, apenas que ela refere-se a Dezembro de 2008. Pois hoje a dívida cristalizada certamente encontra-se em escala acima dos 162,3 bilhões. E tem que se acrescentar os parcelamentos cujas quotas mensais são recolhidas pela Secretaria da Recita federal. Falta contabilizar esta parcela. O total, portanto, será maior ainda.

Sustento isso porque Ricardo Bergamini revela que o estoque da dívida era de 138,9 bilhões em 2006, subindo para 162,3 bilhões de reais no final de 2008. Um avanço nominal de 16%. Um crescimento real de 7 pontos, já que a inflação do biênio em foco atingiu cerca de 9%. A dívida divide-se em dois andares, o de cima e o de baixo, como costuma dizer o jornalista Élio Gáspari, inspirando-se no filme Metrópolis, de Fritz Lang. O primeiro andar reúne as dívidas em cobrança administrativa, aquelas que foram notificadas e responderam às notificações, presumo. Somam 74,7 bilhões, quarenta e cinco por cento do total geral. Nesse quadro, os débitos das empresas particulares são de 59 bilhões, as de órgãos públicos 15,7 bilhões de reais.

A diferença entre 162,3 e 74,7 bilhões de reais engloba as empresas e entidades que não se manifestaram sobre a perspectiva de parcelarem o que devem. E olha que o parcelamento implantado, ainda no tempo de FHC, e mantido na era Lula, é de 120 meses. Os responsáveis que sequer responderam à cobrança provavelmente julgaram-se vítimas de uma descortesia, de uma falta de consideração. Para eles, não havia – nem há – obrigação de pagar. Na vida, dramática ironia, os que se recusam a pagar suas obrigações são paradoxalmente os que mais cobram quando se tornam credores de alguma coisa.

A vida é assim. O egoísmo e a volúpia que muitos possuem de se apoderar do que não lhes pertence eternizar-se no passar dos séculos. Fenômeno tão irreversível quanto perverso. Mas o que mais surpreende nisso tudo, em toda essa atual constelação de omissões, é o silêncio do próprio INSS. A tecnocracia pode não conhecer o relatório. Mas o INSS, que o elaborou, não pode afirmar que o ignorar. Azar dos aposentados.

Faltam humildade e cordialidade na Justiça do Trabalho

Roberto Monteiro Pinho

No dia-a-dia na especializada a partes são submetidas as mais variadas formas inadequadas de relação, o serventuário não interage, e juízes não permitem qualquer tipo de aproximação, se insistir corre o risco de ser hostilizado, sem contar que a grande maioria só trabalha terças, quartas e quintas-feiras. Não obstante o Decreto Federal n° 1.171/94 cuida da Ética do Servidor Público: IX – “A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los”. Mas quem liga para isso?, quantos serventuários já foram punidos por infringir o código?

As relações da magistratura trabalhistas com as partes são reguladas no Código de Ética da Magistratura que prevê em seu Capitulo VII, Cortesia. Art. 22. O magistrado tem o dever de cortesia para com os colegas, os membros do Ministério Público, os advogados, os servidores, as partes, as testemunhas e todos quantos se relacionem com a administração da Justiça. Parágrafo único. Impõe-se ao magistrado a utilização de linguagem escorreita, polida, respeitosa e compreensível.

Embora não exista matéria que verse sobre seu comportamento com a sociedade, existe o bom sendo. Já a Lei Complementar n° 35/79 dispõe sobre as sanções disciplinares, no seu art. 49, CAPÍTULO III – Da Responsabilidade Civil do Magistrado, Art. 49 – Responderá por perdas e danos o magistrado, quando: I – no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude; Il – recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar o ofício, ou a requerimento das partes. Portanto está claro que os instrumentos de manejo existem, e neste sentido as OABs tem procurado atuar em todo Brasil.

O processo de globalização exige maior competitividade entre as empresas, por sua vez também na relação Estado e sociedade, isso significa que necessitamos não só de uma reforma trabalhista, mas de uma reforma nos quadros da Justiça do Trabalho. Os conflitos entre o capital e o trabalho não encontram mais soluções através da tutela estatal, não bastando o ambiente medieval que se formou, somam os gravíssimos problemas de informática, constantes mutações decisórias, e o total desrespeito hierárquico dos seus quadros, que se mostra a cada dia mais inadequada para a solução dos conflitos, isso reflete nos resíduos (28% a cada ano/fonte CNJ), e 60% de execuções engessadas.

Com toda vênia, um judiciário que detém a tutela exclusiva dos conflitos das relações de trabalho, se obriga entregar a prestação jurídica para o trabalhador que bateu a sua portas, atraído pela garantia de solução da lesão contratual. Na sua origem a JT, dispensava ao trabalhador a assistência de três representantes, Estado juiz, sindicatos e Ministério Público MPT, o segundo foi dispensado, em seu lugar criaram a Comissões de Conciliação, renegadas pela magistratura.

Pressionada pela crise européia e interna, em junho de 2010 a Câmara dos Deputados da Espanha aprovou seu decreto-lei sobre a reforma trabalhista para enfrentar a crise econômica e aliviar em 20% o desemprego existente entre a população ativa. A reforma beneficiou diretamente mais de 8 milhões de trabalhadores que se encontravam em greve ou tinham um contrato de (2,37 milhões de contratos de trabalho indefinidos desde julho até o fim de 2011), trabalho temporário.

A nossa reforma trabalhista tramita há 16 anos no congresso e não tem previsão para ser votada. A CLT embora reúna artigos de suma importância, é necessário que se faça uma revisão, semelhante a um “enxugamento”, (a exemplo do que ocorreu na Espanha) deixando muitos de seus dispositivos para a negociação entre empregado e empregador. Concedendo as entidades sindicais, maior poder de negociação, fortalecendo a representação dessas entidades, exigindo responsabilidade e comprometimento no trato dos interesses de seus representados. E no conjunto de medidas estabelecer rigorosa jurisprudência, para as decisões jurídicas, adequação a prestação dos serviços do jurisdicionado junto à sociedade (relações), treinamento de juízes, para afinar o trato com as partes e a reforma trabalhista, ainda assim podemos prever que a JT venha responder as reivindicações da sociedade leiga.

A reeleição de Sarney

Helio Fernandes

Novamente presidente do Senado, a consagração. Teve 70 votos, praticamente inédito. Importantíssimo: compareceram os 81 senadores, ninguém queria deixar de participar da glória do homem que assumiu no Maranhão para acabar com os 40 anos de Vitorino”.

Já está com 46, ninguém reclama, nem aparece substituto. A filha sempre GANHA o cargo de governador, mesmo quando PERDE. Substituição? Só por algum neto.

Atentado a Vargas na Rio-Petrópolis. Ele desistiu à última hora, morreram todos no carro, menos Dona Darcy, que quase perdeu as duas pernas e a vida, salva por Pedro Ernesto.

Antonio Santos Aquino: “Hélio, três coisas no teu artigo me chamaram a reflexão. Primeiro – É verdade que Pedro Ernesto evitou (usando o bisturi elétrico, eliminando tecidos necrosados), que Dona Darcy tivesse que amputar uma perna. Segundo – É muito difícil acreditar que Getúlio tenha exigido de Pedro Ernesto uma carta renunciando por antecipação, uma possível candidatura três anos depois. Principalmente, esta carta passando pelas mãos de Oswaldo Aranha, que escrevia de próprio punho, sobre, todos os acontecimentos.
Escrevia para sua esposa dona Vindinha, para seu pai, sua mãe, seus irmãos, seus cunhados, falando sobre todos os acontecimentos. Depois de sua morte, seu arquivo, mostrou-se gigantesco. Era um hábito, muito arraigado que tinha. Escrever de próprio punho sobre todos os acontecimentos que tomava parte. Até dos campos de batalha escrevia. Acho que uma carta dessas, sobre Pedro Ernesto, ele não deixaria de registrar em qualquer lugar. Naturalmente, você como profissional da informação, tem fontes que outros não têm.
Terceiro – Sobre o atentado. Veja, agora mesmo, uma tragédia abateu-se sobre Petrópolis. Causa: Desbarrancamento, deslizamento de terra, rolamento de pedras de todos os tamanhos. É difícil acreditar em um atentado, com uma pessoa ou algumas pessoas, empurrando uma pedra de 200 quilos, para, rolando de ladeira abaixo em ziguezague, atingir um carro a trezentos metros de distância, que sobe uma estrada em aclive. Desculpa, não tenho como acreditar.”

Comentário de Helio Fernandes:
É impressionante, Aquino, como você sabe das coisas. Embora muitas vezes não acredite nelas, contradiga ou contrarie a você mesmo. De qualquer maneira, retifiquemos e complementemos alguns fatos, sem discordar de você, respeitando a lógica e as três reflexões principais, como você dividiu.

Concordou com a participação do então prefeito eleito do Distrito Federal, Pedro Ernesto, que segundo você, teria evitado a amputação de uma das pernas da extraordinária Primeira-Dama. Foram as duas, Aquino, e o aparelho que você disse que ele utilizou, não havia nem sido inventado naquela época.

Vargas não EXIGIU que o então grande amigo escrevesse carta DESISTINDO DE UMA ELEIÇÃO QUE SÓ SE REALIZARIA DENTRO DE 3 ANOS. Faltava apenas 1 ano para o 3 de outubro de 1938, data marcada para a eleição.

Prestes foi preso em março de 1936, Pedro Ernesto em julho/agosto do mesmo ano. Ficou na cadeia até maio de 1937, quando ganhou força o movimento para libertá-lo. Portanto, 1 ano depois, a eleição, e quem dizia ou esperava que a primeira eleição direta da República iria se realizar?

Depois de escrever a carta e entregá-la a Osvaldo Aranha, em setembro, Prestes deixou a prisão, mas inteiramente aniquilado. E nessa época já existiam dois candidatos “aprovados” por Vargas. De oposição, Armando Salles de Oliveira, e do governo, Ha!Ha!Ha!, José Américo.

Enquanto isso, o Ministro interino da Justiça, Negrão de Lima, percorria o país, “convidando” os governadores a apoiarem o “Estado Novo”. Apenas três não concordaram, Lima Cavalcanti (Pernambuco), Flores da Cunha (Rio Grande do Sul), Juracy Magalhães (Bahia). Não me aprofundarei nesse fato, mas em outra oportunidade o farei, é fascinante.

Os outros 18 aceitaram, veio a ditadura de 37, Negrão de Lima foi feito embaixador. Ainda não existia oficializada, a “carreira” diplomática, o Rio Branco só seria criado em 1938, a turma inicial sairiam em 1941.

Quanto a Osvaldo Aranha, Aquino, é possível encontrar outro jornalista que tivesse a admiração que eu tinha por ele, mais é impossível. Foi um estadista verdadeiro, não chegou a presidente porque Vargas não deixou. Não sobrava espaço para ele. Basta dizer o seguinte, rapidamente.

Depois de 30, Aranha ocupou praticamente todos os ministérios, começando pela Justiça, em 1931, Fazenda, Exterior, tudo, tudo. Apoiava sempre Vargas, às vezes divergia, numa dessas divergências mais fortes, Vargas disse a Osvaldo Aranha: “Preciso de você como embaixador nos EUA”. Aranha foi, sabia que era apenas “figuração” de Vargas.

Depois de derrubada a ditadura, dois homens investigados, absolvidos e exaltados. O próprio Aranha, Embaixador na ONU, que presidiu em 1948. E o grande Henrique Dodsworth, professor duas vezes catedrático do Pedro II, Prefeito do Distrito federal de 1937 a 1945, Embaixador em Portugal. É rotina dizer, mas tem que ser dito: “Honra ao mérito”.

Quanto ao fato de você dizer que entre milhares de cartas, artigos, documentos diversos do arquivo do grande estadista, não conste (ou constasse) a carta de Pedro Ernesto exigida por Vargas. A resposta está no teu próprio texto: “Eram milhares de documentos”, a carta poderia ter passado desapercebida. Ou extraviada.

Agora, o atentado propriamente dito, que você colocou como o último capítulo da tua notável correspondência. Existe a VERSÃO da História, que não pode ser desmentida, a VISÃO de Helio Fernandes e a tua, Antonio Santos Aquino, que pode ser discutido, debatida, contraditada.

Vargas “herdou” de Washington Luiz a paixão por Petrópolis. Sendo gaúcho, o calor do verão carioca, insuportável. Gostava de ir de carro aberto, um conversível belíssimo, que ficou anos guardado como relíquia. Ia nos fins de semana, quando podia, já “subia” nas quintas-feiras.

No dia do atentado, era uma quinta-feira, teve que cancelar a ida, compromissos presidenciais; Comunicou a Dona Darcy, avisou: “O Gabriel Monteiro da Silva (Chefe da Casa Civil) vai com você”.

No ponto mais alto da Rio Petrópolis, (880 metros, o carro naturalmente diminuía a marcha, Getúlio não gostava que fossem em velocidade), um grupo de 12 pessoas, deslocou uma pedra enorme, com mais de 200 quilos, e deixou-a bem na beirada. Bem informados, bastava que confirmassem a saída do carro, rolariam a pedra, que teria que atingir o centro do carro.

Não souberam que Vargas desistira (aí é apenas suposição), continuariam o plano ou esperariam nova oportunidade? Na hora estipulada, iam sendo avisados, despencaram a pedra, que caiu dentro do carro. Morreram todos, só Dona Darcy escapou, nas circunstâncias que já contamos.

O Chefe da Casa Civil, Gabriel Monteiro da Silva, que estava no lugar que seria ocupado por Vargas, morreu na hora. Na frente, o motorista, esmigalhado. E ao lado dele, o Ajudante de Ordens de Vargas, um Primeiro-Tenente do Exército, também não teve mais de um minuto de vida.

 ***

PS – As consequências. O Chefe da Casa Civil foi substituído por Lourival Fontes, um dos homens mais versáteis e de maior talento daquela época. Mas sem nenhum caráter, escrúpulo, lealdade. Ficou sendo poderoso personagem. Mas quando Vargas já estava sendo questionado, em 1945, pediu a Vargas para nomeá-lo Embaixador no México. Foi. Quando Vargas se elegeu em 1950, voltou para o cargo antigo.

PS2 – O novo Ajudante de Ordens de Vargas, foi um Capitão-Tenente, Ernane do Amaral Peixoto, irmão de outro oficial de Marinha, Augusto Amaral Peixoto, um dos líderes da revolta do encouraçado São Paulo, em 1922. (Aqui, nenhuma palavra. Se Aquino é informadíssimo em vários setores, o que dizer da sua própria base, a Marinha?)

PS3 – Insinuante, agradável, bom conversador (como sua carreira política, militar e eleitoral provaria), Amaral Peixoto logo começaria a namorar Alzira, uma das filhas de Vargas. Ela acabara de se formar em Direito, um colega de turma, o jovem Walter Moreira Salles. (Alzira e Enane não demoraram a se casar, casamento que durou 50 anos).

PS4 – Esse jovem Moreira Salles havia herdado um tamborete (como se dizia na época) em Poços de Caldas. Por causa da amizade com Alzira Vargas, fez notável carreira, (Diretor do Banco do Brasil, presidente da SUMOC, ainda não havia o Banco Central, Ministro da Fazenda, Embaixador nos EUA), que cargos e que fortuna. Das maiores da época.

PS5 – Para terminar, Aquino. Se alguém me perguntasse: “Helio, você acredita que 12 pessoas podem movimentar uma pedra, jogá-la pela ribanceira e cair exatamente no meio de um carro, a 300 metros de distancia, matando todos?”

PS6 – Como você, Aquino, é evidente que nem responderia. Mas como desdizer ou desfazer da História? Tudo o que está aí é fato, fato, com nomes e tudo. Um abraço.