Considerações e confissões de Helio Fernandes

Primeiro e o mais rapidamente, para Antonio Santos Aquino: você não está nem estará proibido de participar, e ainda mais por mim. Espero ver logo matéria tua dizendo: “Vargas foi um estadista e não um ditador”.

O que é impossível: dizer que eu menino, ainda no curso primário da maravilhosa ESCOLA PÚBLICA, (agora desaparecida) COMBATIA VARGAS. (Tenho que rir). Em relação ao que publiquei contestando o que você escreveu, não foi um nome, foi a “montanha de informação” que você mandou.

Quanto ao resto, abraços, e parabéns pelos 8 anos de colaboração.

Se algum dia a União pagar a indenização à Tribuna, continuaremos com o blog e o jornal. Mas já considero que mesmo o Supremo CONSIDERANDO QUE A AÇÃO DA TRIBUNA TRANSITOU EM JULGADO, os 31 anos decorridos, continuarão “decorridos”.

Sérgio Porto-Capistrano de Abreu
e a restauração da moralidade

Desde o início, este repórter sabia das duas coisas a respeito da frase sobre a restauração da moralidade, ou então distribuir os resultados da imoralidade para todos.

1 – Quando Sergio Porto, (se tornando mais famoso, na própria Tribuna da Imprensa, como Stanislaw Ponte Preta) publicou a frase tão contestada e agora disputada, teve a grandeza e o desprendimento de dizer que o autor era Capistrano de Abreu.

2 – A expressão foi tão utilizada por ele, tão repetida, que passou a ser o VERDADEIRO CRIADOR. Se pagassem royalties, ele é que deveria receber. Como surgiram os nomes do Barão de Itararé, do Millor, do Graciliano Ramos, e não sei quem mais poderá aparecer, reconheço: Capistrano criou, Sergio Porto popularizou.

Conversa com leitores: a verdade sobre Getulio Vargas, o ditador que guardava ódio no freezer (royalties para Tancredo Neves)

Antonio Santos Aquino:
“Helio, há 6o anos combates Getúlio, mesmo ele tendo se suicidado há 56 anos. Este ódio contra Getúlio teve dois personagens em sua linha de frente. Carlos Frederico Werneck de Lacerda e Afonso Arinos de Melo Franco. Sem esquecermos que O pai de Lacerda, Maurício de Lacerda foi ministro plenipotenciário para os “Países do Prata” da Revolução de 1930, nomeado por Getúlio. Com a prisão de seus dois irmãos, Paulo e Fernando, que sendo comunistas, faziam uma propaganda ostensiva nas fábricas do DF. Maurício foi para oposição. Surge então o jovem Carlos Lacerda que desde aquele momento, movido por um ódio incomensurável,combateu Getúlio e seus seguidores de maneira implacável, diuturnamente, usando de todas as armas; envenenando todos os fracos que encontava pela frente, trazendo-os para sua causa. Com uma personalidade insinuante,um poder de convencimento ímpar, penetrou em quartéis, bases e navios,conquistando a confiança de parte substancial das Forças Armadas(a UDN Militar). Também dos americanos ganhou confiança.Combateu Getúlio até seu suicídio. O pai de Afonso Arinos era o Embaixador Afrânio de Melo Franco, nomeado por Getúlio. A família Melo Franco fez dissidência quando da morte do presidente de Minas. Esperavam que Getúlio nomeasse Vírgílio de Melo Franco que tivera papel importante na revolução de 1930, mas Getúlio nomeou Benedito Valadares. Afonso Arinos, como Lacerda foi adversário feroz de Vargas até sua morte por suicídio. SÓ PARA LEMBRARMOS: Lacerda depois da morte de Getúlio nunca mais fez comentários sobre ele. Diz em seu livro que rezou quando soube do suicídio de Getúlio. Afonso Arinos só vinte anos depois deu uma entrevista a Tribuna falando de Getúlio. No depoimento mostra arrependimento do discurso que fez contra Getúlio e em suas memórias pede que excluam seu prununciamento na câmara, que ele entendia ter motivado o suicídio de Vargas. Esta é uma página da história que não tem contestação”.

Comentário de Helio Fernandes:
Depois de uma porção de bobagens que publica há anos, o senhor Antonio Santos Aquino volta a citar fatos mais ou menos verdadeiros, só isso, mais ou menos:

1 – Diz que “o pai de Afonso Atinos foi nomeado embaixador por Getúlio”.

2 – Diz que “a família Melo Franco fez dissidência , quando da morte do presidente de Minas. Esperavam que Getúlio nomeasse Vírgílio de Melo Franco, mas ele nomeou Benedito Valadares”.

3 – Diz que “Afonso Arinos só vinte anos depois deu uma entrevista a Tribuna falando de Getúlio”.

4 – Diz que “em suas memórias, ele pede que excluam seu pronunciamento na Câmara, que ele entendia ter motivado o suicídio de Vargas”.

5- Diz que “esta é uma página da História que não tem contestação”.

Coloquei a numeração de 1 a 5 nas afirmações de Aquino, para respondê-las uma a uma, mostrar como sabem pouca coisa de quase tudo.

Não gosto de resposta pessoal, que leva sempre à baixaria. Apesar da minha forma de expressão ser a palavra escrita e a palavra falada, tive muito menos tempo do que desejava para exercer as duas. Sempre diziam, “o Helio combate demais, é impossível manejá-lo ou enfrentá-lo”.

Concordo que gosto do combate a “céu aberto”. Se tivesse vivido no romantismo da Idade Média, teria que acordar muitas vezes antes do sol nascer, para travar duelos na Quinta da Boavista. Na verdade, segui apenas os ensinamentos do Apóstolo Paulo, “travei o bom combate”.

Nada de ataques, de represálias, de desvios e utilização de alvos privados, mesmo tendo sido atacado e atingido como fui e como pode se constatar no que transcrevi, escrito (?) pelo senhor Antonio Santos Aquino.

O senhor Antonio Santos Aquino, lamentável e melancolicamente, errou de endereço, devia escrever para os herdeiros de Lacerda e Afonso Arinos. Nessas conversas que tenho mantido, com diálogos, perguntas e respostas sobre Getulio Vargas, os dois homens públicos citados pelo senhor Aquino, não apareceram nenhuma vez.

Também não sou porta-voz nem de Lacerda nem de Afonso Arinos, e portanto ele não deveriam ser incluídos no texto. (Num dia de falta de assunto, o grande cronista Ramalho Ortigão escreveu vagamente, não se referia a ninguém especifica ou nominalmente. Alguém, querendo se exibir (seria o senhor Santos Aquino da época) apareceu respondendo ao texto, Ortigão fulminou: “Saia do meu personagem, o senhor não é meu personagem”. Podia fazer o mesmo, não gosto do desapreço, que é parente próximo do desprezo, mas vou responder, colocando as coisas nos lugares.

Não tenho 60 anos de ódio a Vargas nem a ninguém. Não tive nem tempo. Quando Vargas NASCEU politicamente em 1930, eu era um jovem estudante, fazendo admissão no Pedro II, tendo a sorte ou a felicidade de ter professores como Raja Gabaglia, Antenor Nascentes e Euclides Roxo. Vargas MORREU politicamente em 1945, eu estava nascendo jornalisticamente.

De 1930 a 1945, não tive nem poderia ter mesmo, nenhum contato ou diálogo com Vargas. Depois, já não me interessava, só podia ser profissionalmente, e o político profissional Getulio Vargas perambulava ou divagava entre as salas do Palácio do Catete, tão solitário e abandonado, que muitos se surpreenderam com a sua presença na reunião ministerial do dia 23 de agosto, véspera do suicídio. E quem comandou a reunião não foi Vargas e sim o general Zenobio, ávido de se ver livre de tudo.

Portanto, como posso ter ódio de 60 anos, a alguém com quem jamais falei? Também não fui amigo i-n-c-o-n-d-i-c-i-o-n-a-l e publicamente de ninguém. A partir de 1947, depois da Constituição terminada, conheci Afonso Arinos de Melo Franco. Ele não foi eleito em 1945, ficou como segundo suplente de deputado.

Em 19 de janeiro de 1947, se realizaram eleições para governadores e as constituintes estaduais. O deputado Milton Campos, eleito governador de Minas, renunciou, abriu uma vaga. Convidou o deputado Magalhães Pinto para secretário de Finanças, outra vaga. Afonso assumiu e logo se destacou.

Foi meu primeiro grande trabalho jornalístico, cobertura para a revista O Cruzeiro. Conheci então Carlos Lacerda, numa bancada de 17 jornalistas. Mas minha grande admiração ali não foi Lacerda e sim Prudente de Moraes neto, das maiores figuras que este país já teve.

Lacerda foi o maior parlamentar que conheci. Mas o discurso mais importante que ouvi até a mudança da capital, foi de Afonso Arinos, naquela noite mágica, metafórica e iluminada, da véspera do suicídio.

Jamais fui porta-voz deles, que tinha mandatos e púlpitos para dizerem o que quisessem. Às vezes não diziam porque  não queriam, não interessava. Eu, por ordens superiores, não conseguia ser nem o porta-voz de mim mesmo. Trágico, dramático, surrealista, mas rigorosamente verdadeiro.

Eliminada a parte dispensável e intransferivel, mostremos a fragilidade das afirmações “históricas” do senhor Aquino. Ha!Ha!Ha!

1 – O pai de Afonso Arinos, (por que não dar o nome, Afrânio) jamais foi embaixador. Ministro da Viação de Wenceslau Bras, de 1914 a 1918, foi chamado pelo então presidente eleito Rodrigues Alves, que o confirmou no cargo. Em 1930, foi ministro do Exterior (chanceler), nomeado por Osvaldo Aranha, Flores da Cunha, João Neves da Fontoura e o filho Virgilio, esses os “grandes” do movimento,

É possível até que, burocraticamente, Vargas assinasse alguma coisa, era Chefe do Governo Provisório. Mas não escolhia.

2 – A família Melo Franco não abriu dissidência alguma, Vargas é que guardava ódio no freezer, como diria Tancredo 30 anos depois. E se vingou logo, logo, quando morreu no cargo, no final de 1932, o presidente de Minas, Olegário Maciel. (Por que não dizer o nome dele?).

Virgilio queria ser nomeado e Gustavo Capanema também. Quem tratava com Vargas, à distância, era o ex-presidente de Minas, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, descendente do Patriarca.

Um dia, Vargas telefona pessoalmente (tinha horror a telefone, mas não queria que soubessem) para Antonio Carlos, pede, “venha a Catete, traga uma lista dos candidatos a presidente do estado”.

Grande líder, conversou com todo mundo, fez uma lista com 5 nomes, lógico, incluindo Virgilio e Capanema. Se hospeda no Hotel Glória, (a 100 metros do Catete), Vargas marca hora com ele. Vai, entrega a lista. Vargas lê, diz, “magnífica”. Fala, olhando para Antonio Carlos: “Coloca aí o nome de Benedito Valadares, para ficar um número certo”.

Antonio Carlos vai embora, imediatamente todos sabem: “O novo presidente será o prefeito do pequeno município de Pará de Minas, Benedito Valadares”. Foi, ninguém duvidava.

3 – Afonso Arinos deu muitas entrevistas à Tribuna, mas seu arrependimento foi quase imediato, Tendo se reconciliado com a família Vargas (por intermédio da filha Alzira) cortou tudo a respeito do discurso, tanto na Câmara quanto no Senado.

4 – Não tem nada nas “Memórias”. O filho embaixador, quando foi escrever sobre o pai, é que descobriu o que este repórter já publicara, AUTORIZADO.

5 – Pretensiosa mas histrionicamente, Aquino afirma que o que diz “é página da História, não pode sofrer contestação”. Ha!Ha!Ha!

***

PS – A História é contestada pela própria Historiografia. Se não fosse assim, não existiriam dezenas e até centenas de livros, sobre o mesmo assunto, e até o mesmo personagem.

PS2 – Rui Barbosa dizia, depois de perder mais uma disputa pela Presidência, em 1919: “Nem despeito nem ódio. A vida tem duas portas, a da entrada, pelo nascimento, a da saída, pela morte”.

PS3 – Minha admiração por ele, infinita e interminável. “Só esqueceu de lembrar” que em 73 anos de existência, deixou distante o nascimento e a morte.

Um plantinha tenra

Carlos Chagas

Terão seu registro negado os condenados por colegiados, leia-se, por tribunais, quer dizer, na segunda instância do Judiciário. Somarão 25% dos pretendentes às eleições de outubro, como supôs o senador Demóstenes Torres,  presidente da Comissão de  Constituição e Justiça? Tomara que sim, mas não parece fácil. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Ledwandowski, já declarou que a proibição vale para as condenações praticadas depois da promulgação da lei da ficha-limpa, ou seja, após o presidente Lula sancioná-la e em seguida à sua publicação no Diário Oficial.

Senão  uma ducha de água fria, ao menos um balde de decepção acaba de ser virado no plenário do Senado, interrompendo a euforia anterior. Mesmo assim, valeu a iniciativa  parlamentar, iniciada numa subscrição popular e aprovada pela Câmara. O futuro Congresso deverá ser o último a apresentar  razoáveis percentuais de fichas-suja. Pode valer o mesmo para certos governos estaduais.

Otávio Mangabeira dizia ser a democracia uma plantinha tenra que devia ser regada todos os dias. Estava certo. Desde a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney que o país respira normalidade institucional,  uma constante desde 1985,  não obstante traumas variados. Muita gente imaginou a hipótese de uma ruptura,  ironicamente gerada por excesso de democracia, ou seja, pela eleição de um operário que adquiriu tanta popularidade a ponto de ser sugerida sua continuação no poder. O terceiro  mandato do Lula equivaleria à implosão do processo, mesmo se fosse aprovada pelo Congresso. Coube ao próprio presidente cortar o mal pela raiz, lançando sua candidata e antecipando a campanha sucessória. Pelo jeito, agiu conscientemente, para desfazer ambições e ilusões imaginadas por companheiros. Mesmo sujeito a multas impostas pela Justiça Eleitoral, está de regador na mão.

Terrorismo e armas nucleares

Criou polêmica o senador Cristóvam Buarque ao afirmar a fragilidade do argumento utilizado pelas grandes potências, de que se dispuser da bomba atômica, o Irã seria capaz de cedê-la a grupos terroristas. Disse o ex-governador do Distrito Federal que o terror prefere métodos mais simples, nem por isso  menos execráveis, carentes os seus líderes da sofisticada tecnologia de mísseis  sucedâneos.

Do jeito que as coisas vão, logo os artefatos  nucleares  caberão numa mala capaz de ultrapassar fronteiras e viajar pelo mundo. A literatura de ficção política não anda assim tão longe da realidade. Recomenda-se a Cristóvan Buarque, se tiver direito a algum ócio, durante o recesso parlamentar, que leia “A Soma de Todos os Medos”, de Tom Clancy…

Estrilo

Estrilou o presidente Lula, em encontro com prefeitos de todo o país, diante da aprovação pelo Congresso do projeto que extingue o fator previdenciário. De onde o governo vai tirar os muitos bilhões para enfrentar essa despesa adicional? – perguntou o presidente, acusando deputados e senadores de votarem propostas eleitoreiras.

Com todo o respeito, o problema não é de caixa. Caso o Banco Central reduzisse apenas 1% nos juros, o tesouro nacional deixaria de entregar dezenas de bilhões aos especuladores daqui e de fora que compram títulos públicos. Outras alternativas  existem. Só  não dá para entender porque  sacrificar os aposentados, aliás, desde o governo Fernando Henrique que eles vem sendo esbulhados.

Vai licenciar-se?

Em junho o PMDB formaliza a indicação de Michel Temer como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Dilma Rousseff. A pergunta é se,  em plena campanha, manterá a dupla presidência de que dispõe? Continuará como presidente da  Câmara, dirigindo os trabalhos, ou solicitará licença? Mais complicada ainda será sua permanência na presidência do PMDB. Ambas as atividades parecem incompatíveis com a condição de candidato por simples questão de tempo disponível e de liberdade de ação. Na Câmara, promoveria a votação de projeto prejudicial ao governo? No PMDB, daria força a grupos estaduais  em choque com o PT?

Serra não deve depender de Aécio na vice

Pedro do Coutto

Em sua coluna no Estado de São Paulo, edição de 19 de maio, brilhante como sempre, Dora Kramer analisa a aflição que toma conta da campanha de José Serra para que Aécio Neves aceite ser o candidato a vice em sua chapa e também como pretendem agir o DEM, o PSDB e o PPS em resposta ao uso do horário eleitoral do PT, pelo presidente Lula, para fazer propaganda direta da candidatura Dilma Roussef.

No que se refere à aflição dos articuladores de Serra, na mesma edição do jornal foi publicada matéria assinada por Cristiane Samarco. Vamos por partes. Em primeiro lugar, o nervosismo em torno da aceitação por parte de Aécio em disputar a vice acentua uma boa dose de insegurança que está envolvendo a caminhada dos tucanos, no fundo condicionando o êxito de uma candidatura presidencial àquele que consideram ideal para companheiro de chapa. Esta atitude reflete negativamente para o candidato à presidência. Um sinal de fraqueza, dependência eleitoral.

Um candidato – me disse JK em 1960 numa entrevista para o Correio da Manhã – tem que se afirmar por si, romper a marcha, ir em frente. Os apoios vêm a seguir. O candidato não pode depender previamente das adesões que pretende atrair e conquistar, As adesões aparecem em função de sua presença, de sua força. Não são as adesões que tornam uma candidatura forte. E sim o contrário: é uma candidatura forte que arregimenta os apoios. JK falava sobra a candidatura do General Lott, que perdeu a eleição para Jânio Quadros.

Mas seu raciocínio contém uma verdade política eterna e se aplica à posição de José Serra, hoje. Enquanto seus principais articuladores se preocuparem com a decisão final do ex governador de Minas, Serra perderá espaço. Perderá espaço porque a opinião pública, ainda que indiretamente, percebe a dependência. E a dependência é sinal claro de fraqueza. José Serra, está evidente, perdeu terreno nas pesquisas, mas nem por isso os responsáveis pelo encadeamento de sua campanha devem publicamente se voltar para Aécio como se  este fosse o salvador de uma candidatura que sofreu um rebate, ao ser ultrapassado pela adversária. É só comparar as situações: Serra emprenhado pelo apoio que o vice possa acrescentar. Para Dilma Roussef, a importância do vice está apenas no tempo de televisão (5 minutos) que o PMDB irá acrescentar. Tanto faz ser Michel Temer como qualquer outro.

Mas há poucas linhas eu falei em salvador, portanto em salvação. Palavras muito usadas em contextos religiosas cristãos. Não creio que sejam positivas. Afinal, se alguém vem nos salvar, é porque tacitamente reconhecemos que estamos em perigo ou envolvidos num ambiente ruim e perigoso. Ninguém busca salvação se não estiver em situação de risco.

Passemos à reação prevista para o DEM, PSDB e PPS, segundo Dora Kramer. Cada um dos três partidos vai usar 10 minutos de televisão nos dias 27 de maio e 17 e 24 de junho. Devem responder a Lula e Dilma na mesma moeda, ultrapassando os limites da lei eleitoral, como Lula e Dilma ultrapassaram. Acontece que não terão a seu lado a popularidade do presidente da República. E aí está a diferença maior desta campanha pela sucessão. Portanto vão ter quer buscar novos argumentos, novas posturas, novas afirmações para motivar o eleitorado. Esperemos. Vamos ver o que vai acontecer.

Timoteo está arrumando as malas para voltar a Brasília

Um  dos maiores ídolos da música popular, Agnaldo Timóteo, que hoje é vereador na capital paulista, se animou e vai sair candidato a deputado federal pelo PR. Muito amigo de Lula, que o recebe no Planalto sempre que Agnaldo vai a Brasília, o dublê de cantor e político já tem longa carreira eleitoral, iniciada no PDT. Foi vereador no Rio e deputado federal pelo Estado do Rio. Agora, no PR, é um dos favoritos para a disputa de um lugar na Câmara Federal.

Os palanques presidenciais tumultuam e confundem as sucessões estaduais. 130 milhões iludidos e enganados. Exemplo: votam em Gabeira, que sempre foi PT-PV, elegem cabralzinho ou garotinho

Esperamos tanto por esta eleição de 2010, agora não temos a menor condição de entendê-la, desvendá-la, analisá-la, qualquer que seja o ângulo ou o horizonte em que nos coloquemos. Não é que seja a eleição mais complicada, disputada, dificultada. Essas palavras, adequadas, mas não inéditas nas sucessões brasileiras.

É bem verdade que pela primeira vez, querendo ou não querendo, gostando ou não gostando, teremos a chamada eleição plebiscitária. Não porque Serra ou Dilma representem alguma tendência que se aproxima do que deseja a comunidade (também chamada de SOCIEDADE pelo “ficha limpa” Romero Jucá, Ha!Ha!Ha! Romero Jucá), mas porque as legendas só são concedidas aos “iluminados” das cúpulas partidárias.

(Não esqueço de Marina Silva e Plínio Arruda Sampaio, mas eles estão fartos de conhecer o processo político-eleitoral do país. Candidatos com excesso de espírito ético e cívico, sabem que agora, no início das pesquisas, aparecem com 6 ou 7 por cento dos votos, que irão diminuindo à medida que a eleição for se aproximando. Uma pena.)

E como a eleição será decidida entre Serra e Dilma, a influência dos dois sobre os estados, enorme e cada vez mais importante. Então, se trava a batalha ou até mesmo a guerra pelos “palanques”.

As combinações mais espúrias e mais esdrúxulas são realizadas, sem que alguém (leia-se: Serra ou Dilma) tenha o menor receio de ao subir nesses palanques, sofrer uma queda, não física, mas ética, moral e cívica. Com estas três palavras, nem se incomodam.

Com isso, torpedeiam, enlameiam, complicam, desvirtuam e contaminam (royalties para o procurador-geral da República) as eleições estaduais. Das quais surgirão governadores, 2 senadores, deputados federais e estaduais.

Todos escolhidos no mesmo dia, mas por coligações que não deveriam existir de maneira alguma. O Tribunal Eleitoral tem se limitado a trocar de governadores, expulsando o que ganhou e empossando o que perdeu, sabendo que todos participavam do mesmo processo.

Agora, com esses acordos estaduais, o cidadão-contribuinte-eleitor acredita que está votando num candidato, numa legenda, numa ideia ou numa esperança, e simplesmente está referendando um acordo do qual não participou. E que representa exatamente  o contrário do que esperava.

Posso dar 26 exemplos estaduais, um para cada unidade da Federação. Excluindo naturalmente Brasília, que não é exemplo e sim contradição. Exemplo mesmo é o Estado do Rio. Fernando Gabeira, que apareceu como cidadão capaz de restaurar a moralidade e a eficiência da administração, naufragou antes mesmo de entrar no mar.

Gabeira desmentiu Sergio Porto (“Restaure-se a moralidade, ou todos se locupletem”), recitou sua “poesia”, exatamente ao contrário: “Todos se locupletem, para que não se restaure a moralidade”.

Assim, aderiu ao PSDB do Rio, que junto com o DEM, forma a dupla mais indefensável e mais desmoralizada do Estado e do Rio capital.

“Deixou” o PV, que no Rio não era nada melhor. Quando o jornalista Carlos Newton (editor deste blog) denunciou irregularidades monstruosas no partido (isso começando na Tribuna impressa e acabando aqui), todas as lideranças desse PV do Rio-Estado do Rio, tiveram oportunidade de defesa.

Gabeira recusou, dizendo textualmente: “Não posso falar, isso prejudicará minha campanha para prefeito”. Até o presidente do partido confirmou as denúncias, era realmente impossível desmenti-las. Fez “acordo” com o TSE, repôs o dinheiro desviado, pagando com recursos do próprio Fundo Partidário (leia-se: dinheiro público, repassado ao PV).

No rastro dos números de 2008, Gabeira apareceu como candidato a governador para 2010. mas impensadamente enganou o cidadão-contribuinte-eleitor, se definindo contraditoriamente, ora para governador, ora para senador, complicando e decepcionando a todos.

Depois de muita hesitação, garantiu, sem convencer ninguém nem a ele mesmo: “Serei candidato a governador do Estado do Rio”. Só que revelando insegurança a cada passo, mostrou que não precisava de tanga e sim de bengala.

Inicialmente provocou protestos gerais, “confirmando” Cesar Maia, como candidato a senador junto a ele. O ex-prefeito, que deixou como “grande realização” a inacabada e dispendiosa “Cidade da Música”, apresentava duas irresponsabilidades. Era impensável como companheiro de chapa de um candidato que pregava a reabilitação da administração e da participação na vida pública. E tinha acordo firmado com garotinho, já lançado candidato a governador.

A revolta foi geral, Gabeira aí, errou (outras duas vezes) e mais gravemente. Veio a público, vetou Cesar Maia (que ele mesmo revelara e ratificara), dizendo que pelo passado, o ex-prefeito não podia ser senador com ele. Percorrendo um caminho cheio de erros e tropeçando nos mais diversos obstáculos, voltou atrás novamente e atropeladamente, “aceitou” Cesar como “companheiro”, apesar de ter condenado explicita e expressamente seu nome.

Mas Gabeira continuava a sinalização errada em relação a Cesar Maia, seu GPS eleitoral, ético e político, não funcionava. Estando apoiado pelo PSDB de FHC e da empresa “Marcello Alencar & Filhos”, achou que para agradá-los devia praticar intensamente o retrocesso.

Assim, como Cesar Maia é do DEM, aliado moral, natural, conjuntural e estrutural do PSDB, o ex-prefeito exigiu que pressionasse Gabeira para reincluí-lo na chapa. Fizeram o que ele exigia. Gabeira aceitou sem qualquer dúvida. E o cidadão-contribuinte-eleitor, que decidira que votaria em Gabeira pelo seu presente, terá que votar em Cesar Maia, apesar do seu passado.

Os mandatos do ex-prefeito não ficaram marcados apenas pela “Cidade da Música” e outras irregularidades. Começaram com o belo apartamento em São Conrado, doado (e recebido) em troca da autorização para a construção ILEGAL do prédio. Para conversar com ele, Gabeira deve ligar logo o taxímetro. (Pois desse tipo de transporte, Cesar entende como ninguém).

***

PS – cabralzinho e garotinho vibram com Gabeira. Da forma como vem agindo, mostra que abandonou a vontade de ser governador. Ainda não decidiu quem apoiará no segundo turno.

PS2 – Para senador não tem mais condições, sabe disso. O que parecia inicialmente mais fácil, se tornou impossível. Senador? Com que votos?

PS3 – Não demora e anunciará que será outra vez deputado federal, sem risco e ameaças. Seu vice-financiador, que teve vários mandatos de deputado, nas últimas eleições foi derrotado.

PS4 – Gabeira cometeu os mesmos equívocos que a juíza aposentada, Denise Frossard, que foi para o segundo turno, podia ter ganho de cabralzinho, até com facilidade.

PS5 – A escolha do “jurista” Michel Temer para vice de Dona Dilma, representa o tom histriônico da campanha. Na última vez não se elegeu deputado, ficou como suplente e assumiu. Acrescenta o quê, numa campanha bancada por Lula sozinho? E agora, o que Lula diz ao PT? Ou nem precisa dizer, todos assistem televisão?

Assim como no Iraque…

Carlos Chagas

A comunidade internacional dispõe de todos os motivos para desconfiar das intenções do Irã, que apesar de haver assinado acordo com o Brasil e a Turquia, continuará enriquecendo urânio a 20% ou mais em seu território. Desconfia-se, também, que o presidente Ahmadinejah permanece disposto a fazer a bomba atômica. É preciso cuidado e vigilância, apesar de nenhuma reação registrar-se diante da evidência de que Israel possui artefatos nucleares.

Agora tem um problema: não fosse o país dos aiatolás  um dos maiores produtores de petróleo do mundo, seria tão grande assim a má vontade das potências nucleares, com os Estados Unidos à frente? Afinal, de verdade ou de mentirinha, o governo de Teerã assinou um tratado comprometendo-se a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Turquia e a receber, dentro de um ano, 120 quilos enriquecidos a 20%, de uso limitado a atividades energéticas e de medicina.

Estariam os gaviões atômicos empenhados apenas em impedir  o Irã de  ingressar no seu clubinho? Ou andam de olho no petróleo do país, hoje exportado para o mundo inteiro, mas pode ser que amanhã,  não,  por iniciativa de um dirigente radical qualquer?

É bom não esquecer o que aconteceu no Iraque.  Saddam Hussein teria sido deposto e condenado à morte por possuir armas de destruição em massa, que afinal não possuía, ou  por haver prometido  trocar o dólar pelo euro, nos negócios petrolíferos sob sua supervisão? Hoje, quem comanda as operações de extração e comercialização do petróleo iraquiano,  senão as grandes empresas americanas e inglesas?

Não  cogitam, por enquanto, da invasão armada do Irã, mas que ela se encontra  minuciosamente planejada, não há que duvidar. Assim como no caso da invasão do Iraque, argumentos e pretextos não faltam. Saddam invadiu os poços de petróleo do Kwait, foi posto para fora e ficou marcado para morrer. Ahmadinejah que se cuide.

Apesar de tudo

A Justiça Eleitoral decidirá se a lei da ficha limpa vale para as eleições de outubro ou se ficará para 2012.  Mesmo assim, e apesar de ter sido modificado na Câmara  o texto original, o Senado aprovou o projeto por unanimidade. Argumenta-se que quem tiver sido condenado judicialmente antes da sanção da lei, pelo presidente da República, estará livre para concorrer, este ano e nos próximos. Só ficariam proibidos os candidatos condenados a partir da publicação da lei no Diário Oficial.

Tanto faz, porque pelo menos um passo foi dado adiante. Outros virão…

Aécio ainda é dúvida

José Serra nega-se a comentar a hipótese de Aécio Neves voltar atrás e aceitar tornar-se seu companheiro de chapa.  Diz o ex-governador de São Paulo que  apenas em junho será escolhido o candidato à vice-presidência, garantindo que será um bom candidato.

Cresce, porém, entre os tucanos, a tendência de pressionar o ex-governador de Minas, em especial depois que Dilma Rousseff ultrapassou Serra nas pesquisas mais recentes. Aécio na chapa será penhor de maior apoio, a começar por Minas.  Como ele disse que estará à disposição de seu partido, onde for necessário, não vai querer ser acusado de uma eventual derrota por haver-se negado a participar. Mas é bom aguardar a próxima sexta-feira, quando voltar de férias.

Reunião em Nova York

Dilma Rousseff e Michel Temer estão em Nova York, para contactos com empresários, aproveitando para participarem da homenagem ontem prestada ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Antônio Palocci e Marta Suplicy acompanham  a candidata, encontrando-se também na cidade o ex-presidente José Sarney.

Numa hora em que José Serra anuncia a disposição de  criar o ministério da Segurança Pública, para dar mais tranqüilidade ao cidadão comum, em especial o paulistano, seria bom que seus adversários aproveitassem para ver como a população de Nova York vive tranqüila, garantida por uma polícia eficiente e numerosa. Se quiserem, poderão andar por suas ruas e avenidas a qualquer hora do dia ou da noite, sem preocupar-se com o crime e a violência. Fariam o mesmo em São Paulo?

PMDB esquece Minas e indica Temer para vice

Pedro do Coutto

A Executiva Nacional do PMDB, reunida terça-feira, decidiu finalmente formalizar a indicação do deputado Michel Temer para vice-presidente na chapa do PT, encabeçada por Dilma Roussef, que passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Antes da divulgação dos levantamentos do Vox Populi e do Sensus, a direção nacional do partido vacilava e, de outro lado, condicionava a indicação formal do presidente da Câmara ao apoio do PT à candidatura de Helio Costa ao governo de Minas Gerais. As pesquisas, apresentando resultados favoráveis a Dilma, fizeram, num passe de mágica, desaparecer a condicionante inicial. Tanto assim que a formalização do acordo será referendada pela convenção nacional do PMDB marcada para 12 de junho.

Em Minas, o PT só vai responder se concorre com Fernando Pimentel ou apóia Helio Costa a 19, ou a 20 de junho. Quer dizer: quando responder, o PT já terá recebido a adesão quase total do PMDB no plano nacional. Digo quase total porque a regional paulista, liderada por Orestes Quércia está com José Serra. O mesmo acontece na seção de Pernambuco com Jarbas Vasconcelos. A decisão da Executiva Nacional peemedebista foi bem focalizada nas reportagens de Maria Clara Cabral, Folha de São Paulo, Cristiane Samarco, O Estado de São Paulo, e Gerson Camaroti, O Globo, todas publicadas a 19 de maio. Reflexo claro das pesquisas.

Antigamente, muito poucos acreditavam nelas. Eu sempre acreditei e fui um dos primeiros jornalistas, tempo do Correio da Manhã, a escrever sobre elas, levando-se a sério. Focalizei muito o plano nacional em 89. Houve, no período, também as municipais de 85 e 89. Os acertos passaram de 95%. As pesquisas são precisas.

Prova de sua credibilidade, hoje, está no comportamento dos próprios candidatos e partidos. José Serra teme enfrentar a popularidade de Lula, procura manobrar pelos flancos, o PMDB apressa sua decisão de indicar o vice temendo apoiar tarde demais. Claro. Pois à medida que o tempo passa a adesão pode tornar-se menos necessária. Isso na hipótese de as próximas pesquisas do Datafolha e do Ibope, esperadas para o final de semana, como afirmou Dora Kramer em sua coluna de terça-feira no Estado de São Paulo, confirmarem as tendências em favor de Roussef, que, de acordo com o Vox Populi e o Sensus, ultrapassou Serra.  Difícil, mas não impossível, reverter a ultrapassagem

Difícil porque, para isso, o ex-governador de São Paulo necessita de fatos novos, de um novo enfoque para sua campanha. O enfoque colocado em prática até agora não apresentou resultados concretos. Tanto assim que Serra liderava, porém dentro de um teto de 38%, a faixa que normalmente atingiria fosse qual fosse sua atuação. Não agregou novas correntes à sua candidatura. Não agregou porque – penso eu – lhe faltava a dose necessária de entusiasmo contagiante. Sua campanha  é fria, previsível. Não arrebata. Dilma, apesar de erros, passa mais calor do que ele. É preciso não esquecer que, para o Vox Populi, Serra recuou 3 pontos.

Não quero dizer que Dilma Roussef entusiasmou parcela ponderável de eleitores da oposição. Mas começa a reunir os indecisos em torno de si. O PMDB sentiu o clima. Esqueceu Minas e indicou Temer para vice-presidente. Dentro de sua lógica, agiu certo.

Diálogo entre um governador cassado, outro que renunciou, para não ser cassado

Eles têm conversado muito sobre a sucessão de Brasília, trabalham (?) para que o atual “governador” fique mais 4 anos. Tratam muito de negócios, não ficaram ricos por acaso. E como o assunto do dia tem a palavra enriquecimento, trataram disso.

Arruda: “Estão falando muito no tal do urânio enriquecido, não vamos entrar nessa? Na certa, outros virão.”

Roriz,  os olhos vibrantes com a visão da conta bancária enriquecida: “Tenho  lido muito sobre isso, e visto na internet, estou  interessadíssimo. Mas vi no blog do José Guilherme Schossland, grande especialista, que esse tal de urânio pode ser também empobrecido”.

(Pano rápido, como dizia o Millor, nos áureos tempos da revista O Cruzeiro).

Petrobras dirigida do Pinel

Hoje, quinta-feira, o presidente da empresa, o inócuo, inútil e ingênuo (?) Sergio Gabrielli, anuncia: ” A Petrobras pode vender ações para se capitalizar e financiar projetos”.

Se essa operação for feita com AÇÕES SEM DIREITO A VOTO, ainda é errado, pois a Petrobras é altamente lucrativa. Vendendo ações COM DIREITO A VOTO, é crime, a empresa está no limite do controle.

Além do mais, como o “mercado” está em baixa ACELERADA no mundo todo, a hora é de COMPRAR E NÃO DE VENDER. Esses pró-homens da Petrobras não prestam CONTAS A NINGUÉM?

Com os altos, perdão, ALTÍSSIMOS SALÁRIOS QUE GANHAM, deviam defender o patrimônio nacional.

É só maluquice ou a palavra é outra?

Helio Costa, o ministro da Globo, pode perder outra

Candidato a governador de Minas, não é novidade, Disputou duas vezes, essa terceira não é novidade. Perdeu duas vezes, a iminente terceira derrota, não é novidade.

Ministro nomeado pela Globo, na tramitação da legislação para a TELEVISÃO DIGITAL. Um diretor da Globo, durante meses, tinha gabinete ao lado do ministro. Agora, para não contrariar Lula, a Globo abandonou o funcionário.

No dia 3 de abril, quando Patrus Ananias deixou de ser ministro, disse, “serei candidato a governador”. Escrevi: “O candidato do PT será Fernando Pimentel”.

10 lances de futebol de ontem, quarta-feira

1 – Destacado, o fato mais importante: a vitória do Santos sobre o Grêmio, se classificando para a final da Copa do Brasil.

2 – Esse título garante vaga na Libertadores. É o que todos querem. E os três golaços dos “meninos”, entusiasmaram até os adversários.

3 – Impossível dizer qual é o melhor: Ganso, Robinho, Wesley. Jornais de 9 capitais, deram manchetes quase com as mesmas palavras: “Santos vence com 3 GOLAÇOS.

4 – Lamentável a campanha que alguns fazem contra Neymar, apelidando-o de “cai-cai”. Como ele é frágil, (o Zico com a idade dele também era), qualquer empurrão, ele vai para o chão.

5 – O Grêmio, logo que o jogo começou , passou logo a bater nele e em outros, para marcar o território. Evidente, ele caía.

6 – Criticaram o jovem goleiro Felipe, dizendo, “falhou no gol do Grêmio”. Não falhou coisa alguma. Dois jogadores do Grêmio estavam impedidos. O que cabeceou, s-o-z-i-n-h-o, (depois da falta), e o que fez o gol, praticamente isolado.

7 – O árbitro não podia conter a “fúria” de alguns. Deu poucos cartões, o que foi ótimo. Errou no final, expulsando três jogadores, prejudicando o próximo jogo. Já estava no final, resultado definido, por que se comprometer.

8 – Por falar em próximo jogo: por que só depois da Copa? Podiam jogar domingo e pronto. O Santos, terminada a Copa, ainda terá o Robinho?

9 – O Santos não vai levar “vida mansa” na final, contra o Vitória, principalmente “na casa do adversário”.

10 – No jogo São Paulo-Cruzeiro, o árbitro expulsou o excelente jogador que é o Kleber, com 1 minuto de jogo. Ele está “marcado” pelos árbitros. Podia nem levar o amarelo. VERMELHO direto, o jogo nem começara?

***

Fora da numeração: o Flamengo joga hoje à noite, contra o Universidad do Chile. Precisa vencer por 2 gols de diferença. Se não ganhou aqui no Maracanã, como reverter o resultado lá, onde tem perdido sempre?

A impressionante trajetória ditatorial de Vargas, seu desprezo às instituições e a convocação de duas Constituintes, de forma ardilosa, visando sempre a se perpetuar no Poder

Homero Benevides:
“Prezado Helio, Getulio Vargas governou o Brasil por meio de 4 maneiras diferentes. Em 1930, através de uma Revolução (sic). Em 1934, por uma Assembleia Nacional Constituinte (sic). Em 1937, por um golpe de Estado (sic). E em 1950, pelo voto direto. Helio, você conhece outro que governou um país por meio de 4 maneiras diferentes? Um grande abraço.”

Comentário de Helio Fernandes:
Prezado Homero, desculpe discordar de todas as colocações em relação a Vargas, lamentando, mas meu respeito à História verdadeira é muito grande. E a História contada, medida e revelada, quase sempre não é a que foi “buscada por historiadores em jornais da época”, e sim a que está nos fatos.

Vejamos, usando, analisando e agradecendo as 4 datas que você me ofereceu.

1930 não foi Revolução coisa alguma, para usar a palavra, só com muitas aspas. O golpe de 30 vem direto do “golpe da República”, a insatisfação era total. Basta dizer que os Abolicionistas e os Propagandistas da República, que vinham de longe, foram totalmente ultrapassados por 2 coronéis (Deodoro e Floriano), que vieram brigados da estranha e nada gloriosa Guerra do Paraguai. Promovidos a marechais, dominaram o país e a República.

De 1889 até 1930, o povo não elegia ninguém, ainda pior do que hoje. Os presidentes (?) faziam o que bem entendiam, nomeavam governadores, “desnomeavam”, faziam intervenção, tiravam alguns com aparência de eleitos, vários estados tinham 2 governadores.

Rui Barbosa, em 1892, senador ainda com mais de 4 anos de mandato, RENUNCIOU pelo fato de Floriano ter que convocar eleição presidencial e nem ligar para a Constituição. Perseguido, se asilou, em 1896 novamente eleito senador, J. J. Seabra e Manuel Vitorino (então vice de Prudente de Moraes) não queriam referendá-lo, sem isso não poderia tomar posse.

Foi garantido pelo governador (lógico, da Bahia), Luiz Viana, que os intimidou com a advertência: “Vocês querem IMPEDIR a posse do grande cidadão da Bahia e do Brasil?”. Recuaram, Rui tomou posse.

Corte rápido, cheguemos a 1930, e ao homem que assumiria o governo “4 vezes”. Ninguém estava satisfeito. Em 1919, Rui Barbosa foi derrotado por Epitácio Pessoa, que nem estava no Brasil. Governou até 1922, quando surgiram os “Tenentes”, revolucionários até chegarem ao Poder, ditatoriais e reacionários quando assumiram.

Em 1929, o presidente Washington Luiz escolheu como sucessor, o governador de São Paulo, Julio Prestes. Mandou telegramas para os governadores, que de acordo com o hábito, costume e tradição, respondiam também por telegrama: “ACEITO”.

O único que “transgrediu” a fórmula, foi o governador da Paraíba, João Pessoa, sobrinho do já ex-presidente Epitacio Pessoa. Respondeu também com uma palavra: “NÉGO”. Logo depois, assassinado (e não por motivo político), esse NÉGO foi incorporado à bandeira do estado, homenagem inédita.

Começaram então as conversações entre gaúchos e mineiros para mudar todo o sistema. Com uma frase-chave e altamente significativa: “É preciso acabar com o monopólio odioso, dos ocupantes do Catete escolherem seus sucessores”. Verdade que entusiasmava e emocionava, mas foi logo descumprida.

Em 24 de outubro de 1930, Vargas assumia como Chefe do Governo Provisório (de 3 a 24 de outubro, houve uma Junta Militar). Washington Luiz, deportado para os EUA, junto com seu ministro do Exterior, Otavio Mangabeira.

Vargas tinha que convocar a Constituinte, i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e, mas só convocou-a no final de 1933, para funcionar em 1934. Assim mesmo pressionado de todos os modos. Só que não dava o menor sinal ou demonstração de que pretendia deixar o Poder.

Essa Constituinte tinha as seguintes determinações. 1 – elaborar e votar a Constituição, o país não tinha nenhuma. 2 – Convocar a primeira ELEIÇÃO DIRETA da República. 3 – Conceder o voto PARA AS MULHERES, grande e vitoriosa campanha da doutora Berta Lutz. 4 – O direito de VOTO PARA O PARTIDO COMUNISTA, que estava na legalidade. 5 – E finalmente, uma eleição com PLURIPARTIDARISMO, até então só existia o Partido Republicano, com muitos nomes em vários estados.

Foi a mais espantosa decepção, frustração e estarrecimento: depois de promulgar a Constituição, ELEGEU VARGAS, INDIRETAMENTE, marcando a ELEIÇÃO DIRETA para 3 de outubro de 1938. Mas também não chegaríamos lá, Vargas era um ditador, perseguidor e corruptor nato. (E os 5 itens, conquista de 1934, só seriam cumpridos em 1945).

Em 1937 , havia dois candidatos lançados à sucessão: José Américo (pelo governo, apresentado pelo interventor de Minas, Benedito Valadares), e Armando Sales de Oliveira (interventor de São Paulo, nomeado pelo próprio Vargas, representando a oposição). Ha!Ha!Ha! Veio então o “Estado Novo”. Ditadura tão feroz, cruel e selvagem quanto a de 1964.

Esperto, malandro, maldoso, malicioso, sem cultura e inteligência, nunca viajou nem leu nada, oportunista, corruptor, mas jurando que não era corrupto, sem convicção, blandicioso, que palavra, divulgou uma frase-conceito-afirmação: “Na hora da borrasca não se muda o timoneiro”.

Foi escrita pelo jornalista Geraldo Rocha, que ele deportara 2 anos antes. O que Vargas chamava de borrasca, era a guerra visível. Geraldo Rocha era dono de “A Noite”, o jornal mais popular daquela época. Como Vargas não devolveu “A Noite”, Geraldo Rocha fundou “A Nota”, ali na 13 de Maio, entre a Câmara e o Teatro Municipal.

Governou discricionariamente, completou 15 anos e 5 dias em 29 de outubro de 1945, quando a ditadura foi derrubada. Mas não queria sair de jeito algum. Em 1944, Dutra, ministro da Guerra e “condestável do Estado Novo”, foi à Itália visitar as tropas da FEB. Oficiais aproveitaram o prestígio do marechal Mascarenhas de Moraes, para mandar o recado-advertência: “Quando voltarmos, queremos eleição. Não tem sentido combater ditaduras no exterior e manter a ditadura dentro de casa”.

Dutra, que representava os militares que garantiam Vargas, deu o recado. Logo a seguir, em fevereiro de 1945, Vargas publicou no Diário Oficial, a ESPANTOSA convocação da Constituinte para 2 de dezembro do mesmo 1945. (Ditador novamente convocando uma Constituinte para permanecer no Poder).

Só que o país continuou a mesma ditadura de antes. Soltou Prestes, desde que ele apoiasse o que foi chamado de “Constituinte com Vargas”. O grande líder, insensato mais totalmente sincero, cumpriu os compromissos, acreditava em Vargas que o manteve preso por 9 anos. Sendo que 4 anos de uma forma tão cruel, que o jovem advogado Sobral Pinto, indicado para defendê-lo, teve que recorrer à Sociedade Protetora dos Animais.

Sobral, altamente conservador, indicado pela OAB, presidida pelo então advogado, depois juiz, Magarino Torres, fez o possível e o impossível para melhorar as condições de Prestes.

***

PS – Vargas afirmou no dia 29 de outubro de 1945, pela manhã: “Só morto sairei do Catete”. Saiu bem vivo, cumpriria a palavra, de forma trágica, dramática, emocionante e genial, em 24 de agosto de 1954, 9 anos depois.

PS2 – Não houve cassação nem inelegebilidade, todos os que ficaram 15 anos no Poder, se elegeram, inclusive o próprio Vargas. Favorecido pela legislação da época. Qualquer cidadão podia se candidatar ao mesmo tempo a deputado por 7 estados e a senador por 1.

PS3 – Depois, foi eleito presidente, tomou posse em 31 de janeiro de 1951, mas não governou um dia sequer, não sabia. Até a eleição, 33 dias depois do fim da ditadura, foi uma farsa. Ninguém sabia, mas Vargas sempre teve tendência suicida.

PS4 – Moço, cursava a Escola Militar de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Expulso por causa de um incidente (com os irmãos) em Ouro Preto, falou em se matar. Cumpriu o que sempre ficou entrevisto ou projetado, exatamente 50 anos depois.

“Passione” nao apaixona

A novela, que hoje à noite, apresentará seu quarto dia de exibição, não tem agradado nem conquistado o público da Globo. Está bem, são apenas 3 dias. Mas aquele “linguajar” italiano, misturando idiomas, já é conhecido, e não fez sucesso.

As gafes são muitas, recebo lamentos, a palavra é essa, de “novelistas empedernidos”.

O Estadão publicou matéria da jornalista Cristina Paglione, sobre o primeiro capítulo. Especialista, faz várias críticas ao roteiro. Registra que a criação (?) de Silvio Abreu. alcançou o mesmo índice de “Viver a Vida”, de Manuel Carlos. Que ficou nos menores números da Globo. E não é segredo que a última novela, bateu recorde negativo em relação à própria Globo.

Sobe a temperatura

Carlos Chagas

Resta saber quais as sanções que nas próximas horas  os Estados Unidos proporão contra o Irã, no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Pelo jeito serão econômicas e militares, na medida de uma suposta iniciativa contra o Banco Central do país dos aiatolás, mais restrições a exportações e importações,  incluindo também o assalto e a fiscalização forçada de navios de qualquer bandeira com destino aos portos iranianos. O motivo será  saber se transportam material capaz de servir a atividades nucleares, confiscando-os.

Apesar de a Secretária de Estado,  Hillary Clinton,  haver anunciado o apoio da China e da Rússia, junto com  França e Inglaterra, para as sanções, o governo de Pequim ressalvou que não concordará com iniciativas capazes de prejudicar o povo iraniano. A declaração presta-se a variadas interpretações, restando aguardar a reunião do Conselho de Segurança.

De qualquer forma, ficou claro que as potências nucleares deram de ombros para o acordo firmado entre os presidentes do Brasil e do Irã, mais o primeiro-ministro da Turquia. Foi como se eles  não se tivessem encontrado,  uma demonstração a mais de que o mundo  continua dividido entre os que agem e os que conversam.  E agem e conversam por irônica singularidade: porque uns  possuem bombas atômicas e  outros estão proibidos de possuir…

Caindo na real

Durou pouco a euforia do chanceler Celso Amorim diante do acordo de Teerã. Mais uma vez o planeta não se curvou diante do Brasil.  Sequer valeu a informação do ministro de que os chanceleres da Rússia e da China haviam elogiado os entendimentos com o presidente Ahmadinejah. Primeiro, porque não foram eles que se dirigiram ao colega brasileiro, mas este quem tomou a iniciativa telefônica de procurá-los.  Depois, porque, mesmo com ressalvas, aqueles dois países apóiam as sanções contra o Irã. Ainda não foi dessa vez que o espírito do Barão do Rio Branco baixou no ministério das Relações Exteriores.

Acresce que não terá o menor valor a carta que Amorim pretende mandar aos integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, exigindo que interrompam suas reuniões em Nova York,  por conta do acordo com o Irã.

Quanto ao “ministro do B”, Marco Aurélio Garcia, continuou em seus devaneios, imaginando nosso ingresso no grupo G-5 + 1.  Assim como em certos clubes fechados, nesse grupo não se pede para entrar:  é preciso ser convidado.

Nessa novela de sucessivos capítulos, só o presidente Lula parece manter o bom-senso. Chamado a se pronunciar sobre a iminência de o Conselho de Segurança anunciar sanções contra o Irã,  pediu tempo para maturar as notícias, primeiro.

Rescaldos perigosos

Estando o Irã na ordem do dia, vale contar por enquanto a metade de uma historinha que, felizmente, não se transformou em episódio explosivo. Meses atrás, quando o presidente Ahmadinejah estava para chegar ao Brasil, um general da ativa exasperou-se e começou a consultar juristas. Obteve de um deles, ministro de um tribunal superior, a opinião de que o visitante poderia ser preso assim que pisasse o território nacional. Conforme o direito internacional, ele seria réu confesso de crime contra a Humanidade, ao anunciar a disposição de varrer Israel do mapa. Bastaria encontrar um juiz que lavrasse a sentença.

O referido general chegou a estabelecer contacto com o responsável por uma unidade militar, capaz de executar a missão ainda no aeroporto de Brasília. O coronel parece que saltou de banda e comunicou a estranha sondagem a seus superiores.  Coincidência ou não, foi para o espaço a singular operação…

Reincidência calculada

Pela terceira vez o Tribunal Superior Eleitoral multou o presidente Lula, por fazer campanha eleitoral antecipada. E nem entrou em pauta, ainda, a representação do PSDB contra o recente programa de propaganda partidária gratuita, onde ficou explícita a postura presidencial  favorável à candidatura Dilma Rousseff.

Pelo  jeito, as transgressões e as multas se sucederão como as ondas que batem na praia. É perigosa a impressão que o presidente Lula pode estar dando, de reincidir  na prática ilegal. Melhor pagar a multa e continuar fazendo campanha? Até porque, quem paga é o PT?

Nos juízos singulares e nos tribunais superiores as sentenças são acrescidas quando se trata de reincidência. No caso de crime eleitoral, a justiça se limitaria a aumentar o valor da multa? Ou poderia aplicar outras penalidades?

Choque entre PT e PMDB não é só em Minas

Pedro do Coutto

Matéria das repórteres Cristiane Samarco e Vera Rosa, publicada no Estado de São Paulo de 18/05, revela que o deputado Michel  Temer, presidente nacional do PMDB, convocou reunião da Executiva  para aprovar o acordo com o PT que inclui sua candidatura a vice na chapa de Dilma Roussef. Setores partidários entretanto, resistem porque condicionam esta solução ao apoio do Partido dos Trabalhadores à candidatura do ex-ministro Helio Costa ao governo de Minas. Difícil.

O PT mineiro decidiu adiar sua resposta para os dias 19 e 29 de junho, daqui a um mês, quando realizará sua convenção estadual. Ora, se o propósito fosse apoiar Helio Costa, a regional  não adiaria sua posição. Além do mais, já realizou uma prévia que apontou o ex-prefeito Fernando Pimentel como o nome preferido para disputar o Palácio da Liberdade. A meu ver, é um candidato basicamente mais forte do que Helio Costa, cujo eleitorado divide-se entre ele e Antonio Anastasia, candidato de Aécio Neves. Mas esta é outra questão.

O fato é que o PT encontra-se evidentemente disposto a concorrer com um candidato próprio de sua legenda. Se assim não fosse, já teria formalizado acordo com o ex-ministro  das comunicações. Quanto à perspectiva de o PMDB condicionar seu apoio a Dilma Roussef ao apoio do partido do governo ao PMDB em Minas, não faz sentido. Um acordo nacional não pode se encontrar na dependência de uma coligação estadual. Inclusive porque o problema existe em vários Estados, não só em Minas.

No Rio Grande do Sul, disputam o Palácio Piratini José Fogaça, pelo PMDB, Tarso Genro pelo PT, E há dúvida quanto ao palanque duplo para a ex-chefe da Casa Civil, pois realizam-se articulações entre José Serra e José Fogaça, uma vez que Serra quer distância da governadora Yeda Crusius, do PSDB, cuja impopularidade é bastante elevada.

Na Bahia, outra divisão: Jacques Wagner, pelo PT, Geddel Vieira Lima pelo PMDB, disputam o governo. Pesquisa do Sensus divulgada pelo Jornal da Band de segunda-feira aponta Wagner disparado. No Rio, o governador Sergio Cabral, favorito, e o ex-governador Anthony Garotinho enfrentam-se. O PT apóia Cabral, mas há confronto para o senado: o PT com Lindberg Farias, o PMDB com Jorge Picciani.

No entanto, além dessas colisões, existem duas outras muito maiores, casos de São Paulo e Pernambuco. Em São Paulo, o ex-governador  Orestes Quércia disputa o Senado e apóia frontalmente José Serra. Nem se  trata de base dupla, trata-se de dissidência clara e insofismável. Que vai fazer a direção regional do PMDB que sustenta o governo Lula no Congresso e vai apoiar Dilma Roussef? Vai intervir na seção paulista? Vai expulsar Orestes Quércia? Nada disso. Vai conviver normalmente com ele e com a cisão.

As divergências não terminam em São Paulo. Estendem-se a Pernambuco. Na terra de Gilberto Freire e Marcos Vilaça, o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, é candidato ao governo do Estado e já manifestou seu apoio à candidatura do ex-governador de São Paulo. Como a executiva nacional do PMDB vai proceder? Intervir na seção pernambucana, vai punir Jarbas Vasconcelos? Nada disso. Vai aceitar a dissidência e conviver com ela, embora os casos de São Paulo e Pernambuco contrariem a lei eleitoral. Mas para evocar a lei junto ao TSE é necessária uma iniciativa partidária. O PMDB não tomará iniciativa alguma. Ficará em silêncio. Essa não. Por que só em Minas é problema? E São Paulo e Pernambuco?

Você votaria num candidato à Presidência da República, que não sabe quem é o presidente do Senado Federal?

José Carlos Werneck

Ouvi atentamente a entrevista concedida pela candidata Dilma Roussef à rádio CBN. Pensei que estivesse ouvindo um daqueles monótonos pronunciamentos de autoridades governamentais, que absurdamente as emissoras privadas são obrigadas a retransmitir. Com exceção da brilhante e bem preparada jornalista Miriam Leitão, que fez a única pergunta bem fundamentada, que, aliás, não foi respondida pela candidata, os outros “entrevistadores”, mais pareciam ser funcionários de uma emissora estatal.

Heródoto Barbeiro, até que tentou, mas foi devidamente “enrolado” pela entrevistada. Lucia Hippolito perguntou sobre o papel das agências reguladoras, num eventual governo Dilma. A resposta foi um tanto confusa e parece que não deixou ninguém convencido. Dilma Roussef, vendo que dominava o cenário, falou o que quis. Elogiou o excelente sistema de saúde implantado em Pernambuco, pelo governador Eduardo Campos, embora, todos saibam, prefira o Hospital Albert Einstein, onde se tratou às custas do contribuinte brasileiro, que é obrigado a enfrentar as filas do SUS, para receber um tratamento de saúde “de padrões escandinavos”.

Afirmou, depois de muitas idas e vindas,bem ao estilo mineiro, que quer a volta da malsinada CPMF. Quanto à questão da Previdência Social, disse que com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, teremos que repensar a Previdência. Não deixa de estar correta. Por isso, eu, que sou justo, tenho aqui duas preciosas sugestões para o problema: continuem pagando essas “maravilhosas” aposentadorias e pensões a nossos velhinhos e velhinhas que eles morrerão rapidinho; ou acabe-se com os “mensalões”e roubalheiras semelhantes, que logo teremos um sistema previdenciário equilibrado. Claro que prefiro a segunda hipótese.

Mas, nem tudo foram erros. A candidata acertou em cheio quando discorreu sobre a construção da usina de Belo Monte e o sistema hidrelétrico do país. Foi honesta e sincera, quando sem nenhuma hipocrisia, ao contrário de José Serra, discorreu sobre a colocação de aliados políticos, em cargos da administração, mostrando, que isso ocorre em todas as nações democráticas, citando especialmente os Estados Unidos e Inglaterra.

Também acertou, quando disse que não cabe ao Governo Federal imiscuir-se no problema da redução da jornada de trabalho, para quarenta horas semanais. Foi precisa ao afirmar que isto é assunto para uma negociação entre os trabalhadores e empresários. Sobre petróleo mostrou que conhece pouco do assunto. Depois de muito gaguejar dizendo que o nosso petróleo antes era “muito pesado”, disse que recorria à expressão “pesado”, por que não queria usar uma linguagem técnica. Ah! bem…  Vamos combinar que acreditamos.

Finalizando a ministra Dilma afirmou que acredita que Michel Temer será um bom companheiro de chapa, pois além de outras qualidades “é presidente do Senado”. Numa frase destituiu o aliado José Sarney, da Presidência do Congresso, o que muita gente tentou durante meses e ela conseguiu em poucos segundos. Aí, graças a Deus, e para alívio de todos a entrevista acabou.

A questão não é o Irã, e sim o prestígio do Brasil

O Conselho de Segurança da ONU, (com apenas 5 países permanentes) ficou horrorizado com o diálogo protagonizado pelo Brasil, logicamente através do seu presidente. Tendo o Irã concordado em recomeçar as conversas, na mesma hora o Conselho aumentou as SANÇÕES, e de forma violenta.

Rússia e China, que não concordavam, foram “delicadamente” convencidos, recuaram. A China fez a ressalva tola, boba e alarmante: “O povo não pode sofrer com essas sanções”. Lá se foi a credibilidade que a China havia “conquistado” por intermédio do “trânsito comercial”, já que o mundo inteiro, hoje, depende da compra e venda da China.

Se a China perdeu a CREDIBILIDADE, os EUA e os que o apoiaram na invasão do Iraque, já não tinham nenhuma. Retumbaram através da mídia DEFENSORA DA LIBERDADE DE IMPRENSA, (Ha!Ha!Ha!) que guerreavam o país de Sadam (que acabou assassinado) porque estava produzindo armas nucleares.

Tudo completamente desmentido depois, pelo próprio presidente Bush, sem o menor constrangimento. E nada aconteceu com os EUA, como país, nem a Bush, como presidente.

***

PS – Ninguém, em qualquer parte do mundo, teve a coragem de denunciar: “A invasão do Iraque é mais uma GUERRA DO PETRÓLEO”.

PS2 – Dezenas de milhares morreram, outras dezenas nao têm mais vida nem país, mas os EUA continuam SOBERANOS, com BASES MILITARES espalhadas pelo mundo inteiro.

PS3 – Haja o que houver, digam o que disserem, foi a maior vitória do Brasil, (e logicamente do presidente Lula, não tenho a menor hesitação em afirmar isso) no plano internacional. Pode até ter sido por arrogãncia, excesso de culto a ele mesmo, mas Lula realizou o que nenhum presidente brasileiro fez em qualquer época.

PS4 – O fato do Brasil estar sendo atacado pelos órgãos de comunicação de todos os países, prova de forma insofismável: foi o maior triunfo externo da nossa História.

PS5 – No Iraque, sanções contra o petróleo. No Irã, sanções contra o PRESTÍGIO do Brasil. Nao podemos ter medo de exaltar Lula num episódio, com mais medo ainda de parecer SOLIDÁRIO a ele.

PS6 – A China, que estava CONQUISTANDO o mundo pela QUANTIDADE, não sabe o que fazer para recuperar a QUALIDADE. Teve medo de apoiar o Brasil