Veto de Eduardo Cunha

Helio Fernandes

O deputado do PT (está na Câmara há tanto tempo que já esqueceram) Jorge Bittar ia ser candidato a vice de Eduardo Paes, na eleição (para ele, reeeleição) de 2012. Tudo acertado.

Acontece que todos ficaram sabendo que o dossiê que voou baixo, pousou na mesa de Dona Dilma, e atingia fundo o “dono de Furnas”, foi mandado ao Planalto pelo próprio petista.

Eduardo Cunha usa uma frase-base: “Não tenho medo de ninguém, não há dossiê que possa me intimidar”. Aí, Cunha mudou de alvo e de objetivos: não quer mais atingir Dona Dilma, e sim se compor com ela, ajudá-la. Faz isso com toda a simplicidade: “Não quero nada, nem ver o deputado como vice do Rio”. Está otimista.

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KASSAB QUER VIA RÁPIDA

O prefeito de São Paulo, criado, amamentado e fortalecido por Serra, agora está contra ele. E espalha que o povão trafegará por caminhos mais toleráveis, acha que assim chegará facilmente ao PMDB.

Já o vice Michel Temer, no primeiro dia no Planalto, mandou informar ao seu próprio partido: “Não quero mais ser chamado de vice e sim de ex-presidente”. O recado foi levado por alguém de confiança absoluta: o Ministro da Agricultura. Tão forte que ficou com um ministério e Moreira Franco sem nenhum.

Lula entre o Corintians e o São Bernardo

Helio Fernandes

“Não podia deixar de ver esse jogo do São Bernardo, onde tudo começou, há 30 anos, contra o meu clube do coração, o mundo inteiro sabe que sou corintiano”.

Na verdade, era um a situação difícil, para a qual “arranjou” situação singular: vestiu uma camisa enorme, metade São Bernardo, metade Corintians.

As câmeras sempre “focalizavam” o ex-presidente, nada mais natural. O São Bernardo ficou duas vezes na frente do placar, Lula fingia que não estava aborrecido. Nas duas vezes que o Corintians empatou, vibrava.

Foi embora antes do jogo acabar, não sairia mesmo do empate. Mas declarou para a televisão: “Estou satisfeito de voltar a um campo de futebol. E vou assistir todos os jogos do Corintians”. Teria encontrado a saída?

EUA, Egito, ditadura de 30 anos

Helio Fernandes

Depois de manter, apoiar e financiar o ditador Mubarak, o mundo descobre que é preciso tirá-lo, retirá-lo, enxotá-lo do Poder. A Folha aproveita e dá manchete sobre o caso, mas sem ir a fundo na questão: “EUA pedem fim da ditadura de Mubarak no Egito”.

Desses que aproveitaram a internet para jogar Mubarak no lixo, poucos merecem crédito ou atenção. Um deles, o mais respeitado: Mohamed Elbaradei, Prêmio Nobel, que jamais saiu da oposição, não começou agora.

E o silêncio de Obama? Tem a ver com a fortuna que seu país gastou esses anos todos? É evidente que Obama não tinha nada com isso, estava nascendo. Mas devia ter instruído Dona Hillary Clinton para não dizer as bobagens que disse.

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PS – A Secretaria de Estado, quando fala (sempre foi assim), fala pelo governo e pelo país. Vejam se dá para entender Dona Hillary: “Precisamos de uma eleição livre, justa e confiável para escolher o próximo presidente”.

PS2 – Multidões “pedem, ou melhor, exigem, o fim da ditadura Mubarak”. Não é preciso explicar, mas é imprescindível entender: como conseguirão isso? Uma coisa foi obtida: O filho Gamal não será presidente. Mas é que os militares também não queriam que chegasse ao poder.

Conversa com comentarista, sobre Petain, Rudolf Hess e Pierre Laval na Segunda Guerra Mundial

Helio Fernandes

Ricardo Salles me escreve: “Você falou sobre Petain e Rudof Hess, esqueceu de Pierre Laval”. Não esqueci, Ricardo, são figuras diferentes. Hess e Petain nem se conheceram. Viveram episódios e aventuras na Segunda Guerra Mundial, inteiramente negativas em relação à Primeira Guerra Mundial.

Ninguém é herói ou covarde porque matou um número maior ou menor de pessoas. Mas é assim que muitos julgam os homens em relação às guerras. Por isso, Petain era tido como HERÓI na Primeira Guerra e VILÃO na Segunda. As atuações de Laval nesse palco sangrento e gigantesco têm outras formas de serem lembradas.

Seus problemas eram pessoais e ideológicos, coisa que não acontecia com Petain ou Hess. Laval, radical de esquerda (declaradamente comunista), foi coadjuvante da política de 1914 a 1918. Já de 1939 a 1945, teve papel relevante, junto com o Marechal Petain. Quando as “Panzer divisiones” do general Guderian entraram em Paris em abril de 1940, Laval e Petain montaram o governo da França, em Vichy.

O marechal como presidente e Laval como primeiro-ministro, serviram aberta e acintosamente aos alemães. Terminada a guerra, foram julgados e condenados à morte. Petain, todos sabem, não foi executado por causa da idade.

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PS – Laval foi enforcado. Seus amigos pretendiam que fosse fuzilado, as chamadas autoridades recusaram, com a justificativa: “Fuzilamento é para militares, mesmo traidores.

Jorge Viana, uma das “reservas morais” do PT, tem a máscara arrancada da face, com a divulgação de sua aposentadoria como governador.

Carlos Newton

Filho do ex-deputado federal Wildi Viana (Arena e, depois, PFL), nascido no Acre e criado em Brasília, o engenheiro florestal Jorge Viana sempre foi considerado um dos principais quadros do PT. Até agora, aparentemente vinha tendo um comportamento inatacável.

Muito ligado a Lula, desde os tempos da luta em prol dos seringueiros liderados por Chico Mendes, Viana era um dos conselheiros do presidente da República. Quando José Dirceu caiu em desgraça e foi cassado por causa do mensalão, o primeiro nome em que Lula pensou para a Casa Civil foi o de Jorge Viana, a quem logo convocou ao Palácio do Planalto. Viana foi lá, mas recusou o cargo. Se tivesse aceitado, não haveria Dilma Rousseff na Casa Civil e a História do Brasil teria seguido outro curso.

Viana não aceitou porque era presidente da indústria Helibrás e estava muito bem de vida, num dolce far niente, beneficiado pela acumulação do salário de megaexecutivo estatal e da aposentadoria de ex-governador do Acre.

Agora, volta ao Senado, para seguir acumulando remunerações, fora da lei. Esse comportamento é uma surpresa. Políticos como José Sarney, Edson Lobão ou Epitácio Cafeteira, por exemplo, são bem conhecidos e manjados. Ninguém espera nada deles, mesmo. Mas Jorge Viana era uma reserva moral do PT. Agora não é mais nada, apenas um outro político qualquer.

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A RESPEITO DA TRIBUNA

Eu havia anunciado que hoje escreveria sobre a Tribuna da Imprensa, mas não o farei, atendendo a uma determinação de Helio Fernandes.

Briga de foice pelas presidências das Comissões

Carlos Chagas
                                                      
Uma pergunta não quer calar, mesmo que sua resposta pareça óbvia: por que PMDB, PT e penduricalhos da base do governo disputam com furor olímpico as direções de empresas públicas e  de órgãos da administração direta aquinhoados  com dezenas de bilhões no orçamento? Vontade de colaborar para o desenvolvimento nacional? Oportunidade para a demonstração de possuírem técnicos de eficiência comprovada? Patriotismo e desejo de correção das desigualdades sociais?
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Afinal, a briga está sendo de foice em quarto escuro para o preenchimento de diretorias da Petrobrás (91,3 bilhões),  da Eletrobrás (8,1 bilhões), do DNIT (14,6 bilhões), da Conab (2,8 bilhões), de Furnas (1,2 bilhão), e vai por aí.
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Toda essa riqueza será destinada a umas tantas empreiteiras encarregadas de implantar obras variadas.  Será apenas para os partidos compensarem a ajuda recebida  durante as campanhas eleitorais? Ou…
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Ou tem azeitona nessa empada, quer dizer, obras sempre  superfaturadas não farão apenas a alegria das empreiteiras, mas costumam gerar comissões monumentais estabelecidas pelos  dirigentes das estatais, repassadas em grande volume para os respectivos partidos e alguns de seus líderes.  Essas operações atingem uma infinidade de  outros setores, desde a prestação de serviços até a  aquisição de equipamentos, remédios, viaturas, navios  e muita  coisa a mais. Ou a construção de estradas, pontes, viadutos, estádios, aeroportos, portos e palácios.�
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Numa palavra,  a prática vem de longe, sequer interrompida nos governos do sociólogo e do torneiro-mecânico. Cada vez com mais intensidade,  pedidos, indicações e exigências do PMDB, do PT e de  outros partidos trazem  embutida  a mancha da corrupção explícita. Os  governos federal,  estaduais e municipais, com  exceções, ou estão  mergulhados até o pescoço no lamaçal fisiológico ou fazem vista grossa para o banquete dos correligionários.  A conta  do loteamento  vai para o tesouro nacional, ou seja, o contribuinte, porque a impunidade tem sido a regra.  Já tivemos governos empenhados em acabar com a subversão, o atraso, a fome e agora a pobreza absoluta. Quando virá um disposto a extirpar a corrupção?

NO SUPREMO E NO CONGRESSO�

A presidente Dilma Rouseff estará hoje no Supremo Tribunal Federal, para a reabertura dos trabalhos do Judiciário. Pela praxe, ouvirá  os pronunciamentos  do presidente da casa, César Peluzzo, e do presidente da Ordem dos Advogados, Ophir Cavalcanti, mas não poderá  discursar. Se não tiver gostado dos discursos, restará a saída de, na saída, falar à imprensa.
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Amanhã, deverá   ir  ao Congresso, levando em mãos sua primeira  mensagem depois de empossada. Poderá ler o preâmbulo do vasto documento preparado a quatro mãos, quer dizer, por técnicos do governo Lula e assessores do seu governo. Mas também poderá  deixar a tarefa ao primeiro-secretário da mesa conjunta de Câmara e Senado, por sinal a ser designado hoje. Os discursos formais ficarão por conta do senador José Sarney e do deputado Marco Maia, mas, se quiser, Dilma não encontrará obstáculos para se dirigir aos parlamentares, depois da leitura da mensagem do Executivo.
                                                        As estrelas da reabertura dos trabalhos do  Legislativo costumam ser os presidentes do Senado e da Câmara, talvez vindo daí a surpresa deles diante da informação de que Dilma faz questão de comparecer.�


SALADA MISTA

                                                        Conforme e Justiça Eleitoral, são 27 os partidos políticos autorizados a funcionar no país, uns com registro definitivo, outros com registro provisório. Uns dez ocupam espaços razoáveis, maiores ou menores, na Câmara e no Senado, por possuírem grandes bancadas ou pelo seu papel histórico. Outros 17, porém, estão sobrando. Nenhuma influência terão nas grandes decisões parlamentares. A democracia tem dessas coisas, mas melhor será deixar  os nanicos funcionando, mesmo os fisiológicos, do que entregar  os trabalhos à exclusividade dos grandes. A tal cláusula de barreira, ou de desempenho, não passará nunca, no bojo da reforma política. Isso se vier mesmo a reforma política, da qual todo mundo duvida.




A IMPORTÂNCIA DO PLENÁRIO

                                                        Quando a Câmara dos Deputados funcionava no Rio, o palácio Tiradentes não dispunha de gabinetes individuais  para abrigar  todos os deputados. Só alguns, da mesa diretora ou presidentes de comissões, viam-se bafejados pela sorte de possuir uma sala, claro que sem banheiro, e poltronas para receber convidados. O resultado era que a imensa maioria dos deputados fazia ponto no plenário, lá despachando seus documentos, escrevendo cartas, redigindo projetos,   lendo jornal ou conversando fiado. Eram, assim, obrigados a ouvir os discursos, prestar atenção nos entreveros verbais e dar quorum para a maioria das decisões.
                                                        Com a mudança para Brasília, cada deputado recebeu seu gabinete, de início pequenos, sem lugar para abrigar mais do que dois ou três assessores. A  ampliação das instalações veio a par com a desimportância que a ditadura dava ao Congresso, erigindo-se novos prédios, abrindo-se porões e implantando-se o conforto para Suas Excelências. A febre não passou até hoje, admitindo o novo presidente  da Câmara levantar  mais um elefante branco nas proximidades.  Com isso, quem sofre é o plenário, porque certos gabinetes encontram-se tão longe do coração da casa que se tornaram necessárias esteiras rolantes  para evitar cansaço e correrias. Continuando as coisas como vão, somadas à parafernália eletrônica dos tempos modernos, logo os deputados exercerão suas atividades através de um plenário virtual, com direito a joguinhos variados.

TV a cabo cresce e atinge 11 milhões de domicílios

Pedro do Coutto

Com base em dados fornecidos pela Anatel, a Folha de São Paulo publicou na edição de 28, sexta-feira, que a TV paga, (televisão a cabo) cresceu 20,7% em 2010 em relação a 2009 e passou a atingir cerca de 11 milhões de domicílios. O país possui 61 milhões de residências, média unitárias de 3,3 pessoas cada uma. O quadro agora, portanto, é o seguinte: 50 milhões de domicílios sem TV a cabo, 11 milhões com acesso a canais pagos. A Rede Globo, claro, domina o cenário amplamente, operando a Sport TV, o Pay Per View do futebol, além de canais internacionais de esporte, como é o caso da ESPN. Mas esta é outra questão.

O fato é que o mercado se expandiu e está expandindo, pelo visto. Houve um período em que recuou, espaço coincidente com a política de compressão salarial do governo Fernando Henrique. Agora com o crescimento salarial, os vencimentos passaram pelo menos a empatar com a inflação do IBGE, o consumo informativo também subiu. Não só o consumo da informação. Todo o mercado. Fenômeno natural.

No caso do cabo, em 2009 eram 9,8 milhões de domicílios que pagavam pelo acesso ao sistema. Um ano depois, a esse total incorporaram-se mais 2 milhões e 300 mil novo assinantes. Incluindo-se os gatos em áreas de renda mais baixa, o público hoje alcança em torno de 33 milhões de pessoas. Expressivo. Pois enquanto o Brasil tem 5 mil e 500 municípios, a TV a cabo só está presente em apenas 300 cidades.

A Anatel espera que daqui a cinco anos o sistema esteja funcionando em mil municípios. O crescimento da televisão por assinatura conduz certamente a uma nova análise do mercado publicitário. Sobretudo em função dos filmes e documentários exibidos. Dos filmes, inclusive, pelo fato de não serem produzidos, e sim veiculados pelas redes de televisão, tornam-se o produto mais barato, sobretudo o único setor que permite a livre competição entre a Globo e os demais canais.

As novelas fornecem enorme vantagem à Globo porque é a que mais recursos financeiros e  técnicos possui para reduzi-las e também manter um elenco permanente de atores e atrizes.  A mesma correlação não se verifica relativamente à exibição de filmes. O custo é apenas o pagamento dos direitos de transmissão, muito baixo comparado ao valor artístico e econômico das obras.

A publicidade está sempre em função da audiência quantitativa e qualitativa (em termos de poder aquisitivo) do publico atingido. Para se ter uma ideia, um ponto em rede nacional corresponde a 610 mil domicílios, número aproximado de 1 milhão e 500 mil telespectadores. Como se constata, uma verdadeira legião de pessoas, vivendo nas aventuras exibidas na tela a sua própria aventura interior. A identificação dos rostos na multidão com a esperança que cada um traz dentro de si, fantasia ou não, é um fato concreto de mercado.

Isso de um lado. De outro, a existência de uma nova proporção, também de audiência. As tevês abertas, pelo perfil divulgado pela FSP, já não mantêm o mesmo o mesmo domínio que mantinham. Principalmente em relação à audiência de poder de compra maior. Isso porque o número máximo de aparelhos ligados (das 20 às 22 horas) é de 80%. Não quer dizer que 20% não assistam nada. Quer dizer que enquanto alguém sai de casa, outro chega. A percentagem da audiência é a mesma. As pessoas é que naturalmente se substituem.

Estão mutilando o genoma do trabalhismo

Roberto Monteiro Pinho

O genoma (essência) do trabalhismo brasileiro, submetido a contínuas alterações nas razões de origem, entrou em fase de decomposição, e acabou ganhando contornos elitistas, tamanhas as injunções praticadas pelos atores do judiciário trabalhista, que transformaram a Justiça do Trabalho, num pandemônio jurídico.

São responsáveis por esta violência, boa parte de serventuários, magistrados, cuja subsistência é extraída dos conflitos deste jurisdicionado. São muitas e contínuas as praticas antidemocráticas no trato das questões trabalhistas ajuizadas na JT. A marca desta anomalia é detectada nos processos julgados, nas relações serventuário/partes litigantes, juiz/advogado, por conta de inaceitáveis falta de cordialidade com a sociedade.

Incapaz materialmente em atender a demanda de ações, que acumula 16, 5 milhões de causas, este segmento especializado, oferece alternativas tão somente para solucionar questões de pessoal, em principio para atender o corporativismo e manter a reserva de mercado.

Reflexo desta disforme linha ideológica é a existência permanente de barreiras, enfrentada pelos legisladores para implantação do Juizado Especial Trabalhista e as Varas Centralizadas de Execução. Além deste senão, acresce a rejeição ao pressuposto legal, da necessidade da demanda trabalhista ser submetida às Comissões de Conciliação Prévia-CCP (lei n° 9.958/2000), e a rejeição da arbitragem de bens disponíveis, com foco na lei 9.307/96, cujas alternativas, primeira servem para desobstruir a pauta das Varas Trabalhistas e enxugar as questões menores da relação de trabalho, ambas, com toda vênia, sem o menor risco de prejuízo material ao trabalhador.

Convém lembrar que um grupo seleto de legisladores com participação do executivo estatal e entidades sindicais trabalham na elaboração de um Simples Trabalhista no Brasil, a exemplo da Lei Complementar 123, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, estabelecendo normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a essas empresas.

Um das razões para aprovação do Simples Trabalhista é a carga tributária sobre a folha de salários que varia entre 34,3% e 39,8%, onerando por demais as empresas.Tendo em vista a tributação excessiva, de acordo com o relatório a folha de pagamento fica onerada, conseqüentemente causa impacto negativo para a economia brasileira. Entre outros acaba agravando as condições de competitividade das empresas nacionais, levando a informalidade, por conseqüência a baixa cobertura da previdência social, em suma: perdem o empregador, trabalhador e governo.

Para os defensores do projeto, os dois (Reforma Tributária e Desoneração da Folha de Salários) simultaneamente, irão contribuir para desonerar 8,5% da folha de salários das empresas. Caminham lado a lado no Congresso as (PEC 233/08 e a PEC 242/08), a segunda cria uma contribuição sobre a movimentação financeira para substituir o INSS recolhido pelas empresas sobre a folha de pagamentos e para desonerar o trabalho assalariado através do aumento da isenção do IRPF para R$ 30 mil.

O fato é que em 2011 a reforma tributária que também influencia as relações de trabalho, volta à discussão no Congresso e pode ter como referência a PEC 233/08, (projeto que objetivava centralizar a tributação sobre consumo em um imposto único sobre valor agregado), derivado da proposta Mussa Demes de 1999, que nunca foi apreciado no plenário da Câmara dos Deputados.

Não existe a menor dúvida de que não é aceitável discutir os derivados das relações de trabalho (taxação, impostos e obrigações sociais), sem que este apêndice fique atrelado as controvérsias do contrato laboral quando submetidas a JT, onde ocorrem as maiores injunções. Neste sentido em que pese ser do segmento patrão a (…) “Fecomercio sustenta ainda que um Simples Trabalhista só seria completo se, a partir da desoneração da folha de salários, houvesse a flexibilização das relações trabalhistas”. Para a entidade (…) “a realidade mostra que a maioria esmagadora dos deveres e direitos decorrentes das relações de trabalho continua prevista em leis que não traduzem a realidade das partes envolvidas, levando as empresas à informalidade que, certamente, diminuiria com a flexibilização”.

Entendo (compartilhado com outros articulistas laboristas) que é possível tornar o Direito do Trabalho flexível, incorporando novos mecanismos de pacificação de conflitos, capazes de compatibilizá-lo com as mudanças decorrentes de fatores de ordem econômica, tecnológica ou de natureza diversa, que exijam soluções e ajustes imediatos, permitindo a adequação da norma jurídica segundo a realidade do contexto social e das relações trabalhistas da atualidade.

No entanto, não é aceitável extinguir direitos trabalhistas conquistados por décadas, por outro é preciso combater as praticas nocivas às relações de trabalho, existentes no judiciário trabalhista, são posicionamentos absurdos, fruto de uma ideologia incompatível com a ordem jurídica celetista, que agride os mais elementares conceitos de direito, cujas decisões são anuladas através de recursos em grau superior. Não se trata da aplicação da lei, e sim da sua deformação, “bona est lex si quis ea legitime utatur”, neste caso dificilmente caberia recurso. Alterado o genoma da doutrina trabalhista (que é a sua essência), é a prova mais desleal e descabida de condução de uma demanda tutelada, desfigurada, e por fim decreta a falência da proteção estatal ao trabalho.

Hoje, aqui, saiu Rio-Teresópolis, que não existe. Em vez de Rio-Petrópolis, histórica.

Helio Fernandes

Muitas coisas são inexplicáveis e não há acerto possível. Por que trocar uma estrada que está nas manchetes por causa da tragédia por outra que ganhou repercussão e projeção por ela mesma, pela importância e pelo progresso?

Aberta pelo presidente Washington Luiz, (naturalmente antes de 1930), faz parte da integração de Petrópolis, que só podia ser atingida de trem. Washington Luiz foi o primeiro presidente a ir normalmente para lá, hábito que foi seguido por Vargas, nos seus 15 anos de governo.

E de 1930, pelo menos até 1945, quando alguém falava “em região serrana”, se referia a Petrópolis. Depois é que Friburgo e Teresópolis se incorporaram à paisagem identificada como serrana, mas, desculpem, não existe a “Rio-Teresópolis”.

Na verdade, por hábito, gosto, tradição, a estrada é Rio-Petrópolis, como é chamada normalmente. Mas nas placas e nos contatos com Prefeitura, o que existe é Estrada Washington Luiz, mas ninguém sabe ou se lembra disso.

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PS – O maior estádio de futebol do Rio oficialmente e merecidamente, é Mario Filho. Mas quem vai deixar de chamá-lo de Maracanã? Idem, idem para o Engenhão, que se chama João Havelange.

PS2 – E para atenuar o pedido de desculpas (que muitos não devem nem ter visto): o maior percurso do Rio de Janeiro, a vida inteira, centenas de anos antes da mudança da capital, era a Avenida Suburbana, que corta uma parte enorme da Zona Norte.

PS3 – Mudaram para Dom Helder Câmara, ideia notável, mas não ali. Milhares de empresários, lojistas, simples moradores, tiveram grandes prejuízos. E até hoje continuam usando o nome antigo. Dom Helder Câmara é eterno, como será sempre a Avenida Suburbana.

A morte de Rafael de Almeida Magalhães, não cumpriu o perfil e o destino de Presidente da República. Seu caminho foi truncado pelo golpe de 64. Como Teotônio Vilela, entrou na Arena, achava melhor o combate. Cassado em 1968.

Helio Fernandes

Ele acabou de fazer 80 anos, eu 90. Quando nos conhecemos, Rafael estava com 17 anos, eu com 27. Esses 10 anos de diferença marcavam o grupo brilhante do “Posto 2”, em Copacabana. Todos com o mesmo 80 ou 81/82, eu o mais velho de todos.

Em 1947, havia surgido a primeira Constituição da República, eleita pelo voto direto. (As outras, como os governos que não permitiram a realização da República, foram todas indiretas. Ainda hoje, muitos falam, “sou REPUBLICANO”, mas a palavra não entrou no dicionário brasileiro).

Jogávamos muito futebol de praia, principalmente no horário de verão, eu saía correndo da revista O Cruzeiro, onde era “Secretário-Adjunto” (o nome que existia na época, Editor chegaria muito mais tarde, trazido pelo grande Pompeu de Souza. Estudara em Londres e Nova Iorque,e viera reformular o jornalismo, dirigindo o “Diário Carioca”, onde implantou idéias incriveis).

Na praia já estavam Paulinho Soledade, depois grande compositor, Carlinhos Niemeyer, excelente figura, Rafael, o melhor de todos. Não foi peladeiro nem pode ser comparado a Pelé e Garrincha, pois não chegou a jogar. (Tolices, do pobre necrológico de hoje).

Teve excelentes propostas pára atuar por grandes clubes. (Principalmente o Fluminense, uma de suas paixões). Mas sua mãe, Dona Elza, não admitia de forma alguma. Doutor Dario fazia alguma resistência, mas admitia essa parada forçada, até que chegasse o momento da realização política.

Sempre pensou, viveu, atuou politicamente. Nas longas e não interrompidas conversas que tivemos, esse era sempre o ponto principal, fundamental, não ocasional. Eu sempre fui participante nato e direto, Rafael era mais comedido, trafegando por tom de coordenador, sem deixar de ser lutador. Ao contrário deste repórter, que forçava as portas para abrir os caminhos.

Para o repórter, era sempre a resistência pela resistência, os caminhos precisavam ser abertos e conquistados com luta. Nada pode ser aceito ou obtido por “generosidade” de quem estava (ou está) no Poder. Um exemplo disso foi a Frente Ampla. Eu e Rafael fomos os primeiros a tratar do assunto. (Sem esquecer de Sandra Cavalcanti, que conversou na Europa com Juscelino, pura intuição dela).

Rafael não quis participar das 8 reuniões, as duas primeiras na minha casa, as outras 6 na casa de Alberto Lee, grande amigo do extraordinário Enio da Silveira. (O empresário tinha a casa mais bonita do Rio, cedeu-a para as reuniões).

Uma noite, ainda no governo, Carlos Lacerda chamou Rafael e a mim para conversar sobre os encontros, que estavam para começar. (Ninguém chamava de Frente Ampla, isso foi denominação dada pelos jornais, depois que Lacerda leu na redação da Tribuna da Imprensa, o documento que ia ser assinado por ele, João Goulart e Juscelino).

Lacerda deu a palavra a Rafel, este fez brilhante e fugidia explanação sobre o assunto. O governador ficou furioso, esbravejou: “Você, Rafael, sempre com o seu maquiavelismo”. (Isso está no livro que escrevi em Fernando de Noronha, a ditadura intimou a todos, incluindo Carlos Lacerda, o editor da Nova Fronteira, o livro não saiu).

Lacerda então falou: “Helio, qual a sua análise desse reencontro?”. Falei por mais de 40 minutos, examinando o que no meu entendimento, aconteceria. Contra ou a favor. Eu já era totalmente a favor, Lacerda ficou abalado, disse apenas: “Vocês dois continuem conversando, me informem”.

Já depois de meia noite, fomos jantar no Albamar, o que fazíamos muito. Qualquer que fosse a hora da madrugada, o belíssimo restaurante abria para o Rafael. Na remodelação do centro da cidade, o governador queria acabar com o restaurante, o vice Rafael não deixou.

Em fevereiro de 1966, já fora do governo, eu candidato a deputado federal pelo MDB, Lacerda me telefona: “Helio por favor, faça um jantar, eu, você  e Rafael precisamos conversar”. Eu sabia o que ele pretendia.

Houve o jantar, Lacerda e Letícia, Rafael e Mitse, eu e Rosinha. Por volta de 11 horas da noite, o carro foi levar Letícia e Mitse, Rosinha foi dormir, ficamos nós três conversando a noite toda. Às 8 da manhã o empregado serviu café da manhã, continuamos até quase o meio dia.

Lacerda não conseguiu o objetivo: fazer Rafael entrar na Arena. Deu até o exemplo de Teotônio Vilela, que desde o início ensinou: “Entrei na Arena, é mais fácil combater de dentro do que de fora”. O herói que passou os últimos anos de luta, com um câncer que acabou por matá-lo, aparentemente tinha razão.

Rafael resistiu de todas as maneiras, até que contrariando o governador, resolveu: “Lacerda, isso que está aí vai durar 20 anos, não quero perder minha carreira”. Com notável intuição, acertou no prazo, errou nas consequências.

Por volta do meio dia fui levar os dois. Lacerda estava morando na Voluntários, enquanto ficava pronto o famoso e polêmico triplex do Flamengo. Para mostrar o sentimento de Lacerda, ao se despedir pediu a Rafael, “pense bem, nada terminou”.

Fui então levar Rafael, que morava em Copacabana, na Rua Assis Brasil. Dentro do carro, conversamos até as 4 da tarde, nada inédito. Lacerda não entrara em nenhum partido, eu fui direto para o MDB, não tive influência de ninguém. Logo depois, (a eleição era no mesmo ano de 1966), Rafael assinou a ficha da Arena, saiu candidato a deputado federal.

Éramos tidos como os deputados mais votados, Rafael pela Arena, eu pelo PMDB. Lacerda não apoiou ninguém, mas tinha visível predileção por Rafael. Um dia me explicou, não precisava: “Helio, não torço por você ou Rafael, só que a tua eleição será a mais votada do Brasil, quero que o Rafael se eleja”. Essa era a análise geral, jamais se saberá, fui cassado  três dias antes da eleição.

Rafael foi cassado em 1968 (logo a seguir do inacreditável AI-5), ficou apenas 2 anos. (Também foram cassados na mesma situação, Marcio Moreira Alves, Hermano de Deus Nobre Alves e Mario Martins, que se elegera senador por 8 anos, ficou apenas 2).

Rafael de Almeida Magalhães, um ser tipicamente político, se dedicou à advocacia cível e criminal, logo depois passaria a tratar apenas de grandes questões (fusões e coalizões). Mas sempre voltado para a política e o fim de tudo para ele, que era a Presidência da República.

Em 1986, mais ou menos às 11 horas, quase madrugada, Sarney ligou para ele, convidando-o para Ministro da Previdência, que aceitou. Exatamente à meia noite, Rafael me telefonou: “Helio, Sarney me convidou para Ministro da Previdência, aceitei, arranjei um avião, estou indo para Brasília, não queria que você soubesse por outras fontes”.  

E concluiu: “Sarney também chamou Jereissati para Ministro da Fazenda, ele deve chegar a Brasília, por volta das 7 da manhã”. Jereissati chegou mesmo, só que já estava vetado pelo doutor Ulisses.

Ficou apenas 1 ano, quem aguentaria Sarney mais do que esse tempo? Jader Barbalho, que Sarney nomeou Ministro da Previdência e da Reforma Agrária. (Depois disso, como é que Lula poderia dizer como disse: “Ninguém pode criticar Sarney”).

 ***

PS – Rafael seguiu sua trilha, acreditava no destino, era um otimista nato, em relação ao País e a ele mesmo. Tentaram fazê-lo vice, o pluripartidarismo é cruel e inexplicável, consagra Michel Temer, mas abandonou, por medo, um homem como Rafael.

PS2 – Nunca esteve doente, há dias vi uma entrevista dele num desses canais de TV que ninguém vê, ele simpaticíssimo como sempre. Os cabelos revoltos, magro, esfuziante e exuberante, exibia uma palavra admirável, a habitual.

PS3 – Não nos víamos há algum tempo. Dos 17 para 27, uma convicência perfeitamente aceitável. De 80 para 90, mais difícil, e de convivência precária. Além do mais, preferia vê-lo presidente, do que convivendo (profissionalmente, vá lá) com ricaços desprezíveis.

PS4 – Quando recebi a notícia, fiquei abalado, como estou no momento de escrever. Fora de familiares, nunca senti tanto como agora, a injustiça da morte. Não consigo assimilá-la ou esquecê-la.

Internet, celular, twitter, facebook, podem derrubar ditadores corruptos? As duas ditaduras que existiram no Brasil, teriam resistido? Ou servem “apenas” de incentivo e indução à revolta? Precisam de massas na rua, como vemos hoje?

Helio Fernandes

O avanço da tecnologia, com o aparecimento dessas “ferramentas”, diariamente, se inventando e se reinventando, é impressionante. Não só pelo alcance que atingem, mas também com a facilidade e a penetração. E a quebra de recordes nos tempos? Ainda bem uma “ferramenta” dessas está sendo assimilada, já surge outra e mais outra, quase sem surpreender.

Antigamente as invenções levavam centenas de anos para se reproduzirem ou se sobreporem. Em 1460, Gutenberg lançou a impressão, permitindo a edição de uma Bíblia que percorreu o mundo. A invenção seguinte no campo da comunicação foi o telefone.

Em 1876, (quase 400 anos depois), Graham Bell anunciava a invenção do telefone, sucesso onde tantos outros fracassaram, ou mudaram de objetivo no esforço de alavancar o progresso da tecnologia e da comunicação. (Foi o caso de Marconi, Gugliemo Marconi). Tentou o telefone, o telégrafo sem fio, foi se realizar plenamente em 1894, com a invenção do rádio.

Conquista sensacional. Graham Bell, contestado por outros que também tentaram sua invenção, mas fracassaram, escreveu carta a 10 grandes personalidades do mundo, revelando fato. (Entre essas 10 personalidades, Dom Pedro II, Imperador do Brasil).

Mas longos e longos anos se passaram, “desenvolviam” essas técnicas, mas muito lentamente. Nos anos 70, viajando de carro pela Europa, parava num aeroporto ou numa agência da Varig ou da Panair, entregava a matéria. As empresas de aviação tinham um serviço chamado de “bolso do piloto”, chegavam ao Rio, mandavam entregar no jornal.

Idem, idem para Paulo Francis, que escrevendo diariamente para a Tribuna, usava também desse recurso para enviar sua coluna. Diga-se, aproveitando a oportunidade: Francis foi o primeiro jornalista a fazer coluna diária de um país para outro, sem falhar. (Depois veio a fase espalhafatosa [e menor] da televisão, aí é outra história).

Em 1990, cobrindo a Copa do Mundo da Itália, o fascínio do progresso, (montada nos subterrâneos do Hotel Excelsior, na Via Venetto, ao lado da fortaleza que era a embaixada dos EUA), apresentava esse fax, que ninguém conhecia. Escrevíamos, passávamos para o aparelho, e a confirmação imediata. Que maravilha viver.

Em 1998, pela primeira vez, na França, a utilização do celular como forma de jornalismo. Surpreendidíssimo, via pelas ruas as pessoas com aquele aparelho (ainda não sofisticado) conversando, davam a impressão de falarem sozinhas. E os jornalistas aproveitavam o futuro que ainda era o presente.

Isso tem apenas 12 anos. Mas a velocidade com que os fatos, os aparelhos ou ferramentas são ultrapassados, dá a impressão de que se passaram 12 séculos. E o mais impressionante, não há limite ou previsão de tempo ou expectativa, para que uma invenção “desatualize” a anterior.

Mudando do impressionante avanço do jornalismo para o social, o político, o democrático (ou pelo menos tenha esse nome), avaliemos e tentemos colocar alguma resposta para a interrogação que está no título: essa tecnologia pode servir à coletividade para livrá-la dos ditadores e das ditaduras corruptas, insistentes e dando a aparência de eternas?

Vindo do passado, para o presente e chegando ao futuro. Tivemos no Brasil duas ditaduras semelhantes, às vezes com personagens se repetindo e se agarrando ao Poder por 36 anos exatos (uma de 15 anos, outra de 21). Teriam conseguido conviver e sobreviver torturando e sequestrando a coletividade?

Pulando os tempos de hoje, passando logo para o amanhã, essa tecnologia fantástica, abrangente e persuasiva, impedirá que corruptos cheguem ao Poder e se mantenham uma eternidade, burlando, enganando e mistificando a coletividade?

Agora, no presente, dois exemplos maravilhosos, que, esperamos, se multipliquem. E um terceiro que está em gestação, se encaminhando também para solução que liberte e devolva os Poderes à coletividade. Este último é o Haiti. Depois de tantos anos vivendo na Europa com o dinheiro roubado do povo, Baby Doc teve a audácia de voltar, pelo menos está preso.

Os outros dois países, Tunísia e Egito, caminham em alta velocidade pela libertação do povo, que já sonhamos com a multiplicação de 2 para 20 ou até para 200. Não há como parar. Mubarak e sua ditadura corrupta e assassina estão no chão, derrubados. Aos 81 anos, como nunca foi contestado por ninguém, Mubarak se preparava, já “comunicava”, vou passar a presidência (?) ao meu filho Gamal.

Não vai não, e por causa da revolta popular que no Egito está cumprindo os dois requisitos básicos: 1 – A internet informou e inflamou a população, que soube, em instantes, o que ignorava a vida inteira. 2 – A população do Egito não se contentou em saber, completou, se revoltando. E está nas ruas, não importa que o ditador comande a reação com as armas que são de propriedade do povo, para defendê-lo em vez de assassiná-lo.

Na Tunísia a vitória do povo foi completa, o ditador e a mulher perderam o Poder, tiveram “congelados” e “confiscados” os fabulosos bens que roubaram e enviaram para o exterior. E assustadíssimos, estão num processo de perder a liberdade e voltarem, presos, para a Tunísia. Quer dizer, em vez de eternizados, foram internetizados.

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PS – Se os povos forem para as ruas, em qualquer país, reconquistarão seus direitos, suas vidas, seus bens que foram roubados. Não viverão mais enclausurados e assustados, serão os libertadores deles mesmos.

PS2 – É URGENTE que se faça uma legislação UNIVERSAL, (quem sabe na inútil ONU, que se reabilitaria) desapropriando essas fortunas que ocupantes do poder DEPOSITAM na Suíça ou em “paraísos fiscais”. Não é injustiça nem violência.

PS3 – Os ditadores terão que PROVAR QUE O DINHEIRO QUE ENVIARAM É LIMPO E GANHO LEGALMENTE. E a Suíça e esses “paraísos”, responderão pelo crime de APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Receberam e aplicaram o dinheiro do povo, sabendo que era R-O-U-B-A-D-O.

***

AMANHÃ, TERÇA-FEIRA
O atentado a Vargas na Rio-Petrópolis. Todos que estavam
no carro morreram, menos Dona Darcy Vargas. A VERSÃO
da História e a VISÃO deste repórter e do extraordinário
conhecedor dos fatos, Antonio Santos Aquino

 

Eduardo Cunha perderá Furnas? Só se a presidente Dilma imitar Lula.

Helio Fernandes

É o que ele mesmo diz, embora gente que circula perto dele garanta que está assustado. Já se convenceu que Dona Dilma não tem nada a ver com Lula, seu estilo é outro e pode enfrentá-lo. Lula ficou meses “apelando” para o lobista, acabou se rendendo a ele.

Torço para que Dona Dilma não se entregue, não tenha medo de Eduardo Cunha, faça com que desapareça do mapa das concessões. Nenhum prazer especial em agradá-la, nada de elogio, apenas não quero que um presidente se desgaste, se desmoralize, se desprestigie logo no primeiro mês.

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LEMBRANDO JANGO

Não custa repetir. Golbery reuniu um grupo de 69 coronéis, exigiu a demissão do Ministro do Trabalho. Esse Ministro, João Goulart, pediu ao presidente Vargas (então eleito pela primeira vez) que aceitasse.

11 anos depois, presidente da República, resolveram reeditar o mesmo espetáculo contra o mesmo Jango, com o mesmo Golbery comandando a nau capitanea. O público era diferente, mas os personagens haviam trabalhado no show anterior.

PS – Resista, presidente Dilma. Não desista de expulsar do palco atores sem credenciais como esse lobista chantagista.

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SEGUNDO ESCALÃO

Os cargos que identificam dessa maneira, na verdade são muito mais importantes do que vários ministérios. Dona Ideli Salvati festejaria (e não apenas em Santa Catarina), se em vez do Ministério da Pesca, tivesse recebido a presidência de uma dessas estatais.

Não só a presidência, até mesmo uma diretoria. Nem falo da Petrobras, a mais desejada. Banco do Brasil, Caixa, todas as elétricas, BNDES, e mais e mais, ainda ficarão sendo discutidas por muito tempo. Com lances de audácia e até de intimidação, como estamos vendo.

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CIRO E CID GOMES

O governador está dizendo sem escolher auditório ou ouvintes: “Não acredito que o Ciro seja Ministro agora, mas pode ser”. Nenhuma dúvida. Mas o complemento da fala do governador, inteiramente fora de órbita ou despropositada: “E ele será candidato a presidente em 2014”.

Isso só pode ser admitido por quem gosta de adivinhação ou brincadeira. Ou se “disputar” por alguma legenda sem expressão.

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PRESIDENTA OU PRESIDENTE

Todos sabem que com o final A está certo. Mas a rotina e quase a obrigação é a palavra com E no fim. Quem usar (principalmente jornalista), com A, está praticando o puro e desavergonhado exibicionismo.

Presidência dos quatro maiores partidos: PMDB, PSDB, PT, DEM

Helio Fernandes

No sistema eleitoral do pluripartidarismo, presidir um partido nacional ou até mesmo uma presidência estadual, que maravilha viver. Já falamos do PSDB, ninguém se entende.

O PMDB, que já recebeu muito, está mais ou menos “pacificado”. Só tem três ou quatro líderes, vá lá. Um está presidindo o Senado, o outro é vice-presidente da República, assumindo por três dias por causa da viagem de Dona Dilma.

O PT, no governo, é presidido por um suplente de senador, que resolveu assumir essa suplência (transformando-a em efetiva) nomeando o senador para um ministério. Não conseguiu, ninguém tem respeito por ele. Seu nome? José Eduardo Dutra.

E finalmente o DEM. Só que este, cada vez mais enfraquecido, depende do grupo que fizer maioria, na eleição dentro de pouco tempo. Se o grupo de Agripino Maia e ACM Neto, vencerem, o senador será o presidente e líder no Senado. Se perder, será líder no Senado. O DEM não tem mais ninguém. O que esperavam do DEM, depois de ser “presidido pelo meu garoto”?

BC “justifica” juros altos, hoje e amanhã

Helio Fernandes

Com os juros vergonhosamente no patamar mais alto do mundo, explicam: “Temos que subir a taxa de juros, a inflação também está subindo”. Quer dizer: o aumento da taxa, não está atingindo ou reduzindo a inflação.

Outra conclusão que coloca o BC do Brasil, numa linha de desvantagem em comparação com o resto do mundo. E deixa à vista a incompetência dos “nossos” economistas. No mesmo momento em que dizem isso, o presidente do FED, confirma os juros em “ZERO ou ZERO OU 0,25” concluindo: “A impressão é que essa taxa deverá se manter por muito tempo”.

Conversa com os comentaristas, sobre Rudolf Hess, que ficou preso em Spandau até morrer

Helio Fernandes

Minha nota sobre Rudolf Hess, provocou grande repercussão. Em primeiro lugar, como declarei que havia esquecido o nome dele, agradecimento a todos que lembraram como ele se chamava. José Antonio disse textualmente: “Não tenho o menor conhecimento de que soviéticos condenaram ingleses à prisão perpétua”.

O fato é rigorosamente verdadeiro, e como eu disse antes, Hess ficou sozinho, na enorme prisão de Spandau, e só morreu depois dos 90 anos, apesar dos pedidos (e protestos) para que fosse libertado. Ninguém discorda dessa minha afirmação, como Valério Klug, Sergio Ferrari, Eurico Reis, Carlo Germani e muitos outros.

A discordância quase geral foi em relação ao nascimento de Rudof Hess. Falam que era inglês, teria nascido no Egito, ou até em outros locais ou países variados. Importante mesmo, é a concordância em relação ao fato: em 1942, quando os EUA ainda não haviam aberto a “Segunda Frente” na Europa, ele pegou um avião e viajou sozinho para a Inglaterra.

Foi apanhado pelos ingleses, até hoje não se sabe o que ele teria ido fazer sozinho na Inglaterra. Tentar negociar um acordo entre Hitler e Churchill? Na verdade, em determinado momento, Hitler poderia ter invadido a Inglaterra, que estava mais vulnerável do que a União Soviética.

Portanto, a idéia de que Hess queria conversar era perfeitamente compreensível e até assimilável. Hitler considerava que “a Inglaterra pode ficar para depois, podemos fazer acordo, mas primeiro temos que liquidar a União Soviética”.

Só que os ingleses não admitiram nem ouvir o que o “fugitivo” queria. Naturalmente a determinação era de Churchill, que mandava em tudo. Humilhava De Gaulle no seu “governo do exílio em Londres”. Nunca lhe deu qualquer oportunidade.

*** 

PS – E qual a razão de Churchill aparecer para o mundo ao lado de Stalin? Pedido de Roosevelt? Foi, mas precisava (e exigia) a vitória e não acordo.

PS2 – Quanto ao resto, há um vazio muito grande de informação, de reflexão, e até de fatos históricos. Tudo fascinante, mesmo sem explicação.

PS3 – Também sem conhecimento público do fato dos soviéticos terem mantido Hess até depois dos 90 anos naquele deserto que era a prisão de Spandau, surgiu a versão de que teria sido “suicidado” pelos soviéticos. Aos 90 anos, poderiam ter feito isso (se fosse a intenção) 40 anos antes.  

PS4 – Um fato quase igual, só que com características singulares, aconteceu com o Marechal Petain, na sua própria pátria, a França. Herói da Primeira Guerra Mundial, na Segunda o mínimo que disseram: “Traiu seu país, formando o governo de Vichy, que apoiava os alemães”.

PS5 – Terminada a guerra, estava com 89 anos, foi condenado à morte. Houve protestos não para defendê-lo, mas por causa da idade. Comutaram sua pena, que passou a ser de prisão perpétua. Perpétua aos 89 anos? Morreu no ano seguinte, com 90.

Serviu para eleger. Servirá para governar?

Carlos Chagas
                                           
Completado o primeiro mês de governo de Dilma Rousseff e evidenciada a diferença de estilo entre a presidente e seu antecessor, a pergunta que se abre é se vai  dar certo. Vai?            Depende. As oposições, do PSDB ao DEM, não estão nem aí para exercer seu papel. Preferem dedicar-se a disputas internas, muito  mais acirradas do que as não travadas com o governo. O máximo a que chegaram ficou por conta do ex-presidente Fernando Henrique, ao acentuar dificuldades em entender os raciocínios de Dilma.
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O obstáculo que a nova presidente precisará superar emerge de sua própria base política. Chama-se fisiologismo. PT e PMDB travam guerra nem tão surda assim pela ocupação do poder. Os companheiros celebraram a queda dos adversários, de seis ministérios no governo Lula para três, no atual. E  menos importantes que os anteriores, em termos de verbas orçamentárias.

A corrida chegou a tal ponto de insensatez em busca de cargos no segundo escalão que Dilma precisou interrompê-la, adiando as nomeações para fevereiro. Mas fevereiro está aí, com o início dos trabalhos do Congresso. Caso o PMDB se sinta desalojado e desprestigiado, será inevitável que dê o troco. Nesse ponto  repousam  o sucesso ou o  malogro político do governo.
Projetos de interesse do palácio do Planalto começarão a ser examinados, começando pelo novo salário mínimo. Uma derrota inicial poderá desandar a base parlamentar. Só que para evitá-la será necessário ceder e nomear peemedebistas aos montes, a maioria dos quais sem as pretendidas qualificações técnicas. Para eleger-se, a presidente precisou do apoio do PMDB. E para governar, prescindirá do partido?
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NEM MELHOR, NEM PIOR

Não é preciso endossar a cáustica observação do dr. Ulysses Guimarães, a respeito de que “pior do que o atual Congresso, só o próximo”. Pode ser que não, coisa que veremos a partir de amanhã, quando de instala a nova Legislatura. Se é para ficamos em citações de saudosos líderes do passado, melhor dar a palavra a Gustavo Capanema, para quem o Congresso  era o retrato da nação: nem melhor, nem pior do que ela. O sagaz mineiro ainda acrescentava que todo Legislativo continha dez por cento de luminares, ocasião em que estufava o peito, e dez por cento de ladrões. Os restantes oitenta por cento era a sociedade, sem tirar nem pôr, com seus vícios e suas virtudes.
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Feito o preâmbulo, vem o principal: o Congresso que hoje começa a trabalhar? A renovação foi inferior a 50%, tanto na Câmara quanto no Senado, quer dizer, o atual começa sob a sombra do anterior.
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De boca, ou seja, na teoria, dos 513 deputados a prestar juramento amanhã, 402 se dizem dispostos a apoiar o  governo Dilma Rousseff e 111 formam na oposição. Entre os senadores, 59 são dilmistas e 17 contra. Estes números não representam  nada, poderão estar ultrapassados agora mesmo, por conta de ressentimentos de aliados frustrados com as nomeações para o segundo escalão do governo. Ou através de participações inesperadas.
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A Legislatura que se encerra teve como capítulo final o aumento dos vencimentos que Suas Excelências  se auto-concederam, em percentuais abomináveis de mais de 100%.  A que começa agradece, sabendo caber-lhe não elevar o salário-mínimo em mais do que 5%.
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Vale a indagação final: ficamos com Ulysses Guimarães ou com  Gustavo Capanema?

Dilma garante concessão múltipla de canais à Globo, Band, SBT e Record

Pedro do Coutto

Ótima reportagem de Cida Damasco, João Bosco Rabelo e Ricardo Gandour, O Estado de São Paulo de 27 de Janeiro, revela que a presidente Dilma Rousseff decidiu, alías como é lógico, manter intocado o artigo 220 da Constituição Federal e, com isso, assegurar a vigência do atual sistema de concessão múltipla de canais de televisão e rádio às empresas que predominam no setor. Caso em que se encontram a Globo, Band, SBT e Record, principalmente.

Assim, de acordo com o texto publicado, bastante consistente, ela remete para o espaço o projeto do ex-ministro Franklin Martins, substituído pela jornalista Helena Chagas no Ministério da Comunicação Social.

Traduzindo mais claramente a decisão, a Rede Globo poderá manter simultaneamente seus inúmeros canais de rádio e TV que estão no ar. Da mesma forma que as Redes Bandeirantes e Record poderão acumular as concessões que possuem para as suas emissoras de rádio e televisão. Não muda nada.

Sob a ótica política, o projeto radical de Franklin Martins indiretamente proporcionou à presidente da República um amplo espaço para ir ao encontro da mídia, em vez de colidir com seus proprietários. São quatro os principais: a família Roberto Marinho, a família João Saad, o grupo liderado pela Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, e Silvio Santos. Podemos acrescentar na parte radiofônica, o grupo do Condomínio Acionário Assis Chateaubriand, cujo ponto mais forte é a Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Os empresários do setor devem ter recebido com grande satisfação e alívio a matéria de O Estado de São Paulo. Principalmente a família Marinho que, além dos canais de televisão e rádio, edita O Globo. O Globo junto à Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, compõe o trio que reune os maiores jornais do país. Franklin Martins propunha a implantação de sistema próximo do adotado na Itália: o dono de um jornal não pode ser também concessionário de televisão ou rádio, e vice-versa.

Mas isso foi ontem. Hoje, é outro dia. O que passou, passou. Inclusive, a iniciativa do ex ministro exigiria emenda constitucional, não apenas projeto de lei. A Carta de 88 não impede a multiplicidade de canais a um mesmo proprietário. Faltou a ele assessoria jurídica.

Este é o primeiro posicionamento de Dilma Roussef em relação aos meios de comunicação, a mídia. Há um segundo. Este destacado pelos repórteres Valdo Cruz, Ana Flor e Breno Costa, reportagem publicada na Folha de São Paulo de sexta-feira, 28. Trata da relação entre o governo e os meios de comunicação, de acordo com a visão, aliás correta, do Palácio do Planalto. Nenhuma restrição, no que Rousseff não faz favor algum, mas cumpre o texto constitucional que veda qualquer tipo de censura, seja no campo das artes, no campo do jornalismo, no plano político ou ainda científico. Ela não quer choques, os quais sempre deixam reflexos negativos ao longo do tempo. Veja-se, por exemplo, o caso da mesma Folha de São Paulo, cuja redação foi invadida pela polícia em  90 por ordem do presidente Collor, logo após chegar ao Planalto.

O caso repercutiu internacionalmente e ainda causou a demissão de um de seus editorialistas, Newton Rodrigues, que pouco após o ato de força foi recebido por Fernando Collor. O repórter da FSP que cobria o Palácio do Planalto noticiou o fato, Newton Rodrigues, que integrava o conselho editorial, não comunicou a audiência previamente à direção do jornal, e pelo gesto foi dispensado. As relações entre o poder e a imprensa são sempre tensas.

As direções dos jornais estão permanentemente atentas aos movimentos particulares de seus profissionais no exercício das funções. Se tais relacionamentos já são normalmente instáveis que dirá quando explodem as crises e os desencontros? Dilma Rousseff está correta em trabalhar para diminuir a corrente elétrica entre o poder e o espelho de seus atos.

A tentativa da China de construir e implantar a infraestrutura no Brasil, recebendo não em dinheiro, mas em produtos primários. É o que aconteceu na Alemanha entre as duas guerras, de 1918 a 1939.

Helio Fernandes

Luiz de Moraes Rego Filho: “Estratégia semelhante foi utilizada pela Alemanha entre as duas guerras. Não havia dinheiro na jogada, somente troca de produtos. Não bastasse a queda vem o coice. Na edição de hoje do “Bom Dia, Brasil”, no vídeo, empresários falam da contratação de mão de obra estrangeira.”

Comentário de Helio Fernandes:
Interessante tua matéria e análise. O que aconteceu entre as duas guerras, com a Alemanha e os países “adversários”, não se limitou à troca de mercadorias. Pelo “Tratado de Rendição Incondicional da Alemanha, assinado em 11 de novembro de 1918”, ficou estabelecido e determinado, com todas as letras e palavras: “A ALEMANHA NÃO PODERÁ TER EXÉRCITO, MARINHA E AERONÁUTICA”.

Pois já em 1926 e seguintes, a Alemanha caminhava para ter o maior exército do mundo, a maior aviação e a maior frota marítima de guerra. Como provou quando começou a afrontar e dominar toda a Europa, e a partir de 1939, quando deflagrou a guerra propriamente dita.

A luta pelo domínio dos céus da Inglaterra e da Alemanha, entre os Spitfires (ingleses) e Messerchmitts (alemães), emocionante, empolgante, devastadora, mas histórica. Como a Alemanha, vigiadíssima, conseguiu essa reviravolta?

Cidades dos dois países foram completamente arrasadas, passaram a ser citadas como se fossem verbos. Coventry, na Inglaterra, se transformou em “Coventrizar”. Colonia, na Alemanha, era apenas “Colonizar”. Outras cidades sofreram como essas, mas não tão impiedosamente.

(Como aconteceu na bárbara Guerra Civil da Espanha de 1936 a 1939, em Guernica, cidade de Picasso, que pintou então um quadro com esse nome. Não é nem de longe o melhor Picasso, mas é certamente o mais famoso).

Interesses colossais de empresários “sem pátria”, ajudaram a explosão militar da Alemanha. A primeira intervenção foi para “debelar” a inflação que corroía e destruía o marco alemão. Apesar da guerra, essa desvalorização poderia contaminar o resto da Europa.

O intermediário, um economista de 26 anos, doutor Hjalmar Schacht, liquidou a inflação. De que forma? Os alemães, que precisavam levar um carrinho com os marcos para pagamento, vinham com esse mesmo carrinho de compras, muito mais vazio do que antes.

Outro extraordinário intermediário da recuperação da Alemanha, foi Albert Speer, encarregado dos fornecimentos às forças armadas, recebendo ajuda de grandes empresários. O eterno Vale do Rhur, razão da riqueza da Alemanha, antes e depois das duas guerras e até hoje foi o mais preservado possível.

Os EUA não ficaram alheios a essas negociações, embora morressem milhões de pessoas a mais. Sabendo de tudo, em Nuremberg preservaram (a palavra é sempre essa) tanto Schacht quanto Speer. Não foram a julgamento. Um general dos EUA, disse textualmente e lógico, autorizado: “É um crime condenar à morte ou à prisão quase eterna, homens como esses”.

Os soviéticos não tiveram o mesmo comportamento, condenaram à prisão perpétua, um inglês que saltou de avião para tentar estabelecer uma paz ou trégua. Ficou preso isolado numa fortaleza que era um verdadeiro campo de concentração, quase do tamanho do Central Park de Nova Iorque, nunca foi perdoado. Morreu sozinho, com mais de 80 anos.

Como você diz muito bem, Moraes Rego, não “houve dinheiro na  jogada”. Continuavam matando, devastando, assassinando milhões. Só que aqui eram apenas “PESSOAS”, preparavam o terreno para que depois de guerra, acumulassem outros milhões, só que de dólares. Que foi o que aconteceu.

 ***

PS – Voltando ao assunto básico, a proposta da China para fazer obras que poderíamos muito bem CONSTRUIR nós mesmos, e também como nas duas guerras mundiais, sem sair dinheiro.

PS2 – Quer dizer: não sairia dinheiro em espécie de maneira alguma. Mas transformando os serviços feitos pela China e a recompensa que receberiam da forma que eles mesmo estipulam, vejam que p-r-e-j-u-í-z-o-s.

PS3 – O Brasil não deveria aceitar NEM MESMO CONVERSAR. Conversando já estamos perdendo um tempo precioso, que será perdido se essa conversação for adiante.

Dona Dilma manda investigar Furnas

Helio Fernandes

Não tem que investigar nada. Em primeiro lugar, precisa nomear um técnico para presidir a segunda maior empresa de energia do país. Foi ela mesmo que afirmou: “O presidente de Furnas pode ser do PMDB, mas tem que ser um técnico”. Então, por que não nomeia logo, perdeu um mês?

Aí o novo presidente (que tem que ser ficha-limpa) cumprirá as determinações da presidente, tirando o Poder e a influência do grande lobista, Eduardo Cunha. Não como represália, mas como resposta à intimidação. O presidente que se deixa intimidar, não é um bom sinal, até mesmo para o futuro.

 PS – Aliás, Eduardo Cunha, que veio com toda força contra o governo, recuou em alta velocidade. E concentrou seus ataques contra o ex-governador Garotinho.

PS2 – Dona Dilma pode aproveitar para fazer o que o presidente Lula não fez: cumpriu as “ordens” de Eduardo Cunha, ninguém entendeu nada. Dona Dilma pode agir de forma que todos entendam.

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CONSUMIDORES ROUBADOS

Aurelio: “Jornalista, li nos jornais e vi nas televisões, que os consumidores de energia pagaram R$ 7 bilhões a mais, porém a Anatel diz que não há como restituir. O que fazer?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você é muito “audacioso”, quer restituição? São apenas 7 bilhões, por que
a Aneel iria se incomodar com gente como vocês ou nós? Pagou está pago, se estivéssemos atrasado o pagamento, estaríamos “sujeitos às penas da lei”.

Nos EUA, PIB sobe, desemprego permanece

Helio Fernandes

O FED anunciou oficialmente: o PIB cresceu 3,2 por cento. Embora eles mesmos tenham feito a ressalva: computaram o último trimestre, quando a contratação de trabalhadores é maior por causa do Natal. (E incluíram a festa do “Dia de Ação de Graças”, o país para, elite, classe média e pobres se juntam sem ressentimentos).

Mas o desemprego decepcionou o próprio Obama. No final de dezembro, início de janeiro, fez a declaração: “Estamos com a taxa de desemprego de 9,8 por cento da força de trabalho”. E ao contrário de outros presidentes e primeiros-ministros, traduziu: “Isso significa um total de 15 milhões e 400 mil desempregados”.

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PS – O FED deu os números, na mesma linha do presidente: “Os desempregados são 9,4 por cento, uma queda de 0,4 por cento”.

PS2 – Traduzindo: 150 mil a mais trabalhando, os desempregados passaram a ser 15 milhões e 250 mil pessoas.