Silvio Santos: “Quem quer dinheiro?”

Helio Fernandes

O programa com esse nome, feito pelo homem do Baú, chegou a ganhar audiência nos tempos áureos do SBT. Principalmente por causa do título, e a necessidade de quase todos.

Pois agora, o refrão do título invade a vida do próprio SS, que chegou a ser candidato a presidente, lembram? Depois da falência do Banco PanAmericano, que era de SS com a Caixa Econômica tendo maioria (estranhíssimo), o dinheiro está jorrando, que palavra, para suas contas pessoais.

Apesar do “rombo” declarado ser de 2 bilhões e 500 milhões, apareceram vários “compradores”, que se comprometem a investir (?) o dobro.

Presidência do PSDB, guerra à vista

Helio Fernandes

Agora, complicou mais. A disputa era entre os que se chamam de “quatro grandes” (FHC, Serra, Aécio, Alckmin). Mas agora outros personagens surgiram: são os deputados. Querem que o presidente do partido seja da Câmara, e o escolhido, vitorioso na última eleição. Como acontece sempre com o PMDB.

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CARREIRA ESTRANHA
O nome do personagem é Francisco Escorcio. Amicíssimo de Sarney, era funcionário do Senado. Conseguiu ser incluído como suplente numa vaga de senador que não podia perder, mas podia morrer, o que aconteceu logo no início do mandato.

Escorcio se licenciou, assumiu, acabou o mandato voltou ao trabalho. Ficou com uma nova suplência (segunda), agora de deputado. Como os efetivos se licenciaram, quer assumir faltando 3 dias para o fim da legislatura. Que República, ainda quer o que chama de “todos os meus direitos”.

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VIZINHOS DE POLTRONA

Dona Marta Suplicy e Lindberg Farias já marcaram lugar no plenário. Ela, ao lado do ex-marido. Ele, junto do ex-presidente Collor, que ajudou a derrubar. Se Henrique Eduardo Alves fosse senador, sua ex-mulher sentaria ao lado dele? Depois de todas as denúncias sobre sua fortuna ilícita?

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“VOLTOU DE TORNA-VIAGEM”

“O filho do Rei Curiango voltou de torna-viagem”. Pode ser repetido com Lula. Só que este demorou menos. E parece que o ex-presidente descobriu o caminho da permanência em público, gozando os prazeres dos holofotes.

Se aparecer toda vez que ganhar um título de “doutor honoris causa”, não poderá ficar ausente nem nos sábados e domingos. Que maravilha viver.

PS- Sirvam-se, com sinceridade, tranqüilidade, sem restrição, se possível sumariamente. Se quiserem, lembrem de Lula quando numa das primeiras viagens, voltando do Gabão, comentou extasiado: “Ele está há 32 anos no Poder”. Isso, com um ar visível de inveja.

Conversa com comentaristas, sobre a política brasileira de juros e sobre o fim da Bolsa do Rio

Valentim Valente: “Caríssimo Helio Fernandes, a presidente terá que dar cartão vermelho ao Guido Mantega e ao Tombini. Todos os economistas de grande reputação estão cansados de escrever que a Taxa Selic não tem nada a ver com a inflação”.

Comentário de Helio Fernandes:
Perfeito, Valentim Valente, teu nome é uma redundância agradável ou uma invenção interessante. Estou totalmente de acordo, escrevo sobre isso desde a Tribuna de papel, e aqui mesmo. Tenho feito comparações com outros países, para deixar bem claro: “o combate à inflação aumentando a taxa de juros” só existe no Brasil.

Repetindo: no Japão, JURO ZERO. Nos EUA, O,25% ou também ZERO. Alemanha, Grã-Bretanha, França (quando chega a 2 por cento, quase clamor público. Nem falo da Itália, dupla pobreza, do país e do seu primeiro-ministro CORRUPTO, Silvio Berlusconi).

PS – Esses países não têm inflação? Ou não se preocupam com ela?

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BOLSA DO RIO DE JANEIRO

Christiano: “Já vinha sofrendo esvaziamento devido ao declínio da cidade. O caso Nagi Nahas foi apenas o golpe final, com efeitos devastadores”.

Comentário de Helio Fernandes:
De uma certa maneira você tem razão culpando o declínio, só que não era da cidade e sim do Estado do Rio. Ernesto Geisel já havia feito a tresloucada fusão, porque o Rio era sempre oposição.

O que você chamou de “caso Nahas” (por que esqueceu de Mendonça de Barros, muito mais poderoso?) poderia não ter acontecido , você trata como golpe final, expressão com a qual não concordo.

Mas ratifico inteiramente a tua observação sobre o que chama de efeitos devastadores. Muito mais do que se imagina, não foi apenas a CORRUPÇÃO e a PROTEÇÃO do governo FHC. Os profissionais de São Paulo, que jogavam no Estado do Rio, na Bolsa daqui, fortaleceram a de lá,

Era tal o prestígio de Mendonça de Barros com FHC, que ele fundou uma corretora no nome dos filhos, e todas as operações que o governo precisava fazer, faziam por ela.

PS – Denunciei isso, na época da Tribuna impressa. Nenhum desmentido, silêncio completo de Mendonça e do governo.

A meta: esfolar o cidadão comum

Carlos Chagas
                                              
Num objetivo acoplam-se perfeitamente o interesse público e o interesse privado, melhor dizendo, a ação dos agentes públicos  e dos agentes privados:  é na voracidade de depenar o cidadão comum. Para cada lado que se olhe acontece  a mesma coisa. Ainda agora,  em Brasília, o governo local vai distribuir os talões de pagamento do IPTU. A média dos “reajustes” deve ser de quase 100%. Quem  pagou ano passado mil e poucos reais será   taxado em mais de dois mil reais. E assim por diante.

A rapinagem não será  tão grande quanto a praticada pelo ex-governador  José Roberto Arruda, mas de qualquer forma os prognósticos parecem trágicos. Será  um exagero, porque a inflação, ano passado,  não passou de 6%,  mas se não estrilarmos, não se falará  mais  no assunto. Trata-se de falta de exercício da cidadania, para a maior parte da população. 

Deveriam os brasilienses ir  em frente e exigir do governo local uma explicação: quem determinará  os abusivos reajustes? Uma  iniciativa de amanuenses aloprados, de chefes abomináveis, ou  lá de cima, mesmo, através de no  mínimo,  a concordância do governador  com esse ato explícito de esfolamento do semelhante? Claro que ninguém vai investigar, muito menos o governo  do Distrito Federal, ficando o dito pelo  não   dito,  ou o esfolado  pelo não esfolado.�
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Passando do plano estadual para o federal, nem será preciso referir que enquanto as grandes empresas  burlam o fisco,  empenhando-se anos e até  décadas a fio em batalhas judiciais sem pagar impostos e  tributos,  milhares de contribuintes comuns, dos que vivem de salário,  são assoberbados com notificações da Receita para comprovarem despesas médicas e outras, nas declarações anteriores do Imposto de Renda. Parece o caminho para  o poder público vangloriar-se do aumento de arrecadação.
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Mas tem mais, lá e cá. Ainda esta semana os assinantes da famigerada NET estão sendo  surpreendidos não apenas com o aumento das mensalidades, mas com a supressão de  razoável número de canais antes acessados conforme os contratos. Para assisti-los, agora,  será  necessário pagar por fora, como no caso anterior de torneios de futebol e de filmes não tão velhos quanto os apresentados normalmente. Isso sem falar em que, quando  lançados os canais a cabo, a promessa era de que  não conteriam publicidade ou propaganda de qualquer espécie.
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Só isso? Nem pensar. Também no último ano do presidente Lula o governo autorizou o aumento generalizado  no preço dos remédios. A informação era de que tudo se limitaria a 4%. Vá o  leitor reclamar na farmácia da esquina. Mesmo  proibidos os reajustes,  eles não  pararam de acontecer nos últimos doze meses. Agora, autorizados, passam de  30%.
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Reclamar para quem? No setor público, mesmo com o advento dos companheiros ao poder, primeiro municipal, depois estadual  e agora federal, continuam a fluir as propinas e comissões pela realização de qualquer tipo de obras ou contratação de serviços.  Só que com um detalhe:   antes,  cobrava-se 10%. Hoje, a regra é de 30%.�
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Essa simbiose entre o público e o  privado parece não ter limites. Quem não disporá de um exemplo a mais, no seu dia-a-dia, para demonstrar como somos explorados?

VERSÃO REAL OU FANTASIOSA?

Corre nos meios diplomáticos que durante a visita do presidente Hu Jintau, da China, aos Estados Unidos, houve tempo para que conversassem fora da agenda, olho no olho, assistidos apenas por intérpretes da maior confiança. Foi a hora de falarem duro. Barack Obama teria deixado claro que se os chineses colocassem os americanos na fogueira por conta da pujança econômica, de um lado, e a crise ainda latente, de outro, Washington teria condições de retaliar, até mesmo denunciando o regime chinês como ditatorial. Melhor seria que  acomodassem interesses.

O visitante teria aberto  o jogo, dizendo não dispor a China de outra solução a não ser seguir em frente em sua expansão,  até atropelando parte do planeta. Explicou que do bilhão e trezentos milhões de chineses, apesar de todo o progresso econômico lá verificado, apenas 400 milhões estavam tendo acesso aos benefícios da modernidade.  Sobravam 900 milhões ainda vivendo na pobreza, limitados no interior, sem permissão para aproximar-se do milagre a que terão acesso apenas com o tempo.

Provocar esse equilíbrio instável através de campanhas mundiais contra a China seria correr o risco de uma explosão que só o regime fechado consegue conter.   Nessa hipótese, todos os interesses estrangeiros, em especial americanos, em seu território, seriam reduzidos a pó. Valeria à pena esse confronto?
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Se não é verdadeira essa versão,  pelo menos tem lógica…

Gerson a O Globo: uma viagem ao futebol através do tempo

Pedro do Coutto

Excelente – apenas excelente – a entrevista que o repórter Maurício Fonseca fez com o tricampeão do mundo Gerson viajando ao mundo mágico do futebol através do tempo. Foi publicada no caderno de esportes de O Globo de domingo, 23, e deve ser lida porque, sobretudo, é uma bela viagem.

Gerson, Canhotinha de Ouro, como é chamado, é comentarista da Rádio Globo e da Rede Bandeirantes de Televisão. O texto foi uma peça da história oral do esporte focalizando exemplos de técnica, tática, empenho ao longo dessa aventura emocionante chamada futebol. A paixão, não raras vezes, divide os gramados e as arquibancadas do mundo. Uma final de Copa, por exemplo, reúne em torno de 2 bilhões de pessoas, talvez até mais, do outro lado das telas de TV. Qual espetáculo reune um público universal assim? Há de existir uma razão explicando o fenômeno. Eu falei em aventura. Pois é. Na aventura dos times e dos craques e supercraques, todos nós entramos em campo e vivemos também a nossa aventura. As linhas do gramado dividem o mundo de OZ da vida real. Vamos com Gerson e Mauricio Fonseca na bela viagem.

Jogador é bom em qualquer época, assinalou Gerson, que no entanto faz ressalvas quanto aos estilos de atuar. Sente-se pelo texto da matéria que Didi é sua maior inspiração. Não só porque jogaram na mesma posição, como também pelos lançamentos à distância que ambos faziam com perfeição. Gerson recuou um pouco mais e encontrou Zizinho e Jair da Rosa Pinto, outros supercraques, mas estes já consagrados na década de 40. Didi despontaria em 49, aos 19 anos, num jogo Fluminense 2 X 1 Madureira, em Álvaro Chaves. Naquela tarde de domingo, saia de Conselheiro Galvão e chegaria meses depois à seleção carioca de novos.

No início de 50, (Gerson veio depois), pontificavam Domingos da Guia, o maior zagueiro central do futebol. Leônidas da Silva, Heleno de Freitas, Ademir Menezes, homens de frente, todos da seleção brasileira, centro-avantes, como se dizia à época. Claro  que ninguém pode ser testemunha de tudo. Gerson está, claro, neste caso. Mas suas declarações não apenas iluminaram o espaço verde do futebol, como também induzem a que, finalmente se faça uma pesquisa mais profunda sobre o esporte ao longo das décadas,comparando estilos e táticas.

Gerson destacou Romário, tanto por sua habilidade quanto pelo senso de colocação. Estava sempre no lugar certo para decidir um lance, uma partida, um campeonato. Aliás como fez em 94 nos EUA. Sem ele não teríamo9s vencido. Glória eterna a ele, a Gerson, Didi, Pelé, Garrincha, Nilton Santos, bicampeão 58/62 e único sobrevivente da seleção de 50. Não jogou, mas era reserva de Augusto na lateral direita, embora no Botafogo atuasse pela lateral esquerda.

Relativamente à parte técnica pode-se incluir Rivelino que aliás substituiu Gerson, machucado, na partida histórica de 70, um a zero contra a Inglaterra, gol de Jairzinho. O comentarista de hoje atribuiu a verdadeira importância a Tostão. Quanto à esfera tática, deveria ter lembrado Zito, do Santos, um dos grandes conhecedores do espaço a ser ocupado tanto nas ações defensivas, quanto mas ações ofensivas.

Enfim, penso que a entrevista de Gerson a Maurício Fonseca, a a partir de domingo, quando foi publicada, incorporou-se à própria história do futebol. Outros depoimentos virão depois do depoimento dele. Didi não poderá falar, pois já viajou para a eternidade. Pelo mesmo motivo, Jair da Rosa Pinto e Vavá,da mesma forma que Ademir Menezes, também não. Mas Luis Mendes felizmente está entre nós, Sérgio Noronha, Achiles Chirol. É importante que falem e juntem-se a Gerson no vôo da história que sempre leva à nostalgia, mas também ilumina e constrói o presente.

Reflexões de comentaristas sobre capitalismo, marxismo, socialismo e espiritualismo

Enio Castiglioni

Se o capitalismo “criou seguridade social e o estado de bem-estar social, a participação nos lucros e vai erradicar a miséria”, seria bom dizer onde ele fez e pretende fazer tudo isso sem deixar de ser capitalismo. E se de fato fez, ou pretende fazer, não é mais aquele capitalismo ao qual se referia Marx.

Temos que nos lembrar da tirania das palavras. Como dizia Paul Samuelson, estabelecer o significado do termo, para depois puxar o papo. Se não mais é aquele capitalismo objeto das observações e dos estudos de Marx, deve ser então socialismo.

Aliás, não conheço nenhum partido capitalista no Brasil. Todos fogem de tal termo. Só alguns comentaristas aqui o exaltam. Mas na hora de angariar votos, não há um sequer que exiba esse termo capitalista. Por outro lado, muitos criticam o socialismo, dele têm medo, ou se sentem incomodados por ele. Mas usam o termo socialismo, como o famigerado e ultra-conservador PSDB. Diz que é partido socialista. Sabe que se declarar o que realmente é, ou seja, partido capitalista, vai perder ainda mais votos.

Marx tinha razão. Cada vez mais a ciência mostra que não existe mundo espiritual. A cosmologia moderna de fato começou com Darwin e Wallace. Diferente de qualquer um antes deles, eles forneceram explanação para nossa existência rejeitando agentes supernaturais. Darwin e Wallace estabeleceram padrões não somente para nossa existência, como para a própria cosmologia. Sugiro que os interessados busquem a obra de Victor Stenger “Deus a Hipótese Falida: Como a Ciência Mostra que Deus Não Existe” (publicada em 2007).

Não é por haver uma irredutível complexidade que temos que inventar a história de um criador que mostra outra irredutível impossibilidade, já que não foi criado. Gosto do lado socialista do fundador do socialismo há 2.000 anos.

Mas não dou a mínima importância para Jesus Cristo, que dizem que produzia milagres. Nem sequer acredito em justiça neste mundo ou em outro qualquer, de qualquer outra galáxia. E não me importa saber o que é certo e o que é errado. Jamais me preocupei com isto.

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HUMANIZAÇÃO DO CAPITALISMO?

Welinton Naveira e Silva

Humanização do capitalismo, coisa impossível. É complicado acreditar na humanização do capitalismo quando sabemos que existem no planeta mais de 3 bilhões de excluídos, com milhares de seres humanos morrendo de fome, na miséria total, vivendo em condições sub-humanas, em todos os tipos de favelas e guetos, mundo afora.

Pior, o número desses infelizes, nunca reduz e só vem aumentando. Fica complicado acreditar na humanização do capitalismo com todo mundo sempre correndo atrás da armas, quanto mais poderosas, devastadoras e terríveis, melhor. Bom mesmo são as poderosas armas nucleares (que só os dirigentes nacionalistas, inteligentes e de grande coragem, são capazes de construí-las).

É complicado acreditar na humanização do capitalismo, se a sociedade de consumo, pela sua própria natureza, produz cada vez mais siderais toneladas de lixos, de todos os tipos e variedades de poluentes e agentes de agressão e degradação ambiental, tornando o Planeta, cada vez mais imundo e poluído, rumando rapidamente para uma gigantesca catástrofe ambiental, quem sabe, levando a extinção da vida na Terra.

Como não bastasse tudo isso, sabemos que uma devastadora guerra nuclear poderá acontecer a qualquer momento, com a extinção da raça humana no Planeta. Tudo isso e muito mais, somente por causa do sistema capitalista, grande gerador de riquezas – é verdade – mas sempre acumuladas em mãos de poucos, regra essa, impossível de ser mudada, pela própria natureza e essência do sistema capitalista.

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MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

José Antonio

As convicções materialistas, bem como suas equivalentes espiritualistas, por si já são uma negação de genialidade. Nenhum aspirante a gênio tem essas certezas. Misturar metafísica com economia política não dá.

Já era tempo para que da tese do marxismo, com seus penduricalhos materialistas, a antítese expurgasse essas divagações fosfóricas, para que chegássemos à sintese de uma teoria econômica tecnicamente objetiva.

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INSTRUTIVO E APAIXONANTE..

José Reis Barata

“O Capitalismo evoluiu para melhor, criou a Seguridade Social e o Estado de Bem-Estar Social, a Participação nos Lucros etc., e dentro de algum tempo eliminará a miséria, (maior tragédia da Humanidade).”

Enquanto houve uma nítida preocupação com objetividade e história, foi instrutivo e apaixonante. Quando passou a epilogar profecias, me fez lembrar do personagem de Voltaire, Cândido, apaixonado por Cunegundes,confabulando com Cacambo:

– O que é otimismo? – perguntou Cacambo.
– É a maneira de sustentar que tudo está bem quando tudo está mal – suspirou Cândido. E derramava lágrimas ao contemplar o negro, e, assim chorando, entrou em Suriname.

Em 1931, há 80 anos, o grande Pedro Ernesto era nomeado Interventor do Distrito Federal. Em 1932 era eleito Prefeito, o primeiro nessa condição. O mais importante e realizador.

Helio Fernandes

Médico de extraordinária competência, era tido e havido como socialista, pela razão muito simples de que se preocupava com a coletividade. Construiu escolas, hospitais, se interessava por esportes, cedeu terrenos para que os clubes se expandissem.

O Flamengo foi um dos beneficiados, com a única exigência: os terrenos só podiam ser utilizados para práticas esportivas. Há alguns anos, o então presidente do Flamengo tentou erguer ali um supermercado, embarguei a obra, republicando na Tribuna impressa o decreto de Pedro Ernesto em 1931.

(Muita gente estranhou  pelo fato deste repórter ser o sócio proprietário mais antigo e do Conselho Deliberativo. Não interessa, o supermercado ficou no chão, ou na cabeça de Marcio Braga).

Era popularíssimo, em 1935 já se falava em seu nome para presidente da República em 1938. Em novembro de 1935 houve a tentativa de Prestes com a Revolução Comunista, chamada sempre pelos jornalões de “Intentona Comunista”. Disseram que Pedro Ernesto, muito amigo de Prestes, havia participado do movimento.

Pedro Ernesto foi preso em 1936, 4 ou 5 meses depois da prisão de Prestes na Rua Honório. Pedro Ernesto era realmente amigo de Prestes, mas era também amigo de Vargas, e mais ainda de Dona Darcy, Primeira-Dama. Ela sofreu um atentado que era para atingir o marido, queriam cortar as duas pernas de Dona Darcy, “para salvar sua vida”. (Um atentado pouco conhecido, a ditadura, ainda não a do Estado Novo, fez tudo para esconder).

Pedro Ernesto foi preso, ficou na cadeia, enquanto Vargas tratava da própria sucessão, tendo como candidato ele mesmo. Mandou Benedito Valadares lançar dois candidatos “sem cacife e sem cacique”, apenas para enganar a opinião pública e os jornalões, já COOPTADOS por Vargas.

A prisão do prefeito (e sua manutenção no cárcere) teve enorme repercussão. Grandes personagens de 1930, (do qual Pedro Ernesto participou intensamente) começaram a pressionar Vargas para libertar Pedro Ernesto. Vargas fez o que era do seu caráter.

Libertou Pedro Ernesto e se livrou de um adversário que seria fortíssimo em 1938, a primeira eleição direta de toda a História da República até então, e que continuou sem existir. Vargas conversou com Osvaldo Aranha e outros, mas fez exigências. Uma delas: “Pedro Ernesto escreveria uma carta que entregaria a Osvaldo Aranha, garantindo que não seria candidato a presidente”. O que fazer?

Com isso, Vargas afastou também o Interventor em São Paulo, Armando Salles de Oliveira (cunhado do doutor Julio de Mesquita, do Estadão). E não referendou a candidatura de José Américo, tido como candidato do governo. E para fazer a festa completa, não realizou a eleição marcada para 3 de outubro de 1938.

Para o lugar de prefeito, substituindo Pedro Ernesto, nomeou o padre Olimpio de Mello, o mais amaldiçoado e corrupto que Deus (?) botou no mundo. Por que estou lembrando isso agora? Por muitos motivos. Os 80 anos do fato. A forma como Vargas misturava sua ambição e os negócios públicos. E o fato de até hoje (mesmo depois de 80 anos), ninguém ter chegado perto dele. (Só Lacerda e Negrão, merecem referência).

E agora chegamos ao subterrâneo da indignidade em matéria de governo do Estado do Rio. Até 1960 continuavam os prefeitos, governador eleito só a partir de 5 de novembro de 1960, com a mudança da capital. Com isso, JK favoreceria Lacerda, que jamais seria governador, não havia eleição.

Assim mesmo, como não havia segundo turno, Lacerda foi eleito com 29 por cento dos votos, Sergio Magalhães 28, Tenório Cavalcanti 15, o ex-prefeito Mendes de Moraes 8.

(Tenório era um portento de popularidade. Por onde ia, multidões. Era deputado pelo então Estado do Rio, como não havia domicílio eleitoral, disputou aqui e teve esses 15 por cento dos votos.

De degradação em degradação, chegamos a cabralzinho, mas diga-se a bem da verdade, ele é herdeiro político e eleitoral de uma frota ou flotilha que só navega em mar de lama. E sem credenciais, acusado de enriquecimento ilícito, duas vezes derrotado para prefeito, durante 16 anos comandando a Alerj, chegou a governador. E não apenas governador eleito, mas o pior: REEELEITO.   

Portanto, não pode mais obter outro mandato, trata de infernizar a vida do cidadão. Que já sofreu a tragédia serrana e se prepara, terá que enfrentar a sucessão de 2014. Uma catástrofe.

Joga as peças de 2014, agora na eleição da Alerj. Ele e Picciani dominam a Câmara estadual há 16 anos. 8 de cabralzinho, 8 de Picciani. Este, pior, acusado de enriquecimento ilícito e indiciado por exploração de trabalho escravo. Queria ser senador, devia ter seguido o que escrevi durante mais de três meses: “Picciani e Cesar Maia não se elegem senadores, vão ganhar Lindberg e Crivella, apoiados por Lula”.

Picciani e cabralzinho não podem se hostilizar mais do que se hostilizaram no passado, Picciani era candidato de cabralzinho. Mas quem tinha voto era o presidente e não o governador. Agora, apavorado, o governador tenta eleger o presidente da Alerj.

Na entrevista a O Globo, Paulo Melo, cumprindo ordens do “chefe e patrão”, rompeu o acordo com o deputado Brazão. Deixou claro que quem comanda tudo é o próprio Picciani.

Acontece que seu mandato acaba em 31 de janeiro. No dia 1º a Alerj se instala, no dia 2 elege e empossa o presidente. Tanto faz, Melo não tem brasão, na verdade, deveriam empatar pela “cláusula” da falta de caráter.

Mas Picciani não liga para o calendário, está chamando deputados, COM URGÊNCIA, para conversar. Não na Alerj, que ainda preside, e sim no “prédio administrativo”, na Rua da Quitanda, esquina de Primeiro de Março, onde cabralzinho e Picciani se reuniam, de madrugada, e dividiam os troféus da politicalha. Que saudades desses tempos.

 ***

PS – Picciani e cabralzinho precisam manter o controle da Alerj, como acontece há 16 anos. Como governador que conhece a fundo os “meandros e igarapés da politicalha” (royalties para Tancredo Neves), cabralzinho conseguirá.

PS2 – Mas para Picciani as coisas estão difíceis, política mas não financeiramente. Está com tanto dinheiro e tanta empresa para administrar, que vai botando dinheiro pelo ladrão.

PS3 – Pretendia um cargo federal e especial, mas desde que Dona Dilma “atingiu cabralzinho no esôfago”, Picciani viu que não adiantava esperar nada desse lado.

PS4 – Agora, Picciani quer a presidência do PMDB do Estado do Rio. Consultou pessoalmente as potências, Michel Temer e Henrique Eduardo Alves.

PS5 – Os três riram diante do espelho, na linguagem deles significa aceitação e ratificação. Com isso, em 2014 sobrou para cabralzinho uma vaga de deputado federal. Mas não em Brasília.

Tombini: enervante e “inovador”

Helio Fernandes

Quem controla e comando o novo “presidente” do BC? Com Meirelles pelo menos se sabia, o FMI nem fazia mistério. Não tendo que dar satisfações (satisfações?) a ninguém, fica inventando.

Além de confrontar a própria presidente, que disse sem precisar de interpretação, “não quero aumento de juros”, Tombini entra no terreno do Aurelio e do Houaiss, e diz: “O governo precisa de políticas macroprudenciais”.

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DÓLAR E AÇÕES

Hoje está praticamente no fim do mês, o primeiro de 2011. E o dólar e a Bovespa não fazem outra coisa a não ser caírem. Há mais ou menos 3 meses, a Bovespa chegou a máximo de 71 mil pontos. Veio caindo, está em 66 mil. Mas ninguém reclama, perdão, os poucos investidores que existem, não têm mais o que perder.

O dólar que esteve em 1,70 ou 1,71, depois das taxações do ministro Mantega, não para de ver sua cotação reduzida. Ontem fechou em 1,66%, grandes lucros para profissionais, que jogam “fortíssimo” no mercado “FUTURO”. E numa proporção de 3 ou 4 vezes um total maior do que no à VISTA.

Conversa com comentaristas, sobre os pequenos partidos na Alerj e sobre os problemas de Nadal

Hilma: “Helio, desculpe, li a tua matéria sobre a Alerj e pergunto, apesar de acreditar em você. 14 partidos só conseguiram eleger 18 deputados?”

Comentário de Helio Fernandes:
Compreendo a tua surpresa e a razão de duvidar do fato que citei. É isso mesmo, Hilma, 14 partidos com 18 representantes (?). 9 só têm 1 deputado, 5 têm mais, cada um elegeu 2. Você e outros podem perguntar também, têm todo o direito, o que fazer?

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NA COXA OU ESTOMACAL?

Darcy: “O problema de Nadal foi na coxa e não estomacal”.

Comentário de Helio Fernandes:
Foram as duas coisas. Tanto que ele chamou primeiro o médico e depois o preparador físico. Com o médico conversou, estava amarelo como da outra vez, quando teve que desistir.

O preparador físico examinou sua coxa, Nadal fez perguntas. O espanhol só disputou, de verdade, o primeiro set, quando perdeu por 6/4. Acontece, Darcy.

 

Cuidado, senão vira bagunça

Carlos Chagas                                    

Coube à ministra do Planejamento, Mirian Belchior, fornecer motivo para a mais nova reprimenda da presidente Dilma Rousseff a integrantes de seu governo que trafegam na contramão, falando em seu nome sem poder  ou anunciando iniciativas não aprovadas. Na quarta-feira Mirian admitiu para a imprensa cortes no orçamento do PAC, como parte da estratégia da redução de gastos públicos. Na quinta, engoliu a informação, quando Dilma fez saber que não haveria qualquer contingenciamento nas obras do PAC.
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O episódio, aliás, foi uma repetição do primeiro entrevero entre a presidente e membros de sua equipe. Guido Mantega, convidado para continuar,  também havia previsto cortes no PAC, sendo duplamente desmentido: pelo Lula, que saía, e por Dilma, que entrava.

Ainda agora, arrisca-se o ministro da Fazenda a outra reprimenda, pois ao voltar de férias sustentou a inexistência, no governo, de projetos para aliviar a carga no imposto de renda. Isso, horas depois que o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, levara a proposta aos dirigentes das centrais sindicais, compensação  para aceitarem um reajuste minúsculo no salário-mínimo.
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Ainda sobre Mantega, uma contradição: Fernando Haddad, da Educação, foi admoestado pela presidente por conta da crise no Enem e por haver anunciado a disposição de tirar férias. Precisou desistir.   Um pode, outro não pode?
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Junte-se a esses desacertos o pito que Dilma passou no general Elito Siqueira, chefe do Gabinete de Segurança  Institucional, por haver justificado o regime militar, bem como a contramarcha  a que se obrigou o ministro da Defesa, Nelson Jobin.  Depois de sustentar a  compra de 36 aviões de  caça franceses,  ele assistiu Dilma anunciar que as negociações estavam reabertas para outras propostas e adiadas para 2012.
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Convenhamos, a presidente não deixa passar em branco  escorregadelas de seus ministros, mas elas continuam acontecendo. Breve chegará a hora de um deles (ou delas) ser defenestrado. Senão, vira bagunça.

ELETROBRÁS VERSUS PETROBRÁS?

Circula na Esplanada dos Ministérios a proposta de que tudo o que disser respeito ao planejamento e exploração de fontes de energia limpa  fique sob a supervisão da Eletrobrás. No caso, energia tirada  da biomassa, eólica, solar, nuclear  e similares. Com a Petrobrás ficaria a responsabilidade sobre a energia suja, quer dizer,  petróleo. Não há nada de concreto, apenas idéias, mas já cobrindo o percurso entre Brasília e o Rio, onde funcionam as sedes da Eletrobrás e da Petrobrás. Pode haver curto-circuito e dores de cabeça para o  ministro Edison Lobão.

A VÉSPERA E O DIA SEGUINTE

Tudo tem acontecido no ninho dos tucanos mas agora foi demais. José Serra não gostou de ter sido alijado da hipótese de presidir o PSDB por conta de manobra conjunta de Geraldo Alckmin e de Aécio Neves, que apóiam a continuação de Sérgio Guerra. O resultado do choque está sendo a ressurreição de Fernando Henrique, não para presidente do partido, mas para estrela maior de seu  programa de propaganda gratuita. Uma evidência de que em política, no dia seguinte,  as coisas sempre podem ficar um pouquinho piores do que na véspera…

VOTAÇÃO SECRETA

Sandro Mabel não desistiu de sua candidatura à presidência da Câmara, pelo menos até  ontem à noite. O PMDB continua ressentido pelo “chega-prá-lá” que levou de  Dilma Rousseff, apesar do clima de cordialidade registrado no encontro entre a presidente e o vice-presidente Michel Temer. Some-se os dois  fatores e poderá ser alterada a ordem natural dos entendimentos em torno da eleição antes tranqüila de Marco Maia.  As novas bancadas do PMDB recebem algum estímulo de  certos dirigentes do partido para ameaçarem  o governo com a derrota do  candidato do PT. A  votação será secreta.

ESFORÇO CONCENTRADO�

Aguarda-se para os próximos dias a indicação, pela presidente Dilma, do décimo-primeiro ministro do Supremo Tribunal Federal, prevendo-se uma reunião rápida do  Senado para sua aprovação. O principal tema que prende as atenções tanto do mundo  jurídico quanto do Congresso refere-se ao julgamento dos 40 mensaleiros pela mais alta corte nacional de justiça. Não dá mais para protelar o processo. 

O relator, ministro Joaquim Barbosa, pretenderia levar suas conclusões aos companheiros ainda no primeiro semestre, imaginando-se as sentenças a partir de agosto. Há apreensão entre os réus, tendo em vista que nenhum sinal será dado pelo palácio do Planalto, nem pelo ministério da Justiça, no sentido de aliviar a barra de qualquer deles. A idéia, no Supremo, é de um esforço concentrado como satisfação à opinião pública.

Debater sobre degraus do salário mínimo é um retrocesso

Pedro do Coutto

Francamente, debater a respeito de poucos degraus da escala do salário mínimo, se ele passa de 540 ou560 reis por mês, é discutir sobre o nada. Representa um retrocesso do pensamento social. Que deve ser evolutivo e buscar um equilíbrio melhor, e mais justo, entre capital e trabalho. Afinal, de acordo com o IBGE, o salário mínimo abrange pelo menos vinte e cinco por cento da força de trabalho do país. Ou seja: algo em torno de 27 milhões de trabalhadores. Expressiva participação, por incrível que pareça a faixa individualmente majoritária do universo dos salários.

Além da irrelevância da diferença de apenas vinte reais, tem que se levar em conta – o ministro Guido Mantega provavelmente não fez o cálculo – que as empresas deduzem do IR o valor total dos salários de seus empregados. E recolhem para o INSS na mesma proporção.

Assim, se um piso eleva as despesas com o pagamento de aposentados e pensionistas, de um lado, de outro proporciona o aumento da arrecadação. O resto é a fantasia de sempre, o impulso de não atribuir ao trabalho humano  seu justo valor. A clássica mais valia marxista, inultrapassável como instrumento de análise, encontra-se residindo na diferença entre uma coisa e o outra, entre um pólo e outro.

Os que acham que um piso de 560 reais é pouco suportável, ou até mesmo insuportável, devem ao menos ler o artigo 7º e seu item 4 da Constituição do país. Artigo 7º –  São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Item 4º: salário mínimo fixado em lei, nacionalidade unificada, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Para o INSS, os empregados recolhem 9% sobre o que recebem. São 9% a menos, de cara.

Quinhentos e quarenta ou quinhentos e sessenta reais dão para todos estes itens? Só no pensamento dos redatores da carta de 88, apresentada como Constituição Cidadã. Na prática não existe a menor possibilidade. É só conferir o valor de 560, vamos jogar o vértice um pouco para cima, comparando com os preços para que o direito constitucional possa ser exercido concretamente. Uma fantasia.

Outra quimera o dispositivo do mesmo artigo 7 que prevê reajustes periódicos que preservem o poder aquisitivo ao piso salarial. Isso fei feito, de fato, ao longo dos oito anos do governo Lula. Mas tal não ocorreu no período FHC, A defasagem ainda não foi totalmente resgatada. Mas é preciso que seja, inclusive para cumprir o item 6º do mesmo artigo 7º que prevê a irredutibilidade dos vencimentos. Uma forma de reduzi-los é simplesmente, a de não reajustá-los ao nível da taxa inflacionária encontrada pelo IBGE, ou pela Fundação Getúlio Vargas.

A lei complementar 103, de julho de 2000, FHC portanto, autoriza os estados a instituir pisos salariais que superem o patamar nacional. São exceções. Uma delas o governo Sérgio Cabral no Rio de Janeiro. Há mais duas: São Paulo e Bahia. Porém o fato essencial é evitar a queda do poder de compra. Não só dos que ganham o mínimo. Mas também dos que percebem os demais salários. Isso porque todos eles encontram-se  expostos à inflação. Não se pode querer nivelar todos pelo piso, implantando-se o marxismo às avessas no país. Em vez da utopia do todos para a frente, passar-se-ia à triste realidade de todos para trás.

Aliás não nos encontramos muito longe desse drama. Ele já ocorreu algumas vezes no Brasil. Quem não se lembra do período Fernando Collor? Até as cadernetas de poupança foram tragadas pela desvalorização da moeda. Perderam 50% de seu valor. Os bancos ganharam também 50%. Por coincidência.

Nicarágua e Costa Rica: litígio internacional por causa de obras no Rio San Juan

 Jorge Folena 

 Nicarágua e Costa Rica estão envolvidos em disputa jurídica internacional, levada ao Tribunal de Haia, na Holanda. 

Com a finalidade de ter melhor acesso ao Oceano Atlântico, a Nicarágua pretende aumentar o calado do Rio San Juan, que faz a fronteira destes dois países da América Central,  

A questão envolve também a ocupação da Ilha Calero, onde a Nicarágua está construindo um canal, mas que, segundo a Costa Rica, fica em seu território. Costa Rica alega que sua soberania foi agredida e que a obra executada pela Nicarágua trará graves danos ambientais ao país.  

Este tipo de disputa enfraquece a unidade entre os países latinoamericanos e impede a implantação de projetos comuns, necessários para o fortalecimento desses povos, porém todos temos conhecimento da enorme influência norteamericana sobre os países da América, constantemente divididos entre si e atrelados aos interesses comerciais e culturais dos EUA.

A República da Costa Rica é um pequeno país da América Central, que não tem exército. Entretanto, até por volta do ano 2000, na comemoração da sua independência, em 15 de setembro, os alunos de suas escolas desfilavam uniformizados como em verdadeiras paradas militares, como se fossem bandas marciais dos Estados Unidos da América do Norte. 

Há aproximadamente dez anos, os alunos do Liceu Sinai, na cidade de San Isidro, na província de Perez de Leon, sob orientação do professor de música Miguel Calderon Fernandez (47 anos, ex-decano da Universidade Nacional da Costa Rica, Sede Regional Brunca), resolveram não mais se apresentar no estilo tradicional, como tinham feito durante anos, quando se dava destaque aos estudantes mais bem dotados fisicamente, os quais, no estilo marcial, se exibiam com belos uniformes, como mostrado nos filmes ianques, num espetáculo cênico que nada tinha a ver com a cultura original do seu povo.  

Os alunos do Liceu passaram a priorizar a música e os trajes da sua região, feitos por eles, o que possibilitou o acesso e a participação de todos no evento. A partir daí, operou-se verdadeira transformação por todo o país, com os estudantes de outras escolas costarriquenhas buscando adotar o mesmo estilo naqueles festejos. 

A partir de 2008, o ministério da Educação passou a exigir que, nas comemorações da Independência, todas as escolas da Costa Rica se apresentassem de acordo com temas da cultura pátria. 

Este é um pequeno exemplo de superação do imperalismo e, na visão do professor Miguel Calderon, a maior consequência do movimento, iniciado pelos alunos, foi despertar neles a necessidade de tomar suas próprias decisões e, talvez, a compreensão de que é responsabilidade de todos escolher um melhor futuro para seu país.

Disputa pela presidência do PSDB

Helio Fernandes

FHC quer o cargo, Sergio Guerra também. O governador de São Paulo, no mais completo silêncio. Aécio Neves, que tem um enorme grupo de porta-vozes, através deles, diz o seguinte: “FHC está ultrapassado, Sergio Guerra derrotadíssimo, não teve nem votos para se reeleger senador”.

Serra faz pesquisas, pode ser candidato a prefeito de São Paulo. E se prepara, faria proposta, reviravolta completa; amigos diriam a Aécio que “Serra aceitaria ser vice dele em 2010”. O que Aécio não aceitou em 2010.

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PS – Serra faz qualquer coisa para permanecer no palco, deliciado com os holofotes. Pelos seus cálculos, ganharia fácil para prefeito em 2012, ficaria 15 meses (como da outra vez) até a desincompatibilização.

PS2 – Se Aécio não aceitar seu nome como vice, Serra não sairia da Prefeitura até 2014, criando problemas para o ex-governador de Minas. E como alternativa, poderia disputar a sucessão de Alckmin.

PS3 – Falta realmente muito tempo, mas só na aparência. A eleição para presidente do PSDB, agora. A prefeitura de São Paulo, logo depois. E os outros, também se movimentando. Acompanhem.

O Supremo e o senador Capiberibe

Helio Fernandes

Eleito senador em 2002, foi cassado 2 ou 3 anos depois, por causa da pressão-conspiração de Sarney, ele é do Amapá. Foi acusado de “comprar 26 votos”. Numa eleição majoritária.

O que aconteceu agora, em 2010, só pode ser chamado de “kafiquiano”. Eleito novamente, não pode tomar posse, “pelo fato de ter sido CASSADO anteriormente”. Reconheço que o presidente do Senado é uma potência. Mas até mesmo diante do Supremo?

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PS – Capiberibe recorreu ao Supremo, vieram as férias forenses, não há decisão. E ele, que obteve novamente a consagração da coletividade, espera que os “deuses” resolvam.

Pezão, Lindberg, Crivella na sucessão do Estado do Rio

Helio Fernandes

São os que já se lançaram candidatos a governador. Os dois primeiros acabaram de serem eleitos senadores. Só que Lindberg não tem nenhuma derrota. Deputado federal, prefeito, senador. Crivella, senador de 2002 a 2010, nesse tempo, perdeu duas vezes para prefeito. Tem voto para governador?

Pezão depende mil por cento de cabralzinho, o que é uma lástima. (Para ele). Já reeeleito, cabralzinho vai tentar ser deputado federal, se elege fácil. Senador com uma vaga só, nem se arrisca. Nos dois casos, precisa se desincompatibilizar,

Se isso acontecer, o vice assume, e disputa a reeeleição, (sem nunca ter sido eleito) de dentro do Laranjeiras. Que maravilha viver. A incógnita é Cesar Maia. Apostou tudo na eleição para o Senado, eleito, atingiria o apogeu.

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PS – Pode ser candidato ao Senado, perdeu com duas vagas, vencerá com uma? O quadro ficou mais fácil.

PS2 – Poderia disputar o governo, “parada indigesta”, e já perdeu para candidatos mais fáceis. Mas disputará alguma coisa.

Michel Temer na Presidência da República

Helio Fernandes

É uma das heresias e infidelidades do sistema político-eleitoral do Brasil. Mas se elegia deputado, geralmente ficava como suplente (O que aconteceu no mandato que acaba dia 31 deste janeiro).

Pois nesse mesmo 31, como Dona Dilma vai à Argentina, ele assume a Presidência, vai direto para a sala dela no Planalto. Deviam fazem como os militares fizeram em 1965 com o vice José Maria Alckmin.

O “presidente” Castelo Branco precisou ir para o exterior por 3 dias, não tiveram dúvidas: o vice teve que atravessar a fronteira, foi dormir no Paraguai. Temer merece.

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“30 ANOS NO PODER”

Quem está completando esse tempo, é o “presidente” Mubarak, do Egito. Fidel Castro e o irmão Raul passaram dos 50, e não estão satisfeitos. Sei que muita gente gostaria de explicar, contra ou a favor, a razão e a importância de ficarem tanto tempo dominando milhões de pessoas.

Monotonia na Austrália

Helio Fernandes

No primeiro Grand Slam do ano, um final inesperado, sem sal e sem sensação. Nadal foi eliminado como no ano passado, contusão e problema estomacal. Federer também perdeu, disse que a quadra estava ruim. Outros também disseram, o número 2 não é de perder e se queixar.

Assim, sobraram para amanhã, sábado (domingo em Melbourne) Djokovic e Murray. Dois coadjuvantes, de luxo, mas coadjuvantes. Ferrer perdeu para Murray em dois tiebreaks estranhíssimos.

Dona Dilma tem que enfrentar o mais grave problema do seu governo. Além de tudo o que aconteceu nesses 27 dias, surge agora a chantagem de Furnas. Que a presidente, timidamente, se deixa intimidar.

Helio Fernandes

Na Matriz, excesso de trabalhador dito qualificado, e falta alarmante de mão de obra chamada de primária. Então, os EUA constroem um muro enorme para latinos não entrarem no país, mas importam do México e da América Central, pedreiros, marceneiros, pintores de paredes, e tudo o mais, até lixeiros.

Na Filial, exatamente o contrário. Ausência do trabalho mais elevado, excesso de mão de obra primária. Se não estivéssemos tão longe, seríamos os beneficiados (?) por essa necessidade deles.

Aqui, não há presidente não entre e não saia falando desses problemas, e badalando: “Precisamos cuidar da educação”. Por que não colocam Eduardo Cunha como Ministro da Educação? Pelo menos ele ensinaria que “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. E ainda fariam cursos qualificados (?) de lobismo e chantagem explícita.

D. DILMA NÃO VAI RESOLVER
O PROBLEMA DE FURNAS?

Não vai não, isso é a coisa mais certa do mundo. Ele vem patinando desde a posse, não resolve coisa alguma. Eduardo Cunha não pode continuar sendo o homem mais poderoso da Câmara, de Furnas e, consequentemente, do país. E não é pelo que foi publicado hoje na Primeira de O Globo, com direito a manchete. O jornal reproduziu o que o deputado escreveu no seu twitter, que é CHANTAGEM ABERTA E DECLARADA. Nenhuma surpresa, isso é norma no deputado. E não é de hoje.

Em pleno governo Lula, com o presidente no auge e no apogeu, Eduardo Cunha exigiu a presidência de Furnas para quem ele indicasse. E como contrapartida, garantiu: “Se eu não nomear o presidente de Furnas, derrubo a CPMF”.

Depois de resistir quase esses 6 meses citados, Lula cedeu, nomeou quem o lobista queria, perdão, exigia. E apesar disso, a CPMF foi derrotada. Lula ficou uma fera. A CPMF foi derrubada no Senado, Dona Dilma podia pedir imediatamente o que os senadores Artur Virgilio (então líder do PSDB) e Agripino Maia (líder do DEM) disseram desse lobista. Não perca essa chance, Dona Dilma. (Vai hesitar e vai perder).

Eduardo Cunha, isso tem que ser reconhecido e registrado: não tem escrúpulo, caráter, constrangimento. E como faz a mesma coisa há 20 anos e nada lhe acontece, sairá vitorioso mais uma vez. Diz escancaradamente a O Globo: “Lembrem do escândalo dos aloprados, quando petistas foram presos com 1 milhão e 800 mil para comprar dossiê forjado contra ticanos?”

E vai além disso, com notável tranquilidade e num espetacular lance de audácia e senso de oportunidade: “É impressionante o instinto suicida desses aloprados. Quem não se lembra dos aloprados?”

E estava sem irritação com petistas, atacados por ele e do primeiro escalão do PT. (Incluindo ex-presidentes da Câmara e o futuro). Também presente o ex-governador Garotinho, fundador do PSC com ele e agora violentamente atingido. Por aí, Dona Dilma pode VER e SENTIR, que com Eduardo Cunha não adianta ser amigo ou inimigo.

Eduardo Cunha não deixa apenas “entrever as coisas”, dá nome e sobrenome, não precisa ser interpretado. Sugeri a Dona Dilma mandar buscar as notas da votação da CPMF no Senado. Pode fazer mais: pedir ao seu amigo Lula como aconteceu o episódio da nomeação do presidente de Furnas e a razão pela qual Lula teve que aceitar as exigências do lobista-chantagista.

As acusações contra Dutra “atingiram” o presidente de Furnas (indicado por Cunha), que então, para se defender, deflagrou uma guerra de matéria paga. Primeira da Folha, terceira do Globo, que não quis publicar na Primeira.

(Esclarecimento para os leitores-comentaristas: os jornais [no caso, O Globo e a Folha] não têm a Primeira página na tabela de publicidade. Assim publicam o que quiserem e pelo preço que bem entenderem. Imaginem quanto custou a Furnas? E só vi esses dois jornais. Uma fortuna, e não saiu da conta recheada de Eduardo Cunha).

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PS – A presidente só poderia responder de uma forma: DEMITINDO o presidente de Furnas, e mandando investigar tudo. Em vez disso, fez a declaração mais estranha e sem sentido: “Furnas continua sendo do PMDB, mas para um técnico”.

PS2 – Recuou e fugiu do correto, reconheceu publicamente que os cargos têm donos. Está bem, é assim mesmo. Mas por que então não nomeou logo um técnico, como ela mesmo falou?

PS3 – O desgaste da presidente, nem ela imagina. Não é o primeiro desgaste, mas como disse no título, como se recuperar? Só agindo de acordo com o que ele mesmo tem repetido: “55 milhões de pessoas votaram em mim”. E daí?

PS4 – Existem outros problemas sérios, provocados por ela mesma. Como o que aconteceu com Miriam Belchior. Não se governa assim. Mas fica para depois.

Carmem Miranda, como se pode fraudar uma história

Pedro do Coutto

O filme que o produtor americano Buddy Bregman, de 80 anos , pretende realizar sobre a vida e a carreira brilhante da cantora e atriz Carmem Miranda – objeto de reportagem publicada pela Folha de São Paulo , na edição de 15 de julho – é mais uma prova, entre muitas, de como se pode fraudar uma história ou se montar uma farsa. Sem a menor preocupação com os direitos de imagem dos personagens (no caso da personagem) e sem levar em conta a propriedade alheia. Sim. Porque o uso da imagem é propriedade dos herdeiros e herdeiras. E também sem observar os limites legais da obra do jornalista Ruy Castro que levou cinco anos para escrever uma biografia excelente e exemplar. Uma obra literária importante num gênero extremamente expressivo. Afinal a história se escreve assim. Nos jornais, nos livros, nas biografias, agora também na internet.

A reportagem da Folha de São Paulo foi feita por Denise Menchen, no Rio, e Fernanda Ezabela, correspondente em Los Angeles. Focaliza a controvérsia que oportunamente explodiu, antes que fosse tarde, em torno da Carmem Miranda. O panorama é confuso e apresenta mais uma divisão. Primeiro, Bregman é contestado pela produtora Paula Lavigne que, em 98, adquiriu os direitos de realizar um filme sobre a pequena notável, como Carmen era chamada pelo rádio da época.

Segundo, Bregman é rechaçado pela família da cantora que vai a justiça contra o americano. A novela não termina aí. Os herdeiros da estrela do Cassino da Urca, da Fox e da Metro, vão ajuizar ação contra a mesma Paula Lavigne que deseja processar Buddy Bregman. Paula Lavigne está demorando demais para fazer o trabalho. Este é o fim do primeiro ato. Descem as cortinas.

Abrem-se para o segundo ato e entra em cena o escritor Ruy Castro que, em declarações à FSP afirma-se ameaçado de roubo. Isso no caso provável de o produtor norteamericano ter recorrido a seu texto para reproduzir uma história diversa do relato original. Ruy Castro, a meu ver, tem razão. Maracas nada tem a ver com Carmen Miranda que em todas as suas interpretações nunca usou nada nas mãos. Até porque as movimentava livremente para obter efeitos cênicos.

Bregman nega que seja um ladrão de textos. Defende-se recorrendo à língua inglesa e sustentando não ter escrito uma história de Carmen Miranda, mas sim uma estória. Em inglês history é a história que se presume sobre a verdade de algum acontecimento ou a respeito de alguma pessoa. Story é a história sobre um fato ou uma pessoa, na visão de quem a redige. Mas terá sido isso mesmo que Bregman praticou? Só a comparação entre suas páginas e as de Ruy Castro poderá definir, feita a tradução correta. Não é difícil chegar a uma conclusão.

Mas os argumentos de Bregman não são bons. Entrevistado por Fernanda Ezabela, em Los Angeles, foi extremamente agressivo. Disse não estar ligando para os herdeiros da imagem e muito menos para Paula Lavigne que, a seu ver, deveria mergulhar no oceano. Por que tais afirmativas? Não há motivo. Revelam uma reação de quem foi apanhado em falha ética. Bregman acentua ter escrito o roteiro baseado em jornais (não diz quais) e no arquivo de uma biblioteca: não diz qual. Como se observa, há sombras na estrada da autoria. Ruy Castro ficou indignado com as maracas. Ele e todos os que assistiram Carmen Miranda. Os herdeiros indignaram-se com o abuso cometido pelo produtor em matéria que não lhe pertence.

Tudo isso revela, que se os detentores de direitos não se resguardarem, qualquer um pode mudar a história de qualquer pessoa. Mas ao contrário do que se costuma dizer, a versão não é mais importante do que o fato.