25 anos depois da ditadura militar, o aumento dos juros mostra quem realmente manda no País. É o “Sistema”, lembram-se dele? Só que desta vez os militares estão de fora.

Carlos Newton

“A História se repete como farsa”, escreveu o notável pensador Karl Marx, no texto do “18 Brumário de Luis Bonaparte”. Marx estava errado, aqui no Brasil as frases mais geniais podem ser desmoralizadas de uma hora para outra. Basta analisar o que acontece com a economia deste País, que deveria ser respeitado como potência, já que é o quinto mais extenso, o sexto mais populoso e o oitavo em expressão econômica.   

Lembram-se de Lula, ao assumir o governo em 2003? Sua medida mais estratégica foi nomear o tucano Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Ele tinha sido eleito deputado federal em Goiás pelo PSDB, com votação recorde, quase 183 mil votos. Ninguém o conhecia, mas foi a mais rica campanha da História de Goiás. Aos 56 anos, Meirelles se elegia para a Câmara Federal, mas já sonhava com o Planalto, admitia que era sua meta final.

Ex-presidente mundial do BankBoston, dinheiro não representava problema para Meirelles, que só visava o poder. Como era preciso colocar alguém no Banco Central que defendesse os interesses do sistema financeiro, para “acalmar o mercado”, Meirelles foi indicado a Lula por Aloizio Mercadante, que tinha sido seu assessor econômico no BankBoston e acabara de se eleger senador pelo PT de São Paulo.

Bem, já que o esquema era para preservar os interesses do “mercado”, o tucano Meirelles aceitou o “sacrifício”, renunciou ao seu mandato de deputado federal (era obrigatório fazê-lo), nem se preocupou com a fábula de dinheiro gasta na campanha eleitoral, e assumiu o BC. Com isso, Lula conseguiu “acalmar o mercado”, porque a primeira decisão de Meirelles logo no início do governo Lula, foi aumentar os juros, é claro. Na época eram de 25%, foram para 25,5%. No mês seguinte (fevereiro de 2003), mais uma cacetada, elevando a Selic para 26,5%.

Assim se passaram oito anos, até que a presidente eleita Dilma Rousseff decidiu defenestrar Meirelles e substituí-lo por um dos pupilos dele, o economista Alexandre Tombini. Seria mera coincidência o fato de Tombini ter trabalhado quatro anos no Fundo Monetário Internacional, antes de ser diretor do Banco Central na gestão de Meirelles.  

E o que aconteceu? Pois Tombini, logo em sua primeira sessão do Comitê de Política Monetária (Copom), fez como Meirelles e aumentou os juros da Taxa Selic em 0,5%. De novo, era mera coincidência? Claro que não. Trata-se apenas do “Sistema Financeiro” (integrado por banqueiros, seguradores e mega empresários) dizendo ao povo que fico, ou melhor, dizendo ao povo quem realmente manda neste País.

Nos anos de chumbo da ditadura militar, as pessoas mais esclarecidas (que formam realmente o que se chama de opinião pública, já que a grande massa da população nem tem opinião, é apenas conduzida) sabiam que éramos governados pelo “Sistema”.

Falava-se abertamente no “Sistema”, a expressão era comum, Culpávamos o “Sistema” pela inexistência de democracia e por qualquer outro problema nacional, porque – repita-se – quem mandava no País era o “Sistema”.

Agora, 25 anos depois, sob esse aspecto, pouco mudou. Continuamos governador por um “Sistema”, com a única diferença de que não é integrado pelos militares. E sempre surge alguém a nos dizer que a História só se repete como farsa.

Vai acabar o vergonhoso voto proporcional, farsa, mistificação, deturpação da vontade do cidadão. O senador Dornelles está criando o VOTO DISTRITAL, unanimidade no mundo ocidental.

Helio Fernandes

A eleição proporcional é uma excrescência. Candidatos recebem uma cadeira de deputado com 20 ou 30 mil votos, outros não se elegem até com 150 mil votos, (Pelo fato do seu partido não alcançar o que chamam de “coeficiente ou quorum eleitoral”.

Outra hipótese: alguns se elegem com “meia dúzia” de votos, por causa de um “puxador” de legenda. Agora “pendurados no Tiririca”, antes, nos tempos do Enéas. (“Meu nome é Enéas”.

Isso vem de longe. Em 1945, quando havia a candidatura do mesmo cidadão por 7 estados, Vargas saído de uma ditadura tremenda, e Prestes, saído da cadeia, se elegeram por todos.

Como precisavam optar (se elegeram simultaneamente senadores) surgiram em vários estados, principalmente no Rio, os deputados sem votos. Criou-se a “bancada de 400 votos”, herdeiros de Vargas e Prestes. Estes com 100 mil votos ou mais, renunciavam, entravam outros inteiramente desconhecidos, e lógico, sem votos.

Francisco Dornelles sempre foi contra isso, protestava, quando era deputado. Agora, como senador, apresentou projeto acabando com o voto proporcional e criando o DISTRITAL, favorecendo a coletividade e autenticando a representatividade.

Vejamos como funcionará, já foi aprovado numa Comissão importante, se não for sabotado, poderá ser ratificado para a próxima eleição. Tomemos como base o Estado do Rio, mas servirá como análise para todos os estados.

Aqui, são 46 deputados federais. O estado será dividido em 46 Distritos. Os partidos podem lançar um candidato por cada distrito, serão eleitos os 46 mais votados. Não haverá ‘quorum” nem suplentes.

E com uma vantagem que precisa ser ressaltada. Os eleitores de cada Distrito conhecerão muito bem os candidatos, e estes serão conhecidos e reconhecidos (negativa ou positivamente) pelos eleitores. Estes não poderão se queixar depois, só votarão errado, se quiserem.

Esse voto distrital existe em todo o mundo ocidental. O primeiro país a adotar esse voto foi a Grã-Bretanha, na criação da Câmara dos Comuns. Que tem representantes da Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e do Sul, País de Gales.

E é dessa importante e democrática Câmara dos Comuns que sai o poderoso Primeiro-Ministro. Os partidos (já foram 4 ou 5, agora são três) elegem internamente seu candidato. Se forem publicamente e eleitoralmente majoritários, esse indicado passa a ser o Primeiro-Ministro.

(O Primeiro-Ministro não tem nenhuma dependência do Rei ou da Rainha. Na Grã-Bretanha, “o Rei reina, mas não governa”. Quando o Partido Trabalhista ganhou sua eleição, o Primeiro-Ministro eleito internamente era Disraeli. A Rainha Vitória tinha horror a ele, o que fazer? Não podia examiná-lo ou recusá-lo).

Esse Primeiro-Ministro (saído do voto distrital) não governa arbitrariamente, segue as diretrizes do partido. Margareth Thatcher foi eleita para cinco mandatos de 4 anos cada. Completou os quatro primeiros. Com um ano do quinto mandato, quis governar arbitrariamente, foi derrotada e derrubada.

Tony Blair, considerado a melhor revelação em décadas,  contrariou o partido, quando Bush filho invadiu o Iraque, com “justificativas” que logo se comprovou serem falsas e mentirosas. Contra a vontade do partido e da opinião pública (da qual o partido depende eleitoralmente), Lair mandou tropas britãnicas para essa mistificação, não demorou foi tirado do Poder.

 ***

PS – Podem dizer que é apenas um ponto da reforma, concordo inteiramente. Mas é preciso começar. E para os que acham que a mudança “não é por aí”, discordância total.

PS2 – Sem o fortalecimento dos partidos e da representatividade, nada se alcançará.

PS3 – Para que se veja a enormidade e o disparate da eleição de cidadãos que não têm nada a ver com a coletividade, este exemplo: querem aprovar o VOTO DE LISTA, um atentado à represenattividade.

PS4 – Sabem o que é isso? O cidadão, para deputado, não vota mais em NOMES e sim na SIGLA. Esta lista no Estado do Rio, teria 46 nomes. Para exemplo: a lista seria formada por Michel Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e outros iguais.

PS5 – Portanto, esses “primeiros” já estariam “eleitos e escolhidos”. O cidadão sairia de casa para quê? Para nada.

Ex-secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia deixa o governo Lula muito mal, e a presidente Dilma Rousseff, também.

Helio Fernandes

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia pediu demissão. Convocado para depor no Congresso, desmentiu Aloizio Mercadante, o ministro, e não poupou a presidente Dilma Rousseff. Que sofre acusação frontal, antes de completar um mês, dominando o Planalto-Alvorada.

Afirmou sem qualquer hesitação e sem esconder nenhuma palavra: “O governo falou muito e não fez nada. Se tivesse feito, não teria havido a tragédia da região serrana”. Quem vai desmenti-lo?

O indicado deve ir se municiando para desarmar a “bomba-relógio” colocada pelo ex-secretário Luiz Antonio Barreto de Castro. Por exemplo, textual: “Tentei incluir no PAC, INVESTIMENTOS DE 115 MILHÕES (isso mesmo, 115 milhões) para implantar um sistema de ALERTA com radares, não consegui”.

É evidente que alguém irá desmentir, de ordem da presidente Dilma. Afinal, como poderosa antes de se eleger, era chamada de “MÃE DO PAC”. Então se preparem para mais um item-afirmação de Barreto de Castro: “Vim aqui para confessar que não fizemos nada para evitar essa tragédia”.

 ***

PS – Agora terão que gastar 5 BILHÕES para realizar e implantar a obra para cuja execução, pediram 115 milhões.

PS2 – Além dos 5 bilhões (47 vezes mais do que o total pedido ao PAC), precisarão de 4 anos para que o projeto fique pronto. E o verão de 2012, 2013, 2014 e que sabe, 2015?

PS3 – Sem falar (novamente) que tudo se encaminha para 2014, uma data que parece desejada ou cobiçada por todos os personagens que estão no palco.

 ***

E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO?

Quem garante Fernando Haddad? Sua indicação foi tumultuada, disseram que ficou, atendendo a um pedido (?) de Lula. Mas é o ministério que não sai das manchetes, negativas e não positivas.

O Ministro ia sair hoje, mas de férias. Apenas de 15 dias, voltaria logo. Mas Dona Dilma não deixou.

PSC, cujo “dono” é Eduardo Cunha, o maior lobista do Brasil

Helio Fernandes

O pastor Everaldo não manda tanto nesse “partidinho”. Financia, aparece como presidente, mas quem manda, indica e se aproveita, é o maior lobista do Brasil.

Também não é verdade que não tenham recebido nada. Desde os tempos de Lula, receberam o controle de Furnas, muito mais do que o PSC devia receber. E gravíssimo: Lula entregou (?) Furnas a Eduardo Cunha, depois de 6 meses de intimidação e chantagem. Que República. Isso, com uma das maiores empresas de energia, com sede no Rio, capital.

*** 

ARRUDA, PAULO OTAVIO, RORIZ

Revelei aqui a visita dos dois últimos à casa do governador deposto, preso e cassado. Confessei que não sabia o que conversaram. Alguém me telefonou (pedindo sigilo), explicando: “Eles querem formar um novo partido”. Estou passando a notícia como recebi, não deu para investigar, mas não é absurdo”.

Informação privilegiada

Helio Fernandes

Há vários dias revelei aqui, com exclusividade: “O PIB da China, em 2010, cresceu 10,4%”. Fui largamente criticado (até por amigos), nao havia informação oficial. Ontem, o governo da China comunicou ao mundo: “O PIB cresceu 10,3%”.

A diferença entre 10,3 e 10,4 é de 0.0001. É a maior alta em qualquer país, embora não seja a maior na própria China.

Futebol no Rio, tênis na Austrália e Sub-20 no Peru

Helio Fernandes

No Rio, Botafogo, Flamengo e Fluminense sofreram para ganhar jogos que pareciam fáceis. O Vasco nem isso, perdeu para o Resende.

Na Austrália, nem sofrimento nem surpresa, na semana inicial do Grand-Slam. Os quatro primeiros (Nadal, Federer, Djokovic e Murray) entraram e saíram da quadra, tranquilamente. Surpresa, digamos, apenas com o brasileiro Bellucci. Só foi eliminado na segunda rodada. Depois de quase 10 horas, foi direto para o aeroporto, de volta para o Brasil.

No Sub-20, Neymar fez mais um gol belíssimo. Marcado com violência, quase não andou.

O complexo do pedestal

Carlos Chagas 
                                              
De Mussolini diziam seus adversários haver galgado um pedestal tão alto que não conseguia enxergar lá em baixo, ignorando o que os italianos  sentiam e necessitavam. Com todo o respeito e evitando fulanizações, é o que historicamente acontece com os governos, no Brasil. Seus chefes, os presidentes da República, desde Deodoro, atribuem-se qualidades quase divinas, desligando-se da realidade e habitando uma espécie de Olimpo, onde a poeira não chega.  Muito menos a população. Quando em contacto com ela, é sempre numa relação de superioridade, do palanque para baixo. Brasília pode ter exacerbado esse fenômeno, pelo isolamento de seus palácios, mas no Rio era a mesma coisa.
                                              
Nossos governantes nunca foram à feira e ao supermercado, jamais precisaram servir-se diariamente dos ônibus e do metrô. Quando bissextamente vão a um restaurante, são os outros que pagam. Seus vencimentos são depositados integralmente, livres de quaisquer despesas, e quando se aventuram a contar uma piada ou fazer um gracejo, as gargalhadas ressoam ao seu  redor antes mesmo do desfecho.
                                              
Está para ser criado um regime onde o cidadão guindado à chefia do governo continue comum, sem ares de grandeza absoluta. Mesmo os que já deixaram o governo  não perdem a falsa majestade, até ajudados por discutíveis aposentadorias e pensões, mais mordomias variadas que os tempos modernos criaram. Sofrem, é claro, quando precisam acionar as maçanetas, sentindo que as portas já não se abrem como antes, mas voltar à rotina anterior ao gozo do poder,  isso não voltam. Nem querem. 
                                              
Estas considerações se fazem  num tempo singular em que o país convive com cinco ex-presidentes da República, cada um com características próprias,  todos apregoando humildade  mas nenhum verdadeiramente disposto a cultivá-la. José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e agora o Lula não se livraram do complexo do pedestal, não obstante as aparências.
 
CONTRA A MARÉ
 
Remar contra a maré costuma virar o barco. Ainda mais contra as ondas. Mesmo assim, é bom atentar para o outro lado das moedas. Houve um presidente da República que, ao deixar o poder, precisou tirar o filho do colégio particular por falta de recursos para pagar a mensalidade. Não tinha dinheiro nem para a mulher ir à feira.

Seus ex-ministros cotizaram-se para montar uma empresa imobiliária, daquelas que não administrava um imóvel sequer, que ele passou a dirigir, de forma a receber um salário. Anos  mais tarde um ex-correligionário eleito governador da Guanabara veio a nomeá-lo para o Tribunal de Contas do estado.
                                              
O presidente era Café Filho, sucessor de Getúlio Vargas, e o governador, Carlos Lacerda. Desse episódio deduz-se que aos ex-presidentes da República deve ser concedida uma pensão ou aposentadoria. Tome-se o Lula, por exemplo. Como torneiro-mecânico virou pensionista do INSS, depois de perder um dedo no torno.  Um salário-mínimo. Mais tarde, requereu e recebeu a bolsa-ditadura. Cinco mil reais.
                                              
Por analogia, as pensões de antigos presidentes da República devem ser estendidas a ex-governadores? Parece justo, em se tratando mesmo de ex-governadores, ou seja, eleitos e tendo cumprido o mandato. Ou os vices que na falta do titular tornaram-se efetivos. O que não dá para aceitar é o benefício para interinos, muitos tornados governadores por poucas semanas ou até dias.
 
SEMANA QUENTE
 
Haverá quorum no Congresso,  na semana a se iniciar amanhã, apesar de os trabalhos parlamentares só começarem na outra. Trata-se  de uma nova Legislatura. Os deputados de primeiro mandato, junto com os reeleitos, preparam a escolha da nova  mesa diretora. No Senado, permanecem os que têm mais quatro anos, reunindo-se a eles os eleitos em outubro passado, também prestes a indicar os dirigentes. Marco Maia está praticamente eleito presidente, na Câmara, sendo que no Senado continuará José Sarney.
                                              
A rotina acima exposta será quebrada, no entanto, pela disputa dos demais cargos nas duas mesas. Cabeças batem até no âmbito dos partidos, como  entre os senadores do PT, uns sustentando Marta Suplicy para vice-presidente, outros fechados com José Pimentel.
 
A RAZÃO MAIS SIMPLES
 
Perguntaram a Milton Campos, depois das eleições presidenciais de 1960, porque ele havia perdido para João Goulart, na disputa pela vice-presidência. Afinal, ele era companheiro de chapa do vitorioso Jânio Quadros,  enquanto Jango era vice do marechal Lott.  Os jornais apresentavam mil raciocínios e outro tanto de intrigas para explicar a inversão, como a que falava de um acordo secreto, a chapa Jan-Jan.  Teria havido traição, com Jânio mandando votar em Jango, por baixo do pano.
                                              
O velho professor de democracia respondeu de pronto: “Por que o João Goulart venceu? Porque teve mais votos do que eu…”

A lição deveria servir para José Serra meditar. Ele teve menos votos do que Dilma Rousseff. Basta isso. Não se justifica que agora, pleiteando a presidência do PSDB, ele tenha iniciado virulenta campanha de descrédito do novo governo, antes de decorrido um mês da posse. A mulher ganhou, governador, espere um pouco…

Mercado de emprego: números precisam ser consolidados

Pedro do Coutto

O ministro Carlos Lupi afirmou – reportagem de Mário Sérgio Lima, Folha de São Paulo de 19 – que o governo Lula fechou seu período, em dezembro de 2010, com um saldo de 2 milhões e 500 mil empregos formais ou seja postos de trabalho com carteira assinada, INSS, FGTS, direitos sociais, enfim proteção contra as demissões sem justa causa.

O resultado à primeira vista parece espetacular, mas em matéria de números, como digo sempre, é necessário uma análise atenta. Mário Sérgio Lima compara a era Lula com a de Fernando Henrique. O cotejo favorece Lula, já que de 95 a 2002 a criação de empregos formais ficou apenas em 797 mil vagas. Lula teria triplicado a oferta de emprego? Em relação ao presidente Fernando Henrique pode ser. Mas a vitória setorial não é capaz de refletir um êxito geral.

Por vários motivos. O primeiro deles porque a população brasileira cresce à velocidade de 1,3% a/a. A cada doze meses, portanto, somos mais 2 milhões de pessoas. Com a força de trabalho (mão de obra ativa) representa 50% do total de habitantes, há necessidade da criação anual de 1 milhão de empregos novos. Esta meta não foi nem de longe alcançada. Assim, a oferta de mão de obra segue suplantando a procura. Com isso, caem, é óbvio, as médias salariais.

O segundo aspecto repousa num enigma. Carlos Lupi, aliás excelente figura humana, divulgou o número de demissões. Mas não sei se representam o saldo entre contratações e dispensas. Pois o número anual de demissões é altíssimo, em todo o país. Convido os leitores a observarem o quadro estatístico do FGTS que, na edição do Diário Oficial de 2 de agosto, a partir da página 24, acompanha o balanço de 2009 da Caixa Econômica Federal.

Lá se encontra o número de demissões sem justa causa praticadas naquele exercício. Foram 17,3 milhões de casos, levando a um desembolso de 30,9 bilhões de reais no Fundo de Garantia. As demissões efetuadas no ano atrasado superam, inclusive, as realizadas em 2008. Em 2008, houve 16,5 milhões de dispensas. Custaram saques no montante de 26,6 bilhões. A média anual de exonerações, como se verifica, apresenta uma tendência definida.

Provavelmente o total de 2010 foi menor, era um ano eleitoral. Mas de
qualquer forma a variação não pode ter sido expressiva a ponto de desfocar um cálculo que vem se repetindo em determinada escala estatística. Como a mão de obra ativa é de 100 milhões de brasileiros, a mobilidade de emprego oscila em torno de 17 a 17% a/a.

Dessa forma, número acentuado de postos de trabalho não representa propriamente vagas novas, ocupadas por jovens, mas sim também a retomada de empregos pelos que os perderam no exercício anterior, ou então no passar dos últimos anos.

Há um enigma no ar. Que o ministro Carlos Lupi deve esclarecer e traduzir concreta e objetivamente para toda a sociedade, para o país, portanto. Deve recorrer ao IBGE, à Fundação Getúlio Vargas, ao Ibope, para promover um confronto bem nítido sobre a dança do mercado de emprego, sobretudo para que a verdade flutue à vista de todos e elimine a necessidade de um mergulho no oceano estatístico para fazer emergir diretamente toda a verdade a todos. Afinal, a vida das pessoas depende dos níveis de emprego. E no trabalho passamos, todos nós, um terço de nossas vidas.

Presidente do Supremo afirmou que a democracia avançou, em todo mundo. Será?

Jorge Folena 

Foi realizada, na Cidade do Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de janeiro de 2011, a II Conferência Internacional de Cortes Constitucionais. Na abertura do evento, o Presidente do Supremo Tribunal Federal proferiu pronunciamento destacando “a propagação e a cristalização da democracia ao longo do planeta”, nos últimos 20 anos.  

Contudo, ao contrário do manifestado pelo Ministro Cezar Peluso, nas duas últimas décadas temos visto, em escala mundial, o enfraquecimento de importantes instituições democráticas. Em muitos cantos da Terra, a figura do Estado foi reduzida e muitos até defendem abertamente a sua inutilidade numa ordem globalizante, em que as corporações privadas deveriam prevalecer.  

Nesse período, grandes somas de recursos dos trabalhadores foram transferidas para o capital, como ocorreu na crise financeira de 2008. Porém, em nenhum momento, o povo foi chamado a decidir. Ora, nessas condições, como se pode afirmar que a democracia tem avançado? 

Na verdade, o tipo de democracia propagada é a formal, ou seja, aquela em que representantes de determinadas castas sociais conquistam o poder sem o genuíno apoio popular, atuando somente para tutelar e direcionar os caminhos a serem percorridos pela sociedade, sem que esta seja ouvida nos temas de relevante interesse.   

Quando se questiona a ausência de participação popular nas decisões, os dirigentes afirmam que isto é secundário, pois existiram eleições “livres”, nas quais lhes foi conferido um mandato. Mas até onde vai o exercício do poder outorgado aos políticos? Poderiam eles alienar o patrimônio público, sem o exercício do plebiscito ou do referendo? O Poder Judiciário, que não se submete ao sufrágio na maioria dos países, poderia corroborar tais decisões, contrárias aos interesses da coletividade, como fez o Supremo Tribunal brasileiro, quando do desmonte do Estado e da entrega das reservas de petróleo? 

Sem muito teorizar, vale lembrar que o conceito de democracia, forjado na antiga Grécia, se desenvolveu numa sociedade deformada, onde nem todos eram considerados iguais nem titulares de direitos, como os escravos, as mulheres e os estrangeiros. 

Desta forma, a democracia, que evoluiu com o estado liberal, a partir da Idade Moderna e perdura até hoje, é típica de sociedades excludentes, nas quais se prega a prevalência do melhor, do mais capacitado e do vencedor, sendo próprio do regime conviver pacificamente com diferenciações e injustiças. 

Daí a existência de tantas ignomínias na sociedade atual, em que todos os anos morrem pessoas em conseqüência de chuvas e nada acontece. A Constituição, da qual o Supremo Tribunal Federal é o maior guardião, diz que compete à União “planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações.” (artigo 21, XVIII) 

Ora, o que foi feito pela União nos últimos 20 anos, de forma permanente, para combater tal tipo de calamidade pública, que se repete anualmente no Estado do Rio de Janeiro e em outros locais?  

Então, não é crível aceitar que a democracia tenha avançado, quando o ser humano é deixado de lado pelas autoridades constituídas, mesmo estando previsto na lei maior que é necessário planejar e promover a defesa permanente e nada é feito Além disso, nenhum dirigente respondeu, até hoje, por crime de responsabilidade, contando ainda com os demais poderes constituídos para perpetuar as iniqüidades. 

Portanto, na II Conferência Internacional de Cortes Constitucionais perdeu-se uma grande oportunidade de se debater, de verdade, o destino da democracia num mundo cada vez mais em crise, causada pela concentração de capitais, que todos os dias exclui e flagela milhões de pessoas, que já perderam há muito tempo o sonho de  liberdade, e que, em pleno século XXI, ainda não têm condições mínimas de suprir suas necessidades fundamentais, como alimentação, abrigo, saúde e educação.

Jornal do Brasil saiu das bancas, mas disponibilizou na internet, gratuitamente, todos os exemplares do século passado. Basta você acessar.

Carlos Newton

Como se sabe, o Jornal do Brasil saiu das bancas, passou a circular apenas na internet. Mas deixou para a eternidade um presente inesquecível a todos os seus leitores, ao disponibilizar na web, gratuitamente, todos os exemplares do JB no século XX.

Não apenas a primeira página, mas o jornal inteiro, página por página. E o melhor é que o programa utilizado permite que você possa aumentar a página, folhear o jornal e até imprimir.

Assim, o Jornal do Brasil se tornou o primeiro jornal brasileiro a ser totalmente disponibilizado na internet. É um site incrível, fundamental para registrar o Brasil do século passado.

Se quiser acessar, nem que seja apenas para ver o jornal do dia em que você nasceu, basta digitar o seguinte endereço: http://news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19920614&b_mode=2

Quando perguntaram a Sobral Pinto, se havia democracia à Brasileira, respondeu: “Conheço peru à brasileira, democracia é igual no mundo inteiro”. Agora descobrimos “INFLAÇÃO À BRASILEIRA”, temos que aumentar juros.

Helio Fernandes

Ontem, a informação sobre mais esse aumento dos juros, elevação de 0,50%. É o complemento oficial de que “nas quatro próximas reuniões do Copom, quatro elevações desses juros”. Hoje, o comentário melancólico, lamentável, o descumprimento da palavra da presidente, antes mesmo de 1 mês no Poder.

Sem ninguém perguntar, levantou a esperança, deu impressão de que cumpriria o compromisso que não assumiu na campanha, mas foi implícita e explícita: “Lutarei CONTRA O AUMENTO DOS JUROS”. Além da tragédia desses juros altíssimos, o fato triste e impiedoso: a presidente não cumpre a própria palavra em relação à QUEDA dos juros e a redução do privilégio, favorecimento, enriquecimento espúrio e vergonhoso, de BANCOS E SEGURADORAS.

24 horas depois de Dona Dilma ter nomeado Tombini para a presidência do Banco Central e declardo, “não aumentarei juros”, mostrei toda a minha decepção e descrença. Pois Tombini sempre foi a favor dos juros mais altos. Votava rapidamente para que subissem, mesmo nos momentos, r-a-r-í-s-s-i-m-o-s, em que Meirelles queria reduzi-los.

Contra fatos não existem argumentos, a não ser a realidade destruidora, avassaladora, demolidora. E pela primeira vez nesses anos todos (mesmo com  FHC, quando os juros chegaram a 44 por cento), se anuncia PREVIAMENTE, como agora: “Nas próximas reuniões, mais aumentos”.

Simplificando, perguntando e concluindo: se esses juros são elevados por causa da inflação (para combatê-la), por que anunciar os próximos aumentos? Já sabem que esses juros CRIMINOSOS não atingirão nem diminuirão a inflação? Quem responderá a essas perguntas irrespondíveis?

Se fosse vivo, Sobral Pinto gozaria a todos, falando (como está no título destas notas) em “inflação à brasileira”. É o que parece. No Japão, o juro é ZERO-ZERO. (Ao ano). Nos EUA, esse ZERO-0,25%. Na China, que cresceu em 2010, 10,40%, a inflação nem preocupa, os juros são mínimos. E olhem que eles têm uma classe média de 190 milhões de pessoas (maior do que toda a população do Brasil) de alto poder aquisitivo, que compra tudo. Mas eles sabem, porque aprenderam que não há desenvolvimento sem consumo.

Ontem mesmo, o presidente da China, Hu Jintao, esteve nos EUA conversando com Obama (de igual para igual) e reconheceu que em matéria de “direitos humanos é preciso melhorar muito”. Por que fez essa declaração que surpreendeu o mundo inteiro? Pela mesma razão que Mao Tsé-Tung, ao começar sua famosa “Marcha” de 1949, afirmou: “Poucos sabem a dificuldade de pegar um país vivendo no SÉCULO X e colocá-lo no SÉCULO XX”.

Em março de 2009, com juros de 10,75 por cento, o Brasil pagava 188 BILHÕES por ano. Lula enganava o país inteiro, explicando: “Estamos ECONOMIZANDO 90 BILHÕES por ano, para os juros da DÍVIDA”.

Mentiam dupla ou triplamente. Pois se precisavam pagar 188 BILHÕES, de que adiantaria essa ECONOMIA de 90 BILHÕES? Nada vez nada, era o que chamavam e continuam chamando de “superávit primário”. (O Brasil é o único país onde existe essa perversão anunciada. Em todos os países, SALDO ou DÉFICIT, e estamos conversados).

Não precisamos fazer cálculos complicados, exóticos, escalafobéticos. Se com o juro em 10,75% pagávamos 188 BILHÕES por ano, com esse juro agora criminosamente aumentado para 11,25%, quanto teremos que roubar (é de R-O-U-B-O que se trata) do nosso investimento, desenvolvimento, enriquecimento?

Em números divulgados pelo próprio governo, mas nada confiáveis, em março de 2009 DEVÍAMOS 2 TRILHÕES E 300 MILHÕES (e como já fui contestado vastamente, na época, quando “concordei” com o governo), agora vão me massacrar. Dona Dilma não tem nada com a formação dessa DÍVIDA. (Se contestasse, não seria “inventada” como candidata e como presidente).

Mas antes de completar o primeiro mês como presidente, nega o passado, renega o compromisso, determina o aumento que dizia que não faria.

Para não prolongar, admitamos que a DÍVIDA tenha se mantido nos números propalados, que palavra, em março de 2009. Não aumentou nada, mesmo só dispondo de 90 BILHÕES para pagar 188 BILHÕES. Ha!Ha!Ha!

 ***

PS – Agora, com o crescimentos dos juros em 0,50 por cento, (repetindo, dos 10,75% de 2009 para 11,25% deste 2011), mais 26 BILHÕES POR ANO.

PS2 – Terá sido pura COINCIDÊNCIA? Esse aumento de 0,50% cravado de 2009 para 2011? Lula e seguidores parecem mestres em coincidência políticas, eleitorais, econômicas e financeiras.

PS3 – Mesmo sem muita certeza dos números, sempre favorecendo o governo e seus porta-vozes, vou aceitar o cálculo deles. Assim, esse 0,50 por cento, aumentará os COMPROMISSOS DE PAGAMENTO em mais 26 BILHÕES.

PS4 – Juntando com os 188 BILHÕES que ENTREGÁVAMOS em 2009, temos (ou teremos) que ENTREGAR, a-n-u-a-l-m-e-n-t-e, 214 BILHÕES. Enojado, envergonhado, humilhado, para por aqui. Por hoje, por hoje.

Já se briga pela sucessão de cabralzinho

Helio Fernandes

Todas as lutas principais são para 2014. No Rio e São Paulo, pela importância das capitais, lutam também pelas prefeituras, em 2012, logo ali na esquina.

Dois senadores eleitos agora, Lindberg e o sobrinho do “bispo” Macedo, querem o governo. Crivella perdeu duas vezes para prefeito, aceitaria a sucessão de Eduardo Paes. Ainda teria 6 anos, se fosse derrotado.

***

PS – Lindberg  tem ganho política e eleitoralmente, prefere ser governador direto. O PMDB não tem nome, cabralzinho foi reeleito.

PS2 – Falam que o ex-prefeito seria candidato. Iria de táxi, de São Conrado (onde mora, graças à construtora da Organização Globo) até a sede da Prefeitura. Gostaria de ser governador, já perdeu quando foi candidato.

Caso Battisti: Cezar Peluso não fala pelo Supremo

Helio Fernandes

É presidente, o Tribunal está em recesso, ele decide em questões circunstanciais. Só isso. Pode conceder liberdade a tipos como Daniel Dantas, Gilmar Mendes fez isso duas vezes em relação a esse Daniel Dantas. E mais faria, se mais fosse pedido.

Peluso não pode modificar “a coisa julgada”. Pela Constituição, só o presidente da República (seja quem for) pode decidir a FAVOR ou CONTRA extradição. Foi isso que o Supremo decidiu, embora muitos Ministros fossem a favor da extradição. Gostando ou não gostando (incluindo este repórter), a última palavra é do presidente da República.

Aldo Rebelo e a presidência da Câmara

Helio Fernandes

Logo que Dilma começou a montar o mediocríssimo ministério da sombra ( e não por causa do verão), escrevi aqui mesmo um artigo, com o título “Alerta a Dona Dilma”. Precisamente a respeito da resistência “da base” ao nome de Marco Maia para substituir Michel Temer.

Mostrei, com dados, números e detalhes: Aldo Rebelo, que foi presidente da Câmara por causa de Severino Cavalcanti, quer transformar Marco Maia num novo Severino. E voltar à presidência da Câmara, que não exerceria de outra forma.

Foi coordenando, conversando, concordando, achou que tinha votos. A maior parte da culpa era do Planalto-Alvorada. Se tivesse oficializado Candido Vaccarezza (também do PT), nenhum problema. Também chamei a atenção de Dona Dilma para a mudança de estratégia (?): Aldo Rebelo “aceita” ganhar no segundo turno, por isso lança vários nomes.

Conversa com comentaristas, sobre Sarney na presidência do Senado e o futuro do PT e do PSDB.

Marcelo de Jesus Delfino: “Não adianta. O PSDB está definitivamente preso ao passado, à Era FHC. Não voltará à Presidência, jamais. O eleitorado já decidiu. O PSDB é o passado e o PT é o presente. O futuro a suplantar tudo isso há de ser bem melhor”.

Comentário de Helio Fernandes: De uma coisa você tem razão. Embora seja difícil marcar os tempos. O passado não é rigorosamente o tempo que passou, principalmente em termos de política eleitoral. O presente seria mais fácil de determinar ou localizar, mas o PT será Lula-Dilma-Lula? De qualquer maneira, tenho estabelecido minhas dúvidas, que se parecem com as tuas. Se não fizeram a imprescindível reforma partidária, tudo será passado, não teremos futuro.

PS – Em tempo: ela não fará nenhuma das modificações exigida para participarmos de um futuro, verdadeiramente representativo.

 ***

SARNEY: “NÃO TENHO ACORDO COM RENAN

BMJ: “Jornalista, li assombrado a afirmação do presidente do Senado: “Serei reeleito sem apoio de ninguém, nem mesmo de Renan”. Isso é verdade? Então, os 41 votos necessários virão de onde?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você pergunta se é verdade. Saiu como declaração dele, que não contestou. Quando ele fala, “serei eleito sem precisar de apoio de ninguém”, é um que pode dizer isso, sem ser acusado de “MENAS” verdade.

Foi presidente da República sem povo, sem voto, sem urna, o que pode ser chamado de unanimidade diante do espelho. Num sistema INDIRETO, ele foi mais INDIRETO por determinação do destino.

PS- Suplente de deputado em 1954, em 1985, 31 anos depois, foi “presidente”. Agora, 25 anos depois dessa “indireta” felicíssima, está no quinto mandato de senador, mudou até de Estado.

PS2 – E ainda afirma: “Não preciso de apoio, PRINCIPALMENTE DE RENAN”.

 *** 

OFELIA INDO E VOLTANDO

Ofelia Alvarenga: “Helio, é verão, mas os dias estão cada vez mais curtos. Quero agradecer a hospedagem dos meus comentários, me distraiu muito vir aqui e palpitar, algumas vezes melhor que outras. Ou pior. E dizer que se eu voltar é porque vim. Se não voltar é porque não vim. Saúde e Paz. Obrigada.”

Comentário de Helio Fernandes:
Ofelia Alvarenga, tua manifestação a respeito da participação, compreensível, mas dependendo unicamente de você. Como comentarista, você é que define e garante a p-e-r-i-o-d-i-c-i-d-a-d-e, que palavra.

Variadas, com a Transpetro, Delúbio Soares e memórias de Pedrossian

Helio Fernandes

É uma das maiores subsidiárias da Petrobras, da importância da BR. Mas não reivindicam o cargo, qual a razão? Motivo: Sergio Machado, que foi senador e formava no Ceará um triângulo fortíssimo com Jereissati e Ciro Gomes, está no cargo há anos, patrocinado por Renan Calheiros.

Jereissati, Ciro e Sergio tinham um pacto, dos três serem governadores. Os dois primeiros foram. Quando chegou a vez de Sergio, dissolveram o grupo.

 ***

DELÚBIO NÃO FOI RECOMPENSADO

Todos falam, “um dos maiores réus do mensalão, se refiliou ao PT, compensação”. Não é nada disso, apenas PREVENÇÃO. Muitos, como ele, preocupados com o futuro, montaram “arquivos e dossiês”. É a forma de serem lembrados. Muitos dos que estão na mesma situação dele, aplaudiram. É o começo.

 ***

O GOVERNADOR PEDRO PEDROSSIAN

Quando fui confinado em Mato Grosso (antes da divisão), ele era governador. Acusadíssimo por muitas irregularidades, tomou decisão que julgava “salvadora”: mudou a residência oficial, que ficou “colada” à casa do general comandante da Região. Só que esse general, corretíssimo, jamais o atendeu ou visitou-o.

Será que o ministro Mercadante já recebeu o título de “doutor em Economia” da Unicamp? Que a presidente Dilma tanto sonhou conquistar (e até pensou que tinha “conquistado”)

Carlos Newton

Nenhum jornal noticiou (pelo menos, não vi nada a respeito, nem na internet), mas na última segunda-feira o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, teria recebido na Universidade de Campinas o título de Doutor em Economia, apesar de não ter cumprido as regras impostas aos demais doutorandos do Curso de Pós-Graduação do Instituto de Economia.

Por exemplo: segundo o regulamento, ele só poderia adiar a apresentação da tese uma só vez, e apenas pelo prazo de seis meses. Pois o ilustre ministro postergou a apresentação pelo desprezível prazo de 20 anos. Além disso, de acordo com o regulamento, Mercadante só poderia receber o título de especialização latu sensu, jamais o título de “Doutor”.

Mas todas essas regras foram quebradas, e Mercadante também desrespeitou a tradição de o doutorando apresentar uma tese que discuta a teoria econômica. Ao invés disso, exibiu um calhamaço de 519 páginas sobre o governo Lula, anunciando o nascimento do “Novo Desenvolvimentismo” – um modelo baseado em crescimento e distribuição de renda.

Com frases quase sempre na primeira pessoa do plural, como se tivesse liderado ou integrado a equipe econômica de Lula, lá se foi Mercadante (“Superamos a visão do Estado mínimo”; “Não nos rendemos à tradição populista”; “Retiramos 28 milhões da pobreza”; “Melhoramos muito o atendimento na saúde”).

Como já noticiamos aqui no blog, o novo doutor dedicou boa parte de sua preleção a críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso, com ataques ao neoliberalismo e ao Fundo Monetário Internacional. E acabou sendo ironizado pelo ex-ministro Delfim Netto, professor titular da USP e que participava da análise da defesa da tese.

“Esse negócio de que o Fernando Henrique usou o Consenso de Washington… não usou coisa nenhuma!”, disse Delfim, arrancando gargalhadas. “Ele sabia era que 30% dos problemas são insolúveis, e 70% o tempo resolve”, acrescentou, lembrando que o cenário internacional foi favorável ao governo Lula e destacando que o bolo não cresceu apenas por vontade do presidente petista.

“Com o Lula você exagera um pouco, mas é a sua função”, disse Delfim a Mercadante, fazendo gozação: “O nível do mar subiu e o navio subiu junto. De vez em quando, o governo pensa que foi ele quem elevou o nível do mar…”

“O Lula teve uma sorte danada. Ele sabe, e isso não tira os seus méritos”, concordou o professor João Manuel Cardoso de Mello (Unicamp), que reclamou de “barbeiragens no câmbio” e definiu o Fome Zero como “um desastre”. No final, a comissão decidiu outorgar o título de “doutor” a Mercadante, que deveria ter recebido no último dia 17, mas nem o portal da Unicamp registrou o fato.

O título de doutor é o maior orgulho do acadêmico. No PT, chega a ser um fetiche. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff chegou a se declarar “doutoranda” em Economia na mesma Unicamp, apesar de nem mesmo ter conseguido o título de mestrado.

Como assinalamos recentemente aqui no blog, agora esses “exageros” nem interessam mais. Como presidente do Brasil, Dilma Rousseff vai se encher de títulos de “doutor honoris causa”, que as universidades dão a qualquer um. Desde que o “laureado” (ou “laureada”) esteja no Poder, é claro.

A culpa é do telefone

Carlos Chagas

Nada como buscar no passado  episódios grotescos para justificar  situações análogas no presente. Dividia-se radicalmente a população, na Espanha anterior ao golpe fascista do general Francisco Franco. As elites, os donos da terra, os militares  e a própria Igreja organizavam-se para enfrentar a onda de reivindicações sociais que comunistas, socialistas, anarquistas e sindicalistas desencadeavam, muitas vezes com extrema violência. Foi quando surgiu, nos andares de cima, o diagnóstico fulminante para explicar a ebulição no porão: a culpa era do telefone, recém-implantado no país! A moderna tecnologia gerava a rebelião das massas, queixavam-se  os privilegiados em seus convescotes, sermões e até  órgãos de comunicação.
                                              
Pois não é que entre nós a farsa se repete? Com o advento do telefone celular e sua utilização maciça pelas camadas menos favorecidas, aumentou o grau de consciência social do cidadão brasileiro. Ficou mais difícil enganar o povão com ilusões, mentiras, editoriais e falsa propaganda.  O cidadão comum, em maioria pobre, carrega sua maquininha não apenas para buscar trabalho,  biscates e  oportunidades. Também aprendeu, com rara competência,  a acionar sites e blogs que espalham notícias on-line, além de poder trocar opiniões variadas com o vizinho, o parente, o amigo  e o companheiro de infortúnios. Recebe montanhas de informações e sente-se capaz de processá-las, acima e além dos pratos-feitos distribuídos pela mídia ortodoxa, pelos governantes  e pela voz das elites.   
                                            
Assim, está  o trabalhador brasileiro consciente de que a realidade é bem diferente da ficção. Um salário-mínimo de 545 reais atropela qualquer propaganda de sermos o país-maravilha, sem desemprego, alçado ao patamar das grandes potências.  “Não é nada disso”, ouvirão cruzar os ares,   aos montes,  os tecnocratas   hoje  empenhados em estabelecer a censura nos celulares. Se  conseguirem, é claro. Quanto aos artífices da ilusão,  depois que ela for desfeita  só lhes restará repetir os espanhóis daqueles tempos: a culpa foi  do telefone (celular)…
 
UMA DISTÂNCIA IMENSA
 
Elogios para a presidente Dilma Rouseff por dar prioridade às despesas com a recuperação da serra fluminense, inclusive adiando por um ano a aquisição dos 36 aviões de caça no mercado internacional. Claro que a Força Aérea necessita reequipar-se, mesmo sem nenhuma perspectiva de guerra com outras nações. Será  preciso visualizar a compra dos aviões pelo ângulo das proporções. Um só porta-aviões dos Estados Unidos carrega 90 caças até mais sofisticados do que os 36  agora protelados. E aquele país dispõe de pelo menos onze navios-aeródromos, sem contar as dezenas de bases espalhadas em seu território e pelo mundo afora, com aeronaves ainda mais avançadas.

A distância é imensa, em termos bélicos. Mas socialmente, poderemos até estar na frente, se as vítimas e os efeitos  da recente  catástrofe forem melhor e mais rapidamente atendidos do que os infelizes habitantes de Nova Orleáns, ainda hoje de chapéu na mão.   
 
A OUTRA INUNDAÇÃO
 
A principal obrigação do jornalista é divulgar notícias, tanto faz se boas ou más. A tragédia da serra fluminense ocupou e mais ocupará, por muito tempo, as telinhas, os microfones e as páginas de jornais e revistas, sem falar nos sites e blogs e parafernálias  on-line. É triste relatar desgraças como a que se abateu  sobre o Rio de Janeiro, mas trata-se de nossa atividade.
                                              
Feito o preâmbulo, vai o principal: estamos exagerando.  Tanto  na quantidade de notícias  quanto  no conteúdo. Nos dois casos registra-se uma inundação de informações muitas vezes repetitivas e,  acima de tudo, sem respeitar o sofrimento alheio. É comum assistirmos repórteres entrevistando sobreviventes da catástrofe onde  perderam filhos, pais e irmãos indagando qual o seu maior sofrimento, ou de quem sentirão mais falta. Convenhamos, jornalismo é notícia, antes de ser  emoção e disputa por audiência. 
 
EXAGEROS 
 
Patriotismo é uma coisa, patriotada, outra bem diferente. O filme sobre a vida do Lula não conseguiu ser incluído na lista de películas estrangeiras que disputarão o Oscar, por uma razão muito simples: sua qualidade discutível, tanto no enredo quanto na técnica.
                                              
Pois não é que um grupo de aloprados atribui a desclassificação ao fato de o governo  Lula  haver-se aproximado do Irã, rejeitando as exigências dos Estados Unidos?

Haddad criou uma odisseia no espaço para os alunos

Pedro do Coutto

O ministro da Educação, Fernando Haddad, que conseguiu sucessivamente criar odisseias no espaço cibernético para 123 mil alunos que concorrem a bolsas de estudo através  do Exame Nacional de Ensino Médio e do Sistema de Seleção Unificada, em vez de apenas anunciar a demissão de Joaquim Soares Neto da presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Inep, deveria começar por pedir ele próprio sua demissão.

Afinal, o problema não foi só o Inep que falhou no ano passado e novamente em 2011. E sim do MEC que se revelou inepto para resolver questões de extrema simplicidade. A reportagem de Demétrio Weber e Lauro Neto, edição de O Globo de 18, aliás excelente, revelou toda dimensão do desastre. Inclusive é acompanhada por uma foto aberta em três colunas focalizando Haddad ao lado de Soares Neto, assim como se expusesse publicamente um culpado além dele, titular da pasta.

Essa não. Da mesma forma que o poder não se transfere, a culpa tampouco. Se tivesse que afastar Soares Neto do Inep, Nelson Haddad deveria tê-lo feito na crise do final do ano passado. Agora foi tarde demais. Os prejuízos impostos aos estudantes – cento e vinte e três mil – já foram enormes em matéria de tempo perdido e desgaste nervoso. Além do mais, Demétrio Weber e Lauro Neto revelaram, houve violação de sigilo, acesso indevido, por parte de estudantes, a dados pessoais de outros, um abismo em matéria de desorganização. O estudante Caio Henrique Figueiredo, por exemplo, inscreveu-se com opção para dois cursos da UFRJ. Muito bem. Seu nome foi remetido à disputa de vagas na Universidade de Ouro Preto, Minas Gerais, e São Carlos, São Paulo.

No filme de Stanley Kubrick, o piloto, para consertar um defeito na nave espacial, tem de enfrentar o computador Hall, que lutava para bloquear seu acesso à rede de controle. Isso em 1969. Agora, em 2011, os alunos para realizarem sua viagem no espaço cibernético em busca de oportunidades de ensino, uma obrigação do ME, têm que enfrentar o próprio Ministério da Educação. O problema será de difícil solução, já que 600 mil estudantes se inscreveram na busca de 123 mil vagas e os prejudicados pela descoordenação coordenam-se agora para uma nova aventura espacial. Esta não mais nas telas das universidades mas nas teias da Justiça.

A questão é das mais complicadas, uma vez que as provas do abismo não estarão disponibilizadas  para consulta e assim para a respectiva comprovação. Mas algo terá que ser feito, ou melhor, refeito, uma vez que os estudantes classificados (para as bolsas) não podem sofrer o prejuízo enorme de perdê-las em face de uma desorganização para a qual, inclusive, em nada contribuíram. Afinal de contas, não se pode cometer o extremo absurdo de transformar as vítimas em culpados.

O ministro Fernando Haddad, que a presidente Dilma Roussef relutou em manter no posto, com mais esse episódio negativo ficou com sua posição ainda mais abalada e dificilmente poderá superar o desgaste e firmar-se definitivamente no MEC. Não revelou a firmeza indispensável ao desempenho do posto e procurou passar toda a culpa a Joaquim Soares neto que pode ter errado, mas não errou sozinho. Ninguém sozinho, a não ser o próprio titular da pasta, é capaz de cometer erros tão grandes em série. Foi o que aconteceu, nem tanto por ação, mas principalmente por omissão.

Greve dos servidores da Justiça no Rio obteve vitória apenas parcial, em meio a diversas decisões irregulares do Tribunal

Carlos Newton

Nenhum jornal publica nada, é impressionante o boicote ao movimento dos funcionários do Poder Judiciário no Estado do Rio. Eles reivindicavam um reajuste de 24,6%, referente a uma diferença salarial a que faziam jus. Como não tiveram reconhecido pela presidência do Tribunal o direito que a própria Justiça lhes garantira, entraram em greve, que teve adesão parcial.

Mas a greve não foi totalmente vitoriosa, pois o presidente do Tribunal de Justiça decidiu pagar o reajuste de  24,6% apenas aos cerca de mil servidores que haviam movido a ação, deixando de fora todos os demais, inclusive aposentados e pensionistas. Ou seja, criou duas espécies de funcionários – os com aumento e os sem aumento. 

A reação foi muito forte e a presidência do Tribunal mudou outra vez de posição. Anunciou então que vai pagar, em quatro parcelas anuais (2011, 2012, 2013 e 2014) não cumulativas, a todos os outros serventuários da ativa, excluindo aposentados e pensionistas.

Caramba, essa decisão é um primor de injustiça. É claro que todos os funcionários têm direito ao reajuste imediato, caso contrário o presidente do TJ não tomaria essa decisão. Mas por que pagar aos demais servidores de forma não cumulativa, sem juros e correção? E por que excluir aposentados e pensionistas? É óbvio que eles têm os mesmo direitos.

A perseguição aos aposentados e pensionistas é implacável e inexplicável. Por exemplo, a diferença do Auxílio Saúde, este também não foi pago, aos aposentados e pensionistas, conforme o contracheque enviado aqui à Tribuna. Quanto ao Abono de Natal (R$ 1 mil), por favor informem se já foi pago ou vai ficar para o ano que vem.

Diante dessa situação, só podemos parodiar o ex-deputado mineiro Francelino Pereira, líder da Arena no governo Geisel, que num momento de indignação desabafou, perguntando: “Que país é esse?”, frase depois reaproveitada brilhantemente por Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana. Então, que Justiça é essa?