Santos, campeão paulista

Daqui a pouco, os “meninos” da Vila conquistarão esse título. Se for com Neymar, excelente, sem ele, a decepção mas não a frustração.

Frustração foi a de Jorginho, auxiliar de Dunga, crescem as chances de Neymar e Ganso?

Sobre Neymar: “Com ele se for possível, sem ele se for necessário”. (Adaptando a frase de Rui Barbosa em 1887, recusando o Ministério da Justiça, que D. Pedro II lhe oferecia através do primeiro-ministro, Visconde de Ouro Preto. E comunicando ao imperador, mesmo indiretamente, que sua prioridade era a República).

O “historiador” Lula e a versão sobre o golpe ou revolução que não existiu

Fitzcarraldo Silva:
“Helio, o grande “historiador” Luiz Inácio Lula da Silva  disse no Sindicato dos Metalúrgicos que em 1932, em São Paulo, houve golpe e não revolução. Você concorda?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não houve golpe nem revolução, o importante não é a minha opinião e sim o conhecimento dos fatos. Foi um simples e fracassado movimento, cujo ponto relevante, a “Batalha de Itararé”, não se realizou, tudo acabou ali mesmo. O grande e famoso humorista Aparício Torelli, para satirizar esse movimento, passou a assinar e se identificar como Barão de Itararé, os paulistas se sentiam humilhados.

1930 foi um ano terrível para São Paulo. Perdeu o Poder político com a derrubada do presidente Washington Luiz, que não acabou o mandato, deixou de cumprir os últimos 62 dias do Poder. Com isso Julio Prestes, outro paulista, não chegou ao Poder para o qual havia sido “eleito” em 1º de abril.

Isso foi destruidor do ponto de vista político. Mas nesse mesmo 1930, a tragédia da “quebra de Wall Street”, atingiu profundamente o estado. O Brasil chegou a vender 96 por cento de todo o café bebido no mundo. Desses 96 por cento, plantados, colhidos e exportados, 92 por cento vinham de São Paulo, 2 por cento do Estado do Rio e 2 por cento do Espírito Santo.

Como o mundo foi atingido fortemente, houve queda total das compras, São Paulo sentia a desgraça econômico-financeira, se juntando à crise política. Em poucos meses o Brasil passou a exportar apenas 31 por cento do seu café, o que atingia fundamentalmente a aristocracia rural do estado, que dominava tudo.

Essa aristocracia dominadora era representada pelo jornal “Estado de S. Paulo”, que abertamente pregava a reação, tratada como MOVIMENTO e não, logicamente, de GOLPE ou REVOLUÇÃO. Mais tarde, bem mais tarde, é que surgiu a denominação de MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA 9 DE JULHO. Os próprios paulistas, depois colocariam a palavra REVOLUÇÃO, 9 de julho era a data.

Como tudo isso aconteceu exatamente no final de 1930, sendo que a crise do café NÃO VENDIDO E EXPORTADO, começou a se agravar em 1931, o jornalão foi subindo o tom, e muitos até falavam em “separatismo”, com a alegação: “São Paulo é um país, tudo é produzido aqui”.

Só que alguns mais sensatos, se voltavam duramente contra esse “separatismo”, com argumentos que não podiam ser desmentidos: “São Paulo é o grande produtor, mas não é o único consumidor. Vendemos para todos os outros 20 estados e o Distrito Federal”. Mas apoiavam o movimento de protesto.

O jornalão tinha grande influência, seu proprietário, Julio Mesquita (naquela época não existiam jornalistas e sim “donos de jornais”, nenhum deles escrevia uma linha, com exceção de Chateaubriand, que quando comprou o primeiro jornal, escrevia diariamente) pregava incessantemente a insubmissão, ou como chamavam, a REAÇÃO contra o GOVERNO CENTRAL.

1932 começou com grupos de jovens se armando contra as “tropas legalistas”, como eram chamadas as que representavam o Poder que estava nas mãos do Chefe do Governo Provisório, Getulio Vargas, a maior vocação ditatorial que o país passara a conhecer. Mas não houve sangue, apenas alguns conflitos esporádicos, e o fim de tudo.

O rótulo de CONSTITUCIONALITA foi colocado nesse movimento, para “capitalizar” o sentimento de todo o país, que se sentia traído pelo golpe de 1930. Acreditavam que haviam realizado uma REVOLUÇÃO, mas compreenderam logo, logo, que existira apenas uma “revolução”. O povo fora mais uma vez ludibriado. Na História do Brasil, o 3 de outubro de 1930 é tão golpista quanto o 9 de julho de 1932.

Não demorou, foi feito o “armistício”, era necessário, obrigatório e indispensável escolher um interventor para São Paulo. Aí, Vargas mostrou seu maquiavelismo, vá lá, a falta total de caráter, escrúpulos, convicções, usando o Poder para corromper e não para governar.

Inesperadamente e provocando perplexidade geral, Vargas convida para interventor o político paulista Armando Salles de Oliveira. Ser paulista não era absurdo, não era possível levar para São Paulo alguém de outro estado. Seria humilhação, provocação e represália, que não era o espírito do golpista Getulio Vargas. (Que já errara em 1931, nomeando interventor o “Tenente” João Alberto).

Só que o estarrecimento tinha uma causa e nenhuma explicação: Armando Salles era cunhado do doutor Julio Mesquita, proprietário do “Estado de S. Paulo”, principal instigador e incentivador do 9 de Julho.

Sem levar em conta qualquer espécie de convicção, Armando Salles tomou posse. Ficou interventor até 8 de abril de 1935, quando foi “eleito” indiretamente “governador”.

Mostrando o “compradesco” geral, Armando Salles era feito interventor, o cunhado dono do jornal, era exilado em Portugal. Ficou 1 ano, voltou, continuou a negociar com o “governo” Vargas.

***

PS – Em abril de 1936, o interventor-“governador” foi a Vargas comunicar que seria candidato a presidente na eleição marcada para 3 de outubro de 1938. Vargas respondeu, “não é a hora de falar nisso, por causa da situação internacional”.

PS2 – Armando Salles voltou para o “governo”, e em abril de 1937, se lançou candidato a presidente. Vargas “fingia ter como candidato José Américo, mas nem pensava em eleição”. Convocou Negrão de Lima para a implantação do “Estado Novo” de 10 de novembro de 1937.

PS3 – A partir daí, tudo é história, como o 9 de Julho também é. Só que não teve nada de Constitucionalista nem de REVOLUCIONÁRIO. É apenas mais um GOLPE na História golpista do país, História e golpes, que começam na madrugada de 15 de novembro de 1889. Que chamaram gozadoramente de REPÚBLICA, que é isso que está aí.

***

LEIAM AMANHÃ:

O Supremo errou totalmente ao votar a anistia.
Absolveu torturadores, que são monstros, condenou
o Exército, maioria esmagadora contra a ditadura.
O DOI-CODI firmou jurisprudência?

Trabalhadores e anistia

Jorge Folena

Prezado Jornalista Hélio Fernandes, no 1º de maio comemora-se, em quase todo o mundo, o dia do trabalhador, que é simbolizado pelas manifestações ocorridas na cidade americana de Chicago em 1886, na luta pela redução da jornada de trabalho para 8 horas. Mesmo tendo sido esta luta iniciada por trabalhadores americanos, os Estados Unidos da América do Norte, por razões naturais do pensamento liberal que impera naquele país, se negam a reconhecer o dia do trabalho.

O trabalho é a base de tudo na evolução da sociedade, como cientificamente comprovou Marx em seus estudos de filosofia, política e economia, tendo as mãos como sua essência fundamental, como revelou Engels.  As mãos dos trabalhadores, em todos os períodos históricos, construíram e constroem as grandes obras da humanidade, como lembrado em poesia por Brecht.

Trabalhadores brasileiros, socialistas, comunistas ou não, inconformados com a tomada ilegítima de poder em 1964 e a deposição de um governo legal, desapareceram, foram perseguidos, humilhados, torturados ou morreram por lutarem para tentar restabelecer a ordem política e jurídica no País, diante da Constituição promulgada em 1946.

Muitos desses trabalhadores tiveram que se esconder para não morrer, outros precisaram ir para o exterior, abandonando suas famílias, amigos, trabalhos e estudos.

Os ocupantes do poder propuseram em 1979 a “anistia, ampla, geral e irrestrita”, para que os trabalhadores perseguidos aqui ou no exterior pudessem retornar ao Brasil.

O termo anistia significa “perdão em sentido amplo” ou esquecimento (do grego amnestia). Porém, a lei de anistia, como documento jurídico, apresentou um vício original grave, qual seja, a coação (pegar ou largar), na medida em que foi a condição imposta pelos detentores do poder para permitir o retorno dos que tinham deixado tudo para trás. Vale lembrar que a ditadura permaneceu firme até 1985, ou seja, 6 anos depois de sancionada a Lei de Anistia.

Ora, qualquer documento nestas bases é nulo de pleno direito. Isto é regra jurídica elementar, seja na ordem constitucional outorgada durante o regime militar, seja também na atual, promulgada em 1988, assim como em qualquer outro país. A coação contaminou a referida lei. Contudo, não a tornou legitima para o “perdão” ou “esquecimento” geral das atrocidades do passado.

A ordem jurídica fundada com a Constituição de 1988, em seu preâmbulo, afasta qualquer acordo nulo do passado, ao afirmar que a Assembléia Nacional Constituinte foi reunida para instituir um Estado Democrático de Direito, o que se constitui num dos princípios fundamentais da República Federativa do Brasil em seu artigo 1º.

Desta forma, é impossível numa análise razoável acreditar que Constituição em vigor tenha permitido a manutenção de uma lei, fruto da coação, para perdoar quem tenha praticado atos de violência contra trabalhadores e quaisquer brasileiros, sob a proteção do Poder Público então vigente.

O atual presidente do STF, no julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 153, manifestou que “a lei de anistia é fruto de um acordo de quem tinha legitimidade social e política para, naquele momento histórico, celebrá-lo.” (Notícias STF, de 29/04/10).

Porém, o ministro Peluso esqueceu que os supostos legitimados para celebrar o dito acordo conquistaram o poder do Estado pela força e não pela vontade popular, que é princípio fundamental da Constituição do Brasil (art. 1º, § único, da Constituição do Brasil)

O presidente do STF externou ainda que “o Brasil fez uma opção pelo caminho da concórdia” adotando a Lei de Anistia. Mas que concórdia é esta que não permite que se investigue e assegure o devido processo legal e ampla defesa para supostos agentes do Estado que torturaram, mataram ou criaram embaraços para trabalhadores brasileiros? A paz viria para todas as famílias com a investigação séria, respeitando-se os princípios da Constituição em vigor, para que se pudesse saber realmente quem conduziu ou praticou violência contra os brasileiros no regime de 1964/1985.

Por fim, registro que a Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados Brasileiros, em 30 de novembro de 2009, aprovou à unanimidade, o parecer do jurista Sergio Ribeiro Muylaert sobre a não recepção da Lei de Anistia (Lei 6.683/1979) pela Constituição de 1988 e que o Brasil deveria adotar a mesma postura dos países vizinhos da região, como a Argentina, que no julgamento da Causa nº. 17.768, proferido por sua Corte Suprema, declarou inconstitucional lei de anistia semelhante à lei brasileira.

Portanto, não se está diante de uma questão de revanchismo ou perseguição a qualquer pessoa, mas da busca da verdade histórica para se manter íntegra a memória nacional e assegurar o direito natural dos violentados e suas famílias de saber quem foram os mandantes e executores, assim como exigiu Antígona para garantir o enterro digno de seu irmão.

Jorge Rubem Folena de Oliveira é presidente
da Comissão Permanente de Direito Constitucional
do Instituto dos Advogados Brasileiros

Comentário de Helio Fernandes:
Escrevi um artigo a esse respeito, logo depois do julgamento (?) do Supremo. Tive de deixar para postar amanhã, segunda-feira, por causa de outros dois textos que tinham prioridade. Mas não eram nem são mais importantes do que o artigo sobre a anistia e a impensada-insensata decisão do STJ, que irá durar muito tempo, até que seja modificada ou revogada pelo próprio Supremo ou pela revolta e inconformismo da opinião pública.

Foi tal a violência praticada nos 21 anos nefastos e dominados pelos torturadores, que esse “julgamento” do Supremo é contraditório, representa contradição e inverdade, não só nos 7 a 2 da votação, mas principalmente pela inconsistência e incoerência do próprio presidente, ministro Cesar Peluso.

Este foi o porta-voz dos 7 que estranhamente “anistiaram e absolveram os torturadores”, não só por ser presidente, mas principalmente pela tentativa esdrúxula de justificar o injustificável.

O voto do ministro-presidente agrava o inconformismo e a condenação do cidadão-contribuinte-eleitor. Mas o que não se pode aceitar de maneira alguma, é o fundamento expresso por César Peluso: “A LEI DE ANISTIA É FRUTO DE UM ACORDO DE QUEM TINHA LEGITIMIDADE SOCIAL E POLÍTICA, PARA, NAQUELE MOMENTO HISTÓRICO, CELEBRÁ-LO”.

É preciso condenar a frase (e o próprio ministro), repelindo altivamente o que foi dito. Os 7 a 2 que ANISTIARAM, se encontrariam com a vontade e o desejo da opinião pública, se em novembro de 1979 fosse aprovada uma decisão, com esta frase, conceito-definição: “OS QUE PRETENDEM SE LIVRAR DAS TORTURAS E DOS ESTUPROS QUE PRATICARAM, NÃO TÊM LEGITIMIDADE SOCIAL E POLÍTICA PARA CELEBRÁ-LO. SERVIRAM À DITADURA, QUEREM SER ANISTIADOS PARA CONTINUAREM NO PODER”.

Você, Folena, foi mais completo, por ter ligado essa falsa ANISTIA COM O 1º DE MAIO, VERDADEIRA LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES. E merece ainda mais elogios e exaltação, porque lembra o 1º de maio de 1981, a quase tragédia do Riocentro.

Foi o SEGUNDO GOLPE A FAVOR DA DITADURA e seus autores é que foram indevidamente PROTEGIDOS E BENEFICIADOS por 7 ministros, que desfraldaram a bandeira da tortura, acenando com ela sobre o caixão dos que morreram, e consagrando o silêncio dos que desapareceram, não foram sepultados e são agora ultrajados.

***

PS – Não posso deixar de exaltar o jornalista Carlos Chagas e citar seu artigo de ontem, que tem um título irrefutável, irrevogável, indiscutível: “A MEMÓRIA NÃO PRESCREVE”. Só aí já estaria dito tudo.

PS2 – Mas Carlos Chagas, com a grandeza de mais de 50 anos de jornalismo inviolável e sempre se colocando ao lado da comunidade, não para por aí. Diz, com a profundidade da simplicidade: “Os crimes de homicídio prescrevem em 20 anos. Mas é um dever da sociedade divulgar o nome dos agentes do estado, envolvidos em tortura”.

PS3 – Terminando: “A tortura é ABOMINÁVEL, e precisa ser exposta, mesmo que não seja possível condenar os torturadores”.

O Jango que deu certo

Carlos Chagas

A História costuma ser feita de ironias. Confundem-se a origem,  o perfil político e os objetivos de dois presidentes da República rotulados de populistas, representantes das massas: João  Belchior Marques Goulart e Luiz Inácio da Silva, apesar de um, rico fazendeiro, e outro, torneiro-mecânico. Só que as semelhanças de conduta  expostas na obstinação comum de redimir os menos favorecidos separam-se como água e azeite.

Para chegar ao poder, João Goulart precisou de uma revolta armada, com o país  à beira da guerra civil. O Lula,  nem tanto. Perdeu três vezes as eleições, só vencendo na quarta, mas deixando de ser confundido com Jango no propósito de promover “na marra” as  reformas de base. O atual  recuou pouco antes de assumir o poder, através de um documento de submissão às elites denominado “Carta aos Brasileiros”. O anterior radicalizou no final de um mandato incerto, por falta de opções.

Antes do texto de capitulação prévia do Lula,  porém, será bom não esquecer da existência de empresários dispostos  a deixar o país, no caso de sua vitória. E de projetos em andamento visando a retirada dos investimentos externos feitos no Brasil.

O problema é que João Goulart, mesmo de início disposto ao diálogo e à conciliação, não escreveu carta alguma. Mais ainda, insistiu  na determinação de promover mudanças estruturais num país àquela época muito mais atrasado,  radicalizado e empedernido pelos privilégios elitistas.

Já o Lula, de concreto, deixou de realizar as reformas agrária, bancária, urbana, educacional e outras, conseguindo transformá-las em assistencialismo. Além de  manter satisfeito e não apavorado, até melhor aquinhoado, o segmento conservador. Mas satisfez as massas com a melhoria de seu padrão de vida, sufocando segmentos dispostos a seu lado que, no passado, Jango não  conseguiu conter. Insurgia-se todos os dias, naqueles idos, o Comando Geral dos  Trabalhadores, ao tempo em que CUT e congêneres, hoje, viram-se transformados em gatinhos, tigres que foram antes.

No Congresso, nos tempos de Jango, a resistência da Direita revelou-se extremada e muito superior aos pruridos da bancada ruralista e sucedâneos, hoje. Lula conseguiu a submissão da maioria parlamentar através de benesses, nomeações e liberação de verbas de que o longínquo antecessor não cogitou ou conseguiu implantar.

Uma semelhança verifica-se entre os dois presidentes populistas na questão  agrária. As Ligas Camponesas de Francisco Julião invadiam terras até em proporção  menor do que o MST, hoje, mas aos liderados de João Pedro Stédile falta o apoio de outras forças sindicais, ao contrário do início dos anos sessenta, quando todos defensores das reformas de base pareciam unidos.

Por último, nos tempos de Jango o planeta dividia-se em dois campos empenhados em luta mortal. Como mais tarde  o bloco chefiado pela União  Soviética saiu pelo ralo, junto com o comunismo, beneficiado foi o Lula, circunscrito apenas a alguns arroubos periféricos diante dos Estados Unidos. É bom lembrar que os americanos chegaram a chamar Jango de estadista, enquanto tramavam sua queda, ao tempo em que incluem o Lula no rol dos 25 maiores líderes da atualidade, sem o menor perigo de intervenção por aqui. Também, não precisam. As forças armadas brasileiras,  cuja maior parte Washington  manipulava  através do “perigo vermelho”, tiveram sua oportunidade e fracassaram por estender seu predomínio  durante 21 anos, enquanto hoje mantém conduta exemplar, afastadas da política. Ainda que não raro engolindo sapos em posição de sentido.

Um suma, Jango perdeu, Lula sai vitorioso. Oriundos da mesma raiz  germinaram  em terrenos diversos. Este deu certo, aquele foi deposto. Os dois passarão aos livros de História como  populistas, mas que diferença, hein?   

Pesquisa da FGV: 90% acham a Justiça brasileira lenta

Pedro do Coutto

Noventa por cento da opinião pública de sete regiões metropolitanas do país – BH, Brasília, Porto Alegre, Recife, RJ, Salvador e SP – consideram a Justiça brasileira demasiadamente lenta. Foi a conclusão a que chegou a Fundação Getúlio Vargas em pesquisa realizada e que deu base à reportagem de Daniel Brumati, publicada na edição de 29 de abril de O Estado de São Paulo. Se alguém ainda tivesse dúvida quanto a este aspecto da questão, ela desapareceria com a leitura da matéria.

O levantamento foi coordenado pela professora Luciana Gros Cunha, da Escola de Direito da FGV. O sistema judicial é extremamente lento tanto nas decisões, quanto nas execuções. São dois obstáculos, ou duas armadilhas que aguardam os detentores de pleno direito em uma série de ações, mas que não conseguem chegar ao ponto final e derradeiro dos processos que iniciam. Isso porque, principalmente, o sistema dá margem a uma série interminável de recursos e, além disso, as sentenças não são líquidas. Dividem-se em duas etapas: o reconhecimento do direito certo e a conseqüência concreta desse reconhecimento.

O exemplo da Tribuna da Imprensa é emblemático. Nenhum jornal do país foi alvo de tanta arbitrariedade, seja pela forma da censura mantida pelos governos Médici e Geisel, seja pela violência dos atentados que sofreu. Em 81, o jornal de Hélio Fernandes sofreu um ataque terrorista à bomba que incendiou o prédio da Rua do Lavradio. O Estado nada fez. HF venceu uma ação indenizatória há mais de 30 anos e até hoje aguarda sua execução prática e concreta.

Afirma-se que o Judiciário está sobrecarregado. Está, sem dúvida. Mas é preciso assinalar que a grande maioria das ações volta-se contra o Poder Público, que, a começar pelo INSS, não cumpre suas obrigações legais e assim, tumultua e exaspera a vida de milhões de pessoas diariamente, além de contribuir para uma sensação de desânimo e descrença na ética oficial e na eficiência de todas as escalas da administração pública, espalhando-se pelas áreas federal, estaduais e municipais.

Cortam-se direitos de forma ilegítima e os atingidos, claro, são obrigados na recorrer à Justiça. Na área federal, por exemplo, de 10 milhões de ações ajuizadasa, 40% são contra o Instituto Nacional de Seguridade Social. Processos demoram de 10 na 20 anos – isso mesmo, de 10 a 20 anos – e, no caso previdenciário, ainda por cima registra-se o total de 600 mil ações transitadas em julgado, aquelas em que não cabe mais recurso algum, simplesmente aguardando execução. Ou seja: o pagamento do direito.

Muitos titulares dessas ações morrem sem receber, fazendo com que seus herdeiros tenham que se habilitar, substituindo-os. Uma coisa incrível. Ações julgadas contra as quais foram impetrados recursos esperam mais de um ano pelo despacho de um relator do tribunal que os recebeu. Um simples despacho determinando sua inclusão em pauta. Nada mais do que isso. A sempre anunciada – e não realizada – reforma do Judiciário deveria começar por aí.

Desembargadores e ministros de tribunais superiores deveriam fazer sessões destinadas a desafogar o acúmulo de processos, decidindo de plano em relação aos quais não existem dúvidas. Mas não é assim. Misturam-se todas as ações como num liquidificador, adicionando-se as simples às de maior complexidade. Claro, tal método de trabalho leva ao congestionamento de processos e sentenças, reduzindo até o espaço físico e de tempo que os magistrados devem dispor para tornar sua tarefa menos sufocante e seu pensamento mais leve e direto. Basta alguém pesquisar, como pode fazer a FGV, o número de ações paradas aguardando por um simples despacho de minutos. Se a Fundação Getúlio Vargas executar tal levantamento terá prestado mais um serviço à população. Seria a continuidade da pesquisa que deu margem à reportagem de Daniel Brumati.

REGISTRO: Nos idos de 1993

Hélio Fernandes

Em 1993, o então prefeito da cidade do Rio de Janeiro nomeou Sérgio Nogueira Lopes para a presidência da Fundação Francisco de Paula, por indicação da então secretária de Assistência Social, Laura Carneiro. No exercício da presidência, Nogueira Lopes conseguiu em poucas semanas reduzir o custo público da Fundação e aumentar em mais de 50% o número de vagas, além de elevar em muito a qualidade dos serviços e do atendimento.

O Lar Francisco de Paula passou a ser conhecido como FUNLAR e mereceu largos elogios do Prefeito. César Maia declarou na ocasião à Rádio Tupi: “Nogueira Lopes é dos melhores presidentes que passaram pela Funlar.”

O tempo fez justiça e trouxe o merecido reconhecimento ao sociólogo Nogueira Lopes, que deu o melhor de si por uma causa social.

Vôlei: Florianópolis, sempre finalista, 5 vezes campeão

É dificil, pelo menos no momento, ganhar do time que já foi do Renan Dal Zotto, e continua invencível. Ganhou mais um título e pelos esperados 3 a 0. Embora o Montes Claros, apenas com um ano de vida, tenha sido brilhante.

Tênis: Verdasco perdeu
para ele mesmo

Há muito tempo não vejo uma semifinal de Master tão estranha e surpreendente. Verdasco vencia por 5 a 1, perdeu 6 games seguidos, Ferrer fechou. No segundo set, Verdasco sempre de cabeça baixa e expressão corporal de derrotado, perdeu mesmo. Incrível.

Fetransport domina e atrasa transportes

É o órgão mais importante do Rio, domina tudo e todos, com seus ônibus velhos e ultrapassados. Agora, diz: “Vamos modernizar o transporte até 2016”. Ha!Ha!Ha!

Não se pode acreditar nesse órgão que engarrafa o trânsito com seus ônibus e sempre em fila dupla, no centro e nos bairros. Mesmo se pudéssemos acreditar, falam em 2016, esqueceram 2014? Será que só pagaram uma vez?

E agora EXIGE indenização por engarrafar e infernizar a vida do carioca. É o que digo há anos, a Fetranspor é invencível.

Parreira: “A África do Sul sou eu, tem muita gente querendo aparecer”

Afirmação rigorosamente autobiográfica do badalado treinador. Não sai dos jornais e televisões, já prepara “justificativa” para a derrota certa.

Pênalti duvidoso, faltando
23 segundos para o final

A vitória (?) do Palmeiras sobre o Atlético de Goiás, foi inacreditável, o time de São Paulo coleciona outro 1 a 0. Só que o de ontem, “presente do árbitro. Deu 4 minutos de desconto, marcou a falta que seria a da vitória.

E no Corinthians, Ronaldo “Fenõmeno”, como sempre, notável faturador, não tanto como jogador.

Ninguém tem condições, vontade ou até credibilidade para silenciar Ciro Gomes. Estão todos apavorados, sabem que seu arsenal é inatingível, todos os outros, vulneráveis.

Ninguém foi mais exato e tinha mais condições, conhecimento e experiência para definir Ciro Gomes do que o irmão Cid: “Ele é indomável”.

Três palavras insubstituíveis, perfeitamente usadas para identificar o personagem que tem uma biografia rigorosamente volumosa para os seus 53 anos. (Que completará em 15 de novembro, podendo, portanto, dizer que ninguém é mais republicano do que ele, e acrescentando que “o PMDB não é republicano”.

Além do mais, Ciro não está inventando nada. Em 1984, deputado estadual pelo PMDB, dizia em discurso: “O PMDB (seu partido) do Ceará não vale nada”. Quem tem memória, sabe que Ciro repete agora, no plano nacional, o que dizia há 26 anos, sobre o mesmo PMDB. (O mesmo ou pior ainda, se é que isso é possível?).

Em 1988, com 31 anos se elegeu prefeito de Fortaleza, numa eleição que surpreendeu até os correligionários, “pois não livrava a cara de ninguém”. Ficou apenas 15 meses no cargo, em 1990 era governador, ia completar 33 anos. (Foi beneficiado pela Constituição de 1988, que reduziu a idade dos candidatos a governador, de 35 para 30 anos).

Ia fazendo carreira prosperíssima, apesar de duas restrições que todos faziam. 1 – Era tido como de extrema-direita, qualquer que fosse a definição disso. 2 – Era protegido, favorecido e patrocinado por Tasso Jereissati, o que não repercutia bem.

Agora, depois dessa biografia ligeira, de ter sido da Fazenda de Itamar, e disputar a Presidência da República em 2002, liderado as pesquisas e ter sido derrotado por ele mesmo, as alternâncias de mentalidade e de posições, nessa sua impetuosidade e audácia, não respeitando ninguém.

Estou apenas colocando os fato que ninguém coloca, mostrando as contradições de Ciro e o desespero dos seus adversários, atingidos quando acreditavam que eram correligionários. Isso faz parte de toda a vida pública de Ciro. E por causa disso, leiam e releiam as “respostas” das considerações dos que tentaram responder e dos que se esconderam no silêncio.

Para melhor e maior esclarecimento, vejam os nomes dos que tentaram desestabilizar Ciro, mas sempre colocando um elogio no início, no meio ou no fim do “palavreado”. Como podem duelar com Ciro, personagens como Michel Temer (para Ciro, o “chefe da turma dos sem escrúpulos do PMDB”), Geddel Vieira Lima, Marco Aurélio Garcia, não esqueceu de Eduardo Cunha (chamado de “ladrão” por Cesar Maia na televisão), continuou sem excluir Renan e Romero Jucá.

Todos “respeitam” os institutos de pesquisa. Ciro não preservou nenhum, mas foi violentíssimo ao identificar o Ibope. Textual: “O Ibope e o Sensus, fazem qualquer negócio”. Isso precisa mais do que uma simples resposta, mas não atingirão nem “o estágio da resposta”.

Em suma, não há suma. Ciro está apenas começando, e mesmo que fizessem o “trem-bala” passar por cima dele, não o atingiriam. E com a agravante de que esse “trem-bala” só poderá passar por cima de alguém (e não de Ciro) muito tempo depois do cabralzinho.

***

PS – As contradições (ou exemplos de coerência) de Ciro, podem ser expostas e avaliadas em dois episódios. 1 – Em 1986, Orestes Quercia (logo quem, o próprio “disque Quercia para a corrupção”) disse publicamente que “Ciro e seu pai eram ladrões”. (Não amenizando nem no uso da palavra).

PS2 – Ciro reagiu violentamente, até mais do que hoje, ameaçou processar o governador de São Paulo, mas nunca houve  processo.

PS3 – Em 1992, governador do Ceará, autorizou a Secretaria da Fazenda a investigar supostas irregularidades do Grupo Jereissati, dos mais poderosos do estado. O irmão Carlos Jereissati rompeu com Ciro, mas este e Tasso Jereissati continuaram “amigos para sempre”. Diziam que “Ciro fazia figuração”.

A memória não prescreve

Carlos Chagas

Torna-se necessário um passo adiante na decisão do Supremo Tribunal Federal de manter o texto da Lei de Anistia de 1979, negando excluir do perdão os agentes públicos envolvidos em crimes de tortura. Afinal, essa exclusão só passou a valer depois da Constituição de 1988, constituindo princípio basilar de Direito que a lei só retroage para beneficiar, jamais para prejudicar.

Acresce que até crimes de homicídio prescrevem em vinte anos. O que não prescreve, porém,  é a memória. Sendo assim, torna-se  dever da sociedade identificar e divulgar o nome de agentes do estado envolvidos em práticas de tortura durante o regime militar, bem como as diversas formas de sua ação deletéria. E mais o nome dos torturados, se possível com seus depoimentos.

Da mesma forma, não há que restringir investigações e denúncias ao período dos generais-presidentes. Em quantas delegacias de polícia torturou-se antes e depois de a Nova República haver sido instaurada, já se vão mais de vinte anos?

Sem esquecer a tortura privada, aquela praticada por quantos não serviam nem servem ao poder público, como os  terroristas, os bandidos ou os  sicários a serviço do poder econômico. E seus mandantes e responsáveis,  porque tanto no âmbito de grupos, associações e  empresas urbanas,  quanto em propriedades rurais,  também se praticaram e  praticam lesões aos direitos humanos.

O  que vem acontecendo depois de 1990,  ainda sob a guarda da lei, deve gerar punições, valendo até mesmo para a babá que,  esta semana, foi flagrada maltratando um bebê de sete meses. O importante é  não esquecer, não perdoar, e denunciar constitui dever de todos. Antes e depois da prescrição só revogada pela Constituição de 1988.

Numa palavra, a tortura é abominável e, mesmo se não for mais  possível levar o torturador à barra dos tribunais, precisa ser exposta.

Cabe à  Justiça, à imprensa, às associações de classe, aos sindicatos, às  igrejas e demais forças sociais promover ampla investigação nacional, claro que preservada do denuncismo  que sempre rondará essa atividade.

Dividendos duvidosos

Atribui-se ao presidente Lula o comentário de que o vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff já  é Michel Temer. Deveria precaver-se o presidente da Câmara, porque a contrapartida de sua sagração, para o governo, é o apoio maciço do PMDB à candidata. Como diversas seções do maior partido nacional não se decidiram, e algumas até já manifestaram apoio a José Serra, eis aí um arremedo de pretexto para a palavra do rei voltar atrás.

Que o presidente Lula gostaria de outra indicação, é incontestável. Que tentou solução diversa, também, fosse em torno de Henrique Meirelles ou de Hélio Costa. Houve até  um momento em que a cúpula do PMDB tremeu, supondo que o palácio do Planalto inclinava-se por Ciro Gomes como vice de Dilma. Foi no momento em que a candidata cresceu demais nas pesquisas e o maior partido nacional parecia descartável.

Michel Temer, hoje, é o favorito, mas como a decisão final ficou para junho, tanto na indicação quanto na sua aceitação, é bom tomar cuidado.

Extorsão por telefone, um rastro de mistério

Pedro do Coutto

A tentativa de extorsão por telefone da qual o vice-presidente José Alencar foi o alvo mais recente, e que ganhou repercussão enorme em função de seu cargo político, deixa um rastro de mistério que necessita ser investigado devidamente e esclarecido de forma concreta. Esse crime imundo, como todas as chantagens, seqüestros e extorsões, tem atingido muitas famílias pelo impacto inicial de que se reveste. Os extorquidores telefonam anunciando terem seqüestrado filhos e filhas de uma família. Algo tenebroso que, infelizmente, tem feito com que pessoas entreguem dinheiro e jóias para resgatar jovens que, na realidade, não foram raptados.

Mas falava eu em rastro de mistério. Eis a questão: no seu jornal da manhã de quarta-feira, a TV Record ouviu fontes policiais informando que o telefonema dirigido ao vice presidente partiu de um presídio no Rio de Janeiro. Esta informação, aliás, aplica-se a inúmeros outros casos semelhantes. A reportagem da Record cobrou das autoridades o prometido bloqueio ao uso de celulares por pessoas presas. Uma pergunta importante. Mas existe outra.

Esta outra – que faço- é como de dentro de um presídio os extorquidores conseguem introduzir voz feminina jovem que se passava como filha de José Alencar? Este, creio, pode se tornar um caminho para elucidar diversos mistérios que permanecem como enigmas que atravessam o tempo sem resposta. No caso de José Alencar, era uma falsa seqüestradora que iniciou a ligação. Voz feminina de uma casa de detenção para homens? Como se explica isso? E não é só. Outra voz, esta de mulher jovem, tentando convencer a vítima de que se tratava de sua filha? O que está se passando no sistema prisional?

Há uma atmosfera de conivência no ar. Não só no uso do telefone, mas no sistema policial como um todo. Pois há fatos que se sucedem contra os quais não são tomadas providências efetivas. Como explicar, por exemplo, a presença de armamentos nos morros da cidade na posse de bandos criminosos? Possuem até armas voltadas para abater helicópteros como aconteceu recentemente. E mais de uma vez. Impossível omitir a conivência, já que para impedir isso bastava a Polícia realizar um cerco permanente às vias de acesso.

As armas e as drogas vêm do exterior, afirmação já feita por vários governadores. Vamos aceitar essa crítica indireta à Polícia Federal e até às forças militares escaladas para vigiar as fronteiras. Perfeito. Mas – aí outra pergunta – como as armas e as drogas chegam ao topo das favelas? Têm que subir pelas encostas, não existe outro meio. Então, por qual motivo não se fecha um anel de segurança nessas áreas que são fontes de insegurança? Não há explicação. Há isso sim, omissão.

E contradição. Pois os que permitem a subida das armas agem na base do imediatismo. Esquecem que tais armamentos terminam sempre se voltando contra os próprios autores da conivência, nítida e clara, mortal para eles e para tantas outras pessoas. Os jornais já publicaram até que existe um comércio de aluguel de armas para assaltos. Em muitos casos terminam em confrontos que incluem rajadas de metralhadora. O que significa isso? Simplesmente que as armas deixadas passar, à base da vista grossa, transformam-se em instrumento de violência e assassinatos. Evitáveis. Se os criminosos não pudessem ser reabastecidos para desenvolver seus projetos sinistros e tenebrosos. Na área da segurança pública, antes de mais nada, é preciso decifrar os enigmas e iluminar os mistérios. A tentativa de extorsão que atingiu José Alencar é um exemplo bastante forte.

Lula: “O Estado sou eu, o governo é do povo”

Depois de mais de dois anos tentando o terceiro mandato, desiste oficialmente. Apesar de apoiar Dona Dilma, espreitava uma oportunidade para não sair. “Rasga” elogios à sua própria atuação de 8 anos, embora ressalve que tudo é do povo.

Modesto e nada ambicioso, prega a defesa da continuidade, num recado claro à sucessora: “Sempre estarei aqui”.

Tênis: fiasco no Master de Roma

Dos 7  primeiros do ranking mundial, 6 foram eliminados com muita antecedência, Sendo que Federer, o número 1, saiu logo na primeira rodada. Os outros, demoraram pouco também.

Hoje, exatamente às 11,34 (de Brasília), Djokovic, número 2, perdeu para Verdasco, número 10. Estranhíssima a partida, que levou 3 horas e 17 minutos, com quebras seguidas e repetidas, nos 43 games. Djokovic sempre prejudicado pelo exibicionismo.

Agora sobrou apenas Nadal, que daqui a pouco enfrenta Wawrinka, que vem de vitórias surpreendentes e impressionantes.

Muricy, mal humorado, arrogante e derrotado

Está bem, era o primeiro jogo, mas não mostrou nada, apesar da arrogãncia das primeiras afirmações. A torcida apoiava o treinador. Quando o Fluminense fez o primeiro gol, o grito: “Muricy!” (Com exclamação). No empate, baixinho: “Muricy” (Quase sem som). Na derrota, decepcionado: “Muricy?” (Com ênfase na interrogação).  Já lembram do Cuca.

Ibope, Sensus, DataFolha, Vox Populi: “Pode-se enganar alguns, todo o tempo. Pode-se enganar todos, algum tempo. Mas não se pode enganar todos, todo o tempo”.

Essa frase conceito definição magistral, foi feita por Lincoln, em 1864, quando a cidade de Gettysburg, com toda a população morta, se transformou num cemitério. Era o fim da “Guerra de Secessão”, (que começou como luta contra a escravidão, mas passou à História com outra denominação) e da mais espantosa devastação civil que o mundo ocidental já conheceu.

Servindo para reverenciar o grande estadista e toda minha admiração por ele, deixo claro que também pode evidenciar os equívocos dos institutos de pesquisa. E não apenas no Brasil.

Existem dezenas e dezenas de exemplos a respeito dos erros sobre eleições e as previsões por escritórios pseudos especializados. Escrevo há muito tempo estudando as conclusões desses pesquisadores, mas ao contrário de muita gente, considero que não sejam equívocos cometidos por acaso. Para mim, há muita premeditação e “planejamento”.

Uma parte, sem dúvida, é consequência da dificuldade de acertar trabalhando com fatores que não podem nem ser qualificados. A outra parte vem da impossibilidade de resistir aos famosos “interesses criados”. Não podendo caminhar num terreno livre de obstáculos, “adivinha-se, acomoda-se, deturpa-se”.

E então destrói-se ou elimina-se a realidade, mantendo aquilo que não pode confirmar, mas também, por outro lado, ninguém pode desmentir. Isso é a pesquisa eleitoral, principalmente no estágio inicial, quando os candidatos não estão nem consolidados.

Gosto muito de lembrar as pesquisas das eleições de 1960 e 1968 nos EUA. O país que mais valoriza a publicidade, o marqueting e logicamente a pesquisa, é também o que mais comete erros.

Nos EUA não se lança nenhum produto sem que o mercado tenha sido avaliado em profundidade. E não apenas na questão do consumo. Na manutenção da pena de morte ou sua transformação em prisão perpétua, os governadores estão acima da Suprema Corte, só decidem depois de se convencerem dos rumos da opinião pública. Como os governadores disputam eleições e os juízes não, eles se resguardam de todas a maneiras.

Depois da eleição presidencial de 1960, quando fizeram o primeiro debate entre os candidatos, nunca mais houve eleição sem debate, estes mais importantes do que as pesquisas, muitas vezes realizadas sem as precauções necessárias e indispensáveis.

Em 1960, o vice-presidente Nixon disputou contra o senador Kennedy. (Nixon, antes já havia sido senador). Favorito, as pesquisas não deixavam brecha para a vitória de Kennedy. Davam  Nixon vencendo por margem de 5 a 6 por cento, ressalvando: “A margem de erro é de 2 a 3 por cento, para mais ou para menos”. (O que ficou sendo obrigatório em todas as pesquisas no mundo, a partir daí).

Como previam a vitória de Nixon por 5 a 6 por cento e “reconheciam que podiam errar por 2 ou 3 por cento”, ficaram completamente desmoralizados e desprestigiados com os resultados. Votaram 60 milhões de americanos. Kennedy ganhou por 120 mil votos, ou seja, 0,2 por cento, “um quinto de 1 por cento”.

(Esses números, sem os cálculos feitos por mim, estão no livro do jornalista Ted White, “Como se faz um Presidente”. Ele cobriu as duas campanhas, ficou impressionado. Pois se os institutos davam a vitória pelos números que registrei, não poderiam nem de longe imaginar que alguém pudesse ganhar por uma diferença tão pequena e imprevisível).

Em 1968 novo erro colossal. Nem consideravam o nome de Nixon, que ganhou com uma vantagem extraordinária. O New York Times, que estava contra Nixon, se “defendeu ou justificou”, com este rodapé na Primeira: “A ressurreição de Nixon, lembra a ressurreição de Lazaro”. O que fazer?

Agora, os institutos brasileiros erram (vá lá, cometem equívocos) com a mesma falta de credibilidade. Enquanto um registra (ou adivinha?) a vitória de Serra, com 10 pontos de vantagem (38 a 28), outro não faz por menos: Serra está na frente APENAS 1 PONTO, nos números apresentados, 33 para Serra, 32 para Dilma.

***

PS – É evidente que alguém não acertou. Como as pesquisas foram feitas no mesmo período, e praticamente “ouvindo” o mesmo número de pessoas, inadmissível a diferença.

PS2 – O instituto que revelou 38 a 28 a favor de Serra, já conhece o vencedor, não precisa anunciar que “a margem de erro é de 2 ou 3 pontos, para mais ou para menos”. O que falou em 33 contra 32, não sabe de nada, a margem de erro “foi devorada pela própria pesquisa”.

PS3 – Outra infidelidade dos institutos. Todos procuram se proteger ou se precaver, com a expressão: “Isso se a eleição fosse hoje”.

PS4 – Como a eleição será dentro de 5 meses e alguns dias, esse levantamento badaladíssimo, não tem o menor crédito. A não ser o de vender números mais enganadores do que os preços dos supermercados.

Últimos negócios na campanha eleitoral

Muito mais contestado do que Belo Monte, é o leilão de partidos que trocarem o tempo de televisão, por cargos no futuro governo. Só existem dúvidas e interrogações. Quem vencerá? E qual o tamanho das concessões? A primeira é a mais importante, já que concessões são a rotina da vida inteira.

O PSC, de Garotinho, gerenciado por Eduardo Cunha, já caminha para o cartório onde assinará contrato com Dona Dilma, tendo Lula como avalista.

O pré-contrato foi agendado quando a pré-candidata veio ao Rio. Não trataram de pré-sal, apenas das pré-garantias para os pré-nomeados.

Roriz antecipando o veto

Ninguém consegue explicar ou entender, como um medíocre, incompetente e corrupto como esse, conseguiu governar 4 vezes a pseuda e previsível capital. Depois, feito senador, desistiu de 7 anos e meio de mandato para não ser cassado.

Logo a seguir se lançava para o quinto mandato. Ninguém acreditava. A renúncia era a culpa, a candidatura, a previsão da inocência. Tudo isso provocou o cansaço real e a certeza: Roriz e Arruda, nunca mais. Agora, ele afirma: “Posso não ser candidato”. Falta apenas corrigir a frase. O certo: “Não serei candidato, ninguém aceitaria”.

Brasília nasceu invilecida, se diz cinquentenária, está apenas envelhecida. E esclerosada. Curioso: todos sabem disso, mas tentam fingir que é injúria, calúnia e difamação. Como se a capital tivesse preocupação com a liberdade.