Volta e revolta no Senado

Ontem escrevi sobre a reeleição de Mão Santa (Piauí) e Artur Virgílio (Amazonas), cujos mandatos terminam em 2010. Possibilidades (pela atuação) e dificuldades (também pela atuação) por terem desagradado à potência política e eleitoral que é o Planalto-Alvorada.

Outros senadores para 2010

No Rio Grande do Sul, Sergio Zambiassi, radialista de prestígio e repercussão, que por isso se elegeu, não gostou, não disputará a reeleição. Paulo Paim reeleitíssimo, em 2010 terá completado 8 anos de grande trabalho pela coletividade.

A outra vaga para o PMDB

Tarso Genro é candidato fortíssimo a governador. Seus adversários podem ser Germano Rigoto ou o Prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. Mas como nenhum deles tem certeza da vitória, podem preferir a vaga no senado. A coordenação de bastidores é grande.

Estado do Rio e Espírito Santo

Estou fazendo levantamento, estado por estado, irei publicando o que apurei. No Estado do Rio, 11 personagens, (com duas incógnitas) para 4 cargos: Governador, vice, duas vagas para o senado. No momento, impossível adiantar qualquer coisa.

Gabeira governador

Pode ser dito que está no auge da carreira política ou eleitoral. Mas pode errar ou se confundir na escolha. Disputando o governo, enormes problemas e até tropeços, terá que se valer do prestígio pessoal e não partidário.

Gabeira senador

Estaria praticamente eleito e com missão importantíssima de ajudar na recuperação do senado. No Espírito Santo, Gerson Camata não disputará a reeleição, deixa a oportunidade para a mulher, Rita Camata. Ela fica com a oportunidade, ficará também com a vaga?

Comentário de Helio Fernandes sobre a participação de Antonio Santos Aquino e Paulo Solon

Gosto de todos os que se manifestam, pode até ser cansativa minha posição sobre o assunto. Contra ou a favor é obrigação do cidadão, e podem fazer isso aqui, como faziam (e voltarão a fazer) na Tribuna impressa.
Mas os dois citados têm uma vivência pessoal e um conhecimento tão grande do que acontece e aconteceu no Brasil, que discordam ou completam informações e fatos, até defendidos por mim. Curiosamente os dois foram oficiais da Marinha, atuantes, o que dizem, preciosidade e contribuição que só posso agradecer, e esperar toda a assiduidade.

A complicada sucessão de 2010, que pode não haver ou ser disputada por candidatos que estão no jogo desde 1989 e outros em 2002 e 2006, que se colocam na expectativa para esse não tão distante ou conclusivo objetivo

A sucessão de Lula (com ele ou sem ele) cada vez mais imprevisível ou até previsível demais. Pelo menos os personagens novos ou que assim se julgam, não têm qualquer chance. Embora se acreditem favoritos e apesar do grande número deles, garantem que vencerão no primeiro turno.

Surgiram Dona Dilma, sem votos e sem povo mas com um patrocinador que pode a partir de determinado momento, patrocinar a si mesmo. Dona Marina é também um nome assimilável, mas sem conseguir nem de longe se introduzir no sistema, não consegue nem pode conseguir chegar ao Planalto-Alvorada.

Dona Marina se desligou do patrocínio de Lula precisamente por não acreditar nele, no patrocínio e não no presidente Lula. Ela considera (e é impossível discordar) que se fosse apoiada para valer por Lula, teria mais condições do que Dona Dilma. Embora não faça restrições pessoais à Chefe da Casa Civil.

Alckmin mais forte que Serra, perseguido por Serra

Derrotado fragorosamente, que palavra, Serra sonhava com outra candidatura em 2006, apesar de sua própria apreciação sobre a idade. Não conseguiu a legenda, o escolhido pela oposição foi o governador de São Paulo.

O PSDB no segundo turno

Ninguém acreditava, mas Alckmin chegou à final. Isso irritou o vingativo Serra, que como o corvo de Edgar Alan Poe, declamou: “Alckmin nunca mais”. Humilde, o governador que queria ser presidente, se deixou perseguir pelo correligionário (?), que o impediu até de ser prefeito.

O calvário de Alckmin

Governador duas vezes, presidenciável com atuação honrosa, Alckmin foi impedido por Serra de ser até prefeito. E se quiser, em 2010, que dispute a senatoria com o “disque Quércia para a corrupção”.

Repetição na sucessão

“Nada de novo no Front Ocidental”, o famoso livre de Eric Maria Remarque sobre a Primeira Guerra Mundial, parece cada vez mais atualizado pelo menos para 2010. Os nomes novos não têm chance, os antigos, que decepção.

A insistência de alguns

Ciro Gomes reapareceu com uma jogada surpreendente. Candidato em 1998 e 2002, nesta chegou a liderar, se é que as pesquisas valem alguma coisa, pois são sempre desmentidas pelos fatos.

Ciro muda de domicílio

Jogador político e eleitoral com boa visão dos fatos, e com avassaladora cobertura dos amestrados, (da cúpula ou da base) o ex-governador do Ceará achou que precisava alterar os fatos, estava muito esquecido, ninguém falava nele.

Trocando o Ceará por São Paulo

Ajudado por assessores de marketing, considerou que a grande jogada era mudar de domicílio eleitoral. O Brasil nunca exigiu essa condição até 1965. Aí para barrar a candidatura do marechal Lott a governador da Guanabara, Orlando Geisel entrou em ação com sua criatividade.

Orlando Geisel, o general “aristocrata”

Como Lott morava em Teresópolis, o general criou o domicílio, com o seguinte raciocínio: morando lá longe, não podia ser candidato na Guanabara. (O irmão Ernesto ainda não havia feito a criminosa fusão, Teresópolis era Estado do Rio,  Guanabara, estado independente).

Orlando, criador do DOI-CODI

(De passagem, já que lembramos a capacidade “criadora” do general, não esqueçamos: foi ele que montou o antro de TORTURA da barão de Mesquita, onde tantos jovens foram torturados implacavelmente, e local do assassinato do bravo deputado Rubens Paiva).

Ciro não queria ser governador
e sim disputar outra presidência

Derrotado em 1998 e 2002, ainda moço, quer a terceira candidatura. Enganou a todos, incluindo o presidente Lula, que acreditava que sua meta seria São Paulo. Equívoco, Ciro quer Brasília e o Planalto-Alvorada.

A repetição continua

Serra é outro repetente no qual não se pode acreditar, nem ele mesmo acredita. Em 2002 na primeira candidatura, foi derrotado. Embora garantisse, “minha vez é agora”.

Resumindo, sumarizando, concluindo, não se pode fugir desta analise final. 1- Ciro não tem perfil de candidato. 2- Dona Dilma tem esperança, mas não tem voto. 3- José Serra não tem simpatia nem voto suficiente. 4- Dona Marina não quis ficar na mesma situação de Dona Dilma, não tem chance nem ilusão. 5- Palocci não tem voto nem moral, fulminado pelo Supremo. 6- Dona Heloisa Helena deve ser candidata a senadora para alimentar a esperança em 2014.

* * *

PS- Esqueci algum nome? Se esqueci, não faz mal, com o Planalto-Alvorada à disposição, ele fará tudo para ser lembrado. Será o único?

Jogo sujo em defesa dos fichas-suja

Carlos Chagas

Com toda pompa e circunstância, esta semana, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral entregou um milhão e trezentas mil assinaturas ao presidente da Câmara, acompanhando um projeto de iniciativa popular capaz de impedir o registro de candidatos  já  condenados na Justiça de primeira instância por crimes capitulados no Código Penal.

Com todo o respeito, prepara-se o Congresso para  fazer jogo sujo em defesa dos fichas-suja. O projeto não será votado para entrar em vigência nas eleições do ano que vem, apesar do propósito de seus subscritores.  E também será  modificado, conforme informou o deputado Michel Temer, estabelecendo que apenas a condenação na segunda instância impedirá o registro. Isso para os candidatos que não são parlamentares, porque para os que pleiteiam a reeleição haverá  regime diferente. Estão, pela condição de deputados ou senadores, sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Sem condenação, farão jus aos registros.

Eis mais um exemplo de como a classe política torce e distorce a lei em favor de seus interesses. O resultado dessa ampla mobilização popular liderada pela CNBB será zero. As portas do Legislativo permanecerão abertas a quantos cometeram crimes, exceção de uns poucos punidos pelos tribunais estaduais, em grau de recurso. Mesmo assim, apenas nas eleições de 2014.

Depois reclamam pelo abominável estado da imagem parlamentar. O corporativismo mostra-se presente na imensa maioria dos atos e decisões de seus dirigentes, tudo  naturalmente superado pela máxima de que “ruim com eles, pior sem eles”. Um dia casa cai.

A selva salva, a selva condena

Depois de comandar a Força de Paz Internacional no Haiti e de haver ocupado o Comando Militar da Amazônia, o general Augusto Heleno ocupa a chefia do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Continua o mesmo oficial empenhado em ver ressaltada a soberania nacional e lembra a preparação das unidades militares sediadas na Amazônia e demais zonas de fronteira. Apesar das dificuldades e da falta de recursos, julga nossas forças armadas preparadas para colaborar com o desenvolvimento sustentável da região. Os diversos pelotões de fronteira constituem a linha avançada de nossa defesa,   registrando-se fato singular: a grande maioria dos soldados e subalternos é de índios. Os melhores soldados, conhecedores da selva e prontos para qualquer eventualidade.  Porque a selva, para eles, é a salvação, mas para hipotéticos invasores, a condenação.

Augusto Heleno lembra que o Supremo Tribunal Federal  não reconhece validade para acordos internacionais que consideram as diversas etnias e tribos indígenas brasileiras como nações.

A referência às opiniões do general insere-se, quando perguntado,  na questão  das chamadas bases americanas na Colômbia. Ele não vê perigo na presença de militares dos Estados Unidos naquele país, até porque lá se encontram faz muito. E principalmente por  não haver, da parte deles, outra preocupação que não o combate às Farcs. Mesmo assim, permanece a doutrina criada pelo então ministro do Exército, anos atrás: para enfrentar potências militarmente muito superiores, a solução está sendo transformar guerreiros em guerrilheiros. Entrar, supostos invasores poderão. Sair, jamais, a não ser derrotados.

Atenção nos redatores do programa de Dilma

O dia não está marcado, mas, salvo inusitado ou mudanças de última hora, PMDB e PT celebrarão este mês o pré-contrato de aliança na sucessão presidencial. Consagrarão a candidatura de Dilma Rousseff e iniciarão entendimentos para a escolha do peemedebista que comporá a chapa. Pode ser Michel Temer, pode não ser. A data dependerá do presidente Lula, quando retornar do exterior, semana que vem.

O aspecto mais importante desse acordo será a constituição de uma comissão destinada  a traçar as linhas-base de um projeto comum de governo para o próximo mandato. Dona Dilma não ficará muito feliz com  a intromissão de seus aliados nas diretrizes que, por  sinal, ainda não anunciou.  Mas não terá como rejeitar a proposta, se dela depender o engajamento do PMDB em sua campanha. Até porque, planos, programas  e projetos, no Brasil, servem para enfeitar prateleiras.

A simples designação dos componentes da comissão servirá como chave para ir abrindo a porta do futuro.Quem Dilma indicar, certamente com  a participação do Lula, estará posicionado para integrar o futuro ministério. Caso, é claro, a ministra chefe da Casa Civil obtenha sucesso nas eleições. Quem pensar em Aloísio Mercadante arrisca-se a acertar.

Veto fora de hora

No ninho dos tucanos pouca gente entendeu a intervenção  do ex-presidente Fernando Henrique, em Recife, vetando a hipótese da formação de uma chapa com José Serra para presidente e Aécio Neves para vice. Pode ter sido um gesto de cautela, para não ver a sucessão antecipada. Pode, também, ter revelado mais um capricho do sociólogo, inconformado em gradativamente perder influência no PSDB. Afinal, Serra tem sérias restrições ao neoliberalismo do governo FHC, assim como lembrará sempre  que Tancredo Neves não o engolia. Se o sentimento tiver passado para o neto,         ficaria segurando o pincel, sem escada em baixo, durante um hipotético governo do partido. Sempre homenageado mas poucas vezes considerado…

Nem tudo é o paraíso

D. Mauro Morelli é Bispo Emérito da Igreja Católica, equivale a dizer,  Bispo sem Diocese. Durante anos comandou a Baixada Fluminense, destacando-se por suas rígidas posições contra a ditadura militar. Hoje sua Diocese é o país inteiro, quem sabe o mundo, empenhado na campanha pela alimentação e nutrição do bilhão de almas que passam fome nos cinco continentes.  Defende a supressão dos agrotóxicos na mesa dos brasileiros e lembra o Lula dos primeiros meses de governo, na luta contra a fome. Tem sofrido incompreensões na própria Igreja, ouvindo mais de uma vez de  párocos e até de um cardeal exortações para não se meter no território deles. Claro que não aceitou nem aceitará conselhos desse tipo, atuando como Bispo e como cidadão brasileiro numa série de projetos destinados a melhorar a qualidade da  alimentação e da nutrição de todos, fiéis e agnósticos.

Uma reclamação de D. Mauro Morelli refere-se à CNBB, que integrou e liderou por muito tempo, mas da qual se acha excluído por não ocupar uma Diocese. Caso seja convocado um concílio, no Vaticano, estará imediatamente relacionado, mas, por ironia, não pode dispor de voz e voto na CNBB. Uma pena para os seus colegas Bispos…

Iniciativa popular, uma vitória da consciência

Pedro do Coutto

O Movimento de Combate à Corrupção Política, com o apoio da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais, marcou um ponto de inflexão fantástico na história moderna do país ao conseguir 1 milhão e 300 mil assinaturas e, com elas, apresentar à Câmara um projeto de lei de autêntica iniciativa popular contra o registro de candidatos que possuem folhas ocorridas desabonadoras. A matéria da repórter Eugênia Lopes, O Estado de São Paulo de 29 de setembro, focaliza bem a força da idéia. Foi, sem dúvida, uma vitória da consciência. Entregue ao deputado Michel Temer, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 61 da Constituição, o projeto agora tramita normalmente, seguindo o percurso dos demais projetos, tendo a sociedade como autora.

Um milhão e trezentos mil rostos na multidão, um por cento dos votantes no último pleito. O objetivo é que seja aprovado para entrar em vigor já no pleito de 2010. Não deverá ocorrer isso. Os obstáculos são muitos, interesses muito fortes vão se fazer sentir. O que fazer? A democracia não é o regime de uma única verdade. Mas a dificuldade ou mesmo a quase impossibilidade de transformar em lei um impulso tão moralizador não reduz sua importância. O fato de ter sido reunido número tão grande de eleitores significa um claro sinal de repúdio a práticas que ameaçam eternizar-se. O eleitorado se defendeu. Fez a sua parte. Os quadros partidários, agora, façam a sua. A matéria, entretanto, é complexa à luz do Direito. A controvérsia básica gira em torno da qualificação das pessoas que se candidatam, partindo do princípio de que a rejeição a alguém, como na vida, não depende necessariamente da condenação pela lei. Pode ser pela ética. Mas decidir isso não é tarefa fácil. Pelo contrário. É extremamente complexo.

Mas a iniciativa popular deve ser interpretada como uma advertência básica, a busca de uma forma de reação contra a ilusão. Um esforço pela moralização, uma defesa da honestidade de  propósitos, um filtro nas relações dos que buscam o voto popular. Uma forma de reduzir a corrupção, sob várias formas, e procurar, tanto quanto possível, despoluir frações do panorama político. Mesmo não se transformando em lei, restará aos signatários do documento o recurso de divulgarem as restrições que possivelmente levantem e formalizem contra os candidatos que julgarem atingidos pelas medidas restritivas do pensamento. Claro, não vai evitar a eleição de muitos acusados. Mas vai criar uma nova realidade política em torno das eleições. O povo, como digo sempre, não tem o poder de veto a situações que possa condenar como antiéticas, mas tem o poder do voto. E isso diz tudo.

O movimento tem condições de ganhar corpo e se espalhar intensamente ao longo da próxima campanha eleitoral. Terá inclusive efeito mobilizador se os seus líderes empenharem-se a fundo para manter acesa a chama que fizeram surgir no horizonte. Funcionará positivamente. É um grito de protesto. Como o título da famosa entrevista de José Américo de Almeida, ao jornalista Carlos Lacerda, publicada em fevereiro de 45 no Correio da Manhã e que derrubou a censura do governo ditatorial de Vargas. Depois da entrevista, o regime não foi mais o mesmo até ruir a 29 de outubro. Foi o desencadeamento de um processo crítico de forte inspiração democrática. Agora o projeto de iniciativa popular repete o episódio de outra maneira, não se voltando contra a ditadura e a censura que não existem. Mas contra o autoritarismo que se baseia na corrupção e nas influências ilegítimas para se impor nas urnas. O clamor foi dado nesse sentido exato. Assim deve ser analisado. O projeto pode não ser aprovado. Mas o exemplo ressoa forte. Ótimo.

INICIATIVA POPULAR, UMA VITÓRIA DA CONSCIÊNCIA

O Movimento de Combate à Corrupção Política, com o apoio da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais, marcou um ponto de inflexão fantástico na história moderna do país ao conseguir 1 milhão e 300 mil assinaturas e, com elas, apresentar à Câmara um projeto de lei de autêntica iniciativa popular contra o registro de candidatos que possuem folhas ocorridas desabonadoras. A matéria da repórter Eugênia Lopes, O Estado de São Paulo de 29 de setembro, focaliza bem a força da idéia. Foi, sem dúvida, uma vitória da consciência. Entregue ao deputado Michel Temer, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 61 da Constituição, o projeto agora tramita normalmente, seguindo o percurso dos demais projetos, tendo a sociedade como autora.

Um milhão e trezentos mil rostos na multidão, um por cento dos votantes no último pleito. O objetivo é que seja aprovado para entrar em vigor já no pleito de 2010. Não deverá ocorrer isso. Os obstáculos são muitos, interesses muito fortes vão se fazer sentir. O que fazer? A democracia não é o regime de uma única verdade. Mas a dificuldade ou mesmo a quase impossibilidade de transformar em lei um impulso tão moralizador não reduz sua importância. O fato de ter sido reunido número tão grande de eleitores significa um claro sinal de repúdio a práticas que ameaçam eternizar-se. O eleitorado se defendeu. Fez a sua parte. Os quadros partidários, agora, façam a sua. A matéria, entretanto, é complexa à luz do Direito. A controvérsia básica gira em torno da qualificação das pessoas que se candidatam, partindo do princípio de que a rejeição a alguém, como na vida, não depende necessariamente da condenação pela lei. Pode ser pela ética. Mas decidir isso não é tarefa fácil. Pelo contrário. É extremamente complexo.

Mas a iniciativa popular deve ser interpretada como uma advertência básica, a busca de uma forma de reação contra a ilusão. Um esforço pela moralização, uma defesa da honestidade de propósitos, um filtro nas relações dos que buscam o voto popular. Uma forma de reduzir a corrupção, sob várias formas, e procurar, tanto quanto possível, despoluir frações do panorama político. Mesmo não se transformando em lei, restará aos signatários do documento o recurso de divulgarem as restrições que possivelmente levantem e formalizem contra os candidatos que julgarem atingidos pelas medidas restritivas do pensamento. Claro, não vai evitar a eleição de muitos acusados. Mas vai criar uma nova realidade política em torno das eleições. O povo, como digo sempre, não tem o poder de veto a situações que possa condenar como antiéticas, mas tem o poder do voto. E isso diz tudo.

O movimento tem condições de ganhar corpo e se espalhar intensamente ao longo da próxima campanha eleitoral. Terá inclusive efeito mobilizador se os seus líderes empenharem-se a fundo para manter acesa a chama que fizeram surgir no horizonte. Funcionará positivamente. É um grito de protesto. Como o título da famosa entrevista de José Américo de Almeida, ao jornalista Carlos Lacerda, publicada em fevereiro de 45 no Correio da Manhã e que derrubou a censura do governo ditatorial de Vargas. Depois da entrevista, o regime não foi mais o mesmo até ruir a 29 de outubro. Foi o desencadeamento de um processo crítico de forte inspiração democrática. Agora o projeto de iniciativa popular repete o episódio de outra maneira, não se voltando contra a ditadura e a censura que não existem. Mas contra o autoritarismo que se baseia na corrupção e nas influências ilegítimas para se impor nas urnas. O clamor foi dado nesse sentido exato. Assim deve ser analisado. O projeto pode não ser aprovado. Mas o exemplo ressoa forte. Ótimo.

Obama pode ajudar Chicago 2016, o prefeito corrupto favorece o Brasil

Não se pode desprezar o apoio de Obama a Chicago. Mas é impossível desconhecer que essa cidade é a “capital mundial da corrupção”, e não é apenas por causa de Al Capone.

O clã Daley deixa longe o gangster da “lei seca”

O prefeito atual, Richard Daley, tem a corrupção no sangue, nos genes, no DNA. O pai, tão gangster quanto Al Capone, só que agindo política e eleitoralmente, é a negação de tudo o que pregavam os Fundadores da República. Já foi objeto de vários filmes, sua atuação, a-s-s-u-s-t-a-d-o-r-a.

A renda fixa caminha para se valorizar acima das ações

Apesar de mais um dia de alta, significa pouco em relação à recuperação da economia. E muito pelo que já subiu, desde os 29 ou 30 mil pontos a que chegou na descida da crise.

Vejam que as altas têm sido mínimas, diariamente. Hoje subiu 0,46% em 61.500 pontos. Às 13 horas subia 0,26%, diferença mínima. O volume na casa dos 4 BILHÕES, (sem atingir esse total) o que é desolador.

O dólar atingiu 1,76 com queda de 1,13%. A maior queda dos últimos tempos, e menor índice deste 2009.

Autênticas, textuais e entre aspas

Do leviano, troglodita e aloprado (royalties para o presidente Lula) Celso Amorim: “Se não fosse a intervenção do Brasil, Zelaya já teria sido morto ou consumado a revolução”. Ha! Ha! Ha!

O chanceler parece gostar de adivinhar. Quem mataria o presidente que estraçalhou a Constituição pretendendo a reeeleição que ela proíbe, sob pena de 10 anos de i-n-e-l-e-g-i-b-i-l-i-d-a-d-e?

E qual seria revolução que ele faria, na estulta, que palavra, previsão ou adivinhação do chanceler de lula? A da direita, onde sempre esteve? Ou a da esquerda para onde se transferiu, por determinação de Chávez, “sem isso não posso apoiá-lo nem pedir por você ao presidente Lula”?

Da Sujíssima Veja, na capa, acreditando que assim teria mais repercussão, e com jogo de palavras sem criatividade: “O Imperialismo Megalonanico”. Devem ter considerado genial o final da segunda palavra. Nada a ver. Honduras não assusta ninguém. E Chávez só assusta Honduras.

Decodificando a frase que Chávez mandou redigir para Zelaya: “Pátria, Restituição ou Morte”. A frase é traduzida para o próprio Zelaya, um dos presidentes mais analfabetos, decadentes, aventureiros e ignorantes.

PÁTRIA: “Honduras ou Venezuela?”.  RESTITUIÇÃO: “Para o país no qual nasceu, ou o outro que adotou ou permitiu a cooptação?”. MORTE: “Apenas uma falácia, ou o fim previsto pelo chanceler brasileiro e pelo ditador da Venezuela?”.

Mão Santa sem legenda, será reeleito

O acordo no Piauí foi consumado, a palavra é essa, cumprida a exigência de não permitir a volta do senador. Vai se eleger fácil, derrotando os candidatos do PT-PMDB.

Artur Virgílio também reeleito no Amazonas

O ódio ao senador oposicionista, ainda maior, a derrota igualmente maior. Uma das vagas do senado, do governador (reeeleito) Eduardo Braga. A outra de Virgílio. (Exclusiva)

Zelaya e Chávez

Honduras vive de “mesada” dos EUA. Por isso não quis ficar nos EUA. A Venezuela também depende dos EUA, só que a “mesada” é representada pela venda do petróleo. Por isso o ditador “bolivariano”, nem imaginou que Zelaya fosse para lá. Como criar problemas (a não ser verbais) com quem compra e paga seu único produto de sobrevivência? (Exclusiva)

A Bovespa, Filial repetindo diariamente os Índices da Matriz

Só não abandono estas observações sobre o “mercado” para não deixar o assunto inteiramente dominado pelas mentiras e “menas” verdades dos jornalões, rádios e televisões.

No momento, 13 horas (3 horas de jogatina) já passou por três fases. Alta na primeira hora, baixa na segunda, e agora na terceira, novamente alta. Até o fechamento, 4 horas imprevisíveis.

Alta de 0,36% em 61.480 pontos. Volume de 1 BILHÃO e 800 MILHÕES, o que chegará aos limites de 4 BILHÕES habituais.

O dólar em menos 0,80%, pela primeira vez este ano chegou a 1,77.

O Ministro Helio Costa e a predileção pelo número 500

Quer ser governador de Minas, já foi derrotado. Agora tem que explicar ao povo de Minas e do Brasil. 1- Por que está com um processo do qual a maior interessada é a Organização Globo, sua empregadora? Não despacha nem sai de cima. Já se passaram 500 dias.

E a indenização a um amigo?

Nesse caso o prejuízo foi de 500 milhões para o cidadão. Um camarada do Ministro, dono de uma firma com capital de 1 mil reais, pretendia receber 1 BILHÃO do ministério. Ninguém sabia a razão, não havia determinação judicial, mas amigo é amigo, Helio Costa negociou com ele, pagou 500 MILHÕES. E não se fala mais nisso. (Exclusiva)

Dois dias para a Olimpíada

Sexta-feira, depois de amanhã, o mundo saberá o local da Olimpíada de 2016. O Rio perdeu em 2004 e 2012, por excesso de incompetência, vejam quem patrocinava o Rio. Era impossível ganhar.

Delírio de vaidades

O que aconteceu nas duas oportunidades, se repete na terceira. Temos mais chances, não só pelas condições do Rio, mas pelo fato da América do Sul e Central jamais terem sediado uma Olimpíada.

Vencer ou vencer

A frase é do presidente Horta, quando comandava o Fluminense e revitalizou o clube. (Antes dele ser Flunimed e já rebaixado). Só que o Rio, o Brasil e as Américas estão revoltadas com a exibição de tanta gente, que só pensa em aparecer, não liga para a coletividade.

PAC: irregularidades regulares

Com preços majorados, sem limitações, sem que os responsáveis (?) saibam nem de longe quanto custa (ou vai custar) cada obra, o TCU, órgão máximo de fiscalização, fulminou e mandou paralisar 41 obras. O que o tribunal podia fazer?

A “candidata” presidencial não gostou, protestou

Dona Dilma, imediatamente veio a público e afirmou: “Se as obras pararem, o preço vai aumentar”. Inacreditável que a Chefe da Casa Civil faça declaração como essa. E ainda mais, acreditando que é mesmo candidata à sucessão (?) de Lula.

O que fazer?

Lógico, Dona Dilma, chamada “mãe do PAC”, (o ditador Getulio Vargas era o pai dos pobres, apesar de governar, perdão, “ditatorializar” para os ricos) podia ter providenciado, para que os preços não tivessem majoração absurda.

Revelações. 1- O golpe contra JK em 11 de novembro de 1955. 2- A tentativa de cassação de Lacerda. 3- Seu asilo na embaixada de Cuba. 4- A viagem no Tamandaré. 5- Idéia de um governo paralelo em São Paulo. 6- Mudança da capital. 7- Lacerda governador com 29% dos votos

É bom conversar com você sobre história e fatos, Antonio Santos Aquino. Teu conhecimento é enorme, nossas visões bastante semelhantes, embora tenhamos vivido distante, não no tempo mas nas fontes e raízes.

Em 11 de novembro de 1955, existiram dois golpes (como sempre) e não apenas um. O golpe para dar posse a Juscelino, que vencera a eleição,e outro para não dar posse a ele, alegando que não obtivera maioria absoluta, que a Constituição não exigia.

O marechal Lott dormia profundamente, não sabia de nada. Por volta de meia noite, acordou para ir ao banheiro, viu luz acesa na casa do marechal Denys, achou estranho foi ver o que era.

(Antes da mudança da capital, o Ministro da Guerra e o Comandante do 1º Exército, tinham casa oficial uma ao lado da outra. Ficavam entre o tradicionalíssimo Colégio Militar e o local onde foi construído o Maracanã. Este, nos terrenos do Derby Clube, que em 1932, presidido pelo ex-prefeito Paulo de Frontin, fez fusão com o Jóquei Clube. Surgiu então o Hipódromo da Gávea, protesto gerais, ninguém sabia onde ficava a Gávea).

Tentavam garantir a posse de Juscelino. Quem coordenava tudo eram os coronéis irmãos gêmeos, José Alberto  Bitencourth e Alexinio Bitencourth. Competentíssimos, mas como coronéis não podiam ser citados acima de generais. (Você, Aquino conhece muito bem essa nossa formação militar, coronel é coronel, general é general, estamos conversados).

Naquele momento minha posição como observador, era privilegiada.  Em setembro de 1954, já candidato a presidente (apesar do medo do seu próprio partido, o PSD) embora ainda governador de Minas, me convidou para dirigir a comunicação de sua candidatura. Me disse logo: “Helio, tenho que te dizer, não há dinheiro para coisa alguma”.

Aceitei logo, acho que pelo fato dele dizer que não havia dinheiro, e a grande vantagem, passar 1 ano conhecendo o Brasil diariamente. Muito amigo de Carlos Lacerda, considerei que devia comunicar o fato a ele. Não só pela amizade mas também porque ele já apoiava o general Juarez Távora, (Chefe da Casa Militar de Café Filho) que seria o candidato oficial.

Lacerda se levantou e me disse, até com veemência: “Você não pode aceitar, Helio, isso é inacreditável”. Respondi: “Já aceitei, Carlos, e considero que esta é a última oportunidade de evitarmos uma nova ditadura. Já tivemos uma de 15 anos, não podemos nos arriscar”.

Não nos falamos mais durante toda a campanha eleitoral. Portanto as informações sobre Lacerda não vinham dele. Nesse final de 54 e durante todo o ano de 1955, não tivemos o menor contato.

Tudo se resolveu no mesmo dia, 11 de novembro de 1955. Começou tarde, acabou às 6 horas da manhã do dia seguinte. Não havia ninguém para ordenar o ASILO de Carlos Lacerda e ele também não tinha o mínimo de condições para se EXILAR, se considerava vitorioso.

Não existia Poder algum, nem antes do 11 de novembro nem até 31 de janeiro de 1956, posse de Juscelino. Café Filho, que era vice, foi para o hospital. Segundo a ordem estabelecida pela Constituição assumiu o presidente da Câmara, Carlos Luz, que só ficou 1 dia, embarcou no Tamandaré. (O presidente então passou a ser Flores da Cunha, vice presidente da Câmara, não tiveram tempo, nem vontade de acordar o presidente do Supremo)

Agora o Tamandaré. Lacerda não se refugiou nele, fazia parte do golpe. Além de Lacerda, embarcaram: o presidente (nominal) Carlos Luz, Ministro da Marinha, Amorim do vale, Ministro da Aeronáutica, Eduardo Gomes, o Comandante da Esquadra, Pena Botto, militares e civis de projeção. Foram para São Paulo, Carlos Luz, os Ministros da Marinha e da Aeronáutica e mais Carlos Lacerda, imediatamente recebidos pelo governador Jânio Quadros.

Foi Lacerda que falou, já estava estabelecido o que iria dizer. Na verdade não disse, apenas pediu: “Governador, queremos seu apoio para formar um governo paralelo, é a forma de evitar uma guerra civil”. Nada deixa Jânio perplexo, aquilo era inacreditável, mas não demonstrou.

Espertíssimo, sentiu logo que não estavam brincando, era um presidente em exercício, ministros da Marinha e da Aeronáutica, iria “sobrar” para ele. Jânio sabia que seria presidente da República em 1960, conversou com eles “docemente”, convenceu-os, foi um alívio. (Para ele).

Carlos Lacerda ficou com medo mesmo foi depois da posse de Juscelino, aí havia Poder. Vieram os episódios militares de Aragarças e Jacareacanga, Lacerda, em 1956, resolveu ir para a embaixada de Cuba. (Era o segundo “governo” Batista, o primeiro como sargento, o de agora como marechalíssimo).

Como Lacerda era deputado e não estava presente, convenceram Juscelino que devia cassar o jornalista, ele teria que ir para o exterior. Prepararam tudo, mas como o voto era secreto, não conseguiram os dois terços exigidos pela Constituição de 1946.

Lacerda estava na embaixada de Cuba, uma casa normal, pequena, na Avenida Copacabana quase esquina de Miguel Lemos. Lacerda provocaria um drama familiar. O embaixador era extraordinário admirador de Lacerda. Sua mulher odiava Lacerda, nem descia para as refeições. Como se tornara público que o presidente Juscelino decidira abandonar Lacerda, apenas lhe tirara a televisão, e como o constrangimento não podia ser maior, Lacerda resolveu deixar a embaixada de Cuba e voltou para a Câmara.

Em 1958 foi reeleito, mas em 1960 Juscelino dava ao adversário e inimigo, um grande presente: com a mudança da capital, houve eleição para governador, Lacerda foi eleito com 29 por cento dos votos. Sem a maioria absoluta que ele exigira de Juscelino. Essa eleição mudou o destino e até a interpretação que muitos faziam de Lacerda.

* * *

PS- É preciso sempre esclarecer a história. Lacerda lutou contra a posse de Vargas por ter obtido apenas 43 por cento dos votos, a Constituição não exigia maioria absoluta. O mesmo sobre JK que teve só 36 por cento, Lacerda bem abaixo.

PS2- Juscelino e Lacerda passaram a vida se hostilizando. Juscelino mudou para a capital, Lacerda que era glorificado como orador e panfletário (que não é negativo) lembrado até hoje como o maior governador do Estado. Igual a Pedro Ernesto, o primeiro prefeito eleito do Rio

Um mordomo em Brasília

Carlos Chagas

A História Real,  raras vezes   escrita,  pertence aos homens simples. Àqueles  que  participaram anonimamente dos grandes episódios da aventura humana, sejam  crises, convulsões,  sacrifícios, conquistas  e  vitórias. Epopéias, também. São, os homens simples, aqueles  que melhor testemunham e  definem o que aconteceu, porque os fatos  históricos  por eles  assistidos  representam   uma pequena  parte do todo  onde transcorre  sua existência.  Fatos  de grande expressão política, social, econômica e administrativa  mesclam-se ao dia-a-dia da rotina do cidadão comum.  Por isso,  são  lembrados como realmente aconteceram, numa  dimensão despojada  das fantasias com que as grandes figuras costumam condecorar-se, sempre que se dedicam a biografias ou a relatar o que raramente viram.

Sua Excelência, O Anônimo, torna-se  o cronista  principal da História, seja  por   julgar-se secundário,  seja por  transmitir sem interesses pessoais ou ideológicos o que realmente se passou diante de seus olhos.

José Dutra Ferreira  é um desses fenômenos raros de quem se dispôs, estimulado pela jornalista Rosalba Ribeiro da Matta Machado, a desfiar sua vida de mordomo de palácios e de residências oficiais, convivendo com ícones e com nulidades durante largo período da República brasileira. Dá importância  a golpes e a  conspirações que assistiu desenvolverem-se  tanto quanto  ao nascimento de filhos e  a mudança de residências na recém-criada nova capital do país.

Apresentações e prefácios costumam ser obstáculos com  que o leitor se depara antes de chegar à sua própria análise das narrativas. Deveriam  ser banidos da prática editorial, se os editores tivessem um pouco  mais de bom-senso.

De qualquer forma, à maneira de um canapé mal-requentado servido  antes de lauta refeição, recomendo atenção a fundamentais e significativas revelações de José Dutra Ferreira neste “Um Mordomo em Brasília”.

Poderão  mudar a interpretação da História, como por exemplo o anúncio que Jânio Quadros fez à sua mãe, no palácio da Alvorada,  em plena mesa de almoço, que iria renunciar  à presidência da República. Porque a comunicação  aconteceu no dia 13 de agosto de 1961, quando até agora se tem como certa a  versão de que o singular presidente decidiu-se deixar o  poder apenas a 24 daquele mês, um dia  antes do tresloucado gesto que intentava a decretação de uma ditadura.

Mil  depoimentos dão conta até hoje de que Carlos Lacerda foi convidado por Jânio Quadros para hospedar-se no palácio da Alvorada e, depois de instalar-se, teve sua mala deixada na guarita e um recado para que fosse hospedar-se num hotel. Dutra contesta, relatando que ao  saber que Lacerda estava no portão, o presidente teve um acesso de raiva, gritando “Não! Não e não!”

Para a frente e  para trás, as revelações surgem polêmicas.  Alguém  soube, até agora,  que em 1955 o  então chefe da campanha de Juscelino Kubitschek à presidência da República, Tancredo Neves, teve seu quarto de hotel em São Paulo violado por parafernálias eletrônicas destinadas a gravar suas conversas  particulares e telefônicas? E quem mandou gravar, senão o governador paulista, Jânio Quadros?

Como tinha sido  Dutra a  perceber e a informar  a espionagem, Tancredo travestiu-se de “007” e marcou um encontro com ele na porta dos fundos do hotel Othon, de onde foram para um restaurante, de táxi, com ordens do político mineiro para que nada conversassem enquanto não chegassem ao destino. Lá, Dutra recomendou a Tancredo para que,  quando voltasse,   olhar debaixo da mesinha do telefone, onde se encontravam fios desnecessários.  Comprovado o grampo, o futuro presidente da República só conversava sobre futebol, quando em seus aposentos, nos dias em que permaneceu em São Paulo.

Fica esclarecido  que a Granja do Ipê, residência de ministros, teve seu nome tirado não da tradicional e florida rainha de nossa flora, mas das iniciais “I.P.” que definiam a residência de Israel Pinheiro. Até hoje não se encontra um ipê na granja.

É inédita a explicação de Juscelino sobre porque chorou durante a missa de inauguração da nova capital: “Somente naquele momento tomei plena  consciência de que inaugurávamos Brasília…”

Na sua última refeição no palácio da Alvorada, JK exortou seus convidados a não pouparem a comida, dizendo: “Avança,  macacada, porque o Jânio vem aí…”

Outro testemunho de quem estava lá e não pode ser desmentido por milhares de  versões é de que jamais serviu uísque ao então presidente Jânio Quadros,  que não  tomava aguardente e limitava-se a uma pequena garrafa de cerveja, nas refeições.  Dona Eloá, a primeira-dama,  proibiu que se servissem dois tipos de carne no almoço e  no  jantar, por razões de economia. E doze dias antes da renúncia do marido, mandou fechar os escritórios da Legião Brasileira de Assistência, que dirigia, trancando tudo.

Quantos saberão  que logo após Jânio Quadros deixar o Alvorada, com a renúncia, um grupo de coronéis e majores do Exército ocupou a residência oficial, cortando os cabos telefônicos e mantendo os funcionários presos e incomunicáveis por três dias, dizendo um dos oficiais que não era para preocuparem-se, porque em cinco ou dez dias Jânio voltaria…

A permanência de João Goulart no poder  destacou-se pelos sucessivos pedidos de  água fervente, de dia e de noite, para o chimarrão com seus hospedes e visitantes.

Ainda sobre o novo presidente, a revelação de que seus funcionários ficavam na maior parte dos dias sem saber onde ele iria dormir, se no Alvorada, na Granja do Torto ou em lugar incerto e  não sabido, “porque ficamos sabendo que um grupo de militares o vigiava dia e noite e tínhamos a impressão de que ele mudava de lugar para sentir-se mais à vontade”…

Fantástica é a história de que um oficial do  exército invadiu o Alvorada, imobilizou a guarda e os funcionários e, percebendo que Jango não se encontrava lá, mandou vir um carro oficial para leva-lo à Granja do Torto, gritando que precisava ir lá para matar o presidente João Goulart! Dutra conseguiu telefonar para Evandro Lins e Silva, chefe da Casa Civil, que mandou a polícia prender  o suposto  assassino quando chegava à residência presidencial alternativa.

No período inicial do golpe militar, o mordomo foi servir ao chefe da Casa Civil, Luiz Viana Filho, na Granja do Ipê, mas antes de deixar o Alvorada conta que homens de preto viviam interferindo nos serviços mais rotineiros junto ao presidente Castello Branco.

E mais uma infinidade de revelações que não vamos poupar o leitor de colhe-las em primeira mão. Em suma, episódios desconhecidos da História Real que agora se inserem na História Formal.

Tempo na TV, complicador para Ciro e Marina

Pedro do Coutto

Na edição de 28 de setembro de O Estado de São Paulo, a repórter Cristiane Samarco revela que Ciro Gomes pretende convidar o ministro Carlos Lupi para ser candidato a vice presidente em sua chapa, visando com isso ampliar o tempo a que tem direito o PSB nos horários de propaganda gratuita da Justiça Eleitoral. Carlos Lupi, claro, titular do trabalho, portanto integrante do governo, só poderá decidir tal rumo depois de consultar o presidente Lula. Afinal de contas, pertence ao PDT e o Partido Democrático Trabalhista faz parte da base aliada. Entretanto, a matéria conduz o debate a um aspecto essencial, sobretudo nos dias de hoje em que a comunicação de massa adquire caráter essencial nas campanhas políticas. Trata-se do tempo que cabe a cada partido ou coligação nos horários de propaganda política. Gratuita, aliás, a única admitida pela Lei Eleitoral. É importante observar-se o que diz a lei 9504 de setembro de 97. Os horários de propaganda, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 47, são estabelecidos com base em três pontos.

Primeiro: um terço da quase meia hora diária dividido em partes iguais pelos partidos que apresentarem candidatos à presidência.

Segundo: dois terços distribuídos de acordo com a proporcionalidade das bancadas na Câmara Federal.

Terceiro: divisão em partes iguais do tempo que caberia aos partidos que resolverem não apresentar candidatos.

Para se ter uma idéia, são 25 minutos diários à tarde e à noite. Vantagem enorme para o PT, PMDB e PSDB, vindo o DEM logo atrás.Espaço muito pequeno para o Partido Socialista Brasileiro. Teria um minuto e dez segundos, quatro por cento do total. Muito pouco. Daí a necessidade de Ciro formar alianças para romper o teto extremamente baixo. Mas com que partidos? Com os que estão com José Serra e com Dilma Roussef não será possível. Tampouco com o PPS de Roberto Freire, ao qual se filiou o ex presidente Itamar Franco. Torna-se difícil o caminho de Ciro.

Sua luta em tentar ultrapassar a chefe da Casa Civil e rumar para um segundo turno fica extremamente dificultada. Não é possível, pois toda a campanha depende do desempenho do candidato. Mas isso em condições de equilíbrio e divisão aproximada de espaços. Não é o caso. O problema de Ciro estende-se à senadora Marina Silva, pelo PV. Fração igualmente muito reduzida. O problema de tempo não é apenas dos candidatos à presidência. Atinge os candidatos aos governos estaduais exatamente na mesma proporção. Se Fernando Gabeira, do Partido Verde, correligionário de Marina, obtivesse o apoio do PSDB, seria uma coisa. Mas com a candidatura da senadora pelo Acre não poderá apoiar José Serra, pois a lei impede este tipo de composição. Gabeira passará a ter espaço extremamente reduzido no Rio de Janeiro. Espaço bom terá o governador Sergio Cabral, que é do PMDB, ainda que o PT não o apóie nas urnas. Enfim, o destino das candidaturas depende muito da presença que puderem obter em suas campanhas. Mesmo que as mensagens sejam produzidas com elevada competência, o tempo de exposição influi sensivelmente.

É impossível que espaços amplos sejam mal utilizados. Esta é outra questão. Não se pode analisar hoje o que somente será produzido amanhã. Por isso, tem que se falar em tese, analisar sob o ângulo da teoria, não da prática. Milagres acontecem, pois o talento humano possui importância decisiva. Mas tem limites, uma vez que, no caso, não se trata de arte, da criação, mas sim dos períodos de exposição. Os tempos longos, às vezes, saturam. Este é outro caso. Mas para se avaliar bem a questão pergunte-se aos próprios candidatos se4 desejam possuir espaços amplos ou curtos na televisão.Ninguém vai preferir o mínimo.

Em 4 horas a Bovespa recuperou o prejuízo

Às 13 horas registrei aqui, duas coisas. 1- A queda de 0,83%. 2- A observação de profissionais corretos: “Até o fechamento vai recuperar”. E na verdade quando acabou estava em menos 0,1% que é tecnicamente estável. De 60 mil, 867 pontos para 61.235. Mas com um volume que não chegou a 4 BILHÕES, uma tristeza.

O dólar subiu 0,19% em 1,79.

Autênticas, textuais e entre aspas

De Celso Amorim, chanceler medíocre, (a reputação dele no Itamarati) tentando se defender: “Retirar os diplomatas brasileiros de Honduras, seria COVARDIA”. Nenhuma dúvida.

Mas permitir que Zelaya se HOSPEDASSE na embaixada sem ser CONVIDADO, BURRICE e das grandes. Não para ele.

Quanto a José Serra, para tentar faturar eleitoralmente: “O asilo a Zelaya pelo governo brasileiro foi uma tremenda trapalhada”. O governador de São Paulo só disse isso 15 dias depois, copiando a todos, insensatamente. Criatividade é isso.

Da Sujíssima Veja: “Berlusconi dá anistia financeira que pode beneficiar mafiosos, narcotraficantes e terroristas”. Ué, esqueceram de incluir entre os beneficiários, o próprio Berlusconi, o maior corrupto da Itália e do mundo?

Os jornalões estão se dividindo, desorientados. Estado de S Paulo: “EUA condenam Zelaya e criticam os que o ajudaram”. Nenhuma novidade.

O Globo totalmente em cima do muro: “Honduras cede e promete suspender estado de sítio”. Se o grande jornalista Irineu Marinho fosse vivo, diria: “Puxa, depois de 84 anos, o que fizeram do jornal que eu fundei?”

Folha, manipulada pela manipulável ANJ: “Golpista fecha rádio e TV em Honduras”. Nada sobre a liberdade dos cidadãos e o fechamento de supermercados.

Mão Santa expulso do PMDB

O senador mais popular, ficou sem legenda para tentar a reeleição. Na união PT-PMDB, o PT exigiu: “Para haver acordo é preciso negar legenda ao senador”.

Revelei isso há 2 meses, agora sua saída confirmou a notícia. (Exclusiva)

Roseana-Edison Lobão

Quem é que não sabia que os dois disputariam o governo do Maranhão? Além de serem do mesmo estado, têm a mesma linhagem de corrupção.

Ela é irmã de Fernando, (filhos de Sarney) acusadíssimo. Edison é pai de Edinho 30, é o máximo, não podia ser Edinho 40, ninguém pagaria. (Exclusiva)