Por que Lula chegou a 87% de popularidade? Esse número resiste à análise, é significativo para a coletividade? Nos EUA, Reagan saiu com 82% da mesma avaliação, seu governo é considerado horrível.

Helio Fernandes

Muita gente acredita em pesquisa, alguns não fazem nada (estamos falando de levantamento eleitoral) sem pagar os muitos Institutos que vivem faustosamente dessas buscas, que geralmente não se sabe onde são feitas. Desenfreadas, mas quase sempre distantes da realidade.

Sem desrespeito, desprezo ou desconsideração com Ronaldo, o verdadeiro “fenômeno” é Luiz Inácio Lula da Silva. Fenômeno e praticamente milagroso. Onde conseguiu esses 87 por cento de popularidade (desculpem, não há outra palavra) tão badalada, glorificada e até, para os adversários, resmungada?

Se formos usar de sinceridade, apliquemos apenas o que ficou sendo um item irrefutável da personalidade de Lula, desliguemos o personagem humano do coadjuvante eleitoral, a conclusão terá que ser única e exclusivamente esta: 87 por cento que ninguém sabe como foram acumulados.

Já que falamos em Reagan e seus 82 por cento de popularidade (ao deixar os 8 anos de governo), aprofundemos a comparação. Ninguém sabe como Reagan chegou a ser indicado candidato pelo Partido Republicano. E mais estranho, como ganhou as suas eleições? (Uma eleição e uma reeleição, o máximo que a Constituição americana permite, por causa do medo das quatro vitórias seguidas de Roosevelt).

Em todos os quesitos (como se estivessem no Sambódromo), Lula derrota Reagan. Ator conhecido e reconhecido como canastrão, Reagan é suplantado por Lula, um ator nato, desenvolto, desembaraçado, descontraído. Talvez essa seja sua grande atração e a alavanca para os 87 por cento. (Dos que aceitam e reconhecem a pesquisa).

Reagan não tinha nenhum caráter, escrúpulo, respeito pelos outros. Foi o maior delator da Comissão McCarthy, denunciando dezenas de colegas de trabalho, por questões ideológicas. Charles Chaplin, até hoje o maior gênio do cinema (em matéria de humorismo e criatividade, depois dele, no mundo inteiro, vem o também gênio Chico Anysio), teve que deixar os EUA e ir morar na Inglaterra. Por causa da perseguição estimulada, alimentada e informada pelo ainda não presidente Reagan.

Como presidente sofreu atentado muito mais grave do que se imaginou ou se noticiou. Teve que se submeter a cirurgia de proporções preocupantes para os médicos. Não quis passar o cargo ao vice, Bush pai. Quando ia para a mesa de operação, chegou o Procurador Geral da República, disse a ele: “Presidente, como o senhor terá anestesia geral, precisa transferir o cargo, numa emergência, o senhor não poderá agir”.

Sem a menor consideração pelo vice, presente, perguntou aos médicos, “posso operar com anestesia local?” Os médicos, assustados, pediram um tempo, se reuniram numa sala ao lado. O que fazer com um presidente tão autoritário? Disseram que sim, Bush ficou esperando quase 4 horas, quais seriam seus pensamentos?

Lula não seria capaz desse desrespeito, embora fosse arrogante, dominador, sem nenhuma preocupação com os dinheiros públicos. Perdulário de escândalos, se beneficiou de um dos maiores de todos os tempos, que foi o MENSALÃO. Apesar de insistir, “não sabia de nada”, é lógico, claro e evidente que “sabia de tudo”.

Depois das denúncias públicas numa Câmara traumatizada pelo discurso de 7 horas (do deputado Roberto Jefferson), estava pronto para renunciar, em vez de sofrer o impeachment. (Como Nixon em 1972). Salvou-se sem saber como, aí aproveitou a vitória, saboreando-a até o fim, embora não fosse o desejado. Uma parte desses 87 por cento dos pontos das pesquisas, foram somados e acumulados a partir daí.

Do ponto de vista político e eleitoral, Reagan não existe no plano de comparação com Lula. Este disputou e perdeu quatro eleições diretas e importantes, uma para governador de São Paulo e três para presidente da República, fato inédito na História do mundo ocidental.

Depois, ganhou duas para ele mesmo, e não podendo colocar na sala de troféus a terceira faixa de campeão, “inventou” um candidato, fê-lo (Ah! Janio Quadros) vencedor. E com o fato inédito de ser sucedido por uma mulher, o que jamais acontecera.

Especularam muito sobre o comportamento de Lula depois que deixasse o governo. O próprio Lula, querendo ou não querendo, direta ou indiretamente, sabendo ou não sabendo (como no caso do mensalão e dos outros atos vergonhosos do seu governo), estimulou todas as análises, expectativas e perspectivas.

É indiscutível, Lula não vem se habituando com o ostracismo. Ninguém se acostuma, dizem que não é “ostracismo”, mas a verdade é que sofrem terrivelmente. Com a falta de Poder e a consequente depressão. Lula não é tão atingido como FHC, pelo fato de ter 15 anos menos. E dessa forma se mantendo no jogo.

 ***

PS – Mas a verdade é que ninguém acertou no comportamento de Lula, acertando ou errando totalmente. Nem ONU, nem viagens ao exterior confraternizando com os “amigos” que continuam no Poder.

PS2 – Dona Dilma está satisfeita, nesse limiar do primeiro mês de governo? A ausência de Lula, é o que ela esperava? O silêncio absoluto do ex- a respeito da tragédia serrana, surpreendente? Lula não teve nem tinha nada a ver?

PS3 – De qualquer maneira, os 87 por cento estão aí mesmo. Falsos ou verdadeiros, serão utilizados em 2014. Ou em 2018? Dona Dilma estará com 71 anos, Lula com 73. (Só faço análise com o real, a irrealidade não pode ser examinada, a não ser por mistificadores).

O Ministro da Educação sem férias (ficou em segunda época?)

Helio Fernandes

E quase foi demitido por abandono de emprego. Dona Dilma só soube pelos jornais, que sairia de férias. No dia em que iria viajar, foi chamado ao Planalto, recebeu o recado, “presidencialmente”, que a hora não era de férias.

Motivo: o Ministério da Educação está nas manchetes (negativas) dos jornalões e das televisões. Uma parte porque não querem criticar a presidente, e a outra parte, pelos erros impiedosos.

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ANASTASIA-DILMA-AÉCIO

O vice-governador de Minas, que assumiu no lugar de Aécio e se “elegeu” (dizem, reeelegeu) governador de um dos maiores estados, resolveu pedir audiência a Dona Dilma. Antes, falou com seu “inventor”.

Aécio não gostou nem desgostou, mas achou surpreendente. Perguntou: “Qual o seu objetivo com esse encontro?” Nenhuma resposta. Anastasia não tem a menor chance ou futuro, a não ser o da reeeleição no cargo em 2014. Mas tem todo o perfil de Carvalho Pinto e Nogueira Garcez.

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VACCAREZZA LÍDER DO PT

Não fez o menor movimento, nem de satisfação ou insatisfação. Indicado para a presidência da Câmara, foi logo aceito e referendado. A seguir, preterido, o governo não estaria assustado como está agora.

Ficou em silêncio. Agora será líder do governo, bom para ele, os partidos e o encaminhamento seguro para todos. Por que não foi presidente?

A potência chamada Bradesco sonha com o Banco PanAmericano

Helio Fernandes

Quer ficar com o Banco de Silvio Santos. Apesar das tremendas dificuldades, e da participação da Caixa Econômica em tudo, estão entusiasmadíssimos. Perguntaram ao grande rival Itaú, se teria interesse, ficaram satisfeitos com a resposta negativa.

Surpreendentemente, apareceu o Citibanque, que sempre mandou no Brasil. Como é de graça, todos querem. Não existe o menor risco de prejuízo.

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PS – Em 1979, deixando o Ministério da Fazenda, que ocupou durante 5 anos e meio, assumiu o cargo de Diretor Executivo desse banco, lá mesmo nos EUA, a Matriz.

PS2 – Por causa disso, até ele morrer (riquíssimo) só era chamado por mim, nos tempos censurados mas gloriosos da Tribuna, de CITISIMONSEN.

Uma grande dúvida no Congresso: o senador Aécio Neves, que nunca esteve na oposição, como vai se sair nesse novo papel? É importante saber, porque sua carreira depende disso.

 Carlos Newton

 Aécio Neves chega ao Senado Federal no próximo dia 31, envolvido na brutal expectativa de ser um dos líderes da bancada da oposição (PSDB-DEM e PPS), caso realmente deseje disputar a Presidência em 2014.

Vai encontrar no Senado uma oposição fraca e vacilante, que perdeu suas principais figuras – Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Mão Santa (PMDB-PI) e Heráclito Fortes (DEM-PI) – e hoje está restrita à liderança isolada do senador José Agripino Maia (DEM-RN), com reforço de Aluizio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Roberto Requião (PMDB-PR), que certamente não vai aderir ao governo e terá atuação independente, ao seu estilo.

Participar de uma bancada de oposição é atividade nova para Aécio Neves. Em sua carreira política de mais de 25 anos, jamais foi realmente oposicionista. Depois de sua experiência como secretário do avô, Tancredo Neves, no governo de Minas Gerais, elegeu-se deputado federal constituinte em 1986 pelo PMDB, durante o governo Sarney, que também era do PMDB.

Em 25 de junho de 1988, foi criado o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e Aécio foi um dos fundadores. Mas, como o novo partido surgiu de uma dissidência do PMDB, nunca fez oposição de verdade ao governo Sarney.

No segundo mandato (1991-1995), Aécio nem teve tempo de se fazer oposição ao presidente Fernando Collor, porque estava mais preocupado em concorrer às eleições para prefeito de Belo Horizonte em 1992, que perdeu para o petista Patrus Ananias.

Em seu terceiro mandato (1994-1998) como deputado federal, o PSDB já estava no poder com FHC e Aécio foi eleito presidente do PSDB mineiro. Em 1997, tornou-se líder do partido na Câmara. E nas eleições de 1998, quando FHC se reelegeu, foi o deputado do PSDB mais votado no país.

Sempre na situação, em fevereiro de 2001, tornou-se presidente da Câmara dos Deputados, ainda no governo FHC. E em 2002 se elegeu governador de Minas, mantendo a partir daí uma cordialíssima relação como o presidente Lula. O PSDB estava na oposição, mas Aécio, não.

Como se vê, falta a Aécio Neves a chamada “embocadura” de oposicionista, nunca fez esse tipo de política. Agora, vai ter que se virar para conseguir um desempenho à altura do que uma considerável parcela da opinião pública brasileira espera dele. Como costuma dizer o ex-deputado e ex-vice-governador Roberto D’Ávila, “é importante haver alternância no poder, mas também é fundamental que exista uma oposição forte, para que a democracia caminhe a contento”.

Em matéria de oposição, até agora o país está muito mal representado no Congresso. Vamos ver como se saem no Senado os três oposicionistas recém-eleitos AécioNeves, Aluizio Nunes Ferreira e Roberto Requião. Quanto à Câmara Federal, parodiando-se Oswaldo Aranha, é um deserto de homens e ideias.

Abandonaram o Tibet

Carlos Chagas
                                                           
Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.

O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação, e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Tem os tibetanos o direito indiscutível de independência.

Só que surge um problema: por que, durante a visita desta semana do presidente chinês,  Hu Jintau,  a Washington, nem o presidente Barack Obama nem qualquer  congressista americano cobraram do ilustre convidado contas por estar a China oprimindo  o Tibet? Sumiram, faz algum tempo,  no  mundo inteiro, as  campanhas pela  resistência  contra o governo de Pequim, em termos da infeliz  nação tibetana. 

Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo, ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao Tsetung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.

Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na  manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram  proveito das mudanças promovidas por Deng Tsiauping. 

Afinal, a mão de obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem.  Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico  e político  de nossos antípodas, importa repetir,  incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.

Assim…  Assim, não  interessa mais  aos incomodados criar dificuldades e tentar reduzir  a influência chinesa no mundo, porque não conseguirão.  Passou para o mundo ocidental a  oportunidade de  desacreditar a China e seu regime. A última tentativa foi quando mais um passo significativo estava  prestes a ser dado pelos chineses  para  ampliar sua  presença em todos os continentes, quando da realização das Olimpíadas.

Explicou-se, naqueles idos, a  grita por liberdade ao  Tibet. Até os vassalos do Dalai-Lama foram  para as ruas,  em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em todas as capitais da Europa e adjacências multidões invadiram  as embaixadas da China, queimando  suas bandeiras e, como por milagre, acenando com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas não se sabendo bem  por quem.

Corrigindo, soube-se muito bem: pelos artífices da política agora na baixa, antes   elaborada nas sombras,  nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos antigos  donos do poder mundial. Os mesmos que fomentavam rebeliões onde quer que surgissem  obstáculos à sua prevalência universal. Pois já surgiram e parecem intransponíveis através da pujança chinesa.  Desapareceram  não apenas as  rebeliões armadas, mas movimentos  culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres, como os  de apoio ao Tibet.  

No passado,  agiram com sucesso para derrubar o  Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos  para ser relegada ao  lixo da História, mas até o falecido  Papa João Paulo II integrou-se na conspiração.  Tinham feito o  mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.

Parece óbvio que não podem mais  virar a China de cabeça para baixo, derrotados na tentativa de   criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência. Não dá mais para   travar e até  desmoralizar a nova superpotência. Curva-se o   mundo  à eficiência e à determinação   dos chineses.

Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Não se fala mais no Tibet. O mundo mudou, mesmo. E,  como sempre, um pouco para melhor, um pouco para pior…

JOGO DE CENA

No Congresso que volta a reunir-se no primeiro dia de fevereiro,  não se encontrará  um só parlamentar que concorde, retoricamente, com a violência dos últimos presidentes da República  em governar através de  medidas provisórias, coisa que até Dilma Rousseff dá a impressão de querer continuar.  Mesmo  o PT se insurge, ainda que apenas no gogó. Todo mundo critica a edição de éditos que não são nem de urgência nem de relevância, como manda a Constituição.

Protestam deputados e senadores contra o trancamento das pautas enquanto as medidas provisórias não são votadas. Querem mudar as regras do jogo, ironicamente alternando-se no apoio ou na condenação dessa singular forma de submissão do Poder Legislativo.

O diabo é que nada fazem e nada farão,  quando poderiam fazer. Dormem nas gavetas do Congresso mil e um projetos alterando a sistemática das medidas provisórias.  Na hora  de dar seguimento às mudanças, encolhe-se a maioria e até segmentos das minorias fazem ouvidos moucos aos próprios reclamos.�
O palácio do Planalto dispõe de instrumentos para conter qualquer movimento contrário aos seus interesses. Nomeações, favores, benesses – tudo funciona de acordo com seus objetivos. Se o inquilino (ou inquilina) maior  exige que as coisas  continuem como sempre, não há quem ouse enfrentá-lo. Continuarão  soltando seus ucasses.

Bancos não são devedores e sim credores da Selic

Pedro do Coutto

O governo, através do Comitê de Política Monetária, decidiu quarta-feira elevar a taxa básica de juros (Selic) de 10,75 para 11,25%  a/a, sob o argumento de que o efeito será encarecer o crédito para conter a inflação que bateu 5,9% em 2010. Argumento falso. Os bancos não são devedores dessa taxa e sim credores. Assim, quanto mais alta ela for, maior será sua remuneração.

É lógico. A Selic rege a rentabilidade dos títulos federais e papéis do Banco Central que lastreiam a dívida interna do país. Estão em poder da rede bancária e seu montante inclui forte presença de investidores estrangeiros que trazem dólares transformados em notas do tesouro.

Em setembro do ano passado, de acordo com dados da SNT publicados no D.O. de 30 de setembro, a dívida estava na escala de 2,2 trilhões de reais. Meio ponto a mais, portanto, representa uma despesa adicional de 11 bilhões de reais por ano. Onde está a redução dos gastos públicos considerada indispensável pela tecnocracia? O executivo gastava 220 bilhões de reais com os juros que pagava ao longo de doze meses, agora passa a gastar 231 bilhões, aproximadamente.

Reportagem de Patrícia Duarte, O Globo de 20, focaliza os efeitos da decisão, sob a ótica de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central. Um dos reflexos seria maior pressão sobre o câmbio. Que tipo de pressão? Restritiva? Nada disso. Aumentar a Selic em mais 0,5% significa uma forma de atrair mais dólares em busca de um sistema volátil de remuneração. Pois o dinheiro entra e sai a qualquer momento e é isento de IR. Os juros reais tornam-se de 5,35% a/a. Resultado da subtração da taxa de 11,25 pelo índice inflacionário de 5,9%.

Toda vez que os juros oficiais básicos sobem, vem a mesma conversa. Uma fantasia. O crédito, através da rede bancária, não se retrai em função de uma Selic maior. Ao contrário, se expande. É claro. A rede bancária passa a dispor de maior volume de recursos, tanto em papel quanto em moeda escritural. Não pode deixar de aplicar o acréscimo, pois caso contrário, estaria esterilizando dinheiro diluído pela inflação do IBGE.

A tecnocracia tem mil desculpas para as medidas que toma de fortalecimento do capital, muito mais que no sentido de valorizar o trabalho humano. Isso de um lado. De outro, a taxa básica de juros nada tem a ver – absolutamente nada – com os juros cobrados pelos mesmos bancos e pelo comércio aos consumidores de crédito. A taxa média está em torno de 4%. Ao mês. Para índices inflacionários de 5,9%, ao ano.

Falei 4% calculando por baixo. E não incluindo,  é óbvio, os juros que incidem sobre os cheques especiais e cartões de crédito. Estes variam de 6 a 8%. Ao mês. Seis por cento ao mês correspondem a juros anuais de 96%. Porque são juros compostos, uma incidência mensal cumulativa em cima de montante do endividamento. Não se deve misturar as coisas. Uma são juros pagos pelo governo. Outra os juros cobrados pelos bancos e pelo crédito direto do comércio.

Basta cotejar os índices para se constatar que a Selic não rege o mercado particular de crédito. Se regesse, os juros cobrados pela rede bancária e pelas lojas de departamento estariam próximos no mesmo patamar. Entretanto, há um abismo entre uma margem e outra. No fundo do despenhadeiro, estamos todos nós, consumidores. Pagamos a diferença enorme e, ainda por cima, recebemos mensagens de fantasia. Como esta agora publicada em O Globo. Cito O Globo porque das reportagens que saíram quinta-feira a sua foi a mais bem editada.

25 anos depois da ditadura militar, o aumento dos juros mostra quem realmente manda no País. É o “Sistema”, lembram-se dele? Só que desta vez os militares estão de fora.

Carlos Newton

“A História se repete como farsa”, escreveu o notável pensador Karl Marx, no texto do “18 Brumário de Luis Bonaparte”. Marx estava errado, aqui no Brasil as frases mais geniais podem ser desmoralizadas de uma hora para outra. Basta analisar o que acontece com a economia deste País, que deveria ser respeitado como potência, já que é o quinto mais extenso, o sexto mais populoso e o oitavo em expressão econômica.   

Lembram-se de Lula, ao assumir o governo em 2003? Sua medida mais estratégica foi nomear o tucano Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Ele tinha sido eleito deputado federal em Goiás pelo PSDB, com votação recorde, quase 183 mil votos. Ninguém o conhecia, mas foi a mais rica campanha da História de Goiás. Aos 56 anos, Meirelles se elegia para a Câmara Federal, mas já sonhava com o Planalto, admitia que era sua meta final.

Ex-presidente mundial do BankBoston, dinheiro não representava problema para Meirelles, que só visava o poder. Como era preciso colocar alguém no Banco Central que defendesse os interesses do sistema financeiro, para “acalmar o mercado”, Meirelles foi indicado a Lula por Aloizio Mercadante, que tinha sido seu assessor econômico no BankBoston e acabara de se eleger senador pelo PT de São Paulo.

Bem, já que o esquema era para preservar os interesses do “mercado”, o tucano Meirelles aceitou o “sacrifício”, renunciou ao seu mandato de deputado federal (era obrigatório fazê-lo), nem se preocupou com a fábula de dinheiro gasta na campanha eleitoral, e assumiu o BC. Com isso, Lula conseguiu “acalmar o mercado”, porque a primeira decisão de Meirelles logo no início do governo Lula, foi aumentar os juros, é claro. Na época eram de 25%, foram para 25,5%. No mês seguinte (fevereiro de 2003), mais uma cacetada, elevando a Selic para 26,5%.

Assim se passaram oito anos, até que a presidente eleita Dilma Rousseff decidiu defenestrar Meirelles e substituí-lo por um dos pupilos dele, o economista Alexandre Tombini. Seria mera coincidência o fato de Tombini ter trabalhado quatro anos no Fundo Monetário Internacional, antes de ser diretor do Banco Central na gestão de Meirelles.  

E o que aconteceu? Pois Tombini, logo em sua primeira sessão do Comitê de Política Monetária (Copom), fez como Meirelles e aumentou os juros da Taxa Selic em 0,5%. De novo, era mera coincidência? Claro que não. Trata-se apenas do “Sistema Financeiro” (integrado por banqueiros, seguradores e mega empresários) dizendo ao povo que fico, ou melhor, dizendo ao povo quem realmente manda neste País.

Nos anos de chumbo da ditadura militar, as pessoas mais esclarecidas (que formam realmente o que se chama de opinião pública, já que a grande massa da população nem tem opinião, é apenas conduzida) sabiam que éramos governados pelo “Sistema”.

Falava-se abertamente no “Sistema”, a expressão era comum, Culpávamos o “Sistema” pela inexistência de democracia e por qualquer outro problema nacional, porque – repita-se – quem mandava no País era o “Sistema”.

Agora, 25 anos depois, sob esse aspecto, pouco mudou. Continuamos governador por um “Sistema”, com a única diferença de que não é integrado pelos militares. E sempre surge alguém a nos dizer que a História só se repete como farsa.

Vai acabar o vergonhoso voto proporcional, farsa, mistificação, deturpação da vontade do cidadão. O senador Dornelles está criando o VOTO DISTRITAL, unanimidade no mundo ocidental.

Helio Fernandes

A eleição proporcional é uma excrescência. Candidatos recebem uma cadeira de deputado com 20 ou 30 mil votos, outros não se elegem até com 150 mil votos, (Pelo fato do seu partido não alcançar o que chamam de “coeficiente ou quorum eleitoral”.

Outra hipótese: alguns se elegem com “meia dúzia” de votos, por causa de um “puxador” de legenda. Agora “pendurados no Tiririca”, antes, nos tempos do Enéas. (“Meu nome é Enéas”.

Isso vem de longe. Em 1945, quando havia a candidatura do mesmo cidadão por 7 estados, Vargas saído de uma ditadura tremenda, e Prestes, saído da cadeia, se elegeram por todos.

Como precisavam optar (se elegeram simultaneamente senadores) surgiram em vários estados, principalmente no Rio, os deputados sem votos. Criou-se a “bancada de 400 votos”, herdeiros de Vargas e Prestes. Estes com 100 mil votos ou mais, renunciavam, entravam outros inteiramente desconhecidos, e lógico, sem votos.

Francisco Dornelles sempre foi contra isso, protestava, quando era deputado. Agora, como senador, apresentou projeto acabando com o voto proporcional e criando o DISTRITAL, favorecendo a coletividade e autenticando a representatividade.

Vejamos como funcionará, já foi aprovado numa Comissão importante, se não for sabotado, poderá ser ratificado para a próxima eleição. Tomemos como base o Estado do Rio, mas servirá como análise para todos os estados.

Aqui, são 46 deputados federais. O estado será dividido em 46 Distritos. Os partidos podem lançar um candidato por cada distrito, serão eleitos os 46 mais votados. Não haverá ‘quorum” nem suplentes.

E com uma vantagem que precisa ser ressaltada. Os eleitores de cada Distrito conhecerão muito bem os candidatos, e estes serão conhecidos e reconhecidos (negativa ou positivamente) pelos eleitores. Estes não poderão se queixar depois, só votarão errado, se quiserem.

Esse voto distrital existe em todo o mundo ocidental. O primeiro país a adotar esse voto foi a Grã-Bretanha, na criação da Câmara dos Comuns. Que tem representantes da Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e do Sul, País de Gales.

E é dessa importante e democrática Câmara dos Comuns que sai o poderoso Primeiro-Ministro. Os partidos (já foram 4 ou 5, agora são três) elegem internamente seu candidato. Se forem publicamente e eleitoralmente majoritários, esse indicado passa a ser o Primeiro-Ministro.

(O Primeiro-Ministro não tem nenhuma dependência do Rei ou da Rainha. Na Grã-Bretanha, “o Rei reina, mas não governa”. Quando o Partido Trabalhista ganhou sua eleição, o Primeiro-Ministro eleito internamente era Disraeli. A Rainha Vitória tinha horror a ele, o que fazer? Não podia examiná-lo ou recusá-lo).

Esse Primeiro-Ministro (saído do voto distrital) não governa arbitrariamente, segue as diretrizes do partido. Margareth Thatcher foi eleita para cinco mandatos de 4 anos cada. Completou os quatro primeiros. Com um ano do quinto mandato, quis governar arbitrariamente, foi derrotada e derrubada.

Tony Blair, considerado a melhor revelação em décadas,  contrariou o partido, quando Bush filho invadiu o Iraque, com “justificativas” que logo se comprovou serem falsas e mentirosas. Contra a vontade do partido e da opinião pública (da qual o partido depende eleitoralmente), Lair mandou tropas britãnicas para essa mistificação, não demorou foi tirado do Poder.

 ***

PS – Podem dizer que é apenas um ponto da reforma, concordo inteiramente. Mas é preciso começar. E para os que acham que a mudança “não é por aí”, discordância total.

PS2 – Sem o fortalecimento dos partidos e da representatividade, nada se alcançará.

PS3 – Para que se veja a enormidade e o disparate da eleição de cidadãos que não têm nada a ver com a coletividade, este exemplo: querem aprovar o VOTO DE LISTA, um atentado à represenattividade.

PS4 – Sabem o que é isso? O cidadão, para deputado, não vota mais em NOMES e sim na SIGLA. Esta lista no Estado do Rio, teria 46 nomes. Para exemplo: a lista seria formada por Michel Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e outros iguais.

PS5 – Portanto, esses “primeiros” já estariam “eleitos e escolhidos”. O cidadão sairia de casa para quê? Para nada.

Ex-secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia deixa o governo Lula muito mal, e a presidente Dilma Rousseff, também.

Helio Fernandes

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia pediu demissão. Convocado para depor no Congresso, desmentiu Aloizio Mercadante, o ministro, e não poupou a presidente Dilma Rousseff. Que sofre acusação frontal, antes de completar um mês, dominando o Planalto-Alvorada.

Afirmou sem qualquer hesitação e sem esconder nenhuma palavra: “O governo falou muito e não fez nada. Se tivesse feito, não teria havido a tragédia da região serrana”. Quem vai desmenti-lo?

O indicado deve ir se municiando para desarmar a “bomba-relógio” colocada pelo ex-secretário Luiz Antonio Barreto de Castro. Por exemplo, textual: “Tentei incluir no PAC, INVESTIMENTOS DE 115 MILHÕES (isso mesmo, 115 milhões) para implantar um sistema de ALERTA com radares, não consegui”.

É evidente que alguém irá desmentir, de ordem da presidente Dilma. Afinal, como poderosa antes de se eleger, era chamada de “MÃE DO PAC”. Então se preparem para mais um item-afirmação de Barreto de Castro: “Vim aqui para confessar que não fizemos nada para evitar essa tragédia”.

 ***

PS – Agora terão que gastar 5 BILHÕES para realizar e implantar a obra para cuja execução, pediram 115 milhões.

PS2 – Além dos 5 bilhões (47 vezes mais do que o total pedido ao PAC), precisarão de 4 anos para que o projeto fique pronto. E o verão de 2012, 2013, 2014 e que sabe, 2015?

PS3 – Sem falar (novamente) que tudo se encaminha para 2014, uma data que parece desejada ou cobiçada por todos os personagens que estão no palco.

 ***

E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO?

Quem garante Fernando Haddad? Sua indicação foi tumultuada, disseram que ficou, atendendo a um pedido (?) de Lula. Mas é o ministério que não sai das manchetes, negativas e não positivas.

O Ministro ia sair hoje, mas de férias. Apenas de 15 dias, voltaria logo. Mas Dona Dilma não deixou.

PSC, cujo “dono” é Eduardo Cunha, o maior lobista do Brasil

Helio Fernandes

O pastor Everaldo não manda tanto nesse “partidinho”. Financia, aparece como presidente, mas quem manda, indica e se aproveita, é o maior lobista do Brasil.

Também não é verdade que não tenham recebido nada. Desde os tempos de Lula, receberam o controle de Furnas, muito mais do que o PSC devia receber. E gravíssimo: Lula entregou (?) Furnas a Eduardo Cunha, depois de 6 meses de intimidação e chantagem. Que República. Isso, com uma das maiores empresas de energia, com sede no Rio, capital.

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ARRUDA, PAULO OTAVIO, RORIZ

Revelei aqui a visita dos dois últimos à casa do governador deposto, preso e cassado. Confessei que não sabia o que conversaram. Alguém me telefonou (pedindo sigilo), explicando: “Eles querem formar um novo partido”. Estou passando a notícia como recebi, não deu para investigar, mas não é absurdo”.

Informação privilegiada

Helio Fernandes

Há vários dias revelei aqui, com exclusividade: “O PIB da China, em 2010, cresceu 10,4%”. Fui largamente criticado (até por amigos), nao havia informação oficial. Ontem, o governo da China comunicou ao mundo: “O PIB cresceu 10,3%”.

A diferença entre 10,3 e 10,4 é de 0.0001. É a maior alta em qualquer país, embora não seja a maior na própria China.

Futebol no Rio, tênis na Austrália e Sub-20 no Peru

Helio Fernandes

No Rio, Botafogo, Flamengo e Fluminense sofreram para ganhar jogos que pareciam fáceis. O Vasco nem isso, perdeu para o Resende.

Na Austrália, nem sofrimento nem surpresa, na semana inicial do Grand-Slam. Os quatro primeiros (Nadal, Federer, Djokovic e Murray) entraram e saíram da quadra, tranquilamente. Surpresa, digamos, apenas com o brasileiro Bellucci. Só foi eliminado na segunda rodada. Depois de quase 10 horas, foi direto para o aeroporto, de volta para o Brasil.

No Sub-20, Neymar fez mais um gol belíssimo. Marcado com violência, quase não andou.

O complexo do pedestal

Carlos Chagas 
                                              
De Mussolini diziam seus adversários haver galgado um pedestal tão alto que não conseguia enxergar lá em baixo, ignorando o que os italianos  sentiam e necessitavam. Com todo o respeito e evitando fulanizações, é o que historicamente acontece com os governos, no Brasil. Seus chefes, os presidentes da República, desde Deodoro, atribuem-se qualidades quase divinas, desligando-se da realidade e habitando uma espécie de Olimpo, onde a poeira não chega.  Muito menos a população. Quando em contacto com ela, é sempre numa relação de superioridade, do palanque para baixo. Brasília pode ter exacerbado esse fenômeno, pelo isolamento de seus palácios, mas no Rio era a mesma coisa.
                                              
Nossos governantes nunca foram à feira e ao supermercado, jamais precisaram servir-se diariamente dos ônibus e do metrô. Quando bissextamente vão a um restaurante, são os outros que pagam. Seus vencimentos são depositados integralmente, livres de quaisquer despesas, e quando se aventuram a contar uma piada ou fazer um gracejo, as gargalhadas ressoam ao seu  redor antes mesmo do desfecho.
                                              
Está para ser criado um regime onde o cidadão guindado à chefia do governo continue comum, sem ares de grandeza absoluta. Mesmo os que já deixaram o governo  não perdem a falsa majestade, até ajudados por discutíveis aposentadorias e pensões, mais mordomias variadas que os tempos modernos criaram. Sofrem, é claro, quando precisam acionar as maçanetas, sentindo que as portas já não se abrem como antes, mas voltar à rotina anterior ao gozo do poder,  isso não voltam. Nem querem. 
                                              
Estas considerações se fazem  num tempo singular em que o país convive com cinco ex-presidentes da República, cada um com características próprias,  todos apregoando humildade  mas nenhum verdadeiramente disposto a cultivá-la. José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e agora o Lula não se livraram do complexo do pedestal, não obstante as aparências.
 
CONTRA A MARÉ
 
Remar contra a maré costuma virar o barco. Ainda mais contra as ondas. Mesmo assim, é bom atentar para o outro lado das moedas. Houve um presidente da República que, ao deixar o poder, precisou tirar o filho do colégio particular por falta de recursos para pagar a mensalidade. Não tinha dinheiro nem para a mulher ir à feira.

Seus ex-ministros cotizaram-se para montar uma empresa imobiliária, daquelas que não administrava um imóvel sequer, que ele passou a dirigir, de forma a receber um salário. Anos  mais tarde um ex-correligionário eleito governador da Guanabara veio a nomeá-lo para o Tribunal de Contas do estado.
                                              
O presidente era Café Filho, sucessor de Getúlio Vargas, e o governador, Carlos Lacerda. Desse episódio deduz-se que aos ex-presidentes da República deve ser concedida uma pensão ou aposentadoria. Tome-se o Lula, por exemplo. Como torneiro-mecânico virou pensionista do INSS, depois de perder um dedo no torno.  Um salário-mínimo. Mais tarde, requereu e recebeu a bolsa-ditadura. Cinco mil reais.
                                              
Por analogia, as pensões de antigos presidentes da República devem ser estendidas a ex-governadores? Parece justo, em se tratando mesmo de ex-governadores, ou seja, eleitos e tendo cumprido o mandato. Ou os vices que na falta do titular tornaram-se efetivos. O que não dá para aceitar é o benefício para interinos, muitos tornados governadores por poucas semanas ou até dias.
 
SEMANA QUENTE
 
Haverá quorum no Congresso,  na semana a se iniciar amanhã, apesar de os trabalhos parlamentares só começarem na outra. Trata-se  de uma nova Legislatura. Os deputados de primeiro mandato, junto com os reeleitos, preparam a escolha da nova  mesa diretora. No Senado, permanecem os que têm mais quatro anos, reunindo-se a eles os eleitos em outubro passado, também prestes a indicar os dirigentes. Marco Maia está praticamente eleito presidente, na Câmara, sendo que no Senado continuará José Sarney.
                                              
A rotina acima exposta será quebrada, no entanto, pela disputa dos demais cargos nas duas mesas. Cabeças batem até no âmbito dos partidos, como  entre os senadores do PT, uns sustentando Marta Suplicy para vice-presidente, outros fechados com José Pimentel.
 
A RAZÃO MAIS SIMPLES
 
Perguntaram a Milton Campos, depois das eleições presidenciais de 1960, porque ele havia perdido para João Goulart, na disputa pela vice-presidência. Afinal, ele era companheiro de chapa do vitorioso Jânio Quadros,  enquanto Jango era vice do marechal Lott.  Os jornais apresentavam mil raciocínios e outro tanto de intrigas para explicar a inversão, como a que falava de um acordo secreto, a chapa Jan-Jan.  Teria havido traição, com Jânio mandando votar em Jango, por baixo do pano.
                                              
O velho professor de democracia respondeu de pronto: “Por que o João Goulart venceu? Porque teve mais votos do que eu…”

A lição deveria servir para José Serra meditar. Ele teve menos votos do que Dilma Rousseff. Basta isso. Não se justifica que agora, pleiteando a presidência do PSDB, ele tenha iniciado virulenta campanha de descrédito do novo governo, antes de decorrido um mês da posse. A mulher ganhou, governador, espere um pouco…

Mercado de emprego: números precisam ser consolidados

Pedro do Coutto

O ministro Carlos Lupi afirmou – reportagem de Mário Sérgio Lima, Folha de São Paulo de 19 – que o governo Lula fechou seu período, em dezembro de 2010, com um saldo de 2 milhões e 500 mil empregos formais ou seja postos de trabalho com carteira assinada, INSS, FGTS, direitos sociais, enfim proteção contra as demissões sem justa causa.

O resultado à primeira vista parece espetacular, mas em matéria de números, como digo sempre, é necessário uma análise atenta. Mário Sérgio Lima compara a era Lula com a de Fernando Henrique. O cotejo favorece Lula, já que de 95 a 2002 a criação de empregos formais ficou apenas em 797 mil vagas. Lula teria triplicado a oferta de emprego? Em relação ao presidente Fernando Henrique pode ser. Mas a vitória setorial não é capaz de refletir um êxito geral.

Por vários motivos. O primeiro deles porque a população brasileira cresce à velocidade de 1,3% a/a. A cada doze meses, portanto, somos mais 2 milhões de pessoas. Com a força de trabalho (mão de obra ativa) representa 50% do total de habitantes, há necessidade da criação anual de 1 milhão de empregos novos. Esta meta não foi nem de longe alcançada. Assim, a oferta de mão de obra segue suplantando a procura. Com isso, caem, é óbvio, as médias salariais.

O segundo aspecto repousa num enigma. Carlos Lupi, aliás excelente figura humana, divulgou o número de demissões. Mas não sei se representam o saldo entre contratações e dispensas. Pois o número anual de demissões é altíssimo, em todo o país. Convido os leitores a observarem o quadro estatístico do FGTS que, na edição do Diário Oficial de 2 de agosto, a partir da página 24, acompanha o balanço de 2009 da Caixa Econômica Federal.

Lá se encontra o número de demissões sem justa causa praticadas naquele exercício. Foram 17,3 milhões de casos, levando a um desembolso de 30,9 bilhões de reais no Fundo de Garantia. As demissões efetuadas no ano atrasado superam, inclusive, as realizadas em 2008. Em 2008, houve 16,5 milhões de dispensas. Custaram saques no montante de 26,6 bilhões. A média anual de exonerações, como se verifica, apresenta uma tendência definida.

Provavelmente o total de 2010 foi menor, era um ano eleitoral. Mas de
qualquer forma a variação não pode ter sido expressiva a ponto de desfocar um cálculo que vem se repetindo em determinada escala estatística. Como a mão de obra ativa é de 100 milhões de brasileiros, a mobilidade de emprego oscila em torno de 17 a 17% a/a.

Dessa forma, número acentuado de postos de trabalho não representa propriamente vagas novas, ocupadas por jovens, mas sim também a retomada de empregos pelos que os perderam no exercício anterior, ou então no passar dos últimos anos.

Há um enigma no ar. Que o ministro Carlos Lupi deve esclarecer e traduzir concreta e objetivamente para toda a sociedade, para o país, portanto. Deve recorrer ao IBGE, à Fundação Getúlio Vargas, ao Ibope, para promover um confronto bem nítido sobre a dança do mercado de emprego, sobretudo para que a verdade flutue à vista de todos e elimine a necessidade de um mergulho no oceano estatístico para fazer emergir diretamente toda a verdade a todos. Afinal, a vida das pessoas depende dos níveis de emprego. E no trabalho passamos, todos nós, um terço de nossas vidas.

Presidente do Supremo afirmou que a democracia avançou, em todo mundo. Será?

Jorge Folena 

Foi realizada, na Cidade do Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de janeiro de 2011, a II Conferência Internacional de Cortes Constitucionais. Na abertura do evento, o Presidente do Supremo Tribunal Federal proferiu pronunciamento destacando “a propagação e a cristalização da democracia ao longo do planeta”, nos últimos 20 anos.  

Contudo, ao contrário do manifestado pelo Ministro Cezar Peluso, nas duas últimas décadas temos visto, em escala mundial, o enfraquecimento de importantes instituições democráticas. Em muitos cantos da Terra, a figura do Estado foi reduzida e muitos até defendem abertamente a sua inutilidade numa ordem globalizante, em que as corporações privadas deveriam prevalecer.  

Nesse período, grandes somas de recursos dos trabalhadores foram transferidas para o capital, como ocorreu na crise financeira de 2008. Porém, em nenhum momento, o povo foi chamado a decidir. Ora, nessas condições, como se pode afirmar que a democracia tem avançado? 

Na verdade, o tipo de democracia propagada é a formal, ou seja, aquela em que representantes de determinadas castas sociais conquistam o poder sem o genuíno apoio popular, atuando somente para tutelar e direcionar os caminhos a serem percorridos pela sociedade, sem que esta seja ouvida nos temas de relevante interesse.   

Quando se questiona a ausência de participação popular nas decisões, os dirigentes afirmam que isto é secundário, pois existiram eleições “livres”, nas quais lhes foi conferido um mandato. Mas até onde vai o exercício do poder outorgado aos políticos? Poderiam eles alienar o patrimônio público, sem o exercício do plebiscito ou do referendo? O Poder Judiciário, que não se submete ao sufrágio na maioria dos países, poderia corroborar tais decisões, contrárias aos interesses da coletividade, como fez o Supremo Tribunal brasileiro, quando do desmonte do Estado e da entrega das reservas de petróleo? 

Sem muito teorizar, vale lembrar que o conceito de democracia, forjado na antiga Grécia, se desenvolveu numa sociedade deformada, onde nem todos eram considerados iguais nem titulares de direitos, como os escravos, as mulheres e os estrangeiros. 

Desta forma, a democracia, que evoluiu com o estado liberal, a partir da Idade Moderna e perdura até hoje, é típica de sociedades excludentes, nas quais se prega a prevalência do melhor, do mais capacitado e do vencedor, sendo próprio do regime conviver pacificamente com diferenciações e injustiças. 

Daí a existência de tantas ignomínias na sociedade atual, em que todos os anos morrem pessoas em conseqüência de chuvas e nada acontece. A Constituição, da qual o Supremo Tribunal Federal é o maior guardião, diz que compete à União “planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações.” (artigo 21, XVIII) 

Ora, o que foi feito pela União nos últimos 20 anos, de forma permanente, para combater tal tipo de calamidade pública, que se repete anualmente no Estado do Rio de Janeiro e em outros locais?  

Então, não é crível aceitar que a democracia tenha avançado, quando o ser humano é deixado de lado pelas autoridades constituídas, mesmo estando previsto na lei maior que é necessário planejar e promover a defesa permanente e nada é feito Além disso, nenhum dirigente respondeu, até hoje, por crime de responsabilidade, contando ainda com os demais poderes constituídos para perpetuar as iniqüidades. 

Portanto, na II Conferência Internacional de Cortes Constitucionais perdeu-se uma grande oportunidade de se debater, de verdade, o destino da democracia num mundo cada vez mais em crise, causada pela concentração de capitais, que todos os dias exclui e flagela milhões de pessoas, que já perderam há muito tempo o sonho de  liberdade, e que, em pleno século XXI, ainda não têm condições mínimas de suprir suas necessidades fundamentais, como alimentação, abrigo, saúde e educação.

Jornal do Brasil saiu das bancas, mas disponibilizou na internet, gratuitamente, todos os exemplares do século passado. Basta você acessar.

Carlos Newton

Como se sabe, o Jornal do Brasil saiu das bancas, passou a circular apenas na internet. Mas deixou para a eternidade um presente inesquecível a todos os seus leitores, ao disponibilizar na web, gratuitamente, todos os exemplares do JB no século XX.

Não apenas a primeira página, mas o jornal inteiro, página por página. E o melhor é que o programa utilizado permite que você possa aumentar a página, folhear o jornal e até imprimir.

Assim, o Jornal do Brasil se tornou o primeiro jornal brasileiro a ser totalmente disponibilizado na internet. É um site incrível, fundamental para registrar o Brasil do século passado.

Se quiser acessar, nem que seja apenas para ver o jornal do dia em que você nasceu, basta digitar o seguinte endereço: http://news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19920614&b_mode=2

Quando perguntaram a Sobral Pinto, se havia democracia à Brasileira, respondeu: “Conheço peru à brasileira, democracia é igual no mundo inteiro”. Agora descobrimos “INFLAÇÃO À BRASILEIRA”, temos que aumentar juros.

Helio Fernandes

Ontem, a informação sobre mais esse aumento dos juros, elevação de 0,50%. É o complemento oficial de que “nas quatro próximas reuniões do Copom, quatro elevações desses juros”. Hoje, o comentário melancólico, lamentável, o descumprimento da palavra da presidente, antes mesmo de 1 mês no Poder.

Sem ninguém perguntar, levantou a esperança, deu impressão de que cumpriria o compromisso que não assumiu na campanha, mas foi implícita e explícita: “Lutarei CONTRA O AUMENTO DOS JUROS”. Além da tragédia desses juros altíssimos, o fato triste e impiedoso: a presidente não cumpre a própria palavra em relação à QUEDA dos juros e a redução do privilégio, favorecimento, enriquecimento espúrio e vergonhoso, de BANCOS E SEGURADORAS.

24 horas depois de Dona Dilma ter nomeado Tombini para a presidência do Banco Central e declardo, “não aumentarei juros”, mostrei toda a minha decepção e descrença. Pois Tombini sempre foi a favor dos juros mais altos. Votava rapidamente para que subissem, mesmo nos momentos, r-a-r-í-s-s-i-m-o-s, em que Meirelles queria reduzi-los.

Contra fatos não existem argumentos, a não ser a realidade destruidora, avassaladora, demolidora. E pela primeira vez nesses anos todos (mesmo com  FHC, quando os juros chegaram a 44 por cento), se anuncia PREVIAMENTE, como agora: “Nas próximas reuniões, mais aumentos”.

Simplificando, perguntando e concluindo: se esses juros são elevados por causa da inflação (para combatê-la), por que anunciar os próximos aumentos? Já sabem que esses juros CRIMINOSOS não atingirão nem diminuirão a inflação? Quem responderá a essas perguntas irrespondíveis?

Se fosse vivo, Sobral Pinto gozaria a todos, falando (como está no título destas notas) em “inflação à brasileira”. É o que parece. No Japão, o juro é ZERO-ZERO. (Ao ano). Nos EUA, esse ZERO-0,25%. Na China, que cresceu em 2010, 10,40%, a inflação nem preocupa, os juros são mínimos. E olhem que eles têm uma classe média de 190 milhões de pessoas (maior do que toda a população do Brasil) de alto poder aquisitivo, que compra tudo. Mas eles sabem, porque aprenderam que não há desenvolvimento sem consumo.

Ontem mesmo, o presidente da China, Hu Jintao, esteve nos EUA conversando com Obama (de igual para igual) e reconheceu que em matéria de “direitos humanos é preciso melhorar muito”. Por que fez essa declaração que surpreendeu o mundo inteiro? Pela mesma razão que Mao Tsé-Tung, ao começar sua famosa “Marcha” de 1949, afirmou: “Poucos sabem a dificuldade de pegar um país vivendo no SÉCULO X e colocá-lo no SÉCULO XX”.

Em março de 2009, com juros de 10,75 por cento, o Brasil pagava 188 BILHÕES por ano. Lula enganava o país inteiro, explicando: “Estamos ECONOMIZANDO 90 BILHÕES por ano, para os juros da DÍVIDA”.

Mentiam dupla ou triplamente. Pois se precisavam pagar 188 BILHÕES, de que adiantaria essa ECONOMIA de 90 BILHÕES? Nada vez nada, era o que chamavam e continuam chamando de “superávit primário”. (O Brasil é o único país onde existe essa perversão anunciada. Em todos os países, SALDO ou DÉFICIT, e estamos conversados).

Não precisamos fazer cálculos complicados, exóticos, escalafobéticos. Se com o juro em 10,75% pagávamos 188 BILHÕES por ano, com esse juro agora criminosamente aumentado para 11,25%, quanto teremos que roubar (é de R-O-U-B-O que se trata) do nosso investimento, desenvolvimento, enriquecimento?

Em números divulgados pelo próprio governo, mas nada confiáveis, em março de 2009 DEVÍAMOS 2 TRILHÕES E 300 MILHÕES (e como já fui contestado vastamente, na época, quando “concordei” com o governo), agora vão me massacrar. Dona Dilma não tem nada com a formação dessa DÍVIDA. (Se contestasse, não seria “inventada” como candidata e como presidente).

Mas antes de completar o primeiro mês como presidente, nega o passado, renega o compromisso, determina o aumento que dizia que não faria.

Para não prolongar, admitamos que a DÍVIDA tenha se mantido nos números propalados, que palavra, em março de 2009. Não aumentou nada, mesmo só dispondo de 90 BILHÕES para pagar 188 BILHÕES. Ha!Ha!Ha!

 ***

PS – Agora, com o crescimentos dos juros em 0,50 por cento, (repetindo, dos 10,75% de 2009 para 11,25% deste 2011), mais 26 BILHÕES POR ANO.

PS2 – Terá sido pura COINCIDÊNCIA? Esse aumento de 0,50% cravado de 2009 para 2011? Lula e seguidores parecem mestres em coincidência políticas, eleitorais, econômicas e financeiras.

PS3 – Mesmo sem muita certeza dos números, sempre favorecendo o governo e seus porta-vozes, vou aceitar o cálculo deles. Assim, esse 0,50 por cento, aumentará os COMPROMISSOS DE PAGAMENTO em mais 26 BILHÕES.

PS4 – Juntando com os 188 BILHÕES que ENTREGÁVAMOS em 2009, temos (ou teremos) que ENTREGAR, a-n-u-a-l-m-e-n-t-e, 214 BILHÕES. Enojado, envergonhado, humilhado, para por aqui. Por hoje, por hoje.

Já se briga pela sucessão de cabralzinho

Helio Fernandes

Todas as lutas principais são para 2014. No Rio e São Paulo, pela importância das capitais, lutam também pelas prefeituras, em 2012, logo ali na esquina.

Dois senadores eleitos agora, Lindberg e o sobrinho do “bispo” Macedo, querem o governo. Crivella perdeu duas vezes para prefeito, aceitaria a sucessão de Eduardo Paes. Ainda teria 6 anos, se fosse derrotado.

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PS – Lindberg  tem ganho política e eleitoralmente, prefere ser governador direto. O PMDB não tem nome, cabralzinho foi reeleito.

PS2 – Falam que o ex-prefeito seria candidato. Iria de táxi, de São Conrado (onde mora, graças à construtora da Organização Globo) até a sede da Prefeitura. Gostaria de ser governador, já perdeu quando foi candidato.

Caso Battisti: Cezar Peluso não fala pelo Supremo

Helio Fernandes

É presidente, o Tribunal está em recesso, ele decide em questões circunstanciais. Só isso. Pode conceder liberdade a tipos como Daniel Dantas, Gilmar Mendes fez isso duas vezes em relação a esse Daniel Dantas. E mais faria, se mais fosse pedido.

Peluso não pode modificar “a coisa julgada”. Pela Constituição, só o presidente da República (seja quem for) pode decidir a FAVOR ou CONTRA extradição. Foi isso que o Supremo decidiu, embora muitos Ministros fossem a favor da extradição. Gostando ou não gostando (incluindo este repórter), a última palavra é do presidente da República.

Aldo Rebelo e a presidência da Câmara

Helio Fernandes

Logo que Dilma começou a montar o mediocríssimo ministério da sombra ( e não por causa do verão), escrevi aqui mesmo um artigo, com o título “Alerta a Dona Dilma”. Precisamente a respeito da resistência “da base” ao nome de Marco Maia para substituir Michel Temer.

Mostrei, com dados, números e detalhes: Aldo Rebelo, que foi presidente da Câmara por causa de Severino Cavalcanti, quer transformar Marco Maia num novo Severino. E voltar à presidência da Câmara, que não exerceria de outra forma.

Foi coordenando, conversando, concordando, achou que tinha votos. A maior parte da culpa era do Planalto-Alvorada. Se tivesse oficializado Candido Vaccarezza (também do PT), nenhum problema. Também chamei a atenção de Dona Dilma para a mudança de estratégia (?): Aldo Rebelo “aceita” ganhar no segundo turno, por isso lança vários nomes.