PT de Minas: apoio forçado não acrescenta

Pedro do Coutto

A pré convenção do PT realizada domingo decidiu não atender o apelo do presidente Lula para apoiar a candidatura de Helio Costa, do PMDB, à sucessão estadual e adiou para junho, prazo máximo da lei eleitoral, para decidir se concorre ou não ao Palácio da Liberdade com um candidato próprio. As reportagens de Eduardo Katah e Vera Rosa, O Estado de São Paulo, e de Paulo Peixoto, Folha de São Paulo, publicadas nas edições de 3 de Maio, focalizaram amplamente a divergência, na prática uma dissidência aberta pela seção de Minas em relação à aparente vontade do Planalto.

A regional partidária partiu para uma prévia entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel, não definindo se tal prévia era para escolher o candidato da legenda ao governo ou se para concorrer ao Senado Federal. Lula desejava que a preliminar fosse para escolha do candidato ao Senado, mas o PT não atendeu. Deixou no ar a questão, decidindo adiar ao máximo o desfecho final. Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social, chegou a afirmar: “Na história do PT, Minas Gerais nunca foi tratada  como moeda de troca”. Tomada deposição mais direta, impossível. Só ela já funciona para abalar a possibilidade de uma aliança dos petistas com o também ex-ministro Helio Costa.

A reação era esperada. Em primeiro lugar, porque, ao longo de seus trinta anos de história, o PT nunca apoiou candidato algum alheio a seus quadros. Recebeu muitos apoios, não devolveu nenhum. Em segundo lugar, porque tanto Fernando Pimentel quanto Patrus Ananias, são candidatos potencialmente fortes ao governo estadual – aqui um aspecto essencial – o governador de Minas é alguém sempre qualificado para disputar depois a presidência da República.

Com Patrus ou Pimentel, o Partido dos Trabalhadores sentiu que disputa com reais chances de vitória. Sobretudo porque as eleições são em dois turnos e a presença da legenda no primeiro leva inevitavelmente o desfecho para o segundo turno. Não afeta a candidatura de Dilma Roussef à presidência da República porque em Minas, a exemplo de no Rio de Janeiro, ela teria duas bases de apoio. O palanque de Helio Costa e o de Ananias ou Fernando Pimentel.

Surpresa no segundo colégio eleitoral do país? Nem tanto. No terceiro colégio, o Rio de Janeiro, a ex-chefe da Casa Civil é apoiada simultaneamente pelo governador Sergio Cabral e pelo ex-governador Anthony Garotinho, aliados na eleição de 2006, adversários ferrenhos no pleito de 2010.

Na aparência – mas apenas na aparência, acho eu – o presidente Lula ameaça agir para que o Diretório Nacional do PT intervenha na seção mineira, caso a visível divergência se confirme. O Diretório Nacional, entretanto, vacila diante da hipótese de uma intervenção. Na realidade a ideia atribuída ao presidente da República não é para valer. Lula, no fundo, sabe que apoio forçado não funciona, nada acrescenta na prática, pelo contrário. Terminaria lançando o PT nos braços de Antonio Anastasia, candidato de Aécio Neves ao executivo mineiro.

Mas não é tudo. A intervenção, de outro lado, principalmente quebraria  o ímpeto da legenda no segundo contingente de votos do país e, com isso, prejudicaria a própria candidata de Lula, Dilma Roussef. Por isso, creio que a ameaça de intervir não passa de um lance para a arquibancada. Nem poderia. Conquistar apoio forçado colide com a vontade das bases partidárias. E o resultado seria altamente negativo nas urnas. Lula sabe disso muito bem. Muito melhor do que nós.

Sarney e Roberto Marinho: “imortalizados”, não eternizados

Ontem, comentei o DVD distribuído pelo ex-presidente, exaltando sua própria existência e a enorme participação na vida pública. Não sabia, agora sei e posso registrar: esse DVD “autobiográfico”, foi pago pela Eletrobrás.

É justo. Sarney nomeou o ministro de Minas e Energia e o presidente da Eletrobrás, e não se aproveitaria do fato? Então, de que adiantaria?

***

PS – A credibilidade desse DVD, pode ser compreendida e lamentada num aviso anexo, sobre a próxima públicação: Será: “Roberto Marinho, os caminhos do Poder”. Nossa Senhora, terei tempo (palavra esgotada por Sarney) para outra análise?

As contradições esportivas, nas vésperas da Copa da África

Continuo me insurgindo contra esse regulamento, que transforma perdedores em vencedores. Na Copa Brasil, só o Grêmio venceu o Fluminense na ida e na volta. A torcida pergunta: “Muricy, o que veio fazer aqui?”

Flamengo joga só um tempo,
perde mas se classifica

Dos comentaristas de um jogo que acabou à meia-noite: “Emocionante, grande exibição de duas ótimas equipes”. Chatíssimo, “a emoção” ficou por conta da decisão. E o Corinthians, que se preparou para vencer a Libertadores no ano do centenário, foi ptotagonista do mesmo regulamento interno.

Perdeu no Rio por 1 a 0, ganhou em São Paulo por 2 a 1, está eliminado. Foi o primeiro entre os 16 finalistas e o Flamengo o último desses 16.

Retumbaram: “O Pacaembu lotado, que espetáculo”. 36 mil pessoas, e como é hábito hoje, muitos eram convidados.

Em 10 batidos, 7
penaltis perdidos

Jamais havia visto isso. Palmeiras e Atlético (de Goiás) tiveram que decidir dessa forma. os batedores jogaram nas mãos dos goleiros 6 desses penaltis e 1 foi chutado para fora. O goleiro Marcio, do Atlético, pegou 3, Marcos, do Palmeiras, outros 3.

Sem desafzer de ninguém: goleiro, por melhor que seja, só defende penalti mal batido. Chutado de forma competente, não há defesa possível. Ninguém usou paradinha.

Ações de Eike Batista e da Eletrobrás

Segunda, terça e ontem, quarta, estiveram entre as maiores quedas. Amestrados “explicaram” que isso aconteceu “por causa da falência da Grécia”. Ha!Ha!Ha!

A empresa de energia começou a cair, depois que se soube que financiou o DVD sobre a carreira “consagradora” de Sarney.

E quem compra ações desse bilionário, (que ninguém sabe como acumulou tanto dinheiro) compraria ações do Pinel, se este hospital famoso no mundo inteiro (por causa do médico genial e revolucionário) passasse a ser negociada em Bolsa.

Órgão Especial do Tribunal de Justiça decide: “Só o Superior Tribunal de Justiça (STJ), pode julgar conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado). A Alerj, que fez CPI que os condenou, apelará ao Ministério Público

Por maioria até surpreendente, a Alerj organizou CPI para investigar membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado). O presidente da Alerj, Jorge Picciani, (que até agora não sabe se confirma a candidatura ao Senado, apesar de ter acordo com garotinho, que já garantiu que disputará o governo) foi o membro mais influente na formação dessa CPI. Não só por ser presidente da “casa”, mas também pelo fato de acumular informações sobre esse TCE.

A CPI foi baseada em 37 por cento da matéria publicada pela Veja. A revista tinha 100 por cento de conhecimento, mas resolveu mutilar o total, que ficou, mesmo dessa forma, explícito e implícito. Quem leu esse exemplar da Veja, pelos “tons vagos” de uma parte da reportagem, e pela exclusão “voluntária” de nomes, compreendeu o que estava acontecendo.

Outro fato que demonstrava a ânsia da Alerj em cumprir sua obrigação, foi a escolha, por maioria indiscutível, da deputada Cidinha Campos para relatora dessa CPI. Não é que ela fosse a única, mas tem um passado acima de qualquer dúvida ou suspeita.

Cidinha já disse da tribuna da Alerj: “De que adianta ser deputada se não posso chamar o ladrão Eduardo Cunha de ladrão?”

Ela fez um trabalho sensacional, seu relatório final teve enorme repercussão, aprovado com grande diferença. O presidente Picciani queria demitir os três indiciados (chamados de acusados, o que a Constituição não permite), José Graciosa, José Nader e Jonas Lopes.

(Esse Jonas Lopes me processou pelo fato de eu ter dito que ele era NOTÓRIO. A juíza deu sentença magnífica, me absolvendo, e considerando: “O senhor é NOTÓRIO mesmo. Amigo de governador, membro do Tribunal de Contas, isso não é pejorativo”).

Os conselheiros entraram com recurso no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, que decidiu a favor, determinando: “Eles só podem ser julgados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) de Brasília”. Os conselheiros vão para lá, quando o processo começar a tramitar, já estarão todos aposentados.

Para evitar que isso aconteça, a Alerj quer que o Ministério Público faça a indiciação que os deputados foram impedidos de fazer. Se o Ministério Público aceitar, os conselheiros podem ser acusados (aí sim) e denunciados por IMPROBIDADE e IRREGULARIDADES com recursos públicos.

Agora, fatos de bastidores, que ninguém vai publicar, nem mesmo constando do relatório, aprovadíssimo pela Alerj e publicado no Diário Oficial.

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PS – Durante o funcionamento da CPI, José Nader, pai, se desincompatibilizou e se aposentou para ser candidato a deputado estadual. Como José Nader, filho, é deputado estadual e não existem votos para os dois, resolveu encaminhar a documentação e os entendimentos políticos, para o filho assumir no TCE.

PS2 – A relatora, Cidinha Campos, gritou e retumbou: “José Nader pai, quer trocar de lugar com José Nader filho, isso é inacreditável e impossível, os dois são ladrões”.

PS3 – Com o cargo vago e com o protesto da relatora da CPI, Picciani se aproveitou, e aprovou como conselheiro seu chefe de gabinete, Aloísio Neves. Agora falta decidir quem será deputado estadual, o pai ou o filho.

PS4 – O relatório de quase 400 páginas da relatora da CPI, está cheio de fatos suculentos mas que não despertaram o apetite (jornalístico?) dos jornalões.

PS5 – A relatora ouviu dezenas de pessoas, que fizeram depoimentos impressionantes. Existem até gravações de personagens que se julgam personalidades. Foram citados convênios em valores enormes. Funcionários do TCE, ouvidos, disseram sem hesitação: “Esses convênios são ruinosos e desnecessários”.

PS6 – É o grande assunto político do momento, e não apenas no Rio. Se o Ministério Público encampar a denúncia, que reviravolta.

Informação-síntese-opinião

De Ciro Gomes, há dias: “Todos sabem que sou adversário de Serra, desde sempre. Ele é muito solitário, autoritário”. Do mesmo Ciro, em 1995, na revista PlayBoy: “Sou admirador do Serra, se ele fosse candidato a presidente, votaria nele”.

De Joaquim Nabuco sobre Rui Barbosa, citado por Murilo Mello Filho, no seu livro: “Rui era uma máquina cerebral”.

Do ditador-coronel Chávez, que se julga democrata e nada atrabiliário: “Não sei quando deixarei a presidência”. Ninguém sabe, o povo da Venezuela gostaria de saber.

Do cada vez melhor Veríssimo no Globo: “O Serra é tão chato em comício, que o o público aplaude microfonia”. Bestial, pá.

De um  cidadão anônimo, atento e opinativo: “Serra e Dilma, cabralzinho e garotinho, Tom e Jerry, prefiro a terceira dupla e com os mesmos resultados de sempre.

Eros Grau ainda acha que é candidato a imortal

Alberto Fagundes:
“Jornalista, o senhor disse que na eleição da Academia, só ficaram dois candidatos: Holanda Cavalcanti e Moniz Sodré. Mas aqui em Brasília, o ministro do Supremo, Eros Grau, continua dizendo que é candidato, vai para o segundo turno e pode ganhar. Quem está certo, o senhor ou ele?”

Comentário de Helio Fernandes:
Deixa explicar: o ministro tem 50 por cento de certeza e a outra parte de pura imaginação. Ele realmente ainda é candidato. Mas como não tem mais de 5 ou 6 votos, não vai, DE MANEIRA ALGUMA, para o segundo turno. Por isso, escrevi que existem apenas dois candidatos.

Mas deixei bem claro, que no dia 3 de junho, pode não haver nenhum eleito, e marcada outra data, com novas inscrições. Como pelo menos 10 ou 12 acadêmicos  não se decidiram, nem os dois têm segurança sobre a escolha, mesmo sendo apenas eles os candidatos.

Mercadante e Alckmin no Pacaembu

Foram ver o jogo do ano, jornalões disseram: “Os dois candidatos ao governo paulista, viram o jogo juntos, são santistas” Nem meia verdade sobre as candidaturas. Mercandante não chega ao segundo turno, Alckmin pode ganhar no primeiro.

Belluzzo e pouco uso

O que se diz nos circulos palmeirenses, entre conselheiros, dirigentes, sócios, torcedores e até jogadores: “Quem tiver (ou sofrer?) veto do atual presidente, se elege disparado”. Ele é exatamento o que está no título desta nota.

Dorival Júnior faz
residência, como médicos

Nos últimos seis anos, morou em várias cidades. Florianópolis em 2004. E depois, seguindo: Fortaleza, Recife, Curitiba e Rio. Sempre campeão, com o Vasco na série B. Agora com o Santos, o único que não é em capital de estado. Mas é a cidade dos “meninos”.

Me engana que eu gosto

Carlos Chagas

Nada como um ano eleitoral para o Congresso enganar o cidadão comum. Às vésperas de eleições, deputados e senadores procuram dar a impressão de estar esvaziando o saco de maldades inflado nos anos anteriores contra a população. Tudo fita. Meros expedientes para confundir os trouxas.

Tome-se a votação, na Câmara, esta madrugada, do  reajuste de 7.7% para os aposentados que recebem acima do  salário mínimo. Festa nas galerias e queixos empinados, no plenário, todos celebrando haver o Legislativo feito justiça para com os velhinhos desprezados pelo poder público.

Mentira pura. Sabem  os deputados que o presidente Lula vetará o projeto, se ele vier a ser, como será, aprovado pelo Senado. Mas ficaram todos felizes, só faltando irem de mãos dadas  para a praia, como no genial filme de Jules Dassin, “Nunca aos Domingos”, estrelado pela fantástica Melina Mercuri.

De tabela,  Suas Excelências aprovaram, também, a extinção do fator previdenciário,  criação abominável de Fernando Henrique Cardoso para em poucos anos nivelar por baixo todos os aposentados, condenados a receber apenas o salário mínimo. O presidente Lula também vetará a proposta, fiado em que sua popularidade não será arranhada.

No total, o governo alega que essas duas decisões acarretarão prejuízo de 15 bilhões de reais ao ano para os cofres da Previdência Social. Os aposentados que se danem, apesar da euforia com que saudaram a enganação.

A única saída para Dilma

Dilma Rousseff só tem uma saída: ignorar entendimentos políticos com o PMDB, o PP e sucedâneos, deixando de colher desilusões nos encontros recentes com os líderes partidários. Deveria botar o pé na estrada, claro que aquela rodovia  de várias pistas, asfaltada pelo presidente Lula. Precisaria  passar  a percorrer o país em tempo integral, importando menos se faz propaganda eleitoral antecipada.  Ficar ouvindo ressalvas e subterfúgios de Michel Temer e de Francisco Dornelles não leva a lugar  nenhum. Esses dois presidentes de partido, assim como montes de dirigentes, só entendem a linguagem do favoritismo. Estivesse a candidata  liderando as pesquisas e todos estariam postados à sua porta, de chapéu na mão. Foi assim quando, dois meses atrás, os números indicaram forte ascensão de Dilma,  resultando até mesmo num sentimento de arrogância do PT, que entendeu poder prescindir de apoios paralelos.

É claro que para ampliar suas possibilidades a ex-chefe da Casa Civil precisa do Lula. Deveria inverter a equação: em vez de ficar recebendo lições do primeiro-companheiro sobre como comportar-se em entrevistas, ou que terninhos vestir nos palanques,  Dilma precisaria olhar no olho dele e deixar claro: “Ou você mergulha de cabeça na campanha ou passará à História como tendo perdido a própria sucessão”.

O PMDB deixou para 12 de junho a palavra final sobre o engajamento com a candidata? Que fique na beira da estrada, até mesmo sem saber se Michel Temer será aceito como companheiro de chapa, na hipótese de as pesquisas voltarem a favorecê-la.  O PP tergiversa, com Dornelles acentuando que se pressionarem muito, poderá registrar-se um resultado adverso na convenção do partido? Que curta o dilema hamletiano, vendo  esmaecer a hipótese de  integrar o novo governo.

Em suma, ou Dilma passa da defesa ao ataque ou acabará enrolada nas espertezas partidárias.

Ou desmente, com provas, ou cai fora

Enquanto sucedem-se sutilezas parlamentares  em torno das eleições presidenciais, algo de muito grave acaba de ser denunciado: a Polícia Federal investiga ligações perigosas  entre o Secretário Nacional de Justiça, Tuma Júnior,  e o chefe da máfia chinesa, hipercontrabandista Paulo Li, por sinal hoje na prisão.

A acusação exposta no jornal  “Estado de S.Paulo” não deixa margem para debates esotéricos.

Tuma Júnior mantinha ou não relações com o criminoso, a ponto de permitir-lhe usar um cartão de visitas com os brasões  da República, onde se lê “assessor especial da Secretaria Nacional de Justiça”? Colocou ou não o indigitado chinês ao lado do presidente Lula, na solenidade de assinatura da lei que anistiou estrangeiros em situação irregular, no Brasil? Falavam-se com freqüência ao telefone, contratando fornecimento de aparelhos eletrônicos entrados clandestinamente no Brasil? Permitiu que o amigo agenciasse vistos de permanência entre nós, para estrangeiros sem documentação correta?

Tuma Júnior declarou não saber das atividades ilegais de Paulo Li, apesar dele se encontrar em  prisão  temporária. Pode ser, mas diante de tais denúncias,  ou comprova sua inocência ou deve pedir  exoneração ao ministro da Justiça, a quem se subordina.

Não é Bom-Bril

No Rio Grande do Sul, Tarso Genro perde para José Fogaça, nas pesquisas. Em Santa Catarina, Ideli Salvatti pensa até em desistir.  No Paraná, nem há candidato.  Em São Paulo, Aloísio Mercadante sofre a premonição de mais uma derrota. Em Minas, falta espaço para Fernando Pimentel. No Rio, procura-se alguém para o sacrifício.

Vale parar por aqui, mas a verdade é que o PT arrisca-se não só a perder a corrida para os governos desses estados,  mas a ver diminuídas suas bancadas na Câmara e no Senado. Serão fortes os reflexos no próximo Congresso, qualquer que seja o resultado da eleição presidencial: ou um governo dependendo da vontade dos outros, na hipótese da vitória de Dilma, ou uma oposição debilitada, caso vença Serra. A solução seria o presidente Lula entrar para valer nessas sucessões estaduais, como na de Dilma Rousseff, mas qualquer dia desses ele acabará desabafando que não é o Bom-Bril, aquela palha de aço de mil e uma utilidades.

Diferença entre Lula e FHC está nos salários

Pedro do Coutto

Em artigo publicado domingo simultaneamente no Globo e no Estado de São Paulo, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso apontou uma igualdade política econômica entre seu governo e o de Lula, frisando que os petistas aproveitam-se de avanços como suas conquistas efetivadas pelo antecessor. Alguns analistas econômicos surgiram nos jornais de segunda-feira dando razão aos argumentos de FHC. Pode-se dizer –penso eu- que estruturalmente há semelhanças e até igualdades em relação ao tratamento dado ao capital. Tudo bem. Entretanto, no plano salarial, as diferenças são bem marcantes.

Não no que se refere ao salário mínimo, do qual todos os demais são múltiplos. Os realinhamentos percentuais do piso nacional são convergentes, tanto de 95 a 2002, último ano de FHC, quanto nos quase oito anos de Luis Inácio da Silva. Porém nos demais salários as diferenças se impõem. Do reajuste quase igual a zero da era FHC à atualização anual na base dos índices do IBGE, era Lula, vai uma diferença enorme. Está neste fato, acredito, um dos mais fortes segredos da popularidade do atual presidente em relação à popularidade negativa de seu antecessor.

Da mesma forma que no mundo, entre 6,5 bilhões de seres humanos, não existe um igual ao outro, nenhum governo é idêntico àquele ao qual sucedeu. Previsões nesse sentido sempre falham. Vejam só os leitores: o general Ernesto Geisel fez do general João Figueiredo seu sucessor. Na articulação para tanto, manteve o também general Golberi do Couto e Silva na Casa Civil. Continuidade? Durou pouco a presença de Golberi. Em maio de 81, no episódio Riocentro, saiu do governo. Voltando às comparações entre Lula e FHC identificam-se diferenças extremamente acentuadas. Basta consultar os números.

Antes de alguns números, e depois da divergência quanto à política salarial, verificamos uma alteração substancial na política do crédito. Os juros continuaram disparados em relação às taxas inflacionárias, mas no governo Lula houve uma flexibilidade muito maior no que se refere aos prazos de pagamento. Daí que a população encontrou condições de consumir mais. Esta é uma outra face que explica a aprovação do atual governo passar de 70%, conforme revelam o Datafolha e o Ibope.

De um lado o consumo, de outro a produção, com os salários e a inflação no meio. A sociedade está, de modo geral, muito mais preocupada com o consumo do que com a produção. Karl Marx, um gênio como analista, enganou-se exatamente neste ponto ao assumir o papel de doutrinador. O acesso mais fácil ao crédito é uma outra explicação para o êxito do atual presidente.

Há diferenças acentuadas na dívida interna e no comércio externo. FHC recebeu a dívida mobiliária interna, de Itamar Franco, na escala de  63 bilhões de reais. No final de seu governo, ela havia crescido para 700 bilhões, praticamente 12 vezes. Lula a recebeu na casa dos 700 e apenas a duplicou ao longo de oito anos. FHC deixou os juros para rolagem da dívida interna em 26% a/a. Lula vai deixar na base de 9,5% por doze meses.

As exportações com FHC convergiam em torno de 70 bilhões de dólares. Com Lula, as exportações passaram de 140 bilhões e as importações atingiram ewm torno de 100 bilhões. O comércio externo, como se vê, deixa Lula muito melhor na fotografia. Claro que este êxito influiu na conjuntura total da administração. Pois não existe nada no mundo que deixe de causar algum efeito, algum reflexo. Lula obteve uma disponibilidade de dólares muito maior do que FHC em face do salto nas exportações. Como se consta, as diferenças entre um governo e outro são bastante visíveis. E, sobretudo sensíveis produzindo reflexos na aprovação de Lula pela opinião pública do país. O povo pode não saber analisar. Mas sabe sentir.

Os dois candidatos continuam únicos, não existe campanha, são apenas PRÉ

Tenho dito e repetido. Fazem uma força enorme, não se consolidam, nem Dilma nem Serra. Enquanto não fizerem a reforma partidária, tudo será igual. Existem candidatos, mas não houve convenção. E quando existirem, surgirão apenas esses dois nomes.

Se aparecer mais algum, provavelmente será apenas para garantir o segundo turno. Enquanto isso, executam apenas a “sonata e fuga”, de preferência por lugares ou locais que não irritem o Tribunal Eleitoral, que vai se ridicularizando com essas multas sem o menor sentido.

Por enquanto bastaria citar o livro famoso de Eric Maria Remarque, sobre a Primeira Guerra, dita mundial: “Nada de novo no Front Ocidental”. Novidade? Só os vices.

Petróleo amaldiçoado: 40 bilhões de dólares desperdiçados

A British Petroleum foi a responsável (?) pelo vazamento que atingiu duramente 4 estados americanos. Obama já disse publicamente: “A companhia inglesa terá que pagar (imediatamente) o prejuízo”. Não é certo que paguem.

Esse desastre pode influenciar o eleitor que votará amanhã para decidir quem governará a comunidade. O primeiro-ministro Gordon Brown, quase certo, não continuará.

A Grã-Bretanha voltará aos tempos em que era governada por 3 partidos, como acontecerá agora. Ao contrário do que muita gente acredita, Grã-Bretanha e EUA não têm bipartidarismo. Só que os eleitores preferem se dividir em apenas dois partidos, mudando o comportamento, raramente. Como deve ocorrer amanhã.

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PS – Brown foi primeiro-ministro por acaso e, dizem, “habilidade política”. Era ministro do governo Tony Blair (considerado a maior revelação trabalhista dos últimos 50 anos), derrubou-o, ficou no seu lugar.

PS2 – Como não é brilhante, competente e tem precária liderança, governou muito contestado. Só não foi retirado do Poder por faltar pouco tempo. Esperaram a eleição de amanhã.

PS3 – Depor duas vezes o mandato de 4 anos, do mesmo primeiro-ministro, seria uma inovação internamente (entre os Trabalhistas), considerada perigosa.

PS4 – O precedente: governo de Margareth Thatcher. Foi eleita 4 vezes, 4 mandatos de 4 anos cada. Cumpriu 12 anos dos 3 primeiros. Começou o quarto, ficou apenas 1 ano, derrubada.

Com claustrofobia, vereadores querem mais espaço, mesmo longe da Cinelândia. Pretendem construir anexos, como a Alerj. No Porto, longe, lugar lindíssimo, perto do mar

A primeira construção estatal do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, foi inaugurada em 1875. Sede da Câmara Municipal dos Intendentes, majestosa e até excêntrica. Logo batizada de “gaiola de ouro”, por causa de suas inúmeras janelas (parecendo cárcere de pássaros), e por ser toda pintada de amarelo.

No que seria depois a turbulenta Cinelândia, concentração maior de divergências políticas populares, ficava isolada, o “Rio antigo” predominava. Pereira Passos nem havia nascido, quanto mais transformado a cidade.

Depois, aquele pedaço ficou sendo o mais movimentado e frequentado, ganhou até reputação artística com a construção, bem em frente, do Teatro Municipal. Foi doação do governo da França. Era a cópia integral do Teatro da Ópera de Paris.

Ao lado da Câmara e do Teatro Municipal surgiu o “Amarelinho”, que se transformou num local obrigatório para artistas em geral, jornalistas, compositores. Destaque para Orestes Barbosa, o grande criador do “Chão de Estrelas” e outros sucessos. Como era diretor-administrativo da própria Câmara e morava na Ilha de Paquetá, cuja última barca saía às 10 da noite, quase sempre perdia a hora, dormia no próprio gabinete.

A partir de determinada época, ficou também intransitável, por ser caminho do popularíssimo “Bola Preta”, que movimentava dezenas de milhares de fanáticos admiradores.

Quase 100 anos depois, continuava a ser chamada de “gaiola de ouro”, só que a denominação vinha da corrupção, que já dominava o Brasil inteiro. Apesar do fato de que Juscelino levou uma parte enorme dessa corrupção para desfraldar em Brasília. Mas antes disso, teve um período de destaque, glória e consagração.

Depois de transformada em Câmara de Vereadores, ficou mais de 10 anos fechada, por causa da ditadura do Estado Novo. A Constituição de 1946 determinou eleições municipais para 19 de janeiro de 1947, e o Rio de Janeiro foi privilegiado, pois elegeu a melhor Câmara Municipal de todos os tempos.

Eram 50 vereadores. O Partido Comunista elegeu 19, a UDN 12, o PTB 11, o que dá 42. Os outros 8 foram preenchidos por partidos pequenos e o PSD (o maior partido nacional) fez apenas 2, o Rio sempre foi oposicionista.

Era um espetáculo diário, aulas de debates do começo ao fim. Naquela época o Partido Comunista era inteligente, sabendo que sem o PTB e a UDN não elegeria o presidente, lançou o nome do poeta Jorge de Lima, da UDN, progressista e popular, ganhou com extrema facilidade.

“A Noite”, o jornal de maior circulação do Rio, escolhia anualmente o “poeta mais popular”. Uma vez ganhou Olegário Mariano, que foi embaixador em Portugal. E outra, Jorge de Lima, presidente da Câmara Municipal. Nessa época, o jornal era dirigido por Irineu Marinho, que deixou “A Noite” e fundou “O Globo” em 1925.

Em 1948 o Partido Comunista foi colocado na ilegalidade, cassados os 19 vereadores. A Câmara ficou apenas com 31 vereadores, os suplentes não assumiram. Dentro do absurdo da decisão, o TSE (por 3 a 2 ) decidiu não empossar os suplentes. Justificativa: “Por que cassar comunistas que tinham votos, prestígio e representatividade, e substituí-los por desconhecidos?”.

O espetáculo perdeu a graça, Lacerda e Adauto Cardoso renunciaram, não por solidariedade aos comunistas, mas pela razão inquestionável: os mais brilhantes e atuantes foram embora, ficou apenas o vazio.

Em 1947 e uma parte de 1948, (antes da cassação e mutilação da Câmara) se debatia muito a construção do Maracanã. Ninguém era contra, o que se discutia era a localização do estádio e a corrupção do prefeito Mendes de Moraes. Este controlava tudo, comandando (e superfaturando) os materiais levados por caminhões, que entravam por um portão e saiam por outro, apenas para “resgistrar e descarregar materiais que não lelvavam”.

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PS – O mais importante presidente da Câmara Municipal dos Intendentes, foi Ubaldino do Amaral. Carioca, formou-se em Direito em São Paulo, e com 30 anos de idade, fundou em Sorocaba um jornal chamado “Ipanema”. Que como bairro seria conhecido pelo Brasil e o mundo, famosíssimo quase 100 anos depois.

PS2 – Já na República, Ubaldino foi ocupando os mais diversos e importantes cargos, RENUNCIANDO a todos, construindo biografia singular.

PS3 – Senador pelo Paraná, com mandato de 9 anos. Exerceu 2, RENUNCIOU. 2 – Eleito senador pelo Rio, ficou 3 anos, RENUNCIOU. 3 – Ministro do Supremo Tribunal Federal, RENUNCIOU.

PS4 – Prefeito do Distrito Federal, ficou pouco mais de 1 ano, RENUNCIOU. 5 – Nomeado presidente do Banco do Brasil, não chegou a ficar 6 meses, RENUNCIOU. 6 – Nomeado embaixador, esteve em vários países, inclusive a Corte Internacional da Haya, RENUNCIOU. 7 – Voltou ao Brasil, foi ser professor universitário, terminou a carreira aí.

A propósito da “dívida” e “doações”

Muita gente usa este espaço indevida ou impensadamente. Dizem: “O senhor não criticou Fernando Henrique Cardoso quando elevou os juros a 45 por cento ao ano”.

Não deixei de responsabilizá-lo um instante que fosse, e não apenas pela elevação espantosa dos juros. Não houve uma só “doação-privatização” que não tivesse o meu combate implacável, a começar pela Vale, o maior crime empresarial-hediondo dos últimos 25 anos.

E denunciei toda a COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO, (inclusive com nomes) por ter sido intermediária dos rombos e roubos de nossas riquezas. Essa Comissão “ajudou” FHC a trocar nosso PATRIMÕNIO INCALCULÁVEL, POR MOEDAS PODRES QUE NÃO PODIAM SER CALCULADAS.

De FHC, o retrocesso dos 80 anos em 8: “O embate entre PT e PSDB já dura 17 anos, É tempo de reavaliar as diferenças”. Basta comparar DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES e retomar o patrimônio nacional. E não é REAVALIAR e sim AVALIAR, Lula não fez o que devia ser feito.

De Ciro Gomes: “Lula está viajando na maionese”. Não há nada mais vulgar, sem sentido e, sem qualquer concessão ou contradição, insensato.

Manchete de O Globo em 5 de janeiro de 2003: “Lula decide regularizar propriedades nas favelas. Reportagem de agora, no mesmo jornal, assinada por Catarina Alencastro: “Lula escreveu mas não escriturou”. Queriam o quê? Só se passaram 7 anos e 4 meses.

A Grécia arranja 253 bilhões de dólares

Não é nada disparatado, assombroso ou inimaginável. Como o Brasil paga a banqueiros (globalizados) só para amortizar os juros, 9,5% por ano, e como “deve” 1 TRILHÃO E OITOCENTOS BILHÕES de reais, em 1 ano, 4 meses e 13 dias, entrega a usurários, mais da metade dos 253 BILHÕES do dólares que a Grécia receberá.

Em tempo: isso se não elevar os juros. Como vai aumentá-los mesmo, esse cálculo só vale até a próxima reunião do Copom.

O Itamaraty preocupado

Principalmente com a vitória de Dona Dilma. Nenhuma admiração ou preferência por Serra. Pura preservação da “carreira”. Três dos ministros que não se candidataram a cargo algum, gostariam de morar no exterior, o “olho grande” é numa embaixada.

E ainda há que pensar no futuro do chanceler. Apesar de estar no limite da aposentadoria, não quer ficar no Brasil. Provocou alegria geral, quando “ameaçou” se candidatar em outubro desde ano. Recuou, uma pena.

A distância entre o Congresso e a opinião pública

Carlos Chagas

Mais uma oportunidade perdeu o Congresso de acoplar-se ao sentimento nacional, especialmente às vésperas das eleições para a renovação dos mandatos parlamentares. Prevaleceu o interesse pessoal dos deputados na votação de ontem, na Câmara, a respeito do projeto da ficha-suja apresentado ano passado com a assinatura de 1 milhão e 600 mil cidadãos.

A proposta  tinha sido desfigurada em seu objetivo principal, que tornava inelegíveis quantos candidatos houvessem sido condenados pela Justiça, em primeira instância. Os líderes de quase todos os partidos mutilaram o texto, estabelecendo a negativa do registro de candidaturas apenas para os condenados por tribunais, quer dizer, em segunda instância. A morosidade do Judiciário em julgar as causas mais simples ensejaria longos anos de permissividade para os candidatos.

Esperava-se que na votação de ontem o plenário da Câmara restabelecesse o impedimento para condenados por sentença em primeira instância, mas isso não aconteceu. Pior ainda, foi mantida a cláusula de que qualquer mudança não valeria para as eleições de outubro deste ano, começando sua vigência nas eleições municipais de 2012.

Em suma, a distância entre o Congresso e a opinião pública permanece a mesma: quilômetros os separam. Ilude-se quem supuser o eleitorado rejeitando quantos votaram contra o projeto ficha-suja, ou tergiversaram empurrando a questão com a  barriga. Em maioria, serão reeleitos. Assim como os condenados por crimes diversos…

Fugir para Minas…

Os versos de Carlos Drummont continuam oportunos. O José quis fugir para Minas,  Minas não havia mais.

Deve cuidar-se o candidato José Serra, pois a chave de sua vitória nacional repousa nas Gerais. Quem primeiro percebeu a evidência foi o presidente Lula, vitorioso na tarefa de afogar o PT mineiro, atrelando-o à candidatura de Hélio Costa, do PMDB, com Fernando Pimentel candidato ao Senado. O ex-ministro das Comunicações continua liderando as pesquisas e se vencer Antônio Anastásia, conseguirá acoplar boa parte de seus votos na candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Um desastre para os tucanos.

Mais do que nunca permanece a certeza de que Serra só poderá obter a maioria dos votos mineiros caso venha a contar com Aécio Neves como seu companheiro de chapa. Nessa hipótese, até Anastásia se tornará um candidato competitivo. Fora daí o risco é de valer outra vez o verso do poeta: a festa acabou…

Continuam devendo

No rol dos temas ignorados pelos dois principais  candidatos presidenciais inclui-se a Amazônia. Alguém sabe qual  a estratégia de Dilma Rousseff e José Serra para enfrentar a sempre presente e  intensa investida internacional contra a Amazônia? Seguirão a política dos presidentes Fernando Henrique e Luiz Inácio de deixar a região cada vez mais entregue aos interesses das ONGs estrangeiras, das multinacionais e das tribos indígenas em breve transformadas em nações?

Inexiste, para os dois candidatos, um plano ordenado de desenvolvimento para esse imenso território. Sequer cuidam de aproximar-se do setor militar, único até agora preocupado com a preservação de nossa soberania na Amazônia. Nem Serra nem Dilma, sequer seus comandantes de campanha,  buscaram até agora inteirar-se dos riscos que ameaçam metade do país.

Mudança de guarda

Michel Temer, quase  feito companheiro de chapa de Dilma Rousseff, acaba de dar adeus à presidência da Câmara, que poderia conservar caso se candidatasse a novo mandato por São Paulo.  Vencendo ou perdendo a dobradinha oficial que disputa o palácio do Planalto,  outro precisará ser o comandante dos deputados. Por certo que na dependência da representação dos partidos. Imaginando-se que o PMDB permaneça como a maior bancada, dele  sairá o sucessor de Temer. Quem? Se pretensões  se desenvolvem, parecem silenciosas, tornando-se necessário, primeiro, que os pretendentes se reelejam.

No Senado é diferente. José Sarney dispõe de condições para continuar onde está, tratando-se de outra Legislatura e do fato dele continuar ainda por  quatro anos.  Não há registro de senadores que pretendam atropelá-lo.

Lula está conseguindo colar sua imagem à de Dilma

Pedro do Coutto

Ótimas reportagens de Welligton Bahneman, O Estado de São Paulo, Flávio Ferreira, Folha de São Paulo, e de Leila Su Wan e Sérgio Roxo, O Globo, todas três publicadas domingo passado, destacando a presença de Lula ao lado de Dilma Roussef nas comemorações de Primeiro de Maio, em São Paulo, apesar das críticas feitas ao uso do governo em favor de sua candidata, contribuíram exatamente para fortalecer o objetivo principal do próprio Lula: colar a sua imagem à imagem da ex-chefe da Casa Civil. Quanto mais se falar no assunto, melhor para Lula. Estará conquistando espaço fundamental para transformar as eleições presidenciais de outubro num verdadeiro plebiscito.

Das três matérias, a meu ver a melhor edição foi a do Estado de São Paulo. Sobretudo pelo aspecto visual. A Folha de São Paulo ouviu a direção do PSDB e obteve a informação de que o partido vai representar à Justiça Eleitoral contra o Planalto por usar um ato público oficial como se fosse um comício político e também por propaganda eleitoral antecipada. Se de fato agir assim, estará fazendo exatamente o que Luis Inácio da Silva deseja: ampliar o máximo a repercussão do episódio no sentido de que cada vez maior número de pessoas tenha conhecimento da continuidade administrativa que colocou e que esta continuidade tem o rosto e o nome de Dilma Roussef.

É claro que o presidente da República ultrapassou a lei. Mas quem poderá enquadrá-lo? A Justiça? Não. Falta autoridade. Pois não devemos esquecer que o Judiciário é o Poder que demora de 20 a 30 anos para julgar ações de pleno direito e executá-las, caso da indenização à Tribuna da Imprensa, e paralelamente em no máximo 48 horas concede habeas corpus seguidos ao banqueiro Daniel Dantas. Sabendo que a Justiça não possui firmeza ante o governo e é vista com desconfiança pela sociedade, o presidente Lula vai em frente. Não vai lhe acontecer nada, absolutamente nada. E quanto mais se falar no tema, melhor para ele e sua candidata.

Pois Dilma Roussef é agora personagem central das páginas políticas que está escrevendo. Falando francamente, o pior que o PSDB pode fazer é recorrer ao TSE contra o comportamento presidencial. Fará plenamente o que Lula deseja. Ocupar o maior espaço possível na mídia para sublinhar o apoio à sua candidata. O assunto preferido de Lula, como sua aparição na TV na véspera do Dia do Trabalho e sua presença, com Dilma, nas comemorações assinalou, é a continuidade administrativa.

Isso de um lado. De outro, sob o prisma político, Lula deixou claro que vai se empenhar a fundo na campanha para elegê-la. Seu comparecimento no Primeiro de Maio, transformando um ato oficial em claro comício, deixou nítido o seu empenho e a intensidade de sua participação direta na campanha. Ele revelou, desde a submersão da candidatura de Ciro Gomes, que está disposto até a dispensar aliados em potencial para o segundo turno. Ele tem uma popularidade superior a 70 por cento, como revelam o Datafolha e o Ibope, e o peso da máquina federal a seu lado. Não é pouco. José Serra e o PSDB têm razões para se preocupar. Serra está na frente das pesquisas. Tanto assim que a campanha de Dilma passa por mudanças. Isso hoje, manterá a dianteira ao longo do caminho das urnas? Eis aí um pergunta de difícil resposta.

Eleição na Academia pode ir para o segundo turno

Falta exatamente 1 mês para a eleição na Academia. Encerradas as inscrições, sobraram 2 candidatos: Holanda Cavalcanti e Muniz Sodré. No momento é possível, que mesmo só com dois candidatos, ninguém se eleja no primeiro turno.

Motivo: muitos acadêmicos ainda não se definiram, existe pouca diferença entre os candidatos. Ziraldo trabalhou muito no início, principalmente em pesquisa. Constatando que não passava de 6 ou 7 votos, não se inscreveu.

Temer não é vice, apenas vice-versa

Politica e eleitoralmente, ninguém consegue entender a insistência do PMDB indicando Temer e a inconsequência de Dilma em aceitá-lo. Primeiro, que isso representa submissão e subserviência explícita ao PMDB.

Segundo, que Temer não tem voto pessoal, e coletivamente divide o partido. em suma: não há suma. Quem está orientando a campanha de dentro do Planalto-Alvorada?