VARIADAS, com Millor, Fernanda Montenegro e mais e mais na mesma mesa, e com Garotinho, Itagiba, Gabeira, Vladimir, Benedita, Tiririca, Maluf etc,

Almoçando no Satiricon, na mesma mesa: Millor Fernandes, o eclético diplomata Fortuna, o geólogo Gravatá, a grande atriz Fernanda Montenegro, o arquiteto Paulo Casé, o criminalista Técio Lins e Silva, a competente e cada vez mais bonita Fernandinha Torres.  XXX  Alguém passou, viu tantas estrelas, perguntou: “Quanto se paga de royalties para almoçar nessa mesa?  XXX  Ainda não existe levantamento mesmo aproximado da votação dos candidatos a deputado, principalmente federal.  XXX  Como das outras vezes, existe ou existirá um “puxador” por legenda.  XXX  O PR, sem dúvida, terá na frente, o ex-governador Garotinho.  XXX  A coligação do Gabeira deve ser liderada, em votos, por Marcelo Itagiba. Delegado de carreira, foi excelente Secretário de Segurança, competência que vem repetindo na Câmara.  XXX  Romário será o mais votado do Partido Socialista, nem sei se seus eleitores saberão o que é isso.  XXX  Vladimir Palmeira e Dona Benedita se elegerão pelo PT, uns colocam ela na frente, outros prevêem mais votos para ele.  XXX  Dois presidenciáveis estiveram no Rio com Gabeira: Serra e Dona Marina. Incrível, nada disso reflete na presumível votação dele, mesmo que seja apenas representada pela pesquisa.  XXX  Muitos seguidores, aqui mesmo, defendem que “Tiririca é muito melhor do que Maluf”. Essa comparação não é um bom critério para garantir a consolidação da REPRESENTATIVIDADE.  XXX  Mas, apenas para argumentar: em que Lutfalla Maluf é melhor do que alguém?  XXX  Ele “representa” melhor os 500 mil votos que obteve para deputado em 2006, ou os 423 milhões de dólares, QUE NÃO TEM NO EXTERIOR?  XXX

Uma decisão fundamental

Carlos Chagas

Caso permaneça em vigência a liturgia do Supremo Tribunal Federal, que sempre foi de enfrentar as questões, evitando protelá-las, amanhã será dia decisivo para as instituições. Se nenhum ministro pedir vista do processo, estará sendo julgado o recurso de  Joaquim Roriz, cujo pedido de registro para concorrer a  nova eleição de governador de Brasília foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo relator na mais alta corte nacional de justiça.

De um lado, a voz rouca das ruas, clamando pela aplicação  imediata da lei ficha-limpa para  impedir a candidatura de cidadãos antes condenados por sentenças colegiadas.

De outro, a Constituição, que estabelece não poder a lei nova retroagir para prejudicar, senão para beneficiar. Além da cláusula de que dispositivos legais modificadores das regras eleitorais precisam  ser aprovados um ano antes das eleições, caso  não configurado na ficha-limpa, do começo deste ano.

Um embate para ninguém botar defeito, com poderosos argumentos de lá e de cá. Por isso os dez ministros do STF estariam divididos em suas opiniões. Cinco a cinco, situação que levará o presidente da casa, César Peluso, a decidir. Admite-se estar ele com a Constituição, por mais amarga que seja a decisão, capaz de permitir a um monte de condenados disputarem o voto popular sem constrangimentos.

Sempre haverá a hipótese de a solução deixar de ser conhecida amanhã. Há quem suponha o Supremo empurrando o problema com a barriga, para pronunciar-se apenas depois do dia 3 de outubro, quando pelo  menos uma parte  dos condenados terá sido cassada pelo eleitorado, derrotados muitos deles. Até Joaquim Roriz,  conforme as pesquisas. Resta aguardar.

UM LONGO CAMINHO

Apesar da farta propaganda que vem desde os tempos do governo José Sarney, salta aos olhos o longo caminho a percorrer para nos tornamos uma democracia exemplar. Tome-se São Paulo, o estado mais adiantado do país  em termos econômicos, sociais, artísticos e até esportivos. Está para ser eleito deputado federal  mais votado o palhaço Tiririca.  Nada contra a digna profissão dos palhaços, responsáveis por distribuir  tanta alegria ao longo das gerações. Só que o indigitado candidato não será conduzido à Câmara federal por conta de suas qualidades e  propostas de legislador. Será votado por ser palhaço, ou seja, receberá o voto de protesto de mais de 500 mil cidadãos precisamente por exprimir a rejeição popular aos políticos. O diabo é que levará com ele mais alguns candidatos da coligação a que pertence, na qual se integra o PT. No passado, São Paulo elegeu o “Cacareco”, impedido de tomar posse por tratar-se de um rinoceronte recém-adquirido pelo zoológico da capital. Minas já elegeu o bode “Cheiroso” e em outros estados tem acontecido situações parecidas. Seremos, mesmo, uma democracia?

ONDE INOVAR?

Por enquanto o objetivo é ganhar a eleição, que pelas pesquisas encontra-se a  um passo de Dilma Rousseff. Até por conta da campanha, mostra-se a candidata como um videotape do presidente Lula, prometendo continuar suas realizações,  até ampliá-las, mas sem ter apresentado até hoje um projeto pessoal, específico, em condições de marcar sua gestão. Trata-se de uma tática eleitoral, até necessária em função da vitória e da popularidade do primeiro-companheiro.

Fica, no entanto, a pergunta no ar: qual a marca da mais do que provável futura presidente da República? Onde ela vai inovar, ingressar na galeria dos governantes nacionais?

Será na ampliação dos direitos sociais, apesar de andar tão comedida a ponto de evitar pronunciar-se sobre a redução da carga de trabalho dos operários e assalariados? Faria retornar prerrogativas surripiadas pelos neoliberais, como a estabilidade no emprego, a co-gestão, o salário-família e um salário-mínimo capaz de prover o trabalhador e sua família  de meios efetivos para alimentação, moradia, vestuário, transporte, educação, saúde e até lazer?

Ou chegará a candidata ao palácio do Planalto disposta apenas a manter o bolsa-família, sem cuidar de avanços à altura do programa do PT?

Terá condições de reverter a farra das privatizações que despojou o estado brasileiro de sua soberania, entregando ao estrangeiro o subsolo, as telecomunicações, montes de indústrias de base e até a Petrobrás?  Conterá a sanha especulativa das elites financeiras, a começar pelo lucro dos bancos? Disporá de um projeto para conter a marcha da violência e do crime organizado, acima e além de instalar postos policiais nas favelas do Rio?

Tudo isso e muito mais a candidata continua devendo, ainda que se entenda porque não avançou. Terá tempo, entre a proclamação do resultado das urnas e sua posse, no primeiro dia do próximo ano.

O NOVO CONGRESSO

Intensa blitz vem sendo desenvolvida pelo governo e o PT no sentido de convencer o eleitorado de que não basta votar em Dilma Rousseff, porque precisam ser eleitos deputados e senadores capazes de formar maioria no futuro Congresso. E não se trata, essa campanha, de estimular a vitória dos candidatos do PMDB. Muito pelo contrário, o objetivo é ampliar as bancadas do PT e penduricalhos, de modo a poderem enfrentar uma possível hegemonia do partido do vice-presidente Michel Temer.  Traduzindo: os companheiros reivindicam a presidência da Câmara e,  como objeto de negociação poderão, até, ameaçar a presidência do Senado, hoje  garantida para a continuação de José Sarney.

Não parece de graça que o presidente Lula aumentou o diapasão de seus pedidos de voto para os candidatos do PT e afins. Rupturas na base oficial, antes do tempo, de jeito nenhum. Mas seria bom que Temer tomasse cuidado.

Se o STF não decidir esta semana, impugnados estão fora

Pedro do Coutto

O ponto de inflexão do tema está no título. Sem dúvida, se o Supremo Tribunal Federal não decidir esta semana se a Lei Ficha Limpa está valendo para esta eleição, ou se só vale a partir do pleito municipal de 2012, os candidatos impugnados pelo Tribunal Superior Eleitoral, caso de Paulo Maluf, Joaquim Roriz e Jader Barbalho, não poderão definitivamente ser votados nas urnas de 3 de outubro. Assim, os respectivos números terão que ser desprogramados do mapa eleitoral eletrônico. O TSE já firmou sua posição, favorável à validade imediata da lei que teve origem na iniciativa popular de quase 2 milhões de eleitores. O Supremo, dividido, tem dúvida.

Joaquim Roriz entrou com uma ação de declaração de inconstitucionalidade. Ele acha que, pelo texto constitucional, a limitação teria que vigorar só a partir do primeiro ano após a matéria complementar ser votada. Em 2011, portanto. Mas como no próximo ano não há eleições, a Ficha Limpa só seria exigida a partir de 2012. Há um impasse no tempo. Só que o tempo é curto. No momento em que escrevo restam apenas doze dias para abertura das seções eleitorais.

O Supremo, no momento, está com dez ministros. Eros Grau se aposentou. Publicou-se por aí que o placar estaria 5 a 5. Não dá para declarar a inconstitucionalidade. Além do mais, se algum magistrado pedir vista do processo, isso corresponderá a transferir a decisão final ao TSE. Como esta já resolveu e, inclusive, editou uma súmula, a inelegibilidade dos impugnados tornar-se-á irrecorrível. E, como sem registro ninguém pode concorrer, de acordo com a lei 9504/97, os Tribunais Regionais terão que se dirigir ao cérebro eletrônico para retirar de suas relações os sinais numéricos dos excluídos. Sim. Porque pela legislação ninguém pode disputar eleição sem registro. Assim, permitir a computação teórica dos votos aos candidatos impossíveis seria o máximo possível em matéria de absurdo e violação da lei eleitoral.

Portanto não tem cabimento algum, como chegou a admitir o ministro Ricardo Levandowsky, permitir que tais votos fossem contados, ficando para depois do vendaval das urnas o desfecho definitivo. A confusão, especialmente quanto aos votos proporcionais das legendas, seria total. Não daria para entender nada.

BERGHER, TESTEMUNHA DO TEMPO

Nestas eleições, o deputado Gerson Bergher, candidato à reeleição para a Alerj, não é apenas o mais antigo político em atividade, mas é também o único sobrevivente da geração de 60 que resistiu às tempestades que se sucederam no país e no Rio de Janeiro meio século que separa a constituinte do recém-criado Estado da Guanabara das urnas de daqui a doze dias. Bergher é uma testemunha do tempo. Elegeu-se constituinte da GB pelo Partido Socialista Brasileiro, juntamente com a jornalista Adalgisa Nery. Adalgisa divorciada do pintor Ismael Nery, era casada com Lourival Fontes, chefe do famigerado DIP, ditadura do Estado Novo, a partir de 51 chefe da Casa Civil do governo constitucional de Vargas. Com a morte de Getúlio, elegeu-se senador por Sergipe. Titular da coluna Retrato Sem Retoque, jornal Última Hora, Adalgisa foi por seu turno tanto uma grande testemunha do varguismo quanto testemunha do tempo político brasileiro. Já não vive mais.

Gerson Bergher está firme. Possui sólidos laços com a comunidade judaica e sua atuação legislativa é bastante positiva. Reeleito diversas vezes, é autor da lei que determinou a vacinação gratuita, a que limita a espera nas filas dos bancos, a do combate ao fumo no RJ, a que diminuiu em 50% o preço dos ingressos dos idosos em teatro e cinema, a que obriga os ônibus a terem um piso de acesso para os que têm dificuldade de movimentação. É autor também da lei que criou o Bosque Jerusalém na Barra da Tijuca. Trabalhou. Deve ser reeleito.

Por que gastam tanto em pesquisas eleitorais? E por que a Confederação Nacional do Transporte tem tanto interesse em bancar pesquisas políticas?

Nogueira Lopes

Alguém poderia explicar por que motivo a Confederação Nacional do Transporte (CNT) se interessa tanto em patrocinar pesquisas eleitorais, especialmente sobre a disputa presidencial? Já faz isso há quase 20 anos.

O mais intrigante é que os resultados dessas pesquisas CNT/Sensus  é sempre divulgado pessoalmente em entrevista coletiva de Clesius Andrade, que vem a ser uma espécie de presidente vitalício da entidade, como Ricardo Teixeira na CBF.

A única coisa que se sabe é que, no embalo dessas pesquisas, Clesius Andrade conseguiu se tornar vice-governador de Minas Gerais no primeiro mandato de Aecio Neves, que dele só se livrou quando partiu para o segundo mandato.

Filhos de Marta atrapalham a campanha

Os três filhos da candidata Marta Suplicy (Supla, João e André) fizeram uma música e gravaram um clipe para a campanha da mãe. A letra é de uma pobreza que contrasta com a riqueza da familia Matarazzo Suplicy: “Vi minha mãe sair pra luta/ Vi minha mãe se distanciar/ Vi minha mãe sair do lar/ Para ao povo se dedicar”.

Resultado: na corrida para o Senado em São Paulo, Marta foi ultrapassada pelo cantor Netinho de Paula (do grupo Negritude Junior), cujos filhos têm mais o que fazer e não gravaram nenhum jingle.

Luciana Gimenez é destaque em Londres

O tablóide britânico “Daily Mail” dá destaque à gravidez de Luciana Gimenez. O jornal informa que Lucas Jagger ganhará um irmão. Na reportagem, a apresentadora é chamada de “a mulher que acabou com o casamento de Mick Jagger e Jerry Hall”.

Este será o primeiro filho de Gimenez com o marido Marcelo de Carvalho, que é dono da Rede TV! Eles se casaram em agosto de 2006. Quanto à relação com Jagger, líder dos Rolling Stones, foi meteórica.

Madonna põe a filha numa escola pública

Lourdes Maria, a filha de Madonna, começou a estudar numa escola pública de Nova York, a “LaGuardia Arts”, que inclui no currículo do ensino médio o aprendizado de música, artes e interpretação.

Imaginem se a familia Madonna, por causa do marido Jesus Luz, viesse morar no Brasil. Será que a garota seria matriculada em alguma escola pública?

Unicef já desenvolve 60 projetos no Brasil

Vai muito bem a Unicef no Brasil, onde estão sendo simultaneamente desenvolvidos cerca de 60 projetos, espalhados pelo país. Esse trabalho é conduzido pela especialista francesa Marie-Pierre Poirier, formada pelas Universidades de Paris e Harvard (EUA).

Marie-Pierre trabalha na Unicef desde 1984 e está dirigindo a representação em Brasília há  seis anos. As metas atuais da Unicef para defender as crianças e adolescentes do Brasil são as seguintes: Sobreviver e se desenvolver; Aprender; Proteger(-se) do HIV/Aids; Crescer sem violência; Ser prioridade nas políticas públicas.

Benathar na torcida pela volta da Tribuna

Roberto Benathar, famoso médico e professor universitário, é apaixonado por jornais e está torcendo pelo relançamento da “Tribuna da Imprensa” em versão impressa, onde ele publicou muitos artigos e entrevistas de caráter cultural, desde os tempos do Suplemento Literário da “Tribuna”. Ele lembra de um conselho de Helio Fernandes que mudou sua vida: “Todo esforço cultural reverte em favor do povo”, diz Benathar, acrescentando que a “Tribuna” faz muita falta ao Brasil.

Bernard Shaw e a necessidade de mudar

Para quem acha que vai mudar alguma coisa com a próxima eleição, é sempre bom lembrar o filósofo, dramaturgo, romancista, contista e ensaísta irlandês Bernard Shaw, que avisava: “O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.”

Decodificando os discursos: os apoios e os acordos nas próximas eleições

Guilhermina Coimbra

Lembrando Cícero em Roma contra Catilina – continuamos a decodificar os discursos.  Programas vitais de infraestrutura do Brasil não podem ser prejudicados e não podem ser interrompidos – em razão dos futuros períodos de transição do novo governo eleito pelos brasileiros.

No Brasil do próximo governo, até que reestruturem Ministérios e empresas públicas, definindo prioridades, o setor energético nuclear – atualmente, gerador de mais de 50% da energia elétrica econômica, fornecida à população da Região Sudeste brasileira – não pode ficar à mercê da inconstância de decisões governamentais, subordinadas aos apoios recebidos nas eleições.

Os apoios conquistados não podem ter como objetivo: 1) compromissos assumidos nacionalmente (com construtoras de outros tipos de usinas dispendiosas, de operação em longo prazo, devastadoras de florestas, da fauna, da flora, da biodiversidade, ou, com construtoras, fornecedoras de equipamentos de outros tipos de usinas, já, testadas e não utilizadas pela inviabilidade do custo-benefício, nos Estados desenvolvidos); 2) e compromissos assumidos internacionalmente (com os interessados em não perder o Brasil-fornecedor de matéria-prima in natura barata, isto é, sem o valor agregado da tecnologia brasileira; com os interessados em não-permitir que o Brasil deixe de ser o Estado-extrator-preferencial; e com os interessados em proibir, através desses “acordos de futuros-Executivos do Brasil” a concorrência do Brasil no mercado internacional da energia nuclear).

É interesse público que as dotações orçamentárias do próximo governo não dependam dos compromissos assumidos, em troca de apoios internos e, ou, externos, para eleger quem quer que seja para o governo do Brasil.

Em termos de desenvolvimento do setor energético, para infraestruturar o país, a energia nuclear tem papel fundamental que não pode ser estancado por nenhum compromisso assumido à revelia dos princípios que informam a administração pública: legalidade, impessoalidade, publicidade, moralidade e eficiência.

Eficientemente, se não ocorrerem as habitualmente vergonhosas contra-ordens vindas “de cima” no governo brasileiro que vier a se instalar, paralisando a política energética nuclear – em seis anos, o Brasil terá capacidade de atender a toda demanda nacional de tecnésio-99, radiofármaco utilizado em 90% dos exames da medicina nuclear e terá construída a Usina Nuclear Angra 3, interrrompida há mais de 24 anos, com prejuízos incalculáveis para os contribuintes de fato e de direito brasileiros.

É interesse público brasileiro que essas atividades não se submetam às “prioridades” de cada governo eleito, no Brasil.

Os residentes no Brasil acompanham atentamente este lamentável processo de “go and stop” utilizado em finais e inícios de governos. Cada interrupção em projetos de capital intensivo, como os acima citados, provoca o aumento dos custos, a perda da capacitação tecnológica arduamente conseguida, e a desmobilização de recursos humanos qualificados e preparados, a custa do erário público brasileiro (Inimaginável que, a exemplo do que ocorreu com a estatal brasileira do petróleo, os recursos humanos da área da energia nuclear venham a ser aproveitados em benefício dos contribuintes de outros Estados).

A investidura e o exercício de atividade pública pelos órgãos e funcionários do Estado se submetem ao princípio de estrita legalidade que só lhes permite fazer ou abster-se de fazer o que a lei permite. Ao contrário do cidadão não investido em função, que se orienta pelo princípio, segundo o qual, o que não é proibido pela lei é porque é permitido – o administrador público (por eleição, concurso público, ou, nomeação) única e exclusivamente, somente pode fazer o que lhe é expressamente permitido pela lei.

A lei é quem decide e autoriza, ou não, o administrador público a decidir discricionariamente. O poder discricionário é o poder de governar, sempre vinculado à Constituição Federal e à hierarquia das leis – Emendas, Leis Complementares e Leis Ordinárias, de acordo com os critérios de conveniência e oportunidade do governante, consultando sempre a finalidade pública de seus atos.

A finalidade pública exige que a atuação do próximo governo dê continuidade ao Programa Nuclear Brasileiro: já foi gasto um dinheirama que saiu do bolso dos professores das escolas e das universidades públicas, dos médicos de hospitais públicos, dos funcionários públicos e dos bolsos de todos os que descontam na fonte, em folha de pagamento. Desse modo, há que se entender que, os critérios de conveniência e oportunidade do administrador público não permitem ao próximo governo do Brasil exercê-lo contrariando o interesse da população brasileira.

Um dos maiores interesses, senão o maior, dos que residem no Brasil é o de não ver o novo governante a ser proximamente eleito, interromper os programas de infraestrutura do país.  Infraestrutura começa pelo setor energético. Energia é o sal da vida, a mola mestra, a espinha dorsal do país.  Para infraestruturar o país, quanto mais econômica e não-poluente for a energia, melhor.

A energia mais econômica e menos poluente do mundo é a energia nuclear – assim considerada pelo Protocolo de Kioto-1989 (razão pela qual é utilizada por todos os países desenvolvidos, quer tenham ou não tenham, nos respectivos subsolos, as fontes da preciosa matéria-prima nuclear: urânio (o combustível do Século, nióbio, lítio, tório entre outros minerais energéticos nucleares).

A energia nuclear é considerada a mais econômica, porque, para se montar uma usina nuclear, não é necessário indenizar, desapropriar, desalojar, realojar, derrubar florestas, inundar, as usinas nucleares são portáteis: podem ser instaladas perto dos grandes centros consumidores, barateando, não somente os custos de instalação, como, e principalmente, o preço da sua distribuição. A energia nuclear tem que ser considerada, pelos benefícios que traz para os residentes no Brasil, uma prioridade nacional – e acordo de executivo algum pode deixar de respeitar essa prioridade.

Aceitem e respeitem o fato de que o Brasil amigo e inclusivo país é industrializado, de cuja infraestrutura nuclearmente montada, não pode abrir mão. A história demonstra que o fato de já ocorreu antes. Doeu, mas, passou  (Canadá e Austrália). O Brasil merece respeito.

Problemas da morosidade estão na própria justiça do Trabalho

Roberto Monteiro Pin ho

A justiça brasileira há muito vem dando sinais de fadiga no processamento administrativo e dos atos dos seus integrantes (servidores e juízes) dos processos que tramitam no jurisdicionado. A Justiça do Trabalho que por excelência tem a tutela das questões divergentes dos contratos de trabalho, e por isso é responsável pela solução do conflito a luz da questão social, por se tratar de verba alimentar, não está dando conta da sua atribuição, nem por isso admite, a existência de meios alternativos de solução desses conflitos.

Quando ocorre a retenção dos autos do processo por um advogado, o juiz intima o patrono, sob pena de responder criminalmente pelo seu ato, isso porque, e com razão, se trata de uma forma obliqua de postergar direitos. Mas quando ocorre a retenção por parte do juiz, não existe a clara luz, (existem atualmente no Congresso quatro PLs em andamento com previsão de punição a juízes) dispositivo que possa, com a mesma ênfase, forçar ao andamento do feito, a não ser as petições de praxe, que não surtem o menor efeito junto ao magistrado.

A prova latente de que as mazelas do próprio jurisdicionado travam o andamento das ações, estão na medida tomadas pelo CNJ, que imprime exaustiva campanha de Metas, para diminuir o encalhe.  A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, lança esta semana em São Paulo (SP), o projeto “Judiciário em Dia”, que vai promover mutirões de julgamento com o objetivo de dar maior agilidade à tramitação dos processos no Judiciário brasileiro.

De acordo com as informações do CNJ, o projeto começará pelo TRF3, através de convênio  assinado com o corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Francisco Falcão, e o presidente do TRF3, desembargador Roberto Haddad. O mutirão terá seis meses de duração e vai agilizar a conclusão das ações do TRF3. A força tarefa contará com a participação de desembargadores, juízes federais e servidores do TRF3, assim como representantes do Conselho da Justiça Federal e do CNJ.

Ao questionamento quanto à participação de juizes, através de suas representadas no Congresso, com o objetivo preponderante de fiscalizar a tramitação das emendas e projetos de lei, com primazia para os casos sem que são afetos. Isso significa que em situações onde a tramitação não trata de questão personal, a atuação dos magistrados é arrefecida. Inúmeras são as questões em que os juizes do trabalho deveriam ficar a margem, principalmente aquelas que tratam de texto de lei, já que esses serão no futuro julgados pelos próprios juízes.  Embora a Loman nos seus arts. 35 e 36 tratem respectivamente, dos deveres dos magistrados e das vedações a eles impostas, esta situação é praticamente “folha morta”, no judiciário.

A Lei da Magistratura (Lei Complementar nº 35, de 14.03.1979), e´prova letal do corporativismo no judiciário, tanto que a sociedade espera há décadas, pela criação de um órgão fiscalizador dos atos dos integrantes do judiciário, e agora o CNJ está trabalhando para trazer informações, até antão guardadas a “sete chaves”, pelos tribunais.

Na verdade a justiça do trabalho, se mantém a margem das questões internas, se voltando para as externas, neste sentido o presidente do TRT-15 (Campinas, SP) desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, o diretor-presidente e o diretor jurídico da Serasa S.A., Ricardo Rodrigues Loureiro e Silva e Silvânio Covas, assinaram na quarta-feira (15), um convênio para a agilização da execução trabalhista. A parceria prevê que as 153 Varas do Trabalho da 15ª Região repassarão ao banco de dados da Serasa, pela Internet, as informações relativas às dívidas objeto das execuções de títulos judiciais trabalhistas decorrentes de decisões transitadas em julgado.

Os dados incluem o número do processo; a qualificação do devedor principal – e do subsidiário ou solidário, quando houver – os dados cadastrais do devedor e, se for o caso, cópia de seus documentos societários e contábeis, tais como estatutos/contratos sociais e balanços, entre outros; o valor nominal da dívida e a identificação do credor, que no entender dos juízes, forçará o devedor ao pagamento do titulo. Ocorre que o valor da execução pode ser discutido através de embargos, a legislação tem previsão para isso, no processo de execução é justamente onde os magistrados trabalhistas mais cometem nulidades, fazendo com que a ação se eternize ainda mais.

Quando referimos as nulidades na execução, os números relativos nesta fase, na Justiça do Trabalho ganham destaque no relatório, e corroboram com a nossa preocupação. Segundo ainda os dados do CNJ, comparativamente à fase de conhecimento, o congestionamento na execução é 78% maior. Dos quase 2,9 milhões de processos que ingressaram na primeira instância trabalhista, 26,1% foram na fase de execução, sendo que os casos pendentes nessa fase somaram 65,5%. As questões laborativas julgadas na especializada não fluem da mesma forma que as questões afetas aos juízes. Temos notícia de que dezenas de juízes e desembargadores integrantes de todos os tribunais brasileiros vão poder se aposentar mais cedo, em função de uma decisão do CNJ que, analisando uma decisão que favoreceu um juiz do TRT da Bahia, a ela deu efeitos normativos. Assim, o “entendimento deverá ser aplicado a todos os magistrados que se encontrem em situação análoga” . Este tipo de situação não é a primeira que temos notícia, existe uma dispare situação salarial e de benefícios entre servidores e magistrados, fruto do desatrelamento dessas questões entre os dois segmentos.

Pela importância do Estado do Rio, pelo envolvimento do presidente e do governador, quatro candidatos ao Senado travam batalha desesperadora. Todos precisam do cargo.

Os candidatos são: Crivella, Lindberg, Cesar Maia, Picciani. Só Crivella disputa a reeleição, a outra vaga renovável está ocupada pelo segundo suplente de cabralzinho, sua convicção democrática é essa: elevar à condição de parlamentar alguém sem voto, sem povo, sem urna, e até sem nome.

Inicialmente, o candidato tido como mais forte era o evangélico. Apoiado por Lula, sobrinho de Edir Macedo, era citado como reeleito. Mas lembrei aqui o fato indiscutível. Eleito senador em 2002, perdeu para prefeito em 2004 e 2008, o que deixou a impressão de que na sua vida, 2002 fora apenas acidente fortuito, sem maior profundidade.

Só que agora houve visível alteração no quadro e na disputa para o Senado. Pelas pesquisas, o ex-prefeito de Nova Iguaçu está em primeiro lugar, o que não chega a ser surpreendente. Pela sua própria contribuição, que não é pior do que a dos outros, mas se reforça com a garantia da máquina estadual (cabralzinho) e do Planalto-Alvorada (Lula).

E há um fato, que nem é revelação, a interpretação é que é. Desde os últimos dias, a campanha de Picciani, que só se interessava pelo presidente da Alerj, começou a aparecer com um adendo inesperado.

Picciani passou a pedir votos no horário eleitoral, da seguinte forma: “VOTEM EM PICCIANI E EM LINDBERG FARIAS”. Espertíssimo, o presidente da Alerj, sabendo que o ex-prefeito já estava na frente, juntou seu nome ao dele. E como os dois estão apoiados por cabralzinho, procurou o governador.

Picciani não só procurou cabralzinho, como PRESSIONOU-O, colocou a questão de forma intimidativa, dizendo: “Você me deve uma explicação. Está apoiando a mim e ao Lindberg, ele está em primeiro lugar e eu disputando a outra vaga, em situação desconfortável, atrás de Crivella e César Maia.

Cabralzinho, todo atrapalhado, no mesmo momento chamou um dos 300 coordenadores de sua campanha e ordenou:” A partir de agora, em todos lugares, em que eu apareça pedindo votos para senador, têm que APARECER OS NOMES DE PICCIANI E LINDBERG”.

Por que isso? Picciani e cabralzinho, há 16 anos dominam a Alerj, 8 anos de cabralzinho, 8 de Picciani. Enriqueceram juntos, têm medo um do outro, têm cópia do DOSSIÊ (a palavra da moda) da família Alencar. E esse DOSSIÊ atinge os dois.

A situação de cabralzinho em relação ao Senado é desesperadora. Se Lindberg se eleger, (como parece certo), e Picciani não, ficará bem certo que a força é do presidente e não do governador. Só que como complicador aparece este fato: Lula apóia e quer eleger Lindberg, mas também Crivella. Sensacional.

Na verdade, Lula quer vencer e eleger seus candidatos, mas quer principalmente DERROTAR CESAR MAIA. Lula não esquece a montagem feita pelo então prefeito do Rio em 2007, na abertura dos jogos Panamericanos. Ele sabe que tudo foi armado por Maia.

Por que Maia APLAUDIDO e Lula VAIADO, se naquele momento sua popularidade estava bem mais elevada? Lula sentiu de tal maneira o episódio, que decidiu não discursar , passando a tarefa, ESTRANHA, INESPERADA E SURPREENDENTEMENTE ao presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

***

PS – Lula não discursou mas não esqueceu. Daí o seu empenho a favor de Crivella e Lindberg. Não totalmente por eles, mas porque sabe, é lógico, que elegendo os dois, derrota César Maia, acaba com seu futuro.

PS2 – E existe outro fator, que leva a questão da eleição estadual ao plano nacional. Ninguém desconhece (só os amadores) que Maia JOGA TUDO NA CONQUISTA dessa vaga. Já contei aqui há tempos, vou repetir.

PS3 – O DEM não tem quadros brilhantes e ao mesmo tempo artificiosos e ardilosos, como César Maia. Sua vida é um factóide, como ele mesmo identificou.

PS4 – Senador, Maia será presidente do DEM (substituindo o filho, o que prova a PRECARIEDADE dos líderes do partido) e praticamente garantido como presidenciável para 2014.

PS5 – E não apenas pela ambição, mas pela falta de concorrência, Maia será candidato do DEM, com apoio quase certo do PSDB, que vem acumulando derrotas.

PS6 – Diante disso, Lula sabe que, eleito senador, Maia que não foi punido pelas IRREGULARIDADES e o ENRIQUECIMENTO “absolvido”, fará devastadora campanha contra Dilma. Lula quer vencer, se vingar, mas desde já BLINDAR Dona Dilma. A oposição a ela, feita pelo próprio PT, pode até favorecê-lo.

Conselho do presidente do Banco do Brasil (e de Dilma): “Guardem dinheiro em casa”.

Comentando sua declaração de renda, que registrava “130 mil reais em dinheiro, em casa, respondendo aos que a criticavam, Dona Dilma disse simplesmente, “É LEGAL”, comentei que era mesmo. Faltava só a confirmação de onde viera essa importância, e por que abria mão de uma remuneração igual a um salário mínimo.

Agora, foi publicado: “O presidente do Banco do Brasil comprou uma casa por 150 MIL REAIS, PAGANDO EM DINHEIRO”. (A informação foi revelada pela jornalista Mônica Bergamo, reproduzida vastamente, praticamente sem citar o nome dela).

Como já disse de forma surpreendente o Boni, homem de televisão, sobre a própria televisão, “eles escondem fatos, não fazem JORNALISMO INVESTIGATIVO”. Logo, logo a informação (da Mônica) e o comentário (do Boni) eram confirmados, e-s-t-a-r-r-e-c-e-d-o-r-a-m-e-n-t-e.

No caso de Dona Dilma, faltou INVESTIGAREM, lógico, não tiveram tempo, vá lá. Mas em relação ao presidente do Banco do Brasil, o fato se agrava precisamente pela sua condição de presidente do maior banco brasileiro. COMPRANDO E PAGANDO EM DINHEIRO, estimula o NÃO DEPÓSITO, enfraquecendo o sistema bancário no que deveria ser o seu fortalecimento, o depósito.

Como ele não chegou à presidência do maior banco brasileiro, agindo ingenuamente, e não “esqueceu” de declarar essa IMPORTÂNCIA IRRISÓRIA, (para ele) de 150 mil reais, alguma coisa precisava ser investigada, esmiuçada, detalhada, destinada e constatada.

Vou citar vários fatos, que precisavam ser traduzidos para o cidadão-contribuinte-eleitor. São simples, facilmente verificáveis por órgãos de comunicação, que têm departamentos especializados”, com noticiosos dito jornalísticos, que estão sempre publicando “fatos que descobrimos com exclusividade”, documentos “sigilosos”, acusações que atingem muitos personagens geralmente sem importância.

O presidente do Banco do Brasil está do lado oposto dos “sem importância”. 1 – Não se sabe se ele DECLAROU à Receita, esses 150 mil. Pelo cuidado dos órgãos de “Comunicação”, ficou a suspeita gritante. 2 – Uma casa (ou apartamento) em São Paulo, por 150 mil reais, que maravilha viver.

3 – A impressão imediata de manter esses 150 mil em dinheiro, provoca a certeza da destinação planejada de sua utilização.  4 – Com o dinheiro declarado e fiscalizado, não surpreenderia tão fortemente, pessoas que trabalham no mercado imobiliário.

***

PS– Acho que o Boni acertou em cheio em duas de suas afirmações. As poderosas televisões não fazem JORNALISMO INVESTIGATIVO.

PS2 – E ESCONDEM fatos, que não lhes interessa DESVENDAR, preferem ESCONDER, a palavra usada por ele.

Não formamos: informamos

Carlos Chagas

Mais uma vez o primeiro-companheiro investe contra a imprensa. Generaliza, como se os meios de comunicação do pais inteiro se limitassem a três  jornais do eixo Rio-São Paulo, além de uma revista semanal que não poupa seu governo.  Exagerou, ao reivindicar, num palanque em Campinas, que ele, Dilma e o PT são a opinião pública, negando  a propalada categoria dos “formadores de opinião”, no que pareceu correto.

Revelou-se atrasado,  o presidente Lula. Porque há décadas, nos  cursos de Comunicação, emergiu a corrente da humildade. Aquela que sustenta não sermos nós, jornalistas, “formadores de opinião”, excetuados alguns coleguinhas de nariz em pé e cérebro curto, assim como alguns de seus patrões.

A imprensa é apenas informadora, ou seja, quem se forma é a própria sociedade, estimulada por diversos fatores, um dos quais o de ser bem informada de tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor.

Reivindicar a condição de  formadores,  artífices da opinião pública,  orientadores da sociedade e outras bobagens será anacronismo digno dos tempos em que os jornais existiam para defender ou opor-se a idéias, interesses e  situações. Evoluímos para transmissores de informações, mesmo sendo mantidos espaços para opinião, entretenimento e serviços. O fundamental para a  mídia, porém,  aquilo que faz sua razão de ser,  é a noticia.   A informação incapaz de ser confundida com a formação, constituindo-se apenas num dos fatores em condições de levar a sociedade a aprimorar-se e a decidir por ela mesmo.

Por fim, sobra a dúvida: quem deu ao presidente Lula, a Dilma e ao PT o privilégio de encarnar a opinião pública? Nem o sociólogo, de resto tão presunçoso, ousou chegar a tanto.

METENDO A MÃO  EM VESPEIRO

Que o presidente Lula tenha lançado Dilma Rousseff, pretendendo manter o poder para o seu grupo político, nada a opor. Tem o direito, até mesmo, de subir em palanques e pedir votos para a candidata.

Justificam-se até seus interesses e sua preferência por certos candidatos a governador, seja por julgá-los melhores, seja para evitar a eleição de seus concorrentes.

O que não dá para entender é o presidente fazendo listas de quem quer e de quem não quer ver eleito para o Senado. Serão  54 vagas de senador a preencher em todo o país e se ficar recomendando uns e vetando  outros, o  primeiro-companheiro arrisca-se a quebrar a cara.  É claro que sua popularidade poderá estimular a eleição de um e a derrota de outro, mas, como regra, não dá  certo. Acabará sendo apontado como o presidente que tentou mas não conseguiu afastar um monte de adversários. Perderá pontos em sua biografia caso as oposições mantenham suas principais  lideranças e até revelem outras.

“O Lula faz tudo para impedir  a vitória de Tasso Jereissatti”, ouve-se no Ceará. Caso o ex-governador seja reeleito, como parece que acontecerá, quem terá perdido? Não quer Heloísa Helena, em Alagoas, nem Mão Santa, no Piauí, nem César Maia, no Rio, nem Marco Maciel, em Pernambuco, nem Aécio Neves, em Minas, e quantos outros, nos demais estados?  E daí, caso seus adversários se elejam? E daí é que ficará tudo registrado.

E A CADEIA?

Acabam de ser soltos, mas antes foram presos, o governador e o ex-governador do Amapá. O mesmo aconteceu com o governador de Brasília, com Paulo Maluf e muitos outros.

A pergunta que se faz é porque Erenice Guerra e sua quadrilha, acusados pelos mesmos crimes,  deverão ficar imunes à  prisão, como se alardeia?  Apenas por terem trabalhado sob a sombra do palácio do Planalto? Para não criar problemas na sucessão presidencial?

O ENCERRAMENTO

Está previsto para daqui a uma semana, na segunda-feira, 27, o comício de encerramento da campanha de Dilma Rousseff, na praça da Sé, em São Paulo, com direito  à presença do presidente Lula. Esforços já se fazem em diversos setores para uma apoteose com um milhão de pessoas, coisa digna do comício das   “Diretas Já”.  Pode ser que a assistência não chegue a tanto, mas as imagens serão  utilizadas nos três dias seguintes como uma espécie de confirmação prévia  dos resultados do dia 3  de outubro. É bom ficarmos com a lição do humorista português, Raul  Solnado, que depois da Revolução  dos Cravos sentenciou: “Após a festa das flores, deve-se aguardar a conta do florista…”

De Vargas e Lacerda ao mar de lama, versão 2010

Pedro do Coutto

A corrupção administrativa foi o tema inicial e também dominante da campanha que o jornalista Carlos Lacerda, diretor proprietário da Tribuna da Imprensa, desfechou contra Getúlio Vargas e seu governo, em 54, a partir do financiamento, pelo Banco do Brasil ao jornal Última Hora, de Samuel Wainer, e que culminou com o suicídio do presidente a 24 de agosto. Dezenove dias antes a crise político-militar atingia o auge com o atentado da Rua Toneleros.

Lacerda, com base em seus artigos e reportagens lançou – vejam só – “O Livro Negro da Corrupção”, base de sua campanha em outubro para deputado federal naquele ano. Choviam denúncias envolvendo a guarda pessoal do Catete, chefiada por Gregório Fortunato, personagem central de “Agosto”, obra de Rubem Fonseca, transformada em minissérie da Rede Globo com José Mayer, Lima Duarte, Vera Fisher e Tony Tornado, este num desempenho fantástico como o “anjo negro” do Palácio.

Vargas dissolveu a guarda pessoal depois do episódio Toneleros e quando soube que Gregório havia comprado uma fazenda de propriedade de seu filho Maneco Vargas. O ato da demissão de Fortunato possui ainda uma testemunha viva, o embaixador Edmundo Barbosa da Silva, hoje aproximando-se dos 100 anos. Aos jornais, Vargas afirmou que “nos porões do Catete corria um rio de lama”. Especialista em denúncias de corrupção, detentor de talento excepcional, Lacerda transformou o rio em mar de lama. Passados 56 anos, um oceano de lama emerge na Casa Civil do presidente Lula, tragando e comprometendo diretamente a ex-titular do posto, Erenice Guerra e familiares próximos, com empresários distantes do poder, mas que dele desejavam se aproximar e participar de nebulosos negócios.

Se existe outra vida e dela os que lá se encontram têm comunicação com a existência terrena, Carlos Lacerda há de estar perplexo. Imaginem os leitores fosse ele vivo hoje. O que ele denunciou ontem não é nada perto do que se passa agora. Lendo-se no fim da semana a reportagem de Diogo Ecosteguy e Otávio Cabral, na Veja que está nas bancas e a matéria assinada por Fernanda Odila, Andreza Matais, Fábio Amato e Rubens Valente, Folha de São Paulo também de sábado, é que é possível avaliar o que se passou nos bastidores do executivo. Um verdadeiro bando de pessoas sem escrúpulos tomou de assalto diversos pontos estratégicos da Esplanada dos Ministérios e desencadeou um movimento de saques em sequência impressionante. Seus integrantes não se detinham diante de nada. Barreiras morais foram derrubadas caminho afora, limites éticos ultrapassados em alta velocidade. Sobretudo impressiona profundamente a parte da reportagem da Revista Veja assinalando como se distribuíam envelopes recheados de propinas no próprio Palácio do Planalto.

Como Vargas ontem dissolveu a guarda pessoa, Lula da Silva hoje viu-se obrigado a varrer a Casa Civil, antes que os escândalos em bloco pudessem desabar sobre a candidatura Dilma Rousseff. Erenice Guerra e o grupo que montou podiam ser incluídos na lista de amigos e detentores da confiança do presidente? Nada disso. Eram efetivamente inimigos disfarçados pois traíram de forma explícita e aparente a confiança que receberam. Drama muito ruim para Dilma Rousseff. Tanto na reta final da campanha, mas sobretudo quando assumir a presidência em Janeiro. Ela não percebeu a atuação de sua secretária executiva e sucessora na Casa Civil? Se não percebeu, é um mau sinal em relação ao que será o seu futuro mandato. Vamos ver.

Números do CNJ revelam malogro da Justiça do Trabalho

Roberto Monteiro Pinho

De acordo com os números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no dia 14 de setembro, o Brasil tem hoje 86,6 milhões de processos judiciais em tramitação, desses, 25,5 milhões chegaram à Justiça ano passado. A Justiça do Trabalho, cujo congestionamento é de 49%, assim mais da metade dos processos trabalhistas são resolvidos no mesmo ano em que ajuizados, com isso é a mais célere do Poder Judiciário.

Por outro lado olhando com critério, estamos diante de uma situação medíocre em termos de solução, por tratar de verba alimentar do trabalhador a taxa deveria ter sido muito maior. No quadro geral apenas 29% tiveram decisão definitiva antes do final do ano de 2009, deixando uma taxa de resíduo na ordem de 71%. A Justiça Estadual é a mais demandada, com 18,7 milhões de casos novos só em 2009, o que corresponde a 74% dos novos processos que foram ajuizados no país. Segundo ainda os dados do CNJ, a Justiça do Trabalho e na Justiça Federal aportaram 3,4 milhões de novas ações em cada um destes dois ramos do Judiciário.

Os números do CNJ, não levam em conta uma serie de informações, que estão incorporadas no universo de cada tribunal, por exemplo, na Justiça Estadual, existem milhares de centenas de ações em tramitação, porque a Justiça do Trabalho não possui Varas na grande maioria das cidades brasileiras, e as reclamações, nos casos de não existir Vara Trabalhista no município, é ajuizada na justiça civil, conforme preconiza a CLT.

Essa espantosa realidade é a maior lacuna na proteção laborativa, porque está justamente na própria estrutura da justiça trabalhista, onde 84% da população trabalhadora, não consegue ter acesso a prestação jurisdicional especializada. Dos 5.560 municípios, existentes no país, somente 1.150 cidades possuem Vara do Trabalho, e o tão propalado programa “Justiça Itinerante”, ainda é tímido. Até 2003 existiam 1.327 Varas do Trabalho no País, este número foi ampliado por força da lei nº 10.770/2003, que criou mais 269 Varas do Trabalho nas diversas regiões, da Justiça do Trabalho que foram gradativamente implementadas de 2004 a 2008.

Para o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, ao analisar o programa “Justiça em Números 2009”, conforme nota publicada no site da OAB Federal, “é necessário que, a partir desses números tenhamos a exata noção de como o CNJ pode contribuir na gestão do Judiciário, que é uma das suas missões”. Para o dirigente, apesar de importantes para detalhar o Judiciário nacional, as estatísticas, no entendimento da OAB, ainda trazem duas lacunas: não medem a duração dos processos e nem discriminam detalhadamente os custos, o que gera dúvidas sobre a execução orçamentária em relação ao primeiro e ao segundo graus. “Enquanto não tivermos controle sobre a duração dos processos e conhecimento total sobre os custos do Judiciário não poderemos avançar no seu aperfeiçoamento” – salientou Ophir.

Na verdade em que pese à justiça comum poder julgar litígios trabalhistas onde não houver vara do trabalho, pouco se colhe desta improvisação jurisdicional, até porque, o juiz de direito está concentrado na matéria civil e o direito do trabalho na CLT, que é especialíssima, e não lhe é afeto, para o trabalhador principalmente nos municípios menos assistidos, à distância entre seu domicilio e a justiça é uma eternidade. Enquanto a prestação jurisdicional é insuficiente por questão de estrutura territorial, a demanda de crimes contra o trabalho aumenta. O resultado deste quadro é desalentador, é o trabalho escravo predominante nessas regiões acéfalas, a exploração de mão-de-obra sem carteira assinada é enorme, utilização de menores em atividades de risco e segundo se estima, em cada grupo de 10 trabalhadores, apenas três possuem CTPS anotada. O encargo administrativo no território brasileiro é faculdade das Delegacias do Trabalho (DRTS), a quem cabe processar as punições contra os abusos e quebra de regras trabalhistas, mas infelizmente tanto a JT, quanto a DTR, não atendem o clamor da classe trabalhadora nessas regiões.

O Brasil tem 16.108 juízes, média de oito magistrados por 100 mil habitantes, a Espanha há 10 juízes para cada 100 mil habitantes; na Itália, são 11 por 100 mil; na França, 12 por 100 mil; e em Portugal, 17 juízes para cada 100 mil habitantes. No conjunto da obra, o judiciário até o quadro fechado pelo CNJ, está próximo dos números de outros países, no entanto, padece de falta de estrutura administrativa, com a singularidade de melhorar a qualidade profissional dos seus integrantes (juízes e servidores). A Justiça brasileira tem 312.573 servidores, somados aos terceirizados, o pagamento de salários, benefícios e demais vantagens, correspondem a 90% do total da despesa do Judiciário, o que deixa apenas 10% para investimento na qualidade a exemplo de tecnologia e pesquisa.

O CNJ informou que pretende implementar o projeto para agilizar o andamento das ações, o método vai auxiliar o Tribunal na adoção de práticas mais modernas de gestão nos gabinetes, de maneira a reduzir o tempo de tramitação dos processos. O TRF3 é o primeiro atendido pelo projeto, que se estenderá a outros tribunais. Com toda venia, pode ser esta a oportunidade mister, para trazer auxílio aos desembargadores, através da convocação de juízes de primeiro grau, o que é plenamente louvável neste momento, por se tratar de recurso administrativo que visa à celeridade.

VARIADAS ESPORTIVAS, com a França na final, e o Brasil perdendo uma grande chance de voltar ao grupo de elite na Copa Davis

É impressionante o prestígio, a glória e a consagração proporcionada pela conquista da Copa Davis. E existe uma imponência esportiva e até cívica, só pelo fato de estar no chamado grupo de elite do tênis.  XXX  A França, que não era favorita, está na final, derrotando a Argentina, a vibração na quadra e na própria França (onde foi disputada a partida), inimaginável.  XXX  Ao mesmo tempo em que se disputa o título de 2010, acontecem as partidas entre os que estão no segundo escalão, e pretendem a ascensão.  XXX  O Brasil foi sorteado milagrosamente para enfrentar a Índia, adversário fraquíssimo, apesar do jogo ser lá mesmo na Índia. E pelas regras da Davis, o dono da casa escolhe o tipo de quadra, lógico a que mais lhe agradava.  XXX  Apesar disso, a previsão, análise, comparação indiscutível: o Brasil ganharia os jogos de simples, perderia o de duplas. Motivo: apesar dos dois “duplistas” da Índia estarem com 30 anos, já foram número 1 do mundo durante muito tempo. Não são mais, continuam em boa posição.  XXX  No primeiro jogo, Bellucci enfrentou o número 475 da Índia, devia liquidar o jogo facilmente em 3 a 0. Levou 4 horas e 28 minutos em 5 sets, declarou: “Tive que fazer força, mas ganhei bem”. Inacreditável.  XXX  Ricardo Mello devia ganhar o outro, quase número 200 do ranquing. Levou mais de 4 horas e 5 sets para vencer. Com arrogância mal dissimulada, afirmou: “Ganhei muito bem, não gosto de perder para quem está abaixo de mim na classificação”. Quer dizer, imitou Bellucci.  XXX  A Índia venceu a dupla, apesar do tempo surpreendente, o Brasil na frente pelos esperados 2 a 1. Nada pior do que o dia seguinte, principalmente para vencedores arrogantes e deslumbrados.  XXX  Ricardo Mello enfrentou o número 475 (que perdera de Bellucci) e apesar de ter confessado, “não gosta de perder para quem está abaixo de mim”, até agora ainda não compreendeu que a sua colocação de 89 é muito mais reluzente e brilhante do que a de 475. Perdeu.  XXX  Ficou então em 2 a 2, Bellucci só precisava vencer (facilmente, no entendimento deles) o quase 200, para o Brasil passar para o primeiro time, que perdeu em 2003.  XXX  Acontece que Bellucci perdia por 2 a 0, DESISTIU, desidratado pelo esforço das 4 horas e 28 minutos da véspera. Aos 22 anos? E o adversário, mais velho e menos capacitado, RESISTIU?  XXX  Conclusão: o Brasil foi eliminado, com a vitória garantida. Não faz mal. Ficaríamos apenas 1 ano na ELITE. Com esses jogadores e sem renovação, estaríamos REBAIXADOS EM 2011.  XXX

Nem Serra (dossiê contra e a favor), nem Dilma, corrupção na Casa Civil (comprovada e punida com demissão), serão PREJUDICADOS ou FAVORECIDOS

Tudo o que está no título, é rigorosamente verdadeiro. O cidadão-contribuinte-leitor está tão acostumado com esse tipo de “eleição hostil que pode ser chamada de baixaria previamente identificada”, que não ligará para mais nada.

Portanto, se estão esperando que acusações de um lado ou do outro, alterem a soma dos votos que levam à vitória, estão muito enganados. (Há mais de 25 anos, o Millor escreveu: “Eu sou a SOMA do quadrado dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa”).

Se pensam que isso não tem nada a ver, estão muito enganados. E a maior referência entre a criação jornalística e a realidade, é a palavra SOMA.

Dona Dilma atingirá os 50 por cento mais um voto para ganhar no primeiro turno? Serra conseguirá um total de votos que, SOMADOS (novamente a palavra) com os de Dona Marina levarão ao segundo turno?

De qualquer maneira nenhuma alteração, apenas prorrogação da monotonia, mas não da incerteza. Seria a ida pela segunda vez ao local da votação, para que Dona Dilma obtenha no segundo turno, a vitória que não obteve no primeiro.

Mas se houver segundo turno, será por causa da participação de Dona Marina, superior ao que se esperava.

***

PS – Não tenho o menor constrangimento de dizer agora, poderia omitir. Esperava que Marina Silva repetisse Heloisa Helena. Esta chegou a 10 e até 11 por cento, escrevi que não manteria, não manteve.

PS2 – Marina manteve e manterá, me surpreende agradavelmente. É possível que por causa disso, haja o segundo turno. A eleição se realizará dentro de 14 dias, está tudo estabelecido, o resultado só seria ou será alterado, com a ausência de um dos dois candidatos.

PS3 – 3 de outubro sem emoção, sem sensação, sem indefinição. Tudo ficará para o dia 1º de janeiro de 2011, posse, oficialização dos ministros, (alguns já serão conhecidos) começo do terceiro governo, não do Lula ou de Dilma, o primeiro do PT.

PS4 – Dificilmente, quase IMPOSSÍVEL, este blog chegar até lá. Mas se chegar, (ou se chegasse), j-o-r-n-a-l-i-s-t-i-c-a-m-e-n-t-e, que maravilha viver.

***

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:
Lula quer VENCER e se VINGAR de Cesar Maia.
E pretende também evitar os planos do ex-prefeito, no
caso de se eleger senador. Essa a razão da eleição
do estado do Rio ser FUNDAMENTAL.


Comandante da PM confirma: “pacificação” das favelas é um acordo entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não usem armas nem intimidem os moradores

Em dezembro do ano passado, (como o tempo voa) publiquei aqui no Blog um artigo mostrando que a política de PACIFICAÇÃO das favelas não passava de uma MANOBRA ELEITOREIRA do governador, que incluía um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.

Agora, o próprio comandante da PM confirma tacitamente o acordo de Cabral com o tráfico. Confira este trecho da entrevista do Coronel Mario Sergio Duarte nas Páginas Amarelas da revista Veja, semana passada. O repórter faz a seguinte pergunta: “Mas os bandidos expulsos das favelas por essas unidades permanentes da polícia não continuam a atuar no crime, só que em outro endereço?

E o comandante responde: “Isso é verdade. Tenho informações de que os líderes do tráfico estão fugindo para o Complexo do Alemão, QG da facção criminosa Comando Vermelho, onde seguem, sim, na criminalidade. Mesmo nas favelas em que a polícia está no comando, há traficantes na ativa. O QUE ACABOU FOI AQUELA HISTÓRIA DE BANDIDO DESFILANDO COM FUZIL E IMPONDO SUAS PRÓPRIAS LEIS, num sistema completamente à margem do estado. É só um começo, admito.”

Agora vamos conferir o que foi escrito neste Blog em dezembro de 2009: “O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas: 1 – Os traficantes somem com as armas das favelas, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais. 2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos. 3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas. 4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação”.

No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro e nos outros que se seguiram em janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil demais, não houve uma só troca de tiros? Os traficantes e “donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus lanças-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada, nada.

Chamei também a atenção para a atitude do governador, que deve pensar que os demais cidadãos são imbecis e aceitam qualquer “explicação” fornecida pelas autoridades. Recordemos que foi ele quem teve desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “DEI PRAZO DE 48 HORAS PARA OS TRAFICANTES DEIXAREM O CANTAGALO-PAVÃO-PAVÃOZINHO”.

Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.

O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados.

Seria tão bom se fosse verdade. Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, sempre na tentativa de iludir os eleitores.

Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa como uma espécie de panacéia na segurança pública. Era como se, de súbito, as autoridades tivessem conseguido “colocar o ovo em pé”, resolvendo de uma hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades.

Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há alguns meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de “pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”.

Mais recente, em dia 2 de julho, mais uma vez em O Globo, uma reportagem de Vera Araújo comprovou que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “FEIRÃO DE DROGAS DESAFIA UPP”, com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostrava que o tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.

Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada” foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as imagens dizem tudo.

No dia, seguinte, mais um repique em O Globo, mostrando que, assim com o tráfico de drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.

***

PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus. Em todas as favelas pacificadas, o tráfico está liberado.

PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador está massacrando a opinião pública com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é ponto mais forte de sua “plataforma” eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento),  que também são um golpe de marqueting político-eleitoral.

PS3 – É interessante notar que, quando as denúncias foram publicadas, diversos leitores do Blog apoiaram Cabral, argumentando que foi ótimo ter feito acordo com os traficantes. É difícil acreditar que esses leitores não tenham um parente ou amigo destruído pelo uso dessas drogas.

PS4 – Esses defensores de Cabral esquecem que nenhuma autoridade TEM PODER de ficar acima da lei, de desconhecer a lei, de não aplicar a lei. E muito menos de proteger a ação de criminosos, porque automaticamente torna-se CÚMPLICE dos crimes por eles cometidos.

PS5 – Se a simples omissão já é crime, acobertar o tráfico de drogas, o que seria?

VARIADAS, com Neymar, um monstro do futebol, e René Simões, um monstro do exibicionismo

Não quis escrever sobre a “questão Neymar” em cima da hora, preferi deixar passar alguns dias. É um fato, mas com várias interpretações, e portanto é preciso muito cuidado.  XXX  Em primeiro lugar, o óbvio, todos concordam, só que massacram o menino de 18 anos, esquecem uma porção de coisas, dentro e fora do campo, ficam silenciosos.  XXX  Esse óbvio, é o erro, e várias vezes repetido, das atitudes de Neymar. Não quero nem diminuir e sim reprovar tudo o que Neymar tem feito de condenável, até de assombrosamente ERRADO, EQUIVOCADO, DESASTRADO.  XXX   E embora a vítima sejam sempre ele, não há dúvida que pela projeção que alcançou, o desastroso não fica apenas com ele, recai sobre gerações de jovens que têm por ele admiração cada vez maior. Não adianta entrar em campo com garotos e depois decepcioná-los.  XXX  Portanto, bem clara a posição do repórter sobre o assunto, e elogiando o presidente do Santos, pela nota admiravelmente redigida, os conselhos e a punição (multa) para o jogador.  XXX  Mas sou sempre e também obviamente contra os EXIBICIONISTAS, jornalistas ou não, que aproveitam para pegar “carona” na repercussão que acompanha sempre o jogador de 18 anos, fingindo respeito por uma ética que não conquistaram. No momento, esse MONSTRO de exibicionismo se chama Renê Simões, se finge de técnico, embora tecnicamente não ganhe nada.  XXX  Estava do lado, viu o arrebatamento culposso de Neymar, aproveitou para aparecer várias vezes na televisão, chamando Neymar de MONSTRO que estamos criando.  XXX  Esse senhor , que “dirigia” o  adversário do Santos, ganhava por 2 a 0, perdeu fácil por 4 a 2, é um MONSTRO de incompetência.  XXX  E repetindo: de EXIBICIONISMO passageiro e vazio. Ganhou seus 15 minutos de fama (royalties para Andy Warhol), que logo depois desperdiçará.

Desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais

Carlos Chagas

Nem só de Erenices vive a política. Aproxima-se o mês de outubro e também não vamos tratar  de eleição, como não trataremos  de corrupção. Vale olhar no espelho retrovisor e verificar que oitenta anos atrás eclodia aquilo que mais de perto pode ser chamado de uma revolução, ainda que  propriamente não fosse. Porque uma revolução, pelo vernáculo, deve corresponder a alterações profundas nas práticas políticas, econômicas e sociais de um país. O tripé ficou capenga, sustentado apenas por ampla reforma social. Na política e na economia, nenhuma mudança.

Deflagrado dia 3 de outubro de 1930 em Porto Alegre, Belo Horizonte e Paraíba, então  capital do estado com o mesmo nome, logo o movimento tomou conta do país, atingindo o Rio, Recife e outras capitais. No dia 29 tomou posse como presidente provisório da República o chefe civil, Getúlio Vargas, então presidente do Rio Grande do Sul. Começou aí a primeira contradição com o termo revolução, pois o caudilho era político por excelência. Havia sido ministro da Fazenda do presidente que derrubara, Washington Luís. Trouxe com ele políticos aos montes, a começar pelo ex-presidente Artur Bernardes, outro expoente da República Velha.

Não houve, assim, grandes alterações  na política, ainda que coubesse o exemplo do golpe  da vassoura: simplesmente, inverteram-se seus pólos. Os que estavam por baixo subiram, os que se encontravam por cima desceram.

Importa misturar doutrinas e pessoas, sendo que estas fazem mais História do que aquelas. Na capital gaúcha, ao embarcar no trem que acabaria chegando ao Rio, Getúlio apropriou-se de uma frase dita pouco antes por Flores da Cunha: “desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta  mais”. Estava ali a confirmação hoje consagrada na psicologia, de que um suicida dá sinais do gesto futuro muito antes que aconteça. A disposição do comandante improvisado de uma revolução que Luis Carlos Prestes não quis liderar  era de vencer ou morrer. Naquele dia, ignorava-se o grau de resistência do governo Washington Luís, esperando-se a grande batalha que acabou não havendo, na fronteira do Paraná com São Paulo.  Afinal, o presidente em seguida deposto fazia política em São Paulo e acabava de eleger o sucessor, Julio Prestes, outro paulista.  Precisamente contra Getúlio Vargas, porque naqueles tempos de eleições fraudadas,  nenhum candidato de oposição venceu. Até Rui Barbosa havia sido derrotado, anos antes.

O trem foi subindo sem lutas, aclamados os revolucionários com churrascos, flores e cerimônias cívicas. Aderir já fazia parte do sentimento nacional, diante de espingardas e canhões. Seria em Itararé o grande embate, com as tropas federais sediadas em São Paulo, mais a Força Pública paulista,  entrincheiradas naquela cidadezinha paranaense. Ia correr muito sangue.

Foi quando, no Rio, ainda dentro do sentimento apaziguador do  povo brasileiro,  chefes militares resolvem evitar o confronto. Prendem o presidente Washington Luís, disposto a resistir até de revolver na mão e passam um telegrama para a frente de batalha, exortando os paulistas a não resistir e os gaúchos a retornar aos pampas. Haviam criado uma Junta Militar e esperavam pacificar o país permanecendo indefinidamente no governo. Os soldados que defendiam São Paulo ou voltaram à capital ou  aderiram à revolução. Os gaúchos mandaram Osvaldo Aranha, num teco-teco, à capital da República, para dizer aos generais e um almirante que parassem de brincar com coisa séria. Deu-lhes prazo até que Getúlio chegasse para transmitir-lhe o poder.  Os membros da Junta devem ter olhado pela janela, verificando que o povo estava eufórico nas ruas, não por eles, mas pela revolução. Também contaram quantos corpos de tropa lhes eram fiéis e cederam em cinco minutos. Os gaúchos que viessem para assumir o poder.

Se a viagem do trem já era uma festa, maior ficou quando a locomotiva entrou em  solo  paulista. Na capital do estado, um fenômeno singular: sem poder reagir,  os quatrocentões ficaram em casa, partidários que eram de Washington Luís. Mas o povão, a começar pelos operários, lotou  praças e avenidas gritando “queremos Getúlio, queremos Getulio!”  Lembravam-se de que na recente campanha eleitoral o candidato derrotado anunciara as primeiras medidas sociais, se fosse eleito. Salário mínimo, jornada de oito horas diárias, férias remuneradas, estabilidade  no emprego e outras que, justiça se faça, o novo presidente cumpriu ao longo dos anos em que ficou no governo.

No Rio, jornais que apoiavam a República Velha foram “empastelados”, expressão  em uso para significar a destruição das redações com incêndios e muita pancadaria. Até o “Jornal do Brasil” ficaria fechado por alguns meses, resistindo até setembro passado, quando um pastelão resolveu suprimi-lo.

Alguns gaúchos arrogantes haviam prometido amarrar seus cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, forma de humilhar o governo deposto e a capital federal,  sem recordar que os cariocas apoiavam a revolução.  Fizeram isso à noite,  mas, pela manhã, os cavalos haviam sido roubados e, no lugar deles, estavam amarrados alguns soldados gaúchos. Vingaram-se,  os cariocas.

Getúlio tomou posse dia 29, trajando farda de soldado. No palácio do Catete, senhoras em vestidos de luxo, políticos de terno e gravata e o povo em euforia. Assumia o presidente provisório,  tornado presidente constitucional em 1934 e ditador em 1937. Foi deposto em outubro de 1945, para voltar eleito em 1951 e cumprir o vaticínio exposto na estação de trem,  ao sair de Porto Alegre. Para não perder a honra diante da tentativa de sua deposição, matou-se com um tiro no peito.

Casa Civil de Dutra a Lula, centro nervoso dos governos

Pedro do Coutto

De Eurico Dutra, eleito na redemocratização de 45, a Lula da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, passando especialmente por Vargas, Juscelino, Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, e o atual presidente da República, a Casa Civil constituiu-se e se constitui no mais importante centro nervoso dos governos. Provavelmente pela intimidade com o poder maior, talvez pelo fato de seus ocupantes terem acesso irrestrito às salas do Planalto, e sobretudo porque se transformam em homens e mulheres que sabem demais, como na obra de Alfred Hitchcock.

Agora mesmo, como a Folha de São Paulo publicou na edição de sexta-feira, o triste episódio Erenice Guerra causou perda de pontos de Dilma Rousseff no Paraná, em Brasília, e na Bahia. As quedas mais fortes ocorreram em Brasília e no Paraná. Ela mantém a frente, porém com diferenças setoriais maiores. No panorama geral, sua vitória permanece assegurada: tem 51 a 27. Não há dúvida. Entretanto a margem pode cair se a repercussão do desastre chamado Erenice Guerra se prolongar. Vejam só. No Paraná, Dilma desceu de 46 para 41 pontos. Em Brasília, de 51 para 43. Na Bahia, de 59 para 57. O fantasma Erenice Guerra causou efeitos concretos. Nomeá-la foi um erro de Lula e da própria Dilma Roussef. Afinal de contas, a ministra agora afastada produziu um dos maiores escândalos da história política do país.

Mas eu falava na importância e na extrema sensibilidade que envolve o desempenho da chefia da Casa Civil. O avesso do avesso como na canção de Caetano Veloso. O jurista Pereira Lira comandava o posto no governo Dutra. Era homem de total confiança , centralizador. Absolutamente íntegro, um homem rigoroso, a única crítica que lhe era dirigida repousava exatamente na centralização excessiva. Mas foi um governo sem crises.

Em 50, Dutra apoiou Cristiano Machado, deputado pelo PSD, contra Getúlio que retornava triunfalmente ao palco , e viu seu candidato chegar em terceiro lugar, atrás portanto de Vargas e do brigadeiro Eduardo Gomes. O chefe da Casa Civil de Vargas foi Lourival Fontes, cuja atuação foi considerada péssima pelos dirigentes partidários e pela própria família Vargas. Eleito em 55, JK, atendendo indicação do jornalista Paulo Bitencourt, diretor proprietário do Correio da Manhã, jornal politicamente mais influente da época, nomeou o escritor e jornalista Álvaro Lins, um dos maiores editorialistas da imprensa brasileira. Mas Álvaro Lins (não confundir com o deputado cassado pela Alerj) deslumbrou. Convocava reuniões ministeriais para traçar normas, teve que deixar o cargo. Terminou rompendo com o Correio da Manhã, jornal em que trabalhava. Procurado por Niomar Moniz Sodré, mulher de Paulo Bitencourt, no Palácio do Catete, a deixou esperando por mais de duas horas. Burrice incrível. Ingratidão também.

O general Médici teve o professor Leitão de Abreu no posto. Honesto, adotou porém o estilo Pereira Lira. Desgostou a quase todos. Não só sabia, mas era o homem que mandava demais. No governo Ernesto Geisel, o poder do chefe da Casa Civil, general Golberi do Couto e Silva, atingiu o máximo. Golberi, como revela a obra monumental de Élio Gáspari, que foi seu amigo e recebeu a guarda de seus arquivos, transformou-se no Cássio de Júlio Cesar, peça famosa de Shakespeare. Passou a gravar todas conversas do presidente, recorrendo ao SNI, que chefiara no passado, em busca de fazer a história no futuro. As gravações não ficaram só no Palácio, mas se estenderam à residência particular de Geisel. Este morreu sem saber o que se passava. Permaneceu no governo João Figueiredo, mas foi derrubado na crise da bomba no Riocentro. Queria que o Exército punisse os verdadeiros responsáveis.

Os mesmos que, também em 81, explodiram as rotativas e incendiaram o prédio da Tribuna da Imprensa. Não conseguiu. Demitiu-se. Melhor dizendo: foi demitido. Chegamos a José Dirceu. Este merece um capítulo especial. Foi demitido no desastre do mensalão, teve o mandato parlamentar cassado. Com isso a perspectiva de ser presidente da República, em vez de Dilma Rousseff. Jogou fora o que parecia ser o seu destino. Atravessamos o período Dilma Roussef, que o substituiu, e chegamos finalmente a Erenice Guerra. Fim da linha. Ela desembarcou tristemente do que se pode chamar de expresso da vitória. Não deixa saudade.

Para o eleitor de Dilma, a saída de Erenice Guerra não influi

José  Carlos Werneck

Para quem vai votar na candidata Dilma Rousseff (leia-se, presidente Lula) em nada influi a saída da ministra-chefe da casa civil da presidência da República nas pesquisas que dão a vitória da candidata do PT.

O eleitorado de Dilma não está nem aí para as denúncias envolvendo os integrantes do governo. Para dizer a verdade nem sabem o que significa o cargo de ministro chefe da casa civil, o segundo posto mais importante da Administração Federal, logo após o presidente da República.

Secularmente a maioria de nossa população, não mora decentemente, não tem emprego, e quando tem ganha mal, não tem assistência médica e previdência dignas, sofre nas filas dos hospitais, não possuiu um bom sistema de saúde e não tem segurança pública.  Isto tudo para não se estender, ainda mais,nas mazelas de que padece nosso povo.

Nossa gente carente e abandonada identificou-se com um Governo, que apesar de inúmeras falhas, preocupou-se com os menos favorecidos e procurou melhorar suas vidas.

Por isso as pesquisas de intenção de voto maciçamente favoráveis à candidata de Lula e a aprovação quase unânime ao Governo atual, não surpreendem a ninguém, que conheça um pouco da realidade deste País, em que os menos favorecidos SEMPRE foram esquecidos.

Diziam que Lula eleito ia estatizar os bancos, tomar as propriedades dos mais “ricos” e outras sandices espalhadas por seus adversários.

Ao contrário, nada disso aconteceu, Nunca os bancos lucraram tanto no Brasil, como nos dois últimos governos, chefiados pelo “perigoso” Lula”. Creio que os banqueiros sejam os maiores doadores da campanha de Dilma Rousseff e seus maiores cabos eleitorais.

Com a Democracia plena e as instituições funcionando razoavelmente o debate sucessório, felizmente, perdeu seu conteúdo ideológico e o que interessa ao eleitor é uma democracia econômica, um capitalismo de massas, com uma distribuição equânime das riquezas nacionais, a geração de novos empregos, aposentadorias e salários dignos e o tal sonhado bem estar social.

O presidente Lula, com seus programas sociais tornou menos perversa a situação dos miseráveis. Isso é inegável e esse é um dos acertos de seu governo.

Só que não existe almoço grátis, a conta é alta e está sendo paga pelas pessoas erradas.

Os muito ricos é que deveriam pagar essa conta, já que também lucraram muito com o crescimento da economia como um todo.

Mas a fatura veio parar nas mãos erradas. Caiu no colo da classe média, constituída de pequenos empresários, funcionários públicos, profissionais liberais, gente que paga impostos, na fonte e fora dela, para que o governo possa gerir seus bem sucedidos programas sociais,

E é essa classe média que está fazendo das tripas coração, para pagar o plano de saúde, a prestação da casa própria, ou o aluguel da moradia, a escola dos filhos e todas as demais contas no fim do mês. Nunca houve tantos integrantes da chamada classe média vivendo tão mal e sofrendo tanto. Esses são os que querem ver a coisa mudar. Esse pessoal é que compõem o percentual de votos de José Serra.

Podem ter certeza, após a DEMISSÃO DA MINISTRA Erenice Guerra e de mais este escândalo governamental, Dilma continuará liderando as pesquisas e aposto que aumentará sua diferença em relação a Serra. Viva o Bolsa Família!

O surrealismo brasileiro. O Boni enriqueceu com a televisão, critica a televisão, numa entrevista à televisão. É bem verdade que o programa “Roda Viva” não é bem televisão.

Fiquei surpreendido, passando para ver alguma coisa, vi o todo poderoso e enriquecido Boni, sendo entrevistado pela TV Cultura.

Não ia ficar. Há anos, logo que o programa apareceu, apelidei-o de “Entrevista Vôlei”, os apresentadores “LEVANTAM” para os entrevistados “CORTAREM”. Já se foram tantos APRESENTADORES, mudaram mas tudo continua o mesmo.

Com o Boni apresentava assuntos não rotineiros, fiquei, esperava controvérsia, debate, polêmica. Não houve nada, mas o Boni colocou problemas interessantes.

1 – “Os programas jornalísticos da televisão, são todos iguais, falta criatividade e autenticidade”.

2 – “As televisões não têm JORNALISMO INVESTIGATIVO, se conformam com a rotina. Dessa forma, ficam todos desprestigiados”.

3 – As televisões ESCONDEM tudo o que interessa publicar, por isso são todas iguais, as notícias são as mesmas”.

***

PS – O Boni foi por aí, num caminho surpreendente, mas que estava à disposição dos “debatedores”, só que ninguém debateu.

PS2 – Quando um homem de televisão como o Boni, diz que a televisão ESCONDE fatos e notícias, qualquer um responde na hora: “Não dão uma linha ou 1 minuto sobre as DÍVIDAS externa e interna.

PS3 – Eu dizer isso, normalíssimo. MAs um poderoso senhor da TELEVISÃO, tentar colocar o assunto e não receber resposta, não é ele que FICA MAL. São os PARTICIPANTES SILENCIOSOS.

Dirceu e a ditadura anunciada

Valdenor de Souza:
“Helio, aí chega o Dirceu e fala na DITADURA ANUNCIADA. E a imprensa?”

Comentário de Helio Fernandes:
A imprensa (amestrada e enriquecida) não diz nada, pois não é para dizer mesmo. À medida que a tecnologia avança, os lucros se multiplicam . Para esses senhores, tanto faz a DITADURA ou DEMOCRACIA, quem tem razão, apesar do deliberado e profundo radicalismo, é o Paulo Solon.

Tanto faz. Quando Gutemberg, em 1460, permitiu a fabricação das máquinas de IMPRIMIR, os PROPRIETÁRIOS DE ÓRGÃOS, que se diziam jornalísticos, mas não sabiam escrever, começaram a enriquecer, era o que interessava.

Em 1894 veio o rádio, invenção de Marconi (Guglielmo Marconi), mais um órgão para explorar, no sentido da palavra, e para juntar mais dinheiro. Por volta de 1940, inventaram a televisão. Mas como o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial, só pôde ser utilizada a partir dos anos 50.

Passamos mais um menos 40 ou 50 anos sem nada, aí o mundo da tecnologia E-N-D-O-I-D-E-C-E-U, no bom e mau sentido. O avanço é tão grande que chega a ser difícil decorar e lembrar os nomes. Mas tudo se volta contra a coletividade e a proliferação dos BILIONÁRIOS, QUE JÁ SÃO TRILIARDÁRIOS.

Os milhões do Fundo Partidário

Paulo Lima:
“Helio, você disse que os 27 partidos brasileiros recebem 2 milhões por ano do Fundo partidário. É muito mais, Helio, mas muito, esses 2 milhões são apenas o início. Vão aumentando em relação ao número de parlamentares eleitos”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Paulo, posso até concordar com você, sem o menor constrangimento. A informação que obtive foi essa, mas também acho que a voracidade dos 27 partidos não se conforma com isso.

Meu objetivo é acabar com 2 ou com 20, e obrigar os partidos a se reformarem, a existir realmente. Agradeço a você e a quem debater este assunto, fundamental.

Os votos de Tiririca e Romário

Cláudio Sarmento:
“Helio, se o povo sabe votar, como explicar o Romário, Tiririca e outros?”

Comentário de Helio Fernandes:
A colocação não está certa, Cláudio. Infelizmente não dá para transformar, a não ser modificando os partidos, estruturando-os, dando participação à militância. Aí surgirá um sistema mais correto, com credibilidade, autenticidade, representatividade.

VARIADAS, com a viagem do Papa, o envelhecimento da população na França, na China e no Brasil, as drogas e a pedofilia na Igreja

O que é que o Papa Bento XVI foi fazer na Grã-Bretanha, que não é católica há centenas de anos? E insiste em “alertar o mundo contra o sexo”.  XXX  Está perdendo tempo, se não fosse o sexo, não haveria reprodução, o mundo desapareceria.  XXX  Mesmo com sexo, os países estão cada vez com populações menores, os governos desesperados e assombrados, sem saber o que fazer.  XXX  Em alguns países, (por exemplo, a França) o governo oferece o que deveria fazer por obrigação. Dão bonificação para cada filho a mais, garantem os estudos até o final da Universidade, estão assustados com o envelhecimento da população.  XXX  A China, que tem 1 BILHÃO e 300 MILHÕES de habitantes, admitia-se que estivesse livre do problema, punia quem tivesse mais filhos. Agora, mesmo com esse total de pessoas, está incentivando o aumento da prole, pois se não nascerem, estará como enorme população de idosos.  XXX  Aqui no Brasil, todos se referiam ao país como um dos mais jovens. Acontece que as pessoas deixaram de ter mais filhos, hoje somos um PAÍS DE IDOSOS.  XXX  O Papa devia falar mais contra as drogas, todas elas, bebida, fumo, e a DROGA propriamente dita.  XXX  E deveria se voltar VIGOROSAMENTE contra a PEDOFILIA, na própria Igreja. Pedofilia não tem nada a ver com sexo, é a indignidade da humanidade, a vergonha elevada ao ponto mais alto.  XXX  Volte para casa, Bento XVI e cuide do seu próprio REBANHO.  XXX