Ciro: agressões e contradições

Pedro do Coutto

Magoado por ter sido preterido pelo PSB, seu próprio partido no episódio da candidatura a presidente da República, o deputado Ciro Gomes acionou sua metralhadora giratória e partiu para uma série de agressões ao ser entrevistado no programa É Notícia, da Rede TV, noite de domingo. A entrevista, nos seus pontos principais, foi reproduzida nos jornais de terça-feira. Ciro centralizou seus ataques no PMDB, que nada tinha ou tem com sua rejeição, estendendo-os ao PT, ao acusar a legenda de omissão e retraimento no caso do mensalão.

As afirmações repercutiram, porém os principais alvos não foram lógicos. Lembrou Carlos Lacerda nos momentos em que era contrariado em seus projetos políticos. Aliás, metralhadora giratória foi exatamente o termo usado pelo então deputado Alberto Deodato, da UDN mineira, ao situar Lacerda no campo dos embates: “Carlos” – disse ele, udenista como Lacerda – “sua metralhadora é giratória, às vezes temos que nos abaixar para não sermos atingidos”.

Ciro Gomes seria mais coerente se responsabilizasse o presidente Lula que foi quem agiu para a decisão final do PSB. A princípio, Luis Inácio da Silva pensou que Ciro dividiria os eleitores de José Serra, assim garantiria o segundo turno, e no desfecho final apoiaria Dilma Roussef. Esse foi o Plano, digamos A. Depois calculou que Ciro ajudaria mais disputando o governo de São Paulo, Plano B. Ele transferiu seu domicílio eleitoral. De repente, na etapa seguinte, Lula cedeu à reação da regional paulista do PT, contrária ao apoio a Ciro. Chegou à conclusão, muito comum na política, quer, com Ciro, perderia ou a eleição, ou, no caso de vitória, a importância que possuía.

Era esperada a reação. O mistério é Ciro Gomes ter acreditado na hipótese de receber o apoio do PT, em São Paulo. Era só ligar a lanterna de popa e verificar que nos seus trinta anos de existência o PT recebeu muitos apoios. Mas não devolveu nenhum. Nem sequer votou em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral de janeiro de 85 contra Paulo Maluf. Agora mesmo, em Minas, o Partido dos Trabalhadores vai disputar o Palácio da Liberdade com Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, mas não ao lado do candidato do PMDB, Helio Costa. Mas esta é outra questão.

O fato é que o ex-governador do Ceará atacou Dilma Roussef, atacou o PSB, afirmou que Serra, embora preparado, é uma figura tenebrosa. Disparou forte contra o casco do PMDB querendo afundá-lo num mar de críticas. Mas não se dirigiu a Lula, o verdadeiro autor de sua interdição. Foi o presidente da República quem comandou a rejeição do PSB, tanto assim que o partido decidiu apoiar Dilma logo no primeiro turno. Não quis sequer esperar pelo segundo. O projeto de Lula – agora fica demonstrado – é polarizar a campanha, dando-lhe um sentido plebiscitário. Vai entrar pesado para somar votos para a ex-chefe da Casa Civil. Numa primeira fase, pensou em utilizar Ciro Gomes como um aliado importante. Mudou seu pensamento. Passou a considerar como escrevi, que, sozinho enfrenta todas as circunstâncias e assegura a vitória de sua candidata.

Por isso é que as agressões de Ciro são contraditórias. Primeiro pensava em receber apoio do PT em São Paulo. Esse apoio faltou. Depois veio a ordem de Lula ao PSB. Porque Ciro não culpou Lula diretamente? Culpou o PMDB que nada lhe fez. Ciro escolheu o alvo errado.

Mais um favorito, fora do Master 1000 de Roma

Na primeira rodada foi Federer, hoje, na terceira, desapareceu Murray. Como sempre careteiro, falando sozinho, fingindo que está morrendo. No último game, Ferrer perdia por 40 a 0, reagiu, e depois de 11 minutos e 36 segundos (isso no mesmo game), garantiu a vitória.

Murray aperta a mão do vencedor olhando para o outro lado, deselegantíssimo, perdedor insuportável. O espanhol não é o melhor jogador, mas sem dúvida é o maior guerreiro. Podem ganhar dele, mas lutando.

Com a expulsão, o Flamengo ficou com 10. Com Ronaldo, o Corinthians já entrou com 10

O jogo não deveria ser realizado. Com aquela chuva, todo o primeiro tempo não existiu. E o segundo, quase a mesma coisa. A bola não andava, ficava inutiizada. O duelo Adriano-Ronaldo, fica para outra vez. Adriano se movimentou bem, no penalti nem hesitou: pegou a bola, bateu o penalti como deveria ter batido semana passada.

Audácia de Mano Menezes escalando o “Fenômeno”, sem condições de jogar e até de andar, atrapalhou os próprios companheiros. Coragem do treinador, manter o jogador até quase o fim. A única corrida de Ronaldo: quando foi substituido. Dava a impressão de que queria ir logo embora.

O ótimo time do Atlético

Surpresa a exibição do Atlético. Futebol de classe, nenhum chutão, foi igual ao Santos, este desfalcado. Foi beneficiado pelo impedimento claríssimo do segundo gol. Só não viu quem não quis. Duplo impedimento, no primeiro e no segundo lance do mesmo gol. Luxemburgo vibrando espantosamente no segundo gol. Já sem paletó e se lamentando quando Santos fez seus gols.

Brown-Ricupero

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, que deve perder o cargo no dia 6 (embora possa ser o mais votado), foi vítima do “microfone aberto”. Com erro dele mesmo, disse o que não devia.

Repetiu o ministro-embaixador Ricupero há alguns anos. Só que no caso a culpa não foi dele e sim da TV Globo, que precisava queimá-lo. O que aconteceu e dura até hoje.

Os ministros de Lula que não se elegerão

Alguns não conseguirão nem legenda. Um dos prediletos do presidente, Patrus Ananias, perde para Fernando Pimentel, dentro do PT. E os dois não ganham de Helio Costa, que não era ministro de Lula e sim da TV  Globo.

José Pimentel deixou a Previdência, dizendo: “Serei governador ou senador”. Governador será o Cid, reeleito. Senadores, Eunício e Tasso.

No Amazonas, Alfredo Nascimento, apoiadíssimo por Lula,  já festejava. Agora pode perder, fácil, para o ex-vice, Omar Aziz.

Em SP, Mercadante, 8 anos esperando ser ministro, foi “líder irrevogável” de Lula. Sem votos para se manter senador, “resolveu” disputar o governo. Não ganha de Alckmin, pode perder no primeiro turno.

Geddel, depois de agredir duramente o presidente Lula, concedeu “armistício” a ele, foi ministro longo tempo. Candidato a governador da Bahia, perde para Wagner ou Paulo Souto, mas os dois é que vão para o segundo turno.

PP ganhando nas conversas

Ainda não se decidiu por Dilma ou Serra. E vai ficar assim até junho, não por causa da convenção, e sim pelo leilão. Enquanto não houver a reforma partidária, isso é normalíssimo.

Bancos eufóricos com aumento dos juros

Antes mesmo da elevação concretizada ontem no final da tarde, Bradesco e Itaú já aplaudiam a decisão do Banco Central. Os poderosos bancos emitiam quase que oficialmente: “Esse aumento era indispensável para conter a inflação”.

Impressionante: o compromisso (?) do pagamento da divida interna se eleva brutalmente, informam discretamente, silêncio total em matéria de comentário. Como contrariar os generosos banqueiros e seguradoras? E o próprio governo, ainda mais providencial?

Realidade: os juros passam a ficar mensalmente em 15 bilhões e 500 milhões, para 184 bilhões anuais. E o governo garante: “Ainda serão feitos outros dois aumentos este ano”.

O Ciro Gomes conturbado. O Ciro Gomes perturbado. O Ciro Gomes desprezado. O Ciro Gomes abandonado. O Ciro Gomes revoltado.

Todas essas palavras cabem perfeitamente no previsível-imprevisível político do Ceará. Aos 53 anos, ex-governador e ex-ministro da Fazenda, (que já foi o cargo mais importante do País, Souza Costa ficou 12 anos seguidos na ditadura de Vargas, Delfim Netto ficou 12 anos e 6 meses intercalados na ditadura dos generais), tem uma biografia e uma trajetória, altamente registrável.

Se a biografia é plenamente reconhecida, por que fica “voando” em círculos, não atinge o principal objetivo que é a chegada ao Planalto-Alvorada? Sua primeira tentativa foi em 2002, com 45 anos, já tendo ganho no voto a prefeitura de Fortaleza e o governo do estado.

Em 2202 chegou a liderar as pesquisas, estava na frente até mesmo de Luiz Inacio Lula da Silva, tão experiente que já disputava a quarta presidência seguida, o que não aconteceu em nenhum país ocidental.

Podem dizer que apesar da falta de credibilidade das pesquisas, principalmente feitas com tanta antecedência, a liderança de Ciro era surpreendente, provocava comentários gerais, repercutia no país inteiro.

Inesperadamente surgia o Ciro inexplicável, incompreensível, praticamente irresponsável, que jogava tudo fora, de uma hora para outra, sem que ninguém entendesse. A surpresa do Ciro Gomes líder das pesquisas, se repetiu no sentido contrário. Foi caindo, passou para o segundo lugar, “disparou para trás”, não foi nem para o segundo turno.

Terminou 2002 no ostracismo completo, ele mesmo se encarregou de dar um realce espantoso a essa posição. Não se falou nele até 2006, não apareceu nessa nova sucessão. Mas quando se abriram as urnas (ou contados os que apertaram os botões eletrônicos), o Ciro Gomes desaparecido do plano nacional, surgia deputado federal com votação estrondosa.

Esses votos acumulados não serviram para nada nos primeiros 2 anos e meio de mandato, que já era inadequado e desajeitado para o figurino dele. Silencioso, ausente da Câmara, todos comentavam: “Para que o Ciro quis esse mandato opulento?” Mostraria logo a seguir.

No meio de 2009 começou a se movimentar. Lembrou que havia nascido em São Paulo, fez a mudança sensacional do domicílio eleitoral. Naturalmente, surgiram diversas interpretações, novamente aparecia a indagação: “Ciro Gomes se mudando para São Paulo, qual o objetivo e a intenção?”

Silencioso, foi alimentando as versões. Governador de São Paulo? Presidente da República? E a mais ridícula de todas: deputado federal? Ora, se quisesse ser deputado, não sairia do Ceará. Fortalecida ficou a expectativa enclausurada nas duas opções maiores.

Parecia que uma das duas candidatura se concretizaria, quando o cenário mudou com a revelação: Ciro transferira o domicílio a pedido (leia-se: ordem) de Lula. Consolidada a versão, faltou a explicação: o que Lula daria a Ciro como compensação ou reciprocidade pela retirada do que o próprio Ciro proclamava: “Minha candidatura ajuda a Dilma, assim ela vai certamente para o segundo turno”.

Só que o próprio Ciro não confirmava a posição de candidato “linha auxiliar” de Dona Dilma, o que passou a irritar e aborrecer o onipotente e arrogante presidente Lula. Que pressionou e intimidou o PSB, EXIGINDO QUE NÃO DESSE LEGENDA A CIRO COMO POSSÍVEL PRESIDENCIÁVEL.

***

PS – Acovardado, o PSB puxou o palanque de Ciro Gomes, explicando pelo absurdo: “Não podemos ter candidato a presidente, isso prejudicará a legenda”. Ha!Ha!Ha! Para favorecer um partido que não existe, como o PSB, nada melhor do que um presidenciável, e com a coragem, a audácia e a agressividade de Ciro.

PS2 – Repudiado torpemente, Ciro reagiu violentamente, comprovando as 4 palavras que estão no título dessas notas, com o acréscimo de mais uma: E-S-T-A-B-A-N-A-D-O.

PS3 – Como ninguém no PSB (e até fora dele) tem coragem de enfrentar Ciro, apelaram para o irmão, governador do Ceará.

PS4 – Cid, já reeeleito, recusou, respondeu: “O Ciro é indomável”. É mesmo, qualquer que seja o sentido que coloquem na palavra. Acontece que terão que suportar esse homem INDOMÁVEL. Alguém poderá DOMÁ-LO usando medo e covardia? Aguardemos.

Neymar, Ganso e “uma afronta ao torcedor”

Arthur:
“Helio, acho que o Dunga devia convocar não só o Neymar, mas todo o time do Santos.”

Comentário de Helio Fernandes:
Puxa, Arthur, que conhecimento, competência ou intuição na tua afirmação. Só que Dunga vai fazer exatamente o contrário. Dirá: “Para convocar o Neymar tenho que convocar todo o time do Santos, que dá suporte a ele”. Como está visto, Arthur, ele usará tua seriedade como brincadeira.

Carlos Oliveira:
“Helio, quem convoca a seleção? O Dunga ou o Ricardo Teixeita? Como você diz sempre, quem controla a paixão nacional que é o futebol? Não convocar o Neymar e também o Paulo Henrique é uma afronta ao torcedor”.

Comentário de Helio Fernandes:
O que fazer, Carlos? Eles mandam em tudo, não vão convocar nem o Neymar e muito menos o Paulo Henrique Ganso. Só nos resta protestar com a maior veemência, sabendo que não adiantará. Mas não podemos silenciar, silêncio não ganha  jogo nem intimida ninguém. E temos que ganhar na intimidação.

Perspectivas futuras

Carlos Chagas

Caso Dilma Rousseff vença a eleição, em outubro, muito pouca coisa mudará. Mesmo com outros personagens, seu ministério seguirá na  linha do atual, voltado para as obras do PAC e atento à necessidade de realizações no plano social. Seu governo manterá maioria no Congresso, nas  proporções atuais, continuando o PT a ocupar funções de destaque, ainda que sem governadores nos principais estados, pelo menos conforme as pesquisas vem indicando.

A oposição de tucanos e democratas provavelmente começará esmaecida, à espera de atos e fatos negativos que todo governo fornece com o passar do tempo. O já então ex-presidente Lula, querendo ou não, constituirá um ponto de referência permanente, cuidando para conter-se diante da imprensa, que com toda certeza não o deixará  em paz.

No reverso da medalha, se José Serra tornar-se presidente da República?  Engana-se quem supuser uma volta aos tempos e aos costumes de Fernando Henrique Cardoso, ainda que  personagens daqueles idos possam ser repetidos. Mas nada de neoliberalismo exacerbado,  muito menos de novas privatizações ou alinhamento automático com os Estados Unidos.  É possível que banqueiros e especuladores não se sintam tão à vontade quanto nos últimos dezesseis anos. Com relação  à maioria parlamentar, também estará garantida, pelos mesmos  motivos que estaria com Dilma Rousseff, ou seja, por obra e graça do PMDB.

Já em termos de oposição, será diferente. O PT voltará ao período de  intransigência dos seus primeiros anos,  reforçado pela CUT e movimentos sindicais afins, com destaque para o MST. Vão todos recuperar o tempo perdido, tentando  obter resultados  que não obtiveram nos dois mandatos do Lula,  igualmente uma espécie de pólo aglutinador das oposições. E, sem dúvida, candidato a retornar em 2014.

Preocupação

Continuando as coisas como vão, dificilmente o  PT elegerá os governadores do Sul e do Sudeste, ficando as demais regiões  para analisar outro dia. Os companheiros candidatos, se não houver uma reviravolta,  devem perder no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio, Minas e Espírito Santo.

Há preocupação entre as lideranças petistas, tendo em vista a evidência de que diminuirão, também, suas bancadas desses estados, no Congresso. A única forma de contrabalançar a diminuição seria o presidente Lula mergulhar de cabeça na campanha, que sendo de Dilma, abarcaria também os candidatos a  governador, deputado e senador. Disposição para a tarefa ele tem, até já se aventou a hipótese de licenciar-se por dois meses, antes de outubro. Resta saber se existirão condições, porque um presidente da República exerce suas funções em tempo integral, instalado ou não no palácio do Planalto.

Metodologia não explica diferença de resultados

Pedro do Coutto 

Numa excelente matéria, acompanhada de primorosa edição gráfica, Folha de São Paulo de 26 de abril, o jornalista Fernando Rodrigues expôs nitidamente as diferenças das pesquisas realizadas pelo Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus a respeito da sucessão presidencial e as diferenças numéricas que apresentaram. Os dados do Datafolha coincidem com os do Ibope, há uma proximidade acentuada entra o Vox Populi e o Sensus. Todos apontam José Serra na frente.

Para o Datafolha, 38 a 28 pontos. Para o Ibope, 36 a 29, de acordo com o Vox Populi, 34 a 31. Finalmente, segundo o Sensus, em números redondos, 33 a 32. As direções dos quatro institutos acentuaram a hipótese de uma diferença de metodologia para interpretar as divergências. Nada disso. Uns estão certos e outros errados. Equívocos podem constituir a explicação. Diferença de metodologia não. Alguns leitores do site Tribuna da Imprensa, o nível de acesso é muito elevado, a julgar pelas observações a mim dirigidas em torno do artigo que publiquei sobre a posição da Rede Globo e resultados de pesquisas, me atribuíram (na opinião de uns em favor de Serra, sob o prisma de outros por Dilma Roussef). Enganaram-se.

Apenas analisei os resultados e achei, pelo clima atual, que as pesquisas do Datafolha e do Ibope refletiam melhor a realidade. Alguns fatos levam a isso e têm origem na disposição da opinião pública em face da sucessão.

Por exemplo, o voto feminino. O Datafolha e o Ibope concluíram que existe um equilíbrio efetivo entre Serra e Dilma entre os homens e uma vantagem muito grande de Serra junto às mulheres. Estarão certos? Creio que sim. Pois, caso contrário, a própria candidata do PT não anunciaria mudança em sua comunicação com o eleitorado feminino. Hoje, refletindo a população (são 51% de mulheres para 49% de homens), o total de eleitoras está pouco acima do de leitores. A época dos levantamentos foi a mesma. Não ocorreu nenhum fato de choque capaz de, em poucos dias, influir nas intenções de voto mais recentes. Mas eu afirmava que diferença metodológica não pode explicar divergências de resultados. Não pode. Isso porque, em síntese, todas as pesquisas se baseiam na divisão sócioeconômica dos votantes. Que acompanha sempre a formação cultural e o nível de instrução do povo.

O potencial da pesquisa portanto é o mesmo. Logo, falta de convergência é resultado de erro. Involuntário ou induzido, não importa, o que sustento é que não é possível que uma empresa aponte uma diferença de 10 pontos e outra encontre a diferença de 1. Casos do Datafolha e do Sensus. Métodos diversos não explicam. Nem Freud, Marx ou Einstein poderiam traduzir o impasse de forma convincente. Em face da predominância da lei dos grandes números. A disposição coletiva, que aliás é sensível nas ruas, está contida nessa lei eterna.

Eu me lembro, a propósito, de 82, quando o Ibope apontava vitória de Brizola e a Proconsult  a de Moreira Franco. Estávamos no Jornal do Brasil, eu e Paulo Henrique Amorim. Inesperadamente, o diretor de computação do JB, Tadeu Lanes, me chamou e disse que eu, ao prever a vitória de Brizola, me baseava no método do Ibope, mas o sistema da Proconsult era diferente.

Respondi que isso não fazia diferença, já que se tratava de uma projeção lógica, a que eu fazia, inclusive com base no fato de que 10% dos votos já haviam sido computados. Nenhum método seria capaz de mudar a tendência expressa na votação. Paulo Henrique Amorim sustentou minha posição.

Os fatos confirmaram a nossa certeza.

Juros em alta, ações estranhamente em baixa

Ninguém conseguiu nem consegue explicar esses movimentos conjugados. Já se sabia que hoje, depois do fechamento do “mercado”, seria anunciada a alta dos juros. Por que depois do fechamento, se não havia dúvida?

Ontem a Bovespa caiu quase 4 por cento, Vale e Petrobras bem mais, o que confirma: movimento coordenado. Anteontem, segunda, também queda.

Hoje a Bolsa vinha em alta pequena, mas alta. No momento em que posto esta observação, inalterada. E indefinição. Faltam 3 horas para acabar, tudo pode acontecer nesse pátio dos milagres para todos, menos para o investidor verdadeiro.

Com o total errado e juros de 8,75%, estamos pagando, anualmente, 146 BILHÕES. Com o total verdadeiro e juros de 10%, pagaremos 180 BILHÕES. Loucura.

Que vai subir ninguém duvida e pior, não discorda. Só que são dois os problemas e as divergências. 1 – Serão dois ou três aumentos neste 2010? 2 – Agora subirão 0,50 ou 0,75? Comentando e analisando as falas de Meirelles.

1 – Para ele serão (ou seriam) três aumentos. O primeiro, esta semana, o segundo, julho ou agosto. Ou julho garantido e agosto a seguir, não fosse a eleição que está praticamente em cima.

2 – Diante da possibilidade de não poder fazer três elevações por causa dos “prejuízos eleitorais”, a opção: aumentaria 0,75 agora e a mesma coisa em julho, então já estaria fixada a decisão. Haja o que houver, 0,50 ou 0,75 hoje, repetindo no meio do caminho, o juro P-A-S-S-A-R-Á de 10 por cento.

Quem quiser acertar, pode “cravar” 0,50 ou 0,75, as chances são as mesmas. Diante do aumento, quem tiver dado a percentagem certa, afirmará, sem qualquer dúvida: “Eu não falei, não falei?”. Na verdade, podendo ser uma elevação ou outra, existe um fator que terá enorme influência.

Esse fator é o número de vezes em que esse juro amaldiçoado, mas admirado por Meirelles e os aventureiros globais, será aumentado. Se não fosse ano eleitoral, seriam três modificações. Mas diante da falta de tempo, por causa da trajetória eleitoral, podem ser apenas duas. Nesse caso estará mais próximo da realidade, quem “adivinhar” 0,75.

Os aventureiros que têm o privilégio da intimidade com Meirelles deixam escapar, “que ele não admite nada abaixo de 0,75”. Como também não têm coragem para aumentar 1 por cento de uma vez, é lógico, visível e evidente em qualquer análise, que o aumento de 0,75 será o favorito e consequentemente o favorecido.

Assim, com duas ou três elevações, o efeito desastroso para o país será o mesmo. No momento estamos recompensando, (palavra certíssima) esse capital imoral com 8,75 anuais. Qualquer que seja o aumento ou o número de vezes desse aumento, chegaremos (ou até ultrapassaremos) os 10 por cento de juros anuais.

Esse assunto é um verdadeiro fator sigiloso para o governo. Só falam no total da “dívida”, quando é necessária a comunicação oficial. E a chamada mídia amestrada, praticamente não noticia e nem admite comentar, troca o silêncio pelos favores que só o governo pode proporcionar.

Agora vejamos a tragédia que esses juros representam, usando os dados do secretário-geral do Tesouro, um dos raros participantes sérios, corretos e jamais acusados de irregularidade. Em fevereiro veio a público, informando e afirmando: “No primeiro mês deste 2010, pagamos de juros da dívida interna, 12 BILHÕES E 200 MILHÕES”.

E acrescentou: “Pagamos integralmente com a ECONOMIA feita a partir do déficit primário”. É facílimo multiplicar esse pagamento comunicado pelo secretário, pelos 12 meses do ano.

Chegaríamos então, aritmeticamente, a 146 BILHÕES E 400 MILHÕES. Outra conclusão: como os juros estavam (e estarão até amanhã) em 8,75, gastamos ou desperdiçamos, nesses três meses de 2010 (caminhando para o quarto), do que chamam de juros mas que deveriam chamar de extorsão: os 12 BILHÕES E 200 MILHÕES mensais citados pelo secretário.

***

PS – A partir dos 10 por cento do segundo aumento, estaremos “amortizando” a dívida, com a importância identificada MENTIROSAMENTE COMO ECONOMIA, de 146 BILHÕES E 400 MILHÕES, anualmente.

PS2 – Mas há um outro fator complicador, que é o total da DÍVIDA. O secretário do Tesouro minimiza o total. Não está faltando com a verdade, lógico, mas deixa de acrescentar os números MOBILIÁRIOS dessa importância. E importantíssimos.

PS3 – Se esse total fosse apresentado com os números verdadeiros, estaríamos “DEVENDO” mais de 1 TRILHÃO E 800 MILHÕES. A juros de 10 por cento, precisaríamos anualmente de 180 BILHÕES. Cobertos, segundo o governo com a ECONOMIA.

PS4 – Como vimos, com juros a 8,75% e com os números oficiais e não os verdadeiros, pagaríamos todo ano, 146 BILHÕES E 400 MILHÕES. Passando para os 10 por cento, e apresentando a conta verdadeira, teremos que pagar esses 180 BILHÕES. Só de juros, sem amortizar o principal.

PS5 – Aproveitem, examinem, façam os cálculos e concluam: QUANTOS PROBLEMAS, PRINCIPALMENTE DE INFRAESTRUTURA, PODERÍAMOS RESOLVER COM TANTO DINHEIRO PARA INVESTIR?

Helio Costa candidatíssimo

No fim de março fiz análise completa sobre a situação político-eleitoral de Minas. Nomes, cargos, partidos, tudo examinado com total isençao e muita informação.

Afirmei textualmente: “Helio Costa será candidato a governador, Lula quer que volte ao Senado e apoie Patrus”. Garanti que só aceitaria acordo com ele na cabeça de chapa. E acrescentei: “Além do mais, o candidato do PT não é Patrus e sim Pimentel”.

Tudo confirmado, o ex-ministro derrotado duas vezes disse a Lula: “Minha candidatura é inarredável, aceito um vice do PT”. Dominado pela arrogância dos “80 por cento das pesquisas”, Lula não aceita. Ha!Ha!Ha!

Helio Costa já é candidato, os outros são apenas hipóteses. Fernando Pimentel, prefeito eleito e reeeleito, bom candidato, mas não ganha. E o governador Anastasia, apoiado por Aécio, subindo nos números e nas avaliações. Aécio também tem 80 por cento, apesar de estaduais. Mas no caso, é o que interessa.

O palanque de Ciro

O ex-governador e ex-ministro não surpreendeu ninguém. Deu entrevista, chamando o PMDB de “partido sem ética e não-republicano, é um bando de assaltantes”. Isso é o começo.

Não deixem de ler amanhã, análise deste repórter sobre Ciro, “conturbado, pertubado, desprezado, abandonado, revoltado“. Terão uma ideia do estado de espírito dele, e até onde pode chegar.

Senado americano se compromete (mais), vota contra Obama, protege bancos, seguradoras e aventureiros de Wall Street

Eisenhower deixando o governo em 1960: “O mundo é dominado pelo complexo industrial militar”. Foi sua única idéia em 8 anos, mas com grande repercussão. Só que esses aventureiros financeiros eram e são favorecidos pelo derrame de dinheiro que circula tendo Wall Street como ponto de apoio.

Desde a crise de 1929, a começar com Roosevelt, tentaram controlar ou pelo menos fiscalizar a ação devastadora desses acumuladores de dinheiro roubado.

Agora, Obama mandou para o Senado, projeto que não sendo o ideal, tinha muitos pontos excelentes. Vetaram, mostraram ao presidente quem manda em Wall Street, no mundo e no dinheiro de quase 7 bilhões de habitantes do planeta . O projeto é irreversível, não há o que fazer.

A mediocridade da política internacional

Perplexidade em todos os países com as fotos publicadas em jornais (e internet) do mundo inteiro, de Celso Amorim com o presidente do Parlamento do Irã. Pergunta unânime: “Quem é esse homenzinho?”

Quando respondiam “é o chanceler do Brasil”, admitiam perguntando: “Lula mudou de posição em relação ao Irã?” Como se soube que Lula viaja para lá em 17 de maio, desânimo geral.

Proposta perigosa

Carlos Chagas

Pelos cálculos do ministro da Justiça, 80 mil presos ganharão a liberdade em todo o país,  caso aprovada sua proposta de afastar dos estabelecimentos prisionais os condenados sem grande periculosidade. É bom tomar cuidado. Criminosos de espécies variadas,  sentenciados pela Justiça, estarão sentados no ônibus ou  no metrô,  ao nosso lado. Passearão pelas ruas, freqüentarão centros comerciais e tomarão sorvete perto de nossas crianças sem ter cumprido as penas referentes às suas delinqüências. Só não poderão estar de bermuda e sandálias de dedo, que revelariam a obrigatória tornozeleira capaz de monitorá-los à distância. De meias e  calças compridas, serão cidadãos iguais a todos nós.

Fica para outro dia indagar quem ou que empresas serão beneficiadas com a venda ao poder público  dessa parafernália eletrônica a exigir complicados centros de vigilância.

A discussão é mais profunda. Quantos, entre os 80 mil, reincidirão no crime, voltando a roubar, assaltar, falsificar, agredir e enganar pessoas honestas?  Pelas estatísticas aferidas nas folgas de Natal, Ano Novo, Dia das Mães e similares, perto de 20%. Sem falar na capacidade dos próprios ou de familiares e amigos de  transferirem as tornozeleiras  para um poste ou um pé de mesa, deixando-os sem monitoramento. Mas mesmo que flagrados em botequins ou zonas duvidosas, de madrugada, o que fará a autoridade pública para enquadrá-los? Fica difícil imaginar a possibilidade do envio de choques elétricos ou admoestações através de chips ou ondas curtas.

A sugestão do ministro, com todo o respeito, bate de frente com o sentimento da sociedade. Vai estimular o crime e a violência. Afinal, mesmo parecendo de baixa periculosidade, foram presos, julgados e condenados. É claro que não deveriam estar misturados a autores de crimes hediondos ou a bandidos contumazes. Que se utilizem os recursos dessa custosa e perigosa aventura para construir pavilhões e até presídios destinados aos presos menos perigosos. Mas que sejam  mantidos atrás das grades pelo tempo de sua condenação. Em nome dos que permanecem do lado de cá.  Diz o mote popular que esperteza, quando é demais, come o esperto. Bondade em demasia também come o bondoso.

Não dá para ignorar

É conhecida a história do fazendeiro que viajou e só deveria voltar na segunda-feira, mas resolveu retornar no domingo. Ao passar pela  porteira de sua fazenda, flagrou um peão levando um cabrito nas costas. Indagou por que e o esperto camarada espantou-se, perguntando: “Cabrito? Que cabrito? Sai daí, bicho!”

Assim estão o PMDB, o PT, o PSDB e o próprio presidente Lula, frontalmente atacados  por Ciro Gomes e dispostos a continuar ignorando as críticas e as diatribes.  Fingindo que o cabrito não existe.

Em alguns casos, as agressões do ex-candidato presidencial têm sido virulentas, como a de que o PMDB é uma quadrilha de bandidos e o PT e o PSDB, partidos de golpistas.  No mínimo, deveriam defender seu patrimônio.

Mais ministérios

A redução do número de ministérios foi uma das iniciativas louváveis do então presidente Fernando Collor, entre outras dignas de condenação. Começou seu governo com apenas seis, fora os militares. O presidente Lula já chegou aos  38 de hoje,  mas José Serra, se for eleito, acrescentará  pelo menos mais dois: os ministérios da Segurança e do Deficiente Físico. País rico é assim mesmo, ainda que as duas novas criações venham a esvaziar os ministérios da Justiça e da Saúde.

Risco de outro fracasso

O périplo do chanceler Celso Amorim pelo Irã, Rússia e Turquia precede a ida do presidente Lula a Teerã, onde, com o apoio dos governos russo e turco, espera oferecer à singular República Islâmica a garantia de resistência contra  as sanções do resto do mundo. A contrapartida seria a promessa dos aiatolás de permitirem a fiscalização internacional em suas usinas nucleares, como demonstração de que não estão fazendo a bomba atômica.  Trata-se, a iniciativa brasileira, de uma incursão no reino do desconhecido. O risco será de o Brasil ficar de mãos abanando tanto diante dos Estados Unidos e seu grupo, que insistem nas sanções, quanto frente ao Irã, que não admite fiscalizações. Boa vontade não costuma mover montanhas, em termos de política externa.

Aposentados: Habilidade para impedir veto

Pedro do Coutto

Sem dúvida, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza, agiu com habilidade flexibilizando o texto do projeto – originário de Medida Provisória do presidente Lula – que reajusta os vencimentos dos aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo, vejam só, apenas 25% dos 27 milhões de inativos que recebem pelo INSS. A medida provisória propõe um aumento de 6,1% para aquela fração de trabalhadores que pagaram a vida inteira para assegurar seu direito à aposentadoria. A própria base do governo achou pouco 6,1% e emendou o projeto para 7,7%. O ministro Guido Mantega considerou um exagero, mas admitiu 7%. Assim, se a emenda dos 7,7% for aprovada, torna-se provável o veto de Lula, apesar de nos encontrarmos em ano eleitoral.

Vacarezza então apresentou um substitutivo concedendo os 7,7% aos que ganham até 3 mínimos, mantendo os 6,1% para os demais. Agiu com habilidade, pois nesta altura dos acontecimentos, o importante é garantir a sanção da matéria pelo Palácio do Planalto. O problema do veto porém continua, a menos que o texto final possibilite o corte parcial da proposição. A fórmula seria aprovar tanto os 7,7 ou 7% num trecho e os 6,1% em outra linha. É mais ou menos o que provavelmente Vacarezza tem em mente.

A hipótese do veto, em qualquer matéria que exija sanção presidencial, é sempre sensível. A boa técnica legislativa sinaliza para fórmulas que permitam o veto parcial, evitando o veto total. Pois o veto total derruba tudo. O parcial, como o próprio nome define, proporciona condições de serem levadas ao presidente duas alternativas. Isso depende da redação final do projeto aprovado.

Por exemplo: se o Congresso decidir substituir integralmente os 6,1% pelos 7,7%, aplicado o veto não haverá reajuste algum e o governo ainda por cima culpará o Legislativo. Ao contrário, se a redação for flexível, o que é algo bastante fácil, deixará o presidente à vontade, mas garantirá pelo menos os 6,1%. Creio que Cândido Vacarezza conheça o assunto de forma suficiente para não radicalizar a decisão final da Câmara, uma vez que o Senado já aprovou os 7,7%. Estou escrevendo este artigo para pedir atenção dos parlamentares a respeito do assunto. Antigamente, tal alto era o nível das Casas do Congresso, esta iniciativa seria desnecessária. Mas hoje não temos mais Afonso Arinos de Melo Franco, Santiago Dantas, Carlos Lacerda, Aliomar Baleeiro, ausências causadas pelo tempo das quais o Parlamento se ressente. O nível do quadro atual, infelizmente, desceu muito.

Por exemplo: o projeto do senador Raimundo Colombo que isenta de contribuírem para o INSS os aposentados que permanecem trabalhando. Como pode haver dúvida em torno de matéria tão clara? O que é a aposentadoria? É um seguro social cuja apólice vence em decorrência da liquidação das prestações. Se alguém já pagou por esse direito, tem que lhe ser resgatada a apólice. Cobrar mais por um direito já assegurado representa nitidamente a figura do confisco, proibido pela Constituição do país. Pois para toda contribuição há que corresponder uma prestação de serviço ou um direito adicional. No caso da contribuição dos aposentados , não ocorre nem uma coisa, nem outra. Trata-se de um confisco total. Extinguir a contribuição, como propõe Raimundo Colombo, é algo totalmente legítimo.