Sarney, “não tenho nenhum inimigo”, volta do recesso para exibir um DOSSIÊ de mais de 40 anos

O presidente do Senado tem falado ininterruptamente, até amigos de sempre, criticam. E outros, assustados, se afastam. Motivo: Sarney está usando um tom agressivo, hostil, até mesmo de intimidação, que não era o habitual nele.

Um só exemplo: tem dito que não renuncia de jeito algum à presidência do Senado. “Não ligo a mínima para esse cargo que ocupo pela terceira vez, por CONVOCAÇÃO”.

“Mas não admito que me tratem como estão me tratando, como se eu fosse um Jader Barbalho qualquer, que renunciou para não ser cassado”.

É o único nome que cita pejorativamente. Um dos mais íntimos do ex-presidente da República, lembra: “mas presidente, o senhor não deve provocar o Jader, afinal ele foi seu Ministro duas vezes, como explicar?”.

(Jader foi Ministro da Previdência Social, no cargo, previdentemente, reforçou de forma exemplar sua geografia bancária. Depois, deixou esse Ministério, foi para o da Reforma Agrária. Aí remanejou as terras de tal maneira, que a reforma agrária teria que ser feita pessoalmente contra ele, passou a ser o maior proprietário rural do país).

Sarney se lembrou e justificou: “Eu não tinha maior ligação com Jader, então governador do Pará. Fui procurado pelo Passarinho, que me disse: “Só me elejo senador se você me ajudar”.

Sarney dá uma parada e volta a falar: “perguntei a ele o que podia fazer, ele disse que bastava o Jader o apoiar, estaria eleito”. Não podia negar nada a um companheiro como ele, nos ajudamos mutuamente, ele na Arena e depois, os dois no PDS”.

Sarney não para mais, continua as lembranças: “Chamei o Jader, coloquei o problema. Nenhuma resistência. Disse que poderia deixar o governo e se eleger senador, ou ficar e eleger Passarinho. Mas depois, fico sem nada, perdido na planície?”

Sarney lembra que ficaram calados, até que o Jader, tranquilamente me disse: “Cumpro o q estou prometendo, o senhor me nomeia Ministro da Previdência Social, conheço muito o assunto”. Sarney pergunta então: “Tive algum interesse pessoal, ou apenas salvei um amigo como o Passarinho, era 1986, a ditadura acabara, ele ficaria no ostracismo”.

Elogiam sua memória, Sarney pela primeira vez dá um sorriso, deixa de lado a amargura que o persegue, e diz num tom de intimidação: “Minha memória não é nada, importante é meu arquivo, o que eu chamo de meu DOSSIÊ. Alguém duvida que um político como eu tenha deixado de registrar um dia da presidência, as concessões que fiz, principalmente no setor de rádio, televisão, bancário e imobiliário?”.

Assombro geral. Quase todos vindos de longe com Sarney, não conheciam esse Sarney vingativo e cheio de ódio. Sarney sempre fez questão de dizer, “não tenho um só inimigo”. Agora essa exibição desvairada de destruição. Um dos mais íntimos, me disse: “Helio, senti um frio na espinha, o ex-presidente pregava a guerra geral, não era ameaça vã, era intimidação mesmo, com base em tudo o que guardara em mais de 40 anos”.

Sarney deu por encerrada a conversa-confissão na luxuosa casa oficial do presidente.Coisa que não existia no Rio, é o festival de mordomia e hipocrisia, que soterrou a vida pública no que chama de NOVA CAPITAL.

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PS- Despedida de Sarney: “O único que respeito é o presidente Lula, que disse: “um homem como o Sarney não pode ser acusado ou julgado”.

PS2- “Vou para o Maranhão ficar com a Roseana e o Fernando, volto no fim do recesso, serei outro Sarney. Disposto à luta, à represália, a responder acusações com fatos documentados. Mais de 90 por cento, que se assustem desde agora, é o recesso do medo”.

Corrupção, uma nova cultura no país

Pedro do Coutto

Neste final de semana, os historiadores Marco Antonio Villa, em entrevista a Adauri Antunes Barbosa, O Globo, e Boris Fausto em artigo publicado em O Estado de São Paulo, edições de domingo, cada qual à sua maneira focalizaram o avanço da corrupção no país nos tempos modernos –para citar Chaplin- , mas concluíram suas teses de forma diversa. Ambos desenvolveram raciocínios teóricos e não focalizaram os pontos práticos da questão. Marco Antonio Villa acredita ingenuamente que o Brasil está se preparando para virar a página da crise dose nado, pois a seu ver ela é produtiva na medida em que assinala a superação política de José Sarney, principal foco de um mar de denúncias. Boris Fausto analisa a corrupção em sua perspectiva histórica, reconhecendo contudo que a velocidade de seu crescimento é muitas vezes maior que o das punições que sobre ela incidem. São ambos ensaios intelectuais que parte de prismas idealizados e pouco reais. Boris Fausto, entretanto, aproxima-se muito mais do plano concreto do que se reflete o pensamento de Marco Antonio Villa.

Para Marco Antonio Villa, o enquadramento do senador Sarney dentro da ótica da ética deve significar uma página virada na história do país, abrindo assim a perspectiva de uma redenção moral. Não é nada disso. Com ou sem Sarney, a corrupção vai prosseguir seu trajeto veloz porque as condições que levaram a esta aceleração não foram eliminadas. Boris Fausto é mais claro quanto ao processo e mais cético quanto aos efeitos de avalanche de denúncias que desabem sobre o presidente do Senado e sua família. Se eu tivesse que escolher entre uma tese e outra não ficaria com nenhuma das duas.

Porque penso que a corrupção, principalmente a partir do movimento político militar que derrubou o governo Goulart em 64, foi se alastrando de tal forma que terminou cristalizando concretamente uma nova cultura no Brasil: a da corrupção. Ela passou a ser considerada um fenômeno positivo, descompromissado com a sociedade, consagrando efeitos individuais no lugar dos interesses coletivos. Os desonestos passaram a ser cultuados, os honestos vistos sob desconfiança. O fato de alguém ser honesto passou a ser quase um defeito. Algo desagradável, intoxicante. Construir algo de coletivo transformou-se em atitude utópica, ridícula, motivo de deboche e menosprezo, algo passadista e bizantino. O objetivo de lucro e riqueza a qualquer preço, de qualquer maneira, substituiu no plano do conceito positivo, o comportamento correto.

Conta-se até como anedota a pergunta que um político fez a um governador de Estado: o senhor vai nomear fulano párea uma Secretaria? Não faça isso. Esse homem é honesto. Ou então a peada inspirada em Oscar Wilde: um dirigente chamou auxiliares seus e pediu a indicação de alguém para determinado posto. Os indagados perguntam: _Não serve Ernesto? Antigamente não era assim.

A corrupção era uma exceção, na a regra. Hoje, ao contrário, é a regra, a honestidade a exceção. Os sinais majoritários se inverteram. Basta dizer que se chegou ao ponto de se criar o mensalão em pleno Congresso Nacional. Em bancos de Brasília havia até filas para que muitos recebessem suas mesadas. A superação de Sarney significa algo evidente. Mas ele não representa o fim de um processo. Longe disso. Pois uma cultura quando se cristaliza leva pelo menos décadas para ser dissolvida. Os fatos que conduziram, em nosso país permanecem. Eles não são mais fortes que as pessoas. As pessoas passam. As raízes da cultura ficam.

Parreira contaminou o Fluminense

Quantos jogos o time ganhou com o “tetra” no comando? Em 11 jogos, disputando 33 pontos, o time ganhou 10. E o clube acumulou quantos? Nenhum.

No caso do Fluminense é obrigatório separar o time e o clube. O time entra em campo unido, o clube faz tudo para desuni-lo. É impossível viver dessa maneira.

É necessária a intervenção dos sócios. Estes se reúnem, elegem um presidente, quem manda, desmanda e comanda é o patrocinador, que por vaidade, ambição e arrogância, faz e desfaz.

Isso não é de agora. Assim que se movimentou para um novo contrato fabuloso, o “tetra” foi advertido, não ligou.

No final da linha de rebaixamento, o time perder impiedosamente, o clube abandona a glória e a tradição, prefere a traição. Não no campo.  Final do drama-tragédia: Goiás 4 a 1, podia ter feito 6 ou 7, não se interessou.

Quase 2 anos depois, Lula lamenta a CPMF

O governo dizia que não poderia governar sem a CPMF. Se fosse verdade, deveria ter cuidado melhor da tramitação na Câmara, o relator não poderia ter sido o notório Eduardo Cunha. Mas foi e se aproveitou.

Ficou 6 meses com o projeto engavetado, sem relatá-lo. EXIGIU do governo o cargo de presidente de Furnas. Por que Furnas? Por causa do Fundo Real Grandeza, dos funcionários.

Lula resistiu 6 meses, se rendeu ao lobista, entregou Furnas a ele, e este assim mesmo perdeu. E Eduardo Cunha também não ganhou o dinheiro do Fundo. Os funcionários resistiram com o appoio único e total da Tribuna da Imprensa.

Agora Lula diz publicamente: “Minha mágoa é a CPMF ter acabado”. A culpa é do próprio Lula. Negociar e se render a Eduardo Cunha? Que República.

O Presidente da Costa Rica, Prêmio Nobel da Paz, propõe: “Eleições imediatas em Honduras”

O Poder é fascinante e contagiante, de tal maneira que é imperioso e obrigatório estabelecer um limite para a sua utilização por uma só pessoa, para que não o ocupe de forma ininterrupta.

Na Constituição americana de 1788 (a única que eles têm), Washington e Jefferson lutaram intensamente por um mandato presidencial de apenas 2 anos, foram derrotados.

Passaram para 3, para 4 sem reeleição, a maioria se fixara nos mandatos de 4 anos, com quantas vezes o povo votasse nesses presidentes. Curiosamente, tanto Washington quanto Jefferson (e mais Monroe e Madison) ficaram 8 anos, não quiseram o terceiro mandato.

Em 1932, Roosevelt foi eleito, ganharia também em 1936, 1940 e 1944, e mais ficaria se não morresse no cargo. Mas aí, quando Truman assumiu, Republicanos e Democratas se reuniram, aprovaram a emenda número 24 (em 1950), que permite a cada cidadão eleito apenas uma reeleição e mais nada.

Estas lembranças são impostas pelo problema de Honduras, onde o presidente Zelaya tentou ficar mais 4 anos, o que levou os generais a destituí-lo. (Não foi o primeiro nem será o último, se não se estabelecerem regras fixas e firmes para impedir os mandatos repetidos).

No Brasil, Vargas chefiou a Revolução (“revolução”) para impedir os presidentes de indicarem seus sucessores. Ele não indicou ninguém, ficou 15 anos. Só saiu deposto. FHC, eleito para um mandato de 4 anos, ficou 8 anos, simplesmente comprou (pagou) mais 4 anos.

Na Argentina e no Peru, Menem e Fujimori, eleitos por 4 anos, ficaram 8, queriam pelo menos mais 4, foram impedidos. Agora, a mesma América do Sul, que em determinada época tinha ditadores em todos os países, tenta seguir o exemplo do provinciano coronel Chávez, que pretende morrer no Poder, isso se admitir que pode morrer.

E aqui mesmo no Brasil, depois de uma ditadura de 15 anos e outra de 21, adorariam impor o “terceiro mandato”, pela forma que for possível. Certo e admissível que o pretendente (no caso, o presidente Lula), se conseguir os 12 anos, por que não reivindicaria 16 ou 20? E se ele conseguir ou obtiver, por que outros não tentariam?

No caso de Honduras, as coisas se complicaram por causa do açodamento da OEA e até mesmo dos EUA. Sem examinar em profundidade a questão, decidiram: “Zelaya foi deposto TEM QUE voltar ao Poder. Nem perceberam que Zelaya foi o primeiro golpista, os generais foram na trilha aberta por ele.

Imediatamente escrevi: “Zelaya e os generais são igualmente golpistas, o Poder deve ser entregue ao cardeal, não por ser cardeal, mas porque é respeitado, combateu logo os dois lados”. Além do mais, faltavam 6 meses para a eleição, era visível a intenção de Zelaya.

Agora, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, um democrata, e além do mais, Prêmio Nobel da Paz, mediando a questão, faz proposta plenamente aceitável. Com alguns pontos irrefutáveis.

1. Zelaya não volta ao Poder.

2. A eleição, marcada para novembro, é antecipada para outubro. Pouco menos de 3 meses.

3. Os generais não comandarão a eleição.

4. Haverá ANISTIA TOTAL, beneficiando a todos.

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PS- É impossível recusar uma proposta nesses termos. Quem recusá-la, seja quem for, quer apenas se beneficiar.

Política é como a nuvem: Aécio em voo livre

Pedro do Coutto

A frase do governador Magalhães Pinto (política é como a nuvem, muda de forma e direção a todo instante) é tão eterna como os diamantes, título de um dos livros de Ian Fleming, autor da série James Bond. Sem dúvida. A constatação está nas matérias publicadas simultaneamente na sexta-feira, 17, nas edições de O Globo, Folha de São Paulo e pó Estado de São Paulo. No Globo, saiu sem assinatura. Em O Estado de São Paulo está assinada por Eduardo Katah. Na FSP por Breno Costa e Kátia Seabra. Assinalam, a meu ver, uma reviravolta no processo da sucessão presidencial de 2010. Encontrando-se com o governador Aécio Neves, logo após a partida Cruzeiro e Estudiantes, no Mineirão o deputado Ciro Gomes afirmou diretamente que poderá não disputar a presidência da república se Aécio for o candidato do PSDB, passando então a apoiá-lo.

O encontro, claro, não aconteceu por acaso. O governador José Serra assistiu à partida ao lado de Aécio e do técnico Dunga. E a reunião política  teve a presença do ex presidente Itamar Franco que ingressou no PPS, aderindo portanto a uma legenda de oposição ao governo Lula. Os jornalistas, por seu turno, também não apareceram por acaso. Aécio Neves, Ciro Gomes e Itamar Franco produziram um episódio. Aliás politicamente muito importante. José Serra, em torno de quem circulam rumores cada vez mais intensos de que vai disputar a reeleição em São Paulo e portanto desistir de uma nova tentativa rumo ao Planalto, indo a belo Horizonte sem dúvida sinalizou para confirmar a versão que ganha corpo. Com isso, o panorama de 2010, de repente, como dizia Magalhães Pinto, muda de forma e direção.

Ciro Gomes, com suas afirmações, distancia-se tacitamente da ministra Dilma Roussef e fortalece o projeto Aécio Neves, sem dúvida um homem extremamente iluminado pela sorte. Itamar Franco, vale lembrar, desistiu da reeleição em Minas em 2002 para apoiar sua candidatura ao Palácio da Liberdade. Com dinamismo e dono de forte simpatia pessoal, Aécio reelegeu-se por margem disparada de votos. O quadro, com base nas pesquisas do Datafolha, Ibope e Sensus, na esfera do PSDB, era bem mais favorável a Serra. O governador paulista registrava entre 38 a 40 pontos. O chefe do executivo mineiro, quando seu nome figurava como alternativa tucana, ficava entre 17 a 20%De repente, porém, não mais que de repente como disse o poeta, José Serra se retrai e o espaço se abre para Aécio Neves como num passe de mágica. O que terá levado Serra a refluir? Poucas interpretações podem ser colocadas, mas nenhuma delas concretamente poderá convencer se não acompanhada por informação concreta de bastidor. Sem esta informação, fica-se com a impressão. Não com a certeza.

Mas esta aparência superficial é contudo suficiente para revelar a alteração do quadro, que apresentou como reflexo imediato um novo posicionamento de Ciro Gomes. Primeiro o ex governador do Ceará colocou a hipótese de concorrer pela terceira vez à presidência da República. Depois admitiu candidatar-se ao governo de São Paulo transferindo seu domicílio até 30 de setembro próximo. Agora o governo paulista fica para segundo plano, talvez terceiro, e publicamente admite seu apoio a Aécio neves. Aécio cresceu extraordinariamente no episódio. A opinião pública, absurdamente desprezada pelo Senador Paulo Duque ao assumir a presidência da Comissão de Ética do Senado no intuito de livrar José Sarney das acusações formuladas, é fundamental. Sem ela e sem a imprensa que a sensibiliza não se faz política. Tanto não se faz que Aécio, Ciro, Itamar para não falar em Serra, convocaram os jornais para produzir um impacto político forte na sucessão de Lula. A prova aí está.

Os desatinos e os escândalos viajaram

Carlos Chagas

Para  sair de férias, não há força humana ou divina  que impeça. Falamos do Congresso, como poderíamos falar, também,  do Judiciário e seus tribunais superiores. Com toda certeza não haverá um trabalhador em todo o território nacional que não tenha sido obrigado, em algum momento, a adiar férias antes programadas. A empresa exige, a repartição apela, até a família se intromete.

Com deputados e senadores, de jeito nenhum. O primeiro semestre parlamentar foi atípico, entrando tempestuoso pelo mês de julho. Desde a mais recente agressão do presidente Lula, chamando os oposicionistas de pizzaiolos,  até a explosiva CPI da Petrobrás, a constituição singular  do Conselho de Ética do Senado, as sucessivas denúncias contra o presidente José Sarney, a votação atabalhoada da Lei de Diretrizes Orçamentárias, enfim, não obstante  um desgaste poucas vezes verificado no Legislativo – apesar de tudo, deram-se as mãos líderes e bancadas de todos os partidos. Escafederam-se sorrindo.  Esqueceram divergências e desafetos, tanto quanto a necessidade de investigar, esclarecer e  prestar contas à opinião pública de uma das maiores crises de sua história. Cessa tudo, na hora de Suas Excelências ganharem o caminho da praia, da montanha ou do exterior.

Causava espanto a movimentação no aeroporto de Brasília, no fim de semana. O saguão de entrada parecia um plenário lotado e efervescente, ainda que a maior parte dos representantes do povo tenha encontrado nova forma de escapar  do próprio, quer dizer, do povo. Embarcam através de salas especiais, antes da plebe. Raramente entram em filas, já que seus aspones fazem o check-in antecipado.

Muita gente fica com a impressão de o Congresso haver encenado uma farsa na capital federal, de fevereiro até agora, porque fecharam as gavetas, empurraram graves questões para agosto e, felizes, foram embora. Depois se argumenta que Brasília é o centro  da corrupção, dos desatinos e dos escândalos. Não é. Os escândalos, os desatinos e a corrupção viajaram…

As obras de Santa Engrácia

No tempo dos nossos avós, quando os portugueses ainda mantinham forte influência na vida cultural e comercial do Brasil, era comum   o uso da  imagem lusitana que lembrava as “obras Santa Engrácia” para explicar empreitadas sempre adiadas e jamais completadas.  A referência ia  para a construção da igreja de Santa Engrácia, em Portugal, iniciada no século XVI e à época ainda  não concluída.

É mais ou menos o que acontece com a aquisição dos imprescindíveis novos aviões de caça para a Aeronáutica. Estamos defasados de décadas em nosso equipamento aéreo, e nem se  compara a situação  com os Estados Unidos, a Rússia, a China  e outros países militarmente desenvolvidos. Perdemos para a Venezuela, o Peru, o Chile, a Argentina e a  Colômbia, em número e qualidade de aeronaves de combate. Há quantos anos ouvimos dizer que o governo, agora, modernizará nossa frota? Mil anúncios são feitos, contratos anunciados, mas nossos pilotos frustram-se há várias gerações.    Estão enganando a Força Aérea Brasileira faz muitos  presidentes da República. Um dia, queira Deus que jamais aconteça, ficaremos arrependidos de tanta protelação, porque dinheiro para acudir bancos falidos e empresas em estado pré-falimentar, nunca faltou.  Para garantir a segurança e a soberania nacional, é outra conversa…

Não tem prazo

Irrita-se o presidente Lula toda vez que toma conhecimento da opinião de parlamentares da base oficial no sentido de estabelecer prazos para a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Porque com razoável cautela, até companheiros do PT afirmam que estão com a candidata, mas que ela deve afirmar-se antes do final do ano, nas pesquisas. Não há prazo, para o Lula, ainda que sempre acrescente estarem os resultados  muito melhor do que as previsões. Mas não admite dúvidas e questionamentos. Dilma é o nome e não haverá que reformar a decisão.

São poucos, no PT e fora dele, nos partidos que apóiam o governo, com coragem de ponderar junto ao chefe  a hipótese de a chefe da Casa Civil não decolar. Falta coragem para questionar a imposição presidencial. De qualquer forma, haverá que aguardar.

“Deixe que eles falem…”

Do outro lado, no ninho dos grão-tucanos, prevalece a determinação de  José Serra de falar pouco sobre sua candidatura mas de manter férrea a determinação de ir até o fim. Quando indagado da possibilidade de abrir mão da disputa pelo palácio do Planalto e fixar-se na reeleição para o palácio dos Bandeirantes, o governador reage sempre com a mesma resposta: “deixe que eles falem…”

A referência é para o fato de que o PSDB identifica no governo e no PT a onda de insinuações a respeito de Serra preferir o certo ao duvidoso, ou seja, preferindo o segundo mandato em São Paulo.  Para quem o conhece, desde os tempos em que presidia a União Nacional dos Estudantes, essas versões só fazem solidificar ainda mais a disposição pela candidatura presidencial.  Precisa evoluir com cuidado, até pela existência das pretensões do governador de Minas, Aécio Neves. Mas a conclusão é de que vai até o fim.

Inédito, textual e entre aspas

Celso de Mello, decano do Supremo, mais alto tribunal do país: “O Supremo Tribunal Federal é mais importante do que todos e de cada um dos seus Ministros”. É e sempre foi.

De José Sarney, ex-presidente da República e presidente do Senado, para descansar (de quê?) e deixando Brasília: “Não serei julgado pela Comissão de Ética, nem renunciarei”. Está de tal maneira seguro, que não fala nem em absolvição, e sim em NÃO SER JULGADO.

Do senador Artur Virgílio, líder do PSDB: “Não gostaria de criticar José Sarney, mas sou obrigado. E gostaria que ele estivesse presente”.

Da senadora Ideli Salvatti: “O PSDB não quer fiscalizar a Petrobras, quer privatizá-la”.

Do senador Sergio Guerra, presidente do PSDB, que não volta ao Senado depois de 2010: “Não queremos privatizar a Petrobras, queremos defendê-la e transformá-la de verdade na grande empresa que o governo diz que ela é”.

Parreira, Ricardo Gomes, Muricy, Luxemburgo

Já disse uma vez: ”Treinador pode demitir jogadores, mas não pode derrubá-los. Jogadores não podem demitir treinadores, mas podem derrubá-lo”.

Aconteceu com Muricy, pode acontecer com Tite e Adilson Batista.

Parreira foi incompetência acumulada. E até Mano Menezes, que era absoluto, está sofrendo três gols, seguida e perigosamente. Leão é um capítulo extra, da mesma forma que Luxemburgo.

Os dois foram unanimidade, técnicos de seleção, demitidos sem aviso prévio. (Exclusiva)

Causas da irritação do companheiro

Carlos Chagas

Claro que os psicólogos responderiam com muito mais competência e certeza do diagnóstico,  coisa que não nos impede, simples mortais, de arriscar  palpites. Sobre o   quê? Sobre a crescente irritabilidade  do presidente Lula quando, em improvisos ou numa dessas múltiplas entrevistas de beira de calçada, investe com diatribes e agressões sobre o  objeto das  perguntas e às próprias,  neste caso, ou dá vazão a sentimentos variados, naquele.

O companheiro-mór anda bravo com o mundo, chamando os  oposicionistas de pizzaiolos, os aliados de incompetentes e os  jornalistas de desafetos. Parece haver baixado nele o espírito do general Ernesto Geisel, aquele que além de presidente da República era ministro de todas as pastas, diretor de todos os departamentos e chefe de todas as seções do serviço público.  Transforma-se, o Lula,  em dono das verdades absolutas,  detentor único das soluções para problemas políticos, econômicos e administrativos. Até mesmo sua tradicional bonomia e seu sentimento de tolerância vão cedendo lugar à intransigência. Fenômeno estranho, porque ao invés de a candidata Dilma Rousseff absorver as qualidades  do chefe, antes abertas ao diálogo e à absorção de críticas, é ele  que parece haver sido  inoculado pelo germe da agressividade e da falta de indulgência para quem pensa ou age diferente.

O importante,  para os  psicólogos, é analisar profissionalmente   e conhecer a causa  da mutação  de  sentimento  dos pacientes, ainda que a  nós,  cá de baixo, sempre seja  permitido arriscar impressões periféricas.

Estará o presidente percebendo que Dilma Rousseff não chega lá? Que precipitou-se ao impor a candidatura da correta chefe da Casa Civil, excelente administradora mas carente de experiência política? Porque,  nesse particular, não adianta falar grosso, elevar a voz, dar ordem unida  e comportar-se como  mestre-escola. Pontificar é perigoso, impor,  mais ainda, para quem depende da opinião e do voto dos outros.

Há que aguardar os próximos  lances e os novos episódios dessa novela de suspense em que se transforma a sucessão presidencial. Com prazo ou sem  prazo para dona Dilma decolar, a verdade é que a sombra da derrota começa a surgir no horizonte, apesar da vasta  propaganda e da cortina-de-fumaça levantada no palácio do Planalto e arredores. O risco é de o programa governamental  em curso nos últimos sete anos sofrer solução de continuidade e ser substituído pelo plano de vôo  dos tucanos.

Novas perspectivas

O saudoso dr. Ulysses dizia que o atual Congresso sempre era pior  do que o anterior e melhor do que o próximo.  Há dúvidas,   diante da lambança revelada pelas  denúncias de abusos parlamentares, antigas mas apenas agora conhecidas.  Continuando as coisas como vão, o próximo Congresso só poderá ser melhor do que o atual,  já que pior é impossível. Tudo indica que a renovação na Câmara dos Deputados e, em especial, no Senado, será arrasadora.  A pergunta que se faz é se a tendência para  as eleições parlamentares do ano que vem contaminará  as eleições de governador. A ânsia por escolher candidatos desvinculados das práticas denunciadas  pode até não dar resultado, quem sabe os eleitos oferecerão espetáculo ainda mais lamentável do que o encenado  pelos atuais? Mesmo assim, a busca de novos deputados e senadores poderá contagiar a procura por novos governadores. Será um desastre para as oligarquias e até para honestos esquemas de poder em exercício, mas essas coisas  costumam pegar  mais do que sarampo. Coincidência ou não, começam a aparecer nos estados candidatos desvinculados das lideranças em exercício. Acima e além de partidos, é bom prestar atenção nos movimentos não  ortodoxos. Até mesmo nos de origem religiosa, o que pode ser, com todo o respeito, um perigo dos diabos…

Cruzeiro: a técnica perdeu para a tática

Pedro do Coutto

Na noite de quarta-feira, no estádio Magalhães Pinto, na decisão da Taça Libertadores da América, a história eterna do futebol registrou mais um episódio em que a técnica e a arte perderam para a tática. É a explicação ao mesmo tempo mais simples e mais clara para a vitória do Estudiantes de La Plata sobre o Cruzeiro. O técnico Adilson Batista não soube traçar para o time o caminho lógico para que saísse do esquema de ocupação intensa de espaços do campo estabelecido pelo treinador Alejandro Sabatella. Não soube ou então não foi seguido pela equipe.

Do túnel para o gramado existem sempre diferenças a decifrar. Mas nós, torcedores e observadores, claro, só podemos analisar à base do que assistimos nas quatro linhas. Não temos os bastidores. Os bastidores são para os profissionais. Em todos os espetáculos, sejam esportivos, sejam artísticos, existem os mistérios, os enigmas. Aliás, o futebol está cheio deles. É o esporte mais livre e fascinante do mundo exatamente por isso. A começar pelo fato de o objeto da disputa, que é a bola, encontrar-se permanentemente exposto. Só numa ocasião deixa de ser assim: quando está nas mãos do goleiro e ele com os pés no chão. Fora disso, é livre o choque físico, cabendo à interpretação do juiz considerá-lo normal ou não.

Um labirinto que apresenta ao longo de sua magia exemplos em que a tática neutralizou a técnica e reduziu a diferença entre a arte o esforço humano de menor brilho. A maioria dos torcedores, claro, não tem condições de decifrar desafios no campo do pensamento. Por este motivo natural, a tática sempre foi um verdadeiro tabu.

Mas, ao longo do tempo, diminuiu em consequência das traduções passadas às multidões pelo comentarista João Saldanha, que em 70 assumiu o comando da Seleção Brasileira. Mas dele foi afastado por João Havelange, então presidente da antiga CBD, hoje CBF, sendo substituído por Zagalo que se tornou tricampeão do mundo. Mas esta é outra questão. Saldanha, aí sua grande contribuição à cultura esportiva, identificou er traduziu, com o poder de comunicação que tinha, os quadros táticos do futebol. Depois dele, compreendeu-se melhor o 4-2-4, o 4-3-3, o 4-4-2, as posições do líbero e do cabeça de área nas ações defensivas. Porém o futebol continuou evoluindo, sobretudo em matéria de preparo físico, e hoje pode-se dizer que as equipes não têm mais somente onze jogadores. Mas sim 13 e 15, conforme os momentos. Os dois laterais defendem e atacam ao mesmo tempo, AO contrário de antigamente. E, pelo menos dois homens de meia cancha, antes chamados armadores, voltam para apoiar a defesa.

Os jogadores, hoje, correm muito mais do que corriam ontem.

O Estudiantes de La Plata correu mais do que o Cruzeiro. Combatia o Cruzeiro só a partir de sua intermediária, fechando espaços e atuando de contra ataque. O Cruzeiro foi na onda. E, ao avançar, não se preocupava com a solidez da defesa. Não diminuiu os espaços, isso é fundamental, entre a ofensiva e a defensiva. As estocadas do time argentino transcorriam pelas estradas abertas aos lançamentos de meia distância. Adilson Batista não conseguiu compactar a equipe.

Isso de um lado. De outro, os mineiros cometeram um erro grave em matéria de futebol: centralizaram demais as jogadas com Kleber. Ótimo jogador, integrante da Seleção de Dunga, mas no futebol ninguém vence sozinho. É um jogo de equipe. Alejandro Sabatella concentrou a marcação argentina nele, o espaço para o Cruzeiro ficou curto e tudo se complicou. Bola na trave no final do jogo? Houve o chute de Tiago Ribeiro. Se entra, a partida iria para a prorrogação. Mas a história do futebol está repleta de bolas na trave. E de táticas neutralizando a técnica. O Cruzeiro perdeu a Taça para si mesmo. Não soube se livrar de uma teia em ritmo de tango.

Pequena alta nas Bolsas do Brasil, EUA e Europa, não significam de modo algum, fim da crise no mundo

Todos querem dar palpites, alguns com interesse, outros com credibilidade, e a maioria, pelo fato de serem jogadores. Hoje, na Europa, (que fecha primeiro, por causa do fuso) nos Eua e no Brasil, (terminam juntos) houve a tentativa de influir e influenciar a jogatina.

Larry Summers, principal conselheiro de Obama, declarou tolamente: “Escapamos da catástrofe”. Como ele sabe? E os TRILHÕES que desperdiçaram favorecendo apenas os que estão no mais alto da elite financeira?

Na UE, (União Européia) a ascensão foi mínima, mas badalaram de forma retumbante. Não acreditem.

No Brasil, ao meio dia a Bovespa estava em 51 mil 948 pontos alta de 0,70%. 5 horas depois perdia esse ganho, fechava rigorosamente estável. Em 2 horas do pregão inicial, negociou 1 bilhão. Em 5 horas mais, movimentou apenas outros 3 bilhões (media de 600 milhões por hora) totalizando 4 bilhões. Menos da metade do habitual 14 meses antes. A crise está longe de acabar. (Exclusiva)

Sarney: discurso de posse repetido insensatamente

Hoje, às 11 horas, Cristovam Buarque encerrava o trabalho (?), começava o recesso, já não aparecia mais ninguém. Imediatamente, por ordem do próprio Sarney, começava a repetição do seu discurso de posse.

Sarney dizia: “É a terceira vez que ocupo esta presidência, por CONVOCAÇÃO de meus companheiros”. E continuou nessa linha, sem qualquer veracidade ou credibilidade, apenas a idéia de relembrar, “TIVE 49 VOTOS”.

Teve mesmo, hoje não tem nem 20. E ninguém esquece. Além do próprio Sarney, são acusados: filhos, netos, noras, sobrinhos e apaniguados. E não existe qualquer possibilidade de Sarney permanecer, sem o APROFUNDAMENTO da crise. (Exclusiva)

A República, Floriano e o bravo senado

Falsificada, a República, (não a dos nossos sonhos) implantada e não PROMULGADA, em 1889. Foi tomada de assalto pelos dois marechais das Alagoas. Tomaram o Poder, brigaram, Floriano ficou na presidência baseado na força, sem convocar a indispensável eleição. O senado resistiu, não referendou seus atos.

O senado hoje, se jogaria a seus pés. (Exclusiva)

Chavez, sempre Chavez

O ininterrupto da Venezuela, “alerta sobre a possibilidade de guerra civil em Honduras”. Devia alertar para o perigo no seu próprio país, dividido por sua ambição ditatorial.

De qualquer maneira, nem Zelaya nem os generais de Honduras, valem a guerra civil, a ameaça dela, ou a possibilidade de continuação do golpe. (Exclusiva)

Esportivas certas e incertas

1. Comemoraram estrepitosamente, a conquista (?) da Copa de 1994. Foi uma imprudência. Essa sem dúvida a mais clamorosa Copa do Mundo.

2. E a mais tumultuada vitória da seleção. Esteve várias vezes para voltar. E na última chance, foi salva por um gol “espírita” de Branco.

3. Chegamos aos pênaltis, a Itália perdeu três, incluindo o último do craquíssimo Baggio. Branco marcou o seu e Dunga também. Não precisamos nem cobrar o último.

4. O Sport podia ter ganho muito bem do Corinthians. Abriu o placar, o Corinthians fez três mas o Sport fez outros 3.

5. A cabeça de Leão e a cabeça de Ronaldo. O treinador reclamou muito, (teve razão na expulsão de um jogador do Sport), mas a maior culpa foi dele mesmo.

6. Antes do jogo Leão explicou: “mandei marcar mais do que de perto o Douglas, é ele que alimenta Ronaldo”. Este sem marcação, decidiu a partida, como dois de cabeça.

7. Basta constatar esse fato: é sabido que as deficiências do iluminado, foram a precariedade em bater faltas e as cabeçadas, sempre para fora.

8. Pois ontem, Ronaldo fez dois gols incríveis de cabeça. Marcado em cima não poderia ter cabeceado nenhuma das duas.

9. Quem poderia reclamar com toda razão, seria o Carpeggiani. Seu time, o Vitória, ia ganhando mais uma, sofreu pênalti que não existiu.

10. E o São Paulo se arrepende da demissão de Muricy. Já disputou até agora 30 pontos (10 jogos) acumulou apenas 10 pontos. 31 por cento. Ou melhora ou os adversários irão comemorar.

Lula, infelicidade com “pizzaiolos”

Desgastado, desmoralizado, desprestigiado, o senado aproveitou a palavra pejorativa do presidente, para se defender. Ameaçam ir até mesmo ao Supremo. (Tudo agora é no Supremo).

Assessores do presidente, (não sei se por gozação) aconselham Lula a dizer, “me enganei, queria falar churrasqueiros”.

Pelo menos churrasqueiro é popular, pizzaiolo, ofensivo. Lula vai se desdizer, só não sei se nessa linha. (Exclusiva)