Em 1964 não houve ASILADO, os EXILADOS tinham todo o direito de tomar suas próprias decisões, os GUERRILHEIROS, apesar de errados, também respeitados. FUGITIVO, nenhum, TURISTA, apenas um, FHC, protegido. As falas desnecessárias do general Leônidas e Dilma.

Analisadas ontem as posições e as opções de Brizola, Arraes, Jango e Prestes, recomeço hoje a caminhada, esperando que a memória não me abandone. Em 1964 não houve ninguém ASILADO. Aliás, nas duas ditaduras abertas e ostensivas, raros os que sofreram esse tipo de punição. Principalmente dois, e ex-presidentes. Em 3 de outubro, Washington Luiz, faltando 1 mês e 12 dias para passar o governo, foi ASILADO nos EUA, junto com seu ministro do Exterior, Otavio Mangabeira.

Em 10 de novembro de 1937, no dia mesmo da imposição-implantação do Estado Novo, foi ASILADO o ex-presidente Artur Bernardes. Como ele deixou o governo em1926, não houve explicação para a punição. Além do mais, estava com quase 70 anos, não tinha a longevidade de hoje. Ficou 8 anos em Portugal.

EXILADOS foram muitos, pelos mais diversos caminhos, cada qual tinha a sua explicação, e o direito de defender a própria vida e da família, da forma que achasse mais efetiva.

Principalmente jornalistas e políticos que não queriam aderir à ditadura, resolveram enfrentar o desconhecido, ir para outro país, onde recomeçaram a vida. Todos merecem o respeito geral, eram os senhores de suas próprias determinações. Alguns tiveram grandes problemas para sair do Brasil, mas para redução do espaço, vou citar a aventura quase dramática de dois.

São eles: Marcio Moreira Alves e Hermano Alves, eleitos deputados em 15 de novembro de 1966 pelo MDB, com Mario Martins candidato a senador. Marcito contou em livro o que foi obrigado a fazer para deixar o Brasil. Todas as fronteiras estavam fechadas para ele, passou por quatro estados, até chegar ao Uruguai.

Depois, morou em 8 ou 9 países, não estava passeando e sim se formando e se aprofundando para a luta que pretendia viver quando voltasse. Voltou, não houve nenhum jornal que lhe desse emprego. A não ser a Tribuna da Imprensa, onde escreveu durante 2 anos. Foi então para O Globo, teve a grandeza de escrever artigo sobre a independência da Tribuna.

Hermano também não conseguia EXILIO, todas as saídas impedidas, as embaixadas vigiadas. Aí foi beneficiado pela liberdade da diplomacia e os espírito indomável do ex-chanceler Afonso Arinos de Mello Franco.

Quando ministro do Exterior, ficou muito amigo do também chanceler do México, que deixando o governo, veio para o Brasil como embaixador. Um dia Afonso liga para ele, dizendo-perguntando: “Precisamos conversar, posso passar aí?” Lógico, a resposta foi positiva.

O embaixador esperava na porta, o carro entrou, Afonso saltou, abraçou o amigo e confidenciou: “Na mala do meu carro está o jornalista Hermano Alves, que precisa de ASILO”. O embaixador fez tom de aborrecido, falou: “O senhor devia ter me avisado”. Chamou o motorista oficial, determinou: “Guarde o carro do embaixador na garagem”. Hermano foi para Portugal, já era casado com uma portuguesa, até hoje mora lá.

Outros se EXILARAM com as maiores dificuldades. Muitos que estavam em Brasília, onde as embaixadas começavam a ser construídas, arriscaram assim mesmo. Como Waldir Pires, que com vários deputados entrou na embaixada da Iugoslávia, viajaram. O governo ditatorial não se incomodou, “não eram os inimigos”.

FUGITIVO, nenhum, embora pelas peripécias que tiveram que enfrentar, pudessem ser chamados assim. Mas teriam que acrescentar: FUGITIVO POSITIVO.

TURISTA, apenas um, FHC. Não foi cassado, perseguido, preso ou procurado. Em 1978, José Serra, EXILADO verdadeiro no Chile, voltou, tentou ser candidato, não conseguiu, estava cassado.

Este repórter, em 1966 cassado por 10 anos, em 1978, acreditando que os 10 anos já haviam transcorrido, foi lançado a senador pelo PMD. Resposta dos ditadores de plantão: Agora a cassação não é mais por 10 anos, é para sempre”.

Nesse mesmo 1978, FHC se candidatou ao Senado, na chapa com Franco Montoro. Como não foi cassado, não era perseguido nem representava perigo para o regime, foi registrado. Montoro teve 3 milhões de votos, FHC 300 mil, em 1982 assumiu. (Naquela época não havia suplente, registravam 3 nomes. E FHC começou a carreira).

GUERRILHEIROS é a denominação nobre, mas inteiramente insensata para personagens praticamente suicidas. Excluídos os que foram “trocados”, todos realmente assassinados. Fui sempre pessoalmente contra a GUERRILHA, minha convicção: sendo um grupo muito pequeno, seriam dizimados e fortaleceriam a ânsia de tortura e de vingança da ditadura.

Tudo se consumou. Acontece que os bravos GUERRILHEIROS não conheciam História, eram ferrenhos admiradores do “Cavaleiro da Esperança” e da vitoriosa “Coluna de 1924/26”. Só que entre essa época e a aventura da GUERRILHA, se passaram 40 anos, que fizeram a diferença.

E a transformação pelo tempo, transformou os jovens heróicos, que perderam a vida sem nem de longe terem ameaçado a ditadura. Nem reverenciados foram, a ditadura não deixava e os jornalões não se incomodavam nem se interessavam.

A entrevista inútil e desnecessária do general Leônidas, além dessas duas palavras, merece outra: incompreensível. Por que essa fala agora, inteiramente fora de órbita, sem qualquer explicação? Foi uma perda de tempo, sem nenhuma autenticidade e apenas com dois assuntos interessantes: a apreciação sobre os GUERRILHEIROS e a perplexidade pela reivindicação, sem a menor veracidade, de que “quando chefiei o DÓI-CODI não houve tortura”.

Como Leônidas Pires Gonçalves jamais passou pelo DOI-CODI, é lógico que não pode falar sobre tortura. Mas por que a força para aparecer como CHEFE DO DOI-CODI, o que seria inteiramente depreciativo para ele? Pois ali era o centro nacional da tortura, que depois se espalhou. O DOI-CODI não tinha chefe do I Exército, quem mandava e comandava tudo era o general Orlando Geisel, seu criador e entusiasta.

Quanto aos GUERRILHEIROS, a observação do general Leônidas é tão óbvia, primária e elementar, que não precisava exibi-la 50 anos depois. Além do mais, de 1964 ao final de 1966, início de 67, como coronel, foi adido na Colômbia. Depois fez carreira longe do Rio, com ligeira passagem por aqui, em cargos administrativos e já bem perto da derrocada da ditadura.

O que torna disparatada a afirmação incrédula, “eu chefiei o DOI-CODI”, é o fato de o general não ser torturador e por isso, foi a melhor escolha para ministro do Exército do primeiro governo civil. Num momento em que muita gente tentava “ressuscitar a ditadura que estava morta”.

Ressurreição que começou com a destruição da Tribuna em março de 1981, (depois da “anistia ampla, geral e irrestrita”), continuou com outra monstruosidade no Riocentro em 30 de abril do mesmo 1981, e com vários atentados de bastidores, organizados por generais inconformados, que sabiam que, se não obtivessem sucesso, nada lhes aconteceria.

Que foi o que aconteceu por causa da atuação do general Leônidas, que vem agora provocando espantosa perplexidade, ao afirmar: “EU CHEFIEI O DOI-CODI, só que não houve tortura”. Não dá, general, DOI-CODI E TORTURA são sinônimos.

***

PS – Quanto a Dona Dilma, é a bravateira do absurdo. O general chamou de FUGITIVOS, todos os que saíram do Brasil a partir de 1964. Dona Dilma seguiu a trilha aberta por ele, encampou a palavra, registrou-a como propriedade pessoal.

PS2 – Nem o general nem a civil são empolgados pela linguagem, podiam pelo menos consultar o Aurélio ou o Houaiss. O general, que completa 89 anos agora em maio, pode dizer o que quiser, até mesmo não sendo torturador, garantir que é. Além do mais, o general não é candidato a nada, não precisava conceder a entrevista.

PS3 – Quanto a Dona Dilma, não devia ser tão entusiasmada com o descaminho do general, que descobriu ou inventou que quem SAIU DO BRASIL É FUGITIVO.

Ps4 – Ela perdeu muitos votos que não tinha. E já começou a perder tempo para tentar reconquistar os votos perdidos, com a afirmação sempre desgastada e desrespeitosa: “EU NÃO DISSE O QUE DISSERAM QUE EU DISSE”. Esse é o caminho mais curto para o segundo lugar, no segundo turno.

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AMANHÃ:

Depois de tentar de todos os modos, o terceiro mandato,
Lula deixa o poder, satisfeitíssimo. Pelo prazer de derrotar Serra, em 2014,
e quem aparecer e se arriscar, em 2018

O “bispo” Edir Macedo, pela quarta vez perde para o repórter

Vai me processando. Tem bandos ou grupos de advogados. Já havia perdido três vezes, agora mais outra. Usou 5 advogados, meus agradecimentos ao competente Ricardo Braga França.

Como das outras vezes, perdeu em primeira instãncia, recorreu, derrotado novamente. Por que poderia ganhar, se eu disse do “bispo”, 0,01 do que disse a TV Globo? “Ainda há juízes em Berlim”.

Para levar o “bispo” ao desespero: foi o Ministério Público que recusou o recurso, o juiz concordou. Na linguagem forense, houve IMPROVIMENTO.

Neymar não vai à Copa

As atuações espetaculares e os gols em número impressionante (anteontem foram 5) não vão levá-lo à África do Sul. Dunga já tem sussurrado, “ele nunca foi do grupo, é muito tarde”.

Quanto a Ronaldinho Gaúcho, o treinador está em pânico: Kaká vem jogando tão mal, quando joga, sempre machucado. Dunga terá que se “render à opinião pública”.

Confusão no Amazonas

Há mais ou menos 1 mês escrevi sobre a eleição no Amazonas, com tenho feito em outros estados. Fiz três revelações, duas estão confirmadas, e terceira, encaminhada.

1 – Eduardo Braga, candidato a senador (já eleito), colocou como suplente, sua própria mulher. Diante da notícia, explicou: “Não é por ser minha mulher, e sim altamente participante”.

2 – O vice-governador que assumiu, Omar Aziz, “vai subir muito e pode derrotar o ministro-senador, Alfredo Nascimento”. Está acontecendo, Aziz sobe bastante.

3 – “O senador Artur Virgilio cresce muito, está com a reeleição bastante reforçada”. Pois agora, o “governissimo” candidato de Lula, procura Virgilio para composição. Como dizia o Sergio Porto, “é chato ser bem informado”.

João Pedro corre risco
de não voltar ao Senado

Três anos como suplente sem voto, sem povo, sem urna, esperava ganhar mais 4 anos, efetivo, com a eleição de Alfredo Nascimento a governador. mas este, que já foi franco favorito, como já disse, está ameaçado pelo vice do ex-governador Eduardo Braga.

No Pará, a volta e a revolta

Jader Barbalho ainda não decidiu se será governador outra vez ou prefere o Senado, de onde teve que fugir para não ser cassado. Foi ministro de Sarney, da Previdência e da Reforma Agrária, não precisa  nem justificar a fortuna. Que República.

Bahia: Paulo Souto ou Wagner?

Geddel voltará a atacar Lula dentro de 1 ano. Por que o prazo? Depois de insultar e não se opor ao presidente, bajulou-0, foi ministro dele. Deixou o cargo pensando (?) que seria governador. Não vai nem para o segundo turno, jogará a culpa em Lula. E voltará a injuriá-lo para ser ministro de Dona Dilma, se ela tiver Poder de nomeação.

No Rio, 160 mil buracos

Está em todos os jornais, blogs, televisões. Com essa constatação, cabralzinho e eduardinho ficam reduzidos à verdadeira dimensão: administradores tapa-buracos.

Vão chamar o Herodes?

Carlos Chagas

Comportam-se certas  elites como o mar: chegam em ondas. Alegando déficit na Previdência Social, insurgem-se   contra os aposentados  sempre  que, no Congresso, discute-se a reconquista de direitos surripiados daqueles que pararam de trabalhar. Desta vez, criticam  projeto aprovado no Senado desobrigando os aposentados de descontar para o INSS. Da mesma forma,  rejeitam o reajuste de 7,7% para quantos recebem pouco mais do que o salário mínimo.

O raciocínio básico desses privilegiados é de que tudo deve dar lucro, no governo e fora do governo. Se dá prejuízo,  precisa ser fechado.  Ou que se penalize ainda mais os envolvidos. Ignoram o sistema dos vasos comunicantes, que se aprendia no ginásio.  Porque se a Previdência Social dá prejuízo,  o Imposto de Renda dá lucro, ficando as coisas pelo menos equilibradas.

Trata-se de uma aberração exigir que aposentados tenham parte de seus vencimentos desviados para a Previdência Social, cujo objetivo é precisamente arcar com as aposentadorias. Estarão  descontando para um segundo benefício, a ser conquistado dentro de trinta anos, no cemitério?

Pior é o reajuste. Quem recebe salário mínimo tem os vencimentos corrigidos de acordo com a inflação. Acima disso, menos, coisa que os 7,7% poderiam corrigir. Continuando esse abominável regime, em poucos anos todos os aposentados estarão  nivelados por baixo, fazendo jus apenas ao salário mínimo.

Espera-se que o governo Lula resista às investidas de sua própria equipe econômica e atue no Congresso para a aprovação das duas mudanças referidas. Caso contrário, melhor será chamar o Herodes, aquele que mandava matar criancinhas.  Poderá dedicar-se agora aos velhinhos…

Rumo à intervenção

Sábado a Câmara Legislativa de Brasília elege o novo governador. Participarão da eleição todos os deputados distritais,  inclusive os flagrados botando dinheiro podre no bolso ou na bolsa. Só dois renunciaram, os outros cumprirão seu dever cívico.

São nove candidatos, todos vinculados a grupos, partidos e até quadrilhas que assolam o Distrito Federal. Nenhum de quem se possa dizer ter ficado fora da lambança ou à margem dos lambões.

Depende do Supremo Tribunal Federal aprovar ou não o pedido de intervenção federal em Brasília. Pelo jeito, a mais alta corte nacional de justiça espera o resultado da escolha do novo governador.

Nuvem de pedra

Dá o que pensar a  interrupção de vôos comerciais em quase toda a Europa, por conta da nuvem de cinzas expedida por um vulcão na Islândia.  A razão é de que uma espécie de pó de rocha ameaça infiltrar-se nos motores das aeronaves, da mesma forma como já deverá ter chegado aos pulmões dos europeus. Dizem ter sido mais ou menos  assim que os dinossauros foram extintos.

Continuando o vulcão em atividade, a nuvem atravessará o Atlântico  e poderá chegar por aqui. Uma bela oportunidade para o país repensar a necessidade de vultosos investimentos no setor ferroviário. Porque na Europa, mesmo com os aeroportos fechados, ninguém deixou de viajar. Lá a população anda de trem…

Eleger Anastasia

A prioridade fundamental de Aécio Neves é ver eleito o governador Antônio Anastásia. Na preservação do poder no palácio da Liberdade repousa todo o futuro do ex-governador. Por isso não dá para ele discutir se disputa  a vice-presidência na chapa de José Serra. Por enquanto, a lógica  indica que candidatando-se a  senador contribuirá mais para a vitória de Anastásia, podendo dedicar-se a Minas, em tempo integral.

Em Minas, desaba a coligação PT-PMDB

Pedro do Coutto
Reportagem de Adriana Vasconcelos, publicada em O Globo de 14 de abril, revela com nitidez a inviabilidade da coligação PT-PMDB em torno da candidatura Dilma Roussef vir a funcionar em Minas, também a nível estadual. Hélio Costa, candidato a governador pelo PMDB, queixou-se frontalmente da decisão assumida pelo PT de realizar uma prévia entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias para ver qual dos dois será o candidato da legenda ao Palácio da Liberdade nas urnas de outubro.

O ex-ministro das Comunicações sentiu-se traído, embora a divisão já estivesse mais do que prevista. Os dois partidos apóiam Dilma, mas em Minas – pelo que destacou a reportagem – um deles disputa com Hélio Costa, o outro com Pimentel ou Patrus. Claro. Por que motivo o PT deveria abrir mão da possibilidade de eleger o governador quando possui em seus quadros dois postulantes fortes, a meu ver especialmente Fernando Pimentel? O panorama mineiro inclusive é favorável à disputa, uma vez que as eleições são em dois turnos. Antônio Anastasia, candidato de Aécio Neves, Hélio Costa e Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, dois deles vão se classificar no primeiro e decidir o pleito no desfecho final do segundo turno.

Sem uma candidatura própria, sobretudo tendo chance de vitória, o PT perderia a motivação para entrar na campanha da candidata do presidente Lula. No caso, assim, não existe traição, apenas uma consequência lógica do balanço de forças existente. Um roteiro para o PMDB, outro caminho para o PT. Tal solução só contribui para fortalecer Dilma, cuja candidatura para o Planalto, é claro, é mais importante que a de Hélio Costa para governador. Em síntese, Lula não conseguiu, talvez sequer tenha tentado conter o ímpeto de sua legenda na terra de Tiradentes.

Política é assim mesmo. Adriana Vasconcelos apontou paralelamente dificuldades de a aliança PMDB-PT se manter, não só em Minas, mas também no Rio de Janeiro, na Bahia, no Pará, no Maranhão e na Paraíba. Isso, por enquanto, já que o número de divisões regionais tende a crescer. A repórter esqueceu o Rio Grande do Sul, estado e que o PT, com Tarso Genro, PMDB com José Fogaça, se enfrentam numa luta equilibrada. Lá encontra-se o exemplo mais forte do não funcionamento estadual da coligação projetada para o plano nacional. O mesmo acontece na Bahia, onde o governador do PT, Jaques Wagner, disputa a reeleição contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

No Rio de Janeiro, a divisão já se consolidou para o Senado, com o presidente Lula apoiando Marcelo Crivella, que é do PRB, e Lindberg Farias, do PT, contra Jorge Picciani, do PMDB, apoiado diretamente pelo governador Sérgio Cabral. Há ainda a questão controvertida para definir se Dilma Roussef sobe no palanque de Anthony Garotinho, ou cede à ameaça de rompimento colocada por Sérgio Cabral e somente aparecerá a seu lado no Rio de Janeiro. Uma aliança exclusiva, como exige o governador. É muito difícil que isso se concretize. Tanto a exclusividade quanto a ruptura, pois neste caso o maior perdedor seria Sérgio Cabral, que, sendo do PMDB, não tem condições de deslocar seu apoio para José Serra.

Serra, por seu turno, enfrenta a divisão que está ocorrendo na aliança de Fernando Gabeira com o DEM, o PV e o PPS, já que PSDB aceita, mas o PV e o PPS rejeitam a presença de César Maia na chapa para o Senado. Se esta crise não se resolver, levando Gabeira a abandonar a disputa pelo governo, a candidatura do ex-governador de São Paulo é quem fica sem palanque algum no terceiro colégio eleitoral do país. Coligação nacional é uma coisa. Coligações estaduais são outra muito diferente.

Maníaco e assassino tem é que ficar preso

Vicente Limongi Netto:
“É absurdo que condenados a 14 anos sejam libertados depois de cumprir apenas quatro anos. Ainda mais grave quando o condenado é pedófilo e assassino. Discordo da surradas alegações de que o apenado merece nova chance, que é doente, que precisa de assistência médica. Não! Os monstros, como o canalha que matou seis jovens em Luziânia, merecem pena de morte ou prisão perpétua. Mas que mofem de verdade na cadeia. Sem essa de merecer a liberdade depois de cumprir um mísero tempo de pena”.

Comentário de Helio Fernandes:
Certíssimo. Esse pedófilo criminoso execrável, foi solto, no dia seguinte (isso mesmo, dia seguinte) começou a matar os seis jovens. Onde estão agora as autoridades, os psiquiatras e psicanalistas que achavam que ele estava em condições de viver em liberdade? E os pais desses jovens? Na televisão, o ministro Gilmar Mendes não soube explicar a libertação.

Asilados, exilados, fugitivos, turistas, guerrilheiros. O tumulto vernacular, a interpretação de má fé. Por que esqueceram Jango?

O assunto ganhou dimensão e propensão, depois da entrevista inútil, desnecessária e até depreciativa para ele mesmo, (que não merecia) e não ocupou a chefia do CODI-DOI, depois DOI-CODI, na fase da luta armada (até 1974). E obteve repercussão com interpretação tatibitati de Dona Dilma, pré-candidata, que se julga mais do que candidata e sim presidente eleita. (O general Leônidas tentou criar fatos que não penetraram, mas de qualquer maneira é um participante).

Os jornalões e televisões, presos (nenhuma intenção) ao assunto único da sucessão de Lula, deram grandes espaços, mas como sempre, erráticos, desinformados e esquecidos, no plano vernacular, político, e desprezando a competência de muitos.

Quero chamar atenção aqui, para o fato de todos terem citados Arraes, Prestes e Brizola (três casos ou definições inteiramente diferentes), e nem dado uma palavra sobre João Goulart. Este era o presidente deposto, logicamente não podia ficar no Brasil.

Jango não se enquadra nas cinco definições do título destas notas, tentou ficar no Brasil, foi do Rio para Brasília, de lá para o Rio Grande, e só então, quando “a presidência fora considerada vaga”, atravessou a fronteira. Já os três citados têm e sempre tiveram situação inteiramente diferente.

Luiz Carlos Prestes – Viveu sempre na ilegalidade, liderou a coluna histórica que leva seu nome, não quis chefiar a “revolução” de 30, pretendia que não tivesse aspas, lançou o Manifesto Comunista de 1932, foi para a União Soviética.

Voltou em 1935, realizou a única Revolução verdadeira do Brasil, queria, abertamente, que mudasse a forma de governo, e a produção e distribuição da riqueza, Mas sem recursos, sem quadros, sem organização, foi facilmente derrotado e logo a seguir preso por 9 anos, sendo que de 1936 a 1940, foi o homem mais torturado da nossa História.

Em 1964 já estava preparado, conhecendo como ninguém os caminhos da clandestinidade, (não fez outra coisa a vida toda) foi embora sem qualquer trauma ou obstáculo, nem foi procurado, sabiam que estava longe.

Miguel Arraes – Comunista aberto e declarado, nessa condição foi eleito prefeito do Recife e depois governador de Pernambuco, (único estado onde isso podia acontecer) teria que ser o primeiro atingido.

Como a “revolução” se dizia anticomunista, (e o general Leônidas garantiu isso várias vezes na entrevista monótona e desinteressante), foi retirado do governo logo no dia 1º de abril.

Ficou ali perto, mandado para Fernando de Noronha, (que pertencia a Pernambuco), onde ficou 60 dias, junto com o também governador Seixas Dória. Não sabiam o que fazer com Arraes. Livre? Impossível. Preso e transformado em mártir? De jeito algum.

Então, um dia, chegou em Fernando de Noronha um general de patente valiosa, com uma proposta enviada e referendada pelo alto escalão.

A proposta: seria solto imediatamente, iria para o Recife, teria uma semana para ir viver no exterior, no país que escolhesse. Seu passaporte seria visado sem obstáculos nem restrições. Lógico, Arraes não poderia recusar, deixaram bem claro: “Não nos responsabilizamos pelo que acontecer se o senhor ficar no Brasil”.

Arraes escolheu a Argélia, não houve nem consulta, o país vivia sob ditadura comunista, comandada pelo “camarada” Boumedienne. Recebido com honras e foguetório, passou a ser considerado “vice-rei” da Argélia.

Entrou no mundo dos negócios, ganhou muito dinheiro, passou a perseguir os brasileiros que chegaram antes e depois dele. De tal maneira que tiveram que ir embora. Não existiam mais condições de ficarem lá. O primeiro a sair foi Marcio Moreira Alves, o grande perseguido de 1968, que se enquadra em quase todas as categorias: exilado, asilado, perseguido e até FUGITIVO, no sentido positivo, pois sua saída do Brasil, no dia 13 de dezembro de 1968, uma aventura em muitos episódios, pois para ele, fecharam todas as fronteiras.

Algum tempo depois, derrubado Boumedienne, comunista, ditador e negocista, (nem sempre divergentes, muitas vezes convergentes) veio outro do partido, o Poder de Arraes aumentou. (Há um excelente filme francês sobre a derrubada e o assassinato, mais tarde, de Boumedienne. O ator Jean-Louis Trintignant fez o papel principal).

Um dos perseguidos por Arraes foi seu adversário Francisco Julião, que teve que abandonar o país. Antes de 1964, Arraes já combatia Julião. Quando este criou as bravas Ligas Camponesas, Arraes lançou os Sindicatos Rurais, represália contra Julião, retrocesso para o povo pernambucano.

Continuou a carreira política e eleitoral, nenhum contratempo, os anos de estadia fora do país, descanso e regalia. Voltou, queria tudo, como sempre, não concedia nada.

Leonel Brizola – Era o grande inimigo da “revolução”, pode ser dito que foi feita contra ele. Não esqueciam de 1961, da “renúncia” de Janio, que com apoio dos militares queria voltar (ou continuar, a mesma coisa) com plenos Poderes.

Os militares tomariam o Poder nesse 1961, sem as dificuldades e os desgastes de 1964. Mas Brizola não deixou. Atraiu o general Machado Lopes, comandante do III Exército, e como os generais só tentavam qualquer golpe com a união dos Quatro Exércitos, “evoluíram” para o Parlamentarismo com Tancredo Neves. Só que não esqueceram de Brizola.

Este foi embora, (não há denominação que caiba no figurino de Brizola ou se ajuste ao seu tamanho), foi para o Uruguai. Ficou em Montevidéu, deu entrevista proibida pelo Tratado de Exílio, os generais brasileiros pediram aos generais uruguaios que punissem o ex-governador brasileiro.

Foram atendidos. Assim, o exilado Brizola, foi novamente exilado, obrigado a viver em Atlântida, a 120 quilômetros de Montevidéu. Nessa época eu não conhecia Brizola. Em 1979, voltando ao Brasil, aparece no dia seguinte na Tribuna, me diz: “Minha primeira visita tinha que ser para você, tua resistência no Brasil, é um marco e um fato histórico”.

Ficamos amigos, Lacerda morrera em 1977, tinha que escrever artigo sobre ele, saiu, mas todo riscado e censurado. Um dia, ou melhor, numa noite de conversa e “café gaúcho”, que eu nunca experimentara, confessou: “Não queria sair do Brasil como você, mas as informações é que seria assassinado, ameaças que você também recebeu”. Tudo verdade.

Em 1966, Lacerda foi a Montevidéu encontrar João Goulart para assinarem o Manifesto da Frente Ampla. Eu ia com ele, fui impedido. Lá, a primeira pergunta de Jango: “Governador, o Helio Fernandes não vinha com o senhor?”. Lacerda contou o que acontecera, Jango respondeu: “Aqui, nossa satisfação pela manhã, é a chegada dos exemplares da Tribuna, que são devorados por todos”.

***

PS – Definida a participação de Brizola, Arraes e Prestes, lavrado meu protesto sobre o esquecimento de Jango, confinado ao ostracismo histórico, tenho que interromper as lembranças.

PS2 – É tudo histórico, são tantos personagens, que ficaria ainda mais longo do que ficou. A História vivida e contada, inteiramente diferente da que é arrancada e desfolhada dos jornais da época, mostrada como autêntica.

Amanhã:

A definição do que é EXILADO e ASILADO, as outras denominações
que surgiram, (longe do Aurélio ou do Houaiss), as falas obtusas de Dona Dilma, absurdas do general Leônidas. Os dois podiam ficar em silêncio.

Liquidando FHC

A maior dúvida-quase-certeza sobre o ex-presidente, veio do amigo (?) e participante de seu governo, José Serra. Afastou-o simplesmente com a afirmação: “Ex-presidentes, depois de 2 mandatos, devem ficar distantes”. Isso não afasta a possibilidade de FHC ir para a ONU, mais distante, impossível.

Serra estaria querendo atingir
Lula, com “dois mandatos”?

Como não citou nomes, adora o anonimato, a interpretação de Brasília é outra. A advertência seria para o atual presidente e não para o antecessor. Em matéria de Serra, tudo é possível.

Proibir o cigarro, só
fechando as fábricas

Carlos Chagas diz que Serra (finge) proíbe fumar, mas não tem coragem de fechar as fábricas. Isso sim, teria efeito suspensivo. Muito justamente impedem o crack, mas permitem o cigarro, que não é craque em coisa alguma. Perdão, só na morte.

Requião, atento
ao cargo de vice

Desistiu da candidatura a presidente, mas ainda admite a vice. Só pode ser com Dona Dilma. Votou em Lula duas vezes, já teve trânsito melhor no Planalto-Alvorada.

Jarbas Vasconcellos
aguarda um convite

Senador até 2014, pode ser candidato a governador. mas espera um convite de Serra para ser vice, repetindo a proposta de 2002. Serra espera a definição-aceitação de Aécio.

Dirceu, ministro
de Dona Dilma

Acredita que pode voltar com ela. O que não acredita é na vitória dela.

Kaká é insubstituível? Ou não terá substituto?

Antes se dizia: Ronaldinho tem que ser convocado, e se Kaká se machucar? Agora ele já está machucado, mesmo bom não vinha jogando nada, complicou tudo.

Surgiu o Neymar, altamente convocável, mas o Dunga nem admite sua convocação. O Zico, com coragem e competência, afirma: “Neymar tem que ser convocado”. Em 1978, Bilardo não quis convocar Maradona, ia fazer 18 anos. Mas a Argentina tinha o general Videla e o almirante Massera. Em 1994, Ronaldo “Fenômeno” ( ainda não era, hoje já não é), convocado, não entrou em campo. Por que o temor dos 18 anos?

Vira e Messi

Não há um dia em que não surjam notícias e comentários, apresentando o jogador do Barcelona como “o maior de todos os tempos”, Isso não existe, nem mesmo para Pelé ou Maradona, sempre citados. Se for preponderante para a Argentina ganhar a Copa, Messi poderá ser o melhor do seu tempo. Mas não de todos os tempos, isso ninguém é.

Lula muito citado nos EUA

A conferência sobre “artefatos nucleares” foi decidida entre Obama e Putin, o verdadeiro senhor de “todas as Rússias”. Só que ficaram muito satisfeitos de contrariarem o presidente brasileiro.

O grande adversário não é ele, e sim o Tratado de NÃO PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEARES. Dá privilégios a 27 países, (que podem ter a bomba, chamada de “artefato”) num mundo com quase 200 países.

Invasão do blog, e “eu não sabia” na tragédia de Niterói

Adolfo:
“Desculpe, mas sou obrigado a registrar. Invadido pelos serviçais do garotinho, este blog caiu muito de nível, chegou à baixaria do governo dele e da garotinha. Só falta agora a invasão dos apaniguados do cabralzinho, royalties para o senhor, e este espaço democrático estará destruído”.

Comentário de Helio Fernandes:

E Jorge Roberto Silveira? Está há 20 anos no cargo de prefeito, com os intervalos obrigatórios para colocar amigos e voltar. Aprendeu com Lula e diz que “não sabia” das armadilhas dos morros da bela Niterói.

Não saiu ao pai em competência. Foi governador, morreu num desastre de helicóptero. Eu era então diretor do Diário Carioca, nesse acidente morreu também o excelente jornalista Luiz Paulistano, Chefe de Reportagem do jornal.

Quem pratica vilania é vilão

Carlos Chagas

Conforme o Aurélio, vilão  pode ser o habitante de  uma vila ou alguém desprezível e miserável.  Poucas dúvidas existem a respeito do duplo sentido, em se tratando da utilização do termo “vilania” por  Dilma Rousseff, ao alimentar a trapalhada que ela mesma criou ao afirmar que não fugiu da luta contra a ditadura.

O problema é que de José Serra a Marina Silva, de Sérgio Guerra e Artur Virgílio e a montes de líderes tucanos e não tucanos, indignaram-se todos supondo estar a candidata ofendendo e menosprezando quantos tomaram o rumo do exílio, no regime militar.

Pois não é que essa interpretação acaba de ser taxada de vilania por Dilma, ou seja, os intérpretes são vilões?

Com todo o respeito, deve a candidata conter-se. Ou ser contida por seus assessores. Porque a primeira lambança já parecia esquecida quando ela reacendeu a tertúlia, dando margem a tréplicas e a  novos desdobramentos. Melhor faria a guerrilheira heróica em anunciar seu plano de governo e as soluções de que dispõe para desatar mil nós na conjuntura nacional.

Alencar não assinaria

O presidente Lula chegou de Washington na madrugada de ontem, meio triste por haver Barack Obama rejeitado sua sugestão de mais diálogo com o Irã, em vez da aprovação de sanções contra aquele país. Mesmo assim, o primeiro-companheiro assinou o tratado exigido pelo presidente dos Estados Unidos como forma de pressão sobre o regime dos aiatolás. Numa palavra: curvou-se à imposição da superpotência, coisa que a China não fez.

Estivesse José Alencar representando o Brasil na referida conferência e nossa posição teria sido diferente. Porque o vice-presidente, não faz muito, declarou-se pelo direito de todos os países prosseguirem em suas pesquisas  nucleares, até para construir bombas atômicas. “Se eles podem, nós também podemos”, repetiu com uma simplicidade angelical, acentuando que para começo de conversa as potências nucleares deveriam destruir seus arsenais, credenciando-se assim para impedir  outros de começarem onde eles terminaram.

A ida do presidente Lula à reunião internacional não representou, propriamente, uma vitória de nossa diplomacia. Muito pelo contrário…

Melhor parar

Já não repercutem, muito menos influenciam, as pesquisas divulgadas em cascata sobre a sucessão presidencial. A maioria dos leitores, ouvintes  e telespectadores deve dar de ombros ao tomar conhecimento dos resultados de sucessivas consultas populares. Primeiro porque os números tem variado pouco, entre Serra e Dilma. Depois,  por conta da última pesquisa, da Sensus, com patrocinadores contestados. Os tucanos reagiram ao empate técnico entre o seu candidato e a candidata do PT. Alegaram que o sindicato afinal apontado como tendo financiado a consulta integra a campanha de Dilma. Como o freguês tem sempre razão, o instituto não iria decepcioná-lo.

Com as exceções de sempre, destacando-se a Datafolha, entre elas, a verdade é que pesquisas constituem um negócio comercial, como muitos outros. Quem encomenda é quem paga. E quem paga não pode decepcionar-se. Os executores estão de olho na  preservação do cliente,  explicando-se por aí os resultados. Apenas na reta final da eleição os institutos começarão a compatibilizar  números com  realidade, e ainda assim com vistas às próximas eleições…

Perto do racha

Não parece tranquila a situação no PMDB. Sua direção nacional continua aferrada à candidatura Dilma Rousseff, mas nas bases aumenta a fissura. Afinal, o PT não dá sinais de acomodar-se à  aliança com o PMDB, nas eleições para governador. Os companheiros não abrem mão de indicar candidato próprio, mesmo nos estados onde se encontram enfraquecidos. Exigir a contrapartida do apoio irrestrito à candidata vai gerando cada vez mais reações e até indignações. Líderes regionais ameaçam bandear-se para José Serra, alguns até já se tendo definido, como em São Paulo.

O próprio presidente do partido, Michel Temer, mostra-se arredio, menos por não ter certeza de que encerrará sua carreira concorrendo à vice-presidência na chapa oficial, mais porque sofre crescentes contestações  em sua política de apaziguamento. Logo o PMDB poderá defrontar-se com mais um racha, daqueles a que se acostumou desde sua fundação…

Quem está mais certo, Datafolha ou Sensus?

Pedro do Coutto

Através da Internet, o Instituto Sensus divulgou nova pesquisa sobre as intenções de voto para presidente da República cujos resultados divergem frontalmente dos números assinalados pelo mais recente levantamento do Datafolha. É verdade, e isso deve ser levado em conta, que há uma diferença de quinze dias entre uma pesquisa e outra. As pesquisas que provavelmente estão sendo fechadas pelo Ibope, pelo Vox Populi e pelo próprio Datafolha, ao serem divulgadas, vão indicar qual a tendência predominante e, no caso do Sensus, se ele está mais perto ou não da realidade pré eleitoral do que a empresa da Folha de São Paulo.

O Datafolha apontou 37 pontos para Serra, 28 para Dilma. Serra teria assim avançado quatro degraus e Dilma permanecido estacionada. Diferença de 9%. O Sensus buscou seus números em dois cenários: um incluindo a candidatura Ciro Gomes, outro sem ele. Na primeira formulação, encontrou um empate praticamente. José Serra atingiu 32,7 contra  32,4 de Dilma. Ciro apareceu com 10, Marina Silva com 8. Na segunda, retirando o nome do ex governador do Ceará, Serra vai para 36,8, Dilma alcança 34% e Marina cresce de 8 para 10. Assim, aliás de acordo com uma das alternativas estratégicas de Lula, a presença de Ciro no pleito, mesmo com o tempo mínimo que cabe ao PSB no horário político da televisão, acrescenta em favor da ex chefe da Casa Civil.

Ciro, claro, pelo que ele próprio tem afirmado, ajusta-se com Lula e elogia seu governo. Portanto, coloca-se frontalmente contra José Serra. Nesta altura dos acontecimentos, inclusive, Ciro só poderá concorrer à presidência. Todos os outros caminhos foram fechados para ele pelo PT de São Paulo, para onde se transferiu. Disputando a presidência soma para Lula diretamente, e para Dilma indiretamente. Se não for candidato a presidente, o outro único roteiro é disputar uma cadeira de deputado na Câmara Federal. Muito pouco para quem chegou a transferir seu domicílio eleitoral. Onde, afinal, ele mora realmente? Na cidade de São Paulo, em Fortaleza ou em Brasília?

Mudando de tema, as próximas pesquisas serão importantes pois vão ser as primeiras depois do lançamento oficial de Serra. Este lançamento, na forma com que se realizou, pode produzir dois efeitos: uma progressão de Serra, mas também a criação de um clima de expectativa quanto a possibilidade de Aécio Neves aceitar disputar a vice na chapa tucana.  Tal perspectiva, caso o desejo manifestado não se efetive, pode terminar criando uma atmosfera de frustração, sobretudo na medida em que ficou nítida e ressaltada a dependência de Serra da atuação e do rumo do ex governador de Minas.

Por falar no estado onde nasceram Juscelino e Tancredo, dificilmente o PT de Fernando Pimentel e Patrus Ananias, dois candidatos fortes, vai se compor ao lado da candidatura de Helio Costa, do PMDB, ao governo estadual. Assim, nos campos mineiros vai se estabelecer a primeira ruptura de uma coligação nacionalmente forte, mas estadualmente marcada por vários obstáculos. Prinmcipalmente porque não é da história do PT acrescentar votos a qualquer outra legenda. Ao longo de seus trinta anos, só recebeu apoios. Não devolveu nenhum. Nem em Tancredo Neves aceitou votar nas indiretas de janeiro de 85. Ao contrário. Expulsou os deputados Airton Soares, Beth Mendes e José Eudes, que votaram a favor de Tancredo. Aliança com o PT apoiando alguém é difícil. Como, na mesma linha de Minas, está acontecendo no Rio de Janeiro.

Para onde irão, em Minas, Helio Costa e o PT?

Há 10 dias fiz análise completa sobre a eleição para governador e senador em Minas, situei todos, sem exceção. Disse com a maior clareza, citando nome por nome: Helio Costa não abre mão da candidatura a governador (já perdeu duas vezes), se o PT quiser se aliar, poderá indicar o vice, seja Fernando Pimentel ou Patrus Ananias.

A reportagem foi tão completa, que O Globo copiou tudo ontem, mas ficou com os royalties para ele mesmo. É incrível.

Para terminar nessa matéria, uma revelação surpreendente e importantíssima. José Fernando (deputado federal e filho de José Aparecido) iria se lançar a governador. Como é do PV, apoiará Dona Marina. Não tem mais do que 5 por cento dos votos, sacrifica a carreira, mas apoia Dona Marina.

Patrus Ananias e o palpite infeliz

Diz que é candidato a governador, não tem a menor chance. E mais: nem legenda garante. tem conversado sobre a possibilidade de disputar o Senado. (Noel Rosa: “Meu Deus do Céu, que palpite infeliz”). Acaba deputado federal, eleito mas sem votação consagradora.

Dentro do PT, Fernando Pimentel, politica e eleitoralmente, é muito mais prestigiado do que ele. E o que fazer com Helio Costa, que já perdeu duas vezes para governador, e obstinadamente não abre mão da terceira?

O plágio de Helio Costa

Há 10 dias escrevi análise completa sobre Minas e a sucessão estadual e presidencial. Disse que o já ex-ministro é candidato para valer. Agora, com a insistência do PT para que desista, Helio Costa repete frase de Benedito Valadares em 1968: “Querem brincar de Tiradentes com o meu pescoço”. Ha”!Ha!Ha!

O solitário Arruda, e o capim crescendo

Com ele preso, escrevi: “Quando for solto, encontrará o capim crescido à sua porta”. Mas não imaginei que crescesse tanto. Ninguém vai visitá-lo, não telefona, não manda correio eletrônico. Apesar de moço, não tem volta. (Ninguém mais tem medo do Dossiê Arruda. O pavor agora é apenas com Durval Barbosa)

Gilmar-Peluso

O substituto já está escolhido pelo rodizio, toma posse dentro de uma semana. Com Gilmar a presidência não foi brilhante, não vai melhorar um pouquinho que seja.

A farsa das pré-candidaturas

Tereza Margarida:
“Jornalista, posso estar perguntando uma bobagem, mas o que é pré-candidato? Dilma, Serra, Marina são chamados de candidatos, então o que é esse pré? Desculpe, mas gostaria de esclarecimento”.

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma bobagem, Tereza, apenas violação da lei e a inconsequente irrealidade. Até as convenções partidárias, todos são pré. Mas que importãncia têm essas convenções, se os candidatos citados serão confirmados?

No Brasil essas convenções não passam de fraude e farsa, quem decide tudo é a cúpula, não existem militantes ou participantes. Na Europa, e principalmente nos EUA, as convenções mobilizam os países, ninguém sabe quem vai ganhar. No Chile, o candidato do governo perdeu a convenção.

Tua pergunta, excelente. Todos são candidatos desde agora, não existe nenhum pré.