A tragédia da irresponsabilidade. Em São Paulo, excesso de CONCRETO e OBRAS VIÁRIAS. No Rio, duas catástrofes: falta de PREVENÇÃO e MAPEAMENTO. E alguns, até aqui mesmo, defendem as “autoridades”.

Helio Fernandes

Não ia escrever mais sobre o assunto, como disse a Ofelia Alvarenga: “Não consigo mais ver tanta desgraça, mudo de canal”. Não adianta, todos repetem com insistência as mesmas coisas, principalmente no Rio e em São Paulo.

Mas quando vi o relato da artista plástica e advogada Bia Garcez (aqui mesmo no Blog), nem sei como conseguiu mandar, sem comunicação, ilhada, perdeu tudo), decidi que diante desse libelo-lamento-condenação, precisava continuar.

No momento, não há nada mais importante, triste, doloroso, irreparável. E fico estarrecido com o fato de muitos defenderem esses governantes do Rio e de São Paulo.

Algumas coisas que coloquei no título destas notas, precisam ser dissecadas. Rio de Janeiro, Região Serrana. Os fatos se repetem, às vezes mudando de locais, mas sempre destruidores, arrasadores, e não inesperados. Os especialistas, na televisão ou em contatos pessoais com o repórter, repetem mais de 100 vezes: “Com MAPEAMENTO e PREVENÇÃO, gastaríamos menos de 10 por cento do que teremos que gastar na RECONSTRUÇÃO”.

E acrescentam, alguns até revoltados: “O descaso de prefeitos e do próprio governador do Estado do Rio, impressionante”. Ainda de Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, (um dos mais sérios, competentes e importantes do Rio), em entrevista na televisão: “Temos feito relatórios que mandamos para as autoridades, ALERTANDO, recebem tudo, engavetam, não fazem nada”.

Não se omite nem tenta preservar autoridades federais. E afirma corajosamente: “Temos feito reuniões coletivas, convidamos o Ministro das Cidades, (há mais de 1 ano) compareceu, debateu, levou os relatórios. Não apareceu mais, nem fez uma obra sequer”. Num país sério, facílimo identificar quem é esse Ministro. E Bogossian diz também : “O Clube de Engenharia propôs até a criação de um ministério para cuidar do assunto”. Nessa enxurrada de 37 ministérios, não há lugar para esse, imprescindível, talvez não interessasse ao PT ou PMDB.

As imagens de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo (para quem não conhece o Rio, Nova Friburgo é a mesma coisa que Friburgo, uma cidade só) assombram o cidadão de todo o país. Alguns, não sei como rotulá-los, desculpem, insensivelmente, dizem: “A culpa é da chuva, os governantes não têm nada com isso”.

Com essa mentalidade, não haveria solução para nenhum problema, tudo seria insensível e não solucionável. Esses governantes se livrariam da culpa, bastaria ou basta dizer: “Vai continuar chovendo mesmo, não podermos parar as chuvas”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz parecendo até revoltado: “Querem que esses problemas crônicos sejam resolvidos em 24 horas?” Não são 24 horas e sim 16 anos, o tempo INACREDITÁVEL que ele está direta ou indiretamente no governo do Estado. E já tomou posse para novo período, que se chegar ao fim completará 20 anos. Muito mais do que as 24 horas citadas por ele.

E uma alta autoridade de São Paulo, declarou, saiu nos jornais e na televisão: “Tive de mandar abrir as comportas de uma represa, sabia que ia agravar a situação. Mas não tinha alternativa”. Aí, além da gravidade da afirmação, a constatação que ela vem desde a construção.

Como em São Paulo só fazem obras viárias e “plantam” concreto, sabiam que estavam comprometendo o futuro. As águas inundam tudo, e “OBRIGADOS” a abrir as comportas, sabem que VÃO AUMENTAR A INUNDAÇÃO. (Sei que vão aparecer aqui mesmo, alguns que defenderão esses irresponsáveis do Rio e de São Paulo).

No Rio, culpam e atingem até os que morreram: “É muita leviandade fazer casas em encostas sem a menor segurança”. Esses “culpados” não têm onde morar. Vivos ou mortos, são as verdadeiras e únicas V-Í-T-I-M-A-S da irresponsabilidade dos governantes. Se houvesse MAPEAMENTO, essas pessoas não iriam morar nesses lugares.

E com MAPEAMENTO PREVENTIVO e FISCALIZAÇÃO RESPONSÁVEL, quem insistisse em habitar essas áreas, seria retirado e transferido para outros lugares. Enquanto estivessem fazendo obras. Acontece que as catástrofes se repetem, não são feitas obras de prevenção ou de reconstrução.

No Rio, apesar do meu horror, não posso deixar de ligar a televisão. Começo a ver um programa, os mortos são mais ou menos 200, no meio são 300, quando acaba, já estão em 335. Isso é número real, não são estatísticas técnicas.

Ninguém será responsabilizado, o governador de São Paulo não se livra de dizer bobagem, o do Rio estava na Europa, como sempre. Não queria voltar, decidiu vir quando soube que a presidente Dilma viria ao Rio. O helicóptero da presidente vai deixá-lo aqui, pede para ficar perto do Aeroporto Internacional, para a longa e satisfatória viagem de volta a Paris.

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PS – Isso continuará como sempre, os “culpados”, a chuva e os irresponsáveis (?) que vão morar em lugares onde correm todos os perigos, como acontece há pouco tempo em Angra.

PS2 – Bia Garcez, continue escrevendo, impressionando os comentaristas deste blog, e os que reproduzem o que sai aqui. Sei que é pedir muito, Bia, mas são relatos como os teus, que podem levar “autoridades” a alguma providência.

PS3 – Não houve, Bia, em lugar algum, um depoimento como o teu. Libelo mesmo, relato autêntico, sem artifício, de corpo presente, vendo tudo, sofrendo e contando.

PSDB manda fazer pesquisa sobre a popularidade de Dilma

Helio Fernandes

Estão tratando de publicar um levantamento, no dia 1º de fevereiro, comparando a popularidade de Lula com a de Dona Dilma. Partiriam dos 87 por cento dele, para “atualizar” com ela.

Se ficar, digamos, com 80 por cento, irão retumbar. Mas a ala Aécio Neves, do PSDB, não quer hostilidade desde agora.

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MARTA DESISTE DA PRESIDÊNCIA 

Depois de derrotada para a Prefeitura, a ex- só admitia um salto duplo: Senado-Planalto. Quase perdendo o Senado, (só se elegeu por causa da retirada e morte de Quércia e Tuma) viu que não ganharia nenhuma eleição para o Planalto.

Marta Suplicy mudou de plano,  quer a vice-presidência do Senado (Sarney chega tarde ou nem vai, todo o holofote irá para ela, (deixou a Prefeitura de lado, tentará ser governadora em 2014, no limiar dos 70 anos). Tudo hipótese.

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CIRO GOMES TRANQUILO

Íntimos estão satisfeitos com seu procedimento. Pelo que me dizem, não tem preocupação com o futuro. Deixa entrever até que foi bom não ter sido nomeado na primeira “leva” de Ministros.  

Considera que, fora algum “acidente do trabalho”, a validade desse Ministério não chega a 12 meses ou por aí. Sobrariam então 3 anos para ser chamado.

Itamaraty quer 60 dias para analisar o caso dos passaportes da família Lula

Helio Fernandes

A Procuradoria Federal quer “anular” todos os passaportes que o ainda presidente Lula concedeu para filhos e netos. O Itamaraty “pediu 60 dias para investigar o interesse público das concessões”.

60 dias é muito pouco. Os netos do ex-presidente precisarão de anos. Um neto tem 4 meses, por que cassar um benefício do qual nem tomou ciência? Parece que é “pura perseguição” a um presidente que saiu com 87 por cento de quê? Popularidade? Esse número 87 é garantido por quem? Por Clésio Andrade, agora senador?

PMDB nada surpreendente, na caça aos cargos do segundo escalão

Helio Fernandes

Não sei porque criticam tanto esse partido, pelo fato de querer (exigir) cada vez mais cargos no governo. A cada eleição presidencial, registro (antes no jornal impresso, agora no blog) a posição: o PMDB não apresenta candidato a presidente. Se ganhasse, teria que dar aos outros, tudo o que recebe não se apossando do Planalto.

A Procuradoria Eleitoral Federal deveria investigar: por que o maior partido nacional nunca tem candidato a presidente? Enquanto não se explica essa abstinência eleitoral, o PMDB tem direito a cada vez mais cargos. Elementar.

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GEDDEL VIEIRA LIMA EM BAIXA

Derrotado para governador da Bahia, está querendo um cargo importante no segundo escalão, depois de ser vetado para Ministro. Sua situação é desesperadora. Foi Ministro da Integração Nacional, que devia evitar (ou minimizar) tragédias como as do Rio e São Paulo.

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ELETROBRÁS E OUTRAS ESTATAIS  

Dona Dilma falou: “Para a Eletrobrás e outras estatais do mesmo setor, só aceitarei indicações de alta credencial técnica”. Excelente. Para começar, devida trocar o Ministro das Minas e Energia, Lobão não sabe nem o que é um apagão.

Só que não pode demiti-li, desempregaria o filho suplente no Senado, o notório Edinho 30.

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EDUARDO BRAGA PARA PREFEITO

Eduardo Braga, ex-governador reeeleito do Amazonas e senador eleito, está disposto a cumprir o que revelei aqui, em 2009: será candidato a prefeito. Para isso, colocou a mulher como suplente.

Motivo: está sendo construído um estádio, onde haverá jogos da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016. E ele prefeito, mesmo perdendo 6 anos do Senado.

Luciano Coutinho gastará em aluguel R$ 252 milhões, mais do que gastaria para construir o prédio anexo do BNDES (já projetado e orçado). Os funcionários estão estarrecidos.

Carlos Newton

O clima no edifício-sede do BNDES, no Rio de Janeiro, é de estarrecimento e revolta. Segundo o economista Mauricio Dias David, não se fala em outra coisa, com a “Rádio Corredor” antenada o tempo todo, divulgando a notícia do aluguel milionários de 19 andares num prédio próximo.

Os funcionários são de altíssimo nível, quase todos concursados (salvo os que entraram pela janela via Finame e Constituição de 88, além é claro, dos 25 assessores do presidente Luciano Coutinho). Por isso, não gostam de determinadas liberalidades com os recursos públicos do banco.

Eles acham inacreditável a notícia de que está sendo ou já foi firmado um contrato de aluguel de 19 andares do edifício Ventura, por 60 meses, para alojar setores do BNDES enquanto se faz a reforma do edifício sede. Valor total : 252 milhões… E isto em uma época em que o novo governo (ou melhor, o velho governo Lula/Rousseff) assume anunciando contenção e corte de despesas.

“My God”!, como diria Paulo Francis. O pior é que todos os funcionários sabem que a construção do edifício anexo (que está inteiramente projetado e orçado, e significaria um luxuoso prédio que se incorporaria permanentemente ao patrimônio do Banco) sairia pela metade (metade, sim!) desse valor.

Isso tudo está acontecendo na gestão do renovado e discreto economista Luciano Coutinho (não gosta de aparecer, prefere bastidores), que acaba de ser elogiado pela presidente Dilma Rousseff. Segundo O Globo de ontem, página 21, a chefe do governo proclamou que “Luciano Coutinho é muito no que faz”.

Sem a menor dúvida. Ele é um economista muito bom. Pena que não se preocupe em fazer economia com o dinheiro do erário. A presidente Dilma precisa com urgência saber quanto custou a recente reforma do 22º andar do prédio do BNDES. Ela também é economista e gosta de cálculos. Poderia fazer as contas para saber o valor do metro quadrado. Se o fizer, aposto que Luciano Coutinho será demitido no ato.

Se isso aqui fosse um país decente (ou tivesse um governo decente), algumas cabeças rolariam pelo 22º andar abaixo. Mas nossa realidade é outra. Como diz o Millor Fernandes , “ou acabamos com a corrupção neste país ou não me chamo Jader Barbalho”. Aliá, só está faltando o Jader nesse governo. O resto – Sarney, Lobão, Palocci, Novais, Jobim, Jucá & Cia – está todo lá.

Os novos cavaleiros de Granada

Carlos Chagas 
                                                       
É provável que na reunião ministerial de hoje  Dilma Rousseff  confirme a disposição de criar, no âmbito do governo, o tal Conselho de Gestão, formado por técnicos e empresários empenhados em ver reduzidos os gastos públicos. Se isso acontecer, a presidente da República estará enxugando gelo. Para que um órgão paralelo cuidar da gestão da coisa pública quando há um  ministério intitulado do  Planejamento e Gestão?

Para amarrar  Jorge Gerdau Johanpetter, empresário de conhecida competência,  que recusou ser ministro do Lula e, agora, também de Dilma? Desse conselho ele não poderá escapar, mas, convenhamos, se é para economizar, para que gastar no mínimo com passagens aéreas, hospedagem, quem sabe jeton, para um numeroso  grupo de amigos do governo chegar às mesmas conclusões a que já terá chegado a ministra Mirian Belchior?
                                                       
Nos tempos do Lula foram constituídos muitos conselhos, como o do Desenvolvimento Econômico, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Político. Alguém se lembra de resultados práticos decorrentes das suas bissextas reuniões? Na hora das decisões, são os ministros que mandam. Ou deveriam mandar. Com todo o respeito, esse Conselho de Gestão lembra os versos de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca cavalgada. Para quê? Para nada…
 
DEVER CUMPRIDO SEM ALARDE   
 
Aplausos para a presidente Dilma Rousseff por haver cumprido o seu dever. Sem alarde, com pequeno grupo de ministros e assessores, ela agiu de bate-pronto. Viajou para o Rio em plena catástrofe,  sobrevoou as regiões atingidas pelos temporais, solidarizou-se com as vítimas. Não tripudiou com a desgraça alheia nem omitiu-se.

Não fez promessas mirabolantes mas colocou o governo federal à disposição das autoridades fluminenses, ao mesmo tempo mobilizando contingentes e pessoal subordinados ao poder central. O importante é que Dilma não titubeou em ver sua imagem ligada a uma das maiores tragédias dos últimos quarenta anos, como alguém costumava fazer, esperando às vezes uma semana para viajar a locais semelhantes. 
 
PROPRIEDADE CRUZADA
                                                       
A questão é complicada mas o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, resolveu enfrentá-la. Trata-se da propriedade cruzada dos meios de comunicação. Se um empresário de atividades ligadas à alimentação pode possuir uma fábrica de biscoito, outra de sardinha, esta de salsichas e aquela  de macarrão, por que um empresário de comunicação deve ser proibido de dispor de um jornal, uma revista, uma emissora de rádio e outra de televisão?
                                                       
Esse é o argumento a favor, mas há o contra: dominando os variados instrumentos da mídia numa determinada região, ou até nacionalmente, esse empresário não estará impondo à sociedade uma única versão dos acontecimentos? Ainda mais quando coloca a notícia serviço de seus interesses e de suas concepções. Se for político, pior ainda.
                                                       
De qualquer forma, é preciso debater e, se for o caso, agir. Nos Estados Unidos, até o governo George W. Bush, a propriedade cruzada dos meios de comunicação era proibida. Depois, abriram-se brechas e o assunto ainda é objeto de debates no Congresso. Aqui,  jamais existiram restrições à formação de verdadeiros impérios. Terá sido bom? Vamos discutir.
 
PRAZO PARA ADAPTAÇÃO
 
Irrita-se a ministra da Pesca, Idely Salvatti, quando ameaçam presenteá-la com um caniço e um samburá, quem sabe até com um peixe. Suas relações com  a atividade pesqueira são nenhuma, mas  esse não é motivo para criticá-la ou denegri-la. Poderá aprender, em tempo útil, como outros aprenderam. Edison Lobão, por exemplo, entendia muito pouco de energia e nada de minas. Em pouco tempo tornou-se um expert nas duas  matérias, tanto que após o interregno para reeleger-se senador, viu-se convidado por Dilma Rousseff para conduzir o ministério que ocupou no governo Lula.
                                                     
Quem garante que Pedro Novais, especialista em Receita Federal, não produzirá bons resultados  no ministério do Turismo? Vale o exemplo para Garibaldi Alves, na Previdência Social, Fernando Bezerra,  na Integração Nacional, Mario Negromonte nas Cidades, Alexandre Padilha na Saúde, Fernando Pimentel no Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Aloizio Mercadante na Ciência e  Tecnologia, Tereza Campelo no Desenvolvimento Social e quantos mais deslocados e até surpresos com os ministérios recebidos?
                                              
O problema é que estarão todos de saia curta na reunião ministerial de   hoje,  caso a presidente Dilma Rousseff resolva iniciar uma sabatina a respeito dos  planos e projetos de cada um. Esperam, pelo menos, mais um mês de moratória…

Noblat esqueceu o projeto de Hitler: um Reich de mil anos

Pedro do Coutto

Na coluna que publica às segundas-feiras no Globo, Ricardo Noblat , nesta semana, focalizou diversos projetos de poder que, traçados com base no futuro, fracassaram totalmente. Melhor dizendo: desabaram diante da realidade dinâmica dos fatos que, a exemplo do belo poema musical de Nelson Motta, giram sem parar. Nada do que foi será igual ao que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. Pois é. Gravaram Lulu Santos e Caetano Veloso. A interpretação de Caetano é infinitamente melhor.

Mas poesia à parte, Noblat, a quem conheci de perto no Jornal do Brasil, 1982, quando o jornal denunciou o escândalo da Proconsult, citou o projeto de poder de Fernando Collor: 20 anos. Assumiu em 92, foi afastado pelo impeachment aprovado em setembro de 92.

Referiu-se igualmente ao projeto de poder que o ministro Sergio Mota fixou para o esquema FHC. Também vinte anos no Planalto. Não aconteceu nada disso. Esvaziado, sem apoio da opinião pública, Fernando Henrique apoiou José Serra em 2002 que perdeu disparado para Lula: 62 a 38%. Não mais se recuperou. Nem Geraldo Alckmim, em 2006, nem o próprio Serra, de novo em 2010, desejaram aparecer a seu lado nas duas campanhas.

O articulista de O Globo não se referiu a JK. Juscelino, que deixou o governo consagrado em 61, tinha como meta o retorno triunfal nas urnas de 65. Mas não contava com o desastre que envolveu o governo João Goulart e sua deposição pelo golpe militar de 64.

Noblat, penso eu, sem querer, omitiu o maior desastre da história universal: Hitler, ao chegar ao poder em 33, na Alemanha, e implantar o regime nazista, assegurou  um Reich para mil anos. Doze anos depois de causar a morte de 45 milhões de pessoas, e de destruir seu próprio país, cercado pelos russos dos generais Zukov e Koniev, no seu bunker subterrâneo, que Churchill chamava de covil dos abutres, suicidou-se e foi levado pelo esgoto da história.

Previsão foi feita para não se realizar. Portanto, especular quanto tempo vai durar este ou aquele esquema de poder é sempre um salto mortal sem rede de  proteção. Tudo passa, tudo sempre passará. Principalmente na política que, na bela definição de Magalhães Pinto, é como uma nuvem: muda de forma e direção a todo instante.

Agora mesmo, especula-se como o PMDB vai agir em relação aos rumos traçados pela presidente Dilma Rousseff. Reportagem de Cristiane Jungblut, também em O Globo de segunda-feira, expõe um quadro de projetos polêmicos que se encontram em tramitação no Congresso Nacional e deixa no ar a pergunta sobre como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro agirá em relação às contradições que tais matérias despertam, se a legenda não for plenamente atendida pelo Planalto quanto ao preenchimento de cargos em empresas estatais.

Faltou entretanto uma pergunta: o que poderá o PMDB fazer? Votar contra a orientação de Dilma Rousseff? Mas o partido ocupa quatro ministérios, entre eles o de Minas e Energia. Abrirá mão dos postos? Não creio. Aliás, ninguém acredita em tal hipótese. Pois se o PMDB rompesse, o PSDB de Aécio Neves e Geraldo Alckmim estaria pronto para o sacrifício de substituí-lo em nome da governabilidade. Expressão da moda, a exemplo da figura do desenvolvimento sustentável.

O PMDB não pode romper, pois em política qualquer espaço aberto no esquema de poder é preenchido em cinco minutos. Não mais. Quais os projetos realmente polêmicos em pauta? O valor do novo mínimo e a cobrança (absurda) da contribuição previdenciária dos funcionários públicos aposentados e dos beneficários do INSS que, mesmo aposentados, continuam trabalhando.

Sem problemas. A cobrança dos servidores inativos e dos aposentados do INSS que continuam trabalhando rende 1 bilhão e 200 milhões de reais por ano. O orçamento para 2011 é de 2,1 trilhões. Os números falam por si. Piso de 540 ou 560 dá no mesmo. Não muda.

“As chuvas e os governantes”, um artigo que diz tudo sobre as tragédias no Rio e São Paulo

Em atenção à comentarista Suzana Oliveira, que lembrou a atualidade do artigo postado dia 1º deste mês por nosso colaborador Jorge Folena, estamos republicando o texto:

Jorge Folena

O primeiro dia do ano é para festejar e renovar a esperança por dias melhores, ainda mais quando hoje toma posse a primeira mulher presidente do Brasil, fato que simboliza o avanço numa sociedade retrógrada, na qual, segundo as estimativas, um milhão de mulheres são violentadas diariamente, de várias maneiras (psicológica, física e patrimonialmente), em todo o mundo.

A Presidente Dilma assume com grandes desafios, uma vez que os administradores públicos, de forma consciente ou não, sempre governaram o Brasil como uma sociedade fundamentada na exclusão, na diferença e na indiferença. Nunca valorizaram o trabalho, base de tudo, e enxergaram nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas brasileiras apenas uma fonte de mão-de-obra barata, a ser explorada diariamente, bem como um manancial de votos para a confirmação da ordem política.

Um exemplo disso é a tragédia que se repete todos os anos, no mês de janeiro, com as chuvas torrenciais que castigam nossas cidades. Parece, então, que o único culpado é a população pobre, que construiu suas casas onde não deveria. É o que fica aparente nos pronunciamentos das autoridades constituídas, sempre que lemos os jornais, ouvimos as rádios ou assistimos à televisão. Mas o que têm feito os governantes, antes ou depois das chuvas, ao longo de todos estes anos?

Não podemos perdoar estes políticos, pois o problema não é falta de dinheiro, de tecnologia ou de áreas adequadas para se construir residências dignas para todos. Não fazem porque não querem e por ser próprio do regime em que vivemos a manutenção da desigualdade, apesar de se apregoar por todos os cantos que constituímos uma sociedade livre e democrática.

A letra da lei é bonita, mas só vale no papel, como todos sabem. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando-a como sempre fizeram ao longo da História. E apesar de estar consignado na Constituição (artigo 6º), é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade e em condições salubres.

Por isto, enquanto houver a exploração de homens e mulheres, enquanto os idosos não forem amparados e enquanto as crianças viverem sem esperança de futuro, tudo estará na mais perfeita ordem natural das coisas, com chuva ou qualquer outra forma de tragédia que recaia sobre nós.

Então, Presidente Dilma, sua posse hoje (01/01/2011) representa a esperança de um Brasil melhor para todos. Que seu governo seja coroado de êxito e, assim, nosso país se transforme efetivamente numa grande potência de desenvolvimento humano e social, sem ficar limitado ao mero crescimento econômico.

Helio e o fechamento da Tribuna

Agradecimento – Tribuna da Imprensa

 

Prezado Jornalista Hélio Fernandes:

 

Há mais de um ano, no dia 1/12/2008, eu e muitos brasileiros fomos surpreendidos com a manchete: “ESTA TRIBUNA INTERROMPE momentaneamente sua circulação. Por culpa da justiça morosa, tendenciosa, descuidada, displicente, verdadeiramente injusta e ausente, tão ditatorial quanto a ditadura”.

Atônito pela notícia, na mesma manhã, num gesto de solidariedade, manifestei que: “o seu jornal cunhou minha formação acadêmica e a de muitos jovens. Só tenho gratidão ao senhor e seus colaboradores. A Tribuna da Imprensa é um patrimônio cultural do povo brasileiro.”

Querendo ajudar, mas ainda sem saber como, escrevi, no mesmo dia, carta ao Ministro Joaquim Barbosa, que foi anexada ao processo da Tribuna da Imprensa no STF: “A nomeação de Vossa Excelência para o Supremo Tribunal Federal representou um momento extraordinário na História do Brasil, transmitindo a crença de que todos, num País em transformação, poderiam chegar ao ápice da representação política, a exemplo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, que o designou para tão importante missão. Para o nosso povo, o senhor passou a ser o legítimo representante e guardião de seus direitos junto ao Poder Judiciário. Confesso que fiquei emocionado ao ler hoje, na primeira página da Tribuna da Imprensa, o libelo do Jornalista Hélio Fernandes diante da possibilidade de interrupção da circulação do seu sexagenário jornal, que necessita da reparação (de direito) que foi reconhecida pelas instâncias ordinárias da Justiça. Com efeito, estou certo de que Vossa Excelência, diante de sua mais profunda sensibilidade, irá compreender a manifestação do Jornalista, que se aplica na divulgação da notícia, da informação e do esclarecimento do povo brasileiro frente a tantas dificuldades, que o senhor, como Ministro do STF, sabe melhor que todos nós. Portanto, da mesma forma que as ações afirmativas são importantes para resgatar o sofrimento dos brasileiros, a Tribuna da Imprensa deve ser preservada, porque é patrimônio cultural nacional. Tenho confiança que Vossa Excelência irá se posicionar a respeito do recurso referido pelo Jornalista Hélio Fernandes, dando uma resposta justa à questão.”

O sofrimento da Tribuna da Imprensa é igual ao de muitos brasileiros, diante de uma Justiça que, por sua morosidade, se constitui em verdadeira injustiça, colocando-se de costas para o povo. O sistema Judiciário se coloca acima da própria sociedade que o constitui. Hoje, o povo mais sofrido e pobre encontra outros meios para obter justiça em suas comunidades. Surge, assim, uma “liga da justiça” formada por milicianos, a ocupar o vazio deixado por quem deveria agir, mas não age. Aqui o lado mais perverso e perigoso, que possibilita a criação de um poder paralelo, facilita a corrupção e a chantagem e cria as bases para um regime de exceção.

Deixando esta questão de lado, registro minha emoção ao tomar conhecimento, em abril passado, de que a Tribuna da Imprensa, ainda não impressa, teria retornado via rede mundial de computadores. Assim, voltamos a ler seus artigos, reflexões e comentários diários, importantes para esclarecer a opinião pública nacional.

A Internet possibilitou um jornal mais dinâmico, com a notícia circulando no exato momento do acontecimento. Além disso, os leitores podem debater e expressar a sua opinião também simultaneamente. Isto é muito interessante e democrático. Como o senhor já manifestou, as eleições de 2010 poderão ganhar um novo colorido com a cobertura imediata pela rede de computadores.

Aproveito para agradecer a oportunidade que tive de expressar livremente minhas opiniões na sua Tribuna da Imprensa, contando ainda com suas respostas e comentários.

Desejo-lhe um feliz Natal e que, em 2010, a Tribuna da Imprensa continue irradiando notícias e conhecimentos para todo o povo brasileiro.

Um forte abraço.

Jorge Rubem Folena de Oliveira

Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional

do Instituto dos Advogados Brasileiros

 

Comentário de Helio Fernandes

 

Não há agradecimento, Folena, a não ser que seja simultâneo, e não apenas entre eu e você. Temos que juntá-lo, somá-lo, dividi-lo com todos os cidadãos que se solidarizaram com a Tribuna, pela interrupção MOMENTÂNEA. (Cada vez mais perto de abandonar essa palavra circunstancial e que usei também esporadicamente). Os 30 anos vão se transformando em 31, continuamos descobrindo esse caminho novo que é a instantânea (exatamente o contrário de momentânea) Internet.

Os votos de Feliz Natal, são retribuídos e multiplicados para os milhões de brasileiros, principalmente aqueles que do Natal só conhecem a data que foi deixada por Jesus Cristo. O grande líder social dos últimos 2 mil anos, citado e até copiado por Marx, no seu Manifesto de 1848. E como a Tribuna estará completando 60 anos no dia 27, republico abaixo o artigo do dia 1º de dezembro de 2008. Muita gente me pedia, a hora é agora.

 

 

A TRIBUNA INTERROMPE MOMENTAMENTE A CIRCULAÇÃO
POR CULPA DA JUSTIÇA MOROSA,TENDENCIOSA, DESCUIDADA, DISPLICENTE,VERDADEIRAMENTE INJUSTA E AUSENTE,TÃO DITATORIAL QUANTO A DITADURA

O douto procurador-geral da República, Claudio Fonteles, recusou o AGRAVO da União, identificando-o como PROTELATÓRIO.
O imodesto ministro Joaquim Barbosa recebeu o AGRAVO da União, sabendo que era PROTELATÓRIO. Levou 2 anos e meio para entender.

Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.
Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de LÍQUIDA, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.

A outra, denominada de ILÍQUIDA, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar.
(Esse diretor da Receita Federal, Orlando Travancas, era feroz na perseguição e na intimidação. Não demorou muito, foi flagrado em crime de extorsão e corrupção, não quiseram prendê-lo, seria desmoralização para o regime. Foi aposentado luxuosamente, com proventos financeiros “generosos”).
A ação ILÍQUIDA dependia de PERÍCIA, que vem desde 1982, e não foi feita por irresponsabilidade e falta de interesse de dois lados. Acreditamos que agora andará em velocidade para recuperar o tempo perdido. Na ação dita LÍQUIDA, o competente juiz de primeira instância, cumprindo o seu dever, sem temor ou dificuldade, condenava a União ao pagamento da INDENIZAÇÃO devida a esta Tribuna.
Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado. “Combatíamos o bom combate”, como disse o Apóstolo Paulo.
De 1982 (primeira e única sentença) até este ano de 2008 (26 anos), a decisão do competente juiz de primeira instância foi naufragando na impunidade, no descuido, na imprudência dos chamados MAGISTRADOS SUPERIORES.
Nesses 26 anos, desembargadores que não tinham nenhum adjetivo, mas lutavam arduamente para ganhar a complementação de DESEMBARGADORES FEDERAIS, nem ligavam para a justiça ou a injustiça. Importantes, se consideravam insubstituíveis e incomparáveis, não queriam que alguém pensasse ou admitisse que eram inferiores. Lógico, cuidando da ambição pessoal, não podiam perder tempo FAZENDO JUSTIÇA. Que era o que o juiz de primeira instância compreendeu e decidiu imediatamente.
Em 26 de março de 1981, a ditadura agonizante mas vingativa explodiu prédios, máquinas e demais dependências desta Tribuna. Podíamos acrescentar isso na própria ação ou começar nova, com mais esse prejuízo colossal. Não quisemos. É fato também facilmente comprovável, não protestamos nem reivindicamos judicialmente em relação a mais esse terrorismo. Financeiro, econômico, irreparável.
Outro fato que também é acusação contra DESEMBARGADORES FEDERAIS facilmente comprovável, verificando o andamento, quer dizer, a paralisação do processo: vários DESEMBARGADORES FEDERAIS ficaram 2, 3 e até 4 anos com o processo engavetado. Alguns devolviam o processo pela razão maior de todas: caíam na EXPULSÓRIA. Mas continuavam fazendo parte do esquema e sistema de atrasar a eficácia da prestação jurisdicional. Necessária nova distribuição, isso era feito lentamente, esqueciam inteiramente da importância de fazer justiça.
E o próprio Supremo Tribunal Federal não pode ser considerado INOCENTE ou DESCONHECEDOR do processo. Pois há quase 3 anos ele está na mesa do ministro Joaquim Barbosa, “esperavam um negro subserviente, encontraram um magistrado que veio para fazer justiça”. Na prática está desmentindo a teoria. Negro ou branco, não importa a cor e sim a I-N-S-E-N-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E como magistrado.
O ministro Joaquim Barbosa, do STF, com extrema boa vontade, recebeu o recurso inócuo da União, verdadeira litigância de má-fé, que sabia ser apenas PROTELATÓRIO. Os autos estão descansando em seu gabinete desde abril de 2006. Postura diferente adotou o douto procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que há mais de 2 anos já fulminara o teratológico recurso como INADMISSÍVEL, sem razão de ser, vez que almeja REDISCUTIR o que já tinha sido pacificado nas instâncias inferiores, ou seja, o direito líquido e certo desta Tribuna da Imprensa ser indenizada por conta de danos morais e prejuízos materiais de vulto que sofrera, em decorrência de atos truculentos e de censura permanente dos governantes dos anos de chumbo e que quase levaram o jornal à falência.
Inexplicavelmente, repita-se, o bravo (ou bravateiro?) Joaquim Barbosa aceitou o afrontoso apelo da União que nem deveria ser conhecido, por conta quem sabe de um cochilo, displicência ou então não tem a sabedoria jurídica que tanto apregoa.
Não quero ir mais longe, lembrar apenas o seguinte: a Tribuna da Imprensa não será FECHADA pela indolência da Justiça, que, sem perceber, a castiga tanto ou mais do que a ditadura, na medida em que por inaceitável MOROSIDADE está retardando a implementação da execução de sentença condenatória da ré, União Federal, e sua maior devedora.
ASSIM, suspenderemos por alguns meses a circulação deste jornal, que entra, coincidentemente, no ano 60 da sua existência. 14 com Carlos Lacerda, 46 com este repórter. Não transigimos, não conversamos, não negociamos a opinião aberta e franca pela recompensa escondida, mas relevante. Poderíamos ter cedido, concedido, concordado, conquistaríamos a riqueza falsa e inconsciente, mas GLORIOSA E DURADOURA.
Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIDADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima.
Nesse quadro, já dissemos e reiteramos que essa primeira indenização será toda destinada ao pagamento de DÍVIDAS obrigatórias contraídas por causa da perseguição incessante comprovadamente sofrida.
Em matéria de tempo, uma parte do Judiciário foi mais ditatorial do que a ditadura. Esta perseguiu o jornal das mais variadas formas, por 20 anos. A Justiça quer ver se chega aos 30 anos, por conta de sua repugnante MOROSIDADE, TÃO RUINOSA e imoral quanto a ilimitada violência perpetrada pela ditadura.
Se vivo fosse, o jurista Ruy Barbosa por certo processaria os lenientes julgadores do processo indenizatório ajuizado pela Tribuna contra a União há quase 30 anos e sem pagamento algum até hoje, porque para Ruy, que é tão festejado e citado, mas não imitado, JUSTIÇA ATRASADA NÃO É JUSTIÇA, SENÃO INJUSTIÇA QUALIFICADA E MANIFESTA. Até breve. Muito breve.

PS – ” O medo inominável, injustificável, sem razão de ser. Medo que paralisa os esforços e transforma um avanço vitorioso numa derrota ou numa retirada desastrosa”. Franklin Delano Roosevelt, 4 de março de 1933. Um dia antes de tomar posse pela primeira vez como presidente e já pronto para lançar o New Deal.

A tragédia de São Paulo. O maior estado, a maior prefeitura, há 16 anos dominada pelo PSDB, culpa a chuva por tudo o que acontece. Começando mais 4 anos, sempre Covas, Alckmin, Serra, novamente Alckmin.

Helio Fernandes

Governantes municipais e estaduais, não conseguem ultrapassar esse limite e se transformarem em nacionais. O ciclo peessedebista começou em 1994, com Covas já doente, com um câncer que o mataria. Tinha saúde ruim, em 1986, candidato ao Senado, sem adversários, Covas teve que parar a campanha por causa de um enfarte. Eleito, eram só ele e FHC.

Quem era seu vice? Geraldo Alckmin. Covas quase não toma posse como governador, mas os partidos que o apoiavam eram quase todos. Só ganhou no segundo turno do quase desconhecido Rossi. E precisou do apoio fundamental de Maluf, apoio coordenado pelo futuro presidente FHC, ligadíssimo a Maluf.

Mesmo antes da posse, surgiu uma lista enorme de “doadores” de campanha, nessas listas, empreiteiras acusadas dos maiores escândalos nacionais e estaduais. Tomou posse (Alckmin de sentinela por causa da doença) com novas acusações. Durante quase 4 anos, a Tribuna impressa denunciou “empreitadas”.

E o filho Zuzinha (mais tarde, exemplo para Lula), sempre envolvido. Garantiu que ia processar jornalistas da Tribuna, ficou sempre na intenção. Mas o zigue-zague de Covas continuava.

Em 1997 FHC lançou a campanha (comprada) da reeleição. Covas ficou contra. Alegação: “A reeeleição vai permitir que o ocupante do cargo se reeeleja, utilizando a máquina e o dinheiro público”. Ha!Ha!Ha!

Não fizera outra coisa, e logo depois mudava de “opinião”, aceitando a reeeleição. Em 1998 ganhou de Dona Marta, mas perdeu para Maluf. No segundo turno, Dona Marta, seu marido Suplicy e outros fizeram uma frente antiMaluf. Aí ganhou, 9 milhões e 800 mil votos, contra 7 milhões e 900 mil de Maluf.

Começou então a insistente “substituição”, tendo Alckmin como segundo e “construindo” a carreira de vice. O que dizer se Sarney chegou a presidente com a morte do efetivo? Mas como não tomou posse em 1995, o governador de fato foi Alckmin.

Onde estava o governador eleito, Mario Covas? Nos EUA, operando um câncer na bexiga. Voltou, não se curou nunca, mas mesmo convalescente, foi empossado 15 dias depois, com Alckmin no cargo. O maior estado da Federação tinha um governador doente e um vice administrativamente desimportante.

Juntos, Covas-Alckmin não conseguiram eleger Serra, em 1996, para a maior prefeitura do país, não chegou nem ao segundo turno. Que foi disputado por Luiza Erundina e Celso Pitta. Este apoiado abertamente por Maluf e veladamente por FHC. Covas votou e mandou votar em Luiz Erundina, perdeu feio.

Em 1998 Covas foi reeleito, a única “satisfação” que deu para a mudança de convicção, foi se “desincompatibilizar” 9 meses depois. “Transferiu” o cargo a Alckmin, uma farsa, ele já “governava”, o que garante que fará agora, 12 anos depois.

Covas foi reeeleito, Alckmin  ficou o tempo todo no Palácio Bandeirantes, o local estava vazio. Covas o tempo todo no hospital, fazendo quimioterapia. Isso durou até 2002, quando acabava o mandato de Covas-Alckmin. Aí, apesar de duas eleições (não importa se como vice ou governador de fato), Alckmin se lançou pela terceira vez. Inacreditável.

Isso era ilegal, imoral, inconstitucional. Aproveitando a máquina e os dinheiros públicos (royalties para Covas), Alckmin “ganhava” o primeiro mandato dele mesmo, embora “não fizesse nada” pela terceira vez. E a tragédia de hoje, era anunciada desde aquela época. Agora, Alckmin se justifica: “Vamos RETOMAR AS OBRAS”. Retomar? Então é porque estavam paradas.

Apesar de “invicto e virgem” em administração, Alckmin em 2006 transferiu o cargo para Serra, lembram? Duas vezes derrotado para prefeito. E o senador Waldeck Ornelas, dizia no plenário, na presença do personagem: “Serra não é FILANTRÓPICO e sim PILANTRÓPICO”.

Com tudo isso, mantinha a “dinastia” do PSDB no maior estado da Federação.

Serra não fez nada até agora, 2010, entregou o cargo a quem? Ora, ao vice e depois governador Geraldo Alckmin. Enquanto se revezavam à frente do maior estado da Federação, perdiam três vezes para presidente da República. (por enquanto, duas derrotas para Serra, uma para Alckmin. Mas a tragédia ainda não terminou).

Jogam a culpa “na chuva”. Mas desde 1994 o maior estado do país é governado pelo PSDB. E sempre, nesses 16 anos, que garantem irá a 20, Alckmin-Serra, com Covas fazendo figuração. Lançaram apenas rodovias (que provocam a tragédia das chuvas), que chamaram e chamam de M-A-R-G-I-N-A-L, denominação biográfica ou autobiográfica.

Não existe representatividade pelo fato de não existirem partidos, mas o povão não votou três vezes nesses mesmos candidatos. Só que não têm constrangimento, continuam se “assanhando”, os dois disputam a “quarta” candidatura presidencial entre eles.

Alckmin alega; “Só perdi uma vez, tenho direito a perder a segunda”. Serra afirma (não esqueçam do discurso, “não é adeus e sim até logo”), “nas duas vezes fui para o segundo turno”.

Continuam se hostilizando diante de 40 milhões (população do estado) ou de 13 milhões (os moradores da capital), sem direito a coisa alguma. Na mesma noite da derrota, quando “abraçou” efusivamente Alckmin, eu disse aqui: “Serra será candidato, não sei a quê, depende da pesquisa”.

 ***

PS- Como a eleição mais próxima é a de 2012, já mandou fazer levantamento. Pode ser, 2014 é muito longe, a não ser  que seja presidenciável. Tanto Alckmin quanto Serra só entrarão no Planalto, numa circunstância.

PS2 – Se forem vice de Dilma ou de Lula. Michel Temer não é vice? Pelo menos eles tinham votos para governador, Temer para deputado e olhe lá.

PS3 – Continua chovendo, gente morrendo, Alckmin-Serra perdendo. Só que ainda não perceberam o quanto são repudiados. E houve uma época  que São Paulo queria se separar do país: “Somos a locomotiva, carregando 21 vagões vazios”.

PS4 – Declaração de Alckmin, ontem, escandalosa, vergonhosa, acintosa: “É impossível FAZER OBRAS EM 24 HORAS”. Impressionante. Na verdade, é quarta vez que assume o governo de São Paulo.

PS5 – E resume tudo, APENAS A 24 HORAS? Não estou aqui para desmentir ninguém. Mas em todos os outros 3 mandatos (dois de Covas “exercidos” por ele mesmo, outro ilegal mas existente, o quatro começou agora) NÃO FEZ NADA MESMO. Que República.

O que acontecerá ao ministro de Pernambuco? Perguntem a Palocci.

Helio Fernandes

A Folha, ontem, fez uma radiografia completa do Ministro da Integração Nacional, com direito a acusações e envolvimento da mulher e do cunhado. (Que parece, agora, é parente). Seu nome: Fernando Coelho. Credencial: ocupa o ministério que estava destinado a Ciro Gomes.

O que acontecerá? Nada. Palocci contorna tudo.

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O SENADOR EUNÍCIO, VETADO

Foi Ministro de Lula, eleito senador, tinha como certo que seria Ministro novamente. O suplente foi colocado planejadamente. Só que não foi Ministro por preterição do próprio partido, o PMDB.

Acontece que o encarregado do veto foi Michel Temer, cumprindo delegação dele mesmo e de outros caciques do partido. Justificativa ou acusação: “Eunicio Oliveira tem voo próprio, como ministro iria longe”. E “ameaçaria” muita gente no PMDB. Lula não gostou (usou Eunicio para derrotar Jereissati), mas não quis se meter.

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O CHANCELER PATRIOTA

Sobre os passaportes dos filhos e netos de Lula, declarou o Chanceler Patriota: “O Itamaraty está examinando, aconteceu no governo anterior”. Que sem-vergonhice.

Nada a examinar, a obrigação é cancelar os passaportes. E que governo acabou? O do Lula? É tudo o mesmo, a não ser que Dona Dilma diga que não é. Poderá dizer?

Dólar “futuro”, ações a “descoberto”

Helio Fernandes

Não é privilégio do Brasil, a falcatrua de moedas e ações existe no mundo inteiro. Os bancos que faliram nos EUA, e provocaram a crise financeira mundial, tinham nome e sobrenome na fachada, ninguém foi punido. Apenas “ajudados”.

Mantega está preocupado com a queda do dólar e a manipulação das ações, mas “toma” medidas só a partir de abril, e não toca no principal. Mercado à vista do dólar; 200 milhões e à vezes menos, por dia. No “futuro”, 10 BILHÕES diários, e às vezes mais.

Ações à vista: 4 ou 5 bilhões por dia, a “descoberto”, 3 ou 4 vezes mais, lucros maravilhosos, nos dois mercados.

                                                                                ***

EQUÍVOCO NA MANCHETE

Em O Globo, ontem: “A economia do Rio cresce mais do que a M-É-D-I-A nacional”. O certo: “A economia do Rio cresce mais do que a M-Á-F-I-A nacional”. Irão retificar?

Maracanã: o símbolo da corrupção

Helio Fernandes

O mais charmoso, o mais atraente, o maior do mundo, já teve mais de 200 mil pessoas no jogo Brasil-Uruguai, 1950.

Na construção, acusações tremendas contra o então prefeito Mendes de Moraes. Os caminhões com tijolos, areia, pedra, madeira, entravam por um portão, davam a volta, saíam pelo outro, registrados mas não descarregados.

O tempo passou, veio Chiquinho da Mangueira, “reformou” o Maracanã, ao custo de 330 milhões. Ficou 3 anos, se desincompatibilizou (era deputado), voltou, nova obra, 450 milhões desperdiçados.

Agora, para a Copa de 2014, obra “orçada”, que palavra, em 600 milhões. Está atrasada, mas o cálculo visível, publicado e comemorado: “Custará 1 bilhão”. É o Maracanã de ouro.

Salário mínimo para milhões, máximo para parlamentares

Andrea Queiroz: “Por que 62 por cento de aumento para os parlamentares e o salário mínimo continuar como está?”

Comentário de Helio Fernandes:

É isso, Andrea. O povo vota neles, deputados e senadores, que enganam esse mesmo povo. Por causa disso, e de muitas outras coisas, defendo há anos uma RENOVOLUÇÃO. Começando pela autenticação dos mandatos, a imposição da verdadeira r-e-p-r-e-s-e-n-t-a-t-i-v-i-d-a-d-e. Quando virá isso?

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SUPLENTES PERMANENTES E DE VERÃO

Não é só o PMDB e o PT que brigam por cargos. Eles lutam mesmo pela permanência na cúpula, ou no Senado. Alfredo Nascimento é pela terceira vez seguida, Ministro dos Transportes. Incompetente, massacrado para governador no Amazonas, ganhou o cargo porque escolheu como suplente um amigo de Lula, João Pedro.

Mas brigam intensamente pelas quatro vagas de suplentes das Mesas do Senado e da Câmara. Ha!Ha!Ha! O que representam esses cargos? Já os suplentes de “verão”, na Câmara, querem um dinheirinho por fora, não tiveram nem têm mandatos.

A hora das definições já tarda

Carlos Chagas 
                                              
Na primeira reunião de trabalho do ministério, amanhã, qual será a mensagem principal da presidente Dilma Rousseff à sua equipe? Não vai ser fácil elaborar um discurso único para 37 personalidades tão diferentes em termos  de concepções administrativas, econômicas,  partidárias, políticas e sociais.

Apenas a  chefe do governo exprime  o  denominador comum, por sua vez  nebuloso, na medida em que ela ainda não definiu sua diretriz maior. Contenção ou desenvolvimento? Prevalência de  iniciativas sociais, como a promessa de extinguir a pobreza, ou prioridade para cortes nas despesas públicas e no orçamento, como anunciado? 
                                              
As duas tradicionais correntes que têm dividido os governos nas últimas décadas começam a delinear-se. Pelo menos os partidários da contenção já escolheram o seu porta-voz, no caso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os desenvolvimentistas e os adeptos de investimentos maciços no setor social ainda não definiram o seu campeão. O grande número de ministros desconhecidos do grande público permite que sobressaia  Carlos Lupi, do Trabalho. 

Alexandre Padilha, da Saúde, e  Garibaldi Alves, da Previdência Social, estão de olho, mas ainda é cedo para ser escalado  o capitão do time.
                                              
Nos seus oito anos de governo, o presidente Lula conseguiu sobrepor-se ao conjunto, mais ou menos como aquele craque que “jogava nas onze”. Não será o caso de Dilma, de quem se exigirá mais do que o  carisma, pois a necessidade  de  apresentar o seu perfil. Em detalhado  discurso de posse, perante o Congresso, como num banquete de gala, ela serviu toda espécie de pratos e guloseimas. Todos os gostos foram satisfeitos, conforme se viu nos comentários dos jornais conservadores, liberais e até da esquerda. O problema é que a hora das definições já tarda.
 
MALHAR EM FERRO FRIO 
 
Décadas, talvez séculos atrás,  usava-se uma expressão que o avanço da tecnologia tornou obsoleta. Quando se verificavam  esforços  que redundavam em nada, dizia-se que seus artífices estavam “malhando em ferro frio”. Era a imagem do ferreiro que,  ao forjar uma espada, esquecia-se de acender o fogo. De nada adiantava vibrar o martelo na lâmina fria,  com a bigorna embaixo.
                                                       
Coisa parecida acontece depois de cada inundação como essa que ainda assola São Paulo e outras regiões. O governador e o prefeito anunciam montes de recursos para minorar as agruras das vítimas,  mas pouco  vale  a iniciativa. Por isso culpam a chuva, fator de menor responsabilidade em tudo.
                                                       
Não apenas  em São Paulo, mas nas grandes e médias cidades do país inteiro,  avoluma-se a ocupação desordenada do solo, nos morros e periferias, por  gente sem condições de morar no asfalto. Nenhum governo cogita, para valer,  de zonear, limitar, fiscalizar e definir a meteórica criação de novos bairros e subúrbios. Da mesma forma, não lhes passa pela cabeça investir em obras que não aparecem, do saneamento à implantação e limpeza de redes de esgoto e de escoamento pluvial.

Nem os rios são dragados como se esperaria. Da mesma forma, com relação ao  lixo, apenas autorizam lixões que, insuficientes, estendem-se para ruas e avenidas. O resultado aí está:  a cada ano que passa maiores e mais letais são os efeitos  dos aguaceiros, restando repetir o chavão de que “este ano, choveu num dia o que não chove num mês”. A verdade é que dos atuais governantes, prefeitos e governadores, não há um que em sua campanha tenha apresentado planos e programas destinados a solucionar de verdade a questão das inundações. Melhor prometer viadutos…
 
PAX ARMADA
 
PMDB e PT celebraram uma trégua e comprometeram-se a não levar para os jornais as disputas por cargos no segundo escalão do governo. Como essas nomeações ficaram para  fevereiro, tempo haverá para a partilha  que até agora tem desagradado os partidários de Michel Temer.

O diabo é que tão inglório entrevero vem de encontro às concepções da presidente Dilma Rousseff, de nomear técnicos e gente qualificada, mesmo políticos, para cada um dos montes de vagas ainda abertas na administração federal.
                                                       
Aguarda-se, sabe-se lá quando, a primeira denúncia consistente  de irregularidades praticadas por um dos atuais ou dos futuros nomeados. Será a oportunidade de, com todo o respeito,  testar a presidente da República e suas intenções. Se for alguém do  PMDB a dar bandeira, pior para o vice-presidente. Mas se for do PT…  
 
TRAFICANTES E TRAFICANTES

Ameaça empacar na Câmara dos Deputados o projeto que beneficia os pequenos traficantes de drogas, beneficiados que já estão os usuários,  não  mais criminalizados. É claro que não existiria cadeia, nem para uns, nem para outros, mas parece faltar imaginação a nossos parlamentares. Traficar cocaína e maconha, mesmo em pequena quantidade, bem que poderia gerar a prestação de serviços civis como pena. Fora das grades mas devendo à sociedade. Quanto aos chefes e chefetes do tráfico, pau neles.

IBGE (habilmente) concentrou inflação nos supermercados

Pedro do Coutto

O IBGE  divulgou na sexta-feira o índice oficial da inflação que encontrou para 2010, na escala de 5,9%, e, com habilidade, conseguiu deslocar o ponto do impacto de preços para os supermercados. Estes, a meu ver, deveriam reclamar da cortina de fumaça lançada em torno dos alimentos. Como, claro, são o item de maior consumo, ficou fácil a tarefa. Mas é preciso ver o panorama geral com mais nitidez. Tanto pelo que o Instituto divulgou quanto pelo que deixou de tocar. Pelo menos com a mesma ênfase.

Não quero com isso defender os supermercados, mas apenas chamar atenção dos leitores para a complexidade de analisar números e estatísticas.
A matéria foi excelentemente divulgada pelo O Globo, reportagem de Henrique Batista e Marta Becha. Pela Folha de São Paulo, por Fernando Canzian. Pelo estado de São Paulo, Alessandra Saraiva e Flávio Leonel. Os textos otimamente completados por ilustrações gráficas.

No Globo foi feita até uma comparação, em quadro adicional, entre a inflação no governo FHC (100%) e a registrada no governo Lula (56%). Pois é. Aí uma armadilha. Pode-se pensar que o índice inflacionário de 95 a 2010 tenha sido de 156%. Nada disso. Foi de 212%. Uma taxa sobre outra. Quer dizer que um real de Janeiro de 95 representa  hoje 3,12 reais.

Os autores das reportagens não analisaram todos os aspectos do quadro numérico liberado pelo IBGE. Tarefa que deveria caber aos editores. Mas esta é outra questão. O fato concreto é que não aparece entre as parcelas que compõem o custo de vida o peso algébrico verdadeiro dos aluguéis que subiram 11,3%, em função do IGPM da Fundação Getúlio Vargas. Envolvem 15% da população brasileira. Das 60 milhões de residências existentes no país, 9 milhões são alugadas.

Atribuir como está na FSP, um aumento de somente 3,3% aos remédios é um absurdo total. O IBGE sabe que foi muito mais. É só fazer uma pesquisa de mercado. Fácil. Comparar as listas de preço de dezembro de 2009 com as de dezembro de 2010. Um escapismo. Outro, o de colocar em confronto o preço dos aparelhos de televisão apontando um recuo de 22%. As quedas de valor dos microondas, computadores. Não são itens de consumo permanente. Colocá-los na média tem o objetivo de diluir a velocidade da inflação, amortecendo-a com este artifício.

Dizer que as consultas médicas subiram 10,7%. Não vale apenas nem comentar. Incluir os motéis é procurar desviar a atenção do público conduzindo-o para o episódio em que esteve envolvido o ministro do Turismo, Pedro Novais.

Afirmar que o preço dos restaurantes subiu 10% é agredir a comprovação geral. O aumento médio está em torno, isso sim, de 35%. É simples verificar na hora de pagar a despesa. Saúde e cuidados pessoais, creio que o item se referia aos artigos de farmácia: acréscimo de 5% é uma brincadeira.

Qualquer um pode comprovar o irrealismo. Transportes: 2,4. Basta ver os aumentos de tarifas de ônibus, trens e metro. Habitação: 5 pontos? Como pode ser se os aluguéis e as prestações de casa própria aumentaram 11,3 pontos?

Uma ressalva quanto as prestações de casa própria. Estas, pelo IBGE, não são consideradas despesas e sim investimentos. Vá lá que seja.
Aceita esta ressalva setorial, na peça geral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desceu sobre os números, para citar Eça de Queiroz, o manto diáfano da fantasia. Não é difícil ocultar a verdade. Basta incluir o preço de um BMW no cálculo do custo de vida. Como ele não aumentou, a média geral diminuiu. Cuidado com os números e com as estatísticas.

Uma tragédia anunciada: Rio Carvão é desviado irregularmente em Itaipava (RJ) e causa nova devastação com as chuvas de verão

Bia Garcez – artista plástica e advogada.

Estamos vivos, porém ilhados e rodeados por uma destruição nunca vista, causada pelas chuvas desta madrugada e pelo transbordamento do Rio Carvão, afluente do Rio Piabanha,que atingiu diversas casas, entre as quais a minha que fica na Estrada da Divisa 807 – Santa Monica – Itaipava.

A casa foi inundada, perdemos tudo o que tínhamos no 1º andar (salão de jogos) , mesas, cadeiras, sofás, quadros, mesa de sinuca, tapetes, estantes, e não sei mais o que pois a água e a lama ainda estão  com quase 1 metro de altura) e na Biblioteca (vários livros raros e documentos históricos,além de livros de arte, sofás, cômoda, objetos de decoração, mesas, bi-cama com colchões etc) , pois a água foi a 2 metros de altura. Da casa do caseiro não sobrou nada, pois a água foi até o telhado. O mesmo aconteceu com o nosso depósito de material, onde guardamos máquinas de cortar grama, utensílios de jardinagem, materiais diversos, etc.

Eu tinha acabado de repor tudo que o caseiro perdeu na última chuva no dia 23 de dezembro (TV, cama, colchão, roupas, roupas de cama e banho, utensílios de cozinha, alimentos etc) e agora vamos tentar refazer tudo de novo, mas já estamos cansados de tantos prejuízos materiais e morais.  O nosso caseiro está num quase estado de choque, chorando sem parar, coisa que também fiz por ver tanta destruição daquilo que construí ao longo de 20 anos de trabalho árduo. Meus vizinhos foram todos afetados, muros inteiros caíram, casas vieram a baixo.

As pontes que atravessam o Rio Carvão, dentro da minha propriedade, foram carregadas, só restando a estrutura de cimento e algumas tábuas do piso. Já chamamos a Defesa Civil, a COMDEP, a Secretaria de Obras, a AMPLA, a OI, mas ninguém apareceu, creio que por dificuldade de acesso. Ficamos sem luz e telefone, e só agora a luz voltou e o telefone começou a funcionar aqui na casa de cima (Atelier Bia Garcez- Rua Prof. Herculano M. Borges da Fonseca 400 – Tel: 2222-8095), mas lá na casa de baixo (Samadhi – Estrada da Divisa ) estamos incomunicáveis.

No topo das árvores estão pendurados garrafas, saquinhos plásticos, galhos, que vieram através do Rio e da rua, que também encheu e subiu mais de 1 metro. Nossos 5.000 metros de grama sumiram, ficaram cobertos pela lama, assim como nossa horta e todo o 1º andar da minha casa, nossa piscina foi invadida pela lama que desceu da rua de terra.

Estamos contando com a ajuda de pessoas da região, trabalhadores, para retirar a lama e os móveis despedaçados e molhados de dentro de casa. Meu marido, meu caseiro e eu estamos trabalhando desde as 7 horas da manhã, quando a água começou a descer e pudemos ter acesso à casa, porém estamos acordados desde as 3 horas da madrugada quando nosso caseiro nos avisou da catástrofe da qual felizmente escapou com vida. Culpa da natureza ou da imprevisão e inércia dos órgãos públicos???

Contei a vocês (amigos e família) que estive por várias vezes na Prefeitura e na Vice-Prefeitura, inclusive consegui que o Vice-Prefeito, Dr. Osvaldo da Costa Filho, viesse aqui na minha casa há uma semana atrás, para  ver todo o risco que estávamos correndo, mas não tomaram nenhuma providência para prevenir a catástrofe que eu previ que iria mais uma vez se repetir nas próximas chuvas e avisei a eles com a devida antecedência para que tomassem medidas preventivas, mas nada foi feito.

O Rio que por aqui passa e transbordou (Rio Carvão) teve seu curso desviado dentro da  propriedade  do nosso vizinho e  presidente da Associação dos “Amigos” de Santa Monica , que se declara à imprensa como protetor do meio ambiente e que faz parte da turma que idealizou e está construindo o  “Parque da Orla do Piabanha” com recursos públicos que deveriam estar sendo aplicados na prevenção de enchentes e limpeza e desassoreamento dos rios, contenção de encostas, calçamento de ruas, coleta de lixo e outros serviços a que fazem jus os contribuintes e a população em geral.

Desde 2002 tenho encaminhado ofícios, e-mails (dos quais guardo cópia), comparecido à Prefeitura de Petrópolis, Secretaria de Obras, Fiscalização do Meio Ambiente e à Subprefeitura de Itaipava pedindo providências, mas não fui ouvida, nem atendida pois eles dizem que falta verba, pessoal, caminhões, falta tudo…  apesar de estarem me cobrando R$ 6.300,00 de IPTU este ano, para pagamento em cota única com desconto, pagamento este que faço há mais de 20 anos sem nenhum retorno, pois minha rua – logradouro público – (Prof. Herculano M. Borges da Fonseca) é de terra e não tem manutenção. Estamos atolados na lama, ilhados, esgotados, revoltados, temendo por nossa saúde e de nossos vizinhos.

O carro do caseiro do nosso vizinho foi arrastado para dentro do Rio Carvão e ficou preso numa galeria que outros nossos vizinhos construíram  sobre o rio, para evitar que as águas do rio (cujo curso foi desviado e, por conseguinte, teve sua velocidade aumentada) invadissem suas casas. Relatamos este fato à SubPrefeitura de Itaipava para que os órgãos do Meio Ambiente tomassem providências, mas ninguém apareceu para fazer nada ou dar alguma satisfação sobre o desmatamento, construções irregulares, intervenções em rios etc.

Aos amigos e família avisamos que estamos vivos e com saúde para enfrentar o problema e às Autoridades responsáveis pedimos sua presença, providências e  SOCORRO URGENTE !!! À imprensa pedimos que divulguem o estado de abandono, por parte dos órgãos públicos, que Itaipava se encontra. À Justiça recorreremos se medidas saneadoras não forem tomadas urgentemente

Maria Beatriz Borges da Fonseca, em meu nome e no nome de todos nossos vizinhos, impossibilitados de fazê-lo pessoalmente.

Justiça Federal transforma Edir Macedo em novo Roberto Marinho e confirma que o bispo é o dono da Rede Record. Se pagou ou não com dinheiro da Igreja Universal, diz a Justiça que o problema é da seita e de seus fiéis.

Carlos Newton 

O processo estava parado há 11 anos, e as sucessivas denúncias da Tribuna da Imprensa (único jornal e blog a cobrir o assunto) serviram de subsídio para comunicar ao Conselho Nacional de Justiça e à presidência do Tribunal Regional Federal a absurda lentidão com que esse processo vinha tramitando.  

O autor da ação contra  o bispo Edir Macedo, a TV Record e a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus é o Ministério Público Federal de São Paulo, representado inicialmente pela procuradora Maria Luisa Rodrigues de Lima Carvalho Duarte.

O Ministério Público pretendia simplesmente que fosse declarada a nulidade da transferência do canal 7, antes pertencente a Silvio Santos, para o bispo Edir Macedo, que pagou na transação o equivalente a 30 milhões de dólares.

Acontece que o bispo Edir Macedo, que não fez voto de pobreza, jamais teve recursos para negócio de tal monta, realizado há 20 anos, em 1990. Segundo o Ministério Público, o piedoso líder evangélico se apropriou dos milionários dízimos entregues diariamente à IURD por milhões de evangélicos, que buscam nessa igreja consolo, bênçãos e prosperidade.

A pergunta que o Ministério Público fazia é a seguinte: poderia o bispo Macedo se apropriar desses milionários recursos, para, em seu nome e no de sua esposa, Ester Eunice Bezerra, transformar-se no proprietário da segunda maior rede de televisão do país, mediante a utilização dessa montanha de dinheiro pertencente à IURD?

Ao julgar o processo hoje, em segunda instância, o Tribunal Regional Federal de São Paulo, concordou com a sentença da então juíza Marli Barbosa da Silva (hoje, desembargadora), que em 26 de janeiro de 1999, declarou improcente a ação do Ministério Público.

Para a magistrada, “é intuitivo que os réus, ao se valerem de empréstimos obtidos da IURD para a compra das ações do Grupo Record, cujos valores foram obtidos através de campanhas junto aos fiéis da IURD, não assumiriam em princípio que efetivaram as negociações para si mesmos, e não para a IURD. Primeiro, porque isto poderia levar à descrença e à desmobilização dos fiéis que, sentindo-se enganados, abandonariam a instituição religiosa. Segundo, porque tal assunção poderia caracterizar o delito de apropriação indébita, já que não necessitaram da aprovação de quem quer que seja  para obter os aludidos empréstimos da IURD. E terceiro, porque dizendo que compraram as ações do Grupo Record para a IURD poderia esta continuar se beneficiando da imunidade que a Constituição Federal lhe confere, subtraindo-se todos aos efeitos da tributação”.

Caramba, a ilustre magistrada confirmou que os recursos eram da Igreja Universal. E disse que foram usados dissimuladamente (com má fé, portanto) já que Macedo e sua mulher “não assumiriam em princípio que efetivaram as negociações para si mesmos, e não para a IURD”, destacando a juíza que “isto poderia levar à descrença e à desmobilização dos fiéis que, sentindo-se enganados, abandonariam a instituição religiosa”.

Disse também a juíza que o fato de Macedo e a mulher terem subtraído os recursos da Tesouraria da Igreja Universal “poderia caracterizar o delito de apropriação indébita, já que não necessitaram da aprovação de quem quer que seja  para obter os aludidos empréstimos da IURD”.  

E disse mais a então juíza federal: “Se os empréstimos foram simulados – e há indícios de que o foram – cabe uma única indagação a respeito: a quem aproveita a simulação dos contratos de mútuo realizados entre Edir Macedo Bezerra, Marcelo Bezerra Crivella, suas esposas e a IURD? À Igreja Universal do Reino de Deus ou aos primeiros?

O Ministério Público Federal entende que tudo não passou de uma simulação para que a Igreja Universal do Reino de Deus obtivesse a propriedade e o controle acionário do Grupo Record, o que lhe é vedado pela Constituição Federal. Tal tese, porém, como já mencionamos alhures, não ficou comprovada.

Há  possibilidade de que os réus somente agora estejam dizendo a verdade e tenham adquirido para si as ações do Grupo Record, porquanto nenhuma prova produzida nestes autos teve o condão de infirmar suas respostas, ao contrário da prova oral colhe-se a informação de que os empréstimos e a compra das ações foram declarados pelos réus a um só tempo e os mútuos devidamente contabilizados com correção monetária pela IURD.

Por todo o exposto, concluiu a juíza Marli Barbosa, não há como prosperar o pedido de cassação judicial das concessões com base na simulação dos contratos de mútuo, por total ausência de provas quanto à ilegitimidade dos atos administrativos e, subjacentemente, dos atos negociais praticados na esfera privada”.

E hoje a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal de SP concordou com a sentença da juíza e negou provimento à apelação do Ministério Público federal. Traduzindo: de fato, Edir Macedo usou o dinheiro da IURD para se transformar  no segundo mais poderoso homem de TV do Brasil, ,mas ninguém tem nada com isso.

Ou melhor, a única pessoa que poderia discordar dessa apropriação considerada indébita pelo Ministério Público Federal, seria o próprio bispo Macedo, por ser o líder da IURD. Parece brincadeira, mas é a verdade da sentença e do acórdão.

Com a decisão de hoje, o Tribunal Regional Federal simplesmente admitiu que uma pessoa sem recursos, possa adquirir uma rede de emissoras de televisão, com dinheiro subtraído dos cofres de uma igreja, instituição que não paga impostos. Para legalizar a “transação”, basta que anos depois o ardiloso surripiador devolva o dinheiro, sem pagar juros, apenas com a correção monetária. Um negócio dos deuses, diríamos, uma transação verdadeiramente celestial.

O acórdão do Tribunal Regional Federal está transformando Edir Macedo oficialmente e legalmente num dos mais novos e mais poderosos bilionários do Brasil, inclusive com respeitável força junto ao Congresso Nacional – a conhecida bancada dos evangélicos, que vota com o governo. Sem dúvida, a fé remove montanha, faz milagres e até faculta a prosperidade – e ponha prosperidade nisso.

Que Deus tenha piedade de nós.

A guerra máxima do salário mínimo. Lula propôs 540 reais, mas foi logo dizendo: “Se passar disso eu veto”. Estava no fim do governo, o desgaste ficou para Dona Dilma, que se mantém em silêncio.

Helio Fernandes

Milhões de brasileiros esperam, angustiados, essa luta entre os políticos. Não que represente alguma coisa positiva para suas despesas. Entre 540 e 600 reais, a realidade não chega perto da necessidade.

O salário mínimo tem história e não apenas no Brasil. Em 1780, a Revolução Industrial da Inglaterra, multiplicou a exigência de mais compradores. Os ricaços transformaram os escravos em consumidores, acabou a escravidão. A maioria aceitou, os que ficaram nas mesmas senzalas passaram a receber determinada quantia mensal, (era o mínimo) antes não ganhavam nada.

Em 1932, o Ministro do Trabalho, Lindolfo Collor, avô do presidente Fernando, (obrigado, Aquino), implantou as leis trabalhistas. Em 1940, Vargas criou o salário mínimo. Em 1952, outro Ministro do Trabalho, João Goulart, aumentou esse “mínimo” em 100 por cento, uma novidade.

O então major Golbery, conspirador, golpista e sempre à procura de oportunidade para derrubar alguém, coordenou o Manifesto dos Coronéis,  (que ele mesmo redigiu e assinou), tirou Jango (a primeira vez) do governo. Jango não se importou muito.

Diga-se que Golbery aproveitou a omissão e cumplicidade do presidente Vargas, que 2 anos depois pagaria o preço mais alto pelo silêncio de antes. Os presidentes não podem ceder seus espaços, como aconteceu agora com Dilma e o general José Elito. A declaração dele foi planejada e premeditada. Se fosse demitido, ótimo. Não sendo, como não foi, excelente, ele e o grupo teriam marcado posição, com um simples pedido de desculpa.

Só que quem tem Palocci na Casa na Casa Civil (o segundo cargo em importância do governo), não pode demitir ninguém. Além do desprezível e inqualificável Palocci, demitido e atingido pelo próprio Lula, desqualificado pelo Supremo, existem outros ministros que não valem nem o ato de demissão.

Nada disso é divagação, e sim o conteúdo do que se convencionou chamar de salário mínimo. Lula se fixou nos 540 reais, e acrescentou: “Se alterarem eu veto”. Para ele, nada de sobressalto. Estava saindo, fez os  cálculos, se aumentassem e ele vetasse, perderia, digamos, uns 7 por cento dos 87 que acumulara em pesquisas adulteradas mas retumbadas pelos jornalões, nenhum arranho na imagem.

Acontece que não dava tempo para nada, a discussão e o final da novela ficaram para Dona Dilma. A cada dia surge um número, ela não tem condições de fixar quanto quer para esse mínimo. E se para o seu governo o aprovado ficar muito alto, o desgaste é certo. O que fazer?

Vejamos a evolução dos números desse mínimo. 540 foi o fixado pelo ex- (desculpe, Gilberto Carvalho, Lula tem que ser tratado como é), que sabia que não seria aceito por ninguém. Mas estava seguríssimo de que não sobraria nenhum ônus para ele.

A Câmara é normalmente lenta, acrescente-se a isso o fim do ano, um novo presidente da República, e o fato dos parlamentares tendo saído de uma eleição, outra só dentro de 4 anos.

Aconteceu como Lula encaminhou. Dona Dilma deveria ter dado prioridade à questão, junto com a eleição para presidente dessa mesma Câmara. Como se omitiu, o mínimo de 540 sumiu, surgiu o de 560. Era uma ascensão natural, mas não uma parada obrigatória.

O de 560 durou pouco, como a divergência e a hostilidade entre ministros é muito grande, surgiu a ideia de 570. Que irritou Carlos Lupi, o poderoso Ministro do Trabalho, perdulário de votos que não tem, e se fixando no número. Isso provocou o aparecimento do Ministro Mantega. Abandonou um pouco as estripulias sobre a alta ou baixa do dólar e entrou de cabeça na discussão do mínimo.

Mantega foi categórico, embora não muito explicito: “Se o mínimo passar de 540, o governo veta”. O governo? Por que não identificou, usando o nome da presidente Dilma? Não falava como porta-voz? Se pensava que falava mas sem autorização, vai “sofrer” um pito tipo general Elito? Esperemos pelo que acontecerá.

Só que arredondaram de vez a discussão, foram diretos para os 600 reais. De quem a proposta? Lógico, do PSDB. O mesmo que se “comprometera a REDUZIR os gastos públicos”. E afirmou pela televisão, “não faremos oposição por oposição”, queremos o melhor para o país.

Perguntinha ingênua, inútil, inócua: quem fez essas afirmações tem voz e representação para garantir alguma coisa? E por que não deixam de lado a fixação do texto do salário mínimo (de 540 a 580 e até 600, diferença mínima para milhões de trabalhadores) e não decidem o que realmente interessa?

O que não pode continuar é esse crime, ilegalidade e irresponsabilidade, do servidor inativo continuar sendo descontado para Previdência, assim como o aposentado do INSS que quiser seguir trabalhando (até mesmo como autônomo). Ora, quando estão na ativa, o funcionário e o trabalhador descontam para a aposentadoria.

Quando vai para casa com a remuneração muito mais baixa do que a que recebia trabalhando (fato inédito no mundo inteiro), continua descontando e descontado. Para quê? Ele pode se aposentar uma segunda vez? Como a aposentadoria na média é de 55 anos, essa nova viria com 110 anos?

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PS – Por que os líderes sindicais não fazem uma greve nacional a favor de dezenas de milhões de trabalhadores?E Dona Dilma, por que não acaba com esse desconto, perdão, roubo?

PS2 – Com isso marcaria uma posição, precisa ter medo de ser derrubada por nenhum Golbery de Carvalho. A força de um presidente não vem da omissão e sim da participação a favor da maioria. O fim desse desconto, melhor e mais proveitoso do que 20 ou 40 reais a mais no salário mínimo.

PS3 – Desde os tempos da Tribuna impressa, luto pelo fim desse desconto imoral. E também sempre provei que a Previdência é superavitária, mantida por patrões e empregados. Todo o dinheiro é desviado.

PS4 – Todos os ministros honestos que passaram pelo cargo, garantiram o fato. Excetuados, naturalmente, Jader Barbalho, Romero Jucá e algum outro.

PS5 – Jucá é totalmente “ficha-limpa”, não precisa renunciar. Líder no Senado de FHC, de Lula, e agora de Dona Dilma. Quanto a Jader, quem como Barbalho fere, com Barbalho será imunizado.

José Sarney: “A política tem porta de ENTRADA, mas não de SAÍDA. É o que ele diz, depois de mais de 40 anos em que assumiu no Maranhão para acabar com a dinastia Vitorino. E implantar a sua.

Helio Fernandes 

Deu entrevista à Organização Globo. Jornalisticamente, a idéia é ótima. Mostrar como vivem os quatro últimos presidentes. Mas não esclareceram nada, deixaram de mostrar as incongruências, que palavra, dos quatro. Não depois que deixaram a Presidência. Mas como chegaram a essa Presidência.

Dois erros gravíssimos: Conquistaram (?) a Presidência pelo voto, pela preferência popular, pela aclamação do povo, pela escolha popular? E segundo: tentaram esclarecer como vivem fora do poder, digamos de forma sentimental, se o isolamento influencia no dia a dia. Mas e os recursos financeiros, em alguns casos, vieram de onde?

E como os quatro foram escolhidos (e muito bem escolhidos) por serem os que vieram depois da ditadura, a pergunta que não fizeram: qual foi o seu comportamento nos 21 anos da ditadura?

Como o primeiro foi José Sarney, vamos ver o que não precisou responder porque não perguntaram. Servilmente subordinado à ditadura, começou a carreira política, eleitoral e financeira, com o patrocínio dos generais.

Em 1965, quando os golpistas (auto-intitulados de revolucionários) cuidavam de tudo, destruindo os que resistiam e promovendo os que se submetiam, Sarney foi feito governador do Maranhão. A eleição ainda era chamada de direta, mas o Poder dos generais era incontrastável e incontrolável.

Como em três estados o mandato dos governadores era de 5 anos, ficou até 1970, se desincompatibilizou, foi eleito senador. Não parou mais até agora, quando está completando 80 anos. Subiu toda a escala política, mas sempre se preocupando com a geografia de suas contas bancárias.

Segundo suplente de deputado em 1954. Pobríssimo, assumiu em 1956 já sem muitos problemas, Logo, logo sócio de Abreu Sodré, que recompensou com o cargo de “governador” de São Paulo, virou mais do que rico, e sim riquíssimo.

Pouco depois da mudança da capital, ainda no limiar (lá e aqui), tinha quatro mansões. Rio, Brasília, São Paulo, Maranhão. No seu estado, então, era um exagero de luxo e prazer. Tinha mansões, ilhas e fortunas. E a exuberância do Poder.

Quando a ditadura se encaminhava para o fim, Sarney, que tinha notável intuição, dominava o PDS (o partido do Poder, além da Arena), ficou atento ao futuro e à sucessão, que sabia que seria indireta.

Tinha a certeza de que não poderia ser candidato a presidente e sim a vice, “continuaria no jogo”. Tentou ser vice de Maluf, pediu a um amigo, grande jornalista, que fosse conversar com o paulista. Maluf reagiu violentamente: “De maneira alguma, não quero perder”. O jornalista (infelizmente já morreu) veio com a negativa.

Como o candidato da oposição era Tancredo, certo, fundou o PFL (Partido da Frente Liberal), conseguiu a vice com Tancredo. A história, a partir daí, conhecidíssima. Sua carreira sempre ascendente. Mas sua fortuna cresceu muito, mas muito mais do que a carreira política.

Está com 5 (cinco) mandatos no Senado, o último termina em 2014, com a Copa do Mundo, “presidida” pela patrão do filho, Ricardo Teixeira. No meio da campanha de Dilma, admitiu, não tão abertamente, ser vice-presidente. Nem cogitaram , não por causa da idade dele, mas por lembrarem da referência: Tancredo foi para o hospital e não saiu. Motivo: Sarney era o vice.

Não podendo mais ser candidato pelo Maranhão, foi para o Amapá. Comprou ações do estado, dos majoritários Eliezer e Eike Batista, que haviam DOADO todo o manganês de lá, a preços inacreditáveis. Não cumpre a Lei do Domicílio Eleitoral. Quem esperava que fosse MORAR 8 ANOS naquela “lonjura”?

Faz até frase, que a política não tem porta de saída. Para ele e para muitos outros, não tem mesmo. Aí a culpa é da legislação e não dele. Nos EUA a vida pública se resume a 8 anos. Depois disso, mais nada. Sarney já faz política, perdão, politicalha, há 56 anos.

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PS – Quando Tancredo foi eleito, dei um jantar para ele. E quem era quem, estava lá. Não pude deixar de convidar o vice-presidente, da mesma forma que Leonel Brizola, governador, tinha que estar presente.

PS2 – Está completando 25 anos. Ninguém falava com Sarney. Em determinado momento, Brizola me disse, praticamente perguntando: “O que esse Sarney faz aqui?” Esse era o Brizola, estava furioso.

PS3 – Assim que chegou, Tancredo me disse; “Helio, primeiro quero conversar um pouco, sem compromisso, depois me arranja um lugar para a política”.

PS4 – Quando levei o primeiro, (era o governador do Ceará, Gonzaga da Motta, estava com avião fretado), Tancredo disse que ele tinha urgência.

PS5 – Aproveitei e disse ao presidente: “O governador Brizola está uma fera, que falar com o senhor”. E Tancredo: “Eu te falo”.

PS6 – Nna entrevista, Sarney risonho e feliz, como disse o humorista, “nenhuma ruga na face da madame”. Ninguém fez carreira mais rica do que a sua. E ainda não acabou. Em raros momentos passageiros, é atingido pela depressão dos 80 anos. Mas lembra de 2014, pelo menos mais um mandato de senador, a felicidade não se compra, como no filme famoso.