Escolham os melhores

José  Carlos Werneck

As eleições de 3 de outubro serão decisivas para o rumo que se pretenda dar ao País, nas próximas décadas. Espera-se que o eleitor tenha aprendido. Que tenha percebido que não existem salvadores da Pátria. Que aqueles que se diziam, ”trabalhadores”, ”homens simples”, pessoas do povo”, logo que se instalaram no poder se esqueceram das promessas e passaram a comandar um esquema de corrupção, cujo objetivo maior, além de “se darem bem” metendo a mão no dinheiro público era permanecer no Poder, pelo maior tempo possível, através da reeleição e depois elegendo seus comparsas.

A “Grande CPI” se dará em 3 de outubro próximo. Neste dia portando sua única, mas poderosíssima arma, que é o direito ao  voto, ele poderá varrer do poder e do cenário político aqueles que não honraram seus mandatos. Antes de decidir o eleitor deve examinar sozinho a figura dos que se apresentam como candidatos, sem se deixar levar pela conversa mole, pelo aspecto humilde, pela fala mansa, pela demagogia, pelos sorrisinhos fáceis, pelo jeitinho de se querer parecer “igualzinho a você, meu amigo trabalhador”, enfim por essas figuras bizarras que aparecem a cada eleição falando um português errado ou por demagogia, ou por ignorância mesmo.

O eleitor, seja  ele operário ou “doutor”, deve fazer algumas perguntas simples: você colocaria seu filho numa escola cujos professores, fossem ignorantes, ou semi-analfabetos? Você se deixaria operar por um cidadão que não fosse formado em medicina, embora, ele tivesse cara de bonzinho e fosse muito simpático? O eleitor tem o DIREITO  e o DEVER de escolher o MELHOR, nunca o MAIS ou MENOS e jamais o PIOR. O importante, mesmo que todos estejamos enojados com tanta corrupção, tantos escândalos, mediocridade, ignorância e  incompetência, não nos deixemos abater e votemos nos melhores candidatos em todas as esferas, do deputado estadual ao presidente da República. Só assim poderemos mudar o País e não nos arrependermos depois. Os problemas do Brasil são enormes, mas não impossíveis de serem resolvidos. Temos enormes desafios nas áreas de Saúde, Educação, Previdência Social, Segurança Pública, isto para citar os mais urgentes. Por isso tudo devemos escolher os mais preparados, os que tenham programas e soluções possíveis para enfrentarem nossos maiores desafios.

Roriz perdeu hoje no Supremo, decisão de um ministro

Foi considerado inelegível pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral de Brasília), recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Perdeu novamente. Bateu então no Supremo.

Recebido o recurso, foi sorteado o relator, Ayres de Brito. Que hoje, sem demora, relatou e considerou Roriz i-n-e-l-e-g-í-v-e-l. Os amigos e interessados na volta de Roriz, disseram ao repórter: “É apenas um voto, Roriz ganhará no plenário”. Não sei, acho que o Supremo deixará o julgamento para depois da eleição.

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PS – De qualquer maneira, ANTES ou DEPOIS, como o ex-Ministro Agnelo Queiroz vai ganhar, Roriz está fora do jogo, gaste quanto gastar.

PS2 – Na eleição para o Senado, não precisa previsão ou adivinhação, só constatação. Rollemberg está ELEITO, Cristovam Buarque REELEITO.

Obama, brilhantemente imita Roosevelt, com os mesmos 15 milhões de DESEMPREGADOS, joga no mercado 50 bilhões. Cria salário e consumo, confessa: “Temos 14 milhões e 800 mil desempregados, precisam de trabalho”.

Surpreendente lá mesmo nos EUA: lançamento de 50 BILHÕES DE DÓLARES, para criação de empregos. O grande estadista que governou por quase 4 mandatos, (morreu no início do quarto, deixando o Poder para o mediocríssimo Truman) assumiu com mais de 15 milhões de desempregados, consequência da crise provocada pela manipulação do mercado financeiro.

Roosevelt implantou o “New Deal”, um verdadeiro programa socialista, mas sem ditadura. Estatizou tudo, da água às ferrovias, dos serviços até os bancos, foi ele que mobilizou o país com o sistema de habitação, a construção de casas com a PENHORA do próprio imóvel.

(77 anos depois, o jovem Obama é atingido pela corrupção desse renovador e inovador sistema de moradia. Centenas de banquinhos, com a participação (oculta por elipse) dos grandes bancos, que explodiram tudo. Ávidos, gananciosos e voluptuosos pelo lucro fácil e volumoso, “emprestavam” a milhões de pessoas, que não tinham como pagar).

A esses “emprestadores” não interessava avaliar e verificar as garantias dos cidadãos, que só queriam conseguir ou conquistar a indispensável moradia.  Aos emprestadores, o alvo era a comissão recebida na hora e a BONIFICAÇÃO de fim de ano.

A grande meta de Roosevelt, solução (em 1933) para a derrubada do sistema financeiro, chegou a 2007, quando estava visível e praticamente garantida a eleição de um outro Roosevelt, negro, mais jovem, e com a preocupação dos desempregados. Dos problemas que afligem os países, todos são graves. Mas nenhum é tão grave, tão abrangente e destruidor quanto o DESEMPREGO.

Embora a diferença da população dos tempos de Roosevelt para os dias de Obama, esses desempregados ficam na mesma casa dos 15 milhões. Só que esses números eram apresentados em percentagem (lá na Matriz como aqui na Filial), agora se materializaram, Obama coloca em linguagem que qualquer um pode entender.

Para iludir e confundir os cidadãos, qualquer que seja a sua localização no mapa, “informam” rotineiramente de forma confusa e quase misteriosa. Comunicam: “O desemprego está em 7,8%”. Ou então: “Caiu um pouco o desemprego, de 9,7%, para 9,3%”. Isso é para ser calculado sobre a FORÇA DE TRABALHO DO PAÍS.

Mas quem sabe traduzir ou localizar o que é verdadeiramente o total dessa FORÇA DE TRABALHO? Lógico, os que dominam a FORÇA DO PODER, conhecem essa FORÇA DE TRABALHO. Mas preferem se comunicar através de asteriscos, de tracinhos e de outros recursos intraduzíveis. Obama inovou de várias formas, pode ser dito, de FORMA RARA depois de Roosevelt.

Obama informa corretamente ao povo americano, citando os desempregados em percentagem e em números. Fica assim, facilmente compreensível a palavra presidencial: “Estamos com 9,6% de desempregados, o que significa que 14 milhões e 800 mil pessoas não têm onde trabalhar”.

Portanto, não recebem salário nem produzem consumo. Qualquer que seja o tamanho do país e sua população, duas coisas estão acima de tudo, criam progresso, prosperidade e desenvolvimento: SALÁRIOS e CONSUMO.

O primeiro tem tudo a ver não só com prosperidade mais coletiva, mas também com dignidade individual. Quanto ao consumo, sem ele nenhum país se transforma em POTÊNCIA. O consumo interno é que movimenta a roda do desenvolvimento.

(Ia falar também da indispensável REFORMA AGRÁRIA, mas não quero provocar mais polêmica, logo depois da independência que nunca tivemos. Mas podemos deixar registrado. NENHUM PAÍS PROGREDIU, SE AFIRMOU, PROSPEROU, SEM REFORMA AGRÁRIA. E isso nada a ver com ideologia).

Já começam a falar, comentar e até acusar Obama de estar apresentando esse plano, pelo fato de ter que ENFRENTAR eleições gerais, dentro de 2 meses. E daí? Por causa da ELEIÇÃO GERAL, o presidente não pode governar, tem que ficar parado ou paralisado?

(O Brasil, estranha e espantosamente, é o único país do mundo ocidental, que faz a ELEIÇÃO GERAL, junto com a de presidente. Agora, menos de 1 mês, 130 milhões, por aí, votam para presidente e para todos os outros cargos, excluído apenas o preenchimento municipal).

Isso é um equívoco tremendo e colossal. Principalmente num país que caminha para uma população de 200 milhões, 130 milhões de eleitores (obrigatórios) e apenas dois candidatos. Nos outros países, o cidadão escolhe o presidente, uma responsabilidade e preocupação. Mais ou menos 2 anos depois, volta à urna para preencher os outros cargos, e não todos ao mesmo tempo.

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PS – Obama diz que será tudo para infraestrutura, criação de empregos, desenvolvimento. O presidente dos EUA fala especificamente em PORTOS, FERROVIAS e AEROPORTOS. (Estradas são apenas complementares).

PS2 – Em 1894, quando Henry Ford lançou o primeiro automóvel, o país já estava cortado de ponta a ponta pelas ferrovias, passaram então a construir estradas.

PS3 – São 110 anos construindo estradas. Agora a preocupação maior é com AEROPORTOS, pela atualidade desse tipo de transporte.

PS4 – E cita nominalmente PORTOS, impressionado com a China e a Índia, que carregam a descarregam de 70 a 80 navios por dia. Um portento, não querem ficar longe.

PS5 – No Brasil, só estamos preocupados com estádios por causa do mundial de futebol, e a construção deles, que depois serão abandonados.

PS6 – E se estamos também falando em AEROPORTOS, é por medo da Fifa. Não é que estejamos com mais de 50 anos de atraso em matéria de transporte aéreo, não é o desgaste junto à população, abandonada em todos os lugares.

PS7 – Obama tem a preocupação com as necessidades do cidadão, lança dinheiro na praça. O mesmo que defendo há longos anos, para inverter a situação. Em vez da população trabalhar para os EXPLORADORES ELITISTAS, eles trabalhariam para o povo.

PS8 – E teriam também lucros, o DEUS DO CAPITALISMO É O LUCRO, respeitemos as regras. Sem respeitar o roubo ou a corrupçao oficializada. E não existe maior CORRUPÇÃO DO QUE A DOS JUROS.

PS9 – Terminava essas considerações, veio a notícia ainda mais agradável e consagradora: Obama liberou outros 200 BILHÕES, de dólares, de dólares. Com o mesmo objetivo, com a obstinação de combater o DESEMPREGO. Das melhores notícias dos últimos tempos.

São Paulo incerto e hospitalizado

Não me lembro de uma eleição igual à de São Paulo para senador, e alguns acreditando que influenciará a de governador. Quércia tinha 26 por cento das intenções de votos, disputava uma vaga com Tuma. Este ainda senador, Quércia foi governador e senador.

Inesperadamente, Quércia e Tuma vão para o mesmo hospital, embora com motivação diferente. Mas desistiram da eleição. Quércia anunciou: “Meus votos vão para Aloysio Nunes Ferreira”. Vem o Tribunal Eleitoral, garante: “Como não há tempo, o nome de Quércia ficará na urna eletrônica, os votos dele não serão de ninguém”.

Aloysio, que esperava se beneficiar, terá menos votos do que com Quércia na luta.

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PS – Dessa maneira, ficam apenas dois candidatos “votáveis”: Dona Marta e Netinho de Paula.

PS2 – Mercadante anda rindo sozinho, tem dito a amigos: “A retirada dos dois candidatos a senadores modificará o que se diz sobre a eleição de governador.”

PS3 – Acredito que em São Paulo não existe mais mistério. Mas os que gostam de fazer “planos a longo prazo” devem refletir sobre isso. Menos de um mês antes da eleição, total modificação. E os que pensam em 2014, têm certeza de alguma coisa?

VARIADAS, com Wellington Salgado e Helio Costa, Ana Cristina Kubitschek e Paulo Otavio, Roriz, Paim e Salvati, Eduardo Jorge e a Receita

Com a mãe, DONA de universidades em vários pontos de Minas, (no Rio tinha uma “portinha” de ensino, nada mais) o suplente de Helio Costa pôde dar a ele, 4 milhões. O importante é saber se ele e mãe DECLARARAM.  XXX  E como o suplente “mandou” o efetivo “ficar de boca calada”, pelo jeito as coisas estão incertas.  XXX  A propósito: Wellington Salgado, mais de 5 anos suplente de senador, queria ser suplente para governador. Não conseguiu. Para senador, basta FINANCIAR. Para governador, tem que ter voto, não basta a conta bancária alta.  XXX  Ana Cristina Kubitschek, queria seguir a vocação de suplente, do marido Paulo Otavio. Alertada que “mesmo” eleita, poderia não tomar posse, desistiu. O marido renunciou depois, ela renunciou antes.  XXX  Joaquim Roriz pelo menos acertou uma: está dizendo na campanha para governador, “tenho o apoio de Deus”. Precisa mesmo. Ser eleito sem ser candidato, tem um certo tom de milagre.  XXX  O PT é tão destrambelhado (ou seria mesmo aloprado?) que festeja a possível derrota dos senadores Paulo Paim e Ideli Salvati. Por quê?  XXX  Ele, durante 8 anos, serviu obstinadamente à coletividade. Ela, liderou o partido no Senado, com dedicação, desassombro e até devoção.  XXX  Além da baixaria, da indignidade, da destruição da credibilidade da vida pública, dois fatos sobre a quebra do sigilo da Receita Federal.  XXX  1 – Nunca pensei que fosse tão fácil “penetrar na Receita, são centenas de constatações.   XXX  2 – Por que a insistência contra Eduardo Jorge, vice do PSDB. No passado tentaram desmoralizá-lo, nunca vi ninguém defender tanto a própria dignidade, conseguiu. Agora, “quebram seu sigilo”, para quê? O que fazem com o que obtêm com esse VAZAMENTO?  xxx

Adversários, não: inimigos

Carlos Chagas

Na guerra, sempre. Na política, muitas  vezes.  É preciso demonizar  o adversário. Transformá-lo de  inimigo em réprobo cruel,  malvado e  sanguinário, daqueles que fritam criancinhas e estupram velhinhas. Os nazistas agiram assim contra os russos e estes, depois, contra aqueles, na Segunda Guerra Mundial.  

Na presente  sucessão presidencial o risco é de acontecer  coisa parecida.  Ou melhor, já está acontecendo. Lula acusa Serra de partir para a baixaria, de tentar atingir Dilma com mentiras e calúnias e de praticar crimes contra o Brasil e a  mulher brasileira. A candidata pega mais leve, anuncia a disposição de não descer ao nível do tucano, enquanto Serra denuncia o uso da Receita Federal contra seus correligionários e sua filha como golpe baixo e abominável.

O que a gente se pergunta é onde as coisas vão parar, faltando três semanas para a eleição. Mais ainda, se seria justificável  tamanha indignação por parte do governo, reagindo à acusação de  flagrante utilização da máquina pública por um novo grupo de aloprados, importa menos se petistas do andar de baixo, estimulados ou não por companheiros de andares intermediários. 

Teria o presidente Lula motivo para bater tão forte numa candidatura que, salvo engano, já se encontra derrotada? Não que as pesquisas sejam totalmente confiáveis, mas todos os institutos divulgam Dilma Rousseff com  55% das preferências populares,  ao tempo em que José Serra não passa dos  25%.   Estaria o presidente Lula temeroso de que a eleição não se resolva no primeiro turno? Ou será da essência do grupo encastelado no poder a ânsia de esmagar os adversários?

A marcha da insensatez

A ninguém será dado insurgir-se contra a obrigatoriedade do uso da cadeirinhas especiais para bebês e crianças, nos automóveis particulares. Trata-se de uma importante conquista, mesmo fica do no ar a evidência de que os fabricantes dessas peças devem estar enriquecendo. Tomara que apenas eles. 

O diabo são os excessos e as contradições. Há dois dias, em São Paulo, já sob o regime de multar os infratores  sem-cadeirinha, um policial parou uma senhora que transportava outra com um bebê no colo. Obrigou as duas a descer, interditou o automóvel e impôs às duas indigitadas que tomassem um táxi. Nem perguntou se tinham dinheiro para a corrida, mas o fundamental é que a nova lei  isenta os veículos de aluguel de portarem cadeirinhas. Neles, os bebês podem ir no colo…

Falta de cuidados 

No desfile de Sete de Setembro, em Brasília, houve quem notasse singular falha no cerimonial. Porque historicamente, há décadas, mesmo depois da criação do ministério da Defesa, os comandantes das três forças colocavam-se próximos do presidente da República. Antes até  o recebiam     na beira do palanque, mas, como norma, ficavam a seu lado quando desfilavam as respectivas corporações. Assim, quando passava o contingente do Exército, antes o ministro, depois o comandante, eles informavam o chefe do governo das peculiaridades  de cada tropa. O mesmo acontecia com a Marinha e a Aeronáutica.  Desta vez, ficaram os  três oficiais-generais misturados aos montes de convidados no palanque oficial. A televisão não mostrou um deles, sequer, próximo do Lula. Nelson Jobim, ministro da Defesa, foi o que chegou mais perto, ainda que D. Marisa, o governador de Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara mais parecessem sentinelas guardando o comandante maior. São pequenas coisas que de quando em quando tornam-se grandes.

Minas embolada

Erra quem garantir  que o novo governador de Minas já está escolhido e  será Antônio Anastásia. Ou que será  Hélio Costa. A eleição embolou, não obstante a alternância de números divulgados pelos institutos de pesquisa. Nas Gerais, ao menos por enquanto, pode ganhar um como pode ganhar o outro, como diria o Conselheiro Acácio, que os mais jovens ignoram quem foi.   Fosse hoje o dia da decisão e a vitória surgiria milimétrica, para o tucano ou o  peemedebista. 

Quanto à disputa pelo Senado, parece tudo resolvido: Aécio Neves e Itamar Franco sairão vitoriosos. Fernando Pimentel não ficará muito perturbado com a derrota, pois tem lugar certo no ministério de Dilma Rousseff.

Rede TV e Folha de São Paulo: incluam o salário no debate

Pedro do Coutto

A Rede TV e a Folha de São Paulo promovem no próximo domingo, a partir das 21 horas, debate reunindo os quatro principais candidatos à presidência da República, cujos partidos possuem representação no Congresso Nacional. O primeiro foi na Band, esse agora será o segundo de uma série que deve – penso eu – passar pela Record, pelo SBT, novamente pela Band para terminar dia 29 na Rede Globo. O confronto de domingo reúne Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio. O assunto relativo às violações de sigilos fiscais em série é claro que vai entrar e os três adversários vão cobrar evidentemente um posicionamento da ex-chefe da Casa Civil a respeito dos crimes em sequência.

Uma sequência que, sem dúvida, desmoraliza a autoridade do ministro Guido Mantega e do Secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. Ambos deveriam ser demitidos. Mas esta é outra questão, que vai permanecer na ordem do dia.
Independentemente desse item, inegavelmente de grande importância, acredito que chegou o momento do tema salarial ser colocado em foco. Não existe questão mais importante e duradoura  e que até o momento, não entrou em pauta alguma. É preciso portanto que isso ocorra. Se pensarmos um pouco vamos constatar que está na raiz de quase tudo.

A começar pelo desafio da habitação. O Brasil apresenta um déficit de moradias em torno de 10 milhões de unidades, abrangendo praticamente de 35 a 40 milhões de habitantes. Como poderá ser resolvido? Somente através de uma política trabalhista autêntica que impeça que os reajustes anuais percam para a inflação. Pois se tal continuar a acontecer, não haverá solução possível. A Taxa de Referência (TR) que rege as cadernetas de poupança regula igualmente as prestações. Inclusive não pode ser de outra maneira. Não é possível dar casa a ninguém. Mas o poder público – esta é que é a história – tem obrigação de assegurar as condições sociais para que a população possa adquiri-las. Como fazer isso?
Basicamente assegurando reajustes anuais de salários nunca inferiores às taxas de inflação do IBGE ou da Fundação Getúlio Vargas.

Há uma defasagem acentuada entre estes vértices registrada principalmente ao longo dos oito anos de mandato de FHC, ainda não zerada pelo governo Lula. Enquanto tal prática persistir, programa habitacional adeus. O país não sairá do lugar em matéria de casa própria. E se não sair , tampouco sairá do lugar no que se refere ao saneamento. Basta pensar logicamente um pouco. A casa própria implica na existência de rede de esgotos e de água. A favelização conduz exatamente ao plano totalmente oposto. Quanto mais favelas, menos saneamento. A rede de esgotos não pode ser levada ao alto dos morros. Eis aí uma questão bastante simples. Ao contrário do que sempre desejam os tecnocratas: para estes, quanto mais complicado melhor. A complicação e equações complexas nada resolvem no plano social.

Para não alongar demais as implicações amplas que uma política salarial apresenta, citemos a face da educação no processo humano. Como pode a educação avançar concretamente se milhões de alunos vivem nas favelas e nos conjuntos residenciais cheios de valas infectas e cortados por canais de esgoto a céu aberto? É mais que difícil: impossível. O salário encontra-se na raiz de tudo. Ele é o único instrumento possível de distribuição de renda. Não existe outro.

Alternância no poder

Humberto Braga

Lula tem sido censurado por alguns oposicionistas de atentar contra o princípio de alternância no poder. Mas o presidente mostrou que não desejava perpetuar-se no governo ao renunciar à tentativa de um terceiro mandato. Que a longa duração de um partido no poder, entretanto, não é incompatível com a democracia. São exemplos os Democratas nos Estados Unidos, de 1933 a 1953, com Roosevelt e Truman, os Conservadores na Inglaterra, de 1979 a 1997. Objetivamente só há três hipóteses de, agora, assegurar a reclamada alternância.

Primeiro: Já  que seus adversários não conseguem convencer a maioria do povo que aquele princípio é necessário, Lula deveria dirigir-se aos seus próprios partidários, pedindo-lhes que votassem no candidato da oposição?

Segundo: uma imediata reforma constitucional instituiria o rodízio partidário na presidência da República. Porém, como ela já foi ocupada pelo PMDB, com Sarney, pelo PSDB com Fernando Henrique Cardoso, pelo PT com Lula, caberia a vez, agora, a Plínio Arruda Sampaio, pelo PSOL.

Terceiro: um golpe armado. Assim, o “perigo” de longa ocupação constitucional pelo Partido dos Trabalhadores seria afastado por uma ditadura militar. Nesta hipótese, porém, poderia haver alternância de ditadores e não de poder. Foi assim que aconteceu de 1964 a 1985.

A oposição deve escolher qual das três opções. Ou então apontar uma quarta.

Humberto Braga foi presidente do TCE-RJ
e é conselheiro aposentado

Classe média endividada

José Carlos Werneck

Nunca em período algum de nossa história vivemos uma fase em que a chamada classe média esteja tão endividada. Milhares de automóveis novos circulam por todas as cidades brasileiras, mas a grande maioria não pertence a quem está ao volante. São veículos alienados aos estabelecimentos de crédito, que os financiaram a seus “proprietários”, a juros extorsivos e que as pessoas não conseguem pagar. Os aposentados e pensionistas tem os seus contracheques quase que totalmente comprometidos pelos empréstimos consignados, que apesar de totalmente garantido para os credores, inexplicavelmente e levando-se o risco zero, para esses, tem juros também altos.

Isso tudo sem falar nos juros altíssimos dos empréstimos pessoais, do cheque especial e dos abusivos, irreais e estratosféricos cobrados nos cartões de crédito.

Por outro lado, é sabido que uma economia para ser auto-sustentável e crescer de fato é  preciso que se tenha uma Poupança Interna robusta. Mas as autoridades monetárias não estimulam a Poupança Interna, pois os poupadores recebem por suas aplicações, remuneração ridícula e risível se comparada aos juros que pagam, quando são obrigados a recorrer às instituições financeiras.

Com a inflação controlada são injustificáveis os juros cobrados aos tomadores de empréstimos no Brasil. Não adianta apresentar vistosos índices econômicos à Comunidade Internacional, se a população brasileira não consegue, por absoluta impossibilidade, saldar os compromissos assumidos.

Ofereceram crédito abundante e fácil aos desavisados, que hoje foram levados à falência e ao desespero. Ao conceder os empréstimos, os estabelecimentos bancários e as financeiras, sequer examinaram a capacidade, que os tomadores tinham de honrar seus compromissos. Isso se pode constatar pelo alto número de veículos devolvidos por atraso no pagamento das prestações, nos cartões de crédito cancelados por inadimplência e em grande parte da população ser despertada todas manhãs, pelos telefonemas dos credores, querendo saber quando vão pagar seus compromissos, como se alguém os deixassem de pagar, se tivesse condições para tal.

Muitos devedores lotam os consultórios médicos, com sintomas de hipertensão, isso quando não sofrem enfartes e AVCs, tal o desespero a que são levados.

Por tudo isto, o consumidor ao ser cobrado, deve antes de tudo procurar um advogado e levar os contratos firmados para indagar de seus direitos, Se não puder fazê-lo por falta de dinheiro, são muitos os núcleos de assistência jurídica de diversas faculdades de Direito e a Defensoria Pública em todas as unidades da Federação que prestam gratuitamente e com muita competência este tipo de serviço. E em caso de impossibilidade absoluta de saldar a dívida oriunda, por exemplo, da compra de um veículo devolva o mesmo, pois é melhor perder o carro do que a saúde ou a própria vida.

Gabeira acusa Sergio Cabral de ligação com os milicianos

Por volta das 2 da tarde desta quarta-feira, a equipe de Fernando Gabeira acabou de gravar o programa para o horário gratuito das 20h30m. O governador, que mantém vigilância sobre a campanha do adversário, soube do teor do programa e menos de uma hora depois,  cerca de 10 advogados estavam no TRE tentando impedir a divulgação das acusações de ligação do governador com as milícias, que começaram a ser transmitidas esta quarta-feira, no horário político do início da tarde.

“O governador Cabral e o seu PMDB, esses sim, têm inúmeras evidências na história recente de uma aliança política com as milícias” – disse Gabeira antes de mostrar as imagens.

No programa eleitoral, Gabeira mostrou um vídeo do governador elogiando o ex-deputado Natalino Guimarães e o ex-vereador Jerominho Guimarães, acusados de integrar uma milícia – os dois estão presos. Gabeira também criticou a questão de Cabral não ir a algumas comunidades comandadas pelo tráfico de drogas por causa da violência.

Essas acusações de Gabeira são verdadeiras e nem constituem novidade. Surgiram no Panamericano, quando cabralzinho disse publicamente: “A segurança para os jogos, será dada pelas milícias”. E deram mesmo.

Há poucos dias, o candidato do PSOL a governador, Jefferson Moura, já havia exibido imagens de Sérgio Cabral elogiando e enaltecendo o deputado cassado Álvaro Lins, que deixaram o governador muito mal.

O que Gabeira deixou de abordar foi a ligação do governador com os traficantes das favelas onde foram instaladas as UPPs (Unidades Policiais Pacificadoras). Com a experiência obtida nos entendimentos com os milicianos, cabralzinho não teve dificuldades para entrar em contato com os donos do narcotráfico. E tem fechado sucessivos acordos, que funcionam nas seguintes condições: a PM sobe o morro, sem ser repelida, os traficantes somem com suas armas e máscaras ninjas, não fazem qualquer ostentação nem incomodam os moradores, mas podem seguir vendendo drogas livremente, sem serem incomodados pelas UPPs, que somente atuam contra atos de violência.

Com isso, as favelas estão sendo consideradas “pacificadas”, o que na verdade é sinônimo de tráfico livre. Essa realidade pode ser facilmente comprovada. Se o tráfico tivesse parado nas favelas “pacificadas”, haveria engarrafamento de viciados nas outras favelas, e isso não está ocorrendo. Nunca aconteceu.

Eike Batista: “Paguei meu imposto de renda com um cheque de 670 MILHÕES DE REAIS. Deve ser verdade. Mas de onde vem essa fortuna, que segundo ele, é a maior do Brasil? Do pai, o melhor do Brasil?

Ninguém duvida, as dúvidas estão todas na sua vida, ou melhor, na vida do pai, que montou sua herança, antes mesmo dele nascer. Ninguém tem uma trilha (que gerou o trilhão) de irregularidades tão grande quando Eliezer Batista. E em toda a minha vida profissional, nunca escrevi tanto e tão vastamente sobre irregularidades, prejuízo ao Brasil, ENRIQUECIMENTO COLOSSAL, quanto sobre Eliezer. E logicamente nem uma vez de forma POSITIVA, sempre naturalmente NEGATIVA.

A partir do “Diário de Notícias” (1956/1962) e depois já na “Tribuna da Imprensa”, Eliezer era personagem quase diário.

O roubo das jazidas de manganês do Amapá, assunto exclusivo deste repórter, ninguém participava, Eliezer era tão GENEROSO com os jornalões, como foi depois com o filho. O Brasil era o maior produtor de manganês do mundo. Como era de outros minérios, todos controlados por ele, presidente eterno da Vale.

Eliezer devastou o Amapá, entregou todo o manganês aos americanos, a “preços de banana” (royalties para o presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que inventou essa expressão para identificar os países debaixo do Rio Grande. Isso em 1902).

No Porto de Nova Iorque, os navios que vinham do Brasil com manganês, atracavam lá longe para não provocar comentários. E este repórter dava o número dos navios, os nomes, o total da carga, o miserável preço da venda, EMPOBRECENDO o Brasil, ENRIQUECENDO os “compradores” e o grande VENDEDOR (sem aspas) Eliezer.

Está tudo no arquivo da “Tribuna”, fechada por necessidade de silenciar o jornal que contava tudo. Os jornalões, servos, submissos e subservientes, exaltavam as vendas destruidoras, elogiavam o PROGRESSO DO AMAPÁ, por ordem de ELIEZER e da VALE. Diziam: “O Amapá abre estradas, constrói escolas e hospitais, os pobres estão muito mais atendidos e alimentados”.

Mistificavam a opinião pública, queriam convencer a todos, que EXPLORAR AS RIQUEZAS do então Território, deixando os milhares de pobres habitantes sem comer, sem morar, sem hospital e escola. Tudo transitório, enquanto ESBURACAVAM todas as terras, EXTRAÍAM o manganês e DOAVAM tudo aos trustes. (Como se chamavam, na época).

Gostaria de reproduzir tudo isso, a corrupção praticada pelo pai, beneficiando e enriquecendo ele mesmo e acumulando para o filho bem-aventurado. (Mas como o jornal está fechado, tenho que ESQUECER essas matérias de 40 e 50 anos, mas a-t-u-a-l-i-z-a-d-í-s-s-i-m-a-s. Quem nasce Batista se reproduz na riqueza de outro Batista. Só o manganês não se reproduz, dá apenas uma safra).

Mas como Eliezer foi sempre muito PREVIDENTE, controlou todos os minérios, que deixou para o filho, de “papel passado”, ou então em indicações DEBAIXO DA TERRA. Mas com os mapas atualizados e do conhecimento APENAS DO FILHO, A MAIOR FORTUNA DO BRASIL, ANTES MESMO DE NASCER.

(O Brasil tem quase a totalidade da produção desses minérios, como tinha do manganês, raríssimos. E como tem do NIOBIO, ainda mais raro e IMPRESCINDÍVEL, 98 por cento de tudo o que existe no mundo).

Alternando de pai para filho, afinal onde termina Eliezer e começa o Eike? O pai já completamente identificado, mesmo com presidente, “DONO” da Vale, embora já carregasse como propriedade pessoal, a ICOMI, fundada para concorrer com a própria Vale. Utilizando a ESTATAL para produzir lucros PARTICULARES.

***

PS – O filho Eike nasceu rico e poderoso. Se descuidou, foi preso em casa pela Polícia Federal. Seguiu a receita de Daniel Dantas, “só tenho medo da Polícia, lá em cima, eu resolvo”, resolveu. Ninguém sabe onde está a conclusão do ato de prisão.

PS2 – Para o HOMEM MAIS RICO DO BRASIL SER PRESO, é necessário que a acusação esteja fundamentada. ESTAVA. Mas as providências LÁ DE CIMA, também ESTAVAM.

PS3 –  Eike “funda” empresas que provocam notícias e permitem a concessão de favores. Nem é pelo lucro, e sim para exibição.

PS4 – Fora a herança “que meu pai me deixou”, abriu ou comprou restaurantes, hotéis, espalhou através dos amestrados, “estou DESPOLUINDO a Lagoa Rodrigo de Freitas”. Continua a mesma, ninguém conhece a Lagoa como este repórter. Mas as pessoas acreditam na DESPOLUIÇÃO. Ha!Ha!Ha! Não riam, é a tragédia da corrupção.

PS5 – É preciso que alguém obrigue Eike Batista a explicar como se tornou O HOMEM MAIS RICO DO BRASIL. Acho que quem pode fazer isso é a RECEITA FEDERAL.

Lula, acima do peso, sofrendo pressão

Com uma barriga enorme, 9 quilos a mais, os médicos dizem a Lula: “Se agora, com toda movimentação, o senhor está acima do peso, quando deixar o governo, sem fazer nada, dobrará, perigosíssimo. É preciso emagrecer já”.

Como corintiano, pode pedir ao Ronaldo Fenômeno, a receita que usa e fazer rigorosamente o contrário. Ou também olhar para a barriga sensacional do Muricy, e comparar com a sua.

César Maia e Jorge Picciani

Riquíssimos, mas não de votos. Um já está derrotado para senador, o outro caminha para a mesma situação. Picciani vai para o TCE (Tribunal de Contas do Estado, chegará logo a presidência da “casa”), e o ex-prefeito? Vai pedir ao governador que manda no prefeito, para ir dirigir a “Cidade da Música”. Garante: “Não quero receber nada, e irei para lá de táxi, DE GRAÇA, diariamente”.

Com isso a Odebrecth não contava

Atendendo a pedido de Lula, vai construir DE GRAÇA, o estádio do Corintians. Estava feliz da vida, não esperava a “revolta da porta”. Unidas, as outras empreiteiras revelam: “DE GRAÇA para o presidente da República, também fazemos. São sempre os presidente que NOS DÃO obras superfaturadas”. Ninguém pode desmentir, o presidente não pode dizer, “eu não sabia de nada”.

VARIADAS, com Lula e a Petrobras, Quércia, Nunes Ferreira, Netinho de Paula, Roseana, Garibaldi e Agripino

As seguradoras são tão (ou mais) sem credibilidade do que os bancos, embora muitas seguradoras pertençam aos bancos. O grande risco para os cidadãos: o seguro de carros. Que só deve ser feito contra roubo ou perda total, ou então a franquia “come” tudo.  XXX  Só que os anúncios da Bradesco Seguros são realmente engraçados e criativos. O que não significa recomendação, e sim mais cautela.  XXX  A frase só podia ser do Lula: “A Petrobras vai fazer a maior capitalização da História do planeta”. Ha!Ha!Ha! Como é que o presidente, que popularizou a frase-conceito, “não soube de nada”, sabe da história da capitalização?  XXX  A tenista dinamarquesa Wozniacki venceu a Sharapova, retumbou pelos ares. Não foi ela que venceu e sim a russa que perdeu. Fez 3 duplas faltas num game, e depois perdeu outro com dupla falta na última boa, não dá para sair vencedora.  XXX  A reviravolta da desistência de Quércia tumultua a eleição de São Paulo para o Senado.  XXX  E o TRE de lá complicou mais, determinando: “Como não há mais tempo, os votos dados a Quércia serão contados para ele”.  Como Quércia está apoiando Nunes Ferreira, este pode não ganhar.  XX  E quem sabe: se no interior, não chegar a notícia da saída de Quércia, ele pode até ser eleito. Seria mais engraçado do que a vitória de Netinho de Paula.  XXX  A oposição pediu a inelegibilidade de Dona Roseana (Sarney), o TRE do Maranhão nem tomou conhecimento. Perdeu a última eleição, é governadora, não querem arriscar.  XXX  Tudo parece “conspirar” para a permanência dos senadores do Rio Grande do Norte: Garibaldi Alves e Agripino Maia, “amicíssimos”, na hora da eleição, podem se eleger, juntos e sem risco.  XXX

Estão com medo da Dilma

Carlos Chagas

Uma pergunta não quer calar: por que a grande imprensa demonstra tamanha má vontade com a candidatura Dilma Rousseff?  Do Globo à Folha e ao Estadão, sem esquecer a Veja, sucedem-se manchetes e textos sempre cáusticos para a candidata. Lógico que notícia é notícia, seria impossível omitir denúncias como a da quebra do sigilo fiscal de tucanos ou observações sobre as escorregadelas de Dilma a respeito de números exagerados ou estatísticas duvidosas. Da mesma forma, não há como deixar de lembrar os leitores de faltar a ela experiência política, ou até de que só disputa o palácio do Planalto por imposição do presidente Lula.

Mesmo assim, não há quem deixe de notar o exagero. Os jornalões se dizem isentos, não fazem como o New York Times, que em todas as eleições americanas adota  nos seus editoriais  posição em favor de um candidato, ainda que procure limitar o noticiário aos fatos de campanha. Os nossos proclamam não tomar partido, mas tomam.

A indagação inicial fica  mais profunda quando se atenta para  que, exprimindo a opinião das elites, nossa grande imprensa não ignora a lua-de-mel permanente entre elas e o presidente Lula. Afinal,  mantendo a política econômica de Fernando Henrique, o primeiro-companheiro vem fazendo a felicidade dos bancos, da grande indústria, das multinacionais e dos especuladores.

Estaria a má-vontade midiática  na hipótese de a criatura desligar-se do criador, depois de empossada, assustando o sistema tão bem aquinhoado nos últimos  oito anos? É possível. Afinal, com suas virtudes e seus defeitos, Dilma Rousseff tem demonstrado personalidade. Fidelíssima ao presidente Lula, nem por isso poderá imaginar seu mandato como um vídeotape do atual.

Cautelosa até demais em suas afirmações de candidata, mantém os conceitos do chefe em gênero, número e grau, a ponto de insurgir-se contra o imposto sobre grandes fortunas e a redução da jornada de trabalho. Mas tem  avançado  na necessidade de o estado permanecer como fator essencial na distribuição  de renda e na condução da política econômica.  Jamais admitiu a falácia elitista de que todos devem pagar imposto para que todos paguem menos,  eufemismo para fazer os pobres, que não pagam, dividirem com os ricos a diferença capaz de favorecer-lhes.

Em suma, pelo jeito,  estão com medo da Dilma, cujo temperamento parece bastante diferente do Lula. Em especial se for verdade o boato de que para cortar gastos públicos, ela limitará a orgia publicitária das estatais como Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica e penduricalhos.

Padrinho rejeitado

Ninguém ignora que José Serra mandou Fernando Henrique para escanteio. Rejeitou a presença constante do ex-presidente em sua campanha e até declarou que personalidades antes no exercício do poder ficam acima de participação em futuros governos. Devem ser reverenciadas, jamais integradas.

É claro que o sociólogo não gostou. Remoeu-se a ponto de jogar  farpas na campanha do companheiro tucano. Mandou-se para a Alemanha, de onde já voltou, e cuida de suas palestras.

Ressente-se, porém, o seu ego monumental. Até com certa razão, porque derrotou o Lula duas vezes, enquanto Serra perdeu uma e parece em vias de reconhecer a vitória de Dilma Rousseff.

Esta semana, na propaganda gratuita pelo rádio e a televisão, o candidato tucano tem repetido ser  um candidato sem padrinho, referência óbvia à adversária. Dificilmente lamentará não ter escolhido Fernando Henrique para batizá-lo. Mas bem que a convocação de Aécio Neves ajudaria, mesmo mais  moço.

Outra declaração discutível de José Serra, em seu afã de bater em Lula, tem sido de que “não ameaça a imprensa, não persegue jornalistas e nem quebrou o sigilo de ninguém”. Noves fora a terceira negativa, há controvérsias quanto às duas primeiras.

Obama só retirou a metade das forças do Iraque

Pedro do Coutto

Francamente, quando o presidente Barack Obama anunciou a retirada das forças militares americanas no Iraque, acentuando que permaneceriam 50 mil soldados para missões de consultoria, me surpreendeu o fato de a Casa Branca não dar o número exato dos que estavam em Bagdad. Afinal de contas, se era uma retirada, sem vitória e sem derrota, o natural era que o presidente dos Estados Unidos fosse mais específico. A falta de dados concretos sobre o tema deixou uma dúvida no ar, se a saída era mesmo pra valer, ou se tratava de um lance político visando às eleições parlamentares de novembro. Pois em novembro, Obama espera manter a maioria de que hoje desfruta na Câmara e no Senado. Não será tarefa fácil. Mas o que é fácil em matéria política?

A indagação permaneceu cerca de quinze dias até a mais recente edição da Veja, domingo passado, número 2181 que está nas bancas. A revista publica o essencial: com base no Iraq Body Count, do Departamento de Estado, o contingente americano na antiga Babilônia, em julho, era de 107 mil soldados, cabos, sargentos e oficiais. Como 50 mil permaneceram, e inclusive entraram em combate no atentado de domingo na capital do país, como O Estado de São Paulo publicou na segunda-feira, verifica-se que foram efetivamente retirados 57 mil militares. Uma retirada parcial, portanto. Metade voltou para os EUA, praticamente outra metade não saiu do Iraque. Até quando esses homens e mulheres permanecerão “em funções de assessoria?” Eis aí um tema interessante.

Barack Obama cumpriu pela metade, isso sim, a promessa feita na campanha eleitoral de 2008, cujo resultado (sua vitória) comoveu o mundo. Multidões saíram às ruas festejando, como aconteceu em Paris principalmente. Foi a vitória da esperança, sem dúvida. Ainda continua ecoando, mas o reflexo nas urnas de novembro será também parcial? O fato é que, exceto a travada contra o Japão, aItália e o nazismo de Hitler, a médio prazo nenhuma guerra é popular.

Quando explode, ocorre um impulso de mobilização, mas logo depois é quebrado por falta de motivação interior. Ninguém deseja ver seus filhos e netos correndo o risco de morte nas rochas da Coreia (1950-1953) ou nos pântanos do Vietnam (de 62 a 75). Porém o complexo industrial militar denunciado em livro pelo general Eisenhower não recua de seus propósitos sinistros de ampliar o mercado de armas à custa de vidas humanas. Tudo sob a sombra da democracia e da liberdade. Agora se vê claramente: Obama reduziu o efetivo no Iraque, mas aumentou a presença americana no Afeganistão. O processo não para nunca.

Em 1952, comprometendo-se a acabar com a guerra da Coreia, o general Dwight Eisenhower elegeu-se presidente. Cumpriu a promessa e publicou seu livro. Em 76, Jimmy Carter foi vitorioso nas urnas prometendo anistiar os desertores do Vietnam, guerra terminada no ano anterior por Gerald Ford que substituiu Richard Nixon. Cumpriu a promessa. Obama comprometeu-se a deixar o Iraque. Cumpriu a metade. A saída das tropas do Afeganistão possivelmente será compromisso da campanha pela reeleição daqui a dois anos. O complexo industrial militar é muito forte.

CLT inspirou o Juizado Especial Civil sem alcançar celeridade

Roberto Monteiro Pinho

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), foi inegavelmente à fonte inspiradora para a criação do Juizado Especial Civil (Lei 9099/95), e por ironia ao adotar o rito processual sumário (RPS), o legislador, desavisado importou este modelo, sem olhar para as raízes da CLT, ao para aplicá-la no Direito do Trabalho, inegavelmente, por desinformação, sem saber que essa lei, originalmente, baseou-se no ideal do sistema trabalhista, que vem ser a simplificação dos procedimentos.

Fundamentado nos princípios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando sempre que possível à conciliação (art.2º), esta vocação sociológica do direito, não está no avesso do real e material na solução dos conflitos, até porque a preocupação emergente do Conselho Nacional de Justiça, pauta neste princípio ao criar o programa de Metas, determina adoção de programa permanente de conciliação. Vale lembrar que as Varas do Trabalho têm a finalidade precípua de conciliar as partes, seja quando aberta à audiência (art.846), seja após a instrução (art.850).

Nos dois institutos (RPS e JEC), a reclamação verbal (ou a termo) e a defesa oral são exemplos do princípio da oralidade para alcançar a celeridade, também exemplificada no art. 765 da CLT (os Juízos e Tribunais do Trabalho velarão pelo andamento rápido das causas). Neste capítulo, a injunção que envolve a atuação da advocacia, é reflexo da informalidade, com o “jus postulandi”, eis que o juizado civil, até 20 salários mínimos dispensa-se advogado, alem do que na JT, pode (embora na pratica pouco se aplica), o empregado propor sua inicial sem o advogado.

Tida como jurássica por uns e promissora por outros a CLT, foi sem dúvida a fonte inspiradora das atuais e futuras promessas de racionalização da Justiça com a Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais e com a Lei do Rito Sumaríssimo Trabalhista.A proposta da criação dos Juizados no seio da especializada seria uma forma tão produtiva de descongestionamento das VTs, que geraria tempo ao magistrado a otimização dos julgamentos das lides mais complexas, que mínimo em resposta a sociedade, justificaria o seu alto salário.

Na pratica, sabemos que os modelos introduzidos como forma de acelerar a decisão processual, não vem surtindo o efeito esperado, deixando claro que o excesso de formalismo e técnica jurisdicional, para o processo do trabalho, vem sendo o maior entrave para o judiciário se tornar ágil. As leis de fato não estão resolvendo a problemática procedimental, pois essas podem até ter boas intenções, mas a sua adequação à realidade fática da aparelhagem judiciária disponível, trava o julgamento da ação.

É necessário antes de tudo uma ampla reflexão sobre quais caminhos deveremos trilhar, já que a solução a título precário, próximo ao mesmo fracasso que se operou com o rito sumaríssimo da Justiça Comum, não pode ser utilizado como remédio milagroso, o caos que enfrenta a especializada do trabalho. De fato não é cabível, aparelhar o judiciário laboral com magistrados voltados para a ciência do direito, interpretativo e complexo, porque este modelo colide com a própria realidade que encontramos neste judiciário, de cunho social, sociológico e imediatista, com milhões de ações travadas, muitas das quais por estarem mal julgadas, controvertidas, com nulidades, e recheadas de inovações, que confundem e contaminam a saúde do direito.

Quando idealizamos o processo com vistas a se tornar célere a para isso se torna necessário à dispensa do relatório na sentença, a produção de todas as provas na audiência de instrução e julgamento e a manifestação imediata da parte contrária sem interrompê-la, como também a não admissão da reconvenção e do instituto da intervenção de terceiros, conclui-se que a ação é simples, imediata e seu produto, que é a solução, precisa ser formalizada de pronto, de forma inconteste e sem demais delongas.

A técnica empregada para incorporar o procedimento sumaríssimo foi à criação de “letras” nos artigos da CLT, diferentemente da aplicada aos Juizados Especiais, que permaneceu como um instituto autônomo. Portanto, parece óbvio que a CLT será fonte subsidiária da Lei 9957/00, mas somente a jurisprudência e a melhor doutrina, poderão contornar as dúvidas deixadas pelos legisladores até o apaziguamento dos ânimos com a posição do Tribunal Superior. Já na esteira das decisões de primeiro grau, uma enxurrada de recursos, leva o processo a provocação de decisões, que se transforma em jurisprudências, Súmulas, Orientação Jurisprudencial, as centenas, enquanto no JEC/CDC, desde a criação em 1995, apenas dez novas letras vieram incorporar seu texto.

Mundial de basquete: perdemos por causa de mísera cesta. Nada deprimente, decepcionante, desmoralizante. Scola, todos sabiam, o melhor. Fez 36 pontos, pode?

Primeiro tempo admirável. Movimentado, disputado com ardor e amor. De lado a lado. Alternância no placar, a vantagem se modificando. Faltando três minutos, a Argentina com 5 pontos de frente.

Marcelinho Machado (que grande jogador), sempre mal aproveitado, “chutou” duas de 3 e uma de 2, colocou o Brasil na frente.

Nesse primeiro tempo, Brasil 48 a 46, pintando contagem centenária, o que o torcedor mais gosta.

Com 2 minutos do segundo período, o Brasil botou 7 pontos de frente. Mas como disparou, dispersou. “Chutamos” mal três vezes, a Argentina ficou apenas 1 ponto atrás. A Argentina entrou “vencedora”, tentou faltas e tempos, seguidos. Erros dos dois lados, igualdade total no jogo e no placar. 66 a 66. Dificilmente iremos para a contagem centenária, ficamos no limiar.

Faltando 7 minutos, 74 a 74, Splitter e Marcelinho Machado fora de quadra, inexplicável. 6,18 para o fim, Argentina faz 5 pontos, Magnano “percebe”, entram Marcelinho e Splitter, sai Leandrinho, com 4 faltas. Jogamos a pior fase, só temos 5,23 minutos, os juízes marcam muitas faltas erradas.

4 pontos atrás, substituições equivocadas. Três ataques perdidos, (era o jogo), Magnano pede tempo. Para quê? Para nada,a Argentina domina.

***

PS – Faltando 1,28, Marcelinho volta, marca, a Argentina fica um ponto na frente. Mas continua, com 1 segundo e 9 décimos, eles 2 pontos na frente, o técnico da Argentina, apavorado, pede tempo.

PS2 – Perdemos com honra e dignidade, mas isso ocorreu no quarto e último tempo. Principalmente por causa das substituições, TREMENDAMENTE ERRADAS.

VARIADAS, com Renata Lo Prete, Alckmin, Mercadante, Covas, Quércia e Netinho de Paula

Quando era ombudsman da Folha, Renata Lo Prete, era a minha preferida. Agora, como colunista, dá notícias na frente de todos.  XXX  Geraldo Alckmin será governador pela quarta vez. Na primeira ficou como vice,assumindo esporadicamente.  XXX  Na segunda, ocupou o mandato inteiro, com Covas, que teve o primeiro enfarte sério em 1986, candidato a senador, totalmente impossibilitado.  XXX O terceiro mandato, completamente ilegal, inconstitucional e imoral, foi o único que conseguiu. Agora vai ganhar o quarto, enfrentando Mercadante, nenhuma vantagem.  XXX Respondendo a vários seguidores que disseram, “você ERROU, Helio, falando que Quércia seria eleito”.  XXX  Ora, se ele não é candidato, como pode ganhar a eleição? Não ERREI, apenas aconteceu a retirada OBRIGATÓRIA de sua candidatura.  XXX  Nesses políticos que fazem planos e projeções com grande antecedência, sempre ressalvo que existem fatores que não podem ser controlados. Aconteceu com Quércia.  XXX  Alguns candidatos em São Paulo, serão afetados pela retirada de Quércia. E pode ser até que Netinho de Paula se eleja.  XXX  (Já considerei aqui essa possibilidade, comentando: “O Senado ficará mais engraçado”).  XXX  Agora imaginem os que pensam (?) na presidência dentro de 4 anos e até mais. E acreditam mesmo. XXX

Quase todas as repúblicas do mundo, foram sangrentas e surpreendentes. A do Brasil, farsa completa, dominada por dois marechais. Agora, livrou-se de Serra, mas não de Dilma. Resistirá?

Houve um tempo em que no mundo ocidental não existia nenhuma República. Os países vinham de domínio imperial, elitista e imperialista. Pode ser dito, que até curiosamente, o primeiro sobressalto tenha ocorrido em 1649 na Inglaterra. Oliver Cromwell, juntou forças poderosas, se aproveitou de divergência entre os países que formavam a Grã-Bretanha, implantou a República.

Mas como era uma vocação pura de ditador, não durou muito tempo, e fez fracassar a República. Ficou alguns anos, o filho Richard apenas oito meses, sua República não resistiu. O Parlamento decidiu restaurar a monarquia na Inglaterra e Escócia, e o rei Carlos II reassumiu o trono.

Em 1789 (pura coincidência), surgiram duas Repúblicas. A que se chamou de Estados Unidos. E a França, que adotou o mesmo nome (França), derrubando a monarquia, mas não poupando a eles mesmos, as maiores lideranças republicanas.

A República da França se manteve, mas foi tão trágica e destruidora, que basta apenas um exemplo para situá-la. Em 1789, Napoleão tinha 18 anos, entrava para a Escola Militar de Saint-Cyr. Aos 28 anos já era imperador, escreveu páginas e mais páginas da História. E as grandes figuras da República, todos assassinados entre si.

A outra República surgida nesse ano, fez tudo rigorosamente certo. Declarou a Independência, depois da vitória, a brilhante Convenção da Filadélfia, que durou 4 meses, tudo democraticamente acertado. Convocação da Constituinte, divisão do Poder entre ESTADUALISTAS e FEDERALISTAS, que dura até hoje. E em nenhum momento admitiram a eleição INDIRETA.

Tanto que coloco aqui (como licença poética “histórica”) o início dessa República em 1789, posse de George Washington, eleito DIRETAMENTE em 1788, como primeiro presidente da República. Vou cortar caminho, pois na verdade o que interessa é o que aconteceu no Brasil, com uma República deturpada, equivocada, surrupiada e não conquistada. Mas não posso deixar de falar, ligeiramente, nas Repúblicas da Espanha e da Itália.

Na Espanha, em 1936, declarada a tão desejada República, derrubada a monarquia, marcada a eleição DIRETA. Realizada pacificamente, foi eleito o republicano Primo de Rivera. Tomou posse, começou a governar, alguns generais não se conformaram. (É próprio de generais não ficarem satisfeitos, desse nome surgiu a palavra GENERALIZAR).

Os generais se dividiram, metade a favor, metade contra a República. O que provocou, de 1936 a 1939, a maior guerra civil da História, superando as sempre citadas dos EUA em 1860 e da Rússia, que se transformou em União Soviética, a partir de 1917.

(Lógico, a da Espanha é a maior de todas, proporcionalmente. Do ponto de vista populacional ou territorial, a Espanha não pode se comparar com os EUA e a antiga Rússia. Sem falar que nessa guerra civil de 3 anos, não participaram apenas espanhóis. Nazistas (Alemanha) e fascistas (Itália) experimentavam armas modernas que usariam na Segunda Guerra Mundial, que começava praticamente ali).

A República da Itália, acabou melancolicamente. Teve uma bela História com o Império Romano (toda dividida), depois transformada e unificada pelo estadista Cavour, transformando os estados num país único. Em 1945, pouco antes do fim da guerra, a modificação total, que o povo só soube pelas manchetes dos jornais.

Mussolini, que chegara ao Poder em 1922, na famosa “Marcha sobre Roma”,  foi pendurado numa “corda de secar roupa”, apenas poucas pessoas viram isso. Tomou o Poder como socialista, diretor e proprietário do jornal , “Il Popolo de Roma”. Com ele desapareceu a monarquia, a “Casa de Savoia” passou à História.

A República da Itália comemora agora 65 anos, se é que se pode usar a palavra COMEMORA para um país que há anos e anos é dominado por um corrupto como Berlusconi.

Com 121 anos, o Brasil tem uma das mais novas e mais infelizes Repúblicas. Dois marechais liquidaram sumariamente duas grandes gerações. A dos “Propagandistas da República”, que começaram em 1880 em Itu (a cidade de São Paulo que tinha menos de mil habitantes), onde foi realizada a convenção que lançou o jornal diário “A Republica”, que começou a circular em pleno Império.

A outra, os “Abolicionistas”, surgiu em 1870, logo se juntaram, se fundiram no amor pela liberdade. Eram todos, vá lá, quase todos, formados em Direito, jornalistas e políticos. Em relação à escravidão, tiveram a impressão de vitória, foram iludidos pela “Lei do Ventre Livre”. Mistificação que a própria História adotou superficialmente.

(Nessa época em que se acreditava no fim da escravidão, o mundo inteiro realmente não tinha mais escravos. Acabaram com essa vergonha, comercial e industrialmente, principalmente por causa da Revolução Industrial de 1780 na Inglaterra. Só três países mantinham a escravidão: EUA, Cuba e Brasil).

A República brasileira é ISSO que está aí. Um dos grandes personagens dessa República, diretor do jornal que defendia sua implantação, foi Saldanha Marinho. Mas quem definiu melhor essa República e sua repercussão, foi o jornalista Aristides Lobo, Republicano histórico e primeiro Ministro da Justiça.

Numa entrevista exclusiva para o “Jornal do Commercio” (então o maior do país), declarou: “O País só soube dos fatos no dia seguinte, BESTIALIZADO”. O jornalista, deliberadamente, trocava a rotineira palavra BESTIFICADO, pela outra, mais decisiva e definitiva, que foi manchete do jornal no dia 18 de novembro.

Os dois medíocres marechais já haviam ASSALTADO o Poder da República que surgia, ficaram 1 ano como PROVISÓRIOS, um na Presidência, o outro dominando o Exército. E só fizeram eleição, também INDIRETA, em 25 de fevereiro de 1891, institucionalizando a divisão da República entre os dois.

A eleição verdadeira (?) só ocorreria em 1894. Chegou ao Poder Prudente de Moraes, o verdadeiro consolidador da República. (Só que essa palavra “consolidador”, tem que ser usada com todas as aspas possíveis e imagináveis. Duas vezes a República se deixou dominar pela ditadura, ninguém desconhece o que aconteceu nessas duas aventuras).

***

PS – Não vou RECORDAR o passado, nem tentar adivinhar o futuro. Embora esse não fosse um exercício tão difícil ou complicado.

PS2 – Para não “desgostar”, “contrariar” ou “decepcionar” alguns, a verdade que muitos aceitarão como fato rigorosamente verdadeiro.

PS3 – Serão 4 anos, (pelo menos) rigorosamente tumultuados e ambiciosos, do ponto de vista negativo.

PS4 – Resumindo: ou fazem as reformas que o país exige, e contribuem para o desenvolvimento e a tranqüilidade, ou repetiremos 1930 e 1964.

PS5 – NÃO FARÃO.

Celso Amorim, criticado abertamente

Mostrei aqui várias vezes a falta de prestígio do chanceler, dentro do próprio Itamarati. Sempre fazem apreciação sobre os que saem do Instituto Rio Branco. Expectativa sobre o atual ministro, quando completou o curso: “Esse não vai longe, não tem autonomia de voo”.

Agora, representando um grupo forte, o embaixador Abdenur, com a repercussão interna de quem esteve na Matriz, diz publicamente: “O chanceler não orientou bem o presidente, não incorporou os valores ocidentais”.

Isso significa que Amorim terá oposição forte para qualquer posto que pretenda. Só que Dona Dilma não mudará coisa alguma, que duvida?