Convenções partidárias na Inglaterra e nos EUA, humilhação para o Brasil. Aqui, os PRÉ-candidatos de hoje, serão efetivados, sem participação do povo

Quinta-feira, pela primeira vez na História da Inglaterra (e 50 anos depois da iniciativa pioneira nos EUA), os candidatos britãnicos debateram pela televisão. São três pretendentes a primeiro-ministro (a eleição mais importante do país): o trabalhista Gordon Brown, atual premier, o conservador David Cameron e o liberal-democrata Nick Glegg.

O debate televisado (e não televisionado, como gostam de dizer erradamente), tem “formato” inteiramente diferente do que é utilizado no Brasil e nos EUA, onde é obrigatório, importante e decisivo. Sem experiência em fazer debates pela TV, os três partidos britânicos levaram quatro semanas de negociações para acertar como seria o programa, realizado em Manchester. Entre as mais de 70 regras acertadas estava o óbvio: a determinação de que a plateia de 200 pessoas presentes no auditório não poderia aplaudir as respostas dos candidatos.

Nesse primeiro debate, os dois favoritos para vencer o pleito de 6 de maio,  Cameron e Brown (o atual primeiro-ministro), e o liberal Glegg discutiram sobre cortes de orçamento, impostos e reforma política. Um segundo programa, marcado para o dia 22, deve focar em política externa e o último, a ser transmitido no dia 29, na economia.

O primeiro debate entre presidenciáveis aconteceu nos EUA, entre Nixon, franco favorito, e Kennedy, muito moço, os dois então senadores. (Cumpriram a tradição quase rotina dos presidentes serem senadores ou governadores). Levaram dias e dias com assessores “exigindo detalhes”, ainda não havia experiência.

Antes realizaram-se as convenções do Partido Democrata e do Republicano, mobilizando o país inteiro, E não foram as primeiras grandes convenções que tinham todos os poderes, embora, lógico, ainda não houvesse rádio ou televisão. As mais notáveis convenções ocorreram em 1800, quase em cima da inauguração da capital, ainda não Washington, pois o presidente não queria seu nome. Ficou sendo Washigton DC, até ele morrer.

J. Adams, presidente que tentava a reeleição, enfrentou na convenção o fortíssimo Thomas Jefferson, legenda no Partido Federalista. Os dois, fundadores da República. (O Partido Democrata só seria criado 40 anos depois, até hoje se revezando no Poder com o Republicano). Jefferson venceu a convenção e a eleição.

Poderia citar várias convenções que demonstraram o Poder dos partidos. Prefiro citar apenas duas, ambas na Inglaterra. Margareth Thatcher foi escolhida primeiro-ministro, 4 vezes pelo Partido Conservador. Cumpriu 12 anos dos três mandatos iniciais, mais 1 ano do quarto, foi derrubada pela convenção interna. Em vez de 16 anos, cumpriu apenas 13.

Mais tarde viria Tony Blair, do Partido Trabalhista, considerado a grande revelação dos últimos tempos, que aparentemente ficaria longo tempo no Poder. Cumpriu 1 mandato, eleito para o segundo, foi retirado do Poder, por causa do vexatório apoio a Bush na “guerra do petróleo”, rotulada de “guerra contra a bomba nuclear do Iraque e o domínio de Saddam Hussein”.

Agora, no Brasil, estamos em plena campanha para a sucessão do presidente Lula. Todos são chamados de pré-candidatos, farsa, fraude e mistificação para iludir o cidadão-contribuinte-eleitor. Em junho ou julho, esses PRÉ serão transformados em EFETIVOS, sem que a comunidade tenha voz. Tem voto, mas geralmente não sabe o que fazer com ele.

Sem convenção esclarecedora e definidora, Serra e Dilma serão referendados. (Desculpem a palavra, como não foram escolhidos por ninguém, ficam suspensos no ar, e o cidadão também suspenso, só de decidir, opinar ou interferir, com a “cúpula de meia dúzia”, que responde pela coletividade).

Duas excelentes figuras, como Marina Silva e Plinio de Arruda Sampaio, (ele com tudo para ser um grande presidente) serão confirmados, mas sem o direito de serem votados. E Ciro Gomes, voluntariamente inscrito como linha auxiliar de Lula e Dilma. Esse é o quadro nacional.

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PS – Lancinante e decepcionante, se comparado com o de outros países. Incluam aí também a França, a partir da eleição de De Gaulle.

PS2 – Deixo de comentar o espetáculo da convenção dos EUA, com Obama e Hillary disputando arduamente, está ainda bem atual e visível.

PS3 – E Hillary, senadora derrotada, para ser secretária de Estado, teve que renunciar a 4 anos e 1 mês no Senado. Aqui, daria a vez a um suplente, acumularia.

A República proclamada por acaso

Carlos Chagas

O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de “A República não viu o amanhecer”. Contou em detalhes,  fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores e, em especial, pela leitura dos jornais da época.

Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado “poder civil” da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum. O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em  maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também  haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres lutaram, como Caxias e Osório,  mas a maioria era composta daquilo que se formava como o  brasileiro médio.

Ouro Preto, como a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles patrícios fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888.  Assim, com o Imperador já pouco interessado no futuro, o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e punidos, como Sena Madureira e tantos outros.

Havia, nos quartéis e em certos círculos políticos, um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o “velho” morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d’Eu, francês, marido da sucessora, a princesa Isabel.

Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.

Na tarde de 14 de novembro movimentam-se um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros. Comandados por majores, estava criado  o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio, mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los.

O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal  Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado feitos muito  mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: “Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios…”

Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada,  lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente.  Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de  republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo.

Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra  numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos  gritando “Viva Deodoro!  Viva Deodoro!” Saudando-os com o  agitar o boné na mão direita,  grita “Viva o Imperador! Viva o Imperador!”.  Apeia  e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : “Nós que nos sacrificamos nos pântanos do  Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército.” Estava com febre de 40 graus.   O Visconde, corajoso e cruel, retruca que “maior sacrifício estava  fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!”  Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.

O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha  nascido e os republicanos, a seu lado, insistem  para que aproveite a oportunidade e  determine o fim do Império. Ele reluta. Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o “Viva Deodoro! Viva Deodoro!” e ele agradeceu com os gritos de  “Viva a República! Viva a República!”

Não havia populares nas proximidades,  muito menos operários.  Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que “o povo assistiu bestificado a proclamação da República.”

Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil.  Deodoro quis votar uma dotação orçamentária  para que subsistissem no exílio.  D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada.

A História do Brasil é feita de episódios como esse…

Candidatura de Ciro Gomes: Shakespeare no PSB

Pedro do Coutto

Reportagem – muito boa – de Márcio Falcão, na Folha de S. Paulo de 16 de abril, reproduziu declarações de Ciro Gomes, queixando-se do isolamento político a que está sendo submetido no seu partido, o PSB, que não consegue decidir sobre seu destino. O vice-presidente nacional da legenda, ex-ministro Roberto Amaral, contestou a afirmação, dizendo que foi ele, o próprio Ciro, que se isolou afastando-se da direção partidária. A respeito de uma possível candidatura do ex-governador do Ceará a presidente da República, deixou no ar uma dúvida hamletiana: ser ou não ser. Portanto, Shakespeare no Partido Socialista Brasileiro.

A diferença entre aquela obra de arte e o enigma exposto, é que, primeiro, não estamos no Reino da Dinamarca; segundo, tanto o PSB quanto Ciro ainda não se fixaram numa direção comum. A dúvida do Hamlet 2010, quatrocentos anos depois da peça, projeta-se também no interesse da legenda. Uma corrente, segundo Roberto Amaral, deseja apoiar Dilma Roussef, diretamente e deixar Ciro Gomes em segundo plano. Outra, entretanto, defende a candidatura de Ciro Gomes, não porque veja nele perspectiva de vitória, mas sim porque considera que sua presença na sucessão retira votos de Serra e dessa forma soma mais para a ex-chefe de Casa Civil.

Sob qualquer um desses ângulos, verifica-se que a imagem de Ciro não se fixa nele próprio, mas pelo que soma mais ou soma menos para Dilma Roussef. Ser ou não ser candidato, relativamente a Ciro, virou uma dúvida que a direção do PSB, em reunião da executiva nacional, assegura que vai resolver no próximo dia 27.
A presença de Ciro Gomes no quadro sucessório evidentemente partiu de um lance engendrado pelo presidente Lula. Acenou com a hipótese de que disputasse o governo de São Paulo, Ciro acreditou e por isso transferiu seu domicílio eleitoral. Mas a reação do PT paulista foi fortemente contrária e ele ficou sem espaço para atuar. Sequer foi cogitado como candidato ao governo estadual, nem mesmo como segundo nome ao Senado, já que este ano são duas as vagas em disputa, a primeira assegurada a Marta Suplicy. Ciro poderia ficar como segunda opção. Mas quem garante que o eleitorado petista votaria nele conjuntamente com Marta? Deputado federal, creio, só como última alternativa. Inclusive porque na entrevista a Márcio Falcão, ele afirmou estar disposto a disputar a presidência, frisando que a legenda, em todo o país só teria a ganhar com isso.

Mas Roberto Amaral e o senador Renato Casagrande têm dúvida. Consideram que, em vez de acrescentar ao partido, a candidatura própria à presidência poderá de outro lado, bloquear coligações estaduais. Neste mar de incertezas, um aspecto, entretanto, está sendo esquecido pela direção do PSB: o apoio de Ciro Gomes a Dilma Roussef no segundo turno, desfecho natural e esperado das urnas de outubro.

Importante este apoio, que pode se tornar decisivo até, sobretudo porque Marina Silva, magoada com o governo por sua demissão do Ministério do Meio Ambiente, seguramente tentará transferir os votos que receber no primeiro para José Serra no segundo turno. De qualquer forma, portanto, permanece a importância de Ciro Gomes na sucessão, em qualquer das hipóteses.

Um outro assunto. Serra voltou a elogiar Lula, matéria publicada também na Folha de sexta-feira. Mas fez uma comparação errada: referindo-se ao apoio de Maluf a Celso Pitta, disse que nem sempre o sucessor repete a boa atuação do antecessor. Enganou-se. Paulo Maluf, de fato, apoiou Pitta. Mas o destino os colocou em igualdade: ambos foram presos por corrupção. Celso Pitta morreu. Maluf continua com a prisão decretada em 181 países. Só pode ficar solto no Brasil. Situação curiosa esta.

INSS e Justiça do Trabalho protagonizam sinuoso caos jurídico

Roberto Monteiro Pinho

Está claro para a comunidade jurídica que a Justiça do Trabalho e a Previdência Social, após a EC n°45/2004 vivem um idílio jurídico, que por outro lado, se constitui numa relação altamente nociva para os que demandam ações na especializada. Dispõe o caput do art. 3º da Lei nº 8.212, de 24.07.1991 (com a redação dada pela Lei nº 8.620, de 05.01.1993), que trata do sistema de custeio da Previdência Social, que “nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social”.

Assim dispõe o art. 114, VIII da CF/88: “Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:…VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.” A discussão central deste contestável monitoramento das parcelas referente ao INSS nas ações trabalhistas, se prende a dois fatores: a confirmação em juízo do débito referente a período não anotado na CTPS e os débitos por ventura existentes no período contratual expresso.

A polêmica sobre o tema, muito embora a meu ver a “ordem dos fatores não altere o produto”, é se a execução das contribuições previdenciárias caberia somente quando esta decisão decorresse de condenação judicial em obrigação de pagar, ou se caberia também nas sentenças em que houvesse condenação em obrigação de fazer ou ainda nas meramente declaratórias, situações em que não há discriminação da natureza das parcelas nem dos limites da responsabilidade de cada uma das partes.

Assim, “cum bona gratia”, quando a relação de emprego era reconhecida em sentença, havia divergência se caberia à JT executar as contribuições previdenciárias sobre o salário que o trabalhador havia recebido durante o período trabalhado.Aí, porém o TST decidiu que não caberia executar a contribuição sobre essa remuneração, já que o pagamento desse salário não decorreu da sentença. Onde fluiu o seguinte entendimento: “Além disso, se o próprio INSS não reconhecia o tempo de serviço desse trabalhador para efeito de aposentadoria, seria um absurdo que houvesse incidência dessa contribuição sobre os salários do período”.

O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho (TST) veio decidir por maioria de votos, que não cabe à  Justiça do Trabalho (JT) a cobrança das contribuições devidas ao INSS sobre as ações declaratórias, nas quais é reconhecido o vínculo de emprego do trabalhador. A execução do tributo ficará restrita às decisões em que há condenação da empresa ao pagamento de parcelas trabalhistas e sobre os valores resultantes de acordos entre as partes.

Sobre a matéria explicou o então o presidente do TST, ministro Vantuil Abdala:  “Trata-se de uma injustiça com o trabalhador e um despropósito a Justiça do Trabalho garantir a arrecadação do tributo sobre o dinheiro do trabalhador, que não tem a contagem de tempo reconhecida para a aposentadoria e fica sem os próprios valores recolhidos”.

A partir daí, foi adotada uma nova postura jurídica, após a revisão da Súmula nº 368 do TST, que interpreta o alcance do dispositivo constitucional que atribui à JT à competência para a execução das contribuições previdenciárias decorrentes de suas decisões. Com a decisão do Pleno, o inciso I da Súmula 368 passa a dispor que “a competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e sobre os valores objeto de acordo homologado que integrem o salário de contribuição”.

No entanto, uma vez consolidada a fase de conhecimento (sentença), e conseqüentemente, se tratando de ato judicial, uma vez homologada a conta de liquidação pelo juízo, é imprescindível que as partes venham a ter ciência da decisão. A propósito, estipula o artigo 397 do Código Civil que o inadimplemento da obrigação, positiva e liquida, no seu termo, constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. Assim sendo e como, em regra, o devedor somente tem ciência da homologação da conta de liquidação quando é citado na fase de execução, nos termos do artigo 880 da CLT, tem-se aí estabelecido o momento em que se considera liquida a sentença, para os fins de fixação do mês de competência para recolhimento tributário.

Todo este emaranhado de posicionamento e questionamentos, só leva a uma direção, ao engessamento das ações existentes na JT, onde se prioriza extraordinariamente a execução do INNS em detrimento da prestação laboral ao trabalhador. Fato é que a JT se tornou um apêndice de “luxo da Previdência Social, com juízes bem remunerados, serventuários dedicados a esta prestação jurisdicional, e para aqueles que acreditam em mudança”, no que se constitui, “mandato sibi jurisdictionem mandari alteri non pos manifestum est”, e lembrando Sócrates, “Só sei que nada sei”.

Final de Mônaco: dois espanhóis

Ontem eu dizia: nas quartas, (8 jogadores), 4 são espanhóis. Um deles estará na final, que poderá ser entre dois deles. Nadal ganhou fácil de Ferrer (já ganhara de Ferrero). Verdasco eliminou fácil o sérvio Djokovic.

É a primeira final de Verdasco. Bom jogador, mas instável, perdia sempre nas oitavas ou quartas, não chegava nem à semifinal de um Master. Pois amanhã pela manhã, disputa o título com Nadal, o maior jogador do saibro. Mas não há vencedor antecipado.

Lula perplexo sem o terceiro mandato. Serra divagando: “Aécio não tem futuro se não me apoiar”, Michel Temer, se não conseguir a vice, ficará como “jurista”. Mas Lula, satisfeitíssimo, pensando em 2014.

É o que se diz abertamente, em São Paulo e nos círculos e cúpula do PSDB.  O presidente do partido, Sergio Guerra, tem mais certeza disso do que da própria reeleição. E foi Serra quem lhe disse.

Mas não é o que se afirma no estado-chave, Minas Gerais. A pressão sobre Aécio é total e absoluta. É bem verdade que Aécio não nega com a veemência de antes, parece acreditar na previsão (ou profecia) de Serra a respeito do seu futuro. Mas em algumas conversas não abertas ou não autorizadas, começam a falar em outro Neves de Minas para fortalecer a chapa de Serra.

Depois da desincompatibilização, parece ter surgido um Lula inteiramente diferente. Terá sido a certeza de que a sorte está lançada? Mais de dois anos tentando de todas as formas o terceiro mandato, o 3 de abril, desalento e entendimento de que irá mesmo para São Bernardo?  Muita gente não acredita, mas o presidente fez tudo para continuar usando o título e não simbolicamente.

Foi um esforçado, e em algum momento, chegou a admitir que teria mais sucesso do que FHC, que lutou intensamente para continuar no Planalto-Alvorada. O mesmo que fizeram o presidente do Peru e da Argentina. Todos eles, infelizes. Ao contrário de Lula, que não conseguiu, mas não perdeu todas as esperanças e possibilidades futuras.

O primeiro a tentar esse tão desejado terceiro mandato, foi o incompetente e enriquecido Menem, lógico, da Argentina. Não conseguiu e ainda foi preso, mas solto rapidamente, tinha um dossiê estupendo e bem municiado.

O outro, logo a seguir, foi o bi-fronte Fujimori, do Peru. Conseguiu repercussão grande, achou que ficaria não só mais um tempo, mas muito tempo. Não conseguiu, a Suprema Corte não admitiu sua permanência, viajou para o Japão, tinha dupla nacionalidade.

Ao mesmo tempo ambicioso e estouvado, não demorou muito no Japão, acreditou que o povo do Peru ansiava pela sua volta, “achou que atendia exigências”. Mas foi preso, extraditado antes de chegar ao Peru, já condenado a 34 anos de prisão, e os processos e julgamentos ainda não acabaram.

Lula começou a admitir o terceiro mandato quando exercia o segundo. O único cidadão do mundo que perdeu três vezes e conseguiu vencer a quarta, assumiu timidamente, foi deixando de fazer o que era obrigatório, principalmente recuperar o patrimônio fabuloso que FHC DOOU A BANQUEIROS, SEGURADORAS, GLOBALIZADOS DE VÁRIOS PAÍSES.

É que Lula estava no Poder a partir de 2003, era o inacreditável primeiro mandato, ainda nem acreditava no segundo. Vitorioso na quinta eleição, empossado e já popularizado em 2007, aí realmente despontou para a glória geral e pessoal. Começou a trabalhar não apenas o terceiro mandato, mas “a salvação do país pela eternidade do Poder”.

(Foi a época em que, voltando do Gabão, mostrou todo o deslumbramento e as “convicções” em relação ao Poder, ao afirmar publicamente sobre o ditador desse país: “Ele está há 37 anos no Poder”. Era o primeiro grito de Lula, “quero o terceiro mandato”).

Começou a dizimar e destruir seus próprios quadros do PT, não admitiu ninguém que pudesse resistir a ordens suas, ou que fosse capaz de crescer acima e além da sua própria imagem. Como os “companheiros” não eram muito brilhantes, custaram a perceber os objetivos de Lula. (Custaram a perceber ou não chegaram a perceber?)

Lula foi “caminhando sobre as águas”, em determinado momento acreditou mesmo que conseguiria. A base, claustrófoba, comprometida e praticamente indiciada, concordava com tudo.

A oposição não se opunha, metade por incompetência, a outra metade por subserviência. Quando Lula começou a chamar parceiros para conversar (Quércia, Geddel, Jader, e outros iguais), ficaram deslumbrados, começaram a monologar: “Os próximos podem ser do PSDB”. E ficaram paralisados, enquanto Lula avançava.

Só que a estrada do Poder é suculenta e altaneira na imaginação, mas cheia de obstáculos na realidade. E esses foram chegando, atravancando o trajeto e ameaçando o projeto, fazendo ou obrigando o presidente a refazer o percurso. Mudou várias vezes, mas não abandonou o delírio.

Chegou a admitir o “referendo”, o “plebiscito”, baseado nos “80 por cento das pesquisas imaginárias”, a aprovação da “emenda constitucional”, até chegar à PRORROGAÇÃO DE TODOS OS MANDATOS, do Executivo, Legislativo e Judiciário. Foi se perdendo por todas as estradas, só enfrentou e encarou a realidade agora, não há mais salvação.

***

PS – Surpreendentemente, Lula perdeu as chances, mas não perdeu o humor. Para seu futuro, tanto faz que o sucessor seja Serra ou Dilma, não precisa de nenhum dos dois.

PS2 – Os analistas, geralmente primários e inconseqüentes, espalham que “Lula joga tudo na vitória de Dilma”. Ha!Ha!Ha! Lula receberá a vitória apenas pelo prazer de ganhar. Mas em termos de futuro, ou seja, 2014, apostaria muito mais em Serra no Planalto-Alvorada do que em Dona Dilma.

PS3 – Lula não irá derramar uma lágrima, se o vencedor de 3 de outubro for José Serra. Dará até boas gargalhadas se tiver que passar o cargo para o paulista em 1º de janeiro de 2011.

PS4 – Serra não entenderá a satisfação de Lula ao empossá-lo. É que este já estará mergulhado na alegria que já imagina desde agora, de receber o cargo dele mesmo.

PS5 – Perdendo agora, Lula não será derrotado. Vencendo em 2014, será um vencedor legítimo e sem previsão de tempo. No mínimo, no mínimo, ficará até 2022.

Novos senadores do Rio

Muita gente me pergunta quem será eleito. Impossível dizer, impossível até “adivinhar” quem será candidato. O que no caso de Cesar Maia e Jorge Picciani, uma vitória para o cidadão. Vetados pelos partidos, não enriquecem nenhuma chapa, já enriqueceram o suficiente.

Gabeira quer lançar 4 candidatos, 2 para cada vaga. Maluquice. Quanto mais candidatos, melhor para o “bispo” Marcelo Crivella.

A propósito de reacionarismos

Waldir Ferreira:
“Jornalista Helio Fernandes, está ficando reacionário?”

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Waldir, a resposta, por enquanto, será tão simples, sumária e sumarizada, quanto a tua colocação. Por dois motivos: 1 – Você não deixou nem a possibilidade de entender quando e onde meu presumível e presumido reacionarismo poderia ser encontrado.

2 – Progressista, coletivista, nacionalista, defensor intransigente da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que a própria França abandonou logo a partir do 14 de Julho de 1789, fico esperando a localização do meu reacionarismo, (ocasional ou permanente), para desmenti-lo ou esclarecê-lo.

Segundo turno para governador

Cabralzinho já está reconhecendo até para a mulher (“Ela é a maior advogada do Brasil”): Lula se irritou, Dona Dilma também, garotinho cresceu, o que não melhora nada para o povão. Só que as coisas fugiram de tal maneira do controle, que cabralzinho reconhece: “Estou reeleito, mas contra a minha própria expectativa, no segundo turno”. Para cabralzinho e garotinho, devia haver terceiro turno.

Uma presidência digna de elogios

Carlos Chagas

O ministro Gilmar Mendes completa na próxima semana dois anos na presidência do Supremo Tribunal Federal, sendo de justiça reconhecer que nesse período balançou a velha árvore da Justiça.  Não só agilizou  as várias instâncias, tendo percorrido todos os estados e visitado seus tribunais mais de uma vez. Enfrentou Executivo e Legislativo, na defesa das prerrogativas inerentes ao Judiciário e lutou abertamente contra excessos do Ministério Público e da Polícia Federal, que para ele não é um poder.

Orgulha-se, como disse, “de haver quebrado a espinha dorsal do estado policial que se estabelecia no país”. Bateu-se pelo respeito aos processos legais e aos direitos do cidadão, inclusive com os polêmicos dois habeas-corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas. Importa reconhecer que o Judiciário sai melhor, depois  da presidência de Gilmar.

Um incursão do presidente do Supremo no futebol vem causando sensação, às vésperas da Copa do Mundo: como cidadão, jamais como juiz,  defende a convocação de Neymar e de  Ganso,  do Santos. Deixa o Dunga em sinuca,  pronto para repetir João Saldanha, que  mandou o então presidente Médici cuidar do ministério, porque da seleção cuidava ele. O atual treinador poderia muito bem dizer que Gilmar deve cuidar das sentenças, e ele, do time…

Ciro merece respeito

Nem o presidente Lula nem o Partido Socialista tem o direito de fritar Ciro Gomes em fogo lento. Melhor ficaria o  ex-ministro e ex-governador do Ceará caso ouvisse diretamente de seu partido e do chefe do governo não estar nos seus planos para a sucessão. O problema é que tanto o Lula quanto os socialistas tergiversam, empurram a candidatura de Ciro com a barriga e desmontam  as condições para ela ser lançada e vicejar. Mas não assumem. Deixam o pré-candidato pendurado no pincel, sem escada.

É bom tomarem cuidado. As recentes e duras críticas de Ciro à sua legenda prenunciam  tratamento igual a ser lançado sobre o  presidente da República. Não que possa adiantar alguma coisa, mas pelo menos demonstrará que com ele não se brinca impunemente.

O vegetal ou o animal?

Juscelino Kubitschek contava com muita graça  que já candidato à presidência da República,mas ainda governador de Minas, precisou ir ao palácio do Catete tratar com o então presidente Café Filho de questões ligadas à agricultura em seu estado. Sofria, naqueles idos, intensa pressão militar para não disputar a chefia do governo, apontado como herdeiro do getulismo e até de simpático ao comunismo.

Café Filho formava na primeira linha dos que se opunham à candidatura de JK, mas quando o recebeu em seu  gabinete,  surpreendeu. Era todo gentileza e até convidou o governador a sentar-se em sua escrivaninha, para ter  a sensação de tornar-se presidente. Meio constrangido, o visitante sentou. Foi quando Café Filho transfigurou-se e partiu para agressão: “Pode levantar-se, e fique sabendo que esta foi a primeira e a última vez que você ocupou essa cadeira!”

Ofendido, Juscelino encerrou a audiência e desceu para o andar térreo da sede do Executivo,   onde funcionava a sala de imprensa. Sem saber da grosseria, os jornalistas indagaram do governador se havia resolvido a questão dos preços do café, na dependência do governo federal.

De bate-pronto, ele respondeu: “De que café você está falando, meu filho? Do vegetal ou do animal?”

Continuam devendo

José Serra e Dilma Rousseff estão em campanha aberta, percorrendo o país, mas continuam devendo definições concretas sobre montes de problemas nacionais. Por exemplo:

Farão o quê, diante da ocupação desordenada de terrenos nas grandes cidades, da favelização próxima da tragédia tantas vezes repetida? São favoráveis a retirar as populações dos morros e das encostas onde há risco de desabamentos?

Como promoverão a reforma tributária, capaz de retirar o Brasil  da condição de país onde os mais altos impostos são cobrados de ricos e pobres?

Prosseguirão na política de abandono dos aposentados, nivelando por baixo a grande massa dos que trabalharam a vida inteira e acabam postos na pobreza?

O que fazer diante do crescimento da violência e da criminalidade? Agirão para mudar o Código Penal  e o Código de Processo Penal,  reduzindo benefícios para autores de crimes hediondos ou reincidentes? Admitem a pena de prisão perpétua para os irrecuperáveis?

E a impunidade, será obstáculo intransponível? Como diminuir a corrupção generalizada?

Diante da especulação financeira, continuarão protegendo os bancos e seus lucros estratosféricos?

Destas e de quantas outras questões os candidatos permanecem em silêncio?

Auschwitz: o terror nazista desabava

Pedro do Coutto

Na noite de segunda-feira, 12 de abril, mais uma vez por iniciativa do deputado Gerson Bergher, que invariavelmente a repete ao longo do tempo, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em sessão especial, relembrou a data, extremamente importante, que marca a queda do campo de concentração de Auschwitz e a libertação por tropas russas, com voluntários poloneses e franceses dos poucos que conseguiram sobreviver à longa noite de terror e horror que  sufocava e  violava, sem motivo algum, sua dignidade e seu direito de existir.

As câmaras de gás funcionavam sem parar, na sequência macabra o roubo de dentes dos cadáveres e sua transformação final em montanhas de lixo. Nos campos de concentração espalhados pela Polônia ocupada e na Alemanha, seis milhões de judeus, além de ciganos e testemunhas de Jeová, crianças inclusive, viraram sabão e subiram às nuvens cinzentas em forma de fumaça pelas chaminés de fábricas improvisadas.

Dos 6 milhões de judeus covardemente assassinados pelos nazismo de Hitler, 2 milhões e 300 mil foram mortos em Auschwitz. Réus condenados à morte, sem culpa, sem o mínimo direito de defesa, condenados pelo ódio racial, cuja motivação era somente o mesmo ódio e nada mais do que isso. Crueldade sem paralelo na história universal. O sadismo nazista tornou-se a maior tragédia registrada pela memória humana. Período hediondo de nosso tempo.

Daí, inclusive, um dos aspectos mais importantes da iniciativa de Gerson Bergher: mostrar, incluindo a exibição de documentários, às novas gerações de judeus e não judeus o que significou o genocídio, para que jamais seja esquecido. O nazismo significou a maior violação dos direitos de todas as épocas. Nada escapava à sanha do nazismo e ao sadismo cujo emblema era a sinistra suástica.

A suástica, como acentuou Bergher, é o símbolo eterno do que de mais imundo e covarde a humanidade conheceu. Alguns sobreviventes marcados a ferro no corpo, como se fossem animais, com os quais cruzo com relativa constância nas ruas de Copacabana e Ipanema, são testemunhas do que se passou entre as paredes e os porões do ponto máximo da indignidade de Hitler, de Goebells, de Eichman, de Himmler, além de tantos outros criminosos que terminaram condenados pelo Tribunal de Nuremberg.

Alguns como Martin Bormann e Josef Mengele conseguiram escapar. Adolf Eichman foi capturado no final da década de 50 em Buenos Aires. Todos os nazistas, entretanto, receberam a condenação eterna da consciência universal. Foram parar no esgoto da história. Este o destino do delírio hitlerista de construir a cidade Germânia, que seria a capital do mundo, e deixar como legado um governo de mil anos. Terminou com a destruição da própria Alemanha e seu suicídio no bunker de Berlim, que Winston Churchill chamava de covil dos abutres.

Além do discurso de Gerson Bergher, falaram os jornalistas Villas Boas Correia e Merval Pereira, além do professor  Francisco Carlos, que, de forma brilhante, classificou, ponto a ponto, o que de fato inspirou e representou  o nazismo. O evento, pelo seu conteúdo e sua forma, representou um compromisso com a verdade, com o tempo, com o próprio processo da história. Ela se escreve em momentos como o da noite de segunda-feira. Gerson Bergher, no fundo, deu seu testemunho de um tempo, para que não seja esquecido em todos os tempos.

A força da Espanha no tênis

Neste momento, em Monte Carlo (Mônaco) estão sendo disputadas as “quartas”. Entre os 8 jogadores, 4 espanhóis.

Um deles estará na final, é possivel até que essa final seja entre espanhóis. Isso é produto de um projeto de governo, iniciado há mais de 20 anos. E o Brasil? Nem aproveitou a notável Era Guga.

Em 1964 não houve ASILADO, os EXILADOS tinham todo o direito de tomar suas próprias decisões, os GUERRILHEIROS, apesar de errados, também respeitados. FUGITIVO, nenhum, TURISTA, apenas um, FHC, protegido. As falas desnecessárias do general Leônidas e Dilma.

Analisadas ontem as posições e as opções de Brizola, Arraes, Jango e Prestes, recomeço hoje a caminhada, esperando que a memória não me abandone. Em 1964 não houve ninguém ASILADO. Aliás, nas duas ditaduras abertas e ostensivas, raros os que sofreram esse tipo de punição. Principalmente dois, e ex-presidentes. Em 3 de outubro, Washington Luiz, faltando 1 mês e 12 dias para passar o governo, foi ASILADO nos EUA, junto com seu ministro do Exterior, Otavio Mangabeira.

Em 10 de novembro de 1937, no dia mesmo da imposição-implantação do Estado Novo, foi ASILADO o ex-presidente Artur Bernardes. Como ele deixou o governo em1926, não houve explicação para a punição. Além do mais, estava com quase 70 anos, não tinha a longevidade de hoje. Ficou 8 anos em Portugal.

EXILADOS foram muitos, pelos mais diversos caminhos, cada qual tinha a sua explicação, e o direito de defender a própria vida e da família, da forma que achasse mais efetiva.

Principalmente jornalistas e políticos que não queriam aderir à ditadura, resolveram enfrentar o desconhecido, ir para outro país, onde recomeçaram a vida. Todos merecem o respeito geral, eram os senhores de suas próprias determinações. Alguns tiveram grandes problemas para sair do Brasil, mas para redução do espaço, vou citar a aventura quase dramática de dois.

São eles: Marcio Moreira Alves e Hermano Alves, eleitos deputados em 15 de novembro de 1966 pelo MDB, com Mario Martins candidato a senador. Marcito contou em livro o que foi obrigado a fazer para deixar o Brasil. Todas as fronteiras estavam fechadas para ele, passou por quatro estados, até chegar ao Uruguai.

Depois, morou em 8 ou 9 países, não estava passeando e sim se formando e se aprofundando para a luta que pretendia viver quando voltasse. Voltou, não houve nenhum jornal que lhe desse emprego. A não ser a Tribuna da Imprensa, onde escreveu durante 2 anos. Foi então para O Globo, teve a grandeza de escrever artigo sobre a independência da Tribuna.

Hermano também não conseguia EXILIO, todas as saídas impedidas, as embaixadas vigiadas. Aí foi beneficiado pela liberdade da diplomacia e os espírito indomável do ex-chanceler Afonso Arinos de Mello Franco.

Quando ministro do Exterior, ficou muito amigo do também chanceler do México, que deixando o governo, veio para o Brasil como embaixador. Um dia Afonso liga para ele, dizendo-perguntando: “Precisamos conversar, posso passar aí?” Lógico, a resposta foi positiva.

O embaixador esperava na porta, o carro entrou, Afonso saltou, abraçou o amigo e confidenciou: “Na mala do meu carro está o jornalista Hermano Alves, que precisa de ASILO”. O embaixador fez tom de aborrecido, falou: “O senhor devia ter me avisado”. Chamou o motorista oficial, determinou: “Guarde o carro do embaixador na garagem”. Hermano foi para Portugal, já era casado com uma portuguesa, até hoje mora lá.

Outros se EXILARAM com as maiores dificuldades. Muitos que estavam em Brasília, onde as embaixadas começavam a ser construídas, arriscaram assim mesmo. Como Waldir Pires, que com vários deputados entrou na embaixada da Iugoslávia, viajaram. O governo ditatorial não se incomodou, “não eram os inimigos”.

FUGITIVO, nenhum, embora pelas peripécias que tiveram que enfrentar, pudessem ser chamados assim. Mas teriam que acrescentar: FUGITIVO POSITIVO.

TURISTA, apenas um, FHC. Não foi cassado, perseguido, preso ou procurado. Em 1978, José Serra, EXILADO verdadeiro no Chile, voltou, tentou ser candidato, não conseguiu, estava cassado.

Este repórter, em 1966 cassado por 10 anos, em 1978, acreditando que os 10 anos já haviam transcorrido, foi lançado a senador pelo PMD. Resposta dos ditadores de plantão: Agora a cassação não é mais por 10 anos, é para sempre”.

Nesse mesmo 1978, FHC se candidatou ao Senado, na chapa com Franco Montoro. Como não foi cassado, não era perseguido nem representava perigo para o regime, foi registrado. Montoro teve 3 milhões de votos, FHC 300 mil, em 1982 assumiu. (Naquela época não havia suplente, registravam 3 nomes. E FHC começou a carreira).

GUERRILHEIROS é a denominação nobre, mas inteiramente insensata para personagens praticamente suicidas. Excluídos os que foram “trocados”, todos realmente assassinados. Fui sempre pessoalmente contra a GUERRILHA, minha convicção: sendo um grupo muito pequeno, seriam dizimados e fortaleceriam a ânsia de tortura e de vingança da ditadura.

Tudo se consumou. Acontece que os bravos GUERRILHEIROS não conheciam História, eram ferrenhos admiradores do “Cavaleiro da Esperança” e da vitoriosa “Coluna de 1924/26”. Só que entre essa época e a aventura da GUERRILHA, se passaram 40 anos, que fizeram a diferença.

E a transformação pelo tempo, transformou os jovens heróicos, que perderam a vida sem nem de longe terem ameaçado a ditadura. Nem reverenciados foram, a ditadura não deixava e os jornalões não se incomodavam nem se interessavam.

A entrevista inútil e desnecessária do general Leônidas, além dessas duas palavras, merece outra: incompreensível. Por que essa fala agora, inteiramente fora de órbita, sem qualquer explicação? Foi uma perda de tempo, sem nenhuma autenticidade e apenas com dois assuntos interessantes: a apreciação sobre os GUERRILHEIROS e a perplexidade pela reivindicação, sem a menor veracidade, de que “quando chefiei o DÓI-CODI não houve tortura”.

Como Leônidas Pires Gonçalves jamais passou pelo DOI-CODI, é lógico que não pode falar sobre tortura. Mas por que a força para aparecer como CHEFE DO DOI-CODI, o que seria inteiramente depreciativo para ele? Pois ali era o centro nacional da tortura, que depois se espalhou. O DOI-CODI não tinha chefe do I Exército, quem mandava e comandava tudo era o general Orlando Geisel, seu criador e entusiasta.

Quanto aos GUERRILHEIROS, a observação do general Leônidas é tão óbvia, primária e elementar, que não precisava exibi-la 50 anos depois. Além do mais, de 1964 ao final de 1966, início de 67, como coronel, foi adido na Colômbia. Depois fez carreira longe do Rio, com ligeira passagem por aqui, em cargos administrativos e já bem perto da derrocada da ditadura.

O que torna disparatada a afirmação incrédula, “eu chefiei o DOI-CODI”, é o fato de o general não ser torturador e por isso, foi a melhor escolha para ministro do Exército do primeiro governo civil. Num momento em que muita gente tentava “ressuscitar a ditadura que estava morta”.

Ressurreição que começou com a destruição da Tribuna em março de 1981, (depois da “anistia ampla, geral e irrestrita”), continuou com outra monstruosidade no Riocentro em 30 de abril do mesmo 1981, e com vários atentados de bastidores, organizados por generais inconformados, que sabiam que, se não obtivessem sucesso, nada lhes aconteceria.

Que foi o que aconteceu por causa da atuação do general Leônidas, que vem agora provocando espantosa perplexidade, ao afirmar: “EU CHEFIEI O DOI-CODI, só que não houve tortura”. Não dá, general, DOI-CODI E TORTURA são sinônimos.

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PS – Quanto a Dona Dilma, é a bravateira do absurdo. O general chamou de FUGITIVOS, todos os que saíram do Brasil a partir de 1964. Dona Dilma seguiu a trilha aberta por ele, encampou a palavra, registrou-a como propriedade pessoal.

PS2 – Nem o general nem a civil são empolgados pela linguagem, podiam pelo menos consultar o Aurélio ou o Houaiss. O general, que completa 89 anos agora em maio, pode dizer o que quiser, até mesmo não sendo torturador, garantir que é. Além do mais, o general não é candidato a nada, não precisava conceder a entrevista.

PS3 – Quanto a Dona Dilma, não devia ser tão entusiasmada com o descaminho do general, que descobriu ou inventou que quem SAIU DO BRASIL É FUGITIVO.

Ps4 – Ela perdeu muitos votos que não tinha. E já começou a perder tempo para tentar reconquistar os votos perdidos, com a afirmação sempre desgastada e desrespeitosa: “EU NÃO DISSE O QUE DISSERAM QUE EU DISSE”. Esse é o caminho mais curto para o segundo lugar, no segundo turno.

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AMANHÃ:

Depois de tentar de todos os modos, o terceiro mandato,
Lula deixa o poder, satisfeitíssimo. Pelo prazer de derrotar Serra, em 2014,
e quem aparecer e se arriscar, em 2018

O “bispo” Edir Macedo, pela quarta vez perde para o repórter

Vai me processando. Tem bandos ou grupos de advogados. Já havia perdido três vezes, agora mais outra. Usou 5 advogados, meus agradecimentos ao competente Ricardo Braga França.

Como das outras vezes, perdeu em primeira instãncia, recorreu, derrotado novamente. Por que poderia ganhar, se eu disse do “bispo”, 0,01 do que disse a TV Globo? “Ainda há juízes em Berlim”.

Para levar o “bispo” ao desespero: foi o Ministério Público que recusou o recurso, o juiz concordou. Na linguagem forense, houve IMPROVIMENTO.

Neymar não vai à Copa

As atuações espetaculares e os gols em número impressionante (anteontem foram 5) não vão levá-lo à África do Sul. Dunga já tem sussurrado, “ele nunca foi do grupo, é muito tarde”.

Quanto a Ronaldinho Gaúcho, o treinador está em pânico: Kaká vem jogando tão mal, quando joga, sempre machucado. Dunga terá que se “render à opinião pública”.

Confusão no Amazonas

Há mais ou menos 1 mês escrevi sobre a eleição no Amazonas, com tenho feito em outros estados. Fiz três revelações, duas estão confirmadas, e terceira, encaminhada.

1 – Eduardo Braga, candidato a senador (já eleito), colocou como suplente, sua própria mulher. Diante da notícia, explicou: “Não é por ser minha mulher, e sim altamente participante”.

2 – O vice-governador que assumiu, Omar Aziz, “vai subir muito e pode derrotar o ministro-senador, Alfredo Nascimento”. Está acontecendo, Aziz sobe bastante.

3 – “O senador Artur Virgilio cresce muito, está com a reeleição bastante reforçada”. Pois agora, o “governissimo” candidato de Lula, procura Virgilio para composição. Como dizia o Sergio Porto, “é chato ser bem informado”.

João Pedro corre risco
de não voltar ao Senado

Três anos como suplente sem voto, sem povo, sem urna, esperava ganhar mais 4 anos, efetivo, com a eleição de Alfredo Nascimento a governador. mas este, que já foi franco favorito, como já disse, está ameaçado pelo vice do ex-governador Eduardo Braga.

No Pará, a volta e a revolta

Jader Barbalho ainda não decidiu se será governador outra vez ou prefere o Senado, de onde teve que fugir para não ser cassado. Foi ministro de Sarney, da Previdência e da Reforma Agrária, não precisa  nem justificar a fortuna. Que República.

Bahia: Paulo Souto ou Wagner?

Geddel voltará a atacar Lula dentro de 1 ano. Por que o prazo? Depois de insultar e não se opor ao presidente, bajulou-0, foi ministro dele. Deixou o cargo pensando (?) que seria governador. Não vai nem para o segundo turno, jogará a culpa em Lula. E voltará a injuriá-lo para ser ministro de Dona Dilma, se ela tiver Poder de nomeação.

No Rio, 160 mil buracos

Está em todos os jornais, blogs, televisões. Com essa constatação, cabralzinho e eduardinho ficam reduzidos à verdadeira dimensão: administradores tapa-buracos.

Vão chamar o Herodes?

Carlos Chagas

Comportam-se certas  elites como o mar: chegam em ondas. Alegando déficit na Previdência Social, insurgem-se   contra os aposentados  sempre  que, no Congresso, discute-se a reconquista de direitos surripiados daqueles que pararam de trabalhar. Desta vez, criticam  projeto aprovado no Senado desobrigando os aposentados de descontar para o INSS. Da mesma forma,  rejeitam o reajuste de 7,7% para quantos recebem pouco mais do que o salário mínimo.

O raciocínio básico desses privilegiados é de que tudo deve dar lucro, no governo e fora do governo. Se dá prejuízo,  precisa ser fechado.  Ou que se penalize ainda mais os envolvidos. Ignoram o sistema dos vasos comunicantes, que se aprendia no ginásio.  Porque se a Previdência Social dá prejuízo,  o Imposto de Renda dá lucro, ficando as coisas pelo menos equilibradas.

Trata-se de uma aberração exigir que aposentados tenham parte de seus vencimentos desviados para a Previdência Social, cujo objetivo é precisamente arcar com as aposentadorias. Estarão  descontando para um segundo benefício, a ser conquistado dentro de trinta anos, no cemitério?

Pior é o reajuste. Quem recebe salário mínimo tem os vencimentos corrigidos de acordo com a inflação. Acima disso, menos, coisa que os 7,7% poderiam corrigir. Continuando esse abominável regime, em poucos anos todos os aposentados estarão  nivelados por baixo, fazendo jus apenas ao salário mínimo.

Espera-se que o governo Lula resista às investidas de sua própria equipe econômica e atue no Congresso para a aprovação das duas mudanças referidas. Caso contrário, melhor será chamar o Herodes, aquele que mandava matar criancinhas.  Poderá dedicar-se agora aos velhinhos…

Rumo à intervenção

Sábado a Câmara Legislativa de Brasília elege o novo governador. Participarão da eleição todos os deputados distritais,  inclusive os flagrados botando dinheiro podre no bolso ou na bolsa. Só dois renunciaram, os outros cumprirão seu dever cívico.

São nove candidatos, todos vinculados a grupos, partidos e até quadrilhas que assolam o Distrito Federal. Nenhum de quem se possa dizer ter ficado fora da lambança ou à margem dos lambões.

Depende do Supremo Tribunal Federal aprovar ou não o pedido de intervenção federal em Brasília. Pelo jeito, a mais alta corte nacional de justiça espera o resultado da escolha do novo governador.

Nuvem de pedra

Dá o que pensar a  interrupção de vôos comerciais em quase toda a Europa, por conta da nuvem de cinzas expedida por um vulcão na Islândia.  A razão é de que uma espécie de pó de rocha ameaça infiltrar-se nos motores das aeronaves, da mesma forma como já deverá ter chegado aos pulmões dos europeus. Dizem ter sido mais ou menos  assim que os dinossauros foram extintos.

Continuando o vulcão em atividade, a nuvem atravessará o Atlântico  e poderá chegar por aqui. Uma bela oportunidade para o país repensar a necessidade de vultosos investimentos no setor ferroviário. Porque na Europa, mesmo com os aeroportos fechados, ninguém deixou de viajar. Lá a população anda de trem…

Eleger Anastasia

A prioridade fundamental de Aécio Neves é ver eleito o governador Antônio Anastásia. Na preservação do poder no palácio da Liberdade repousa todo o futuro do ex-governador. Por isso não dá para ele discutir se disputa  a vice-presidência na chapa de José Serra. Por enquanto, a lógica  indica que candidatando-se a  senador contribuirá mais para a vitória de Anastásia, podendo dedicar-se a Minas, em tempo integral.

Em Minas, desaba a coligação PT-PMDB

Pedro do Coutto
Reportagem de Adriana Vasconcelos, publicada em O Globo de 14 de abril, revela com nitidez a inviabilidade da coligação PT-PMDB em torno da candidatura Dilma Roussef vir a funcionar em Minas, também a nível estadual. Hélio Costa, candidato a governador pelo PMDB, queixou-se frontalmente da decisão assumida pelo PT de realizar uma prévia entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias para ver qual dos dois será o candidato da legenda ao Palácio da Liberdade nas urnas de outubro.

O ex-ministro das Comunicações sentiu-se traído, embora a divisão já estivesse mais do que prevista. Os dois partidos apóiam Dilma, mas em Minas – pelo que destacou a reportagem – um deles disputa com Hélio Costa, o outro com Pimentel ou Patrus. Claro. Por que motivo o PT deveria abrir mão da possibilidade de eleger o governador quando possui em seus quadros dois postulantes fortes, a meu ver especialmente Fernando Pimentel? O panorama mineiro inclusive é favorável à disputa, uma vez que as eleições são em dois turnos. Antônio Anastasia, candidato de Aécio Neves, Hélio Costa e Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, dois deles vão se classificar no primeiro e decidir o pleito no desfecho final do segundo turno.

Sem uma candidatura própria, sobretudo tendo chance de vitória, o PT perderia a motivação para entrar na campanha da candidata do presidente Lula. No caso, assim, não existe traição, apenas uma consequência lógica do balanço de forças existente. Um roteiro para o PMDB, outro caminho para o PT. Tal solução só contribui para fortalecer Dilma, cuja candidatura para o Planalto, é claro, é mais importante que a de Hélio Costa para governador. Em síntese, Lula não conseguiu, talvez sequer tenha tentado conter o ímpeto de sua legenda na terra de Tiradentes.

Política é assim mesmo. Adriana Vasconcelos apontou paralelamente dificuldades de a aliança PMDB-PT se manter, não só em Minas, mas também no Rio de Janeiro, na Bahia, no Pará, no Maranhão e na Paraíba. Isso, por enquanto, já que o número de divisões regionais tende a crescer. A repórter esqueceu o Rio Grande do Sul, estado e que o PT, com Tarso Genro, PMDB com José Fogaça, se enfrentam numa luta equilibrada. Lá encontra-se o exemplo mais forte do não funcionamento estadual da coligação projetada para o plano nacional. O mesmo acontece na Bahia, onde o governador do PT, Jaques Wagner, disputa a reeleição contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

No Rio de Janeiro, a divisão já se consolidou para o Senado, com o presidente Lula apoiando Marcelo Crivella, que é do PRB, e Lindberg Farias, do PT, contra Jorge Picciani, do PMDB, apoiado diretamente pelo governador Sérgio Cabral. Há ainda a questão controvertida para definir se Dilma Roussef sobe no palanque de Anthony Garotinho, ou cede à ameaça de rompimento colocada por Sérgio Cabral e somente aparecerá a seu lado no Rio de Janeiro. Uma aliança exclusiva, como exige o governador. É muito difícil que isso se concretize. Tanto a exclusividade quanto a ruptura, pois neste caso o maior perdedor seria Sérgio Cabral, que, sendo do PMDB, não tem condições de deslocar seu apoio para José Serra.

Serra, por seu turno, enfrenta a divisão que está ocorrendo na aliança de Fernando Gabeira com o DEM, o PV e o PPS, já que PSDB aceita, mas o PV e o PPS rejeitam a presença de César Maia na chapa para o Senado. Se esta crise não se resolver, levando Gabeira a abandonar a disputa pelo governo, a candidatura do ex-governador de São Paulo é quem fica sem palanque algum no terceiro colégio eleitoral do país. Coligação nacional é uma coisa. Coligações estaduais são outra muito diferente.

Maníaco e assassino tem é que ficar preso

Vicente Limongi Netto:
“É absurdo que condenados a 14 anos sejam libertados depois de cumprir apenas quatro anos. Ainda mais grave quando o condenado é pedófilo e assassino. Discordo da surradas alegações de que o apenado merece nova chance, que é doente, que precisa de assistência médica. Não! Os monstros, como o canalha que matou seis jovens em Luziânia, merecem pena de morte ou prisão perpétua. Mas que mofem de verdade na cadeia. Sem essa de merecer a liberdade depois de cumprir um mísero tempo de pena”.

Comentário de Helio Fernandes:
Certíssimo. Esse pedófilo criminoso execrável, foi solto, no dia seguinte (isso mesmo, dia seguinte) começou a matar os seis jovens. Onde estão agora as autoridades, os psiquiatras e psicanalistas que achavam que ele estava em condições de viver em liberdade? E os pais desses jovens? Na televisão, o ministro Gilmar Mendes não soube explicar a libertação.