Processo contra TV Globo de São Paulo ganha força e importância, porque não existe prescrição para ato administrativo – no caso, a concessão irregular atribuída a Roberto Marinho.

Carlos Newton

O comentarista José Antonio tem um prazer enorme em defender neste blog a Organização Globo, especialmente no caso da usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho, durante o regime militar (reportagem publicada aqui dia 05/01). Sem perceber (ou percebendo), José Antonio age exatamente igual aos advogados da TV Globo e da família Marinho, alegando que tudo está prescrito, por simples passagem de tempo. Diz ele:

“Foi concedida a vista aos processos. Que a documentação seja falsa e anacrônica (sic) é o que uma das partes pretende provar. O articulista já disse que dispensa minhas sugestões (talvez, dentro do que chama de alto nível do blog) mas aqui vai uma: Não é recomendável dar notícias tomando a alegação de uma das partes como verdadeira. O fato da questão estar sub judice é indicador claro de que não existe definição conclusiva quanto ao caso. A eventual legitimidade do pleitos dos herdeiros dos antigos proprietários da TV Paulista pode achar-se comprometida pela prescrição decorrente das décadas que já se deitaram sobre os fatos questionados”.

Realmente, a novidade na questão é que, no final do mandato do governo Lula, o Ministério das Comunicações decidiu garantir aos herdeiros dos acionistas da Televisão Paulista (hoje, TV Globo de SP) o direito de vista aos processos que transferiram o controle para Roberto Marinho, com base em documentos falsos e anacrônicos, segundo o Instituto Del Picchia de Documentoscopia.

O pedido foi protocolado no Ministério em março de 2008, mas só começou a andar após a saída do ministro Helio Costa e depois que a própria Presidência da República (governo Lula) cobrou providências e esclarecimentos.

No caso acima, a importante informação (palmas para o governo Lula) refere-se a processo administrativo e não judicial existente no Ministério das Comunicações e que não sofre PRESCRIÇÃO ALGUMA, José Antonio, pois se o ato de transferência de concessão é viciado e irregular, pode e deve ser revogado e tornado sem efeito pelo Poder Público concedente.

Quanto à lamentável prescrição, que, observado o Código Penal, beneficia autores de crimes contra a pessoa física e, via Código Civil, convalida atos ilegais particulares e societários, nessa situação, havendo litígio entre acionistas e ex-acionistas, você, José Antonio, que se considera tão ponderado e razoável, não acha isso ofensivo à moral?

Por que o benefício da prescrição deve servir para “validar” atos ilegais, absurdos, lesivos aos direitos de terceiros? É tolerável que a maior rede de televisão do país tenha em parte se constituído por meio de compra simulada, ilegal, irregular, que assegurou a Roberto Marinho, com a cumplicidade do regime militar, o apossamento do maior e mais importante canal de TV de São Paulo? E que isso tenha ocorrido em flagrante ofensa à legislação das telecomunicações então vigente e ao direito indiscutível de 673 acionistas minoritários? Estivesse você na pele desses herdeiros e, por certo, seu posicionamento não seria assim tão pacífico, light.

Esse estigma, essa marca indelével, os herdeiros do doutor Roberto carregarão para o resto de suas vidas. Com base na legislação da prescrição, ele se apoderou de ações honestamente adquiridas por centenas de famílias brasileiras, entre 1949 e 1953, e que sem pagamento algum deixaram de ser acionistas da então Rádio Televisão Paulista S/A e depois TV Globo de São Paulo. Para você ter idéia, se fosse atualizar e calcular o valor dessas ações, seus titulares seriam credores, hoje, de pelo menos R$ 200 milhões.

Com o poder de que o doutor Roberto dispunha nos anos de chumbo (era temido até pelos ditadores), quem ousaria denunciar essa mal armada patifaria? DAÍ A OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO.

Assim como  é saudável e dignificante  que se passem a limpo os crimes e torturas perpetrados em nome do Estado, contra jovens cidadãos inocentes e idealistas, pelos truculentos governantes de então, por certo esses dois processos administrativos, que agora deverão ser examinados por quem de direito, exibirão AS VÍSCERAS da “compra e da transferência” da então Rádio Televisão Paulista S/A para os protegidos e amigos dos caudilhos de então, 1964/1985.

Como você pode deduzir, José Antonio, não se tratou da “compra” de um simples bar de esquina, mas de um canal de TV, concessão federal para exploração de relevante serviço público. O esclarecimento, portanto, será benéfico a todos.

Resta um adendo: por que não processam o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, que, por quase três anos, manteve em gaveta tão importante pedido de vista? O que você acha, José Antonio?

Debaixo do lixo corre o esgoto

Carlos Chagas 
                                              
Apresenta razões mais escabrosas ainda esse lamentável choque  entre PMDB e PT por cargos no governo. Debaixo do lixo  corre o esgoto. Sabem por que o ministério da Saúde e seus penduricalhos são os mais disputados? Por possuírem a maior verba incluída no orçamento: dezenas de bilhões, mais de oitenta.
                                              
Com todo o respeito, por que os partidos pretendem gerir tanto dinheiro assim? A suspeita é de que, aplicando fortunas através de empresas privadas, prestadoras de serviço e empreiteiras, os gestores venham a recolher comissões. Percentuais sobre os gastos sempre superfaturados. Assim  Delúbio Soares e sua quadrilha amealhavam recursos para financiar o mensalão.
                                              
Foram-se os tempos do dr. Jatene. A investida agora exige a distribuição de fatias do erário através de  prepostos das direções partidárias, com ênfase para o PMDB, que estrila por haver perdido o caminho da fonte. Espera-se que o PT possua outras motivações para abocanhar o sistema de saúde pública, mas garantir, ninguém garante.
                                              
Escreveu diversas vezes o médico Aloísio Campos da Paz,  certamente o maior administrador brasileiro de recursos da saúde pública,  criador da rede de hospitais Sarah, que a medicina pública é incompatível com o lucro. Ganhar dinheiro com a doença e o sofrimento do cidadão beira as raias do crime. 
                                              
Deve-se dar ao ministro Alexandre Padilha o crédito de uma vida política escorreita e sem percalços. Por isso ele deveria estar lutando feito leão para não permitir o esquartejamento de sua pasta pelas hienas partidárias. Vamos ver se consegue.
 
E A CUT, ONDE ANDA?
 
Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, saiu na frente e parece o único líder  sindicalista a verificar o garfo embutido na proposta do novo salário mínimo de 540 reais.  Porque essa quantia constitui um esbulho. O reajuste está abaixo da inflação do ano passado,  importando menos  argumentar  que o PIB cresceu menos em 2009, mas que em 2012 os trabalhadores terão considerável aumento por conta do elogiável crescimento econômico em 2010. O que interessa para a massa de operários e camponeses é 2011.
                                              
No meio dessa discussão,  onde anda a CUT? É verdade que nos últimos oito anos a maior central sindical de nossa História omitiu-se. Não podia criar problemas para o Lula. Mas se os planos da companheirada são de oito anos para Dilma Rousseff e, depois, mais oito para Luiz Inácio da Silva, o resultado será a transformação da CUT numa assembléia de condomínio de um prédio de subúrbio. Já perdeu muito de sua influência, e mais perderá calando-se diante da injustiça desse novo salário mínimo.
 
GUIDO LÊ VOLTAIRE? 
 
Papai Noel deveria ter deixado  a coleção completa das obras de Voltaire de presente para o ministro Guido Mantega. Ele poderia ler num dos primeiros artigos do jovem François Marie Arouet, recém-chegado a Paris, o conselho dado ao regente da França, Felipe de Orleáns. Foi por conta da necessidade de fazer economia  que o  tio do ainda menino Luís XV decidiu vender a metade dos animais das cavalariças reais. Voltaire escreveu que o governante faria mais economia caso se livrasse não dos cavalos, mas da metade dos jumentos que compunham a corte. Ganhou sua primeira passagem para a Bastilha.

Guido Mantega quer cortar bilhões nos gastos públicos, coisa que fatalmente atingirá serviços essenciais para a população, da educação à saúde e à  segurança pública.  Melhor faria se mandasse suprimir os mais de 35 mil cargos federais em comissão, os famigerados DAS que abrigam funcionários sem concurso e sem competência…
 
MESQUINHARIAS
 
Alguns ranzinzas protestam por estar o ex-presidente Lula, com a família, hospedado numa dependência do Exército, à beira-mar, aproveitando para descansar sem ser perturbado como fatalmente seria se freqüentasse o balneário do Guarujá. Lembram que Fernando Henrique não se valeu de prerrogativa igual e que depois de deixar o poder viajou para a Europa só com dona Ruth. As situações são diferentes, mas nem tanto, porque ao chegar à capital francesa o sociólogo teve à  disposição todo o aparato da embaixada brasileira.
                                              
Faria o quê, o Lula, se tivesse embarcado para a Europa? Monoglota, encontraria montes de  dificuldades, quando na verdade deseja apenas descansar. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, convidou-o a   ocupar por alguns dias aposentos no Forte dos Andradas,  defronte a uma praia privada, onde se encontra livre dos chatos, dos inoportunos e dos curiosos.  Melhor do que viajar às custas de empreiteiras, como acontece com montes de parlamentares.

Oposição, sem rumo, está à espera de um tema, de uma bandeira

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo, edição de 3 de Janeiro, publicou reportagem da Sucursal de Brasília que expõe um mapa dos governos estaduais, divididos por legenda partidária, acentuando que a oposição (PSDB-DEM-PPS) passou a adotar um tom diplomático em relação à presidente Dilma Roussef. É natural.

Em primeiro lugar, não é tarefa dos governadores, entre os quais Geraldo Alckmim, Antonio Anastasia e Beto Richa, fazer oposição ao governo federal. São integrantes do poder executivo todos eles, e, como tal dependem diretamente de Brasília para tocarem seus projetos. O pacto federativo, como é chamado, não pode pressupor fracionamento, muito menos no estilo daquele que, no início da década de 60, Carlos Lacerda desencadeou contra João Goulart, tornando revolto e tempestuoso o mar constitucional. O desfecho todos sabemos.

Jango, atacado ao mesmo tempo por Lacerda e Leonel Brizola, não soube se esquivar. Preferiu, sem perceber o foco central da  questão, o abismo sindical exponenciado pela quebra da disciplina e hierarquia militar. Não resistiu. Afundou. Mas isso, hoje, pertence ao passado, à memória do país.

O fato é que a principal figura do PSDB, senador Aécio Neves, não tem como estilo e impulso combater na oposição. Aécio deixa indiretamente tal tarefa inviável para José Serra, isolado no universo tucano por duas fracassadas tentativas de vôo rumo ao Planalto. Mas ainda que os quadros do PSDB, DEM e PPS desejassem fazer oposição, nesta altura dos acontecimentos não encontrariam rumo e tema, muito menos a perspectiva de empunhar uma bandeira definida.

Nas urnas de outubro, os oposicionistas perderam suas figuras mais importantes e este é um ângulo fundamental. Mas não é o único. Qual seria o  outro prisma? A questão salarial? O nível de emprego? Como abordá-los?

As bases da oposição a Lula, ao PT, a Dilma, seja como o que for, são conservadoras. O mapa político do país deixou esta realidade bastante nítida. Os conservadores, historicamente, não são correntes de pensamento que se mobilizam por salários. Ao contrário. Historicamente rejeitam até o salário mínimo. Parece que são personagens de outrora que ainda não assimilaram nem a revolução industrial dos séculos 17 e 18, muito menos a CLT de Vargas que, no Brasil, fez a passagem da semiescravidão para o Direito do Trabalho.

Tanto assim que conservadores, como o senador Francisco Dornelles, entre outros, defendem no século 21 o que chamam de flexibilização das leis trabalhistas. Que flexibilização será esta? Só pode ser a volta para reduzir conquistas alcançadas. Fosse para ampliar direitos, a iniciativa de alterar a legislação partiria dos trabalhistas, dos socialistas, dos petistas e até dos que se afirmam  comunistas.

Aliás, neste ponto vale esclarecer que não há comunismo no Brasil, tampouco portanto partido comunista algum. Pois para ser comunista, são indispensáveis três posicionamentos fundamentais: ser contra a propriedade privada, ser a favor da estatização dos meios fundamentais de produção, caso do petróleo, siderurgia, mineração e energia elétrica, ser favorável à igualdade de salários entre todos. São dogmas de uma espécie de religião política.

Assim, se alguém, como a deputada Jandira Feghali, se diz comunista, mas não adota estas teses, está cometendo um equivoco: no fundo não é comunista coisa alguma. Pode ser até personagem da antiga piada: deseja o comunismo para os outros e o capitalismo para si.

Humor à parte, voltando ao quadro em branco da oposição a Dilma, os futuros personagens estão como na peça de Pirandello, tradução de Millor Fernandes, à procura de um autor. À procura de um tema, que ainda não apareceu.

Romero Jucá (ele, sempre ele) torna-se líder do governo Dilma, justamente quando está sendo alvejado por uma nova série de denúncias em Roraima.

Carlos Newton

A pretexto de evitar que as insatisfações no PMDB prejudiquem a eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara, em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff decidiu manter o senador Romero Jucá (PMDB-RR) na liderança do governo no Senado, e a permanência do peemedebista já foi até “aprovada” por seu partido, como se o PMDB tivesse que aprovar uma escolha da Presidência da República, seja ela qual for.

A decisão veio confirmar uma piada-gozação feita no início de outubro pelo senador Pedro Simon, e que à época foi registrada por Helio Fernandes aqui no blog. Simon estava discursando da tribuna quando Romero Jucá entrou no plenário. O senador gaúcho aproveitou para cumprimentá-lo por ter sido reeleito em Roraima e alfinetou: “Agora, vamos aguardar o segundo turno entre Dilma e Serra. Aliás, qualquer um que for o ganhador, vossa excelência será o líder do governo nessa Casa…”

Não deu outra. Líder dos governos FHC e Lula, o “camaleão” Jucá foi convidado por Dilma mesmo sendo novamente alvo de denúncias de graves irregularidades em Roraima – onde controla a política local e um império de comunicações, comandado por aliados e parentes.

Segundo o lobista Geraldo Magela da Rocha, que se apresenta como “ex-laranja de Jucá”, o senador fraudou documentos e assinaturas para viabilizar a outorga da concessão da TV Caburaí, concedida à Fundação de Promoção Social e Cultural de Roraima em março de 1990, e transferida para a Buritis Comunicações, controlada por Rodrigo Jucá (filho do senador).  O “ex-laranja” explica que a outorga foi feita por José Sarney em 1989, no penúltimo dia como presidente da República.

No âmbito estadual, o promotor de Justiça Luiz Carlos de Lima investiga há sete meses as acusações de irregularidades na cessão da outorga, que foi confirmada por portaria assinada pelo então ministro das Comunicações Hélio Costa em dezembro de 2009.

Investigações do Ministério Público estadual apontam o senador como proprietário indireto também da TV Imperial, da Record, bem como da Rádio Equatorial 93,3 FM.

Para driblar a legislação (deputados e senadores são expressamente proibidos de possuírem rádios e televisões), nenhuma das emissoras está em nome de Jucá. O controle legal da TV Imperial e da Rádio Equatorial, por exemplo, pertence ao radialista Emílio Surita, do programa “Pânico” da Rádio Jovem Pan e RedeTV!, irmão de Teresa Jucá, ex-mulher do senador e que em 2010 foi a quarta deputada federal mais votada do país, proporcionalmente.

Um dos maiores adversários de Jucá é o deputado estadual Mecias de Jesus (PR), presidente da Assembleia Legislativa. Ele garante que as duas emissoras não só pertencem ao senador, como também funcionam no mesmo endereço, antiga residência de Jucá na capital, Boa Vista.

As denúncias são graves porque a hegemonia do clã Jucá em Roraima explica-se, principalmente, pelo controle dos meios de comunicação. Sua afiliada da Rede Bandeirantes está presente em 8 dos 15 municípios do Estado, enquanto a TV Imperial/Record chega aos lares de 65% da população do Estado, ou seja, as 300 mil pessoas que vivem na capital.

O “ex-laranja” Magela esteve à frente da TV Caburaí até 2003 (embora, no papel, tenha figurado como gestor até 2009). Depois disso, a emissora à propriedade de Rodrigo Jucá, que detém 95% das cotas sociais da Buritis Comunicações Ltda. Magela contesta a legalidade dessa transação, alvo de investigação do MP estadual.

Embora a Buritis tenha sido criada em 2001, a empresa não aparece na declaração de bens de Rodrigo Jucá à Justiça Eleitoral – documento essencial para validar a candidatura dele nas eleições de outubro, quando foi eleito deputado estadual.

O Ministério Público Estadual também apura a falsificação de documentos, através do confronto das assinaturas do ex-presidente da Fundação de Promoção Social e Cultural, Getúlio de Souza Oliveira, em duas atas da entidade. A discrepância entre elas é flagrante, e o “ex-laranja” Magela acusa Jucá de fraudar os documentos, que indicam Márcio Oliveira, filho de Getúlio, como sucessor no comando da entidade.

Apesar de todas essas denúncias e de muitas outras em seu nebuloso passado político, Romero Jucá está confirmado como líder do Governo. Mas será que não existe no PMDB nenhum senador de antecedentes mais adequados? Ou será Jucá um inigualável Super-Homem da política, sempre pronto a defender qualquer governo, seja qual for?

Acreditem: o Brasil já foi o maior EXPORTADOR de café, hoje é IMPORTADOR do mesmo café “beneficiado”. Autoriza a “privatização” dos aeroportos, com dinheiro do contribuinte. No comando, o desavergonhado Palocci.

Helio Fernandes

Queremos ser a quinta maior potência econômica do mundo, nada melhor do que objetivos como esse. Mas precisamos lutar, trabalhar, estudar os mercados, para que isso se transforme em realidade. Quem poderia admitir antes ou depois de 1930, que o Brasil perderia a condição de grande ou único produtor e exportador de café?

Em 1929, o Brasil abastecia 96 por cento do consumo de café do mundo. 92 por cento plantado, colhido, exportado por São Paul. (Dois por cento no antigo Distrito Federal, dois por cento no Espírito Santo). Tomando posse em 1889 no Ministério da Fazenda, Rui Barbosa alertava: “A Revolução industrial da Inglaterra já passou dos 100 anos, continuamos um país ESSENCIALMENTE AGRÍCOLA”.

Isso era diretamente com os paulistas, chamados rotineiramente de “Barões do café”, ou “Aristocracia agrícola”. Sentiram o golpe, mas como replicar ou combater Rui Barbosa, que assustava ou intimidava a todos? Ladearam a questão, sugeriram que Rui fosse aos EUA, estudar a bela Constituição deles.

Rui não percebeu, foi, os paulistas satisfeitíssimos. Só que não imaginaram a catástrofe que se abateria sobre o mundo. Era o chamado “crack” de 1929, que atingiu o mundo inteiro. Começaram a cortar no que estava mais visível, ou que pensavam fosse o mais fácil.

O Brasil produzia então 60 milhões de sacas de café, vendia tudo. Em vez de se adaptarem, enfrentarem a realidade, agir com habilidade e competência, se refugiaram na mais completa imbecilidade. As exportações caíram inicialmente para a metade, o que fazer com as outras 30 milhões de sacas? Vender mesmo que fosse pela metade do preço, como pediam os compradores?

Não concordaram, inventaram solução que consideraram genial: para manter os preços, decidiram que bastava reduzir a oferta do produto. Assim, das 60 milhões de sacas, ficaram apenas com 30 milhões. A outra metade foi queimada ou jogada ao mar.

Os compradores não se sujeitaram, começaram a investir na plantação de café, afinal não era tão difícil assim. 100 anos antes, no apogeu da borracha que enriqueceu o Amazonas e a Amazônia, combateram o produto brasileiro criando a borracha sintética. A riqueza amazônica ficou apenas em lembranças históricas e arquitetônicas, como o belo Teatro Municipal de Manaus e tanta coisa mais. Foram surgindo e crescendo a Costa do Marfim, Colômbia, até o Vietnã, depois da guerra selvagem e cruel, passou a vendedor de café.

O Brasil tentou conquistar o “mercado do chá”, nenhum sucesso. O mesmo fracasso de agora, quando surgiu a guerra do café “torrado e moído”. Não conseguimos essa coisa simples e primária de beneficiar o café. Vários países estão importando café do Brasil e depois de “beneficiado”, revendem a preços altos, altíssimos. E para nós mesmos.

Os números do café brasileiro são miseráveis, não representam nada importante. E temos que conviver até mesmo com o estardalhaço que fazem “aqui dentro”, com o nosso café “beneficiado”. (Fazem publicidade enorme do café denominado “Nespresso”, com o ator George Clooney, como porta bandeira dessa propaganda. E muitas casas de gente rica, têm máquinas desse Nespresso. Depois do jantar, vão direto na máquina, servem o café, não imaginam  que é traição).

Engrenando com a burrice histórica da entrada indiscriminada de recursos especulativos, (justificado e rotulado, magistralmente, mas não sei por quem, de “capital motel”), elogios para o Ministro Mantega. Desculpe pelos elogios antecipados, a concretização da medida pode não ser consolidada. Os interesses são colossais. Que Mantega não recue, são os meus votos, é a minha palavra isenta.

Nenhum país protege esse “capital motel”. Nos EUA, eles pagam 25 por cento na entrada e 35 por cento na saída. E as punições são duríssimas, multas elevadas e prisão não facilitada. No Brasil não pagam nada na entrada ou na saída, jogam desvairadamente, ganham sempre, “estão isentos de Imposto de Renda, qualquer que seja o vulto da operação.

 ***

PS – Não se trata de posição apressada, a reprovação do repórter à privatização dos aeroportos. Bobagem, porque essa teria que ser a primeira decisão de Dona Dilma?

PS2 – Depois desses aeroportos, virão os portos, as rodovias foram entregues (antes de Dona Dilma existir) a empresas, que foram financiadas pelo BNDES. E começaram a cobrar pedágio antes de qualquer melhoria no trânsito.

PS3 – Por que não autorizar a construção de aeroportos particulares monumentais, gerando lucros e movimentação? Mas sem dinheiro do contribuinte.

PS4 – Idem, idem para a construção de hospitais, de portos que tenham a eficiência dos que existem na Índia e na China. Que encantam e satisfazem importadores e exportadores, e não sejam concedidos a exploradores.

PS5 – O dólar não pode “derreter” (royalties da palavra para o Ministro da Fazenda), mas continuará caindo se não for preservado.

PS6 – Em todos os lugares, principalmente em Brasília, aparecem vários Ministros como “os primeiros a serem demitidos”. Se for o Chefe da Casa Civil, Palocci, reabilitação para o que Dona Dilma dizia antes de ser presidente.

PS7 – Tentativa de recuperação da vida pública. Afastando quem não devia ter sido nomeado. Que usou e ousou utilizar a máquina pública, contra um humilde caseiro. Com esse “perfil”, o que não fará para arruinar o país?

Dona Dilma se vingou, dando a Temer a missão de pacificar a base aliada

Helio Fernandes

Dona Dilma deu ao vice Michel Temer, missão que ele julgou importante, era exasperante: “Parar a divergência dos dois partidos (PT e PMDB) pelos outros milhares de cargos”.

Só depois que foi recebido agressivamente, Temer compreendeu que tinha sido usado e desgastado. Dona Dilma se vingou.

PCdoB QUER PRESIDIR CÂMARA

Apesar de Marco Maia (PT-RS) ter o apoio das duas maiores bancadas (PT e PMDB), não pode se considerar eleito. A não ser que Dona Dilma dê ultimato: “Ele foi escolhido pela base do governo, não aceitarei manobras escusas”.

Aí ele será confirmado, mas a presidente terá que desperdiçar cargos no que chamam de segundo escalão, mas é do primeiríssimo.

INJUSTIÇA NA MESA DA POSSE

Presidida pelo insubmergível José Sarney, faltava alguém em Nuremberg, perdão, entre os 10 que compunham a mesa. Eram Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima.

Duplamente esquecidos, eram também ministeriáveis. Ficam para o “próximo” ministério.

O Supremo e a negativa de extradição de Battisti

Helio Fernandes

Não se pode mais revogar a negativa de extradição do prisioneiro italiano. O mais alto tribunal do país, pode determinar o tipo de vida que ele levará no Brasil. O Supremo tem duas opções sobre o tipo de liberdade que terá no Brasil.

Muito se tem comentado o perigo que corre a decisão de Lula, já que Gilmar Mendes é o relator, o processo irá direto para ele. Votou pela extradição, pode (e irá) votar pelo tipo de permanência mais opressivo para ele. Mas é apenas um voto.

Quanto à alegada afirmação de Berlusconi, “a ação ainda não acabou”, pura divagação de um corrupto, que não sabe quanto tempo ainda ficará em liberdade. Difícil ganhar na Corte da Haya, pois na Itália Battisti foi JULGADO À REVELIA.

PS – Nada ficou provado a respeito das mortes. Quase 20 anos depois dele ter desaparecido (e mais de 6 anos morando na França), pedem a extradição ao Brasil, na tentativa de intimidação.
 
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JUIZ DE SANCTIS É PROMOVIDO

Ninguém esperava que o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, fosse elevado à condição de desembargador, também federal. Por que a surpresa? Pelo fato dele ter mandado prender duas vezes Daniel Dantas. Não sei bem que proporcionou essa promoção justíssima, meus parabéns.

Conversa com comentaristas, sobre Golbery e a derrota de Lula e Brizola para Collor em 1989.

Hugo Gomes de Almeida: “Helio, já lhe foi perguntado sem resposta: Golbery colaborou para o surgimento de Lula — visando dividir a liderança da classe trabalhadora — com receio de que Leonel Brizola voltasse muito forte do longo exílio e fosse eleito presidente?”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma influência. Para o famoso golpista, Lula não tinha a menor importância. Assim que Brizola voltou para o Brasil, todas as atenções dele foram para Brizola. Um homem da capacidade de ação e de mobilização de Golbery, não podia desprezar um adversário como o ex-governador.

A grande vantagem de Golbery em relação a Brizola e sua obstinação de ser candidato, se fortaleceu na diferença de idade. Lula acabou de fazer 65 anos, Brizola teria 90. Nessas batalhas estrondosas, 25 anos não podem ser superados.

Em 1998, Brizola fez a última tentativa, aceitou ser vice de Lula. Este com 53 anos, Brizola com 78. não dava mais.

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POR QUE COLLOR EM 1989?

Oigres Martinelli: “Superprecisas suas colocações, Helio. Mas, no embate de 1989 (nem sei se Golbery ainda estava vivo!) ele ou quem conspirou para dar a Collor um adversário tão favorável? Você acha que Brizola teria perdido as eleições para o ex-“governador” das Alagoas, caçador de marajás?”

Comentário de Helio Fernandes:
Golbery morreu em 1987, portanto nada a ver com a eleição de 1989. Estava com 76 anos, mas desde 1981, não tinha mais nenhuma atividade, sempre “do outro lado dele mesmo”. Nesse 1981, chefe da Casa Civil de João Figueiredo, foi embora e mandou carta estranha e extravagante ao “presidente”, simplesmente acusando o CODI-DOI de estar contra a “revolução e contra ele”. Espantoso.

Já contei que em 1977, apoiou a tentativa de “golpe” de Silvio Frota contra Ernesto Geisel, seu parceiro de sempre. Ele era assim. Quando sentia que o governo ao qual estava atrelado “chegava ao fim”, tentava criar outro.

Não tinha caráter, escrúpulos, ética, lealdade, totalmente desprovido de sentimentos, até mesmo pelo país. Mas foi importantíssimo, de 1951, quando completou 40 anos, até 1981, se envolveu em todas as conspirações. Perdeu muito, ganhou também muito, foi o mais eloquente e ambicioso admirador de si mesmo.

Em 1989, até parecia um sistema pluripartidário, com inúmeros candidatos. Tirando os que não tinha expressão, que se candidatavam para aparecer e justificar o que recebiam do Fundo partidário, vejam quantos candidatos além de Collor.

O doutor Ulisses, Mario Covas, Lula (todos de São Paulo), Brizola. O doutor Ulisses tinha como vice o governador da Bahia, Waldir Pires (que acabara de derrotar ACM-Corleone) renunciou para compor a chapa com o presidente do PMDB.

Já escrevi, não tenho a menor dúvida de que, indo para o segundo turno, Brizola venceria e seria presidente. Não foi para o segundo turno por causa de meio por cento, a vantagem de Lula. Insisti muito, “você precisa ir mais a São Paulo”, ele não se entusiasmava, “tinha” o Rio Grande do Sul e o Estado do Rio, que não falharam, mas não foram suficientes. Quando chamou Lula de “sapo barbudo”, estava sendo autêntico, sincero, e com a certeza de que ia fazer história. Eu também acreditava.

O trabalhador como peça descartável

Carlos Chagas 
                                              
O que significa o trabalhador, para o PMDB? Um zero à esquerda. Um lixo. Uma peça  descartável. Raras vezes se viu desfaçatez igual, na fisiológica luta do partido por espaços no governo Dilma Rousseff. Por conta de haver perdido os ministérios da Saúde e das Comunicações e os respectivos penduricalhos, mais os Correios, o PMDB ameaça votar contra o projeto que fixa o salário mínimo em 540 reais.

Seus líderes falam da injustiça sofrida pelo  trabalhador, pois o reajuste situa-se abaixo da inflação do ano passado. Dizem-se prontos a aprovar 580 reais. Caso, no entanto, o PMDB venha  a ser contemplado com mais cargos, sentindo-se compensado, 540 reais bastam.
                                              
Na crônica do partido que um dia serviu de aríete para derrubar a ditadura, jamais seus dirigentes desceram tão baixo. Estivesse entre nós o dr. Ulysses e certamente pregaria a dissolução da legenda que ajudou a criar. Mandaria todos para as profundezas.
                                              
Mais vergonhoso nessa situação é o comportamento das bancadas, as novas e as velhas, que não tem participado da lambança dos comandantes. Porque nenhuma voz ouviu-se até hoje protestando diante da  indignidade das negociações. Serão todos os deputados e senadores cultores do fisiologismo, também? Estarão à espera das migalhas desse banquete de horror, pretendendo tirar uma casquinha das nomeações?
                                              
O governo Dilma dispõe de teórica maioria no Congresso. A presidente da República apoiou e terá até participado da fixação do reajuste proposto ainda pelo presidente Lula. Mas o que dizer do Partido dos Trabalhadores? Seus parlamentares encontram-se  fechados em torno dos 540 reais. Votarão em uníssono pela merreca, felizes todos com os mais de 60% de aumento que se deram,  semanas atrás. O trabalhador que se dane, também para o PT.
                                              
Quanto ao PSDB e o DEM, sustentarão emenda propondo 580 reais. Serão os novos paladinos da justiça social? Nem pensar. O voto desses dois partidos exprimirá apenas a vontade de criar problemas para o governo. Em especial porque confiam na afirmação do ministro Guido Mantega, de que Dilma Rousseff vetará qualquer aumento, se porventura aprovado. Coisa que não acontecerá, é claro, dado o caráter de chantagem embutido na estratégia do PMDB.
                                              
Em suma, o trabalhador continua sendo peça descartável.
 
O NOVO GOVERNO NA DEFENSIVA
 
No mínimo sofrível foi a solução dada pela presidente Dilma Rousseff para a crise com o PMDB. Ela simplesmente adiou para fevereiro o preenchimento das vagas de segundo escalão do governo, cobiçadas pelo partido. Empurrou a questão com a barriga.  Espera que até lá os interesses possam ter sido compostos, alegando a importância de aguardar a eleição das novas mesas da Câmara e do Senado.

Também um gesto de defesa foi o convite para o senador Romero Jucá permanecer na liderança do governo quando todos esperavam, inclusive o PT,  a designação de alguém mais apropriado. Afinal, Jucá exerceu a liderança nos governos Fernando Henrique e Lula.
 
GANHARAM A MÃO, QUEREM O BRAÇO
 
Felizes com a anunciada  privatização dos aeroportos e com a prometida  redução de encargos nas folhas de pagamento de seus empregados, os dirigentes da Confederação Nacional da Indústria querem  mais. Exigem a desoneração de investimentos, leia-se, das especulações financeiras. As estrangeiras já não pagam imposto de renda, por que não estender o benefício ao capital nacional? Alegam a importância de  proteger os exportadores, desatentos ao fato de que cada vez mais o Brasil exporta produtos primários, prejudicando nossa própria indústria.
 
BEZERROS, PANDAS, JEGUES E HIENAS 
 
Dos Estados Unidos chegam notícias de um bezerro que nasceu com aparência de urso panda. Estão atrasados, os americanos, porque aqui no Brasil faz muito que  os jegues  nascem com aparência de hienas.
                                              
A luta desesperada dos partidos para abocanhar cargos no ministério e no segundo escalão do governo transforma líderes partidários em hienas atrás da carniça. No fundo, porém, são jegues, não percebendo como enfraquecem o poder público e as instituições. Acresce que em vez de indicarem gente apropriada para o exercício das funções, utilizam critérios meramente  fisiológicos em seus pleitos.

INSS vai pagar diferenças salariais relativas a 2010

Pedro do Coutto

Os ministros da Previdência Social e da Fazenda, Carlos Gabas e Guido Mantega, publicaram portaria conjunta nas páginas 32 e 33 do Diário Oficial de 3 de Janeiro, reajustando em 6,41% os vencimentos dos aposentados e pensionistas do INSS que recebem acima do salário mínimo e também fixando o pagamento de diferenças salariais relativas ao período fevereiro-dezembro de 2010. Onze meses, portanto. O realinhamento de 6,41% encontra-se no artigo primeiro. As diferenças a que me refiro no artigo sexto.

Vale a pena lei o Diário Oficial, costumo fazer isso sempre. As condições são fontes que dão base a muitos comentários. Importante. Surpreende até que os grandes jornais, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, não possuem um setor para a tarefa. Se possuíssem, já teriam verificado os dois dispositivos de interesse coletivo legítimo.

O reajuste de 6,4% chama atenção porque supera a taxa de inflação que o IBGE encontrou para os últimos doze meses, da ordem de 5,7%. Fundamental que os valores decorrentes de contribuições sobre o trabalho não sejam derrotados pela velocidade inflacionária. Este fenômeno negativo, inclusive, marcou os oito anos do período FHC. A favelização cresceu em consequência. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a desvalorização da moeda de 95 ao final de 2002 atingiu algo em torno de 83%. E no espaço Lula, que começou em 2003 e terminou em 2010, o índice ficou aproximadamente em 60%. Fica registrada a diferença essencial.

Mas voltando à questão da portaria publicada, o artigo sexto, como disse, reserva e revela uma surpresa do interesse de muitos leitores já que aproximadamente 6 milhões de aposentados e pensionistas ganham acima do mínimo. Correspondem a cerca de 25% dos segurados. Faixa, como se vê, pequena. São baixas as aposentadorias no Brasil.

Vamos ao conteúdo desse artigo: “A partir de 1º de Janeiro de 2011, será incorporada à renda mensal dos direitos de prestação continuada, que os autores da portaria chamam de benefícios, a diferença percentual entre a média dos salários de contribuição que formam o teto de 3.689 reais e o valor efetivamente recebido entre fevereiro e dezembro, caso a diferença não supere o efetivamente recebido e o limite de 3.689 reais”.

Está correta a interpretação e a meia solução porque um dos principais problemas (do oceano de imissões do INSS) está no fato de os trabalhadores contribuírem sobre determinado número de mínimos e, na aposentadoria, receberem outro, de valor menor.

Por exemplo, até o governo Sarney, quando Jader Barbalho infelizmente ocupou o Ministério da Previdência – vejam só o absurdo – o teto de contribuição para os empregados, era de 11% sobre 20 salários mínimos. Barbalho, através de portaria, diminuiu o teto de contribuição para 10 pisos. Deveria valer de 85 para frente. Mas não. Retrocedeu. Rematado assalto social a milhões de seres humanos. Depois, no governo Fernando Henrique Cardoso, com Reynold Stephanes na pasta, novo corte. O teto de contribuição (e portanto da aposentadoria ou pensão ) desceu para 7 pisos. Os segurados perderam três andares no movimento negativo.

O presidente Lula, efetivamente reajustou o mínimo acima da inflação, mas não esticou o teto como deveria ter feito. Em todo caso, em matéria de política salarial, Lula foi amplamente melhor que FHC. Vem daí a principal razão de sua popularidade, penso eu.

Será que, agora, com Dilma no Planalto, a Previdência vai alterar sua política social para melhor? Vamos aguardar. E mais uma coisa, quando o INSS vai pagar os onze meses de atrasados a que a portaria expressamente se refere?

Alguém precisa dizer à presidente Dilma que a dívida externa não foi “superada” por Lula. E agora essa elevada conta vai cair no colo dela, assim como os R$ 2,3 trilhões da dívida interna.

Carlos Newton

Sempre atento ao lance, Helio Fernandes detectou no dia da posse um grave equívoco no longo e cansativo discurso da presidente Dilma Rousseff. Ao exaltar o governo de seu antecessor, ela passou da medida e acabou iludindo o respeitável público. Disse a chefe do governo:  

“Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais do que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa”.

Superamos a nossa dívida externa? O que pretendeu dizer com isso? Nos dicionários, há vários sinônimos para o verbo “superar”, mas todos dizendo a mesma coisa. Com essa frase, ela deu a entender que a dívida externa foi paga pelo governo Lula, e isso não é e nunca foi verdade, conforme Hélio Fernandes tem denunciado aqui no blog.

Ao redigir o discurso, seu ghost-writer pisou na bola. E a presidente Dilma, quando revisou o texto, não corrigiu o exagero. Na verdade, o governo Lula jamais tomou qualquer iniciativa para quitar efetivamente a dívida externa, que está em torno de 250 bilhões de dólares (R$ 425 bilhões), segundo o próprio Banco Central.

Lula apenas pagou em dezembro de 2005, de maneira antecipada, um empréstimo que sido contraído pelo governo FHC com o FMI, de US$ 15,57 bilhões. Este era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um total de US$ 41,75 bilhões, negociado com a entidade multilateral em 2002.

O pagamento antecipado ao FMI foi uma atitude política e simbólica. O governo não ganhou nada com isso. Pelo contrário, até perdeu, porque os juros cobrados pelo FMI são muito baixos, menores do que os praticados pelo sistema financeiro internacional. Teria sido melhor negócio quitar parte da dívida externa (ou interna), que paga maior taxa de juros, como os títulos atrelados à Selic (hoje, 10,75% ao ano).

Em junho de 2009, em mais uma iniciativa de marketing político-eleitoral, o governo decidiu emprestar US$ 10 bilhões ao FMI. Com isso, o presidente Lula tirou uma onda, deu múltiplas entrevistas e pela primeira vez posou como financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países-credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos ao FMI fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões). A generosidade foi tamanha que o governo nem se interessou em saber qual seria a remuneração que FMI fixaria para esse empréstimo. Mas país rico é assim mesmo…

Agora, voltando ao discurso de posse, fica feio para a presidente da República cometer um erro desses, logo em seu primeiro pronunciamento à Nação, especialmente porque, 10 dias antes, o próprio Banco Central havia divulgado o seguinte:

A dívida externa total, estimada para o mês de novembro em US$ 247 bilhões, reduziu-se US$ 6,3 bilhões em relação à posição estimada de outubro, e US$ 671 milhões em relação à dívida apurada de setembro de 2010.  A dívida externa de médio e longo prazos totalizou US$ 192 bilhões, com acréscimo de US$ 2,1 bilhões em relação à posição de setembro, enquanto a dívida de curto prazo, estimada em US$ 55,6 bilhões, apresentou redução de US$ 2,8 bilhões.

Traduzindo: não houve “superação” da dívida externa. Dos 247 bilhões de dólares citados pelo BC, a responsabilidade direta do governo federal na verdade abrange apenas cerca de 100 bilhões de dólares, porque o restante são empréstimos feitos por estados, municípios, estatais e empresas privadas, especialmente bancos brasileiros, que pegam dinheiro barato no exterior e emprestam com altos juros aqui no mercado interno. Mas é sempre bom lembrar que o governo  federal é avalista de expressiva parte desses outros 150 bilhões de dólares da dívida externa.

Quanto à dívida interna, que fechou o ano em cerca de 2,3 trilhões (os números finais ainda não estão disponíveis), Helio Fernandes também registrou que não houve qualquer menção a esse importante assunto econômico no longo e cansativo discurso de posse. Talvez fosse conveniente a presidente Dilma trocar de ghost-writer.

No lamentável pluripartidarismo brasileiro, os partidos (PT-PMDB) brigam por cargos. Mas não conseguem chegar perto do mais importante de todos: a Casa Civil. Na posse, derrotados e reabilitados.

Helio Fernandes

Houve muita surpresa na posse de Dona Dilma. Alguns não deviam nem ser convidados, outros assombrosamente empossados. A tranquilidade com que Dona Erenice Guerra transitava pelos salões, novidade para muitos, naturalidade para poucos. Estes sabiam que o já quase ex-presidente Lula, na véspera, mandara arquivar os processos contra ela.

Lula ratificou o parecer da comissão de investigação que ele mesmo criou e nomeou: “Não existe prova nem culpabilidade”. Não foi o culto à impunidade que o já ex-presidente tanto pratica, e sim a impossibilidade de contrariar a realidade.

Como punir, execrar e condenar a Chefe da Casa Civil de Dona Dilma, que disse várias vezes: “Ela é minha mão e meu braço direito. Sem ela, não sei o que fazer”. Nada de novo (no front ocidental?) se Dona Erenice Guerra voltar ao Diário Oficial com uma nomeação pelo menos extravagante.

A maldição, assombração ou empolgação da Chefia da Casa Civil dominavam e dominaram a cerimônia de posse, e outras, subsequentes, consistentes, consequentes ou inconsistentes. A glorificação maior ficava por conta da própria Dilma. A primeira a ocupar esse cargo consagrador, se transformou na “primeira mulher a chegar à presidência da República”.

O primeiro a ocupar esse cargo, e já destinado a ser o sucessor de Lula, também presente. Seu nome? José Dirceu. Poderoso mesmo, antes da primeira posse, durante o primeiro mandato, é quase inacreditável que tenha sido afastado, desprezado e derrotado por um episódio menor e insignificante, que se chamou “escândalo da Loterj”.

O assessor de total confiança de José Dirceu, era o precursor da Era de Dona Erenice. A sorte de Dona Dilma é que não estava mais no poderoso cargo, ficou apenas com o constrangimento da indicação e da usurpação dessa indicação. Mas pelo visto, Dona Erenice já recuperou a confiança do ex-presidente, (que a inocentou) e da sucessora (que a convidou).

Dirceu, sem dúvida mais competente do que todos que passaram pelo cargo, foi demitido e atingido pelo tufão chamado mensalão. E as 7 horas do discurso de Roberto Jefferson, um dos raros vistos pelo país inteiro. Apesar do então deputado do PTB, ter dito, “contei tudo ao presidente Lula, que me respondeu que não sabia de nada”.

Poupado pela oposição desnorteada, desorientada e desarvorada, Lula se salvou, se consolidou, se recuperou. Fez até a sucessora, embora nos planos que traçou e planejou, o ocupante do Planalto por mais quatro anos (a partir de 2010) fosse ele mesmo e não a primeira mulher a sair vencedora.

Se o presidente confessou, “não sabia de nada” (e depois se refugiou nessa frase), pelo rumo dos acontecimentos, José Dirceu devia saber de tudo. Pois apesar de ter respondido ao discurso de Jefferson, Dirceu não escapou da cassação, do ostracismo, do abandono. Ele nunca disse publicamente, mas culpa o próprio Lula por tudo o que aconteceu.

Na Câmara, Jefferson foi empolgante, Dirceu apenas hilariante. Em algumas afirmações fez rir toda a platéia. Principalmente quando, atendendo a uma indagação, respondeu perguntando: “Eu, arrogante?” Era mesmo para rir. Ele não foi outra coisa a partir dos tempos em que chamava Lula de “você”, e Lula, mesmo presidente, chamava-o de “senhor”.

Assim como Jefferson, Dirceu foi cassado. Para o deputado do PTB, um simples acidente de trabalho, continuou dono e senhor do PTB, ficou na presidência do partido. Para Dirceu, desastre e calamidade completa. Não perdia a presidência do partido, que jamais lhe interessou, e sim a presidência da República, que lhe estava destinada pelos deuses, perdão, pelo Deus único que passou a ser Lula.

Depois de atravessar esse oceano de acusações, Lula se transformou em herói nacional, Dirceu naufragou num mar de impurezas, Lula não jogou nem uma corda para que não submergisse. Dirceu não se salvaria de maneira alguma, Lula já percebera a força que acumulara, começou a devastação de todos os que podiam pretender sucedê-lo.

Foram muitos. Até o senador Aloizio Mercadante, que jamais teve a menor chance, mas se empossou no Senado, acreditando que precisava convocar o suplente, iria direto para o Ministério da Fazenda. Não foi. Desgastado durante 7 anos, no último, líder no Senado, pediu “demissão irrevogável”, Lula OBRIGOU-O a se desdizer e a continuar como líder sem liderança.

Neste “passeio” pelo mais importante cargo palaciano, o vergonhoso, perigoso e até alarmante, é a reabilitação de Antonio Palocci. Sua entronização na Chefia da Casa Civil é até deprimente. Basta mudar apenas uma palavra no excelente filme de Elio Petri, “Um cidadão ACIMA de qualquer suspeita”. Mudando uma palavra e Palocci reconheceria: “O personagem sou eu”. É mesmo.

Veio de Ribeirão Preto cheio de acusações, suspeitíssimo, ninguém tinha a menor dúvida sobre as irregularidades acumuladas na prefeitura. E até no que aconteceu depois, quando já não estava mais lá, mas dominava os acontecimentos, mesmo de longe. As lágrimas que a agora Ministra, Miriam Belchior, derramou pelo marido assassinado, poderiam muito bem respingar em muita gente na posse. Pois o assassinado Celso Daniel, mais competente, por todos os ângulos, do que muitos dos que estavam “prestigiados”.

Surpreendendo a todos, Palocci foi Ministro da Fazenda, nos chamados círculos do Poder, ninguém entendeu nada. E mais estapafúrdia, que palavra, a insistência com que Lula repetia: “Espero que Palocci me dê sinal verde para baixar os juros”.

Isso jamais aconteceu. O “sinal verde” de Palocci se chocava com seus próprios interesses “vermelhos e negros”. Foi demitido desprezivelmente pelos fatos que aconteciam na mansão do Lago, alugada pelos amigos de Ribeirão. Exposto, perseguiu um simples caseiro. Julgado pelo Supremo, não foi ABSOLVIDO nem CONDENADO, era tão desprezado no julgamento quanto na demissão acintosa do ministério.

Ficou no ostracismo, sem casa oficial, sem salário (nem precisava), sem cargo, sem idoneidade, condição que nele era congênita e adquirida. Quando foi chamado para a campanha eleitoral, mais espanto, era evidente que assistíamos a uma ressurreição.

 ***

PS – Dos quatro que ocuparam a Chefia da Casa Civil e estavam na posse, o mais vulnerável, degradado, desgastado, desprestigiado, desprezado, sem dúvida alguma era o próprio ocupante do cargo.

PS2 – E mais assombroso: foi ele que exigiu e ganhou esse cargo. Sabe que ali mora o perigo, mas é também a habitação da ambição. E afinal, depois de tudo o que lhe aconteceu, não podia acontecer nada melhor do que o segundo cargo em importância no próprio Planalto.

PS3 – Esperemos Dona Dilma definir o que é G-O-V-E-R-N-A-R. Será cortar gastos? Investir? Estabelecer prioridades? Ou se firmar nas reformas indispensáveis, sem as quais não governará?

A briga por 2014 já começou, entre Alckmin e Serra. E Aécio, não percebeu?

Helio Fernandes

Alckmin acintosamente, garante manchetes: “Vou rever todos os contratos assinados por Serra governador”. É a luta por 2014. Estão disputando para ver quem perde mais uma. 2002, 2006, 2010. Pedem a Deus que o adversário seja Dona Dilma, que consideram mais fraca do que Lula.

Ora, Dilma já ganhou deles, e se for candidata em 2014, é porque fez um governo positivo. E não ganharão dela.

PS – Quando a Lula e Aécio, só resta uma “aliança”, Lula presidente, Aécio vice. Mas falta tanto tempo para qualquer coisa, que o melhor mesmo é esperar.

PS2 – É impressionante como investem em longevidade. Serra dizia em 2002, quando o PSDB queria retirar sua candidatura: “Estou com 60 anos, minha vez é agora, e não depois”.

PS3 – Com 68 anos, diz com veemência, “Isto não é um adeus e sim um até logo”. Como a próxima eleição será em 2012, muita gente em São Paulo acredita que a ressurreição de Serra “acontecerá” por aí, novamente prefeito. E que Kassab está na jogada.

O ACUSADÍSSIMO CLESIO NO SENADO

Muitos anos antes da Tribuna impressa desaparecer, escrevi muito sobre esse senhor. Era poderoso no setor de transportes de Minas, fez um acordo com o Instituto Sensus. Eu perguntava sempre: o que empresa de transporte tem a ver com pesquisa de opinião política? Ninguém respondia ou esclarecia, seu prestígio crescia.

De tal maneira que foi vice de Aécio Neves no primeiro mandato. Como a vitória de Aécio era certa, por que o presente dado a ele? Na reeeleição, Aécio cortou seu nome, sem qualquer aviso.

Clesio não se incomodou, foi suplente de um senador com mais de 80 anos, que morreu agora. Ei-lo senador sem voto, foi vice sem disputar nenhuma eleição. Que República.

PS – Vai continuar pagando promessa, perdão, pesquisa pela Sensus?

O ESPIÃO QUE FICOU NO FRIO

Foi tudo combinado ou já devia ser demitido, Duas declarações acintosas e insultuosas de Gilberto Carvalho. A primeira, antes da posse de Dilma: “Qualquer dificuldade e Lula volta”. A segunda, já como ela no Poder: “Lula é o Pelé no banco de reservas”. Impressionante. E Dona Dilma, não faz nada?

PREVISÃO DE UM ECONOMISTA GLOBAL

Num dos programas mais presunçosos e pretensiosos da Globo, a garantia: “O Brasil vai quebrar por causa da Previdência”. Nenhuma providência para desmentir esse “economista”?

O Brasil não vai “quebrar”. E a Previdência, SUPERAVITÁRIA, é roubada pelo próprio governo. Por causa do orçamento a-u-t-o-r-i-z-a-t-i-v-o. Os Ministros que passaram por lá (estão vivos) e não roubaram, marcaram a trajetória positiva dessa Previdência.

Conversa com comentaristas, ainda sobre a posse de Tarso Genro e sobre o voto consciente

Ricardo Sales: “Helio, completando, você e seu irmão foram convidados. Você publicou no domingo, 3 de outubro de 2010, o seguinte: “Tarso genro, um governador poderoso. Prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, será um dos mais fortes aliados de Dona Dilma, no primeiro ou segundo turno. Mais ou menos há 4 meses, eu almoçava em Ipanema, Tarso Genro entrou, veio à minha mesa (que tinha seis notáveis de várias profissões ou formações) e disse: “Helio, pode me chamar de governador, e se quiser pode publicar. Publiquei, lógico. E para reforçar, falou para o Millor: “Você é o primeiro a ser convidado para a minha posse”.

Comentário de Helio Fernandes:

Tudo perfeito, Ricardo. No dia 3 de outubro, Tarso Genro estava no Rio Grande do Sul, votando na própria candidatura.

Foi alguns meses atrás, pois só com esse tempo seria uma boa notícia. Ele estava certo de que ganharia no primeiro turno, e ganhou mesmo. Almoçávamos no restaurante Satiricon, além do Millor, estavam Técio Lins e Silva, Paulo Casé, Chico Caruso, o pintor Bianco (que trabalhou com Portinari nos painéis “Tiradentes” e “Guerra e Paz”, da ONU) e outros. Às vezes são 10, é o máximo da mesa.

REAFIRMAÇÃO DO VOTO

Ofelia Alvarenga: “Helio, Não sei quanto aos outros milhões de eleitores que votaram em Dilma. Mas eu, com certeza, não votei nela por omissão e sim por convicção”.

Comentário de Helio Fernandes:

Nem precisa explicar, você deixou bem clara sua posição. Abriu e mostrou o voto, francamente, para Dilma. Eu também não deixei a menor dúvida, afirmei e reafirmei que Dona Dilma ganharia fácil, mas que eu não votaria nela.

Minha incompatibilidade era e é com o sistema. Com os 29 partidos registrados, deviam aparecer 29 candidatos no primeiro turno, poderiam se juntar no segundo, como se faz no mundo todo. O que vimos? Dois candidatos e uma espectadora sem expectativa.

Ministério das Comunicações garante aos herdeiros dos acionistas da Televisão Paulista (hoje, TV Globo de SP) o direito de vista aos processos que transferiram o controle para Roberto Marinho, com base em documentos falsos e anacrônicos.

Carlos Newton 

Mais um capítulo eletrizante da transferência ilegal do controle da Rádio Televisão Paulista S/A para Roberto Marinho, durante o regime militar. O Ministério das Comunicações decidiu dar vista dos processos administrativos aos herdeiros dos antigos acionistas da emissora, o canal 5 de São Paulo.

O pedido foi protocolado no Ministério em março de 2008, mas só começou a andar após a saída do ministro Helio Costa e depois que a própria Presidência da República cobrou providências e esclarecimentos.

E deve-se destacar e registrar, por ser a verdade dos fatos: a decisão de dar vista ao processo também só aconteceu porque no gabinete do presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho não engavetava nada, independentemente do poder das partes envolvidas. É um fato tão raro e auspicioso que merecia ser saudado com uma queima de fogos estilo réveillon em Copacabana.

A importante, corajosa e democrática decisão foi comunicada aos interessados em 20 de dezembro de 2010, 11 dias antes do final do governo Lula, quando o Ministério das Comunicações ainda estava comandado pelo advogado José Artur Filardi, agora substituído pelo ministro Paulo Bernardo.

A mesma correspondência oficial, enviada pelo governo aos representantes dos antigos acionistas, abordou o questionamento acerca de suposta nulidade dos atos administrativos assinados em 1965 e 1977, pelos governos militares, que permitiram a transferência do controle acionário da ex-Rádio Televisão Paulista S/A (hoje, TV Globo de São Paulo) para Roberto Marinho, com lastro em documentos considerados anacrônicos e falsos pelo Instituto Del Picchia de Documentoscopia.

A esse respeito, a autoridade responsável informou: “No tocante à denúncia de possíveis irregularidades ocorridas na transferência de outorga dos serviços de radiodifusão por meio das Portarias números 163/65 e 430/77, CABE À SECRETARIA DE SERVIÇOS DE RADIODIFUSÃO PRIMEIRAMENTE SE MANIFESTAR SOBRE O ASSUNTO”.

Vamos acompanhar de perto essa investigação, que está transcorrendo apesar da inegável presença e atuação de funcionários da TV Globo, que fazem pressão junto aos diversos órgãos técnicos do Ministério das Comunicações. Pela decisão do governo federal, é de se deduzir que já não estão mais com “essa bola toda”. Os tempos são outros. A Internet que o diga.

Para quem não sabe, a Tribuna da Imprensa foi  o único jornal que há mais de 10 anos vem denunciando as irregularidades praticadas por agentes públicos, a serviço da ditadura, para viabilizar, a qualquer preço, a transferência do canal 5 de São Paulo para a família Marinho.

Nos processos administrativos que agora serão examinados pelos herdeiros dos antigos acionistas da ex-Rádio Televisão Paulista S/A, não há um só documento regular, original, que justificasse a aprovação da transferência da concessão para os atuais controladores, o Espólio de Roberto Marinho.

Aliás, esses processos andaram desaparecidos durante anos, e neles não há nenhum documento que prove que o jornalista Roberto Marinho comprou a TV Paulista de Victor Costa (pai ou filho, que foram apenas diretores da emissora e nunca possuíram ações), e nem da família Ortiz Monteiro, como procuraram atestar as Portarias 163/65 e 430/77, assinadas nos governos Castello Branco e Ernesto Geisel.

Para a procuradora da República Cristina Valerim Vianna, de São Paulo, “á luz dos fatos exaustivamente narrados no feito, temos, em apertada síntese, que houve, na década de 60, transferência ILEGAL do controle acionário da atual TV Globo Ltda., visto ter a negociação se baseado em documentação GROSSEIRAMENTE FALSIFICADA… Resta, pois, investigar suposta ocorrência de IRREGULARIDADE ADMINISTRATIVA na transferência do controle acionário da emissora, visto a necessidade de autorização de órgão federal. Tal como se deu, ESTEADO EM DOCUMENTAÇÃO FALSIFICADA, O ATO DE CONCESSÃO ESTARIA EIVADO DE NULIDADE ABSOLUTA”.

O governo federal tem agora oportunidade rara de passar a limpo essa medonha e heterodoxa simulação processual-administrativa, promovida nas décadas de 60 e 70 para, ao arrepio da legislação, transformar o poderoso Roberto Marinho no controlador majoritário  da hoje TV Globo de São Paulo.

Na simulação do negócio, ele teria chegado a comprar 48% do capital social inicial da emissora, pertencente a 673 acionistas minoritários, por apenas Cr$ 14.285,00, depositados em conta desconhecida (cerca de 450 dólares), sob o pretexto de que os titulares dessas ações já teriam falecido ou teriam se desinteressado de seu patrimônio.

Até isso o governo militar aceitou para possibilitar o apossamento definitivo do mais importante canal de TV do país, localizado em São Paulo e que responde hoje por 50% do faturamento de toda a Rede Globo. HÁ LEI E JUIZES NO BRASIL. Vamos aguardar.

Ao ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, funcionário da Rede Globo de Televisão, nossos sinceros pêsames por sua omissão no caso em discussão, e parabéns ao povo mineiro que, em boa hora, o devolveu ao ostracismo de onde jamais deveria ter saído.

Dois a zero para os conservadores

Carlos Chagas 
                                              
Nos primeiros minutos da partida, os conservadores  já chegaram perigosamente à área dos progressistas, marcando dois gols:  conseguiram da presidente Dilma Rousseff a decisão de privatizar os novos terminais dos aeroportos e arrancaram a declaração de que a folha de pagamento das empresas será desafogada, imaginando-se de onde virá a compensação para os cofres públicos,  senão de toda a população.

Bolas na trave também  acertaram  uma, com a informação de que os funcionários públicos não terão qualquer reajuste de vencimentos, este ano.  Continuam no ataque, exigindo cortes nos gastos públicos, no setor dos investimentos e do custeio da máquina estatal, bem como ameaçam com  a regulamentação da reforma da Previdência Social, nivelando os aposentados por baixo e estimulando o crescimento  da Previdência Privada. Chutam de qualquer distância e dominam o jogo.
                                              
Do  lado dos progressistas, pouca movimentação: o anúncio pelo ministro da Educação do tempo integral para o casamento do ensino médio com o ensino técnico e, pelo ministro da Previdência, a promessa do  reajuste um pouquinho maior para os aposentados que recebem acima do salário mínimo. Não chegaram ao fundo da  rede dos conservadores porque essas duas propostas ficarão para o ano que vem, se mantidas.
                                              
Assim estamos no embate iniciado a partir da instalação do  governo  Dilma Rousseff.  As elites dão o ritmo,  com suas exigências e cobranças, iludindo as arquibancadas a respeito de já terem assegurado a vitória. Evidência disso são os rasgados elogios à nova presidente da República e sua equipe econômica, através dos editoriais, comentários e até reportagens dos principais jornalões. Virar o jogo em favor dos interesses das massas será sempre possível, na dependência de seus craques por enquanto  indolentes. Será bom aguardar. 
 
MÃO E CONTRA-MÃO 
 
Prevê-se uma avenida de duas mãos, na primeira reunião ministerial do novo governo, dia 14.  Dilma Rousseff deverá expor sua estratégia de ação, exigindo de seus ministros um discurso unificado  e um comportamento comum em função de seus objetivos. 

Mas também apelará para que cada integrante de sua equipe apresente em curto prazo um elenco de realizações para o  respectivo setor. Importante será saber a extensão dos prazos de cumprimento  dos dois objetivos.  A impaciência, no caso da nova presidente da República, pode constituir-se numa virtude.
 
INFANTILIDADE
 
Foi infantil o boicote do PMDB às posses de Luiz Sérgio, nas Relações Institucionais, e de Alexandre Padilha, na Saúde. Julgando-se dono  desses dois ministérios, assim como proprietário de montes de gordos cargos   no segundo escalão,  o outrora partido do dr. Ulysses demonstrou estar mais para o fisiologismo do que para o sucesso do novo governo.
                                                       
Restava saber, ontem, da validade das ameaças de líderes peemedebistas,  de que Dilma Rousseff não perde por esperar, quando o Congresso  for debater o salário mínimo e outros projetos de interesse do palácio do Planalto. O PMDB tem  muito mais a perder se levar essa briga adiante.
 
DURO, MAS COM TERNURA
 
O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pretende reunir-se o mais breve possível  com os governadores estaduais para equacionar propostas objetivas visando uma ação comum no combate ao crime organizado.  Não dá para aceitar que de dentro das penitenciárias os chefões continuem comandando todo o tipo de ações espúrias. Se for o caso, novas prisões federais de segurança máxima serão implantadas.

O poder público precisa agir com dureza diante dessas aberrações, sob pena de o  poder paralelo do crime voltar a dominar as comunidades agora libertadas de sua influência, como em muitas favelas do Rio.  O novo ministro é amplamente favorável à presença das forças armadas no enfrentamento ao crime organizado e na defesa da ordem pública.

Aluguéis e casa própria sobem o dobro dos salários

Pedro do Coutto

Excelente reportagem de Luciana Carneiro e Ronaldo D’Ercole, O Globo, 30 de Dezembro, portanto no ano que passou, revela que o IGPM da Fundação Getúlio Vargas fechou o exercício com um percentual de 11,3%. Destacaram que, com isso, os valores dos aluguéis que completam um ano, agora, vão subir na mesma proporção. Correta a afirmação, porém incompleta a informação. Incompleta porque tanto as locações de imóveis quanto as prestações da casa própria são regidas pelo mesmo indexador.

O IGPM atinge praticamente 9 milhões de locações, já que, segundo levantamento recentemente divulgado pelo IBGE, o país possui 61 milhões de imóveis e os alugados representam a parcela de 15%. Cerca de 18 milhões de famílias possuem financiamentos imobiliários. Os contratos são regidos também pelas oscilações do indicador da Fundação Getúlio Vargas.

O problema social é que a inflação dos últimos doze meses, também pelo IBGE, registra 5,6 pontos. E os salários, a partir do governo Lula, são realinhados de acordo com as taxas inflacionárias. Exceto o salário mínimo que vem ganhando da inflação oficial. Mas esta é outra questão.

O fato essencial é que, mantidas as duas tendências, a do índice inflacionário e o cálculo do IGPM, a moradia, portanto o direito de morar ficará sendo cada vez mais difícil de exercer. Já vai longe o tempo da equivalência salarial, que era muito mais realista. Agora se a defasagem entre um vetor e outro se mantiver, o problema da moradia no país ter-se-á agravado substancialmente.

Os empregadores particulares detestam discutir o tema salário-inflação-reajuste. O INSS também. Da mesma forma que os católicos não desejam o debate entre cristianismo e catolicismo, os representantes do capital e do capitalismo esquivam-se do enfoque básico da questão social. O valor do trabalho humano.

Pela Constituição Federal, não pode ser diminuido, no papel. Pois na prática não é assim. Basta dizer que uma das formas de reduzir os vencimentos de alguém é reajustá-los abaixo da taxa inflacionária. Este processo cruel, inclusive, foi uma das marcas negativas do governo FHC e explica a razão de sua impopularidade. Houve inegavelmente descompressão no período Lula. Mas neste momento nuvens cinzentas ameaçam diluir o peso do trabalho humano no PIB do Brasil.

Hoje, este percentual que já foi de 60% em 63, com o movimento revolucionário de 64, ciclo da ditadura, dos generais no poder, desceu à metade. Enquanto isso, a participação do capital, que era de 35 passou a 70%. Os dados são do Banco Central. A pirâmide entre nós teve seu vértice trocado.

Nos EUA não. Para um PIB de 15 trilhões de dólares, um terço do produto mundial, a massa salarial pesa 60%. Por isso, um automóvel de porte médio custa apenas 20 salários mínimos. Quantos salários mínimos custa entre nós? Além do preço básico, pagamos o ICMS e o IPI embutidos no custo final. Os compradores pagam. Mas no ano seguinte, os montadores e os revendedores é que descontam os tributos no Imposto de Renda. Vejam só.

O IGPM inclui, entre outros fatores, a oscilação dos valores do dólar. Em 2009, subiu pouco mais que zero e, com isso, aluguéis e casa própria receberam um refresco. Agora, porém, o peso da diferença entre salário e correção das locações e prestações da casa própria retorna como um fantasma do passado a atormentar os locatários e mutuários no presente. Qual a saída?

Como lidar com Chávez, o aliado “muy amigo”, que insuflou o cocalero boliviano Morales contra o Brasil, prejudicando a Petrobras?

Carlos Newton

O acompanhamento da atuação dos comentaristas deste Blog nos traz belas surpresas. O nível é muito alto, em comparação com a grande maioria dos blogs de sucesso no país. É salutar, por exemplo, que já exista aqui no blog uma convicção da importância do trabalho do australiano Julian Assange na ONG WikiLeaks, para democratização das informações internacionais.

Se não houvesse o WikiLeaks, como saberíamos que, de acordo com diplomatas americanos, o presidente venezuelano Hugo Chávez incitou o governo do cocalero Evo Morales, na Bolívia, a nacionalizar as instalações da Petrobrás no país em 2006, provocando grave problema econômico e diplomático com o Brasil, com elevados prejuízos à Petrobras? No entrevero, até Eike Batista (que diz não perder nunca) saiu no prejuízo com sua usina siderúrgica na Bolívia.

Como está sendo divulgado pela imprensa, a informação surgiu em telegramas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, enviados ao Departamento de Estado em Washington. Um dos telegramas relata o seguinte:

“Marcelo Biato (assessor especial do Planalto) disse que em março (de 2006), Petrobrás e interlocutores bolivianos haviam começado o que pareciam ser discussões relativamente positivas. No entanto, Evo interrompeu abruptamente as conversas, insistiu que só discutiria o assunto diretamente com Lula”, diz o documento, datado de maio de 2006, acrescentando: “No intervalo entre as conversas de março e a nacionalização, Biato observou que houve várias conversas entre Evo e Chávez.”

O mais importante: o telegrama revela que o governo brasileiro tinha (e tem) conhecimento das estripulias “diplomáticas” de Chávez, que se julga o maior líder do Terceiro Mundo, uma espécie de Muammar Kadafi em versão latina.

E o que fazer com um “aliado” desse tipo? Nada. O importante é continuar se relacionando bem com Chávez, sabendo de quem se trata e como tratá-lo. Afinal, o comércio bilateral tem sido altamente favorável ao Brasil. Em 2009, de janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões para lá e importou apenas US$ 747 milhões (quase tudo em produtos petrolíferos). Nada mal, não é mesmo? Como dizia o então secretário de Estado dos EUA, Foster Dulles, “países não têm aliados, têm interesses”.

Dona Dilma governará sem oposição. Lula também não teve. No caso dele, por incompetência congênita e adquirida. Em se tratando dela, estratégia rombuda para 2014, têm pânico de Lula.

Helio Fernandes

Do ponto de vista jornalístico, nada mais insípido e monótono do que o início de um governo. Não se pode combater o que não foi feito, simplesmente porque não foi a incompetência que prevaleceu e sim o tempo que não passou.

Não se pode elogiar o que não foi feito, embora se saiba que não será feito. Em ambos os casos, o tempo é o senhor da razão, mas essa razão será cronologicamente dissipada a cada dia que se marcar no calendário. Podem até apostar ou acreditar no contrário, na surpresa dos 55 milhões que votaram na presidente.

Votaram por omissão e não por convicção, que palavra pronunciarão agora?

Dois fatos são rigorosamente verdadeiros, e devem ser citados e examinados. Pela primeira vez nos últimos 25 anos, um presidente elege seu sucessor. Com a profundidade de ter escolhido para ficar no seu lugar uma mulher, fato inédito na nossa História. Embora no mundo todo, as mulheres estivessem e estejam em franca ascensão, política e eleitoralmente. E quando digo que “Lula escolheu”, estou ratificando o óbvio.

Dona Dilma não tinha títulos ou credenciais, a não ser a vontade do presidente já reeeleito, que não conseguiu mais algum tempo no Poder, seu grande sonho e obsessão.

A)   Sarney chegou ao Poder de forma indireta, 50 por cento pela subserviência à ditadura, os outros 50 por cento, influência do destino inesperado (e sempre inexplicável ou desvendado) que retirou do palco o presidente de verdade,

B)    Depois de Sarney ter usado e utilizado todo o período não conquistado por ele, veio Fernando Collor.

C)    Não tinha nem tempo para ter construído uma carreira, reputação ou esperança, foi o segundo presidente mais moço da História. (O mais moço foi Nilo Peçanha, que impediu Rui Barbosa de ocupar o Catete. Em 1922 voltou a ser candidato com o movimento “Reação Republicana de Nilo Peçanha”. Derrotado, foi o mais jovem a desacreditar na política e abandonar a vida pública.

D)    Não deixaram Collor se firmar ou decepcionar, foi logo derrubado, o primeiro a sofrer o impeachment. (Eleito em português, Collor foi “deseleito” em inglês ou francês, tanto faz).

E)    Assumiu Itamar Franco, quem mais conspirou contra Collor, era o vice e herdeiro. Nenhuma surpresa, na História brasileira existem quase tantos vices que assumiram quanto presidentes que concluíram o mandato.

F)    Mas Itamar 4 anos depois conhecia a máxima genial do Barão de Itararé: “Quem CONFERE o ferro, com ferro será CONFERIDO”. Surpreendentemente, foi nomeando FHC para vários cargos, até escolhê-lo sucessor.

G)  Ingênuo foi Itamar, confiando em FHC para fazer o acordo. Governaria até 1998, e ele, Itamar, voltaria então à Presidência. Além da falta de confiança, a pergunta que não teve resposta em 12 anos; Itamar ganharia de Lula em sua terceira candidatura?

H)   FHC não passou o cargo nem a Itamar nem a ninguém. Rasgou a Constituição em uma de suas cláusulas pétreas, “a não reeeleição”. Com muito dinheiro e sem oposição, comprou o seu mensalão-reeeleição”, e ainda queria mais 4 anos.

I)      Lançou o primeiro dos peessedebistas massacrados por Lula, não fez o sucessor. Saiu amargurado e ressentido, é até hoje o seu normal e habitual.

J)      Foi a primeira vitória de Lula, nada fazia crer que chegaria aos 87 por cento de popularidade de agora. Pelo menos os primeiros quatro anos foram fugazes, não confiáveis nem eternizáveis.

K)   Em 2006, candidato de si mesmo, liquidou o peessedebista da vez, Geraldo Alckmin, tão medíocre ou mais do que Serra, se é que isso é possível.

L)    No segundo mandato, Lula começou muito mal, com escândalos em cima de escândalos. E o mensalão foi o mais abrangente, mas não o mais grave. Só que inesperadamente, foi de 2007 a 2010 que Lula descobriu que podia ser o “gênio da lâmpada”. E se jogou com toda a força para o futuro.

M)  Portanto, referendando o que disse, foi o primeiro desde o fim da ditadura explícita, a fazer o sucessor. Está aí Dona Dilma que não deixa (nem quer) que se iludam com seu mandato.

N)   Haja o que houver, explicita ou implicitamente, sem destino e sem genética, mas com a poderosa e invencível realidade, Lula está olhando e se mostrando para todos os anos.

O)  Sucessora e patrocinador, tentam mostrar completa e total afinidade. Essa palavra rima com intimidade, mas será que se completam?

P)   De qualquer maneira, o capítulo sucessão termina aqui. Passa a ser adivinhação, não gosto disso.

Q)  Começa então a convergência ou a participação da oposição no governo Dilma Rousseff. Por que não fizeram nada para envolver ou desgastar o presidente Lula? No período antes do mensalão, e logo depois, Lula estava altamente vulnerável.

R)   Incompreensível porque não tentaram qualquer coisa sobre o segundo mandato de Lula. Poderiam até não conseguir derrubá-lo. Mas ele não se consolidaria como o Deus, mas se julga e se imagina.

S)    Agora não farão oposição a Dilma, não querem desgastá-la para uma possível sucessão de 2014, querem que Dona Dilma tenha direito ao segundo mandato.

T)   Ora, o PSDB não tem ninguém para renovar e muito menos revolucionar, uma forma de sair da rotina de derrotas. Contra Dilma ou Lula, se apresentará novamente Serra ou Alckmin, menos uma sucessão do que uma piada.

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PS – Dona Dilma já tomou a primeira decisão desastrada e desastrosa: a privatização dos aeroportos.

PS2 – Não teve nem a coragem de assumir, “jogou” para estados e municípios. Com o dinheiro do BNDES? E a oposição?

Na capital da mordomia, demitidos 15 mil funcionários ilegítimos

Helio Fernandes

Agnelo Queiroz, novo governador de Brasília, no primeiro dia, logo na posse, dispensou 15 mil funcionários. Tudo isso? E não farão falta? Evidente que não.

Mas é preciso medida complementar e definitiva: responsabilizar os governadores anteriores que praticaram os atos imorais, ilegais, subterrâneos. Nenhuma dúvida: pelo tempo que ficou no Poder, o grande culpado-corrupto foi Roriz, ele mesmo proclama: “Fui quatro vezes governador”. Deve contar com a primeira vez, interventor, nomeado por Sarney. Tinha que ser.