“O povo adora a democracia”

Quem poderia afirmar isso e ainda fazer comentários sobre a “reflexão”? Lógico, José Sarney. Análise dele: “Houve um tempo em que se pensava que o povo gostava de viver num regime ditatorial”.

Quer dizer: Sarney serviu à ditadura, não para fazer biografia, enriquecer e se julgar poderoso. Sarney foi enganado pelo povo, acreditou que ele adorava ditadura, E por amor ao povo, Sarney seguiu-o, consolidou o regime da tortura e da falta de alternância no Poder.

Saudades de Evita Perón

Não só entre as mulheres, mas na Argentina inteira, é grande figura. Da sua geração e das outras, mesmo comparada com homens. Não precisava, mas Cristina Kirchner veio mostrar que extraordinária figura foi Evita.

Pena que tenha morrido tão moça. Dona Kirchner pode chegar aos 100 anos, e não terá sido nem um por cento reverenciada, justamente, quanto a mulher de Perón. E a comparação entre Perón e o marido de Dona Kirchner, tem um resultado: mil por cento a favor do marido de Dona Evita.

Roriz: convencido de que perde, lança um candidato

O ex-governador 4 vezes, entrou em desespero. Tem dito a amigos: “Vou ganhar no Supremo Tribunal Federal, que reconhecerá meu direito de disputar eleição”.

Mas ao mesmo tempo, tendo certeza de que Agnelo Queiroz já está disparado à sua frente, reconhece que não adianta ganhar no tribunal e perder nas urnas. Diante disso, colocará um candidato no seu lugar.

E até que escolheu um nome excelente: Jofran Frejat. Mas em 20 dias, o que poderá fazer em matéria de campanha? Mesmo tendo o apoio do próprio Roriz, de Arruda e Paulo Otavio? Podem até ter votos, mas a eleição de Brasília se travará em torno da moralização e da recuperação. O povo da capital está cansado, votará contra esses três. ÓTIMO.

VARIADAS, com Sergio Guerra e Jereissati, Gilmar Mendes, César Maia e Lindberg, Aécio e a eleição de 2014

No PSDB não se esconde o desgaste: Sergio Guerra, senador e presidente do partido (?) não tem votos para a reeleição. Teve que se satisfazer com uma vaga de deputado federal.  XXX  Se conseguir se eleger, o futuro presidente do PSDB será Jereissati, apesar de “ficha suja”, está com um processo no Supremo desde 2002.  XXX  Esse processo com tal longevidade teve uma causa: quando era governador, faliu e “privatizou” o Banco do Ceará.  XXX  Protetor para que o processo fique parado no Supremo: Ministro Gilmar Mendes, que garante a paralisação da ação contra o senador.  XXX  Não comentem, ele não gosta: Cesar Maia, em pânico de não se eleger senador. Lindberg cresce voluptuosamente, apoiado por Lula e cabralzinho.  XXX  Cesar Maia já tinha (e tem, vá lá) o projeto do futuro. Se elege senador, assume a presidência do DEM (que está com o filho, grande promotor de “eventos”) e começa a campanha como presidenciável em 2014.  XXX  Garante que o PSDB vai com ele e ainda goza: “Eles não têm alternativa”. Se não for senador, César Maia tem que cuidar do sistema de táxi, sua grande preocupação. Além, é claro, da “Cidade da Música”.  XXX  Quando dizem que “em 2014, no PSDB será a vez de Aécio”, ele ri e não responde nada. Uma coisa deve ser reconhecida: César Maia é cheio de truques, ou para usar a sua própria identificação, de FACTÓIDES.

No Supremo, opiniões divergentes

Carlos Chagas

Todos os esforços se fazem no Supremo Tribunal Federal para que o plenário se pronuncie  antes das eleições do próximo dia 3 sobre a validade da  lei ficha-limpa, apreciando recurso do ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz. A decisão será fundamental também para os mais de dois mil candidatos que em todo o país tiveram impugnados seus pedidos de registro com base na referida lei.

Não parece fácil o pronunciamento da mais alta corte nacional de justiça, encontrando-se supostamente divididos seus integrantes. Pelo que se ouve nos corredores, cinco deles entendem que a ficha-limpa não pode ser aplicada agora. A Constituição determina tanto a impossibilidade de a lei retroagir para prejudicar pessoas quanto a necessidade de mudanças no processo eleitoral serem votadas até um ano antes de qualquer eleição.

A lei da ficha-limpa foi aprovada este ano, no Congresso. Além disso,  sua aplicação não poderia atingir candidatos condenados antes de sua vigência. Pensariam assim Gilmar Mendes, José Toffoli, Marco Aurélio Mello, Celso Mello e César Peluso, atual presidente.

No reverso da medalha o argumento é de que a nova lei não está prejudicando nem punindo candidatos, mas apenas estabelecendo condições para a disputa eleitoral. No caso,  a ausência de condenações por diversos crimes. Dessa forma, também não teria havido mudança nas regras do jogo eleitoral, segundo Carlos Ayres de Brito, Joaquim Barbosa, Ricardo Levandowski e Carmem Lucia.

Somando as supostas opiniões chegamos a nove ministros, mas como hoje são dez, falta um. Melhor dizendo, uma:  Ellen Gracie.  Caso ela venha a se inclinar pela não  aplicação imediata da lei, respirarão  aliviados Joaquim Roriz e os montes de fichas-suja, ficando placar  em seis a quatro. Se  a ministra definir-se em sentido contrário haverá empate.  Nessa hipótese, caberá ao presidente Peluso a palavra final.

Agora ninguém segura

De caso pensado ou de repente, a verdade é que o presidente Lula elevou a temperatura da campanha eleitoral ao bater firme em José Serra, numa superdimensionada réplica aos protestos do tucano pela quebra do sigilo fiscal de sua filha.  O resultado tem sido um tiroteio dos diabos, valendo tudo.

Para rebater ou concordar com o Lula,  Serra e  Dilma Rousseff perdem preciosos minutos de sua propaganda eleitoral gratuita, assim como tempo nos debates e entrevistas concedidas.

Seria esse efeito milimetricamente engendrado pelo presidente, uma espécie de golpe de graça no adversário, capaz de selar a vitória da candidata ainda no primeiro turno? Ou obra do acaso, melhor dizendo, das trapalhadas acontecidas na Receita Federal? Tanto faz, mas a verdade é que os próximos dias revelarão excessos ainda mais agudos que os atuais.

Lula agride ética ao minimizar crimes na Receita

Pedro do Coutto

O presidente Lula errou politicamente e agrediu a ética, na terça-feira, na tentativa de minimizar a importância das violações dos dados  fiscais de adversários políticos do PT, incluindo Verônica Serra, filha do candidato da oposição, José Serra. E não foi este o primeiro caso. Antes, em Mauá, São Paulo, através do estranho contador Carlos Atella Ferreira, petistas invadiram as declarações de Imposto de Renda do ex-ministro Mendonça de Barros, que no governo FHC articulou a privatização das teles, do ex-diretor do banco do Brasil, Ricardo Oliveira, e do ex-subchefe da Casa Civil, Eduardo Jorge Caldas Ferreira.

Os autores ultrapassaram as barreiras que separam o Código Civil do Código Penal e também revelaram a ponta de um iceberg. Que começou a emergir com o fato, noticiado pelo Globo quarta-feira, de a servidora da SRF Adeilda dos Santos, também em Mauá, ter acessado criminosamente mais de 2 mil declarações de IR. A declaração de Verônica Serra foi praticada em Santo André. Por quê? Se integrantes do PT desejavam saber quais as transações de uma apontada sociedade entre Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, se existiram, não seriam localizadas no  sistema financeiro nacional. Mas estas são outras questões.

O essencial no novo estágio do episódio foi o erro cometido pelo presidente da República e sua investida para lançar uma nuvem em torno do que foi praticado. Qual a razão disso? Nenhuma. Sobretudo no momento em que o Vox Populi, em sua mais recente pesquisa, divulgada a 7 de setembro pelo Jornal da Band, apontou 56 pontos para Dilma contra somente 21 de José Serra. A sucessão 2010 está antecipadamente liquidada. Serra está descendo, a ex-ministra subindo, Marina Silva não sai do lugar.

Não há mais no que discutir em matéria de votos nas urnas. Porém há muito o que debater a respeito da casa da mãe Joana em que se transformou a Receita Federal com a omissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Pois em vez de Cartaxo e o próprio Mantega agirem rápido para apontar e responsabilizar os culpados e as culpadas, decidem fixar o prazo de 60 dias para uma comissão de inquérito investigar o que já está descoberto e concluir seus trabalhos. Os responsáveis diretos já são conhecidos. Faltam os mandantes, os neo aloprados, versão 2010.

A atitude de Lula e a protelação da SRF fornecem um péssimo exemplo ao país. Além do que acentuam reações contraditórias. Sim, claro. Pois se o próprio presidente da República sustenta que, aproveitando-se do que aconteceu naquelas localidades paulistas, Serra baixou o nível da campanha sucessória, há de reconhecer que muito mais baixaria praticaram os autores das invasões indevidas e ilegais. Lula, portanto, deveria voltar-se contra esse grupo de falsos aliados, e não contra os que condenaram os crimes que perpetraram.

Não se pode, logicamente, defender criminosos. Tampouco agir para acobertá-los. Até porque o fato de serem inscritos no PT não quer dizer que sejam correligionários. Muito menos amigos. Quem pratica crime em nome de outro, ou supostamente com autorização tácita deste, não pode ser classificado como amigo, pois, no fundo da questão, é inimigo quem trai a confiança de quem lhe estende a mão em sinal de amizade.

Lula vai sair consagrado do governo pela opinião pública. Por diversos motivos, mas não pelo acobertamento indireto ou tentativa de blindagem em favor de um bando de aproveitadores e aproveitadoras de seu prestígio. Longínquo, sem dúvida, em relação a eles e elas, mas suficiente para iludir a boa fé de muitos e invadir a propriedade e a privacidade de outros tantos.

A campanha vazia, sem compromisso, sem projetos, sem esperança. Dilma e Serra não sabem o que dizer, embora tudo esteja por fazer. Descobriram a baixaria, felizes.

Já que não fazem no Poder, municipal, estadual, federal, poderiam aproveitar a proximidade da eleição e pelo menos prometer. Não cumpririam, Dilma e Serra não têm a menor credibilidade, mas colocariam nos debates os extraordinários problemas que afligem o país. Daria a impressão de estarem com pleno conhecimento desses obstáculos.

Mas não dizem nada. Os debates frente a frente, assustadores pela falta de profundidade, de conhecimento, de compromissos. Um ri mais que o outro, como se fosse engraçadíssima a tentativa de chegar à presidência da República.

Serra tenta pela segunda vez com a certeza da derrota anunciada há 8 anos, desde 2002. Dona Dilma, pela primeira vez aos 65 anos, a mesma idade do “padrinho-protetor”. Nunca teve a vontade de se candidatar, se “oferecer” ao povo, como fez Lula, o Pedro Álvares Cabral da sua vida eleitoral?

O que ninguém pode negar ao Lula, candidato a presidente 5 vezes seguidas, perdeu três, não desanimou, disputou mais duas e ganhou. Poderia dizer como é do seu hábito, gosto e costume: “Ninguém conseguiu isso na História do Brasil”. E seria rigorosamente verdadeiro.

Estão perdendo a oportunidade de debater com ampla repercussão, e com satisfação geral do povão, e garantir que não desconhecem nada do que o Brasil precisa de mais urgente. E o que seria mais urgente do que a preservação dos recursos ROUBADOS do cidadão-contribuinte-eleitor?

Ninguém trata do desenvolvimento e do investimento, com que recursos irão cumprir o “eu vou fazer isso”, ou então “farei aquilo”? Por que não se debate com amplitude e sem censura, a razão do Brasil pagar um juro tão ALTO? Por que não dizem: “Assim que tomar posse vou providenciar o fim dessa SANGRIA inominável, que nos leva 188 BILHÕES POR ANO”?

Elementar, os dois candidatos estão igualmente impedidos de tratar desse roubo COLOSSAL das nossas riquezas. Serra NÃO PODE pois essa DÍVIDA espantosa vem em linha reta do governo FHC, o que mais incentivou (?) a sua carreira. Além do mais, pessoalmente ligadíssimo aos senhores que enriquecem com esses juros, tem que ficar em silêncio, não pode arriscar uma palavra que seja.

(Dona Dilma também tem que ficar calada, Lula seguiu sem hesitação tudo o que FHC adotou. E ela, pelo menos na campanha, não pode contrariar o “padrinho-protetor”).

Em relação à DÍVIDA EXTERNA, que Lula diz que pagou (e que este repórter mostrou com números irrefutáveis que está viva) Serra podia perguntar sem nenhuma hostilidade: “O que aconteceu com a DÍVIDA EXTERNA? O presidente disse que pagou. Isso é verdade? E poderia concluir (sem citar o nome do repórter): “O presidente foi desmentido. Afinal, a DÍVIDA EXTERNA foi paga ou continuamos DEVENDO?”

Serra não pode tratar do assunto. Como contrariar os empresários (banqueiros, donos de supermercados, seguradoras, empreiteiros e mais e mais) que financiam sua campanha? E mais grave ainda: FINANCIARAM TODA A SUA VIDA.

Quanto a Dona Dilma, seria exigir o impossível, que ela contestasse o próprio “padrinho-protetor”. E se existe um fato que ela conhece de “ciência exata”, é que a DÍVIDA EXTERNA está maior do que antes. Nada foi pago.

Outro fato que não envolve DINHEIRO VIVO, mas dá os maiores prejuízos ao país: a REFORMA PARTIDÁRIA. O aumento execrável da corrupção, tem base na falta de CREDIBILIDADE geral. Inclua-se: governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais, e naturalmente essa, PRESIDENCIAL. Que ocorre escondida e obstruída pelos INTERESSES INCONFESSÁVEIS dos dois candidatos.

Mas como é que Dilma e Serra podem exigir ampla, total e irrestrita REFORMA PARTIDÁRIA, se os dois são produtos da mesma inqualificável AUSÊNCIA de vida partidária? Se Dona Dilma foi ESCOLHIDA, UNGIDA E SACRAMENTADA pelo presidente Lula, pessoalmente, sem ouvir o PT? Se ouvisse, Dona Dilma jamais seria candidata.

No PT, dizem horrores dela, (por trás, por trás), quem tem coragem de criticar uma candidata já vitoriosa? O mais comum de ouvir nos corredores do PT; “Ela nunca pertenceu ao PT, na frente dela, existiam pelo menos uns 10 correligionários”.

E Serra, como pode LUTAR pela REFORMA PARTIDÁRIA? Sua carreira foi feita sem partidos, apenas dominando a cúpula dessas siglas milagrosas. Que também não podiam puni-lo. Se existissem partidos, Serra já teria sido expulso DE TODOS. Várias vezes.

O inacreditável: na última eleição para prefeito de SP, o “seu” PSDB tinha um candidato: o inefável Geraldo Alckmin. Serra, governador, TRAIU OSTENSIVAMENTE o nome do PSDB, apoiou PUBLICAMENTE o também inefável Kassab, que era do DEM. Para Serra, tanto faz. Kassab liquidou o correligionário de Serra, não precisou explicar coisa alguma, não existem partidos.

Outro fato que precisa ser eliminado: a REEELEIÇÃO SEM TER HAVIDO ELEIÇÃO. Política e eleitoralmente, uma excrescência. Kassab era vice-prefeito de Serra. Este ficou apenas 15 meses, RENUNCIOU, Kassab assumiu, cumpriu o resto do mandato. Foi então candidato a mais 4 anos, sem sair do cargo e sem antes ter disputado algum.

Mas como Serra pode protestar contra esses suplentes? Na Constituinte de 1988, lutou pelo fim desses cargos. Depois se aproveitou vasta e fartamente deles. Foi senador, financiado pelo pai do presidente da Fiesp (da época), que ficou 7 anos e meio como SUPLENTE EM EXERCÍCIO. (Tinha “todo o direito”, era a remuneração pelo financiamento).

***

PS – Agora, a campanha tem um assunto único: a baixaria da Receita Federal. Os dois tratam dessa questão com evidente satisfação. Quem quer saber de SANEAMENTO, ESTRADAS, PORTOS, REFORMA AGRÁRIA, SAÚDE, EDUCAÇÃO, AEROPORTOS, modificar o sistema de PAGAMENTO dessas DÍVIDAS?

PS2 – É um fato estranhíssimo: essa baixaria da Receita Federal está no noticiário diário de todos os órgãos de comunicação. Durante esse tempo, não houve a publicação, por qualquer instituto de pesquisa, de levantamento do fato.

PS3 – Sabem a razão? É que até agora, não chegaram a uma conclusão: a baixaria prejudica Serra ou Dona Dilma? Como dizem que a pesquisa representa o MOMENTO, por que deixam passar esse MOMENTO? Ha!Ha!Ha!

Escândalo da compra da TV Globo/SP voltará a ser julgado pelo STJ. Ação Rescisória questionará voto do relator que se baseou em perícia considerada parcial e equivocada. A perita ignorou a ocorrência de falsidade ideológica

Vai esquentar a questão sobre a compra da TV Globo de São Paulo, por Roberto Marinho, através de procurações e recibos considerados apócrifos e falsos pelo Instituto Del Picchia de Documentoscopia, mas que foram interpretados como bons e eficazes pelo relator do recurso especial, ministro João Otávio de Noronha, da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que assim validou a transação impugnada.

Mas os advogados dos herdeiros dos antigos acionistas da hoje TV Globo de São Paulo estão aguardando apenas a publicação do acórdão para ajuizar uma Ação Rescisória, com fundamento, entre outros, no inciso VI, do artigo 485 do Código de Processo Civil, que diz:A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: SE FUNDAR EM PROVA, CUJA FALSIDADE TENHA SIDO APURADA EM PROCESSO CRIMINAL OU SEJA PROVADA NA PRÓPRIA AÇÃO RESCISÓRIA”. Esse novo processo deverá ser julgado pela 2ª Seção do STJ, formada por 10 ministros.

Para reconhecer a validade e a consumação da venda do controle acionário da Rádio Televisão Paulista S/A, para a família Marinho, entre 1964 e 1977, POR APENAS TRINTA E CINCO DÓLARES, o ministro relator acolheu como bom e suficiente o laudo elaborado pela perita judicial do Rio de Janeiro, Denise Gonçalves de Moraes Rivera, que, apesar de avaliar como de risco a confecção de perícia  em documento xerocopiado, entendeu assim mesmo como verdadeiros os recibos e procurações não originais, juntados aos autos e com datas e conteúdos falsos e grosseiramente montados.

No citado laudo, a perita fez questão de destacar que “o exame em reprografia apresenta limitações, sendo certo que muitos estudiosos em grafotecnia REJEITAM REPRODUÇÕES como substitutos dos originais”. E advertiu que “atualmente, com a evolução das copiadoras coloridas, ou através do uso de scanners e programas de edição de imagem, MONTAGENS PODEM SER REALIZADAS E ENCOBERTAS através  de reprografia, mascarando os vestígios deste procedimento”.

Durante a discussão sobre a FALSIDADE DOCUMENTAL, os autores da ação perguntaram à perita se “os documentos contendo dados contrários à realidade ou à verdade, que são feitos à semelhança ou à imitação dos verdadeiros, podem ser definidos como FALSOS?

A resposta dada contraria sua conclusão e a própria validação do laudo pelo STJ: “DOCUMENTOS QUE APRESENTAM  AS CARACTERÍSTICAS ORA DESCRITAS PODEM SER DEFINIDOS COMO FALSOS”. Então, por que ela não adotou essa convicção na conclusão da perícia?

Análise do Instituto Del Picchia
arrasou com o parecer da Perita

 

Para o conceituado perito Celso Mauro Ribeiro Del Picchia, do Instituto Del Picchia de Documentoscopia, de São Paulo, o laudo da perita em hipótese alguma poderia ter sido aceito como prova válida de um negócio nebuloso e com documentos fabricados, montados com dados falsos para dar ares de legalidade a uma transação impossível.

Em trabalho crítico de 50 páginas o professor Celso Del Picchia, em suas considerações finais, afirma que “SE ISTO É PERÍCIA, ESTAMOS NA PROFISSÃO ERRADA há meio século, ou melhor, estamos praticando erradamente a missão de relatar  os fatos objetivos e não de dizer que os falsários tinham esta ou aquela intenção”.

Na perícia, e parece-nos que no Direito também, os documentos quando autênticos, sem vícios ou máculas de qualquer espécie, PROVAM OS FATOS DECLARADOS. Não são os fatos que poderiam provar a autenticidade dos documentos. E muito menos os fatos provariam a autenticidade de algum documento quando este padece de FALSIDADE INCONTROVERSA, como a irrealidade e impossibilidade de sua data, por exemplo.

De outra parte, visando apenas demonstrar o irracional das afirmativas da perita, nem mesmo se firmados e datados por Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro (sócio majoritário da TV), ou por qualquer outro indivíduo, DOCUMENTOS COM FALSIDADES INQUESTIONÁVEIS poderiam ser admitidos. O dolo, o vício, a coação etc. também elidiriam documentos, mesmo que FIRMADOS E DATADOS PESSOALMENTE PELO PAPA.

Outra prova incisiva do subjetivismo e parcialidade das constatações da perita está, por exemplo, na apreciação das datas manuscritas com lápis à  borda da via carbonada do recibo de 1975.

Conclui a perita “que este recibo visa RATIFICAR os atos descritos nos substabelecimentos e procuração”. “VISA RATIFICAR”, isso é interpretação de intenções. Ora, também poderíamos indagar se as datas não foram manuscritas ali para saber quais as datas que deveriam ser postas nos documentos a serem FABRICADOS, como sem dúvida, o foram, pois falsamente datados, para dar credibilidade ao recibo?

Estavam marcando os documentos que ratificavam o recibo ou orientando a falsificação das demais peças?

Poderíamos perguntar, ainda, SE EFETIVAMENTE VERDADEIRO O RECIBO, por que fabricar outros documentos, com datas falsas, PARA RATIFICÁ-LO? O Verdadeiro, o Real, o Legítimo, não carece de RATIFICAÇÃO, prescinde do fabrico malicioso de vários outros documentos com o fim de ser ratificado.

O raciocínio e conclusão cerebrina da senhora perita mostram, talvez pela primeira vez na história, a justificativa de serem produzidos documentos forjados PARA RATIFICAR UM VERDADEIRO.

Mas a Verdade resiste sozinha. A FRAUDE é que precisa de SUPORTE. E se alguém comete falsidades para ratificar um documento, a CREDIBILIDADE deste é  a mesma, acompanha aquela das fraudes ratificadoras” .

***

PS – Confira algumas QUESTÕES que, por certo, deverão ser respondidas quando do julgamento da Ação Rescisória a ser proposta. 1) o recibo de Cr$ 60.396,00  (US$ 35,00) referente à compra da Rádio Televisão Paulista S/A, por Roberto Marinho, datado de 5 de dezembro de 1964, segundo a perita Denise “FOI DATILOGRAFADO EM UMA MÁQUINA OLIVETTI MANUAL LINEA 98, tipo de escrita “AVVISI”, que foi introduzida no Brasil NO ANO DE 1971”. 2) Esse recibo, portanto, NÃO  FOI DATADO por Oswaldo J. O. Monteiro, o sócio controlador. 3) Qual, então, a VALIDADE desse documento no conjunto da  perícia ACEITA COMO BOA?

PS 2 – e mais: por que esse “recibo-mãe”, com data falsa de 5 de dezembro de 1964 (a máquina de datilografia foi FABRICADA SÓ em 1971),  teve de ser convalidado por novo recibo de 23 de julho de 1975, com os mesmos vícios e informações falsas e menções a datas que deveriam figurar em procurações e substabelecimentos também apócrifos?

PS 3 – (Interessante que, ao decretar a validade desses recibos, O STJ automaticamente “resolveu” a matéria da prescrição do processo, que deixou de ser AÇÃO DECLARATÓRIA de inexistência de ato jurídico (imprescritível) e passou a ser AÇÃO ANULATÓRIA de ato existente, por meio de documentos impugnados e com prescrição garantida. Nessa linha, o STJ “conheceu” do recurso especial e negou seu provimento.

PS 4 – Finalmente, se Roberto Marinho comprou a TV Paulista da família Ortiz Monteiro, em 5 de dezembro de 1964, conforme o recibo falso apresentado e aceito pela perita e pelo STJ, por que razão teria Oswaldo Junqueira e outros sócios majoritários (parentes e falecidos) dado procuração ao funcionário da emissora de nome Armando Piovesan, dois meses depois, para representá-los na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 10 de fevereiro de 1965, quando se  procurou aumentar o capital da emissora? Se Roberto Marinho era o legítimo dono das ações da família Ortiz Monteiro desde 5 de dezembro de 1964, por que  ele não compareceu à AGE como acionista majoritário ou não deu ele mesmo procuração a Armando Piovesan?

PS5 – Como o recibo de 5 de dezembro de 1964 foi datilografado após 1971, na máquina Olivetti Manual Línea 98, tranquilo que tal “documento” não tinha sido “fabricado” ainda para assegurar a presença ou a representação de Roberto Marinho na mencionada assembléia de  10 de fevereiro de 1965. E muito menos Oswaldo Junqueira poderia ter dado procuração a Armando Piovesan.

PS6 – Portanto, nessa AGE nem houve quorum real para deliberação. Ela nem existiu, de fato, o que compromete a validade da própria Portaria 163/65, que aprovou o aumento de capital e a transferência de controle acionário de forma condicionada e nunca cumprida, como reconhecido pelos órgãos federais fiscalizadores do setor de radiodifusão de som e imagem.

PS7 – Tudo isso, documentadamente,  é do conhecimento do presidente Lula e de sua assessoria especial, que fingem não saber de nada e por isso  poderão ser cobrados. Esse processo já entrou para a História.

George Orwell e a liberdade, Ghandi e a violência, Berlusconi e o cidadão

George Orwell, há muito tempo: “Liberdade é poder dizer ou escrever, 2 + 2 é igual a 4. O resto vem depois”. Lula diz que isso “é filosofia”. Dilma não tem (ainda) opinião formada. Serra concorda (sempre) com Lula.

Ghandi afirmava: “Quando a violência não vem da alma, é apenas circunstância sem importância. Mas quando é praticada com o coração, dura para sempre”. Foi assassinado depois de lutar uma vida inteira pela coletividade.

Berlusconi, não sei se altaneiro ou zombeteiro: “Meu triunfo é a glória do cidadão, que tem a esperança de ser também um vencedor”. (Desculpem colocá-lo junto com Orwell e Ghandi).

Pânico na TV: segundo o insuspeito Ibope (ligadíssimo à Globo), a Record superou a concorrente das 7 da manhã à meia-noite.

Rigorosamente verdadeiro: passou a ser impressionante o duelo de audiência entre a poderosa TV Globo e a evangélica TV Record. Pela primeira vez na história da televisão brasileira, a Record superou a Globo, das 7 da manhã à meia-noite. Compreensível: euforia na Record, lamento e acusações mútuas na Globo. Como sempre anunciaram: “Cabeças vão rolar”. Não têm nem criatividade.

Vejam os números revelados pelo IBOPE, INSUSPEITO, é ligadíssimo à Globo, e publicados pela Folha, Caderno Ilustrada.

No geral, o Ibope obteve média de 26 pontos, a Globo, 25,8. parece nada, mas como foi a primeira vez, doeu muito, o choque interno enorme. Agora, examinemos os números entre os dois programas concorrentes, no “estilo”, do dia e no horário.

Gugu Liberato, 17 pontos, Faustão 16. No domingo à noite, o programa da Record, “Domingo Espetacular”, obteve 14 por cento, o “Fantástico” da Globo, 13.

O Faustão devia dar pelo menos 3 ou 4 vezes mais, seu programa é todo baseado nas estrelas globais, sem dúvida, grandes atrações. Tudo isso é irrefutável. E tem mais: Domingo, apresentou a popularíssima Irene Ravache.

***

PS – Não para por aí. Domingo pela manha, (das 7 ao meio dia) o desenho animado da Record ganhou do “Esporte Espetacular”, teve 7,3 contra 6. E nos outros, a mesma coisa.

PS2 – Estão sendo feitas modificações, e outras, projetadas. Acontece que a Record vem SUBINDO, a Globo DESCENDO.

VARIADAS, com o técnico Magnano do basquete e com a apatia da eleição presidencial

Alguns tiveram a audácia de duvidar da seriedade do técnico Magnano, pelo fato de ser argentino e estar enfrentando a Argentina. Burrice e das grandes.  XXX   É argentino, passou a ser técnico brasileiro, nem se sabia que haveria esse jogo. Além de ser um profissional, teria que ser um “mágico”, para “entregar” o jogo, por 2 pontos quando faltavam 1 segundo e 9 décimos para terminar.  XXX  Critiquei muito antes a contratação de Magnano, não por ser argentino, e sim estrangeiro. Como também não me conformei com a entrega da direção do basquete feminino a um espanhol.  XXX  Temos profissionais competentes tanto no masculino quanto no feminino. E se não insistirmos com técnicos brasileiros, como estimulá-los?  XXX A aparição dos que fingem “disputar” uma eleição insípida, monótona, cansativa, é conseqüência dessas três palavras aplicadas aos candidatos.  XXX  E reconheçamos: embora sem charme, sem programas, sem compromissos, a culpa não é só deles.  XXX  Falta emoção eleitoral, que não pode existir onde não existem partidos. Mas a partir da falta de projetos de REFORMA PARTIDÁRIA, os candidatos também se incriminam.  XXX  De onde surgiram Dilma e Serra, já que os outros não têm votos, mas suas legendas são conhecidas?  XXX  Como acreditar em eleição, se o maior partido do Brasil, o (PMDB), não tem candidato a presidente?  XXX  E não é a primeira vez que isso acontece.  XXX

Formadores, elefantes, ratos e golpes

Carlos Chagas

O presidente Lula não resiste: bate na imprensa até quando não precisa. Esta semana, em praça pública, declarou que o povo aprendeu a votar sem seguir pseudo-formadores de opinião pública. Acrescentou que o noticiário tenta debilitar a campanha de Dilma Rousseff, mas o trabalhador pensa por si mesmo e por isso o país está melhorando.

Com todo o respeito, mas o primeiro-companheiro deveria atentar que nem todo mundo, na mídia, julga-se “formador” de opinião. Esquece-se da escola da humildade, segundo a qual somos “informadores”. Quem se forma é a sociedade, estimulada por diversos fatores, entre eles o de estar  bem informada. E se não está,  deveria.

Claro que existem jornalistas de nariz em pé, proclamando-se “formadores”, mas eles estão mais para o ridículo do que para a realidade. Também  não é verdade que o noticiário tenta debilitar a campanha de sua candidata. Alguns veículos cultivam essa distorção, mas generalizar  consiste num profundo exagero. Ninguém pode investir impunemente contra a natureza das coisas, e ela indica sempre a impossibilidade de se enganar todos por todo o tempo. Se Dilma conta com o apoio da maioria, seu patrono não precisaria  incomodar-se  com tentativas de sua desestabilização.  Deveria preocupar-se com o uso da Receita Federal por parte dos  aloprados de sempre, estes, sim, empenhados em desestabilizar a ex-ministra.

Nos últimos dias parece que se abriram as comportas do absurdo, nos pronunciamentos do presidente Lula. Ele também afirmou, inaugurando um armazém da Conab, em Uberlândia, que os Estados Unidos e a União Européia aprenderam a respeitar o Brasil assim como um elefante tem medo “e se borra” por causa de um rato.  Ora bolas, não somos ratos e, se fossemos, não estaríamos imunes aos montes de matéria orgânica expelidos pelos elefantes, até  sobre nossas cabeças.

Mais uma escorregada de S. Exa. aconteceu  quando calou diante de um disparate institucional de seu ministro da Agricultura.  Talvez pretendendo credenciar-se para continuar no próximo governo, o indigitado auxiliar derramou-se em referências ao terceiro mandato do Lula. Disse que se o presidente quisesse, continuaria no poder com o apoio do país inteiro. Era para ter levado monumental  reprimenda, de público e de corpo presente. Afinal, uma das virtudes do Lula foi  ter respeitado e cumprido a Constituição, que proíbe o terceiro mandato. Quanto a sustentar que o país inteiro apoiaria o golpe, há controvérsias.

Agenda torta

Há dias  que se registra uma  aberração  fluindo da agenda presidencial. Ainda quarta-feira, como na véspera, o palácio do Planalto divulgou os compromissos diários de  seu inquilino.  Audiências variadas, comparecimento a eventos, deslocamentos aéreos e sucedâneos. Não dá para entender, porém, porque se informa, por exemplo, a partida para Ribeirão Preto às 17.30 horas, a chegada àquela cidade às 18.30 e, às 19 horas, “compromisso privado”, enfemismo para o comparecimento do Lula  a um comício com a presença de Dilma Rousseff. São essa pequenas coisas que perturbam o bom-senso. Se o presidente tem o direito, como cidadão, de freqüentar  comícios, por que esconder aquilo que todo mundo assiste  pela televisão?

Com medo de quem?

Em segredo, sem  avisar ninguém, desembarcou em  São Paulo, ontem, nada menos do que  George W. Bush, dos Estados Unidos. Veio para faturar mais algum, no caso, fazer palestra para um grupo de seguradores e banqueiros. Teve direito a não enfrentar a aduana, não ter sua bagagem revistada e a  seguir da pista do aeroporto para um hotel nos Jardins, precedido por batedores e cercado  por seguranças do FBI,  da Polícia Militar paulista e da Polícia Federal.

Muita gente pergunta qual foi o cachê, parece que mais de cem mil dólares, mas tão  importante quanto  será saber  o tema do pronunciamento do ex-presidente americano. E por que o sigilo, como se estivesse desembarcando no Iraque ou na Palestina. Bem que poderia ter dado um passeio nas ruas Vinte e Cinco de Março, em São Paulo, ou da Alfândega, no Rio, para ver como por aqui  convivem em harmonia árabes e judeus.

Memória curta

Dedicam-se tucanos e penduricalhos a criticar Dilma Rousseff por não haver comparecido a mais um debate promovido pelas Organizações Globo, quando José Serra e Marina Silva lá estiveram. A memória dos políticos é curta. Bastaria contar quantas vezes Fernando Henrique Cardoso faltou a convites iguais, em 1994 e 1998. Não quis desgastar-se, respondendo a concorrentes, a jornalistas e ao público. Teve seus motivos, porque  se encontrava liderando as pesquisas,  a um passo da vitória, certamente as  mesmas razões de Dilma, esta semana. Mas será bom lembrar a quantos debates ela já foi  e, salvo engano, ainda deverá ir.

Fidel confessa fracasso com atraso de 48 anos

Pedro do Coutto

Numa entrevista efetivamente sensacional ao repórter Geoffrey Goldberg, da revista americana Atlantic, Fidel Castro que, na realidade ocupa o poder em Cuba há 51 anos, desde a épica vitória do movimento revolucionário que derrubou Fulgêncio Batista, reconheceu que o modelo comunista não funciona assim mais, nem para os próprios cubanos.

Os leitores hão de perguntar por qual motivo no título me refiro há 48 anos quando as forças de Sierra Maestra entraram em Havana em fevereiro de 1959. Explico: o projeto comunista desabou a partir da crise de 1962, quando a URSS de Kruchev cedeu ao ultimato de John Kennedy e retirou ao mísseis, instalados na Pérola das Antilhas, que apontavam para a Flórida. Foi nesse momento histórico que, econômica e socialmente, o modelo cubano fracassou.

Fracassou porque perdeu o apoio externo indispensável para enfrentar o bloqueio aplicado pelos Estados Unidos à sua economia, em vigor desde o final do governo Eisenhower. O modelo era sustentado por Moscou que comprava antecipadamente as safras de açúcar. Em 1962, no fundo da questão, Kruchev negociou com Kennedy, trocando Havana por Berlim. Washington aliviou a tensão na Europa. Moscou aceitou a doutrina Monroe, dos anos 1800, famosa pela frase” A América Para os Americanos”.

Fidel Castro naquele instante de incerteza, quando o mundo esteve à beira de um conflito atômico, deixou de interessar à União Soviética. Ele tinha se tornado apenas uma peça no tabuleiro internacional. Não foi o único na história. Arafat, no final da vida, foi outro exemplo. Política é assim, sobretudo a internacional. Hoje, basta colocar uma pergunta concreta. Quem fornece as armas ao Irã? Talvez seja o mesmo ou os mesmos fabricantes que abastecem Israel. A indústria da violência e da morte não tem pátria. O capitalismo e o comunismo também não.

Aliás, comunismo nunca foi colocado em prática no mundo. Marx, o maior analista da história, foi um desastre como doutrinador. Inclusive sua doutrina, exposta no Manifesto Comunista de 1848, que assinou junto com Engels, é a síntese do pensamento que, brilhantemente colocou em O Capital, obra que escreveu em 1869, portanto vinte e um anos depois. Se a presença do interesse econômico está presente em quase tudo, principalmente na política, jamais poderia haver a igualdade absoluta que propôs no Manifesto. Em matéria de previsão, outro desastre. Jamais os operários do mundo se levantaram contra o capital. Pelo contrário, tentaram chegar a ele.

De fato o ser humano está muito mais preocupado com o consumo do que com os meios de produção. E tem a esperança, como num ensaio magnífico colocou Homero Icaza Sanches, ex-diretor da Rede Globo, de sempre galgar de um a dois degraus acima do patamar em que se encontra. O fracasso do comunismo, inclusive o soviético com a queda do Muro de Berlim em 1989, foi a derrota de Karl Marx doutrinador, mas a vitória do Karl Marx analista.

O ponto essencial de tudo é que é impossível substituir o capitalismo por qualquer outro sistema econômico e portanto político. O capitalismo é eterno. Sempre foi. Seja ele o capitalismo estatal russo ou o capitalismo privado. Está nos dois lados. É insubstituível. Não há ninguém no mundo, país ou ser humano que não deseje se capitalizar.

Citar a religião como exceção? Nada disso. É só destacar o tesouro , eterno e belíssimo de arte, do Vaticano. Tesouro que está exposto, como museu, nas principais basílicas e igrejas do universo. Não adianta remar contra a maré. Fidel Castro, 48 anos depois de Tordesilhas 62, finalmente reconheceu a verdade. Figura importante no cenário internacional, sem dúvida, com a entrevista a Geoffrey Goldberg, assegurou sua passagem para a história. De modo sincero e, agora, positivo. Esclareceu a realidade a várias multidões.

Escolham os melhores

José  Carlos Werneck

As eleições de 3 de outubro serão decisivas para o rumo que se pretenda dar ao País, nas próximas décadas. Espera-se que o eleitor tenha aprendido. Que tenha percebido que não existem salvadores da Pátria. Que aqueles que se diziam, ”trabalhadores”, ”homens simples”, pessoas do povo”, logo que se instalaram no poder se esqueceram das promessas e passaram a comandar um esquema de corrupção, cujo objetivo maior, além de “se darem bem” metendo a mão no dinheiro público era permanecer no Poder, pelo maior tempo possível, através da reeleição e depois elegendo seus comparsas.

A “Grande CPI” se dará em 3 de outubro próximo. Neste dia portando sua única, mas poderosíssima arma, que é o direito ao  voto, ele poderá varrer do poder e do cenário político aqueles que não honraram seus mandatos. Antes de decidir o eleitor deve examinar sozinho a figura dos que se apresentam como candidatos, sem se deixar levar pela conversa mole, pelo aspecto humilde, pela fala mansa, pela demagogia, pelos sorrisinhos fáceis, pelo jeitinho de se querer parecer “igualzinho a você, meu amigo trabalhador”, enfim por essas figuras bizarras que aparecem a cada eleição falando um português errado ou por demagogia, ou por ignorância mesmo.

O eleitor, seja  ele operário ou “doutor”, deve fazer algumas perguntas simples: você colocaria seu filho numa escola cujos professores, fossem ignorantes, ou semi-analfabetos? Você se deixaria operar por um cidadão que não fosse formado em medicina, embora, ele tivesse cara de bonzinho e fosse muito simpático? O eleitor tem o DIREITO  e o DEVER de escolher o MELHOR, nunca o MAIS ou MENOS e jamais o PIOR. O importante, mesmo que todos estejamos enojados com tanta corrupção, tantos escândalos, mediocridade, ignorância e  incompetência, não nos deixemos abater e votemos nos melhores candidatos em todas as esferas, do deputado estadual ao presidente da República. Só assim poderemos mudar o País e não nos arrependermos depois. Os problemas do Brasil são enormes, mas não impossíveis de serem resolvidos. Temos enormes desafios nas áreas de Saúde, Educação, Previdência Social, Segurança Pública, isto para citar os mais urgentes. Por isso tudo devemos escolher os mais preparados, os que tenham programas e soluções possíveis para enfrentarem nossos maiores desafios.

Roriz perdeu hoje no Supremo, decisão de um ministro

Foi considerado inelegível pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral de Brasília), recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Perdeu novamente. Bateu então no Supremo.

Recebido o recurso, foi sorteado o relator, Ayres de Brito. Que hoje, sem demora, relatou e considerou Roriz i-n-e-l-e-g-í-v-e-l. Os amigos e interessados na volta de Roriz, disseram ao repórter: “É apenas um voto, Roriz ganhará no plenário”. Não sei, acho que o Supremo deixará o julgamento para depois da eleição.

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PS – De qualquer maneira, ANTES ou DEPOIS, como o ex-Ministro Agnelo Queiroz vai ganhar, Roriz está fora do jogo, gaste quanto gastar.

PS2 – Na eleição para o Senado, não precisa previsão ou adivinhação, só constatação. Rollemberg está ELEITO, Cristovam Buarque REELEITO.

Obama, brilhantemente imita Roosevelt, com os mesmos 15 milhões de DESEMPREGADOS, joga no mercado 50 bilhões. Cria salário e consumo, confessa: “Temos 14 milhões e 800 mil desempregados, precisam de trabalho”.

Surpreendente lá mesmo nos EUA: lançamento de 50 BILHÕES DE DÓLARES, para criação de empregos. O grande estadista que governou por quase 4 mandatos, (morreu no início do quarto, deixando o Poder para o mediocríssimo Truman) assumiu com mais de 15 milhões de desempregados, consequência da crise provocada pela manipulação do mercado financeiro.

Roosevelt implantou o “New Deal”, um verdadeiro programa socialista, mas sem ditadura. Estatizou tudo, da água às ferrovias, dos serviços até os bancos, foi ele que mobilizou o país com o sistema de habitação, a construção de casas com a PENHORA do próprio imóvel.

(77 anos depois, o jovem Obama é atingido pela corrupção desse renovador e inovador sistema de moradia. Centenas de banquinhos, com a participação (oculta por elipse) dos grandes bancos, que explodiram tudo. Ávidos, gananciosos e voluptuosos pelo lucro fácil e volumoso, “emprestavam” a milhões de pessoas, que não tinham como pagar).

A esses “emprestadores” não interessava avaliar e verificar as garantias dos cidadãos, que só queriam conseguir ou conquistar a indispensável moradia.  Aos emprestadores, o alvo era a comissão recebida na hora e a BONIFICAÇÃO de fim de ano.

A grande meta de Roosevelt, solução (em 1933) para a derrubada do sistema financeiro, chegou a 2007, quando estava visível e praticamente garantida a eleição de um outro Roosevelt, negro, mais jovem, e com a preocupação dos desempregados. Dos problemas que afligem os países, todos são graves. Mas nenhum é tão grave, tão abrangente e destruidor quanto o DESEMPREGO.

Embora a diferença da população dos tempos de Roosevelt para os dias de Obama, esses desempregados ficam na mesma casa dos 15 milhões. Só que esses números eram apresentados em percentagem (lá na Matriz como aqui na Filial), agora se materializaram, Obama coloca em linguagem que qualquer um pode entender.

Para iludir e confundir os cidadãos, qualquer que seja a sua localização no mapa, “informam” rotineiramente de forma confusa e quase misteriosa. Comunicam: “O desemprego está em 7,8%”. Ou então: “Caiu um pouco o desemprego, de 9,7%, para 9,3%”. Isso é para ser calculado sobre a FORÇA DE TRABALHO DO PAÍS.

Mas quem sabe traduzir ou localizar o que é verdadeiramente o total dessa FORÇA DE TRABALHO? Lógico, os que dominam a FORÇA DO PODER, conhecem essa FORÇA DE TRABALHO. Mas preferem se comunicar através de asteriscos, de tracinhos e de outros recursos intraduzíveis. Obama inovou de várias formas, pode ser dito, de FORMA RARA depois de Roosevelt.

Obama informa corretamente ao povo americano, citando os desempregados em percentagem e em números. Fica assim, facilmente compreensível a palavra presidencial: “Estamos com 9,6% de desempregados, o que significa que 14 milhões e 800 mil pessoas não têm onde trabalhar”.

Portanto, não recebem salário nem produzem consumo. Qualquer que seja o tamanho do país e sua população, duas coisas estão acima de tudo, criam progresso, prosperidade e desenvolvimento: SALÁRIOS e CONSUMO.

O primeiro tem tudo a ver não só com prosperidade mais coletiva, mas também com dignidade individual. Quanto ao consumo, sem ele nenhum país se transforma em POTÊNCIA. O consumo interno é que movimenta a roda do desenvolvimento.

(Ia falar também da indispensável REFORMA AGRÁRIA, mas não quero provocar mais polêmica, logo depois da independência que nunca tivemos. Mas podemos deixar registrado. NENHUM PAÍS PROGREDIU, SE AFIRMOU, PROSPEROU, SEM REFORMA AGRÁRIA. E isso nada a ver com ideologia).

Já começam a falar, comentar e até acusar Obama de estar apresentando esse plano, pelo fato de ter que ENFRENTAR eleições gerais, dentro de 2 meses. E daí? Por causa da ELEIÇÃO GERAL, o presidente não pode governar, tem que ficar parado ou paralisado?

(O Brasil, estranha e espantosamente, é o único país do mundo ocidental, que faz a ELEIÇÃO GERAL, junto com a de presidente. Agora, menos de 1 mês, 130 milhões, por aí, votam para presidente e para todos os outros cargos, excluído apenas o preenchimento municipal).

Isso é um equívoco tremendo e colossal. Principalmente num país que caminha para uma população de 200 milhões, 130 milhões de eleitores (obrigatórios) e apenas dois candidatos. Nos outros países, o cidadão escolhe o presidente, uma responsabilidade e preocupação. Mais ou menos 2 anos depois, volta à urna para preencher os outros cargos, e não todos ao mesmo tempo.

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PS – Obama diz que será tudo para infraestrutura, criação de empregos, desenvolvimento. O presidente dos EUA fala especificamente em PORTOS, FERROVIAS e AEROPORTOS. (Estradas são apenas complementares).

PS2 – Em 1894, quando Henry Ford lançou o primeiro automóvel, o país já estava cortado de ponta a ponta pelas ferrovias, passaram então a construir estradas.

PS3 – São 110 anos construindo estradas. Agora a preocupação maior é com AEROPORTOS, pela atualidade desse tipo de transporte.

PS4 – E cita nominalmente PORTOS, impressionado com a China e a Índia, que carregam a descarregam de 70 a 80 navios por dia. Um portento, não querem ficar longe.

PS5 – No Brasil, só estamos preocupados com estádios por causa do mundial de futebol, e a construção deles, que depois serão abandonados.

PS6 – E se estamos também falando em AEROPORTOS, é por medo da Fifa. Não é que estejamos com mais de 50 anos de atraso em matéria de transporte aéreo, não é o desgaste junto à população, abandonada em todos os lugares.

PS7 – Obama tem a preocupação com as necessidades do cidadão, lança dinheiro na praça. O mesmo que defendo há longos anos, para inverter a situação. Em vez da população trabalhar para os EXPLORADORES ELITISTAS, eles trabalhariam para o povo.

PS8 – E teriam também lucros, o DEUS DO CAPITALISMO É O LUCRO, respeitemos as regras. Sem respeitar o roubo ou a corrupçao oficializada. E não existe maior CORRUPÇÃO DO QUE A DOS JUROS.

PS9 – Terminava essas considerações, veio a notícia ainda mais agradável e consagradora: Obama liberou outros 200 BILHÕES, de dólares, de dólares. Com o mesmo objetivo, com a obstinação de combater o DESEMPREGO. Das melhores notícias dos últimos tempos.

São Paulo incerto e hospitalizado

Não me lembro de uma eleição igual à de São Paulo para senador, e alguns acreditando que influenciará a de governador. Quércia tinha 26 por cento das intenções de votos, disputava uma vaga com Tuma. Este ainda senador, Quércia foi governador e senador.

Inesperadamente, Quércia e Tuma vão para o mesmo hospital, embora com motivação diferente. Mas desistiram da eleição. Quércia anunciou: “Meus votos vão para Aloysio Nunes Ferreira”. Vem o Tribunal Eleitoral, garante: “Como não há tempo, o nome de Quércia ficará na urna eletrônica, os votos dele não serão de ninguém”.

Aloysio, que esperava se beneficiar, terá menos votos do que com Quércia na luta.

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PS – Dessa maneira, ficam apenas dois candidatos “votáveis”: Dona Marta e Netinho de Paula.

PS2 – Mercadante anda rindo sozinho, tem dito a amigos: “A retirada dos dois candidatos a senadores modificará o que se diz sobre a eleição de governador.”

PS3 – Acredito que em São Paulo não existe mais mistério. Mas os que gostam de fazer “planos a longo prazo” devem refletir sobre isso. Menos de um mês antes da eleição, total modificação. E os que pensam em 2014, têm certeza de alguma coisa?

VARIADAS, com Wellington Salgado e Helio Costa, Ana Cristina Kubitschek e Paulo Otavio, Roriz, Paim e Salvati, Eduardo Jorge e a Receita

Com a mãe, DONA de universidades em vários pontos de Minas, (no Rio tinha uma “portinha” de ensino, nada mais) o suplente de Helio Costa pôde dar a ele, 4 milhões. O importante é saber se ele e mãe DECLARARAM.  XXX  E como o suplente “mandou” o efetivo “ficar de boca calada”, pelo jeito as coisas estão incertas.  XXX  A propósito: Wellington Salgado, mais de 5 anos suplente de senador, queria ser suplente para governador. Não conseguiu. Para senador, basta FINANCIAR. Para governador, tem que ter voto, não basta a conta bancária alta.  XXX  Ana Cristina Kubitschek, queria seguir a vocação de suplente, do marido Paulo Otavio. Alertada que “mesmo” eleita, poderia não tomar posse, desistiu. O marido renunciou depois, ela renunciou antes.  XXX  Joaquim Roriz pelo menos acertou uma: está dizendo na campanha para governador, “tenho o apoio de Deus”. Precisa mesmo. Ser eleito sem ser candidato, tem um certo tom de milagre.  XXX  O PT é tão destrambelhado (ou seria mesmo aloprado?) que festeja a possível derrota dos senadores Paulo Paim e Ideli Salvati. Por quê?  XXX  Ele, durante 8 anos, serviu obstinadamente à coletividade. Ela, liderou o partido no Senado, com dedicação, desassombro e até devoção.  XXX  Além da baixaria, da indignidade, da destruição da credibilidade da vida pública, dois fatos sobre a quebra do sigilo da Receita Federal.  XXX  1 – Nunca pensei que fosse tão fácil “penetrar na Receita, são centenas de constatações.   XXX  2 – Por que a insistência contra Eduardo Jorge, vice do PSDB. No passado tentaram desmoralizá-lo, nunca vi ninguém defender tanto a própria dignidade, conseguiu. Agora, “quebram seu sigilo”, para quê? O que fazem com o que obtêm com esse VAZAMENTO?  xxx

Adversários, não: inimigos

Carlos Chagas

Na guerra, sempre. Na política, muitas  vezes.  É preciso demonizar  o adversário. Transformá-lo de  inimigo em réprobo cruel,  malvado e  sanguinário, daqueles que fritam criancinhas e estupram velhinhas. Os nazistas agiram assim contra os russos e estes, depois, contra aqueles, na Segunda Guerra Mundial.  

Na presente  sucessão presidencial o risco é de acontecer  coisa parecida.  Ou melhor, já está acontecendo. Lula acusa Serra de partir para a baixaria, de tentar atingir Dilma com mentiras e calúnias e de praticar crimes contra o Brasil e a  mulher brasileira. A candidata pega mais leve, anuncia a disposição de não descer ao nível do tucano, enquanto Serra denuncia o uso da Receita Federal contra seus correligionários e sua filha como golpe baixo e abominável.

O que a gente se pergunta é onde as coisas vão parar, faltando três semanas para a eleição. Mais ainda, se seria justificável  tamanha indignação por parte do governo, reagindo à acusação de  flagrante utilização da máquina pública por um novo grupo de aloprados, importa menos se petistas do andar de baixo, estimulados ou não por companheiros de andares intermediários. 

Teria o presidente Lula motivo para bater tão forte numa candidatura que, salvo engano, já se encontra derrotada? Não que as pesquisas sejam totalmente confiáveis, mas todos os institutos divulgam Dilma Rousseff com  55% das preferências populares,  ao tempo em que José Serra não passa dos  25%.   Estaria o presidente Lula temeroso de que a eleição não se resolva no primeiro turno? Ou será da essência do grupo encastelado no poder a ânsia de esmagar os adversários?

A marcha da insensatez

A ninguém será dado insurgir-se contra a obrigatoriedade do uso da cadeirinhas especiais para bebês e crianças, nos automóveis particulares. Trata-se de uma importante conquista, mesmo fica do no ar a evidência de que os fabricantes dessas peças devem estar enriquecendo. Tomara que apenas eles. 

O diabo são os excessos e as contradições. Há dois dias, em São Paulo, já sob o regime de multar os infratores  sem-cadeirinha, um policial parou uma senhora que transportava outra com um bebê no colo. Obrigou as duas a descer, interditou o automóvel e impôs às duas indigitadas que tomassem um táxi. Nem perguntou se tinham dinheiro para a corrida, mas o fundamental é que a nova lei  isenta os veículos de aluguel de portarem cadeirinhas. Neles, os bebês podem ir no colo…

Falta de cuidados 

No desfile de Sete de Setembro, em Brasília, houve quem notasse singular falha no cerimonial. Porque historicamente, há décadas, mesmo depois da criação do ministério da Defesa, os comandantes das três forças colocavam-se próximos do presidente da República. Antes até  o recebiam     na beira do palanque, mas, como norma, ficavam a seu lado quando desfilavam as respectivas corporações. Assim, quando passava o contingente do Exército, antes o ministro, depois o comandante, eles informavam o chefe do governo das peculiaridades  de cada tropa. O mesmo acontecia com a Marinha e a Aeronáutica.  Desta vez, ficaram os  três oficiais-generais misturados aos montes de convidados no palanque oficial. A televisão não mostrou um deles, sequer, próximo do Lula. Nelson Jobim, ministro da Defesa, foi o que chegou mais perto, ainda que D. Marisa, o governador de Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal e o presidente da Câmara mais parecessem sentinelas guardando o comandante maior. São pequenas coisas que de quando em quando tornam-se grandes.

Minas embolada

Erra quem garantir  que o novo governador de Minas já está escolhido e  será Antônio Anastásia. Ou que será  Hélio Costa. A eleição embolou, não obstante a alternância de números divulgados pelos institutos de pesquisa. Nas Gerais, ao menos por enquanto, pode ganhar um como pode ganhar o outro, como diria o Conselheiro Acácio, que os mais jovens ignoram quem foi.   Fosse hoje o dia da decisão e a vitória surgiria milimétrica, para o tucano ou o  peemedebista. 

Quanto à disputa pelo Senado, parece tudo resolvido: Aécio Neves e Itamar Franco sairão vitoriosos. Fernando Pimentel não ficará muito perturbado com a derrota, pois tem lugar certo no ministério de Dilma Rousseff.

Rede TV e Folha de São Paulo: incluam o salário no debate

Pedro do Coutto

A Rede TV e a Folha de São Paulo promovem no próximo domingo, a partir das 21 horas, debate reunindo os quatro principais candidatos à presidência da República, cujos partidos possuem representação no Congresso Nacional. O primeiro foi na Band, esse agora será o segundo de uma série que deve – penso eu – passar pela Record, pelo SBT, novamente pela Band para terminar dia 29 na Rede Globo. O confronto de domingo reúne Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio. O assunto relativo às violações de sigilos fiscais em série é claro que vai entrar e os três adversários vão cobrar evidentemente um posicionamento da ex-chefe da Casa Civil a respeito dos crimes em sequência.

Uma sequência que, sem dúvida, desmoraliza a autoridade do ministro Guido Mantega e do Secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. Ambos deveriam ser demitidos. Mas esta é outra questão, que vai permanecer na ordem do dia.
Independentemente desse item, inegavelmente de grande importância, acredito que chegou o momento do tema salarial ser colocado em foco. Não existe questão mais importante e duradoura  e que até o momento, não entrou em pauta alguma. É preciso portanto que isso ocorra. Se pensarmos um pouco vamos constatar que está na raiz de quase tudo.

A começar pelo desafio da habitação. O Brasil apresenta um déficit de moradias em torno de 10 milhões de unidades, abrangendo praticamente de 35 a 40 milhões de habitantes. Como poderá ser resolvido? Somente através de uma política trabalhista autêntica que impeça que os reajustes anuais percam para a inflação. Pois se tal continuar a acontecer, não haverá solução possível. A Taxa de Referência (TR) que rege as cadernetas de poupança regula igualmente as prestações. Inclusive não pode ser de outra maneira. Não é possível dar casa a ninguém. Mas o poder público – esta é que é a história – tem obrigação de assegurar as condições sociais para que a população possa adquiri-las. Como fazer isso?
Basicamente assegurando reajustes anuais de salários nunca inferiores às taxas de inflação do IBGE ou da Fundação Getúlio Vargas.

Há uma defasagem acentuada entre estes vértices registrada principalmente ao longo dos oito anos de mandato de FHC, ainda não zerada pelo governo Lula. Enquanto tal prática persistir, programa habitacional adeus. O país não sairá do lugar em matéria de casa própria. E se não sair , tampouco sairá do lugar no que se refere ao saneamento. Basta pensar logicamente um pouco. A casa própria implica na existência de rede de esgotos e de água. A favelização conduz exatamente ao plano totalmente oposto. Quanto mais favelas, menos saneamento. A rede de esgotos não pode ser levada ao alto dos morros. Eis aí uma questão bastante simples. Ao contrário do que sempre desejam os tecnocratas: para estes, quanto mais complicado melhor. A complicação e equações complexas nada resolvem no plano social.

Para não alongar demais as implicações amplas que uma política salarial apresenta, citemos a face da educação no processo humano. Como pode a educação avançar concretamente se milhões de alunos vivem nas favelas e nos conjuntos residenciais cheios de valas infectas e cortados por canais de esgoto a céu aberto? É mais que difícil: impossível. O salário encontra-se na raiz de tudo. Ele é o único instrumento possível de distribuição de renda. Não existe outro.