Aldo Rebelo e a presidência da Câmara

Helio Fernandes

Logo que Dilma começou a montar o mediocríssimo ministério da sombra ( e não por causa do verão), escrevi aqui mesmo um artigo, com o título “Alerta a Dona Dilma”. Precisamente a respeito da resistência “da base” ao nome de Marco Maia para substituir Michel Temer.

Mostrei, com dados, números e detalhes: Aldo Rebelo, que foi presidente da Câmara por causa de Severino Cavalcanti, quer transformar Marco Maia num novo Severino. E voltar à presidência da Câmara, que não exerceria de outra forma.

Foi coordenando, conversando, concordando, achou que tinha votos. A maior parte da culpa era do Planalto-Alvorada. Se tivesse oficializado Candido Vaccarezza (também do PT), nenhum problema. Também chamei a atenção de Dona Dilma para a mudança de estratégia (?): Aldo Rebelo “aceita” ganhar no segundo turno, por isso lança vários nomes.

Conversa com comentaristas, sobre Sarney na presidência do Senado e o futuro do PT e do PSDB.

Marcelo de Jesus Delfino: “Não adianta. O PSDB está definitivamente preso ao passado, à Era FHC. Não voltará à Presidência, jamais. O eleitorado já decidiu. O PSDB é o passado e o PT é o presente. O futuro a suplantar tudo isso há de ser bem melhor”.

Comentário de Helio Fernandes: De uma coisa você tem razão. Embora seja difícil marcar os tempos. O passado não é rigorosamente o tempo que passou, principalmente em termos de política eleitoral. O presente seria mais fácil de determinar ou localizar, mas o PT será Lula-Dilma-Lula? De qualquer maneira, tenho estabelecido minhas dúvidas, que se parecem com as tuas. Se não fizeram a imprescindível reforma partidária, tudo será passado, não teremos futuro.

PS – Em tempo: ela não fará nenhuma das modificações exigida para participarmos de um futuro, verdadeiramente representativo.

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SARNEY: “NÃO TENHO ACORDO COM RENAN

BMJ: “Jornalista, li assombrado a afirmação do presidente do Senado: “Serei reeleito sem apoio de ninguém, nem mesmo de Renan”. Isso é verdade? Então, os 41 votos necessários virão de onde?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você pergunta se é verdade. Saiu como declaração dele, que não contestou. Quando ele fala, “serei eleito sem precisar de apoio de ninguém”, é um que pode dizer isso, sem ser acusado de “MENAS” verdade.

Foi presidente da República sem povo, sem voto, sem urna, o que pode ser chamado de unanimidade diante do espelho. Num sistema INDIRETO, ele foi mais INDIRETO por determinação do destino.

PS- Suplente de deputado em 1954, em 1985, 31 anos depois, foi “presidente”. Agora, 25 anos depois dessa “indireta” felicíssima, está no quinto mandato de senador, mudou até de Estado.

PS2 – E ainda afirma: “Não preciso de apoio, PRINCIPALMENTE DE RENAN”.

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OFELIA INDO E VOLTANDO

Ofelia Alvarenga: “Helio, é verão, mas os dias estão cada vez mais curtos. Quero agradecer a hospedagem dos meus comentários, me distraiu muito vir aqui e palpitar, algumas vezes melhor que outras. Ou pior. E dizer que se eu voltar é porque vim. Se não voltar é porque não vim. Saúde e Paz. Obrigada.”

Comentário de Helio Fernandes:
Ofelia Alvarenga, tua manifestação a respeito da participação, compreensível, mas dependendo unicamente de você. Como comentarista, você é que define e garante a p-e-r-i-o-d-i-c-i-d-a-d-e, que palavra.

Variadas, com a Transpetro, Delúbio Soares e memórias de Pedrossian

Helio Fernandes

É uma das maiores subsidiárias da Petrobras, da importância da BR. Mas não reivindicam o cargo, qual a razão? Motivo: Sergio Machado, que foi senador e formava no Ceará um triângulo fortíssimo com Jereissati e Ciro Gomes, está no cargo há anos, patrocinado por Renan Calheiros.

Jereissati, Ciro e Sergio tinham um pacto, dos três serem governadores. Os dois primeiros foram. Quando chegou a vez de Sergio, dissolveram o grupo.

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DELÚBIO NÃO FOI RECOMPENSADO

Todos falam, “um dos maiores réus do mensalão, se refiliou ao PT, compensação”. Não é nada disso, apenas PREVENÇÃO. Muitos, como ele, preocupados com o futuro, montaram “arquivos e dossiês”. É a forma de serem lembrados. Muitos dos que estão na mesma situação dele, aplaudiram. É o começo.

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O GOVERNADOR PEDRO PEDROSSIAN

Quando fui confinado em Mato Grosso (antes da divisão), ele era governador. Acusadíssimo por muitas irregularidades, tomou decisão que julgava “salvadora”: mudou a residência oficial, que ficou “colada” à casa do general comandante da Região. Só que esse general, corretíssimo, jamais o atendeu ou visitou-o.

Será que o ministro Mercadante já recebeu o título de “doutor em Economia” da Unicamp? Que a presidente Dilma tanto sonhou conquistar (e até pensou que tinha “conquistado”)

Carlos Newton

Nenhum jornal noticiou (pelo menos, não vi nada a respeito, nem na internet), mas na última segunda-feira o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, teria recebido na Universidade de Campinas o título de Doutor em Economia, apesar de não ter cumprido as regras impostas aos demais doutorandos do Curso de Pós-Graduação do Instituto de Economia.

Por exemplo: segundo o regulamento, ele só poderia adiar a apresentação da tese uma só vez, e apenas pelo prazo de seis meses. Pois o ilustre ministro postergou a apresentação pelo desprezível prazo de 20 anos. Além disso, de acordo com o regulamento, Mercadante só poderia receber o título de especialização latu sensu, jamais o título de “Doutor”.

Mas todas essas regras foram quebradas, e Mercadante também desrespeitou a tradição de o doutorando apresentar uma tese que discuta a teoria econômica. Ao invés disso, exibiu um calhamaço de 519 páginas sobre o governo Lula, anunciando o nascimento do “Novo Desenvolvimentismo” – um modelo baseado em crescimento e distribuição de renda.

Com frases quase sempre na primeira pessoa do plural, como se tivesse liderado ou integrado a equipe econômica de Lula, lá se foi Mercadante (“Superamos a visão do Estado mínimo”; “Não nos rendemos à tradição populista”; “Retiramos 28 milhões da pobreza”; “Melhoramos muito o atendimento na saúde”).

Como já noticiamos aqui no blog, o novo doutor dedicou boa parte de sua preleção a críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso, com ataques ao neoliberalismo e ao Fundo Monetário Internacional. E acabou sendo ironizado pelo ex-ministro Delfim Netto, professor titular da USP e que participava da análise da defesa da tese.

“Esse negócio de que o Fernando Henrique usou o Consenso de Washington… não usou coisa nenhuma!”, disse Delfim, arrancando gargalhadas. “Ele sabia era que 30% dos problemas são insolúveis, e 70% o tempo resolve”, acrescentou, lembrando que o cenário internacional foi favorável ao governo Lula e destacando que o bolo não cresceu apenas por vontade do presidente petista.

“Com o Lula você exagera um pouco, mas é a sua função”, disse Delfim a Mercadante, fazendo gozação: “O nível do mar subiu e o navio subiu junto. De vez em quando, o governo pensa que foi ele quem elevou o nível do mar…”

“O Lula teve uma sorte danada. Ele sabe, e isso não tira os seus méritos”, concordou o professor João Manuel Cardoso de Mello (Unicamp), que reclamou de “barbeiragens no câmbio” e definiu o Fome Zero como “um desastre”. No final, a comissão decidiu outorgar o título de “doutor” a Mercadante, que deveria ter recebido no último dia 17, mas nem o portal da Unicamp registrou o fato.

O título de doutor é o maior orgulho do acadêmico. No PT, chega a ser um fetiche. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff chegou a se declarar “doutoranda” em Economia na mesma Unicamp, apesar de nem mesmo ter conseguido o título de mestrado.

Como assinalamos recentemente aqui no blog, agora esses “exageros” nem interessam mais. Como presidente do Brasil, Dilma Rousseff vai se encher de títulos de “doutor honoris causa”, que as universidades dão a qualquer um. Desde que o “laureado” (ou “laureada”) esteja no Poder, é claro.

A culpa é do telefone

Carlos Chagas

Nada como buscar no passado  episódios grotescos para justificar  situações análogas no presente. Dividia-se radicalmente a população, na Espanha anterior ao golpe fascista do general Francisco Franco. As elites, os donos da terra, os militares  e a própria Igreja organizavam-se para enfrentar a onda de reivindicações sociais que comunistas, socialistas, anarquistas e sindicalistas desencadeavam, muitas vezes com extrema violência. Foi quando surgiu, nos andares de cima, o diagnóstico fulminante para explicar a ebulição no porão: a culpa era do telefone, recém-implantado no país! A moderna tecnologia gerava a rebelião das massas, queixavam-se  os privilegiados em seus convescotes, sermões e até  órgãos de comunicação.
                                              
Pois não é que entre nós a farsa se repete? Com o advento do telefone celular e sua utilização maciça pelas camadas menos favorecidas, aumentou o grau de consciência social do cidadão brasileiro. Ficou mais difícil enganar o povão com ilusões, mentiras, editoriais e falsa propaganda.  O cidadão comum, em maioria pobre, carrega sua maquininha não apenas para buscar trabalho,  biscates e  oportunidades. Também aprendeu, com rara competência,  a acionar sites e blogs que espalham notícias on-line, além de poder trocar opiniões variadas com o vizinho, o parente, o amigo  e o companheiro de infortúnios. Recebe montanhas de informações e sente-se capaz de processá-las, acima e além dos pratos-feitos distribuídos pela mídia ortodoxa, pelos governantes  e pela voz das elites.   
                                            
Assim, está  o trabalhador brasileiro consciente de que a realidade é bem diferente da ficção. Um salário-mínimo de 545 reais atropela qualquer propaganda de sermos o país-maravilha, sem desemprego, alçado ao patamar das grandes potências.  “Não é nada disso”, ouvirão cruzar os ares,   aos montes,  os tecnocratas   hoje  empenhados em estabelecer a censura nos celulares. Se  conseguirem, é claro. Quanto aos artífices da ilusão,  depois que ela for desfeita  só lhes restará repetir os espanhóis daqueles tempos: a culpa foi  do telefone (celular)…
 
UMA DISTÂNCIA IMENSA
 
Elogios para a presidente Dilma Rouseff por dar prioridade às despesas com a recuperação da serra fluminense, inclusive adiando por um ano a aquisição dos 36 aviões de caça no mercado internacional. Claro que a Força Aérea necessita reequipar-se, mesmo sem nenhuma perspectiva de guerra com outras nações. Será  preciso visualizar a compra dos aviões pelo ângulo das proporções. Um só porta-aviões dos Estados Unidos carrega 90 caças até mais sofisticados do que os 36  agora protelados. E aquele país dispõe de pelo menos onze navios-aeródromos, sem contar as dezenas de bases espalhadas em seu território e pelo mundo afora, com aeronaves ainda mais avançadas.

A distância é imensa, em termos bélicos. Mas socialmente, poderemos até estar na frente, se as vítimas e os efeitos  da recente  catástrofe forem melhor e mais rapidamente atendidos do que os infelizes habitantes de Nova Orleáns, ainda hoje de chapéu na mão.   
 
A OUTRA INUNDAÇÃO
 
A principal obrigação do jornalista é divulgar notícias, tanto faz se boas ou más. A tragédia da serra fluminense ocupou e mais ocupará, por muito tempo, as telinhas, os microfones e as páginas de jornais e revistas, sem falar nos sites e blogs e parafernálias  on-line. É triste relatar desgraças como a que se abateu  sobre o Rio de Janeiro, mas trata-se de nossa atividade.
                                              
Feito o preâmbulo, vai o principal: estamos exagerando.  Tanto  na quantidade de notícias  quanto  no conteúdo. Nos dois casos registra-se uma inundação de informações muitas vezes repetitivas e,  acima de tudo, sem respeitar o sofrimento alheio. É comum assistirmos repórteres entrevistando sobreviventes da catástrofe onde  perderam filhos, pais e irmãos indagando qual o seu maior sofrimento, ou de quem sentirão mais falta. Convenhamos, jornalismo é notícia, antes de ser  emoção e disputa por audiência. 
 
EXAGEROS 
 
Patriotismo é uma coisa, patriotada, outra bem diferente. O filme sobre a vida do Lula não conseguiu ser incluído na lista de películas estrangeiras que disputarão o Oscar, por uma razão muito simples: sua qualidade discutível, tanto no enredo quanto na técnica.
                                              
Pois não é que um grupo de aloprados atribui a desclassificação ao fato de o governo  Lula  haver-se aproximado do Irã, rejeitando as exigências dos Estados Unidos?

Haddad criou uma odisseia no espaço para os alunos

Pedro do Coutto

O ministro da Educação, Fernando Haddad, que conseguiu sucessivamente criar odisseias no espaço cibernético para 123 mil alunos que concorrem a bolsas de estudo através  do Exame Nacional de Ensino Médio e do Sistema de Seleção Unificada, em vez de apenas anunciar a demissão de Joaquim Soares Neto da presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Inep, deveria começar por pedir ele próprio sua demissão.

Afinal, o problema não foi só o Inep que falhou no ano passado e novamente em 2011. E sim do MEC que se revelou inepto para resolver questões de extrema simplicidade. A reportagem de Demétrio Weber e Lauro Neto, edição de O Globo de 18, aliás excelente, revelou toda dimensão do desastre. Inclusive é acompanhada por uma foto aberta em três colunas focalizando Haddad ao lado de Soares Neto, assim como se expusesse publicamente um culpado além dele, titular da pasta.

Essa não. Da mesma forma que o poder não se transfere, a culpa tampouco. Se tivesse que afastar Soares Neto do Inep, Nelson Haddad deveria tê-lo feito na crise do final do ano passado. Agora foi tarde demais. Os prejuízos impostos aos estudantes – cento e vinte e três mil – já foram enormes em matéria de tempo perdido e desgaste nervoso. Além do mais, Demétrio Weber e Lauro Neto revelaram, houve violação de sigilo, acesso indevido, por parte de estudantes, a dados pessoais de outros, um abismo em matéria de desorganização. O estudante Caio Henrique Figueiredo, por exemplo, inscreveu-se com opção para dois cursos da UFRJ. Muito bem. Seu nome foi remetido à disputa de vagas na Universidade de Ouro Preto, Minas Gerais, e São Carlos, São Paulo.

No filme de Stanley Kubrick, o piloto, para consertar um defeito na nave espacial, tem de enfrentar o computador Hall, que lutava para bloquear seu acesso à rede de controle. Isso em 1969. Agora, em 2011, os alunos para realizarem sua viagem no espaço cibernético em busca de oportunidades de ensino, uma obrigação do ME, têm que enfrentar o próprio Ministério da Educação. O problema será de difícil solução, já que 600 mil estudantes se inscreveram na busca de 123 mil vagas e os prejudicados pela descoordenação coordenam-se agora para uma nova aventura espacial. Esta não mais nas telas das universidades mas nas teias da Justiça.

A questão é das mais complicadas, uma vez que as provas do abismo não estarão disponibilizadas  para consulta e assim para a respectiva comprovação. Mas algo terá que ser feito, ou melhor, refeito, uma vez que os estudantes classificados (para as bolsas) não podem sofrer o prejuízo enorme de perdê-las em face de uma desorganização para a qual, inclusive, em nada contribuíram. Afinal de contas, não se pode cometer o extremo absurdo de transformar as vítimas em culpados.

O ministro Fernando Haddad, que a presidente Dilma Roussef relutou em manter no posto, com mais esse episódio negativo ficou com sua posição ainda mais abalada e dificilmente poderá superar o desgaste e firmar-se definitivamente no MEC. Não revelou a firmeza indispensável ao desempenho do posto e procurou passar toda a culpa a Joaquim Soares neto que pode ter errado, mas não errou sozinho. Ninguém sozinho, a não ser o próprio titular da pasta, é capaz de cometer erros tão grandes em série. Foi o que aconteceu, nem tanto por ação, mas principalmente por omissão.

Greve dos servidores da Justiça no Rio obteve vitória apenas parcial, em meio a diversas decisões irregulares do Tribunal

Carlos Newton

Nenhum jornal publica nada, é impressionante o boicote ao movimento dos funcionários do Poder Judiciário no Estado do Rio. Eles reivindicavam um reajuste de 24,6%, referente a uma diferença salarial a que faziam jus. Como não tiveram reconhecido pela presidência do Tribunal o direito que a própria Justiça lhes garantira, entraram em greve, que teve adesão parcial.

Mas a greve não foi totalmente vitoriosa, pois o presidente do Tribunal de Justiça decidiu pagar o reajuste de  24,6% apenas aos cerca de mil servidores que haviam movido a ação, deixando de fora todos os demais, inclusive aposentados e pensionistas. Ou seja, criou duas espécies de funcionários – os com aumento e os sem aumento. 

A reação foi muito forte e a presidência do Tribunal mudou outra vez de posição. Anunciou então que vai pagar, em quatro parcelas anuais (2011, 2012, 2013 e 2014) não cumulativas, a todos os outros serventuários da ativa, excluindo aposentados e pensionistas.

Caramba, essa decisão é um primor de injustiça. É claro que todos os funcionários têm direito ao reajuste imediato, caso contrário o presidente do TJ não tomaria essa decisão. Mas por que pagar aos demais servidores de forma não cumulativa, sem juros e correção? E por que excluir aposentados e pensionistas? É óbvio que eles têm os mesmo direitos.

A perseguição aos aposentados e pensionistas é implacável e inexplicável. Por exemplo, a diferença do Auxílio Saúde, este também não foi pago, aos aposentados e pensionistas, conforme o contracheque enviado aqui à Tribuna. Quanto ao Abono de Natal (R$ 1 mil), por favor informem se já foi pago ou vai ficar para o ano que vem.

Diante dessa situação, só podemos parodiar o ex-deputado mineiro Francelino Pereira, líder da Arena no governo Geisel, que num momento de indignação desabafou, perguntando: “Que país é esse?”, frase depois reaproveitada brilhantemente por Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana. Então, que Justiça é essa?

Bellucci: a esperança desperdiçada, desesperançada

Helio Fernandes

Começou bem, falavam: “É o novo Guga”. Ele mesmo acreditava, muito justo. Ano passado era o número 27. Agora, 14 meses depois, é o número 30, geralmente fica no primeiro jogo. Agora na Austrália, que decepção. Precisou de 5 horas ganhar de outro brasileiro, número 77.

Ontem, jogou (não quero dizer enfrentou) com um adversário número 241, eliminado impiedosamente. Novamente quase 5 horas contra alguém que veio do torneio de classificação.

Alto, forte, com boa devolução, sacando bem (tanto que contra o 241 venceu dois sets, ambos no tiebreak. Deve parar com 30 ou 32 anos, como número 30 do ranking. E trocando de técnicos, acaba demoralizando até o competente Larry Passos.

A triangulação ateniana e nada espartana do PSDB, divididos pela ambição. Serra e Alckmin há 16 anos no Poder estadual, não conseguem o Poder nacional. Agora, “assombrados” pelo “jovem” Aécio Neves.

Helio Fernandes

O PSDB, que nunca esteve unido, agora se dividiu inteiramente. Em três grupos. 1 – José Serra, não “desencarnou”, pretende ficar no palco, não se sabe até quando. Mas o grande e visível objetivo, é a terceira candidatura a presidente. Não revela quais os caminhos.

2 – Geraldo Alckmin, desde 1994, direta ou indiretamente no governo de São Paulo. Depois de assumir interinamente como vice de Covas (sempre muito doente), foi eleito a terceira vez, i-n-c-o-n-s-t-i-t-u-c-i-o-n-a-l-m-e-n-t-e. Em relação a Serra, leva a vantagem de 10 anos, que será a mesma em 2014.

3 – Aécio Neves, sempre chamado de “nosso jovem candidato”. Sobre todos os possíveis adversários ou correligionários: acabou de entrar na faixa dos 50 anos. Indecisão para 2014: não tem certeza se prefere enfrentar Lula ou Dilma. Se for Lula, estará com os 87 por cento intactos? Se for Dona Dilma, é porque fez um governo marcante? Só que faltam 4 anos.

Incerteza, insegurança, indecisão dominam os personagens e os partidos. O início do caminho, para todos, é agora. A primeira paralisação (ou baldeação, que palavra?) em 2014. Essa é a data esperada, controvertida, incógnita completa. Mas tem que ser enfrentada por todos, sejam do PSDB ou PT.

(O PMDB, que só quer os dividendos do Poder, tem pavor dos riscos desse Poder. Como a cúpula vai envelhecendo, e eles mesmos têm medo da renovação, não surge ninguém. Casuísmo e cargos criados por intimidação, não criam lideranças.)

Não é possível que o PSDB, há 16 anos no Poder estadual, não consiga se renovar. Os mesmos nomes, sempre, impostos descuidadamente a um cidadão-contribuinte-eleitor, que escolhe da mesma forma descuidada os que vão representá-los?

O PT faz a trajetória inversa mas também eternamente sem renovação ou com nomes que possam significar mudança. Desde 1989, portanto há 21 anos (e começando um período que chegará aos 25 anos), o candidato derrotado ou vitorioso é unicamente Luiz Inacio Lula da Silva. Que só “inventou” um sucessor, quando não dava mais para ele.

Esse caminho do PT acabou vitorioso no plano nacional, mas sem o menor sucesso em grandes estados. Até mesmo em São Paulo, o PSDB vem seguidamente de 1994 até agora. E não se diga que foi falta de objetivo. O próprio Luiz Inacio foi candidato a governador de São Paulo, tirou quarto lugar com quatro candidatos. Ainda não havia descoberto e ganho a mesasena dos 87 por cento de popularidade.

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PS – E pelo que se depreende ou se percebe, os mesmos artistas ou malabaristas contarão as mesmas histórias para o mesmo número de eleitores. Eleitorado que se não aumentar, ficará nos mesmos 130 milhões de agora. Com os 20 milhões desamparados para Dona Marina, e os 24 milhões da abstenção.

PS2 – 2014 é tão fascinante, desejado e divisório, que Dona Dilma anuncia um plano de RECUPERAÇÃO da tragédia da serra, que levará 4 anos na construção. E dará resultado (segundo informações oficiais) a partir de 2014. Dará?

PS3 – É uma fantástica coincidência? Ou serão necessários todos os 4 anos do primeiro mandato para implantar a segurança que é uma obrigação de tantos e tantos anos? Existem planos anunciados desde 2005. Por que esse daria certo precisamente no divino 2014?

PS4 – Ainda existe tanta coisa para acontecer. Mas até a tragédia de agora, tem data, tempo e prazo para acabar: 2014, que parece ser a data-chave da nossa história futura. De novo mesmo só Aécio neves, que já esteve na imaginação (e não apenas deles), agora atravessa o lamaçal que leva à realidade.

PS5 – Os que estão no Poder nacional, que jamais chegaram a esse Poder ou pretendem voltar a habitá-lo ou reconquistá-lo, não descartam nem a possibilidade ou a chance de 2018.

PS6 – Estarão entre 67 e 73 anos, dentro da normalidade e da longevidade, podem se animar olhando ou consultando o calendário.

PS7 – De todos, apenas um com muito menos idade. Também apenas um que estará tão avançado na idade, que não pode acreditar nem mesmo em milagre.

Delúbio Soares não está voltando ao PT, porque nunca saiu

Helio Fernandes

Os jornalões, desinformados ou amestrados, dizem na Primeira: “Delúbio Soares caminha e afirma o projeto de dominar o PT”. Voltar não é o seu projeto, sempre esteve no PT.

O que acontece: o “mensalão criou a indústria do dossiê”, usado por muita gente. Se Dona Erenice (“meu braço direito”) voltar, a longa viagem de volta servirá a todos. Se ela não voltar, a conclusão: dossiê e intimidação, não estão produzindo resultados. O que acontecerá? É o que Valério pergunta, e espera.

A alta dos juros, uma novidade mais do que prevista

Helio Fernandes

Dona Dilma foi sempre contra o aumentos dos juros. Já eleita e não empossada, revelou: “Vou trabalhar com base na queda dos juros”. Assim que designou Tombini para substituir Meirelles, eu disse aqui: “Vem aumento de juros, o ex-diretor do BC é partidário dessa política”.

Agora que se fala no presumível e suposto crescimento da inflação, já surge o primeiro aumento da “Taxa Selic”, que subiu 0,50%, para começo de conversa.

Apenas para comparar: nos EUA, os “mesmos sinais” de elevação da inflação. O presidente do FED deu entrevista, afirmou: “Estamos atentos, se for necessário e mesmo imprescindível, aumentaremos os juros”.

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PS – Para que ninguém esqueça: os juros nos EUA, estão entre Zero e Zero 25 (0,25%). Ao ano, ao ano.

Conversa com comentarista, sobre a “reforma partidária” do governo ditatorial de 64

José Antonio: “Não me parece exato dizer que os militares não fizeram reforma partidária. Os múltiplos partidos (parece-me que eram 13) existentes em 1965 foram reduzidos a dois: a Arena, que dava sustentação ao governo, e o MDB, que se apresentava como oposição. Se isso não foi uma reforma…”

Comentário de Helio Fernandes:
Não reformaram nada. Reduziram os partidos para dois, era mais fácil governar. Criaram a Arena e o MDB, logo identificados como o partido do “SIM” (Arena) e do “SIM, SENHOR” (MDB). Dominaram os dois através de “eleições indiretas”.

No Estado da Guanabara (depois Estado do Rio, com a fusão criminosa de Giesel), como o MDB tinha maioria, o presidente desse MDB, Chagas Freitas, foi feito “governador” duas vezes, com todas as aspas e paetês.

Em 1974, o MDB elegeu 16 senadores em 21 estados e 1 Distrito Federal. Os militares no Poder ficaram com medo. Então, para 1978, Geisel criou os biônicos. 22 senadores estava garantidos (eram duas vagas), não importava que perdessem os outros.

Em 1981, mudança total, João Figueiredo criou esse pluripartidarismo amaldiçoado que está aí. Já existia o PP, com Magalhães Pinto e Tancredo Neves. Este me convidou para entrar no partido, com o compromisso público para que eu fosse candidato a senador.

Fui recebido com grandes festas em Brasília, direito a discursos de Magalhães e de Tancredo, me chamando de “maior oposicionista do Brasil durante a ditadura”. Eu já era tido e havido como eleito, a mesma coisa que ia acontecer em 1966, só que para deputado federal.

No final desse mesmo ano, eu almoçava em Brasília com Tancredo e o Doutor Ulisses, quando veio um emissário do Planalto, com o recado: “O presidente João Figueiredo quer falar com os dois, imediatamente”. Lógico, largaram a comida, saíram correndo, devia ser alguma coisa importante, era mesmo.

Figueiredo comunicava aos dois líderes políticos mais importantes do país (a ditadura examinou cassá-los, ficou com medo) que “OS PARTIDOS HAVIAM ACABADO”. Podiam ser criados outros, com as exigências que seriam transmitidas pelo professor Leitão de Abreu, o homem mais importante do governo, depois da saída de Golbery.

1 – Tinham 30 dias para essa modificação. 2 –Não havia limite ou limitação para o número de partidos. 3 – As siglas deveriam começar com um P de partido. 4 – Mas não previram nem estipularam o número de letras dessas siglas. 5 – No MDB, alguém pouca coisa mais inteligente colocou um P na frente do MDB, ficou sendo o maior de todos, PMDB, carreirista mas histórico.

6 – Jamais consegui saber que fez essa “mágica simples”, que irritou profundamente João Figueiredo. 7 – Apesar da ditadura, não pôde fazer nada, já saíra no Diário Oficial. 8 – Tancredo e Magalhães consultaram especialistas, a conclusão; em 30 dias não dá para “oficializar” o PP, a solução é ser INCORPORADO pelo PMDB, o que aconteceu numa reunião tumultuadíssima. 

9 – Lá se foi minha candidatura ao Senado. Era só uma vaga, pertencia ao PMDB. Tancredo e Ulisses me convidaram para deputado, “você ser o mais votado do Estado do Rio e talvez do Brasil”.

10 – Minha resposta na hora: “Cassado há 16 anos, não quero repetir a candidatura, depois de tanta luta. Meu projeto continua o mesmo de 1966”.

Como você vê, José Antonio, essa pluripartidarismo de 37 ministros, herança macabra, perdulária e ingovernável, vem da ditadura.

 

A realidade do Haiti, empobrecido por um ditador enriquecido

Helio Fernandes

Roubou mais do que o pai, o que não é uma satisfação para o povo. Derrubado depois de 15 anos de roubalheira, Baby Doc viveu no “exílio dourado de Paris”, por mais de 25 anos. Voltou, corrupto, audacioso, sem vergonha, queria novamente o Poder.

Aplaudido pelos seguranças e pelos que enriqueceram com ele, disse que “conquistaria” outra vez o governo. Mas está preso (por enquanto num hotel), fazem levantamento de quanto roubou. O país mais pobre do mundo, só que a humilhação maior seria deixar esse Baby Doc “governar” novamente.

Hoje, 2 anos de Obama no Poder (com dificuldades para a reeleição)

Helio Fernandes

Nada brilhante, criativo, marcante, nesse 20 de janeiro. Chegou à Casa Branca há 2 anos, como a grande esperança, não apenas para os EUA, mas para a coletividade. Negro com uma ascendência complicada, venceu duas batalhas, ou uma batalha e uma guerra. A batalha pela indicação partidária e a vitória nacional. A guerra, pela entrada na Casa Branca.  

Tido e havido como “presidente de 8 anos” ( o máximo de uma presidência, depois da Emenda número 24, de 1952), sua situação não é tão confortável como parecia. Não desperdiçou a esperança, mas estimulou a desesperança.

Sua popularidade caiu tanto, que mesmo nos círculos políticos de Washington, se diz: “Nestes dois anos que faltam, terá que fazer campanha para ganhar a indicação”. Mesmo indicado (o que deve acontecer), não ganhará tão facilmente como no primeiro mandato.

Ao invés de prevenir e evitar tragédias no futuro, Sergio Cabral e Eduardo Paes preferem investir no Museu do Amanhã, mais um lançamento inútil da Organização Globo.

Carlos Newton

Na internet, não se fala em outra coisa. Qual o interesse do governo do Estado do Rio e da Prefeitura carioca em um “Museu do Amanhã”? Se as respectivas autoridades não conseguem nem administrar o presente, o que esperar do futuro?

 Afinal, o que será um “Museu do Amanhã”? A prevalecer a excelente letra da canção “O Tempo Não Para” (de Cazuza e Arnaldo Brandão), seria “um museu de grandes novidades”. Algo do que ainda vai acontecer. Mas isso para nós é muito perigoso, porque aqui no Brasil, em termos políticos, o que vem pela frente pode ser uma surpresa muito desagradável. Como esse grande negócio entre a Organização Globo, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.

Como já está mais do que sabido (há vários dias, os comentários aqui no blog da Tribuna não param), em outubro do ano passado o governador Sérgio Cabral desviou R$ 24 milhões do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam) para atender a Fundação Roberto Marinho, que planeja construir o tal “Museu do Amanhã” na área portuária do Rio.

Vamos conferir o que anuncia o próprio o site da Comunicação Social do Governo de Sérgio Cabral: “O museu terá uma área de 12,5 mil metros quadrados. O custo total do projeto gira em torno de R$ 130 milhões, cabendo ao Estado cerca de 24 milhões do investimento e o restante à Prefeitura. Os recursos estaduais são oriundos do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam), da Secretaria do Ambiente”.

Esses recursos, pelo Orçamento do Estado, deveriam ser destinados para contenção de encostas e serviços de drenagem, no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente. Essas obras, sim, seriam positivas para o amanhã da população do Estado do Rio. Mas o que esperar do amanhã, com esse tipo de governantes?

Para culminar, em Brasília circula nos bastidores do Planalto a informação de que a presidenta Dilma Rousseff, num longo telefonema, pegou pesado com Sergio Cabral, sexta-feira passada, porque desde 2008 o governo fluminense já fora alertado pelas autoridades federais de que as chuvas poderiam causar uma tragédia no Estado.

A presidente também teria criticado duramente Cabral por viajar para Paris no início do verão, que é sempre um período muito crítico, com sucessivas trombas d´água na região. Dilma Rousseff até ironizou o fato de que, em toda catástrofe no Estado do Rio, quem aparece sempre é o vice-governador Luiz Fernando Pezão, como ocorreu no verão passado, quando houve os graves deslizamentos em Angra dos Reis e na Ilha Grande, o governador estava em sua mansão de Mangaratiba, bem pertinho, mas só apareceu por lá dias depois.

Depois de exercer, tomar o poder

Carlos Chagas 
                                                       
Parece longe de ter sido contida a rebelião no PMDB, depois de receber  três e não seis ministérios, que mantinha no governo Lula, alem de não haver engolido o congelamento das nomeações para o segundo escalão. Dirigentes,  líderes e até segmentos das bancadas do partido não perdoam a presidente Dilma Rousseff, apesar do jogo de cena e das juras de fidelidade que se sucedem.
                                                       
Um raciocínio domina o PMDB, sobre a necessidade de fazerem valer sua força nesses primeiros tempos do novo governo, porque depois ficará pior, caso não reajam. Para os cardeais da legenda, a responsabilidade por essa diminuição deve ser repartida entre a presidente da República e o partido dela, o PT,  coisa que dá no mesmo. Eles argumentam que no governo Lula os companheiros exerceram o poder, mas no governo Dilma, buscam tomar o poder. O risco é grande, em especial diante da hipótese de,  depois dela,  retornar o Lula, já então sob nova direção, ou seja, dono absoluto do estado brasileiro. Mais como imperador, até,  caso a corrente não seja contida no nascedouro.
                                                       
É o que pretende o PMDB, agora, julgando-se garfado depois de exercer as funções de condômino e co-participante da eleição de outubro passado. Tivesse o partido se inclinado pela candidatura José Serra e quem garante que os resultados não teriam sido diferentes? A hora, assim, é de cobrar a conta, não apenas pela contribuição para a eleição de Dilma como para prevenir a completa conquista  do poder pelo PT, candidato a partido único…
 
APENAS IGUALDADE DE OPORTUNIDADES NÃO BASTA  
 
Setores hoje meio fora de moda, como a intelectualidade acadêmica e esquerdista, aqueles que já foram  do PT mas abandonaram  o partido, alertam para um hiato nas propostas de Dilma Rousseff. Se concordam com o objetivo de extirpação da pobreza absoluta e da miséria, discordam do diagnóstico de que tudo se resolverá com a igualdade de oportunidades para toda a população. Aliás, desconfiam das elites que  se apegam tanto a essa meia verdade, porque atrás da igualdade de oportunidades situa-se a  livre competição entre quantidades distintas.

Como poderão competir o filho do miserável desempregado, morador num barraco da periferia, e  o pimpolho bem alimentado da classe média e dos andares superiores? Não adianta ficar citando as exceções como regra, à maneira do  menino descalço  que vendia amendoim na feira haver-se tornado grande industrial, banqueiro ou até presidente da República. Para cada exemplo de quem se beneficiou pela igualdade de oportunidades ou pela livre competição entre quantidades distintas existirão milhões que ficaram pelo caminho, ou nem puderam trilhá-lo.
                                                       
Só a igualdade de oportunidades não basta. É necessária mas, isolada, torna-se  enganação, tendo em vista que imensos contingentes  de brasileiros começam a não ter oportunidade ainda na barriga da mãe, doente, mal alimentada e incapaz de transmitir ao futuro bebê as condições mínimas de competir ou de ter oportunidades.
                                                       
Seria para essa massa que deveriam voltar-se as atenções do novo governo, sabendo da importância de assistir os menos favorecidos com instrumentos acima e além de conceder-lhes igualdade de oportunidades. Apenas escola não chega, é preciso saúde, emprego, alimentação, lazer,  cultura e até  privilégios.
 
PRELÚDIO DE CRISE
 

Depois de o Supremo Tribunal Federal haver decidido que seria do presidente Lula a palavra final sobre a extradição de Césare Battisti, vem o presidente da mais alta corte nacional de justiça dar o dito pelo  não dito,  admitindo que seus colegas possam, quando reunidos, mandar o italiano de volta ao seu país.

Ora, o então presidente da República determinou que Battisti ficaria no Brasil, reconhecendo sua condição de refugiado político. O ministro Cezar Peluso reabre  questão já concluída e deixa aberta a brecha para um confronto entre o Judiciário e o Executivo. Caso o Supremo decida pela extradição, como ficará a presidente Dilma Rousseff, que terá concordado em gênero, número e grau com o antecessor? Quem sabe se indicasse  logo o décimo-primeiro  ministro a decisão do Lula ganharia reforço?
 
SARNEY TOMARIA A INICIATIVA? 
 
É bom esclarecer que em termos de reforma política o Senado fez a lição de casa. Depois de acirrados debates, ainda em 2009, os senadores aprovaram não todas mas uma série de mudanças na legislação eleitoral e partidária. Os projetos desceram à Câmara e até hoje lá se encontram, sem solução.  Tendências podem ter sido mudadas, mas um ponta-pé inicial tem que ser dado nesse que poderá constituir-se no segundo tempo da partida. Há quem suponha o atual e futuro presidente do Senado e do Congresso, José Sarney, tomando a frente dessa nova tentativa. Ainda mais se for ajudado pelo Lula, cuja promessa foi de, deixando o poder, trabalhar pela reforma política. Ao menos com a boa vontade do PT Sarney contaria, e como é um dos líderes do PMDB, quem sabe?

Ferreira Gullar se autoiludiu, iludindo os leitores

Pedro do Coutto

No espaço que aos domingos ocupa brilhantemente no Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, neste fim de semana, o intelectual Ferreira Gullar, num impulso para reduzir a importância da aprovação final do governo Lula, na escala recorde de 87%, segundo tanto o Ibope quanto o Datafolha, afirmou que o presidente Médici encerrou seu período com popularidade igual. Médici foi ditador de 69 a 74.

Gullar, um perseguido político que teve de se exilar do país, conhece bem o tempo e sofreu diretamente, por sua participação no antigo centro Popular de Cultura, o peso dos anos de chumbo. Claro que Gullar, numa espécie de auto hipnose se enganou e, com isso, contribuiu para iludir os leitores mais jovens.

Errou. Tanto assim que nas eleições de 74 o PMDB venceu disparado elegendo 16 senadores, um por estado, e dobrando sua representação na Câmara. Em São Paulo, por exemplo, Orestes Quércia derrotou Carvalho Pinto. No Rio de Janeiro, Danton Jobim venceu Gama Filho. Em Minas Gerais, Itamar Franco despontava no plano federal batendo José Augusto por larga margem. Foi o chamado marevoto contra a ditadura militar.

Ao contrário do que sustentou o jornalista e poeta, cuja importante obra de arte é relançada agora de forma integral, os números mostram que a comparação entre Lula e Médici só destaca Lula. Pois enquanto os militares perdiam disparado nas urnas, Lula vencia Serra em 2002 por 62 a 38. Quatro anos depois, batia Geraldo Alckmim por 61 a 39. E, no ano passado, ainda elegeria Dilma Roussef por 56 a 44%.

Gullar deixou-se levar pela emoção contra a razão. Errou. Não foi o único artista a se equivocar. Nem isso abala sua obra. Mas é preciso não brigar com os fatos. Pois como diz o belo verso de Vinicius de Moares, a vida tem sempre razão.

Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, um grande poeta americano de Idaho, Ezra Pound, não sei porque razão enveredou pelo sinistro caminho de apoiar o nazismo. Aliás, o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini, pois o autor dos “Contos”, tradução do meu saudoso amigo José Lino Grunewald, vivia na Itália. Em Veneza, onde praticamente não há referência sobre sua vida. Tornou-se uma figura do passado entre o Grande Canal e a Praça de São Marcos, onde se encontram obras notáveis da  Renascença.

Em junho, os aliados desembarcaram na Normandia para libertar a França do jugo de Hitler. Tomavam as praias, e depois de muita luta, rumavam para Paris. Ezra Pound, através de programa de rádio, dizia exatamente o contrário: que as forças americanas, inglesas, canadenses  e um batalhão de voluntários poloneses estavam sendo dizimados e destroçados. Qual a explicação para o que se passou na cabeça do gênio?

Ferreira Gullar, claro, não enlouqueceu, mas a mim parece que não consegue ouvir falar de Lula. Talvez pela falta de sintonia que separa ambos diante da beleza e da eternidade da arte. Deve ser por aí. Mas Gullar, que não nega a força da intuição no ser humano, deveria considerar este aspecto em favor do ex-presidente da República. Perdeu três eleições, venceu outras três e deixou o Planalto consagrado pela opinião pública. Um apoio de 87% não pode vir apenas das classes de menor renda. Não seriam suficientes, somadas, para conduzir a esse patamar. Não.

Seu êxito é produto de acertos concretos porque, sem eles, ninguém atinge escala assim. Deixo uma sugestão a Ferreira Gullar à altura de seu talento: reveja o índice Médici e torne mais flexível seu pensamento em relação ao ser humano Luiz Inácio. As razões de seu sucesso são mais profundas do que parecem numa primeira leitura, expressão da moda. Numa segunda visão, a  imagem aparecerá com mais nitidez. E menos paixão.

Sempre se soube que essa tragédia ou catástrofe anual, tinha três palavras-chave: PREVENÇÃO, FISCALIZAÇÃO, CONSTRUÇÃO de risco em encostas.

Helio Fernandes

Agora, diante do inominável, especialistas repetem. Não é a primeira vez que o fato acontece, sempre com as mesmas causas, e naturalmente as consequências que poderiam ter sido previstas. E os técnicos de todas as especialidades, ligados ao problema, alertam para a imprevidência, imprudência, inconsequência.

É lógico, claro e evidente que não se esperava que o verão 2010/2011 tivesse essa violência, devastasse e matasse de uma forma inacreditável, como aconteceu. Não havia jornalão, rádio ou televisão que pudesse se atualizar em relação ao número de mortos.

A cada hora, dramaticamente ia aumentando. No primeiro dia, quando já contavam 100 mortos, o horror era geral. Quando chegou a 200, a contagem foi se atropelando, ninguém acreditava que pudesse subir mais. Só que chegou a 300, 4oo, na última comunicação havia atingido 672 mortos. E estimavam que houvesse número imprevisível de desaparecidos ou ainda não encontrados.

Agora estão todos estarrecidos como se tivesse acontecido pela primeira vez. Jamais aconteceu com essa violência, mas é fácil supor que a cada ano a resistência diminui, as encostas estão mais frágeis, as casas (?) aumentam, os riscos crescem na razão direta do abandono.

Ninguém foi responsabilizado, ano após ano, autoridades (?) municipais, estaduais e federais, ficam impunes e imunes, prefeitos escondidos nas suas mansões, secretários de Obras de todos os municípios, resguardados nas fortificações que sabem inatingíveis.

Responsáveis municipais e estaduais, continuam longe dos fatos, das providências e das decisões. É preciso então que o governo federal apareça e imponha medidas salvadoras, mas que ninguém tem interesse (ou recursos?) para traduzir em velocidade maior e com resultados visíveis i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e.

O nosso tipo de Federação, concentrada no Federal, abandona o estadual e o municipal, que se refugiam na impossibilidade de fazer. O governo federal domina tudo, mesmo os “repasses constitucionais”, são feitos como se isso fosse “generosidade” ou “desprendimento” do governo central.

(Nos EUA, presidencialismo igual ao nosso, a Constituição é “estadualista”, os estados e municípios têm direitos e deveres constitucionais e obrigatórios. Rui Barbosa  hesitou muito entre a FEDERAÇÃO inconsequente e a CONFEDERAÇÃO responsável. Quando abandonou a vida pública em 1919, depois da derrota para Epitácio Pessoa, revelou ao grande amigo, senador Antonio Azeredo: “Meu maior equívoco foi ter optado pela Federação”).

Agora, o governo federal, centralizado em Dona Dilma, anuncia providências, “cujos resultados só serão conhecidos dentro de 4 anos”. Ou como foi dito textualmente pelo Ministro Mercadante: “Deve funcionar plenamente no fim de 2014”.

Nada pode ser feito na hora, mas a emergência não é a palavra da predileção de governantes. Só que é obrigatório perguntar: e o que será de 2012, 2013, 2014 e até 2015, como está dito pelo Ministro de Ciência e Tecnologia?

E esse Ministro tinha que ser logo o ex-senador derrotado para governador, Aloizio Mercadante? O mesmo homem da “RENÚNCIA IRREVOGÁVEL”, humilhado e desprezado por Lula, nesse episódio e em outros? Como acreditar na palavra dele, na sua capacidade de realização, de participação, de cooperação?

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PS – Admitamos que a própria presidente reveja a situação, diga para ela mesmo e para o respeitável público: “É muito tempo, teremos que esperar até 2014?”

PS2 – Na vida de Dona Dilma presidente, muita coisa remete a essa data, que pode ser um marco na sua história. Muitos previam incertezas e incógnitas para 2014.

PS3 – Com esforço, concentração e competência, Dona Dilma não pode derrotar esse 2014? Entre os obstáculos que colocavam para ela, não estava a tragédia, a catástrofe e a fatalidade. Da natureza ou da imprevidência, e sim da HERANÇA MALDITA.

Para se eleger presidente da Câmara, Marco Maia começa a fazer concessões

Helio Fernandes

Escolhido candidato oficial de um acordo PT-PMDB, era tido como candidato garantido para comandar a Câmara. Mas surgiu um grupo constituído de deputados ressentidos, outros querendo intimidar o governo, e o terceiro com maioria lobista, e seu favoritismo ficou ameaçado.

Seguindo conselhos de deputados de muitos mandatos  (Henrique Eduardo Alves, Pedro Novais [o agora ministro do Turismo de Bordel], Eduardo Cunha e outros), começou a conversar.

Primeiro pedido que atendeu logo: não dar chance aos que “combatem” os deputados. Disse logo: “A reforma política e partidária não tem nenhum a prioridade. Pelo menos nos próximos 4 anos”. Melhorou?

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POR QUE OS TRÊS JUNTOS?

Joaquim Roriz e Paulo Otavio, surpreendentemente, foram vistos entrando na casa de José Roberto Arruda. Todos cassados e afastados da vida pública para sempre, o que conversaram?

Presidência da Alerj: cabralzinho e Brazão deram sinal de fraqueza

Helio Fernandes

Como tenho noticiado com exclusividade,  cabralzinho trata diariamente da eleição do substituto de Picciani. (Este ainda é presidente até o dia 31 de janeiro. Como a eleição é no dia seguinte, não tem mais importância).

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BRAZÃO DIZ QUE FEZ ACORDO

Como estava marcado, ontem Domingo Brazão fez o segundo café da manhã. Mas decepcionou uns 20 ou 25 deputados que estavam querendo derrotar Paulo Mello. Textual: “Serei presidente da Alerj no biênio 2013/14”. Frustração. Dentro de 2 anos cabralzinho terá esquecido de tudo. Só que ele e Brazão, deram sinal de fraqueza.