Bovespa: amestrados desinformados

Ações e dolar começaram em alta. Às 13 horas, passava dos 52 mil pontos, mais 1,20%. O dolar em 1,95 subindo 0,70%. O volume era de 2 bilhões, o maior do ultimos 18 dias.

Afirmação duplamente equivocada: “Esta semana há um feriado, da Independencia dos EUA, 4 de Julho”. O dia 4 é domingo, e não é a Independencia e sim a DECLARAÇÃO DA INDEPENDENCIA. Esta propriamente dita ocorreu em agosto de 1781, 5 anos depois. Não quero que amestrados conheçam historia. mas em materia de feriado, basta olhar a “folhinha”.

Contratação rima com eleição

Lei sancionada pelo governador Sergio Cabral permite a contratação de servidores por prazo determinado em até 5 anos. Tomou o numero 5490/2009 e altera a 4599 de 2005. Esta condicionava a contratação temporária ao período de dois anos. Nada como uma eleição, no caso a de 2010, para despertar a sensibilidade dos governantes. Deveria haver, por isso, eleições todos os anos no país todo. Seria um avanço social ponderavel. É o que defendo há muito anos.

Governador guloso

Atualmente, em algumas escolas publicas do Estado do Rio de Janeiro, um prato de comida de boa qualidade pode ser fornecido ao custo de R$ 0,32 (trinta e dois centavos). O Estado paga por cabeça dez centavos e a União, 22 centavos.

A proposta que tramitou na Secretaria de Educação do Estado era fornecer alimentação pelo preço de R$ 2,77 (dois reais e setenta e sete centavos).

Dessa forma, o governandor Sergio Cabral, lembrando seus tempos de tucano, pretende retomar as privatizações, como tenta fazer com a agua (CEDAE), com o aeroporto do Galeão (até mesmo fora da sua competencia), e agora, com a merenda das crianças nas escolas, entregando seu fornecimento nas mãos de particulares.

Querem enriquecer até com a alimentação das crianças. Que Republica. (Exclusiva)

Wimbledon: morango com muito creme

Às 11:30 no Brasil, 3 e meia em Londres, Venus e Serena Williams venciam a quarta partida. Ficaram a três da final. Que pode ser, mais uma vez, entre elas.

Federer eliminou impiedosamente Sonderling. Quando este ganhou de Nadal em Roland Garros, registrei: aos 24 anos, tendo apenas 3 titulos inexpressivos, jamais chegará a numero 1. Ganhou por acaso. Hoje, enfrentando Federer e oerdendo facilmente, confirmou minha observação.

“NÓS VOLTAREMOS”

Jorge Rubem Folena de Oliveira:
“Sempre que leio a tragédia recaiu sobre a sua vida e seu trabalho, fico cada vez mais orgulhoso do senhor, na medida em que não percebo, em suas manifestações, sentimentos de rancor ou ódio, que seriam naturais diante das circunstâncias reveladas e comprovadas.

Ainda bem que existem homens com coragem para lutar e persistir, transmitindo às gerações futuras que um mundo melhor ainda poderá existir. Isto, o repórter nos passa a todo o momento, mesmo nas dificuldades.

Como revelei em outra oportunidade, agradeço por seus ensinamentos diários e desejo uma longa vida à sua Tribuna da Imprensa.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Folena, pela contribuição e a observação. Esse ponto destacado por você é fundamental na minha vida e em toda a participação de dezenas de anos. Jamais tive qualquer ressentimento, odio, rancor ou coisa parecida. Nas varias vezes em que fui para o DOI-CODI, um centro de terror, quase o instante da tortura, não ficava com raiva dos oficiais. Eles tentavam me gozar, dizendo como interrogação: “Então, jornalista, o senhor escreve contra nós, mas acaba sempre aqui”. E riam, alucinada e prazerosamente.

Não pensava em me vingar, não queria estabelecer qualquer forma de duelo ou de combate com eles. Eu tinha objetivos, procurava cumpri-los, quaisquer que fossem os obstaculos colocados à minha frente. Nada me impediria, não era a luta de um instante, a batalha de um momento, a convicção que eu logo abandonaria. Quando comecei a lutar, foi muito antes de 1964, do golpe chamado de Revolução. Pois o Brasil tem uma historia cheia de golpes e nenhuma Revolução de verdade (1930 é uma fraude, uma farsa, mistificação completa).

Ainda menino, entrei na redação da revista “O Cruzeiro”, era um emprego. mas logo, logo compreendi que seria muito mais do que isso. E não desacreditei jamais. Meu primeiro trabalho de importancia foi a cobertura da Constituinte de 1946.Ali travei conhecimento direto com a politica e compreendi que eles não conheciam Aristoteles, e estavam distantes de compreender que “a politica é arte de governar os povos”.

Acabada a Constituinte, fiz entrevista com o general Goes Monteiro e ouvi pela primeira vez a afirmação: “O Exercito é o grande mudo”. Como desde 1889 o Exercito sempre se meteu em tudo, não tive duvida: era impossivel confiar em politicos e em militares. Eles estão sempre juntos, enganando a coletividade.

Em 1889, os civis combateram, mas o Poder não ficou com eles. A Republica nasceu militar, militarista e militarizada, mas apoiada por civis. Em 1937, o ditador era um civil, Vargas, garantido pelos militares. E, em 1964, trocaram, os militares ficaram com o poder ostensivo, mas garantidos pelos civis.

De qualquer maneira, o bom é a compreensão de um advogado militante como você e tantos outros. Aos que perguntam quando a Tribuna impressa estará nas bancas, respondemos como o general McArthur ao ter que deixar as Filipinas: “NÓS VOLTAREMOS”.

Vencedor? Mesmo dormindo?

Luiz Gonzaga Belluzzo estava satisfeito: como presidente do Palmeiras há menos de um ano, obteve mais visibilidade (na midia, claro) do que em mais de 20 anos como economista.

Mas na demissão de Luxemburgo, sofreu trmenda derrapagem. Foi anunciada a meia-noite e trinta, Belluzzo dormia tranquilamente. Quando acordou não pode fazer nada. A demissão de Luxemburgo foi ordem de pessoa juridica e não fisica.

Depois, bem acordado, Belluzzo passou recibo: Temos que REDISCUTIR com a Traffic”. (Exclusiva)

Esportivas, estranhas e inexplicaveis

1) Os clubes dão poderes extraordinarios aos tecnicos. Contratam, “descontratam”, escalam, “desescalam”, quando protestam ou reclamam, são demitidos. Caso de Luxemburgo, que parece muito com pretexto.

2) Tudo indica que Luxemburgo deva morar no Rio nos proximos tempos, quer dizer, semanas. Se o acordo com Zico e o Flamengo for para valer, sobram ainda o Fluminense e o Botafogo.

3) Demissão de tecnico não é desonrosa, do ponto de vista moral ou de competencia. Muricy, demitido do São Paulo depois de ser tricampeão (verdadeiro) foi logo sondado pelo Palmeiras. Contratado? Depende.

4) O tenis brasileiro tem um jogador chamado de numero 1, com 30 anos e sem nenhum titulo. Não aproveitamos a Era Guga. Na Argentina, Espanha e Europa do Leste, surgem jogadores-revelações em quantidade.

5) Estamos perto de um fato inedito: dois clubes “grandes” na serie B: Vasco e Botafogo. Também pela primeira vez um “grande” permaneceria na B. Faltam 30 rodadas, mas vão muito mal.

6) Abel Braga, convidado pelo Palmeiras, categorico: “Estou feliz no Qatar, ganho mais do que no Brasil, sem problemas”.

7) O arrogante Renato Gaucho, desempregado há 7 meses, deu entrevista ao JB, deixando claro: poderia ser treinador de quem perdesse no Fla-Flu. Como empataram de maneir mediocre, o que acontece com ele?

8) Explosivo e quente o final da NNB (Novo Basquete do Brasil). Com 1 minuto, dois jogadores expulsos, briga geral, no fim a mesma coisa. Uma vitoria: a utilização da quadra Multiuso, abandonada.

Seleção de futebol dos EUA: “Go home”

Campeão legitimo, autentico, magnifico, 5 jogos, 5 vitorias indiscutiveis. O artilheiro da competição, os melhores jogadores. O Brasil deu dois gols de vantagem aos americanos, como acontecia antigamente na sinuca, e ainda hoje no golfe, jogadores com handicap maior ou menor.

Alguns se assusturam com o primeiro gol dos americanos, feito pelo Dempsey. (Nos EUA, muitos devem ter se lembrado do Dempsey campeão mundial de boxe, que quando parou de lutar abriu um restaurante famoso até hoje, em Nova Iorque, não Manhattan, no caminho para Nova Jersey).

O segundo gol dos EUA também estava no roteiro, com um minuto do segundo tempo, o primeiro gol de Luiz Fabiano. Depois, o segundo também dele, e o dominio total. A partir daí, só o goleiro Howard trabalhou.

Não há mais nada a dizer. Os jogadores estiveram bastante razoaveis, compreenderam muito bem e executaram muito bem o que estava no script. Para completar: finalmente, Dunga conquistou a tranquilidade para trabalhar. Já classificado para 2010 (pode até perder todos os jogos), campeão da Copa das Americas, nenhuma contestação.

O grande injustiçado foi a A Frica do Sul. Demostrou competencia e treinamento, jogou de igual para igual com o Brasil. Com a Espanha (pelo terceiro lugar) merecia vencer. O que acontecia até os 42 minutos. A Espanha passou à frente rapidamente, a Africa do Sul foi para a prorrogação aos 47. Não se entregou. Mas a Espanha fez na prorrogação o gol que não merecia. Joel Santana, explendido.

“Prêmio Innovare”: um desnecessário patrocínio exclusivo da Rede Globo

Ao lançar oficialmente o VI Prêmio Innovare, por uma justiça mais rápida e eficaz, no Plenário do Superior Tribunal de Justiça, o presidente do STJ, ministro Cesar Rocha, surpreendeu a todos ao informar que a promissora iniciativa tinha o exclusivo patrocínio das Organizações Globo, representadas pelo seu presidente, jornalista Roberto Irineu Marinho.

E entusiasmado e agradecido, fez um  comentário ao comportamento da imprensa em geral, que não está patrocinando o “Prêmio Innovare”, mas o tem divulgado desinteressadamente como uma promoção meritória de toda a cidadania e sem exclusividade de espécie alguma.

Disse o ministro-presidente do STJ: “Sabemos que bem mais fácil seria o exercício da crítica ou pelo espetáculo, ou a objeção sem a oferta de alternativas, que só servem para desacreditar as instituições ou nivelá-las ao sabor  de impulsos, sem lhes aprimorar o desempenho. TODAVIA, AS ORGANIZAÇÕES GLOBO PREFERIRAM SEGUIR O CAMINHO CONSTRUTIVO DE APONTAR SOLUÇÕES, SEM DEIXAR DE CRITICAR, PROMOVER MELHORIAS, SEM SE ABSTER DE APONTAR O DÉFICIT DE EFICIÊNCIA INSTITUCIONAL QUE NOS ACOMETE, PELO QUE SE FAZEM CREDORAS DA NOSSA ADMIRAÇÃO, EM FACE DA REALIZAÇÃO DE ELEVADOS E VALIOSOS OBJETIVOS DA CIDADANIA BRASILEIRA”.

Em consideração ao ministro Cesar Rocha, pedimos licença para esclarecer: a morosidade da Justiça brasileira é uma realidade incontestável e a imprensa a retrata com objetivos construtivos e não deletérios e, diariamente, jornais como “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S. Paulo” e outros também conceituados jornais de muitos estados brasileiros e sites como o CONSULTOR JURÍDICO – CONJUR –  produzem noticiários e fundamentados editoriais, enaltecendo seu trabalho e importância para a prevalência do Estado de Direito e do respeito às garantias fundamentais do cidadão.

Como divulgado, tramitam no Poder Judiciário brasileiro 70 milhões de processos e há centenas, milhares deles que se arrastam há 20, 30 anos, sem solução. Já quanto à ineficácia da Justiça, em parte, não existe prova maior disso do que, por exemplo, as centenas de milhares de precatórios, decisões transitadas em julgado, não pagos pelos Municípios, Estados e União, num total de cerca de 100 bilhões de reais, deixando desesperadas centenas de milhares de pessoas, lesadas pelo Estado, que como as Organizações Globo acreditam no Poder Judiciário, claro, mas,  por razões bem diferentes.

Muito particularmente ainda com relação a essa parceria exclusiva com as Organizações Globo, respeitosamente, julgo que esse conglomerado de comunicações, que é réu, recorrente ou recorrido em centenas de processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal da Cidadania, por estratégia e bom senso, deveria se abster de aparecer como patrocinador do “Prêmio Innovare”. Deveria divulgá-lo, como os demais veículos de comunicação vêm fazendo, porém,  sem a marca de patrocinador exclusivo.

Por mais isenta e independente que seja a Justiça brasileira, sem dúvida, deve gerar desconforto em todos os que processam ou estão sendo processados pelas Organizações Globo, a informação de que essa empresa, além da verdade dos autos, têm outros canais de comunicação com magistrados que amanhã poderão estar julgando suas ações. E mais: conta com o agradecimento e a admiração do próprio presidente do STJ e do que também são merecedoras outras redes de TV e empresas jornalísticas não mencionadas no evento e que gozam de credibilidade e de respeitabilidade,  reconhecidas por institutos de pesquisa.

Afinal, em nome da transparência, em que consiste este patrocínio  exclusivo do VI Prêmio Innovare? Faço questão de divulgá-lo. Outras organizações poderão se oferecer para patrociná-lo nos próximos anos e, quem sabe, sem exclusividade.

PS1- Há pouco elogiamos o STJ, pois,  em cerca de 30 dias, o ministro João Otávio de Noronha, da Quarta Turma, recebeu  o REsp 438138-DF e o levou a julgamento. É essa celeridade que a população espera do Poder Judiciário, não importando os nomes das partes. Porém, por coincidência, uma das partes interessadas nesse processo era a TV Globo Ltda., pertencente às Organizações Globo. O recurso entrou no gabinete do ministro Otávio de Noronha em 11 de maio e foi julgado no dia 18 de junho. Há pouco mais de uma semana. Parabéns! Merece o troféu celeridade.

PS2- O www.www.tribunadainternet.com.br está à disposição do STJ e do Prêmio Innovare.

O assombração com medo do espelho

Carlos Chagas

Milton Campos era governador de Minas e seu governo passava por dura crise. Nada dava certo e os  jornais  batiam firme, todos os dias. Um daqueles aspones precoces sugeriu que o palácio da Liberdade desencadeasse intensa campanha publicitária, dando dinheiro para a mídia. Talvez estivesse nesse detalhe a má vontade dos diários, mas o dr. Milton negou-se e concluiu: “Este meu governo anda mesmo tão ruim que até eu tenho vontade de falar mal dele…”

Pois é. O tempo passou, o presidente Lula refere-se ao seu governo como  o melhor desde a proclamação da República, mas, ironicamente, não perde oportunidade para falar mal dele.

A última vez foi sexta-feira passada, em Porto Alegre. Declarou que o Brasil foi construído para não funcionar, que a fiscalização é excessiva, que a máquina de fiscalizar é mais eficiente do que a máquina de execução  e completou lembrando o fato de  um auditor  do Tribunal de Contas que paralisa a construção de uma estrada ganhar três vezes mais do que um engenheiro do Dnit encarregado de construí-la.

Com todo o respeito, mas quem é o chefe do Poder Executivo? Ainda agora está para ser nomeado mais um ministro do TCU,  e quem vai indicá-lo? Se as obras não andam, ou são paralisadas logo depois de iniciadas, seria bom perguntar porque.  Afinal, quem nomeia o diretor do Dnit e o próprio ministro dos Transportes?

Faz pouco o presidente queixou-se do Ibama, que estaria entravando as obras de duas hidrelétricas na Amazônia por conta de alguns coelhinhos ou sapinhos. Também falou mal do Ministério Público,  pelos mesmos motivos. Mas  está para nomear hoje, se não nomeou ontem, o novo Procurador Geral  da República. Como são de sua escolha o presidente do Ibama e o ministro do Meio Ambiente.

Quer dizer: o Lula critica o governo que não executa, só que é o  governo dele mesmo, a quem em última instância cabe providenciar a execução. Parece aquela história do assombração que caiu desmaiado de medo depois de olhar no espelho…

O  retrato da nação

A sorte do Senado, ou dos senadores, é que  a atual onda de escândalos apareceu este ano.  Fosse no ano que vem e possivelmente poucos, dos dois terços da casa,  se reelegeriam. Como a renovação só acontecerá em outubro de 2010, Suas Excelências podem dormir tranqüilos.  Em um ano e três meses o eleitorado esquece tudo.

Mesmo assim, há controvérsias. Os suplentes em exercício, por exemplo, marcham para o cadafalso. Até  velhas lideranças correm risco  de não  voltar.

A pergunta que se faz é se o novo Senado   será  melhor ou pior. E a resposta pode ser amarga, mas verdadeira: será igualzinho. Porque o Senado, como  o Congresso, é o retrato da nação.   O que acontece nos seus limites é o que acontece na sociedade, sem tirar nem por. Jeitinhos, benesses, favores e nepotismo estão incrustados nas empresas privadas tanto quanto no serviço público, fora as exceções de sempre, lá e cá.

Globo, Sky e Abril no tapete do CADE

Pedro do Coutto

Certamente entre os julgamentos difíceis existentes no país figuram os relativos a ações propostas no campo dos atos de concentração, a cargo do CADE. Conselho Administrativo de Defesa Econômica. É trabalhoso, em primeiro lugar, identificar o que de fato constitui concentração capaz de levar a monopólios em várias áreas. Em segundo lugar traduzir a linha que separa interesses empresariais legítimos de outros nem tanto. Nos dois casos, ainda por cima coloca-se a hipótese de como evitar ou substituir a cristalização de mercado. Ela pode ocorrer, pelo menos em algum grau, e não de forma absoluta. Este, creio, o aspecto mais difícil da questão essencial, como disse o poeta há quatrocentos anos.

A Perdigão, por exemplo, tornou-se majoritária na composição da empresa que surgiu –ou vai surgir- do acordo com a Sadia. A Perdigão passou a ser a controladora. As duas dominam amplamente a área de suas especialidades, inclusive na exportação. O que fazer? Se o CADE decidisse contrariamente ao novo controle acionário que se concretiza (a questão permanece pendente), qual poderia ser a solução? Criar outro conglomerado? Mas quem faria isso? Como tornar isso possível?

Com quais empresas? Pode ser que existam, pode ser que não. Se não houver interesse de parte de outras companhias, que pode o CADE fazer? Nada. Uma questão de lógica, sem a qual na vida não se vai a lugar algum.

Citei o caso da Perdigão, mas lendo o Diário Oficial de 26 de junho, página 55, 56 e 57, me chamou atenção um problema que o CADE examinou formulado pela Abril e Direct-TV contra a SKY e a Globo. A decisão determina que a SKY e a Globo incluam o canal MTV em sua plataforma por mais um na. Por que isso? Porque o Grupo News assumiu a Direct-TV em 2006, porém na ocasião o CADE estabeleceu prazo de três anos para que os assinantes migrassem para a SKY. Em 2008, entretanto, a SKY retirou a MTV de seu sistema.

Exatamente em face de tal situação, o CADE determinou que a desvinculação da MTV só pode ocorrer em 2009. O prazo vence agora, neste mês. A SKY terá que indenizar a Abril por doze meses de receita. Quem desejar a íntegra da decisão, basta comprar o número do Diário Oficial a que me refiro. No mesmo exemplar, o CADE negou provimento a recurso da TV Gazeta (Fundação Cásper Líbero) e manteve sua exclusão da plataforma SKY-Globo.

O que desejo dizer é que atos de concentração são sempre complexos. Afinal de contas, o que concretamente caracteriza o fenômeno? A fusão de duas ou mais empresa contra concorrentes, ou, no caso de televisão, os índices de audiência e o jogo que eles contêm? A Rede Globo possui mais telespectadores do que todas as outras redes juntas. Basta ler, aos domingos, os níveis do Ibope sempre publicados pela FSP, caderno Folha Ilustrada. Ela é seguida de longe pela Record, SBT em terceiro, Bandeirantes em quarto. São estas tabelas do Instituto que regem os investimentos publicitários nos diversos horários. Uma questão de concorrência, sob o ângulo mercadológico, incluindo bons e maus momentos em matéria de qualidade.

A Globo não se preocupa com a Band, tanto assim que libera para ela a transmissão dos jogos de futebol, cujos direitos de transmissão detém. Esta atitude pode ser interpretada como concentração? Não à luz da lei. Mas de fato é, em parte. Tem cabimento algum tipo de ação? Nenhum. É impossível, apesar de ser uma investida indireta contra a Record. Mas de que adiantaria a Record recorrer ao CADE? Absolutamente nada. O processo de absorção do mercado faz parte do jogo, é da vida.

O terceiro mandato tem nome

Carlos Chagas

Poucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes.

Pois é de José Dirceu a observação  definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo,  até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.”

Outra afirmação dele  é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma  o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos.

Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura,  acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu,  antecipando  percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano.

O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas.

A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.

O PMDB é o PMDB…

Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à  TV Educativa do Paraná.  Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito.

Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo.  Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT.

Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.

Intervenção polêmica

Outra vez o Tribunal Superior Eleitoral atropela a vontade popular. O governador do Tocantins, Marcelo Miranda, acaba de ser condenado á perda do mandato, por abuso de poder na campanha eleitoral de 2006. Assim como fez com Jackson Lago, do Maranhão, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o Poder Judiciário revoga a decisão do eleitorado. Dessa vez, porém, em função de meandros da lei, não assumirá o segundo colocado nas eleições. Caso o Supremo Tribunal federal confirme a sentença do TSE, caberá à Assembléia Legislativa indicar o novo governador.

Outro governador que se encontra na linha de tiro da Justiça é Ivo Cassol, de Rondônia. Luiz Henrique, de Santa Catarina, escapou. Até porque, para disputar a reeleição, licenciou-se.

Sofreu mas não recuou

Quinta-feira o senador Pedro Simon sofreu, na intimidade,  antes de pronunciar discurso pedindo a renúncia de  José Sarney da presidência do Senado. São amigos, respeitam-se e pertencem ao mesmo partido, o PMDB. Mesmo assim, o senador gaúcho foi em frente e exigiu que o colega deixasse a função, com base nas denúncias que a imprensa divulga há semanas. Simon entendeu que Sarney havia perdido as condições de apurar e punir excessos praticados no Senado, alguns envolvendo parentes dele.

Endossada até pelo presidente Lula, circula a versão anunciada pelo presidente do Senado de que tudo acontece por ele pregar o apoio do PMDB ao governo e à candidatura de Dilma Rousseff. O raciocínio só não bate quando se sabe que senadores do PT são acusados de envolvimento na campanha contra Sarney. Coisas da política…

Todas as vitórias

Pedro do Coutto

Quando Daniel Alves executou a cobrança perfeita da falta e a bola, de curva, roçou na trave esquerda e entrou no gol da África do Sul, faltavam cinco minutos para o final da partida. Lembrei de meu amigo Nelson Rodrigues: todas as vitórias são santas. Ele costumava dizer. O vencedor, digo eu, deve agradecer a Deus, receber o êxito com serenidade, e seguir em frente pelo destino afora. Outras etapas vêm sempre na estrada da vida.

A Seleção Brasileira não atuou como poderia ter jogado, tem muito mais futebol, magia e arte do que demonstrou na quinta-feira. Os africanos superaram a si mesmos, magnificamente treinados por Joel Santana. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola, facilitando a marcação móvel do adversário. Além disso, prendeu demais a bola na frente, proliferando as tentativas individuais de Kaká e Robinho. Quanto mais o ataque prende a bola, melhor para a defesa do outro time. Há mais tempo para marcar, maior redução de espaço para os atacantes. A marcação de mobilidade da África do Sul foi brilhante. A tática de tentar surpreender através de contra-ataques também. Era a única possibilidade que Santana tinha de vencer o Brasil. Os africanos fecharam atrás e partiram pata lances isolados de ataque. Em matéria de aplicação tática, foram perfeitos. Fizeram o melhor que puderam.

Nós ficamos aquém do que podemos. Mas ganhamos. Necessitamos de um lance isolado para encontrar o caminho das redes. O que importa, acima de tudo, é termos chegado à vitória. Estamos na final. Mais uma na longa e gloriosa história do futebol brasileiro. O jogo de domingo à tarde é muitíssimo mais para nós. A seleção americana, em condições normais, não assusta. Na primeira fase, perdeu para nós por três a zero numa partida fácil. Porém decisão é decisão. O clima é outro. A atmosfera também.

Mas devemos seguir confiantes na vitória, sem, é claro, assumir o já ganhou que conduziu à tragédia de 16 de julho de 50. Na véspera, um  sábado, ao anoitecer, havia carnaval nas ruas do centro do Rio. Vinte e quatro horas depois a tristeza na penumbra da derrota por dois a um. Mas esse episódio pertence ao passado. Vamos firme para a decisão da Copa das Confederações, preliminar na Taça do Mundo de 2010. Vamos firmes e confiantes, mas sem máscara, sem salto alto, sem menosprezar o adversário.

Os EUA, taticamente, realizaram uma partida primorosa contra a Espanha, compreendendo bem o estilo ofensivo – e pouco defensivo – do adversário. A seleção espanhola tradicionalmente ataca bem, movimenta-se ainda melhor no gramado, porém defende-se mal. Os quatro zagueiros, até hoje, apesar da evolução do futebol, atuam em linha única. Isso favorece extraordinariamente os lançamentos para penetração em velocidade, transformando um atacante em peça de levar de vencida quatro homens da defesa. O meio campo também não volta para proteger a retaguarda. O futebol espanhol, futebol-arte, tem fibra mas simboliza o passado.

Sobretudo porque, no passado, as equipes jogavam com 11 homens. Hoje, jogam com 13. Surpresa? Nem tanto. Antigamente os dois laterais só defendiam. Hoje atacam também. Tornaram-se mais dois extremas em campo. O time americano absorveu bem as atuais práticas defensivas. Volta bem para defender sua área. Porém –podem perceber- deixa vários espaços entre suas linhas. Campo aberto para a Seleção de Ouro, pentacampeã do Mundo. Por isso, acredito firmemente que venceremos mais essa e traremos mais uma conquista para o Brasil. Vamos entretanto sem o já ganhou. Porque futebol se vence no gramado. E a partida só termina com o apito do juiz.

A quarta vacancia da Presidencia do Senado

Segunda – feira, eu revelava, “José Sarney recebeu a comunicação: tem 3 possibilidades. 1- licença, que pode ser sem volta. 2- renuncia. 3- demissão pelo voto”.

Ficou horrorizado, telefonou para o presidente Lula que fez a sua primeira defesa.

Inutil, inocua, ingenua. Lula acha que pode tudo. Quando se trata dele, talvez possa mesmo. Só que em relação a Sarney , as coisas se complicaram. É pouco avô para muito neto comprometido.

Sarney, que não era arrogante, nem na ditadura nem na Presidencia por acaso, ficou. E se complicou. Se não aceitar a LICENÇA, não tomar a iniciativa da RENUNCIA, será fulminado pela DEMISSÃO.

Vai entrar na historia, diferente de ACM, Jader ou Renan. Só que nenhum destes foi presidente da Republica ou teve 5 mandatos no Senado.

A Bovespa sem méritos, sem volume e sem utilidade

Às 13:00 hs, eu dava as cotações , depois de conversar com muitos corretores. E diante do volume de um bilhão e 400 milhões, analisava: ” Hoje mais um dia longe dos 5 bilhões negociados “‘. Fechou em 3 bilhões e 800 milhões.

As cotações também praticamente não saíram do lugar. A Bovespa fechou estabilissima, em 51 mil 485. O dolar em 1,93 , menos 0, 34% .

Sexta – feira perdida.

Genial e consagradora

De todos que falaram sobre Michael Jackson, o mais lucido, o mais definitvo e insuperavel, foi Paul McCartney: “As futuras gerações, os que ainda não nasceram, vão cantar e idolatrar Michael Jackson”. Além do mais, quem tem a credencial do beatle?

Manchetes sem inspiração ou criatividade

Da Folha, quadradissima: “Michael Jackson morre aos 50”. Puxa, 16 horas e “informaram” o que o mundo inteiro já sabia, palavra por palavra?

O Globo: “O pop perde seu rei”. Só isso? Nossa Senhora, dá pra fazer pelo menos 20 manchetes, informando mesmo, lamentando e até opinando. Nem parece que morreu um idolo negro que conquistou os brancos. E que sem distinção ou preconceito, choram por ele.

Wimbledon: o morango amargo e sem creme

O francês Tsonga, numero 9 do ranking, foi eliminado pelo croata Karlovic, numero 22. Três tiebreaks, 84 games, 4 sets, quase 3 horas de jogo.

Resumindo: monotono, chatissimo e nenhuma sensação. Motivo: o croata tem 2 metros e sete de altura, aproveita para sacar de cima para baixo. Como Tsonga também saca bem, não houve troca de bola. O francês, desconsolado, desajeitado, desanimado e até envergonhado de só trocar de lado, sem jogar.

Os especuladores “choram” a morte de Jackson e a queda “assustadora” do volume

Jogadores também gostam de musica pop. Hoje, até às 13 horas, “operaram” de luto. A Bovespa girou pouco. Abriu em mais 0,20%, foram para o almoço, 3 horas depois, em 0,40%. 51 mil e 600, nos dois casos.

De 10 da manhã a 1 da tarde, o volume chegou apenas a 1 bilhão e 400 milhões. Pela projeção, novamente não chega a 5 bilhões, longe disso.

O dolar começou em 1,93 (alto), menos 0,70%. Passou para 1,94 (também alto), mais 0,20%. Nada que seja significativo.

Joel Santana garantiu o passaporte, não sai da Africa do Sul

Falavam muito que o treinador brasileiro não resistiria se perdesse a Copa das Confederações.  O treinador Bora Milutinovic, que já comandou equipes em 5 Copas, “queria” o cargo de Joel.

Como o salario de Joel é de 200 mil mensais, Bora se ofereceu por 50 mil. Mas o desempenho da Africa do Sul agradou a todos.

E o definitivo: depois do jogo, Mandela chamou Joel, abraçou-o, eliminou qualquer possibilidade dele ser dispensado. Joel estava orgulhoso e feliz. (Exclusiva)