Pedro Simon: “Lula é o culpado”

Hoje, a partir das 11 horas, até às 3 da tarde, vários senadores usaram a palavra. Todos l-a-m-e-n-t-a-r-a-m os episódios de ontem. La-m-e-n-t-a-r adianta alguma coisa?

Por que não fazem o correto que é a reforma POLÍTICA-PARTIDÁRIA-ELEITORAL. Renan na entressafra da BAIXARIA e não saindo dela, GOZOU senadores, explicando: “O QUE ACONTECE AQUI É POR CAUSA DE 2010”.

Pedro Simon resolveu responsabilizar diretamente o presidente da República. Pode ser e pode não ser. Mas na nossa História, os presidentes sempre puderam tudo. Vargas se MATOU, Jânio RENUNCIOU, Jango CONSPIROU, a ditadura TORTUROU, FHC PRORROGOU.

Para os amestrados da Bovespa, o “mercado” acabou com a recessão

Isso foi confirmado hoje, várias vezes nas televisões abertas ou fechadas, mas pagas. Esse otimismo inglório mas muito bem remunerado, foi retumbado o dia todo, e não apenas no Brasil.

Apesar dos EUA terem atingido mais de 16 milhões de desempregados, (que só citam percentualmente) não fazem a identificação. Já na Europa, a EU dá os números: “Estamos com 18 milhões de desempregados”. Esse é o fim da crise?

De qualquer maneira, números objetivos, sem presepada, desculpem. Bovespa, que ao meio-dia e meia, estava em 56.480 pontos, alta de 1,30%, fechou em 56.400, subindo 1,16%.

O dólar que estava em queda de 1 por cento, em 1,82, 4 horas e meia depois, continuava sem alteração. O volume de dinheiro é o mesmo diariamente, por volta de 4 bilhões.

Romero Jucá: democracia poluída, diálogo transgênico, sem povo

Relator da CPI da Petrobras, massacra sem ninguém perceber. O senador José Agripino, num discurso altamente conciliador, pediu que o líder de FHC e de Lula, revisse o veto a 66 propostas.

A seguir, garantiu: “V. Excelência é um homem de diálogo fácil e agradável”.

Parabéns ao senador do Rio Grande do Norte, pelo tom e a tentativa de acordo.

Mas acordo inteiramente de segunda colocação. Com quem Romero Jucá tem DIÁLOGO? Com o povo do seu estado não é, FOI DERROTADO PARA GOVERNADOR. Com a moralidade TAMBÉM NÃO É, foi Ministro da Previdência, DEIXOU UM RASTRO DE CORRUPÇÃO, JÁ FOI DENUNCIADO. Como é líder de todos os governos, NÃO É JULGADO.

Cidadãos morrem de bala perdida, o governo Sergio Cabral satisfeito, morreram menos 20

Veja como são as coisas. O Diário Oficial de 6 de agosto publica matéria do Instituto de Segurança Pública informando que no primeiro trimestre deste ano cerca de 90 pessoas foram atingidas por balas perdidas nos confrontos entre polícia e bandidos no Rio.

Portanto, média de uma pessoa por dia. Mas apresenta a tragédia como “um resultado positivo”, frisando que tal número “é 26 por cento menor do que os vitimados por balas perdidas no primeiro trimestre de 2008”. Em números absolutos, foram atingidas menos 20 pessoas. O ISP não diz quantas foram as vítimas fatais. Incrível.

Manchetes dos jornalões sobre a BAIXARIA de ontem, já que na outra se OMITIRAM

Estado de S. Paulo – “Políticos se insultam no pior dia da crise do Senado”. Boa redação e elucidativa. Excelentes, mesmo, as fotos de Jereissati e de Renan, no auge da autofagia. A foto de Tasso é de Celso Júnior. A de Renan foi feita por Moreira Mariz, ambos nota 10.

O Globo – “Bate-boca com palavrão reabre guerra no Senado”. Não gosto desse início de redação vulgar, mas iam se recuperando muito bem, com o painel e as frases que mais humilharam o Senado. Mas Renan e Jereissati ficaram “diluídos”, aparecem Sergio Guerra, que não participou de nada, e João Pedro, idem, idem, apenas um suplente privilegiado, que representa o Planalto-Alvorada.

Folha de S. Paulo – “Aliados de Sarney lançam novo ataque à Oposição”. Localizaram o fato, também usaram o “bate-boca” e utilizaram duas fotos de Moreira Mariz, muito bom, da Agência Senado. Ponto para o profissionalismo do fotógrafo e da Agência. Ótimo o “cineminha” do texto, com 3 baixarias de Renan e 3 de Jereissati.

A Bovespa não liga para BAIXARIA política, pratica diariamente a BAIXARIA financeira

Ao meio dia e trinta, quando posto esta primeira observação sobre o “mercado” de ações, continuam fingindo de RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA. Nada a ver, é FINANCEIRO, e mesmo assim não representa coisa alguma.

O volume é cada vez menos, é jogatina entre profissionais, os INVESTIDORES estão indo para a CADERNETA DE POUPANÇA ou FUNDOS, sem maior lucratividade, por causa da alta TAXA DE ADMINISTRAÇÃO.

Nas duas horas e meia só alta. Abriu em 56 mil e 100 pontos, subindo 0,60%. Passou para 1 por cento cravado, agora mais 1,30% em 56 mil e 500 pontos.

O dólar abriu em baixa de 0,90%, 1,82 baixo, continua no mesmo patamar, limite e número. Acompanhemos a BAIXARIA política no senado (Pedro Simon falando) e às 4 horas e meia que ainda faltam para terminar a BAIXARIA financeira.

“RENASCIMENTO” do Fluminense

Os jornalões badalaram a vitória do time, que como clube, tem patrocinador que manda mais que a diretoria. Dos 51 pontos disputados, (17 jogos), ganhou 14, ou seja, 28 por cento. (Dos 5 jogos com Renato Gaúcho, 15 pontos, ganhou 4, ou seja 25 por cento).

Faltam 21 jogos ou 63 pontos. Se mantiver os 28 por cento, (19 pontos), com os 14 que tem, ficará com 33 pontos, “disparado” no rebaixamento.

Para fugir do rebaixamento, “raspando”, dos 63 pontos que disputará, precisa marcar 32, ou seja 50 por cento. Para quem marcou 28 por cento, precisa quase dobrar a pontuação, o que é espantoso.

Só para lembrar: o Fluminense venceu o Sport, que com 21 rodadas de antecedência já está REBAIXADO. Dos 51 pontos disputados, ganhou 11, exatamente 20 por cento. Para chegar a 45 pontos e escapar do REBAIXAMENTO, precisa de 34 pontos, 50 por cento. Não tem a menos condição de passar de 20 para mais de 50 por cento.

O Senado não é imune ou intocável, Sarney não é o culpado de tudo, mas é o estorvo direto para todos

No seu discurso de “explicação” e “defesa”, o pior dos seus cinco mandatos, (que, na certa, quando deixar o mandato de presidente, mandará cortar dos anais) Sarney implorou num tom de lamento deplorável mas inquestionável: “Não me submetam à humilhação, não mereço”.

É possível, provável, admissível quase certo, que não seja culpado de tudo. Mas a partir do seu discurso na volta do recesso do tempo e da implantação do recesso da moralidade, da dignidade, da responsabilidade, da credibilidade, não há como deixar de afirmar: “Com Sarney na presidência, não haverá convivência”.

Sem ele também não, mas é doloroso assistir a degradação de uma instituição como o Senado, e a decadência de um presidente da República, que nem de longe era um estadista, mas não se deixou humilhar ou se autohumilhou deliberadamente como Sarney nesses episódios de agora.

Agressões, hostilidades e palavrões

Pensei que ontem já tivesse dito tudo, quando coloquei no título e na matéria: “A BAIXARIA DA SEGUNDA-FEIRA, SE REPETE MAIS GRAVE NA QUINTA-FEIRA”. Mas é preciso relacionar mais, mesmo envergonhado, constrangido e assombrado com o que está acontecendo.

Além do mais, desde a Constituinte de 1946 acompanho o Congresso, tenho mais tempo de “cobertura” jornalística do que muitos senadores têm de idade. São 63 anos, como só podiam começar no Senado com 35 anos, teriam que ter 98. Podiam ter começado mais cedo em cargos menores, se é que hoje, os senadores possam dizer que estão em cargos maiores.

Mas nesta semana violentaram todas as regras políticas, incluindo as da convivência. E isso tramado, planejado e executado com a complacência ou a indecência de 54 senadores que estão no fim de mandato (provavelmente nem a metade se reelegerá) e 20 suplentes que sem votos, sem povo e sem urna, tentarão se abrigar com alguém que para se eleger ou reeleger, precise de financiamento.

A HUMILHAÇÃO que Sarney não quer,
a RENÚNCIA-REVOLTA seria seu grande gesto

Assisti e escrevi sobre muitas crises brasileiras, até mesmo com repercussão no Senado, pois este sempre foi importantíssimo.  Pois dos presidentes civis, quase todos saíram do Senado ou dos governos estaduais, e depois de cumprido o mandato presidencial voltavam para o Senado, ou eram outra vez governadores. (Principalmente na Primeira República, chamada de “República Velha”, até 1930. Depois quase tudo foi ditadura, de generais apoiados por civis, de civis garantidos por generais).

Mas o de ontem foi o fim de uma Era e de um sistema, o ponto central é o presidente da “casa” José Sarney. Seu discurso dói a HUMILHAÇÃO imposta por ele mesmo por palavras. O de ontem foi a HUMILHAÇÃO, novamente imposta por ele, agora pela OMISSÃO.

Não podia se submeter ao acordo de aceitar a combinação, “o senador Renan vai falar com o Sarney na presidência, assim falará o tempo que quiser”. COMBINADO E CUMPRIDO.

Como tudo isso era revoltante, o desfecho teria que vir depois que Sarney exibiu a BAIXARIA de 1 hora e 20 minutos, e continuou a BAIXARIA, no plenário. Sarney sentado na Mesa, não presidindo nada, de cabeça baixa, sem uma palavra ou até um movimento. O que eu esperava é que Sarney se levantasse, JOGASSE LONGE O MANTO DE PRESIDENTE, E ULTRAJADO E REVOLTADO ABANDONASSE TUDO.

O senado é importante mas não eterno,
o sistema unicameral, vitorioso em vários países

Não, Sarney ratificou tudo com seu silêncio, retificou o pedido da NÃO HUMILHAÇÃO, ele mesmo se humilhou e se imolou em nome da indignidade do comportamento. Quando o senador Jereissati advertiu o presidente que estava sendo “agredido por um cidadão das galerias”, Sarney olhou para o chão, mais cabisbaixo do que antes.

Quem respondeu foi Renan, e deu uma “idéia genial”, que deveria ser seguida. Afirmação do líder (?) do PMDB: “Deixem as galerias participarem da sessão histórica”. Em vez do clássico, “galeria não se manifesta”, abririam o plenário para o povo, não precisariam ir às urnas, REPRESENTARIAM, PESSOALMENTE muito melhor os seus estados.

A chamada crise política-eleitoral não tem saída. Não quero repetir os palavrões, prefiro ressaltar, registrar e ressaltar, o clima de ódio, de vingança, de violência implícita e explicita. E de efeito retardado. Na BAIXARIA de segunda repetida ontem, quinta, o desfecho das renúncias (com várias interpretações) de senadores que deixaram a presidência da “casa” para não serem cassados.

AVE, Sarney, o passado ESCABROSO do qual você participou, vai encerrar um ciclo. PERIGOSO individualmente que se salve a Instituição, que não é IMPRESCINDÍVEL.

Os países que não têm senado, (UNICAMERAL) são maioria e vivem muito bem. E viver é renovar, como já disse, a vida não é  ESTÁTICA e sim DINÂMICA.

O Brasil pode não sediar os Jogos Olímpicos de 2016, por sacanagem de Blater da Fifa e também do COI

Enquanto isso, Lula recebe Ricardo Teixeira, quer cercear jogadores elogiando a irresponsável cartolagem

Declaração de Blater, que ninguém pediu: “Se o presidente Obama estiver presente em outubro na escolha da sede da Olimpíada de 2016, Chicago será a vencedora”. O presidente dos EUA afirmou logo: “Estarei presente”. Imparcialidade ampla e absoluta.

E ninguém do Brasil ou do Rio protesta? Sergio Cabral está presente nos mais diversos lugares onde se discute a questão, agora silêncio completo.

E por que o falatório desse Blater burocrata e amanuense que não tem nada a ver com as Olimpíadas? Eu sei, ele tem 2 votos no COI.

Não se trata apenas de defender o Rio olímpico, mas de devolver a integridade do país. Madri, Tóquio, Rio ou Chicago? Lógico, Chicago, não por Obama mas por Al Capone. Agora se completam 80 anos do seu apogeu como gangster, o máximo foi em 1929.

Sua memória ficará ainda mais viva em 2016, tanto faz mais 7 ou menos 7 anos, Blater já disse com a subserviência habitual: “Se Obama for, Chicago vencerá”.

Impressionante, inacreditável mas rigorosamente verdadeiro: ou o Brasil faz ouvir sua voz de revolta (de preferência na fala de Lula, de presidente para presidente), ou nem precisamos comparecer. O amanuense Blater já deu a palavra definitiva.

O presidente Lula se mete em tudo, até mesmo quando é para dizer tolice. Agora mesmo acabou de praticar duas, inacreditáveis para um presidente que se julga o maior de toda a República. Vejamos.

1 – “É preciso uma lei para impedir a venda de jogadores para o exterior”. Ora, a Constituição diz exatamente o contrário, garante o direito do “CIDADÃO IR E VIR”. Está incluído nesse IR E VIR, o de trabalhar onde quiser. Um trabalhador atentando para a liberdade de outro cidadão exercer sua profissão no lugar de sua preferência? Absurdo.

2 – “Temos que modificar nosso CALENDÁRIO, adaptá-lo ao calendário da Europa”. Jamais conheci tanta subserviência praticada por um presidente. O calendário do futebol da Europa tem essas datas para que eles não joguem em julho e agosto, o DURÍSSIMO verão. O calendário do Brasil é diferente para que não joguemos dezembro e janeiro, o DURÍSSIMO verão.

Se atendermos à “ordem” de Lula, jogaremos no verão, e os europeus não precisarão mais de “janelas”, o futebol parado lá e aqui, compram jogadores quando quiserem.

Antes de dizer essas bobagens, Lula recebeu Ricardo Teixeira, está explicada a razão da contradição, e da isquemia, felizmente não cerebral, mas ortopédica ou ortográfica. Aliás, Lula está sempre tão a favor da cartolagem irresponsável, que parece quase certo: se seus planos para 2010 não derem certo politicamente, ele tem tudo para se assumir esportivamente como presidente do Corinthians.

(Já disse ao jogador Ronaldo, o “iluminado”, que tem “ajudado muito o Corinthians”. Ronaldo não mente e não iria mentir numa CONFIDÊNCIA presidencial. Lula seria o primeiro presidente a dirigir um clube, já foi o primeiro a fazer CONFIDÊNCIAS a um jogador).

Lula precisa se movimentar ou o Brasil (quer dizer, o Rio de Janeiro, as Olimpíadas são designadas por cidades) serão realizadas em Chicago.

Comparem a Copa do Mundo da África do Sul com a do Brasil, verifiquem o que não foi cumprido lá, e o que exigem daqui. As exigências (só para as sedes) foram de tal ordem, que dava a impressão que pretendiam que houvesse um novo Pedro Alvares Cabral para reinventar ou redescobrir o Brasil.

Já que Lula sabe tanto, por que não explica a razão da Turquia poder pagar mais aos jogadores do que o Brasil? E clubes da segunda divisão do Estoril, da Ucrânia, do Uzbesquistão, contratarem um treinador como Felipão?

O presidente Lula já ouviu falar em lavagem de dinheiro? Lógico que ouviu. Então por que recebe Ricardo Teixeira?

Enquanto Lula perde tempo com Ricardo Teixeira, vai caindo de contradição em contradição, se perdendo politicamente, principalmente no Senado. Garantindo a “biografia” de Sarney segundas, quartas e sextas, e parando tudo para assistir futebol sábado e domingo, sobra o quê?

*  *  *

PS – O senador Renan Calheiros disse há dias “sabiamente” para um colega: “Tudo o que acontece aqui é por causa de 2010. Não entendeu?”. Entendeu, presidente Lula?

PS2 – 2014 e 2016, no calendário e fora dele, só depois de 2010. Se o senhor não garantir 2010, não saberá se estará na África do Sul em 2014. E 2016 é uma incógnita tão grande, que precisará repetir o imortal Chacrinha: “Vai a pé ou vai de trem?”

Sonhos de noite de verão

Carlos Chagas

São quinze os membros do Conselho de Ética do Senado: dez do governo, cinco da oposição. Assim como as quatro representações contra José Sarney e uma contra Renan Calheiros foram arquivadas quarta-feira, as outras seis terão o mesmo destino, hoje, se houver número para os senadores se reunirem,  ou na próxima semana.

Líderes do PSDB e do DEM manifestavam a esperança de que os três representantes do PT poderiam mudar de lado, nessa segunda rodada de blindagem do presidente do Senado, mas é bom que interrompam sonhos de noite de verão em pleno inverno. Os três companheiros são João Pedro, do Amazonas, Ideli Salvati, de Santa Catarina, e Delcídio Amaral, do Mato grosso do Sul.  Todos fechados com o presidente Lula, ou seja, com José Sarney, pelo arquivamento das ações.

Quanto a recursos ao plenário do Conselho de Ética pelos oposicionistas, vale a mesma aritmética. Só por milagre o senador Paulo Duque determinará o início de investigações contra Sarney. Chamuscado, mesmo, poderá sair o líder dos tucanos, Artur Virgílio, contra o qual o PMDB protocolou outra representação.

Não há  hipótese, por isso, de que as acusações venham a ser apreciadas pelo plenário do Senado. Mesmo que novas denúncias e revelações contra Sarney e outros  possam surgir na imprensa, dá-se por encerrado o episódio da tentativa de afastamento do ex-presidente da República de suas atuais funções. Continuará tudo como antes, ou seja, o Senado sem alterações fundamentais em suas estruturas e seu funcionamento e seus dirigentes no exercício de suas funções.

As denúncias? Ora, são recortes de jornal, sem validade alguma no universo das investigações. E quem quiser contribuir para mudanças em nossas instituições só terá uma saída, mesmo assim, preliminar: votar direito nas eleições do ano que vem, esperando que o dr. Ulysses tenha errado em pelo menos um de seus diagnósticos passados. Porque para o saudoso patriarca, todos os Congressos eram piores do que o anterior mas melhores do que o próximo…

Fogueira de vaidades

Como rescaldo da sessão do Senado em que José Sarney apresentou sua defesa, registre-se o que aconteceu logo após a descida da tribuna do ex-presidente da República. A maioria dos líderes sugeriu que os debates continuassem no plenário, adiando-se a reunião do Conselho de Ética. Seria uma forma de os trabalhos continuarem sendo transmitidos pela TV-Senado, aliás, com fortes níveis de audiência. Como alternativa, sugeriu-se o encerramento da sessão, porque só assim as câmeras e os microfones seriam transferidos para o Conselho de Ética, já que pelo regimento da casa a prioridade nas transmissões é para o plenário.

Seria o lógico, mas senadores inscritos para falar depois de Sarney não aceitaram, mesmo que seus discursos nada tivessem a ver com a crise. Queriam aparecer e apareceram, mesmo de forma ridícula, como Roberto Cavalcanti, do PRB, que entoou um canto de amor à cidade de João Pessoa, completando 424 anos de fundação, a capital das acácias. Foram quarenta minutos de recordações sobre a tomada da Paraíba pelos holandeses, a reconquista pelos portugueses e outros episódios sem a menor relação com as palavras de Sarney e possíveis contradições. Seguiram-se outros senadores, abordando a Petrobrás, o Papa, o abandono da Amazônia e sucedâneos. Tudo com direito a aparecer nas telinhas, enquanto no Conselho de Ética, frustrados pela omissão televisiva, as oposições arrefeceram o ânimo de suas críticas às lambanças praticadas pelo senador Paulo Duque, o atual engavetador da República.  A vaidade continua  o  maior dos pecados capitais da política nacional.

Nem se os marcianos vierem

Suponhamos que os marcianos existam e desembarquem por aqui, estacionando seu disco voador da Praça dos Três Poderes. Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres credenciados no Congresso correrão para  registrar a visita inusitada, inclusive a meteórica retirada dos alienígenas, certamente escandalizados com o nível dos debates ouvidos através de seus potentes receptores.

A prova de que os marcianos estiveram entre nós, mesmo por fugazes minutos, ficou com os profissionais da comunicação social e seus equipamentos.

Como pela sentença imperial do senador Paulo Duque recortes de jornal não servem de prova para nada, nem imagens televisivas ou gravações radiofônicas, a conclusão será de que os  marcianos devem ser ignorados…

A Bolívia não vai reagir?

O presidente do  Supremo, Gilmar Mendes, não demora a equiparar-se ao presidente Lula em  matéria de inusitados e de improvisos extemporâneos. Enquanto José Sarney fazia sua defesa,  quarta-feira, o meretíssimo pontificava em Belo Horizonte, comparando o Senado à Bolívia. Para ele, a instabilidade dos presidentes do Senado só é comparável ao quadro boliviano, onde os presidentes da República raramente completam seus mandatos, sempre ameaçados   de perdê-los.

A gente  pergunta se  passada a  emoção de seu discurso, José Sarney não vai reagir. Ou nenhum dos ex-presidentes da casa. Quem sabe algum senador capaz de julgar-se ofendido?

O risco é de o embaixador da Bolívia no Brasil, em nome de Evo Morales, protestar alegando que o seu país tem sérios problemas históricos, é verdade, mas ser comparado ao Senado brasileiro, é demais…

A BAIXARIA da segunda-feira se repetiu hoje E MUITO MAIS GRAVE

O senador Renan Calheiros pretendia agredir hostilizar e enquadrar o senador Artur Virgilio. Mas sabia que poderia falar no máximo 20 minutos. Então decidiram que esperaria o senador assumir a Mesa, usaria o tempo que quisesse.

Foi o que aconteceu. Falou mais de uma hora, várias vezes o presidente, “seu tempo está esgotado”, mas nada se esgotava, a não ser a paciência dos presentes.

Depois de mais de uma hora, o ex-presidente (renunciante) deu por encerrada a sua palavra, que declarou CONSTRANGIDA.

E PASMEM, se assombrem, se estarreçam: começou novo episódio de BAIXARIA, mais abrangente do que a de segunda-feira. Com palavrões, baixo calão, enterrando o senado, sem velório, sem direito a CREMAÇÃO ou RESSURREIÇÃO.

É impressionante como podem cair cada vez mais. O subterrâneo, para alguns senadores, tem a profundidade da dignidade deles mesmos.

Frases autênticas, textuais e entre aspas

Do Ministro Mantega: “O Brasil já saiu da crise e voltou a crescer, v-i-s-i-v-e-l-m-e-n-t-e”.

Do senador Renan Calheiros: “A oposição no Senado é única no mundo. É MINORIA com complexo de MAIORIA”.

Comentários de vários senadores da oposição: “Renan nos chama, HOJE, de minoria com complexo de maioria. Podemos responder: o senador Sarney é o senador Renan, AMANHÔ.

Como em São Paulo chamam toda grande avenida de MARGINAL, perguntei a um grande empreiteiro, qual a explicação. Resposta rapidíssima: “É o exagero da AUTOCRÍTICA do ex-prefeito Paulo Maluf”.

Do presidente do Senado, José Sarney, num discurso monótono, sem sentido, e muito pior do que ele imagina: “Não RENUNCIO, não deixo a presidência, fui eleito pelo povo, ESTOU PRONTO, DIGAM AO POVO QUE FICO”. Alguém já ouviu isso?

Romero Jucá vetado e apavorado

Líder do governo FHC no Senado, líder do governo Lula no mesmo senado, foi barrado pelo colega Renan Calheiros. Chegou a perguntar no plenário (embora não no microfone) ao senador Renan Calheiros: “O que é que o senhor tem contra mim?”.

Na base da intimidação e do dossiê, apenas mostrado de longe, o senador não foi mais recusado, é relator da CPI da Petrobras. E age de tal maneira que ontem Álvaro Dias disse para ele: “Agindo como o senhor está agindo, este será um julgamento sem ACUSAÇÃO, só com DEFESA”. Silêncio, o mundo nos ouve. (Exclusiva)

Nome apropriado para o metrô

Desde 1987 está sendo construído o metrô cuja estação principal será a Praça General Osório, em Ipanema. A idéia dos construtores é chamar essa estação de General Osório, que já é o nome da praça.

Um grupo de moradores, incluindo grandes personalidades, faz movimento amplo para que essa estação principal se chame IPANEMA. Morando no Jardim Botânico, estou aderindo ao movimento, satisfação e reconhecimento para todos e para o metrô.

Faça o mesmo escrevendo para este blog e para outros, e se manifeste de todas as formas, mobilizando amigos e conhecidos.

Será inaugurado depois de 22 anos de obras.

METRÔ IPANEMA: não fique parado, embarque nele, com a denominação que você escolheu. Na verdade, em 1987, o preço era um, o sobrepreço é você que está pagando.

Os que fazem a defesa do Andrade, como este repórter (sempre), têm que culpar a defesa (zagueiros)

Foi uma injustiça com o Flamengo e com o treinador Andrade. No primeiro tempo, sofreu dois do adversário, falha tremenda dos zagueiros.

No intervalo, Andrade rearmou o time, reagiu, empatou, dominava o jogo, não conseguiu fazer o terceiro gol. Sofreu esse terceiro, aos 45 minutos, mais falha da defesa.

Donos de cassino “sentem” o golpe do “fico” de Sarney, assustados

Executando “ordens de ontem, quarta-feira, a Bovespa abriu em alta pequena, quase sem volume. Passados 15 ou 20 minutos, começaram a vender, achavam que a permanência de Sarney não tranquilizaria o país. Ao meio-dia, caía 0,70%, em 56 mil pontos. Amestrados “justificam” dizendo: “Isso é comum, vem de 4 recordes”. Esqueceram de dizer: a Bovespa vei de 74 mil para 38 mil pontos, recordes de queda NO MUNDO e não apenas em São Paulo.

O dólar abriu em alta de 0,40% e ao meio-dia continuava em alta, a essa hora em mais 0,70%, em 1,82 alto. Instabilidade e indecisão totais, mas faltam 5 horas de jogatina.

Parabéns ao Supremo e aos Correios

Não importa que tenha sido vitória pelo resultado mais apertado possível, mas foi vitória. O Supremo DECIDIU que o monopólio da correspondência pertence aos Correios. Magistral.

É das empresas que funcionam com total competência, e sempre foi rigorosamente pertencente ao povo brasileiro. No mundo ocidental todo, os Correios não têm ingerência ou participação multinacional.

Nos EUA, (que gostam tanto de exaltar) qualquer atentado contra os Correios é CRIME FEDERAL. Se num condado distante e desconhecido, alguém atacar uma caixa do correio, é imediatamente processado e acusado por Promotor Federal. Multinacionais poderosas esperavam HERDAR esse importante e lucrativo setor.

Protestemos v-i-o-l-e-n-t-a-m-e-n-t-e contra as bases dos EUA na Colômbia

Mais uma (ou quatro, que é o número certo) fortaleza militar americana. Agora na Colômbia, dizem “isso é problema interno de cada país”, não é não.

Se montam bases militares na nossa fronteira será para utilizá-las como uma espécie de Disneylândia? Somos um país dominado por golpes, nossa democracia é uma “plantinha tenra” (Otávio Mangabeira) sempre podemos estar na iminência de golpe e de uma “OPERAÇÃO BROTHER SAM”. Então temos que RETALIAR logo, de forma que os americanos entendam.

Sarney ontem: “Ninguém pode me acusar de nada”.

Em 1985 queria ser vice do CORRUPTO Maluf, foi presidente de Tancredo

Ontem, 5 de agosto, 55 anos do atentado da rua Toneleros contra Carlos Lacerda, no qual morreu o major Rubens Vaz. Uma terça-feira. Dois dias antes, no grande Prêmio Brasil, Getulio havia sido vaiado na social do Jóquei Clube, muito diferente da social de hoje. Na raia, Rigoni vencia seu primeiro GP Brasil montando El Aragonez. Venceu numa chegada impressionante.

55 anos depois, a crise política contamina o país da mesma forma. Na história brasileira, em cada momento importante, um golpe, a posse do vice, e quase sempre um morto. Se formos dizer que 1954 terminou com a morte (voluntária mas politicamente genial de Vargas) estaremos esquecendo toda a História.

1889 foi um golpe de militares contra os Propagandistas. Não morreu ninguém, mas o presidente Deodoro foi substituído pelo vice Floriano. Até 1930 dezenas de golpes de bastidores, e o golpe apresentado como Revolução, e a morte de João Pessoa.

15 anos de ditadura, o ditador sendo eleito por ele mesmo, morreria em 1954, assumindo o vice Café Filho.

Juscelino, um dos raros a ficar o tempo inteiro, só tomou posse depois de 2 golpes. Jânio “morreu” em 1961, assumiu o vice João Goulart. Este foi deposto, surgiu a ditadura de 1964 a 1985, 21 anos vindos diretos de 1889, onde tudo começa.

Mas, na verdade, os “historiadores” de segunda-feira no Senado, ou não tinham idade ou se tinham, faltava poder de análise ou compreensão. O fim da ditadura foi negociado, (quase sempre é) mas no meio do caminho surgiu a emenda constitucional das “DIRETAS, JÁ”, que modificou tudo. Criado o parlamentarismo, acabou a tranquilidade.

Vigorando o bi-partidarismo, mesmo entre MDB e Arena, identificados como partidos do “SIM” e do “SIM, Senhor”, pelo menos se sabia quem era adversário, quem era correligionário.

Dante de Oliveira revolucionou (a palavra exata é essa) a história e a política que a ditadura pretendia regulamentar ou regular. Para que os “culpados” da violência, do autoritarismo, da arbitrariedade, da tortura indiscriminada pudessem morrer em paz. (O contrário do que aconteceu na Argentina, ditadura violentíssima também, mas apenas de 7 anos).

Foram 15 meses de HISTÓRIA MEMORÁVEL, sensação, divisão, união, incerteza. Como ninguém sabia de nada, uns eram pelas DIRETAS, outros pelas INDIRETAS, e muitas surpresas. Mas o que é inesquecível, mas INESQUECÍVEL mesmo, é o comício do dia 10 de maio, na Candelária. Jamais imaginei poder ver 1 milhão de pessoas, na horizontal, na avenida Getulio Vargas, de ponta a ponta.

Lançada no dia 9 de março de 1983, e liquidada 15 meses depois, Tancredo Neves já governador de Minas, Ulisses Guimarães, presidente do PMDB e da Câmara, foram jogados indiretamente um contra o outro. Não havia jeito, não foram presos, cassados, exilados ou perseguidos, suas histórias assustavam a ditadura. Mas de forma inesperada tiveram que dividir comícios, palanques, posições e objetivos.

Tancredo e Ulisses se amassem e se odiassem, se acarinhassem e se hostilizassem, se enfrentassem e se juntassem. Na esteira deles vieram Maluf e Andreazza (com apoio sofrido de Figueiredo) Aureliano Chaves (que era vice de Figueiredo, mas nem se olhavam, quanto mais falar) e o PFL (Partido da Frente Liberal) que vinha para ganhar. Sarney nem aparecia na foto, apesar de ter dado um soco na mesa e fundado o PDS.

Brizola, governador, conversava muito comigo ( o mesmo que Lacerda governador, sabiam que eu não queria nada) tinha confiança nas minhas análises. Uma noite, tomando o famoso “café gaúcho”, Brizola me perguntou: “Você acha que a eleição direta virá quando eu ainda for governador?”. Isso era 1983.

Imediatamente respondi: “Governador, DIRETAS só em 1990. O mandato de Figueiredo acaba em 1985, ele será sucedido por um civil que não seja Maluf nem tenha sido contra a ditadura, ostensivamente. Esse ficará 5 anos”. E concluí: “Brizola, é puro exercício de aritmética”.

Lamento, Brizola, apavorado, fez a proposta de prorrogação do mandato de Figueiredo. Não era por amor à ditadura, ele queria mais dois anos para manobrar. Não deu certo, o próprio Figueiredo queria ir embora, não aguentava mais.

Houve então o explosivo e IMPORTANTÍSSIMO encontro reservado, Maluf-Figueiredo. Se estivessem armados, não teria terminado. Só Maluf ganharia aquela batalha. Depois de horas, o “presidente” aceitou a proposta de Maluf: “Não me apóia mas não me impede de fazer campanha”.

Saiu contando o que acontecera, era candidato. Aí, apareceu Sarney só querendo ser vice. Pediu ao grande jornalista Oliveira Bastos que fosse conversar com o ex-prefeito e ex-“governador”. Quando ouviu o que Sarney queria, Maluf deu o berro: “De jeito algum”.

A batalha das “DIRETAS, JÁ” continuou, mas insensata ou deliberadamente fizeram este desenho: nas DIRETAS o candidato seria o doutor Ulisses, nas INDIRETAS, Tancredo Neves. Era verdade, mas nem Tancredo nem Ulisses se traíram. Tancredo foi um dos grandes do comício de 10 de maio. E muitos tinham como certo que Tancredo formava o Ministério.

Tendo sabido que Sarney queria ser vice de Maluf e sabendo que não podia ganhar do PDS-PFL, pediu ao seu homem de maior confiança e habilidade política, Fernando Lira, para “ir buscar” Sarney, o que era facílimo de conseguir.

Maluf, que sempre manobrou muito bem o dinheiro obtido na construção da MARGINAL (que desconfio tenha esse nome não por acaso), massacrou Andreazza, que era acusado de ter mais dinheiro do que Delfim Netto, perdeu fácil para Maluf. Este achava que ganharia de Tancredo, as “DIRETAS, JÁ” perderam por pouco, mas perderam.

Brizola não mandou votar em Tancredo, Lula expulsou do PT o bravo deputado Airton Soares, só porque votou em Tancredo. Lula é um ILUMINADO, faz análises iguais a essa, perde três eleições presidenciais, ganha na quarta, se transforma num personagem.

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PS – Há muito mais para contar, a memória retém fatos inesquecíveis e duradouros. Pela primeira vez na nossa História, um vice assume por causa da morte do efetivo.

PS2 – Mas não foi MORTE CONTRA e sim rigorosamente acidental. Mas aí já é outra história.