Repercussão da decisão da juiza Marisa Simões Mattos sobre o Flamengo

Três fatos que devem ser registrados inicialmente. 1) A absolvição de um socio-conselheiro que denunciou bandalheiras. 2) A falta de sensibilidade dos orgãos de comunicação, que fingem “lutar pela liberdade”, mas esquecem da sentença de uma juiza que devolveu a socios de clubes o DIREITO DE FAZER OPOSIÇÃO.

3) Apenas um trecho da sentença, que deveria ser “grafitada” nos muros do clube, pois só o engrandece e imortaliza: “Não há nada que diga respeito ao Flamengo que fique restrito às paredes de sua sede. Diante do gigantismo de sua torcida, a paixão que provoca nos milhares (MILHÕES) de torcedores e a fortuna que movimenta, nenhum assunto do Flamengo tem carater exclusivamente interno, algo que diga respeito à sede do clube”.

Reintegrado, Paulo Cesar Ferreira devia ser homenageado, obteve uma decisão, que o Flamengo é realmente “UMA NAÇÃO”, e que sua SEDE NÃO É APENAS UMACAIXA PRETA, como se fosse um avião desgovernado.Um clube desgovernado, isso constatou a juiza Marisa Simões Mattos, CONSTATOU e CONDENOU.

Ministro dá-se por suspeito 7 anos depois de ser designado relator

A  Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça julgou no último dia 18 processo do interesse da TV Globo Ltda. contra a União Federal e no qual ficou assentado que os direitos autorais por obra artística de natureza coletiva pertencem à empresa produtora, ainda que para sua execução participem os profissionais protegidos pela Lei no. 6.533, de 1978,  desde que ressalvados os direitos conexos dos artistas participantes.

No Superior Tribunal de Justiça, esse recurso especial da União contra a TV Globo Ltda. foi distribuído ao ministro Aldir Passarinho Junior, da Quarta Turma, no distante 18 de julho de 2002.

Passados quase 7 anos como relator do processo, o ministro Aldir Passarinho, por despacho publicado no DJE  em 28 de abril de 2009, resolveu dar-se por suspeito com base no parágrafo único do artigo 135 do CPC, que diz: ” Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo”.

Como  o ministro não é obrigado  a declinar os motivos da suspeição por foro íntimo, não se saberá também por que demorou tanto tempo para explicitar essa suspeição. Aliás, o CNJ – Conselho Nacional de Justiça quer que os juízes fundamentem e provem a alegada suspeição por foro íntimo, o que ainda é só uma proposta de transparência a ser discutida.

Declarado impedido o ministro Aldir Passarinho, o julgamento do REsp 438138 teve a participação dos ministros João Otávio de Noronha (relator),  Fernando Gonçalves e Luis Felipe Salomão.

De se enaltecer no presente caso, a rapidez com que o ministro João Otávio de Noronha, novo relator,  examinou as quase 1.500 páginas do complexo  recurso. Os autos do processo entraram em seu gabinete no dia 11 de maio e já no dia 10 de junho tinha sido incluído na pauta de julgamento do dia 18 de junho.

É isso que a população quer: justiça rápida e eficaz porque justiça tardia é injustiça manifesta e qualificada.

Tragédia e vingança

Em 1979, veio o que se chamou de “anistia ampla, geral e irrestrita”. A ditadura estava no fim, ficara decidido que não haveria mais nenhum general no poder, mas o SNI lutava  em várias frentes, não aceitava perder a força.

Médici viera do SNI, Figueiredo viera do SNI e se conseguisse “fazer” outro general-presidente, seria Otávio Medeiros, chefe do SNI. Por isso, toda a ação e atuação de REPRESÁLIA passava a ser incumbência do SNI. É quem tinha o equipamento, a sede de vingança e o alvo era a TRIBUNA.

O 26 de março de 1981 é o maior sucesso do SNI. Por volta de duas horas da madrugada, a GRANDE EXPLOSÃO QUE DESTRUIRIA O ÚNICO JORNAL QUE RESISTIU INTEGRALMENTE, NÃO TRANSIGIU POR UM MOMENTO QUE FOSSE. Não sobrou nada que pudesse atormentá-los diariamente, NEM DOCUMENTOS QUE PUDESSEM RESPONSABILIZÁ-LOS NO FUTURO.

Foi lancinante para nós todos, da TRIBUNA, e para as personalidades que foram chegando. O primeiro, Barbosa Lima,me disse: “Já vivi o suficiente para pensar que já havia visto tudo. Mas este espetáculo de destruição e desolação, é inacreditável”.

Os bombeiros pediam a todos que ficassem do outro lado, as chamas eram enormes. Me identifiquei para o comandante e ele me disse: “Não há nada para ver, nem escadas para subir, as máquinas foram destruídas e se tiver alguma pessoa lá dentro, receio que não haja sobrevivência”.

Pediu licença, voltou depois e disse: “Esta parte da frente está completamente destroçada”. Falei para ele: “É o meu escritório, onde trabalho durante o dia  muitas vezes à noite”. Me olhou como se estivesse assistindo  uma ressurreição.

Já havia uma multidão, foram chegando mais personalidades: Sobral Pinto, Alceu Amoroso Lima, Bernardo Cabral, Austregesilo de Athayde.

A reconstrução levou 9 meses, com o dinheiro que não tínhamos, o jornal saindo em formato tablóide. É que o SNI intimidou todas as gráficas, “não podem de jeito algum imprimir a Tribuna da Imprensa”. Só conseguimos rodar em Nova Iguaçu, esqueceram.

Repetiram o que fizeram em 1967. Vim de Fernando de Noronha, já com um livro pronto.  Carlos Lacerda quando foi me visitar, viu que eu estava preparando “As Recordações”, me disse logo: “Esse livro é meu” (Nova Fronteira). Alfredo Machado (da Record, nada a ver com o “bispo”) também queria, outras editoras fizeram propostas, logo se soube. O SNI entrou em ação. Até Lacerda se intimidou, junto com os outros, a perseguição era brutal.

Consegui quase que misteriosamente imprimir mil exemplares que presenteei a amigos. Mas a intimidação era de tal ordem, que muitos ficaram com medo do presente.

PREJUÍZOS IRRECUPERÁVEIS, Barbosa Lima e Prudente de Moraes, neto (duas das maiores figuras do Brasil de todos os tempos), queriam que entrássemos com nova ação. Não quis, considerava que a primeira resolveria tudo. Mas a repercussão foi impressionante.

Funcionava no Senado, a “CPI do Terror”, que investigava alguns casos. Presidida por Mendes Canale (Mato Grosso) e como relator, Franco Montoro. Este telefonou para Barbosa Lima,marcou para o dia seguinte, um encontro comigo, no gabinete do presidente da ABI.

Franco Montoro me disse: “Hélio, você já estava pautado para ir depor, mas temos que ouvir você imediatamente”. Voltou para Brasília, afirmando: “marcarei o depoimento, te telefono”.

Menos de uma semana depois eu estava depondo. Senadores (e até deputados) foram à CPI. Meu depoimento levou 6 horas. Dei os nomes de todos, civis e militares que participaram do atentado. Disse textualmente: “Tudo chefiado e organizado pelo general Otávio de Medeiros, atrabiliário, prepotente e arrogante CHEFE DO SNI”.

Agora o final espetacular e aparentemente surpreendente, menos para quem não leu ou não tomou conhecimento do que eu disse. Passados alguns anos, precisei de detalhes do depoimento, e como só falo de improviso, recorri ao Senado para obter as notas taquigráficas, agora  eletrônicas. HAVIAM SUMIDO DOS ANAIS. NÃO HAVIA EXPLICAÇÃO. MAS ERA EVIDENTE: UM DEPOIMENTO TÃO CONTUDENTE NÃO PODIA FICAR COMO PROVA, À VONTADE.

Além de tudo, perda irreparável. Meu arquivo pessoal, documentos contábeis, contratos de publicidade, balanços contábeis da editora, recordações e participações de uma vida inteira COMPETENTEMENTE FORAM MANDADOS PELOS ARES.

Cartas trocadas com as maiores personalidades, lembranças e recordações que pretendia transformar  em livros quase didáticos dessa fase ESPANTOSA DA HISTÓRIA BRASILEIRA, desapareceram, como reconstituir?

Choro e lamento essa perda há 28 anos. Não choro nem lamento todo o resto, lutei por convicção e pelo amor ao país e à coletividade.

Nada disso tem preço que possa ser avaliado, indenizado ou ressarcido. São danos e prejuízos que envolvem muitas vidas e que não podem ser dimensionados na Casa da Moeda e nem no Tesouro Nacional.

Para alguns, ao  explodir o prédio da TRIBUNA, em março de 1981, os agentes da ditadura, cientes da ação indenizatória ajuizada pelo jornal, EM 1979,  tendo como réus, além da UNIÃO FEDERAL, os ex-presidentes Médici e Geisel, visaram também com o demolidor atentado destruir as provas da censura prévia e da censura de qualidade (entre 1968 e 1978)  e do prejuízo que acarretaram à nossa editora, assim buscando dificultar a comprovação da vultosa lesão financeira, patrimonial e moral sofrida  pela TRIBUNA E SÓ AGORA RECONHECIDA PELO PODER JUDICIÁRIO. DEPOIS DE 30 ANOS. Rigorosamente verdadeiro.

A imprensa é um espelho, não uma fábrica de fatos

Pedro do Coutto

Ao participar, ao lado do governador Sergio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, de lançamento das obras de revitalização da antiga área portuária do Rio, o presidente Lula por momentos deixou o teor e o tema do evento e, deslocando-se para crise do Senado, culpou a imprensa, usando um argumento rotineiro e banal. Além de equivocado. A mídia –disse- prefere a desgraça. A afirmação, que está em todos os jornais, tornou-se um episódio infeliz. A melhor reportagem sobre o assunto, a meu ver, foi de Felipe Werneck e Alexandre Rodrigues, O Estado de São Paulo de ontem 24 de junho. Os jornais são eternamente o espelho dos fatos, não uma fábrica de acontecimentos. Refletem a realidade, não a produzem.

A força dos fatos, isso sim, está tanto no lado positivo quanto no lado negativo. Vejam só: o programa de recuperação do entorno da avenida Rodrigues Alves recebeu um destaque enorme na mídia. Qualquer um pode comprovar isso. Basta percorrer as edições publicadas. Trata-se de iniciativa positiva. De outro lado, a imprensa destaca a sequência do desastre que envolve a chamada Câmara Alta. E, no fundo, são as denúncias colocadas à disposição da sociedade que estão fazendo com que os senadores tomem providência. Não, é claro, totalmente satisfatórias na dimensão do escândalo. Mas, de qualquer forma, medidas que decorrem da pressão legítima dos jornais e das emissoras de televisão e rádio. Sem a imprensa, como digo sempre, não pode haver afirmação humana. Sem imprensa, não haveria Pelé, Garrincha, Gene Kelly, Fred Astaire, Daiane dos Santos, Michael Phelps e, para ficar em poucos exemplos, o próprio Luis Inácio da Silva. Lula, equivocando-se, omitiu sua decolagem. Foi a partir da greve de 1980 que comandou no ABCD paulista,que teve seu caminho político aberto.

A arrancada inicial ele deve exatamente aos meios de comunicação. Primeira greve depois do movimento militar que derrubou o governo João Goulart, teve seu personagem principal elevado às manchetes: Lula o metalúrgico, o texto aproveitando  a frase –título de um filme da diretora Lina Wertmuller então exibido no Rio e São Paulo. Sempre contou com o apoio da imprensa. Nas suas derrotas e vitórias. Em 82, quando concorreu ao governo paulista. Em 86, quando se elegeu deputado constituinte. Em 89, na campanha presidencial foi vítima de um golpe baixíssimo desfechado pelo adversário, Fernando Collor, cujo mandato desabou três anos depois.

É fácil culpar a imprensa. Se um casal torpemente alucinado mata a filha e a arremessa do sexto andar de um edifício, quem é o culpado? O casal ou os jornais? Quando pessoas estão em perigo ou são vítimas da inércia da administração pública, a quem recorrer? À imprensa, às rádios, às televisões. À mídia, na qual todos, no fundo, buscam apoio. E depois, de modo primário e banal, a condenam. É fácil agir assim. A ingratidão faz parte do comportamento humano. Infelizmente. É lugar comum os beneficiados voltarem-se contra quem os ajudou. Que fazer? Nada. Apenas constatar o absurdo através do pensamento. Os exemplos são infindáveis.

Deu apenas um, que julgo definitivo. Quando as pessoas vão a um museu, a uma retrospectiva, assistem a uma reportagem história, e vêem fotos e filmes da bomba atômica explodindo em Hiroshima ficam alguns instantes impressionados. Seguem em frente, como é natural. Mas esquecem que naquela tarde de agosto de 45, havia repórteres, fotógrafos e cinegrafistas lá para cumprir o dever de documentar para a história. Podiam morrer. Poderiam ser atingidos pela irradiação. Alguns devem ter sido. Mas fizeram seu trabalho e seu papel. Lula deve pensar nisso.

A Espanha, favoritissima, volta ao passado de sempre, eliminadissima

Ninguém esperava que os EUA chegassem à semifinal. Italia absoluta, depois Egito, nos calculos os EUA nem apareciam. Pois apareceram. Só que os especialistas lamentavam: “Teve a sorte de chegar, mas de que adianta, se vai enfrentar a Espanha?”.

Sempre adianta.

Unanimidade para a final Brasil – Espanha, agora já completamente desfigurada. Pois os maiores comentaristas não têm duvida, a final será Brasil – EUA. Durmam tranquilos e amanheçam não tão otimistas. (Pelo menos Dunga está atento).

Joel Santana, cumprimentando respeitosamente a extraordinaria figura de Mandela, mostrava confiança e ganhou um sorriso e um aperto de mão de confiança.

E se a final for entre EUA e Africa do Sul? Pode não ser um sucesso de bilheteria. Mas será certamente de critica e de satisfação. Até para mim, por Joel Santana e principalmente por Mandela.

O Brasil ainda tem muito para ganhar.

Da alta de 1,70% para a queda de 0,30%

Jogatina é assim. Você olha está em alta, vira pro lado, já está em baixa. (Era o que Magalhães Pinto dizia da politica, comparando-a com as nuvens). Às 13 horas, alta, que muitos consideravam que iria aumentar. Pois caiu. Fechamento em 49.800, menos pouquinho.

O dolar que estava em 1,97 baixo, acabou em 1,96 alto, quase a mesma coisa. O volume não chegou a 5 bilhões. Tenho que pedir desculpas por ontem: afirmei (depois de falar com corretores) que o volume passara dos 5 bilhões, fechara em 7 bi. Só que mais de 2 bilhões fora de uma operação (direta e fechada) de telefonica. Portanto, hoje, 17 dias sem chegar a 5 bilhões.

Rigorosamente verdadeiro

O presidente Lula foi aconselhado (e o “conselho” não veio do Senado) a não se ligar tão veementemente ao presidente Sarney, em situação precarissima.

Dos que não têm mandato, quem pode dizer isso ao presidente Lula? Garamtem: “Sem serem ministros ou parlamentares, só duas pessoas têm gabarito para isso”. Completam: “Agora o senhor tem que apoiar Tião Viana, que já é candidato”. (Exclusiva)

Verdadeiro, textual e entre aspas

Da revista Forbes: “Obama ganhou no ano passado, só em direitos autorais, mais de 2 milhões e meio de dolares”. É o primeiro presidente dos EUA a conseguir esse resultado. Dá para lembrar de FHC, antes, durante e depois de ser presidente?

Do Ministro Carlos Minc para o também Ministro Alfredo Nascimento, cara-cara: “Você me espinafra em todos os lugares, por quê? Por acaso eu chamei você de veado?”. Como foi em publico, perplexidade geral.

De um senador que pediu sigilo: “A transformação da posição politica de Renan Calheiros é impressionante. Estava com a corda no pescoço, agora está com a corda toda”. Confere em genero, numero e grau.

A verdadeira representatividade

Neusa Maria Bragança de Mello:
“Helio, por que o deputado Chico Alencar não se candidata nem é relacionado como candidato a governador? Tem grande votação para deputado (eu e minhas amigas sempre votamos nele), não sai desse circulo? Por que não tenta ser governador, não rouba, seria otimo para ele, para nós e para o Estado do Rio. Meus parabéns e que Chico aceite a sugestão.”

Comentário de Helio Fernandes:
Corretissima sua observação. Chico Alencar não rouba, isso é fundamental para um governador fazer grande administração. A dignidade no trato dos dinheiros publicos, alem de ser um problema ETICO, é também reprodutor de investimento. Uma obra que poder feita, digamos, com 500 mil reais, esgota 1 milhão, portanto, podiam ser feitas duas obras. (O forte do governo Carlos Lacerda foi esse: ninguém conjugava o verbo roubar).

Chico Alencar não pode ser candidato por causa da nefasta COINCIDENCIA de mandatos, que só existe no Brasil. Digamos que Chico Alencar (ou outro deputado) se candidatasse a governador em 2010. Se perder, fica sem mandato por 4 anos. As eleições deveriam ser realizadas em 3 datas diferentes: 1) Para presidente da Republica e senadores. 2) Para governador e deputado federal e estadual. 3) Para prefeito e vereadores.

Muitos dizem, acreditando que estão certos: “Assim se gastará muito dinheiro”.

Dinheiro empregado em eleição não é gasto, é investimento (Idem para a Educação). Mas as cupulas sabidas e não sábias, não querem modificação num sistema que está funcionando (para eles) e destruição (para a coletividade) da verdadeira REPRESENTATIVIDADE.

Dolar e ações rodando no vazio

Exatamente às 13 horas, com 3 horas de movimento, nenhuma alteração importante. A Bovespa abriu em 50 mil 440 pontos, mais 1,20%. Agora, chegou (?) a 50.666, mais 1,70%.

O dolar abriu em 1,96 alto, esta em 1,96 baixo, nada visivel ou consideravel. Profissionais, preocupados. Especuladores, rindo como sempre, ganham na ALTA e na BAIXA.

Correção

José Fernandes da Silva:
“Helio, em 1986 o Maluf não foi eleito (Graças a Deus), quem foi eleito foi Orestes Quércia.”

Comentário de Helio Fernandes:
Excelente a vigilancia e a fiscalização. Jornalista não tem (nem pode ter mesmo) imunidade a respeito do que escreve. A correção é corretissima. Quem ganhou realmente foi Quercia (de Maluf e de Ermirio de Moraes), se desincompatibilizou, se elegeu senador até 1998. Teve a carreira interrompida pelo voto, mas continuou na politica, “dono” do PMDB, de jornal e de uma fortuna colossal.

Obrigado e não deixem de ASSINALAR o que estiver errado.

Homogeneos e heterogeneos no Rio

A confusão é total no Estado do Rio. O lançamento da candidatura de Garotinho ao governo assustou Sergio Cabral.

Em 2008, Garotinho, Cesar Maia e Picciani fecharam acordo. O primeiro para governador, os outros dois para o Senado. Garotinho confirmou, Cesar e Picciani desistiram. O ex-prefeito sabe que não se elege, o presidente da Alerj tem duvidas.

Para o Senado,  tres candidatos fortes: Dona Frossard, Gabeira, o “bispo” Crivela, que acaba o mandato e já perdeu duas vezes para prefeito. (Sergio Cabral também perdeu, Serra foi derrotado duas vezes para prefeito, ganhou na terceira, perdeu também para presidente, Garotinho, sozinho e sem partido, teve 15 milhões de votos).

Para Cesar Maia “sobrou” uma vagade deputado federal. E o filho? Maia pode ser estadual, diz: “Serei presidente da Alerj, do Picciani eu ganho”. Ganha? (Exclusiva)

Marcio Braga: juiza anulou expulsão no Flamengo

O socio-proprietario e Conselheiro do Flamengo Paulo Cesar Ferreira denunciou, COM PROVAS IRREFUTAVEIS, irregularidades no clube. O presidente, antes de ser operado e licenciado (felizmente para ele como pessoa fisica, infelizmente para o clube, já reassumiu), EXPULSOU o acusador.

Marcio Braga não gosta de ser contestado. Paulo Cesar entrou na Justiça, tendo como advogado Clovis Murilo Sahione de Araujo (neto do grande criminalista Clovis Sahione).

Hoje, exatamente a 1 da tarde, a juiza Marisa Simões Mattos (“Ainda há juizes em Berlim”) absolveu Paulo Cesar. Textual da juiza: “Declaro nulo o ato de expulsão da presidencia do Flamengo, bem como todos os atos decorrentes, em especial a suspensão do socio-conselheiro”.

Paulo Cesar pode processar o presidente do Flamengo. Ainda não decidiu.

Quercia presidente do Senado

Numa tarde de muita conversa no bar do fasano (São Paulo, luxuoso), o “dono” do PMDB paulista garantiu: “Serei eleito em 2010, tomarei posse e logo eleito presidente da casa”.

Um intimissimo discordou: “Mas no primeiro mandato?”. Quercia logo refutou: “Você esquece que eu já fui senador durante 8 anos”. Não é “menas” verdade. (Exclusiva)

Estudante, Serra é presidente da UNE, exilado. 45 anos depois, governador, reprime estudantes

O “misterio” eleitoral chamado Serra. Em 1979, chegando do exilio (verdadeiro), José Serra foi logo “apadrinhado, patrocinado e protegido” por um grupo de empresarios.

(O exilio de Serra, nada a ver com o de FHC. Este, apenas para constar, uma especie de “marca fantasia”, como a Coca-Cola. Alguns conhecidos (o ex-presidente não tem amigos) estavam no Chile, FHC ia lá, conversar e se divertir. Não tinha projeto politico, em 1978, foi o unico “CASSADO” que “disputou” eleição).

Garante que foi PRESO, CASSADO e PERSEGUIDO, até generais importantes negavam os fatos. A não ser que tenha sido CASSADO por DECISÃO SECRETA, mas isso foi “marca registrada do Senado”, começando 20 anos depois do fim da ditadura.

pausa para explicar as aspas das palavras CASSADO e DISPUTOU. 1- Em 1978, FHC foi suplente de Franco Montoro, candidato a senador. Montoro se elegeu, FHC ficou esperando, em 1982 assumiu no Senado, Montoro foi governador.

2- nem discuto o fato de ter sido suplente, é do regime que favorece as castas, as cupulas, os aristocratas da politica. O que contesto e já desafiei o ex-presidente a provar é o seguinte: antes de 1982, e da “anistia ampla, geral e irrestrita”, NENHUM CASSADO disputou eleição. Como FHC conseguiu essa façanha (?) de ser ao mesmo tempo CASSADO e ELEGIVEL?

Também não DISPUTOU nada, foi apenas suplente. Depois, acreditando que não conquistaria outro mandato de senador, estava disposto a ser deputado federal. Só que caiu do céu um acordo com Lutfalla-Maluf, candidato a governador. Traiu seu candidato declarado (Ermirio de Moraes), depois de exigir dele que retirasse sua candidatura ao Senado de um de seus maiores amigos (de infancia), Ermirio cumpriu logo a exigencia.

Maluf se elegeu governador e FHC senador. Mas mesmo aí, nem imaginava ser candidato a presidente, quanto mais eleito. Deve tudo a Itamar. E a reeeleição, invenção, financiamento e consolidação de Sergio Motta. (Mas esses dois fatos ficam para serem examinados em outra oportunidade, o personagem principal de hoje é José Serra).

Secretario do governador Franco Montoro, José Serra traçou milagrosamente mas também apressadamente, seu futuro politico, logico, passando pela eleição. Foi então candidato a PREFEITO de São Paulo, nem apareceu na “pedra” ou no fotochart do Tribunal eleitoral.

Insistiu 4 anos depois, nova DERROTA, ainda mais decepcionante (para ele), satisfação e ato (de vontade) do cidadão-contribuinte-eleitor. Ligou-se então ao senhor Piva (que na epoca era pai do presidente da Fiesp), foi candidato ao Senado, e supreendentemente se elegeu. O “dinheiro vadio” opera milagres.

Era 1994, FHC também se elegia para surpresa de todos e dele mesmo. A reeeleição foi facilima, outro que aproveitava o “dinheiro vadio” acumulado pelo amigo (talvez o unico) Sergio Motta.

José Serra, chamado da tribuna do Senado de PILANTROPICO e não de FILANTROPICO, jamais respondeu ao senador Ornelas, da Bahia.

No governo FHC foi TUDO e não fez NADA. Ministro do PLANEJAMENTO e da SAUDE, só cuidou de si mesmo. Tão ambicioso e vaidoso quanto o “patrão” FHC, seria candidato a presidente em 2002, perdendo para Lula.

A “maquina” facilitou o futuro de Serra, mas não lhe deu (nem dará) a Presidencia da Republica, a não ser num acordo com Lula.

PS- O retrato e o perfil de Serra estão nessa contradição. Em 1964, era presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), foi para o exilio nessa condição.

PS2- Agora, governador, reprime com violencia os mesmos estudantes que como ele há 45 anos protestavam contra o que julgavam errado. Como CONFIAR e TER na Presidencia um homem que trata seu proprio passado dessa forma, tentando conquistar o futuro?

A vingança contra a notícia

Carlos Chagas

Houve tempo em que a profissão de jornalista  era tida como de segunda classe. Fora os políticos que se utilizavam da imprensa como instrumento para a difusão de suas idéias ou a concretização  de seus interesses, botando dinheiro próprio nos jornais,  a imensa maioria vivia de receber vales, obrigava-se a trabalhar em diversos veículos e não raro morria na indigência. A própria Associação Brasileira de Imprensa nasceu como Caixa de Pecúlio para atender velhos profissionais sem aposentadoria. Seu  fundador, Gustavo Lacerda, morreu na Santa Casa da Misericórdia,  no Rio de Janeiro.

Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Julio Mesquita, Ronald de Carvalho, Armando de Salles Oliveira, Gilberto Amado e quantos outros eram profissionais liberais de sucesso ou  nobres bem fornidos de recursos, especializados em campanhas políticas  de sucesso, intitulando-se jornalistas por diletantismo. Bem diferente era  a massa que cuidava da noticia, que  reportava e editava as folhas, dividida entre a boemia e a quase miséria.  A sociedade referia-se a ela  fazendo aqueles gestos de quem tange galinhas.

O tempo passou, espaços foram sendo abertos. Mesmo assim,  usava-se a mídia,    e hoje  também  se usa, como instrumento para ingresso  na política. Só que a categoria dos jornalistas foi crescendo,  claro que  ainda submetida a  constrangimentos.  Vieram as Escolas de Jornalismo,  sem exigência de diploma, aumentando da mesma forma o número de profissionais que cursavam Direito,  Arquitetura e outras faculdades.

Nos idos dos anos cinquenta do século passado já se podia sobreviver com os salários pagos pelos  meios de comunicação, ainda que muitos jornalistas misturassem reportagem com publicidade ou histrionismo.

Deixamos de ser uma profissão de segunda classe, as exigências da informação  correta e verdadeira cresceram.  A boemia foi ficando para trás, assim como a miséria. Diminuiu  a   força dos patrões diante da noticia, ainda que continuassem impondo  concepções e  interesses.

Com a modernização e a sofisticação   dos meios de comunicação, além da exigência sempre maior dos leitores, ouvintes e telespectadores, acabamos  aceitos na comunidade. Para isso  contribuiu essencialmente a obrigatoriedade do diploma. Só com conhecimentos ordenados do mundo e da técnica jornalística, adquiridos também pela experiência, tornou-se possível às novas gerações ingressar na profissão a serviço da notícia.  Valorizá-la, conquistando espaços capazes de exigir  melhores salários e mais ética por parte das empresas. O culto à notícia veraz e  honesta cresceu,  não obstante as exceções, como em qualquer outra profissão.

A reação veio desde o início, por parte de muitos  patrões, saudosos dos tempos em que dominavam por completo os jornalistas e as notícias.  Como também, em progressão até  maior, entrou em campo a raiva daqueles que se sentiam atingidos pelos fatos publicados.  Tentarem e parece que conseguiram confundir-se com as  instituições e as  corporações a que servem, interessados em  sobrepor-se à sociedade e,  mesmo, à   lei e aos bons costumes. Excessos aconteceram e acontecem do nosso lado,  mas, como regra, o jornalismo impôs-se como valor social.

A queda de braço permaneceu, assim como o  conluio entre a maioria dos proprietários e o  monte de atingidos pela notícia, integrantes de instituições variadas,  flagrados em lambanças ou simplesmente irritados por ver  afirmar-se  um outro poder capaz de  arranhar e até de demolir suas maracutaias.     Particularizando: no Congresso, nos partidos políticos, nos governos, nos tribunais, nas entidades empresariais, até nos sindicatos e nas universidades –   os incomodados entenderam necessário contra-atacar. Com inteligência, fizeram alvo principal a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Uma espécie de vingança, de revanche para eles capaz   dispersar a categoria que os incomoda.

Ignora-se haver sido o Supremo Tribunal Federal um instrumento, um agente dessa reação, ou, simplesmente,  as mãos do gato com que as elites tiram as castanhas do fogo.  Tanto faz, pois da decisão de dez ministros, em onze,  acaba de sair o petardo supostamente letal para esmagar a força da notícia. Apesar do  protesto de alguns veículos e da promessa de seus proprietários de que nada vai  mudar  e de que continuarão sendo admitidos em suas redações os  melhores profissionais, o risco é de a teoria ser desmentida pelos fatos. Agora poderão ingressar no jornalismo, além dos jovens obviamente  preparados,  indivíduos manipuláveis,  sem a formação  necessária para o cumprimento de nossa obrigação maior, o culto à notícia.

O processo de emprego num mercado de dúvidas

Pedro do Coutto

O Ministério do Trabalho anunciou nos jornais de 23 de junho que, no mês de maio, foram criados 131,6 mil empregos com carteira assinada no país, dando sequência assim a um processo fundamental de retomada de postos de trabalho fechados entre o segundo semestre de 2008 e janeiro de 2009: consequência da crise financeira que atingiu o mundo. E, portanto, alcançou o Brasil. A melhor página sobre o tema, sem dúvida, foi a da Folha de São Paulo com matérias assinadas pela repórter Juliana Rocha e pelo sócio diretor de LCA Consultores, economista Fernando Sampaio. Entretanto dúvidas permanecem e, se não forem esclarecidas agora, serão pelo passar do tempo e pelos números do FGTS. Explico porque.

O resultado de maio, fornecido pelo Cadastro Geral do Ministério do Trabalho, dá a entender que 131 mil e 600 foi o saldo verificado entre as admissões e as demissões em maio. Uma surpresa. Pois até abril as demissões registravam um número mensal em torno de 110 mil. Assim, para que houvesse um saldo positivo de 131,6 mil, era necessário que o total de contratações atingisse algo em torno de 240 mil postos. Difícil.Não estou negando, mas aguardando informações da Caixa Econômica Federal, administradora do Fundo de Garantia, sobre os saques efetuados no mês. O diretor dessa área da CEF é o ex governador Moreira Franco. Quando digo que existe que existia média mensal de 110 mil demissões, baseio-me no relatório anual de 2008 da própria Caixa Econômica, por mim comentado há cerca de dois meses. Inclusive a Caixa divulgou o montante dos saques ocorridos no exercício passado. Somaram 23 bilhões de reais para 16 milhões de demissões sem justa causa. O que evidencia uma incidência média mensal até superior a parcela de 110 mil dispensas. Inclusive, o desembolso realizado representou quase a metade da arrecadação total do FGTS em 2008, que foi exatamente de 48,7 bilhões. Isso de um lado.

De outro, quando o governo fala em recuperação de postos de trabalho (281mil, este ano) contra uma perda acumulada de 797 mil de junho do ano passado a janeiro de 2009, não se refere ao valor do salário médio. Pois, para uma análise socioeconômica completa, é indispensável confrontar-se o salário médio dos demitidos com o salário médio dos admitidos. Porque quando existe uma demanda interna por emprego –o que acontece sempre, já que sem emprego o ser humano entra em crise- e uma oferta retraída, a consequência natural é a queda dos padrões salariais. Lei da oferta e da procura, uma lei natural e eterna. Há, portanto, como estamos vendo, muitos pontos a serem iluminados e esclarecidos. Não podemos nos deixar levar pelo impacto da primeira informação. Os números têm personalidade própria e relativa. Necessitamos focalizá-la e traduzí-la. A vida é uma tradução constante.

Sobretudo porque, como assinala o texto de Juliana Rocha, o setor que menos empregou em maio passado foi o da indústria, proporcionando um aumento de apenas 700 vagas no total anunciado de 131 mil. Algo deve explicar o fenômeno marcado pelo contraste. Pois se a atividade econômica se expandiu ao ponto de surgirem 131 mil vagas novas e adicionais às demissões, qual o motivo que  levou a indústria a empregar tão pouco? Sem atividade industrial não pode haver produção e comercialização. Francamente, penso que foram criadas 131 mil vagas com carteira assinada em maio. Mas a que montante atingiram as dispensas? Está faltando este número.