Luiz Antonio Saccino na discussão sobre DE e QUE depois do verbo ter

Comentário de Helio Fernandes
Vou usar para responder, exatamente as palavras que você utilizou para contestar. Causou-me pasmo o que você escreveu sobre o uso do ter DE e do ter QUE. É exatamente o contrário do que está no teu texto. Na gramática a primeira forma “é optativa em certas frases”. A segunda é obrigatória, mesmo contrariando a gramática, que não é a Bíblia, a não ser para o ensino primário. Depois, ela ganha vida livre, pode ser modificada, como colocou muito bem o Carlos Newton.

Quem não fala bem não escreve bem, mas o contrário é encontrado em 99% dos casos. Você, Luiz Antonio, não acertou uma, cá entre nós, foi muito infeliz. Como diz que vai publicar mais um livro, “NÃO ERRE MAIS”, espero que como um boomerang, o título não o atinja, dolosa ou dolorosamente.

Quanto às vírgulas, (e aqui é também para a excelente correspondência do Orlando Torres Filho), de todos os sinais, é o que mais se distancia, (graças a Deus e não aos professores), das gramáticas. A VÍRGULA deve ser usada com critério ético e estético e não puramente gramatical. E o ponto e vírgula, desprezível e desnecessário. O ponto manda PARAR, a vírgula, CONTINUAR. O que fazer? De qualquer maneira ganham todos no debate, e na explicação a respeito do uso pessoal das palavras e dos sinais.

(Sobre a vírgula, não esquecer o que disse, aqui mesmo, o jornalista Carlos Newton: “A vírgula ajuda a respiração”).

Para o bem de todos e felicidade geral da Nação, a língua é dinâmica e não estática. (Exatamente como as posições políticas e ideológicas, que podem ser modificadas pela reflexão e o conhecimento, como aperfeiçoamento e não pela violentação ou “concessão”).

Quanto à gramática, imaginemos cada um de nós falando para alguém, distante: “Você tem DE vir me buscar”. Um horror. Mas se disser, “você tem QUE vir me buscar”, ele, satisfeito, arranjará o veículo mais rápido que encontrar.

Para todos, abraços e saudações gramaticais, com voo próprio e autonomia ditada pela forma mais correta de ler e ouvir. Eu, por exemplo, escrevendo diariamente desde 1957 no Diário de Notícias, (fora o que escrevi antes) jamais me prendi a regras e sinais tolos e até sem sentido. Isso muito antes do “acordo ortográfico”. Este? Burrice, perda de tempo e fato inteiramente desnecessário, aplaudido por meia dúzia de profissionais do salamaleque, que palavra.

GLOBOGATE tupiniquim: Roberto Marinho, acima da lei e da ordem

O documentário “O homem que enganou Roberto Marinho” revela como ele usou sua influência na ditadura para se apossar da TV Paulista. A questão está no STJ, tendo como relator o ministro João Otávio de Noronha (REsp 1046497-RJ), vem sendo investigada pelo Ministério Público Federal e deverá ser levada a organismos internacionais voltados para proteção dos direitos humanos e das minorias.

Dirigido pelo jornalista Carlos Newton, o documentário mostra que Roberto Marinho na verdade NUNCA FOI DONO DA TV PAULISTA (hoje, TV Globo de São Paulo, responsável por mais de 50% do faturamento da maior rede de televisão do País), porque todos os documentos por ele apresentados ao governo federal eram falsificados ou nulos de pleno direito.

“Durante o regime militar, o então presidente da Organização Globo se tornou a personalidade mais importante do País e tinha trânsito livre em Brasília. Se fosse outro empresário qualquer, jamais teria conseguido a concessão, originalmente concedida à TV Paulista em 1952”, disse o cineasta, ao me mostrar as primeiras filmagens.

Para ter direito à concessão, Marinho precisava de autorização prévia do então Ministério da Viação e Obras Públicas, nos termos do Decreto 52.797, de 31 de outubro de 1963: “Nenhuma transferência direta ou indireta de concessão ou permissão poderá se efetivar sem prévia autorização do governo federal, sendo nula, de pleno direito, qualquer transferência efetivada sem observância desses requisitos”.

Portanto, somente depois do aval do governo é que Marinho poderia ter comprado a emissora, que era uma sociedade anônima, com mais de 650 acionistas. Mas isso não aconteceu. MARINHO DESPREZOU A LEI, NÃO PEDIU AUTORIZAÇÃO AO GOVERNO E FOI LOGO ASSUMINDO A TV PAULISTA, sem se importar com os verdadeiros acionistas controladores.

Marinho nem fez contrato de gaveta

O documentário “O homem que enganou Roberto Marinho” traz um importante depoimento da engenheira Regina Maria da Cruz Cabral, que foi diretora da Divisão de Radiodifusão do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) na década de 70. “Para burlar o Decreto 52.797, os empresários costumam fazer contratos de gaveta, que só passam a vigorar depois que o Dentel autoriza a venda da emissora”, revela a especialista.

No caso da TV Paulista, Marinho nem se importou em celebrar um contrato de gaveta e sequer procurou os verdadeiros donos da emissora (os acionistas majoritários), preferindo fechar negócio em 1964 com o jovem empresário Victor Costa Jr., que havia assumido o controle da emissora com base num antigo contrato celebrado por seu pai, Victor Costa.

Acontece que o contrato entre Victor Costa (pai) e os sócios majoritários da TV já não tinha validade, porque ele morrera em dezembro de 1959 sem cumprir a principal cláusula: conseguir junto ao governo a transferência das ações para seu nome, nos termos do decreto 52.957.

Os documentos exibidos nas filmagens são impressionantes, inquestionáveis e irrespondíveis. Mostram que, em agosto de 1960, o próprio Victor Costa Jr. enviou requerimento ao Ministério, pedindo que fosse sustado qualquer expediente para transferir a seu falecido pai a concessão. No mesmo ato, se comprometeu a apresentar sentença final homologatória ou alvará da 9ª Vara Cível e Comercial de São Paulo, passando para seu nome as ações da TV Paulista que pertenceriam ao pai, para que então pudesse se habilitar à concessão.

Victor Costa Jr., porém, nunca conseguiu apresentar ao governo a sentença ou o alvará da 9ª Vara Cível e Comercial de São Paulo, onde corria o inventário do pai. Motivo: as ações da TV Paulista não constavam dos autos do inventário de Victor Costa (pai), PORQUE ELE LEGALMENTE JAMAIS FOI DONO DELAS.

Um jovem de 25 anos deu um golpe em Marinho?

Mesmo sem ser dono de uma só ação da TV Paulista, quatro anos depois, em 9 de novembro de 1964, Victor Costa Jr. assinou contrato com Roberto Marinho, transferindo as ações que “constituem objeto do inventário de seu pai Victor Costa Petraglia Geraldine, ao qual se reporta, em curso perante o Juízo da 9ª Vara Cível e Comercial de São Paulo, sendo ele, Victor Costa Petraglia Geraldine Júnior o único herdeiro, comprometendo-se a apresentar certidão da correspondente adjudicação de todas essas ações e cotas e direitos delas decorrentes”.

Victor Costa Jr. nunca o fez, repita-se, porque AS AÇÕES JAMAIS CONSTARAM DO INVENTÁRIO DO PAI E A ELE NÃO FORAM TRANSFERIDAS, o que significa dizer que esse contrato com Roberto Marinho não tinha a menor validade. Portanto, o todo-poderoso presidente da Organização Globo, que ficara ilegalmente com 52% das ações, na verdade teria sido vítima de um surpreendente golpe, praticado por um jovem de apenas 25 anos?

QUANDO MARINHO DESCOBRIU A TRAMA, ERA TARDE DEMAIS. E agora? Como fazer para legalizar a transferência da concessão junto ao governo federal? Foi assim que Roberto Marinho e seus principais assessores passaram a usar todas as manobras possíveis, fossem legais ou ilegais, para tentar reverter a situação”.

As filmagens do documentário demonstram que o drama de Marinho durou 12 anos. Durante todo esse tempo, o negócio celebrado com Victor Costa Jr. não foi levado a registro nem comunicado à Junta Comercial de São Paulo, enquanto em Brasília os assessores da TV Globo (tendo à frente o diretor Luiz Eduardo Borghert) buscavam uma saída para transferir a concessão da emissora, que continuou sendo chamada de TV Paulista até 1973.

Até  mortos compareciam à Assembléia-Geral

Além do contrato entre Victor Costa Jr. e Marinho ser nulo de pleno direito, outro grande problema era a questão dos mais de 650 acionistas. Assim, o primeiro passo foi convocar para 10 de fevereiro de 1965 uma Assembléia Geral Extraordinária com objetivo de elevar o capital. Uma farsa completa, porque consta da ata que dela teriam participado Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, o segundo maior acionista, Manoel Bento da Costa, que era desconhecido na sociedade, e outros. Todos, convenientemente,  representados por Armando Piovesan, assessor de Roberto Marinho e que não exibiu procuração alguma. HERNANI, MORTO TRÊS ANOS ANTES, NÃO PODERIA TER COMPARECIDO NEM NOMEADO PROCURADOR, ASSIM COMO OUTRO GRANDE ACIONISTA, MANOEL VICENTE DA COSTA, FALECIDO EM 1964.

Esse irregular aumento de capital foi então submetido ao Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), omitindo-se a suposta e não-autorizada transferência anterior das ações (52%), do  não-acionista Victor Costa Junior, o que caracterizava UMA TENTATIVA DE USURPAÇÃO INDIRETA DA CONCESSÃO, uma possibilidade totalmente ilegal.

Mas o Ministério da Viação, que à época regulava o setor de telecomunicações, não engoliu a versão de Marinho. A Portaria 163, de 27 de maio de 1965, determinou que o aumento do capital e a subscrição de ações por Roberto Marinho somente fossem aceitos se NO PRAZO DE SEIS MESES a emissora regularizasse o quadro societário, mediante a apresentação de certidões de idade e de casamento de todos os acionistas, “sob pena de ficar sem qualquer efeito jurídico a aprovação condicional do quadro na forma sugerida”, conforme a Portaria assinada pelo Tenente-Coronel Helio Gomes do Amaral, presidente em exercício do Contel.

Com os superpoderes de que dispunha no governo militar, Roberto Marinho simplesmente desconheceu a Portaria e nem ligou para o prazo de seis meses. Os anos então foram passando. A impunidade era tamanha que, mesmo sem ter ainda transferido a concessão, Marinho decidiu trocar o nome da emissora para TV Globo de São Paulo S/A, passando a se dirigir ao Ministério sob tal denominação.

Mas a situação piorou em 1972, quando o Dentel fez uma vistoria na antiga TV Paulista e constatou uma série de irregularidades. – ou melhor, as mesmas irregularidades identificadas em 1965, acrescidas de outras. O parecer jurídico da relatora Niza Almada Cruz exigiu que a TV Globo comprovasse as transferências das ações pertencentes a sócios já falecidos e determinou que esclarecesse “a participação do Sr. Victor Costa (pai) na sociedade com vistas a regularizar o seu quadro social”. Como se sabe, Victor Costa havia morrido em 1959, mas, para efeitos legais, ainda estaria administrando a TV Paulista em 1972.

Mais uma Assembléia-Geral é “montada”

Mais três anos se passaram, sem que Roberto Marinho tomasse qualquer providência, até que, em 17 de junho de 1975, um parecer assinado por Domingo Poty Chabalcoity, responsável pela Seção do Regime Legal das Empresas, reafirmou as “irregularidades quanto à composição de seu quadro societário” e solicitou mais uma vez “os documentos necessários”.

Diante da insistência do Ministério (que já era das Comunicações), os diretores da TV Globo então “montaram” a realização de uma nova Assembléia-Geral Extraordinária, DE FORMA A PASSAR PARA O NOME DE MARINHO AS MESMAS AÇÕES QUE JÁ SERIAM DELE DESDE 1965. Outra farsa completa, porque teriam participado da assembléia ou sido representados os acionistas Hernani Ortiz Monteiro e Manoel Vicente da Costa, ambos falecidos há muitos anos. E pior: as transferências das ações dos antigos controladores foram assinadas pela mesma pessoa (o diretor da Globo Luiz Eduardo Borghert), como se houvesse um procurador comum.

COM BASE NA ATA DESSA AGE FRAUDULENTA é que Roberto Marinho então fez novo requerimento ao Ministério das Comunicações, e em janeiro de 1977 enfim conseguiu passar para seu nome o controle da TV Paulista, 12 anos depois de estar gerindo ilegalmente a emissora.

No depoimento à equipe do documentário “O homem que enganou Roberto Marinho”, a engenheira Regina Maria da Cruz Braga, então diretora do Dentel, que assinou a autorização beneficiando Marinho, disse que jamais pensou ter sido iludida pela direção da TV Globo.

“À época, não notei nenhuma irregularidade”, comentou, acrescentando que os documentos anexados por Roberto Marinho transferindo para seu nome as ações pareciam estar corretos, sobretudo porque OS TÉCNICOS DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES REALMENTE NÃO TINHAM COMO SABER SE OS ACIONISTAS CONTROLADORES DA TV PAULISTA JÁ TINHAM MORRIDO.

Advogados complicam Marinho no processo

A questão agora está sendo examinada no Superior Tribunal de Justiça, numa ação movida contra Roberto Marinho pelos herdeiros dos principais acionistas da TV Paulista. Apesar de sua grande importância, o processo tramita praticamente sob sigilo, devido à influência que a família Marinho tem na imprensa e nos meios de comunicação em geral.

Um dos detalhes mais curiosos é o comportamento dos advogados da própria TV Globo, que entraram em graves contradições nos autos, ao anexarem documentos que depois viriam A COMPROMETER MARINHO NO PROCESSO, conforme publiquei na Tribuna da Imprensa, sempre com total exclusividade.

Primeiro, eles alegaram que Marinho teria assumido o controle da emissora por uma série de procurações e substabelecimentos a ele concedidos pelos acionistas majoritários. COMO ESSES DOCUMENTOS FORAM LEVADOS À PERÍCIA E TIDOS COMO GROTESCAMENTE FALSIFICADOS, os advogados passaram a dizer que Marinho comprara a TV Paulista através de um contrato com Victor Costa Jr, que teria passado adiante as ações que recebera como herança.

Acontece, porém, que no inventário de Victor Costa (pai) não constava a propriedade de nenhuma ação da TV Paulista, porque ele nunca assumira legalmente o controle da emissora. Quando este fato ficou bem claro nos autos, os advogados de Marinho mudaram novamente de versão, passando a afirmar que a transferência das ações se deu em duas Assembléias-Gerais Extraordinárias.

O mais curioso é que os advogados de Marinho argumentaram nos autos que, mesmo tendo havido erro, dolo, fraude ou simulação nessas assembléias, os crimes estariam prescritos, como se fosse possível que alguém pudesse MANTER UMA CONCESSÃO FEDERAL OBTIDA MEDIANTE FRAUDE. E o mais surpreendente ainda foi terem alegado que Marinho merecia manter a concessão POR SIMPLES USUCAPIÃO. Parece brincadeira, mas é verdade.

Com a maior naturalidade, impunidade e ilegalidade, Marinho usurpou também as ações dos 675 acionistas minoritários, titulares de 14.285 ações (48% do capital social inicial), depositando em conta bancária, simbolicamente,  em agosto de 1976, irrisórios Cr$ 14.285,00 (um cruzeiro por ação), quando 12 anos antes já pagara Cr$ 3.750.000.000,00 por apenas 15.100 ações, correspondentes a 52% do capital majoritário. Ou seja, APOSSOU-SE DAS VALORIZADÍSSIMAS AÇÕES DE 675 ACIONISTAS NO PERFEITO GOZO DE SEUS DIREITOS SOCIETÁRIOS. Simplesmente, desapropriou-os.

Com base nos sucessivos golpes aplicados por Marinho e seus assessores, em 21 de janeiro de 1977 o governo militar, pela Portaria 430, então deu por regular a transferência do controle acionário da ex-Rádio Televisão Paulista S/A, hoje, TV Globo de São Paulo, sediada no mais importante estado da Federação.

Foi um negócio originalmente irregular, viciado e condenado à permanente ilegalidade, apesar da reputação (?) e do indiscutível poderio de seus beneficiários, pois qualquer advogado sabe que ato nulo não se convalida nem com o passar do tempo.

***

PS1 – No caso, nem se trata de ato nulo, porque a compra da TV Paulista foi UM NEGÓCIO INEXISTENTE, como mostra o documentário e como provam os processos administrativos existentes no Ministério das Comunicações, guardados a sete chaves pelo senador-ministro Hélio Costa, por coincidência, ex-funcionário da Organização Globo.

PS2 – Respeitadas as proporções do famoso e desvendado Watergate norte-americano, o caso da usurpação do controle acionário da TV Paulista, com base em documentação anacrônica e falsificada, mereceria a denominação de GLOBOGATE TUPINIQUIM.

A frase e as uniões politicas da História

Pedro do Coutto

A frase do presidente Lula envolvendo a figura divina de Jesus Cristo e a de Judas, símbolo eterno de traição, para adaptar textos bíblicos apolítica de hoje, pode não ter sido das melhores, mas também não pode ser levada ao pé da letra, como parece ter colocado Dom Dimas Barbosa, secretário geral da CNBB.Foi uma citação fora de contexto, sem dúvida, mas não é motivo para uma tempestade.O perdão de Cristo não se confunde com acordos, sobretudo impossível, em face do desfecho de Jerusalém.Judas, um judeu, entregou Cristo aos romanos que ocupavam militarmente a Judéia.Sob este ângulo, inclusive, o acordo tornar-se-ia ainda mais difícil. Além da separação religiosa, a divisão política que colocou, por dinheiro, Iscariotes ao lado dos romanos.Superado este aspecto que remonta há quase dois mil anos, a história apresenta exemplos de acordos políticos que, embora parecessem improváveis, foram firmados e se tornaram realidade. O mais emblemático de todos o da união entre Churchill, Roosevelt e Stalin, diante do inimigo comum, o nazismo de Hitler, o fascismo de Mussolini, a adesão de Hiroito ao eixo que partia para tentar dominar o mundo. Na China, em meio à guerra civil, Chiam Kai Chek e Mao Tse Tung firmaram uma trégua depois de uma luta que completava mais de vinte anos, para que o país enfrentasse o Japão que ameaçava tanto os conservadores quanto os revolucionários.Lula exagerou na dose histórica. Claro,os motivos da política são próprios de uma atividade que é tanto arte quanto ciência, e, sobretudo percorre os caminhos do que se pode chamar de um curso extra legal.

Não existem esquemas rígidos.

Não se pode tratar mal os aliados, disse o próprio presidente Roosevelt quando os comunistas de Mao Tse Tung e Chou Em Lai pediram armas aos EUA para enfrentar o Japão. As armas, depois, terminariam sendo usadas, como especialistas previram, contra Chian Kai Chek e contra os próprios americanos na guerra da Coréia. Mas no momento crítico faz guerra mundial tiveram sua utilidade e consequência para reduzir a duração de um conflito que terminou marcando o lançamento da bomba atômica.

Enfim, há exemplos e mais exemplos. |Rejeitar apoios é que não é prático na política, a menos que eles produzam mais efeitos negativos do que positivos. Mas esta é outra história. Lula referiu-se à governabilidade que, por sua vez, exige maioria parlamentar. Neste ponto tem que haver realismo, porém dentro dos limites éticos, já por si flexíveis, do universo político. Governabilidade não pode significar licenciosidade e exageros. Estão havendo exageros. Mas como reage a opinião pública? Acrescentando prestigio ao presidente e às ações de governo. O que o presidente afirma é aceito, quando é a seu favor, ou ignorado quando contraria a lógica. Que dizer? A oposição não está conseguindo situar-se nesse quadro. E se ela, que tem interesse direto na sucessão não consegue, quem há de conseguir?

O enigma está colocado. É preciso decifrá-lo. Caso contrário, como na lenda, ela devora os que não a entendem. Talvez à luz dos fatos, hoje, isso não seja possível. Mas se hoje não é possível, maias dificilmente ainda amanhã. Pois à medida que se aproximam as eleições, mais intensa será a atuação do presidente da República. Ainda por cima, está vindo por aí o filme dirigido por Fábio Barreto. Pelos trailers exibidos,vai comover. Afinal um menino que enfrentou até a fome, passou dias num caminhão do Nordeste a São Paulo, chegou a ser presidente.

Vão tirar a bola de campo?

Carlos Chagas

Está para ser divulgada mais uma rodada de pesquisas eleitorais sobre a sucessão do ano que vem, pelos três principais institutos. Datafolha, Ibope e Sensus   estão em  campo. O governo e o PT não apenas desconfiam, mas sabem, porque dispõem de meios para chegar ao âmago dessas três empresas, que os números ainda  não favorecerão Dilma Rousseff.  A candidata no mínimo manterá a distância que a separa de José Serra, se não tiver diminuído uns pontinhos. Ciro Gomes continuará mais popular do que ela, enquanto Marina Silva permanecerá onde estava.

É claro que surpresas poderão aparecer, já que as pesquisas se fazem bem próximo  do dia da divulgação, mas,  pelo jeito,  pouco mudará da última pesquisa, pela experiência dos técnicos e até pelas sondagens feitas à margem do público, para efeito interno e para  clientes especiais.

Nada que possa desfazer os planos oficiais do presidente Lula de seguir adiante com a chefe da Casa Civil, mas se tudo continuar como antes, emergirá a constatação  de terem valido pouco os périplos pelo país, com a candidata a tiracolo.

Nem mesmo o  final do ano será prazo para Dilma decolar. Há tempo, no primeiro semestre do ano que vem, tem repetido o primeiro-companheiro, apesar das dúvidas de alguns dirigentes do PT.

Assim, a pergunta que se faz é se, na reta final do processo sucessório, continuarem as coisas como vão. Se, por hipótese,  Serra e Ciro  passarem para o segundo turno, em outubro. Nessa hora, como  se comportaria o PMDB, por exemplo,  supondo-se que se tenha atrelado à candidatura oficial, indicando o candidato à vice-presidência? E o próprio PT, que não  morre de amores pelo ex-governador do Ceará? O  meio-campo terá embolado de tal forma que muita gente supõe o ressurgimento de propostas  esdrúxulas como a do recolhimento da bola e a interdição do estádio, quer dizer,  da prorrogação de todos os mandatos por dois anos. É bom prestar atenção, porque devolver o poder aos tucanos, a frio, seus atuais detentores não admitem…

Estão em outro planeta?

Movimento social, partido político, grupo revolucionário? Tanto faz como se classifique o MST de hoje, mas,  pelas declarações mais recentes de seus líderes, os sem-terra não estão  nem aí para a sucessão presidencial. Referem-se de forma pouco elegante a Dilma Rousseff, abominam José Serra e ignoram os demais candidatos, até mesmo Marina Silva. Pode ser apenas uma estratégia para, no momento certo, definirem-se. Valerão menos pelos votos que possuem, mais pelo barulho que causarão,  ficando difícil supor deixarem de manifestar-se em favor do presidente Lula, ou seja, de sua candidata.

Ou estarão em outro planeta, dando de ombros para o atual processo político-eleitoral, que apesar de falho, é o melhor de que dispomos? Se desde Pedro Álvares Cabral que a reforma agrária não foi feita, como dizem e provam,  estariam mergulhados numa proposta capaz de prescindir de  todas as forças hoje empenhadas na disputa pelo poder? Qual seria,  senão a de revirar de cabeça para baixo  as instituições vigentes, como já tentam, faz algum tempo, inverter a lei e a ordem?

Presidente reconhecido

Assinaram os três senadores por Minas proposta destinada a fazer justiça a um dos mineiros mais ilustres do século passado.   Eduardo Azeredo, Eliseu Resende e Wellington Salgado  propuseram emenda constitucional inscrevendo Pedro Aleixo na galeria dos ex-presidentes da República. Apesar de haver ocupado o palácio do Planalto apenas duas vezes, durante rápidas ausências do marechal Costa e Silva do território nacional, nada mais justo do que dar ao então vice-presidente o status de quantos ostentaram o título maior.

Aliás, Tancredo Neves foi outro mineiro que, mesmo não tendo podido assumir e ocupar a chefia do governo, já recebeu do Congresso a honra de inserir-se no rol dos presidentes da República.  Com relação a Pedro Aleixo, acresce haver sido esbulhado do direito de presidir o país quando da doença do titular, precisamente há 40 anos.  Os três ministros militares da época usurparam o poder, investindo-se das funções do vice-presidente,  que até preso domiciliarmente acabou sendo. A nação prestará ao eterno professor de democracia homenagem mais do que merecida.

A dúvida permanece

Há meses  o presidente Lula não fala mais que preencherá com os secretários-gerais as vagas abertas no ministério com  a desincompatibilização dos titulares candidatos às eleições do ano que vem.  Serão pelo menos quinze ministros dispostos a pedir as contas para disputar governos estaduais, o Senado, a Câmara e até a presidência e a vice-presidência da República.  A primeira decisão do chefe do governo era de elevar os secretários-gerais a ministros  e manter a mesma política em cada um  dos ministérios  vagos. Apenas quando completado o prazo máximo para os titulares saírem, ou seja, 31 de março do ano que vem, promoveria as mudanças.  Há, no palácio do Planalto, quem aconselhe o Lula a agir de modo diferente. Afinal, se os ministros-candidatos vão sair, que saiam já, até o fim do ano. Para que seu último ano administrativo, talvez o mais importante, não se assemelhe a uma meia-sola, o ideal seria buscar desde já na sociedade  os mais capazes em cada setor, para ministros. Sem detrimento dos secretários-gerais, a oportunidade abre-se para a formação de uma equipe de primeira categoria. Por enquanto, parece que a dúvida permanece nas cogitações do presidente.

Investimentos de 90 bilhões são normais

Pedro do Coutto

Na Folha de São Paulo de domingo, reportagem de Marcio Aith e Agnaldo Brito revelou, com o destaque devido, que até abril o governo terá comprometido 90 bilhões de reais para licitar grandes obras públicas no país. Os números chamam atenção e, sem dúvida, embutem efeitos eleitorais. Tal propósito é claro e o presidente Lula não está inovando ou singularizando ações comuns a todas as administrações. Isso de um lado. De outro, exterminando-se os números verificamos que não são tão grandes assim. O programa de investimentos para este ano situa-se em torno de 80 bilhões no universo orçamentário superior a 1 trilhão de reais, pois esta é a lei de meios deste ano. A de 2010 pode ser um pouco maior, mas a percentagem relativa com 90 bilhões não representa uma adição super extraordinária. Menos que os 124 bilhões que o governo vai desembolsar em 2009 para rolar, ju8nto aos bancos, a dívida interna do país. Obras são necessárias. Para realizá-las é indispensável colocá-las em licitação e contratá-las. Projetando o programa de obras, na realidade, ninguém poderá dizer que o executivo está extrapolando de sua missão. Ao contrário, está cumprindo sua tarefa. Claro que os efeitos visando são voltados para fortalecer a ministra Dilma Roussef. Mas como impedir tal fato? Pela lei impossível. A oposição pode questionar politicamente. Mas não tem o poder de bloquear as ações oficiais. Até porque existe um executivo federal. Mas há vinte e sete estaduais, além de 5 mil e 500 prefeituras. Governadores e prefeitos também agem assim. Algo comum a todos.

Vale lembrar a respeito de tudo isso a carta de Dom Helder Câmara enviou ao deputado Carlos Lacerda, em 1955, que acusava a influência econômica e as máquinas do PSD e PTB como responsáveis pela vitória de Juscelino Kubitschek. A influência econômica lembrou, da mesma forma que o aliciamento, não são patrimônio de nenhum partido. São próprios a todos. Evidentemente, no caso atual é enorme o peso da máquina federal. Mas como evitar isso? Lula anuncia as obras, leva a seu lado a candidata previamente aprovada pelo PT, incluindo a aliança com o PMDB, fundamental para ampliar o tempo na televisão, e vai em frente. Estas são as regras do jogo. A oposição que busque seu caminho de forma convincente, até porque o seu principal nome, o governador José Serra,lidera as pesquisas realizadas até agora por margem expressiva.O emprenho de Lula pela Chefe da Casa Civil ainda não alterou esta supremacia.Pode mudar amanhã, mas este é outro caso.Seja como for, com máquina pública ou sem ela, as eleições de 2010 vão ser decididas no segundo turno. Aí o tempo de TV é igual e o embate será frente à frente.Seja qu7al for o resultado do primeiro, o desfecho será no segundo.

Não existem na verdade obras que garantam a vitória de candidatos oficiais. Se existissem, o poder não perdia eleição no mundo. Existem muitos exemplos a respeito do tema. No fundo da questão, predomina a lei dos grandes números. Influências aqui e ali se compensam.E é preciso levar em conta o mais importante de tudo: o desempenho pessoal dos candidatos. As máquinas administrativas são muito importantes. Valem muito.Mas seu valor é absoluto.

Reforma trabalhista precisará recriar uma nova JT

Roberto Monteiro Pinho

A atual estrutura da Justiça do Trabalho apesar da gigante aparente dimensão, na prática não atende as questões do trabalho em todo território brasileiro, recente verificando os números registrados no Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam que a Justiça do Trabalho não possui Varas do Trabalho na grande maioria das cidades brasileiras. Dos 5.564 municípios existentes, só está presente em 1.364, o equivalente a 23% do total necessário para cobrir todo território nacional. Os dados são alarmantes até mesmo nos principais estados da União, como também no norte e nordeste, onde existe enorme lacuna na prestação jurisdicional trabalhista. Pior ainda é que o Ministério do Trabalho através das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs), também não estão instaladas na maioria das cidades, com isso predomina a burla a legislação trabalhista, a mais violenta entre todas os crimes contra o trabalho.

Dispõe o artigo 109 da Constituição da República que compete aos Juízes Federais processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho. A família Delmanto, na obra Código Penal Comentado, (Ed. Renovar, São Paulo, 2004), nos ensina que dispunha o artigo 125, VI, da antiga Constituição da República que competia à Justiça Federal o processo dos crimes contra a organização do trabalho (CP arts. 197 a 207) ou decorrentes de greve ( Lei nº4330/64, artigo 29, hoje revogada pela 7783/89 ). Ainda o artigo 109, inciso VI, da Constituição de 1988: “Art. 109 – Aos juízes federais compete processar e julgar: VI – (…) os crimes contra a organização do trabalho (…) “, portanto, cabe exclusivamente à Polícia Federal a apuração dos crimes acima, bem como aos Procuradores da República processar os autores de tais infrações. Vale lembrar que o Ministério Público do Trabalho não tem entre suas atribuições a promoção da ação penal pública.

Apesar de estar dotada de forte mecanismo jurídico para prestar jurisdicionalidade ao trabalho, é visível a ausência do estado, levando com conta a total falta de estrutura material e o vazio no quadro geográfico, são pelo menos 4, 4 mil cidades brasileiras desassistidas das DRTs e das VTs. É por isso que as taxas de crimes contra o trabalho no país, ainda são alarmantes, de nada adianta a lei prever punição, se esta não tem o controle dos agentes da lei, é por isso que ainda se cometem crimes contra o trabalho, com cativeiro obrigatório ao labor, exploração de mão-de-obra infantil e da mulher e exploração de mão-de-obra de idosos aposentados ou não. São nas regiões isoladas do mapa Brasil, principalmente no norte e nordeste onde são encontrados os maiores números de praticas ilícitas contra o trabalho.

Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, temos números alarmantes de ações trabalhistas envolvendo terceirizadas, parte (40%) são empresas públicas e o problema é generalizado, os prestadores de serviços, constituem empresas que fecham as portas quando encerram o contrato e deixam seus empregados sem rescisão, chegando a ponto de desaparecerem do cenário produtivo, inclusive com indícios de fraude ao trabalho e ao fisco. As execuções são inicialmente contra a empresa e seus sócios, as notificações são feitas por edital, e a inclusão no pólo passivo da empresa subsidiária, tomadora dos serviços. Ocorre que essas empresas normalmente dispõem de departamento jurídico bem aparelhado, jogam com valores baixos para acordos e não logrado êxito se defende protelando por todas formas, fazendo com que a ação se prolongue por anos.

Contratação terceirizada ganha maior impulso

Atentos ao cerco dos juízes do trabalho, a esta prática deleituosa, as subsidiárias contra atacam e já tramita na Câmara dos Deputados um projeto que propõe mudanças sobre o trabalho terceirizado. A lei 4.302, que propõe o fim da responsabilidade solidária, mecanismo que possibilita ao empregado que se sinta lesado, acionar tanto a empresa contratada quanto a contratante, em caso de processos trabalhistas.O tema que já está discussão desde o bojo da reforma trabalhista, vem sendo defendida por confederações e combatida por sindicatos, mas é fato que em caso de aprovação haverá um aumento significativo nesta modalidade de contratação, o que pode parecer alentador numa época de empregos escassos. Não faltando este forte ingrediente para ser examinado dentro do projeto da reforma, o tema cooperativo ainda é um desafio, tamanho as fraudes existentes neste setor.
Um estudo realizado pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias), indica que a maioria dos empresários que se utilizam deste modelo de contratação, avaliaram os resultados aquém do esperado em termos de qualidade e demonstram em números do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que desde 2006 é o segmento que mais gera empregos, 60% do total da força de trabalho, impulsionados na década de 90 (privatizações dos sistemas bancários e das telecomunicações) que levaram à revisão da metodologia de cálculo do PIB – Produto Interno Bruto, aumentando o peso deste setor na composição do índice. Este é um dado preocupante, considerando-se a importância desses serviços na economia – um dos setores que mais utilizam terceirizados são as centrais de telemarketing, varejo, alimentação e segurança. Mas são os Bancos públicos, Brasil e Caixa Econômica que lideram o ranking da terceirização, seguido pelos bancos e financeiro privado, companhias de economia mista, os setores de gás, energia e saúde.

Não bastasse a inoperância das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTS), é necessário ter preocupação quanto ao gigantismo aparente e ao engessamento reinante nos 23 Tribunais Regional do Trabalho (TRTs), que são, data máxima vênia, verdadeiros “Oásis” de dádivas e direitos especiais, personalíssimo deste segmento que data venia, predominantemente funciona para dar abrigo a milhares de servidores com os mais altos cargos comissionados e para promoção gratificadas de juízes, muitos convocados para ocuparem vagas do Quinto Constitucional, em flagrante ofensa ao artigo 94 da Constituição Federal. Um diagnóstico reunindo os dois pólos do trabalho e da justiça trabalhista, é acintosa a diferença em que esses vêm se desenvolvendo, registrando continuo retrocesso no segundo, a reforma está paralisada há anos, enquanto os tribunais conquistaram maior status para seus profissionais, que desfrutam dos maiores s salários de servidor público no planeta.

O fato é que de nada adiantará reformular preceitos de lei, sem atacar prudentemente o universo laboral, até porque a margem desses acontecimentos tecnojurídicos está uma massa de 65 milhões (fonte do Dieese) de trabalhadores informais. Enquanto a magistratura trabalhista permanecer condenando as contratações terceirizadas, estendendo o vínculo para as tomadoras, e data vênia, sem poder executar o próprio Estado, eis que existe preceito de lei quanto ao patrimônio indisponível da União, a questão sócio laboral continuará pendente. Ou ainda na colocação da indumentária de contratada para as cooperativas que trabalham com mão-de-obra associada, tamanha a voracidade dos juízes nessas questões que mesmo aquele regular acabam sendo levados pela ira das sentenças trabalhista. Esta lacuna precisa ser reparada pelo Estado, e a via legislativa ou o Palácio do Planalto precisam propor urgentemente a adoção de reserva de mercado de trabalho para tender esta demanda marginalizada, nos contratos de terceirização, principalmente com as empresas públicas, onde o governo tem gestão direta, e com o apoio de lei urgente, aprovada no Congresso o presidente Lula da Silva poderá dar um gigantesco passo para libertar parte de 30% da população brasileira jogada no sub mundo laboral.

O mundo continua em crise, nos EUA o desemprego é cada vez maior, as Bolsas sempre “otimistas”

O que já falei várias vezes, agora é oficial: o desemprego cresce entre os americanos, reconhecem que não têm condição de criar nada. E chegam a citar 1930, quando 16 milhões ficaram sem trabalho. E hoje?

A UE (União Européia) dá números

18 milhões de desempregados. Os EUA se escondem atrás de números proporcionais, só uns poucos conhecem a verdade. Então, “espalham satisfação”, sabendo que é mentirosa. A mesma coisa no Brasil.

Euforia de jogadores,
queda sem pesadelo

A Bovespa em mais 1,10%, 65.783 pontos, abertura. Às 13 horas já caía 0,32%, baixara dos 65 mil para 64.872 pontos. Às 17:34 quase no fechamento, 64.580, menos 0,72%.

O dólar, trajetória diferente. Abriu em baixa, menos 0,32%, foi se recuperando razoavelmente, Duas horas depois, mais 0,43% em 1,71 alto. Às 17 quase 18, chegava a mais 1,11% em 1,735. Nesse final, os que VENDERAM, começavam a COMPRAR, era o precipício da credibilidade, da normalidade, a descrença no “mercado”. O que é muito justo.

Tanto faz, alta (pequena) ou baixa (maior), nada a ver com a verdadeira economia. Só publico INFORMAÇÃO e OPINIÃO, para não deixar os amestrados absolutos.

Autênticas, textuais e entre aspas

Helio Costa, Ministro da Globo no “governo” de Lula: “Sou candidato a governador de Minas. Se o PMDB não me der legenda, por exigência do PT, não disputarei cargo algum”.

Parece um garoto mimado e briguento, que contrariado, diz, “não brinco mais”. As coisas são realmente surrealistas. Helio Costa é Ministro indicado pelo PMDB. E nomeado pelo governo do PT. Como pode ser vetado, embora seja dos piores ministros?

No Piauí, Mão Santa, que é do PMDB não subserviente ao PT, recebeu a comunicação oficial do “seu” PMDB: “Por exigência do PT, não podemos te dar legenda para a reeleição”. Sempre, mas sempre mesmo, os senadores se candidatavam a governador ou se reelegiam no Senado. Mudou mesmo, ou melhor, mudou muito.

Tudo isso pela necessidade de muitos palanques para Dona Dilma. (Que não é candidata. Se for, não ganha nem chega ao segundo turno. Mas continua “PACeirando” os mais diversos partidos).

No Rio Grande do Sul, as coisas se complicaram. Tarso Genro, candidato a governador pelo PT, me disse: “Sou candidato e não vou esperar o prazo de desincompatibilização, sairei antes”. Sairá mesmo.

E como montar um “palanque” com o PMDB? Este tem dois candidatos a governador: Germano Rigotto (que já ocupou o cargo e se lançou apressadamente a presidente) e José Fogaça. Este, então, não quer nada com o PT. Já foi senador, prefeito de Porto Alegre, reeleito, quer continuar a carreira, o normal é governar o estado.

Rigotto já aceitou, disputará (vencerá) uma vaga no Senado. Sergio Zambiasi, eleito com grande votação, não quer mais o cargo. Voltará a ser radialista popularíssimo.

Antonia Canavarro sobre curso de Lula nos Estados Unidos

Meu caro Helio, o Aquino contou sobre o curso de sindicalismo que o Lula teria feito nos EUA. E você encampou. Como todos sabem que ele não fala inglês, poderia, por favor, explicar esse milagre? Obrigado.

Comentário de Helio Fernandes
Ele não só não fala inglês, como também nenhuma outra língua, incluindo o português. Mas você tem dúvida de que ele hoje é um nome internacional, mesmo trocando a palavra POLIGLOTA e utilizando a outra, MONOGLOTA?

Ele foi com o “petista Francisco Weffort, que o introduziu nos “círculos do sindicalismo da CIA”. Eles convidam sindicalistas do mundo todo, para subjugá-los e conquistá-los, têm serviço especializado.

Para saber mais a respeito de Lula, leia o livro de Mario Garnero, (“Jogo Duro”, editora Best Seller). Do repórter: se não conseguir se manter no Poder seja como for, tentará ocupar a Secretaria Geral das Nações Unidas. Não tem conhecimento, credenciais ou perfil para o cargo. Mas tem a audácia necessária para reivindicá-lo e mostrar ao mundo que Obama estava com a razão: “Lula É O CARA”.

Esportivas, observadas e comentadas

Minha terra tem Palmeiras?

O G-4 e o provável campeão, precisam mais do que um poeta para a definição. O líder, 4 jogos sem vencer, ficou sem segurança, mesmo acompanhado de perto por muitos clubes. É líder mais já não é favorito.

O Cruzeiro, candidato real?

Ninguém acreditava, é disparado a melhor campanha do segundo turno. Podem dizer que está 6 pontos atrás, é verdade, mas ainda são 21 pontos a serem disputados. Basta manter a velocidade.

O Internacional “está
gostando do campeonato”

O criador da frase, jogador, treinador e comentarista, Mario Sergio, agora comanda um time que está 1 ponto depois do Atlético e a 2 do Palmeiras. E vem jogando muito bem.

Atlético de Minas,
sucesso de crítica e bilheteria

Falam sempre mal do Celso Roth, nenhuma palavra que possa parecer restrição ao Muricy. Pois a 1 ponto do líder, o Atlético não ressuscitou porque não morreu. Todos tiveram fases boas e ruins, mas o Atlético cresceu na hora certa. Aplaudido por quase 60 mil torcedores.

O São Paulo ganhou,
mas do Santos?

Ainda no G-4 e tendo feito exatamente 4 gols, não deve se “embandeirar” muito. Pois o time do Luxemburgo e o Corinthians do Mano, só não estão ameaçados, porque atrás deles, os “rebaixáveis” são muitos. Rogério Ceni fez o gol da vitória e foi injustamente expulso. Aceitou, depois parou o jogo para dar entrevista coletiva e agressiva, o árbitro assistindo.

Andrade embalado, Adriano faz gol.
O Flamengo chegou mesmo para tudo

1 a 0 com o Botafogo perdendo pênalti, não chega a ser empolgante. Mas o que decidiu o jogo foi a campanha dos dois clubes. Só que um não está (ainda) rebaixado, o outro não está (ainda) consagrado.

O Goiás não ganha nem
do Flunimed, rebaixado

Foi quem esteve mais vezes no G-4, e o que mais perdeu quando não podia perder. Ontem, fazendo 2 a 0 logo no meio do primeiro tempo, não conseguiu manter a vantagem. Uma pena, está difícil até a vaga na Libertadores.

Rebaixados e
rebaixáveis

Flunimed e Sport (este reagindo muito tarde) vão para a B. Santo André, Náutico e Botafogo, todos 32 pontos, não podem perder entre si. Exemplo: depois de amanhã Botafogo e Náutico se enfrentam no complicado Engenhão.

Vasco classificado,
0seguido pelo torcedor

Ainda não é campeão da série B, mas já está na série A para 2010. E o Maracanã sempre cheio. Ontem, pagaram entrada 49.990 (quarenta e nove mil, novecentos e noventa) pessoas, parece até preço de liquidação de lojas de varejo. Só que os vascaínos compareceram no atacado.

Bellucci, número 1 do tênis do
Brasil, não ganha nem Challenger

É o pior torneio na classificação da ATP. A ordem. 1- Grand Slam, 2 mil pontos ao vencedor. 2- Master mil, mil pontos. 3- Top 500, esse número de pontos para o ganhador. 4- O último, Challenger, que dá 250 pontos. Bellucci chegou à semifinal, perdeu para o número 87. Não souberam nem se interessaram em reproduzir a Era Guga. Número 1 do mundo, lembram?

O farsante do Chávez, dá razão ao Rei da Espanha

Falastrão, se diz “bolivariano e progressista”, é apenas ridículo e insensato. Agora mandando o povo “deixar de cantar no chuveiro”, (mínima satisfação para tanta miséria), mais perplexidade para todos, menos credibilidade para ele.

O atento Chico Caruso

Com a Internet, tudo se sabe na hora. No próprio dia em que foi imortalizado pela charge, Chávez telefonava (podia ter mandado correio eletrônico) para o embaixador pedindo o “original”.

Royalties para Chico: Chávez com o dedo na boca, em silêncio, e apenas a legenda, “No cantaran!”. Pelo contraste lembrando a extraordinária Passionaria e seu inesquecível, “No passaran!”. Que marcou a mais cruel, selvagem e mortal guerra civil, de 1936 a 1939. E que levou Franco ao Poder na Espanha por quase 50 anos.

Sergio Cabral culpava Brizola pela droga, hoje finge de autoridade e de “pacificador”

Tanta (brilhante) comunicação esclarecedora, esclarecida, elucidativa, definitiva. Apreciação e análise, não como solução. Mas é evidente que as coisas não são insolúveis, nem se deve deixar de lutar por causa das dificuldades.

Paulo Solon, que mora nos EUA, confirma, “aqui o tráfico e o consumo de drogas é também intenso”. Esteve em Campos do Jordão, “ficou impressionado com o número de favelas”. (Em SP, as favelas são mais de duas mil, o dobro do que se plantou no Rio). Com outras considerações, termina: “No Brasil ainda há margem para piorar, depois, talvez, adotem a solução correta”.

Ricardo Sales lembra que quando acabou a expedição contra Antonio Conselheiro, soldados do coronel Moreira César, ganharam terrenos “nas abas da Providência, e aí passaram a morar, e logo disseram que era a sua favela”. (Faltou dizer, Ricardo, que esse Coronel, chamado de corta cabeças”, foi o mais sanguinário e cruel dos assassinos de Canudos. Já vinha de Florianópolis com essa alcunha desprezível mas verdadeira).

Antonio Santos Aquino com seu vasto conhecimento: “Por muitos anos só havia um Morro da Favela, atrás da estação de trens Central do Brasil”. Localiza o início no “período colonial, foram os espanhóis que usaram primeiro o nome de Favela, explicando que favela é um arbusto que produzia uma pequena fava, que pensavam usar na alimentação”.

Cita Euclides da Cunha, num trecho emocionante de “Os Sertões”, que é todo emocionante. (E que eu já disse várias vezes, empolgado, que é o livro mais importante já escrito no Brasil. Depois dele só a “Tragédia Burguesa”, de Otavio de Faria, que morreu antes de terminar o colossal projeto que planejara).

Aquino transcreve Euclides: “Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até o esgotamento completo. Todos morreram”. (Antonio Conselheiro projetou a cidade não para se entregar e sim para resistir até o fim. Como sabia que o exército mandaria cavalarianos, a arma da época, construiu as ruas completamente inclinadas, os cavalos não puderam ser utilizados).

Charles J. Heidorn critica severamente Sergio Cabral, lembrando o que o atual governador dizia do antigo, Brizola. E garante (do que ninguém discordará) que “se o helicóptero da polícia fosse derrubado no governo de Brizola, ele seria logo acusado”.

Do Ceará, Gessy Sombra tenta defender Sérgio Cabral, comparando sua atuação, (para melhor, segundo ela), “com todos os anteriores”. Sugere mandar policiais fazerem curso NO FBI. (O Aquino já revelou que Lula, “o Sindicalista”, foi fazer curso nos EUA, mas com elementos da CIA, disse que não sabia).

Dionízio Marinho relaciona os males do consumo das drogas. E responsabiliza a droga e seu consumo, “pela corrupção na polícia, na justiça, no trânsito de armas, morte de inocentes nas batalhas nas ruas, domínio de territórios pelas diversas gangues”. (Não sabe se a solução para acabar com a droga é “liberar a comercialização”).

Essa não é a solução, Dionízio, o Poder está tão desmoralizado, que os traficantes montariam quiosques na Lagoa, barracas na Praia de Ramos, carrocinhas no calçadão de Campo Grande, que eu tanto frequentei com o engenheiro Veiga Brito e o governador, na época da construção do Guandu. Por enquanto é seguir o Paulo Solon, e acreditar que “o melhor só virá depois do muito pior”.

(Foi assim em Chicago de 1919 a 1933). E antes, quando as gangues dominavam e aterrorizavam Nova Iorque, de tal maneira, que contado hoje, ninguém acreditaria).

Cliquem tudo, se completem ou discordem uns dos outros, a Internet está transmitindo para o Brasil inteiro. E daí terá que vir o grande e admirável território, socialmente limpo, politicamente engajado, administrativamente procurando RESOLVER E NÃO APENAS APARECER, COMO FAZEM SERGIO CABRAL e EDUARDO PAES.

Jorge Rubem Folena de Oliveira, começa logo emparedando o governador e perguntando: “Pacificar O QUE?” Foi a última afirmação do governador logo depois da derrubada do helicóptero. E demitindo o relações públicas da Polícia Militar, diante da televisão.

(Que graça teria essa demagogia alarmante, se fosse praticada silenciosamente?). Sergio Cabral falou (ele fala, inacreditável), “o assessor não pode defender a Polícia Militar”. Pelo visto fala mesmo, mas só tolice.

Jorge Rubem, advogado que conhece o povo e a Constituição, mas pensa e reflete sempre socialmente, desmonta o governador: “Não é possível PACIFICAR sem TRANSFORMAR”. E numa analise rápida e fulminante sobre o governador: “Ele não sabe o que faz, sua postura é agressiva, tenta acomodar as coisas”. E lembra também que no passado, outros personagens “acomodaram”, mas ficaram longe de resolver, disciplinar, de estabelecer GOVERNOS VERDADEIROS, se satisfizeram e se satisfazem com os GOVERNOS PARALELOS.

O importante é que a cada dia surgem mais debatedores, se dirigindo uns aos outros, concordando ou discordando civilizadamente, que é o fundamental. E uma coisa que não posso deixar de ressaltar e ressalvar: REVELAÇÕES SÃO FEITAS SERVINDO À COLETIVIDADE, que deve saber o que pretendem esconder dela.

***

PS- Romulo Paes, Luiz Geraldo dos Santos, Rubem Cesar, Victorino Avila, Altivo Moreno, Emerson57, que aparecem pela primeira vez, contam coisas sensacionais e inéditas. Rubem César, bem informadíssimo, pergunta: “O Serviço de Informações já disse ao governador Cabral quais são os fornecedores e financiadores da droga no Rio?”

PS2- Provavelmente, Rubem, se esse Serviço quisesse contar alguma coisa ao governador, ele responderia imediatamente: “Não quero saber de nada, não me contem, aí eu posso dizer que não sabia”. Ele pensa (?) que é o Lula.

A festa de noivado

Carlos Chagas

Em política, as coisas costumam não ser o que  parecem. Semana passada o presidente Lula ofereceu o esperado jantar aos  dirigentes nacionais do PMDB para celebrar o acordo  de o maior partido nacional acoplar-se formalmente à candidatura Dilma Rousseff. A quem interessava o noivado?

Ao contrário do que se espalhou, não era fundamentalmente  ao noivo, em busca do dote.  Afinal, ele  já se encontra muito bem  aquinhoado no governo. Claro que não tanto quanto o PT, porque os companheiros possuem doze ministérios e o PMDB,  seis.

Mesmo assim, os peemedebistas,  mais do que satisfeitos em termos de poder,   cumpriram o ritual de pedir a mão da  noiva.

Só que o pai queria mais. O presidente Lula pretendia  que o PMDB marcasse o dia do casamento, ou seja, que desde já indicasse o candidato à vice-presidência na chapa da candidata, selando o compromisso. Fazendo correr os proclames no cartório.

Apesar das juras de amor, o noivo saltou de banda. Era para ter saído do jantar no palácio da Alvorada o nome do companheiro de chapa, que selaria as bodas.

Não saiu, apesar das sucessivas referências ao nome do deputado Michel Temer. Ficou para mais tarde a indicação, como naqueles noivados em que o adiamento da data do casamento deixa em aberto a possibilidade de o noivo pular fora.

A razão é simples: o PMDB quer mais garantias de estar consolidando seu futuro. Não tem certeza de que Dilma Rousseff conseguirá decolar. Prefere aguardar novas  pesquisas e, mais do que elas, sentir no ar o vento   da vitória, por enquanto soprando no sentido de José Serra. Comprometer-se de forma absoluta com  a candidata poderá ser uma fria. Melhor deixar  aberta uma janelinha para a fuga pouco ética do noivo diante do  desafio do casamento. E se a chefe da Casa Civil  continuar inferiorizada nas preferências populares,   não apenas para Serra,  mas, também, para Ciro Gomes?

Por tudo isso, Michel Temer evitou a precipitação, até por saber que pouco levará para a candidatura, em termos de votos e de entusiasmo eleitoral.  Hesita em trocar  a presidência da Câmara e o comando de fato do PMDB pelo que poderá constituir-se numa aventura.  Claro que gostaria de tornar-se vice-presidente da República, mas sem garantia, melhor lhe pareceu aguardar. Como cobertura, então, humildemente faz chegar à  imprensa outras opções: por que não Henrique Meirelles, Edison Lobão ou Nelson Jobim?

O pai da noiva engoliu o adiamento.  A festa de noivado estava contratada, os amigos  convidados, a noiva ansiosa.  Aconteceu.  Mas no ar permanece aquela desconfiança de que  ninguém ousa falar, na família: e se o noivo der no pé?

Gilmar fora dos autos

Durante séculos prevaleceu aqui e no estrangeiro a máxima de que  juiz só fala nos autos, ou seja, não dá declarações a respeito dos casos em  julgamento nem sobre qualquer outro tema.

Na verdade, tratava-se de uma limitação  de personalidade, porque os juízes, afinal, são cidadãos  como quaisquer outros, com direito à liberdade de expressão e até dispondo da prerrogativa de indignar-se e de alertar o semelhante.   Acresce que o vertiginoso desenvolvimento dos meios de comunicação mexeu com  o ego de todo mundo.  Quem não gosta de aparecer na televisão, tendo sua imagem difundida por todos os quadrantes, ainda mais dizendo coisas inteligentes?

Importam  menos as causas,  mas a verdade é que os juízes, hoje, freqüentam naturalmente a imprensa, falando fora dos autos.

Não deixa de ser estranho, porém, que numa única semana o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, tenha  por quatro vezes distintas lançado dúvidas sobre as viagens do presidente Lula pelo país,  em companhia da ministra Dilma Rousseff, fiscalizando obras do PAC.  Que as oposições, com os tucanos à frente,  tenham denunciado os périplos como campanha eleitoral antecipada, nada haverá que opor.  Estão no papel delas. Agora, levanta algumas dúvidas o presidente da mais alta corte  nacional de justiça seguir na mesma linha.  Tanto  porque poderá ser chamado a decidir a questão  nos autos,  se alguma representação contra o Lula seguir do Tribunal Superior Eleitoral para o Supremo, quanto pelas acusações do PT de que age assim por conta de simpatias ostensivas com o grupo que deixou o poder e ao qual serviu até ser indicado ministro.

Lula em entrevista à Folha: “No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas”. Resposta de Dom Dimas Barbosa, da CNBB: “Cristo não fez aliança com os fariseus”. Nem Lula disse isso

São duas entrevistas numa só, do presidente Lula. A primeira, rigorosamente política, concedida ao jornalista Kennedy Alencar. A segunda, unicamente para provocar a “grande imprensa”, assinada por Clovis Rossi. Hoje vou analisar a primeira, sobre a governabilidade, se fosse seguida, entendida e consumada, cumpriria o que o Brasil espera desde Pedro Álvares Cabral, vá lá, a partir da República.

A outra, também importante, é deliberadamente contraditória, concebida e concedida para fazer a imprensa sair do esconderijo. Lula está vibrando com o que falou para Clovis Rossi, altamente polêmica e até contraditória, mas que não passará dessa fumaceira de ocasião, atinge apenas quem acredita que se livrou do vício, porque abandonou o cigarro.

Mas a que vai durar, principalmente porque ninguém entendeu, é a que fala em Cristo e Judas, e a “necessidade de COALIZÃO para governar o Brasil”. Lula não sabe nada de História, de Cristo, de Judas, de Bíblia, mas foi a sua melhor entrevista em 7 anos de governo. Confundiu a todos, foi buscar exemplos que nem conhece, deixou até potências da Igreja (e da política) exibindo espantosa falta de equipamento e despreparo para debates mais profundos.

Serra não entendeu nada, Artur Virgilio respondeu sem saber o que Lula queria dizer, outros fizeram o mesmo. O atordoante, foi Dom Dimas Barbosa perder o seu latim, perdão, o aramaico, a língua de Jesus Cristo, levando a discussão e o debate para um ponto inteiramente diferente do que o presidente Lula pretendia.

Depois de milhares de horas fazendo cultura no ostracismo religioso, o secretário-geral da CNBB, afirmou o seguinte, perguntando: “Estamos tão mal assim para governar o Brasil?”. Lula disse exatamente o contrário, não se referiu a personagens e sim à governabilidade para qualquer um governar com o sistema político vigente.

Traduzindo e esclarecendo o que Lula queria e quis dizer, confundindo Dom Dimas Barbosa, que teve até a falta de humildade de dizer, “estou defendendo Cristo”. E concluiu, “definindo” Cristo, Judas e fariseus. Todos agradecem a dedicação do líder da Igreja, mas a REPRESENTATIVIDADE eleitoral, que foi o que o presidente Lula pretendia defender, não ganhou nada com a aparição de Dom Dimas.

Sumarizando e resumindo o que o presidente deixou implícito, e se não ficou explícito a culpa não é dele, e sim dos que não entenderam, façamos a tradução.

1- Lula não soube dizer, mas era fácil compreender. Sem maioria na Câmara e no Senado, é impossível governar. 2- O que existe no Brasil, é um regime PRESIDENCIALISTA – PLURIPARTIDARISTA, que não funciona em país algum e nem existe mesmo.

3- Exemplificando: a Câmara tem 513 deputados, o PT quando elegeu muitos, elegeu pouco mais de 90, digamos 100 para ficar mais claro o fato. 4- Os outros 413, como obterá a não ser com ACORDOS ou COALIZÕES?

5- E esses entendimentos, só através de concessão de cargos. (Não faço concessões, apenas reconheço).

6- Por que existem 37 ministérios, quando 6 ou 7 seriam mais do que suficientes? 7- É porque esses 30 ministérios “excedentes” têm no mínimo uns 20 cargos só no gabinete, além de centenas e centenas no segundo ou terceiro escalão.

8- O PMDB entendeu muito bem que era o alvo do presidente, não deu nenhuma importância. 9- Serra que foi um dos maiores beneficiários do sistema esdrúxulo e apocalíptico que vigora no Brasil, criticou Lula, mas na verdade queria criticar FHC. 10- Foi 8 anos Ministro de várias pastas, depois de perder duas vezes para prefeito de São Paulo. Deixando na vaga o suplente-financiador.

11- Se quisesse, Lula até poderia explicar a razão do PMDB, o maior partido do país, “jamais lançar candidato próprio a presidente”. 12- na sua cúpula, quase todos já foram (ou ainda são) ministros, governadores ou senadores. 13- E não é nada raro encontrar peemedebistas que já foram as três coisas ou ainda exercem um dos cargos.

14- Então por que o PMDB não tenta eleger o Presidente da República? Elementar. Se elegesse o presidente, tudo o que recebe do ocupante do Planalto, teria que distribuir.

15- Dessa forma, além da hipótese de perder e diminuir o cacife, a certeza da responsabilidade de exercer o cargo, e de não garantir as belíssimas concessões que domina hoje.

***

PS- Lula poderia dizer: “No regime Parlamentarista, os congressistas são eleitos antes, e depois o Primeiro Ministro, que forma o gabinete , política e publicamente OFERECENDO os cargos. E aí, ninguém diz que é CORRUPÇÃO.

PS2- Finalmente para não dizer que não falei de flores (mortas) aceitei tudo. O ponto fraco da explanação do presidente Lula, é que ele SABE e deixou CLARO: com esse sistema político, PRESIDENCIALISTA – PLURIPARTIDARISTA, é dificílimo governar.

PS3- Então por que não muda tudo? Porque se deu muito bem, perdeu 3 vezes e ganhou duas, não deu a carreira como encerrada.

PS4- Para encerrar a TRADUÇÃO e deixando tudo bem claro. Cristo é o próprio Lula enquanto presidente, Judas é o PMDB, que não quer a presidência. A CNBB não entendeu por um motivo: lá só pode circular a Bíblia e não Maquiavel. Lula que não conhece os dois, ensinou até a Dom Dimas, Dom Serra, e Dom Artur Virgílio.

Droga marginal, INVENCÍVEL, droga intelectual, científica

Vivendo em qualquer lugar, no Brasil ou no exterior, é impossível desligar da droga ou pelo menos do seu conhecimento. Quando fui diretor da revista Manchete, (que ia fechar) juntei um grupo de jovens que em menos de 1 ano transformou a Manchete na maior revista do Brasil.

Entre esses jovens, o excelente poeta Paulo Mendes Campos, que fazia experiência com LSD, imitando Aldous Huxley. Paulinho insistia comigo para fazer a experiência, me dizia: Helio, é uma viagem maravilhosa, você volta quando quiser, não cria a menor dependência”. E na verdade o poeta jamais se atrelou a outras drogas, terminada a “viagem-experiência”, fez o trabalho a que se obrigava e pronto.

Não tinha nem tive a coragem do Paulinho, embora trabalhássemos juntos por dois anos. Todos os que levei para Manchete, desconhecidos, se consagraram pelos próprios méritos e talentos. Dos que levei, o único que já tinha “nome e sobrenome”, era Rubem Braga. Dei a ele duas páginas, (“Duas páginas de Rubem Braga”) atração da revista. Todos passaram a “atrações”, o Carlinhos de Oliveira, que morreu muito moço, começou lá, com 17 anos.

Quanto à “droga marginal”, é uma tragédia, que veio para ficar. O presidente Ronald Reagan gastou 300 BILHÕES DE DÓLARES (ainda não havia começado a Era do TRILHÃO, não para os marginais do vício e sim para os marginais dos “mercados”, estes, VICIADOS EM LUCROS), para acabar com o comércio, contrabando e consumo da droga.

Os EUA eram e continuam sendo, o maior mercado consumidor de todas as drogas. Reagan não obteve o menor sucesso, ou melhor, o que aconteceu foi um retrocesso. Os grandes contrabandistas, que eram naturalmente os maiores fornecedores, se consolidaram. Expulsaram os pequenos vendedores “de esquina”, ficaram donos exclusivos de todo o mercado.

E como acontece, criaram o MONOPÓLIO das drogas. Primeira providência de todos os MONOPOLISTAS: aumentaram os preços. E os que precisam da droga, (até mesmo medicamente, como foi reconhecido cientificamente) tinham de fazer malabarismo para arranjar mais dinheiro e pagar a droga INDISPENSÁVEL.

Esse sistema continua nos EUA, principalmente nas grandes cidades. São agradecidos a Reagan, um canastrão como ator, e delator, desempregando (e até levando à prisão) centenas ou milhares de intelectuais. Mas isso é outra história.

No Rio, as favelas surgiram por volta dos anos 40 e 50, unicamente pela falta de transporte coletivo. Como muitos moravam no interior e trabalhavam no Rio capital (então Distrito Federal), levavam duas horas para ir de casa ao trabalho e outras duas na volta. Olhavam aqueles morros vazios e sedutores no caminho, decidiram: plantavam um barracão, passavam a economizar tempo e dinheiro das passagens.

Os governantes não perceberam nem se incomodaram, cuidaram apenas de chamar de FAVELA. (Era o nome do morro, onde três quartas partes do Exército montaram os canhões para destruir Antonio Conselheiro). Logo os poucos barracos foram aumentando e dominando, aparentemente seguindo o princípio bíblico, do “amai-vos uns aos outros, crescei e multiplicai-vos”.

No meio dos anos 60 quase chegando aos 70, Lacerda e Negrão de Lima tomaram conhecimento do fato, por causa disto: as favelas deixaram os morros suburbanos, passavam a se instalar perto do Country, Jóquei Clube, Hípica, Paissandu, isto era insuportável. Uma delas chegou até ali, na chamada Praia do Pinto, foi remanejada para a Vila Kennedy. No lugar dela, surgiu a “Selva de Pedra”, na época ocupada pela classe média ALTÍSSIMA, que hoje não existe.

Poluíam apenas visualmente, iam ocupando todos os morros, o que fazer? (Quando a FEB chegou da Itália, 1944, 800 mil pessoas estavam no centro da cidade, quase metade da população da capital). Cresceu desordenadamente, sem plano e sem responsabilidade, não perceberam a chegada da droga. Primeiro timidamente, depois apressadamente, hoje avassaladoramente. E veio pra ficar.

Por vários motivos. 1- Os que moravam lá, pacificamente, foram dizimados. 2- O movimento de dinheiro, espantoso e não contabilizável. 3- É impossível dar Poder de combate e fiscalização a pessoas que ganham miseravelmente. 4- Então, o que se chama de corrupção, que domina os altos escalões da República, se transferiu para os morros.

5- Os governantes de todos os escalões, (federal, estadual e municipal) chamaram a esses traficantes de “PODER PARALELO”, e não examinaram mais nada. 6- O dinheiro que circulava era tão ASSOMBROSAMENTE ALTO, que seduzia a todos. 7- Surgiram então o que se chamou de FACÇÕES que lutavam entre elas, que se matavam absurdamente, talvez por mais um pouco de dinheiro.

8- Isso era incompreensível e mesmo inimaginável, pela constatação: esses traficantes morriam antes dos 30 anos e às vezes nem isso ou então eram presos para o resto da vida. 9- Não viviam em palacetes, não tinham existência faustosa, não usavam o dinheiro que arrecadavam de forma INACREDITÁVEL, INEXPLICÁVEL E INCOMPREENSÍVEL.

10- O negócio era tão sedutor ou fascinante, que as criminosas MILÍCIAS, que agiam no interior, vieram para o centro do Rio. 11- E tiveram, pelo menos virtualmente, a proteção do inócuo, inútil e ingênuo (?) Sérgio Cabral. 12- Afirmou logo, publicamente: “Com o Panamericano essas milícias garantirão a segurança”. 13- E chegando de mais uma viagem exatamente no momento em que os bandidos derrubavam até helicópteros, disse na televisão: “Isso não se entende, logo agora que os MORROS ESTÃO PACIFICADOS, e o governo controla as coisas”.

* * *

PS- Evidentemente não há PACIFICAÇÃO à vista nem a prazo. São 1.020 favelas, digamos que 10 estejam PACIFICADAS, usemos os termos tão CAROS ao governador. E cheguemos à conclusão: 10 favelas num total de mil, exatamente 1 POR CENTO.

PS2- Vou terminar, coisa que o governador, o prefeito e o próprio Presidente, não podem fazer, pois combatem errada e equivocamente. Dessa forma, querendo COMPRAR ARMAS MAIS PODEROSAS DO QUE A DOS TRAFICANTES E MILICIANOS, só conseguirão transformar as batalhas em guerras permanentes. Não têm plano nem sabem como agir. Tragédia grega em plena cidade que se imagina OLÍMPICA.

Amanhã, domingo

Lula usou METÁFORA complicada, nem Dom Barbosa, presidente da CNBB, entendeu. E como falou sem saber o que falava, desperdiçou a cultura e não conseguiu “fiéis”, que Bento XVI deseja tanto conquistar.

Apesar do fracasso implícito, Mantega não pediu demissão

A Bovespa e o câmbio (valor do dólar em relação ao real), como tenho dito, agradecem ao Ministro da Fazenda. Continuam faturando como faturavam antes. Como a Bolsa é um “mercado” de COMPRA e VENDA, e poucos controlam o movimento ou exercem a fiscalização, quando VENDEM, as ações caem, quando COMPRAM, elas sobem. E como não existem investidores e sim jogadores que manipulam o “mercado” de acordo com suas “posições”, massacram o ministro.

Além de consolidarem os ganhos, esses jogadores, através dos recursos formidáveis que acumulam, aumentam cada vez mais a geografia bancária dos amestrados.

Mantega faz todo mundo rir, quando diz: “Estou PENSANDO no que fazer”. Pensar é um exercício que não costuma praticar com assiduidade, e FAZER, só o que o SISTEMA permite ou permitir.

Hoje, igual a ontem e anteontem, só desviou do caminho na segunda-feira, para enganar Sua Excelência. Abriu em mais 0,80% em 66.680 pontos. Uma hora depois a alta era apenas de 0,37%. Às 15 horas já estava em queda de 0,65% caíra abaixo dos 65 mil. Volume pequeno, o dinheiro era quase o mesmo.

O dólar que já caíra 0,56%, agora em baixa de 0,27%.

O martírio de ler jornais

Os principais (?) são mais arrogantes, pretensiosos e com tremendos erros de linguagem. Erram despudoradamente, e insistem, apesar dos departamentos de revisão, até interna. (No Globo, “Autocrítica”, que corrige bobagem e deixa passar erros piores. Na Folha, o Ombudsman, cuja liberdade começa e termina no “relógio de ponto”. O que pode criticar é apenas engraçado).

Tem DE, em vez
de tem QUE

Deliberadamente não corrigem. Quem escreve bem, escreve assinado. Dos outros, pouquíssimos, estão acima de qualquer correção. Hoje, na Primeira do Globo, QUATRO vezes tem DE, quando o certo é tem QUE. Depois do verbo TER vem sempre QUE.

Basta ler no próprio Globo os que sabem redigir corretamente. O Globo, ainda hoje, na mesma matéria na Primeira (sobre Obama), usa o tem DE e o tem QUE, como se fosse correta a opção. O tem DE faz o ouvido sofrer, tranquilo e correto o tem QUE.

A Folha erra até na manchete

Ontem lógico, na Primeira, destacaram a “metáfora” de Lula sobre a dificuldade de governar sem coalizão. Ficou assim: “No Brasil, Cristo teria DE se aliar a Judas”. Como se usassem o certo, (teria QUE), sobraria letra no computador, e como o jornal é uma fonte inesgotável de erros, (igual ao Globo, onde se salvam, em geral os que escrevem assinando) vou relevar esse. Realmente, naquele título, (que era e foi o mais apropriado) não cabia nenhuma outra letra.

Esportes, nos cadernos
e nas redes (todas) de esporte

O caderno de O Globo é bom de títulos, mas insistem em escrever mal, e usar o MATEMATICAMENTE quando na verdade é ARITMETICAMENTE. A matemática é o todo, aritmética a parte que trata dos números. Só que pelo menos para falar, MATEMATICAMENTE é mais fácil.

O de esportes da Folha, tem bons colunistas, mas os erros nas matérias, inacreditáveis. Não sei como deixam passar tantas tantas notícias (?) erradíssimas.

CHANCE é sempre positivo

Os jornalões e todas as 5 redes de esporte, insistem na apreciação dos que podem cair e dos que ainda podem continuar na Série A. Sobre o Fluminense, dizem invariavelmente: “As CHANCES do clube ser rebaixado são totais”. Deviam dizer: “As POSSIBILIDADES de ser rebaixado, totais”. Usando a palavra CHANCE, estão negando o que afirmam.

Opção de linguagem

Falando em CHANCES (no negativo), seria a mesma coisa, dizendo: “As CHANCES do senhor Eike Batista ter feito fortuna corretamente”.

Flamengo até morrer: Patrícia Amorim, Clovis Sahione, únicos

Acompanhando desde o início a eleição no clube e respondendo quase que diariamente às pesquisas que são feitas, deixei bem claro: 9 candidatos lançados, e apenas dois verdadeiros, os que estão no título.

Chapa conjunta

Os dois estão disparados na preferência dos sócios. De tal maneira, que chegaram a tentar juntar os dois. Mas como fazer candidatos únicos, dois favoritos? Lógico, os dois têm convicções e pretendem cumpri-las. (Exclusiva)

Lindberg Farias não mais candidato a governador

Agora é oficial embora não oficializado pelo próprio. Mas Sérgio Cabral espalha: “O Presidente Lula vai mandar o prefeito de Nova Iguaçu deixar para outra oportunidade a disputa da sucessão estadual”.

Cabral: porta-voz ou falastrão?

Eu já sabia disso, de forma quase direta, mas não era o único. O PT acabou no Estado do Rio quando Lula e Dirceu (ou será o inverso?) antes de chegarem ao Planalto, vetaram a candidatura vitoriosa de Vladimir Palmeira.

Cabral ouviu de Lula e teve
autorização para divulgar?

Lula manda em tudo, faz e desfaz, nessa luta para unir vários partidos desunidos, e montar o que chama de “vários palanques para Dona Dilma”. E a Ministra, para que tantos palanques? O que ela precisa é de legenda e de votos.

Gabeira acertou na opção

Desde que não ganhou (evitou dizer, “que perdeu”) para prefeito, surgiu um movimento para que ele fosse candidato a governador. Querendo o melhor para o Estado do Rio, ficava com Gabeira-governador, dizia isso e insistia.

Como Senador,
terá influência

Dependendo de uma boa campanha, (desde já) estará eleito junto com a Doutora Denise Frossard (se confirmar), o que será ótimo para o estado, o país, e o próprio senado.

Recomendação

Não deixem de ler os comentários de hoje de Guilherme Ulrich e Marcos (clique para ler). O primeiro desvenda bastidores da Bolsa, com dados e números, na mesma linha do que digo há anos e anos sobre a falcatrua, a fraude e a falsidade do “mercado”. Marcos pergunta como é que o Brasil ficará entre as 5 maiores potências (Lula dizendo) com essa falta de investimento em infra-estrutura. Leiam, respondam, concordando, discordando ou acrescentando.