Auxílio Brasil não reduz a miséria no país de maneira alguma, mas agrada eleitores

Charge do Jota..A (portalodia.com)

Pedro do Coutto

O tema entrou em debate no final da tarde de quarta-feira na GloboNews com o governo comparando números de antes e depois do auxílio emergencial, agora transformado em Auxílio Brasil, e concluindo que tinha funcionado para reduzir a extrema pobreza.

Um absurdo completo, pois o auxílio hoje de R$ 400 por família não leva em consideração que a média de pessoas por unidade familiar passa de cinco. Assim, o auxílio mensal reduz-se logicamente para R$ 80 por pessoa.

CONTESTAÇÃO – Os números do governo, em programa conduzido por César Tralli, foram contestados parcialmente por Marcelo Neri, da FGV, e de forma mais acentuada por Fernando Gabeira. Acrescento a minha opinião; se auxílios assistenciais pudessem resolver problemas múltiplos que envolvem a pobreza extrema, ela já teria acabado no mundo. Entretanto, a situação se agrava cada vez mais.

Só uma política de pleno emprego e de salários não perdendo para a inflação poderá enfrentar até mesmo  a fome que ronda milhões de pessoas no Brasil e no mundo. O impasse entre o capital e o trabalho não foi resolvido até hoje, dois mil anos depois de Jesus Cristo.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA –  Os conservadores se mantêm firmes na ideologia de assegurar a concentração de renda. Um grupo dessa corrente, na verdade, não deve ser chamado sequer de conservador, um engano. Querem, de fato, ampliar a concentração de renda e não conservar. Essa é a grande contradição. O problema se eterniza.

Não será o Auxilio Brasil uma ação de emergência que poderá nem equacionar a questão. Fora do emprego e do salário não há caminho social livre para a grande maioria da população. Inclusive, a questão do Auxilio Brasil não é apenas dinheiro. É a falta de seguro social adequado, capaz de pelo menos assegurar a aposentadoria às pessoas marginalizadas pelo destino e pela ação das políticas super conservadoras e reacionárias.  

IMPREVISTOS –  A política, conforme digo sempre, é marcada por imprevistos. Agora mesmo, anteontem, aconteceu mais um. As Polícias Federal e também Estadual de São Paulo desencadearam uma investigação sobre o ex-governador Márcio França, que foi vice de Geraldo Alckmin, perdeu a eleição de prefeito para João Doria e agora candidata-se novamente ao voto,  no rumo do Palácio Bandeirantes.

O escândalo e a sequência das investigações abalam frontalmente a sua candidatura ao governo paulista, pelo PSB, partido ao qual Geraldo Alckmin deve se filiar. O afastamento de Márcio França, consequência natural do escândalo, resolve um problema que Lula tinha pela frente em São Paulo: o PSB pensou em lançar Márcio França e Lula pretende apoiar Fernando Haddad.

Agora, o campo parece livre para Fernando Haddad. Mais uma vez, impõe-se a bela frase de Magalhães Pinto: “Política é como a nuvem, muda de forma e direção a todo instante”. A reportagem sobre as investigações contra Márcio França, Folha de S. Paulo desta quinta-feira, é de Rogério Pagnan e Klaus Richmond.

FALTA DE UNIDADE –  Reunião da Saúde comprova falta de unidade dos setores. O ministro Marcelo Queiroga marcou uma entrevista à imprensa na tarde de quarta-feira aparentemente para anunciar o início da vacinação infantil. Acabou fazendo isso, mas depois de idas e vindas de sua equipe. Uma das diretoras voltou ao tema das receitas médicas e da obrigação dos pais levarem as crianças para serem vacinadas.

Ela própria não tomou conhecimento de que o Ministério da Saúde havia recuado sobre a exigência. Além disso, a diretora desconhecia também a decisão da consulta pública que rejeitou a necessidade da receita. Como é possível que uma diretora do Ministério da Saúde senta-se à mesa da equipe, presidida por Queiroga, e defenda caminhos diversos dos que já haviam sido traçados?

8 thoughts on “Auxílio Brasil não reduz a miséria no país de maneira alguma, mas agrada eleitores

  1. Todos os programas ditos sociais de distribuição de dinheiro não têm o objetivo de retirar as pessoas da pobreza. Só servem para eleger ou reeleger políticos corruptos com o dinheiro de quem trabalha e produz. Sempre foi assim.

    • Perfeito!!.
      Assino embaixo e acima também…
      Bolsa-miseria , chinelo, cesta básica é o voto de cabresto….
      Mais miséria e pobreza..aliada a violência…

  2. O Bolsa Família exigia a matrícula e assiduidade escolar. O pagamento era proporcional por filho (até três filhos). O controle era de responsabilidade do município.
    Havia cadastro e controles.varias vezes aperfeiçoados.
    Assim como haviam ingressos, tb acontecia desligamentos.
    Tudo mudou para não dizer que virou zona.

  3. FALTA DE UNIDADE
    Pedro do Couto, além da falta de unidade, falta comando e as mentiras e desinformaçao sobre a eficácia das Vacinas corre solta, principalmente as ditas pelo presidente.
    Ontem, na sua Live das quintas feiras, acusou a Anvisa de ter interesses na Vacinação e chamou os defensores das vacinas nas crianças de 5 a 11 anos, de ” tarados por vacina”.
    Ora, a Omicron, uma Variante da Covid original, chegou com força total no Brasil e no Rio de Janeiro está virando uma calamidade publica.
    Ontem, fui numa Farmácia do Bairro, porque o Posto do Município no Parque Olímpico na Barra da Tijuca estava lotado, lógico, então, que a probabilidade de se infectar ali, era muito grande, porque os cariocas não respeitam o protocolo de distanciamento.
    Pois bem, testei negativo e saí feliz. Fui o último a testar na manhã. Sai de lá, às 12:40. Perguntei a farmacêutica, sobre a estatística naquela manhã. Resposta: de cinco testados, quatro deram resultado positivo.
    Pude constatar a veracidade da informação, pela tosse na fila e pelo rosto de tristeza dos testados.
    O prefeito do Rio, Eduardo Paes, fez um apelo a quem não se vacinou ainda,npara fazê-lo o quanto antes, pois de cinco cariocas internados ontem na rede pública de Saúde Municipal, quatro não tinham se vacinados.
    A conclusão óbvia, é que as pessoas que se vacinaram e tomaram a dose de reforço, tem chances remotas de serem entubadas. Os cientistas alegam que, os não vacinados, têm 11 vezes mais chances de serem internadas.
    Entendo, que a maioria dos não vacinados, seguem a ideia Anti Vacina declarada do presidente Bolsonaro, desde o início da Pandemia da Covid e agora mantém a mesma atitude, nas vacinas das crianças, inclusive dizendo, que nunca soube de uma única morte de crianças. Ora, no seu Ministério da Saúde, tem Relatórios atestando, que 308 crianças morreram de Covid e de 19 a 16 anos, quase três mil jovens morreram.
    O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga fica entre a cruz e a espada. Se segue a ANVISA, contrária o presidente Bolsonaro, se segue as recomendações da Agência, corre o risco de ser demitido, como o foram, o Mandetta e o Teich ( que saiu antes de ser defenestrado).
    O Brasil vive um momento idêntico aos EUA, no final do governo Trump. Um perigo constante contra as Instituições do Estado e contra a Democracia.
    Por essa razão, que um governo de um homem só, através de um Ditador fixo ou rotativo é tão destruidor para o país. Seja de Direita ou da Esquerda.

  4. Pleno emprego; mesmo que tenha que se taxar importações de bens similares com alíquotas mais altas, pois o que se faz de dumping por este mundão afora, não está no ‘gibi’.
    PS: Os asiáticos fazem obras para a PB lá nos píses deles e financiados por eles e aí a PB paga com óleo retirado.
    Moral da estória: Os empregos de qualidade ficam lá fora; os acionistas da PB lucram mais ainda, o petróleo se esvai para o exterior nas mão das empresas/países que geraram empregos lá e o brasileiro fica “chupando dedo” para enganar a fome.

    • Pedro do Couto, você está coberto de razão, a concentração de Renda nas mãos de uma Elite, que já estava alta antes do governo Bolsonaro, passados três anos, essa concentração da riqueza nacional disparou, diante do desmonte da Política de Bem Estar Nacional, desmonte da Saúde, da Educação, do Meio Ambiente e das reduções de Direitos com a Reforma da Previdência. Já se especula sobre uma mini reforma Trabalhista gestada por Bolsonaro e Guedes, destinada a reduzir ou mesmo acabar com a multa Rescisória de 40% sobre a demissão sem justa causa.
      Guedes ainda não desistiu do fim do INSS e a implantação do Regime de Capitalização da Aposentadoria, modelo aplicado por ele, no Chile, que se confirmou como um rotundo fracasso, quando ele trabalhava para o ditador chileno Augusto Pinochet.
      Realmente, isso não é Conservadorismo, que significa Conservar. Trata-se de uma Ampliação da diferença abissal, que vemos agora sob o regime Bolsonarista, entre o Capital e o Trabalho. Estamos caminhando para um Regime similar a Escravidão.
      Já estão pensando, no segundo governo, em destruir o SUS também, abrindo caminho para as Organizações Sociais e os Planos de Saúde, para substituir a rede de proteção da Saúde para os mais pobres, a semelhança do que ocorre hoje nos EUA.
      Trump quis acabar com o ObamaCare, uma cópia do SUS do Brasil, então, como copiam Trump em tudo, essa é a grande ideia, ainda não divulgada, porque tem potencial para tirar votos importantes em outubro. Mandaram Guedes, o bocudo ministro calar a boquinha, por enquanto. Vocês observaram, que ele aquietou? Não foi só o escândalo Pandorra Papers, foi ordem mesmo.
      Conservar e manter, ampliar as desigualdades é escravização do povo.

  5. IMPREVISTOS: O imponderável da Política

    Em reportagem do Estado de São Paulo de hoje, pág.A 8, os jornalistas Rayssa Motta Fausto Macedo, Pepita Ortega e Luiz Vassalo assinam matéria com a cronologia da apuração visando desmantelar os grupos que supostamente desviaram recursos da Saúde no governo de São Paulo mediante contratos com as Organizações Sociais.
    A Operação Raio X foi deflagrada em outubro de 2020 pela Polícia Federal
    A primeira denúncia de desvios na Saúde Estadual foi investigada na Primeira Vara de Penápolis (SP) que indiciou 35 pessoas por crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a Licitação.
    Segundo as investigações, o médico Cleudson Montali pode ser o ” testa de ferro” de Márcio França. Ele foi condenado por desvio de 500 milhões da Saúde em cidades do interior paulista.
    O ex governador alega em sua defesa, que a busca e apreensão em sua residência seria uma ” operação política”.
    Tudo deve ser provado, mas, no Brasil ultimamente, essas operações midiáticas, têm o condão de destruir reputações, antes das condenações, desvirtuando o devido processo legal. Os danos a imagem do gestor, não têm volta, mesmo que ao final, fique provado a sua inocência.

    OS EFEITOS POLÍTICOS

    As operações de busca e apreensão da Polícia Federal nas residências de Ciro Gomes e agora na casa de Márcio França, já tiveram as suas consequências: A candidatura de Ciro Gomes a presidência da República pelo PDT, por ora, subiu no telhado e a do pré candidato do PSB ao governo de São Paulo, Márcio França, sofreu um forte abalo. A recuperação dos dois candidatos até a eleição de outubro, se tornou dificílima, quase uma impossibilidade.
    Quem ganha com essas operações? A mesma pergunta se faz, quando ocorre um crime: a quem interessa a morte da vítima? É a partir dessa pergunta, que a Polícia inicia as investigações.
    A sorte está lançada. Ninguém sabe ainda, quem atravessará esse rio( rubicão), da eleição de 2022. As águas estão turvas e com rodamoinho por toda a travessia. E, chegando a margem, seja quem for, o percurso em terra firme será uma tarefa gigantesca. Quem terá Saúde para resistir a tantas turbulências?

  6. O auxílio Brasil não chega a quem realmente precisa e segue sendo apropriado por muitos golpistas e aproveitadores que por estarem na informalidade, não declararem imposto de renda, ou cujo cadastro se encontra desatualizado, tem o benefício depositado todo mês

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