Aviso fúnebre! O sonho da República Sindicalista do PT já morreu e não sabe…

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Sonhar ainda não é proibido, todos sabem, o PSDB pretendia ficar 20 anos no poder. O primeiro passo para concretizar o sonho foi aprovar a emenda da reeleição para cargos executivos (presidente, governador e prefeito), que Fernando Henrique Cardoso mandou comprar por 30 dinheiros, que na época equivaliam a R$ 200 mil reais, algo em torno de quase R$ 1 milhão nos dias de hoje.

O tesoureiro da operação 20 anos era o ministro Sérgio Motta, que era apelidado de “trator”, devido à prática de jogar pesado contra os adversários, mas acabou morrendo precocemente, abatido pelos vírus que frequentavam os aparelhos de ar condicionado de seu ministério (Comunicações), o maior importante do governo FHC.

FHC TRAIU O PSDB – O sonho dos 20 anos acabou porque FHC, na obsessão de voltar ao poder quatro anos depois, traiu o PSDB em 2002 e não deu a menor força ao candidato de seu partido, José Serra, ex-ministro da Saúde que fizera um trabalho extraordinário, ao criar os genéricos, derrubar patentes farmacêuticas e implantar o bem-sucedido programa de combate ao HIV.

FHC fez corpo mole e permitiu o avanço de Lula da Silva, que quase venceu no primeiro turno, com 46.44% dos votos, enquanto o tucano Serra só chegava a 23,20%. No segundo turno, foi um arraso, com Lula chegando a 61,27%, enquanto Serra não passou de 38,73%.

Deu tudo errado. FHC pensou (?) que Lula ia fracassar no governo e permitir que o PSDB voltasse ao poder em 2006. Não somente Lula de reelegeu derrotando Geraldo Alckmin, que conseguiu ter menos votos no segundo turno do que obtivera no primeiro turno, como depois elegeu o poste Dilma Rousseff em 2010 e repetiu a dose em 2014.

Mas qual a diferença entre os projetos políticos do PSDB e do PT. Bem, enquanto os tucanos não tinham programa algum, apenas queriam retomar o poder, os petistas executavam o hábil plano de José Dirceu, que sonhava em implantar no Brasil a primeira República Sindicalista do mundo e quase conseguiu.

GRANDE ARMA DO PT – Realmente, os sindicatos eram a grande arma do PT. Desde sua criação, em 1980, o partido incentivava a criação de sindicatos dos trabalhadores. Os empresários, é claro, se sentiram ameaçados e passaram a fundar sindicatos patronais.

Em 2002, quando Lula se candidatou pela quarta vez, o Brasil já era o país com maior número de sindicatos, federações, confederações e centrais de trabalhadores.

Estatística divulgada pelo IBGE às vésperas do primeiro turno mostrava que o número de sindicatos de trabalhadores e patrões aumentara 43% desde 1992. Em 2001, já eram 15.963 entidades, ante apenas 11.193 em 1991.

EM QUEDA LIVRE – As estatísticas são imprecisas, mas sabe-se que o número de sindicatos no Brasil passou dos 17,2 mil em 2017, já no governo Michel Temer. Ao mesmo tempo, África do Sul e Estados Unidos tinham cerca de 190 sindicatos cada; Reino Unido, 168; Dinamarca, 164; e a Argentina, apenas 91.

A obrigatoriedade da contribuição sindical tinha sido instituída por decreto no governo Castelo Branco em 28/2/1967. Só foi extinta na reforma trabalhista de 2017, no governo de Michel Temer, e foi o mais acertado ato de sua gestão.

Sem a obrigatoriedade do imposto, a imensa maioria dos sindicatos tende simplesmente a desaparecer, pondo fim ao sonho da República Sindicalista, que quase se concretizou.

GRAÇAS A TEMER – Para se ter uma ideia do bem que o governo Temer e o Congresso Nacional fizeram ao país nesse particular, basta citar a queda de arrecadação dos entidades sindicais, como um todo. Em 2017, os sindicatos faturaram R$ 1,5 bilhão. No ano seguinte, em 208, a receita diminuiu mais de 90% e foi de apenas R$ 138,4 milhões, despencando para R$ 24,3 milhões em 2019.

As federações também tiveram um baque espantoso. Em 2017, arrecadaram quase R$ 400 milhões, mas caíram para R$ 36 milhões em 2018, e em 2019 receberam míseros R$ 6,6 milhões.

CUT VAI FALIR – As confederações desabaram no mesmo buraco negro. Tinham recebido R$ 213,3 milhões em 2017, depois caíram para R$ 19,8 milhões em 2018 e fecharam 2019 com apenas R$ 2,5 milhões de receita. Por fim, as outroras poderosas centrais sindicais faturaram R$ 153,5 milhões em 2017, no ano seguinte a arrecadação foi de apenas R$ 13,3 milhões, fechando 2019 com apenas R$ 3,6 milhões, dois quais a CUT recebeu apenas R$ 442 mil.

Isso significa que não haverá mais fretamento de ônibus, distribuição de camisetas, pagamento de diárias para militantes e distribuição de quentinhas, tubaínas e sanduíches de mortadela. Assim, a República Sindicalista entra para a História como homenagem à Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido, como dizia o genial Dias Gomes.

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P.S.
A criação de sindicatos saiu tanto do controle que surgiram casos esdrúxulos como o “Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais do Estado de São Paulo“, uma entidade que é igual à jabuticaba e só existe no Brasil. (C.N.)

16 thoughts on “Aviso fúnebre! O sonho da República Sindicalista do PT já morreu e não sabe…

    • Depois ficam aí falando que os militares eram de direita. Direita era Carlos Lacerda e outros que derrubaram o bêbado que nos desgovernava, mas que foram cassados pelos militares.
      Com Geisel então, a coisa foi para a esquerda de vez, com a criação de 430 estatais, isolando o país do mundo que se globalizava e ficava rico.

  1. Dizem que o candidato de FHC para sucedê-lo seria o então ministro da educação Paulo Renato, mas Serra sabotou-o dentro do PSDB, veiculando acusações duvidosas de corrupção, e deixou seu colega tucano queimado a um ponto que o partido rejeitou o nome até para candidato a deputado estadual. Serra teria feito um trabalho interno semelhante para queimar outro possível candidato, Tasso Jereissati.

    Sobre o trabalho de Serra como ministro da saúde, cargo para o qual ele praticamente se autonomeou para ter mais visibilidade para sua futura candidatura, há controvérsias. Muitos dizem que os remédios genéricos foram idéia de seu antecessor Adib Jatene.

    Como candidato, José Serra foi péssimo. Ele queria ser candidato do governo fazendo um discurso de oposição, desancando a situação econômica legada por FHC, sem pensar que as pessoas insatisfeitas com o governo já tinham o Lula e o Ciro pra votar. Serra, sem notar, estava validando seus adversários. Outro erro foi a escolha de Rita Camata para vice, sem perceber o quanto ela é rejeitada por causa de sua associação ao ECA, considerado por uma ampla faixa da população uma lei de impunidade de criminosos adolescentes. A Camata como vice foi um atestado de quanto os tucanos estavam alienados das pessoas comuns.

    É verdade que FHC não fez grande coisa para elegê-lo, mas é a verdade é que não valia a pena. O PSDB estava e ainda está acabado depois do desastre que foi o governo de Fernando Henrique, nunca mais venceu nenhuma eleição presidencial depois de 1998, e tudo indica que nunca mais voltará ao poder em nível federal.

    Além do mais, Serra tem o problema de ser uma espécie de versão masculina de Hillary Clinton. Os inspiram uma profunda antipatia pelas suas pessoas, jogam muito sujo na política e parece ter uma crença de que tem de ser presidentes por direito divino. Os dois perseguiram obsessivamente a presidência de seus países, e fracassaram todas as vezes que tentaram.

    • Durante aquela campanha de 2002 a Roseana Sarney, pré-candidata pelo PFL, despontava nas pesquisas. Acho que chegou a liderar por algum tempo. Aquela operação da PF na empresa Lunus, do marido dela, Jorge Murad, teria tido o dedo do Serra também…Lembro que o delegado responsável pela operação era tucano. Depois disso a candidatura dela naufragou.

      • Sim, isso foi dito na época. O Reinaldo Azevedo, por seu lado, andou tentando por a culpa do caso Lunus no PT.
        Vendo em retrospecto, percebemos que estávamos num beco sem saída. Entre o que foi o PT, e uma volta ao poder da oligarquia Sarney, difícil dizer qual o pior. Ao menos os Sarney e o PFL não nos aporrinhariam tanto, são safados mas não são santarrões como os petistas. Como disse C. S. Lewis, pode ser preferível ser governado por barões ladrões que por moralistas intrusivos. E os lulistas são as duas coisas.

        • Mas o Sarney abandonou o apoio ao Serra e sua vice Rita Camata do PMDB em agosto de 2002 e se posicionou oficialmente pró-lula. A oligarquia do Sarney se juntou ao PT e formaram o coronel-sindicalismo que foi a desgraça que destruiu o Brasil. Por isso mensalão, petrolão e toda a corrupção tem coronel do PP, PMDB, PFL, PTB, PL etc.
          Roseana incluisve foi expulsa do PFL em 2006 por apoiar a reeleição de lula. Com isso se tornou líder do governo…lula!

  2. Com 17 mil sindicatos, ao contrário dos EUA que tem apenas 115, o Brasil já era um república sindicalista. Mas o PT queria mais: transformar o Brasil numa Cuba ou numa Venezuela era seu principal objetivo.

  3. Exemplo da eficiência ou não vem da nossa vizinha aí do sul, lá não há nem 100 sindicatos e eles sempre conseguem alguma coisa. Aqui ainda sobram sindicatos e o trabalhador continua não sendo atendido nos seus pleitos. Esta greve na Petrobrás está mostrando como o sindicato da categoria perdeu a força, aposto que se os caminhoneiros estivessem em greve já teriam posto o governo de joelhos. O sindicalismo virou de há muito um fim em si mesmo, perdeu o sentido na sociedade brasileira de hoje.

  4. Serra, pelo seu passado, carregava o DNA do socialismo democrático que demostrou como ministro da saúde. Era muito melhor que o Lula da falsa esquerda, a ponto de mutia gente mal intencionada usar o nome esquerda como sinônimo de corrupção
    Serra, perdeu as eleições porque era candidato do PSDB do FHC que fez um péssimo governo.
    É verdade, Temer ao acabar com a obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical deu um tiro no coração do PT.

  5. O PSDB, quando delirava com 20 anos de poder, ao menos admitia um prazo de vencimento, que por sinal já passou, em 2014. Já o PT quer o poder para todo o sempre. Quando não está no poder, é por causa de golpe, o governante de plantão é ilegítimo e precisa ser impichado, aos gritos de “fora (insira o nome)’…

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