Banco Central não explica por que remunera diariamente a sobra de caixa dos bancos

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Vamos repetir aqui “ad nauseam”, como dizem os advogados, que o ato de defender uma auditoria na dívida pública não significa, de forma alguma, que se pretenda dar calote ou mesmo pedir uma moratória (atrasar os pagamentos). O objetivo é tirar  dúvidas sobre pagamento ou amortização da dívida, porque especialistas da organização Auditoria Cidadã da Dívida, tem feito algumas denúncias graves, que os sucessivos governos simplesmente se recusam a responder.

Um dos questionamentos diz respeito ao projeto que concede autonomia ao Banco Central” (enviado por Bolsonaro ao Congresso), porque, além de blindar a política do BC, a proposta visa a legalizar mecanismos que geram dívida pública, mudando leis, na tentativa de se proteger contra denúncias da própria Auditoria Cidadã da Dívida.

SOBRA DE CAIXA – A principal denúncia se refere ao fato de o Banco Central estar recolhendo e remunerando diariamente a chamada sobra de caixa dos bancos. O fato é que, devido aos elevados juros cobrados aos clientes e às empresas, há pouca demanda de empréstimos, e acaba sobrando uma montanha de dinheiro no caixa dos bancos – cerca de R$ 1,2 trilhão, que equivalem a quase 20% do PIB.

Os “Chicago boys” nem precisam perguntar a Adam Smith ou Milton Friedman. É obvio que, se o governo não remunerasse essa sobra de caixa dos bancos, eles parariam de cobrar 300% ao ano nos juros de débitos dos cartões de crédito e até reduziram as taxas para financiamentos dos clientes e das empresas de todos os tamanhos, fazendo elevar o consumo e movimentando a economia como um todo, e viva o liberalismo de Smith e Friedman!

Mas acontece que o Banco Central não deixa essa mecânica financeira funcionar. Pelo contrário, aceita toda essa sobra de caixa dos bancos e, em troca, lhes repassa títulos da dívida pública, que são remunerados com juros reais, acima da inflação.

SEM RISCO – É um grande negócio para os bancos, porque não há de inadimplência, como ocorre nas demais operações de crédito que movem a economia. Esse mecanismo à brasileira significa a perfeição do liberalismo de Smith e Friedman – o capitalismo sem risco.

Essa montanha de dinheiro, quase 20% do PIB, que poderia estar financiando a retomada da economia, fica paralisada no Banco Central, gerando uma criativa variação do antigo “overnight”, com remuneração diária aos bancos, e sem risco. E novamente um viva ao liberalismo de Smith e Friedman!

Segundo as estatísticas da Auditoria Cidadã da Dívida, esse tipo de operação superou a marca de R$ 1 trilhão desde 2016, e em apenas quatro anos custou quase meio trilhão de reais aos cofres públicos. Para ser mais preciso, conforme balanços oficiais publicados pelo BC, de 2014 a 2017 essa remuneração da sobra de caixa dos bancos consumiu R$ 449 bilhões.

SEM APOIO LEGAL  – A especialista Maria Lúcia Fattorelli explica que, além de instituir cenário de profunda escassez de recursos financeiros, acirrando a elevação das taxas de juros para patamares indecentes, impedindo o financiamento de atividades produtivas geradoras de emprego e renda, essa mecânica financeira tem custado muito caro para o país.

“O mais grave é que não existe fundamento legal para esse tipo de operação. O Banco Central tem utilizado indevidamente as “Operações Compromissadas”, que foram criadas para controlar o volume de moeda em circulação e, teoricamente, a inflação”, assinala a auditora, cujo trabalho incansável é boicotado implacavelmente pela grande mídia, que jamais está a serviço do país, mas sabe servir à perfeição os interesses dos bancos.

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P.S. 1
Infelizmente, Bolsonaro nada sabe de economia e colocou seu governo nas mãos de Paulo Guedes, aquele ex-banqueiro e dono de corretora que deu um prejuízo de quase R$ 400 milhões a fundos de pensão (leia-se: a trabalhadores brasileiros), em pagamento indevido de ágios, segundo as investigações do Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União.

P.S. 2 – O capitão Bolsonaro nada entende economia. Mas e os generais que o cercam? Será que também não aprenderam economia nos Cursos de Estado Maior e na Escola Superior de Guerra? É difícil acreditar que não saibam de nada… (C.N.)

15 thoughts on “Banco Central não explica por que remunera diariamente a sobra de caixa dos bancos

  1. Alguém sabe alguma coisa. Alguns alguéns se fazem que não sabem coisa nenhuma. Se aplicam e se multiplicam e se locupletam entre si. Pensando em si. Deram perdões aos grandes agricultores, aos bancos diuturnamente, os aumentos substanciais ao STF, irão brevemente perdoar as dívidas dos estados/municipios, as operadoras e adjacências. Em um ciclo vicioso de quatro e quatro (4 x 4) anos. Os juros, tração nas quatro rodas. De um povo que é o motor do Brasil, que, já não tem mais forças para acelerar e roncar (só com a barriga). E a amazonas sangra do Chui ao Oiapoque, cobrindo o povo/nação brasileira: de juros, roubos, matanças e miliciando diariamente toda uma Nação.

  2. Senhor Carlos, desculpe se enganado estou.
    A dificuldade toda em se eu romper este círculo vicioso, é que, digamos assim, esta prática vem de muito longe.
    Governo nenhum teve coragem para encara-lo….

  3. É muito meritório que nosso Editor-Moderador, o grande e experiente Jornalista Sr. CARLOS NEWTON, analise as atividades do Banco Central, responsável principalmente pela estabilidade de nossa Moeda, o que significa manter a Inflação dentro da Meta de 4,25% aa com margem de 1,5% para cima ou para baixo.

    O Sistema de combate a Inflação via Meta de Inflação baseia-se em estabelecer uma Tx. de Juro Básica SELIC e valor do Câmbio que gere na Economia as condições para produzir uma Inflação na Meta.
    Num País com enorme Deficit Fiscal Nominal Anual ( – 7% ) do PIB, endividamento Público de 80% do PIB, Insegurança Jurídica, etc, que sem as difíceis Reformas tem grande viés de alto endividamento, o BC tem que ser radical em seu enxugamento da Base Monetária ( Quantidade de Dinheiro/Crédito) que circula na Economia, para conter a Inflação dentro da Meta,

    Se o BC não captasse essas Reservas Livres dos Bancos de +- R$ 1.200 Bi a um Custo de SELIC, atualmente 6,50%aa, os Bancos tentariam injetar essa Massa Monetária numa Economia estagnada e a Tx. de Juro inter-Bancária cairia bem abaixo da SELIC de 6,5%aa, os Juros comerciais cairiam abaixo da média de 50%aa, o que seria bom para reativar a Economia, mas ruim para manter a Inflação dentro da Meta de 4,25%aa.
    Como o BC tem missão principal de manter a Inflação dentro da Meta, independente do que aconteça nos outros Indicadores da Economia, ele se obriga a esse radical aperto Monetário.
    Custa caro, mas é o preço que se paga numa Economia desequilibrada como a nossa atual.

    O BC não deve ser independente do Governo Federal pois que representa uma poderosa alavanca para o Governo administrar a Economia, mas ter sim, a maior AUTONOMIA para cumprir as Metas e a Orientação recebidas do Governo Federal.

    • Ocorre que o estabelecimento de Metas Inflacionária é coisa de Nação Desenvolvida. Um país como o Brasil tem que estabelecer Metas de Crescimento.

      Pra não dizer que o procedimento é ilegal perante a Constituição Federal.

    • Sr. Bortolotto,

      Segundo suas palavras:

      “Custa caro, mas é o preço que se paga numa Economia desequilibrada como a nossa atual.”

      Minhas palavras.

      Se endividamento é sinônimo de descontrole, EUA, Japão, França, Alemanha, Inglaterra e muitos outros têm dívidas muito maiores que a nossa, por isso eles têm a economia descontrolada? Não, não têm pois rolam suas dívidas a juros civilizados. E a inflação nestes países é mínima. 80% da dívida do Japão é com bancos públicos e aqui nossos bancos estaduais foram dizimados.

      Sabe qual é o problema?
      Ganância.

      Aqui no Brasil se o consumo de um determinado produto aumenta os preços aumentam.
      E se este consumo diminui os preços aumentam da mesma forma.

      Veja o exemplo dos automóveis.

      Perdoe-me, o Sr está equivocado.

      PS1. Se o consumo está retraído vamos aumentar o crédito para o PIB do Brasil crescer e tentar tirar do Serasa, através de acordos, uma boa parte dos inadimplentes, basta vontade política. Mas não querem, porque senão a reforma da previdência não será necessária.

      Já não é necessária no patamar que está.

      PS2. Não existe capitalismo sem consumo.

      PS3. Os pequenos empresários cresceriam e é isso que os grandes não querem.

  4. Discordar do Sr. Bortolotto neste artigo é fácil, difícil e argumentar o contrário sem ser um economista ou estudioso dessas coias. Apenas digo que devem procurar algo menos dispendioso. É dinheiro demais a título de controlar a inflação.

  5. Parabéns incansável Jornalista Carlos Newton!

    Este seu Artigo merece e deveria ser citado é literalmente lido na Tribuna da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

    Parabéns!

      • Prezado Dr. RUBENS,

        Também me pergunto se num País em Desenvolvimento como o Brasil, portanto Pobre, não seria melhor fixar uma Meta de Inflação de 12%aa e crescer 3%, ou Meta de Inflação 4,25% aa e crescer 1,5%.
        Sabemos que Inflação maior come Renda de quem tem ganhos fixos, Assalariados, Aposentados, quem recebe Aluguel, etc, mas crescimento maior significa mais Empregos.
        Assim, vestimos um santo para desnudar outro.
        Temos que equilibrar nossa Economia, ter Inflação baixa e alto crescimento.
        A nosso ver isso é possível quando não se tem Deficit Fiscal e se tem Superávit no Balanço de Pagamentos Internacional.
        Abração.

        • Caríssimo Mestre Bortolotto … ficou um pouco confusa a redação da sua secretária … acho melhor o senhor ditar de novo para ela kkk KKK kkk

          É que finalmente acho que o senhor está escrevendo o que venho esperando há tempos.

          Favor clarear se é melhor um pouco mais de inflação para se ter um maior índice de crescimento (e menor desemprego) … … … ou se é melhor inflação baixa com crescimento diminuto (e maior desemprego).

          Obrigadão.

          • Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA,

            Minha “secretária escreveu confuso” porque eu também não tenho certeza.
            Se optarmos por mais Inflação e maior crescimento com menos Desemprego, ( o índice de crescimento é sempre expurgado da Inflação), sacrificamos todos os que ganham Renda Fixa, ( Assalariados, Aposentados, quem recebe Aluguel, etc), se optamos por baixa Inflação, baixo crescimento e alto Desemprego como agora, protegemos a Renda dos de Ganhos Fixos mas criamos Desemprego.
            Dos males o menor:
            Ė melhor para País Pobre, maior Inflação, maior crescimento e menor Desemprego. Mas por pouco.
            O bom é ter uma Economia EQUILIBRADA, pouco endividada e que tivesse baixa Inflação e alto crescimento. É possível.
            Abração.

  6. Prezado Sr. DE OLHO NO LANCE,

    Deixemos os EUA de lado porque ganhou todas as Guerras importantes e emite a Moeda Internacional, e portanto para ele as Leis Econômicas não valem.
    Os outros citados, Japão, Franca, Alemanha, Inglaterra, etc, são todos Países com Governo mais endividados que o Brasil, mas tem muitas Reservas e principalmente são Superavitários no Balanço de Pagamentos Internacional (Balanço de todas as Riquezas que entram e saem do País).
    Mas Países como o nosso, México, Argentina, Colômbia, Indonésia, Filipinas, etc, todos tem Balanços de Pagamentos Internacional ruim. Daí que são muito vulneráveis mesmo com endividamento menor.
    Abração.

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