Banco do Brasil firma parceria com Bradesco para enfrentar Itaú

Pedro do Coutto

No relatório relativo ao exercício de 2011, publicado integralmente no Diário Oficial de 24 de fevereiro. O Banco do Brasil revela ter alcançado um lucro líquido de 12,1 bilhões de reais e também ter firmado parceria com o Bradesco no setor de cartões de crédito. O relatório começa na página 10 e termina na página 72, quando fecha com as demonstrações contábeis.

Na página 23 informa ter firmado atuação conjunta com o Bradesco no setor dos cartões, através da constituição da Cia. Elo Participações S/A. Elo era o antigo nome com que o Bradesco operava nesse segmento. O Banco do Brasil tem o Orocard e o Elo, que havia sido substituído pela marca do antigo Banco Brasileiro de Descontos, fundado por Amador Aguiar, agora ressurge.Não se sabe se a legenda ressurgirá exposta no dinheiro de plástico, mas o BB acrescenta que vai deter 49,9% da Elo Participações e o Bradesco 50,1.

Não termina neste ponto a atuação conjunta do Banco do Brasil com o Bradesco. Na página 12, o presidente Aldemir Bendine assinala que, no ano passado, foi concluído o teste piloto de compartilhamento das redes externas de autoatendimento do Banco do Brasil, Bradesco e Santander.

O estabelecimento espanhol, assim, também forma numa frente gigantesca de atuação, a qual, a meu ver, não está escrito no relatório do BB, só pode ter como objetivo o enfrentamento com o Itaú. Caso contrário, Banco do Brasil, Bradesco e Santander teriam convidado o grupo da família Roberto Setubal para se integrar numa teia imbatível.

O Brasil já teve elevado número de Bancos. Agora, praticamente, restringe-se aos que eu citei, mais a Caixa Econômica federal e o HSBC. Na eterna e intensa luta entre os gladiadores do Coliseu Financeiro do país, o polinômio de se ler o Diário Oficial. Fonte absolutamente segura de informações, notícias, comentários.

Nos jornais em que trabalhei, Correio da Manhã, O Globo, Jornal do Brasil e na Tribuna da Imprensa, sempre propunha que se formasse um setor para tal tarefa. Não fui ouvido. Infelizmente. Coisas da vida.Nas redações de outrora, sempre apareceram os gênios incompetentes. Achavam que o DO era algo da segunda classe. Estavam errados. Mas não foi só isso. Criavam sistemas de edição impossíveis de seguir, além de caríssimos. A publicidade tornava-se insuficiente para cobrir os custos.

Como sempre faço, dou dois exemplos concretos: Jânio de Freitas, no Correio da Manhã de 63; Reinaldo Jardim, no mesmo Correio da Manhã, de 1969-1970. Dois desastres enormes. Foram demitidos. Mas os prejuízos causados tornaram-se irrecuperáveis. Mas me afastei do tema.

Eu, aliás, pretendia escrever sobre a reportagem de Natuza Nery e Sheila D’Amorim, Folha de São Paulo de 23 de fevereiro, foto de Sérgio Lima, focalizando a crise entre Aldemir Bendine e Ricardo Flores, diretor do Previ, Fundo de pensão dos Funcionários do maior banco estatal do país. O governo preocupa-se com a continuação do confronto, que inevitavelmente força a entrada do ministro Guido Mantega na arena. Porém achei o relatório do Banco do Brasil tão bom que mudei a direção do texto.

O Banco do Brasil, na página 10, contesta o IBGE quando analisa a taxa nacional de desemprego em 2011. O IBGE, (O Globo, O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo publicaram) disse que o índice de desemprego desceu a 5,7%. O Banco sustenta textualmente ter sido em torno de 9%.

Os desafios para o crescimento da economia ainda são relevantes. O mercado de trabalho – frisa – continuou fraco. Alavancagem das famílias prossegue em ritmo lento. Foi criado um certo impasse político em torno das questões fiscais.

Quem tem razão? Uma pergunta. A outra: o que acha o Itaú da parceria Banco do Brasil-Bradesco?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *