Barroso aponta ‘impressionante quantidade de indícios’ de crimes de Fernando Bezerra

“O Direito e a Justiça valem para todos”, disse Barroso sobre Bezerra

Luiz Vassallo
Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro Luís Barroso, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ao presidente da Corte, Dias Toffoli, que há uma ‘impressionante quantidade de indícios de crimes’ na investigação contra o líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), e seu filho Fernando Coelho Filho (DEM).

A manifestação de Barroso se deu no âmbito de ação movida pelo Senado Federal para derrubar a decisão que autorizou as buscas e apreensões contra os políticos no âmbito da Operação Desintegração, que mira supostas propinas de R$ 5,5 milhões de empreiteiras.

CRISE – O episódio abriu uma crise institucional entre o Supremo e o Senado Federal em um momento em que parlamentares discutem a instalação de uma CPI para investigar integrantes da Corte.

Sob o argumento de que a medida de Barroso foi “invasiva”, “drástica”, permitiu a captura de informações sensíveis (o que afetaria “interesses nacionais”) e comprometeu a harmonia entre os poderes, o Senado pediu a Toffoli a imediata suspensão tanto da liminar de Barroso quanto da análise de objetos e documentos apreendidos durante a operação.

Em reação ao pedido, Toffoli pediu explicações a Barroso. Inicialmente, a decisão do ministro que autorizou as buscas contrariava posicionamento da então procuradora-geral Raquel Dodge, que se manifestou pelas diligências somente contra pessoas ligadas aos políticos. Após o fim do mandato de Raquel, o subprocurador-geral Alcides Martins, interino na PGR, se manifestou favoravelmente às medidas cautelares contra o senador e seu filho.

EXPLICAÇÕES – Segundo Barroso, o exame dos elementos da investigação ‘não conferia outra opção que não a decretação da busca e apreensão’. “Não seria republicano nem ético desviar do reto caminho por se tratar de figura poderosa. O Direito e a Justiça valem para todos. Esta é uma das conquistas da civilização”.

“Sem antecipar qualquer juízo de valor sobre o mérito da investigação, é fato incontestável que a Polícia Federal reuniu uma impressionante quantidade de indícios de cometimento de crimes por parlamentares – um senador da República e um deputado Federal -, juntamente com outros participantes”, afirmou.

VALEM PARA TODOS – De acordo com Barroso, o “exame criterioso e imparcial dos elementos produzidos não conferia a este magistrado outra opção que não a decretação de busca e apreensão. Não seria republicano nem ético desviar do reto caminho por se tratar de figura poderosa. O direito e a justiça valem para todos”.

“A medida de busca e apreensão não foi movida contra o senador em razão de sua atuação em nome do poder público, mas por ser investigado pela prática de crimes. Como intuitivo, a suspensão de liminar não tem por objetivo proteger investigados em processos criminais”, afirmou Barroso a Toffoli.

O ministro ainda enumerou o resultado das diligências no gabinete do senador, que, segundo ele e a Polícia Federal, reuniram mais indícios contra Bezerra Coelho.

REPERCUSSÃO – Após a operação da PF ter vasculhado gabinetes de Bezerra Coelho, o presidente Jair Bolsonaro disse que o senador está fazendo “um excelente trabalho” e que “precisa de voto” para garantir a aprovação da reforma da Previdência. Ao ser indagado sobre a manifestação de Barroso, o porta-voz da República, Otávio Rêgos Barros, disse que se tratava de “um comentário do senhor Barroso”.

Nas diligências dentro do Senado, alvo de questionamento do presidente da Casa, (DEM), foram apreendidos papéis que, segundo Barroso, mostram contatos do senador com outros investigados, como seus supostos operadores de propinas, além de referências a ‘doadores ocultos’ de campanhas políticas.

Na casa do filho de Bezerra Coelho, a PF confiscou R$ 120 mil. Parte do dinheiro estava fracionada em envelopes. O carro encontrado na casa de Fernando Coelho Filho estava em nome de um dos investigados, apontado como operador de propinas, de acordo com os investigadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A investigação sobre Bezerra e o seu envolvimento com o recebimento de propinas de empreiteiras somada ao caso do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, indiciado pela Polícia Federal e denunciado pela Promotoria de Minas Gerais no caso das candidaturas laranjas do PSL, colocam Bolsonaro em uma situação cada vez mais complicada, ameaçando o discurso de tolerância zero com irregularidades que o elegeu. Está levando ambos em banho-maria, evitando colocá-los, por enquanto, no paredão. Mas se continuar pondo a mão no fogo por mais tempo, corre o risco de ser carbonizado. Prefere atacar os órgãos de imprensa, chamando alguns veículos de covardes e patifes, para demonstrar indignação e tentar se blindar. Apesar de dizer que “tem o couro duro” e que não irão derrubá-lo, lembrando Collor, que tinha “aquilo roxo”, já está na hora de ser melhor estrategista e sair de cima do muro. (Marcelo Copelli)

6 thoughts on “Barroso aponta ‘impressionante quantidade de indícios’ de crimes de Fernando Bezerra

  1. O senador só será afastado quando for condenado em última instância. É a minha decisão. Quem não concordar, vá comer cocô ou se reproduzir menos.
    Queiroz, quem gritou Queiroz? “Tá na cama com a tua mãe!”

  2. Impressionante quantidade de indícios de crime vemos em quase todo Congresso Nacional e nem por isso a coisa anda como deveria. Impressionante quantidade de coniventes vemos também no STF e por isso o Congresso está como está.

  3. AINDA TEM ONIX QUE CONFESSOU O CRIME ,PAULO QUEDES ACUSADO DE FRAUDAR OS FUNDOS DE PENSAO DAS ESTATAIS O SALLES REU EM SAO PAULO O MANDETA DA SAUDE 3 ACUSAÇOES ENQUANTO SECRETARIO GOIAS E VAI POR AI.

  4. MC; este não tem mais saída; se entregou.
    Depois de ” a verdade vos libertará” e ” doa a quem doer” o que se viu foram palavras ao vento.
    Ainda assim é melhor que o andrade, por motivos óbvios.

  5. Quando se pensa em um país diferente e igualitário para todos é óbvio que surgirão falsos salvadores da pátria. E fazem utilizações das escrituras para dar o ar de verdade, mas de verdade só mesmo a impunidade dessa gente. Como fizeram antes com a reforma da Previdência que seria para tirar privilegio e que todos sabem quem são os privilegiados. Usam os mesmos expedientes para com os servidores públicos taxando-os de barnabés perante a sociedade. E nem falam dos verdadeiros barnabés que saqueiam os cofres públicos a olhos vistos. Já é ora de o povo acordar dessa sonolência e a regaçar as mangas e ir à luta por melhores dias, digo, isso não acontecerá por outra via, não sou eu que afirmo, mas a história.

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