Battisti e os hackers, mera coincidência?

Carlos Chagas

Precipitações e paranóias à parte,  mas é bom prestar atenção: foi a partir da Itália que se viabilizou o ataque criminoso ao sistema de computadores do governo brasileiro. Não há prova de que os hackers  sejam italianos ou, sequer,  que residam  naquele país, mas começaram a atuar a partir do sistema lá instalado. Meio complicado para quem não penetra  nos meandros  da cibernética moderna,  mas capaz de despertar nossa atenção. 

Estariam esses minibandidos atuando por conta própria, a título de aleatoriamente  perturbar as comunicações brasileiras,  ou recebem algum estímulo de setores  indignados com a não extradição de Césare Batistti?  Por mais incrível que pareça, vale investigar, porque coincidências são cada vez mais raras  no planeta.

Supõe-se que a ABIN e a Polícia Federal andem buscando  as origens desse ataque tão bobo quanto pernicioso, porque invadiram os computadores e paralisaram por algum tempo as atividades eletrônicas  do palácio do Planalto, da Petrobrás, da  Receita Federal, do  IBGE e sabe-se lá quantos outros departamentos do governo.

Garante-se, por aqui, não terem os invasores  tido acesso ao conteúdo das informações constantes dessa parafernália de senhas e comunicações, mas,  mesmo assim, estamos sendo atingidos. Saber por que e por quem torna-se fundamental, senão para nossa sobrevivência, ao menos para nos prevenirmos contra novas investidas.

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 TUCANOS ARREPENDIDOS
                                                        
O PSDB dá a volta por cima e prepara grande comemoração pelos 80 anos de Fernando Henrique Cardoso, quinta-feira, em Brasília.   Depois de ignorarem o ex-presidente durante a recente  campanha eleitoral, senão negando ao menos omitindo os efeitos dos oito anos de seu governo, os tucanos agora preparam o mea-culpa. Vão  redimir-se  da omissão e reverenciar o  companheiro com  discursos e  coquetéis.

Afinal, pela idade provecta, o sociólogo não  incomoda mais  o Alto-Tucanato, em termos de ambições. Nada mais aspira em matéria de poder, ainda que só tenha aumentado seu potencial de dar conselhos. 

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CORRENTES OPOSTAS
                                                        
Quinta-feira, um milhão e meio de evangélicos  ocuparam a Zona Norte de São Paulo em manifestação raras vezes verificada na cidade.  A Marcha para Jesus reuniu diversas igrejas pentecostais, num espetáculo digno de projetar-se para o futuro. Pela palavra dos  organizadores, uma demonstração de fé.  O problema é que não faltaram críticas à desenvoltura com que vem se comportando os homossexuais  e até ao Supremo Tribunal Federal, que reconheceu sua união. Ao mesmo tempo, alguns dos mega-pastores referiram-se ao potencial eleitoral da multidão  que  pacificamente desfilou na Avenida Santos Dumont e adjacências. Ficou clara a indução para que a massa rejeite políticos partidários do movimento gay.
                                                       
Amanhã, domingo, virá o contra-ataque. A Parada do Orgulho Gay prevista para a Avenida Paulista poderá reunir número igual de participantes. São duas forças opostas, democraticamente expondo seus sentimentos, mas é bom tomar cuidado.

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 A FALTA QUE FAZ BOB KENNEDY
                                                        
A  história já foi contada mas nunca será demais  repeti-la. Juscelino Kubitschek, depois de cassado, humilhado e perseguido, encontrava-se nos Estados Unidos,  realizando uma série de conferências.  Manifestou o desejo de encontrar-se com Robert Kennedy, então em campanha para a Casa Branca,  que venceria facilmente não fosse a misteriosa mão de um assassino, identificado e preso, mas incapaz de denunciar seus  mandantes.

A agenda do candidato estava lotada  e ele ofereceu a JK a possibilidade de conversarem durante um vôo de Nova York a Washington, para onde se dirigia. Assim aconteceu, e o ex-presidente brasileiro sempre lembrava a pergunta feita ao americano, sobre o que fazer com a Guerra do Vietnam. A resposta foi simples. Uma vez eleito e empossado, seu  primeiro ato seria  passar um telegrama às centenas de milhares de soldados atolados no Sudeste Asiático: “voltem todos, imediatamente”.

Não foi possível,  mas bem que Barack Obama poderia valer-se do exemplo. Porque acaba de anunciar o retorno aos Estados Unidos de 10 mil soldados em guerra no Afeganistão. Só que lá se encontram 100 mil, quer dizer, 90 mil permanecerão.  Até quando?

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