Bebianno diz que democracia está em risco devido a “loucura e irresponsabilidade” de Bolsonaro

Bebianno criticou o protagonismo dos filhos “debiloides” na República

Roberta Jansen
Estadão

Ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro e ex-líder do PSL, o advogado Gustavo Bebianno afirmou neste domingo, dia 1º, que a democracia no Brasil se encontra em risco por causa da postura do presidente da República.

“O momento político que atravessamos hoje é grave, gravíssimo, nossa democracia está em risco”, disse Bebianno em evento no Rio que marcou sua filiação ao PSDB e contou com a presença do governador de São Paulo, João Doria. “Tudo que o presidente quer é um pretexto para a adoção de medidas autoritárias.”

“LOUCO E IRRESPONSÁVEL” –  Segundo a análise de Bebianno, o País vive um ambiente de “instabilidade política e econômica” provocado pelo “grau de loucura e irresponsabilidade capitaneado pelo próprio presidente”.

O ex-aliado político de Bolsonaro criticou o autoritarismo do governo, sobretudo pelas recentes menções ao AI-5 feitas pelo ministro da economia, Paulo Guedes, e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro.

ATO FALHO – Para Bebianno, a fala de Paulo Guedes sobre o AI-5 foi desastrada e pode ter sido fruto de um erro. “A outra hipótese é que tenha sido um ato falho dele, de tanto ouvir essa conversa no Palácio do Planalto”, disse.

“Vejo os fanfarrões de boate querendo brigar, mas eles não têm ideia das consequências de uma briga, sangue, morte. O Brasil não precisa disso. Temos que defender nossa democracia.”

IMPEACHMENT – Bebianno disse que a decisão do presidente de excluir o jornal Folha de S.Paulo de licitação do Palácio do Planalto abre caminho para um pedido de impeachment. “Essa atitude demonstra que ele faz tudo aquilo que acusa seus oponentes de fazer, é um absurdo”, afirmou.

“Ele está afrontando um princípio básico da Constituição que é a liberdade de imprensa e a própria democracia. Abre um flanco enorme para responder a um processo de impeachment.” Antes, em discurso, Bebianno já tinha tomado a defesa do que chamou de “imprensa tradicional”.

“DEBILOIDES” – Segundo ele, a imprensa pode cometer erros, como todo mundo, mas ela é crucial para a democracia. Bebianno não poupou críticas a Bolsonaro e a seus filhos Eduardo e Carlos, que chamou de “debiloides”. “O governo é uma fábrica de problemas”, disse Bebianno.

“O presidente não tem nenhum interesse pelo social, pela cultura, pela saúde, por nada daquilo que é importante para o País; ele pensa única e exclusivamente em sua reeleição.” Para Bebianno, a postura de Jair Bolsonaro após a eleição o surpreendeu.

“Foi uma surpresa que ele permitisse que os dois filhos debiloides dele, pode botar aí, debiloides, assumissem um protagonismo tamanho na República brasileira”, afirmou, se referindo a Eduardo e Carlos. “São duas pessoas que não têm a menor expressão, nem intelectual nem política; dois seres inexpressivos, abaixo da crítica, que estão comandando as diretrizes do país de forma oficiosa.”

PONDERADO – Bebianno só poupou, parcialmente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). “Não digo que ele é preparado porque nenhum dos três é”, ressalvou. “Mas é o único da família que tenta ponderar, arrefecer os ânimos; testemunhei várias vezes suas tentativas de baixar o tom do pai, enquanto os outros dois, o nenê 02 e o nenê 03, ficavam insuflando o pai a fazer bobagem.”

O governador João Doria disse, em discurso, que Bebianno agora “está no caminho certo”, mas que seu passado “não foi um erro, mas sim um aprendizado”.  “Bebianno traz força e experiência para contribuir com o projeto do novo PSDB”, disse Dória. “O PSDB está no centro democrático, pode receber quem tem pensamentos mais à esquerda ou mais à direita, só não adota extremismos.”

PRIMEIRO A CAIR – Bebianno foi o primeiro ministro a perder o cargo no governo Bolsonaro. Ele deixou a Secretaria-Geral da Presidência após desentendimentos com a família do presidente. Carlos Bolsonaro chamou Bebianno de “mentiroso” após o então ministro conceder entrevista dizendo que não estava isolado no Planalto em razão de  denúncias de participação em esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar recursos do Fundo Eleitoral, em 2018. Bebianno presidia a sigla durante as eleições.

Na tentativa de minimizar a crise, o ministro afirmou que falara três vezes com Bolsonaro, que estava internado no Hospital Albert Einstein, recuperando-se de uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal. Carlos Bolsonaro desmentiu a declaração pelo Twitter, divulgando áudios do presidente, que endossou a atitude do filho horas depois. A briga culminou na demissão de Bebianno.

25 thoughts on “Bebianno diz que democracia está em risco devido a “loucura e irresponsabilidade” de Bolsonaro

  1. Não foi esse Bebianno que, dizem, trabalhou durante anos como advogado para os Bolsonaro, supostamente até sem cobrar honorários? Só agora ele descobriu os defeitos do antigo chefe?

    Fico pensando no que ele falará de João Doria daqui a algum tempo.

  2. De repente o puritanismo, a indignação com as palavras e a virgindade moral tomaram de conta dos políticos nacionais.

    -Até ontem éramos governados por uma sucessão de ladrões que nos roubaram desde o dinheiro da poupança até a Petrobrás e BNDES, passando pela Vale do Rio Doce e Anaconda. Mesmo com tantos pacotes econômicos até hoje estamos na xxxx.
    -Portanto, um louco tá de bom tamanho, desde que não roube o dinheiro dos nossos impostos.

    -Ou será que os brasileiros preferem os ladrões da lista da Odebrecht?

  3. Não me agrada o estilo do Bolsonaro face á sua posição como presidente. Acredito que todos desejávamos alguém que fosse competente, eficiente e educado. Ele não tem nada disso, infelizmente.
    Mas fazer política á custa de fofocas e desmoralização do adversário é baixeza de puta de cais do porto. Não podemos admitir isso porque esse comportamento só causa discórdia e atraso. Chega de babaquices – ninguém quer saber se o seu Babiano está ou não sentido com o Bolsonaro. O saco já estourou, seu Babiano.

  4. Bebiano ta na lista do laranjal. Ele tentou envolver o Presidente na história para se proteger. A mesma polícia federal que pegou o Bivar, vai pegá-lo. É só uma questão de tempo.

  5. Curiosamente, os que vociferam pela democracia são aqueles que menos a valorizam, a começar com os anseios de derrubar Bolsonaro e acusá-lo disso e daquilo.

    Em outras palavras:
    se a democracia não agradou aos perdedores, a eleição foi uma fraude; quem pensa diferente de Bolsonaro é democrata, enquanto quem votou no ex-capitão é fascista.

    Durma-se com um barulho desses, pois enquanto os antecessores que habitaram o Planalto roubavam na calada da noite, no dia seguinte, os democratas – melhor – os cúmplices dos ladrões, nada tinham para reclamar!

    Em outras palavras:
    roubar, confiscar, enganar, explorar, manipular, pode; não pode criticar a imprensa porque antidemocrático!

    Então tá.

  6. Pena que ele só descobriu isso depois que perdeu a teta gorda. Que a loucura do Bolsonaro sirva pelo menos para acabar com o sistema político podre, gerador de bandidos, que não tem nada a ver com democracia mas isto sim com bandidocracia.

  7. A maioria dos eleitores escolheu a Insetolnaro, para desratizar o país.
    Desratização é uma atividade tóxica. Paciência. Esperamos bons resultados com a eliminação de todas as ratazanas e camundongos, se possível.
    Com ratos na casa não existe vida viável. Nem democracia.

  8. Fuzile-se Bolsonaro, democraticamente, a Tribuna da Internet forma o pelotão e Vicente Limonge Netto comada o preparar, apontar e fogo.
    Ai fica todo mundo sem discurso igual ao poema de Drummond, e agora Carlos Newton?
    Hehehhehhe
    José

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, você?
    você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    você que faz versos,
    que ama, protesta?
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    Sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio — e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você morresse…
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja a galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *