Belchior já se foi, mas nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais…

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Poemas & Canções

O cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946-2017), na letra de “Como os Nossos Pais”, fala da eterna discussão presente na relação entre pais e filhos, ou seja, quando somos jovens sempre achamos que nossos pais estão errados na educação que recebemos, porém quando crescemos e temos filhos geralmente repetimos o mesmo que nossos pais faziam conosco.

“Como os Nossos Pais” é um hino à juventude que amadurece percebendo que o mundo é uma constante, porque é feito de homens que se acomodam e de outros que lutam por mudanças. A música foi gravada por Belchior no LP Alucinação, em 1976, pela Polygram.

COMO OS NOSSOS PAIS
Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos…

Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens…

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz…

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr’o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração…

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando…

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem…

E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

3 thoughts on “Belchior já se foi, mas nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais…

  1. Do tempo em que se faziam Músicas e Letras (com maiúsculas) . Não essas porcarias que se vê hoje em dia. Qualquer um coloca um monte de idiotices num papel, grava um som encima e depois se apresenta na mídia e fica milionário. Hoje, com algumas exceções, só temos lixo a agredir os ouvidos. Ganham os idiotas que cantam e os idiotas que os promovem, à custa de muito jabá para promoção.

  2. Um dos maiores Poetas da Musica Brasileira. Lições de Língua Portuguesa plenas, onde a palavra é colocada bem dentro da alma, bem dentro do coração, fazendo vidas renascerem, fazendo mundo se modificarem. Uma de suas Música que tenho referência, e, que já cantei muito pelas madrugadas do Recife é “Tudo outra Vez” , síntese da vida urbana e rural de seres que fogem do interior e na Cidade grande se mistura ao cimento frio da distancia e saudades da terra onde nasceu, por isso foi um Poeta Rurbano(rural e urbano) , e, quem foi do tempo das Normalistas em qualquer rua do Brasil ele deixa fluir esse amor platônico por aquelas meninas que no fardamento escolar e livros nas mãos faziam os meninos voarem em sentimentos grandiosos, onde o amor fez morada ou queria morada, tempos que não voltam mais….Onde estão as Normalistas das ruas do Brasil de outrora ????? Vocês Paulo e Carlos sabem por onde elas andam ??? Lindo Domingo de Poesia e Música boa que vocês provocam no TI, Abraço Pernambucano …..”Agora eu quero tudo, tudo outra vez…” !!!!!!

    TUDO OUTRA VEZ
    Belchior

    Há tempo, muito tempo
    Que eu estou
    Longe de casa
    E nessas ilhas
    Cheias de distância
    O meu blusão de couro
    Se estragou
    Oh! Oh! Oh!

    Ouvi dizer num papo
    Da rapaziada
    Que aquele amigo
    Que embarcou comigo
    Cheio de esperança e fé
    Já se mandou
    Oh! Oh! Oh!

    Sentado à beira do caminho
    Pra pedir carona
    Tenho falado
    À mulher companheira
    Quem sabe lá no trópico
    A vida esteja a mil

    E um cara
    Que transava à noite
    No “Danúbio azul”
    Me disse que faz sol
    Na América do Sul
    E nossas irmãs nos esperam
    No coração do Brasil

    Minha rede branca
    Meu cachorro ligeiro
    Sertão, olha o Concorde
    Que vem vindo do estrangeiro
    O fim do termo Saudade
    Como o charme brasileiro
    De alguém sozinho a cismar

    Gente de minha rua
    Como eu andei distante
    Quando eu desapareci
    Ela arranjou um amante
    Minha normalista linda
    Ainda sou estudante
    Da vida que eu quero dar

    Até parece que foi ontem
    Minha mocidade
    Com diploma de sofrer
    De outra Universidade
    Minha fala nordestina
    Quero esquecer o francês

    E vou viver as coisas novas
    Que também são boas
    O amor, humor das praças
    Cheias de pessoas
    Agora eu quero tudo
    Tudo outra vez

    Minha rede branca
    Meu cachorro ligeiro
    Sertão, olha o Concorde
    Que vem vindo do estrangeiro
    O fim do termo Saudade
    Como o charme brasileiro
    De alguém sozinho a cismar

    Gente de minha rua
    Como eu andei distante
    Quando eu desapareci
    Ela arranjou um amante
    Minha normalista linda
    Ainda sou estudante
    Da vida que eu quero dar
    Hum! Huum!

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