Belchior mostrou que o fascínio do Sudeste pode ser uma ilusão

Nem te lembras de voltar, Belchior :: Sabedoria PolíticaPaulo Peres

Site Poemas & Canções

O cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, na letra de “Monólogo da Grandeza do Brasil”, fala do fascínio do nordestino (iludido) com o Sudeste, onde acredita que encontrará o sucesso, mas isto nem sempre acontece. A música faz parte do álbum duplo “Auto-retrato” lançado por Belchior,em 1999, pela Paraíso/GPA/Velas.

MONÓLOGO DA GRANDEZA DO BRASIL
Belchior

Todo mundo sabe/todo mundo vê
Que tenho sido amigo da ralé da minha rua
Que bebe pra esquecer que a gente
É fraca
É pobre
É víl
Que dorme sob as luzes da avenida
É humilhada e ofendida pelas grandezas do brasil
Que joga uma miséria na esportiva
Só pensando em voltar viva
Pro sertão de onde saiu

Todo mundo sabe
(principalmente o bom Deus, que tudo vê)
Que os homens vão dizer que a vida é dura e incompleta
Pra quem não fez a guerra e não quer vestibular
Pra quem tem a carteira de terceira
Pra quem não fez o serviço militar
Pra quem amassa o pão da poesia
Na limpeza e na alegria
Contra o lixo nuclear.

Como uma metrópole,
O meu coração não pode parar
Mas também não pode sangrar eternamente

Ta faltando emprego
Neste meu lugar
Eu não tenho sossego
Eu quero trabalhar
Já pensei até em passar a fronteira.
– eu vou pra São Paulo e Rio
(eldorados da além – mar)
A estrada é uma estrela pra quem vai andar.
Oh! não! oh! não!
Ai! ai! que bom que é
A lua branca, um cristão andando a pé!
Ai! ai! que bom, que bom se eu for
Pés no riacho, água fresca, nosso senhor!

Vou voltar pro norte/ semana que vem
Deus já me deu sorte/ mas tem um porém
Não me deu a grana/ pra eu pagar o trem.

3 thoughts on “Belchior mostrou que o fascínio do Sudeste pode ser uma ilusão

  1. “Deus fez os cães da rua pra morder vocês
    Que sob a luz da lua
    Os tratam como gente – é claro! – aos pontapés

    Era uma vez um homem e o seu tempo
    Botas de sangue nas roupas de lorca
    Olho de frente a cara do presente e sei
    Que vou ouvir a mesma história porca
    Não há motivo para festa: Ora esta!
    Eu não sei rir à toa!

    Fique você com a mente positiva
    Que eu quero é a voz ativa (ela é que é uma boa!)
    Pois sou uma pessoa.
    Esta é minha canoa: Eu nela embarco.
    Eu sou pessoa!
    A palavra “pessoa” hoje não soa bem
    Pouco me importa!

    Não! Você não me impediu de ser feliz!
    Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!
    Ninguém é gente!
    Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!

    Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
    Não sou da nação dos condenados!
    Não sou do sertão dos ofendidos!
    Você sabe bem: Conheço o meu lugar!”

    Belchior – Conheço o meu lugar

  2. ..”Até parece que foi ontem, minha mocidade, com Diploma de sofrer de outra Universidade, minha fala Nordestina, quero esquecer o Francês. E vou viver as coisas novas que também são boas, o amor/humor das praças cheias de pessoas, agora eu quero tudo, tudo outra vez..” TUDO OUTRA VEZ -VIVA BELCHIOR !!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *