Bilionários americanos doam metade de suas fortunas?

Parece incrível ou então, à primeira vista, o título de uma comédia, ou de um filme de humor, voltando para acentuar a extravagância de poucos em favor de muitos. Mas não. É verdade esse cristianismo versão 2010? Lado a lado, Bill Gates e Warren Buffett, criadores e administradores do fundo que decidiram instituir para captação de fantásticos recursos financeiros. A meta é atingir US$ 300 bilhões. Ambos estão mantendo contatos com integrantes do universo de magnatas procurando convencê-los a embarcar no que podemos dizer uma cruzada filantrópica do século 21, jornada de filantropia, de fraternidade e tentativa de paz social. O prefeito de Nova York, o democrata Michael Bloomerg, outro bilionário, aderiu a iniciativa. Participarão todos da base espacial (e especial) para doarem metade de suas fortunas.

Falando em base no espaço-tempo, incorporou-se ao movimento George Lucas (Guerra nas Estrelas), além do empresário de comunicação Ted Turner, ex-marido da atriz Jane Fonda, controlador da CNN, canal de notícias, reportagens, entrevistas da TV. Empresários cristãos? É. Pode ser, como costuma acentuar em sua coluna em o Globo, Ancelmo Góis. Que assim seja. O fato é que vários outros donos de bilhões (de dólares), pertencentes a clubes fechados, estão abrindo seus horizontes para ir em socorro da pobreza. A tarefa não só de quem oferece ajuda. Mas igualmente de quem a recebe e parte para algo construtivo, não passando a invejar ou menosprezar o doador, embora ficando com a boa ação.

O fato é que a iniciativa exemplar, e singular, merece o aplauso entusiasmado de todos. Finalmente na ótica dos milênios surge um projeto humanista autêntico sob o signo de Jesus Cristo, inspirado no distributivismo, que faz desabar, na eternidade, os conceitos básicos de Karl Marx. O filósofo alemão, que proporcionou embasamento ideológico ao comunismo, mas não assistiu a revolução soviética de 1917 porque morreu em 1883, aos 65 anos de idade, onde quer que se encontre, há de ter ficado perplexo diante de Gates e Buffett. Se é que se leva da Terra o pensamento e a emoção da vida humana após o seu fim material.

Se assim for, ficaria ou ficou espantado, sobretudo porque no Manifesto Comunista que assinou em 1848 previu que a concentração de renda nas mãos de poucos terminaria causando um movimento universal de revolta. Errou. Esqueceu o impulso da essência do ser para o capitalismo, para a sedução da riqueza, para a esperança de alcançá-la. Esse sonho é socialmente natural, pois as pessoas buscam sempre, pelo menos, galgar na vida uma ou duas escalas além do patamar em que se encontram. Alguém poderá discordar deste tema?

Não creio. Quem não tem capital gostaria de possuí-lo. Impraticável negar. O autor de O Capital, escrito vinte anos depois do Manifesto Comunista, seria um tolo? Não. O Marx doutrinador, um erudito, era romântico. Mas existe outro Marx, o analista, um gênio, o maior analista político da historia. Aliás, uma ingenuidade alguém se propor a comentar política sem levar em consideração os interesses econômicos envolvidos. Vale frisar que, até hoje, através dos milênios, só existiu no mundo o capitalismo, seja ele estatal ou particular.

Bill Gates e Warren Buffett colocaram as cartas na mesa. Deram um passo de gigante no rumo da justiça social. Que a estrada cristã não seja novamente bloqueada pelo egoísmo e pela inveja.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *