BNDES é hoje o maior realimentador da dívida pública

Roberto Nascimento

Em recente reportagem no Jornal O Globo, a qual recomendo, os repórteres Henrique Gomes, Danielle Nogueira e Fábio Vasconcellos informam que “menos de 5% das empresas representam 52,5% das operações de crédito do BNDES”, e neste grupo privilegiado estão companhias de petróleo, energia, mineração e telecomunicações.

Ao invés do banco de fomento promover o financiamento a todos os segmentos produtivos, principalmente àqueles geradores de empregos em larga escala, tornou-se um hospital das empresas privadas e concentrou a liberação de financiamentos aos grandes grupos, pois 57 grandes empresas obtiveram no mínimo 1 bilhão de reais, cada uma delas. Em cinco anos, mais de 450 bilhões foram emprestados.

Aqui mesmo no Blog, diversos comentaristas alertaram para o endividamento do país e o perigo do retorno do garrote do FMI, principalmente após o financiamento dos estádios de futebol (12 arenas) para cumprir os compromissos com a FIFA. Hoje são elefantes brancos, como o de Brasília, por exemplo. O Consórcio do Maracanã deseja entregar o estádio para o governo do Estado, lógico, não está dando lucro.

Em síntese: nada acontece por acaso, assim como não há almoço grátis. E o fato principal é que a atuação do BNDES está totalmente desvirtuada.

SAUDADES DO LESSA

Depois que Lula demitiu da presidência do BNDES o economista Carlos Lessa, um homem culto, transparente e nacionalista, o hospital das empresas privadas perdeu a credibilidade. O uso do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para socorrer países e empresários amigos do poder é um escárnio à sociedade e im desrespeito ao trabalhador. O mais estarrecedor é o silêncio constrangedor das centrais sindicais. Por esta razão, os trabalhadores lentamente se desfiliam dos Sindicatos, cujos dirigentes pensam que estão no governo, mas no fundo não passam de marionetes usados pelo poder.

No governo de FHC, as centrais faziam muito barulho, que não deram em nada, pois os tucanos privatizaram o que queriam privatizar e provocaram o maior arrocho salarial da história do servidor público. Agora, as centrais deixam privatizar sem dar um pio e se quedam inertes diante das demissões provocadas pelo ajuste fiscal comandadas por um neoliberal da Escola de Chicago.

“ARREPENDIMENTO”

Agora, a partir da confissão dos “malfeitos” cometidos, entre os quais a formação de cartel, superfaturamento das obras públicas, associações com doleiros para envio de dinheiro público para o exterior sem informar a Receita Federal e doações aos Partidos Políticos de forma não republicana, os empreiteiros desejam pagar uma multa para receber novamente financiamentos do BNDES e demais bancos públicos e principalmente voltar às licitações públicas.

Não basta apenas ressarcir a Petrobras, os reflexos decorrentes dos “malfeitos” incidem sobre o imposto de renda e principalmente na Previdência Social. A sonegação ampla, geral e irrestrita sobre a Previdência é um dos importantes responsáveis pelo propalado déficit enfadonhamente anunciado pelos governos, que colocam a culpa unicamente no aumento das aposentadorias e sempre reduzem o aumento dos proventos abaixo da inflação, sob a alegação de que agem assim para não quebrar o sistema.

Quanto ao BNDES, tornou-se o principal realimentador da dívida pública, com o governo emitindo títulos remunerados pela Taxa Selic (13,75% ao ano), para que o banco de fomento empreste com base na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), a 6% ao ano. Um negócio sem sustentação, coisa de amadores.

 

 

2 thoughts on “BNDES é hoje o maior realimentador da dívida pública

  1. Parabéns, Nascimento. Não tiro uma vírgula de seu artigo. Nem mesmo a piada pronta.

    Direto ao ponto: O BNDES passou de “hospital das empresas privadas” num sentido igualitário e democrático, a um “hospital de privadas”, no sentido lato, ou no sentido “latro”, ou mesmo num exagero retórico, no sentido “látrico”, ou “latrínico”…
    Também, pudera! Sob a Escola de Chicago, queriam o quê?
    Perfume de flores? (:o)))

  2. Novamente ‘exportaram’ mais uma plataforma, para melhorar o saldo da balança comercial.
    ” Depois de um abril horroroso e um maio um pouco melhor, o governo lançou mão de uma ajudinha para minorar o problema da balança comercial.

    De acordo com dados oficiais, a balança comercial registrou um superávit de 1,976 bilhão de dólares na primeira semana de junho.

    Para isso, contou com a exportação de uma plataforma para extração de petróleo no valor de 690 milhões de dólares. Uma plataforma que foi “exportada”, mas nunca deixou o Brasil – e nem deixará.

    Assim, o vermelho da balança em 2015 até agora é de 329 milhões de dólares. Sem a plataforma o déficit teria ultrapassado 1 bilhão de dólares.

    Ressalte-se que o governo não está cometendo qualquer ilegalidade. Trata-se, porém, de um velho expediente, conhecido como Repetro (leia mais aqui). Mas que desde julho de 2014 não era usado.

    Por Lauro Jardim

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