Bolha imobiliária causa estagnação do mercado no país

Carlos Newton

O blog da Tribuna da Internet há dois anos vem informando sobre a bolha imobiliária e a desmedida e artifical “valorização” do preço de lotes, apartamentos e casas em todo o país. O mercado está em crise gravíssima desde 2011, as vendas caíram vertiginosamente, a oferta aumenta sem parar, mas não há demanda. Na crise, quem lucra é a mídia, porque as empresas do setor consequentemente têm maior necessidade de divulgar anúncios nos jornais, nas emissoras de TV e também na internet, onde sites e blog nunca tiveram tantas ofertas imobiliárias quanto agora.

A empresa que mais lucra com a crise, claro, é a Organização Globo, que inclusive fixa a superestimada cotação dos imóveis, mantendo-a sempre nas alturas, através do tal índice FipeZap (Zap é o braço imobiliário da Globo na internet).

E este domingo, em seu caderno imobiliário “Morar Bem”, pela primeira vez O Globo reconhece a estagnação do setor e até avisa que 2015 vai ser tão ruim quanto 2014. Só não diz que os preços estão desabando, porque, se o fizer, perderá muito$$$$$ anúncio$$$$$. Recentemente, a Globo faturou horrores organizando e promovendo a maior Mega Feira de Imóveis do país, com as 12 maiores empresas oferecendo simultaneamente 5 mil imóveis encalhados no Rio. Não venderam nada e agora finalmente a Globo admite que o setor está em crise.

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MERCADO IMOBILIÁRIO QUASE PARADO

Karine Tavares
O Globo

Um ano tão difícil como o que passou. Mesmo sem eventos como Copa do Mundo e eleições, que afetaram a economia e o mercado imobiliário, 2015 ainda deve ser de muitas dificuldades e resultados parecidos aos de 2014. Um ano em que os momentos de paralisação nas vendas e lançamentos se revezaram com períodos de retomada nas negociações.

— O mercado está emperrado. A percepção de que os valores atingiram o pico em termos reais afastou os investidores, enquanto que parte da oferta ainda espera receber valores acima do mercado atual — avalia o economista Marcus Valpassos, diretor da Galanto Consultoria. — Neste contexto, 2015 deverá ser de baixo crescimento ocasionado por contração monetária, fiscal e de consumo das famílias. O que pode impedir que o mercado imobiliário se recupere de forma mais extensa.

CRÉDITO

A surpresa do ano ficou por conta do crédito imobiliário, que apresentou um leve crescimento em relação ao ano passado. Um resultado explicado, em parte, pelo próprio ciclo do mercado imobiliário, que é de longa duração. Ou seja, boa parte dos financiamentos realizados este ano se referem aos imóveis lançados entre 2010 e 2012 e só agora repassados para o consumidor final. E também pela manutenção dos empregos e baixo índice de inadimplência.

— Os fundamentos para concessão do crédito continuam bons. Não houve uma alta tão grande dos juros ainda, e o nível de emprego e salários se manteve. Com isso, tivemos um crescimento de cerca de 5% no volume concedido, sobre o valor recorde de 2013 — afirma Octávio de Lazari Junior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Já os preços sofreram uma forte desaceleração, o que deve continuar ao longo de 2015. Segundo o FipeZap, até novembro deste ano, o índice composto — que mede os preços de sete cidades — foi de 6,3%, contra 11,7% no mesmo período do ano passado. No Rio, o acumulado até novembro passou de 13,8%, em 2013, para 7,1% este ano.

— Essa desaceleração deve continuar ao longo de 2015, quando os preços não devem subir mais que a inflação. Mas não acredito numa queda vertiginosa no Rio. A cidade ainda tem boas perspectivas com Olimpíadas, VLT nascendo, Porto se consolidando — diz Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio).

VOLTAR A CRESCER

Na construção civil, a atividade ficou muito aquém do esperado. A expectativa de crescer cerca de 2,5% não se confirmou, e a previsão é o setor não apresentar nada mais do que 0,5%. No ano passado, a expansão da construção fora de 1,6%.

— A gente cresceu muito abaixo do nosso potencial. Em grande parte por conta da perda da confiança dos investidores. É um setor de longo prazo, se não houver uma previsibilidade do que pode acontecer, o investimento arrefece e a atividade acaba diminuindo — diz Luís Fernando Mendes, economista chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), acrescentando que a previsão de 0,5% só deve se confirmar quando houver uma revisão dos dados. — Quando o IBGE divulgar os números, é possível que se fale num crescimento negativo de 5%, porque o que é usado como referência é a produção de materiais de construção, que realmente caiu. As empresas estão, sim, diminuindo a atividade, mas estão com bons estoques. O setor estava indo em outro ritmo e arrefeceu, mas 0,5%, que é o número no qual acreditamos, ainda não mostra necessariamente uma queda.

RIO ENFIM ADMITE CRISE

No Rio, embora os números tendam a ser melhores, por conta das obras de infraestrutura que ainda acontecem na cidade, houve queda de cerca de 15% no número de lançamentos de imóveis em relação a 2013. Um resultado que reflete as dificuldades do mercado ao longo do ano, mas que não é visto como algo totalmente ruim pelo setor, como explica o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi-RJ), João Paulo Matos.

— Passamos por um ano difícil, mas isso ajuda o setor a amadurecer. Existe um mau humor no mercado, um certo pessimismo, mas a longo prazo a valorização dos imóveis continua superior a outros investimentos. Tivemos um período em que o mercado absorvia tudo. Agora, para conquistar o consumidor, precisamos investir cada vez mais em qualidade — diz Matos, que acredita em crescimento de cerca de 5% em 2015, com 20 mil unidades lançadas, uma média que deve permanecer pelos próximos anos.

Para o economista Gilberto Braga, além de qualidade, será preciso ter criatividade:

—A diferenciação de lançamentos será um grande fator de vendas. As incorporadoras deverão oferecer boas plantas, unidades parcialmente mobiliadas, facilidades coletivas.

 

7 thoughts on “Bolha imobiliária causa estagnação do mercado no país

  1. Prezado Carlos Newton, desejo a você e a todos deste blog
    um feliz ano novo com saúde e paz e que não percamos a
    esperança, pois não há bem que sempre dure, nem mal que perdure.

  2. Existe a bolha é verdade, porém, os preços estão nas alturas. Onde procurar a lei da oferta e da procura? O Brasil teima em mudar as regras do jogo, no afã de sempre levar vantagens. Se ninguém está comprando, qual a razão de um imóvel de 70 metros quadrados custar R$ 390.000,00, conforme anúncio em jornais, oferecido por semanas no Recreio dos Bandeirantes?

    O fato é que o brasileiro adora levar vantagens, isso é sabido nas esquinas do país. Pois bem, qual a razão: Muitos espertinhos compraram imóveis, não para moradia e sim para especulação. Resultado, os preços dispararam e agora esses especuladores ficam com o mico preto e ainda choram pois têm que arcar com as despesas de condomínio e IPTU, em virtude da falta de compradores. A oferta aumentou, mas, as famílias endividadas não conseguem financiar os imóveis caros, que exigem uma renda acima de 5 mil reais.

    Se a situação persistir, não haverá outra alternativa, a não ser baixar os preços, se não quiserem que a bolha imobiliária exploda de vez.

    Ainda há o perigo da inadimplência dos imóveis que foram adquiridos com preços exorbitantes, fora da realidade do povo brasileiro.

    Não podemos fugir da realidade dos fatos, que consiste na ganância de uns e na falta de conhecimento dos outros, que caem no conto do vigário.

    O pior de tudo, é que não haverá mudança no ritmo dessa melodia, que parece com um disco arranhado.

  3. O Redator nada conhece de negócios e fica urucando o mercado. Se ele fosse um ‘Ronaldinho’ teria comprado um triplex no Guarujá por R$ 47.000,00 !

  4. Quem hoje compra imóveis no inflacionado mercado da cidade do Rio de Janeiro é louco, ou “sem noção”, como dizem os jovens.

    Passou a Copa e logo passarão as Olimpíadas. E o mundo percebe cada vez mais a grande ilusão que é esta cidade, que “um dia” foi “considerada” maravilhosa.

    Obras de infraestrutura mal feitas; poluição de praias, baías e lagoas; engarrafamentos por todos os lados; violência urbana crescente; saúde pública e suplementar caótica; transportes coletivos ineficientes, desconfortáveis e perigosos; saneamento básico extremamente deficiente; má prestação de inúmeros serviços públicos essenciais; corrupção visível nas 3 esferas de governo presentes; dentre muitos outros problemas.

    É duro… é doído… mas os cariocas e moradores do Rio precisam compreender que a máscara desta cidade se desmancha, dia após dia, nas chuvas torrenciais da realidade.

  5. Depois de quase 10 anos de Vendas excelentes e aumento do Estoque de Unidades, é natural que o Mercado fique quase saturado e as Empresas diminuam em +- 15% seus lançamentos, no Rio, e de uma maneira geral em todo o País. Uns Mercados mais, outros menos.
    Quanto ao fato dos Empresários quererem ganhar o máximo, isto é o esperado deles. Eu mesmo, pequeno Empresário da Construção Civil, tendo operado muitos anos no ramo, sempre quis ganhar o máximo possível, e não recusaria até um retorno de 100% sobre o Capital aplicado, MAS, sendo o Mercado da Construção Civil extremamente CONCORRIDO, nunca pude ganhar em média muito mais do que o LUCRO NORMAL, ( +- 20%aa), e algumas vezes tive que vender com PREJUÍZO. É assim que os Mercados Concorrenciais funcionam.
    Por mais que tivesse vontade de LUCRAR, no Mercado da Construção Civil, não cheguei a ficar MILIONÁRIO, apenas CLASSE MÉDIA, e não foi por falta de VONTADE.
    E é essa vontade de LUCRAR, o motor do crescimento Econômico, que gera Produção, Renda e consequentemente o estratégico EMPREGO, o mais importante de tudo.
    O Mercado agora passará por desaceleração, redução de estoques, para depois voltar a crescer forte, lá pelo ano de 2018, CAPICE.

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