Bolsa só para quem precisa. Para magistrados, não!

Murilo Rocha

O programa Bolsa Família, alvo preferido de ataques de eleitores contrários ao governo do PT, pagava em julho deste ano, em média, R$ 163 por família mensalmente. De acordo com a legislação, só tem direito ao benefício famílias com renda mensal de até R$ 154 por pessoa. No caso de uma família de quatro pessoas, por exemplo, na qual a renda mensal seja R$ 616 (teto para entrar no programa nesse caso), o salário de toda essa casa com a ajuda do governo federal chegaria a R$ 779 (considerando o valor médio do benefício).

BOLSA MAGISTRADO

Esta semana, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou o pagamento de auxílio-moradia a todos os magistrados do país e fixou em R$ 4.377,73 o valor do benefício – o mesmo previsto para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Terão direito à verba todos os juízes federais, estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar. A decisão permite aos juízes, com salário base de R$ 22,7 mil, no caso de Minas Gerais, receber a ajuda para custear a moradia, independentemente se já moram na mesma comarca onde atuam ou se possuem residência própria no local.

O dinheiro acrescido ao salário dos magistrados é cerca de 28 vezes superior ao valor médio pago aos beneficiários do Bolsa Família.

Ao contrário da ira contra o programa social, disseminada pelas redes sociais em comentários como “só serve para sustentar vagabundo” ou “o PT só ganha eleição porque fica dando esmola pra essa ‘gente’”, houve muito pouca indignação com o benefício concedido aos magistrados por eles mesmos.

ELEIÇÕES E CONSERVADORISMO

Apesar dos exageros em alguns casos, essa batalha quase campal disparada pelo segundo turno entre PT e PSDB de certa forma é positiva. Obriga muita gente a dar a cara, a se expor, a mostrar de qual lado está. E, de repente, percebe-se uma enorme onda conservadora presente na população e refletindo-se nas casas legislativas e também no Executivo.

Esse movimento não surgiu do nada, esteve sempre aí e ganhou força porque não foi combatido com políticas públicas implantadas por quem está (ou estava) no poder. Optou-se pela tal governabilidade, deixando bandeiras históricas de lado e alinhando-se com o que há de mais antigo e conservador na sociedade.

De certa forma, PT e PSDB, mesmo apoiados em visões diferentes de mundo, escolhem caminhos muito parecidos para se manter no poder.

E é mais interessante porque, mesmo havendo diferenças enormes entre os dois partidos responsáveis por polarizar a política nacional nos últimos 20 anos, nenhum dos dois apresenta uma política revolucionária ou proposta de ruptura com um modelo econômico gerador de desigualdade social. Mas há diferenças. (transcrito de O Tempo)

4 thoughts on “Bolsa só para quem precisa. Para magistrados, não!

  1. Artigo imbecil, que tenta manipular a opinião do leitor misturando meias verdades com uma conclusão camuflada do que o Brasil está vivenciando.

    O fato é que o que estamos presenciando é a luta entre um partido – o PSDB – e todos os brasileiros instruídos, contra uma facção criminosa comandada por uma organização suprapartidária comunista-leninista (fundada por Lula e Fidel Castro) para criar um poder hegemônico no Brasil e em toda a América Latina.

    É isto que tem de ficar claro para os incautos e idiotas úteis à facção petista!

  2. É evidente que não se pode pedir aos membros do judiciário brasileiro que abram mão dessa benesse, pois seria voltar-se contra a natureza humana, mas, pelo menos, que reconheça (ainda que intimamente) ser um absurdo privilégio, mormente se considerarmos as condições adversas em que vive nosso povo.

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