Bolsonaro acena ao baixo escalão das Forças Armadas, além das Polícias Militares e Bombeiros

Resultado de imagem para jair bolsonaro PMs

Bolsonaro investe para ter fortes ligações com os PMs

Deu no Correio Braziliense

A decisão do comando do Exército em não punir o general Eduardo Pazuello, que, na última semana, foi acolhido em outro cargo no Palácio do Planalto, gerou reação imediata de diferentes frentes políticas no Brasil. Analistas apontam que, para promover as seguidas intervenções na caserna, Bolsonaro se escora no “baixo escalão” militar, uma característica que manteve dos tempos em que chegou a capitão, oficial subalterno na gradação do Exército.

Para o sócio da Hold Assessoria Legislativa, André César, o chefe do Executivo está criando uma mobilização nas baixas patentes “porque elas falam a língua dele”, assim como as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros.

QUEBRA-CABEÇA – “O presidente está jogando, montando um quebra-cabeça, peça por peça, para fazer uma projeção que pode ser uma prévia de uma ação mais efetiva e mais dramática. Bolsonaro saiu da retórica para a ação. E essa ação pode se dar em cima dos bolsonaristas raiz, da Polícia Militar e do baixo escalão dos militares”, alerta André César.

Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, constitucionalista e doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo, tem uma visão semelhante. Ele destaca que Bolsonaro vem testando os limites das instituições e o desafio ao comandante do Exército foi mais um.

“Nenhum episódio de ruptura institucional acontece a partir de um ato isolado. É sempre uma soma de pequenos atos que podem culminar em um grande evento. O regime autoritário não se institui do dia para a noite. Ele testa as instituições. Já tivemos outras experiências no governo Bolsonaro e essa, claramente, é mais uma”, observou.

TOLERÂNCIA – A decisão do comandante do Exército, para o jurista, mostrou uma corporação disposta a tolerar ações políticas de seus agentes. “Imagine se fosse em um ato do Lula? As Forças Armadas proíbem ato político. Basta pensar: se fosse Lula e um general. Alguém ia dizer que não tem caráter político? As Forças Armadas já estão dizendo que são mais tolerantes com um grupo do que com o outro”, aponta.

Professor de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rodrigo Patto Sá Motta afirma que a decisão do comandante “acende um alerta e gera uma preocupação sobre qual postura o Exército vai tomar no cenário eleitoral”. “Talvez o que o Bolsonaro queira não seja garantir o alinhamento de todos, mas garantir um bloco forte ao lado dele. Talvez, nas contas que faça, isso seja suficiente”, diz.

O professor ressalta que o mais importante é observar quem estaria disposto a “dar um golpe” a favor do presidente.

CÁLCULO DO GOLPISTA – “Essa é a pergunta real. A decisão de não punir a indisciplina é muito ruim, porque indica a tolerância à anarquia e um aval para tomar medidas golpistas a favor do Bolsonaro”, afirma.

Segundo ele, entretanto, o “cálculo do golpista não é só dar o golpe, mas ter força para governar”. Nesse caso, sem o apoio da maior parcela população, do empresariado e da grande imprensa, a situação se complicaria, caso invista numa tentativa sem sustentação de dentro ou de fora do país.

Analista político do portal Inteligência Política, Melillo Dinis não vê risco de ruptura da ordem democrática com o apoio do Exército. “Duvido que o Exército tome partido a favor do presidente. Do ponto de vista geopolítico, isso é fechar o Brasil. Quem vai querer, num contexto que não é de guerra fria, num contexto internacional, se liquidar junto com Bolsonaro?”, questiona.

GEROU DESGASTE – A decisão do general Paulo Sérgio Nogueira, para Melillo, gera o desgaste da democracia, do Exército e do presidente. “Ninguém sai disso por cima. É ilusão achar que Bolsonaro saiu por cima desse episódio. Ele saiu com muitos problemas para resolver”, avalia. Para o analista, ao atropelar a disciplina militar para submeter aos seus objetivos, o presidente dá um salto no escuro “que vai ter volta do Exército enquanto instituição”.

No último dia 2, durante cerimônia de formatura do curso de aperfeiçoamento de oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, o coronel William Delano Marques de Araújo, que comanda a academia, encerrou seu discurso dizendo:

“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Em seguida, o coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, comandante-geral da PM-DF, concluiu sua fala da seguinte forma: “Deus os abençoe, muita sorte, sucesso. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. As frases remetem ao lema da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, que, aliás, participou do evento.

NO BAIXO ESCALÃO – Desde que assumiu, o presidente é frequentemente visto em cerimônias das polícias militares, tanto nos eventos de formação de oficiais quanto no de soldados. Para o professor Rodrigo Patto Sá Motta, professor de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a imagem que se projeta é a de que Bolsonaro comanda o Exército passando por cima dos regulamentos. Algo que, segundo ele, tem peso nas PMs, forças auxiliares à Arma terrestre.

“Muita gente tinha expectativa de que o Exército seria mais institucional, uma força da República, serviria de anteparo ao bolsonarismo nas polícias. Mas isso não se confirma. A sensação que fica é a de que uma aventura golpista, que, porventura, venha de policiais, pode não ter anteparo das Forças Armadas. Podem se omitir, lavar as mãos”, avalia.

Eleito com o apoio dos militares, inclusive dos policiais, e das categorias da área da Segurança Pública, é preciso observar de perto o movimento dessas corporações.

18 thoughts on “Bolsonaro acena ao baixo escalão das Forças Armadas, além das Polícias Militares e Bombeiros

  1. Bolsonaro nem mais comenta a revisão da falada tabela do IR que desde 2015 ela não foi atualizada.

    Pior que se assaltado, é pagar impostos para ladrões.

  2. Faz me lembrar Hitler em campanha. Ele usou um General herói da primeira guerra. Fez até passeatas lado a lado com o general. Usou a fama do herói em seu benefício, e deu no que deu….

    • Ronaldo,

      Uma pequena correção:
      O surgimento do partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, Nazi, teve como uma das causas do seu nascimento exatamente a omissão dos oficiais militares alemães porque derrotados na Primeira Guerra e porque não partiria desta aristocracia qualquer reforma política na Alemanha, derrotada e envergonhada pelo Tratado de Versalhes, posteriormente.

      Se algo acontecesse, deveria ser de cunho popular, ou seja, de baixo para cima, e não de cima para baixo.
      A ponto que foi autoria de Hitler o golpe contra o governo da Baviera, denominado de O Putsch da Cervejaria ou Putsch de Munique, a tentativa frustrada de golpe de Estado de Adolf Hitler e do Partido Nazista contra o governo da região alemã da Baviera, ocorrido em 9 de novembro de 1923.
      O objetivo de Hitler era tomar o poder do governo bávaro, e Munique era a capital dessa Província.

      Resultado:
      Hitler e alguns nazistas foram presos, e na cadeia foi onde o austríaco escreveu o seu livro Minha Luta.

      Não houve general algum ao lado de Hitler, na sua campanha política de ser o chanceler alemão anos depois.

  3. Bolsonaro se prepara para seguir presidente reeleito ou não.

    Não existe como ou quem o fará deixar o Planalto.
    Principalmente para Lula, se este vencer o pleito seguinte.

    Para concretizar a sua intenção prepara o apoio das PMs nacionais, bombeiros, milícias, e a sociedade que se armou para mantê-lo no poder.
    Ou Bolsonaro segue presidente ou haverá a tão esperada Guerra Civil neste País!

    O fim da nossa frágil democracia ou mesmo que seja apenas no nome, tem data para terminar.
    Encaminhamo-nos para uma ditadura cruel, genocida, violenta, pois a intenção é eliminar em definitivo qualquer resquício de comunismo e socialismo existente.

    A queda de Jango não possibilitou a vitória ampla sobre a esquerda, que sobreviveu até mesmo no período de exceção, quando apenas existiam dois partidos, sendo o MDB aquele que acolheu tendências socialistas e comunistas.

    O fim do regime de exceção encontrou um Brasil organizado politicamente, e com a esquerda participando efetivamente deste Brasil “redemocratizado”.

    Com o tempo, hoje temos governador comunista;
    ministros comunistas;
    deputados comunistas;
    senadores comunistas;
    prefeitos comunistas;
    vereadores comunistas;
    magistrados de tribunais superiores comunistas ou socialistas, como eufemismo de suas intenções.

    Para as FFAA, Bolsonaro pode ser o presidente que terminará o “serviço” incompleto dos militares nas décadas de 60 e 70.
    Em razão desta possibilidade concreta e viável, o Exército tem feito vistas grossas ao comportamento nocivo e nefasto do presidente.

    A projeção é para 2022.
    Lula não sendo eleito ou mesmo vencendo as eleições e não assumir, o petista encerra a sua carreira política pela idade e desgaste.

    A direita toma conta do poder totalmente, e será bem possível que, até mesmo, a ala esquerda do congresso desapareça, de modo que não haja possibilidade alguma de se gerar novas lideranças socialistas e comunistas com o tempo!

    Pensem nisso.

    • Não entendi muito bem teu comentário, caro Bendl.
      A menos que tenhas descrito como pensam os bolsonaristas. Comunistas? Hoje só de nome, pois há muito tempo, essa ideologia utópica morreu. O que existem são ditaduras.

      • Vidal, meu conterrâneo,

        A palavra comunista ainda é corrente no idioma de Bolsonaro, das FFAA e daqueles que sentem medo de perder seus privilégios e riquezas.

        Evidente que o comunismo em si foi extinto.
        No entanto, ainda temos o socialismo, mesmo que em roupagem mais moderna, mais adequada à época de hoje, que seria a social democracia.

        Pois até esta forma de regime é abolida da retórica bolsonarista.

        Abraço.
        Saúde e paz.

          • Vidal, meu conterrâneo,

            Postaste o óbvio.

            A questão é fazer com que as nações mais pobres do mundo também façam parte deste capitalismo “melhor”, que seria a social democracia.

            De nada adianta reconhecermos este regime como o mais adequado neste momento, se as nossas condições, principalmente advindas dos poderes constituídos, impedem que tenhamos uma vida não tão cruel para pobres e miseráveis.

            Ótima semana que ora inicia.

    • Caro Chicão,
      Eu acho que na verdade não existe comunismo, esquerda direita nem fascismo.
      Não há nenhum tipo de ideologia no Brasil.

      O que existem são quadrilhas muito bem organizadas entre os partidos políticos e todos os que tem detém poder.

      A finalidade é uma só, nos roubar!

      As ideologias se perderam no tempo e no espaço. Apenas se escondem atrás delas pra enganar o incauto eleitor.

      Um forte abraço e muita paciência pra aturar toda esta loucura.

      José Luis.

      • Espectro, meu caro amigo,

        Tens razão.
        Mas, no vocabulário da direita, das FFAA, dos bolsonaristas existe, e será sempre a ameaça que deverá ser contida.

        Expliquei para o Vidal, acima, essa mesma questão.

        Abração.
        Saúde e paz.

  4. Bolsonaro, se assim desejar, pode instaurar a sua ditadura sem efetuar um disparo. Notem que, hoje, quem ainda toma algumas contramedidas para arrefecer a gana do capitão rumo a sua distopia de totalitário, é o STF. Se Jair Messias conseguir convencer a PF a não mais acatar requerimentos do Judiciário e Ministério Público, tchau!
    Se é verdade que o egocentrismo e fome de poder de Lula ascendeu Bolsonaro ao Palácio do Planalto, quando recusou uma aliança Ciro/PT. Desta feita, a história poderá se repetir: o casuísmo do líder petista vai agir como um inimigo dentro de si; ajudando a se concretizar com Bolsonaro, o sequestro ensaiado por Trump

  5. Defende cloroquina e seu “garoto”-propaganda… mas se “vachina”…

    Diz que é contra tortura… mas vota em quem presta homenagem a torturadores…

    Diz que é contra corrupção… mas vota num ladrãozim mequetrefe que há trinta anos transformou seu gabinete (e posteriormente os dos filhos) no Escritório do Crime…

    Diz que é contra o Nazismo… mas vota no candidato que tem por lema o lema nazi alemão…

    Praticamente já não há mais diferença entre criminosos milicianos e membros das polícias e das forças armadas.

    O deus de malafalha, edir morcego, padre zezinho, divaldo frango definitivamente é o deus do dinheiro e da exploração.

    … Mas se até a Era dos dinossauros passou, certamente essa neo-Idade das Trevas também passará.

  6. Che, mas sobrou até para Divaldo Pereira Franco, Batista?
    Mas estás muito rancoroso.

    Se existe algum brasileiro que mereceria o Nobel da Paz seria o baiano Divaldo!
    Só a Mansão do Caminho, que ele sustenta com palestras, vendas de livros de sua autoria e doações, é algo que precisa ser reconhecido e agradecido por todos nós, independente da religião que se professa!

    Agora, gostas muito de acusar os outros, e de forma até mesmo desrespeitosa.
    Mas, conta prá nós, o que fizeste para Bolsonaro não vencer as eleições?
    Nada??!!

    Lavaste as mãos como Pôncio Pilatos, que não és, e também não creio que sejas a reencarnação do juiz romano, e agora queres sair de fininho ou incólume do desastre que tem sido Bolsonaro?!

    Não mesmo!
    Tens tanta culpa quanto quem votou no Bolsonaro, sim!
    Se não votarias nele e, pelo que dizes, também não darias o teu voto para Haddad, de que jeito queres criticar o eleitor que venceu o último pleito?!

    Haddad seria a continuação da roubalheira petista;
    Sobre Bolsonaro NÃO HAVIA QUEM IMAGINASSE a corrupção que seus filhos estavam envolvidos!!

    A questão era impedir Lula ou, na tua ótica, seria melhor que o PT vencesse as eleições??!!
    Mas que raio de conceito político tens, Batista?

    Repito:
    Este teu dedo em riste se volta contra ti mesmo.
    Bem ou mal, quem votou usou a única arma que tem disponível para mudar a situação;
    quem não votou, deixou em branco ou anulou o voto, lamento, tem mais é que se queixar para o bispo!

    Não haverá mais a Idade das Trevas.
    O que está acontecendo são trevas nos corações de muitos que, no lugar de contribuir, ajudar, esclarecer, tornam-se omissos, para depois pular no gogó de quem fez alguma coisa que tenha dado errado, mas fez!!

    Posição muito cômoda, convenhamos.

  7. Não conheço na história algum exemplo de golpe militar que tenha se originado praticamente unica e exclusivamente nos meios militares. Sempre há inumeros outros grupos e interesses apoiando e depois sutentando o golpe.
    Só para comparar com 1964 cade um politico de grande envergadura como Carlos Lacerda? Ou mesmo governadores de grandes estados? No máximo tem um obscuro governador do RJ que sequer foi eleito. E o apoio externo. EUA ou União Européia? Só se for para derrubar o Bozo.
    Vamos a um outro exemplo de golpe militar bem sucedido nos últimos tempos: No Egito os militares voltaram com tudo após um breve periodo democrático que acabou elegendo a irmandade muçulmana, uma escória que o Ocidente preferiu ver pelas costas, por isso chegaram a conclusão que uma ditadura militar é muito menos nociva aos interesses ocidentais do que os radicais muçulmanos. Definitivamente os militares brasileiros e principalmente o Bozo não se enquadram nesse figurino.
    Concluindo um golpe militar para implantar uma ditadura bolsonariana é algo totalmente insustentável, acho que não dura nem uma semana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *