Bolsonaro avalia afrouxar regras de isolamento social em parte do país

Bolsonaro diz que tem um projeto de decreto pronto para assinar

Thais Arbex
O Globo

Contrário ao isolamento social para conter o avanço do coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro estuda uma nova medida para determinar a retomada das atividades em parte do país. O governo passou a avaliar a possibilidade de flexibilizar normas restritivas em cidades pequenas e médias com baixo índice de casos da Covid-19.

Auxiliares de Bolsonaro dizem que a ideia é que o próprio Ministério da Saúde estabeleça os critérios, que garanta segurança à vida da população e dê respaldo aos governantes locais. Ainda não está definido se o melhor caminho seria um decreto presidencial ou uma medida provisória.

“ADEQUAÇÃO” –  O presidente, dizem aliados, tem defendido uma adequação das regras impostas por estados e município. A avaliação é a de que, em um país continental como o Brasil, não é possível estabelecer uma única norma para diferentes realidades.

A logística para a determinação de parâmetros técnicos pelo Ministério da Saúde não é, no entanto, de fácil execução. Existem no país, por exemplo, muitas cidades-dormitórios que não concentram casos da Covid-19, mas têm potencial para se tornarem centros de disseminação da doença caso seus moradores sejam liberados para a retomada das atividades. O vai e vem de trabalhadores, nesses municípios, poderia dar impulso à circulação do vírus.

ESTRUTURA – Auxiliares de Luiz Henrique Mandetta têm defendido que qualquer tipo de flexibilização de medidas restritivas só pode ser executada a partir do momento que o sistema de saúde estiver bem estruturado. O importante, dizem, é que haja a garantia de atendimento eficaz.

A avaliação no Ministério da Saúde é a de que, para que haja qualquer tipo de liberação das atividades, será preciso estabelecer uma série de requisitos — entre os quais, por exemplo, a quantidade de leitos de UTI disponíveis naquela localidade. A pasta comandada por Mandetta está compilando os dados de todo o país para ter um quadro mais realista e, assim, dar respaldo a um plano nacional de combate ao coronavírus.

ALTERNATIVA –  Ministros que apoiam a proposta dizem que uma “customização” é uma saída para a retomada, ainda que gradual, de parte da atividade econômica no país. Mesmo que os grandes centros não atendam aos requisitos para o fim do isolamento social, a avaliação é a de que a solução intermediária pode ser benéfica.

O trabalho conjunto com a Saúde, avaliam integrantes do governo, também é importante para dar segurança jurídica ao Palácio do Planalto. Bolsonaro tem recebido uma série de sinalizações de que qualquer ato que contrarie as recomendações da ciência e da medicina seria derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

DECRETO – Nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que pode assinar um decreto para afrouxar o isolamento social nos estados. “Eu tenho um projeto de decreto pronto na minha frente para ser assinado, se preciso for, considerando atividade essencial toda aquela exercida pelo homem e pela mulher através da qual seja indispensável para levar o pão para a casa todo dia”, disse.

“Eu, como chefe de Estado, tenho de decidir. Se tiver que chegar a esse momento, eu vou assinar essa medida provisória. Agora, sei que tem ameAça de tudo o que é lugar para cima de mim se eu vier a assinar. Até de sanções tipo buscar um afastamento, sem qualquer amparo legal para isso”, finalizou.

13 thoughts on “Bolsonaro avalia afrouxar regras de isolamento social em parte do país

  1. Fora do tópico:

    Caros Editores,

    Sem esgotar os temas, importante a denúncia, abaixo, da Dra. M. L. Fatorelli (Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida).

    Att,
    Christian.

    https://auditoriacidada.org.br/conteudo/note-tecnica-pec-do-orcamento-de-guerra/

    NOTA TÉCNICA ACD NO 1/2020 “PEC DO ORÇAMENTO DE GUERRA”
    01 de abril, 2020

    O Objetivo dessa PEC do Orçamento de Guerra” é legalizar a indecente remuneração da sobra de caixa dos bancos que desviou, de forma ilegal, cerca de R$ 1 trilhão de recursos públicos em 10 anos (2009 a 2018), segundo dados do balanço do próprio Banco Central, além de jogar os gastos com a calamidade do coronavírus nas contas das áreas sociais!

    Maria Lucia Fattorelli

    • É eu acho que esses recursos deveriam ficar guardados mesmo e o povo morrer na minguá, é isso que a tal doutor ta dizendo.
      Não existe recurso disso ou daquilo, só recurso do erário.

  2. Bolsonaro, dê graças a Deus que governos e prefeitos tomaram a iniciativa de tomar decisão sobre restrição de locomoção em cada um de seus estados e municipios. Isso não te rebaixou, na verdade te livrou de um “abacaxi” impossível de ser descascado.
    Assim o que é necessário em São Paulo, Rio de Janeiro ou Fortaleza, talvez não seja necessário em Palmas, em Caxambu ou em Cuiabá. Apenas declare que está disposto a fazer o possivel para dar todo apoio e grau de segurança para que cada prefeito e/ou governador possa tomar as melhores decisões para os seus municipios e estados.
    Uma boa maneira de ajudar, seria liberando recursos para uso urgente de testes que poderiam balizar mais adequadamente a necessidade de confinamento em cada municipio, distrito ou bairro.Talvez seja possivel se fazer por amostragem. Tudo dentro de minimos padrões cientificos, sem panico ou decisões tresloucadas de liberar todos cegamente sem ter noção dos riscos de colapso da estrutura de atendimento.
    Parece um pouco tarde, mas ainda há tempo para que crie um minimo de juizo e pare de se atritar e trabalhe junto com seu ministro da saúde, os governadores, os prefeitos e os outros poderes na solução dessa crise gravissima.

  3. “Vocês agem como se a epidemia pudesse ser controlada ao longo de algumas semanas, ou no máximo meses”, disse ao Corriere della Sera, o jornal de Milão, no foco da pior mortandade do mundo por Covid-19.

    “Nós, ao contrário, estamos tentando diminuir seu ritmo porque acreditamos que essa doença não vai desaparecer tão cedo e teremos que conviver com ela a longo prazo. Pelo menos até a introdução de uma vacina, o que levará anos”.

    “Tentar represar uma epidemia pode até ser contraprodutivo porque uma vez que a cadeia de contágio é retomada, é possível que a situação se torne ainda pior”.

    “Não podemos parar a economia por tempo ilimitado. Mais cedo ou mais tarde, seríamos obrigados a reabrir tudo e a situação poderia piorar mais ainda. Não podemos excluir o risco de recidiva, não temos informação suficiente sobre o vírus”.

    Não! não é o Bolsonaro que está falando isso … é um ministro sueco, epidemiologista, encarregado da ‘guerra’ ao comunavírus … ou será o Bolsonaro?

    Essas notícias você não vê na página principal da TI.

    https://veja.abril.com.br/blog/mundialista/o-ex-metalurgico-e-sindicalista-que-nao-fechou-a-suecia/

  4. Bolsonaro é persistente, (cri cri) em defender o afrouxamento das regras de isolamento.
    Temos que agradecer aos governadores, prefeitos e Ministério da Saúde pelo combate ao coronavírus e com certeza vencerem essa pandemia

  5. O sistema de saúde da Suécia é que está tomando as rédeas para lidar com o Corona e as restrições estão aumentando. O primeiro ministro, como de costume, não se mete muito nos assuntos de saúde.

    “NOTÍCIAS
    43 pessoas na Suécia morreram na covid-19 nas últimas 24 horas.

    Ao mesmo tempo, outras 519 pessoas foram confirmadas como infectadas pelo coronavírus.

    – É o máximo que temos há um dia, diz o epidemiologista estadual Anders Tegnell.”

  6. Isso não é piada.

    Bolsonaro, não deveria nunca mais usar a palavra : “Economia”.
    Deveria substitui-la por uma palavra do povo : “Emprego, comida e segurança”.

    Devemos combater o vírus; mas não podemos descuidar da economia.

    Ficaria assim :

    Devemos combater o vírus; mas não podemos descuidar do emprego, segurança e alimentação do povo.

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