Bolsonaro continua a usar indevidamente o nome das Forças Armadas

Pujol quer distância - O Antagonista

Édson Pujol, comandante do Exército, mantém-se em silêncio

Carlos Newton

Quando apoiaram decididamente a candidatura de Jair Bolsonaro, as Forças Armadas (leia-se: os Alto Comandos, especialmente o do Exército) julgaram que poderiam usar Bolsonaro – no bom sentido – para implantar um governo progressista e nacionalista, que retomasse o desenvolvimento socioeconômico. Por se tratar de um capitão, pensaram que ele respeitaria os oficiais superiores e os teria como conselheiros, dada sua inexperiência administrativa.

Os principais avalistas foram o próprio comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e os generais Augusto Heleno e Hamilton Mourão, é claro. O objetivo deles era tirar o PT do poder e reativar a economia, para diminuir a desigualdade social.

ADESÃO EM MASSA – Com o aval desses três respeitadíssimos líderes militares, houve adesão em massa à candidatura de Bolsonaro. Milhões de brasileiros que preferiram outros candidatos no primeiro turno, como Ciro Gomes. Geraldo Alckmin, João Amoêdo, Henrique Meirelles, Marina Silva e Alvaro Dias, apoiaram o capitão no segundo turno, garantindo a vitória dele.    

Este blog, aliás, está cheio de eleitores que votaram em Bolsonaro apenas no segundo turno, tentando escolher o menos pior, digamos assim

Esses apoiadores da undécima hora também pensaram que Bolsonaro tivesse discernimento suficiente para usar os militares – sempre no bom sentido – e fazer um bom governo, mas o sonho acabou antes de se completar o primeiro ano e meio de gestão.

CONTRANGIMENTO – Excluindo-se os fanáticos de sempre e os eleitores que ainda consideram ter valido a pena, porque pelo menos foi alcançado o objetivo de derrotar o PT, a decepção e o constrangimento com o comportamento de Bolsonaro são crescentes e estão se tornando consensuais entre as camadas mais esclarecidas da opinião pública, inclusive os próprios militares.

É claro que, quando se fala hoje em governo Bolsonaro, a expressão automaticamente abrange os três filhos, o guru virginiano e a ala ideológica terraplanista, também conhecida como “Gabinete do Ódio”, que continua funcionando no terceiro andar do Planalto, onde está instalado Carluxo Bolsonaro, na sala destinada ao assessor internacional Filipe Martins.

Ninguém poderia prever a situação atual e as cúpulas da Forças Armadas estão estarrecidas com a postura dos Bolsonaro, que desde o início do governo vêm defendendo a AI-5 e a intervenção militar com o desequilibrado capitão à frente, como  isso pudesse se possível, vejam a audácia e a desfaçatez dessa família.

AUMENTANDO O TOM – Com o passar do tempo, Bolsonaro e seus penduricalhos, incluindo o abominável e prestigiado ex-ministro Abraham Weintraub, foram aumentando o tom na ameaça de um golpe, como se tivessem procuração dos militares para falar em nome deles.

Essa farsa durou até último dia 12. A pretexto de responder a uma decisão do ministro Luiz Fux, na qual deixou claro que a Constituição não atribui Poder Moderador às Forças Armadas, o presidente Bolsonaro mandou o ministro Jorge de Oliveira, da Secretaria-Geral, redigir uma resposta ameaçadora.

O texto  da nota oficial dizia que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas” e destacava que “também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”.

EXÉRCITO DISSE NÃO – Bolsonaro queria que a nota fosse assinada pelo três comandantes das Forças Armadas, mas o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, que no final de 2018 trabalhou como consultor do atual presidente do Supremo,  conseguiu demovê-lo do que seria um grito de guerra contra o Judiciário. E a nota saiu apenas com as assinaturas de Bolsonaro, do ministro Azevedo e do vice Mourão. Foi uma bomba que não explodiu.

Em tradução simultânea, isso significa que Bolsonaro já não representa as Forças Armadas, que têm uma péssima avaliação do governo e estão temerosas de que a falta de compostura do presidente venha a atingir excelente imagem e o ótimo conceito que os militares construíram desde o fim da Revolução de 64.

Os chefes militares estão em silêncio e Bolsonaro continua se comportando como se fosse porta-voz deles. Neste domingo, no velório do paraquedista, disse que “as Forças Armadas são defensoras da democracia”. É uma frase óbvia, mas não se adapta ao atual governo do Brasil, que vive hoje numa felliniana malucocracia.     

10 thoughts on “Bolsonaro continua a usar indevidamente o nome das Forças Armadas

  1. É uma vergonha o que muitos maus militares mercenários estão fazendo. Entrando de cabeça num desgoverno de um psicopata criminoso, eles acabarão manchando a imagem das FFAA, perante o Brasil e o mundo, e talvez algumas décadas sejam necessárias para se reverter isso.

  2. Não adianta rapaziada, os verde oliva (graças a Deus) estão fechados com presidente. Volto a afirmar aqui nessa TI cooptada pelo sistema, o Bolsonaro já está reeleito e vcs da esquerda corrupta e vagabunda terão de aturar o mito até 2026. Fica triste não, arranjem outra boquinha.

  3. Quando o senhor juntou a palavra discernimento ao nome Bolsonaro, me senti ofendido. Daí em diante toda a sua análise perdeu contéudo pela suposição inaceitável de que Bolsonaro é racional (refiro-me áquele algo mais que separa o homo sapiens das demais espécies quadrúpedes ou bípedes com asas).

  4. Como o alto comando é inocente, Bolsonaro quando tenente, esquematizou um ato terrorista, poderia vir alguma coisa boa daí, é muita inocência mesmo, enganou ao alto comando, a mim não, se fosse um soldado que tivesse feito isto, com certeza teria sua farda rasgada e seria preso, mas Bolsonaro foi absolvido é ainda foi reformado com mais uma patente; que castigo bom.

  5. Faz tempo que não leio tanta fantasia na forma de jornalismo. Parabéns pela criatividade CN.

    Exs. “Com o aval desses três respeitadíssimos líderes militares, houve adesão em massa à candidatura de Bolsonaro.” Narrativa de pura ficção.

    “os Alto Comandos, especialmente o do Exército julgaram que poderiam usar Bolsonaro – no bom sentido – para implantar um governo progressista e nacionalista, que retomasse o desenvolvimento socioeconômico.” Ganhou o prêmio Piada de ano por antecipação.

    “Forças Armadas, que têm uma péssima avaliação do governo e estão temerosas de que a falta de compostura do presidente venha a atingir excelente imagem e o ótimo conceito que os militares construíram desde o fim da Revolução de 64.”

    Se os militares tem excelente imagem isso se ocorreu apenas ao afastamento dos militares da política.

    CN esta perdendo a mão, na hora de criar suas narrativas fantasiosas, que apenas refletem seu saudosismo da ditadura militar.

  6. “Os chefes militares estão em silêncio e Bolsonaro continua se comportando como se fosse porta-voz deles.”

    O Presidente da República é o porta voz do povo brasileiro e por força de Lei (Constituição Federal) é o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

    Supremo é o povo.

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