Bolsonaro convoca aliados para anunciar saída do PSL e estratégia para criação de legenda

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Naira Trindade
Bruno Góes
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro convidou deputados do PSL a participarem de uma reunião na tarde desta terça-feira, dia 12, no Palácio do Planalto para informar que deverá se desfiliar da legenda. No encontro, o presidente deve anunciar também a estratégia para criação de uma legenda.

Segundo a colunista Bela Megale, a campanha para a criação da nova sigla pode ser lançada ainda nesta semana, com um site e um aplicativo. Ainda de acordo com a colunista, caso os aliados de Bolsonaro não consigam levar o fundo eleitoral do PSL para o novo partido, a ideia é adotar um modelo similar ao do partido Novo, com cobrança de mensalidades, além de realizar vaquinhas online, o chamado “crowdfunding”.

SEGREDO – No início da noite desta segunda-feira, dia 11,, Bolsonaro confirmou reunião com deputados para tratar de novo partido, mas se recusou a revelar o nome da legenda. “Vou tratar amanhã à tarde com a bancada. Não posso definir agora assim”, respondeu aos jornalistas ao chegar no Palácio da Alvorada.

Ao ser questionado se o nome de seu novo partido será “Aliança pelo Brasil”, como vem sendo divulgado, Bolsonaro não quis confirmar. “Não está certo nada ainda. Se não depois vocês vão falar que eu recuei.  Deixa eu tomar conhecimento do que está acontecendo amanhã”, respondeu.

DESFILIAÇÃO – O Globo apurou que o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, foi informado de que Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) assinaram a desfiliação na quarta-feira da última semana, mas ainda não entregaram o documento ao partido.

Bolsonaro e Flávio podem ficar sem partido até que o grupo bolsonarista decida se vai se filiar a outra legenda, incorporar ou até mesmo trabalhar pela criação de um partido. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não pode se desfiliar porque corre o risco de perder o mandato.

ARTICULAÇÕES – Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Admar Gonzaga encabeça os trabalhos ao lado da advogada Karina Kufa para tornar viável a criação de uma legenda para o presidente e os 20 parlamentares que já sinalizaram sair do PSL com ele.

A ideia é que o presidente use sua rede de apoio na militância bolsonarista para recolher 500 mil assinaturas e dar início ao processo de criação no TSE. Na Câmara, o filho do presidente e líder do PSL, Eduardo Bolsonaro (SP), disse que a reunião vai tratar sobre o futuro político do presidente e de seus aliados.

“Não sei se ele vai fazer isso aí (anunciar a saída da legenda). Eu acho provável. O que tudo indica é que sim. A gente vai bater um papo com a maioria da bancada dos deputados do PSL para ver como é que fica essa situação”, disse Eduardo.

“ATÉ A LUA” – O deputado afirmou ainda que a maioria deve seguir o presidente da República. No seu caso, Eduardo disse que iria “até a lua” com Jair Bolsonaro.

“Amanhã, na reunião no Palácio do Planalto, junto com a maioria dos deputados do PSL, ressalvado uma meia dúzia que tem entrado em conflito frontal com o presidente, a gente vai decidir a questão partidária. Se for um novo partido, se formos migrar para um partido já existente, ou mesmo quais deputados estão dispostos a fazer isso, a gente vai decidir amanhã nessa reunião. É um momento chave para os deputados que estão no PSL”, acrescentou.

JANELA – Um dos convidados, o deputado federal Bibo Nunes (RS) afirmou que vai aproveitar o encontro para manifestar também seu interesse em deixar o PSL, quando houver uma janela legal para saída. Ele não pode deixar a legenda neste momento sob pena de perder o mandato.

“É uma reunião para falarmos do momento político, e o Bolsonaro anunciar a desfiliação dele do PSL. Assim, como eu vou anunciar que de fato já estou fora do PSL e quero que acelerassem minha expulsão”, disse Bibo Nunes.

A reunião está marcada para as 16h, na Sala de Audiências do Palácio do Planalto, que fica no 3º andar, a poucos metros do gabinete presidencial. Dos 53 deputados federais do PSL que estão em exercício, sete ficaram de fora da lista de convidados de Bolsonaro, entre eles o presidente nacional do partido, Luciano Bivar (PE).

IGNORADOS – Também foram ignorados o ex-líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO) e a ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (SP), além de Heitor Freire (CE), Julian Lemos (PB), Júnior Bozzella (SP) e Professora Dayane Pimentel (BA).

O ministro da Secretaria de Governo e articulador político do Planalto, Luiz Eduardo Ramos, também deve participar do encontro.

“ALIANÇA” – No domingo, o colunista Lauro Jardim revelou que o nome preferido de Bolsonaro para a nova legenda é Aliança. O nome, aliás, remete, não se sabe se propositalmente, à extinta Aliança Renovadora Nacional, Arena, o partido de sustentação da ditadura.

Advogados do presidente acreditam que a criação de uma sigla passou a entusiasmar Bolsonaro depois de ele ouvir que, se mais da metade dos deputados do PSL migrarem para a nova legenda, há chance de levarem consigo parte do fundo partidário de R$ 110 milhões ao ano.

CONTRA O TEMPO – Segundo O Globo apurou, Bolsonaro já admite que pode não ter tempo hábil para que seus aliados disputem as eleições municipais na nova legenda. Isso porque o presidente sabe que o TSE pode ter dificuldade de conseguir analisar 500 mil assinaturas até abril do ano que vem.

Há três semanas, durante uma viagem a Abu Dhabi, Bolsonaro disse que “não teria dificuldade” em criar um partido. À época, ele disse que um bom nome para uma nova sigla seria Partido da Defesa Nacional.

“É um nome bonito, né? Tem que ser um nome que agregue”, disse o presidente. “O ideal agora seria ser xifópago (gêmeos que nascem ligados), seria separar. Nunca saltei de paraquedas sem um extra. Essa possibilidade sempre vai existir. O ideal é um novo partido. Não teria dificuldade em criar”, disse, à época.

CRISE – A crise no PSL começou após Bolsonaro pedir a um apoiador, na entrada do Palácio da Alvorada, para esquecer o PSL e dizer que o presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), está “queimado para caramba”. Em resposta, Bivar disse que Bolsonaro já estava afastado da sigla: “A fala dele foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido”.

O partido chegou a  convocar uma reunião emergencial na Câmara com deputados e senadores para avaliar os desgastes após a declaração do presidente Bolsonaro. Aliados do presidente também começaram a se articular para a criação de um novo partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A questão agora são apenas as formalidades, pois o PSL há semanas espera a saída de Bolsonaro para dar um passo adiante e tratar de uma possível fusão com o DEM. Bivar, inclusive, tem acenado para Rodrigo Maia e reiterado o alinhamento da legenda às pautas futuras, sem se opor ao governo; possibilidade que tem deixado o presidente da Câmara com a pulga atrás da orelha. Alguns caciques democratas já declararam que o melhor é não se meter na briga entre bolsonaristas e bivaristas. Ao menos enquanto o cabaré estiver pegando fogo. Razão pela qual nenhum compromisso público foi assumido até o momento pelo DEM. A fusão entrará na pauta, porém longe de desavenças. O “gingado” do fundo (milionário) do PSL é pra lá de atraente e chamativo. No bom sentido, se possível for.(Marcelo Copelli)

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