Bolsonaro diz que abrir processo contra ele sem apoio de Aras significará que estamos numa “ditadura”

 (crédito: Miguel Schincariol/AFP)

Não querem obedecer à Constituição, reclama Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (19/8) que está aberto ao diálogo, citando os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Luis Felipe Salomão.

No entanto, voltou a atacar os magistrados e disse que a instabilidade política causa a elevação de preços no país. “Não estou atacando ninguém, nenhuma instituição. Algumas poucas pessoas estão turvando as águas do Brasil”, afirmou.

ABERTO AO DIÁLOGO? – “Quero paz, quero tranquilidade. Converso com o senhor Alexandre de Moraes, se quiser conversar comigo. Converso com o senhor Barroso, se ele quiser conversar comigo. Converso com o Salomão, se ele quiser conversar comigo. E vamos chegar num acordo. Toda vez que há um problema, mexe no dólar, mexe no preço do combustível, tem inflação, tem dor de cabeça para o povo todo, em especial o mais pobre e humilde. É pedir muito o diálogo? Da minha parte nunca vou fechar as portas para ninguém”, alegou a apoiadores, momentos antes de participar de um evento em Cuiabá.

Bolsonaro disse ainda que não se pode abrir um processo contra o presidente da República sem ouvir o Ministério Público. “Isso é ditadura”, caracterizou.

“Da minha parte, não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal”, assinalou.

DESMONETIZAÇÃO – “Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico. Daqui a pouco os TREs vão fazer a mesma coisa. O TER, que é mais ligado com governador, vai perseguir aqueles que apoiam ou que tem uma visão diferente da candidatura daquele governador”, disse o presidente, momentos antes de participar do seminário de Etnodesenvolvimento e Sustentabilidade no Centro-Oeste em Cuiabá.

No começo do mês, após se tornar alvo de inquéritos no STF e no TSE, por fazer ameaças às eleições, o chefe do governo questionou a legalidade desses procedimentos e disse que, em resposta, poderia atuar fora “das quatro linhas da Constituição”.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro completou que “alguns pouquíssimos” querem “atuar fora das quatro Constituição” e criticou o que caracterizou de “ditadura branca” nas mídias sociais. “Nós jogamos dentro das quatro linhas da Constituição. Alguns pouquíssimos querem jogar fora dela. Não podemos aceitar uma ditadura branca em nosso país com cerceamento das mídias sociais”.

SETE DE SETEMBRO – Ele anunciou também que no Dia da Independência, 7 de Setembro, participará de duas manifestações: uma em Brasília e outra em São Paulo.

“Perguntam onde estarei no dia 7. Estarei, como sempre, onde o povo estiver. Posso adiantar, pretendo estar na Esplanada dos Ministérios. Pretendo, à tarde, estar na (Avenida) Paulista e convido qualquer político a comparecer ao evento. É a nossa segunda Independência. Se é difícil lutar com liberdade, imagine sem liberdade”.

Por fim, o chefe do Executivo ainda falou sobre marco temporal, que se refere à demarcação das terras indígenas. A previsão é de que o presidente do Supremo, Luiz Fux, paute o caso no dia 25 de agosto.

“O STF botou em pauta novamente a questão do marco temporal, ou seja, já estava decidido. O que nossos irmãos indígenas ocuparam em 1988 é deles, é justo, é direito, ninguém é contra isso. Mas o STF quer reabrir para centenas e centenas de novas áreas. Tem áreas com Ianomami, que ninguém vai discutir aqui, equivalentes a dois estados do Rio de Janeiro para 10 mil indígenas”. “Vão inviabilizar o Brasil. Áreas enormes para meia dúzia de pessoas”, concluiu.

19 thoughts on “Bolsonaro diz que abrir processo contra ele sem apoio de Aras significará que estamos numa “ditadura”

  1. E manter Aras, que transformou a PGR em um aparelho oficial bolsonarista e não em órgão de estado me parece ser algo mais afeito a pretensões ditadoriais. Bem estilo Venezuela, onde os órgãos de estado foram travestidos pelo chavismo para fingir que existe uma democracia.

  2. Não tou atacando ninguém. Só os ministros do STF, todos os que o criticam, o Doria, o Mandetta. E o povo!
    Esse cara é doido varrido e irresponsável.

  3. Sylvio Rocha, mesmo que fosse verdade o que você diz sobre Aras, isso não justificaria juiz ser delegado e ao mesmo tempo, vítima e promotor. Promotor é o Aras. Cada um no seu quadrado, cada macaco no seu galho!

  4. Quando eu era menino corria um dito popular nas asas do vento:

    “Agosto é mês de cachorro louco.”

    Pois bem: em qual dia da semana, mês ou ano – o comportamento de BROXAnaro será sempre de cachorro louco.

  5. Mas se foi ele próprio quem colocou o PGR Augusto Aras, não encontrando nem mesmo similitude com seus antecessores, nomeados por Dilma, Lula, FHC… sempre entre os integrantes da lista, não importa se mais votado, ou menos. Mas sempre da lista. Nunca fora dela.

  6. Ah, coitado, vai amargar alta do Dólar, da inflação e instabilidade Bolsa de Valores até o último dia de seu mandato, entregando o poder ao eleito ou tentar dar o golpe.

  7. Bolsonaro disse ainda que não se pode abrir um processo contra o presidente da República sem ouvir o Ministério Público. “Isso é ditadura”, caracterizou.
    O que ele disse difere da manchete onde está:
    “Bolsonaro diz que abrir processo contra ele sem apoio de Aras significará que estamos numa “ditadura”
    Apoio de Aras?
    Será que alguém aqui acha que todo mundo é burro?
    Jornalismo que adere as teses da esquerda se isso lhe render alguma vantagem pessoal só engana aos amestrados.

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