Bolsonaro e Braga Netto se equivocam em ataque contra Omar Aziz, presidente da CPI

Omar Aziz criticou os oficiais do Exército envolvidos em acusações

Pedro do Coutto

Na noite desta quarta-feira, o ministro da defesa, general Braga Netto, redigiu uma nota juntamente com o presidente Jair Bolsonaro sustentando que as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro. Reportagem de Jussara Soares e Julia Lindner, O Globo de hoje, publica um documento que consta também o apoio dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Acontece que o senador Omar Aziz não atacou de forma alguma as Forças Armadas, e sim criticou os oficiais do Exército envolvidos nas acusações a respeito do episódio da compra de vacinas mediante a atuação do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Luiz Paulo Dominguetti. Um escândalo tendo como alvo uma aquisição fantástica de 400 milhões de imunizantes.

GENERALIZAÇÃO – Os oficiais citados não só por Omar Aziz, mas também por demais membros da CPI, não representam tanto o Exército quanto as Forças Armadas. Portanto, na minha opinião, o documento redigido no Planalto faz, ele sim, uma generalização que não foi cometida, e que foi usada para, no fundo da questão, defender contraditoriamente o governo no caso do Ministério da Saúde.

Tanto havia suspeitas graves que o governo Bolsonaro demitiu o então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, do cargo que ocupava em decorrência direta das dúvidas sobre a sua atuação, colocadas em destaques pelo cabo da Polícia Militar.

Em nenhum o senador pelo Amazonas, presidente da CPI, atacou as Forças Armadas. Ele, Omar Aziz, não as desrespeitou. Pelo contrário, restringiu suas críticas a uma corrente que age acima da lei  e que mancha as fardas que vestem. Mas, nem por um centímetro, por sua conduta, agridem o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.

NEGOCIAÇÃO –  A citação do senador é evidente e restringe-se aos coronéis que participaram de uma negociação com Dominguetti, cabo da PM que responde a 37 procedimentos administrativos e que surgiu como intermediário de uma empresa, por sua vez também intermediária, da vacina indiana Covaxin.

O presidente Bolsonaro encontra-se desorientado, não pela CPI, mas pelos fatos. Assunto, inclusive, da competência do ministro Marcelo Queiroga que demitiu Roberto Ferreira Dias por sua aproximação com Dominguetti e cuja presença tanto na Saúde quanto no jantar do shopping é inexplicável pelas regras da lei.

EQUÍVOCO – O presidente da República e o general Braga Netto cometeram um equívoco já que o Exército brasileiro não pode ou se dispõe a fazer qualquer movimento capaz de beneficiar atores da corrupção que lutaram pela comissão acreditando estarem imunes tanto á Covid-19 quanto à letra da lei.

No momento em que escrevo esse artigo, está depondo a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde Francieli Fantinato. Ela foi exonerada ontem pelo ministro da Saúde. Afirmou no início de seu depoimento que foi afastada em consequência da pressão política contra ela e de sua posição a favor da vacinação, mas sem interesses ocasionais de grupos.

7 thoughts on “Bolsonaro e Braga Netto se equivocam em ataque contra Omar Aziz, presidente da CPI

  1. Se tivéssemos que “perdoar”: entre os militares e os eleitores de Bolsonaro, sem sombra de dúvidas, “perdoaríamos” os eleitores; ambora o capitão, há 28 anos já viesse prenunciando de modo ostensivo – como deputado federal – aquilo que ele poderia aprontar revestido de um cargo de mando. E tudo se passava a distância sob a perspectiva televisiva, o que sugere um histrionismo de marketing politiqueiro.
    Os colegas de farda, ao contrário, já conheciam o Jair Messias de perto e sabiam do que ele seria capaz de perpetrar contra as pessoas e instituições, inclusive, aquela sagrada para ele, a qual ele a utiliza para afrontar e hostilizar a tudo e a todos – o EXÉRCITO!

    • Militares que se conluiaram com Bolsonaro, talvez sejam bandidos enrustidos ou coonestados, que aproveitaram tomar carona, na conduta podre e devassada de um colega que atingiu o topo do poder.

  2. Quem quer respeito que se dê ao respeito! Quem é que incentivou e decidiu “aparelhar” o ministério da Saúde com dezenas de milicos, que sequer eram formados em medicina. É fato que nas 3 forças existem militares formados em medicina e que depois entram concursados para elas, mas nem esses ao que eu saiba foram colocados no ministério pelo General Pazzuello, que fez questão de tirar todo um corpo tecnico que trabalhava tanto com Mandetta como com vários outros ministros da Saude.
    Agora depois dessa lambança toda os milicos ainda querem continuar falando grosso! Deviam mais é pedir desculpas a população e reconhecer que esses “aparelhados” provocaram a morte indireta de pelo menos umas 400.000 de acordo com os calculos do cientista Pedro Hallal.
    E para coroar o show de horrores agora aparecem esses indicios que são quase provas a respeito de corrupção das grossas, na casa dos bilhões. Até mesmo porque corrupções bem menores já vinham acontecendo, que o digam empresários que fizeram honestamente importações de teste anti COVID e tiveram barrados pela ANVISA seus desembaraços. Muita gente ganhou dinheiro com esses testes, mas o empecilho criado por tecnicos do Ministério da Saúde podem ser considerados como crimes quase perfeitos porque podem tranquilamente ser justificados tecnicamente.
    Já as negociações de compra dessas vacinas se utilizando de desnecessários intermediários podemos qualiificar como verdadeiros esquemas tabajaras, coisa de amadores , de um primarismo total. E vários generais, coroneis e milicos de outras patentes envolvidos até a raiz com picaretas do centrão e de outros lugares.
    Assim como batemos prá valer no PT que aparelhava a maquina publica com centenas de petralhas, temos que agora bater sem dó nesses milicos picaretas. Com uma diferença importante, todo o roubo dos petralhas não provocou umas 400000 mortes desnecessárias. Já da incompetencia e dos roubos dessa milicada infelizmente não podemos afirmar a mesma coisa.
    Mas para finalizar os maiores responsáveis por tudo isso com certeza nunca serão as Forças Armadas como instituição e sim o Presidente da República que fez de tudo para escolher os piores para administrar a Saúde, boa parte deles milicos incompetentes e desonestos.

  3. É preciso ser muito pequeno – minúsculo mesmo!, para se juntar a um sujeito como o Idiota Doidão. Ex generais se fazem de capatazes de imorais só pelos fugazes bens materiais. Viva nosso exército! (sarcasm, please)

  4. Omar Aziz ofende gravemente as Forças Armadas, mas quem se equivoca é o Ministro da Defesa e os Comandantes Militares? É vero isso aí?
    Omar Aziz já deveria estar na cadeia, há muito tempo.

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