Bolsonaro é exemplo de que a estratégia de “criar” inimigos acaba não dando certo

Para Bolsonaro, o “Gabinete do Ódio” foi péssimo conselheiro

João Gabriel de Lima
Estadão

Criar inimigos é um clássico do arsenal dos políticos. Uma anedota conhecida sobre Jânio Quadros conta que, forçado a aumentar a gasolina, o ex-presidente inventou uma teoria conspiratória e colocou a culpa nos americanos – outro clássico. Mais tarde, em sua famosa carta de renúncia, que completou 60 anos nesta semana, Jânio invocou “forças terríveis”, esperando que parte da população se juntasse a ele no combate a tais entidades. Não houve clamor popular. Jânio voltou para casa e amargou mais de 20 anos longe de cargos públicos.

Criar inimigos, em geral imaginários, tornou-se ainda mais fácil na era das redes sociais. “Diante do caos e da complexidade de um mundo em mudança frenética e acelerada, o populismo digital garante o repouso em certezas que não requerem provas”, escreveu Andrés Bruzzone em seu recém-lançado livro Ciberpopulismo. Bruzzone, consultor do Estadão e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é o entrevistado do minipodcast da semana.

MOINHO DE VENTO – Cada populista escolhe o moinho de vento que lhe parece adequado. Nicolás Maduro, da Venezuela, demoniza as ONGs de direitos humanos. O polonês Andrzej Duda já vociferou contra os imigrantes muçulmanos – que são pouquíssimos em seu país – e contra uma suposta conspiração LGBTQIA+. O indiano Narendra Modi cria leis para amordaçar a imprensa, inimiga clássica de dez entre dez autocratas.

Seguindo o exemplo de Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro radicalizou a linha de Maduro, Duda e Modi. Troca de inimigos como modelos mudam de look no “reels” do Instagram.

Seus moinhos de vento já foram o fantasma do comunismo (uma alma penada), a urna eletrônica (que nunca deu problema no Brasil) e o “kit gay” (dispensa comentários).

BRIGA COM MORAES – O mais recente é o ministro Alexandre de Moraes. Neste caso há um motivo concreto para a inimizade: “Quando se trata de livrar os seus familiares e amigos do alcance da Justiça – afinal, essa é a causa de sua desavença com Alexandre de Moraes – (Bolsonaro) não tem limites”, escreveu o Estadão em editorial.

Maduro, Duda e Modi são a prova de que a estratégia do inimigo imaginário pode trazer recompensas. Todos estão no poder em seus países. Vai funcionar com Bolsonaro? O presidente está em campanha frenética pela reeleição, mas enfrenta problemas. Sua popularidade vem caindo. A respeitada consultoria Eurasia, que previu a vitória de Bolsonaro em 2018, hoje aposta em Lula, e vê uma escotilha aberta para a terceira via.

Com a campanha antecipada a pleno vapor, os pré-candidatos perceberam que quem não colocasse o bloco na rua ficaria para trás. João Doria, Ciro Gomes e Eduardo Leite já esquentam os tamborins.

SEM CHANCES – A classe política não vê mais Bolsonaro como um player inexorável em 2022. Reportagem do Estadão mostrou que vários parlamentares duvidam que o presidente chegue ao segundo turno. O voto impresso não passou, e o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes foi rejeitado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco – ele próprio um possível candidato em 2022.

O cientista político Carlos Pereira levantou, no Estadão, a hipótese de que o presidente, antevendo o próprio fracasso, queira se tornar um mártir para seus apoiadores. Mártires, no entanto, não têm caneta. Como Trump, conseguem sobreviver politicamente – mas, como Jânio, acabam voltando para casa. Cultivar inimigos de forma serial, em modo “reels”, pode não ser uma boa estratégia.

7 thoughts on “Bolsonaro é exemplo de que a estratégia de “criar” inimigos acaba não dando certo

  1. BASTA DE AMALDIÇOAMENTO diário contra a escuridão, liguemos o Brasil na tomada do sol, porque é a luz que te quero luz, como proponho coma a RPL-PNBC-DD-ME, que nos tirará das trevas. NÃO TENHO PROBLEMA NENHUM COM A KRIPTONITA NA CADEIRA PRESIDENCIAL, até porque, afinal de contas, não sou nenhum super-homem mas apenas um estadista em busca de uma chance para mostrar que o Novo Brasil de Verdade é possível. POLÍTICA E DEMOCRACIA implicam em diálogo, conversação, entendimento, diplomacia, paciência para ouvir as razões dos divergentes, dos dissidentes e até dos adversários e, se possível, a partir das cartas colocadas sobre a mesa, pugnar para que as partes adversárias encontrem um mesmo denominador comum capaz de resolver os impasses que empatam a nação, como manda o manual do bom estadista. O FATO é que, exceto Deus, sozinho, ninguém consegue mudar país nenhum, nem a própria comunidade, a própria casa, a própria família, muito menos um país da complexidade e do tamanho do Brasil. E se a montanha não vai a Maomé, Maomé tem que ir à montanha, que, no caso, é o grande encontro nacional do próximo 7 de Setembro, o mês do início da primavera brasileira, com o próprio presidente da república discursando no sentido da aceitação de possíveis mudanças históricas, dando a entender que não será obstáculos para que elas aconteçam, falando em oportunidade histórica de nova independência do Brasil, acenando para possíveis mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas, e, por conseguinte, certamente, acenando para quem tem o projeto que contempla as mudanças de tal envergadura, que implicam até mesmo no sentido da refundação do país, uma possível mega-solução capaz de resolver todas as mazelas nacionais e nos conduzir no sentido da redenção, da política, do pais e da população, de modo a nos colocar em condições de paridade e competitividade internacional, face à reinvenção e os avanços da China comunista, p.ex., mudanças essas impossíveis de serem levadas a efeitos sem a participação ativa das forças armadas, para garantir inclusive a implementação de tais mudanças capitais. Nesse sentido, à vista do discurso do presidente da república nessa direção, a Democracia Direta com Meritocracia, que não é de direita, nem de esquerda e nem de centro, mas é isto sim do povo brasileiro, todos juntos e misturados, na estrada há cerca de 20 anos, totalmente cercada pela mídia e pelo sistema apodrecido, à vista do discurso do presidente, sente-se tentada e até obrigada a ponderar sobre a possibilidade de participar do próximo encontro popular nacional do dia 7 de Setembro, liderado pelo presidente da república, inclusive face à convicção de que não existe saída alvissareira para o país e, sobretudo, para o povo brasileiro, exclusivamente pela direita, pela esquerda ou pelo centro, mas isto sim pra frente Brasil, com todos juntos e misturados, com o povo brasileiro no comando, a direita, a esquerda e o centro, como, aliás, já estivemos todos juntos, em Junho de 2013, nas ruas do Brasil, aos gritos de “sem partidos, sem violência, sem golpes, sem corrupção, vocês não nos representam “, contribuindo assim para as soluções pacíficas para o país e o povo brasileiro, dentro dos parâmetros da nossa Constituição, com a sabedoria do Estado Democrático de Direito, que nos ensina, cotidianamente, que, às vezes, até mesmo o risco de um péssimo acordo é melhor do que uma boa demanda, no caso uma possível cruel e sangrenta guerra civil entre irmãos e irmãs que seria o pior dos mundos para todos nós brasileiros e brasileiras, principalmente para as novas e próximas gerações, de modo que se nos convidarem para o megaencontro nacional do dia 7 de Setembro é bem provável que lá estaremos, até porque não temos o rabo preso com ninguém, exceto com Deus e com a melhor solução possível para o nosso país e a nossa gente, desprendido de ego, vaidades, ambições e interesses pessoais, a Solução para o Brasil e o povo brasileiro é o que me interessa, o resto (ódio, vinganças, sentimentos ruins e negativos que caracterizam a baixa animalidade), não me interessa. Amém, irmãs e irmãos. http://www.tribunadainternet.com.br/nunca-uma-oportunidade-para-o-povo-sera-tao-importante-como-o-dia-7-diz-bolsonaro/?fbclid=IwAR2LpONtHE01Dz9vg4vmx6rztiVIKS_gXb24RfZv-dN0ujNAvfLGFEUim2E

  2. Li uma piada assim, um candidato perguntou quanto ao dono do instituto de pesquisa queria para que ficasse em primeiro lugar, — por dinheiro eu coloco o senhor para disputar a eleição contra o segundo lugar que é o senhor mesmo.

  3. Para aglutinar a população em torno de um objetivo é altamente efetivo que se crie um inimigo comum. Já foi o comunismo. Estes inimigos são quase sempre pessoas “do mal”. Publicas e facilmente identificadas pelo povo.
    Porém Bolsonaro, incompetente que é, divaga e se torna ele próprio inimigo de ex colaboradores, de ex apoiadores, de colegas de partido!
    Não são moinhos de vento. São pessoas que se sentem traídas.
    Os maiores inimigos de Bolsonaro não são seus adversários políticos. Ele que se cuide da sua guarda pretoriana!

  4. E não é para menos que o mito colecione mais inimigos do que faz amigos, adora só se cercar de bajuladores e puxa sacos. Depois foi deputado por quase 30 anos, é tempo à beça para se achar o rei da cocada, qual deputado ou senador não se acha assim? Mas para ele é ainda pior, se elegeu sem quase fazer força alguma e, tudo isto graças a uma facada, caso contrário hoje ninguém se lembraria do cara. A vida não ensinou nada ao mito, só vem lhe reforçando o mau caráter que prova todos os dias que tem.

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