Bolsonaro elevou a tensão política ao endossar acusações contra Câmara e Senado

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Alcolumbre e Maia vão ter de administrar mais essa intrigalhada

Rodolfo Costa
Correio Braziliense

O protagonismo assumido pelo Congresso, como a proposta de construção de uma reforma da Previdência que desfigura o projeto encaminhado pelo governo, é mais uma resposta à postura de confronto do presidente Jair Bolsonaro. Não bastando as falhas na articulação política, o chefe do Executivo federal insiste no embate com o parlamento. A amigos, enviou pelo WhatsApp, nesta sexta-feira, um texto de autoria do analista financeiro Paulo Portinho, candidato a vereador pelo Novo em 2016, que classifica o Brasil como “ingovernável fora dos conchavos”. O problema é que a publicação vazou e enfureceu lideranças partidárias influentes.

Parlamentares associam a reprodução do texto ao pensamento de Bolsonaro, que, na quinta-feira, declarou que não abrirá mão dos “princípios fundamentais” que sempre defendeu de uma “nova forma de se relacionar com os poderes da República”.

COMPRA DE VOTOS – A publicação compartilhada comenta que, “desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal ‘presidencialismo de coalizão’, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público”.

Ainda de acordo com o texto, o governo deixou clara a “ingovernabilidade fora dos conchavos” por se tratar de um “governo atípico”. “Bastaram cinco meses de um governo atípico, ‘sem jeito’ com o Congresso, e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda, sejam de direita”, escreveu Portinho, em publicação divulgada em 11 de maio numa rede social.

DIZ O PORTA-VOZ – A informação de que o presidente distribuiu o texto para contatos no celular foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, tentou amenizar o desconforto e informou, em nota atribuída a Bolsonaro, que o presidente vem colocando todo o esforço para governar o Brasil.

“Infelizmente, os desafios são inúmeros, e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que, no passado, se beneficiavam das relações pouco republicanas”, destacou. “Quero contar com a sociedade para, juntos, revertermos essa situação e colocarmos o país de volta ao trilho do futuro promissor.”

SEM DIÁLOGO – O confronto buscado por Bolsonaro mantém a coerência demonstrada por ele até o momento, mas não é uma estratégia inteligente para um presidente da República que precisa construir uma maioria e aprovar as pautas desejadas pelo governo, alertou o líder do PTB na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA).

“Sentar, conversar, dialogar e criar maioria não é conchavo. Simples assim. Eu acho que, nos 28 anos que Bolsonaro passou pelo Congresso, viu muita coisa ruim, mas também viu muita coisa boa. E ele sabe que se constrói maioria conversando”, ressaltou.

A postura de Bolsonaro é diferente daquela apresentada a presidentes nacionais de partidos do Centrão em 5 de abril, quando afirmou que “o que vale é a boa política”. “Não falamos de conchavo. É preciso parar de dizer que existe nova e velha política. Tudo é política. É a arte do convencimento, diálogo e conversa”, criticou Fernandes. “Agora, é preciso ter paciência para fazer isso e, se não tiver, não vai criar maioria nunca.”

ALIADOS? – O problema, agora, está no convencimento. Como Bolsonaro persevera no conflito, líderes partidários não conseguem ter previsibilidade de quando ele passará a vê-los como aliados, e não inimigos e afãs de conchavos. O líder do PR na Câmara, Wellington Roberto (PB), ressaltou que é o próprio governo que precisa dar explicações e parar de jogar a sociedade contra o Congresso por meio das redes sociais, numa queda de braço danosa para o país.

A resposta do Congresso ao governo em tempos de embate será a busca pelo protagonismo, admitiu Roberto. “Vamos traçar uma pauta e botar para votar aquilo que realmente interessa ao país. É preciso aprovar a reforma da Previdência, mas não vamos deixar de fazer ajustes. Temos que expurgar na Comissão Especial uma ‘fábrica de bananas’ que o governo jogou (no texto), ferindo a própria Constituição”, destacou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reação do Congresso é normal. Bolsonaro foi inábil ao endossar as acusações aos políticos, na hora em que mais precisa deles. Depois voltaremos ao assunto, que é decisivo neste delicado momento político. (C.N.)

16 thoughts on “Bolsonaro elevou a tensão política ao endossar acusações contra Câmara e Senado

  1. 1) História: no dia 26 de maio de 1994…

    2) A Unesco declarou a cidade mexicana de Zacatecas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

    3) No bairro carioca de Laranjeiras, há um edifício com o nome Zacatecas, homenageando a referida cidade.

  2. Pergunto a imprensa, só CN e outros, tem alguma mentira no texto divulgado?

    É interessante que criticam o Bolsonaro por ter divulgado o texto, mas ninguém tem coragem de dizer que ele está errado.

    Por que o fato é que o congresso nacional é hoje apenas um amontoado de corporações e que se recusam a fazer qualquer concessão para o bem do país, o pouco que é conseguido só vem com base em muita chantagem, desvios públicos e bebesses.

    Este blog mesmo, dia sim dia não, denúncia as chantagens e a falta de comprometimento das corporações. Mas na hora que o monstro se mostra com toda sua raiva, os críticos se acovardam?

    Quero ver alguém da imprensa mostrando onde está o erro, a mentira do texto, o fato é o Brasil se tornou ingovernável se não pagar as chantagens das corporações.

    • E o mais curioso é o seguinte: Quem deveria ter produzido esse texto seria a imprensa. Esse é o papel da imprensa.

      Por que não fez? Porque a grande mídia transformou-se numa espécie de partido político que faz campanha desonesta e descarada o tempo todo para desestabilizar o Presidente.

      Toda essa gritaria em torno desse texto significa que ele tocou bem no fundo da verdade: existem, sim, as corporações que trabalham contra o Brasil e a grande imprensa é a principal delas.

        • Bolsonaro apenas publicou um texto que achou interessante. Ele não tem obrigação de nomear nada. A imprensa é quem tem o dever de esclarecer o povo, é sua função. Se dedicassem o mesmo esforço que despendem no caso Queiroz, talvez o povo soubesse os nomes de todos os chantagistas do Congresso.

          • Compartilhou porque “achou interessante”?

            Desculpe, Vicente, mas achar que o presidente é ingênuo a esse ponto chega a ser ofensivo ao Bolsonaro, que é um sujeito que tem 30 anos de política. A partir do momento em que ele repassa um texto que fala em “ruptura institucional irreversível”, “conchavos” “desfecho imprevisível”, ele está ratificando seu conteúdo. Isso não é mera curiosidade de adolescente, ele sabia que o texto seria vazado. Vamos parar de tratar Bolsonaro como um ingênuo trapalhão. Ele foi deputado por 28 anos, não entrou ontem na política. Se tem agentes ou corporações que o estão impedindo de governar, que ele trate de nomea-los. Não vai adiantar nada ele ficar mandando recadinhos pelas redes sociais.

  3. Agora nós podemos ver a olho nu com quem o PT estava governando.

    A questão que nós temos que colocar agora deve ser invertida: como o PT conseguiu fazer tudo o que fez mesmo tendo que governar com esses caras?

  4. REFORMA ADMINISTRATIVA: Não está claro na reportagem qual reforma administrativa será aprovada e quando, a se a Medida Provisória acerca disso editada pelo presidente Jair Bolsonaro não for votada perderá sua eficácia comecinho de junho. Aí volta a vigorar o esqueleto ministerial do governo Temer e os presidentes da Câmara e do Senado darão início a outra agenda “muito objetiva de reestruturação do Estado brasileiro”. http://tribunadainternet.com.br/maia-garante-que-a-reforma-administrativa-sera-aprovada-na-camara-e-no-senado/#comment-650850

    COMO CIRO VEM FALANDO: O desvio das contribuições sociais destinadas à Previdência, desde 1994 (FHC, Lula e Dilma 20%, Temer e Bolsonaro 30%) quando foi estabelecido, é o principal componente da chamada Desvinculação de Receitas da União (cerca de 90% dos recursos desvinculados são das contribuições sociais) feita para gerar o nefasto “superávit primário”, recursos garantidos ao setor financeiro. https://horadopovo.org.br/jair-soares-problema-da-previdencia-e-o-desvio-de-seus-recursos-pelo-governo

    SENTENÇA DE MORTE: A família de Roberto Marinho, que não tem credibilidade nem moral para falar em democracia, está sentenciando o fim do mandato de Jair Bolsonaro já tendo assumido em outra publicação veiculada no dia anterior a defesa do impeachment do atual presidente (Observemos bem o que vem por aí!!!): Em defesa da única bandeira que ainda liga as Organizações Globo ao presidente da República, o jornal diz que a “atuação de Bolsonaro, que se soma à capacidade dos filhos de semearem problemas para o governo”, prejudica a “atmosfera política” para aprovação da reforma da Previdência. https://www.revistaforum.com.br/editorial-do-globo-diz-que-estilo-de-governar-pelo-confronto-de-bolsonaro-nao-dara-certo-na-democracia

    E a direita continua usando Lula como e quando bem quer, observem como as frases de efeito são jogadas ao vento: “…você acredita nisto?…” (sobre o potencial de Ciro para derrotar Bolsonaro) ou “…tenho certeza que o Departamento de Estado dos Estados Unidos está por trás disso…” (falando do Judiciário)… O Departamento de Estado dos Estados Unidos ajudou a inflar Lula, contra Leonel Brizola, e ele sabia disso. Eu não tenho prova, só convicção brizolista, compreendeu? https://twitter.com/TheInterceptBr/status/1129446488004857858?fbclid=IwAR3Y9yc15vUc9Q649_jFshrCgic2W9mWYHM6Vm-i8ODKp8IMwoVKNwn9pJk

  5. Alguns nomes de deputados do Centrão que estão chateados porque perderam as “articulaçõe$”:

    Artur Lira (PP-AL, Líder do Bloco MDB/PP/PTB).

    Baleia Rossi (MDB-SP, Líder do MDB), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, Líder da Maioria), Paulinho da Força (SD-SP, Presidente do Partido SOLIDARIEDADE), Marx Beltrão (PSD-AL), Domingos Neto (PSD-CE), Wellington Prado (PROS-MG), Altineu Cortes (PR-RJ, vice-líder do PR), Giacobo (PR-PR), Bacelar, José Rocha (PR-BA, ex-Líder do PR), Wellington Roberto (PR-PB, Líder do PR), Russomano (PRB-SP), Fufuca (PP-MA), Arthur Oliveira Maia (DEM-BA), Efraim Filho (DEM-PB, vice-Líder do DEM), Bilac Pinto (DEM-MG), Juscelino Filho (DEM-MA).

    Todos sob o comando de Nhonho, vulgo Botafogo.

  6. Senhor presidente Jair Messias Bolsanaro. o texto que todos comentam reflete atual conjuntura brasileira,um monte de aproveitadores ganhando fortunas com mordomias que fazem parte dessa casta politica, o Brasil nao pertence a eles e sim ao povo sofrido que ganha pouco pra sustentar essa casta nefasta, acabe com isso, gaste mais com o exercito, tantas obras paradas e as pessoas sem trabalho, gaste com a saude, a educacao e a seguranca no Brasil, o senhor tem a chance de entrar na historia e nos livros como o UNICO presidente no Brasil que acabou com a forma dos politicos ficarem ricos e milonarios nas custas do povo, Vivemos em 2019 mas somos escravos trabalhando pra ganhar o dinheiro que eles gastam com mordomias e agora com a culinaria de fino trato, faz mais de 30 anos que somos escravos do seculo 20 a sustentar os senhores da senzala brasileira, eu sou apenas um brasileiro com filhos que nao consegue ver um futuro melhor pra eles. O texto escrito tem fundamento e por isso tantos estao incomodados , porque sera?

  7. Piada do Ano … Para os saudosistas da era da bandidolatria, o Botafogo, sabujo da OAS e glutão da GOL, virou administrador de crise. Em troca do velho toma lá dá cá, o trairão atravanca os projetos do Executivo e amplifica a crise para ferrar com o Brasil e, para os ceguetas, Bolsonaro é o culpado. Fecha logo o esse antro, Presidente.

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