Bolsonaro escorrega feio na falsa disputa entre saúde da economia e saúde das pessoas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

William Waack
Estadão

No Brasil, a ideia de morrer pela coletividade é um conceito distante. A complacência com a morte e a violência é o que expressa melhor um traço da nossa sociedade – basta observar como nós, brasileiros, conseguimos conviver com taxas horrendas de criminalidade há tanto tempo. Enquanto nos orgulhamos e exaltamos a nossa cordialidade, bom humor e alegria de viver.

Com decisiva ajuda do presidente Jair Bolsonaro, mas não só dele, o debate sobre a crise do coronavírus e suas consequências aqui descambou para um ácido maniqueísmo entre saúde das pessoas versus saúde da economia. Debate que, no fundo, mal encobre uma falsa dicotomia. Não dá para separar uma coisa da outra.

DARWINISMO SOCIAL – No extremo lógico do argumento abraçado por Bolsonaro vamos chegar a uma questão ética que ele provavelmente nem percebe, e que está contida na expressão “darwinismo social”. Simplificando bastante, significa tolerar que os mais frágeis sucumbam, pois assim determinam as “leis” da evolução social – além da noção (pouco difundida na nossa sociedade) do “bem comum”.

Bolsonaro e a defesa que faz da “saúde da economia” (simploriamente, ele deixou-se identificar com um lado na falsa dicotomia) espelham o fato de a sociedade brasileira tolerar a convivência com brutalidade (e desigualdade e miséria), mas, como cálculo político, traduz um perigoso erro de leitura da realidade. Pois, em política, mesmo com nossas notórias hipocrisias, ninguém conseguirá sobreviver associado à noção de que os mais frágeis precisam perecer pelo bem comum da economia.

APENAS INTUITIVO – Bolsonaro não é um jogador de xadrez e, por isso, é difícil assumir que seus atos sejam uma sequência de lances. Ele é um ser político intuitivo que reage a estímulos dados por um grupo restrito de “conselheiros” obcecados por posturas ideológicas que pouco passam de fantasias perigosas, à paranoia das “conspirações” e ao cálculo prático de quais vantagens políticas se oferecem no prazo mais imediato.

Além de copiar o deus Trump, que viu os índices de popularidade subirem quando começou a falar que as pessoas querem voltar a trabalhar.

No caso da crise do coronavírus, ele a enxerga como uma ameaça pessoal trazida pela deterioração provável (só se discute o tamanho) da economia e, consequentemente, dos seus índices de aprovação e chances eleitorais. Ocorre que, nessa competição para superar adversários eleitorais reais ou imaginários – governadores de Estado –, ele abriu uma fissura institucional de consequências políticas difíceis de serem antecipadas (só se discute o tamanho).

ESGARÇAMENTO DA LIDERANÇA – É o fato de que passaram a existir várias autoridades no enfrentamento da crise, em vários níveis da Federação. Sem que exista – além da formalização de comitês vários – uma liderança central que seria essencial para enfrentar o que vem por aí, em qualquer sentido. Ao contrário do que parece supor Bolsonaro, o público dificilmente fará uma distinção entre quem disse o quê neste momento sobre como combater a crise.

“Quem tinha razão” vai importar muito pouco lá na frente, pois o País – parte-me o coração ter de dizer isso – já entrou na dupla catástrofe de saúde pública e de economia devastada. A questão da liderança surge mais uma vez como um peso negativo no enfrentamento de nossos problemas – faltaram lideranças consequentes em todos os graves episódios e, sobretudo, lideranças com visões além dos seus interesses políticos mais próximos.

AMEAÇA GRAVE – Terminei o texto da semana passada afirmando que o coronavírus era uma ameaça grave para Jair Bolsonaro. Entendido, como ele foi, como uma liderança surgida numa onda disruptiva, a onda de 2018.

Não calculava, porém, que a crise pudesse diminuí-lo com tanta rapidez. É o que acontece, como se diz em gíria, quando alguém se empenha em dar tanta sopa para o azar.

24 thoughts on “Bolsonaro escorrega feio na falsa disputa entre saúde da economia e saúde das pessoas

  1. Estreme de dúvida que é possível que os governos federal, estaduais, o DF e os municipais possam combater simultaneamente o coronavírus e defender os empregos, a produção, enfim a atividade econômica.
    É uma questão de lógica e razoabilidade. Imaginemos a seguinte situação: o padeiro parar de produzir pão; o médico e o enfermeiro deixarem de atender os pacientes; o caminhoneiro deixar de transportar produtos, insumos e alimentos; o fazendeiro parar de produzir alimento, os catadores de lixo pararem a sua coleta, etc.
    O que ocorrerá com esse país de dimensões continentais?
    Certamente haverá CONVULSÃO SOCIAL e ela ocorrendo, induvidosamente matará muito mais do que a doença chamada COVID-19.
    Já passou da hora de todas as autoridades desse país, sobretudo os governadores e prefeitos pensarem sobre essa possibilidade nefasta para a nação brasileira.
    Ainda que me possa custar a VIDA, por isso sou favorável ao retorno da NORMALIDADE, evidentemente que AGLOMERAÇÕES devem ser evitadas até que esse malsinado coronavírus recrudesça.

    • Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro parecem ter tido alguma visão profética. Na composição abaixo avançam um pouco mais no que estamos prestes a vivenciar com o desmonte das estruturas social e econômica no país…

      “O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL”

      O dia em que o morro descer e não for carnaval
      ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
      na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
      vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil (é a guerra civil)

      No dia em que o morro descer e não for carnaval
      não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
      e cada uma ala da escola será uma quadrilha
      a evolução já vai ser de guerrilha
      e a alegoria um tremendo arsenal
      o tema do enredo vai ser a cidade partida
      no dia em que o couro comer na avenida
      se o morro descer e não for carnaval

      O povo virá de cortiço, alagado e favela
      mostrando a miséria sobre a passarela
      sem a fantasia que sai no jornal
      vai ser uma única escola, uma só bateria
      quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
      que desfile assim não vai ter nada igual

      Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
      nem autoridade que compre essa briga
      ninguém sabe a força desse pessoal
      melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
      senão todo mundo vai sambar no dia
      em que o morro descer e não for carnaval

      https://www.vagalume.com.br/wilson-das-neves/o-dia-em-que-o-morro-descer-e-nao-for-carnaval.html

  2. Mensagem de uma eleitora do Bolsonaro para seu pai esquerdista…
    “Sabe, papai….
    Fico aqui pensando…
    Ele tem a sua idade…família…filhos…inclusive, uma filha pequena…
    Ele poderia estar assim, em casa, resguardadinho nessa hora, exatamente como você está…de boa, curtindo o mar, como todo aposentado merece estar…
    Nesse momento de epidemia, sendo ele, também, pertencente ao grupo de risco…está, agorinha e o dia todo, reunido com governadores, empresários, comerciantes, etc…juntamente com aqueles excelentes e sérios ministros, decidindo quais providências tomar em meio ao caos inevitável. Fazendo das tripas um coração para que os danos físicos e econômicos sejam os menores possíveis. Porque não é fácil….
    É como um cobertor….você precisa cobrir tudo mas, se esticar muito aqui, descobre ali….e vice-versa…
    Que missão a desse homem!
    Ter que transformar em hospitais os estádios que o Lula preferiu construir, em nome da Copa (vergonhosa, aliás)!
    Ter que se virar para cobrir os rombos que nos outros 16 anos foram abertos, descaradamente, na nossa nação.
    Esse homem poderia estar passando álcool nele o dia todo e de máscara…apenas ouvindo aos noticiários e dando uma de especialista em política, economia, saúde, segurança, etc…pagando de militante nas redes sociais da vida e debochando de cada passo que o presidente estivesse dando…ou da “máscara” que ele não soube usar…
    Mas ele preferiu ser o “linha de frente”…ser bombardeado todos os dias…mas tentar fazer algo por esse país, de dimensões continentais…
    Ele erra…como todos nós…mas quem de nós gostaria de estar no lugar dele…principalmente agora?
    Deboches e críticas tão pessoais mostram tremenda falta de empatia e amor ao próximo. E é o que mais me entristece…
    Não temos bons exemplos que o antecederam…não estamos nem na metade do seu mandato…
    Mas os leigos esquerdistas, trancafiados em suas casas, confortavelmente, acham-se capacitados para condená-lo.
    Que o façam!
    Ele é valente, graças a Deus…e boca dura pra quem merece…
    Vai permanecer firme e muito ainda fará….independente da torcida contrária. ..
    Somos maioria…estamos com ele…
    Primeiro porque ele é um ser humano como nós….e por isso merece respeito…
    Segundo porque o elegemos…
    E terceiro porque sabemos que quem coloca Deus na frente já está com a vitória garantida…
    E venceremos…
    Somos Bolsonaro…bolsominions…robôs…o que quiserem…
    Mas somos convictos…assim como ele!
    Ser Bolsonaro e eleitor do Bolsonaro é para os fortes….
    Não é pra qualquer um!”
    Fiz questão de copiar esse texto. Ele não é meu. Mas é de alguém que pensa, age e fala, EXATAMENTE COMO EU.
    Faço dessas palavras não uma idolatria, mas um olhar de orgulho e amor, por um homem que está lutando por seu povo e que esse povo não quer enxergar.

    Josemir Moraes

    • Waac, quando estava na O Globo era mais claro. Isso que escreveu está MUITO CONFUSO. Waac, assim que na saúde e economia já fracassou? Como assim explica. Na saúde só o SENHOR TEMPO DIRA QIEM TEM A RAZÃO!!! Acho que nem sequer vamos a precisar passar a pandemia, porque antes a falta de alimentos e a FOME, criará os saqueios, assaltos e pânico geral. Disso está falando Bolsonaro e outras lideranças mundiais e infelizmente os analistas políticos que diziam que Bolsonaro não passava do primeiro turno, pois continuam dando seus palpites. Não levam uma e agora é a situação da saúde e economia. Ainda não entendem que o homem ganhou as eleições e tem que respeitar a decisão é o apoio do povo brasileiro que está com o Presidente apoiando incluso arriscando sua vida como foi na última manifestação.

  3. Suécia, Holanda, Japão, México eram países que não tinham adotado muitas regras de isolamento. Mas com o crescente número de contaminações e mortes, como também o número de internações, esses países tiveram que rever o posicionamento e começaram a tomar medidas restritivas.

    Certamente, o mundo experimentará uma recessão. Quase todos os PIBs serão negativos. Até a previsão do crescimento do PIB da China é próxima a zero.

    Todos os estudos mostram que se a taxa de contaminação continuar crescendo, numa curva tal que o sistema de saúde não suporte, a economia piora muito e demorará bem mais tempo para se recuperar.

    Se as restrições forem afrouxadas antes do tempo, a economia não se recuperará, ao contrário. Claro, os serviços essenciais devem ser mantidos dentro do possível. Saúde, alimentação, agricultura, supermercados, limpeza, bancos, energia, transporte, devem continuar operando e aplaudo àqueles que trabalham nessas áreas.

    Porém, pretender voltar à normalidade, sem que antes se tenha um quadro real da situação é anticientífico, puro chute. A economia, muitas empresas e empregados estão a perigo, sim, estão. Mas se não for resolvida a questão da saúde, o baque vai ser muito maior.

    O problema crucial é como o governo vai agilizar a ajuda aos trabalhadores informais, formais e empresas. Isso vai ter que ser rápido para minimizar um pouco o caos. E novas medidas terão que vir.

  4. Waack, comentarista da já conhecida e famigerada CNN.
    Tipo globo lixo.
    Um bando de golpistas e aproveitadores, sem qualquer compromisso com o Brasil e o interesse nacional.
    Crápulas.

  5. Fico pensando se o Bolsonaro tivesse feito aqui o que foi feito na China, os adjetivos que teria levado; se, antes do carnaval, quando a doença começou a se alastrar, tivesse obrigado todos a ficar em casa – tal qual a China…

    • “O Distrito Federal segue com a quarentena em vigor, com APENAS alguns locais reabertos a partir da próxima semana, como casas lotéricas e postos de atendimento bancário, utilizados por populações mais carentes para receber benefícios sociais.”

  6. Ao tomar um pé na bunda da dona Globo, William Waack, parecia ter melhorado como jornalista e ser humano, gravando seus vídeos em You Tube e não sei mais o quê. Ledo engano, continua a mesma arrogância de jornalista.

    Fora do texto dele,que não vale nada, aproveito para lembrar: Bolsonaro não pediu para fazer carreta e sim para o comércio voltar a funcionar para economia não entrar em colapso e faltar até remédio para cuidar dos doentes.

    Bolsonaro tem razão.

  7. Bolsonaro age de maneira insana e irresponsável!

    Deveria ser mantido à força dentro do Alvorada, e sair depois da quarentena.

    Além de demonstrar desprezo às recomendações de Mandetta e demais autoridades mundias em se manter o isolamento social, o maluco ainda aglomera um bando de idiotas e imbecis em torno dele!!!!

    Bolsonaro nos envergonha como presidente, além de comprovar a omissão e passividade criminosas por parte das FFAA!!!!

  8. Certamente os que defendem a atitude demagógica, insana e irresponsável de Bolsonaro quanto a incentivar o povo para trabalhar, sair de casa, e retomar a vida de antes, NÃO PRECISAM SAIR DE SUAS residências!

    Causa-me perplexidade que muitos admitem o presidente estar coberto de razão, se o resto do mundo está justamente fazendo o contrário.

    O que o presidente quer provar com essa imprudência e desprezo à gravidade da doença?
    Tá querendo o quê?
    Acha que assim não vai ter problemas maiores com a economia?

    Estúpido e imbecil, idiota e energúmeno!
    A nossa situação econômica já vinha ruim muito antes do vírus.
    O corona só complicou o que antes não tinha solução.
    Bolsonaro tenta se isentar de culpa no futuro, conforme a intensidade de nossas dificuldades nesse segmento:
    – Eu não disse? O Brasil não podia parar, talquei??

    Quanto à possibilidade de milhares de vidas serem abatidas pelo vírus, também ele já tem a sua desculpa:
    – Eu falei que muitos iriam morrer, talquei?!

    Que absurdo esse comportamento de um presidente, mesmo sendo desta republiqueta!

    Mais uma vez pergunto, com a minha decepção, revolta e indignação aumentando:
    Aonde estão as FFAA, que têm o dever e a obrigação de proteger o povo??!!

    Embaixo dos cobertores?
    Dentro dos quartéis?
    Em casa, de resguardo?!

    Francamente, que exército Brancaleone que nos saiu o brasileiro, que vergonha!!
    Pobres e miseráveis sendo comandados por Bolsonaro, que os leva para enfrentar a peste do COVID-19, e sequer montado em um pangaré!

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